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Document 52013DC0403
REPORT FROM THE COMMISSION TO THE EUROPEAN PARLIAMENT, THE COUNCIL, THE EUROPEAN ECONOMIC AND SOCIAL COMMITTEE AND THE COMMITTEE OF THE REGIONS ON THE EU SUPPORT FOR DEMOCRATIC GOVERNANCE, WITH A FOCUS ON THE GOVERNANCE INITIATIVE
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES SOBRE O APOIO DA UE À GOVERNAÇÃO DEMOCRÁTICA ESPECIALMENTE CENTRADO NA INICIATIVA EM MATÉRIA DE GOVERNAÇÃO
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES SOBRE O APOIO DA UE À GOVERNAÇÃO DEMOCRÁTICA ESPECIALMENTE CENTRADO NA INICIATIVA EM MATÉRIA DE GOVERNAÇÃO
/* COM/2013/0403 final */
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES SOBRE O APOIO DA UE À GOVERNAÇÃO DEMOCRÁTICA ESPECIALMENTE CENTRADO NA INICIATIVA EM MATÉRIA DE GOVERNAÇÃO /* COM/2013/0403 final */
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO
EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS
REGIÕES SOBRE O APOIO DA UE À GOVERNAÇÃO DEMOCRÁTICA
ESPECIALMENTE CENTRADO NA INICIATIVA EM MATÉRIA DE GOVERNAÇÃO 1. Introdução Nas suas conclusões de 18 de maio de 2009 (Apoio
à governação democrática: para um quadro reforçado da UE) o Conselho solicitava
à Comissão Europeia que apresentasse «um relatório global sobre a implementação
das Conclusões do Conselho de Outubro de 2006, centrado no apoio da UE, gerido
pela Comissão, à governação democrática em todas as regiões, incluindo a
Iniciativa em matéria de Governação e a Facilidade em favor da Governação». O presente
relatório apresenta alguns dos principais documentos de política relevantes
para a governação e faz o balanço da Iniciativa em matéria de Governação (IG)
para os países de África, das Caraíbas e do Pacífico (países ACP), e da
Facilidade em favor da Governação para os países abrangidos pela Política
Europeia de Vizinhança. Em seguida, extrai lições da execução dos instrumentos
geográficos e temáticos, através dos quais a UE apoia a governação democrática.
O presente relatório não abrange a assistência aos países da zona do
alargamento, onde é dada ainda mais ênfase à necessidade de assegurar uma boa
governação no quadro dos critérios políticos de adesão. 2. desenvolvimentos políticos
recentes Assistiu-se a uma
evolução estratégica na política de desenvolvimento da UE, na via de uma maior
condicionalidade a nível dos direitos humanos, da democracia e do Estado de
direito, do papel da sociedade civil e de outros elementos constitutivos da boa
governação. Em resposta a um
contexto de vizinhança da UE em mutação, foram elaboradas duas comunicações
conjuntas[1]
da Comissão Europeia e da Alta Representante da União para os Negócios
Estrangeiros e a Política de Segurança. A nova abordagem assenta na
responsabilização mútua e num empenhamento comum em respeitar os valores
universais, os direitos humanos, a democracia e o Estado de direito. No essencial,
o princípio de «mais por mais» prevê uma diferenciação em função dos resultados
da reforma, o que constitui uma alteração substancial nas relações da UE com os
países que se empenhem na realização de reformas mensuráveis. A recente
Comunicação da Comissão «Aumentar o impacto da política de desenvolvimento
da UE: uma Agenda para a Mudança[2]»
reconhece que a boa governação é um dos dois[3]
principais domínios prioritários da política de desenvolvimento da UE,
juntamente com os direitos humanos, a democracia e a igualdade entre homens e
mulheres. O apoio da UE à governação deverá assumir um papel mais proeminente
em todas as parcerias da União Europeia. A Agenda para a Mudança sublinha a
necessidade de conceder incentivos às reformas em matéria de governação e
orientadas para os resultados e de apoiar intervenções que reforcem processos e
intervenientes a nível local, setorial e nacional. O apoio orçamental
geral da UE também está associado à situação da governação e do diálogo
político com os países parceiros[4].
Na sua Comunicação sobre A futura abordagem do apoio orçamental da UE a
países terceiros, a Comissão sublinhou que assegurará que «o apoio
orçamental da UE seja coerente com os grandes princípios e objetivos da ação
externa da União Europeia (artigo 21.º do TUE) e da política de
desenvolvimento (artigo 208.º do TFUE)»[5].
Além disso, o apoio orçamental como um instrumento da política de
desenvolvimento da UE basear-se-á na avaliação do desempenho e na responsabilização
mútua. Por outro lado, a recente comunicação conjunta
sobre o apoio da UE à mudança sustentável nas sociedades em transição[6] apresenta um conjunto de
medidas concretas para melhorar as modalidades de apoio da UE às democracias
emergentes para que implantem reformas duradouras. Extrai
ensinamentos da experiência da UE no apoio aos processos de transformação
democrática e salienta a importância de uma resposta adaptada às necessidades
dos países parceiros. A comunicação propõe igualmente melhorar a partilha dos
conhecimentos e da experiência da UE, bem como dos seus Estados-Membros. Além disso, a recente Comunicação sobre As
raízes da democracia e do desenvolvimento sustentável: o compromisso da Europa
com a sociedade civil no domínio das relações externas[7] visa rever a nossa parceria com
as organizações da sociedade civil, com base nos resultados do Diálogo
estruturado a nível mundial sobre a participação das organizações da
sociedade civil (OSC) e autoridades locais na cooperação para o desenvolvimento
da UE[8]
(2010-2011). A
comunicação propõe uma abordagem reforçada e mais estratégica no âmbito do
relacionamento da UE com as OSC locais, a nível mundial, tendo devidamente em
conta as especificidades de cada país. Esse relacionamento
estratégico com as OSC será integrado em todos os instrumentos e programas, com
destaque para o reforço do papel das OSC na governação democrática e na responsabilização. 3. A iniciativa em matéria de governação
para os países ACP 3.1. Fundamentação e execução Em 2006, a
Comissão Europeia propôs a Iniciativa em matéria de Governação (IG) para os
países ACP[9]. A sua principal
componente consistia num mecanismo de incentivos que oferecia aos parceiros ACP
financiamento adicional, em função do seu empenhamento na governação
democrática. Foi reservado um montante total de 2,7 mil milhões de euros
provenientes do 10.º Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) para a «Parcela de
incentivo à boa governação». Estes fundos foram integrados no ciclo de
programação do FED para os países em questão, bem como nos respetivos programas
indicativos nacionais (PIN). A iniciativa assentava nos seguintes
princípios de base: ·
Apropriação em vez da imposição de condições; ·
Diálogo em vez de sanções; ·
Identificação das reformas e medidas de apoio mais
adequadas em vez da classificação em bons e maus desempenhos; ·
Participação das partes interessadas locais; ·
Adaptação do apoio à governação consoante a
situação de cada país, nomeadamente no caso dos Estados frágeis. A outra componente
da IG consistia na continuação do apoio político e financeiro ao Mecanismo
Africano de Avaliação pelos Pares (MAAP), um sistema de autocontrolo criado
pelos Estados-Membros da União Africana para promover normas de governação
rigorosas. A Comunicação de 2006 sobre Governação no quadro do Consenso Europeu
sobre a política de desenvolvimento[10]
considerou as iniciativas continentais e regionais como indícios de que a
governação está a ser levada a sério e que era chegado o momento de apoiar o
continente africano a avançar com as suas próprias iniciativas. O processo da IG
passou por várias etapas. Em primeiro lugar, foi traçado um perfil de
governação, partilhado, sempre que pertinente, com os países parceiros. O
perfil apresentava uma panorâmica da governação em nove áreas, com base nas
questões quantitativas e qualitativas. Depois disso, os governos dos países
parceiros foram convidados a apresentar um plano de ação para a governação
(PAG), detalhando as iniciativas em curso e as previstas, destinadas a abordar
as prioridades identificadas no perfil de governação. O PAG foi objeto de uma
avaliação qualitativa pela Comissão assente em três critérios: pertinência,
ambição e credibilidade. Esta avaliação constituiu a base para a atribuição de
fundos suplementares ao PIN do país em questão. Por último, o PAG foi anexado
ao Documento de Estratégia por País. No total, foram atribuídos cerca de 2,3
mil milhões de EUR a 70 países ACP no período de 2007-2009. O apoio ao
Mecanismo Africano de Avaliação pelos Pares (MAAP), a segunda componente da IG,
traduziu-se numa contribuição de 2 milhões de EUR ao Fundo fiduciário do
MAAP gerido pelo PNUD. Em dezembro de 2008, a Comissão e o PNUD assinaram um
acordo de contribuição para o efeito. Registaram-se algumas melhorias,
nomeadamente o aumento do número de países participantes, a revisão do questionário
e uma melhor capacidade dos países africanos para avançarem com a execução do
MAAP. No entanto, a capacidade de absorção do Fundo Fiduciário continua fraca.
O acordo de contribuição foi prorrogado duas vezes e chegou ao seu termo em
dezembro de 2012. 3.2. Acompanhamento da Iniciativa em
matéria de Governação 3.2.1. Análise da Iniciativa em
matéria de Governação de 2009 A primeira análise, que circulou em 2009 como
documento de trabalho dos serviços da Comissão intitulado «Supporting
democratic governance through the Governance Initiative — A review and way
forward»[11],
referia que a IG tinha lançado as bases para que a maioria dos países
assumissem o compromisso de empreender reformas da governação. A IG foi
considerada coerente com o apoio global da UE à governação democrática e com
potencial para promover as devidas reformas pelos países parceiros e facilitar
o diálogo político. O documento também indicava que a IG tinha contribuído para
«transformar progressivamente a governação em domínio prioritário [nos DEP do
10.º FED] e melhorar a compreensão da utilização, pelo pessoal da UE, do
diagnóstico de governação no exercício de programação tanto no terreno como nos
serviços centrais»[12]. As principais
deficiências da IG apontadas pela avaliação de 2009 foram as seguintes: em
muitos casos, o seu calendário apertado não permitiu uma execução correta e
integral, não possibilitou um maior nível de apropriação pelos países ACP, nem
permitiu a consulta dos parlamentos nacionais e da sociedade civil. Além disso,
não previu de forma adequada o desenvolvimento de uma metodologia para
acompanhar os progressos. Por seu turno, o incentivo financeiro manteve-se
«modesto» e o processo de atribuição foi criticado por muitas partes
interessadas pela sua «falta de transparência» e por «conduzir a um processo
puramente político». A análise revelou que, não obstante as expectativas, as
ferramentas da IG «ainda não conduziram à melhoria da coordenação entre os doadores,
da ação comum, do acompanhamento e do diálogo conjuntos». Incidindo nas
deficiências identificadas, o documento de trabalho de 2009 dos serviços da
Comissão propôs uma série de «próximas etapas», a fim de melhorar a aplicação
da IG e que incluíam a atualização dos instrumentos de execução, um
acompanhamento mais eficaz e um diálogo político reforçado. 3.2.2. Análise intercalar do 10.º FED Na análise
intercalar do 10.º FED, em 2010, a governação foi uma das quatro áreas
apreciadas, com base em duas questões: ·
Em que medida foi aplicado o plano de ação para a
governação e se a situação da governação melhorou desde a adoção do DEP? ·
Com base no perfil de governação (oportunamente
atualizado), em que medida melhorou a situação da governação? A avaliação da
execução dos planos de ação para a governação (PAG) foi muito positiva, não
obstante a sua introdução numa fase posterior e o curto período de referência. A
maioria das delegações da UE considerou que os PAG tinham sido executados «mais
ou menos de acordo com o previsto». Todavia, existem também casos em que a execução
foi atrasada, com o consequente impacto negativo na situação da governação.
Registou-se uma correlação positiva entre a qualidade do PAG e a sua implementação.
Foi identificado um conjunto de motivos que explicam a implementação
insatisfatória dos PAG, incluindo a falta de apropriação, a existência de
outras estratégias nacionais de governação, atraso na assinatura do DEP, que
retardou o processo de implementação, e a falta de ações, indicadores,
calendários e meios de verificação específicos. Estas limitações inseriam-se na
linha das conclusões do documento de trabalho de 2009. 3.2.3. Estudo de 2011 sobre a Iniciativa
em matéria de Governação No final de 2010, a Comissão encomendou um
estudo independente[13]
para avaliar a IG e formular recomendações para o futuro. O estudo centrou-se
nos seguintes aspetos: –
O processo seguido na atribuição aos parceiros ACP
das parcelas de incentivo à boa governação, no quadro do 10.º FED, incluindo a
sua metodologia, coordenação e trabalho conjunto com os Estados-Membros da UE; –
A influência real e potencial do processo de
atribuição das parcelas de incentivo à governação no diálogo político com os
países parceiros e na dinâmica interna e nos debates sobre a governação dos
países parceiros; –
A importância global dos instrumentos utilizadas no
processo e a integração da governação nas estratégias de cooperação. Os elementos
disponíveis revelam que muitas partes interessadas acolheram favoravelmente a
IG na sua fase inicial. Tratava‑se de uma abordagem nova, mais
proeminente e sofisticada de apoio à governação, que refletia uma convicção
cada vez mais partilhada de que a governação é essencial para o
desenvolvimento. A IG foi considerada uma novidade com potencial para
uma maior harmonização da análise da governação da UE através do perfil de
governação e suscetível de reforçar a importância atribuída à governação no
quadro do processo de programação e de consolidar o diálogo político com os
parceiros. No entanto, ao
longo de todo o processo, a IG deparou-se com uma série de obstáculos que
reduziram a sua influência nos países parceiros: ·
Apropriação limitada do processo da IG. Em muitos casos, o calendário apertado não permitiu a correta aplicação
de todos os aspetos do método de atribuição, o que não assegurou um nível
elevado de apropriação pelos países ACP nem permitiu, em todos os casos, a
consulta dos principais intervenientes. ·
Insuficiente harmonização entre a IG e os
processos e planos de governação já existentes num
dado país. Daí resultou que, em muitos casos, a IG fosse encarada como um
instrumento «isolado» que não estava bem integrado nos outros programas de
governação da UE ou de outros doadores. ·
Rigidez dos instrumentos. Muitas partes interessadas que participaram na análise referiram que a
IG oferecia um quadro bastante estático para abordar a problemática da
governação. Não dispunha da flexibilidade necessária para fazer face à natureza
dinâmica dos processos de governação, especialmente em situações de fragilidade
ou no caso de uma deterioração súbita da governação. Além disso, as ferramentas
não se adequavam corretamente à dinâmica da governação em cada país ou ao tempo
necessário para empreender uma «abordagem qualitativa». A atualização dos PAG
só foi debatida na revisão intercalar, o que não permitiu reagir a situações em
evolução. ·
Houve limitações de capacidade política e
institucional de ambas as partes que não permitiram uma gestão profissional e
coerente de um instrumento politicamente sensível e inovador como a IG. ·
Influência limitada do incentivo exclusivamente
financeiro. É importante sublinhar a ineficácia
revelada por um regime baseado em incentivos ligados apenas a financiamento
(limitado) e não acompanhado de políticas complementares e diálogo político.
Outras modalidades, tais como o apoio orçamental, são consideradas mais
atraentes. ·
Insuficiente harmonização no âmbito da UE. A IG ofereceu uma janela de oportunidade para um trabalho mais coeso a
nível da UE sobre a governação. Contudo, embora o perfil de governação tenha
proporcionado uma boa panorâmica da situação, não se transformou num documento
de referência, tal como incentivado pelas conclusões do Conselho de 2009, em
parte devido à existência de avaliações de outros doadores sobre a governação,
incluindo as realizadas pelos Estados-Membros da UE. Dentro da própria UE,
existe uma grande diversidade de abordagens, instrumentos e ferramentas de
avaliação. Esta falta de harmonização não foi favorável à eficácia da IG no
terreno. 4. Facilidade em favor da Governação Como anunciado na Comunicação de dezembro de
2006 sobre o Reforço da política europeia de vizinhança[14], foi criado em 2007 uma Facilidade
em favor da Governação a favor da região abrangida por esta política. A
Comissão planeara consagrar a este mecanismo um montante de 300 milhões de
EUR ao longo do período 2007-2013, para além das dotações nacionais já
programadas para os parceiros no âmbito da Política Europeia de Vizinhança
(PEV). Entre 2007 e 2009,
a Facilidade em favor da Governação atribuiu um apoio financeiro suplementar
limitado a alguns países parceiros abrangidos pela PEV, com base numa avaliação
dos progressos realizados na aplicação dos aspetos de governação - definidos no
sentido lato - dos Planos de Ação no âmbito da PEV, com particular destaque
para domínios como a democracia, os direitos humanos, as liberdades
fundamentais e o Estado de direito. Os resultados da
revisão da PEV realizada ao longo de 2010 e 2011, bem como os acontecimentos da
Primavera Árabe, obrigaram a adotar uma nova abordagem para reforçar a parceria
entre a UE e os seus vizinhos. A Comunicação «Uma nova estratégia para uma
vizinhança em mutação» estabelece uma abordagem mais diferenciada, não só
em termos de financiamento, como foi o caso ao abrigo da Facilidade em favor da
Governação, mas também no sentido em que abrange todo o espetro de incentivos
propostos pela UE, incluindo um acesso mais amplo ao mercado e uma maior
mobilidade. Como já foi
referido, os regimes de incentivo ligados apenas ao financiamento, sem um
reforço do diálogo político e estratégico, como a uma Facilidade em favor da
Governação, provaram ser ineficazes. Refletindo esta
nova abordagem de uma política baseada em incentivos, foram criados em 2011 os
programas abrangentes de apoio à parceria, às reformas e ao crescimento
inclusivo (Support for Partnership, Reform and Inclusive Growth,
SPRING), a favor dos países vizinhos meridionais, e o Programa de Integração e
Cooperação no âmbito da Parceria Oriental (EaPIC), a favor dos países vizinhos
da Europa Oriental, a fim de canalizar uma parte considerável do financiamento
adicional da UE, a par de ofertas de políticas complementares. Em conformidade
com a Comunicação sobre a revisão da PEV, é utilizada uma série de padrões de
referência para avaliar se um país está genuinamente empenhado no processo de
democratização e se pode ter expectativas de vir a beneficiar de financiamento
adicional: a realização de eleições democráticas e credíveis, a liberdade de
associação, de expressão e de reunião, a existência de liberdade de imprensa e
dos meios de comunicação social, o Estado de direito, a luta contra a
corrupção, a reforma do setor da segurança e da aplicação da lei e o respeito
dos direitos humanos. 5. Balanço do anterior apoio da
UE à governação democrática A governação democrática é apoiada por instrumentos
geográficos como o Fundo Europeu de Desenvolvimento, o Instrumento de
Cooperação para o Desenvolvimento e o Instrumento Europeu de Vizinhança e
Parceria, bem como programas temáticos financiados pelo Instrumento Europeu
para a Democracia e os Direitos Humanos e o Instrumento de Estabilidade. Para
além da abordagem baseada em programas, a governação democrática é também
apoiada por intervenções específicas em domínios essenciais de
governação e pela integração da governação noutros domínios de cooperação. Os ensinamentos
adquiridos com a experiência anterior em termos de assistência da UE no domínio
da governação democrática incluem o seguinte: ·
O apoio à governação democrática deve estar
integrado nas realidades locais. A reforma da
governação é um processo gradual que implica a transformação de uma sociedade.
Por conseguinte, o conhecimento do contexto local é essencial na conceção
de intervenções nestes domínios. Para as situações de fragilidade, a UE assumiu
o compromisso de respeitar os princípios da OCDE relativos ao envolvimento
internacional em Estados frágeis e em situação de fragilidade, que colocam
a tónica na promoção de relações mais estreitas com os países beneficiários que
enfrentam problemas de má governação e de conflito. Como a experiência do perfil
de governação e os Planos de Ação em matéria de Governação sugerem, a compreensão
da dinâmica local e a adaptação às situações específicas ao país é essencial
para intervenções com êxito na área da governação democrática. Quanto ao
contexto nacional, as novas orientações em matéria de gestão do ciclo dos
projetos e dos programas (PPCM) exigem uma análise sistemática do contexto.
A análise de economia política (PEA) é um dos instrumentos que pode ser
utilizado para compreender melhor o modo como interagem os processos políticos
e económicos e como os interesses e incentivos induzem o comportamento dos
diversos intervenientes ao longo do tempo. ·
O papel das iniciativas regionais ou
continentais em matéria de governação, como o Mecanismo Africano de
Avaliação pelos Pares (MAAP), pode ser estudado do ponto de vista do reforço da
apropriação. Os processos a nível regional permitem aos países definir eles
mesmos as prioridades e reforçar a responsabilidade nacional. Por exemplo, a Parceria
África-UE em matéria de Governação Democrática e Direitos Humanos oferece
um fórum para a formulação de agendas comuns e recomendações em matéria de
governação. Ao mesmo tempo que presta especial atenção ao princípio da
apropriação, é possível partilhar experiência com instituições parceiras
africanas a fim de desenvolver conjuntamente novas estratégias centradas nas
principais prioridades da Arquitetura da Governação Africana, incluindo a
melhoria do processo MAAP. ·
A colaboração com a sociedade civil é
essencial para construir processos democráticos e sistemas de responsabilização
mais fortes, e para conseguir melhores resultados em termos de desenvolvimento[15]. Implica a intensificação dos
esforços para promover um ambiente favorável às organizações da sociedade civil
(OSC) nos países parceiros: promoção da participação construtiva e estruturada
das OSC nas políticas nacionais dos países parceiros, no ciclo de programação
da UE e nos processos internacionais, e aumento da capacidade das OSC locais
para desempenharem eficazmente o seu papel enquanto atores independentes do
desenvolvimento. ·
O desenvolvimento e reforço das capacidades
locais existentes contribui para promover instituições
eficazes e melhorar a capacidade do Governo para conceber e aplicar políticas
com a participação ativa de todas as partes nacionais interessadas e para
prestar serviços aos beneficiários finais. As novas formas de apoio à
governação democrática, incluindo instrumentos informáticos inovadores, podem
ter um impacto significativo na participação e nos fluxos de informação quando
a par de uma abordagem estratégica do desenvolvimento de capacidades. A
participação da Comissão no Fórum de Alto Nível de Busan sobre a Eficácia das
Instituições pode também, por sua parte, aumentar a eficácia do apoio da UE no
domínio da governação democrática. ·
Repensar os incentivos e a condicionalidade. Diversos
quadros da UE em matéria de política externa, como a política de alargamento, a
PEV e o Acordo de Cotonu com os países ACP propõem incentivos diferentes e aplicam
uma condicionalidade variável no que respeita à natureza e extensão das
reformas empreendidas. A experiência passada nestes domínios sugere que a
condicionalidade e uma abordagem centrada nos incentivos funcionam melhor
quando é necessária uma massa crítica de financiamento para gerar resultados
relevantes, quando as dotações estão ligadas a objetivos com indicadores e
padrões de referência claros, acompanhados de um diálogo político e estratégico
coerente. Este tipo de abordagem é salientada, por exemplo, na Comunicação
conjunta de 2012 Parceria Oriental: um roteiro para a Cimeira do
outono de 2013[16]
e nos documentos que a acompanham. A experiência obtida no quadro da IG mostra
também que os mecanismos de incentivo deveriam ter por base uma diferenciação
clara, realizações efetivas e um controlo regular do desempenho. Esse controlo
é fundamental para apoiar a reforma, na medida em que pode contribuir para
incentivar os países parceiros a acelerar as reformas. O impacto do controlo
pode ser ainda aumentado através da associação ao processo de múltiplas partes
interessadas, reconhecendo em especial a importância do papel da sociedade
civil, e de maior transparência na atuação das autoridades. ·
Num domínio como a governação, os resultados — em
termos da alteração das normas e práticas de gestão dos assuntos públicos — não
estão, por definição, sujeitos a uma lógica linear nem são alcançados
rapidamente. Por conseguinte, um sistema de avaliação de desempenho
orientada para os resultados, com base em indicadores, desempenha um papel
importante. A seleção dos indicadores mais adequados e a definição de quem deve
avaliar o desempenho são alguns dos ensinamentos retirados do IG. Além disso,
há um número crescente de indicadores e avaliações do desempenho em matéria de
governação que podem ser explorados enquanto são repensadas as abordagens para
sistemas de cooperação baseados nos resultados. Para os Estados frágeis, estão
em curso trabalhos para desenvolver conjuntos de indicadores especialmente
relevantes no quadro do Diálogo Internacional sobre a Consolidação da Paz e o
Reforço do Estado. ·
Flexibilidade. A
melhoria do desempenho está também ligada à questão da falta de flexibilidade
dos instrumentos. Nos países afetados por crises, a Comissão tem a
possibilidade de adotar uma «declaração de crise», que permite a utilização de
procedimentos mais flexíveis para a execução da cooperação para o
desenvolvimento. Até à data, vários países ACP beneficiaram deste procedimento. ·
Reforço da harmonização no âmbito da UE. Com base no Consenso Europeu para o Desenvolvimento, a IG devia contribuir
para a harmonização e um trabalho cada vez mais conjunto no domínio da
governação a nível da UE. O perfil de governação, por exemplo, foi considerado
por muitos utilizadores um instrumento útil para a análise conjunta da situação
da governação no terreno. O Tratado de Lisboa prevê mais possibilidades de
trabalho conjunto a nível da UE e dos Estados‑Membros, tanto na avaliação
da situação de um país como na conceção do apoio. A análise e a programação
conjuntas, previstas na Agenda para a Mudança, paralelamente ao papel
fundamental desempenhado pelas Delegações da UE na condução do diálogo político
e estratégico no terreno, podem também promover esta harmonização a nível da UE. 6. Conclusão O apoio à
governação democrática continua a ser uma grande prioridade da UE na cooperação
para o desenvolvimento. A nova abordagem para o apoio orçamental constitui um
sinal político importante neste contexto, já que visa reforçar a parceria
contratual sobre o apoio orçamental da UE entre a União e os países parceiros,
a fim de construir e consolidar democracias, prosseguir o crescimento económico
sustentável e erradicar a pobreza. Esta abordagem baseia-se na
responsabilização mútua e no empenhamento conjunto no respeito dos valores
fundamentais dos direitos humanos, da democracia e do Estado de direito, e
exige uma estreita coordenação entre os serviços da Comissão, o SEAE e os
Estados-Membros, tendo nomeadamente em vista um diálogo político e estratégico
reforçado e coerente que deveria estar estreitamente associado a qualquer
regime de incentivos ou a qualquer financiamento de reformas da governação em
países parceiros. A promoção da
apropriação é essencial para apoiar a governação democrática. A apropriação
pelos países apela para a participação de todos os intervenientes nacionais
relevantes na definição do percurso de desenvolvimento e das modalidades
necessárias em matéria de governação. A importância da apropriação foi
sublinhada na Declaração de Busan, que apela à aplicação de estratégias
adaptadas às necessidades específicas de cada país. A vontade política das
autoridades nos países parceiros a todos os níveis e o seu genuíno empenho em
reformar continuam a ser uma condição prévia para o êxito da reforma, sobretudo
em áreas sensíveis como a governação democrática. Além disso, trabalhar de forma mais
estratégica com as OSC é fundamental em todos os setores e temas. Em
conformidade com a nova abordagem em relação à sociedade civil, as organizações
da sociedade civil são atualmente reconhecidas como intervenientes de pleno
direito na governação no plano nacional, regional e mundial. A nível de cada
país, as OSC locais e o seu papel no processo de decisão política e na
responsabilização constituem o cerne da nova abordagem. Assegurar a
compatibilidade e a relação estratégica com a sociedade civil a nível nacional
é facilitado se as Delegações da UE e os Estados-Membros desenvolverem
progressivamente roteiros para garantir, com especial ênfase o reforço do papel
da sociedade civil na governação democrática. Por último, a
Comissão, o SEAE e os Estados-Membros podem tirar partido da riqueza de
experiências acumuladas pela UE em matéria de transição democrática. Para o
efeito, seria também útil aplicar as ideias contidas na recente Comunicação
sobre o apoio da UE às mudanças sustentáveis nas sociedades em transição. [1] «Uma
Parceria para a Democracia e a Prosperidade Partilhada com o sul do
Mediterrâneo», COM(2011) 200 e
«Uma nova estratégia para uma vizinhança em mutação»,
COM(2011) 303. [2] COM(2011) 637, aprovado pelo Conselho em 14 de maio de 2012. [3] Um crescimento inclusivo e sustentável é a outra
prioridade. [4] «Futura abordagem do apoio orçamental da UE a países
terceiros», COM(2011) 638. [5] Idem, p. 2. [6] JOIN(2012) 27, publicado em 3 de outubro de 2012. [7] COM(2012) 492 final. [8] Diálogo
estruturado:
http://ec.europa.eu/europeaid/who/partners/civil-society/structured-dialogue_en.htm. [9] A governação no quadro do Consenso Europeu sobre a
política de desenvolvimento - Rumo a uma abordagem harmonizada na União
Europeia, COM(2006) 421. [10] COM(2006) 421 final. [11] SEC(2009) 58 final, 19.1.2009. [12] Idem. [13] Comissão Europeia, «Support Study on the EU
Governance Initiative in view of the preparation of a Report by the Commission
to the Council in 2012 — Annexes to the Final Report», dezembro de 2011,
p. 4. [14] COM(2006) 726, de 4 de dezembro de 2006. [15] COM(2012) 492 final. [16] JOIN(2012) 13 final.