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Document 52014DC0272
COMMUNICATION FROM THE COMMISSION TO THE EUROPEAN PARLIAMENT, THE COUNCIL, THE EUROPEAN ECONOMIC AND SOCIAL COMMITTEE AND THE COMMITTEE OF THE REGIONS European film in the digital era Bridging cultural diversity and competitiveness
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES O Filme Europeu na Era Digital: Uma Ponte entre a Diversidade Cultural e a Competitividade
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES O Filme Europeu na Era Digital: Uma Ponte entre a Diversidade Cultural e a Competitividade
/* COM/2014/0272 final */
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES O Filme Europeu na Era Digital: Uma Ponte entre a Diversidade Cultural e a Competitividade /* COM/2014/0272 final */
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO
EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS
REGIÕES O Filme Europeu na Era Digital:
Uma Ponte entre a Diversidade Cultural e a Competitividade O setor
audiovisual reveste-se de grande importância cultural, social e económica.
Molda identidades, projeta valores e pode ser um fator impulsionador da
integração europeia, ao contribuir para a nossa identidade europeia comum. Este
setor contribui para o crescimento e o emprego na Europa, sendo também um motor
de inovação. O setor
audiovisual destaca-se igualmente por ser mais regulamentado do que os outros
setores criativos e por depender fortemente do financiamento público[1]. A indústria
cinematográfica europeia é variada e criativa. O seu património cinematográfico
é reconhecido a nível mundial e inspirou várias gerações de realizadores e as
suas obras.[2]
Todavia, embora a Europa tenha capacidade para produzir um número elevado e
variado de longas-metragens, a maioria dos filmes europeus não chega aos seus públicos
potenciais na Europa e, menos ainda, no mercado mundial. Na sua maior parte, os
filmes não saem dos mercados nacionais e, mesmo nestes casos, alguns nunca
chegam aos ecrãs de cinema nem conseguem assegurar quaisquer outros canais de distribuição. Tal representa uma
oportunidade perdida para divulgar a diversidade das culturas europeias em todo
o mundo, para melhorar a competitividade e para superar o atual défice
comercial em relação aos países terceiros, em especial os Estados Unidos. A revolução
digital oferece novas possibilidades e flexibilidade em matéria de distribuição
e está a ter um impacto fundamental no comportamento do público. É, pois,
essencial garantir a adaptação à era digital e utilizar o seu potencial para preservar
os públicos atuais e conquistar novos públicos, bem como para lançar pontes
entre a diversidade cultural e a competitividade. Tal coloca alguns desafios: por
um lado à indústria, pela necessidade de testar novos modelos comerciais e
estratégias para captar novos públicos; e por outro, às políticas públicas aos
níveis regional, nacional e europeu. Uma cooperação
política transnacional e um diálogo estruturado com o setor a nível europeu
são, pois, essenciais. A presente Comunicação
insere-se no quadro estratégico apresentado na Comunicação da Comissão intitulada
«Promover os setores culturais e criativos ao serviço do crescimento e do
emprego na UE»[3].e
está em consonância com a Agenda Digital para a Europa[4]. A
Comunicação analisa a evolução recente do setor cinematográfico e identifica os
desafios atuais das políticas públicas no que diz respeito ao setor
cinematográfico. Destaca, igualmente, os instrumentos existentes da UE que
podem contribuir para o processo de adaptação a esses desafios. Em todos os domínios abrangidos, a Comunicação
procura melhorar a complementaridade entre os Estados-Membros e as políticas da
Comissão. Promove a adoção de orientações comuns para melhor explorar as
oportunidades e enfrentar os desafios relacionados com a passagem à era digital,
tendo em conta, simultaneamente, a diversidade cultural e linguística e os
diferentes contextos audiovisuais nacionais, sublinhando a necessidade de um esforço
conjunto para reforçar a eficiência global dos atuais instrumentos de
financiamento utilizados para promover a competitividade e a diversidade do
setor cinematográfico europeu. 1.
Situação do setor cinematográfico europeu 1.1.
Produção cinematográfica versus público:
um fosso cada vez maior? A análise do
setor cinematográfico europeu revela um desequilíbrio entre a produção, por um
lado, e a distribuição e o consumo, por outro, ou seja: entre o número de
filmes produzidos e o número de filmes que efetivamente chegam aos seus
públicos-alvo. Existe um número muito maior de produções europeias do que norte-americanas
ou canadianas[5],
mas os filmes europeus são distribuídos em menor escala e têm dificuldade em
alcançar um público mais vasto nos mercados estrangeiros, incluindo dentro da própria
UE. O êxito não pode
ser medido unicamente pela quota de mercado e pelas receitas de bilheteira. Os
filmes podem destinar-se a públicos de nicho, obtendo quotas de mercado
inferiores a nível nacional/da UE e a nível mundial. No entanto, estes filmes
podem, mesmo assim, chegar aos seus públicos-alvo e representar uma importante parte
da diversidade cultural. De um ponto de vista económico, o êxito relativo de um
filme deve também ser considerado em termos de rentabilidade, ou seja, da
relação entre o investimento feito no seu desenvolvimento, produção e
distribuição e as receitas por ele geradas[6].
Todavia, para um número significativo de filmes produzidos na UE a exibição nas
salas de cinema continua a ser limitada, ou mesmo inexistente, em especial fora
do mercado nacional. Além disso, estes filmes não parecem garantir melhores
audiências se optarem por outras formas de distribuição. A situação e os
valores correspondentes podem diferir entre as diferentes formas de
distribuição (salas de cinema, televisão, DVD, VoD[7],
etc.), podendo também haver diferenças significativas entre os Estados-Membros. No que diz
respeito à exploração dos filmes nas salas de cinema, as principais tendências
são as seguintes: ·
Na UE, os filmes europeus asseguram, em média,
62,52 % das exibições e 32,9 % das entradas[8]. As
receitas de bilheteira e as entradas dos filmes europeus ficam muito aquém das
alcançadas pelas produções norte-americanas. Em 2012, as produções dos EUA
representaram 19,84 % das exibições e 65,11 % das entradas na UE[9]. As
entradas relativas a filmes de países terceiros no mercado da UE mantiveram-se
estáveis, representando, em média, 12 %[10].
·
Apenas uma pequena minoria de filmes europeus é
exibida em cinemas localizados fora da Europa (8 %, em 2010), chegando a
uma audiência não negligenciável, apesar de modesta, em termos de quota de
mercado nas bilheteiras[11].
Com efeito, mais de 19 % do total de entradas (e 16 % das receitas de
bilheteira) das produções europeias foram obtidos fora da Europa em 2010[12]. A situação dos
filmes europeus nos cinemas — ilustrada acima — repete-se noutras plataformas
de visualização. A televisão
continua a ser a plataforma mais amplamente utilizada para a visualização de
filmes. Em 2011, 41 % das quase 122 000 longas-metragens exibidas na
televisão na Europa eram de origem europeia (7,7 % de produções nacionais,
14,5 % de produções realizadas noutros países europeus e 18,7 % de
coproduções em parte ou totalmente europeias)[13].
Embora o DVD registe
um declínio, o VoD é uma forma relativamente nova de distribuição e deverá
aumentar significativamente nos próximos anos[14].
Ao
contrário do DVD, o VoD está abrangido pela Diretiva «Serviços de Comunicação
Social Audiovisual» e as suas disposições destinadas a promover as
obras europeias. Em 2012, o mercado do VoD registou uma taxa de
crescimento de 59 % na Alemanha e de 14,7 % em França[15].
Muitos prestadores de serviços VoD oferecem os seus serviços e utilizam a sua
marca apenas num mercado territorial, e só alguns fornecedores realizam as suas
atividades com a mesma designação comercial a nível mundial. Embora, teoricamente,
o VoD ofereça uma capacidade ilimitada de distribuição (em contraste, com
outras formas de distribuição), existem poucos dados disponíveis sobre a
disponibilidade e a quota de mercado dos filmes europeus exibidos em
plataformas VoD. Os primeiros estudos sugerem que a maior parte das receitas
geradas pelas plataformas VoD poderá provir de filmes não europeus, tal como no
mercado de DVD[16].
No que se refere à presença de filmes europeus, os dados disponíveis revelam
que um operador internacional (presente em 26 países da UE) oferece, nas
principais lojas nacionais, mais superproduções realizadas na UE e filmes
galardoados com prémios europeus do que os prestadores nacionais de VoD[17]. À
luz destas considerações, é pois possível garantir um nível mais elevado de
distribuição de filmes europeus — dentro e fora da Europa — em todos os canais
de distribuição. 1.2.
Públicos potenciais e alteração dos
comportamentos Segundo um
estudo recente conduzido entre cidadãos europeus com 4-50 anos de idade[18],
97 % dos europeus veem filmes de todas as origens e 54 % veem filmes
todos os dias[19].
Cerca de 27 % dos espetadores são «fortes» consumidores de filmes,
declarando que veem mais de 11 filmes por mês[20].
Embora a utilização das salas de cinema tenha permanecido estável nos últimos
anos[21],
o estudo revela que as pessoas frequentam as salas de cinema menos de uma vez
por mês e que 39 % nunca vão ao cinema[22].
Além da ida aos cinemas, os europeus também veem filmes através de canais de
televisão gratuitos (79 % da população), de DVD (67 %) e do sistema
VoD (56 %)[23].
A visualização em casa ou através de aparelhos móveis representa, por
conseguinte, um mercado importante, sobretudo tendo em conta que os espetadores
desejam cada vez mais ver conteúdos em qualquer momento, em qualquer lugar e em
qualquer tipo de aparelho. O estudo reconhece, contudo, que estão igualmente a
ser utilizados conteúdos ilegais e que, para além da visualização, uma parte do
público deseja cada vez mais interagir com os conteúdos e participar na sua
criação ou programação, através, nomeadamente, de aplicações ou dos meios de
comunicação social. No que toca ao
tempo de utilização dos meios de comunicação social, a televisão continua a ser
o meio mais utilizado para ver conteúdos audiovisuais, continuando a representar
cerca de quatro horas diárias de visualização na UE[24]. Estes
números têm-se mantido em geral estáveis na UE, baixando, por vezes, no caso da
visualização de conteúdos não interativos pelas gerações mais novas[25]. Além
disso, a visualização média de vídeos em linha por espetador, embora
relativamente baixa nos principais mercados da UE, aumentou entre 155 % e
200 % no período 2008 a 2011[26].
1.3.
Deficiências estruturais do setor
cinematográfico europeu na captação de públicos potenciais na União Europeia e
no mundo A situação do
setor audiovisual varia consideravelmente de Estado-Membro para Estado-Membro. Difere
não apenas na dimensão do setor, no volume de produção e no contexto
linguístico, mas também na forma como os filmes são financiados, no valor e na
estrutura dos fundos públicos, no envolvimento das cadeias televisivas e de
outras partes interessadas no sistema de financiamento e nas estratégias
cinematográficas nacionais e regionais. Dado que cada
filme constitui um protótipo único, qualquer tentativa para reproduzir os
fatores de sucesso corre o risco de ser demasiado simplista. Parece, no
entanto, claro que algumas fragilidades estruturais têm um impacto
significativo na capacidade dos filmes europeus para chegarem aos seus públicos
potenciais, tanto nos próprios países como no estrangeiro. ·
Fragmentação da produção e financiamento O setor
cinematográfico europeu é composto principalmente por pequenas e médias
empresas que dependem de um conjunto limitado de ativos intangíveis. Estas
empresas enfrentam dificuldades crescentes em obter orçamentos mais elevados e
dependem largamente do financiamento público. O orçamento
médio das produções varia consideravelmente de Estado-Membro para
Estado-Membro. No Reino Unido ascende a 10,9 milhões de euros, na Alemanha
e França a cerca de 5 milhões de euros e na Suécia a 2,6 milhões de
euros. Em contraste, na Hungria ou na Estónia os filmes são produzidos com um
orçamento médio de 300 000 euros[27].
De acordo com a Motion Picture Association of America, o orçamento médio necessário
para a produção de filmes nos EUA equivale a 15 milhões de dólares
norte-americanos[28].
No que se refere aos filmes produzidos nos EUA pelos grandes estúdios
cinematográficos, os últimos dados disponíveis apontam para um orçamento médio
de 106,6 milhões de dólares norte-americanos em 2006. Dado o elevado
nível de custos da produção de filmes, são necessárias receitas elevadas,
especialmente de bilheteira, para garantir a sua viabilidade económica. Apesar
da elevada quota de mercado das produções norte-americanas, várias
superproduções recentes dos EUA tiveram dificuldade em recuperar os elevados
investimentos. Embora alguns filmes europeus — com orçamentos mais reduzidos — tenham
conseguido equilibrar as despesas, mesmo com um número relativamente pequeno de
espetadores, os poucos dados disponíveis mostram que uma grande maioria de
filmes europeus não é rentável e não consegue recuperar os investimentos
efetuados[29].
Esta situação afeta a estabilidade das empresas europeias, impedindo-as de se
dedicarem apenas a projetos únicos e de crescer. O complexo
sistema de financiamento da produção cinematográfica está a ser posto em causa
pelas alterações na distribuição e no consumo, desencadeadas pelas tecnologias
digitais. As receitas televisivas poderão ser afetadas pela multiplicação de
canais e pela fragmentação das audiências; embora as receitas via Internet
registem um crescimento dinâmico, ainda não conseguem compensar a perda de
receitas no DVD[30].
Além disso, tanto na televisão como no sistema VoD, as séries televisivas — incluindo
as produções europeias — parecem ser particularmente populares junto do
público, atingindo elevados números de visualizações[31]. A
distribuição cinematográfica tem de fazer face aos custos de digitalização dos
cinemas e às alterações no comportamento do público. Os novos operadores (por
exemplo, as plataformas VOD e os operadores de telecomunicações) assumem um
papel cada vez mais proeminente na distribuição, mas não estão
significativamente envolvidos na produção de filmes ou no seu financiamento. ·
Oportunidades e incentivos limitados para
internacionalizar projetos e visar mais do que um único mercado Apenas um número
reduzido de produtores de filmes europeus opera em vários mercados. Em geral, o
setor cinematográfico não consegue mobilizar um financiamento adequado para
projetos com uma orientação ou um interesse internacional, seja de fundos
públicos, seja de investidores tradicionais ou novos investidores. Uma parte
significativa do financiamento provém frequentemente de subvenções públicas
nacionais ou regionais e destina-se a apoiar a produção de projetos com uma
orientação regional ou nacional. Só uma pequena parte do financiamento público
provém de fundos supranacionais (por exemplo, no ano de 2009, 1919 milhões
de euros provieram de fundos nacionais e subnacionais na Europa, contra apenas
144 milhões de euros de fundos supranacionais)[32].
Os projetos tendem, portanto, a dirigir-se a audiências nacionais. Tal é
aparentemente reforçado pela insuficiente atenção dedicada à fase de
desenvolvimento, em que o público potencial de cada produção pode ser
efetivamente identificado e otimizado. Além disso, embora circulem melhor do
que as produções inteiramente nacionais[33],
as coproduções tendem a ser utilizadas essencialmente para obter financiamento,
nomeadamente nos países com baixa capacidade de produção. O potencial das
coproduções para alargar o público de um filme pode ser explorado de forma mais
eficaz; demasiadas coproduções carecem ainda de uma estratégia clara de
distribuição dentro dos países envolvidos e fora deles. ·
Focalização na produção e fraca atenção dada
à distribuição e promoção A focalização
das políticas de auxílio na produção dos filmes não encontra correspondência
nos esforços dedicados à sua distribuição junto do público. O atual sistema de
auxílios estatais destina-se predominantemente a apoiar a produção dos filmes,
sem dar atenção suficiente à sua distribuição. Em 2009, os organismos públicos
europeus de financiamento consagravam, em média, 69 % do seu orçamento à criação
dos filmes e apenas 8,4 % à sua distribuição e 3,6 % à sua promoção. Os
fundos supranacionais tendem a dar maior prioridade à distribuição (33,6 %
para a distribuição, 35,7 % para a criação) do que os fundos nacionais
(7,4 % para a distribuição, 70,4 % para a criação) e os fundos
subnacionais (3,5 % para a distribuição, 75,5 % para a criação). Contudo,
como já mencionado acima, apenas uma percentagem muito pequena do financiamento
provém de fundos públicos supranacionais. Nos EUA são dedicados orçamentos consideráveis
à comercialização dos filmes[34],
mas esta não é geralmente a situação na Europa. A focalização na
distribuição de filmes nas salas de cinemas e na televisão, que é fundamental
para recuperar o investimento, não considera devidamente o potencial da
distribuição em todas as outras plataformas possíveis. O sistema atual de «janelas»
de distribuição[35]
enfrenta uma pressão crescente devido à alteração do comportamento do público[36]. A
rigidez das regras neste domínio e a tendência dos operadores no mercado para manterem
o statu quo podem impedir o desenvolvimento e a utilização de
estratégias de distribuição e modelos de negócio novos e inovadores. Esta
situação pode também impedir as pequenas produções dirigidas a nichos de
mercado — que têm dificuldade em ser exibidas nas salas de cinema e, quando
muito, apenas aí são apresentadas por curtos períodos de tempo — de chegarem
aos seus públicos através de outras plataformas de distribuição, como o sistema
VoD[37].
O sistema VoD apresenta
grandes potencialidades, mas requer um investimento adaptado e o
desenvolvimento de novas competências. Ao disponibilizarem os filmes nas
plataformas VoD, os operadores veem-se confrontados com novos custos técnicos e
de transação. Os custos associados à codificação de masters digitais e à
preparação das diferentes versões linguísticas (dobradas ou legendadas)
representam um investimento para cada filme. Os custos de transação são
particularmente elevados na Europa, devido à fragmentação dos direitos e ao
baixo desenvolvimento das atividades de agregação[38] no
setor cinematográfico. Isto limita o interesse dos catálogos europeus junto de
novos operadores. Além disso, quando os filmes são disponibilizados através do
sistema VoD, requerem um investimento adicional em termos de atividades
editoriais e de instrumentos de promoção e divulgação bem concebidos. No seu
conjunto, apenas é possível recuperar estes custos através de um número
significativo de visualizações e, por conseguinte, da sua exibição durante um
longo período de tempo. Os instrumentos de financiamento devem garantir uma
despesa eficiente que tenha em conta estes custos. No que se refere
ao património cinematográfico europeu, a Europa está a perder terreno no
esforço de digitalização, que constitui um pré-requisito para o acesso digital.
Apenas 1,5 % do acervo cinematográfico foi digitalizado[39]. Tal
deve-se à falta de financiamento e aos custos elevados — em dinheiro e tempo —
da obtenção de direitos. Um procedimento mais simples em matéria de concessão
de direitos poderia facilitar o processo, reduzindo inclusivamente os custos. ·
Deficiências nas competências empresariais e
parcerias transetoriais A formação
inicial dos profissionais do cinema não assegura, frequentemente, a transmissão
das competências comerciais e empresariais necessárias. A relação entre as
escolas de cinema e as empresas do setor é fraca e a formação nesta área não garante
ainda oportunidades suficientes para beneficiar de uma perspetiva e contactos à
escala internacional. O setor
cinematográfico europeu não se associa nem coopera significativamente com os
seus parceiros potenciais, como as empresas de publicidade e o setor das TIC,
que podem ser vitais para maximizar as audiências das suas produções nas
plataformas VoD. 2.
Desafios atuais Será necessário
um esforço concertado a todos os níveis para superar estas deficiências
estruturais. Terão de ser abordadas as áreas seguintes para tornar a rica
diversidade de filmes europeus acessível e atrativa junto de um público mais
vasto e tornar as empresas e os filmes europeus mais rentáveis. 2.1.
Rever o quadro financeiro O êxito da
indústria cinematográfica europeia exige um reequilíbrio das despesas de
produção e de promoção e distribuição dos filmes, incluindo a adoção de medidas
nas seguintes áreas: ·
Regimes de financiamento público Os mecanismos
internos de apoio ao desenvolvimento, produção e distribuição de filmes exercem,
direta ou indiretamente, um impacto sobre as estruturas e as práticas da
indústria e no tipo de filmes produzidos e distribuídos. O apoio europeu apenas
pode complementar esses mecanismos nacionais, mas não define os princípios
fundamentais. Tendo em conta as alterações introduzidas pela passagem à era
digital e a mudança de expectativas do público, os regimes de auxílio público,
em conformidade com as regras aplicáveis aos auxílios estatais[40], devem
ser objeto de reflexão. Em termos globais, o desafio não é aumentar o nível dos
auxílios públicos concedido a este setor, mas sim otimizar o seu valor
acrescentado global e maximizar a complementaridade entre as políticas e os
instrumentos aos diferentes níveis. As seguintes ações
devem merecer especial interesse neste contexto: –
Dar maior ênfase à fase de desenvolvimento, a fim
de melhorar a qualidade e a rentabilidade dos projetos financiados. Assegurar
que os projetos são desenvolvidos de modo a chegarem aos seus públicos-alvo,
tendo em conta as especificidades de cada projeto, a nível nacional, mas também
a nível da UE e mundial. –
Assegurar um equilíbrio adequado e garantir uma
relação mais eficiente entre o apoio à produção e o apoio à distribuição e
promoção. Por exemplo, garantir que os projetos financiados publicamente são
acompanhados por uma estratégia bem concebida de distribuição e marketing,
ou fornecer incentivos aos produtores e empresas de produção para que valorizem
a distribuição dos filmes junto de um público mais vasto. –
Garantir que os filmes que beneficiam de
financiamento público são efetivamente explorados e disponibilizados ao
público. –
Aumentar a transparência dos resultados dos filmes
que beneficiam de financiamento público. Por exemplo, tornar obrigatória a
apresentação de dados sobre o número de visualizações dos filmes nos diferentes
canais de distribuição. Isto permitirá publicar esses dados para todas as
plataformas de distribuição, relativamente a cada filme apoiado por fundos
públicos. –
Reforçar a complementaridade e coerência globais
dos auxílios públicos, tendo em vista uma maior eficiência global e abrangendo
os fundos regionais, nacionais e supranacionais e o financiamento das várias
atividades (desenvolvimento, produção, distribuição, promoção e marketing). –
Capacitação dos produtores e outros operadores, para
que possam passar de uma abordagem centrada na realização projetos a uma
estratégia de crescimento da empresa. –
Garantir o depósito contratual dos filmes
financiados e desenvolver mecanismos destinados a facilitar uma utilização com
fins educativos após a utilização comercial, em conformidade com os direitos de
propriedade intelectual[41].
No
âmbito do novo programa «Europa Criativa», será desenvolvido o subprograma
MEDIA à luz da experiência já adquirida com os programas «MEDIA 2007» e «MEDIA
Mundus». Este subprograma apoiará o desenvolvimento, a distribuição e a
exploração cinematográfica, mas explorará também as oportunidades existentes no
setor digital, nomeadamente em matéria de captação de audiências. Procurará,
igualmente, incidir em domínios com um claro valor acrescentado europeu e na
complementaridade com os instrumentos nacionais dos Estados-Membros. Apoiará,
em especial, os serviços VoD empenhados na distribuição e divulgação de filmes
europeus, bem como os operadores envolvidos na criação de pacotes editoriais de
filmes europeus prontos para exploração em linha e as novas formas de sinergia
entre diferentes plataformas de distribuição. ·
Participação dos novos operadores na cadeia
de valor Com o surgimento
de novas formas de distribuição, em especial os serviços VoD, uma das questões
essenciais das alterações no panorama dos meios de comunicação social é saber
de que forma o atual modelo de financiamento evoluirá e que papel irão os novos
operadores desempenhar no financiamento dos novos conteúdos. Verifica-se uma
tendência para as plataformas mundiais de VoD, como a Netflix, investirem em
conteúdos originais — sobretudo séries, mas também, cada vez mais, noutros
géneros como documentários e stand-up comedies. Resta saber se esses
operadores irão, em geral, desenvolver um interesse comercial por uma maior
participação na produção de outros tipos de conteúdos audiovisuais, incluindo
obras cinematográficas. O forte crescimento dos serviços VoD e o contributo
atual das empresas televisivas para a produção de obras europeias em certos
países — incluindo a adoção de legislação impondo estas obrigações — suscitaram
um debate nesta matéria nos Estados-Membros em causa. Em alguns casos, tem sido
colocada a questão da aplicação de legislação nacional a operadores
estabelecidos noutros Estados-Membros ou fora da União Europeia. ·
Acesso ao financiamento privado através dos
instrumentos financeiros da UE Os riscos e
incertezas específicos associados à produção cinematográfica dificultam, muitas
vezes, o acesso das empresas do setor aos empréstimos bancários[42].
Certos instrumentos de engenharia financeira (em particular, os fundos de
garantia) demonstraram a sua capacidade para possibilitar o acesso ao
financiamento privado. A obtenção de capital para projetos relativos às
infraestruturas (incluindo as salas de cinema, o acervo cinematográfico e as
novas plataformas tecnológicas) poderia também beneficiar desses instrumentos
de garantia. Simultaneamente, é essencial reforçar a competitividade geral da
indústria cinematográfica europeia para desbloquear o acesso ao crédito neste
domínio. A partir de
2016, o mecanismo de garantia para os setores culturais e criativos do programa
«Europa Criativa» contribuirá para esse processo. Deverá facilitar o acesso ao
financiamento privado sob a forma de empréstimos. O setor cinematográfico
poderá igualmente recorrer a instrumentos mais horizontais para o
desenvolvimento das empresas (instrumentos para as PME do programa COSME[43]), os investimentos
(Fundo de Coesão, instrumentos financeiros dos programas COSME e Horizonte
2020), a criação e o fornecimento de conteúdos através das novas tecnologias, dos
meios de comunicação social e da convergência (LEIT no programa Horizonte 2020)[44], e a
promoção de uma reutilização inovadora do acervo cinematográfico[45]. 2.2.
Promover um contexto empresarial inovador O quadro jurídico
assume grande importância na definição do contexto empresarial no setor
cinematográfico. As normas relativas aos direitos de autor e a regulação dos
meios de comunicação social e em matéria de conteúdos são especialmente
importantes neste âmbito. Os direitos de
autor constituem simultaneamente o principal estímulo ao investimento cinematográfico
e a base da receita de todos aqueles que contribuem para a cadeia de valor,
começando pelos autores. Os filmes são frequentemente financiados através da
venda de direitos exclusivos para determinados territórios, uma prática
comercial que torna depois mais difícil e mais oneroso licenciar os serviços em
linha multiterritoriais no âmbito do mercado único digital. A este respeito,
paralelamente ao diálogo «Licences for Europe» encetado e já concluído com os
operadores[46],
a Comissão está a rever as atuais normas relativas aos direitos de autor, como
anunciado na Comunicação sobre os conteúdos no mercado único digital[47]. Este
debate terá especial relevância para o setor cinematográfico. Os rápidos
desenvolvimentos no setor exigem suficiente flexibilidade para que os
operadores possam experimentar e testar novas abordagens e modelos de negócio.
A flexibilidade é particularmente necessária em matéria de «janelas» de
distribuição[48],
de modo a permitir a testagem, o desenvolvimento e a utilização de estratégias
de distribuição alternativas, adaptadas aos diferentes tipos de filmes e maximizando
a complementaridade das várias plataformas para chegar ao público. Testar e
desenvolver formas de exploração que respondam às novas expectativas do público
permitirá aos telespetadores acederem mais rapidamente aos filmes, logo que
tenham conhecimento da sua existência. Isto poderá assegurar uma quota adicional
de audiências no caso dos filmes europeus mais adequados aos novos métodos de
distribuição, como o sistema VoD. Tal maximizará igualmente o efeito dos
esforços de marketing e consistirá num instrumento eficaz para combater
a pirataria, ao aumentar a oferta legal. Uma distribuição simultânea ou mais
coordenada nos cinemas dos vários países e um acesso mais rápido aos serviços
em linha são também questões que interessa explorar. A necessidade de
estabelecer prazos específicos para a exibição de uma obra cinematográfica em
cada tipo de «janela» deve basear-se sobretudo num acordo entre as partes
interessadas ou os profissionais envolvidos. A este respeito, as regras
aplicáveis às diferentes «janelas» de distribuição poderão ser revistas tendo
em conta os desenvolvimentos tecnológicos e a evolução do mercado. Isto
permitirá aos titulares de direitos desenvolverem e utilizarem estratégias
novas e inovadoras para promoverem e distribuirem os seus filmes, incluindo a
possibilidade de distribuição simultânea, ou quase simultânea, nos cinemas e no
sistema VoD. Sobre esta
questão, os resultados da ação preparatória em curso sobre a circulação dos
filmes europeus — incluindo a combinação das diferentes «janelas» de
distribuição — serão partilhados com o setor na primavera de 2014[49]. As
experiências e os dados relativos aos projetos financiados poderão ajudar a desenvolver
estratégias de distribuição e modelos de negócio mais inovadores. A Diretiva
«Serviços de Comunicação Social Audiovisual»[50],
que rege a coordenação à escala da UE das legislações nacionais sobre todos os
meios de comunicação social audiovisuais, incluindo tanto as emissões
televisivas tradicionais como os serviços VoD, estabelece um conjunto mínimo de
regras comuns. Autoriza a livre circulação dos serviços de comunicação social
audiovisual no interior da UE, salvaguardando simultaneamente importantes
objetivos políticos. O Livro Verde intitulado «Preparação para um mundo
audiovisual plenamente convergente: crescimento, criação e valores»[51]
lançou uma consulta pública sobre uma ampla variedade de questões relacionadas
com a atual transformação do panorama da comunicação social audiovisual. A consulta
procura saber se as normas da referida diretiva constituem a melhor forma de
promover a criação, a distribuição, a disponibilidade e a atratividade
comercial das obras europeias no mercado único digital. 2.3.
Desenvolver o contexto criativo A Europa precisa
de explorar talentos e desenvolver competências profissionais na indústria
cinematográfica europeia. Esta condição é imperativa para a qualidade, a
diversidade e a originalidade dos filmes europeus, sendo ainda crucial para
atrair audiências e reforçar a competitividade. É importante
incentivar a cooperação entre as escolas de cinema europeias (em matéria de
programas de estudo ou mobilidade) e o estabelecimento de parcerias criativas
entre as escolas e as empresas. O objetivo é promover uma maior adequação entre
a formação e as competências adquiridas, por um lado, e as necessidades da
indústria, por outro (incluindo nos domínios do empreendedorismo, das TIC, da
publicidade e do marketing). Pretende-se, igualmente, dotar a parte
criativa da indústria de uma visão do público mais internacional e global. A cooperação
criativa deve também ser encorajada entre a indústria cinematográfica e os outros
setores. Tal inclui não apenas os setores mais próximos (como a ficção para
televisão, os jogos de vídeo e os conteúdos transmédia) ou os operadores dos
meios digitais (como os operadores de telecomunicações ou os fabricantes de
produtos eletrónicos de consumo), mas também outros setores criativos ou
ligados à educação. Além do programa
«Europa Criativa», nomeadamente a sua componente intersetorial, que deverá
ajudar a realizar este objetivo, o programa «Erasmus+» apoiará a cooperação e a
mobilidade no âmbito da formação inicial, bem como a criação de parcerias e de
alianças de competências entre o setor que explora a vertente educativa da
produção de filmes e as empresas. 2.4.
Acesso aos filmes e captação de novos
públicos A par do aspeto
criativo, é essencial colocar o público — de massa ou de nicho — no centro das
estratégias cinematográficas, em todas as suas fases, desde o desenvolvimento
dos filmes até à sua exploração. À semelhança de outros setores culturais, tal
exige a definição de estratégias e ferramentas que potenciem tanto as possibilidades
de acesso como a procura de filmes europeus, especialmente não nacionais. A
relação com o público em todas as fases da criação e distribuição é crucial. As
informações sobre as preferências do público e o comportamento dos consumidores
podem ajudar a identificar e a valorizar fatores importantes para o êxito de um
filme. A fase de desenvolvimento pode também retirar benefícios dessas
informações. Além disso, é necessário
promover a visibilidade e a divulgação dos filmes europeus, e interagir com o
público. As abordagens têm de ser adaptadas a cada projeto, mas claramente o
intercâmbio de experiências e o desenvolvimento de instrumentos comuns (por
exemplo, aplicações ou serviços Web, eventos e atividades de promoção da marca)
podem reforçar a eficiência dos esforços desenvolvidos e permitir uma melhor
identificação e focalização no público do cinema europeu. A existência de
serviços de comunicação social audiovisual que permitam o acesso legal a uma
oferta variada de filmes europeus a um preço aceitável depende de um conjunto
de fatores. A agregação de direitos e uma abordagem mais coordenada em matéria
de masterização e de gestão das versões linguísticas poderiam reduzir de forma
significativa os custos de transação e técnicos que, de outro modo, podem dificultar
a entrada de serviços VoD. Por exemplo, para cada filme, poderia ser
disponibilizado um master digital único de referência, com qualidade
suficiente, para depois criar todas as versões específicas adequadas aos
diferentes serviços VoD. Isso evitaria a necessidade de financiar todas as
masterizações que atualmente são necessárias para cobrir todos os países ou
plataformas VoD em causa. A educação
cinematográfica constitui igualmente um investimento de grande envergadura no
público de amanhã. Os filmes europeus tendem a utilizar uma gramática narrativa
e visual complexa, cuja riqueza só poderá ser plenamente apreciada se tivermos
alguma capacidade de análise. O público está interessado nesta educação[52] e o
setor cinematográfico deve investir no processo. As atividades de
captação de novos públicos também são centrais no âmbito do programa «Europa
Criativa». O diálogo
«Licences for Europe» com as partes interessadas[53]
produziu igualmente resultados importantes, que são relevantes para o setor
cinematográfico e que deverão ser tidos em conta[54].
Em especial, os representantes da indústria audiovisual formularam uma
declaração conjunta afirmando a sua vontade para continuarem a trabalhar em
prol de uma maior portabilidade transfronteiriça dos serviços em linha
reservados a subscritores. Além disso, na área do acervo cinematográfico, os
produtores e autores de filmes e as entidades ligadas a este acervo acordaram
num conjunto de princípios e de procedimentos para facilitar a digitalização do
acervo cinematográfico europeu e respetivo acesso, e reforçar o interesse dos
cidadãos por estas obras. As discussões incidiram ainda na questão de saber de
que forma poderá ser melhorada a disponibilidade de todas ou de mais versões
linguísticas dos filmes em cada país. 3.
Conclusão A indústria
cinematográfica europeia precisa de um contexto estimulante para poder explorar
todo o seu potencial cultural e económico. Garantir esse contexto exige a
mobilização das pessoas envolvidas a todos os níveis: no próprio setor e nos
Estados-Membros, do nível local ao nível nacional. Não deixando de respeitar
plenamente o princípio da subsidiariedade, a União Europeia também pode
contribuir para este processo. Além das atuais
redes de fundos públicos e parcerias regionais, nomeadamente entre os países
nórdicos, as considerações acima confirmam o importante contributo que pode ser
dado pela UE para o objetivo comum de superação dos desafios suscitados pela
diversidade cultural e o desenvolvimento económico do setor cinematográfico. No
entanto, é evidente que a primeira responsabilidade e os principais
instrumentos dependem das autoridades públicas de cada Estado-Membro e dos
operadores e intervenientes do próprio setor. Face à rápida
evolução do setor, é fundamental promover um debate a nível europeu e encetar um
diálogo com todas as partes interessadas (autoridades públicas e setor privado)
sobre a política cinematográfica na Europa. Este diálogo deverá centrar-se em objetivos
comuns, a saber: melhorar o acesso do público à rica diversidade de filmes
europeus e reforçar a competitividade e a rentabilidade do setor
cinematográfico. Para o efeito, a
Comissão tenciona lançar um Fórum do Filme Europeu, um processo baseado nos
instrumentos atualmente existentes, com o objetivo de promover o intercâmbio de
experiências e práticas, e de estudar e partilhar conhecimentos sobre questões
de interesse comum. O principal objetivo do Fórum será debater as políticas
públicas destinadas ao setor cinematográfico. As partes interessadas a nível
europeu serão chamadas a participar — numa base voluntária — neste processo,
que será conduzido em total transparência, para benefício de todo o setor. [1] Todos os anos são concedidos 2,1 mil milhões de euros de
auxílios a títulos de fundos europeus destinados ao cinema (Observatório
Europeu do Audiovisual, «Public Funding for Film and Audiovisual Works in
Europe 2011»). [2] Filmes recentes como «Os Intocáveis» atraíram audiências
em todo o mundo pela sua originalidade e tornaram-se também êxitos de
bilheteira e filmes lucrativos. [3] COM(2012)
537 final. [4] COM(2010)
245 final/2. [5] O número de longas-metragens produzidas na União
Europeia aumentou de 1159, em 2008, para 1336, em 2011. No mesmo período, as
produções norte-americanas e canadianas subiram de 773 para 818 filmes («EAO
Focus», 2013). [6] O filme «Os Intocáveis» gerou uma receita de bilheteira estimada
em 309 189 989 euros a nível mundial, com um orçamento de
produção de cerca de 7 milhões de euros, e «O Artista» gerou
96 718 509 euros de receitas de bilheteira estimadas em todo o
mundo, com um orçamento de produção de cerca de 11 milhões de euros. [7] Video on demand (Vídeo a pedido). [8] Período: 2008-2012. Os dados não incluem Malta. Fonte:
Observatório Europeu do Audiovisual. [9] Período: 2008-2012. Fonte: Observatório Europeu do
Audiovisual. [10] Fonte: Observatório Europeu do Audiovisual, «Yearbook
2012», vol. 2, p. 234. [11] Por exemplo, em 2012, a presença de filmes da UE no
mercado norte-americano foi escassa, mal obtendo uma quota de 8 %, ao
passo que os filmes dos E.U.A conseguiram uma quota de 90 %. Fonte:
Observatório Europeu do Audiovisual, base de dados «Focus», 2013. [12] Fonte: Observatório Europeu do Audiovisual, estudo
«Theatrical export of European films in 2010», abrangendo os seguintes países:
Argentina, Austrália, Brasil, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, México, Nova
Zelândia, Estados Unidos e Canadá, e Venezuela. No mesmo período, as produções
norte-americanas geraram 66 % das suas receitas de bilheteira noutros
países. [13] Fonte: Observatório Europeu do Audiovisual, «Yearbook
2012», pp. 150-155. [14] Ao contrário do DVD, o VoD está abrangido pela Diretiva «Serviços de
Comunicação Social Audiovisual» e as suas
disposições destinadas a promover as obras europeias. [15] Em 2011, a despesa dos consumidores com conteúdos audiovisuais
através da utilização de plataformas e serviços digitais e em linha subiu de
20,1 % para um total de 1,2 mil milhões de euros, ao passo que a despesa
dos consumidores europeus com DVD baixou 10 %, pelo sétimo ano
consecutivo, para um total de 9,4 mil milhões de euros. Num futuro próximo,
espera-se um crescimento contínuo das formas de distribuição digitais e em
linha no setor do vídeo. Por exemplo, o total das receitas geradas pelo
fornecimento de VoD por redes exclusivas (designadas por «garden services»)
excederá às receitas da distribuição via Internet. Na Europa, espera-se que
essas receitas cresçam de 850 milhões, em 2011, para 1,5 mil milhões
de euros em 2017. A despesa com DVD/BD («Blue Ray Disc») deverá baixar. Fontes:
Observatório Europeu do Audiovisual, «Yearbook 2012»; Base de dados «Screen
Digest», 2013. [16] Instituto de Prospetiva Tecnológica (IPTS): «Statistical,
ecosystems and competitiveness analysis of the media and content industries —
the film sector», Sophie de Vinck, Sven Lindmark, 2012, ponto 3.4.3. [17] Fonte: Observatório Europeu do Audiovisual. Na Alemanha, a
aplicação iTunes ofereceu para distribuição 36 filmes, com base numa amostra de
50 filmes, incluindo os 25 filmes mais galardoados com prémios europeus
(1988-2012) e as 25 maiores superproduções europeias (1996-2012), ao passo que
a oferta dos serviços nacionais VoD apenas atingiu um máximo de 29 filmes. Em
França, estes números são de 30 contra 21 filmes e, em Itália, de 2 contra 8
filmes. [18] O estudo abrangeu 4 550 consumidores europeus, com
idades compreendidas entre 4 e 50 anos, em 10 países: «A profile of
current and future audiovisual consumers: Final Report», EAC/08/2012, p. 10. [19] «A profile of current and future audiovisual consumers:
Final Report», EAC/08/2012, p. 55. [20] «A profile of current and future audiovisual consumers:
Final Report», EAC/08/2012, p. 77. [21] Ver Observatório Europeu do Audiovisual, «Yearbook 2012»,
vol. 2, p. 222 (966 milhões em 2011). Contudo, a frequentação baixou
em alguns Estados-Membros como a França, a Itália, a Espanha, Portugal, a
Bulgária, a Eslovénia e a República Eslovaca. [22] «A profile of current and future audiovisual consumers:
Final Report», EAC/08/2012, p. 60. [23] Este último número abrange também os descarregamentos ou
visualizações «gratuitos» via Internet, na sua maioria provavelmente acessíveis
através de plataformas ilegais. [24] Livro Verde «Preparação para um mundo audiovisual
plenamente convergente: crescimento, criação e valores», referindo-se ao volume
II, p. 171, do «Yearbook» do Observatório Europeu do Audiovisual. [25] No Reino Unido, uma análise recente sugere que o tempo de
visualização de televisão não interativa na faixa etária dos 16-24 anos baixou
de 168 minutos por dia, em 2010, para 142 minutos por dia, em 2013, e
deverá diminuir mais ainda para 119 minutos por dia em 2020; no que se
refere à faixa etária dos 25-34 anos, o tempo de visualização baixou de 200
minutos por dia em 2010 para 183 minutos por dia em 2013, devendo decrescer
mais ainda, para 148 minutos por dia em 2020. «Enders
Analysis, Where have all the young viewers gone?», janeiro de 2014. [26] Em 2011, a visualização em linha no Reino Unido
representou 20,5 minutos por mês (15 minutos em França e 22 minutos na
Alemanha). [27] Observatório Europeu do Audiovisual, «Yearbook 2012», vol.
2, p. 206. [28] Motion Pictures Association of America: http://www.mpaa.org/Resources/3037b7a4-58a2-4109-8012-58fca3abdf1b.pdf, page 21. [29] Ver estudo intitulado «Rentabilité des investissements
dans les films français», O. Bomsel e C. Chamaret, 2008. Este estudo revela que
num total de 162 filmes produzidos em França, em 2005, apenas 15 conseguiram
recuperar a despesa realizada com a produção e a distribuição. http://crg.polytechnique.fr/fichiers/crg/perso/fichiers/chamaret_728_RentabContango2.pdf. [30] O nível de consumo no mercado dos vídeos diminuiu
1,1 %, em termos globais, nos 17 principais países europeus em 2012, em
comparação com 2011, ao passo que as as vendas de vídeos digitais e de filmes
na televisão através do sistema VoD (TV VoD) aumentaram 71 % e 26 %
respetivamente. Fonte: Federação Internacional do Vídeo, «Yearbook 2013»,
páginas 17 e 18. [31] As estatísticas relativas aos 100 programas com maior
audiência, num conjunto de seis Estados-Membros (UK, DE, FR, IT, ES e PT), mostram
que as séries de televisão foram o género mais popular em dezembro de 2012, com
uma audiência acumulada de 62 %. Fonte: lesaudiencestv.com; http://www.lesaudiencestv.com/categorie-12499478.html.
As produções europeias de séries estão a ganhar terreno na programação nacional
e internacional, nomeadamente a série «Real Humans»
(Suécia/Dinamarca/Finlândia), que será em breve adaptada no Reino Unido e que já
foi exportada para 53 territórios. Fonte: Médiamétrie, «Scripted Series Report
02», outubro de 2013. [32] Fonte: Observatório Europeu do Audiovisual, Public
«Funding for Film and Audiovisual Works in Europe», 2011. [33] Observatório Europeu do Audiovisual «The circulation of
European co-productions and entirely national films in Europe 2001 to 2007»,
http://www.coe.int/t/dg4/cultureheritage/culture/film/paperEAO_en.pdf [34] Nos E.U.A, o orçamento médio elevou-se a
106,6 milhões de dólares norte-americanos em 2006, incluindo
70,8 milhões para custos de produção e 35,9 milhões para custos de
comercialização. Fontes: Motion Picture Association of America, «Theatrical
Market Statistics 2007». [35] Sistema em que os filmes são distribuídos em diferentes
plataformas de exploração de forma sucessiva. A utilização destas «janelas» e os
calendários divergem entre Estados-Membros, mas a sequência normal, por
exemplo, para um filme de longa-metragem, seria: exibição nos cinemas, em vídeo/DVD/
Blu Ray, no sistema VoD, nos canais de televisão pagos («pay-TV») e, por fim, transmitido
em canal aberto. [36] Ver ponto I.2 acima. [37] É de notar que muitos filmes europeus que são um sucesso
nos seus mercados nacionais tendem igualmente a garantir um nicho de mercado noutros
países. [38] Serviços de intermediários que procuram negociar com os
titulares dos direitos dos diferentes filmes com vista à criação de um catálogo
atrativo para as plataformas VoD; esta atividade pode incluir uma componente
editorial ativa (atividade de curador). [39] De acordo com uma estimativa da Associação das Cinematecas
Europeias (ACE). [40] De salientar,
em particular, que a Comunicação da Comissão relativa aos auxílios estatais concedidos
às obras
cinematográficas e outras obras audiovisuais, adotada em 15 de novembro,
atualizou os critérios nesta matéria para avaliar os regimes de apoio dos
Estados-Membros, nomeadamente: alargou os auxílios
estatais a mais atividades; realçou o princípio da
subsidiariedade no domínio da cultura e o respeito dos princípios do mercado
interno; elevou o nível máximo dos auxílios destinados às produções
transfronteiriças e garantiu o acesso ao acervo cinematográfico e
a sua preservação. [41] Como acontece, por exemplo, na Dinamarca, na Espanha, na Suécia
e na Letónia. Ver «Third Implementation Report on the
Film Heritage Recommendation», https://ec.europa.eu/digital-agenda/sites/digital-agenda/files/swd_2012_431_en.pdf. [42] Ver «Study on the Role of Banks in the European Film
Industry», Peacefulfish, maio de 2009, http://ec.europa.eu/culture/media/media-content/documents/about/filmbanking.pdf [43] O programa COSME é o
programa da UE destinado a apoiar a competitividade das empresas e das pequenas
e médias empresas (PME), no período de 2014 a 2020. [44] O programa Horizonte 2020 é o programa de investigação da
União Europeia para o período de 2014 a 2020. A iniciativa LEIT faz parte do
programa Horizonte 2020: «Liderança em tecnologias facilitadoras e
industriais». [45] Desafio societal 6, no programa Horizonte 2020. [46] http://ec.europa.eu/licences-for-europe-dialogue/en/content/about-site. [47] COM(12) 789 final de 18.12.2012. [48] Em especial, a sequência de distribuição dos filmes nas
salas de cinema, nos canais de televisão pagos, nos vídeos domésticos,
comprados e alugados, na televisão em canal aberto e nas plataformas VoD. [49] C(2012)1890 de 27.3.2012. [50] Diretiva 2010/13/UE, JO L 95 de 15.4.2010, pp. 1-24. [51] COM(2013) 231 final. [52] «A profile of current and future audiovisual consumers,
Final Report», EAC/08/2012, p. 72f. [53] http://ec.europa.eu/licences-for-europe-dialogue/en/content/about-site. [54] Ver documento «Ten pledges to bring more content
online», http://ec.europa.eu/internal_market/copyright/docs/licences-for-europe/131113_ten-pledges_en.pdf