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Document 52012SC0095
COMMISSION STAFF WORKING DOCUMENT on exploiting the employment potential of the personal and household services Accompanying the document COMMUNICATION FROM THE COMMISSION TO THE EUROPEAN PARLIAMENT, THE COUNCIL, THE EUROPEAN ECONOMIC AND SOCIAL COMMITTEE AND THE COMMITTEE OF THE REGIONS Towards a job-rich recovery
DOCUMENTO DE TRABALHO DOS SERVIÇOS DA COMISSÃO «Explorar o potencial de emprego do setor dos serviços pessoais e domésticos» que acompanha a COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Uma recuperação geradora de emprego
DOCUMENTO DE TRABALHO DOS SERVIÇOS DA COMISSÃO «Explorar o potencial de emprego do setor dos serviços pessoais e domésticos» que acompanha a COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Uma recuperação geradora de emprego
/* SWD/2012/0095 final */
DOCUMENTO DE TRABALHO DOS SERVIÇOS DA COMISSÃO «Explorar o potencial de emprego do setor dos serviços pessoais e domésticos» que acompanha a COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Uma recuperação geradora de emprego /* SWD/2012/0095 final */
DOCUMENTO DE TRABALHO DOS SERVIÇOS DA
COMISSÃO «Explorar o potencial de emprego do setor dos
serviços pessoais e domésticos» que acompanha a COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO
EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS
REGIÕES Uma recuperação geradora de emprego
ÍNDICE 1........... INTRODUÇÃO............................................................................................................ 3 2........... DEFINIÇÃO E DETERMINAÇÃO DA
DIMENSÃO DOS SERVIÇOS PESSOAIS E DOMÉSTICOS 4 3........... MERCADO DE TRABALHO E DESAFIOS
POLÍTICOS......................................... 11 4........... O CAMINHO A SEGUIR........................................................................................... 16
Exoneração de responsabilidade: O presente documento é um documento de
trabalho dos serviços da Comissão Europeia e tem caráter meramente informativo.
Não representa nem antecipa qualquer posição oficial da Comissão nesta matéria. 1. INTRODUÇÃO Para criar
oportunidades de emprego em tempos de consolidação orçamental e fazer chegar a
taxa de emprego da população na faixa etária 20-64 aos 75% até 2020[1],
a Análise Anual do Crescimento relativa a 2012 destacou a necessidade de os
Estados-Membros terem de «lançar iniciativas que facilitem o desenvolvimento de
setores que denotem as maiores potencialidades em termos de emprego,
nomeadamente no setor da economia hipocarbónica, caracterizada por uma
utilização eficiente dos recursos («empregos verdes»), no setor da saúde e no
setor social («empregos brancos»)», bem como noutros serviços às pessoas e
famílias e na economia digital[2]. Parte integrante da
estratégia Europa 2020, a iniciativa emblemática «Agenda para novas
competências e empregos»[3] tem como objetivo
contribuir para a realização dos objetivos da estratégia graças a mecanismos
eficazes de atualização, antecipação e correspondência de competências. As atividades que
contribuem para o bem-estar das famílias e dos indivíduos nas suas próprias
casas, designadamente os serviços de cuidados e domésticos, revestem um
importante potencial de criação de emprego. Os serviços de cuidados no
domicílio incluem-se nos «empregos brancos», juntamente com os serviços de
cuidados de saúde e as atividades de cuidados de saúde com alojamento, ao passo
que os serviços domésticos se encontram no limite da fronteira desta categoria.
Espera-se que a procura de serviços de cuidados e de serviços domésticos venha
a aumentar em virtude de uma importante tendência para o envelhecimento da
população em todos os Estados-Membros, conjugada com a esperada redução do
número de potenciais prestadores de cuidados no círculo familiar. Nos debates políticos
em curso em muitos Estados-Membros, os serviços pessoais e domésticos são
muitas vezes referidos como uma possível resposta às seguintes questões: ·
Melhor equilíbrio entre vida profissional e
familiar, através de uma externalização acrescida
de tarefas quotidianas realizadas em casa, bem como dos cuidados a crianças e
idosos. A acessibilidade e o preço comportável dos serviços de acolhimento são
também são uma importante condição para o aumento da participação das mulheres
no mercado de trabalho. ·
Criação de oportunidades de emprego pouco onerosas para as finanças públicas, para as pessoas
relativamente pouco qualificadas, em especial no que respeita aos serviços
domésticos, através do incentivo à prestação de serviços domésticos na economia
formal e não na economia paralela. A criação de emprego é também um fator na
consideração do custo das diferentes opções para os cuidados de saúde
prolongados. ·
Melhoria da qualidade dos cuidados, graças a uma mão-de-obra devidamente qualificada e a boas condições
de trabalho, com controlos de qualidade dos prestadores de serviços. A passagem destes serviços para a economia
formal contribuirá também para a criação e o crescimento de microempresas e
PME, dado que muitos deles são prestados por trabalhadores por conta própria e
pequenas e médias empresas. Ainda que o emprego nos serviços pessoais e
domésticos seja da responsabilidade dos Estados-Membros, afigura-se pertinente
fazer uma reflexão comum uma vez que todos os Estados-Membros enfrentam os
mesmos desafios. A partilha de boas práticas, análises e experiências poderá
contribuir para encontrar respostas corretas para os problemas atualmente
existentes nesta área, mas também para as futuras necessidades decorrentes da
evolução demográfica. Em conformidade com o princípio de subsidiariedade, os
serviços da Comissão apresentam este documento para lançar o debate entre todas
as partes interessadas, em especial as autoridades nacionais, os parceiros
sociais, os utentes e os prestadores de serviços. 2. DEFINIÇÃO E
DETERMINAÇÃO DA DIMENSÃO DOS SERVIÇOS PESSOAIS E DOMÉSTICOS Para efeitos do presente documento, o termo
«serviços pessoais e domésticos» abrange várias atividades que contribuem para
o bem-estar das famílias e dos indivíduos: acolhimento de crianças, cuidados de
saúde prolongados para os idosos e as pessoas com deficiência, aulas de apoio
para crianças em idade escolar, reparações, jardinagem, assistência
informática, etc. Com base na informação estatística disponível,
só nos é possível indicar aproximadamente a cobertura da NACE[4]
em termos de serviços pessoais e domésticos e a dimensão do emprego formal
neste domínio que se prevê ascender a 7,5 milhões de euros. Os serviços de acolhimento de crianças os
cuidados prolongados para os idosos e as pessoas com deficiência constituem
serviços sociais, muitas vezes prestados por agentes da economia social, e
desempenham um papel essencial na manutenção da coesão social. Em geral, são
considerados como serviços de interesse geral e são muitas vezes financiados
pelos orçamentos públicos. A nível da UE, a coordenação política em matéria da
prestação destes serviços sociais é assegurada pelo método aberto de
coordenação aplicado à proteção social e à inclusão social[5].
No que respeita especificamente aos cuidados prolongados, o Comité da Proteção
Social aprovou um relatório especial sobre esta matéria em abril de 2008 e
lançou uma reflexão aprofundada sobre as vias a explorar para dar resposta aos
desafios que se colocam neste domínio. Além disso, os serviços de acolhimento
de crianças e os cuidados prolongados, juntamente com outros serviços de
interesse geral, foram objeto de um debate sobre a aplicação das regras de
concorrência e do mercado interno: neste contexto, a Comissão apresentou um
conjunto de propostas, em dezembro de 2011, as quais permitem reforçar a
componente social nos contratos de direito público, e apresentou um novo regime
de auxílios estatais simplificado[6]. Por último, e no âmbito
do Comité da Proteção Social, a Comissão tem vindo a promover o
desenvolvimento, a título voluntário, de um quadro europeu de qualidade para os
serviços sociais[7], que deverá servir de
referência para definir, garantir, avaliar e melhorar a qualidade desses
serviços. Os serviços pessoais e domésticos revestem
algumas características interessantes do ponto de vista da política de emprego:
·
as atividades são produzidas localmente, implicando
perdas pouco significativas em caso de intervenção pública; ·
são intensivos em emprego, implicando um impacto
potencialmente importante na criação de postos de trabalho em caso de apoio
público; ·
requerem níveis variáveis de competências técnicas
(com possibilidades de «faça você mesmo» em algumas áreas, e requisitos mais
elevados no caso dos cuidados) mas, de um modo geral, necessitam de um nível
suficiente de cibercompetências e boas aptidões relacionais e sociais; ·
a produtividade é baixa em algumas das tarefas, mas
existe um potencial de acréscimo da produtividade indireta, na medida em que
estes serviços dão aos utilizadores a possibilidade de se concentrarem mais nas
suas atividades profissionais; ·
dada a predominância de trabalhadores não
declarados nestes setores, a intervenção pública não deverá originar uma
transferência de emprego a partir de outros setores; ·
a sua necessidade é premente devido ao
envelhecimento da população e à necessidade de aumentar a participação das
mulheres no mercado de trabalho. as suas atividades ajudam a melhorar o
equilíbrio entre vida profissional e familiar, com efeitos colaterais
vantajosos em termos do aumento das horas de trabalho ou do regresso ao mercado
laboral. Tradicionalmente, os serviços pessoais e
domésticos são prestados em casa e por pessoas do agregado familiar, sobretudo
mulheres. Partes destas tarefas têm sido progressivamente externalizadas para
fora de casa (restauração, lavagem de roupa, creches e instituições para os
idosos) ou asseguradas no domicílio por trabalhadores externos diretamente ou
indiretamente empregados pelo agregado familiar. Tal como anteriormente
referido, as autoridades públicas têm participado igualmente na organização e
no financiamento dos cuidados prolongados e nos serviços de acolhimento de
crianças, ferramentas que são das políticas sociais. 2.1. Prestação
de cuidados pessoais e domésticos por membros do agregado familiar As estimativas da
OCDE[8]
mostram que os membros adultos dos agregados familiares nos Estados-Membros da
OCDE dedicam, em média, 2,5 horas diárias a trabalhos domésticos e de
assistência. As mulheres assumem uma parte muito mais importante destes
cuidados (3,5 horas), em comparação com os homens (1,5 horas) (ver figura 1). A
maior parte do trabalho doméstico não remunerado traduz-se em tarefas de rotina
(cozinhar, limpar, jardinar e manutenção da casa) e atividades de cuidados. Partindo do princípio de que 331 milhões de
pessoas da UE na faixa etária 15-65 (ativos e inativos) consagram diariamente
2,5 horas a trabalhos domésticos e cuidados, trata-se de aproximadamente 830
milhões de euros de horas por dia na UE ou cerca de 100 milhões de equivalentes
a tempo inteiro. A externalização de algumas destas atividades poderia
representar uma fonte importante de novos postos de trabalho (emprego por conta
própria, criação ou desenvolvimento de PME). Figura 1: Minutos consagrados diariamente a cada atividade por
homens e mulheres Fonte: "Society at a Glance 2011-OECD
social indicators"[9] Além disso, um
relatório do Eurofound de 2011[10] concluiu que cerca de
80% do tempo dedicado à prestação de cuidados a pessoas com deficiência ou a
idosos dependentes é-o pelas pessoas mais próximas (familiares, amigos e
vizinhos), não tendo impacto nas despesas públicas. Mesmo que um prestador de
cuidados informais possa receber pagamentos informais da pessoa que deles
beneficia, tal não corresponde a uma relação de trabalho subordinado. No entanto, o aumento da taxa de emprego das
mulheres (de 51,2% em 1997 para 58,2% em 2010) reflete menos tempo passado em
casa e a necessidade de repensar a prestação informal de cuidados às crianças e
aos idosos, bem como os trabalhos domésticos. Do mesmo modo, o aumento do
número de divórcios[11] pode levar a uma
diminuição do apoio doméstico tradicional aos idosos. Os dados disponíveis
relativamente ao período 1970-2007 mostram que a tendência é comum em toda a
Europa, com certas diferenças entre alguns Estados-Membros. A nível da UE, a
taxa de divórcios em termos absolutos[12] passou de 0,9% em 1970
para 2,1% em 2007, com picos registados na Alemanha, Áustria, Bélgica,
Dinamarca, Finlândia, Luxemburgo, Países Baixos, Reino Unido e Suécia. O «Segundo Inquérito Europeu sobre Qualidade
de Vida – Vida profissional e familiar»[13] sublinhou que o
sentimento de uma carga de trabalho excessiva em virtude de obrigações
profissionais ou familiares conduz a uma redução substancial do grau de
satisfação com a vida. Também o Quinto inquérito sobre as condições de trabalho
na Europa[14] revela que quase um
quinto dos trabalhadores europeus tem dificuldades para conseguir um equilíbrio
satisfatório entre o trabalho e a vida privada. As mulheres com um emprego a
tempo inteiro fora do seu domicílio conhecem situações de conflito para
conciliar vida profissional e familiar e tendem a estar menos satisfeitas com a
vida do que as mulheres que trabalham exclusivamente em casa. Porque o emprego
feminino é uma parte importante da prosperidade económica, há que criar
condições mais propícias que contribuam para um melhor equilíbrio entre vida
profissional e familiar e favoreçam a participação das mulheres no mercado de trabalho.
Uma boa cobertura de estruturas de acolhimento
de crianças é essencial para que as taxas de emprego das mulheres continuem a
aumentar e para a consecução do objetivo global acordado no âmbito da
estratégia Europa 2020[15]. No caso das estruturas
de acolhimento de crianças, as despesas devem ser igualmente encaradas como um
investimento no futuro. Serviços de acolhimento de qualidade destinados a
crianças podem ajudar a desenvolver as competências e as capacidades de
aprendizagem dos mais pequenos (nomeadamente nos grupos desfavorecidos). Em
geral, as famílias têm à disposição várias opções: recorrer aos serviços de uma
creche, pagar a alguém para cuidar dos filhos em casa, confiar em membros da
família para o fazer ou assumirem elas próprias essa tarefa. A escolha irá
depender do preço dos serviços e da disponibilidade de lugares. Por
conseguinte, a sua escolha terá impacto na taxa de emprego. De um modo geral, a
falta de serviços de acolhimento de crianças ou de cuidados prolongados poderia
ser compensada com soluções informais propícias à participação no emprego
formal dos utilizadores, mas não dos prestadores. 2.2. O
apoio das autoridades públicas aos serviços de acolhimento de crianças e de
cuidados prolongados Ao nível dos Estados-Membros, as autoridades
públicas apoiam os serviços de acolhimento de crianças e de cuidados
prolongados em conformidade com objetivos de política social, na medida em que
estes serviços desempenham um papel essencial de inclusão social e são
indispensáveis ao aumento da taxa de emprego das mulheres. A intervenção
pública na organização e no financiamento destes serviços visa assegurar o
direito universal de acesso a serviços de elevada qualidade, independentemente
do rendimento ou da riqueza, bem como a sustentabilidade dos sistemas de
prestação a longo prazo. As autoridades públicas prestam os serviços
diretamente ou apoiam a sua prestação por parte de entidades privadas (com fins
lucrativos ou não), ao mesmo tempo que garantem o cumprimento das regras da UE
em matéria de auxílios estatais. Muitas vezes, a assistência em casa aos
idosos, que são quem mais sofre de deficiências ou incapacidades, e a pessoas
com deficiência tem de ser complementada por serviços domésticos. As autoridades públicas podem ainda apoiar a
procura de serviços de acolhimento de crianças e de cuidados prolongados
através de subsídios de cuidados a dependentes (por exemplo, na Alemanha,
Itália e França), abonos de família ou reduções de imposto sobre as despesas
incorridas com estes serviços[16]. Cuidados aos idosos Os serviços de
cuidados prolongados são necessários para as pessoas que dependem de ajuda para
realizar as suas atividades diárias, designadamente levantar-se, comer, tomar
banho, vestir-se, deitar-se ou ir à casa de banho. Os cuidados prolongados são
prestados de forma informal (ver ponto anterior) ou formalmente por assistentes
de cuidados. Os cuidados formais são prestados no domicílio ou em instituições
(tais como casas de saúde e lares de repouso) e, de um modo geral, uma parte do
custo é financiada pelas autoridades públicas. Alguns
Estados-Membros dispõem há muito de uma oferta razoável de serviços de cuidados
no domicílio e as necessidades da população em termos de cuidados prolongados
estão plenamente satisfeitas no quadro do sistema formal. Em outros
Estados-Membros, onde as tradições de cuidados são mais centradas nas famílias,
só num passado relativamente recente começaram a ser desenvolvidas abordagens
globais de cuidados prolongados. Estas situações contrastam com as de outros
Estados-Membros onde são muitas as pessoas que não beneficiam de serviços de
cuidados formais e recorrem exclusivamente a assistência de tipo informal[17]. Acolhimento de crianças As
necessidades das famílias e a oferta de serviços de acolhimento de crianças variam
em função da idade das crianças (licença de maternidade/licença parental, tempo
entre licença de maternidade/licença parental e a entrada na escolaridade
obrigatória, e durante a escolaridade obrigatória). Uma
oferta de qualidade de estruturas de acolhimento de crianças acessíveis e a
preços módicos assume importância fundamental para os pais que trabalham. Na
Europa, porém, a disponibilidade, a qualidade e a acessibilidade dessas
estruturas variam consideravelmente. As estatísticas do rendimento e das
condições de vida na União Europeia (EU-SILC) indicam que alguns
Estados-Membros propõem um grande número de soluções formais (incluindo o
sistema de ensino pré-escolar), enquanto outros privilegiam outras disposições
(tais como cuidados assegurados por amas e/ou família, amigos ou vizinhos). No
grupo etário 0–2 anos, o recurso a soluções formais para o acolhimento de
crianças atinge 73% na Dinamarca e apenas 2% na República Checa e na Polónia[18].
No âmbito da estratégia para a igualdade entre homens e mulheres, a Comissão
apresentará um relatório sobre os resultados dos Estados-Membros em matéria de
estruturas de acolhimento de crianças. A procura de
estruturas de acolhimento de crianças é influenciada por vários fatores: a taxa
de participação dos pais no mercado de trabalho (mães), o número real de horas
trabalhadas a tempo parcial, os níveis de desemprego, a duração da licença
parental, os horários de abertura das escolas e a disponibilidade de
alternativas como a guarda pelos avós e/ou soluções informais[19]. 2.3. Prestação
de serviços pessoais e domésticos por trabalhadores não declarados Sem apoios públicos, o emprego formal no setor
dos serviços pessoais e domésticos é bastante dispendioso para a maioria da
população e a sua oferta (ver ponto 2.2) é assaz limitada. Por conseguinte, uma
parte significativa desses serviços é assegurada, a título informal, por
trabalhadores não declarados. Tal deve-se obviamente à diferença entre o
salário líquido do utilizador e o custo faturado pelo prestador de serviços pelas
atividades que o utilizador pode realizar ele mesmo. Devido à sua natureza, é muito difícil avaliar
a dimensão do trabalho não declarado. Não são muitos os estudos realizados para
determinar a extensão deste fenómeno na UE. Em outubro de 2007, foi publicado
um Eurobarómetro especial (n. ° 284) sobre «O trabalho não declarado na União
Europeia»[20] que teve por base um
inquérito realizado diretamente a 26 755 cidadãos da UE com idade igual ou
superior a 15 anos, residentes nos 27 Estados-Membros da UE. No inquérito, a
definição de trabalho não declarado não se restringia ao trabalho realizado em
troco de dinheiro, mas também à realização de tarefas contra uma remuneração em
espécie. De acordo com o inquérito, 11% da população da UE-27 admitiram ter
adquirido produtos ou serviços relacionados com trabalho não declarado. Entre
esses, 17% dos compradores declararam ter adquirido serviços domésticos (por
exemplo, jardinagem, limpeza, cuidados a crianças e idosos) e 8% serviços
pessoais (por exemplo, serviços de cabeleireiro ou aulas privadas), o que
representa 7,7 milhões de euros e 3,5 milhões de pessoas, respetivamente. Se atendermos a estes dados e tivermos em
conta que a Europa conta com mais ou menos 410 milhões de pessoas com idade
igual ou superior a 15, pode concluir-se que 45,1 milhões[21]
de pessoas recorreram ao trabalho não declarado. Uma vez que, normalmente, os
trabalhadores não declarados não trabalham a tempo inteiro[22],
o potencial número de trabalhadores não declarados nos serviços doméstico pode
ascender a 1 milhão. Trata-se de uma estimativa conservadora, tendo em conta a
probabilidade de respostas incompletas aos inquéritos realizados sobre o
trabalho não declarado. Contudo, é possível que esta projeção baseada
no inquérito Eurobarómetro constitua uma subestimação da situação real. Com
efeito, dados recentes da Alemanha e da Itália[23] parecem, por si
só, exceder esta estimativa. A Alemanha é um dos Estados-Membros com o nível
mais elevado de emprego informal em domicílios particulares, pressupondo-se que
90-95% das atividades são prestadas de maneira informal. Este número inclui o
emprego informal dos migrantes em situação irregular, bem como o trabalho
informal realizado por vizinhos, amigos e conhecidos. O trabalho informal está
especialmente generalizado nos agregados familiares de idosos, com pelo menos
500 000 a 600 000 trabalhadores domésticos a prestarem serviços nessa base. Também
em Itália, a proporção de emprego informal em domicílios particulares é
importante, sendo a maior parte do trabalho realizado por imigrantes em
situação irregular. Devido à natureza do fenómeno, desconhece-se o verdadeiro
número de trabalhadores migrantes nestes serviços (denominados «badanti»[24]).
No entanto, calcula-se entre 0,7 e 1 milhão, o que é bastante superior ao número
de trabalhadores no setor formal de cuidados[25].
2.4. Apoio
público à prestação de serviços pessoais e domésticos para reforçar o combate
ao trabalho não declarado Tendo em conta a importância do fenómeno do
trabalho não declarado no setor dos serviços pessoais e domésticos, as
autoridades públicas podem considerar a possibilidade de intervir, com o
objetivo de incentivar a oferta desses serviços no quadro da economia formal. Esta
intervenção pode abranger atividades de cuidados de saúde e trabalho doméstico. Pode,
nomeadamente, assumir a forma de intervenção direta no preço pago pelo
utilizador, através de cheques-serviço destinados a tarefas específicas. O
consumidor paga apenas parte do preço real (próxima do preço no mercado negro)
e as autoridades públicas pagam a diferença. O cheque-serviço
constitui um dos instrumentos que melhoram a solvência da procura. É também um
instrumento interessante, flexível e de fácil utilização. Esta característica é
especialmente importante para os idosos (dependentes ou não) que precisam de
assistência. Simplifica também os procedimentos administrativos, permite uma
verificação contínua dos seus beneficiários e favorece o desenvolvimento de
atividades empresariais locais. Permite ainda um acompanhamento financeiro, ao
facilitar uma avaliação dos custos e dos efeitos colaterais positivos (ver
ponto 3.2). Em França, o sistema de cheques-serviços
universais[26], que as famílias podem
obter junto dos bancos ou enquanto benefício concedido pelos respetivos
empregadores[27], visa a criação de
postos de trabalho formais em residências de particulares. Em 2005, o plano «Borloo» abordou simultaneamente
várias questões políticas relacionadas com os serviços pessoais:
o direito laboral, a legislação de proteção social, o controlo de qualidade
e questões de organização[28]. Como
consequência, entre 2005 e 2009, a França conseguiu criar 500 000 novos postos
de trabalho, sujeitos a contribuições sociais, em domicílios particulares,
sobretudo para os grupos à margem do mercado de trabalho. O emprego informal pôde, assim, ser reduzido em
70%[29].
As famílias podem também empregar diretamente trabalhadores domésticos
graças a processos administrativos simplificados[30].
Em 2009, o mercado dos serviços domésticos representou 16 mil milhões de euros.
Desde 1987, foi estabelecida uma regra
específica destinada às pessoas com mais de 70 anos que visa favorecer a
procura por parte dos idosos e permite a um agregado com pessoas dessa faixa
etária não pagar contribuições sociais pelas pessoas que empregam.
Na Alemanha,
vários instrumentos apoiam a criação de emprego formal neste setor, de que é
exemplo a instituição de «mini-empregos», que permitem aos particulares a
utilização de um procedimento simplificado para declarar os seus trabalhadores
domésticos («haushaltsscheckverfahren»). Estes trabalhadores podem
auferir até 400 euros por mês e os particulares, na sua qualidade de
empregadores, beneficiam de taxas de imposto reduzidas para as contribuições da
segurança social (contribuições fixas de 14,34%, cujos principais elementos são
os seguros de doença, reforma e acidentes)[31]. Na Áustria[32],
o trabalho informal em domicílios particulares está tradicionalmente
generalizado, à exceção dos serviços de cuidados prolongados. Uma estratégia de
legalização que vise a assistência prolongada em domicílios particulares teve
início em 2007, tendo conseguido reduzir em 80%, no espaço de dois anos, o
emprego informal (migrante) nos agregados familiares de idosos. Noutras áreas dos serviços domésticos, a maior
parte do trabalho é ainda realizada informalmente. A Áustria lançou também um
sistema de cheques para promover o emprego formal, mas apenas 1 000 cheques são
vendidos anualmente. Tal pode explicar-se
pelo facto de o custo desse cheque para os particulares ser superior ao preço
desses serviços no mercado informal. 3. MERCADO DE TRABALHO E
DESAFIOS POLÍTICOS 3.1. Melhor
equilíbrio entre vida profissional e familiar Para aproximar dos 75% a taxa de emprego da
população com idades entre 20 e 64 anos até 2020, os Estados-Membros terão de
conferir especial prioridade a medidas para incentivar as mulheres a trabalhar
e melhorar o equilíbrio geral entre vida privada e profissional. De acordo com as projeções mais recentes, o
número de europeus com idade igual ou superior a 65 anos quase duplicará nos
próximos 50 anos, passando de 87,5 milhões em 2010 para 152,6 milhões em 2060[33].
Ao mesmo tempo, depois de muitas décadas de aumento contínuo, a população em
idade ativa está a entrar em contração. No que respeita à prestação de cuidados
prolongados, serão menos as pessoas que deles se ocuparão informalmente ao
longo dos próximos anos e décadas, em resultado de uma maior participação no
emprego das mulheres e dos trabalhadores mais velhos. Uma análise aprofundada
das tendências demográficas para as próximas décadas revela uma diminuição (ver
figura 2) do rácio de dependência da terceira e quarta idades (Oldest Old
Support Ratio, OOSR: 50-74/ +85). O recrutamento de pessoas que asseguram
cuidados fora do quadro familiar será cada vez mais importante para satisfazer
as necessidades em termos de cuidados prolongados. Um recente estudo com
incidência no Reino Unido[34] concluiu que será pouco
provável que a oferta de cuidados intensivos informais a idosos com deficiência
pelos seus filhos adultos venha, no futuro, a acompanhar a procura. Figura 2: Evolução
do rácio de dependência da terceira e quarta idades - OOSR Fonte: 2008; Pickard et al., 2009 A fim de identificar o número de pessoas que
futuramente irão necessitar de cuidados prolongados, é preciso analisar os
fatores subjacentes a estas necessidades, designadamente a perda de autonomia e
a incapacidade, bem como as doenças ou afeções que as causam. Nem sempre é
fácil demonstrar uma ligação clara e precisa entre todos estes fatores. Estudos
realizados mostraram que o principal motor das necessidades de cuidados
prolongados é a incapacidade, a qual está relacionado com estrutura etária da
população e a prevalência de doenças e afeções específicas. Com base nesta
constatação e nas tendências demográficas acima referidas (em especial na
população com mais de 80 anos), foi feita uma extrapolação relativa ao número
potencial de beneficiários futuros de cuidados prolongados (ver figura 3). Figura 3: Projeção do número de
beneficiários em diferentes contextos de prestação de cuidados prolongados na
UE-27, em função de cenários alternativos Fonte: Comissão Europeia/Comité de Política
Económica (2009) Para além do custo dos sistemas de pensões,
que poderão ser mais difíceis de sustentar à medida que a população ativa
diminui, o envelhecimento demográfico conduzirá inevitavelmente a pressões
acrescidas sobre os governos no sentido de prestarem serviços sociais[35].
Estas alterações irão levar a uma redução da oferta dos serviços às famílias e
registar-se-á um agravamento do fosso entre a necessidade de cuidados e a
prestação formal dos mesmos. Em consequência, corre-se o risco de as famílias
contratarem trabalhadores não declarados para os ajudar nestas atividades, a
fim de encontrar uma solução para as suas necessidades. 3.2. Potencial
de criação de empregos com baixos custos para as finanças públicas A possibilidade de intervenção pública
acrescida deve ser cuidadosamente analisada no que respeita ao possível risco
de agravamento do défice público. Por conseguinte, é necessário fazer uma
análise aprofundada para calcular o custo real de eventuais novas intervenções
públicas. Tal como foi anteriormente referido, vários Estados-Membros estão já
a apoiar a oferta e a procura de serviços pessoais e domésticos. Embora estes
sistemas possam, numa primeira instância, parecer dispendiosos para o erário
público, o Estado recupera parte da sua intervenção, graças a: ·
impostos adicionais /contribuições para a segurança
social e reduções dos subsídios de desemprego, associados à criação de emprego
(efeitos colaterais positivos); ·
medidas indiretas, mais difíceis de quantificar,
tais como uma melhor conciliação da vida profissional e familiar, contribuem
igualmente para o aumento da competitividade através de uma redução do stress e
do absentismo e de um crescimento da produtividade; ganhos obtidos em
comparação com o custo de soluções alternativas (especialmente para a prestação
de cuidados prolongados e a possibilidade de as pessoas idosas ficarem em
casa); criação de emprego relacionado com a gestão do prestador; maior consumo
por parte dos trabalhadores dos serviços, aumento da procura agregada, etc.
(efeitos colaterais positivos indiretos). Serviço belga de cheques-serviços: uma fonte
preciosa de dados quantitativos Na Bélgica, os cheques-serviços podem ser utilizados
para atividades feitas no domicílio (limpeza, lavagem e engomagem de roupa,
cozinha e costura) e fora de casa, (compras, engomagem externa e assistência no
transporte de pessoas em condições específicas). De momento, estes cheques não
podem ser utilizados para trabalhos de reparação ou jardinagem. Para um custo
real do serviço de 20,80 euros, o utilizador paga 7,5 euros à hora e a
diferença (13,30 euros) é financiada pelo serviço nacional de emprego RVA/ONEM[36].
Além disso, os governos permitem às famílias deduzirem dos respetivos
rendimentos tributáveis as despesas com os cheques (preço após dedução fiscal =
5,25 euros). Com base num estudo[37] realizado para o
governo belga, o custo líquido da intervenção do sistema é: Custo bruto 1430 432 704 euros Efeitos colaterais positivos 629 734 509 euros Efeitos colaterais positivos indiretos entre 418 275 083 euros e 534 575
083[38] Custo líquido entre 382 423.112 euros e 266
123 112 Segundo este relatório, o utilizador parece estar
disposto a pagar 8,59 euros no mercado negro. Neste caso, a dedutibilidade
fiscal poderia ser suprimida e o preço de um cheque-serviço aumentado para 8,59
euros. O custo líquido para as autoridades públicas equivale assim a 82 478 861
euros ou passa a ser negativo (constituindo, como tal, uma vantagem) -33 821
139 euros. Em média, o custo líquido é de 24 328 861 euros ou uma intervenção
de 304 euros por emprego (80 000 empregos a tempo inteiro criados através da
aplicação do sistema de cheques-serviços). Parece lógico e realista partir do
princípio de que o custo para os utilizadores é igual ao preço no mercado
negro. O relatório mostra também interessantes repercussões
dos cheques-serviços: 10,4% dos utilizadores declararam que, com o recurso aos
cheques-serviços, podiam aumentar o seu tempo de trabalho/ empregabilidade ao
delegar algumas tarefas e 0,6% afirmaram que podiam regressar ao mercado de
trabalho, uma vez que podiam exercer uma atividade remunerada em vez de
consagrar tempo a trabalhos domésticos. 10,8% dos utilizadores declararam que,
sem este sistema, seriam obrigados a reduzir o seu tempo de trabalho. As autoridades públicas devem ter uma visão
global dos custos, na medida em que, muitas vezes, o organismo que investe não
é o que recebe os benefícios. Tal contribuirá para compreender o verdadeiro
custo líquido do apoio público à criação de postos de trabalho neste setor. É
igualmente necessário ter uma visão global dos beneficiários. Por exemplo, o
mecanismo de redução de imposto favorece as famílias de elevado rendimento,
enquanto as famílias com baixos rendimentos beneficiam da isenção de
comparticipação; tal situação deixa as famílias de rendimento médio a suportar
uma parte comparativamente mais importante dos encargos financeiros do sistema
atual[39]. O impacto a longo prazo de um desenvolvimento
estável de serviços pessoais e domésticos deve igualmente ser tido em conta na
consideração da prestação de apoio financeiro público à sua oferta e/ou
procura. Extrapolações simples devem ser sempre
encaradas com prudência. No entanto, tendo em conta constatações anteriores
(necessidades associadas à evolução demográfica, profissões não qualificadas,
limitados custos orçamentais líquidos), alguns cálculos de base podem ser úteis
para ilustrar o potencial de criação de emprego suscetível de ser desencadeado
a nível da UE graças a um apoio acrescido aos serviços pessoais e domésticos. ·
Uma extrapolação do sistema belga para a UE (tendo
em conta a dimensão respetiva de ambas as populações, multiplicação simples por
50) dá um custo líquido de 1,2 mil milhões de euros para 4 milhões de euros de
novos postos de trabalho no setor dos serviços domésticos. ·
Se cada pessoa atualmente empregada (215 000 000)
externalizar apenas 1 hora/semana (em comparação com as 2,5 horas/dia que os
adultos europeus consagram, em média, ao trabalho doméstico, tal como referido
no ponto 2.1), tal permitirá criar cerca de 5,5 milhões de novos postos de
trabalho[40]. 3.3. Qualidade
dos serviços e qualidade do trabalho Os trabalhadores no setor dos serviços
pessoais e domésticos são, na sua maioria, mulheres, que trabalham
essencialmente a tempo parcial, muitas vezes com qualificações relativamente
baixas e oriundas da migração. Muitas vezes são empregadas diretamente pelas
famílias numa base clandestina, o que pode afetar a qualidade dos serviços, em
especial quando se trata de serviços de cuidados de saúde. Para garantir a
qualidade dos serviços, os trabalhadores devem dispor de um emprego estável com
um mínimo de horas de trabalho, as qualificações certas e boas condições de
trabalho. Pode, pois, justificar-se uma intervenção pública no que diz respeito
a certos aspectos relativos à qualidade dos serviços. Qualidade A Plataforma Social[41],
nas suas recomendações para a obtenção de qualidade nos serviços sociais e de
saúde, sugere que a qualidade deve ser definida a nível local, o mais próximo
possível dos seus utilizadores. É importante respeitar as necessidades dos
utilizadores (sexo, idade, origem étnica, religião, etc.) e a formação deverá
ser ministrada neste sentido. Um projeto lançado pela Rede Social Europeia
sobre a evolução das relações entre o financiador, o prestador e o utilizador
dos serviços aos idosos na Europa[42] sugere que poderiam ser
instituídos mecanismos para avaliar e controlar a qualidade dos serviços
prestados e que os Estados-Membros deveriam assegurar a aplicação de sanções às
pessoas que empregam migrantes em situação irregular, em conformidade com o
disposto na Diretiva 2009/52/CE. Tal deve aplicar-se a organizações, agências
ou serviços. Falta ainda fazer um trabalho de definição de indicadores de
qualidade. Neste contexto, o quadro europeu de qualidade
voluntário para os serviços sociais acima referido[43]
constitui uma ferramenta útil para promover serviços de acolhimento de crianças
e de cuidados prolongados com a devida qualidade: identifica princípios de
qualidade referentes às características que um serviço social deve possuir para
responder às múltiplas necessidades e expectativas dos seus utilizadores e às
diferentes dimensões da prestação de serviços (disponibilidade, acessibilidade,
preços módicos, prioridade às pessoas, exaustividade, continuidade, prioridade
aos resultados, respeito dos direitos dos utilizadores, participação e
autonomização, parceria, boa governação, boas condições de trabalho e ambiente
de trabalho/investimento em capital humano, infraestrutura física adequada).
Sugere ainda critérios operacionais capazes de contribuir para o controlo e a
avaliação da qualidade dos serviços sociais. Além disso, articula elementos
metodológicos para o desenvolvimento de ferramentas de qualidade (normas ou
indicadores) a nível nacional ou local. Tal como se sugere no documento do grupo de
alto nível da UE para a deficiência sobre os serviços sociais de interesse
geral, a externalização sustentável de serviços pressupõe uma boa qualidade dos
serviços de cuidados e domésticos existentes[44]. Há também que
instituir normas de qualidade vinculativas e os devidos mecanismos de controlo
públicos. Competências e formação A iniciativa emblemática da estratégia da UE
Europa 2020 intitulada «Agenda para novas competências e empregos» apoia as
iniciativas dos Estados-Membros no sentido do reconhecimento das competências
adquiridas durante a prestação de cuidados de saúde a familiares dependentes. O acolhimento de crianças e os cuidados
prolongados não exigem elevadas qualificações técnicas, como é por exemplo o
caso dos serviços de saúde profissionais. Podem, pois, ser aliciantes e
permitir às pessoas aceder ao mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, a
possibilidades de melhorar e até atualizar posteriormente as respetivas
competências. Para tal, devem ser disponibilizadas oportunidades de formação e
possibilitada uma certificação dessas competências. Nesta perspetiva, é
necessário melhorar a cooperação entre o mundo do trabalho e o mundo da
formação[45], a fim de promover o
reconhecimento da aprendizagem informal e não formal. A recente comunicação da Comissão sobre
estruturas de acolhimento de crianças[46], por exemplo, coloca uma
tónica importante na necessidade de aperfeiçoar as qualificações do pessoal
desta área. Em 1996, os parceiros sociais europeus do
setor da limpeza assinaram um memorando conjunto sobre novas fontes de emprego[47],
onde salientaram a importância do reforço das competências e da melhoria das
condições de trabalho para o desenvolvimento de atividades de limpeza ao
domicílio. Tecnologia A externalização de serviços pessoais e
domésticos pode contribuir para aumentar a produtividade dessas atividades
graças a uma melhor utilização das tecnologias e ao investimento na formação,
uma vez que a externalização está geralmente associada à especialização de
tarefas. O projeto CARICT[48],
dirigido pelo Instituto de Prospetiva Tecnológica (IPTS) do Centro Comum de
Investigação da Comissão avaliou, sistematicamente e a nível da UE, o impacto e
a relação custo-eficácia de 52 práticas no domínio dos cuidados ao domicílio em
vários Estados-Membros, que recorrem ao uso das TIC. As práticas com bons
resultados podem ser partilhadas entre os Estados-Membros (por exemplo, SOPHIA
(DE), CAMPUS (IT) e E-Care (IT)). A tecnologia pode ser utilizada eficazmente
para apoiar a formação e a certificação em grande escala, organizar mercados de
trabalho (por exemplo, FEPEM (FR)), criar novas oportunidades no domínio do
voluntariado, melhorar o caráter aliciante do trabalho nos cuidados e ajudar os
prestadores a equilibrar a prestação de cuidados e o exercício de outras
atividades. As
tecnologias da informação e da comunicação podem facultar possibilidades de
ensino à distância e autoaprendizagem para os prestadores de cuidados a quem as
respetivas funções impõem restrições significativas em termos de mobilidade e
tempo para assistir a cursos regulares presenciais (por exemplo, o programa
Learning for Living da organização City and Guilds; Caring with
Confidence no Reino Unido, Coidanet em Espanha e Aspasia em
Italy)[49]. As TIC podem igualmente
apoiar a certificação em larga escala de qualificações. 4. O CAMINHO A SEGUIR Tendo em conta o impacto previsível da
evolução demográfica nas nossas sociedades, é imperativo que os mercados
laborais europeus se tornem mais inclusivos e que a taxa de emprego aumente. Os
serviços pessoais e domésticos oferecem oportunidades importantes a este respeito,
que permitem melhorar o equilíbrio entre vida profissional e familiar, aumentar
a produtividade e integrar os trabalhadores não declarados no mercado de
trabalho oficial. Com o presente documento, os serviços da
Comissão convidam todas as partes interessadas a apresentar observações sobre
ações possíveis para a promoção de novos postos de trabalho no setor dos
serviços pessoais e domésticos. Nomeadamente, as partes interessadas devem dar
o respetivo parecer sobre: ·
formas de mais eficazmente determinar e controlar
os níveis de emprego nos serviços pessoais e domésticos, tendo em conta o
impacto da atual crise, a perda do poder de compra, problemas de exclusão no
mercado de trabalho e os efeitos potencialmente positivos na criação e no
crescimento de PME; ·
a utilidade de desenvolver a partilha de
experiências, em especial no que respeita a ferramentas utilizadas ou previstas
para apoiar os serviços pessoais e domésticos, com especial incidência na
relação custo/eficácia e na redução do trabalho não declarado; ·
formas de assegurar a qualidade dos serviços e dos
empregos (necessidades de competências, condições de trabalho), designadamente
através do desenvolvimento de normas de qualidade; ·
outras formas de assegurar uma maior
profissionalização dos postos de trabalho do setor dos serviços pessoais e
domésticos. O presente documento é da responsabilidade
única dos serviços da Comissão envolvidos na sua elaboração. O texto foi
elaborado como base para a recolha de comentários e não afeta a forma final de
qualquer decisão que a Comissão venha a tomar. As respostas podem ser enviadas para empl-household-services@ec.europa.eu Em alternativa, os interessados que não
tiverem acesso à Internet podem enviar as respostas por correio para o seguinte
endereço: Comissão Europeia
Direção-Geral do Emprego, dos Assuntos Sociais e da Inclusão
Consulta sobre os serviços pessoais e domésticos
Unidade C2
Rue Joseph II 2 - 1040 Bruxelas - Bélgica Prazo para a apresentação de respostas: 15 de
julho de 2012 [1] http://ec.europa.eu/europe2020/index_pt.htm [2] http://ec.europa.eu/europe2020/reaching-the-goals/monitoring-progress/annual-growth-surveys/index_pt.htm
[3] http://ec.europa.eu/social/main.jsp?langId=pt&catId=958 [4] Estas atividades
cobrem várias secções da NACE, ou partes delas, em especial as secções 88 da
NACE Rev. 2 (ação social sem alojamento), 97 (atividades das famílias
empregadoras de pessoal doméstico), 96 (outras atividades de serviços
pessoais), 82.99 (outros serviços de apoio a empresas diversas) e 78
(atividades associadas ao emprego). [5] http://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=755&langId=pt [6] Consultar as regras específicas
em matéria de auxílios estatais para os serviços de interesse económico geral
em: http://ec.europa.eu/competition/state_aid/overview/public_services_en.html.
Ver igualmente a Comunicação da Comissão «Realizar o programa comunitário de
Lisboa - Os serviços sociais de interesse geral na União Europeia», COM (2006)
177, de 26 de abril de 2006; Comunicação sobre «Os serviços de interesse geral,
incluindo os serviços sociais de interesse geral: um novo compromisso europeu»,
COM (2007) 725 final de 20 de novembro de 2007; primeiro e segundo relatórios
bienais sobre os serviços sociais de interesse geral, SEC (2008) 2179, de 2 de
julho de 2008, e SEC (2010) 1284, de 22 de outubro de 2010; Guia para a
aplicação das regras da União Europeia em matéria de auxílios estatais, de
contratos públicos e do mercado interno aos serviços de interesse económico
geral e, em especial, aos serviços sociais de interesse geral, SEC (2010) 1545
final, de 7 de dezembro de 2010. Comunicação «Um enquadramento de qualidade
para os serviços de interesse geral na Europa», COM (2011) 900, de 20 de
dezembro de 2011. [7] SPC/2010/10/8 final. [8] Society at a Glance 2011-OECD
social indicators, páginas 12 & 22. OCDE [9] Pode aqui fazer-se uma distinção
entre: cuidados de saúde física, cuidados educativos e recreativos a crianças e
deslocações relativas a qualquer uma destas categorias, por exemplo a de
condução de uma criança à escola, ao médico ou as atividades desportivas. [10] http://www.eurofound.europa.eu/publications/htmlfiles/ef1093_pt.htm
[11] Relatório demográfico de 2010,
página 68: http://ec.europa.eu/social/BlobServlet?docId=6824&langId=en
[12] O número de divórcios durante um
ano dividido pela população média nesse mesmo ano (Eurostat). [13] Segundo Inquérito Europeu sobre
Qualidade de Vida: Vida profissional e familiar, Eurofound (março de 2010). [14] Quinto inquérito sobre as
condições de trabalho na Europa 2010: http://www.eurofound.europa.eu/pubdocs/2010/74/en/3/EF1074EN.pdf
[15] «Progressos em matéria de
igualdade entre homens e mulheres», documento de trabalho dos serviços da
Comissão, a publicar. [16] Em França, os cuidados a idosos (allocation
personnalisée d’autonomie – APA) e os cuidados a crianças até aos 3 anos de
idade dão direito a reduções fiscais em função do rendimento dos pais (allocation
pour jeune enfant - APJE). [17] Extrato do relatório do projeto «Living
independently at home: reforms in organisation and governance of European home
care for older people and people with disabilities in 9 European countries»
LIVINDHOME:
http://www.sfi.dk/livindhome-7284.aspx [18] Análise de 30 países europeus,
2009 http://ec.europa.eu/social/main.jsp?langId=pt&catId=89&newsId=545&furtherNews=yes
[19] Educação e acolhimento na primeira
infância: Proporcionar a todas as crianças as melhores oportunidades para o
mundo de amanhã COM(2011) 66 final. [20] http://ec.europa.eu/public_opinion/archives/ebs/ebs_284_en.pdf
[21] Número de utilizadores de trabalho
não declarado, isto é, 11% de 410 milhões. [22] Com base numa média de 200
horas/ano/trabalhador não declarado (cerca de 1/8 da média de tempo de trabalho
de um trabalhador a tempo inteiro). [23] http://www.iwak-frankfurt.de/documents/brochure/april2011.pdf
[24] Principalmente mulheres migrantes
em coabitação com idosos dependentes e que trabalham por vezes
clandestinamente, sem autorização de residência. [25] http://www.iwak-frankfurt.de/documents/brochure/april2011.pdf
[26] Cheque Emploi Service Universel
http://www.cesu.urssaf.fr/cesweb/home.jsp [27] Ver Le cheque-service, un instrument pour le
développement des services de proximité, Fondation Roi Baudouin, Bélgica,
Outubro de 1994. [28] http://www.travail-emploi-sante.gouv.fr/actualite-presse,42/dossiers-de-presse,46/presentation-du-plan-de,82.html
[29] Ver nota de rodapé 25. [30] http://www.fepem.fr/
[31] Ver nota de rodapé 25. [32] Ver nota de rodapé 25. [33] Relatório sobre o envelhecimento
demográfico, 2012, página 20: http://ec.europa.eu/economy_finance/publications/european_economy/2011/pdf/ee-2011-4_en.pdf
[34] Fonte: 2000/01 and 2001/02 GHS,
Government Actuaries Department population and marital status projections, 2001
Census, PSSRU modelling, extracted from Pickard et al., 2009 [35] Relatório sobre o envelhecimento
demográfico, 2009:
http://ec.europa.eu/economy_finance/publications/publication14992_en.pdf [36] RVA (Rijksdienst voor Arbeidsvoorziening)/ONEM
(Office national de l'emploi) [37] IDEA CONSULT Evaluation du régime des titres
services pour les services et emplois de proximité 2010: http://www.ideaconsult.be/index.php?option=com_content&view=article&id=48&Itemid=54&projid=277 [38] Página 114 da relatório IDEA, ver
nota de rodapé 37. [39] Grupo de peritos da UE em matéria
de emprego e igualdade entre homens e mulheres «Long-Term Care for the
elderly. Provisions and providers in 33 European countries. [40] 215 000 000 horas/ 40 h [41] http://cms.horus.be/files/99907/MediaArchive/Policies/SocialPlatform_Nine_Principles_EN.pdf
[42] http://www.esn-eu.org/commissioning-for-quality/index.htm
[43] Ver notas 2 e 7 [44] http://ec.europa.eu/social/BlobServlet?docId=4483&langId=en
[45] Comunicado de Bruges: http://ec.europa.eu/education/lifelong-learning-policy/doc/vocational/bruges_pt.pdf
[46] http://ec.europa.eu/education/school-education/doc/childhoodcom_pt.pdf
[47] http://ec.europa.eu/employment_social/dsw/public/actRetrieveText.do?id=10713
[48] http://is.jrc.ec.europa.eu/pages/EAP/eInclusion/carers.html#projects
[49] Kluzer S., Redecker C. e
Centeno C. (2010) Long-term care Challenges in an Ageing Society: The
role of ICT and Migrants, relatório científico e técnico do IPTS do CCI,
EUR 24382 EN disponível em:
http://ipts.jrc.ec.europa.eu/publications/pub.cfm?id=3299