This document is an excerpt from the EUR-Lex website
Document 52012DC0271
COMMUNICATION FROM THE COMMISSION TO THE EUROPEAN PARLIAMENT, THE COUNCIL, THE EUROPEAN ECONOMIC AND SOCIAL COMMITTEE AND THE COMMITTEE OF THE REGIONS Renewable Energy: a major player in the European energy market
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Energias renováveis: um agente decisivo no mercado europeu da energia
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Energias renováveis: um agente decisivo no mercado europeu da energia
/* COM/2012/0271 final */
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Energias renováveis: um agente decisivo no mercado europeu da energia /* COM/2012/0271 final */
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO
EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS
REGIÕES Energias renováveis: um agente decisivo no
mercado europeu da energia (Texto relevante para efeitos do EEE) 1. Introdução As energias renováveis permitem-nos
diversificar o nosso aprovisionamento energético, o que, além de reforçar a
segurança do aprovisionamento, favorece a competitividade europeia mediante a
criação de novas atividades económicas, postos de trabalho, crescimento económico
e oportunidades de exportação, reduzindo simultaneamente as emissões de gases
com efeito de estufa. Um crescimento forte destas fontes de energia até 2030
poderá gerar mais de 3 milhões de postos de trabalho[1],
inclusive em pequenas e médias empresas. Manter a liderança da Europa nas energias
renováveis reforçará igualmente a nossa competitividade à escala mundial, à
medida que aumentar a importância das indústrias de tecnologia limpa em todo o
mundo. Em 2007, a União Europeia fixou o ambicioso objetivo de, até 2020,
alcançar uma quota de 20% de energias renováveis no aprovisionamento geral e
uma quota de 10% nos transportes e flanqueou esse objetivo com uma série de
políticas de apoio[2].
O objetivo em matéria de energias renováveis figura no topo da Estratégia
Europa 2020 para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. Em
princípios de 2012, estas políticas começam a produzir resultados, estando a UE
neste momento a caminho de concretizar as suas metas[3] (cf.
capítulo 1 do documento de trabalho). No entanto, a crise económica tornou os
investidores mais cautelosos quanto ao setor energético. Nos mercados europeus
liberalizados da energia, o crescimento das energias renováveis depende do
investimento do setor privado, o qual, por sua vez, depende da estabilidade da
política relativa às energias renováveis. O investimento em infraestruturas,
indústrias transformadoras e logística exige igualmente um investimento
correlato – em instalações de ensaio, produção de cablagem, instalações fabris
e navios para a construção de parques eólicos no mar. Paralelamente a uma
rigorosa aplicação e execução da Diretiva Energias Renováveis[4], impõe-se
clareza em relação a uma política de mais longo prazo para assegurar o
investimento necessário. O Roteiro para a Energia 2050[5] baseia-se
no mercado único da energia[6],
na aplicação do pacote relativo à infraestrutura energética e nos objetivos em
matéria de clima, delineados no roteiro para uma economia hipocarbónica em 2050[7].
Independentemente do cenário escolhido, a maior fatia do aprovisionamento
energético em 2050 provirá de fontes renováveis. O crescimento forte destas
fontes de energia constitui a chamada opção que «não compromete o futuro».
Contudo, a despeito do forte quadro previsto para 2020, o Roteiro aponta para
uma queda no crescimento das energias renováveis a partir desse horizonte se
não houver outras intervenções, devido aos custos mais elevados e aos óbices
que apresentam, a comparar com os combustíveis fósseis. A rápida adoção de uma
política clara para o regime pós-2020 produzirá benefícios reais para os
investidores na indústria e na infraestrutura, assim como, diretamente, para os
investidores em energias renováveis. Na sua configuração atual, a Diretiva Energias renováveis 2009/28/CE
destina-se a assegurar a consecução dos objetivos para as energias renováveis
em 2020. Prevê para 2018 um roteiro relativo ao período pós-2020. No entanto,
as partes interessadas estão já a reclamar clareza para as políticas a adotar
depois de 2020. Por isso, a Comissão considera importante começar desde já os
preparativos para o período pós-2020. A presente comunicação explica de que
modo as energias renováveis estão a ser integradas no mercado único. Dá
orientações sobre o quadro atual até 2020 e delineia opções de política
possíveis para além desse horizonte, a fim de assegurar continuidade e
estabilidade, permitindo que a produção de energias renováveis na Europa
continue a crescer até 2030 e mais além. É acompanhada de um documento
de trabalho e de uma avaliação de impacto. 2. Integrar as energias renováveis no
mercado interno Para conseguir a meta de 20%, a Diretiva Energias
renováveis[8]
estabeleceu objetivos nacionais obrigatórios, para alcançarem os quais os
Estados-Membros podem recorrer a regimes de apoio e aplicar medidas de
cooperação (artigos 3.º e 6.º a 9.º). Alimentado pelos planos de ação nacionais
relativos às energias renováveis, pelos sistemas de apoio que os
Estados-Membros instituíram e pelo investimento contínuo em I&D, o setor
europeu das energias renováveis tem-se desenvolvido muito mais rapidamente do
que se previa aquando da elaboração da diretiva. Os produtores de energias
renováveis estão a tornar-se agentes de peso no mercado da energia. Evolução do mercado e custos O forte crescimento dos mercados das energias
renováveis indica que está a ocorrer um «amadurecimento» significativo das
tecnologias. Durante o quinquénio anterior a 2010, os custos médios do sistema
fotovoltaico diminuíram 48% (com uma diminuição de 41% nos custos médios dos
módulos). A indústria prevê que os custos desçam ainda mais, dado o crescimento
impulsionado pelas atuais políticas de apoio estatal, reformas e supressões de
obstáculos no mercado. Nos parques eólicos
terrestres, os custos de investimento diminuíram 10% entre 2008 e 2012.
Prevê-se que a produção de energia a partir de sistemas fotovoltaicos e de
parques eólicos terrestres se torne competitiva em diversos mercados por volta
de 2020. Todavia, ganhar competitividade exige empenho político em quadros
regulamentares que apoiem a política industrial, o desenvolvimento da
tecnologia e a supressão das distorções do mercado.
Outras tecnologias seguem vias de amadurecimento distintas, mas também
se espera que, de um modo geral, os respetivos custos de capital diminuam. Importa continuarmos a utilizar todos os
instrumentos à nossa disposição para fazer baixar os custos, a fim de assegurar
que as tecnologias de produção de energia a partir de fontes renováveis se
tornem competitivas e, em última instância, ditadas pelo mercado. As políticas
que entravam o investimento em fontes renováveis devem ser revistas e, em
especial, os subsídios aos combustíveis fósseis devem ser suprimidos
gradualmente. Dada a complementaridade das políticas relativas ao clima e às energias
renováveis, é necessário um mercado do carbono que funcione bem, juntamente com
um sistema de tributação da energia adequadamente concebido que dê aos
investidores incentivos claros e fortes para investirem em tecnologias
hipocarbónicas e no seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo, as energias renováveis
devem ser gradualmente integradas no mercado com apoio reduzido ou nulo e, a
prazo, contribuir para a estabilidade e a segurança da rede em pé de igualdade
com as fontes convencionais de geração de eletricidade, bem como para preços de
eletricidade competitivos. A prazo mais longo, há que assegurar condições de
equidade. Melhoramento dos regimes de apoio O custo das energias renováveis não é
determinado unicamente pelos recursos eólicos, solares, de biomassa ou
hídricos; os custos de projeto são também condicionados pelos custos
administrativos[9]
e pelos custos de capital. Procedimentos de autorização complicados, a
inexistência de balcões únicos, a criação de procedimentos de registo,
processos de planeamento que podem demorar meses ou anos e o receio de
alterações retroativas aos regimes de apoio agravam os riscos dos projetos (cf.
capítulo 2 do documento de trabalho). A grande amplitude de tais riscos,
sobretudo em países com mercados de capital sob pressão, resulta num custo
elevadíssimo de capital, fazendo disparar o custo dos projetos de energia
proveniente de fontes renováveis e minando a sua competitividade. Portanto,
regimes administrativos simples, regimes de apoio estáveis e fiáveis e um
acesso mais fácil ao capital (por exemplo, através de regimes de apoio
públicos) contribuirão para a competitividade das energias renováveis. Nesse
contexto, o Banco Europeu de Investimento e as instituições públicas nacionais
podem ter um papel fundamental. Atualmente, as tecnologias de produção de
energia a partir de fontes renováveis beneficiam, na sua maioria, de regimes de
apoio nacionais[10],
mas só uma pequena parte do mercado energético é afetada: dos 19% da nossa
eletricidade que são produzidos a partir de fontes renováveis, menos de um
terço está ao abrigo dos preços do mercado. No setor dos transportes, todas as
formas de combustíveis alternativos a partir de fontes de energia renováveis
podem contar para o objetivo de 10% no setor, embora o desenvolvimento seja
travado pelos elevados preços dos sistemas de transportes correlatos e pela
insuficiência da infraestrutura de combustíveis[11]. São
comuns obrigações de mistura de biocombustíveis, constituindo estes cerca de 4%
dos combustíveis utilizados nos transportes. Os custos são em princípio
transferidos para os consumidores pelos fornecedores. No setor do aquecimento e
arrefecimento (cerca de 13% do qual correspondem a energias renováveis), foi
abolido o apoio a alguns mercados e tecnologias amadurecidos (por exemplo,
energia térmica solar). A prazo, as tecnologias amadurecidas que
operam em mercados competitivos, com um mercado do carbono funcional, deverão
deixar de precisar de apoio. Entretanto, em todos os Estados-Membros, os
regimes de apoio estão a ser ajustados (15 Estados-Membros oferecem hoje
regimes de apoio que expõem os produtores aos preços do mercado – cf.
capítulo 2 do documento de trabalho). Os regimes de apoio precisam de tais
reformas para se assegurar a sua eficácia em termos de custos. A passagem, tão
rápida quanto possível, para regimes que exponham os produtores ao risco dos
preços de mercado estimulará a competitividade da tecnologia. Contudo, poderá
continuar a ser necessário algum apoio em I&D e outras formas de apoio
financeiro ou administrativo para tecnologias mais recentes e menos amadurecidas.
Por conseguinte, certos regimes de apoio, eficazes em termos de custos e bem
orientados, poderão continuar a ser necessários para além de 2020. Um bom
exemplo é o regime «NER 300», que utiliza receitas dos leilões do regime
de comércio de licenças de emissão da UE para fomentar a demonstração e a
implantação precoce de tecnologias inovadoras de produção de energia por fontes
renováveis. Um crescimento inesperado impulsionou, em
alguns casos, alterações recentes nos regimes de apoio, intensificando
rapidamente uma despesa em fontes renováveis que a curto prazo é insustentável.
Em alguns Estados-Membros, faltou transparência nas alterações aos regimes de
apoio, que foram introduzidas bruscamente e, por vezes, até impostas com
retroatividade ou envolvendo moratórias. Para as novas tecnologias e
investimentos ainda dependentes de apoio, tais práticas prejudicam a confiança
dos investidores no setor. Acresce que as divergências entre regimes de apoio
nacionais, causadas pelas diferenças nos incentivos, podem criar entraves ao
ingresso e impedir os operadores do mercado de implantarem modelos empresariais
transfronteiras, com possível prejuízo para o desenvolvimento da atividade. Um
tal risco de entrave ao mercado único tem de ser evitado, impondo-se também
mais intervenção para assegurar a coerência das abordagens entre todos os
Estados-Membros, suprimir as distorções e desenvolver de uma forma
economicamente rentável os recursos de fontes de energia renováveis. Como
estímulo, a Comissão planeia preparar orientações sobre as melhores práticas
e experiência obtida nestas matérias e, se necessário, sobre a reforma dos
regimes de apoio, a fim de assegurar uma maior coerência entre as abordagens
nacionais e evitar a fragmentação do mercado interno. Os princípios constam
dos capítulos 3 e 4 do documento de trabalho anexo. É necessário
estabelecer para os regimes de apoio princípios que minimizem as distorções do
mercado, evitem a sobrecompensação e assegurem coerência entre todos os
Estados-Membros. Esses princípios incidirão na transparência, na
previsibilidade e na necessidade de estimular a inovação[12]. Fomentar a cooperação e o comércio Historicamente, os Estados-Membros têm
desenvolvido os seus próprios recursos de fontes de energia renováveis,
contribuindo para as suas próprias reduções nas emissões, reduzindo as
importações de combustíveis fósseis e gerando emprego nos respetivos
territórios. Todavia, a criação de um mercado europeu da energia e o atual
desejo de reduzir custos onde quer que possível deverão resultar numa
intensificação das trocas de todas as formas de energias renováveis. Para o
facilitar, a Diretiva Energias renováveis criou mecanismos de cooperação para
possibilitar que a energia produzida por fontes renováveis num Estado-Membro
conte para o objetivo de outro Estado-Membro (cf. capítulo 4 do documento
de trabalho). Tais mecanismos não foram ainda amplamente explorados, a despeito
dos potenciais benefícios económicos para ambas as partes[13]. Somente
dois Estados-Membros[14]
indicaram que utilizarão mecanismos de cooperação para alcançar os objetivos de
2020. No «lado da oferta», prevê-se que dez Estados-Membros[15] acusem
um «excedente», disponível para outros Estados-Membros. Este cenário poderá,
todavia, modificar-se até 2020, pelo que a Comissão vai continuar a acompanhar
a situação de perto. Entre os projetos
em desenvolvimento que poderão utilizar mecanismos de cooperação, incluem-se o
«Helios», da Grécia, relativo a energia solar, projetos comuns ou regimes de
apoio nos mares setentrionais, e iniciativas similares no sul do Mediterrâneo
e, mais geralmente, na zona da Política Europeia de Vizinhança. Tais
iniciativas estão já a ser discutidas com diversos países terceiros[16]. A
cooperação no desenvolvimento da energia solar, quer para consumo interno quer
para exportação, pode ser um dos elementos fundamentais de uma agenda geral
para o crescimento substancial de um setor viável de energia produzida por
fontes renováveis, manifestando o seu potencial para crescimento económico e
emprego. A fim de estimular ainda mais a produção de energias renováveis nos
países nossos vizinhos (e em cooperação com eles), a Comissão vai: a) Facilitar
a cooperação internacional para o desenvolvimento de energias renováveis,
mediante a utilização plena dos mecanismos de cooperação que poderão
desenvolver esta forma de energia no sul do Mediterrâneo e, no contexto do
reforço do diálogo entre a UE e o sul do Mediterrâneo sobre a política relativa
às alterações climáticas, obter um mandato para negociar acordos
bilaterais/multilaterais que permitam a utilização de créditos de projetos
relativos a energias renováveis no sul do Mediterrâneo, b) Propor
medidas específicas destinadas a encorajar o comércio de eletricidade produzida
por fontes renováveis no âmbito de um futuro acordo com parceiros
norte-africanos: por exemplo, com base em mandatos de negociação específicos,
abrindo caminho a uma Comunidade da Energia UE-Sul do Mediterrâneo, c) Propor que o âmbito da Diretiva
2009/28/CE seja extensivo aos países abrangidos pela Política Europeia de
Vizinhança, com destaque para os do sul do Mediterrâneo. Aproveitando a experiência adquirida até hoje,
a Comissão vai preparar orientações para facilitar o comércio de energias
renováveis (cf. capítulos 3 e 4 do documento de trabalho), reduzindo a
complexidade, de modo que os mecanismos de cooperação pós-2020 sejam um instrumento
simples para comercializar esta forma de energia dentro da UE e para além das
suas fronteiras. A intensificação da convergência, incluindo regimes comuns de
apoio conjuntos, assegurará uma exploração economicamente mais rentável da
energia produzida por fontes renováveis, assim como uma abordagem mais
compatível com o mercado único. Um outro aspeto do comércio internacional e das
energias renováveis tem a ver com o comércio de produtos e a abertura dos
mercados. No mercado mundial relativamente novo do equipamento para a
produção de energia por fontes renováveis, vemos sinais claros de que o mercado
está a crescer e de que a concorrência internacional está a ter efeito benéfico
na inovação e nos custos. Acresce que, neste mercado de concorrência à escala
mundial, a indústria europeia continua a competir, devendo reforçar a sua
posição competitiva. Conforme se pode constatar no setor fotovoltaico, o valor
acrescentado da UE domina, gerando emprego e crescimento[17]. Dados
os benefícios da expansão do comércio mundial, importa que sejam eliminadas
barreiras ao comércio como as «regras de conteúdos locais» ou a restrição
parcial dos mercados de contratos públicos. Consequentemente, a Comissão vai
continuar a promover um comércio justo e liberalizado no setor das energias
renováveis. 3. Abertura do mercado da eletricidade e
fontes de energia renováveis O setor do aquecimento e arrefecimento tem uma dimensão acentuadamente
local, requerendo reformas e infraestruturas igualmente a nível local. O
desenvolvimento das energias renováveis no setor dos transportes ocorre num
mercado de combustíveis aberto em toda a Europa, o que será reforçado pela clareza
decorrente dos futuros requisitos em matéria de rotulagem dos combustíveis. O
setor da eletricidade, porém, está em vias de se tornar um mercado único
europeu. Em resposta ao apelo dos Chefes de Estado e de
governo para que o mercado interno da energia no setor da eletricidade seja
concluído até 2014, a Comissão está a colaborar com as entidades reguladoras e
com as partes interessadas a fim de harmonizar as regras de funcionamento do
mercado e da rede. Deste modo, juntamente com a aplicação do terceiro pacote,
os mercados nacionais deverão abrir-se, beneficiando a concorrência, a
eficiência do mercado e a escolha dos consumidores. O ingresso e a integração
de novos agentes no mercado, incluindo pequenas e médias empresas e outros
produtores de energias renováveis, deverão também ser facilitados. À medida que são preparadas, as novas regras
devem ter em conta a natureza mutável do setor elétrico europeu, com base num
mercado concorrencial onde há múltiplos produtores de energia, incluindo uma
produção mais variável proveniente das fontes eólica e solar. Instituir regras
tais que reflitam as especificidades das novas formas de geração – por exemplo,
permitindo um comércio mais próximo do tempo real, bem como removendo os
obstáculos remanescentes a um mercado verdadeiramente integrado – possibilitará
que os produtores de energias renováveis participem em pleno num mercado
verdadeiramente concorrencial e assumam progressivamente as mesmas
responsabilidades que os produtores convencionais, inclusive no que toca à
compensação. O mercado da eletricidade liberalizado deve
também assegurar que os operadores aufiram um retorno suficiente que cubra os
seus custos de investimento para que a nova geração mantenha a adequação do
sistema (assegurando um investimento adequado para garantir o fornecimento
ininterrupto de eletricidade). No entanto, os preços grossistas da
eletricidade, baseados em custos marginais a curto prazo, poderão sofrer pressões
no sentido da baixa devido à ascensão da energia eólica e da energia solar (com
custos marginais quase nulos). O mercado deve ser capaz de responder, reduzindo
a oferta quando os preços baixam e aumentando-a quando eles sobem. As
alterações dos preços de mercado têm de estimular a flexibilidade,
inclusive nas instalações de armazenagem, na produção de energia, na gestão do
lado da procura (consoante a resposta dos consumidores às variações nos padrões
de preços). Todavia, alguns Estados-Membros receiam que o
investimento na capacidade de produção de energia não seja sufuciente.
Consequentemente, prepararam «pagamentos de capacidade», em que as
autoridades governamentais determinam os níveis requeridos de capacidade de
produção. Uma tal abordagem poderá encorajar o investimento, mas também
estabelece uma separação entre as decisões de investimento e os sinais de
preços de mercado. Além disso, se for deficientemente concebida, poderá eternizar
soluções orientadas para a produção que impedem a introdução de novas formas de
flexibilidade. A produção distribuída agregada, a resposta à procura e a
compensação alargada seriam igualmente prejudicadas. Por outro lado, os
mercados nacionais seriam segmentados, afetando o comércio transfronteiras
necessário a um mercado europeu eficiente da eletricidade e à implantação das
energias renováveis. Para que o dispositivo do mercado produza o
investimento necessário em flexibilidade, temos de assegurar a sua adequação a
atrair muitos mais agentes, novos produtos e tecnologias, mediante um
alargamento dos mercados de compensação. A organização do mercado deve ser
coerente com o mercado único e, por conseguinte, desenvolvida e melhorada. Este
tema será discutido e analisado com mais profundidade na comunicação da
Comissão sobre o mercado interno da energia, a publicar em breve. 4. Transformação das infraestruturas O pacote relativo às infraestruturas energéticas[18] proposto
para a UE identifica doze corredores prioritários, propõe procedimentos
acelerados de concessão de autorizações, regras de partilha de custos e a
facultação, sempre que necessário, de financiamento da UE ao abrigo do
Mecanismo Interligar a Europa (9,12 mil milhões de euros para a energia no
período 2014-2020)[19].
O objetivo é não só integrar mais eletricidade de origem eólica e solar (5% do
atual aprovisionamento da UE em eletricidade), mas também criar um mercado
integrado da UE e substituir ativos obsoletos. O pacote relativo às
infraestruturas energéticas calculou que são necessários cerca de 100 mil
milhões de euros só para novas linhas de transporte de eletricidade. O pacote relativo às infraestruturas
energéticas complementa as diretivas relativas ao mercado interno da
energia[20],
que, através de medidas destinadas a coordenar melhor o planeamento,
desenvolvimento e funcionamento das infraestruturas e a lançar contadores
inteligentes, abriram caminho às infraestruturas energéticas integradas
europeias. Ambas as iniciativas são fundamentais para a transformação do setor
da eletricidade europeu. A criação do mercado único, as novas tecnologias, os
novos agentes do mercado, os novos prestadores de serviços acessórios – todos
dependem de uma nova infraestrutura. Quotas da energia eólica e da energia solar
no aprovisionamento de eletricidade. Fonte: Eurostat 2010, planos nacionais para
2020. Nos 21 Estados-Membros com menos de 5% de energias
renováveis variáveis nos respetivos sistemas elétricos, a produção desta forma
de energia associada a limitações infraestruturais não causa problemas de
compensação ou causa-os apenas a nível local. Contudo, nos seis Estados-Membros
com níveis de energia de origem eólica e solar superiores a 5%, foram já
tomadas medidas para criar mais flexibilidade, mesmo nos sistemas isolados,
para assegurar a compensação e a estabilidade da rede[21]. O
desafio de corresponder às futuras necessidades infraestruturais vai depender
muito da capacidade para desenvolvermos conjuntamente, num mercado único,
energias renováveis, infraestruturas de rede e melhores soluções operacionais. O aumento da produção distribuída (renovável)
e da resposta à procura exigirá mais investimento nas redes de distribuição,
que foram concebidas para transportar eletricidade para os consumidores
finais mas não para absorver a produção de pequenos produtores. A
produção distribuída descentralizada desloca a eletricidade com origem na rede
e faz com que os consumidores sejam simultaneamente produtores. Portanto,
enquanto algumas novas capacidades de produção se afastam dos centros de
consumo tradicionais e requerem a beneficiação da infraestrutura de transporte
(especialmente em zonas nas quais há «fluxos circulares»[22] que são
causa de preocupação), uma produção distribuída significativa poderá reduzir a
necessidade de infraestruturas de transporte noutras zonas. A terceira forma
pela qual a infraestrutura pode transformar o sistema é o desenvolvimento das redes
inteligentes. Produtores, incluindo novos microprodutores, consumidores e
operadores de rede terão, todos eles, de ser capazes de comunicar em tempo
real, para assegurar uma correspondência ótima entre procura e fornecimento.
Para isso, será necessário desenvolver normas e modelos adequados de mercado e
de regulamentação. O desenvolvimento da infraestrutura é urgente e
fundamental para o êxito do mercado único e para a integração das energias
renováveis. A esse respeito, é fundamental a adoção precoce das propostas
legislativas contidas no pacote relativo às infraestruturas energéticas,
designadamente para acelerar a construção de novas infraestruturas com impacto
transfronteiras. A Comissão vai continuar a trabalhar com os operadores
dos sistemas de distribuição e transporte, as entidades reguladoras, os
Estados-Membros e a indústria, para assegurar que o desenvolvimento das
infraestruturas energéticas seja acelerado, visando concluir o processo de
integração das redes e dos mercados da Europa. 5. Reforçar a posição dos consumidores A escolha e a concorrência dos consumidores, em matéria de energia,
variam de setor para setor. Nos transportes, há alguma possibilidade de escolha
do fornecedor de combustível, mas não a há ainda para combustíveis alternativos
no mercado à escala da UE. No setor do aquecimento, os consumidores podem
usufruir alguma independência recorrendo às fontes de energia térmica solar ou
geotérmica local. E, se bem que a abertura do mercado tenha sido iniciada em
relação aos setores do gás e da eletricidade, a limitação da escolha dos
fornecedores e a regulamentação dos preços são ainda bastante comuns. Tudo isto
está prestes a mudar, com a plena abertura dos mercados de retalho e a
possibilidade acrescida de comprar «eletricidade verde». Os maiores benefícios deverão resultar da combinação entre «contagem
inteligente» e microgeração. Os contadores inteligentes mostrarão aos
consumidores quanto pagam pela eletricidade, em tempo real, e ajudá-los-ão a
reduzirem o seu consumo energético. Deste modo, juntamente com a evolução dos
«produtos inteligentes», capazes de responder a sinais de preços enviados
eletronicamente, os consumidores poderão alterar o seu consumo de modo a
aproveitarem os preços baixos. Além disso, as «respostas à procura» individuais
podem ser agregadas pelos novos agentes do mercado, permitindo economias de
consumo significativas quando os preços estão altos. Conforme se discute na
avaliação de impacto que acompanha a presente comunicação, este «corte de
picos» pode gerar grandes economias financeiras, ao reduzir a necessidade de
uma capacidade de produção energética suficiente para os picos de procura. A introdução da microgeração cria independência para os
consumidores, como acontece no setor do aquecimento. As fontes de energia
fotovoltaica, microeólica, de biomassa e geotérmica e os sistemas combinados de
produção de calor e eletricidade podem reduzir significativamente a necessidade
de eletricidade da rede para edifícios residenciais, industriais e de escritórios.
À medida que se tornam «consumidores-produtores», os consumidores adquirem
também um sentimento mais forte de propriedade e controlo sobre a sua própria
utilização da energia, o que reforça a compreensão e a aceitação das energias
renováveis[23].
Uma fraca aceitação pública de certos projetos de energias renováveis bloqueia
ou atrasa o desenvolvimento, prejudicando os nossos objetivos de política.
Portanto, possibilitar aos consumidores tornarem-se microprodutores e melhorar
o planeamento e os processos de licenciamento são vias importantes para eliminar
uma barreira significativa ao crescimento das energias renováveis. 6. Fomento da inovação tecnológica O financiamento da investigação e
desenvolvimento (I&D) continua a ser fundamental para apoiar a inovação e o
desenvolvimento tecnológicos. Os recursos são escassos e devem ser bem
orientados para a fase de investigação adequada (preconcorrencial, industrial
ou de aplicações). Ao longo dos últimos 10 anos, os Estados-Membros gastaram
4,5 mil milhões de euros em investigação e desenvolvimento de energia produzida
por fontes renováveis, tendo a UE gastado 1,7 mil milhões do 6.ºPQ, do 7.ºPQ e
do PREE e reservado 4,7 mil milhões nos fundos da sua política de coesão
(2007-2013). O impulso dado por tais medidas, complementado pelo efeito de
atração da implantação no mercado, através de regimes de apoio ou da fixação
dos preços do carbono, gerou grandes avanços, fez amadurecer algumas
tecnologias fundamentais (energia eólica e energia solar) e contribuiu para a
consecução da atual quota de 12% detida pelas energias renováveis. Esta
abordagem deve ser prosseguida. Outras tecnologias, ainda recentes, poderão
precisar de apoio para que as energias renováveis desempenhem no futuro o papel
acrescido que delas se espera. A energia eólica, a energia das ondas e das
marés, produzida por plataformas flutuantes ou outros meios no alto mar, certos
biocombustíveis, os avanços das aplicações inovadoras relativas à energia solar
concentrada e fotovoltaica, o desenvolvimento de novos materiais, a tecnologia
de armazenagem de eletricidade (incluindo baterias) – fazem parte de uma longa
lista de tecnologias energéticas estratégicas que precisam de ser desenvolvidas
(cf. capítulo 6 do documento de trabalho). Dir‑se-ia que, em especial, as
tecnologias oceanográficas, a armazenagem de eletricidade, os materiais
avançados e a indústria transformadora ligada às energias renováveis devem ter
prioridade máxima na futura investigação. O Plano Estratégico para as Tecnologias Energéticas[24] e o futuro
programa de investigação Horizonte 2020 são o principal contributo da UE
para fomentar o desenvolvimento de tecnologias energéticas fundamentais. Além
disso, a Comissão propôs para 2014-2020 uma concentração significativa do
esforço da política de coesão da UE em energias renováveis e eficiência
energética, assim como uma forte incidência em I&D e inovação. Entre os
outros instrumentos, incluem-se as receitas dos leilões do regime de comércio
de licenças de emissão da UE. Com esta abordagem coordenada do desenvolvimento
tecnológico, a Europa pode manter uma posição de liderança, desenvolvendo novas
gerações de tecnologias e o fabrico de alta tecnologia. Prevê-se que as medidas
já em vigor ajudem a desenvolver novas tecnologias de energias renováveis que
possam desempenhar um papel significativo na diversificação da nossa gama de
energias utilizadas. O quadro legislativo pós-2020 deverá assistir a uma melhor
aplicação do Plano Estratégico para as Tecnologias Energéticas, complementado
por ações orientadas. Deverá impulsionar a integração das capacidades nacionais
em investigação e inovação e do financiamento nacional da partilha de riscos e
reforçar a atual cooperação industrial e académica sobre inovação nas
tecnologias energéticas. A comunicação da Comissão de 2013 relativa à
política de tecnologia energética identificará futuras necessidades e desafios
de I&D, em linha com as prioridades identificadas no programa
Horizonte 2020. Desenvolverá planos que assegurem que a Europa competirá a
nível mundial a fim de impulsionar a inovação numa ampla gama de tecnologias
para a produção de energia a partir de fontes renováveis, incluindo novas tecnologias,
e estudará o alargamento da ação de promoção de tecnologias existentes no Plano
Estratégico para as Tecnologias Energéticas. 7. Garantir a sustentabilidade das energias
renováveis A análise da Comissão indica que uma parte
acrescida das energias renováveis, juntamente com a eficiência energética na
UE, tem potencial para reduzir significativamente as emissões de gases com
efeito de estufa e melhorar a qualidade do ar[25]. Por outro lado, os setores europeus da
silvicultura e da agricultura, bem geridos, vão beneficiar bastante das novas
oportunidades à medida que o mercado da bioenergia se desenvolve, juntamente com
outros setores da bioeconomia em geral. A despeito desses benefícios, a
utilização acrescida das fontes de energia renováveis poderá ainda suscitar
inquietações no que respeita à sustentabilidade, tanto no que toca à produção
como no que toca às infraestruturas, em termos de impactos diretos ou indiretos
na biodiversidade e no ambiente em geral. Este aspeto requer especial atenção e
vigilância. Normalmente, essas inquietações são tratadas por legislação
transversal da UE[26].
Noutros casos, a UE preparou regras específicas para a energia, designadamente
os critérios de sustentabilidade dos biocombustíveis, introduzidos pelas Diretivas
Energias Renováveis e Qualidade dos Combustíveis. A Comissão espera abordar
igualmente em breve os impactos indiretos do uso do solo. A redução das
emissões do setor dos transportes vai ter a ajuda da transição para os
biocombustíveis com impactos indiretos nulos ou limitados decorrentes de
alterações no uso do solo. O previsível aumento da utilização de biomassa
após 2020 reforça a necessidade de os recursos de biomassa existentes serem
utilizados mais eficientemente e de o crescimento da produtividade na
agricultura e na silvicultura ser acelerado de um modo sustentável, quer na UE
quer em todo o mundo. Importa, ao mesmo tempo, tomar medidas firmes à escala
mundial para reduzir a desflorestação e a degradação das florestas e ajudar a
assegurar a disponibilidade de biomassa a preços competitivos. Esta questão
será tratada mediante a aplicação da Diretiva Energias Renováveis e da estratégia
da UE para a bioeconomia, a reforma proposta da política agrícola comum, a futura
estratégia florestal da UE e as ações da UE em matéria de alterações climáticas
e de cooperação para o desenvolvimento. O aumento da utilização de
biocombustíveis na aviação e no transporte rodoviário por pesados (em que a
energia elétrica não é considerada viável) reforça a necessidade do
desenvolvimento de biocombustíveis avançados. No entanto, uma utilização
significativamente acrescida de biomassa exige medidas adicionais para
assegurar a sua sustentabilidade. Por essa razão, a Comissão vai avaliar até
2014 a eficácia dos atuais critérios de sustentabilidade, conforme exige a
Diretiva Energias renováveis. Complementarmente, a Comissão vai elaborar em
breve relatórios e propostas para aprofundar o quadro UE de sustentabilidade.
Investigará também a utilização mais adequada da bioenergia no período
pós-2020, de modo articulado com as ambições da UE para 2030 em matéria de
energia e clima, tendo ao mesmo tempo plenamente em conta considerações
ambientais, sociais e económicas. 8. Política relativa às energias renováveis
pós-2020 O atual quadro das energias renováveis, que
inclui objetivos juridicamente vinculativos, planos nacionais, reforma
administrativa, simplificação, melhor desenvolvimento e planeamento da
infraestrutura, parece funcionar bem. De acordo com os planos dos
Estados-Membros, a taxa de crescimento do setor vai subir para 6,3% ao ano[27], fazendo
crescer a confiança no futuro da indústria europeia de produção de energia por
fontes renováveis. Tendência histórica e prevista para o
crescimento das energias renováveis na UE (% da energia total). Fonte: dados do
Eurostat e do Roteiro 2050, num cenário de manutenção do statu quo. Mas, por muito eficaz que o atual quadro
jurídico europeu para as energias renováveis pareça hoje, o seu motor principal
– os objetivos vinculativos – expira em 2020. Os capítulos anteriores discutem
a futura evolução das atuais iniciativas estratégicas em matéria de abertura do
mercado, comércio, desenvolvimento das infraestruturas, reformas institucionais
e operacionais do mercado e inovação. Num mercado concorrencial, o setor das
energias renováveis pode efetivamente tornar-se um agente decisivo no
mercado europeu da energia. A criação do mercado único europeu está no
cerne da prosperidade da Europa e deve ser a força motriz da mudança no setor energético
europeu. Num mercado europeu aberto e concorrencial, o setor das energias
renováveis criado ao abrigo do atual quadro regulamentar deverá ter condições
para prosperar. Se, porém, as atuais iniciativas não
forem adequadas para alcançar os nossos objetivos de política a longo prazo
para a energia e o clima, conforme sugere o Roteiro 2050, o crescimento
anual das energias renováveis cairia de 6% para 1%. Para manter um sólido
crescimento das energias renováveis para além de 2020 - uma conclusão que não
compromete o futuro, no quadro da análise relativa a 2050 - será necessário um
quadro estratégico de apoio, incidente nas inadequações remanescentes a nível
do mercado ou da infraestrutura. Conforme o Roteiro 2050 constata, é
fundamental considerar as opções de marcos concretos para 2030. Para dar início
a este processo, a avaliação de impacto que acompanha a presente comunicação discute
três opções de política. São elas: descarbonização sem objetivos em matéria de energias
renováveis, com base no mercado do carbono e na revisão do regime de comércio
de licenças de emissão (Diretiva 2009/29/CE); continuação do regime atual, com objetivos
vinculativos em matéria de energias renováveis, reduções das emissões e
eficiência energética; e uma gestão melhorada e mais harmonizada do nosso setor
energético em geral, com um objetivo UE para as energias renováveis. A avaliação de impacto discute a eficácia de
cada opção na abordagem dos múltiplos objetivos. É manifesto que os marcos
específicos em matéria de fontes renováveis para 2030 só podem ser estruturados
após uma reflexão sobre o estado da política relativa ao clima pós-2020, o grau
de concorrência nos mercados europeus da eletricidade, do aquecimento/
arrefecimento e do combustível para transportes e o grau de diversidade
energética e de inovação tecnológica previsto para 2020. 9. Próximas etapas Aproveitando o atual enquadramento, estão em
curso medidas em diversos domínios a fim de aumentar o contributo das energias
renováveis para o cabaz energético da UE, reforçar o mercado único europeu da
energia, remover as barreiras comerciais e os obstáculos regulamentares,
aumentar a eficácia dos regimes de apoio às energias renováveis, impulsionar o
desenvolvimento da infraestrutura energética, intensificar o envolvimento dos
consumidores nos mercados da energia e assegurar a sustentabilidade. Na sua análise anual do crescimento elaborada em
2012, a Comissão realçou já o potencial de crescimento da utilização
generalizada de energias produzidas por fontes renováveis. Nas suas
recomendações específicas para cada país, adotadas a 30 de maio de 2012, seguiu
a mesma linha. A Comissão vai também continuar a desencorajar políticas desfavoráveis
ao investimento em fontes de energia renováveis (por exemplo, suprimindo
gradualmente os subsídios aos combustíveis fósseis) e a promover um mercado
funcional de carbono e uma tributação adequada
da energia. Deste modo, abrir-se-ão novas possibilidades e intensificar-se-á a
integração das energias renováveis no mercado interno expondo os produtores aos
preços de mercado, ou seja, mediante o intercâmbio das melhores práticas
relativas à reforma dos regimes de apoio. Também se facilitará a cooperação
internacional sobre o desenvolvimento das energias renováveis, ao permitir a
utilização plena dos mecanismos de cooperação, o que poderá igualmente ajudar a
desenvolver estas fontes de energia no sul do Mediterrâneo. Para garantir que todos estes passos são
dados, a Comissão está a tomar quatro medidas principais na sequência da
presente comunicação: ·
Continuará a impulsionar a integração das energias
de fontes renováveis no mercado interno da energia e a estudar
incentivos de mercado ao investimento na produção de energia ·
Preparará orientações sobre as melhores práticas e
a experiência adquirida em matéria de regimes de apoio, para estimular uma
maior previsibilidade e eficácia em termos de custos, evitar a sobrecompensação
quando provada e criar mais coerência entre todos os Estados-Membros ·
Promoverá e orientará a utilização acrescida dos mecanismos
de cooperação, permitindo que os Estados-Membros alcancem os seus objetivos
nacionais vinculativos comercializando energias renováveis e, desse modo,
reduzindo os seus custos ·
Assegurará o melhoramento do quadro regulamentar
para a cooperação energética no Mediterrâneo, considerando que um
mercado regional integrado no Magrebe facilitaria os investimentos a grande
escala na região e possibilitaria à Europa importar mais eletricidade proveniente
de fontes renováveis. Seja qual for a forma que assumirem, os marcos para as energias
renováveis pós-2020 devem assegurar que esta faz parte do mercado
energético europeu, com apoio limitado mas eficaz sempre que necessário e um
comércio substancial. Devem também assegurar que a Europa mantém a sua
liderança industrial e no domínio da investigação, a nível mundial. Só deste
modo poderemos continuar a desenvolver os nossos recursos de energias renováveis
de uma forma rentável e, efetivamente, acessível e aproveitar as oportunidades assim
criadas nos domínios da competitividade, da economia e do emprego. Por esta
razão, a Comissão vai igualmente apresentar propostas relativas a um regime de
política para as energias renováveis no período pós-2020. [1] Cf.
documento de trabalho da DG Emprego «Exploiting the employment
potential of green growth», que acompanha o pacote relativo ao emprego
COM(2012) 173, p. 8, e Ragwitz
et al (2009), EmployRES, Fraunhofer ISI Germany et al.:
http://ec.europa.eu/energy/renewables/studies/doc/renewables/2009_employ_res_report.pdf.
Objetivos mais ambiciosos em matéria de fontes de energia renováveis (FER)
estimulam o investimento e, por conseguinte, o emprego em tecnologias de
geração com grande intensidade de conhecimentos. As tecnologias com grande
intensidade de capital, como a energia fotovoltaica, a energia eólica em terra
e no mar, a energia térmica solar e as bombas de calor, dominam em termos
absolutos no âmbito de uma forte política de promoção das FER. Para muitas
destas tecnologias, a fase de construção é a de maior intensidade de mão‑de‑obra. [2] Entre
essas políticas, reformas administrativas, regras de rede e planos de ação
nacionais decenais relativos às energias renováveis. [3] Em 2009 e
2010, o crescimento das energias renováveis acentuou-se significativamente. Na
verdade, a UE alcançou logo em 2010 o seu primeiro objetivo intercalar para
2011/2012. [4] Diretiva
2009/28/CE. [5] COM(2011) 885/2. [6] A
Comissão está também a preparar uma comunicação sobre os progressos na
concretização do mercado único da energia, a apresentar ainda no ano em curso. [7] COM(2011) 112. [8] Diretiva
2009/28/CE. [9] Cf.
Ecorys, 2008, Assessment of non-cost barriers to renewable energy,
relatório TREN/D1/48 – 2008. [10] Entre as
exceções, totais ou parciais, incluem-se a energia hídrica, algumas fontes
geotérmicas e de biomassa, as bombas de calor e o aquecimento solar em
determinados mercados. [11] Livro Branco: Roteiro
do espaço único europeu dos transportes – Rumo a um sistema de transportes
competitivo e económico em recursos, COM(2011) 144 final. [12] Para o
efeito, aproveitar-se-ão ideias contidas nos documentos COM(2011) 31 e
SEC(2001) 131. [13] A Comissão
calculou que a otimização do comércio de energias renováveis poderá poupar até
8 mil milhões de euros por ano (SEC(2008) 85, vol. II) [14] LU e IT; o
segundo, porém, indicou recentemente que poderá vir a não necessitar dos
mecanismos. [15] BU, EE,
DE, EL, LT, PO, PL, SK, ES, SW. [16] A Noruega
e a Islândia adotam numerosos atos legislativos da União Europeia para
participarem no mesmo mercado; a Comunidade da Energia está em fase de adoção
de dispositivos idênticos; a Comissão colabora neste momento com a Suíça para
melhorar a coerência das políticas; e estão a ser utilizados acordos da UE
relativos à ajuda ao desenvolvimento, cooperação e, futuramente, comércio
livre, para melhorar a coerência com os vizinhos europeus dos Balcãs e do sul
do Mediterrâneo. [17] A EPIA
(EUPVSEC 2011) calcula que, apesar da concorrência, 55% do valor acrescentado
dos módulos fotovoltaicos e 70% do valor acrescentado do sistema fotovoltaico
são gerados na Europa. [18] COM(2011) 658. [19] As necessidades
infraestruturais dos combustíveis para transportes provenientes de fontes
renováveis, incluindo estações de serviço de combustíveis alternativos, normas
e políticas comuns e, no caso da eletromobilidade, a gestão melhorada dos
sistemas são analisadas em profundidade na estratégia de 2011 relativa aos
combustíveis alternativos, constante do Livro Branco dos Transportes (Livro
Branco, Roteiro do espaço único europeu dos transportes – Rumo a um sistema de
transportes competitivo e económico em recursos, COM(2011) 144 final), e
abordadas nas orientações revistas da RTE-T (COM(2011) 650). [20] Diretivas
2009/72/CE e 2009/73/CE. [21] Cf. IEA
2011, Harnessing variable renewables: a guide to the balancing challenge. [22] Ocorrem
«fluxos circulares» quando a eletricidade segue um caminho não planeado em
resultado de falta de infraestruturas. Os fluxos de norte para sul na Alemanha,
via Polónia ou Benelux, são o exemplo clássico, em consequência de uma
inadequada infraestrutura alemã norte-sul. [23] Cf. Rebel, 2011, Reshare:
benefit sharing mechanisms in renewable energy, www.reshare.nu. [24] Investing
in the Development of Low Carbon Technologies (SET-Plan) – A technology roadmap,
SEC(2009) 1295; Materials Roadmap Enabling Low Carbon Energy
Technologies, SEC(2011) 1609. [25] Cf. capítulo 5.2 da avaliação de impacto que
acompanha a presente comunicação. [26] Por
exemplo, o desenvolvimento da energia hidroelétrica ou eólica deve cumprir as
Diretivas AAE (2001/42/CE), AIA (85/337/CEE), Habitats (92/43/CEE), Aves
(79/409/CEE) e Diretiva-Quadro Água (2000/60/CE) e a Estratégia de
Biodiversidade (COM(2011) 244), os elementos de produção de energia
fotovoltaica devem ser sujeitos às regras de eliminação de resíduos de
equipamento eletrónico e os riscos de poluição atmosférica local pela
utilização doméstica de biomassa estão sujeitos às normas UE aplicáveis às
emissões em instalações energéticas de pequena escala. [27] Valores
sob o anterior regime de objetivos indicativos: 1,9% e 4,5%.