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Document 52014DC0446
COMMUNICATION FROM THE COMMISSION TO THE EUROPEAN PARLIAMENT, THE COUNCIL, THE EUROPEAN ECONOMIC AND SOCIAL COMMITTEE AND THE COMMITTEE OF THE REGIONS Green Employment Initiative: Tapping into the job creation potential of the green economy
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Iniciativa Emprego Verde: Explorar o potencial de criação emprego da economia verde
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Iniciativa Emprego Verde: Explorar o potencial de criação emprego da economia verde
/* COM/2014/0446 final */
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Iniciativa Emprego Verde: Explorar o potencial de criação emprego da economia verde /* COM/2014/0446 final */
1. Introdução A estratégia Europa 2020 reconhece que, para
conseguir um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, é fundamental
assegurar a transição para uma economia verde, hipocarbónica e eficiente em
termos da utilização dos recursos. O desperdício de recursos, a pressão
insustentável sobre o ambiente e as alterações climáticas, a par da exclusão
social e das desigualdades, constituem desafios para o crescimento económico a
longo prazo, estando há vários anos a ser estudado um modelo de crescimento
alternativo que vá além do PIB (Beyond GNP)[1]. Um modelo de crescimento verde - conducente e
uma economia com baixas emissões de carbono, resistente às alterações
climáticas e fundada na utilização eficiente dos recursos — é utilizado para
descrever uma transformação económica estrutural essencialmente impulsionada
pela escassez de recursos, a evolução tecnológica e a inovação, pelos novos
mercados e pelas mudanças nos padrões industriais e de consumo[2]. O preço dos recursos, das
matérias-primas e da energia[3]
está já a afetar a estrutura de custos das empresas, uma vez que a procura
global desses recursos continuará a crescer em consequência do aumento do
consumo nas economias emergentes. O modelo linear atual — no qual se «pega,
fabrica, consome e deita fora» - transformar-se-á gradualmente num modelo
circular em que a poupança, a reutilização e a reciclagem de materiais
permitirá obter maior valor acrescentado e mais benefícios de cada tonelada de
material, de cada Joule de energia e de cada hectare de terra, e em que a
produtividade dos recursos definirá a competitividade futura[4]. O crescimento verde representa simultaneamente um
desafio e uma oportunidade para o mercado de trabalho e as competências,
que, por sua vez, constituem fatores decisivos da sua consecução. A transição
resultará em transformações fundamentais em todo o espetro da economia e em
inúmeros setores: serão criados postos de trabalho adicionais, alguns postos
serão substituídos e outros redefinidos[5].
Neste contexto, é essencial assegurar uma melhor orientação e coordenação das
medidas e dos instrumentos do mercado de trabalho, de modo a criar as condições
necessárias para apoiar o emprego verde, colmatar as inadequações de
competências e a escassez de mão de obra, e antecipar as mudanças nas
necessidades de capital humano. O Pacote de Emprego, publicado pela Comissão em
2012, propõe um quadro para uma recuperação geradora de emprego, sublinhado a
necessidade de desenvolver instrumentos do mercado de trabalho e identificar as
necessidades de competências, a fim de apoiar a transição para uma economia
verde e avançar na consecução dos objetivos de emprego da estratégia Europa
2020[6]. As edições de 2013 e 2014 da Análise Anual do
Crescimento evidenciaram o potencial de criação de emprego da economia verde e
a necessidade de desenvolver quadros estratégicos em que as políticas do
mercado de trabalho e de competências apoiem ativamente a geração de emprego[7]. Não
obstante, são pouco os Estados-Membros que dispõem de quadros políticos
integrados que associam o crescimento ao emprego verde, sendo a maioria
caracterizada por uma abordagem fragmentada e descoordenada[8]. Acresce que, tal como referido no 7.º
programa de ação em matéria de ambiente, para aproveitar plenamente o potencial
da economia verde em termos de crescimento e emprego há que melhorar a
integração das questões ambientais nas políticas e adotar uma visão estratégica
coerente, de modo a favorecer o desenvolvimento e a implementação das políticas
setoriais à escala da UE e dos Estados-Membros[9]. Em 2014, a Plataforma Europeia para a Eficiência
na Utilização dos Recursos (EREP) evidenciou também a necessidade de
desenvolver uma estratégia global que integre a defesa do ambiente nas
políticas de emprego, de competências e de educação, instando a UE a integrar
objetivos de sustentabilidade, identificar instrumentos do mercado de trabalho
para acompanhar esta transição, mobilizar fundos financeiros da UE, favorecer o
intercâmbio de boas práticas, fomentar a sensibilização e o compromisso e
assegurar o acompanhamento no âmbito do Semestre Europeu de coordenação das
políticas económicas[10]. A presente comunicação visa definir as
principais condições estratégicas graças às quais as políticas do mercado de
trabalho e de competências poderão apoiar ativamente o emprego e a criação de
postos de trabalho na economia verde. Apresenta soluções e instrumentos
políticos destinados a garantir a convergência das agendas ambiental e de
emprego e contribuir para a concretização dos objetivos da Estratégia Europa
2020. 2. Para uma economia verde —
oportunidades e desafios para o mercado de trabalho A transição
para uma economia verde é essencialmente motivada por uma tendência global a
longo prazo de crescente escassez de recursos e de um aumento dos preços da
energia e das matérias-primas, exacerbada pelo facto de a Europa estar cada vez
mais dependente da importação desses mesmos recursos. A fim de responder a
estes desafios, a UE implementou uma série de políticas e estratégias
destinadas a apoiar a transição para uma economia com baixas emissões de
carbono e eficiente em termos da utilização dos recursos, reforçando,
simultaneamente, a competitividade da UE. Entre estas políticas, uma das mais
significativa está consubstanciada no Pacote Clima e Energia, que fixa
objetivos a atingir até 2020 no que respeita à redução das emissões de gases
com efeito de estufa, às fontes de energia renováveis e à melhoria da
eficiência energética. É amplamente reconhecido que uma transição bem sucedida
para uma economia verde e eficiente em termos da utilização dos recursos e da
energia levará a uma restruturação dos mercados de trabalho. É, pois,
necessário, compreender as implicações para o mercado do trabalho, de modo a
antecipar e gerir os ajustamentos estruturais mais eficazmente[11]. Mesmo durante a
crise económica, temos assistido à criação de uma quantidade apreciável de
postos de trabalho no setor dos bens e serviços ambientais (EGSS), muitas vezes
designados por «empregos verdes». O emprego na UE aumentou de 3 para 4,2 milhões
entre 2002 e 2011, chegando a um aumento de 20 % nos anos de recessão[12]. O potencial da
criação de emprego associado à produção de energia a partir de fontes
renováveis, à eficiência energética, à gestão dos resíduos e da água, à
qualidade do ar, à recuperação e conservação da biodiversidade e ao
desenvolvimento de infraestruturas verdes é significativo e resistente às
variações do ciclo empresarial. Por exemplo, um
aumento de 1% da taxa de crescimento do setor da água na Europa poderia criar
entre 10 000 e 20 000 novos postos de trabalho[13].
Estima-se que o turismo e as atividades recreativas nos sítios da rede Natura
2000 apoiem diretamente cerca de 8 milhões de postos de trabalho,
correspondentes a 6 % do emprego total na UE.[14] A
implementação da legislação em vigor em matéria de prevenção e gestão de
resíduos poderia criar mais de 400 000 novos postos de trabalho[15] e a
revisão da legislação nesta matéria agora proposta pela Comissão poderia criar
cerca de 180 000 novos postos de trabalho[16],
graças à abertura de novos mercados, de uma melhor utilização dos recursos, da
redução da dependência em relação às importações de matérias-primas e da
redução das pressões sobre o ambiente[17].
A transformação
interna e a redefinição de postos de trabalho irão afetar setores com emissões
elevadas (produção de energia, transportes, agricultura e construção, que são
responsáveis por, respetivamente, 33 %, 20 %, 12 % e 12 %
das emissões de gases com efeito de estufa na UE)[18]. O
aumento do investimento no isolamento e na eficiência energética deverá
traduzir-se positivamente na criação de emprego no setor da construção, onde
mais de quatro milhões de trabalhadores terão necessidade de reconverter as
suas competências.[19]
Devem ser também criados postos de trabalho nos setores da biomassa e dos
biocombustíveis.[20]
Nos setores agrícola e florestal, foram recentemente introduzidas componentes
ecológicas que melhoram a prestação de serviços públicos provenientes da
agricultura e da silvicultura, garantindo ao mesmo tempo o crescimento verde
nestes setores. Existem oportunidades para a criação de postos de trabalho no
setor agrícola, em especial através da produção de qualidade, da agricultura
biológica, da gestão da paisagem, do ecoturismo verde, dos serviços verdes
(ambientais) e/ou de infraestruturas nas zonas rurais. No que respeita
às indústrias com uso intensivo de energia (por exemplo, as indústrias química
e siderúrgica), a situação é mais complexa, uma vez que enfrentam desafios e
oportunidades resultantes da necessidade de reduzir as emissões e do
desenvolvimento de novos setores e produtos. No intuito de responder às
preocupações quanto à competitividade dos setores em risco de deslocalização
devido ao impacto das políticas climáticas, a Comissão implementou medidas para
evitar a «fuga de carbono».[21]
Estima-se que uma indústria química mais verde poderá criar mais postos de
trabalho do que o setor petrolífero e a atual indústria química.[22] Na
indústria siderúrgica, a utilização de materiais reciclados, como a sucata de
aço, resulta em grandes poupanças de energia e, por conseguinte, tem um impacto
positivo na competitividade do setor. No que respeita
ao conjunto da economia, o aumento da eficácia dos processos de produção, a
adoção de soluções inovadoras para poupar recursos, o desenvolvimento de novos
modelos empresariais ou a oferta de produtos e serviços mais sustentáveis
permitem às empresas expandir os seus mercados e criar novos postos de
trabalho, ao mesmo tempo que transformam os já existentes. A produtividade dos recursos
na UE cresceu 20 % no período de 2000-2011. A manutenção desta taxa
induziria um aumento adicional de 30 % até 2030, suscetível de se traduzir
num aumento do PIB de cerca de 1 %, acompanhado da criação de mais
de 2 milhões de postos de trabalho. 3. Estratégicas
políticas Mercados do
trabalho dinâmicos e eficazes são fundamentais para facilitar a transição para
uma economia verde e eficiente na utilização dos recursos. A ação a nível da UE
deve centrar-se no seguinte: -
Colmatar as lacunas de competências; -
Antecipar a mudança, assegurar as transições e
promover a mobilidade; -
Apoiar a criação de postos de trabalho; -
Aumentar a qualidade dos dados disponíveis. 3.1. Colmatar as lacunas de competências Ao mesmo tempo
que uma economia verde permitirá criar novos empregos e abrir novos mercados, a
competitividade, a capacidade de inovação e a produtividade da Europa
dependerão consideravelmente da disponibilidade de trabalhadores qualificados.
É, pois, necessário promover o desenvolvimento de competências (3.1.1) e prever
com maior precisão as necessidades dos setores e das indústrias neste domínio,
de modo a que as autoridades relevantes e as partes interessadas possam
adaptar-se à mudança (3.1.2). 3.1.1 Promover
o desenvolvimento de competências Embora os Estados-Membros estejam a desenvolver
classificações de competências verdes[23],
está já demonstrado que a transição para uma economia verde se repercutirá
significativamente nas necessidades de competências, com um aumento crescente
da procura de mão de obra qualificada nas ecoindústrias emergentes, a melhoria
das competências dos trabalhadores em todos os setores e a requalificação dos
efetivos em setores vulneráveis à reestruturação[24]. A intensidade da ecoinovação terá efeitos variáveis nos
requisitos de competências em todos os setores e indústrias. Quando correlacionadas com uma forte
componente de inovação, as novas profissões requerem competências genéricas,
bem como aptidões científicas, tecnológicas e matemáticas integradas no ensino
obrigatório e no ensino superior. Será necessário melhorar as
qualificações em todos os setores e profissões para adquirir novos
conhecimentos e competências, designadamente no domínio dos novos materiais de
isolamento, de novas abordagens dos materiais de construção, do design, da
engenharia, do conhecimento da regulamentação, etc. As competências associadas
à economia verde nem sempre são inteiramente novas ou «únicas». Combinam, sim,
competências transversais com conjuntos de competências «específicas». Em
certos casos, algumas funções e responsabilidades, que exigem uma combinação
específica de aptidões e conhecimentos, constituirão novos perfis
profissionais. Facilitar a adaptação da mão de obra e dos sistemas
de educação e de formação implica uma intervenção orientada pelas autoridades
públicas no sentido de evitar estrangulamentos de competências, apoiar as
transições profissionais e melhorar a capacidade de resposta dos sistemas de
educação e formação às novas exigências em matéria de competências e
qualificações. Esta realidade requer a revisão e a atualização das
qualificações e dos correspondentes programas de ensino e formação[25]. Há que desenvolver normas de
qualidade para a formação setorial, apoiadas por mecanismos de garantia da
qualidade e de sistemas de acreditação do ensino e da formação profissionais
(EFP), a fim de adaptar a provisão de EFP às necessidades do mercado de
trabalho. A certificação de competências verdes adquiridas por via informal,
acompanhada de uma formação flexível conducente à obtenção de qualificações,
pode também facilitar as transições dos trabalhadores afetados pela
reestruturação. Os mecanismos de governação do
EFP usam as previsões de competências mais eficazmente. Os parceiros sociais
setoriais deverão participar mais estreitamente na elaboração e na revisão dos
programas de formação e qualificações e dos sistemas de acreditação. 3.1.2 Antecipar as necessidades de
competências com maior precisão Porque as mudanças estruturais na
economia se traduzirão em novos requisitos de competências e em profissões
emergentes, é necessário proceder a uma melhor avaliação da evolução em termos
de empregos e de competências, de forma a facilitar a transição para a economia
verde. Os sistemas de classificação, como a «Classificação europeia de
competências, aptidões, qualificações e profissões» (ESCO), podem ser
utilizados para identificar as lacunas de competências. O Panorama de
Competências da UE, lançado pela Comissão em 2012, traça uma imagem das
perspetivas, a curto e a médio prazo, em termos de empregos e competências
necessárias aos níveis europeu, nacional e setorial. Os serviços públicos de emprego (SPE)
fornecem informações valiosas sobre as necessidades de qualificações no mercado
de trabalho. Em alguns Estados-Membros, os SPE desenvolveram ferramentas para
monitorizar a procura de competências verdes em vários setores da economia,
designadamente os setores ecológicos[26].
Neste contexto, o desafio consiste em utilizar as informações existentes para
alterar ou adaptar a oferta, a disponibilidade e o formato da formação, bem
como os percursos disponíveis. É, pois, vital desenvolver estratégias
de recolha de informação, centradas nas necessidades previstas de recrutamento
e na identificação das competências exigidas.
Essencial neste contexto é uma colaboração mais estreita entre administrações
públicas, empresas, parceiros sociais e esfera da investigação. A
Comissão tem vindo a promover os Conselhos Setoriais de Competências e as Alianças Setoriais de
Competências, designadamente nos setores automóvel e químico e na indústria da
construção. Tal
como a Comissão salientou no Plano de Ação Verde para as PME[27], o
desenvolvimento da força de trabalho é um desafio particularmente importante
para estas empresas, na medida em que dispõem de menos recursos para responder
às necessidades de transformação. Por conseguinte, as PME devem receber apoio e
orientação para melhor poderem antecipar as necessidades de qualificações e
colmatar as lacunas de competências verdes. Há que desenvolver ferramentas,
designadamente programas de aprendizagem à distância, serviços de consultoria e
aconselhamento, para ajudar as PME a tornarem-se mais eficientes em termos da
utilização de recursos e energia e facilitar a adoção de normas de gestão
ambiental[28].
Para ajudar a colmatar os défices de
competências, a Comissão irá: - Trabalhar com as partes interessadas a
nível setorial (nomeadamente os Conselhos Setoriais de Competências e as
Alianças de Competências Setoriais) para incentivar o desenvolvimento de
competências verdes, e reforçar as ligações com a ESCO e o Panorama
de Competências da UE; — Promover o intercâmbio de boas
práticas sobre estratégias de competências específicas no âmbito do Programa
de Aprendizagem Mútua da Estratégia Europeia de Emprego e em cooperação com
o CEDEFOP; — Promover o intercâmbio de boas
práticas entre a rede europeia de SPE sobre a utilização das informações
e previsões relativas ao mercado de trabalho e sobre a promoção de parcerias
com todas as partes interessadas, com vista a uma melhor antecipação das
necessidades das empresas em termos de competências verdes; — Cooperar com as Comunidades de
Conhecimento e Inovação InnoEnergy e Climate do Instituto Europeu de
Inovação e Tecnologia para produzir energia sustentável inovadora e modelos de
ensino centrados no clima a nível da licenciatura e pós-graduação, e
desenvolver os seus novos instrumentos de criação de empresas para a fomentar o
empreendedorismo na área do clima; — Promover melhores práticas no âmbito
da Rede Europeia de Desenvolvimento Rural e da rede da Parceria Europeia de
Inovação (PEI) para a produtividade e a sustentabilidade no domínio da
agricultura, ao abrigo da Política Agrícola Comum. Os Estados-Membros são
convidados a rever e atualizar as qualificações e os programas de ensino e formação
correspondentes, a fim de responder às novas exigências do mercado. 3.2. Antecipar a mudança, assegurar as
transições e promover a mobilidade Os processos de transformação, em
especial quando se trata de transformar atividades em declínio noutras emergentes,
requerem antecipação e gestão. A reestruturação deve ser tratada de forma
socialmente responsável, especialmente para preservar o capital humano (3.2.1);
as instituições do mercado de trabalho devem contribuir para facilitar e
assegurar as transições (3.2.2); e a mobilidade profissional e geográfica deve
ser reforçada (3.2.3). 3.2.1 Antecipar
a mudança e gerir a restruturação A UE tem em
vigor um extenso quadro legislativo que regula a forma como o diálogo social
deve abordar a antecipação da mudança e a reestruturação. Além disso, o Quadro
de qualidade da UE para a antecipação da mudança e de processos de
restruturação[29]
(QQR) inclui certos princípios e boas práticas em matéria de antecipação da
mudança e gestão das reestruturações; como tal, numa perspetiva socioeconómica,
é igualmente relevante para a gestão bem sucedida da transição para a economia
verde. A antecipação em tempo útil da mudança e das necessidades de
competências contribui para a competitividade das empresas e a empregabilidade dos
trabalhadores. O processo de antecipação da mudança deve incluir programas de
melhoria contínua das qualificações dos trabalhadores, ministrados no local de
trabalho. A aprendizagem em contexto laboral pode igualmente favorecer a
inovação ecológica, em particular quando enquadrada pelos necessários sistemas
de validação. É essencial
desenvolver orientações específicas para os setores onde se espera um aumento,
uma diminuição ou uma transformação apreciável de emprego. Algumas iniciativas
setoriais (CARS 2020, Construction 2020) foram desenvolvidas para apoiar as
metas em matéria de eficiência na utilização de recursos e energia, tendo
simultaneamente em conta as dimensões do emprego e das qualificações. A fim de assegurar que a transição para
a economia verde conduz a melhores empregos, devem também ser considerados os
aspetos da saúde e da segurança, em especial os riscos emergentes ligados ao
desenvolvimento das tecnologias verdes. Embora as tecnologias, os produtos e os
processos mais sustentáveis sejam suscetíveis de diminuir o risco de exposição
nociva para os trabalhadores, há que avaliar cuidadosamente os novos perigos
potenciais, integrando-os nas estratégias de prevenção para antecipar,
identificar, avaliar e controlar os perigos e os riscos emergentes[30]. 3.2.2 Adaptar as instituições do mercado
de trabalho a fim de facilitar e assegurar as transições Os
SPE participam cada vez mais nas estratégias e nos programas de geração de
emprego verde[31]. Reúnem
empregadores e instituições de formação no âmbito de programas regionais ou
locais que visam os desempregados e os grupos vulneráveis, e desenvolvem
incentivos para promover a mobilidade geográfica e profissional através do
estabelecimento de sistemas de certificação e transferibilidade de competências
e de bases de dados sobre as necessidades dos empregadores. Os SPE
desempenham também um papel cada vez mais importante, ao prestar serviços de
orientação e aconselhamento profissional e providenciar planos de qualificações
e validação da aprendizagem não formal e informal. 3.2.3 Promover
a mobilidade A promoção da mobilidade dos
trabalhadores, quer entre regiões quer entre Estados-Membros, pode contribuir,
em certa medida, para dar uma resposta imediata às exigências do mercado de
trabalho. Embora
alguns setores, como o da construção, tenham uma mobilidade acima da média,
noutros, como os serviços de utilidade pública (água, esgotos e fornecimento de
eletricidade) não é esse o caso. A Comissão facilita
a mobilidade intra-UE através da EURES, a rede europeia de emprego. Irá
também promover regimes de mobilidade específicos para solucionar
estrangulamentos e preencher vagas em determinados setores e profissões,
nomeadamente na economia verde[32].
O reforço da mobilidade exigirá também investimentos em sistemas de
correspondência de competências a nível da UE, através da ESCO, bem como a
continuação dos trabalhos conducentes ao Espaço Europeu de Competências e
Qualificações. Além disso, há que atualizar
permanentemente os perfis profissionais para ter em conta as necessidades de
competências da economia verde. Com vista a
antecipar a mudança, assegurar transições e promover a mobilidade, a Comissão
irá: — Tirar partido
dos ensinamentos retirados das iniciativas setoriais em curso sobre a
antecipação e a gestão da reestruturação e avaliar a possibilidade de
alargar o seu âmbito a outros setores suscetíveis de transição para modelos
mais ecológicos; — Trabalhar com
os SPE no âmbito da rede europeia de SPE para facilitar a mobilidade
profissional no intuito de satisfazer as necessidades do mercado de trabalho,
designadamente as profissões que exigem qualificações verdes; — Apoiar, no
âmbito da Estratégia Europeia de Emprego, a aprendizagem mútua e as revisões
pelos pares sobre as políticas laborais adequadas; — Recorrer aos regimes
de mobilidade laboral específicos no âmbito do Programa para o Emprego e a
Inovação Social, de forma a promover a mobilidade da mão de obra para os
candidatos a emprego; - Através da ESCO,
apoiar a correspondência entre oferta e procura de emprego com base nas
competências e promover a análise das tendências em matéria de oferta e procura
de competências verdes em função das vagas de emprego e dos CV disponíveis na
rede EURES. Os
Estados-Membros e os parceiros sociais são convidados a promover uma
ampla utilização do quadro de qualidade europeu para a antecipação da mudança e
da reestruturação em relação com a transição para uma economia verde. 3.3. Apoiar a criação de postos de trabalho O financiamento da UE deve ser utilizado
para apoiar a transição para a economia verde (3.3.1). Além disso, para
favorecer a criação de empregos verdes, é também importante transferir a
tributação do trabalho para a tributação ambiental (3.3.2), promover os
contratos públicos ecológicos (3.3.3) e o empreendedorismo virado para a defesa
do ambiente (3.3.4). 3.3.1 Utilizar
o financiamento da UE de forma eficaz Os Fundos
Estruturais e de Investimento Europeus (FEIE) são importantes fontes de
investimento para promover o crescimento sustentável e a criação de emprego.
Entre os principais instrumentos financeiros da UE destinados a apoiar a
aquisição de qualificações, a criação de emprego e a transição para a economia
verde contam-se: -
O Fundo Social Europeu (FSE), que cofinancia
medidas de ativação do mercado de trabalho e ações destinadas a facilitar a
transição para o mundo trabalho e a atualização de conhecimentos e
competências. O FSE pode favorecer a transição da mão de obra para empregos
mais ecológicos, ajudar a resolver a escassez de competências e melhorar os
sistemas de ensino e formação profissional (designadamente através da adaptação
dos programas de estudo). -
O Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional
(FEDER), que apoia investimentos na eficiência energética e dos recursos, as
energias renováveis, a gestão dos resíduos e da água, as infraestruturas
verdes, a conservação e a defesa da biodiversidade, a ecoinovação, as
infraestruturas de ensino e a investigação, o desenvolvimento e a inovação no
domínio das tecnologias hipocarbónicas. As regiões terão de investir uma
percentagem mínima dos recursos do FEDER em medidas conducentes a uma economia
com baixas emissões de carbono (20 % nas regiões mais desenvolvidas,
15 % nas regiões em transição e 12 % nas regiões menos
desenvolvidas). -
O Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural
(FEADER), que apoia investimentos na agricultura, silvicultura, ambiente,
empresas e infraestruturas rurais, nomeadamente os investimentos em energias
renováveis e eficiência energética, gestão dos recursos (água, resíduos, solos,
etc.) e inovação. Os Estados-Membros terão de investir uma percentagem mínima
de 30 % do contribuição total do FEADER em ações para atenuar os efeitos
das alterações climáticas e na proteção ambiental. -
O programa para a competitividade das empresas e
das PME (COSME) e o programa Horizonte 2020, que visam contribuir para o
crescimento económico e o emprego, através do apoio a projetos inovadores
consagrados, nomeadamente, às energias renováveis, à eficiência energética e à
restauração de ecossistemas e à renaturação das cidades. -
O programa LIFE, que financia vários projetos
inovadores relacionados com o clima e o ambiente, que têm repercussões no
emprego e nas competências, nomeadamente através do Mecanismo de Financiamento
do Capital Natural e do Instrumento de Financiamento Privado para a Eficiência
Energética. A Comissão
incentiva e apoia a criação e a execução de instrumentos financeiros
cofinanciados pelos FEIE, através da plataforma de assistência técnica para os
instrumentos financeiros e outros instrumentos utilizados conjuntamente com o
Grupo BEI. Estes instrumentos podem mobilizar investimento privado adicional na
transição para a economia verde e contribuir para a concretização do respetivo
potencial de emprego. Há que
continuar a desenvolver as sinergias entre programas aos níveis nacional e da
UE. 3.3.2 Transferência da tributação do trabalho para a tributação
ambiental A transferência
da tributação do trabalho para uma fiscalidade menos prejudicial ao
crescimento, sob a forma, por exemplo, de impostos sobre o consumo e a
propriedade e de impostos ambientais (acompanhada da eliminação de subsídios
prejudiciais) pode conduzir a um nível mais elevado de emprego e à redução das
emissões e da poluição. Este impacto será mais visível nos Estados-Membros com
uma elevada carga fiscal. Um terço dos Estados-Membros tem margem para aplicar
uma tributação desse tipo, enquanto outro terço pode melhorar a conceção dos
impostos com incidência no ambiente já existentes.[33] Mais do que uma
redução global da tributação, estas reformas deverão atender às repercussões no
emprego de reduções específicas dos custos laborais, por exemplo para os
trabalhadores com poucas qualificações, bem como o impacto distributivo da
transição para impostos ecológicos. Vários Estados-Membros receberam
recomendações específicas neste domínio no âmbito do Semestre Europeu. Além
disso, os Estados-Membros poderiam utilizar parte das receitas da venda em
leilão das licenças de emissão no âmbito do RCLE-UE para reduzir os custos
laborais, o que pode ter um impacto global positivo no emprego. 3.3.3 Reforçar
a capacidade administrativa e promover os contratos públicos ecológicos Vários
Estados-Membros carecem de meios administrativos para conceber soluções mais
integradas que deem resposta aos desafios económicos, sociais e ambientais e
tenham em conta os custos e benefícios mais amplos para a sociedade. Em
particular, os contratos públicos podem ser utilizados para promover o
crescimento na economia verde. As novas diretivas da UE relativas aos contratos
públicos facilitam a utilização de rótulos, permitem explicitamente a tomada em
consideração do processo de produção e introduzem um conceito de cálculo do
custo do ciclo de vida. Estas disposições podem encorajar o recurso a contratos
públicos ecológicos e, assim, fomentar o crescimento e os empregos verdes. 3.3.4 Promoção
do empreendedorismo As jovens
empresas têm dificuldades em aceder ao financiamento e as que operam na
economia verde não constituem exceção. A Comissão, em conjunto com o Banco
Europeu de Investimento, criou um Mecanismo de Financiamento do Capital Natural
para apoiar, nomeadamente, projetos relacionados com o capital natural e as
pequenas empresas inovadoras que favorecem a biodiversidade e a adaptação às
alterações climáticas. Graças ao recente aumento nas atividades de
microfinanciamento na Europa, mais de 30 % dos prestadores de microcrédito
fornecem já créditos para a economia verde e 10 % preparam-se para o fazer[34]. A economia
social e as empresas que operam nesse setor encerram consideráveis
potencialidades de emprego de qualidade em domínios como a eficiência
energética e as energias renováveis, a agricultura biológica e o ecoturismo, ou
a economia circular e respetivas atividades ligadas à reutilização, à reparação
ou à reciclagem. A identificação de estratégias
eficazes de desenvolvimento para as empresas sociais ecológicas e a realização
de ações de sensibilização sobre as oportunidades possíveis poderiam suscitar a
vocação empreendedora de muitos. Segundo
estimativas recentes, 42 % das PME têm, pelo menos, um trabalhador a tempo
inteiro ou parcial a exercer atividades ecológicas — um aumento de 5 %
desde 2012 — o que corresponde a mais de 20 milhões de postos de trabalho verdes na UE.
O plano de ação verde para as PME inclui ações
destinadas a apoiar o empreendedorismo ecológico para modelos inovadores e
circulares nas empresas do futuro. A
fim de estimular a criação de postos de trabalho, a Comissão irá: — Apoiar o desenvolvimento de metodologias
de avaliação do impacto dos investimentos nas competências e no emprego, em
especial através da assistência técnica, do intercâmbio de melhores práticas,
de projetos-piloto e ações de sensibilização, a realizar em 2014 e 2015; — Continuar a acompanhar a reforma
fiscal ambiental nos Estados-Membros, no âmbito do Semestre Europeu; — Apoiar o reforço das capacidades em
matéria de contratos públicos ecológicos, através de orientações sobre a
melhor forma de as utilizar no quadro da reforma dos contratos públicos
recentemente adotada, e facilitar a criação de redes de autoridades públicos
consagradas aos contratos públicos ecológicos; — Facilitar o acesso ao financiamento
para as empresas sociais, designadamente as que operam na economia verde, e ao
microfinanciamento no âmbito do programa para o emprego e a inovação social; — Incentivar as instituições de
microcrédito a nível europeu a promoverem o intercâmbio de experiências
sobre o microfinanciamento da economia verde; — Reforçar os apoios específicos ao
abrigo do plano de ação verde para as PME, através do recurso a
financiamento a nível da UE e de redes de apoio às PME (por exemplo, a Rede
Europeia de Empresas) para melhorar as competências verdes dos seus
trabalhadores. Os Estados-Membros e as regiões são
convidados a reforçar a dimensão do emprego e das competências nos seus
programas de apoio financeiro a investimentos e tecnologias verdes, e ajudar ao
desenvolvimento, à multiplicação e à adaptação das empresas sociais ecológicas.
Os Estados-Membros são igualmente convidados a assegurar que os recursos dos
FEIE são utilizados eficazmente ao serviço da transição para a economia verde,
em consonância com a meta de 20 % dos orçamentos dedicados a medidas
relacionadas com o clima. 3.4. Melhorar a qualidade dos dados A economia verde, o crescimento verde e o emprego verde
foram objeto de diversas definições sustentadas por uma variedade de dados
estatísticos[35]. A recolha regular de estatísticas
harmonizadas permitira fundamentar a elaboração de políticas em dados concretos
e acompanhar os seus resultados, bem como antecipar os efeitos das transições
no mercado de trabalho e identificar mais facilmente as necessidades em termos
de competências. A Comissão,
juntamente com os Estados-Membros, tem vindo a desenvolver indicadores para acompanhar
os progressos em termos de crescimento verde, no contexto do Semestre Europeu[36]. Além
disso, são recolhidos dados relativos ao setor dos bens e serviços ambientais
(EGSS) a nível da UE, fornecendo assim informações europeias harmonizadas sobre
o emprego nas atividades com uma finalidade ambiental[37]. Além
disso, a Comissão está a desenvolver um modelo econométrico (FIDELIO)[38]
destinado a avaliar as repercussões das políticas ambientais e outras na
economia, no emprego e na proteção do ambiente. A nível internacional,
a 19.ª Conferência Internacional dos Estaticistas do Trabalho adotou
«orientações relativas a uma definição estatística de emprego no setor do
ambiente» para ajudar os países a desenvolverem normas e métodos estatísticos
sobre o emprego verde, a economia verde e o emprego no setor ambiental,
melhorando assim a comparabilidade a nível internacional[39]. A fim de melhorar a qualidade dos dados, a Comissão irá: - Apoiar os institutos nacionais de estatística na recolha de dados e
no desenvolvimento de uma contabilidade ambiental no sistema estatístico
europeu, através dos apoios existentes em matéria de financiamento e de
formação; — Reforçar a utilização de instrumentos de modelização quantitativa,
que permitam analisar mais detalhadamente os efeitos do mercado de trabalho aos
níveis da UE, nacional e regional; — A partir dos indicadores de emprego e ambiente elaborados pelo Comité
do Emprego, apoiar o acompanhamento das políticas no contexto da estratégia
Europa 2020. Os Estados-Membros são convidados a reduzir
os períodos transitórios na aplicação do módulo para as contas do EGSS e o
tempo necessário para a transmissão de dados. 4. Promover
o diálogo social O envolvimento dos parceiros sociais a
todos os níveis é condição fundamental para facilitar a transição para a
economia verde. Através de iniciativas
conjuntas ou separadas, os parceiros sociais a nível da UE contribuíram já para
o debate em curso na UE sobre a transição para o emprego verde, centrando-se no
princípio de uma transição justa, nas sinergias entre o pacote relativo ao
clima e à energia 2030 e a política industrial da UE e, por fim, nas
competências necessárias para os empregos verdes[40].
Uma vez que a transição para uma economia verde e eficiente na utilização que
faz dos recursos tem repercussões importantes a nível setorial, os parceiros
sociais têm um interesse direto em fazer-se ouvir, através do trabalho que
desenvolvem a nível dos comités setoriais de diálogo social da UE. A Comissão irá incentivar os
parceiros sociais europeus a desenvolver iniciativas conjuntas no contexto do
diálogo social europeu, tanto a nível interprofissional como setorial, e a ter
em conta as recomendações da Plataforma Europeia para a Eficiência na
Utilização dos Recursos (EREP), a fim de continuar a garantir uma estreita
participação dos trabalhadores em questões relacionadas com a gestão do
ambiente, a utilização de energia e recursos e os novos riscos no local de
trabalho, reforçar os direitos dos trabalhadores à informação e à consulta, e
desenvolver roteiros setoriais sobre uma utilização eficiente dos recursos. 5. Reforçar a
cooperação internacional Em
sintonia com as conclusões da Conferência da ONU sobre desenvolvimento
sustentável (Rio +20), a UE está empenhada numa transição mundial para uma economia
verde inclusiva, em colaboração com outros parceiros internacionais. Para tal,
é necessário ter em conta a dimensão social das políticas em matéria de
ambiente e alterações climáticas e as suas interligações, no contexto do quadro
de desenvolvimento pós-2015 e dos objetivos de desenvolvimento sustentável. A UE coopera estreitamente com a OIT no
que respeita aos desafios que se colocam ao emprego verde, designadamente para
garantir a dignidade destes postos de trabalho; aplicar as normas laborais, em
especial no que respeita à inspeção do trabalho e à segurança e saúde
profissionais no emprego verde; combater a economia informal nos setores
ecológicos, tais como a gestão dos resíduos; antecipar as necessidades futuras
em termos de competências e adotar políticas de formação que permitam dar
resposta à procura de competências na economia verde. A
transição para uma economia verde inclusiva foi igualmente abordada no âmbito
de diálogos bilaterais com os parceiros estratégicos da UE, como os EUA, o
Canadá e a China, e continuará a ser debatida no futuro, também com outros
países parceiros. No quadro da sua política de cooperação para o
desenvolvimento, e através da gama de programas e instrumentos que financia, a
UE irá também incentivar os países parceiros a adotar a abordagem integrada de
transição para a economia verde. A
Comissão participará na Plataforma dos Conhecimentos
do Crescimento Verde estabelecida em 2012 pelo Green Growth Institute, a
OCDE, o PNUA e o Banco Mundial. Trata-se de uma rede global de investigadores e
de peritos em desenvolvimento que identifica e aborda as principais lacunas de
conhecimento na teoria e na prática do crescimento verde . 6. Conclusão A transição para uma economia verde e eficiente em
termos da utilização de recursos é, acima de tudo, uma oportunidade para
reforçar a competitividade da Europa a nível mundial, assegurar o bem-estar das
gerações futuras e apoiar o emprego sustentável de qualidade, contribuindo,
simultaneamente, para a recuperação da recente crise económica. As políticas de
emprego e do mercado de trabalho em geral têm de apoiar mais ativamente a
criação de emprego e a adequação das necessidades de mão de obra e competências
ligadas à transição para uma economia verde e eficiente na utilização que faz
dos recursos. Para o efeito, há que definir as seguintes prioridades: -
Melhorar
a integração e a coordenação das políticas e iniciativas existentes a nível
europeu e nacional; -
Prosseguir
o desenvolvimento de estruturas de governação e de ferramentas metodológicas
para facilitar a transição para uma economia verde e eficiente na utilização
dos recursos, coordenar mais eficazmente as políticas e garantir um controlo
permanente das medidas de reforma; e estabelecer uma relação de trabalho mais
estreita e o diálogo com os parceiros sociais sobre os desafios em matéria de
emprego ligados à transição para uma economia verde; -
Reforçar
as ferramentas e as redes de informação sobre as competências existentes na
Comissão, a fim de melhor antecipar e acompanhar a evolução em setores e
profissões relacionados com o crescimento verde e com uma economia circular e
eficiente em termos da utilização dos recursos; -
Assegurar
que os programas de financiamento e as políticas da UE e dos Estados-Membros
favorecem a criação de emprego na economia verde; -
Acompanhar
os progressos relacionados com o emprego verde no contexto do Relatório
Conjunto sobre o Emprego; -
Trabalhar
no sentido de criar condições de concorrência equitativas a nível internacional
para promover o crescimento verde e inclusivo; -
A
partir das recomendações da EREP, desenvolver uma estratégia ampla de transição
para a economia verde, com incidência no emprego, nas competências e na
educação. A Comissão convida o Conselho, o Parlamento Europeu,
o Comité Económico e Social Europeu e o Comité das Regiões a apoiar a presente
iniciativa para o emprego verde e a contribuir para a procura de uma abordagem
integrada visando a sustentabilidade do crescimento e do emprego na UE. [1] COM(2009) 433 final; Ver
também COM SWD (2013) 303 final, Progress on "GDP and beyond"
actions (Ações «O PIB e mais além», progressos). [2] Ver i.a. OCDE (2011),
Towards green growth; PNUA (2011), Towards a green economy. [3] Ver também COM (2014) 15
final, Comunicação intitulada «Um quadro político para o clima e a energia no
período de 2020 a 2030»; e COM(2014) 21 final, Comunicação sobre os preços e
custos da energia na Europa. [4] COM(2014)…, Enveredar
por uma economia circular: um programa de zero resíduos para a Europa. [5] OCDE (2012), The
jobs potential of a shift towards a low carbon economy; OCDE (2012), OECD
Employment Outlook 2012, ver capítulo 4 What green growth means for
workers and labour market policies: an initial assessment; OIT (2011), Skills
for green jobs, a global view. [6] A orientação para o
emprego n.º 7 sublinha que os Estados-Membros devem promover a criação de
emprego em todos os domínios, designadamente o emprego verde. [7] COM (2013) 800 final. [8] Relatório Conjunto sobre
o Emprego, COM(2013) 801 final. Ver também CE (2013), Promoting green jobs
throughout the crisis: a handbook of best practices in Europe, análise do
OEE. O
manual identifica estratégias nacionais e/ou regionais ou medidas políticas
isoladas para a promoção do emprego nos setores verdes. [9] JO L 354 de 28.12.2013. [10] http://ec.europa.eu/environment/resource_efficiency/documents/erep_manifesto_and_policy_recommendations_31-03-2014.pdf. [11] Cambridge Econometrics,
GHK and the Warwick Institute for Employment Research (2011), Studies on
sustainability issues — Green jobs; trade and labour (estudo realizado para
a DG EMPL. [12] Dados do Eurostat sobre
o setor dos bens e serviços ambientais. [13] Ecorys, Acteon (2014), Potential
for sustainable growth in the water industry sector in the EU and the marine
sector – Input to the European Semester". [14] Bio Intelligence
Service (2011), Estimating the economic value of the benefits provided by
the tourism/recreation and employment supported by Natura 2000. [15] Bio Intelligence
Service (2012), Implementing EU waste legislation for green growth. [16] Impact Assessment for
2014 Waste Review – Documento de trabalho dos serviços da Comissão [17] Bio Intelligence
Service (2012), Implementing EU waste legislation for green growth. [18] Ver Cambridge
Econometrics, and al. (2013), Employment effects of selected
scenarios from the Energy roadmap 2050, Final report for the EC (DG
Energy), http://ec.europa.eu/energy/observatory/studies/doc/2013_report_employment_effects_roadmap_2050.pdf [19] COM, BUILD UP Skills
(2013), Preliminary findings from Member States Roadmaps. [20] http://www.energies-renouvelables.org/observ-er/stat_baro/barobilan/barobilan13-gb.pdf [21] Ver
http://ec.europa.eu/clima/policies/ets/cap/leakage/index_en.htm [22] http://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---ed_dialogue/---sector/documents/publication/wcms_226385.pdf [23] Ver, por exemplo, Ecorys
(2010), Programmes to promote environmental skills. [24] OCDE (2012); OIT
(2012); Cambridge Econometrics, and al. (2011), Studies on
sustainability issues — Green jobs; trade and labour. [25] CEDEFOP (2012), Green
skills and environmental awareness in vocational education and training. [26] DG EMPL (2013),
Diálogo entre SPE, Public employment services and green jobs. [27] COM (2014)...,
Comunicação da Comissão sobre «Um Plano de Ação Verde para as PME». [28] Por exemplo, o Sistema
de Ecogestão e Auditoria (EMAS) da UE ou a norma ISO 14001. [29] COM(2013) 882 final. [30] COM(2014) 332 final, Comunicação
relativa a um quadro estratégico da UE para a saúde e segurança no trabalho
2014-2020; ver também o documento da Agência Europeia para a Segurança e a
Saúde no Trabalho (2013) intitulado Green jobs and occupational safety and
health. [31] DG EMPL (2013),
Diálogo entre SPE, Public employment services and green jobs. [32] Regulamento (CE) n.º
1296/2013, de 11 de dezembro de 2013. [33] CE (2013), Tax
reforms in EU Member States 2013. Tax policy challenges for economic
growth and fiscal sustainability (Reformas fiscais nos Estados-Membros da UE,
2013. Desafios da política fiscal para o crescimento económica e a viabilidade
fiscal). [34] European
Microfinance Network (EMN) (2013), European Green Microfinance. A first look. [35] Ver Plataforma dos
Conhecimentos do Crescimento Verde (GGGI, OCDE, PNUA, Banco Mundial) (2013), Moving
towards a common approach on green growth indicators. [36] Ver
igualmente o documento do Comité do Emprego(2010), Towards a greener labour
market - The employment dimension of tackling environmental challenges
(relatório final), que identifica indicadores em seis áreas: emprego verde,
competências verdes, locais de trabalho verdes, transição para a economia
verde, mercados de trabalho verdes e crescimento verde. [37] Regulamento (UE)
n.º 538/2014, de 16 de abril de 2014, que altera o Regulamento (UE)
n.º 691/2011 relativo às contas económicas europeias do ambiente. [38] FIDELIO 1: Fully
Interregional Dynamic Econometric Long-term Input-Output Model for the EU27, CCI
2013. [39] http://www.ilo.org/global/statistics-and-databases/standards-and-guidelines/guidelines-adopted-by-international-conferences-of-labour-statisticians/WCMS_230736/lang--en/index.htm. [40] Ver, por exemplo,
CES, BUSINESSEUROPE, CEEP e UEAPME (2014), Skills needs in greening
economies.