COMISSÃO EUROPEIA
Estrasburgo, 22.10.2024
COM(2024) 490 final
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES
Construção do Espaço Europeu da Investigação (EEI)
Reforçar a investigação e a inovação na Europa: evolução e perspetivas futuras do EEI
1.Introdução
A ambição de criar um Espaço Europeu da Investigação (EEI) enquanto mercado único da investigação, da inovação e da tecnologia em toda a União Europeia (UE) surgiu em 2000, no âmbito da Estratégia de Lisboa. Em 2009, ao abrigo do artigo 179.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE), o Tratado de Lisboa reconheceu formalmente o EEI como um dos objetivos da UE. O EEI deverá ser concretizado, principalmente, através i) da reforma das políticas, sistemas e regulamentação nacionais em matéria de investigação, ii) de um maior investimento na investigação e inovação (I&I) e iii) do estabelecimento de prioridades comuns para o investimento em I&I na UE.
O reforço da base científica e tecnológica da Europa através da cooperação transfronteiras, a criação de massa crítica e a promoção da concorrência à escala continental potencia a qualidade e o impacto da ciência e a atratividade da Europa enquanto espaço para se ser cientista ou inovador. Tal como salientado por Mario Draghi no relatório sobre o futuro da competitividade europeia(), a I&I é fundamental para o crescimento da produtividade, o desenvolvimento económico e a competitividade, para a criação de mais e melhores empregos e para a capacidade da Europa para encontrar soluções mais eficientes para desafios como as transições ecológica e digital. As orientações políticas para a próxima Comissão Europeia 2025-2029 sublinham igualmente o papel central da I&I para a competitividade().
Num Espaço Europeu da Investigação plenamente eficaz, os investigadores, os conhecimentos e os dados circulariam livremente. Os dois milhões de investigadores europeus beneficiariam de excelentes condições de trabalho independentemente do local onde estiverem estabelecidos e teriam acesso a infraestruturas de investigação de nível superior. Por seu lado, os inovadores encontrariam um ambiente favorável à expansão das suas inovações.
Nas últimas duas décadas foram realizados progressos significativos, nomeadamente quanto ao desenvolvimento de infraestruturas de investigação europeias e o acesso às mesmas, à criação de programas conjuntos de investigação e de programas emblemáticos europeus para apoiar a excelência da investigação e aumentar a atratividade da Europa aos olhos dos talentos mais promissores a nível mundial, à criação de melhores condições para a mobilidade dos investigadores, ao aumento da atratividade das carreiras de investigação e a um acesso mais aberto aos resultados científicos.
No entanto, como refere o relatório Draghi, o sistema de I&I da Europa continua a ser marcado por disparidades e uma fragmentação consideráveis entre os diferentes Estados‑Membros e as diferentes regiões. Nos últimos anos, as regiões da UE com os melhores resultados mostraram-se oito vezes mais inovadoras do que as menos bem sucedidas(). Esta diferença é particularmente notória nas condições estruturais desiguais das atividades de I&I, com o investimento público e privado em investigação e desenvolvimento (I&D) a manter-se muito abaixo da meta de 3 % do produto interno bruto (PIB). Os quadros regulamentares e empresariais para a implantação da inovação e o crescimento das empresas inovadoras também variam significativamente na Europa.
Na sua comunicação de 2020 intitulada «Um novo EEI para a Investigação e a Inovação»(
), a Comissão Europeia propôs que fossem envidados novos esforços com vista à superação do abrandamento do desenvolvimento do EEI, à adaptação a um panorama mundial da I&I em rápida mutação e a um melhor apoio às transições ecológica e digital da Europa. O Pacto para a Investigação e Inovação() introduziu um novo quadro estratégico, bem como a agenda estratégica do EEI, uma nova estrutura de governação e um sistema de acompanhamento.
Passados quatro anos, o agravamento das tensões geopolíticas, a concorrência económica e o crescimento acentuado de tecnologias revolucionárias como a inteligência artificial requerem que se proceda a uma avaliação sólida dos progressos do EEI. A presente comunicação de 2024 faz o balanço dos progressos alcançados desde 2020, identificando os êxitos, as insuficiências e os domínios em que serão necessárias novas medidas para se concretizar os objetivos do EEI.
2.Prioridades do EEI: quatro anos depois
A comunicação de 2020 intitulada «Um novo EEI para a Investigação e a Inovação» delineou quatro objetivos estratégicos, que foram aprovados pelo Conselho no Pacto para a Investigação e Inovação:
(I)priorizar investimentos e reformas,
(II)melhorar o acesso à excelência,
(III)transpor os resultados da I&I para a economia e
(IV)aprofundar o EEI.
Com base nestes objetivos, o Roteiro do EEI apresentou em pormenor 20 ações específicas para o período de 2020-2024().
Para atingir estes objetivos de forma eficaz e melhorar a coordenação entre os Estados‑Membros e a Comissão Europeia, foi criada uma nova estrutura de governação, com três componentes. O primeiro componente é o Comité do Espaço Europeu da Investigação e da Inovação (CEEI), o qual foi confirmado como o comité consultivo conjunto de alto nível para a política estratégica. O segundo componente é o Fórum do EEI, cuja composição integra os Estados-Membros da UE, os países associados ao Horizonte Europa, as partes interessadas e a Comissão. O Fórum do EEI coordena a definição de prioridades e elabora planos de ações conjuntas num processo de cocriação (agenda estratégica do EEI). Facilita igualmente a execução destas ações através de grupos de trabalho específicos, de iniciativas e do intercâmbio de boas práticas. O terceiro componente da nova estrutura de governação consiste num novo sistema de acompanhamento(), criado para acompanhar os progressos e avaliar o impacto das ações do EEI.
A fim de preservar a abertura em matéria de cooperação internacional no domínio da investigação e da inovação, promovendo simultaneamente a reciprocidade e condições de concorrência equitativas assentes em valores fundamentais, a comunicação introduziu uma dimensão geopolítica. Estes princípios foram reforçados na Comunicação da Comissão, de 2021, sobre a abordagem global da investigação e inovação Estratégia da Europa para a cooperação internacional num mundo em mutação() e na Recomendação do Conselho, de 2024, relativa ao reforço da segurança da investigação().
Desde 2020, a participação dos cidadãos na I&I tem estado também no centro do «novo EEI», com o intuito de reforçar a confiança na ciência e ajudar a alcançar um maior impacto societal através da adoção de novas ideias e inovações.
As secções seguintes exploram as questões abordadas pelos quatro objetivos, analisam os progressos realizados desde 2020 e identificam os domínios de ação futura().
2.1.Priorizar investimentos e reformas
Objetivo
O Espaço Europeu da Investigação visa alcançar, através da colaboração, a escala e a eficiência necessárias para responder de forma eficaz às necessidades da Europa em matéria de investigação e inovação. Numa altura em que a Europa tem de concentrar os seus esforços em domínios cruciais para o seu bem-estar, competitividade e sustentabilidade futuros, a duplicação, a substituição e a fragmentação dos investimentos e iniciativas de I&I seriam contraproducentes. Por outro lado, a cooperação transfronteiras gera ganhos de eficiência com a obtenção de massa crítica através da congregação de recursos.
Contudo, o êxito exige um forte compromisso político, em toda a União, para identificar prioridades conjuntas, coordenar medidas políticas ou regulamentares e congregar investimentos. Sem uma priorização sustentada do investimento em I&I a nível nacional, a par do estabelecimento de regulamentação e políticas de apoio, o EEI não pode ser plenamente eficaz. Para tal, é fundamental que cada país proceda a uma avaliação exaustiva das suas necessidades, em especial no que respeita à organização dos seus sistemas de investigação ou universitário (incluindo o apoio aos mesmos), às condições de trabalho dos investigadores, à gestão dos direitos de propriedade intelectual (DPI) ou ao contexto empresarial e operacional geral das empresas inovadoras, identificando os casos em que sejam necessárias reformas estruturais.
Em 2021, o Pacto para a Investigação e Inovação apelou ao estabelecimento de objetivos ambiciosos, mas realistas, para impulsionar as reformas necessárias a nível nacional e regional, definindo como meta final investir 3 % do PIB da UE em I&D, dos quais dois terços provenientes do setor privado. Em abril de 2024, o Conselho Europeu reconheceu que esta meta constituía um fator determinante para impulsionar a competitividade da Europa a longo prazo().
Progressos
Desde 2020 que a Comissão Europeia trabalha em estreita colaboração com os Estados‑Membros para reforçar e alinhar melhor os esforços de I&I em toda a UE. Este objetivo foi alcançado através de uma política específica, do apoio técnico e financeiro a reformas estruturais e de medidas «suaves», tais como intercâmbios de experiências e diálogos sobre políticas().
Os fundos da política de coesão e o Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) revelaram-se instrumentos fundamentais para identificar as necessidades de reforma específicas e agir no domínio das condições estruturais da I&I. No período de 2021‑2027, o apoio da política de coesão, através de vários programas nacionais e regionais, cada um deles assente em estratégias de especialização inteligente de base local, afeta 36,5 mil milhões de EUR a investimentos em I&I e em competências relacionadas com a inovação(). Desde 2021, o MRR mobilizou 55,6 mil milhões de EUR para I&I, em articulação com reformas estruturais fundamentais destinadas a melhorar o funcionamento e o desempenho dos sistemas de I&I dos Estados-Membros. Deste total, 35,5 % facilitam a transição ecológica e 9,3 % são direcionados para a I&I no domínio das tecnologias digitais. As reformas estruturais paralelas e os investimentos complementares no âmbito do MRR deverão também contribuir de forma significativa para o EEI, nomeadamente com o reforço da exploração dos conhecimentos, a promoção de ligações mais fortes entre o meio científico e as empresas (por exemplo, em França e na Grécia), o apoio a ecossistemas de I&I mais fortes, através da melhoria dos serviços prestados às PME e às empresas em fase de arranque (por exemplo, na Lituânia), ou o aumento do número de empresas que investem em atividades de I&I (por exemplo, na Croácia). O investimento em I&I e a dinâmica de reformas gerados pelo MRR conduziram já a resultados concretos. Por exemplo, a Eslováquia está a reforçar a sua excelência científica mediante a consolidação das suas universidades e a reforma da governação das mesmas, de modo a assegurar a sua melhor adaptação às necessidades económicas e societais, ao passo que a Espanha alterou a sua Lei da Ciência, Tecnologia e Inovação para nela introduzir a meta de consagrar 1,25 % do PIB ao investimento público em I&D até 2030. Os investimentos horizontais em I&I representam uma parte significativa do total dos investimentos em I&I no âmbito do MRR. Incluem uma série de medidas transversais, tais como o reforço dos ecossistemas de inovação (nomeadamente, através de polos de inovação), a modernização das infraestruturas de investigação, bolsas para os investigadores, o apoio à inovação empresarial, incluindo as empresas em fase de arranque e as PME, a facilitação da cooperação público-privada no domínio da I&I e o apoio a polos regionais existentes ou novos.
Para prestar apoio prático especializado aos Estados-Membros, foram mobilizados o Mecanismo de Apoio a Políticas do Horizonte() e o Instrumento de Assistência Técnica(). Estes dois instrumentos ajudaram a orientar a conceção e execução das reformas no domínio da I&I em aspetos como: i) a melhoria das despesas públicas em I&D nas prioridades principais, ii) o estabelecimento de quadros financeiros plurianuais para o financiamento público a longo prazo da ciência e iii) o reforço das ligações entre o meio científico e as empresas. Além disso, em 2022, os Estados-Membros interessados e a Comissão Europeia encetaram «diálogos reforçados» para melhorar a articulação das políticas de I&I da UE e nacionais e aumentar a coordenação entre os diferentes organismos responsáveis pela I&I (abordagem da «governação integrada»). A Comissão já organizou 14 diálogos com 12 Estados-Membros.
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Possibilidades de ação ainda por realizar
Apesar destes progressos, é possível fazer mais para reforçar a capacidade científica e tecnológica coletiva europeia, nomeadamente através: i) de uma maior coordenação política relativamente às prioridades conjuntas entre os países do EEI, ii) da priorização sustentada do investimento em I&I a nível nacional, iii) de regulamentação e políticas de apoio à I&I e iv) de um acompanhamento mais rigoroso da eficácia das ações.
Tal como salientado no último pacote da primavera do Semestre Europeu(), vários Estados-Membros ainda precisam de realizar reformas estruturais para melhorar as condições para a ciência e a inovação. No que respeita ao MRR, apesar da maior celeridade na execução e nos desembolsos, os progressos variam consoante os Estados‑Membros. Todos os Estados-Membros devem prosseguir os seus esforços para executar integralmente os respetivos PRR antes do final de 2026, data prevista para o termo da vigência do mecanismo().
Em 2022, a intensidade de I&D na UE situou-se em 2,3 %, muito aquém da ambicionada meta de 3 % e da intensidade registada pelos nossos principais concorrentes internacionais (EUA com 3,6 %, Japão com 3,4 %, Coreia do Sul com 5,2 % e China com 2,6 %). O apoio e os investimentos em I&I variam consideravelmente entre os Estados-Membros, de 0,46 % a 3,47 % do PIB (),, sendo a meta de 3 % atingida por apenas cinco países. Este desfasamento deve-se sobretudo aos baixos investimentos privados em I&D realizados na Europa e à insuficiente especialização em setores de alta tecnologia (a denominada «armadilha da média tecnologia europeia»).
Continuam por eliminar os obstáculos regulamentares que impedem a inovação empresarial e o financiamento, expansão e implantação das inovações. Há, nomeadamente, margem para reforçar a sindicação de investidores europeus em prol da inovação radical, por exemplo, através de redes de investidores de confiança, e os mercados europeus de inovações, através de contratos públicos ou de políticas de normalização.
Em muitos Estados-Membros, são igualmente necessárias medidas para promover mais a transferência de conhecimentos e tecnologias do meio académico para o setor privado, nomeadamente através de políticas em matéria de DPI. Tais medidas poderiam passar por mudanças a nível organizacional ou pela adoção de regimes de incentivos específicos, por exemplo, para fomentar a mobilidade entre setores.
Além do investimento privado, o investimento público em I&D continua a ser reduzido e insuficientemente coordenado a nível da UE, dado que 90 % do total da I&D pública está centrada nas prioridades nacionais e o programa-quadro de I&I europeu (Horizonte Europa) representa apenas cerca de 10 % da despesa pública em I&D na UE. Em muitos Estados-Membros, os investimentos da política de coesão em I&I constituem uma parte substancial do seu investimento total em I&I. Na Lituânia, Polónia e Letónia, mais de 30 %; na Estónia, Eslováquia, Hungria, Bulgária, Croácia, mais de 20 %; em Portugal, Chipre, República Checa, Roménia, Malta e Eslovénia, mais de 10 %(). Não se registaram progressos no sentido de alcançar a meta do EEI de canalizar pelo menos 5 % do financiamento público nacional de I&D para programas conjuntos de investigação transfronteiras ou para parcerias europeias. Poderiam igualmente ser envidados mais esforços para reforçar os sistemas públicos de investigação através da adoção de regimes de financiamento estáveis e previsíveis, da resolução do problema da fragmentação institucional e da melhoria da atratividade das carreiras de investigação.
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2.2.Melhorar o acesso à excelência
Objetivo
A existência de um Espaço Europeu da Investigação forte depende de uma base científica sólida em todo o território, capaz de garantir a sua capacidade a longo prazo para competir a nível mundial, mas também para manter e atrair talentos. Produzida por investigadores de todas as idades, de todas as disciplinas e de todos os setores, embora exista investigação de excelência em toda a Europa, o seu pleno potencial continua por explorar. Continuam a existir disparidades consideráveis nas oportunidades oferecidas aos investigadores e inovadores do EEI. Algumas dessas disparidades decorrem de obstáculos administrativos e regulamentares que, em certas regiões e países, dificultam o acesso dos investigadores ao financiamento da I&I, às infraestruturas tecnológicas e de investigação, às estruturas de apoio ou às redes de colaboração.
Num mundo de tecnologias cada vez mais complexas, as descobertas e as inovações são promovidas por interações entre setores, disciplinas e geografias. No entanto, apesar da importância destas interações, tanto a colaboração entre a indústria e o meio académico como a colaboração transfronteiras no domínio da I&I permanecem pouco desenvolvidas na UE. No que toca às colaborações entre a indústria e as universidades, apenas nove Estados-Membros da UE figuram entre os 20 melhores a nível mundial(). As redes de cooperação para atividades de I&I raramente se estendem para lá das fronteiras nacionais, ou mesmo regionais. Cerca de 70 % de todas as patentes codetidas resultam de colaboração numa mesma região. Apenas 13 % envolvem organizações estabelecidas em dois países diferentes.
O EEI tem por objetivo explorar na plenitude o potencial de I&I da UE e fomentar o talento onde quer que ele se encontre, assegurando assim que todos os Estados-Membros podem contribuir e beneficiar dos conhecimentos científicos e das tecnologias criados na UE. Para tal, é necessário i) efetuar um investimento sustentado nas capacidades de I&I em toda a União, nomeadamente através da mobilização dos instrumentos disponíveis, como o mecanismo de alargamento ao abrigo do Horizonte Europa, o MRR e os fundos da política de coesão, ii) mobilizar os diferentes níveis de ação política a nível da UE, nacional e regional e iii) desenvolver conhecimentos especializados para facilitar o acesso e a gestão de projetos de investigação.
Progressos
A União Europeia apoia a criação de redes de cooperação transfronteiras e transetoriais no domínio da I&I através dos seus projetos de colaboração financiados pelo Horizonte Europa, que representam cerca de três quartos do orçamento atribuído. O Horizonte Europa apoia igualmente o desenvolvimento de capacidades mais fortes de I&I em determinados Estados-Membros(), através das suas ações de alargamento da participação(). Com um investimento superior a mil milhões de EUR, as ações de alargamento da participação i) apoiaram a criação ou modernização de centros de excelência em colaboração com instituições de referência de diferentes países (associação de equipas), ii) ajudaram a estabelecer cientistas de excelência e as respetivas equipas em instituições envolvidas no alargamento da participação (Cátedras do EEI), e iii) reforçaram os ecossistemas de inovação regionais, criando ligações entre o meio académico, as empresas, os governos e a sociedade civil (polos de excelência). Os denominados países abrangidos pelo alargamento da participação receberam 14 % do orçamento do Horizonte Europa, em comparação com 8 % ao abrigo do programa anterior (dados de 2024), o que demonstra a sua maior capacidade para aceder ao programa e concorrer com êxito ao financiamento. Através das ações COST e das ações Marie Skłodowska-Curie, o Horizonte Europa apoia também a formação, a progressão na carreira, o desenvolvimento de competências, a mobilidade e a ligação em rede dos investigadores. Além disso, a política de coesão é uma das principais fontes de apoio à inovação para o desenvolvimento de capacidades de I&I e o reforço dos ecossistemas, designadamente nas regiões classificadas pelo Painel Regional da Inovação como inovadores moderados e emergentes (que correspondem, na sua maioria, às regiões em transição e menos desenvolvidas da política de coesão). A criação, a partir de 2024, de vales regionais de inovação() no âmbito do Horizonte Europa e do instrumento relativo aos investimentos inter-regionais ligados à inovação (I3) inserido na política de coesão visa explorar na plenitude o potencial de inovação em toda a Europa, ligando regiões menos e mais inovadoras e dando resposta aos desafios sociais com tecnologias de ponta.
Os planos nacionais individuais no âmbito do MRR contribuem também para a execução de projetos transfronteiras e a obtenção de resultados plurinacionais. Por exemplo, o plano da Lituânia prevê investimentos que visam reforçar a investigação genética para facilitar a participação no projeto de saúde transfronteiras «Mais de Um Milhão de Genomas» da UE. De igual modo, o PRR da Finlândia inclui investimentos para promover a investigação sobre a produção e o armazenamento de hidrogénio limpo e projetos ligados a redes de cooperação europeias.
A fim de reforçar as sinergias entre os diferentes níveis de ação política a nível da UE, nacional e regional para aumentar o acesso à excelência em toda a Europa, foi criado um fórum para o intercâmbio de práticas e a definição de prioridades estratégicas conjuntas entre os ministérios responsáveis pela I&I e as autoridades de gestão responsáveis pelos fundos ou iniciativas de desenvolvimento regional. Além disso, em 2022, foram publicadas orientações práticas(
) para a criação de sinergias entre instrumentos de política fundamentais, nomeadamente o Horizonte Europa e o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), processo que produziu alguns resultados promissores. Em diversos Estados-Membros, as autoridades de gestão no âmbito da política de coesão criaram regimes que permitem que projetos de beneficiário único distinguidos com selos de excelência no âmbito do Horizonte Europa — projetos avaliados como excelentes, mas que não conseguem garantir financiamento devido a restrições orçamentais — acedam a financiamento alternativo através do apoio do programa do FEDER. Em 2024, a fim de financiar propostas de alta qualidade distinguidas com o selo de excelência, Malta e a Lituânia tornaram-se pioneiras na transferência de recursos do FEDER para o Horizonte Europa. Estados-Membros como a Itália estão igualmente a mobilizar financiamento do FEDER para apoiar a participação das suas entidades em parcerias no âmbito do Horizonte Europa.
Além do Horizonte Europa, também o Fórum do EEI, que reúne representantes dos Estados-Membros e as principais partes interessadas, permite identificar ações de reforço das capacidades de gestão da investigação.
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Possibilidades de ação ainda por realizar
Apesar dos progressos alcançados desde 2020, subsistem obstáculos à exploração em pleno do potencial de I&I da Europa, tendo a mais recente edição do Painel Europeu da Inovação() dado conta de disparidades acentuadas entre países. Há margem para reforçar e ligar melhor os ecossistemas de I&I de todos os países e regiões europeus, de modo a permitir um maior acesso à excelência por parte de todos os talentos europeus e a fazer da Europa um espaço atrativo para realizar investigação e ser inovador.
Mais concretamente, há margem para i) disponibilizar melhores informações sobre o apoio disponível a nível da UE, nacional e regional através de estruturas eficientes, ii) dar mais visibilidade à diversidade de talentos disponíveis em toda a Europa, iii) assegurar uma maior abertura nas redes de cooperação no domínio da I&I, em termos de disciplinas, setores e geografias, e iv) proceder a uma maior simplificação dos processos administrativos de acesso ao apoio financeiro ou técnico aos novos participantes ou à mobilidade transfronteiras ou transetorial.
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2.3.Transpor os resultados da investigação e inovação para a economia
Objetivo
Para que o EEI apoie a competitividade, melhore a qualidade de vida dos cidadãos da UE e responda a desafios societais como as transições ecológica e digital, os investimentos em I&I devem produzir resultados concretos, implantados e adotados pelo mercado. Segundo os dados do Instituto Europeu de Patentes, apenas um terço das invenções patenteadas por universidades ou organizações de investigação e tecnologia europeias tem utilização comercial. Para impulsionar o crescimento europeu no futuro, é essencial utilizar melhor os resultados dos investimentos em I&I e transformá-los em produtos e serviços de valor económico e societal.
O objetivo consiste em reforçar a implantação e a adoção da inovação europeia nos mercados, atuando sobre todos os aspetos do sistema de inovação a nível da UE, nacional e regional: coordenação das políticas, quadro regulamentar, financiamento, gestão dos DPI, normalização, infraestruturas, capital humano e procura pública e privada da inovação. Muitos destes aspetos dependem da realização do mercado único e da União dos Mercados de Capitais(), em relação à qual têm sido alcançados progressos.
Progressos
Em 2022, a Comissão adotou a sua comunicação intitulada «Uma nova Agenda Europeia para a Inovação»(). Essa comunicação incluía planos para um conjunto de iniciativas emblemáticas, juntamente com um roteiro para colocar a Europa na vanguarda da nova vaga de inovação de tecnologia profunda e de empresas em fase de arranque. Em março de 2024, foi publicado um relatório sobre o ponto da situação da execução das 25 ações previstas na agenda().
A fim de estabelecer uma abordagem unificada em todos os países da UE para maximizar a transformação dos resultados da I&I em soluções que beneficiem a sociedade, foi adotada, em 2022, a recomendação do Conselho sobre os princípios orientadores para a valorização dos conhecimentos(). Os princípios orientadores destinam-se aos decisores políticos a nível nacional, regional e local e abrangem todos os elementos dos sistemas de I&I suscetíveis de ser mobilizados para reforçar a implantação da inovação, nomeadamente, as estruturas de apoio, os regimes de financiamento, a oferta de formação e de competências, a gestão dos ativos intelectuais, etc. As orientações pormenorizadas dirigidas aos profissionais e às partes interessadas constam dos códigos de boas práticas sobre a gestão dos ativos intelectuais, a normalização, a cocriação entre a indústria e o meio académico e a participação dos cidadãos(). A fim de reforçar as condições estruturais para a exploração económica dos resultados da I&I, um repositório fornece às partes interessadas exemplos de boas práticas resultantes da aplicação das referidas orientações(
).
Ao nível da coordenação das políticas, a fim de apoiar o alinhamento das agendas de investimento em I&I a nível nacional e da UE para o desenvolvimento e a adoção de tecnologias inovadoras para a transformação ecológica e digital das indústrias, a Comissão, juntamente com os Estados-Membros do EEI, os representantes da indústria e as partes interessadas no domínio da I&I, elaborou roteiros conjuntos que fornecem orientações sobre o desenvolvimento e a adoção de tecnologias industriais, desde a investigação de base até à implantação. Os roteiros oferecem uma visão abrangente das tecnologias mais relevantes, juntamente com uma panorâmica dos atuais regimes e instrumentos financeiros de apoio à introdução destas tecnologias no mercado. Podem ser utilizados para fundamentar as decisões tomadas pela indústria, pelas organizações de investigação ou pelas autoridades públicas. Procedeu-se à elaboração de roteiros para as tecnologias industriais do EEI, que abrangem as tecnologias hipocarbónicas em indústrias com utilização intensiva de energia, as tecnologias industriais circulares e as abordagens de I&I centradas no ser humano nas tecnologias industriais. Os resultados dos roteiros para as tecnologias industriais integraram as trajetórias de transição pertinentes de ecossistemas industriais europeus (produtos químicos, construção e têxteis. Com vista a mobilizar o investimento subsequente para introduzir estas tecnologias no mercado(), estes roteiros foram seguidos por uma série de projetos de demonstração tecnológica, por exemplo, no domínio das tecnologias limpas. Além disso, o Plano Estratégico para as Tecnologias Energéticas() permitiu à Comissão e aos Estados-Membros desenvolver agendas conjuntas de I&I em domínios como a energia solar. A execução() destas agendas conjuntas de I&I é apoiada pela Parceria Europeia Transição para Energias Limpas(), a qual permite que 30 organismos de financiamento regionais, nacionais e internacionais alinhem prioridades, congreguem orçamentos e lancem convites à apresentação de propostas conjuntos.
Além deste apoio ao reforço das políticas de implantação da inovação nos Estados‑Membros, foram também tomadas medidas, através do Horizonte Europa, para prestar um melhor apoio às empresas inovadoras. As parcerias industriais no âmbito do Horizonte Europa continuaram a apoiar setores-chave como a eletrónica, os transportes, a saúde ou o hidrogénio, juntando a indústria e o meio académico para acelerar e coordenar o investimento e a implantação(). Estas parcerias complementam esforços mais alargados de desenvolvimento das cadeias de abastecimento através de alianças industriais(
) e incentivam o investimento através de projetos importantes de interesse europeu comum (PIIEC). Outra iniciativa importante do Horizonte Europa é o Conselho Europeu da Inovação (CEI), o qual, através do seu regime de transição, contribui para transpor a investigação de excelência no domínio das tecnologias profundas em inovações radicais. O CEI logrou também «atrair» mais de 3,50 EUR de investimento adicional em empresas em fase de arranque e PME do setor da tecnologia profunda por cada euro investido através do Fundo do CEI, ao abrigo do seu instrumento Acelerador. O desenvolvimento do Fundo do CEI fez deste o maior investidor em tecnologia profunda na Europa. As 200 decisões de investimento tomadas até à data no âmbito do Horizonte Europa, num valor total superior a 1,5 mil milhões de EUR, e os coinvestimentos com o Fundo do CEI, estão a fazer emergir um ecossistema de investidores em tecnologia profunda à escala europeia. O CEI dispõe agora de carteiras sólidas em tecnologias críticas para a Europa, incluindo a inteligência artificial, a computação quântica e os semicondutores e a biotecnologia.
Em janeiro de 2024, a Comissão lançou o pacote de inovação da IA para promover as empresas em fase de arranque e a inovação no domínio da IA de confiança(). As denominadas fábricas de IA reforçarão o acesso aos supercomputadores da EuroHPC() da Europa, às instalações de armazenamento de dados e aos talentos no domínio da IA. Mais de 150 Polos Europeus de Inovação Digital apoiam as empresas de média capitalização, as PME e as organizações públicas no seu processo de digitalização e na integração da IA nos processos empresariais. Até à data, estão operacionais quatro instalações de ensaio e experimentação, as quais permitem que os inovadores testem e validem as suas soluções de IA nos domínios da indústria transformadora, da saúde, das cidades inteligentes e agroalimentar. A Plataforma de Tecnologias Estratégicas para a Europa (STEP) da UE() apoia a indústria europeia e o investimento em tecnologias críticas na Europa. A plataforma STEP angaria e orienta o financiamento em
11 programas da UE
para três domínios de investimento: tecnologias digitais e inovação de tecnologias profundas, tecnologias limpas e eficientes na utilização de recursos e biotecnologias. A plataforma STEP apoia igualmente projetos que aumentem as competências necessárias para desenvolver estas tecnologias críticas.
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Possibilidades de ação ainda por realizar
Apesar destes esforços, o EEI continua a enfrentar desafios para transformar os resultados da I&I em impacto societal e em valor económico que possa ser retido na UE.
Tal como salientado no relatório Draghi sobre o futuro da competitividade europeia (2024), a capacidade de inovação da UE continua aquém da dos EUA, enquanto outras grandes economias se aproximam dela a passo acelerado. A UE apresenta insuficiências ao longo de todo o ciclo de inovação, bem como nos seus padrões de especialização setorial, com as atividades concentradas em setores com média a baixa intensidade de I&D. São necessárias novas ações para melhorar o contexto para que as empresas inovadoras cresçam na Europa e para aumentar a implantação e a adoção de tecnologias digitais e ecológicas revolucionárias em toda a economia. Tal pode ser facilitado mediante i) uma maior coordenação e uma melhor orientação do apoio em toda a Europa, ii) a alavancagem e a redução dos riscos do investimento privado, criando uma massa crítica de capital para investimentos e iii) medidas eficazes de apoio à transformação das ideias de investigação do laboratório em propostas comerciais viáveis.
Embora a Europa crie atualmente um número significativo de empresas em fase de arranque, muitas delas não conseguem avançar para a fase inicial de crescimento rápido e, depois, para a fase de expansão subsequente. Mais concretamente, continua a existir um défice significativo de disponibilidade de capital de risco na Europa, mais acentuado na fase de expansão, que dificulta a inovação europeia e a expansão das empresas inovadoras na Europa(). Em termos do números de pedidos de patentes apresentados, das exportações de alta tecnologia e do número de empresas que atinjam o valor de unicórnios (ou seja, com um valor superior a mil milhões de dólares norte‑americanos), a UE continua atrás dos EUA e da China. Em novembro de 2023, o número de empresas com estatuto de unicórnio nos EUA e na China era, respetivamente, oito e três vezes maior do que o da UE().
De um modo geral, é possível fazer mais para colher benefícios económicos dos investimentos europeus em I&I, nomeadamente, reduzindo os obstáculos regulamentares, jurídicos ou administrativos que ainda subsistem e que tornam a Europa menos atrativa para muitos investidores e inovadores. Tais obstáculos consistem: i) nas várias legislações nacionais relativas às empresas em fase de arranque e em expansão, ii) em quadros regulamentares que não favorecem a inovação, incluindo a utilização insuficiente de ambientes de testagem da regulamentação, iii) em políticas fragmentadas em matéria de DPI e normalização, iv) na utilização limitada de contratos públicos para soluções inovadoras por parte das entidades adjudicantes públicas, v) nas dificuldades para atrair e reter talentos e vi) nas disparidades significativas do desempenho no domínio da inovação entre as regiões da UE. A superação destes obstáculos extravasa o âmbito do EEI e prende-se com a realização do mercado único e da União dos Mercados de Capitais(), nomeadamente para assegurar um fluxo de investimento plenamente funcional às empresas inovadoras, em todas as fases desde a criação até à expansão.
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2.4. Aprofundar o EEI
Objetivo
De acordo com os dados mais recentes do Eurostat, a Europa conta com mais de dois milhões de investigadores, ou seja, cerca de um quarto do total mundial, incluindo 670 mil doutorandos. Este número representa um aumento de 45 % desde 2012 e corresponde a 1 % da população ativa total da UE. A livre circulação de investigadores, conhecimentos e dados é fundamental para criar um sistema europeu de I&I mais eficiente e inclusivo, sem sobreposição de esforços de I&I, mas com a massa crítica necessária. Requer condições estruturais comuns a nível da UE e um maior alinhamento das políticas nacionais aplicáveis às atividades de investigação, aos investigadores e às organizações de investigação. Deste modo, o aprofundamento do mercado único no domínio da I&I teria efeitos positivos: i) na forma como os investigadores progridem na carreira e colaboram entre si, ii) na forma como a investigação é conduzida e avaliada e iii) na qualidade global e no impacto da investigação. Para que tal aconteça, é necessário agir em várias vertentes, nomeadamente:
·os investigadores devem poder circular livremente para que possam viver e trabalhar em qualquer ponto da Europa, procurar emprego e usufruir de condições de trabalho semelhantes, com base em valores e princípios da UE como a igualdade de género e a liberdade de investigação,
·os investigadores e as organizações de investigação devem poder colaborar facilmente, aceder às infraestruturas de investigação, concorrer a financiamento e aceder, partilhar e reutilizar os resultados da investigação,
·a investigação, os investigadores e as organizações de investigação devem ser avaliados da mesma forma eficaz e responsável, com base numa diversidade de resultados, práticas e atividades.
Progressos
Em 2023, o Conselho adotou uma recomendação relativa a um quadro europeu para atrair e reter talentos no domínio da investigação, da inovação e do empreendedorismo na Europa(), incluindo uma nova Carta Europeia do Investigador(
). A recomendação constitui a base para um entendimento comum das carreiras de investigação entre os Estados-Membros e das necessidades a satisfazer para a circulação livre e equilibrada de investigadores e inovadores na Europa. Mais concretamente, destaca a necessidade de proporcionar condições de trabalho atrativas e acesso a infraestruturas de nível mundial e de reconhecer os diversos contributos dos investigadores através de melhores práticas de avaliação, por exemplo, recompensando os percursos profissionais múltiplos. Um exercício de aprendizagem mútua, apoiado pelo Mecanismo de Apoio a Políticas do Horizonte Europa para promover o intercâmbio de boas práticas entre os Estados‑Membros(), mostra que vários Estados-Membros começaram já a executar reformas em conformidade com a recomendação.
A Comissão patrocinou a celebração do Acordo e da Coligação para o Avanço da Avaliação da Investigação (CoARA)() como marco fundamental para reformar o modo de avaliação de projetos de investigação, investigadores e instituições de investigação. Prevê-se que esta reforma aumente a qualidade e o impacto da investigação e a atratividade das carreiras de investigação, criando fortes incentivos e recompensas para a criação de um ambiente de investigação mais inclusivo, aberto e eficaz. A reforma facilitará um melhor reconhecimento da diversidade de práticas, atividades e resultados da investigação, indo além das métricas tradicionais baseadas na autoria de artigos publicados em revistas científicas.
Para apoiar a realização deste novo quadro europeu, a Comissão lançou a Plataforma de Talentos do EEI(
), o novo portal único de informação destinado a investigadores e organizações de investigação na Europa. Paralelamente, a fim de facilitar a mobilidade e a progressão na carreira, a Comissão reforçou a EURAXESS(
), uma plataforma de ofertas de emprego e financiamento no domínio da investigação que regista mais de 14 mil organizações, 110 mil investigadores e uma média superior a 63 mil oportunidades de emprego por ano. Para apoiar o desenvolvimento de competências e a mobilidade intersetorial dos investigadores, a Comissão elaborou também o Quadro Europeu de Competências para os Investigadores(), considerado um instrumento de referência por um número crescente de instituições e investigadores(). Ao mesmo tempo, além do atual apoio no âmbito do Horizonte Europa disponibilizado a 65 mil investigadores (incluindo 25 mil doutorandos no âmbito das Ações Marie Skłodowska-Curie, para efeitos de formação, desenvolvimento de competências, progressão na carreira e mobilidade transfronteiras e entre disciplinas e setores), foi lançado um novo regime de financiamento do Horizonte Europa de menor dimensão para apoiar a mobilidade intersetorial (Talentos do EEI). A mobilidade intersetorial temporária é também incentivada pelo Regime de Talentos de Inovação da Próxima Geração.
A proteção dos valores e princípios europeus na realização da I&I, tais como a ciência aberta, a integridade e a ética da investigação, a transparência, a diversidade e a igualdade de género — tal como estabelecidos no Pacto para a Investigação e Inovação —, torna a Europa um espaço mais atrativo para investigadores e empresas de todo o mundo. Desde 2020 que a Comissão lidera continuamente a promoção da livre circulação de conhecimentos e dados através da sua política de ciência aberta, centrada no apoio ao acesso aberto às publicações, na gestão de dados abertos e de dados FAIR(), na participação do público e no desenvolvimento de competências e formação para a ciência aberta. Em 2024 , 21 Estados-Membros aplicam uma política nacional de acesso aberto às publicações científicas, em comparação com 14 em 2020, e 13 Estados-Membros têm uma política de gestão dos dados da investigação, o dobro dos registados em 2020.
A Nuvem Europeia para a Ciência Aberta é uma iniciativa notável que visa apoiar a colaboração transfronteiras e interdisciplinar. Oferece acesso contínuo a dados e serviços digitais de qualidade, baseado na federação de repositórios e serviços de dados de infraestruturas de investigação. Proporciona também um ambiente no qual os investigadores e inovadores podem publicar, localizar e reutilizar os dados e as ferramentas uns dos outros. O Nó da UE da Nuvem Europeia para a Ciência Aberta, que disponibiliza todo um leque de ferramentas científicas aos investigadores europeus, ficou operacional em 2024 como o primeiro nó da nuvem e contribuirá para responder à necessidade crucial de melhorar a partilha de dados. Terá o apoio do serviço de publicação de acesso aberto «Open Research Europe»(
), lançado pela Comissão em 2021 como um serviço facultativo e gratuito que permite aos beneficiários de programas da UE cumprirem a obrigação de disponibilizar gratuitamente em linha a sua investigação académica revista pelos pares. A fim de apoiar uma utilização responsável da inteligência artificial na ciência, em conformidade com os valores e princípios da UE, o Fórum do EEI desenvolveu e publicou, em 2024, orientações evolutivas(
) para investigadores, organizações de investigação e financiadores.
A fim de reforçar a igualdade de género e a inclusão na política de I&I, o desenvolvimento de um plano para a igualdade de género passou a ser um critério de elegibilidade para todos os organismos públicos, instituições de ensino superior e organizações de investigação que se candidatem ao Horizonte Europa. Outro critério de elegibilidade para o Horizonte Europa consiste no requisito de incluir a dimensão de género no conteúdo das atividades de I&I. Além disso, graças ao trabalho levado a cabo no âmbito da agenda estratégica do EEI, a Comissão elaborou uma base de referência da UE para uma estratégia conducente a um código de conduta de tolerância zero, com o intuito de combater a violência de género, incluindo o assédio sexual, . De acordo com os dados de 2023, há sinais de progressos em matéria de igualdade de género na I&I(
). O equilíbrio de género foi quase alcançado ao nível dos doutorados na Europa (atualmente, o número de homens com doutoramento é ligeiramente superior ao das mulheres). Registou-se também um ligeiro aumento da percentagem de mulheres que exercem cargos académicos superiores e contribuem para publicações científicas. Porém, subsistem disparidades significativas entre homens e mulheres na I&I, em especial nos domínios da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática (CTEM)().
A fim de contribuir para o reforço dos quadros pertinentes, a Comissão investe continuamente em projetos de investigação e educação em matéria de ética e integridade da investigação. Foram desenvolvidos vários conjuntos de ferramentas e materiais educativos para apoiar a comunidade de investigadores na promoção da integridade e excelência da investigação. Além disso, a Comissão facilita as atividades de várias redes europeias e mundiais em matéria de ética, integridade da investigação e qualidade da investigação.
Com o aumento das tensões mundiais e a crescente importância estratégica da I&I, torna‑se imperativo garantir a segurança da investigação europeia. Para enfrentar este desafio, a UE tem de equilibrar a abertura e a colaboração com a proteção dos conhecimentos e tecnologias críticos. Em sintonia com a Recomendação do Conselho relativa ao reforço da segurança da investigação(), o EEI irá reforçar o apoio aos investigadores e às instituições adotando uma abordagem coordenada, nomeadamente com a criação de um centro europeu de conhecimentos sobre segurança da investigação. Este centro servirá de plataforma para o intercâmbio de conhecimentos, a avaliação de riscos e o reforço de capacidades, assegurando que a investigação europeia permaneça aberta, colaborativa e segura.
Na sequência dos apelos lançados pelo Parlamento Europeu, que adotou uma resolução sobre a «promoção da liberdade de investigação científica na UE»(), a Comissão comprometeu-se igualmente a elaborar uma possível iniciativa legislativa sobre a liberdade de investigação científica na UE().
Para ser plenamente eficaz e apoiar a I&I de excelência, o EEI necessita também que os investigadores e inovadores europeus tenham acesso às infraestruturas tecnológicas e de investigação de nível mundial. A maioria dos Estados-Membros não dispõe dos recursos financeiros ou organizacionais necessários para construir, operar e modernizar tais infraestruturas, quer sejam implantadas num único local, distribuídas pela Europa ou virtuais. A fim de melhor apoiar uma maior integração e o reforço das infraestruturas de investigação europeias de nível mundial, a Comissão avalia regularmente as necessidades e o desempenho das estruturas existentes. O roteiro do Fórum Estratégico Europeu para as Infraestruturas de Investigação (ESFRI) é atualizado com base nessa análise, priorizando as instalações e serviços que reforçam a competitividade científica e tecnológica europeia. A análise panorâmica publicada pelo ESFRI em 2024() apresenta uma visão abrangente de um ecossistema dinâmico de infraestruturas de investigação na Europa, desde os marcos ESFRI pan-europeus e Consórcios para uma Infraestrutura Europeia de Investigação (ERIC)(
) aos membros do EIROforum(
) e infraestruturas de investigação nacionais. Só por si, o roteiro do ESFRI corresponde a um total superior a 25 mil milhões de EUR de investimento e a mais de 2 mil milhões de EUR de custos de funcionamento por ano, sendo o financiamento maioritariamente mobilizado a nível nacional. A par das contribuições dos fundos da política de coesão e do MRR, o Horizonte Europa afeta, no seu programa de trabalho, 2,4 mil milhões de EUR às infraestruturas de investigação. O Horizonte Europa apoia também o acesso transnacional às infraestruturas de investigação europeias por parte de mais de 6 mil investigadores por ano. De igual modo, a Comissão Europeia, por intermédio do seu Centro Comum de Investigação (JRC), dá acesso às suas infraestruturas de investigação únicas para efeitos de investigação() e formação e reforço de capacidades(). Nos últimos anos, 17 infraestruturas de investigação do JRC concederam acesso a mais de 560 utilizadores de mais de 130 instituições de 33 países.
Paralelamente, as infraestruturas tecnológicas desempenham também um papel importante no apoio à capacidade de inovação e à competitividade do setor industrial, sob a forma de linhas-piloto, instalações de ensaio, salas limpas, locais de demonstração e laboratórios vivos. Estes podem ser específicos de um setor ou centrados em tecnologias e, em geral, são acolhidos e geridos por organizações de investigação e tecnologia e universidades técnicas. Em consonância com a agenda estratégica do EEI, procedeu-se a uma análise exaustiva da política e do quadro de financiamento das infraestruturas tecnológicas, para assinalar as principais insuficiências e deficiências. Testou-se igualmente uma abordagem europeia às infraestruturas tecnológicas em dois domínios específicos, nomeadamente, i) a criação de bancos de ensaio de inovação aberta para desenvolver materiais avançados e ii) o estabelecimento de um roteiro para o investimento em infraestruturas necessárias para o setor da aviação europeu. Está também em curso um trabalho de colaboração intersetorial sobre uma estratégia europeia abrangente para melhorar a qualidade, a disponibilidade e a acessibilidade das infraestruturas tecnológicas, em especial para as PME e as empresas em fase de arranque.
Na encruzilhada entre a educação, a investigação e a inovação e servindo a sociedade e a economia, as universidades estão numa posição privilegiada para apoiar o EEI. Com o objetivo de facilitar a adaptação das universidades à evolução das necessidades e condições, a Comissão adotou, em 2021, a Comunicação sobre uma estratégia europeia para as universidades(). Um subgrupo do Fórum do EEI elaborou recomendações sobre o apoio à excelência da I&I no setor universitário e as mudanças institucionais necessárias.
A fim de acompanhar cabalmente a evolução das políticas e o seu impacto nas carreiras de I&I, nomeadamente no desenvolvimento de competências, na formação e na mobilidade intersetorial, a Comissão lançou, em 2024, em parceria com a OCDE, um novo Observatório das Carreiras de Investigação e Inovação(). O observatório ajudará a identificar os domínios em que são necessárias novas ações.
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Possibilidades de ação por explorar
De um modo geral, devido ao impacto conjugado de iniciativas passadas e recentes, a circulação de conhecimentos na UE tem vindo a melhorar. Contudo, apesar dos progressos alcançados, subsistem desafios importantes.
Persistem vários obstáculos administrativos e jurídicos, como as disparidades nas oportunidades de progressão na carreira e a falta de condições equitativas entre setores e países. Estes obstáculos tornam as carreiras de investigação menos atrativas e entravam a mobilidade dos talentos da I&I, quer entre os Estados-Membros quer entre as empresas e o meio académico. Há também margem para uma ação mais enérgica no sentido de elaborar planos e políticas inclusivos em matéria de igualdade de género que combatam as desigualdades cruzadas e a discriminação com base no género, na orientação de género, na origem étnica, na idade, na orientação sexual e noutros aspetos. Além disso, continua a observar-se, de forma persistente e crescente, uma escassez de competências em determinados domínios, como a energia limpa e a inteligência artificial, que é necessário superar para a Europa poder manter-se competitiva nas tecnologias emergentes e aproveitar todo o potencial da transformação ecológica e digital.
A fim de assegurar que a Europa continua a liderar a resposta aos desafios éticos suscitados pelas novas tecnologias e a garantir a proteção dos valores e direitos fundamentais da UE no domínio da investigação, o EEI deve assegurar que os investigadores, os processos de investigação e inovação e o sistema de I&I respeitem, independentemente da sua fonte de financiamento, as mais elevadas normas deontológicas e de integridade. Tal implica garantir que o respeito pelos valores da UE não depende do contexto mundial, de modo a assegurar, nomeadamente, a adoção da abordagem da ética desde a conceção em todo o EEI.
Apesar de ter realizado progressos na aceitação e na prática da ciência aberta, a Europa carece ainda das infraestruturas digitais federadas e interoperáveis necessárias para partilhar dados e serviços de investigação entre países e entre disciplinas científicas. Carece também de direitos de autor, dados e regulamentação digital adequados para desbloquear conhecimentos e dados atualmente existentes em sistemas de acesso pago ou insuficientemente explorados devido a condicionantes de ordem jurídica. A UE adotou recentemente o Regulamento Governação de Dados e o Regulamento dos Dados, que constituem progressos significativos na promoção da partilha de dados().
As restrições orçamentais impedem cada vez mais os organismos de financiamento e os países de imputar custos de adequação à construção, exploração e modernização das infraestruturas de investigação. O alinhamento e a coordenação entre o financiamento da UE, nacional e regional são necessários para i) reduzir o risco de fragmentação e diluição de recursos e ii) enfrentar os novos desafios inerentes ao acesso transnacional, às novas comunidades de utilizadores, à digitalização, à segurança da investigação, à concorrência económica e aos obstáculos regulamentares. O panorama das infraestruturas tecnológicas continua fragmentado, com uma elevada concentração de instalações nos países e regiões da UE mais desenvolvidos industrialmente, sendo que apenas alguns países adotaram políticas nacionais específicas para as infraestruturas tecnológicas e facilitam a sua utilização pelas empresas.
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2.5. Conclusão
A visão do «novo Espaço Europeu da Investigação» exposta na comunicação de 2020 respondeu aos desafios prementes que a UE enfrentava, designadamente a necessidade de recuperação e resiliência na sequência da crise da COVID-19, aliada ao papel essencial da I&I no apoio às transições ecológica e digital. O princípio continua a ser igualmente válido no presente, nomeadamente, a criação de um ambiente de investigação e inovação que: i) maximize as economias de escala e a cooperação dentro e fora da UE, ii) fomente toda a diversidade de talentos europeus, iii) proporcione aos investigadores europeus as melhores condições de trabalho possíveis e iv) garanta que os excelentes resultados produzidos pelos investigadores europeus beneficiam tanto a economia como a sociedade.
Ao estabelecer novas estruturas de governação e uma agenda estratégica com ações concretas, a UE deu um novo ímpeto à concretização do EEI, alinhando as políticas, os quadros regulamentares e os programas de financiamento. A colaboração com os Estados‑Membros permitiu alcançar progressos assinaláveis, nomeadamente na redução da fragmentação dos sistemas de I&I. As iniciativas lançadas centraram-se nas carreiras, nas infraestruturas, na ciência aberta, no desenvolvimento da confiança através da participação dos cidadãos e na mobilização de recursos para a cooperação temática. Cocriado entre os Estados-Membros, as partes interessadas e a Comissão, o processo conjunto de definição de prioridades fomentou um sentimento de apropriação e um maior empenho na execução.
Apesar destes progressos, a UE ainda não dispõe de um EEI plenamente eficaz e capaz de atrair, reter e desenvolver os seus talentos nas condições ideais. Conforme salienta o relatório Draghi, embora a qualidade da investigação europeia seja elevada, subsistem muitos obstáculos, nomeadamente, i) a priorização inadequada da I&I nos orçamentos públicos (apenas cinco países cumprem a meta de afetar 3 % do PIB ao investimento público e privado em I&D), ii) a coordenação insuficiente das políticas de I&I nos países do EEI, iii) a fragmentação persistente dos sistemas e regulamentação da I&I, iv) as disparidades em termos de desempenho e v) os encargos administrativos. Estes fatores continuam a prejudicar a competitividade europeia. Além disso, embora o lançamento do Conselho Europeu da Inovação no âmbito do Horizonte Europa tenha representado um passo importante no sentido de apoiar os inovadores de tecnologia profunda, subsistem obstáculos que dificultam a implantação e a exploração dos resultados da I&I e a expansão das empresas inovadoras na Europa. A realização do mercado único e da União dos Mercados de Capitais é fundamental para colmatar o défice de inovação entre a UE e outras grandes economias.
A persistência destes desafios, insuficiências e disparidades entre e nos Estados-Membros impede a UE de tirar pleno partido do seu potencial científico em benefício da economia e da sociedade. O relatório de Enrico Letta sobre o mercado único() frisou o papel crucial do EEI, tal como consagrado no Tratado, no desenvolvimento de uma «quinta liberdade para reforçar a investigação, a inovação e a educação no mercado único» e no reforço da capacidade de inovação da Europa. Para construir uma UE mais forte, alicerçada na excelência científica e na liderança tecnológica, é fundamental dar continuidade ao empenho político e à cooperação. Tal permitirá à UE assegurar a sua posição na vanguarda da inovação mundial, garantindo um futuro em que os seu talentos possam prosperar e proporcionar benefícios duradouros para todos.
ANEXO 1: EXECUÇÃO DO ROTEIRO DA COMUNICAÇÃO DE 2020 SOBRE O EEI ATRAVÉS DA AGENDA ESTRATÉGICA DO EEI PARA 2022-2024
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Objetivo estratégico
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Ação do roteiro (comunicação de 2020 sobre o EEI)
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Ações da agenda estratégica do EEI
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Priorizar investimentos e reformas
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(1)Reafirmar a meta de investimento em I&D da UE (3 % do PIB) e propor uma nova meta de esforço público da UE (1,25 % do PIB), que os Estados‑Membros deverão atingir até 2030
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O Pacto para a Investigação e Inovação reitera a importância de dar prioridade ao investimento e às reformas (capítulo III): «Os Estados‑Membros devem contribuir para a meta a nível da União que consiste em investir 3% do PIB da UE em I&D, estabelecendo, a título voluntário, metas nacionais para as suas despesas totais em I&D».
Ação n.º 20: Apoiar os investimentos e as reformas no domínio da investigação e inovação. Embora não tenha sido empreendida nenhuma ação específica do EEI para apoiar um maior investimento e reformas no domínio da I&I, no âmbito da execução do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, vários Estados-Membros utilizaram este financiamento para impulsionar os seus investimentos em I&I e, em alguns casos, iniciar a realização de reformas importantes para consolidar um sistema fragmentado de I&I, melhorar as ligações entre o meio científico e as empresas ou impulsionar a inovação. A intensificação destes esforços, em especial no final do período de vigência do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, em meados de 2026, será crucial para construir um EEI mais forte.
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(2)Lançar o Fórum do EEI para a Transição, para apoiar os Estados-Membros na coordenação e definição das prioridades nacionais de reformas e financiamento de I&I
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O Fórum do EEI para a Transição foi criado no início de 2022 e, posteriormente, substituído pelo Fórum do EEI, responsável pela execução da agenda estratégica do EEI. É composto por Estados-Membros, países associados e partes interessadas.
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Melhorar o acesso à excelência
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(3)Apoiar os Estados‑Membros cujo investimento em I&D, em percentagem do PIB, esteja aquém da média da UE, para que aumentem o seu investimento total em I&D em 50 % nos próximos cinco anos
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Embora estivesse previsto concretizar-se no âmbito da ação n.º 20 da agenda estratégica do EEI, os Estados-Membros não se empenharam em prosseguir este objetivo.
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(4)Estabelecer um fluxo de trabalho específico no Fórum do EEI para a Transição para o acesso à excelência e apoiar os Estados-Membros com pior desempenho em I&I, para que aumentem em um terço o seu número de publicações mais citadas nos próximos cinco anos
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Ação n.º 16: Melhorar o acesso à excelência em toda a UE:
–O subgrupo do Fórum do EEI para o Acesso à Excelência — Rede de Autoridades de Gestão da I&I e da Coesão (RIMA) foi criado em junho de 2023.
–A rede RIMA reúne intervenientes políticos e autoridades de gestão no domínio da investigação e inovação para avaliar a clivagem no domínio da inovação, aumentar a excelência e tirar partido dos instrumentos de alargamento existentes.
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Transformar os resultados da I&I em resultados económicos
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(5)Desenvolver um roteiro comum para as tecnologias industriais
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Ação n.º 10: Fazer das missões e parcerias de I&I da UE contributos importantes para o EEI:
–Para apoiar as missões, foi lançado o projeto Cooperação Transnacional sobre a Abordagem das Missões (TRAMI).
–A Rede das Missões Europeias reuniu intervenientes importantes do setor privado, do meio académico, das organizações da sociedade civil e de governos.
–As parcerias europeias (PE) desempenharam um papel central na construção do EEI, por exemplo, através da Parceria para a Economia Azul Sustentável (SBEP). Para apoiar a Comissão e os Estados-Membros na execução e coordenação das PE, foi criado a Plataforma de Conhecimento das Parcerias (PKH).
Ação n.º 11: Um EEI para a transição ecológica:
–Foi criado o projeto-piloto do EEI em matéria de hidrogénio verde em conjunto com o grupo de trabalho de execução sobre o hidrogénio, que visa executar a respetiva agenda estratégica de investigação e inovação (SRIA).
–O Plano Estratégico Europeu para as Tecnologias Energéticas (Plano SET) foi revisto e alinhado com as atuais políticas da UE, e ainda complementado pela Conferência do Plano SET e por uma comunicação.
–Foi criada a subação 11.3 do EEI sobre o futuro do trabalho para fundamentar as políticas e orientar o financiamento da investigação e inovação para o futuro do trabalho através de uma agenda estratégica de investigação e inovação (SRIA). A SRIA resulta de diversos seminários e consultas e apresenta uma panorâmica do estado atual da I&I sobre o futuro do trabalho, destacando os esforços existentes e identificando novos domínios de investigação.
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Ação n.º 12: Acelerar a transição ecológica/digital dos principais ecossistemas industriais da Europa:
–Foram elaborados três roteiros tecnológicos industriais do EEI (para as tecnologias hipocarbónicas em indústrias com utilização intensiva de energia, para as tecnologias circulares e para a tecnologia centrada no ser humano para a indústria 5.0).
–Foi formulada uma agenda estratégica para o paradigma da indústria 5.0 (abordagem centrada no ser humano, sustentabilidade e resiliência), que se centra nas competências, na capacidade organizativa e nos modelos operacionais que apoiam a dupla transição na indústria europeia.
–Um relatório da Comissão sobre a expansão das tecnologias inovadoras para a neutralidade climática faz um levantamento dos demonstradores em 184 projetos financiados pela UE que desenvolvem tecnologias para alcançar a neutralidade climática em indústrias com utilização intensiva de energia.
–Dois exercícios de aprendizagem mútua: um sobre a abordagem de governação integrada em I&I (com o tema da «transição ecológica») e outro sobre a descarbonização industrial.
–Um relatório com uma análise exaustiva da política e do quadro de financiamento das infraestruturas tecnológicas assinalou as principais insuficiências e deficiências.
–A fim de apoiar a transição ecológica do setor da aviação da UE, foi publicado um roteiro para a modernização ou construção de infraestruturas tecnológicas e de investigação no domínio da aviação a nível da UE.
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(6)Desenvolver e testar um quadro de ligação em rede para os ecossistemas de I&I da Europa, com base nas capacidades existentes, a fim de reforçar a excelência e maximizar o valor da criação, circulação e utilização de conhecimentos
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Ação n.º 15: Criar ecossistemas de I&I para melhorar a excelência e a competitividade:
–No âmbito da componente de alargamento da participação no Horizonte Europa, foram criados 25 polos de excelência que reforçarão a excelência da inovação a nível regional através de ecossistemas de inovação nos países abrangidos pelo alargamento da participação e noutros, associando e criando ligações sólidas entre o meio académico, as empresas, as administrações locais e a sociedade civil.
–A iniciativa relativa aos vales regionais de inovação visa reduzir a fragmentação dos ecossistemas de I&I. Foram selecionadas 148 regiões para a atribuição do rótulo «RIV» (do inglês regional innovation valley), as quais se comprometeram a i) reforçar o seu ecossistema de I&I, ii) reforçar a coordenação e o enfoque dos seus investimentos e políticas de I&I relativamente às principais prioridades da UE e iii) participar na colaboração no domínio da I&I entre regiões mais e menos avançadas com especializações inteligentes complementares.
–Em 2022, foi lançado um projeto-piloto para testar o conceito dos polos do EEI enquanto oportunidade para criar um quadro para a governação a vários níveis e uma abordagem multilateral, cujo papel na resposta aos desafios societais é cada vez mais reconhecido.
–Através do acesso aberto ao seu programa de infraestruturas de investigação, o Centro Comum de Investigação (JRC) facilitou o acesso a investigadores de instituições situadas na lista de países abrangidos pelo alargamento da participação e difusão da excelência, isentando-os dos custos de acesso e apoiando as suas despesas de deslocação e estada para realizarem investigação experimental, receberem formação e reforçarem as suas capacidades nas infraestruturas de investigação do JRC.
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(7)Atualizar e desenvolver princípios orientadores para a valorização dos conhecimentos e um código de práticas para a utilização inteligente da propriedade intelectual
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Ação n.º 7: Melhorar as orientações da UE para uma melhor valorização dos conhecimentos:
–Recomendação do Conselho sobre os princípios orientadores para a valorização dos conhecimentos, com vista à adoção de uma abordagem unificada dos princípios e medidas estratégicos para que os decisores políticos nacionais, regionais e locais otimizem a transformação dos resultados da I&I em soluções com impacto para a sociedade.
–Um código de conduta em matéria de gestão dos ativos intelectuais e normalização fornece aos intervenientes no domínio da I&I orientações sobre a gestão dos ativos intelectuais e a normalização.
–Na primavera de 2023, tiveram início campanhas de sensibilização para apoiar a aplicação dos princípios orientadores e dos códigos de conduta e boas práticas.
–Foi também organizado um exercício de aprendizagem mútua sobre a valorização dos conhecimentos, que envolveu 16 Estados-Membros e dois países associados.
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Aprofundar o EEI
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(8)Nova caixa de ferramentas de apoio à progressão na carreira dos investigadores
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Ação n.º 4: Promover carreiras de investigação atrativas, a circulação de talentos e a mobilidade:
–Adoção, em 18 de dezembro de 2023, da Recomendação do Conselho relativa a um quadro europeu para atrair e reter talentos no domínio da investigação, da inovação e do empreendedorismo na Europa, com uma nova Carta Europeia do Investigador.
–Lançamento, em 13 de junho de 2023, do sítio Web do ResearchComp (Quadro Europeu de Competências para os Investigadores).
–Lançamento, em 10 de junho de 2024, da Plataforma de Talentos do EEI e do renovado portal europeu EURAXESS — Investigadores em Movimento para apoiar os investigadores e inovadores ao longo da carreira.
–Dois exercícios de aprendizagem mútua no âmbito do Mecanismo de Apoio a Políticas do Horizonte Europa (valorização dos conhecimentos e mobilidade intersetorial; aplicação da recomendação do Conselho).
–Lançamento, no âmbito do Horizonte Europa, do convite-piloto WIDERA sobre ecossistemas de talentos para investigadores em início de carreira.
–Lançamento do Observatório das Carreiras de Investigação e Inovação, a implantar em conjunto com a OCDE.
–É apoiado o projeto RESAVER com vista a uma adoção mais alargada, à expansão geográfica e à melhoria contínua das suas ofertas nos países onde se encontra já operacional.
–Renovado e atualizado, o portal da distinção «HR Excellence in Research» é agora uma iniciativa totalmente inserida na Plataforma de Talentos do EEI.
Ação n.º 17: Reforçar a capacidade estratégica das instituições de investigação públicas:
–A fim de aumentar o reconhecimento da profissão e a gama e acessibilidade das atividades de formação dos gestores de investigação, foi elaborado um conjunto de recomendações para ações específicas a nível nacional e europeu.
–Tendo por objetivo desenvolver um quadro de competências específico, o Horizonte Europa financia projetos fundamentais em matéria de gestão da investigação.
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(9)Lançar, através do programa Horizonte Europa, uma plataforma de publicações de acesso aberto revistas pelos pares; analisar os direitos dos autores de permitir a partilha, sem restrições, de artigos revistos pelos pares e financiados pelo setor público; garantir uma Nuvem Europeia para a Ciência Aberta que ofereça dados e serviços de investigação fáceis de encontrar, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis («Web of FAIR»); e incentivar práticas de ciência aberta, melhorando o sistema de avaliação da investigação.
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Este objetivo é prosseguido ao abrigo de três ações da agenda estratégica do EEI.
Ação n.º 1: Viabilizar a ciência aberta, nomeadamente através da Nuvem Europeia para a Ciência Aberta:
–Desenvolvimento da Nuvem Europeia para a Ciência Aberta no âmbito da parceria europeia coprogramada.
–Novas estratégias nacionais para a política de ciência aberta para integrar as práticas de ciência aberta e os princípios FAIR nos programas nacionais de financiamento da investigação.
–Observatório da Nuvem Europeia para a Ciência Aberta a funcionar como balcão único para a prestação de informações sobre a aplicação da ciência aberta.
–Catálogo de boas práticas da Nuvem Europeia para a Ciência Aberta com exemplos ilustrativos de práticas destinadas a publicações, dados, software e infraestruturas.
Ação n.º 2: Propor um quadro legislativo da UE em matéria de direitos de autor e dados adaptado à investigação:
–Estudos sobre a legislação da UE em matéria de direitos de autor e dados e o seu impacto no acesso aos recursos para a investigação científica, na reutilização de publicações científicas e na partilha e reutilização de dados de investigação.
Estudo sobre: i) a melhoria do acesso e da reutilização dos resultados da investigação, ii) a identificação de obstáculos e desafios, e iii) a apresentação de opções para medidas destinadas a reforçar a livre circulação de conhecimentos (estas medidas incluem a introdução de um direito de publicação secundário à escala da UE e outras medidas para reforçar as exceções abertas e flexíveis para a investigação).
Ação n.º 3: Reformar o sistema de avaliação da investigação, dos investigadores e das instituições:
–Acordo sobre a Reforma da Avaliação da Investigação (julho de 2022), que estabelece uma direção comum para as reformas, respeitando em simultâneo a autonomia das organizações signatárias. Em agosto de 2024, tinha sido assinado por 768 organizações.
–Em agosto de 2024, 91 organizações tinham publicado um plano de ação especificando a forma como tencionam cumprir os compromissos previstos no acordo.
–Em dezembro de 2022, foi criada a Coligação para o Avanço da Avaliação da Investigação (CoARA), reunindo um vasto leque de partes interessadas. Em agosto de 2024, contava com 676 organizações aderentes.
–A CoARA criou 13 grupos de trabalho para identificar boas práticas e emitir recomendações sobre vários aspetos da avaliação da investigação. As reformas a nível nacional serão facilitadas por 16 grupos, cada um deles reunindo os signatários de um determinado país (os denominados «capítulos nacionais»).
–Foram iniciados diálogos nacionais para identificar potenciais obstáculos e soluções de natureza jurídica e administrativa.
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(10)Implementar o Livro Branco do ESFRI e estabelecer uma estrutura de governação atualizada para as infraestruturas tecnológicas e de investigação.
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Ação n.º 8: Reforçar as infraestruturas de investigação:
–Análise do panorama das infraestruturas de investigação europeias, com uma nova metodologia, publicada em junho de 2024.
–Revisão da Carta Europeia para o Acesso às Infraestruturas de Investigação, prevista para o final de 2024.
–Atualização do roteiro do ESFRI, a lançar em outubro de 2024.
–Relatório da Comissão sobre a aplicação do Regulamento ERIC, publicado em agosto de 2023.
–Grupo de missão ESFRI-EOSC, criado em junho de 2023.
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(11)Elaborar um roteiro de ações para criar sinergias entre o ensino superior e a investigação, nomeadamente com base no papel duplo das universidades.
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Ação n.º 13: Capacitar as instituições de ensino superior:
–Tendo em vista uma melhor coordenação entre os Estados-Membros e a UE para promover a excelência, o subgrupo «Universidades do EEI» do Fórum do EEI definiu um plano de ação com recomendações para ações a curto, médio e longo prazo. No âmbito do programa de trabalho WIDERA do Horizonte Europa, estão em execução várias ações a nível da UE.
–Comunicação sobre uma estratégia europeia para as universidades, publicada em 2022, visando reforçar a dimensão europeia no ensino superior e na investigação. A estratégia europeia para as universidades inclui referências cruzadas ao EEI e às ações do EEI pertinentes que promovem a transformação das universidades para aumentar a sua excelência no domínio da I&I (por exemplo, ciência aberta e carreiras académicas). Em reconhecimento da importância da dimensão da I&I nas instituições de ensino superior, esta é complementada, no âmbito do Horizonte Europa, pela Iniciativa de Excelência Europeia e por outros convites restritos à apresentação de propostas no âmbito do programa de trabalho WIDERA do Horizonte Europa.
Ação n.º 6: Proteger a liberdade académica na Europa:
–Documento de trabalho dos serviços da Comissão de 2022 sobre o combate à ingerência estrangeira na investigação e inovação, que apresenta uma estratégia global para as instituições de ensino superior e as organizações que realizam investigação.
–Estratégia europeia para as universidades que visa garantir a liberdade académica nas instituições de ensino superior.
–Lançamento do Fórum para a Liberdade Académica do Parlamento Europeu, em novembro de 2022, com o objetivo de criar o Observatório da Liberdade Académica anual.
–Exercício de aprendizagem mútua sobre o combate à ingerência estrangeira na I&I, com uma forte ênfase na proteção da autonomia institucional e da liberdade académica.
–Adoção da Recomendação do Conselho relativa ao reforço da segurança da investigação, que estabelece um equilíbrio entre a abertura e a segurança, respeitando e salvaguardando princípios cruciais como a liberdade académica, a autonomia institucional e a não discriminação.
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(12)Desenvolver planos inclusivos de igualdade de género com os Estados-Membros e as partes interessadas, a fim de promover a igualdade de género na UE no domínio da I&I
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Ação n.º 5: Promover a igualdade de género e fomentar a inclusão:
–No programa Horizonte Europa, a igualdade de género é contemplada com a introdução de:
·planos de igualdade de género como critério de elegibilidade para determinadas categorias de entidades jurídicas,
·o requisito prévio da integração da dimensão de género nos conteúdos da I&I,
·uma meta de 50 % de mulheres nos conselhos de administração, grupos de peritos e comités de avaliação relacionados com o Horizonte Europa, bem como a introdução do equilíbrio de género nas equipas de investigação enquanto critério de classificação para as propostas com a mesma pontuação.
–Relatório intitulado Approaches to inclusive gender equality in Research and Innovation [Abordagens para uma igualdade de género inclusiva na investigação e inovação] sobre práticas e políticas emergentes a nível nacional e da UE.
–Elaboração de um relatório sobre o impacto dos planos de igualdade de género no EEI.
–Foi instituído o Prémio da UE para Defensores da Igualdade de Género que visa reconhecer os resultados notáveis das instituições na execução dos aplicação dos planos de igualdade de género.
–Subgrupo do Fórum do EEI para a Igualdade de Género Inclusiva:
·grupo de missão sobre a dimensão de género na I&I e grupo de missão sobre a violência de género,
·código de conduta de tolerância zero para combater a violência de género, incluindo o assédio sexual, no sistema de I&I da UE.
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Iniciativas transversais
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(13)Organizar, em colaboração com os Estados-Membros e as partes interessadas, campanhas científicas participativas a nível europeu para sensibilizar e incentivar a criação de redes
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Ação n.º 14: Aproximar a ciência dos cidadãos:
–Exercício de aprendizagem mútua sobre iniciativas de ciência cidadã — foram desenvolvidas políticas e práticas com o objetivo de facilitar o intercâmbio de informações, experiências e ensinamentos neste domínio.
–Exercício de aprendizagem mútua sobre a participação do público — políticas e práticas de promoção da participação do público nas políticas de I&I.
–Iniciativas concluídas ou em curso: Cidade Europeia da Ciência em Leiden (2022) e Katowice (2024), iniciativa «EU TalentON», Concurso da UE para Jovens Cientistas (EUCYS), iniciativa de ciência cidadã «Plastic Pirates — Go Europe!».
–Inquérito Eurobarómetro sobre os conhecimentos e atitudes dos cidadãos europeus em relação à ciência e à tecnologia (European citizens’ knowledge and attitudes towards science and technology) de 2021, o qual revela que nove em cada dez cidadãos da UE preveem que uma série de tecnologias atualmente em desenvolvimento venha a ter um efeito positivo na sociedade.
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(14)Desenvolver, em conjunto com os Estados‑Membros uma abordagem, para definir e implementar prioridades estratégicas que cumpram a agenda do EEI através do Fórum do EEI para a Transição e por meio de um Pacto para a I&I na Europa.
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No âmbito do Fórum do EEI, os Estados-Membros, a Comissão Europeia e as partes interessadas colaboraram na definição das prioridades estratégicas da agenda estratégica do EEI e na coordenação de esforços conjuntos para a execução das ações da mesma.
Muitas das ações da agenda estratégica do EEI contribuem para esta ação do roteiro. Esta síntese inclui apenas ações não descritas acima.
Ação n.º 9: Promover um ambiente positivo e condições equitativas para uma cooperação internacional baseada na reciprocidade:
–Subgrupo Permanente do Fórum do EEI para a Abordagem Global.
–Diálogo multilateral sobre os princípios e valores da cooperação internacional no domínio da I&I com parceiros importantes de países terceiros.
–Uma conferência ministerial internacional aprovou uma declaração ministerial sobre os princípios e valores da cooperação internacional no domínio da I&I (a «Declaração de Bruxelas», de 16/02/2024).
–Desenvolvimento em curso de um quadro europeu para a diplomacia científica e de uma iniciativa de abordagem da Equipa Europa sobre a cooperação com África.
–Recomendação relativa a uma abordagem da Equipa Europa em relação à China em fase de elaboração.
Ação n.º 19: Estabelecer um sistema de acompanhamento do EEI eficaz:
–Novo quadro de acompanhamento e avaliação do EEI, com os principais instrumentos e mecanismos de acompanhamento inseridos no âmbito de execução de outras ações.
–Foi lançada a plataforma estratégica do EEI e foram publicados um relatório a nível da UE, os painéis de avaliação e de acompanhamento do EEI de 2023 e os relatórios por país do EEI.
Ação n.º 18: Apoiar o desenvolvimento dos processos nacionais dos Estados-Membros da UE para a construção do EEI. Esta ação não foi executada devido à falta de apoio dos Estados-Membros.
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