ISSN 1977-0774

Jornal Oficial

da União Europeia

L 232

European flag  

Edição em língua portuguesa

Legislação

58.° ano
4 de setembro de 2015


Índice

 

II   Atos não legislativos

Página

 

 

DECISÕES

 

*

Decisão (UE) 2015/1469 da Comissão, de 23 de julho de 2014, relativa ao auxílio estatal SA.30743 (2012/C) (ex N 138/10) — Alemanha Financiamento de projetos de infraestruturas no aeroporto de Leipzig/Halle (2) [notificada com o número C(2014) 5071]  ( 1 )

1

 

*

Decisão (UE) 2015/1470 da Comissão, de 30 de março de 2015, relativa ao auxílio estatal SA.38517 (2014/C) (ex 2014/NN) aplicado pela Roménia — Sentença arbitral Micula contra Roménia, de 11 de dezembro de 2013 [notificada com o número C(2015) 2112]  ( 1 )

43

 


 

(1)   Texto relevante para efeitos do EEE

PT

Os actos cujos títulos são impressos em tipo fino são actos de gestão corrente adoptados no âmbito da política agrícola e que têm, em geral, um período de validade limitado.

Os actos cujos títulos são impressos em tipo negro e precedidos de um asterisco são todos os restantes.


II Atos não legislativos

DECISÕES

4.9.2015   

PT

Jornal Oficial da União Europeia

L 232/1


DECISÃO (UE) 2015/1469 DA COMISSÃO

de 23 de julho de 2014

relativa ao auxílio estatal SA.30743 (2012/C) (ex N 138/10) — Alemanha Financiamento de projetos de infraestruturas no aeroporto de Leipzig/Halle (2)

[notificada com o número C(2014) 5071]

(Apenas faz fé o texto na língua inglesa)

(Texto relevante para efeitos do EEE)

A COMISSÃO EUROPEIA,

Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, nomeadamente o artigo 108.o, n.o 2, primeiro parágrafo (1),

Tendo em conta o Acordo sobre o Espaço Económico Europeu, nomeadamente o artigo 62.o, n.o 1, alínea a),

Tendo dado oportunidade às partes interessadas de apresentarem as suas observações em conformidade com a(s) disposição(ões) supracitada(s) (2),

Considerando o seguinte:

1.   PROCEDIMENTO

(1)

Por carta de 12 de abril de 2010, por razões relacionadas com a segurança jurídica, a Alemanha notificou à Comissão as injeções de capital planeadas na Mitteldeutsche Flughafen AG (a seguir designada por «MFAG») e na Flughafen Leipzig/Halle GmbH (a seguir designada por «FLH»). A Alemanha informou igualmente a Comissão de que as injeções de capital notificadas estão sujeitas à sua aprovação. Entretanto, o financiamento do projeto será efetuado através de empréstimos de acionistas, alegadamente concedidos em condições de mercado.

(2)

Por cartas de 10 de junho de 2010, 26 de novembro de 2010 e 3 de março de 2011, a Comissão solicitou informações complementares sobre as medidas notificadas (incluindo sobre as condições dos empréstimos de acionistas). Em 29 de setembro de 2010, 4 de janeiro de 2011 e 26 de abril de 2011, a Alemanha apresentou informações adicionais.

(3)

Por carta de 15 de junho de 2011, a Comissão informou a Alemanha da sua decisão de dar início ao procedimento previsto no artigo 108.o, n.o 2, do TFUE («decisão de início do procedimento») relativamente aos empréstimos de acionistas e às injeções de capital a favor da FLG. A Alemanha apresentou as suas observações sobre a decisão de início do procedimento no dia 15 de agosto de 2011.

(4)

A decisão da Comissão de dar início ao procedimento foi publicada no Jornal Oficial da União Europeia  (3). A Comissão convidou as partes interessadas a apresentarem as suas observações sobre a medida em causa, no prazo de um mês a contar da data de publicação.

(5)

A Comissão recebeu observações sobre este assunto de 34 partes interessadas. Transmitiu essas observações à Alemanha em 21 de novembro de 2011. A Alemanha teve oportunidade de se pronunciar sobre essas observações no prazo de um mês. A Comissão recebeu as observações da Alemanha em 20 de dezembro de 2011.

(6)

Em 14 de março de 2012, a Comissão enviou um pedido de informações. Em 26 de abril de 2012, a Comissão recebeu a resposta da Alemanha.

(7)

Em 15 de maio de 2012, 20 de julho de 2012 e 21 de dezembro de 2012, a Comissão solicitou informações complementares. A Alemanha respondeu por cartas de 28 de junho de 2012, 10 de setembro de 2012 e 15 de janeiro de 2013.

(8)

Em 31 de março de 2014, a Comissão adotou as Orientações relativas à aviação de 2014 (4), «substituindo as Orientações relativas à aviação de 1994 (5), bem como as Orientações relativas à aviação de 2005 (6). Em 15 de abril de 2014, foi publicada uma comunicação no Jornal Oficial da União Europeia, convidando os Estados-Membros e as partes interessadas a apresentarem as suas observações relativamente à aplicação das Orientações relativas à aviação de 2014 neste caso, no prazo de um mês a contar da data de publicação das Orientações em causa (7).

(9)

Em 14 de abril de 2014, a Comissão solicitou informações complementares sobre a aplicação dos princípios comuns aplicáveis à apreciação da compatibilidade do auxílio à luz das Orientações relativas à aviação de 2014. A Alemanha respondeu por cartas de 19 de maio de 2014, 26 de maio de 2014, 10 de julho de 2014 e 11 de julho de 2014.

(10)

Por carta de 17 de julho de 2014, a Alemanha concordou que a presente decisão seria adotada e notificada em língua inglesa.

2.   DESCRIÇÃO DAS MEDIDAS

2.1.   CONTEXTO DA INVESTIGAÇÃO E DO PROJETO DE INFRAESTRUTURA

2.1.1.   Aeroporto de Leipzig/Halle

(11)

O aeroporto de Leipzig/Halle está situado no Estado Livre da Saxónia, na Alemanha Central. O aeroporto é explorado pela FLH (8), uma filial da MFAG (9). A MFAG é uma sociedade gestora de participações sociais (holding) com quatro filiais (FLH, Dresden Airport GmbH e PortGround GmbH).

(12)

Após a reunificação da Alemanha, foi lançado um plano diretor para a transformação do aeroporto. Este plano previa a construção futura de um sistema de duas pistas. Em 1997, a construção da pista norte foi aprovada. Em 2004, os acionistas decidiram financiar a construção da pista sul (10).

(13)

Após o início da exploração da pista sul em 2007, a DHL Express deslocalizou as suas atividades de «hub» europeu de Bruxelas para Leipzig. Para além da DHL Express, o aeroporto de Leipzig/Halle é igualmente servido pela Lufthansa Cargo e por outras companhias aéreas de transporte de mercadorias. Consequentemente, em 2011, o aeroporto de Leipzig/Halle tornou-se o 2.o maior aeroporto de transporte aéreo de mercadorias (depois do aeroporto de Frankfurt/Main) na Alemanha. O quadro 1 apresenta um resumo da evolução do transporte aéreo de passageiros e de mercadorias no aeroporto desde 2006.

Quadro 1

Evolução do transporte aéreo de passageiros e de mercadorias no aeroporto de Leipzig/Halle no período de 2006-2013

Ano

Evolução do transporte aéreo de passageiros

Evolução do transporte aéreo de mercadorias e de serviços postais em toneladas

Movimentos de aeronaves

(transporte de mercadorias e de passageiros)

2006

2 348 011

29 330

42 417

2007

2 723 748

101 364

50 972

2008

2 462 256

442 453

59 924

2009

2 421 382

524 084

60 150

2010

2 352 827

663 059

62 247

2011

2 266 743

760 355

64 097

2012

2 286 151

863 665

62 688

2013

2 240 860

887 101

61 668

Fonte:

Aeroporto de Leipzig/Halle (www.leipzig-halle-airport.de).

2.1.2.   Síntese do programa de investimento em infraestruturas

(14)

Os empréstimos de acionistas e as injeções de capital visam financiar medidas em matéria de infraestruturas e medidas conexas sintetizadas no quadro 2, no montante de 255,6 milhões de EUR.

Quadro 2

Síntese do programa de investimento em infraestruturas no aeroporto de Leipzig/Halle

Número

Descrição

Custos orçamentados/custos previstos (EUR)

M1

Aquisição de terrenos/deslocalização/redução do ruído/transferência de terrenos/planeamento da conservação da paisagem de acompanhamento

[…] (11)

M2

Estrutura de ensaio do motor

[…]

M3

Pista de circulação e ponte girante E7

[…]

M4

Extensão da pista norte de descolagem e de aterragem: custos de planeamento

[…]

M5

Limpeza do local da obra com vista à preparação para a construção da pista de circulação Victor e de novos edifícios de quartéis de bombeiros/hangar polivalente

[…]

M6

Pista de circulação paralela Victor

[…]

M7

Zonas adicionais de degelo

[…]

M8

Heliporto

[…]

M9.1 - M9.4

Medidas adicionais em matéria de infraestrutura:

 

Reconstrução do ponto de controlo I

 

Edifício de segurança funcional

 

Aquisição de equipamento técnico

 

Exploração pecuária

[…]

M10

Redução suplementar do ruído

[…]

M11

Desenvolvimento em terra da fase I da zona sudeste

[…]

M12

Procedimento de aprovação do plano para a extensão meridional

[…]

M13

Expansão da plataforma de estacionamento setentrional

[…]

M14

Expansão da plataforma de estacionamento oriental

[…]

M15

Adaptação da infraestrutura

[…]

M16

Medidas adicionais em matéria de infraestrutura:

 

Extensão do hangar da zona norte (M16.1)

 

Construção de um novo terminal de aviação e de um hangar para pequenas aeronaves (M16.2)

[…]

Total

255,625 milhões

(15)

M1 — Medidas abrangentes de redução do ruído (incluindo a aquisição de terrenos, a deslocalização e o acompanhamento do planeamento da conservação da paisagem): nos termos da decisão de aprovação do plano para a pista sul e as plataformas de estacionamento (12), o aeroporto de Leipzig/Halle tem de aplicar medidas de redução do ruído na zona de proteção noturna. Esta zona de proteção noturna devia abranger uma área com cerca de 211 km2 e aproximadamente 6 000 edifícios residenciais. Após o primeiro recálculo da zona de proteção noturna, efetuado no final de fevereiro de 2009, a zona de proteção inicial necessita de ser alargada de forma a abranger aproximadamente 4 000 edifícios residenciais adicionais.

(16)

M2 — Estrutura de ensaio do motor: em 2007-2008, foi construída uma nova estrutura de ensaio do motor no aeroporto de Leipzig/Halle. O aeroporto de Leipzig/Halle funciona 24 horas por dia, pelo que tem de dispor de instalações para realizar ensaios em motores de aeronaves de dia e de noite. A estrutura de ensaio do motor foi criada como uma estrutura fechada para limitar as emissões de ruído.

(17)

M3 — Pista de circulação e ponte girante «E7»: para aliviar a pressão exercida sobre as pistas de circulação e as pontes girantes existentes e proporcionar uma alternativa em caso de acidente ou avaria, construiu-se a pista de circulação e a ponte girante «E7» na zona leste do aeroporto. Por razões técnicas, este projeto de infraestrutura encontra-se dividido em três sub-projetos: ponte girante (13), pista de circulação e equipamento técnico (iluminação). Os trabalhos relativos ao projeto foram iniciados em 2008.

(18)

M4 — Extensão da pista norte de descolagem e de aterragem (custos de planeamento) dos seus 3 600 metros atuais para 3 800 metros: a extensão da pista norte visa assegurar que as aeronaves de carga com um peso máximo elevado à descolagem («MTOW») podem descolar sem quaisquer restrições relativamente à carga útil. O planeamento deste projeto de infraestrutura teve início em 2008.

(19)

M5 — Limpeza do local da obra a tempo da construção da pista de circulação «Victor», de um novo edifício de quartel de bombeiros e do hangar polivalente I: o quartel de bombeiros e o hangar polivalente terão de ser demolidos e reconstruídos. Os trabalhos de reconstrução do hangar polivalente I e do quartel de bombeiros foram iniciados em maio de 2009. O novo hangar polivalente será utilizado para o equipamento de serviço de inverno. Os trabalhos incluirão igualmente a construção de um edifício onde será ministrada formação ao corpo de bombeiros.

(20)

M6 — Pista de circulação paralela «Victor»: de acordo com a notificação, a construção da pista de circulação «Victor» entre duas pistas de circulação existentes é essencial para cobrir as capacidades crescentes no aeroporto de Leipzig/Halle e para cobrir as capacidades no sudoeste do aeroporto nas horas de ponta e caso se registem ventos fortes de leste.

(21)

M7 — Zonas adicionais de degelo: são necessárias zonas adicionais de degelo para assegurar que o degelo das aeronaves decorre sem problemas e para evitar atrasos resultantes de infraestruturas inadequadas.

(22)

M8 — Heliporto: em 2008-2009, foi criado um local de estacionamento para helicópteros no aeroporto de Leipzig/Halle, adaptando a estrutura da superfície e marcando-a; este local é utilizado como base para operações de salvamento aéreo e de emergência.

(23)

M9.1 — Reconstrução do ponto de controlo I: o ponto de controlo I tem de ser reconstruído a fim de cumprir o disposto no Regulamento (CE) n.o 2320/2002 do Parlamento Europeu e do Conselho (14). Este ponto de controlo será a base para todas as atividades em matéria de organização relacionadas com a segurança aeroportuária (gestão de passes e entradas, formação em matéria de segurança, funções de gestão), os controlos (por exemplo, das pessoas e mercadorias) e os serviços de segurança (por exemplo, serviço de visitantes, VIP).

(24)

M9.2 — Edifício de segurança funcional: será utilizado um novo edifício de segurança pela polícia federal, pela polícia regional, pelos serviços aduaneiros e pelo serviço meteorológico alemão.

(25)

M9.3 — Aquisição de equipamento técnico: a fim de se adaptar à nova infraestrutura, o aeroporto de Leipzig/Halle terá igualmente de adquirir equipamento adicional de serviço de inverno e equipamento adicional de combate a incêndios. A vedação do aeroporto também terá de ser retroapetrechada com detetores e equipamento de videovigilância digital com deteção inteligente de movimento.

(26)

M9.4 — Exploração pecuária: o projeto diz respeito à construção de um edifício separado no aeroporto para a exportação/importação de animais provenientes de países terceiros que contenha instalações veterinárias.

(27)

M10 — Redução suplementar do ruído: à luz do crescimento previsto, especialmente no transporte aéreo de mercadorias, no aeroporto de Leipzig/Halle, prevê-se que sejam necessárias medidas suplementares de redução do ruído (e trabalhos de construção conexos) a médio prazo, à medida que o aeroporto se expande.

(28)

M11 — Desenvolvimento em terra da fase I da zona sudeste: as zonas adjacentes ao lado sudeste das instalações em terra existentes (hangar e edifício operacional) no aeroporto de Leipzig/Halle devem ser totalmente equipadas, até 2010, com sistemas de abastecimento de água e eletricidade, uma unidade de tratamento de águas residuais e uma rede de escoamento de águas pluviais; os trabalhos de construção foram iniciados em 2008. Assim que a rotunda existente no terminal de transbordo de carga aérea for ligada à rede rodoviária pública, terão de ser tomadas medidas suplementares de redução do ruído.

(29)

M12 — Procedimento de aprovação do plano para a extensão meridional: a pista sul (3 600 m) e a plataforma de estacionamento no aeroporto de Leipzig/Halle devem ser alargadas a longo prazo. Tal exigirá um processo de aprovação do plano.

(30)

M13 — Expansão da plataforma de estacionamento setentrional: prevê-se que venham a ser construídos doze pontos de estacionamento suplementares até 2020. O desenvolvimento de terminais na zona norte do aeroporto permitirá uma distribuição mais uniforme dos movimentos de aeronaves entre as duas pistas de aterragem e de descolagem.

(31)

M14 — Expansão da plataforma de estacionamento oriental: a fronteira oriental da plataforma de estacionamento deve ser deslocada para sul por forma a garantir a disponibilização das necessárias zonas livres de obstáculos para a realização de operações na pista. A plataforma de estacionamento necessita igualmente de ser ligada ao sistema de pistas de circulação e às zonas de degelo.

(32)

M15 — Adaptação da infraestrutura: os terminais na zona norte devem ser adaptados de forma a ter em conta a plataforma de estacionamento recém-construída na zona norte e a deslocalização das funções de carga para essa zona. Para esse efeito, o hangar e as funções auxiliares necessárias devem ser adaptados a uma aeronave de categoria F.

(33)

M16.1 — Extensão do hangar da zona norte: envolve a construção de uma nova plataforma de estacionamento na zona norte, incluindo a deslocalização das funções de carga para essa zona e a disponibilização de pontos de manutenção.

(34)

M16.2 — Construção de um novo terminal de aviação e de um hangar para pequenas aeronaves: terá de se construir um novo terminal de aviação e um hangar para pequenas aeronaves. O antigo terminal de aviação foi demolido aquando da construção da nova pista sul.

2.2.   MEDIDAS OBJETO DE INVESTIGAÇÃO E MOTIVOS PARA DAR INÍCIO AO PROCEDIMENTO FORMAL DE INVESTIGAÇÃO

(35)

A decisão de dar início ao procedimento investigou as seguintes medidas de financiamento do projeto de investimento (isto é, medidas em matéria de infraestruturas e medidas conexas) no aeroporto de Leipzig/Halle:

(i)

empréstimos de acionistas a favor da FLH no montante, eventualmente, de 255,6 milhões de EUR («financiamento intercalar parcialmente já posto em prática»);

(ii)

injeções de capital na FLH no montante de 255,6 milhões de EUR.

(36)

No que diz respeito às medidas notificadas em matéria de infraestrutura, a Comissão manifestou dúvidas quanto ao facto de as mesmas poderem ser efetivamente consideradas correspondentes a missões de serviço público e, assim, sobre se o financiamento das mesmas não constitui um auxílio estatal.

(37)

A Comissão concluiu que os empréstimos de acionistas concedidos à MFAG e as injeções de capital na MFAG não constituem auxílios estatais, uma vez que ambos se destinam a ser transferidos para a FLH. A MFAG só pode ser considerada como um veículo para a transferência de fundos para a FLH e, consequentemente, não como um beneficiário do auxílio propriamente dito.

2.2.1.   Empréstimos de acionistas a favor da FLH

(38)

Os projetos de infraestrutura e outros projetos conexos foram financiados, em primeiro lugar, através de empréstimos de acionistas que só serão convertidos em capital depois destas medidas de financiamento terem sido autorizadas pela Comissão. Entre 2006 e 2011 (15), o montante total dos empréstimos de acionistas concedido à FLH representou […] milhões de EUR.

(39)

As condições dos empréstimos de acionistas concedidos no período de 2006-2008 foram determinadas com base num acordo de empréstimo celebrado entre o Sachsen LB e a MFAG. A taxa de juro de base aplicável ao empréstimo é a taxa EURIBOR a 3 meses acrescida de uma margem de risco de […] pontos de base. Para o ano de 2009, a taxa de juro de base aplicável ao empréstimo é a taxa EURIBOR a 3 meses acrescida de uma margem de risco de […] pontos de base. Para o ano de 2010, a taxa de juro de base aplicável ao empréstimo é a taxa EURIBOR a 3 meses acrescida de uma margem de risco de […] pontos de base.

Avaliação inicial da existência de auxílio pela Comissão

(40)

Quanto à natureza de auxílio dos empréstimos de acionistas a favor da FLH, a Comissão manifestou dúvidas quanto ao facto de os empréstimos de acionistas a favor da FLH terem sido concedidos em condições que poderiam ter sido normalmente obtidas no mercado. Em particular no que diz respeito aos acordos de empréstimo comparáveis, a Comissão manifestou dúvidas quanto ao facto de as propostas indicativas enviadas por correio eletrónico sem o objetivo de celebrar acordos de empréstimo juridicamente vinculativos e sem a avaliação subjacente da probabilidade de incumprimento e de cobertura por garantia poderem ser consideradas como uma referência de mercado fiável.

(41)

Na ausência de uma referência de mercado, a Comissão baseou a sua avaliação no valor indicativo previsto na Comunicação sobre as taxas de referência de 2008 (16). Por conseguinte, na ausência de uma notação de risco da FLH e de garantias subjacentes, as condições segundo as quais os empréstimos de acionistas foram concedidos à FLH aparentavam ser mais favoráveis do que o valor indicativo calculado pela Comissão para a taxa de juro de mercado, em conformidade com a Comunicação sobre as taxas de referência de 2008.

(42)

O eventual elemento de auxílio ascende à diferença entre a taxa de juro de mercado e a taxa de juro efetiva.

2.2.2.   Injeções de capital na FLH

(43)

As injeções de capital na FLH, destinadas a financiar medidas em matéria de infraestruturas e medidas conexas (ver quadro 2), estão sujeitas à aprovação da Comissão. Consequentemente, só depois de o auxílio ter sido autorizado é possível converter os empréstimos de acionistas concedidos à FLH em capital próprio.

(44)

O montante total de financiamento destinado a reembolsar os custos relacionados com projetos de infraestrutura e outros projetos conexos ascende a 255,6 milhões de EUR. No total, serão depositados 240,3 milhões de EUR no fundo de reserva de capital da MFAG destinados a ser transferidos para a FLH a fim de aumentar o seu capital próprio (isto é, a sua própria reserva de capital). Por seu lado, os acionistas da FLH irão injetar o montante remanescente diretamente no fundo de reserva de capital da FLH.

(45)

Segundo a Alemanha, as injeções de capital serão efetuadas sem qualquer plano de atividades subjacente e sem perspetivas de rendibilidade a longo prazo.

(46)

Apesar de alguns dos projetos de infraestrutura a financiar pelas injeções de capital planeadas já terem sido iniciados, o acionista público anunciou, antes do início dos projetos e em cada caso, a sua intenção de financiar tais medidas antes dos trabalhos de construção serem iniciados. As injeções de capital propriamente ditas ainda não foram efetuadas.

Avaliação inicial da existência de auxílio pela Comissão

(47)

No que diz respeito à natureza de auxílio das injeções de capital, a Comissão manifestou dúvidas quanto ao facto de, na ausência de quaisquer expectativas de rendibilidade a longo prazo, os acionistas da FLH agirem como um operador numa economia de mercado. Assim, a Comissão tinha dúvidas sobre se as injeções de capital poderiam ser consideradas como não constituindo um auxílio estatal.

2.2.3.   Compatibilidade do auxílio

(48)

Uma vez que os empréstimos de acionistas concedidos à FLH e as subsequentes injeções de capital na FLH poderiam constituir auxílios estatais, a Comissão teve de examinar se este auxílio poderia ser considerado compatível com o mercado interno com base no artigo 107.o, n.o 3, alínea c), do TFUE. A este respeito, as Orientações relativas à aviação de 2005 sintetizaram os princípios comuns aplicáveis à apreciação da compatibilidade do auxílio para financiar infraestruturas aeroportuárias nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea c), do TFUE.

(49)

Na decisão de início do procedimento, a Comissão concluiu que determinados critérios enunciados nas Orientações relativas à aviação de 2005 são satisfeitos no caso em apreço. A este respeito, a Comissão concluiu que o auxílio cumpre um objetivo de interesse comum claramente definido, em particular uma vez que aumenta a conectividade da região no que se refere aos serviços de mercadorias e tem um impacto positivo no desenvolvimento local. Tendo em conta a perspetiva de evolução positiva relativamente à transformação do aeroporto, a Comissão concluiu que o aeroporto tem boas perspetivas de utilização a médio prazo e que o programa de infraestruturas é necessário.

(50)

No entanto, na decisão de início do procedimento, a Comissão manifestou dúvidas sobre se as medidas de infraestrutura em causa são proporcionais ao objetivo definido. Além disso, a Comissão manifestou dúvidas de que nem todos os utilizadores têm acesso ao aeroporto de forma equitativa e não discriminatória. A Comissão afirmou ainda que, uma vez que a FLH, enquanto aeroporto especializado no transporte de mercadorias, está em concorrência com aeroportos localizados noutros Estados-Membros, não pode concluir, na fase atual, que o desenvolvimento das trocas comerciais não é afetado numa medida contrária ao interesse comum. Além disso, a Comissão também tinha dúvidas quanto à necessidade e proporcionalidade do auxílio.

(51)

Consequentemente, a Comissão manifestou dúvidas quanto ao facto de o financiamento das medidas notificadas poderem ser consideradas compatíveis com o mercado interno, em conformidade com o artigo 107.o, n.o 3, do TFUE.

3.   OBSERVAÇÕES DA ALEMANHA

3.1.   CONTEXTO DAS MEDIDAS OBJETO DE INVESTIGAÇÃO

(52)

Nas suas observações, a Alemanha começou por apresentar esclarecimentos suplementares sobre o contexto das medidas objeto de investigação. Neste contexto, a Alemanha constatou que o Tratado de Reunificação de 1990 já tinha previsto a transformação do aeroporto de Leipzig/Halle. De acordo com a Alemanha, foi criado um plano diretor para a transformação do aeroporto e foi decidido desenvolver um sistema de duas pistas de aterragem e de descolagem paralelas. A Alemanha explicou ainda que a construção da pista norte foi aprovada em 1997, tendo a sua exploração sido iniciada em 2000, e que a construção da pista sul foi aprovada em 2004, tendo a sua exploração sido iniciada em 2007.

(53)

Neste contexto, a Alemanha afirmou que, devido ao seu sistema de pistas paralelas e à deslocalização de vários operadores de transporte aéreo de mercadorias de grande dimensão, o aeroporto de Leipzig/Halle tinha sido capaz de se posicionar como o segundo maior «hub» de transporte aéreo de mercadorias na Alemanha. Neste contexto, a Alemanha sustentou que, desde 2010, o aeroporto tinha sido capaz de promover o seu lugar como um dos centros de transbordo de carga aérea mais importantes na Europa. A Alemanha acrescentou igualmente que, atualmente, 133 empresas estavam presentes no aeroporto, empregando um total de 5 106 pessoas em 2010 (um aumento de 14,4 % em comparação com 2009).

(54)

Na opinião da Alemanha, o aeroporto é, por conseguinte, um motor de desenvolvimento económico na região e desempenha um papel importante no emprego a nível regional. A Alemanha salientou que este aspeto é igualmente corroborado por um aumento nos volumes de receitas e de transporte de mercadorias manuseados no aeroporto: durante o período de 2005 a 2009, as receitas geradas pela FLH aumentaram de 47 milhões de EUR para 80 milhões de EUR. No que diz respeito aos volumes de carga, a Alemanha declarou que, em comparação com outros aeroportos, o aeroporto de Leipzig/Halle regista taxas de crescimento constante (em 2007 foram processadas 101 364 toneladas de mercadorias, número este que aumentou para 442 453 toneladas em 2008, 524 084 toneladas em 2009 e 663 059 toneladas em 2010). A fim de complementar a sua declaração, a Alemanha salientou que o volume de carga aérea registou um aumento de 18,5 % em 2009 e de 26,5 % em 2010. De acordo com a Alemanha, previa-se um novo aumento do volume de carga. Neste contexto, a Alemanha esclareceu que se esperava que o aeroporto de Leipzig/Halle manuseasse aproximadamente 820 000 toneladas de carga aérea até 2020 (17). No entanto, a Alemanha sustentou que esta previsão seria concretizada até 2015 (18).

(55)

Além disso, a Alemanha afirmou que o aeroporto tinha registado um aumento gradual do número de passageiros nos últimos anos (de 1 988 854 passageiros em 2002 para 2 723 748 passageiros em 2007). Embora, segundo a Alemanha, tenha havido um declínio no tráfego de passageiros desde 2007 (apenas 2 352 827 passageiros em 2010), a médio/longo prazo a Alemanha esperava um aumento no tráfego de passageiros até 4,6 milhões de passageiros até 2020.

(56)

A Alemanha declarou que, contrariamente ao que se verifica em muitos outros aeroportos da União, como, por exemplo, nos três principais aeroportos de carga alemães de Frankfurt/Main, Colónia/Bona e Munique, o aeroporto de Leipzig/Halle beneficia de uma autorização ilimitada de voos noturnos para o transporte de carga aérea comercial. De acordo com a Alemanha, esta é uma das razões pelas quais o aeroporto tem boas perspetivas para o futuro. A Alemanha sublinhou igualmente que o tribunal administrativo federal alemão (Bundesverwaltungsgericht) confirmou a proibição de voos noturnos no aeroporto de Frankfurt/Main, o maior «hub» de carga aérea alemão, por acórdão de 4 de abril de 2012. A Alemanha declarou que, no aeroporto de Frankfurt/Main, as partidas e as chegadas foram, por conseguinte, sujeitas a uma proibição total entre as 23h00 e as 05h00.

(57)

A Alemanha sustentou igualmente que a FLH não conseguiu financiar as medidas planeadas em matéria de infraestrutura a partir dos seus próprios recursos. Neste contexto, a Alemanha salientou que, devido ao atraso a nível de investimento proveniente do tempo da antiga República Democrática Alemã, o aeroporto teve de fazer investimentos num período muito mais curto do que os aeroportos situados na parte ocidental da Alemanha. Segundo a Alemanha, os investimentos significativos a curto prazo não podem, em particular, ser financiados a partir dos próprios recursos da FLH, uma vez que existe uma diferença significativa entre o volume de investimento (225,6 milhões de EUR) e as receitas anuais do aeroporto (80 milhões de EUR em 2009).

3.2.   CONCEITO DE ATIVIDADE ECONÓMICA E MISSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO

3.2.1.   Noção de atividade económica e aplicabilidade das regras em matéria de auxílios estatais a infraestruturas aeroportuárias

(58)

Em primeiro lugar, a Alemanha relembrou que não concordava com a posição da Comissão de que a construção de infraestruturas aeroportuárias constitui uma atividade económica. Assim, a Alemanha sustentou que as medidas notificadas não constituem auxílios estatais na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE.

(59)

A este respeito, a Alemanha sustentou que o conceito de «empresa» na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE não é aplicável a aeroportos, pelo menos no que respeita ao financiamento de infraestruturas aeroportuárias. A Alemanha salientou que a criação de infraestruturas aeroportuárias não constituía uma atividade económica, mas antes uma medida geral em matéria de política económica, regional e de transportes. Fez referência ao ponto 12 das Orientações relativas à aviação de 1994, segundo as quais «a construção ou expansão de projetos de infraestruturas […] representa uma medida geral de política económica que não pode ser controlada pela Comissão ao abrigo das regras do Tratado em matéria de auxílios de Estado. As decisões relativas ao desenvolvimento de infraestruturas não cabem no âmbito de aplicação da presente comunicação» e alegou que as Orientações relativas à aviação de 2005 não substituíam o presente ponto.

(60)

Além disso, a Alemanha afirmou que a construção de infraestruturas aeroportuárias não constitui uma atividade económica, uma vez que um investidor privado não poderia exercer essa atividade. A este respeito, a Alemanha declarou que não existe nenhuma perspetiva de rentabilidade do investimento, em razão da impossibilidade de repercutir as despesas de construção nos utilizadores do aeroporto por intermédio das taxas aeroportuárias. Esta impossibilidade decorre, segundo a Alemanha, do facto de essas taxas estarem sujeitas a autorização da autoridade aeroportuária pertinente do Land no qual se situa o aeroporto, não tendo os investidores privados nenhuma influência no respetivo nível. De acordo com a Alemanha, essas taxas não podem, por conseguinte, ser fixadas livremente pelo operador em função de considerações económicas e, de facto, são definidas sem qualquer relação com os custos de investimento. As áreas arrendadas para fins comerciais que não os relacionados com as operações aéreas são, na opinião da Alemanha, desprovidas de pertinência.

(61)

Neste contexto, a Alemanha afirmou ainda que os aeroportos suportam custos fixos superiores à média relacionados com as infraestruturas, o equipamento e a exploração. Além disso, a sua margem de manobra é limitada pela importância dos encargos e pelas condições jurídicas estritas.

(62)

A Alemanha considerou ainda inoperantes as referências ao acórdão Aéroports de Paris e ao acórdão (19) Leipzig/Halle. (20) No que diz respeito ao acórdão Aéroports de Paris, a Alemanha sustentou que o mesmo não tem por objeto a construção de infraestruturas aeroportuárias, mas a sua exploração. Além disso, a Alemanha considerou que o acórdão Aéroports de Paris não procede à interpretação do conceito de «empresa» na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE, mas trata de uma violação da proibição de abuso de posição dominante na aceção do artigo 102.o do TFUE. No que diz respeito ao acórdão Leipzig/Halle, a Alemanha considerou que o acórdão do tribunal geral não tem qualquer efeito precedente na jurisprudência, uma vez que é passível de recurso.

3.2.2.   Missões de serviço público

(63)

Segundo a Alemanha, mesmo que o financiamento de medidas de infraestrutura estivesse sujeito a regras em matéria de auxílios estatais, não constituiria um auxílio estatal na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE, uma vez que o financiamento de medidas de infraestrutura foi constituído essencialmente pelo reembolso necessário e proporcionado dos custos incorridos para desempenhar tarefas da competência do Estado. Neste contexto, a Alemanha declarou que, de acordo com as Orientações relativas à aviação de 2005, as atividades que, regra geral, são da responsabilidade do Estado no exercício das suas prerrogativas de poder público não têm um caráter económico e não são abrangidas pelas regras em matéria de auxílios estatais.

(64)

A Alemanha alegou que, no desempenho de tarefas que correspondem a missões de serviço público, a prática da Comissão estabeleceu uma distinção entre, pelo menos, as seguintes categorias de medidas de segurança: a proteção do tráfego aérea contra ameaças externas, tais como o desvio de aeronaves e outros atos de violência contra o tráfego aéreo, a proteção do tráfego aéreo contra riscos operacionais e a proteção de terceiros contra riscos operacionais associados ao tráfego aéreo. Na opinião da Alemanha, no que respeita à proteção do tráfego aéreo contra riscos operacionais, o operador aeroportuário tem o dever de renovar, modernizar e expandir as infraestruturas aeroportuárias a fim de prevenir riscos operacionais. A Alemanha declarou que a terceira categoria de medidas abrange geralmente a proteção de terceiros contra o ruído das aeronaves e outros efeitos ambientais prejudiciais.

(65)

No que diz respeito às diferentes medidas de infraestrutura em causa, a Alemanha argumentou que estas medidas constituíam sobretudo uma compensação pelo exercício de atividades correspondentes a missões de serviço público, uma vez que as medidas protegiam terceiros contra riscos operacionais associados ao tráfego aéreo.

(66)

No que diz respeito às medidas de redução do ruído, a Alemanha declarou que, no contexto do procedimento de aprovação do plano, teriam de ser aplicadas medidas de redução do ruído em aproximadamente 10 000 edifícios residenciais. A Alemanha alegou que, de acordo com as disposições da recentemente alterada Gesetz zum Schutz gegen Fluglärm (Lei de proteção contra o ruído de aeronaves, «FluglärmG»), as medidas de redução do ruído só abrangeriam uma área de apenas 78 km2 com cerca de 3 000 edifícios residenciais e custos no montante de […] milhões de EUR. No entanto, segundo a Alemanha, a FLH não beneficiou desta alteração da «FluglärmG», pelo que continua a ser aplicável uma zona de proteção mais estrita. Neste contexto, a Alemanha afirmou que o aeroporto de Leipzig/Halle tem de suportar custos muito mais elevados do que os seus concorrentes (na Alemanha e fora da União).

(67)

Além disso, o aeroporto adquiriu igualmente propriedades de residentes gravemente afetados aos quais pagou uma indemnização. Além disso, a Alemanha declarou que o aeroporto realizou algumas atividades de conservação da natureza a título de compensação pelas suas atividades de construção. A Alemanha argumentou que tais atividades visavam prevenir ou reduzir o impacto que o ruído das aeronaves e os trabalhos de construção têm em terceiros, pelo que se tratou de uma missão de serviço público. Segundo a Alemanha, proteger terceiros do ruído, particularmente do ruído das aeronaves, constituía um dos deveres e funções oficiais fundamentais do Estado.

(68)

A Alemanha alegou igualmente que a estrutura onde é realizado o ensaio de medição do ruído do motor, isto é, a medida M2, constituía uma medida abrangida pela missão de serviço público. Afirmou que os limites de ruído definidos no contexto da decisão de aprovação do plano para a construção da pista sul poderiam ser cumpridos durante o dia (das 06h00 às 22h00) sem uma estrutura de ensaio do motor fechada. No entanto, segundo a Alemanha, em conformidade com a licença de exploração de 31 de julho de 2007, o aeroporto tinha que executar os ensaios na estrutura de ensaio fechada também durante o dia. Além disso, a Alemanha explicou que o ensaio do motor era exigido no contexto da manutenção da segurança operacional da aeronave e excederia os limites de ruído permitidos, caso fosse executado durante a noite fora de uma estrutura fechada. Por conseguinte, na opinião da Alemanha, a construção da estrutura de ensaio do motor sob a forma de um edifício fechado serve para proteger os residentes locais de quaisquer níveis inaceitáveis de ruído provocados pelas aeronaves.

(69)

No que diz respeito à medida M3, a Alemanha argumentou que a construção destes elementos de infraestrutura corresponde a uma missão de serviço público, uma vez que foi realizada a fim de proteger o tráfego aéreo de riscos operacionais. Independentemente do volume de tráfego que deveria ser gerido no futuro, já no passado as ligações às pistas de circulação existentes eram insuficientes para garantir uma gestão segura e sem incidentes do tráfego aéreo. Além disso, a Alemanha declarou que a nova pista de circulação é a via de acesso de emergência para o corpo de bombeiros do quartel de bombeiros oriental para a zona norte do aeroporto. De acordo com a Alemanha, mesmo que as regras em matéria de auxílios estatais fossem aplicáveis, há que ter em mente que alguns destes custos relacionados com a pista de circulação diziam respeito à iluminação. No que se refere à iluminação, a Alemanha salientou que a Comissão já tinha decidido, na sua Decisão Memmingen, que a iluminação constituía um elemento de orientação e controlo das aeronaves e, por conseguinte, poderia ser classificada como uma atividade correspondente a uma missão de serviço público não abrangida pelo âmbito de aplicação das regras em matéria de auxílios estatais (21).

(70)

De acordo com a Alemanha, a medida M4 seria igualmente realizada no âmbito do exercício de atividades correspondentes a missões de serviço público, uma vez que a capacidade operacional e as razões de segurança eram exigidas para proporcionar às aeronaves de grande porte que descolam com o peso máximo elevado permitido em determinadas condições climáticas uma distância adicional para descolagem, incluindo uma zona suplementar de desaceleração em caso de descolagem abortada.

(71)

No que diz respeito à medida M5, na opinião da Alemanha, a limpeza do local da obra a tempo da construção da pista de circulação «Victor» tinha sido realizada no exercício de atividades correspondentes a missões de serviço público, uma vez que a pista de circulação «Victor» era necessária para garantir uma exploração segura e prevenir acidentes, riscos de segurança e um impacto ambiental negativo. Segundo a Alemanha, contrariamente ao que defende a Comissão, a construção da pista de circulação «Victor» não se destinava a aumentar a capacidade e, indiretamente, o volume de negócios. A Alemanha declarou que a pista em causa foi construída exclusivamente por razões ambientais e de segurança operacional.

(72)

Além disso, segundo a Alemanha, a construção dos dois novos edifícios de quartéis de bombeiros foi realizada no exercício de atividades correspondentes a missões de serviço público, uma vez que, de acordo com a prática estabelecida da Comissão, as medidas relativas à segurança contra incêndios, especialmente a construção e a exploração dos edifícios de quartéis de bombeiros aeroportuários e a aquisição do equipamento pertinente, são consideradas correspondentes a missões de serviço público. A Alemanha salientou que, geralmente, a construção de edifícios de combate a incêndios em aeroportos alemães beneficiava de financiamento público.

(73)

Além disso, segundo a Alemanha, a construção do hangar polivalente foi igualmente efetuada no exercício de atividades correspondentes a missões de serviço público, uma vez que o hangar seria utilizado exclusivamente para o armazenamento do equipamento de serviço de inverno e como abrigo de emergência. A Alemanha explicou que a disponibilização de instalações para armazenamento do equipamento de serviço de inverno constitui uma função oficial do estado, uma vez que garante a segurança da exploração do aeroporto durante o período de inverno. Além disso, a Alemanha declarou que tal permitiu ao aeroporto cumprir a sua obrigação legal de explorar o aeroporto em todos os momentos.

(74)

A Alemanha explicou que a disponibilização do abrigo de emergência é de interesse geral, uma vez que contribui para salvaguardar a vida humana. A Alemanha invocou as disposições da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), que exigem aos gestores aeroportuários que disponibilizem um espaço para o tratamento de pessoas feridas e o armazenamento de cadáveres em caso de emergência. Além disso, segundo a Alemanha, o hangar polivalente pode igualmente acolher os passageiros que não possam prosseguir viagem devido a fenómenos naturais (por exemplo, a nuvem de cinzas em 2010).

(75)

Além do mais, a Alemanha sublinhou que a construção do novo hangar era necessária, uma vez que não teria sido possível proceder ao alargamento do hangar polivalente na sua localização anterior.

(76)

No que se refere à medida M6, a Alemanha fez referência aos argumentos apresentados em relação à medida M5. Além disso, a Alemanha declarou que a construção da pista de circulação «Victor» tinha sido adiada.

(77)

Segundo a Alemanha, a expansão das zonas de degelo (M7) foi igualmente realizada em cumprimento de uma função oficial do Estado, uma vez que as instalações foram necessárias por razões ambientais e de segurança operacional. Além disso, a Alemanha explicou que as zonas adicionais de degelo não eram necessárias para garantir uma capacidade suficiente em caso de aumento de tráfego, uma vez que o aeroporto de Leipzig/Halle era capaz de gerir um aumento de tráfego mesmo sem zonas adicionais de degelo. Argumentou que a expansão das zonas de degelo se tornou necessária em resultado das experiências durante a operação de inverno de 2008/2009. De acordo com a Alemanha, as instalações adicionais de degelo servem para garantir que o degelo das aeronaves decorre sem problemas e para evitar atrasos resultantes de infraestruturas de degelo inadequadas no aeroporto. A este respeito, a Alemanha sustentou que os atrasos, por seu lado, teriam um impacto negativo no ambiente, tais como o consumo de querosene e a produção de emissões nocivas e de ruído.

(78)

No que diz respeito à medida M8, a Alemanha argumentou que a construção de um heliporto facilita as operações de salvamento aéreo no aeroporto em geral.

(79)

No que diz respeito à medida M9.1., a Alemanha declarou que a reconstrução do ponto de controlo I era absolutamente necessária à luz do Regulamento (CE) n.o 300/2008 do Parlamento Europeu e do Conselho (22). A Alemanha salientou que a reconstrução em causa corresponde a uma missão de serviço público e que o financiamento da mesma se limitou aos custos incorridos.

(80)

Além disso, a Alemanha entende igualmente que a construção do edifício de segurança funcional (M9.2) corresponde a uma missão de serviço público e que o financiamento desta medida se limitou aos custos incorridos. A Alemanha afirmou que o novo edifício de segurança funcional contribuiu igualmente para dar cumprimento ao Regulamento (CE) n.o 300/2008 e era necessário para satisfazer as necessidades da polícia federal e regional, dos serviços aduaneiros e do serviço meteorológico alemão.

(81)

No que diz respeito à medida M9.3, a aquisição de equipamento técnico, isto é, a aquisição de equipamento adicional de serviço de inverno e de equipamento adicional de combate a incêndios e o retroapetrechamento da vedação do aeroporto com detetores e equipamento de videovigilância digital, a Alemanha argumentou que as três medidas correspondem a missões de serviço público.

(82)

Relativamente ao novo equipamento de serviço de inverno, a Alemanha declarou que o equipamento permitia que as pistas de aterragem e de descolagem fossem desimpedidas em paralelo, o que assegurava um funcionamento seguro do aeroporto e, por conseguinte, correspondia a uma missão de serviço público.

(83)

Além disso, a Alemanha salientou que, nos termos do artigo 8.o da Luftsicherheitsgesetz (Lei da segurança aérea, «LuftSiG»), que aplicou o Regulamento (CE) n.o 300/2008, o perímetro do aeroporto tinha que estar delimitado por uma vedação. A Alemanha salientou que, de acordo com a prática estabelecida da Comissão, a infraestrutura de segurança aeroportuária, tal como a referida vedação, corresponde a uma missão de serviço público.

(84)

Quanto à medida M9.4 (isto é, a construção de um novo edifício para o transporte de animais que contenha instalações veterinárias), a Alemanha sustentou igualmente que a criação do edifício em causa corresponde a uma missão de serviço público, uma vez que visava assegurar que nenhuma doença animal ou de outro tipo era introduzida na Alemanha e na União.

(85)

No que diz respeito à medida M12, a Alemanha declarou que, para poder dar continuidade à evolução do tráfego de mercadorias e diminuir o risco de acidentes no solo, necessitava da licença de aprovação do plano.

(86)

No que diz respeito às medidas M11 e M13 a M16, a Alemanha salientou não ter alegado, na sua notificação, que estas medidas tinham sido aplicadas para exercer atividades enquadráveis numa missão de serviço público. De acordo com a Alemanha, estas medidas incluíam o desenvolvimento em terra da zona sudeste, a expansão da plataforma de estacionamento setentrional, a expansão da plataforma de estacionamento oriental, a adaptação da infraestrutura na zona norte e medidas adicionais em matéria de infraestrutura na zona norte.

3.3.   FINANCIAMENTO DA INFRAESTRUTURA ATRAVÉS DE EMPRÉSTIMOS DE ACIONISTAS CONCEDIDOS À FLH

3.3.1.   Condições de financiamento

(87)

No que diz respeito ao financiamento das medidas de infraestrutura em causa, a Alemanha declarou que tais medidas foram financiadas através de empréstimos de acionistas concedidos em condições normais de mercado, pelo que não constituem um auxílio estatal nos termos do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE. A Alemanha salientou que, até à data, estes empréstimos não tinham sido convertidos em capital próprio e que a conversão dos empréstimos de acionistas estava sujeita à decisão de aprovação da Comissão.

(88)

A Alemanha esclareceu que os empréstimos são concedidos de acordo com as necessidades de construção e que o seu montante total sofre alterações mensalmente. De acordo com a Alemanha, a duração do empréstimo tem início na data em que o empréstimo é pago. A Alemanha explicou ainda que cada empréstimo se vence no final do ano (31 de dezembro) em que é concedido. Neste contexto, a Alemanha declarou que estes empréstimos foram prorrogados por um período adicional de um ano. Segundo a Alemanha, a duração dos empréstimos pode ser prorrogada por várias vezes até que se receba a autorização esperada em relação às injeções de capital por parte da Comissão.

(89)

A Alemanha afirmou ainda que o montante do empréstimo e os juros são devidos na data de vencimento (isto é, 31 de dezembro de cada ano), mas a duração do empréstimo pode ser prorrogada por um ano adicional. Além disso, a Alemanha argumentou que esta opção de prorrogação permitiu a prorrogação do empréstimo até à data em que a Comissão tome uma decisão final.

(90)

No que diz respeito à taxa de juro de cada empréstimo, a Alemanha explicou que a mesma tinha sido definida com base na taxa EURIBOR aplicável no momento da disponibilização de cada parcela acrescida de uma margem de risco. De acordo com a Alemanha, se um empréstimo é concedido em 1 de julho, a sua duração (até ao final do ano) será de seis meses e a taxa de juro será a soma da taxa EURIBOR a seis meses acrescida de uma margem de risco. A Alemanha esclareceu ainda que, se um empréstimo é concedido em 1 de maio (uma duração de 8 meses até ao final do ano), a taxa de juro de base de referência será calculada interpolando as taxas EURIBOR a 6 meses e a 9 meses. A Alemanha clarificou ainda que, a partir do mês de janeiro a seguir ao ano em que o empréstimo foi prorrogado, a taxa de juro válida será a EURIBOR a 12 meses acrescida de uma margem de risco. A Alemanha forneceu uma síntese dos montantes de empréstimo acumulados e das condições em que os mesmos foram concedidos, informação esta que foi sintetizada no quadro 3.

Quadro 3

Síntese dos empréstimos de acionistas concedidos à FLH entre 13.12.2006 e 1.1.2012

Data

Montante em milhões de EUR

(acumulado)

EURIBOR

Margem de risco

Taxa de juro total

(EURIBOR + margem)

13.12.2006

[…]

3,90

[…]

[…]

1.1.2007

[…]

3,90

[…]

[…]

1.1.2008

[…]

4,73

[…]

[…]

1.1.2009

[…]

3,03

[…]

[…]

1.1.2010

[…]

1,25

[…]

[…]

1.1.2011

[…]

1,50

[…]

[…]

1.1.2012

[…]

1,94

[…]

[…]

Fonte:

Dados fornecidos pela Alemanha datados de 26 de abril de 2012, anexo 14.

(91)

No que diz respeito às taxas da margem de risco para os anos 2006 a 2008, a Alemanha declarou que foi utilizada uma margem de risco de […] pontos de base. A Alemanha esclareceu que esta taxa foi determinada comparando as condições de empréstimo dos seguintes acordos de empréstimo:

a)

Acordo de empréstimo entre a MFAG e o Sachsen LB, de 19 a 22.8.2003, onde foi definida uma margem de […] pontos de base por ano;

b)

Acordo de empréstimo entre a MFAG e o Sachsen LB/Nord LB, de 16.5.2007, onde foi definida uma margem de […] pontos de base por ano;

c)

Acordo de empréstimo entre a MFAG e o Postbank, de 28.6.2007 a 15.7.2007, onde foi definida uma margem de […] pontos de base por ano.

(92)

A Alemanha declarou que a margem de risco média calculada foi arredondada por excesso de pontos de base, em média, para […] pontos de base.

(93)

No que diz respeito à margem de risco de […] pontos de base definida em 2009, a Alemanha esclareceu que a taxa foi determinada comparando as condições de duas propostas indicativas do Sachsen Bank e do Nord LB, de 8 e 9 de janeiro de 2009, respetivamente, e os acordos de empréstimo celebrados entre a MFAG e o Sachsen LB e o Postbank, de 19 e 22 de agosto de 2003 e 28 de junho e 15 de julho de 2007. A Alemanha declarou que, por motivos de prudência, a margem foi arredondada por excesso de […] pontos de base, em média, para […] pontos de base.

(94)

De acordo com a Alemanha, em 2010 a margem de risco ascendia a […] pontos de base. Além disso, a Alemanha explicou que este valor foi determinado comparando duas propostas indicativas do Sachsen LB (23) e do Nord LB (24), de 11 e 14 de janeiro de 2010, respetivamente, e o acordo de empréstimo celebrado entre a MFAG e o Sachsen LB, de 19 e 22 de agosto de 2003. A Alemanha declarou que, por motivos de prudência, a margem média foi novamente arredondada por excesso de […] pontos de base, em média, para […] pontos de base.

(95)

A Alemanha explicou que, em 2011, a margem de juro utilizada ascendia a […] pontos de base e que o cálculo se baseou numa comparação entre duas propostas indicativas do Sachsen Bank e do Nord LB, de 29 de junho de 2011, e os acordos de empréstimo celebrados entre o Postbank e a MFAG, datados de 28 de junho e 15 de julho de 2007, e entre o Sachsen LB e a MFAG, datados de 19 e 22 de agosto de 2003. De acordo com a Alemanha, a margem calculada foi novamente arredondada por excesso de […] pontos de base, em média, para […] pontos de base.

3.3.2.   Aplicação de dados de mercado comparativos para identificar a taxa de mercado da FLH

(96)

A Alemanha declarou que, na sua opinião, a conformidade dos empréstimos de acionistas concedidos à FLH com o mercado deve ser avaliada com base em dados de mercado comparativos e não com base na Comunicação sobre as taxas de referência de 2008.

(97)

Além disso, a Alemanha argumentou que o acordo de empréstimo celebrado entre a MFAG e o Sachsen LB, de 19 e 22 de agosto de 2003, constituía, com efeito, um índice de referência adequado para identificar o nível de mercado das taxas de juro dos empréstimos de acionistas. A Alemanha rejeitou o argumento de que o acordo de empréstimo celebrado entre a MFAG e o Sachsen LB não constituía uma base adequada para uma análise comparativa, por ter sido celebrado com um beneficiário diferente, nomeadamente com a MFAG e não com a FLH. A Alemanha salientou que a própria Comissão considerou que a MFAG era apenas um veículo para a transferência de fundos para a FLH e não um beneficiário do auxílio propriamente dito. A Alemanha explicou que o contrato de transferência de lucros e de cobertura de prejuízos celebrado entre a MFAG e a FLH obrigou a FLH a transferir todos os seus lucros para a MFAG e a MFAG a cobrir todas as perdas da FLH, pelo que os resultados anuais líquidos da FLH eram sempre iguais a zero. Consequentemente, a margem de juro concedida a uma empresa do grupo foi sempre equivalente à margem de juro concedida à empresa-mãe e vice-versa.

(98)

De acordo com a Alemanha, apesar de o acordo de empréstimo ter sido celebrado em 2003, continha um empréstimo com uma cláusula de renovação automática a longo prazo até 2013, com juros fixados para 3 meses consecutivos. A este respeito, a Alemanha declarou que a margem de risco de […] pontos de base foi aplicável entre 2006 e 2008 e ainda se aplicaria atualmente. Além disso, a Alemanha não concordou com o argumento da Comissão de que o Sachsen LB só tinha sido capaz de oferecer a margem de juro de […] pontos de base devido a um nível reduzido de juros proporcionado através do financiamento do Banco Europeu de Investimento (BEI), argumento que também não era correto. De acordo com a Alemanha, o financiamento do BEI não influenciou a determinação da margem de juro de […] pontos de base.

(99)

A Alemanha rejeitou igualmente a observação da Comissão de que o acordo de empréstimo celebrado entre o Postbank e a MFAG não podia ser utilizado como uma base para uma análise comparativa. Foi celebrado a favor da FLH, não foi acordado num momento diferente e o pagamento não estava sujeito a condições específicas. Além disso, a Alemanha argumentou que a oferta de financiamento vinculativa do Sachsen LB e do Nord LB, datada de 16 de maio de 2007, constituía um índice de referência adequado.

(100)

Além do mais, fazendo referência ao argumento da Comissão, que tinha dúvidas se as propostas indicativas enviadas por correio eletrónico sem o objetivo de celebrar acordos de empréstimo juridicamente vinculativos poderiam ser consideradas como uma referência de mercado fiável (25), a Alemanha declarou que tanto o Nord LB como o Sachsen Bank tinham relações comerciais de longa data com a MFAG e foram regularmente informados sobre a situação económica da FLH e da MFAG, pelo que as propostas indicativas se basearam numa avaliação exaustiva dos riscos.

(101)

Além disso, a Alemanha salientou que, mesmo que a natureza de conformidade com o mercado ou o auxílio equivalente aos empréstimos ou ambos fossem objeto de ensaios nos termos da Comunicação sobre as taxas de referência de 2008, não haveria nenhum auxílio estatal. A Alemanha sublinhou que o novo método de cálculo da taxa de referência só era aplicável a partir de 1 de julho de 2008. Consequentemente, aos acordos de empréstimo celebrados antes dessa data teria de se aplicar a Comunicação sobre as taxas de referência anterior.

3.3.3.   Notação de risco de crédito da MFAG/FLH

(102)

A Alemanha confirma que a FLH não foi avaliada por agências públicas de notação de risco de crédito. No entanto, a Alemanha declarou que existem alguns indícios da sua solvabilidade. A Alemanha afirmou ainda que o acionista maioritário da FLH é a MFAG, que detém 94 % das ações da FLH. Segundo a Alemanha, uma vez que existe um acordo de participação nos resultados entre a MFAG e a FLH, celebrado em 6 de dezembro de 2000, que obriga a MFAG a cobrir eventuais perdas da FLH, a notação de risco da FLH deve ser, pelo menos, a mesma (ou uma notação mais elevada) da sua empresa-mãe MFAG.

(103)

A Alemanha declarou que a MFAG não foi avaliada por agências públicas de notação de risco de crédito. No entanto, a Alemanha fornece algumas notações de risco internas de bancos em relação à MFAG. A Alemanha declarou que, em 2006, o Nord LB tinha avaliado a MFAG com uma notação de risco de […] na sua escala de notação interna (com uma probabilidade de incumprimento de […] %), o que corresponde a uma notação de risco de […] a […] na escala de notação da Standard & Poor’s, de […] a […] na escala de notação da Moody’s e de […] a […] na escala de notação da Fitch. A Alemanha afirmou ainda que a MFAG se encontra nesta categoria de notação de risco desde 2006. A Alemanha esclareceu ainda que, em 2 de agosto de 2011 e 20 de abril de 2012, respetivamente, esta avaliação foi confirmada pelo Nord LB. Além disso, a Alemanha declarou igualmente que o Deutsche Kreditbank AG (DKB) forneceu as suas indicações de notação de risco, nas quais confirma que, com base nos relatórios financeiros da MFAG para o ano de 2006, é atribuída à empresa uma notação de risco de […] na escala de notação de risco interna do banco, o que corresponde a uma notação de risco de […] na escala de notação da Standard & Poor’s e a uma notação de risco de […] na escala de notação da Moody’s.

(104)

O quadro 4 sintetiza as notações de risco atribuídas à MFAG entre 2006 e 2012 (o período em apreço).

Quadro 4

Notação de risco de crédito da MFAG entre 2006 e 2012

[…] (26)

3.3.4.   Avaliação da perda dado o incumprimento (Loss Given Default — LGD)

(105)

No que diz respeito às garantias dos empréstimos e à perda dado o incumprimento, a Alemanha esclareceu que os empréstimos são concedidos pelos acionistas da FLH sob a forma de financiamento intercalar, o que significa que devem ser convertidos em capital após a autorização da Comissão. A este respeito, a Alemanha esclareceu ainda que esta é a razão pela qual os empréstimos não são cobertos por garantias.

(106)

A Alemanha sustentou que não existem modalidades de reembolso específicas para os empréstimos de acionistas, uma vez que se presumiu que os empréstimos serão convertidos em capitais próprios e, por conseguinte, não será efetuado nenhum reembolso. Segundo a Alemanha, nos casos em que os empréstimos não fossem convertidos em capitais próprios devido à não aprovação, pela Comissão, do financiamento das medidas de infraestrutura, nos termos do artigo 488.o (3), do Deutsches Bürgerliches Gesetzbuch (Código Civil alemão), um acordo de empréstimo podia ser denunciado no prazo de 3 meses. A cessação do acordo conduz ao vencimento do montante do empréstimo com juros.

(107)

A Alemanha argumenta que, embora os empréstimos não estejam cobertos por garantias, deve considerar-se que a perda dado o incumprimento da FLH é, pelo menos, inferior a […] %, e até mesmo próxima de […] %, uma vez que o valor do ativo da FLH (isto é […] milhões de EUR em 2010) excede o valor do passivo ([…] milhões de EUR em 2010). Na opinião da Alemanha, em caso de falência, os ativos da FLH seriam suficientes para assegurar a cobertura destes créditos.

(108)

A Alemanha declarou que os ativos da FLH, que consistem em terrenos, edifícios, instalações técnicas, máquinas, entre outros, não se encontram penhorados, de qualquer forma, a favor dos seus acionistas ou credores externos.

3.3.5.   Nenhuma vantagem resultante das injeções de capital

(109)

No que respeita às injeções de capital para a construção do aeroporto, a Alemanha salientou que o teste do operador numa economia de mercado («teste OEM») não era aplicável, uma vez que a construção do aeroporto constituía uma medida geral de política económica que não estava abrangida pelo âmbito do controlo dos auxílios estatais.

3.4.   COMPATIBILIDADE DO AUXÍLIO

(110)

A Alemanha sustentou que, mesmo que o financiamento das medidas previstas constituísse um auxílio estatal, o mesmo seria compatível com o mercado interno, uma vez que satisfazia as condições estabelecidas no ponto 61 das Orientações relativas à aviação de 2005. Após a entrada em vigor das Orientações relativas à aviação de 2014, a Alemanha sustentou que o auxílio seria igualmente compatível com os princípios comuns definidos na secção 5 dessas orientações.

3.4.1.   Objetivo de interesse comum bem definido

(111)

A Alemanha declarou que o financiamento dos investimentos em causa serve um objetivo de interesse comum bem definido.

(112)

A este respeito, a Alemanha sustentou que o setor do transporte aéreo, em especial os serviços expresso, regista um importante crescimento, em especial no aeroporto de Leipzig/Halle (entre 2007 e 2010, o volume de transporte de mercadorias aumentou de 101 364 toneladas para 663 059 toneladas). A Alemanha prosseguiu a sua declaração, esclarecendo que as companhias aéreas de transporte de mercadorias estão a expandir as suas capacidades operacionais. Segundo a Alemanha, nos três grandes «hubs» de frete aéreo de Frankfurt/Main, Munique e Colónia/Bona há restrições aos voos noturnos. A Alemanha afirma ainda que, de acordo com um acórdão proferido em 4 de abril de 2012, o aeroporto de Frankfurt/Main está proibido de realizar quaisquer operações de voo noturno. Assim, na opinião da Alemanha, a FLH ajuda a descongestionar outros aeroportos de carga na Alemanha.

(113)

No que diz respeito à contribuição do aeroporto para a conetividade da região, a Alemanha declarou que o projeto previsto se insere na estratégia que integra o plano geral da rede transeuropeia de transportes de 2004 (previsto até 2020) para o desenvolvimento do aeroporto que ali é definido como «componente da rede comunitária». De acordo com a Alemanha, o aeroporto está situado no centro da Alemanha (perto das cinco principais linhas da rede transeuropeia de transportes e dos corredores transeuropeus), encontrando-se na junção de duas autoestradas que ligam a Europa de Norte a Sul (A 9) e de Leste a Oeste (A 14). Dispõe ainda de ligações à rede ferroviária e rodoviária. Além disso, a Alemanha esclareceu que o acesso à rede de transporte ferroviário e rodoviário facilita o transporte de mercadorias, tornando-o mais eficiente. Além do mais, a Alemanha declarou que o projeto está em consonância com o «desenvolvimento de uma rede europeia de transportes aéreos integrada» na aceção do n.o 12 do Plano de ação sobre a capacidade, eficiência e segurança dos aeroportos na Europa (27), nos termos do qual «seria desejável desbloquear a capacidade latente existente em aeroportos regionais, desde que os Estados-Membros respeitem os instrumentos jurídicos comunitários em matéria de auxílios estatais».

(114)

A Alemanha sustentou ainda que a realização do projeto deveria ter um efeito positivo em toda a região e influenciar substancialmente a sua evolução económica e social. De acordo com a Alemanha, o projeto de investimento irá, em especial, melhorar a acessibilidade da região e torná-la mais atrativa para os investidores e os visitantes. A este respeito, a Alemanha argumentou que o projeto de investimento terá igualmente um impacto positivo no emprego. A fim de sustentar este argumento, a Alemanha afirmou que a taxa de desemprego na região da Saxónia se eleva a 10,3 % e na Saxónia-Anhalt a 11,2 %, uma percentagem que é superior à média alemã de 6,9 %.

(115)

Assim, a Alemanha sustentou que o auxílio estatal serve um objetivo de interesse comum bem definido.

3.4.2.   Necessidade de intervenção do Estado

(116)

A Alemanha sustentou que nenhum investidor privado estaria interessado em financiar estas medidas de infraestrutura. A este respeito, a Alemanha declarou que o aeroporto de Leipzig/Halle sofre de um atraso a nível de investimento histórico. Além disso, segundo a Alemanha, as medidas dizem respeito a investimentos a longo prazo em infraestruturas que satisfazem as necessidades do aeroporto tendo em vista o aumento futuro do transporte de mercadorias. A Alemanha alega, sem apresentar elementos de prova, que as medidas não são desproporcionadas na sua dimensão nem acarretam custos desproporcionados. Na opinião da Alemanha, uma redução adicional do financiamento estatal não é possível, uma vez que uma infraestrutura desta magnitude não pode ser financiada através de recursos próprios dos operadores aeroportuários.

(117)

A Alemanha argumentou igualmente que as receitas provenientes dos serviços aeroportuários não cobrem os custos de construção da infraestrutura, tendo fundamentado este argumento com base numa avaliação contrafactual e num défice de financiamento.

(118)

Assim, a Alemanha é de opinião que o auxílio irá trazer uma melhoria substancial ao projeto de investimento que o próprio mercado não proporciona e que existe uma necessidade de intervenção do Estado.

3.4.3.   Adequação da medida de auxílio

(119)

A Alemanha sustentou que o auxílio seria uma medida de auxílio adequada. A este respeito, a Alemanha sustenta que, devido à localização do aeroporto na antiga República Democrática Alemã, o aeroporto sofre de um atraso a nível de investimento e tem de realizar investimentos significativos num período mais curto do que outros aeroportos.

(120)

Além disso, segundo a Alemanha, sem o auxílio estatal as medidas de infraestrutura nem sequer teriam sido realizadas. Para apoiar este argumento, a Alemanha defendeu que, em 2005, o grupo MFAG gerou receitas entre 83,8 e 118 milhões de EUR e a FLH entre 47 e 80 milhões de EUR. Por conseguinte, na opinião da Alemanha, o volume de investimento de 255,625 milhões de EUR é, assim, 2 a 3 vezes superior às receitas consolidadas da MFAG e 3 a 5 vezes superior às receitas da FLH durante o período em que foram tomadas decisões em relação aos projetos de infraestrutura.

(121)

Por último, a Alemanha declarou que o rácio entre o volume de receitas e de investimento demonstra que as empresas em causa não realizariam estas medidas sem financiamento público.

3.4.4.   Efeito de incentivo

(122)

No que diz respeito ao efeito de incentivo, a Alemanha salientou que o montante e a intensidade de auxílio estatal das medidas de infraestrutura em causa se justificavam. A Alemanha alegou que as medidas de infraestrutura nem sequer teriam sido executadas sem o financiamento do Estado (ver secção 3.4.3).

(123)

Contrariamente ao que defende a Comissão, a Alemanha salientou que o facto de alguns dos projetos de investimento já terem sido concluídos não reduziu o efeito de incentivo, uma vez que os compromissos de financiamento por parte dos acionistas já tinham sido assumidos antes do início da execução das medidas de infraestrutura. De acordo com a Alemanha, a declaração da Comissão de que os projetos de infraestrutura podem dar origem a uma qualquer rendibilidade significativa do capital não tem claramente em conta a natureza das medidas em causa, sendo igualmente incompatível com a anterior prática de tomada de decisões da Comissão. Segundo a Alemanha, a Comissão já tinha reconhecido, em várias ocasiões, que, normalmente, as medidas deste tipo não dão origem a nenhuma rendibilidade significativa do capital.

3.4.5.   Proporcionalidade do auxílio (limitação do auxílio ao mínimo necessário)

(124)

Segundo a Alemanha, a proporcionalidade das medidas de infraestrutura pode igualmente ser deduzida do facto de que tais medidas ajudam a reduzir o congestionamento noutros aeroportos de carga alemães.

(125)

Além disso, a Alemanha declarou que o montante e a intensidade do financiamento se limitaram ao mínimo estritamente necessário para executar as medidas de infraestrutura. De acordo com a Alemanha, os custos foram determinados previamente através da obtenção de estimativas de custos e planos preliminares. Além disso, a Alemanha sustentou que, contrariamente ao que a Comissão alegava, o aeroporto não era capaz de aumentar as suas receitas através do aumento das taxas aeroportuárias. Na opinião da Alemanha, tal acontece porque a maior parte dos investimentos diz respeito às medidas de infraestrutura às quais não podem ser impostas taxas separadas.

(126)

Além disso, a Alemanha declarou que, em geral, não foi possível cobrir os custos de investimento para a construção da infraestrutura aeroportuária através do aumento das taxas pagas pelos utilizadores do aeroporto. A Alemanha argumentou que, uma vez que as taxas aeroportuárias foram aprovadas pela autoridade aeroportuária pertinente do respetivo Land em que o aeroporto em causa se situava, os custos de investimento para a construção da infraestrutura aeroportuária não puderam ser transferidos para os utilizadores da infraestrutura ao critério do operador. De acordo com a Alemanha, qualquer aumento adicional das taxas aeroportuárias do aeroporto de Leipzig/Halle não estaria em conformidade com o mercado e não seria exequível em relação às companhias aéreas que utilizam o aeroporto. Segundo a Alemanha, deve ter-se em mente que as tarifas praticadas pela FLH já são superiores às taxas habituais de mercado.

(127)

Além disso, a Alemanha argumenta que a intensidade do auxílio previsto se justificava. De acordo com a Alemanha, apenas o montante previsto de financiamento público poderia garantir que os investimentos podem ser efetuados na medida e dentro do prazo necessário. A Alemanha declarou que a impossibilidade de financiar as medidas de infraestrutura aeroportuária regionais deste tipo através de um financiamento privado é suficientemente demonstrada tanto pela prática de tomada de decisões da Comissão como pelo facto de não existir um único caso conhecido em que os investidores privados tenham financiado tais medidas a expensas próprias.

(128)

A Alemanha argumentou que a Comissão aprovou, repetida e frequentemente, intensidades de auxílio até 100 %. De acordo com a Alemanha, para investimentos semelhantes aos investimentos em questão, a prática da Comissão revelou que tais investimentos devem ter uma intensidade de auxílio de, pelo menos, 75 % a fim de serem realizados.

(129)

A Alemanha declarou que, uma vez que a FLH foi construída no interesse público da Alemanha, as medidas de infraestrutura não se basearam em qualquer plano de negócios, cálculo de rendibilidade ou demonstrações financeiras.

(130)

A pedido da Comissão, a Alemanha forneceu cálculos em relação ao défice de financiamento, tal como sintetizado no quadro 5 e no quadro 6.

Quadro 5

Cálculo do défice de financiamento — Cenário I — Investimentos financiados através de injeções de capital realizadas em 2014

Cenário I — Investimentos financiados através de injeções de capital realizadas em 2014

Em milhões de EUR

Taxa de desconto (28)

[…] %

VAL (valor atual líquido) da Σ (soma) dos fluxos de caixa da FLH em 2006-2055

[…]

VAL das medidas de investimento notificadas M1-M16.2 (incluindo custos correspondentes a missões de serviço público)

189,4

VAL do défice de financiamento

166,9

Intensidade de auxílio (29)

88,1 %


Quadro 6

Cálculo do défice de financiamento — Cenário II — Investimentos financiados através de injeções de capital realizadas em simultâneo com investimentos

Cenário II — Investimentos financiados através de injeções de capital realizadas no momento da necessidade de financiamento (30)

Em milhões de EUR

Taxa de desconto

[…] %

VAL (valor atual líquido) da Σ (soma) dos fluxos de caixa da FLH em 2006-2055

[…]

VAL das medidas de investimento notificadas M1-M16.2 (incluindo custos correspondentes a missões de serviço público)

189,4

VAL do défice de financiamento

142,1

Intensidade de auxílio (31)

75,00 %

3.4.6.   Prevenção de efeitos negativos indesejados na concorrência e nas trocas comerciais entre Estados-Membros

(131)

No que se refere à prevenção de efeitos negativos indesejados na concorrência e nas trocas comerciais entre Estados-Membros, a Alemanha salientou que o equilíbrio global das medidas de infraestrutura no aeroporto de Leipzig/Halle seria positivo e que as medidas não teriam um efeito indesejado nas trocas comerciais e na concorrência entre os Estados-Membros. A este respeito, a Alemanha sustentou que as medidas de infraestrutura em causa são de natureza não expansionista e não têm qualquer efeito no volume de tráfego. A Alemanha salientou que a Comissão já tinha reconhecido, noutras decisões, que as medidas de natureza não expansionista não têm um impacto significativo na concorrência entre aeroportos.

(132)

A Alemanha dividiu os potenciais concorrentes da FLH em três categorias principais: (i) aeroportos na proximidade do aeroporto de Leipzig/Halle, (ii) outros aeroportos de carga alemães e (iii) principais aeroportos de carga da União.

(133)

Relativamente aos aeroportos localizados na proximidade de Leipzig/Halle, a Alemanha observou que nenhum destes aeroportos se especializou no transporte aéreo de mercadorias. Além disso, a Alemanha sustentou que nenhum dos seguintes aeroportos, tais como os de Altenburg-Nobitz, Berlim-Brandeburgo, Dresda, Erfurt, Hof, Magdeburg, Magdeburg-Cochstedt e Praga, estavam verdadeiramente em concorrência com o aeroporto de Leipzig/Halle. Para sustentar este argumento, a Alemanha declarou que, para alguns destes aeroportos, as distâncias geográficas eram excessivas, os aeroportos estavam localizados em diferentes regiões económicas, as zonas de captação eram bastante diferentes ou a dimensão dos aeroportos era muito reduzida.

(134)

No que respeita aos outros aeroportos alemães de carga, a Alemanha declarou que a concorrência do aeroporto de Leipzig/Halle era limitada, uma vez que os principais «hubs» de carga aérea alemães (Frankfurt am Main, Munique e Colónia/Bona), que estavam em concorrência com Leipzig/Halle, tinham problemas de congestão ou restrições aos voos noturnos.

(135)

De acordo com a Alemanha, também não havia uma sobreposição concorrencial com os outros aeroportos de carga da União, principalmente com os de Bruxelas e Vatry. A este respeito, a Alemanha declarou que, por estar incomparavelmente bem posicionado no centro da Europa, o aeroporto de Leipzig/Halle servia tanto a Europa Ocidental como a Europa Oriental, mas que nem o aeroporto de Bruxelas nem o de Vatry estavam em condições de garantir um acesso suficiente aos mercados cada vez mais importantes da Europa Central e Oriental. No que diz respeito ao aeroporto de Vatry, a Alemanha salientou que se tratava de um aeroporto de dimensão muito reduzida e que, em 2010, o volume de carga aérea transportada pelo aeroporto de Leipzig/Halle tinha sido, por exemplo, 80 vezes superior ao volume de carga aérea transportada pelo aeroporto de Vatry. Além disso, segundo a Alemanha, Vatry não beneficiava das mesmas boas ligações à rede de transporte ferroviário e rodoviário que o aeroporto de Leipzig/Halle. No que diz respeito ao aeroporto de Bruxelas, a Alemanha argumentou que, enquanto o aeroporto de Leipzig/Halle tinha registado, nos últimos anos, um aumento no volume de carga transportada, o aeroporto de Bruxelas registou uma diminuição durante o mesmo período. Além disso, segundo a Alemanha, o aeroporto de Bruxelas estava sujeito a uma restrição significativa no que se refere aos voos noturnos e, por conseguinte, a concorrência era limitada.

(136)

Além do mais, a Alemanha declarou que, contrariamente à opinião da Comissão, todos os utilizadores potenciais tiveram acesso à infraestrutura aeroportuária de forma equitativa e não discriminatória. De acordo com a Alemanha, os utilizadores individuais do aeroporto não beneficiaram de quaisquer descontos injustificados baseados em volumes. Além disso, na opinião da Alemanha, a questão do acesso igual e não discriminatório ao aeroporto já foi abordada pela Comissão na sua decisão anterior relativa ao financiamento do aeroporto de Leipzig/Halle (32).

(137)

Consequentemente, a Alemanha é da opinião que o eventual auxílio estatal pode ser considerado compatível com o mercado interno.

4.   OBSERVAÇÕES APRESENTADAS POR TERCEIROS

4.1.   MITTELDEUTSCHE AIRPORT HOLDING (MFAG)

(138)

Em 26 de outubro de 2011, a MFAG apresentou, em conjunto com a FLH, observações sobre a decisão de início do procedimento. As observações da MFAG estão amplamente em consonância com as observações da Alemanha.

4.1.1.   Conceito de atividade económica e missão de serviço público

(139)

A MFAG declarou ainda que a construção de infraestruturas no aeroporto de Leipzig/Halle não constitui uma atividade económica. Assim, de acordo com a MFAG, o financiamento em questão não se inscreve no âmbito de aplicação do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE. Neste contexto, a MFAG sustentou que um investidor privado não teria executado as medidas em questão e ainda não as teria executado. Por conseguinte, a MFAG declarou que não existe nenhum mercado para uma infraestrutura aeroportuária. Neste contexto, a MFAG declarou ainda que os aeroportos não são capazes de financiar, eles próprios, os seus investimentos em infraestruturas. A MFAG receava que a aplicação das regras em matéria de auxílios estatais a infraestruturas aeroportuárias conduzisse a uma diminuição dos investimentos em infraestruturas aeroportuárias.

(140)

A MFAG afirmou igualmente que o aeroporto de Leipzig/Halle foi desenvolvido no interesse público e que o teste OEM não é aplicável ao financiamento de infraestruturas aeroportuárias. Neste contexto, a MFAG sustentou que, na União, não há registo de um único caso em que um investidor privado tenha construído ou desenvolvido significativamente um aeroporto a partir dos seus próprios recursos. Por conseguinte, de acordo com a MFAG, em vez de utilizar o teste OEM, a Comissão deve avaliar se a infraestrutura é disponibilizada a todos os seus utilizadores de forma aberta e não discriminatória. A MFAG declarou ainda que é o que acontece no aeroporto de Leipzig/Halle. Assim, de acordo com a MFAG, as medidas de infraestrutura não se basearam num plano de negócios nem em perspetivas de rendibilidade a longo prazo.

(141)

Além disso, a MFAG esclareceu ainda que a construção do aeroporto ajudou a prosseguir os objetivos de política regional e a apoiar uma região economicamente desfavorecida. A MFAG sublinhou que se trata de uma responsabilidade típica do Estado que não pode ser assumida por investidores privados e, por conseguinte, não pode ser avaliada ao abrigo das regras em matéria de auxílios estatais.

(142)

A MFAG alegou ainda que, mesmo que — quod non — o financiamento da infraestrutura em geral constitua uma atividade económica, as medidas em causa correspondem a missões de serviço público e, por conseguinte, não constituem um auxílio estatal.

(143)

No que se refere a atividades correspondentes a missões de serviço público, a MFAG declarou que a Comissão deve estabelecer uma distinção entre a proteção do transporte aéreo contra ameaças externas, a proteção do tráfego aéreo contra riscos operacionais e a proteção de terceiros contra riscos operacionais associados ao tráfego aéreo. A este respeito, a MFAG declarou que a proteção contra riscos operacionais e a proteção dos direitos de terceiros devem ser consideradas abrangidas por missões de serviço público. A MFAG afirmou que, na sua prática de tomada de decisões, a Comissão tinha considerado medidas nos domínios da prevenção de incêndios, da navegação aérea e do controlo do tráfego aéreo, especialmente o Deutscher Wetterdienst (serviço metereológico alemão) e a Deutsche Flugsicherung (navegação aérea alemã), como correspondentes a missões de serviço público.

4.1.2.   Conformidade dos empréstimos de acionistas concedidos à FLH com o mercado

(144)

De acordo com a MFAG, os empréstimos de acionistas foram concedidos em condições de mercado. A MFAG afirmou que as notações de risco da MFAG emitidas pelo Nord LB e pelo Deutsche Kreditbank AG devem ser tidas em conta. Neste contexto, a MFAG esclareceu que o Nord LB e o Deutsche Kreditbank AG classificaram a MFAG e a FLH na categoria de notação de risco […] com uma probabilidade média de incumprimento de […] %. A MFAG esclareceu igualmente que a categoria de notação de risco […] é comparável à categoria de notação externa da Standard & Poor’s de […] a […], à categoria de notação externa da Moody’s de […] a […] e à categoria de notação externa da Fitch de […] a […].

(145)

A MFAG declarou ainda que os empréstimos de acionistas concedidos à FLH estavam igualmente cobertos por garantias elevadas. Além disso, a MFAG esclareceu que os empréstimos concedidos à FLH serão utilizados para financiar investimentos em infraestruturas sustentáveis. A MFAG esclareceu igualmente que os ativos da FLH não se encontravam garantidos por quaisquer hipotecas («Grundpfandrechte»). Assim, a MFAG é da opinião que, tendo em conta a excelente notação de risco e o nível elevado de garantia, a margem de risco deve ser fixada, no máximo, em […] pontos de base.

(146)

Dado que as margens de risco dos empréstimos concedidos à FLH se situam entre […] e […] pontos de base, a MFAG é da opinião que os empréstimos foram concedidos em condições de mercado e não comportam qualquer elemento de auxílio estatal.

4.1.3.   Compatibilidade do auxílio

(147)

A MFAG é da opinião que, em todo o caso, as injeções de capital seriam compatíveis com o mercado interno.

(148)

A MFAG declarou que o aeroporto de Leipzig/Halle tem um grande impacto positivo no emprego na região, com 5 100 funcionários (incluindo os trabalhadores da MFAG, das companhias aéreas, dos restaurantes, das empresas de restauração, das autoridades públicas e de outras empresas) a trabalhar diretamente no aeroporto e aproximadamente 8 100 funcionários indiretos.

(149)

Além disso, a MFAG salientou que, tendo em conta os problemas de congestão e as restrições aos voos noturnos verificados noutros aeroportos (tal como nos aeroportos de Frankfurt am Main, Munique, Berlim, Düsseldorf e Hamburgo), o aeroporto de Leipzig/Halle desempenha um papel importante em termos de descongestionamento desses outros aeroportos alemães, contribuindo assim para a segurança do aprovisionamento para a Alemanha na sua globalidade.

(150)

No que se refere à natureza não discriminatória das taxas aeroportuárias, a MFAG declarou que a tabela das taxas aeroportuárias no aeroporto de Leipzig/Halle não se destina a favorecer apenas uma companhia aérea e que todas as companhias aéreas pagam as mesmas taxas de aterragem. Assim, de acordo com a MFAG, a infraestrutura é utilizada por todos os seus utilizadores de forma uniforme e não discriminatória.

(151)

No que respeita à necessidade do auxílio e ao seu efeito de incentivo, a MFAG afirmou que as medidas não teriam sido executadas sem os empréstimos de acionistas ou as injeções de capital. De acordo com a MFAG, a soma total do investimento, no valor de 225,6 milhões de EUR, representa duas ou três vezes o volume de negócios médio da MFAG e mais de cinco vezes o volume de negócios médio anual da FLH no período em os projetos de infraestrutura foram decididos. Segundo a MFAG, o facto de as medidas já terem sido parcialmente executadas não exclui a presença do efeito de incentivo, uma vez que estas medidas só foram executadas depois de recebidas garantias de financiamento e decisões dos acionistas públicos, que forneceram igualmente o financiamento intercalar através de empréstimos de acionistas.

(152)

A MFAG afirmou que as medidas em causa não falseiam a concorrência. Além disso, a MFAG considerou que não há qualquer impacto negativo no aeroporto de Bruxelas nem no aeroporto de Vatry. De acordo com a MFAG, foram impostas restrições aos voos noturnos ao aeroporto de Bruxelas, motivo pelo qual a DHL decidiu mudar-se, a longo prazo, para o aeroporto de Leipzig/Halle. No que diz respeito ao aeroporto de Vatry, a MFAG afirmou que, de acordo com artigos de imprensa, a atividade de transporte de mercadorias neste aeroporto é muito limitada (apenas cerca de 5 a 6 voos por semana).

4.2.   ARBEITSGEMEINSCHAFT DEUTSCHER VERKEHRSFLUGHÄFEN (ADV)

(153)

A ADV enviou as suas observações sobre a decisão de início do procedimento no dia 27 de outubro de 2011. As observações da ADV estão plenamente em consonância com as observações da MFAG. A ADV salientou que o aeroporto de Leipzig/Halle é importante para o desenvolvimento regional.

4.3.   DEUTSCHE FLUGSICHERUNG (DFS) (SERVIÇO ALEMÃO DE CONTROLO DO TRÁFEGO AÉREO)

(154)

A DFS apresentou as suas observações por carta de 28 de outubro de 2011.

(155)

A DFS declarou que os projetos de infraestrutura M3 a M8 e M10 (ver quadro 2) contribuem para a gestão segura e harmoniosa do tráfego aéreo no aeroporto de Leipzig/Halle. A este respeito, a DFS declarou que a medida M3 contribuiu para aliviar a pressão exercida sobre as pistas de circulação, que a medida M5 era urgentemente necessária para assegurar que não havia qualquer obstáculo a impedir a circulação na parte sul do aeroporto e que a medida M8 serviu de base a operações de salvamento aéreo e de emergência. A DFS declarou ainda que a medida M10 facilitaria o seu trabalho, nos termos do artigo 29.o-b (2) da Luftverkehrsgesetz (Lei do tráfego aéreo, «LuftVG»), de desenvolvimento de esforços para proteção dos cidadãos contra o ruído excessivo.

4.4.   ACIONISTA DA MFAG OU/E DA FLH

4.4.1.   Landkreis Nordsachsen

(156)

O Landkreis Nordsachsen apresentou as suas observações por carta de 27 de outubro de 2011.

(157)

O Landkreis Nordsachen declarou que o aeroporto era um incentivo importante para o desenvolvimento económico e o emprego na região. Além disso, o Landkreis Nordsachsen indicou que, por razões históricas, o aeroporto tinha uma maior necessidade de investimentos adicionais do que outros aeroportos alemães. Afirmou que o conceito de atividades correspondentes a missões de serviço público deve ser interpretado de forma mais lata.

(158)

O Landkreis Nordsachsen declarou ainda que as taxas aeroportuárias não são suficientes para financiar os investimentos necessários. Na sua opinião, as injeções de capital previstas tinham um efeito de incentivo. O Landkreis Nordsachsen concluiu as suas observações declarando que, sem o financiamento, o aeroporto não teria sido capaz de executar o projeto de infraestrutura.

4.4.2.   Cidade de Dresden

(159)

A cidade de Dresden, um acionista minoritário da MFAG, apresentou as suas observações em 28 de outubro de 2011. As observações da cidade de Dresden estavam em consonância com as observações da MFAG e do Landkreis Nordsachsen.

(160)

A cidade de Dresden declarou que o aeroporto é o maior empregador na região, empregando diretamente 5 100 pessoas. Assim, a cidade de Dresden sublinhou que o aeroporto é um importante incentivo económico para a região. Além disso, a cidade de Dresden argumentou que, devido à autorização de voos noturnos, o aeroporto de Leipzig/Halle desempenha um papel importante no descongestionamento de outros aeroportos alemães.

(161)

A cidade de Dresden afirmou que os custos de investimento em infraestruturas aeroportuárias não podem ser plenamente financiados através de taxas aeroportuárias pelos utilizadores do aeroporto. Afirmou ainda que, historicamente, o desenvolvimento dos aeroportos foi, geralmente, financiado pelo Estado. Além disso, de acordo com a cidade de Dresden, na Alemanha as taxas aeroportuárias não são fixadas livremente pelos operadores aeroportuários, tendo de ser oficialmente aprovadas pelas autoridades públicas.

(162)

A cidade de Dresden afirmou ainda que as medidas de infraestrutura no aeroporto de Leipzig/Halle não afetaram indevidamente o mercado interno, uma vez que todos os aeroportos concorrentes alemães e estrangeiros estavam a funcionar a níveis próximos da capacidade plena, enquanto o aeroporto de Vatry praticamente não funcionava.

4.4.3.   Cidade de Leipzig

(163)

Em 28 de outubro de 2011, a Comissão recebeu as observações da cidade de Leipzig, que é um dos acionistas da MFAG. As observações da cidade de Leipzig estavam plenamente em consonância com as observações da cidade de Dresden e da MFAG.

4.5.   TRANSPORTADORES DE CARGA AÉREA E EMPRESAS DE DISTRIBUIÇÃO DE ENCOMENDAS EXPRESSO

4.5.1.   European Air Transport Leipzig (EAT)

(164)

Em 27 de outubro de 2011, a EAT, uma empresa de transporte aéreo de mercadorias sediada no aeroporto de Leipzig/Halle, apresentou as suas observações sobre a decisão de início do procedimento. A EAT declarou que é detida a 100 % pela Deutsche Post AG e utiliza o aeroporto de Leipzig/Halle como o seu «hub» principal.

(165)

A EAT afirmou que, tanto quanto era do seu conhecimento, todos os potenciais utilizadores têm um acesso igual e não discriminatório à infraestrutura. A EAT esclareceu ainda que tal afirmação era nomeadamente sustentada pelo sistema de preços transparente aplicável a todos os utilizadores.

4.5.2.   Lufthansa Cargo

(166)

A Lufthansa Cargo apresentou as suas observações em 26 de outubro de 2011. As suas observações estão plenamente em consonância com as observações da EAT. A Lufthansa Cargo confirmou que todos os potenciais utilizadores têm um acesso equitativo e não discriminatório ao aeroporto.

4.5.3.   Emons Spedition

(167)

A Emons Spedition apresentou as suas observações em 18 de outubro de 2011. As observações da Emons estão plenamente em consonância com as da EAT. A Emons sublinhou que o financiamento público das melhorias das infraestruturas aeroportuárias é essencial tanto para os aeroportos como para os utilizadores dos mesmos.

4.5.4.   Spero Logistics Europe

(168)

A Spero Logistics Europe apresentou as suas observações em 28 de outubro de 2011. As observações da Spero estão plenamente em consonância com as observações da EAT e da Emons Spedition.

(169)

A Spero declarou ainda que a autorização para operar voos noturnos reveste-se de particular importância para o transporte de carga aérea. A Spero esclareceu que decidiu basear as suas operações em Leipzig/Halle devido à sua localização geográfica (no centro da Europa, proporcionando acesso ao maior mercado europeu e representando um menor tempo de voo para a Ásia).

4.5.5.   Deutsch Russische Wirtschaftsallianz e.V. (aliança económica alemã-russa)

(170)

Em 25 de outubro de 2011, a Deutsch Russische Wirtschaftsallianz («Wirtschaftsallianz») sustentou que o desenvolvimento do aeroporto é essencial para o crescimento económico na região.

(171)

A Wirtschaftsallianz declarou que o aeroporto de Leipzig/Halle era importante no contexto do projeto SALIS criado para os transportes especiais necessários para as operações da NATO no Afeganistão. A Wirtschaftsallianz alegou que as condições para a execução deste projeto só estavam atualmente disponíveis em Leipzig. A Wirtschaftsallianz esclareceu ainda que tal refere-se, em especial, aos requisitos de segurança no âmbito das diretivas da NATO, à licença de exploração permanente, aos 3 000 metros de pistas de aterragem e de descolagem, a zonas de armazenamento e carregamento suficientes e à capacidade de manutenção técnica da aeronave russa utilizada no projeto SALIS.

4.5.6.   Outros transitários e associações

(172)

A Comissão recebeu igualmente observações da Skyline Air Services, Netzwerk Logistik Leipzig-Halle e.V., Kühne+Nagel, Jet-Speed, Jade Cargo, Baring, Air Cargo Club Deutschland, Aerologic e Volga-Dnepr. As suas observações estavam plenamente em consonância com as observações da EAT, sublinhando a importância do aeroporto de Leipzig/Halle para a acessibilidade e o desenvolvimento regionais.

4.6.   COMPANHIAS AÉREAS DE PASSAGEIROS E ASSOCIAÇÕES DE TURISMO

4.6.1.   Germanwings

(173)

A Germanwings, a filial da Deutsche Lufthansa AG, apresentou as suas observações em 26 de outubro de 2011.

(174)

A Germanwings declarou que a construção e o desenvolvimento de infraestruturas aeroportuárias não poderiam ser integralmente financiados através das taxas aeroportuárias. A Germanwings explicou que uma grande parte das medidas identificadas na decisão de início do procedimento estava relacionada com medidas de segurança aérea ou com medidas de aplicação das regras de segurança. A Germanwings declarou ainda que estas medidas não estão abrangidas pelo âmbito de aplicação das regras em matéria de auxílios estatais.

(175)

A Germanwings salientou que a Comissão deve ter em conta a situação específica do aeroporto de Leipzig/Halle e o atraso a nível de investimento em infraestruturas aeroportuárias devido à reunificação da Alemanha.

(176)

Além disso, a Germanwings declarou que a infraestrutura no aeroporto de Leipzig/Halle está disponível para todos os potenciais utilizadores, sem qualquer discriminação ou tratamento preferencial de facto de uma companhia aérea.

4.6.2.   Outras companhias aéreas e associações de turismo

(177)

A Comissão recebeu igualmente observações da Austrian Airlines, Alltours, Bundesverband der Deutsche Luftverkehrswirtschaft, Deutscher Reise Verband e Bundesverband der Deutschen Tourismuswirtschaft. As suas observações estavam plenamente em consonância com as observações da Germanwings.

4.7.   EMPRESAS SITUADAS NA PROXIMIDADE DO AEROPORTO E ASSOCIAÇÕES

4.7.1.   BMW Werk Leipzig (BMW)

(178)

A BMW apresentou as suas observações por carta de 27 de outubro de 2011.

(179)

A BMW declarou que o aeroporto de Leipzig/Halle é importante para a indústria local e tem efeitos externos positivos na região e nas empresas aí estabelecidas. A BMW declarou ainda que a Comissão deve tomar em consideração o atraso a nível de investimento no aeroporto de Leipzig/Halle antes da reunificação da Alemanha. Tendo em conta a importância do aeroporto para a região, a BWM considera que o financiamento público deve ser considerado compatível.

4.7.2.   EADS Elbe Flugzeugwerke (EADS)

(180)

A EADS apresentou as suas observações sobre a decisão de início do procedimento por carta de 27 de outubro de 2011.

(181)

A EADS salientou que o aeroporto de Leipzig/Halle é muito importante para a economia da região e tinha sido um fator importante na decisão da EADS de estabelecer a sua filial nesta região.

4.7.3.   European Energy Exchange AG (EEX)

(182)

A EEX, uma empresa de comercialização de energia com sede em Leipzig, apresentou as suas observações em 27 de outubro de 2011.

(183)

A EEX declarou que o aeroporto de Leipzig/Halle era muito importante para a região e para os seus funcionários. A EEX declarou ainda que não vê qualquer possibilidade de substituir a FLH utilizando, como alternativa, outros aeroportos europeus.

4.7.4.   Industrie- und Handelskammer Halle-Dessau [Câmara de Comércio e Indústria de Halle-Dessau] (IHK)

(184)

A IHK apresentou as suas observações em 26 de outubro de 2014.

(185)

A IHK afirmou que existem interdependências positivas resultantes da concorrência no mercado aeroportuário da União. A este respeito, a IHK declarou que a melhoria das infraestruturas num local também tem um impacto positivo noutros aeroportos. Neste sentido, a IHK declarou ainda que os efeitos de rede positivos do programa de infraestruturas no aeroporto de Leipzig/Halle foram predominantes. Na opinião da IHK, a fragilidade estrutural e o atraso a nível de investimento verificados na Alemanha Oriental devem ser tidos em conta. Por último, a IHK afirmou que, sem um investimento público inicial, grandes investimentos subsequentes por parte do setor privado eram inconcebíveis.

4.7.5.   Outras associações

(186)

A Comissão recebeu igualmente observações da Handwerkskammer zu Leipzig, Industrie- und Handelskammer zu Leipzig, Wirtschaftsinitiative Mitteldeutschland e Leipziger Messe. Estas observações estavam plenamente em consonância com as observações da BMW e da EADS.

4.8.   INICIATIVA «ANTIRRUÍDO» DOS CIDADÃOS DA CIDADE DE SCHKEUDITZ

(187)

A iniciativa dos cidadãos apresentou as suas observações em 24 de agosto de 2011.

(188)

A iniciativa dos cidadãos afirmou que os seus membros tinham observado que a pista sul foi utilizada quase exclusivamente pela DHL. De acordo com a iniciativa dos cidadãos, a DHL era praticamente o único utilizador da pista e da zona sudeste do aeroporto. A iniciativa explicou que, à luz da utilização intensiva desta infraestrutura pela DHL, não poderia presumir-se que os investimentos estavam relacionados com o transporte de passageiros.

5.   OBSERVAÇÕES DA ALEMANHA SOBRE AS OBSERVAÇÕES APRESENTADAS POR TERCEIROS

(189)

A Alemanha começou por afirmar, nas suas observações, que as observações de 34 terceiros apoiavam a aplicação das medidas notificadas.

(190)

A Alemanha declarou que as observações de terceiros confirmaram a sua opinião de que as medidas de infraestrutura em causa correspondem a missões de serviço público. Neste contexto, a Alemanha salientou que a DFS sublinhou que as medidas M3 a M8 e M10 constituíam medidas que foram realizadas no exercício de responsabilidades governamentais. A Alemanha sublinhou igualmente que inúmeros terceiros argumentaram que as regras em matéria de auxílios estatais não eram aplicáveis às medidas em causa.

(191)

Além disso, a Alemanha salientou que as observações demonstram claramente que o financiamento público está em conformidade com os critérios previstos no artigo 107.o, n.o 3, do TFUE. A Alemanha declarou, em especial, que as cidades, as autoridades locais e as câmaras de comércio, bem como as empresas situadas na região, salientaram a importância económica e regional do aeroporto. Por conseguinte, de acordo com a Alemanha, não havia dúvidas de que a construção e o funcionamento do aeroporto servem um objetivo de interesse comum bem definido. Além disso, a Alemanha argumentou que as observações de terceiros também confirmaram a necessidade e a proporcionalidade do financiamento público.

(192)

No que se refere ao eventual impacto negativo na concorrência e nas trocas comerciais, a Alemanha salientou que nem o aeroporto de Vatry nem o de Bruxelas apresentaram observações sobre a decisão de início do procedimento. De acordo com a Alemanha, tal revelou que nenhum destes aeroportos estava preocupado com qualquer impacto negativo das medidas em causa. A Alemanha salientou que este ponto de vista foi apoiado também por outros terceiros, tais como a Lufthansa Cargo, a Austrian Airlines, a Germanwings e a Jade Cargo. A Alemanha afirmou ainda que a Alltours, a Deutscher Reise Verband, a BARING e a Aircargo Club Deutschland declararam igualmente que não existe uma sobreposição concorrencial das zonas de captação entre o aeroporto de Leipzig/Halle e o de Bruxelas ou Vatry.

(193)

Relativamente ao requisito de um acesso equitativo e não discriminatório ao aeroporto, a Alemanha salientou que as observações de terceiros confirmam que as taxas aeroportuárias foram determinadas de forma não discriminatória.

6.   AVALIAÇÃO

(194)

Nos termos do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE «são incompatíveis com o mercado comum, na medida em que afetem as trocas comerciais entre os Estados-Membros, os auxílios concedidos pelos Estados ou provenientes de recursos estatais, independentemente da forma que assumam, que falseiem ou ameacem falsear a concorrência, favorecendo certas empresas ou certas produções».

(195)

Os critérios previstos no artigo 107.o, n.o 1, do TFUE são cumulativos. Por conseguinte, a fim de determinar se as medidas em causa constituem um auxílio estatal na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE, essas medidas devem satisfazer as seguintes condições:

a)

ser concedidas pelo Estado ou através de recursos estatais;

b)

favorecer certas empresas ou a produção de certos bens;

c)

falsear ou ameaçar falsear a concorrência;

d)

afetar as trocas comerciais entre os Estados-Membros.

6.1.   NOÇÃO DE EMPRESA E DE ATIVIDADE ECONÓMICA

6.1.1.   Noção de empresa

(196)

No que diz respeito à existência ou outra forma de auxílio estatal, é necessário determinar, em primeiro lugar, se o beneficiário exerce uma atividade económica e, por conseguinte, pode ser considerado uma empresa na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE (33).

(197)

A este respeito, a Alemanha sustentou que o conceito de «empresa» na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE não é aplicável a aeroportos, pelo menos no que respeita ao financiamento de infraestruturas aeroportuárias regionais. A Alemanha era da opinião que a construção de tais infraestruturas não é uma atividade económica, mas uma medida geral de prossecução de considerações de política regional, económica e de transportes. Além disso, a Alemanha afirmou que a construção de infraestruturas aeroportuárias não constitui uma atividade económica, uma vez que um investidor privado não poderia exercer essa atividade. Neste contexto, a Alemanha afirmou ainda que os aeroportos suportam custos fixos superiores à média relacionados com as infraestruturas, o equipamento e a exploração. Além disso, a sua margem de manobra é limitada pela importância dos encargos e pelas condições jurídicas estritas. A Alemanha considerou ainda inoperantes para as medidas em causa as referências ao acórdão Aéroports de Paris e ao acórdão Leipzig/Halle. No que diz respeito ao acórdão Aéroports de Paris, a Alemanha sustentou que o mesmo não tem por objeto a construção de infraestruturas aeroportuárias, mas a sua exploração. Além disso, a Alemanha considerou que o acórdão Aéroports de Paris não procede à interpretação do conceito de «empresa» na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE, mas trata de uma violação da proibição de abuso de posição dominante na aceção do artigo 102.o do TFUE. No que diz respeito ao acórdão Leipzig/Halle, a Alemanha considerou que o acórdão do tribunal geral não tem qualquer efeito precedente na jurisprudência, uma vez que é passível de recurso.

(198)

No que diz respeito ao conceito de «empresa», há que salientar que o Tribunal de Justiça tem sistematicamente definido as empresas como entidades que desenvolvem uma atividade económica, independentemente do seu estatuto jurídico ou de propriedade, e do modo como são financiadas (34). Uma atividade económica é a atividade que consiste em oferecer bens e serviços num determinado mercado (35). A natureza económica de uma atividade como tal não depende do facto de a atividade gerar lucros (36).

(199)

No acórdão Aéroports de Paris  (37), o Tribunal estabeleceu que a exploração de um aeroporto que consiste na prestação de serviços aeroportuários a companhias aéreas e a diferentes prestadores de serviços constitui igualmente uma atividade económica. No seu acórdão no processo Aeroporto de Leipzig-Halle (38), o Tribunal Geral clarificou que a exploração de um aeroporto é uma atividade económica da qual faz parte integrante a construção da infraestrutura aeroportuária.

(200)

A Comissão recorda que, no seu acórdão Aeroporto de Leipzig-Halle, o Tribunal Geral estabeleceu que, a partir de 2000, já não podia ser excluída a aplicação das regras em matéria de auxílios estatais ao financiamento das infraestruturas aeroportuárias (39). Consequentemente, a partir da data do acórdão Aéroports de Paris (12 de dezembro de 2000), a exploração e a construção de infraestruturas aeroportuárias devem ser consideradas como abrangidas pelo âmbito do controlo dos auxílios estatais.

(201)

O Tribunal Geral estabeleceu igualmente, no seu acórdão Aeroporto de Leipzig/Halle, que não é pertinente se a construção ou a expansão de uma infraestrutura aeroportuária prossegue objetivos de política regional, económica ou de transportes. De acordo com a jurisprudência assente, não é pertinente saber que objetivos são prosseguidos por medidas específicas, mas sim os efeitos que as mesmas provocam (40).

(202)

Além disso, o Tribunal Geral confirmou, no seu acórdão Aeroporto de Leipzig/Halle, que a existência de um mercado para infraestruturas aeroportuárias é demonstrada pelo facto de o aeroporto de Leipzig/Halle estar em concorrência com outros aeroportos regionais, em especial com o de Vatry (França) e o de Bruxelas (Bélgica), para se tornar o «hub» de transporte aéreo de mercadorias europeu da DHL.

(203)

De acordo com a jurisprudência, há igualmente que considerar que, para efeitos de avaliação da natureza económica das atividades do gestor do aeroporto no contexto do financiamento público das medidas de desenvolvimento de infraestruturas, não existe nenhuma razão para dissociar a atividade de construção ou de ampliação de infraestruturas da sua utilização subsequente (41).

(204)

Além disso, o Tribunal Geral estabeleceu, no seu acórdão Aeroporto de Leipzig/Halle, que «na verdade, as pistas de aterragem e de descolagem são elementos essenciais para as atividades económicas levadas a cabo por um operador de aeroporto. A construção de pistas de aterragem e de descolagem permite assim a um aeroporto exercer a sua atividade económica principal, ou, quando se trata da construção de uma pista suplementar ou da extensão de uma pista existente, desenvolvê-la».

(205)

À luz da jurisprudência citada nos considerandos 196 e 204, a Comissão observa que a infraestrutura objeto da presente decisão será diretamente gerida numa base comercial pela FLH ou pelo gestor de aeroporto ou irá indiretamente apoiar e permitir a exploração comercial do aeroporto no seu conjunto.

(206)

A este respeito, a Comissão observa que, de acordo com o direito alemão, em especial o […], as taxas devem ser estabelecidas pelo operador aeroportuário e apresentadas para aprovação ao Ministério Federal dos Transportes. A Comissão observa que as taxas aeroportuárias são definidas pelos operadores aeroportuários dentro das restrições regulamentares para evitar qualquer discriminação indevida entre os utilizadores do aeroporto e possíveis abusos de posição dominante do gestor do aeroporto. No entanto, a Comissão considera que tal não impede os gestores de aeroporto de definirem o nível das taxas aeroportuárias tendo em conta os investimentos necessários e os seus custos. Tal é, em especial, confirmado pelos requisitos de […] e […] da […].

(207)

A Comissão observa ainda que a construção e o desenvolvimento das infraestruturas objeto da presente decisão permitirão à FLH aumentar a sua capacidade e a sua atividade económica como operador do aeroporto de Leipzig/Halle. A FLH, gestora do aeroporto, presta serviços aeroportuários a troco de dinheiro, proveniente, nomeadamente, das taxas aeroportuárias, mas também de outras receitas relacionadas com a exploração da infraestrutura e a prestação de serviços auxiliares tais como, por exemplo, o aluguer dos hangares, receitas essas que devem ser consideradas como remuneração pela prestação de serviços prestados.

(208)

Assim, a Comissão considera que a infraestrutura objeto da presente decisão é uma infraestrutura utilizável para fins comerciais. Por conseguinte, a FLH é uma empresa na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE.

6.1.2.   Atividades correspondentes a missões de serviço público

(209)

No entanto, nem todas as atividades de um aeroporto são necessariamente de natureza económica (42). Uma vez que a classificação de uma entidade como empresa é sempre feita em relação a uma atividade específica, é necessário estabelecer uma distinção entre as atividades de um dado aeroporto e estabelecer em que medida essas atividades são, ou não, de natureza económica. Se desenvolver simultaneamente atividades económicas e não económicas, um aeroporto deve ser considerado como uma empresa apenas no que se refere às primeiras.

(210)

Conforme julga o Tribunal, as atividades que, regra geral, são da responsabilidade do Estado no exercício das suas prerrogativas de poder público não são de natureza económica e, em geral, não se inserem no âmbito de aplicação das regras em matéria de auxílios estatais (43). Num aeroporto, as atividades como o controlo do tráfego aéreo, policiais, aduaneiras, de combate a incêndios, as atividades necessárias para proteger a aviação civil contra atos de interferência ilícita e os investimentos relacionados com as infraestruturas e o equipamento necessários para efetuar essas atividades são consideradas, em geral, de natureza não económica (44).

(211)

O financiamento público de tais atividades não económicas não constitui um auxílio estatal, devendo ser estritamente limitado à compensação dos custos a que elas dão origem e não podendo ser utilizado para financiar outras atividades (45). Qualquer eventual sobrecompensação pelas autoridades públicas dos custos incorridos em relação a atividades não económicas pode constituir um auxílio estatal. Além disso, se um aeroporto efetuar, paralelamente às suas atividades económicas, atividades não económicas, é necessária uma contabilidade de custos separada, a fim de evitar qualquer transferência de fundos públicos entre as atividades económicas e não económicas.

(212)

O financiamento público de atividades não económicas não deve conduzir a uma discriminação injustificada entre aeroportos. Com efeito, segundo a jurisprudência assente, existe uma vantagem sempre que as autoridades públicas aliviam as empresas dos custos inerentes às suas atividades económicas (46). Por conseguinte, quando, no âmbito de uma dada ordem jurídica, for normal que os aeroportos tenham de suportar certos custos inerentes à sua exploração, enquanto outros aeroportos não têm de fazê-lo, os últimos poderiam estar a beneficiar de uma vantagem, independentemente de esses custos estarem ou não relacionados com uma atividade, que, em geral, é considerada de natureza não económica.

(213)

À luz dos considerandos 209 e 212, a Comissão deve, por conseguinte, analisar a natureza das medidas de infraestrutura objeto da presente decisão que são executadas no aeroporto de Leipzig/Halle.

(214)

A Alemanha afirmou que as medidas notificadas M1 a M11 dizem respeito a atividades que correspondem a missões de serviço público e que o financiamento destas atividades se limita estritamente aos custos necessários para a execução de tais medidas. Assim, a Alemanha era da opinião que estes custos não estão abrangidos pelo âmbito de aplicação das regras em matéria de auxílios estatais. A este respeito, a Alemanha afirmou que as medidas M1 a M11 se inscrevem numa das seguintes categorias:

(i)

medidas destinadas a proteger a aviação civil contra atos de interferência ilegal (47), que estão sujeitas à Luftsicherheitsgesetz (lei alemã da segurança aérea, «LuftSiG»), nomeadamente ao seu artigo 8.o;

(ii)

medidas relativas à segurança operacional, sujeitas ao artigo 45.o do Luftverkehrs-Zulassungs-Ordnung (regulamento relativo ao licenciamento do tráfego aéreo, «LuftVZO»); ou

(iii)

medidas relativas à proteção de terceiros contra os riscos operacionais associados ao transporte aéreo (tais como a poluição sonora).

(215)

No que diz respeito a medidas relacionadas com a segurança operacional, a Comissão considera que garantir a realização, no aeroporto, de operações em segurança constitui uma atividade económica normal da exploração de um aeroporto (48). Neste contexto, importa observar que os custos relacionados com as normas e os requisitos regulamentares também não podem ser considerados correspondentes a missões de serviço público. Sem prejuízo de uma análise mais pormenorizada no que se refere a atividades e custos individuais, a Comissão considera que as medidas destinadas a garantir a segurança das operações no aeroporto não constituem atividades correspondentes a missões de serviço público. Qualquer empresa que pretenda explorar um determinado mercado deve garantir a segurança das instalações (tratando-se de aeroportos são exemplos de instalações as pistas de aterragem e de descolagem, as pistas de circulação e as plataformas de estacionamento) e assegurar igualmente o cumprimento das normas regulamentares.

(216)

No que diz respeito a pistas de aterragem e de descolagem, pistas de circulação e plataformas de estacionamento, a Comissão considera que as mesmas constituem elementos essenciais para o exercício das atividades económicas por um gestor de aeroporto. Assim, a construção de pistas de aterragem e de descolagem, pistas de circulação e plataformas de estacionamento permite que um gestor de aeroporto exerça a sua atividade económica principal.

(217)

No que diz respeito às medidas nos termos do artigo 8.o da LuftSiG, os serviços de controlo do tráfego aéreo, meteorológicos e do corpo de bombeiros podem, em princípio, ser considerados como constituindo atividades correspondentes a missões de serviço público.

(218)

No que se refere ao quadro jurídico aplicável, a Alemanha sustentou que, no que respeita ao corpo de bombeiros, não existem normas jurídicas que imponham estritamente estes custos ao operador aeroportuário. Além disso, a Comissão observa que a remuneração dos custos relativos ao corpo de bombeiros é da competência jurídica do Länder e que, geralmente, estes custos são remunerados pelas autoridades regionais pertinentes. A remuneração destes custos limita-se ao necessário para cobrir estes custos.

(219)

No que se refere aos serviços de controlo do tráfego aéreo e meteorológicos, a Comissão observa que o artigo 27.o, alíneas d) e f), da LuftVG estabelece que os custos relacionados com o artigo 27.o, alínea c), da LuftVG suportados por um número de aeroportos específicos são cobertos pelo Estado. Os aeroportos são elegíveis para a cobertura de custos enquanto «aeroportos reconhecidos» ao abrigo do artigo 27.o, alíneas d) e f), da LuftVG se o Ministério Federal dos Transportes reconhecer uma necessidade por razões de segurança e de interesses associados à política de transportes (49). Os aeroportos alemães que não sejam reconhecidos não são elegíveis para a cobertura de custos ao abrigo do artigo 27.o, alíneas d) e f), da LuftVG, pelo que, em princípio, têm que suportar os custos relacionados com as medidas previstas no artigo 27.o, alínea c), da LuftVG. Estes custos são inerentes à exploração dos aeroportos. Uma vez que alguns aeroportos têm de suportar estes custos, enquanto outros aeroportos não têm de fazê-lo, os últimos poderiam estar a beneficiar de uma vantagem, mesmo que as medidas de controlo e segurança aéreos, assim como os serviços meteorológicos, possam ser considerados de natureza não económica. O aeroporto de Leipzig/Halle foi reconhecido como tal, pelo que é elegível para a cobertura de custos nos termos do artigo 27.o, alíneas d) e f), da LuftVG. Os outros aeroportos têm de suportar estes custos. Por conseguinte, a cobertura dos custos do aeroporto de Leipzig/Halle relacionados com medidas de controlo e segurança aéreos, bem como com serviços meteorológicos, nos termos do artigo 27.o, alíneas d) e f), da LuftVG confere uma vantagem ao aeroporto de Leipzig/Halle.

(220)

No que diz respeito às medidas ao abrigo do artigo 8.o da LuftSiG, parece que a Alemanha considera que todos os custos relacionados com as medidas aí previstas podem ser suportados pelas autoridades públicas pertinentes. Todavia, a Comissão observa que, nos termos do artigo 8.o, n.o 3, da LuftSiG, apenas são passíveis de reembolso os custos associados à disponibilização e manutenção dos espaços e das instalações necessários ao exercício das atividades previstas no artigo 5.o da LuftSiG. Todos os outros custos devem ser suportados pelo operador aeroportuário. Assim, na medida em que o financiamento público concedido à FLH libertou esta empresa dos custos que tinha de suportar nos termos do artigo 8.o, n.o 3, da LuftSiG, esse financiamento público está sujeito a apreciação ao abrigo das regras da União em matéria de auxílios estatais. Em todo o caso, independentemente de esses custos serem ou não juridicamente classificados como correspondentes a missões de serviço público, ficou demonstrado que os mesmos devem ser suportados pelo operador aeroportuário, nos termos do quadro jurídico aplicável. Desta forma, ao ser o Estado a pagar tais custos, o operador aeroportuário seria libertado de custos que teria normalmente de suportar.

(221)

À luz das considerações expostas nos considerandos 215 e 220, a Comissão considera oportuno tirar conclusões mais específicas em relação aos custos de investimento alegadamente correspondentes a missões de serviço público.

M1 Aquisição de terrenos, deslocalização, redução do ruído e acompanhamento do planeamento da conservação da paisagem, M2 Estrutura de ensaio do motor e M10 Redução suplementar do ruído

(222)

A Alemanha sustentou que as medidas M1, M2 e M10 correspondem a missões de serviço público, uma vez que se destinam a proteger terceiros contra os riscos operacionais associados ao transporte aéreo, nomeadamente a proteger os proprietários de habitações e o ambiente dos efeitos da poluição sonora.

(223)

A Comissão considera que os custos relacionados com as medidas M1, M2 e M10 constituem custos normais que uma empresa teria que suportar para construir instalações que estejam em consonância com determinadas normas regulamentares. Além disso, estas medidas não podem ser dissociadas da atividade económica do aeroporto. Tal é exemplificado sobretudo pelo facto de que, sem estas medidas, o aeroporto não poderia operar voos durante a noite nem concentrar-se na atividade de transporte aéreo de carga associada à decisão de aprovação do plano para a construção da pista sul no aeroporto de Leipzig/Halle e à sua estratégia de expansão.

(224)

Assim, a Comissão considera que as medidas M1, M2 e M10 não podem ser consideradas como correspondentes a missões de serviço público.

M3 (Pista de circulação e ponte girante «E7»), M4 (Extensão da pista norte de descolagem e de aterragem (custos de planeamento), M5 (Limpeza do local da obra com vista à preparação para a construção da pista de circulação «Victor»), M6 (Pista de circulação paralela «Victor»), M12 Procedimento de aprovação do plano para a extensão meridional (pista sul e plataforma de estacionamento), M13 (Expansão da plataforma de estacionamento setentrional), M14 (Expansão da plataforma de estacionamento oriental), M15 (Adaptação da infraestrutura) e M16 (Medidas adicionais em matéria de infraestrutura, tais como a extensão do hangar da zona norte e a construção de um novo terminal de aviação e de um hangar para pequenas aeronaves)

(225)

No caso em apreço, a extensão da pista norte de descolagem e de aterragem visa assegurar que as aeronaves de carga com um peso máximo elevado à descolagem («MTOW») podem descolar sem quaisquer restrições relativamente à carga útil, ao passo que a expansão da plataforma de estacionamento setentrional deve permitir uma melhor distribuição dos movimentos das aeronaves. Além disso, no que diz respeito às pistas de circulação, a Comissão observa que, num aeroporto, tais pistas efetuam a ligação entre as pistas e as plataformas de estacionamento, os hangares, os terminais e outras instalações. Estas ligações permitem à aeronave desimpedir a pista, permitindo a aterragem ou descolagem de outra aeronave. Assim, as pistas de circulação e as pontes girantes estão intrinsecamente ligadas às pistas de aterragem e de descolagem pelas quais o operador aeroportuário cobra taxas. Além disso, as informações prestadas pela Alemanha confirmam que estas medidas são essenciais tendo em conta o volume e os fluxos de tráfego. Se os trabalhos de construção não fossem levados a cabo, o aeroporto não beneficiaria do aumento esperado dos fluxos de tráfego e o atual volume dos fluxos de tráfego teria de ser reduzido a fim de assegurar uma exploração segura da aeronave. A Comissão considera que tal não contradiz o facto de que um determinado número de pistas de circulação e pontes girantes só pode ser utilizado com segurança relativamente a um volume limitado de tráfego.

(226)

A este respeito, a Comissão recorda que as pistas de aterragem e de descolagem, as pistas de circulação e as plataformas de estacionamento constituem elementos essenciais para o exercício das atividades económicas de um gestor de aeroporto. Assim, a construção de pistas de aterragem e de descolagem, pistas de circulação e plataformas de estacionamento permite que um gestor de aeroporto exerça a sua atividade económica principal, não podendo ser dissociada desta atividade económica.

(227)

A Comissão observa que as medidas M3, M4, M5, M6, M12, M13, M14, M15 e M16 são executadas numa base comercial pelo gestor do aeroporto. Por conseguinte, trata-se de infraestruturas utilizáveis para fins comerciais que não podem ser consideradas correspondentes a missões de serviço público.

M11 Desenvolvimento em terra da fase I da zona sudeste

(228)

A Comissão observa que a medida M11 envolve o equipamento de edifícios existentes com sistemas de abastecimento de água e eletricidade, uma unidade de tratamento de águas residuais e uma rede de escoamento de águas pluviais, bem como medidas suplementares de redução do ruído.

(229)

À luz da avaliação realizada nos considerandos 215 e 220, estas medidas não dizem respeito a atividades que, normalmente, são da responsabilidade do Estado no exercício das suas prerrogativas de poder público. Pelo contrário, tais medidas contribuem para a melhoria das infraestruturas que são utilizadas para fins comerciais e, por conseguinte, envolvem uma atividade económica, pelo que não podem ser consideradas correspondentes a missões de serviço público.

M5 (novo edifício de quartel de bombeiros) e M9 (equipamento de combate a incêndios)

(230)

No que diz respeito ao novo edifício de quartel de bombeiros e ao equipamento de combate a incêndios, tal como indicado no considerando 218, esta atividade pode, regra geral, ser considerada como correspondente a uma missão de serviço público.

(231)

No que se refere ao quadro jurídico, a Alemanha sustentou que, no que respeita ao edifício de quartel de bombeiros e ao equipamento de combate a incêndios, não existem normas jurídicas que imponham estritamente estes custos ao operador aeroportuário. Além disso, a Comissão observa que a remuneração dos custos relativos ao novo edifício de quartel de bombeiros e ao equipamento de combate a incêndios é da competência jurídica do Länder e que, geralmente, estes custos são remunerados pelas autoridades regionais pertinentes, tal como sustentado pela Alemanha. A remuneração destes custos limita-se ao necessário para cobrir estes custos.

(232)

Assim, os custos relacionados com a construção do novo edifício de quartel de bombeiros e com a aquisição de equipamento de combate a incêndios podem ser considerados como correspondentes a missões de serviço público.

M5 (hangar polivalente) e M9.3 (equipamento de serviço de inverno)

(233)

No que se refere ao hangar polivalente, a Alemanha afirmou que o mesmo corresponde a uma missão de serviço público porque, em caso de emergência, seria utilizado como abrigo de emergência. Segundo a Alemanha, os custos de construção deste hangar correspondem igualmente a missões de serviço público, dado que o mesmo é atualmente utilizado para armazenar equipamento de serviço de inverno necessário à exploração segura do aeroporto durante o inverno.

(234)

No que diz respeito à construção do hangar polivalente no aeroporto de Leipzig/Halle, a Comissão observa que este edifício pode ser utilizado para diferentes fins. Além disso, tal como já referido no considerando 215, os custos do equipamento de serviço de inverno (M9.3) necessários à exploração segura do aeroporto são os custos normais associados à gestão de uma empresa e não podem ser considerados correspondentes a missões de serviço público. Consequentemente, a Comissão considera que os custos de construção do hangar polivalente também não se inserem no âmbito de missões de serviço público.

(235)

No entanto, esta conclusão não impede a Alemanha de confiar ao aeroporto, em situações de emergência, tarefas específicas abrangidas por serviços de interesse económico geral.

M7 Zonas adicionais de degelo

(236)

A Alemanha alega que são necessárias zonas adicionais de degelo para garantir uma exploração segura e em tempo útil das aeronaves no aeroporto. Segundo a Alemanha, a extensão das zonas de degelo existentes é necessária devido ao aumento do tráfego no aeroporto, a fim de evitar atrasos dos voos regulares. Além disso, a Alemanha sublinha que as receitas provenientes dos serviços de degelo prestados pelo aeroporto não abrangem os custos de construção da infraestrutura.

(237)

Em primeiro lugar, a Comissão observa que o facto de uma atividade ser ou não rentável não é determinante para a noção de atividade económica (50). Em segundo lugar, a Comissão observa que os serviços de degelo são prestados contra remuneração às transportadoras aéreas. Trata-se de serviços essenciais prestados por qualquer aeroporto como parte da sua atividade económica. Quanto maior a frequência de prestação desses serviços, maior o número de voos que podem descolar do aeroporto podendo, assim, o aeroporto aumentar as suas receitas.

(238)

Consequentemente, a Comissão considera que os serviços de degelo estão intrinsecamente associados à exploração económica de um aeroporto, não podendo ser dissociados desta atividade e, por conseguinte, devem ser considerados como atividades económicas.

M8 Heliporto

(239)

A medida abrange a criação de um local de estacionamento para helicópteros que será utilizado apenas como base para operações de salvamento aéreo.

(240)

A Comissão considera que a criação de um heliporto facilita as operações de salvamento aéreo. Por conseguinte, a disponibilização de um heliporto para operações de salvamento aéreo pode ser considerada correspondente a uma missão de serviço público. A compensação deve estar estritamente associada aos custos destes serviços.

M9 Medidas adicionais em matéria de infraestrutura

(241)

As medidas adicionais em matéria de infraestrutura incluem a reconstrução do ponto de controlo I, a construção de um edifício de segurança funcional para satisfazer as necessidades da polícia federal e regional e dos serviços aduaneiros, a exploração pecuária e a vedação do aeroporto (incluindo o sistema de videovigilância digital e os detetores de movimento). De acordo com a Alemanha, estas medidas são necessárias para proteger a aviação civil contra atos de interferência ilegal e, por conseguinte, são abrangidas pelo âmbito de aplicação do artigo 8.o da LuftSiG.

(242)

No que diz respeito às medidas ao abrigo do artigo 8.o da LuftSiG, parece que a Alemanha considera que todos os custos relacionados com as medidas aí previstas podem ser suportados pelas autoridades públicas pertinentes. Todavia, a Comissão observa que, nos termos do artigo 8.o, n.o 3, da LuftSiG, apenas são passíveis de reembolso os custos associados à disponibilização e manutenção dos espaços e das instalações necessários ao exercício das atividades previstas no artigo 5.o da LuftSiG. Todos os outros custos devem ser suportados pelo operador aeroportuário. Assim, na medida em que o financiamento público concedido à FLH liberta esta empresa dos custos que tinha de suportar nos termos do artigo 8.o, n.o 3, da LuftSiG, esse financiamento público está sujeito a apreciação ao abrigo das regras da União em matéria de auxílios estatais.

(243)

No que diz respeito aos custos relacionados com a utilização do edifício de segurança funcional pelo serviço meteorológico alemão, a Comissão observa que o artigo 27.o, alínea f), da LuftVG dispõe que os custos associados ao artigo 27.o, alínea c), da LuftVG suportados por um número de aeroportos específicos são cobertos pelo Estado. Os aeroportos são elegíveis para a cobertura de custos enquanto «aeroportos reconhecidos» ao abrigo do artigo 27.o, alínea f), da LuftVG se o Ministério Federal dos Transportes reconhecer uma necessidade por razões de segurança e de interesses associados à política de transportes. Os aeroportos alemães que não sejam reconhecidos não são elegíveis para a cobertura de custos ao abrigo do artigo 27.o, alínea f), da LuftVG, pelo que, em princípio, têm que suportar os custos relacionados com as medidas previstas no artigo 27.o, alínea c), da LuftVG. Estes custos são inerentes à exploração dos aeroportos. Uma vez que alguns aeroportos têm de suportar estes custos, enquanto outros aeroportos não têm de fazê-lo, os últimos poderiam estar a beneficiar de uma vantagem, mesmo que o serviço meteorológico alemão possa ser considerado de natureza não económica. O aeroporto de Leipzig/Halle foi reconhecido como tal, pelo que é elegível para a cobertura de custos nos termos do artigo 27.o, alínea f), da LuftVG. Os outros aeroportos têm de suportar estes custos. Por conseguinte, a cobertura dos custos do aeroporto de Leipzig/Halle relacionados com serviços meteorológicos, nos termos do artigo 27.o, alínea f), da LuftVG confere uma vantagem ao aeroporto de Leipzig/Halle.

6.1.3.   Conclusão

(244)

Tendo em conta a conclusão da secção 6.1.1, a FLH é uma empresa na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE.

(245)

No que diz respeito à conclusão da secção 6.1.2, o financiamento das seguintes medidas não pode ser considerado como correspondente a missões de serviço público: M1 aquisição de terrenos, deslocalização, redução do ruído e acompanhamento do planeamento da conservação da paisagem, M2 estrutura de ensaio do motor, M3 pista de circulação e ponte girante «E7», M4 extensão da pista norte de descolagem e de aterragem (custos de planeamento), M5 limpeza do local da obra com vista à preparação para a construção da pista de circulação «Victor», M5 hangar polivalente, M6 pista de circulação paralela «Victor», M7 zonas adicionais de degelo, M9.3 equipamento de serviço de inverno, M10 redução suplementar do ruído, M11 desenvolvimento em terra da fase I da zona sudeste, M12 procedimento de aprovação do plano para a extensão meridional (pista sul e plataforma de estacionamento, M13 expansão da plataforma de estacionamento setentrional, M14 expansão da plataforma de estacionamento oriental, M15 adaptação da infraestrutura e M16 medidas adicionais em matéria de infraestrutura, tais como a extensão do hangar da zona norte e a construção de um novo terminal de aviação e de um hangar para pequenas aeronaves. O financiamento destas atividades permite que um gestor aeroportuário exerça a sua atividade económica principal, não podendo ser dissociado desta atividade.

(246)

No que diz respeito às medidas M5 novo edifício de quartel de bombeiros, M9 equipamento de combate a incêndios e M8 heliporto, a Comissão considera que estas medidas podem ser consideradas como correspondentes a missões de serviço público (ver secção 6.1.2).

(247)

No que se refere à medida M9, medidas adicionais em matéria de infraestrutura, tais como a reconstrução do ponto de controlo I, a construção de um edifício de segurança funcional para satisfazer as necessidades da polícia federal e regional e dos serviços aduaneiros, a exploração pecuária e a vedação do aeroporto (incluindo o sistema de videovigilância digital e os detetores de movimento), a Comissão considera que estas atividades podem ser abrangidas por missões de serviço público. Todavia, na medida em que estas medidas são abrangidas pelo âmbito de aplicação do artigo 8.o, n.o 3, da LuftSiG, nos termos desta disposição do direito alemão, apenas são passíveis de reembolso os custos associados à disponibilização e manutenção dos espaços e das instalações necessários ao exercício das atividades previstas no artigo 5.o da LuftSiG. Todos os outros custos devem ser suportados pelo operador aeroportuário. Assim, na medida em que o financiamento público concedido à FLH liberta esta empresa dos custos que tinha de suportar nos termos do artigo 8.o, n.o 3, da LuftSiG, esse financiamento público está sujeito a apreciação ao abrigo das regras da União em matéria de auxílios estatais.

(248)

No que diz respeito aos custos relacionados com a utilização do edifício de segurança funcional pelo serviço meteorológico alemão (relacionados com a medida M9), a Comissão considera, pelas razões enumeradas no considerando 243, que a cobertura dos custos do aeroporto de Leipzig/Halle relacionados com serviços meteorológicos, em conformidade com o artigo 27.o, alínea f), da LuftVG confere uma vantagem ao aeroporto de Leipzig/Halle, mesmo que os serviços meteorológicos possam ser considerados de natureza não económica.

6.2.   NATUREZA DE AUXÍLIO DOS EMPRÉSTIMOS DE ACIONISTAS A FAVOR DA FLH

6.2.1.   Relação entre os empréstimos de acionistas e as injeções de capital

(249)

Antes de apreciar se os empréstimos de acionistas a favor da FLH constituem auxílios estatais, é necessário determinar se os empréstimos de acionistas e as injeções de capital devem ser considerados como medidas distintas ou como uma medida única.

(250)

Os dados disponíveis demonstram que ambas as operações foram decididas ao mesmo tempo, como parte de um plano mais alargado para financiar as melhorias das infraestruturas do aeroporto, e que os acionistas da FLH tinham a intenção de converter os seus empréstimos em capitais próprios. No entanto, a Alemanha declarou que as injeções de capital não foram concedidas irrevogavelmente e que a FLH não tem qualquer direito direto ao aumento de capital.

(251)

Nestas circunstâncias, a Comissão considera que os empréstimos de acionistas e as injeções de capital podem ser considerados como medidas distintas.

6.2.2.   Vantagem económica

(252)

A fim de verificar se uma empresa beneficiou de uma vantagem económica induzida pela concessão de um empréstimo em condições privilegiadas, a Comissão aplica o critério do «princípio do investidor numa economia de mercado». De acordo com este princípio, o capital alheio colocado à disposição de uma empresa pelo Estado, direta ou indiretamente, em circunstâncias que correspondam às condições normais de mercado, não deve ser considerado um auxílio estatal (51).

(253)

No caso em apreço, a Comissão deve avaliar se as condições dos empréstimos de acionistas (ver quadro 3) concedidos à FLH lhe conferem uma vantagem económica que a empresa beneficiária não teria obtido em condições normais de mercado.

(254)

A Alemanha é da opinião que o «princípio do investidor numa economia de mercado» foi plenamente respeitado, uma vez que os empréstimos de acionistas foram concedidos em condições de mercado. A fim de justificar as condições em que os empréstimos em questão foram concedidos, a Alemanha compara as condições dos empréstimos de acionistas com as condições oferecidas por outros bancos (ver os argumentos apresentados nas secções 3.3.1 e 3.3.2).

(255)

De acordo com a sua prática de tomada de decisões, a fim de determinar se o financiamento objeto de apreciação foi concedido em condições favoráveis, a Comissão pode — na ausência de outros indicadores comparativos — comparar a taxa de juro aplicada ao empréstimo em causa com a taxa de referência da Comissão. A taxa de referência da Comissão é fixada segundo o método previsto na Comunicação sobre as taxas de referência de 2008.

(256)

A Comunicação sobre as taxas de referência de 2008 define o método de fixação das taxas de referência e de desconto utilizadas em vez das taxas de mercado normais. No entanto, uma vez que a taxa de referência da Comissão é apenas um valor indicativo, sempre que tiver disponíveis outros indicadores da taxa de juro que o mutuário poderia ter obtido no mercado num determinado processo, a Comissão pode basear a sua avaliação nesses indicadores.

Notação de risco de crédito da FLH

(257)

A fim de poder avaliar as condições dos empréstimos de acionistas, a Comissão, em primeiro lugar, tem de avaliar a solvabilidade da FLH.

(258)

A FLH não foi avaliada por qualquer agência de notação de risco crédito. Contudo, a Alemanha argumenta que, devido ao contrato de transferência de lucros e de cobertura de prejuízos celebrado entre a FLH e a MFAG, deveria ser tida em conta a notação das empresas-mãe.

(259)

A Comissão considera que, ao abrigo do direito alemão, a MFAG continua a ser responsável por qualquer empréstimo concedido à FLH durante o período de vigência do contrato de transferência de lucros e de cobertura de prejuízos, mesmo se o contrato tiver sido posteriormente rescindido.

(260)

Neste contexto, a Comissão considera que a notação da FLH deveria corresponder, no mínimo, à notação da sua empresa-mãe, a MFAG.

(261)

A MFAG também não foi avaliada por agências de notação de risco de crédito. Não obstante, a Alemanha apresentou algumas notações de risco internas de bancos em relação à MFAG que se encontram sintetizadas no quadro 4.

(262)

À luz dos considerandos 257 a 261, a Comissão considera que a FLH deve ser classificada, no mínimo, com a notação mais baixa da MFAG, isto é, […] na escala de notação de risco da Standard & Poor’s em 2006 e […] na escala de notação de risco da Standard & Poor’s de 2007 a 2012.

A perda dado o incumprimento (ou o nível de garantia):

(263)

Se os empréstimos de acionistas em causa pudessem ser considerados como cobertos por garantias elevadas, a prática de mercado, em tais casos, sugeriria aumentar a notação de risco do instrumento de dívida (a «notação de emissões») em causa uma subcategoria relativamente à notação do emitente (52). Por conseguinte, a Comissão deve determinar a perda dado o incumprimento (53) («LGD») dos empréstimos de acionistas em causa.

(264)

Uma vez que os empréstimos se destinavam apenas a ser concedidos sob a forma de financiamento intercalar a curto prazo, não foram garantidos. No entanto, a Alemanha argumentou que a LGD deve ser, pelo menos, inferior a 30 %, dado que o valor dos ativos da FLH ([…] milhões de EUR em 2010), que não se encontram cobertos por garantias, é superior ao valor do seu passivo ([…] milhões de EUR em 2010).

(265)

A este respeito, a Comissão observa que o valor contabilístico dos ativos não é suficiente para estimar o valor de liquidação em caso de insolvência ou falência do aeroporto. No documento publicado pelo Comité de Basileia de Supervisão Bancária em junho de 2006, recomenda-se que se considere a LGD para créditos com um grau de prioridade superior sobre empresas não cobertos por uma garantia reconhecida como sendo cerca de 45 % (54). Assim, de acordo com a Comunicação sobre as taxas de referência de 2008, os empréstimos de acionistas em causa têm um nível «normal» de garantia com uma LGD na categoria intermédia (30 % < LGD < 60 %).

(266)

A Comissão considera, por isso, que o nível de cobertura por garantia não é suficiente para permitir aumentar uma subcategoria a notação de risco da empresa.

Avaliação comparativa das condições dos empréstimos de acionistas concedidos à FLH com valores indicativos do mercado, com base em diferenciais de «swaps» de risco de incumprimento (CDS):

(267)

A fim de avaliar se os empréstimos de acionistas da FLH estavam em consonância com as condições de mercado, a Comissão realizou uma avaliação comparativa com valores indicativos do mercado com base em diferenciais de «swaps» de risco de incumprimento (CDS).

(268)

Em consonância com a metodologia subjacente à Comunicação sobre as taxas de referência de 2008, a Comissão considera que os juros sobre os empréstimos podem ser tidos como correspondentes às condições de mercado quando os empréstimos são concedidos a uma taxa de juro que corresponda, no mínimo, a uma taxa de juro de referência calculada segundo a seguinte fórmula:

Taxa de juro de referência = taxa de juro de base + margem de risco + comissão

(269)

A taxa de juro base corresponde aos custos dos bancos pela disponibilização de liquidez (custos de financiamento). No caso de financiamentos a uma taxa de juro fixa (isto é, quando a taxa de juro é fixada para toda a duração do empréstimo), a taxa de juro de base é calculada com base em taxas «swap» (55) correspondentes ao prazo de vencimento e à moeda do respetivo passivo. A margem de risco compensa o mutuante pelos riscos associados ao financiamento, nomeadamente o risco de crédito. A margem de risco pode ser derivada a partir de uma amostra adequada de diferenciais de «swaps» de risco de incumprimento (56) relacionados com unidades de referência (tais como obrigações de empresas) cuja notação seja comparável à dos empréstimos concedidos à FLH. Por último, afigura-se adequado acrescentar 10 a 20 pontos de base como valor aproximado para as comissões bancárias que as empresas têm, normalmente, de pagar (57).

(270)

A Comissão considera que as medidas de financiamento em apreço não representam um empréstimo típico. Para efeitos da avaliação atual, presume-se que os empréstimos são concedidos como um instrumento de crédito renovável, que é renovado anualmente com novas condições em matéria de taxas de juro. Por conseguinte, presume-se que o prazo de vencimento é de um ano.

(271)

Os empréstimos são concedidos com uma taxa de base flutuante (variável), tendo como taxa de referência a taxa EURIBOR a 1 ano. A avaliação da margem de risco pode ser feita com base numa amostra dos diferenciais de CDS para cada momento relevante. O quadro 7 apresenta resumidamente o número de observações (empresas com uma notação de risco da FLH de todos os setores económicos, excluindo as instituições financeiras e o governo) e os diferenciais de CDS correspondentes.

Quadro 7

Síntese das observações das empresas com uma notação de risco da FLH

Data

Notação de risco

Número de observações

Quartil 1 (pontos de base)

Quartil 2 (pontos de base)

Quartil 3 (pontos de base)

13.12.2006

[…]

34

4

5

7

1.1.2008

[…]

4

10

12

22

1.1.2009

[…]

15

73

107

141

1.1.2010

[…]

16

16

19

24

1.1.2011

[…]

18

12

17

21

1.1.2012

[…]

21

15

20

39

(272)

A margem de risco de taxa de juro de referência é estabelecida com base numa média ponderada dos diferenciais de CDS do 2.o quartil (ver quadro 7).

(273)

O quadro 8 compara a taxa de juro efetiva cobrada pelos empréstimos de acionistas objeto de avaliação com a taxa de juro de referência.

Quadro 8

Resumo comparativo da taxa de juro efetiva aplicada à FLH e da taxa de juro de referência

Data

Taxa de juro efetiva (%)

Taxa de referência (%)

Taxa de juro de base

Margem de risco

Comissão

Soma

Taxa de juro de base

Margem de risco

Comissão

Soma

13.12.2006

3,90

[…]

0

[…]

3,90

[…]

[…]

[…]

1.1.2008

4,73

[…]

0

[…]

4,73

[…]

[…]

[…]

1.1.2009

3,03

[…]

0

[…]

3,03

[…]

[…]

[…]

1.1.2010

1,25

[…]

0

[…]

1,25

[…]

[…]

[…]

1.1.2011

1,50

[…]

0

[…]

1,50

[…]

[…]

[…]

1.1.2012

1,94

[…]

0

[…]

1,94

[…]

[…]

[…]

(274)

De acordo com a prática de mercado, a taxa de juro de referência estabelecida com base nos diferenciais de CDS tem de ter em conta uma comissão bancária de aproximadamente […] pontos de base (58). A fim de se chegar a uma estimativa conservadora, no caso em apreço é acrescida uma comissão bancária de […] pontos de base.

(275)

A Comissão considera que os resultados apresentados no quadro 8 fornecem uma indicação de que os empréstimos estavam, efetivamente, em consonância com as condições de mercado. A este respeito, a Comissão observa que, em todos os anos — exceto em 2009 — a taxa de juro efetiva aplicada à FLH foi superior à taxa de juro de referência. No entanto, a taxa de juro efetiva mais baixa aplicada em 2009 é compensada pelas taxas mais elevadas aplicadas entre 2010 e 2012 relativamente a maiores volumes de empréstimos de acionistas.

(276)

Além disso, a Comissão observa que estes resultados foram igualmente confirmados pelos empréstimos utilizados como referência enumerados pela Alemanha nas secções 3.3.1 e 3.3.2.

6.2.3.   Conclusão

(277)

À luz das considerações enunciadas nas secções 6.2.1 e 6.2.2, a Comissão considera que os empréstimos de acionistas a favor da FLH foram concedidos em condições de mercado e, por conseguinte, não constituem auxílios estatais na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE.

6.3.   NATUREZA DE AUXÍLIO DAS INJEÇÕES DE CAPITAL A FAVOR DA FLH

6.3.1.   Recursos estatais e imputabilidade ao Estado

(278)

Para constituírem auxílios estatais, as medidas em causa têm de ser financiadas a partir de recursos estatais e a decisão de concessão da medida tem de ser imputável ao Estado.

(279)

O conceito de auxílio estatal aplica-se a qualquer vantagem financiada com recursos estatais, conferida pelo próprio Estado ou por qualquer organismo intermediário agindo no âmbito de poderes que lhe tenham sido atribuídos (59). Para efeitos do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE, os recursos das autoridades locais são recursos estatais (60).

(280)

O Tribunal declarou igualmente que, para ser considerada como auxílio estatal, é irrelevante que uma medida seja subvencionada diretamente pelo Estado ou por organismos públicos ou privados por ele instituídos ou designados para gerir a medida (61).

(281)

No caso em apreço, as medidas pertinentes, nomeadamente as injeções de capital a favor da FLH, serão subvencionadas em parte diretamente através do orçamento das autoridades locais (o Land da Saxónia-Anhalt, o Freistaat da Saxónia e as cidades e os municípios pertinentes) e em parte através do financiamento concedido através do orçamento das autoridades locais, que será canalizado através da MFAG, enquanto organismo intermediário, para a FLH. Neste contexto, a Comissão observa que os fundos canalizados através da MFAG foram afetados pelas autoridades locais para serem transferidos para a FLH.

(282)

Assim, durante todo o período relevante, o Estado exerceu, direta ou indiretamente, um controlo sobre os recursos objeto de apreciação. A Comissão considera por isso que as medidas pertinentes são financiadas através de recursos estatais. A decisão de concessão destes recursos estatais é igualmente imputável às autoridades públicas, uma vez que o acionista público da FLH concordou em realizar injeções de capital.

6.3.2.   Vantagem económica

(283)

Na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE, uma vantagem é um benefício económico que uma empresa não teria obtido em condições normais de mercado, isto é, na ausência de intervenção do Estado (62). Apenas o efeito da medida sobre a empresa é relevante, não o sendo a causa nem o objetivo da intervenção estatal (63). Sempre que a situação financeira da empresa melhora em resultado da intervenção estatal, estamos perante uma vantagem.

(284)

A Comissão recorda ainda que «os capitais postos, direta ou indiretamente, à disposição de uma empresa pelo Estado, em circunstâncias que correspondem às condições normais do mercado, não podem ser considerados auxílios de Estado» (64). No caso em apreço, para determinar se o financiamento público do aeroporto de Leipzig/Halle confere à FLH uma vantagem que a mesma não teria obtido em condições normais de mercado, a Comissão tem de comparar o comportamento das autoridades públicas que concederam subvenções diretas ao investimento com e injeções de capital com o de um OEM guiado por perspetivas de rentabilidade a longo prazo (65).

(285)

As eventuais repercussões positivas na economia da região onde o aeroporto está localizado não devem ser consideradas na avaliação, uma vez que o Tribunal explicou que a questão relevante na aplicação do teste OEM é saber se «em circunstâncias semelhantes, um acionista privado teria concedido esses empréstimos, tendo em conta a facilidade de obter um benefício e independentemente da política social, regional e setorial» (66).

(286)

No acórdão Stardust Marine, o Tribunal de Justiça declarou que, «[…] para averiguar se o Estado adotou ou não o comportamento de um investidor prudente numa economia de mercado, há que tomar como referência o contexto da época em que as medidas de apoio financeiro foram tomadas a fim de avaliar a racionalidade económica do comportamento do Estado e, portanto, não basear a apreciação numa situação posterior» (67).

(287)

Além disso, no processo relativo à EDF o Tribunal declarou que «[…] para demonstrar que o Estado-Membro tomou essa decisão enquanto acionista, antes de se conferir ou ao mesmo tempo que se conferiu a vantagem, não basta recorrer a avaliações económicas feitas após a vantagem ter sido concedida, a conclusões retrospetivas de que o investimento efetuado pelo Estado-Membro em questão foi, de facto, vantajoso ou a justificações subsequentes da linha de ação selecionada» (68).

(288)

Para poder aplicar o teste OEM, a Comissão tem de se colocar no contexto do momento em que foi tomada cada decisão de conceder fundos públicos à FLH. A Comissão deve também basear a sua avaliação nas informações e pressupostos a que as autoridades locais em questão tinham acesso no momento em que foi tomada a decisão relativa às injeções de capital em causa.

(289)

A Alemanha salientou igualmente que a infraestrutura é necessária para criar postos de trabalho (5 106 postos de trabalho dependem diretamente do aeroporto). No entanto, a Comissão observa que as considerações sociais e regionais não podem ser tidas em conta aquando da realização do teste OEM.

(290)

Neste caso específico em relação a investimentos relacionados com infraestruturas e investimentos conexos, a Alemanha parece questionar a aplicabilidade do teste OEM.

(291)

A Alemanha argumentou que o teste OEM não pode ser aplicado às infraestruturas de transportes por não haver quaisquer investidores privados comparáveis. De acordo com a Alemanha, os investidores privados não têm nenhum interesse em aeroportos, sobretudo quando são necessários grandes investimentos. Neste contexto, a Alemanha sustentou que tal significaria que os investimentos que os operadores privados não assumiriam estariam automaticamente fora do âmbito de aplicação das regras em matéria de auxílios estatais.

(292)

A Comissão não pode concordar com este ponto de vista da Alemanha. O teste OEM não pode ser excluído pelo simples facto de o setor privado não participar no financiamento das infraestruturas aeroportuárias. Uma situação económica difícil não dispensa o investidor público de ter um comportamento tão prudente como um investidor privado em situação análoga. Neste contexto, a Comissão observa que a jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia esclareceu que o investimento em atividades económicas que não seria realizado por investidores privados numa economia de mercado contém elementos de auxílio estatal (69).

(293)

A Alemanha não é da opinião que os acionistas da FLH agiram como um OEM ao decidirem aumentar o capital próprio do aeroporto e converter os empréstimos de acionistas em capitais próprios. A Comissão observa que a Alemanha declarou que os aumentos de capital foram realizados sem um plano de negócios subjacente e sem perspetivas de rendibilidade a longo prazo.

(294)

Não obstante as incertezas inerentes e significativas relacionadas com o projeto, tais como a natureza de longo prazo do projeto de investimento (cerca de 50 anos), não existia nenhum plano de negócios ex ante nem uma análise de sensibilidade dos pressupostos de rendibilidade subjacentes. Tal não está em consonância com o tipo de análise que um investidor prudente teria realizado para um projeto de tal magnitude.

(295)

Nesta base, a Comissão considera que as injeções de capital realizadas pelos acionistas públicos e pela MFAG a favor da FLH concederam à última uma vantagem económica (na medida em que as subvenções ao investimento não estavam estritamente relacionadas com atividades correspondentes a missões de serviço público como se concluiu na secção 6.1.2).

6.3.3.   Seletividade

(296)

Para se inserir no âmbito de aplicação do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE, uma medida estatal deve favorecer «certas empresas ou certas produções». Assim, apenas as medidas que favoreçam empresas que concedam uma vantagem de modo seletivo podem ser abrangidas pela noção de auxílio estatal.

(297)

No caso em apreço, as injeções de capital só beneficiam a FLH. Assim, a medida é seletiva na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE.

6.3.4.   Distorção da concorrência e efeitos nas trocas comerciais

(298)

Sempre que um auxílio financeiro concedido por um Estado-Membro reforça a posição de uma empresa em relação a outras empresas concorrentes no mercado interno, deve considerar-se que o mercado foi afetado por tal auxílio (70). A vantagem económica que será conferida pelas injeções de capital ao operador aeroportuário reforça a posição económica do mesmo, uma vez que este terá a possibilidade de iniciar as suas atividades sem ter de suportar os custos de investimento que lhes são inerentes.

(299)

Tal como expresso na secção 6.1.1, a exploração de um aeroporto constitui uma atividade económica. Existe concorrência, por um lado, entre os aeroportos para atrair as companhias aéreas e o respetivo tráfego aéreo (passageiros e mercadorias) e, por outro, entre os gestores aeroportuários, que podem competir entre si pela gestão de um determinado aeroporto. Além disso, a Comissão sublinha que, nomeadamente no que se refere aos transitários, às companhias aéreas especializadas no transporte de mercadorias e aos operadores de voos chárter, os aeroportos localizados nas mesmas zonas de captação e em diferentes Estados-Membros podem igualmente competir entre si para atrair essas companhias aéreas.

(300)

Os tribunais gerais confirmaram que o aeroporto de Leipzig/Halle está em concorrência com os aeroportos localizados noutros Estados-Membros, em particular com os aeroportos de Bruxelas (Bélgica) e de Vatry (França), nomeadamente no que se refere aos voos de carga (71). Além disso, o aeroporto de Leipzig/Halle serve atualmente aproximadamente 890 000 toneladas de carga aérea e é o segundo maior aeroporto de transporte de mercadorias na Alemanha.

(301)

A Alemanha sustentou que a concorrência do aeroporto de Leipzig/Halle com outros aeroportos de carga alemães era limitada, uma vez que os principais «hubs» de carga aérea alemães (Frankfurt am Main, Munique e Colónia/Bona), que estavam em concorrência com o aeroporto de Leipzig/Halle, tinham problemas de congestão ou restrições aos voos noturnos.

(302)

De acordo com a Alemanha, também não havia uma sobreposição concorrencial com os outros aeroportos de carga europeus, principalmente com os de Bruxelas e Vatry. No que diz respeito ao aeroporto de Vatry, a Alemanha salientou que se tratava de um aeroporto de dimensão muito reduzida e que, em 2010, o volume de carga aérea transportada pelo aeroporto de Leipzig/Halle tinha sido 80 vezes superior ao volume de carga aérea transportada pelo aeroporto de Vatry. No que diz respeito ao aeroporto de Bruxelas, a Alemanha argumentou que, enquanto o aeroporto de Leipzig/Halle tinha registado, nos últimos anos, um aumento no volume de carga transportada, o aeroporto de Bruxelas registou uma diminuição durante o mesmo período. Além disso, segundo a Alemanha, o aeroporto de Bruxelas estava sujeito a uma restrição significativa no que se refere aos voos noturnos e, por conseguinte, a concorrência era limitada.

(303)

A partir da análise das observações de terceiros, a Comissão observa que o aeroporto de Leipzig/Halle é utilizado por diferentes transportadoras aéreas de carga internacionais, como a Wirtschaftsallianz para o projeto SALIS, a Jade Cargo, a Volga-Dnepr Group, a Baring, etc. Além disso, o aeroporto de Leipzig/Halle é o «hub» europeu da DHL. As medidas notificadas em matéria de infraestrutura implicam uma nova expansão das infraestruturas do aeroporto para que o mesmo possa ser utilizado por aeronaves de maior dimensão sem quaisquer restrições em relação ao peso máximo à descolagem. A este respeito, a Comissão observa ainda que o aeroporto dispõe de duas pistas de aterragem e descolagem (pista sul e pista norte, com uma extensão de 3 600 metros).

(304)

Com base no que precede, a Comissão considera que a eventual vantagem económica que a FLH pode receber a partir das injeções de capital para financiar os diferentes projetos de desenvolvimento e extensão de infraestruturas no aeroporto de Leipzig/Halle reforça a sua posição em relação aos seus concorrentes no mercado da União de prestadores de serviços aeroportuários, em especial no que diz respeito ao transporte aéreo de mercadorias.

(305)

Por conseguinte, a Comissão considera que o financiamento público objeto de apreciação não só falseia ou ameaça falsear a concorrência como também afeta as trocas comerciais entre os Estados-Membros.

6.3.5.   Conclusão

(306)

À luz das considerações enunciadas nos considerandos 278 a 305, a Comissão considera que o financiamento público concedido à FLH sob a forma de injeções de capital constitui um auxílio estatal na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE.

6.4.   LEGALIDADE DO AUXÍLIO

(307)

Nos termos do artigo 108.o, n.o 3, do TFUE, os Estados-Membros devem notificar à Comissão os projetos relativos à instituição ou alteração de quaisquer auxílios e não podem pôr em execução as medidas projetadas antes do procedimento de notificação ter sido objeto de uma decisão final.

(308)

Uma vez que as injeções de capital estão sujeitas a uma decisão da Comissão e ainda não foram colocadas à disposição da FLH, a Comissão considera que a Alemanha respeitou a proibição prevista no artigo 108.o, n.o 3, do TFUE (72).

6.5.   COMPATIBILIDADE DO AUXÍLIO

6.5.1.   Quadro jurídico aplicável

(309)

Uma vez que as injeções de capital na FLH constituem um auxílio estatal, a Comissão deve examinar se este auxílio identificado no considerando 306 pode ser considerado compatível com o mercado interno.

(310)

O artigo 107.o, n.o 3, do TFUE prevê uma série de exceções à regra geral estabelecida no artigo 107.o, n.o 1, do TFUE segundo a qual o auxílio estatal não é compatível com o mercado interno. O auxílio em questão só pode ser avaliado com base no artigo 107.o, n.o 3, alínea c), do TFUE, que estabelece que: «os auxílios destinados a facilitar o desenvolvimento de certas atividades ou regiões económicas, quando não alterem as condições das trocas comerciais de maneira que contrariem o interesse comum», podem ser considerados compatíveis com o mercado interno.

(311)

Neste contexto, as Orientações relativas à aviação de 2014 proporcionam um quadro comum para avaliar se o auxílio aos aeroportos pode ser declarado compatível nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea c), do TFUE.

(312)

De acordo com as Orientações relativas à aviação de 2014, a Comissão aplicará os princípios fixados nas referidas orientações a todas as medidas de auxílio ao investimento notificadas relativamente às quais é convidada a tomar uma decisão a partir de 4 de abril de 2014, mesmo se os projetos tiverem sido notificados antes dessa data (73).

(313)

A Comissão já tinha concluído, no considerando 308, que as injeções de capital anuais e diretas não constituem um auxílio estatal concedido ilegalmente antes de 4 de abril de 2014.

(314)

No entanto, no caso em apreço, a Comissão observa que o aeroporto de Leipzig/Halle, com mais de 800 000 toneladas, é um aeroporto especializado no transporte aéreo de mercadorias. A Comissão observa ainda que as medidas em causa referem-se à estratégia de expansão do aeroporto para entrar no mercado do transporte de mercadorias.

(315)

De acordo com o ponto 29 das Orientações relativas à aviação de 2014, a Comissão ainda não dispõe de experiência suficiente no que se refere à apreciação da compatibilidade dos auxílios a aeroportos especializados no transporte de mercadorias para sintetizar a sua prática sob a forma de critérios de compatibilidade específicos. Assim, relativamente a estas categorias de empresas, a Comissão aplicará os princípios comuns de compatibilidade, tal como estabelecidos na secção 5 das Orientações relativas à aviação de 2014 mediante uma avaliação caso a caso.

6.5.2.   Avaliação da compatibilidade

(316)

Para apreciar se uma medida de auxílio estatal pode ser considerada compatível com o mercado interno nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea c), do TFUE, a Comissão analisa, regra geral, se a conceção da medida de auxílio garante que o impacto positivo para alcançar um determinado objetivo de interesse comum ultrapassa os seus efeitos potencialmente negativos sobre as trocas comerciais e a concorrência.

(317)

Na Comunicação sobre a modernização dos auxílios estatais (74) (MAE) defendia-se a identificação e a definição de princípios comuns aplicáveis à apreciação da compatibilidade de todas as medidas de auxílio realizada pela Comissão. Uma medida de auxílio será considerada compatível com o mercado interno nos termos do artigo 107.o, n.o 3, do TFUE, desde que sejam cumpridas cumulativamente as seguintes condições:

a)

contribuição para um objetivo de interesse comum bem definido;

b)

necessidade de intervenção do Estado;

c)

adequação da medida de auxílio;

d)

efeito de incentivo;

e)

proporcionalidade do auxílio (limitação do auxílio ao mínimo necessário);

f)

prevenção de efeitos negativos indesejados na concorrência e nas trocas comerciais entre Estados-Membros;

g)

transparência do auxílio: os Estados-Membros, a Comissão, os operadores económicos e o público devem ter facilmente acesso a todos os atos relevantes e informações pertinentes relativamente aos auxílios concedidos neste âmbito, tal como exposto na secção 8.2 das Orientações relativas à aviação de 2014.

6.5.2.1.   Contribuição para um objetivo de interesse comum bem definido

(318)

Uma medida de auxílio estatal deve ter um objetivo de interesse comum, de acordo com o artigo 107.o, n.o 3, do TFUE. Considerar-se-á que o auxílio ao investimento para aeroportos contribui para a realização de um objetivo de interesse comum, se (i) aumentar a mobilidade e a conectividade das regiões estabelecendo pontos de acesso para voos intra-União Europeia; ou (ii) combater o congestionamento do tráfego aéreo nos principais aeroportos da União Europeia que funcionam como plataformas de correspondência; ou (iii) facilitar o desenvolvimento regional.

(319)

As injeções de capital objeto da presente decisão destinam-se a financiar medidas em matéria de infraestrutura no aeroporto de Leipzig/Halle, um aeroporto especializado no transporte aéreo de mercadorias. Tal como sustentado pela Alemanha, o setor do transporte aéreo, em especial os serviços expresso, regista um importante crescimento. A Alemanha afirmou ainda que, nos três grandes «hubs» de frete aéreo de Frankfurt/Main, Munique e Colónia/Bona, há restrições aos voos noturnos. A este respeito, a Alemanha afirmou que, de acordo com o acórdão proferido pelo tribunal administrativo federal alemão em 4 de abril de 2012, o aeroporto de Frankfurt/Main está proibido de realizar quaisquer operações de voo noturno. Por conseguinte, a Alemanha declarou que a FLH ajuda a enfrentar uma penúria de capacidades de frete aéreo na Alemanha.

(320)

A Alemanha afirmou ainda que o projeto previsto se insere na estratégia que integra o plano geral da rede transeuropeia de transportes de 2004 (previsto até 2020) para o desenvolvimento do aeroporto que ali é definido como componente da rede comunitária. O aeroporto de Leipzig/Halle está situado no centro da Alemanha (perto das cinco principais linhas da rede transeuropeia de transportes e dos corredores transeuropeus), encontrando-se na junção de duas autoestradas que ligam a Europa de Norte a Sul (A 9) e de Leste a Oeste (A 14). Dispõe ainda de ligações à rede ferroviária e rodoviária.

(321)

Além disso, segundo a Alemanha, situado no centro da Europa, o aeroporto dispõe, mercê do acesso a uma rede ferroviária e rodoviária, de importantes potencialidades de crescimento num mercado de cerca de 7 milhões de pessoas num raio de 100 km. Conforme explicado no considerando 319, o setor do frete aéreo regista taxas de crescimento significativas (nos transportes internacionais de passageiros, o crescimento médio entre 2007 e 2011 foi de cerca de 5,0 % e no frete aéreo foi de 4,3 %) (75). As capacidades atuais dos aeroportos são, contudo, limitadas por restrições dos voos noturnos (ver considerando 319).

(322)

Tal como mencionado no considerando 319, espera-se que o aeroporto registe um aumento progressivo mas significativo no transporte aéreo de mercadorias. No que diz respeito aos volumes de carga, a Alemanha declarou que, em comparação com outros aeroportos, o aeroporto de Leipzig/Halle regista taxas de crescimento constante (em 2007 foram processadas 101 364 toneladas de mercadorias, número este que aumentou para 442 453 toneladas em 2008, 524 084 toneladas em 2009 e 663 059 toneladas em 2010). A fim de complementar a sua declaração, a Alemanha salientou que o volume de carga aérea registou um aumento de 18,5 % em 2009 e de 26,5 % em 2010. De acordo com a Alemanha, previa-se um novo aumento do volume de carga. Neste contexto, a Alemanha esclareceu que se esperava que o aeroporto de Leipzig/Halle manuseasse aproximadamente 820 000 toneladas de carga aérea até 2020 (76). No entanto, a Alemanha sustentou que esta previsão seria concretizada até 2015 (77). As previsões apontam também para um aumento do frete, sobretudo se forem consideradas mais restrições aos voos noturnos noutros aeroportos alemães (isto é, no de Frankfurt/Main e noutros).

(323)

A Comissão observa que a realização do projeto terá um efeito positivo em toda a região e influenciará de forma positiva a sua evolução económica e social. A Alemanha sustentou que, atualmente, 133 empresas estavam presentes no aeroporto, empregando um total de 5 106 pessoas em 2010 (um aumento de 14,4 % em comparação com 2009). A Alemanha afirmou igualmente que o projeto de investimento irá, em especial, melhorar a acessibilidade da região e torná-la mais atrativa para os investidores e os visitantes. A Comissão observa que esta afirmação foi igualmente apoiada pelas observações de terceiros (ver secção 4). Além disso, tal deve ter um impacto positivo no emprego, tendo em conta que o desemprego é significativamente mais elevado na região de Leipzig/Halle (o desemprego na região da Saxónia eleva-se a 10,3 %, na Saxónia-Anhalt a 11,2 %) do que a média nacional (6,9 %).

(324)

Constata-se, por último, que a construção e a exploração da infraestrutura correspondem a um objetivo de interesse comum bem definido e que o desenvolvimento de um aeroporto com um elevado volume de frete, atendendo aos aspetos regionais, está em sintonia com a política da União neste domínio, pelo que, neste caso, se pode considerar que está cumprido o critério da compatibilidade.

6.5.2.2.   Necessidade de intervenção do Estado

(325)

Uma medida de auxílio estatal deve visar uma situação em que os auxílios são suscetíveis de se traduzirem numa melhoria significativa que o mercado, por si só, não poderá criar, por exemplo, solucionar uma deficiência do mercado ou eliminar um problema de equidade ou coesão.

(326)

A Alemanha sustentou que o aeroporto de Leipzig/Halle sofre de um atraso a nível de investimento histórico. A Alemanha era da opinião que o financiamento se limita ao mínimo necessário e legalmente previsto, tanto em termos do montante como da intensidade do auxílio. Além disso, segundo a Alemanha, as medidas dizem respeito a investimentos a longo prazo em infraestruturas que satisfazem as necessidades do aeroporto tendo em vista o aumento futuro do transporte de mercadorias e de passageiros. A Alemanha alegou que as medidas não são desproporcionadas na sua dimensão nem acarretam custos desproporcionados. A Alemanha declarou que os custos foram reduzidos para um nível mínimo na sequência de um planeamento antecipado aprofundado e tendo em conta estimativas dos custos. Na opinião da Alemanha, uma redução adicional do financiamento estatal não é possível, uma vez que uma infraestrutura desta magnitude não pode ser financiada através de recursos próprios dos operadores aeroportuários.

(327)

A Alemanha argumentou que as receitas provenientes dos serviços não cobrem os custos de construção da infraestrutura, tendo fundamentado este argumento com base numa avaliação contrafactual e num défice de financiamento.

(328)

A Comissão conclui que o auxílio irá trazer uma melhoria substancial ao projeto de investimento que o próprio mercado não proporciona e que existe uma necessidade de intervenção do Estado.

6.5.2.3.   Adequação da medida de auxílio

(329)

A medida de auxílio deve ser um instrumento político adequado para atingir o objetivo de interesse comum.

(330)

Tal como explicado na secção 6.5.2.2, a Alemanha demonstrou que o financiamento do projeto através de injeções de capital é um instrumento adequado para melhorar o estado das infraestruturas no aeroporto de Leipzig/Halle. Nenhuma outra forma que provoque menos distorções de auxílio assegura o financiamento dos trabalhos de construção das infraestruturas necessárias.

(331)

A Comissão conclui que a medida de auxílio em causa é um instrumento político adequado.

6.5.2.4.   Efeito de incentivo

(332)

O auxílio deve alterar o comportamento das empresas em causa, de modo a que se lancem em atividades adicionais que não teriam realizado na ausência do auxílio ou que só teriam realizado de uma forma limitada ou diferente, ou noutro local.

(333)

Em primeiro lugar, os trabalhos no âmbito de um investimento individual só podem ser iniciados após a apresentação do pedido à autoridade que concede o auxílio. Se os trabalhos começarem antes da apresentação de um pedido à autoridade que concede o auxílio, nenhum auxílio concedido no que respeita a esse investimento individual será considerado compatível com o mercado interno.

(334)

A Alemanha sustentou que os trabalhos de construção não foram iniciados antes da apresentação do pedido de auxílio à autoridade responsável pela sua concessão. Assim, a Comissão pode concluir que este critério foi cumprido.

(335)

Em segundo lugar, um projeto de investimento num aeroporto pode ser economicamente atrativo por si só. Por conseguinte, impõe-se verificar se o investimento não teria sido realizado ou não teria sido realizado na mesma medida na ausência de qualquer auxílio estatal. Se tal for o caso, a Comissão considerará que a medida de auxílio tem um efeito de incentivo.

(336)

O efeito de incentivo é identificado com base numa análise contrafactual, comparando os níveis da atividade prevista, com e sem a concessão de auxílios estatais.

(337)

Se não for conhecido nenhum cenário contrafactual específico, pode pressupor-se o efeito de incentivo quando houver um défice de financiamento dos custos de capital, ou seja, quando, com base num plano de negócios ex ante, puder ser demonstrado que existe uma diferença entre os fluxos de caixa positivos e negativos (incluindo os custos de investimento em ativos de capital fixo) durante o período de vida do investimento em termos de valor atual líquido (78).

(338)

No caso em apreço, a Alemanha apresentou um cálculo do défice financiamento que identifica um défice de financiamento de, pelo menos, 142,1 milhões de EUR (ver quadro 5 e quadro 6). Além disso, uma avaliação do cenário contrafactual indica que, se os investimentos em infraestruturas fossem financiados, na íntegra, por meio de empréstimos, o aeroporto não seria capaz de fornecer o financiamento necessário.

(339)

Assim, a Comissão pode concluir que o auxílio ao investimento tem um efeito de incentivo.

6.5.2.5.   Proporcionalidade do auxílio (limitação do auxílio ao mínimo necessário)

(340)

O montante de auxílio deve limitar-se ao mínimo necessário para induzir investimentos ou atividades suplementares na região em causa.

(341)

Para serem proporcionados, os auxílios ao investimento para aeroportos devem ser limitados aos custos suplementares (líquidos de receitas suplementares) gerados pelo projeto/atividade que beneficia do auxílio e não pelo projeto/atividade alternativo que o beneficiário teria empreendido no cenário contrafactual, ou seja, se não tivesse recebido o auxílio. Se não for conhecido um cenário contrafactual específico, para ser proporcionado, o montante do auxílio não deve exceder o défice de financiamento do projeto de investimento (o chamado «défice de financiamento dos custos de capital»), que é determinado com base num plano de negócios ex ante como o valor atual líquido (VAL) da diferença entre os fluxos de caixa positivos e negativos (incluindo os custos de investimento) durante o período de vida do investimento. Para o auxílio ao investimento, o plano de negócios deve cobrir o período da utilização económica do ativo.

(342)

Em todo o caso, a intensidade de auxílio não deve exceder o défice de financiamento efetivo do projeto de investimento.

(343)

Tal como referido nas secções 6.5.2.2 e 6.5.2.3, a Alemanha apresentou um cálculo complementar do défice de financiamento para o projeto notificado no valor de 142,1 milhões de EUR que justifica uma intensidade de auxílio de 75 % (ver quadro 6), desde que as injeções de capital sejam realizadas em simultâneo com os investimentos efetuados. No entanto, uma vez que as injeções de capital só serão realizadas após a aprovação da Comissão em 2014, o défice de financiamento identificado pela Alemanha eleva-se a 166,9 milhões de EUR, o que justifica uma intensidade de auxílio de 88,1 % (ver quadro 5).

(344)

Na ausência de um limiar para intensidades máximas de auxílio admissíveis nos aeroportos de carga, a intensidade de auxílio é limitada ao défice de financiamento do projeto de investimento. Assim, a Comissão pode concluir que o montante do auxílio é proporcionado e limitado ao mínimo necessário.

6.5.2.6.   Prevenção de efeitos negativos indesejados na concorrência e nas trocas comerciais entre Estados-Membros

(345)

Os efeitos negativos do auxílio devem ser suficientemente limitados para que o equilíbrio global da medida seja positivo.

(346)

A fim de limitar mais ainda quaisquer distorções, o aeroporto, incluindo qualquer investimento beneficiário do auxílio, deve estar aberto a todos os utilizadores potenciais e não pode destinar-se a um utilizador específico. Em caso de limitação física das capacidades, a repartição deve ser feita com base em critérios pertinentes, objetivos, transparentes e não discriminatórios.

(347)

A Alemanha sustentou que o equilíbrio global dos efeitos das medidas na concorrência e nas trocas comerciais entre os Estados-Membros é positivo. A este respeito, a Alemanha confirmou, em primeiro lugar, que todos os potenciais utilizadores (companhias aéreas e transportadoras aéreas de carga) terão acesso às novas infraestruturas numa base equitativa e não discriminatória.

(348)

Em segundo lugar, a Alemanha sustentou que as medidas de infraestrutura em causa são de natureza não expansionista. No que diz respeito a qualquer efeito potencial nos concorrentes do aeroporto de Leipzig/Halle, a Alemanha declarou que os aeroportos na proximidade do aeroporto de Leipzig/Halle não eram especializados no transporte aéreo de carga. Além disso, no que diz respeito aos aeroportos de Altenburg Nobitz, Berlim-Brandeburgo, Dresden, Erfurt, Hof, Magdeburg, Magdeburg-Cochstedt e Praga, a Alemanha declarou que, para alguns destes aeroportos, as distâncias geográficas eram excessivas, os aeroportos estavam localizados em diferentes regiões económicas, as zonas de captação eram bastante diferentes ou a dimensão dos aeroportos era muito reduzida.

(349)

No que respeita aos outros aeroportos alemães de carga, a Alemanha declarou que a concorrência do aeroporto de Leipzig/Halle era limitada, uma vez que os principais «hubs» de carga aérea alemães (Frankfurt am Main, Munique e Colónia/Bona), que estavam em concorrência com Leipzig/Halle, tinham problemas de congestão ou restrições aos voos noturnos.

(350)

De acordo com a Alemanha, também não havia uma sobreposição concorrencial com os outros aeroportos de carga europeus, principalmente com os de Bruxelas e Vatry. No que diz respeito ao aeroporto de Vatry, a Alemanha salientou que se tratava de um aeroporto de dimensão muito reduzida e que, em 2010, o volume de carga aérea transportada pelo aeroporto de Leipzig/Halle tinha sido 80 vezes superior ao volume de carga aérea transportada pelo aeroporto de Vatry. No que diz respeito ao aeroporto de Bruxelas, a Alemanha argumentou que, enquanto o aeroporto de Leipzig/Halle tinha registado, nos últimos anos, um aumento no volume de carga transportada, o aeroporto de Bruxelas registou uma diminuição durante o mesmo período. Além disso, segundo a Alemanha, o aeroporto de Bruxelas estava sujeito a uma restrição significativa no que se refere aos voos noturnos e, por conseguinte, a concorrência era limitada.

(351)

Assim, a Comissão pode concluir que os efeitos negativos do auxílio são suficientemente limitados. Consequentemente, a Comissão pode concluir que o critério de compatibilidade foi cumprido.

6.5.2.7.   Transparência do auxílio

(352)

A Alemanha foi lembrada das obrigações de transparência no que diz respeito à publicação de pormenores relativos ao auxílio concedido, tal como exposto na secção 8.2 das Orientações relativas à aviação de 2014.

6.5.3.   Conclusão

(353)

Por conseguinte, a Comissão considera que foram satisfeitas todas as condições comuns de compatibilidade nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea c), do TFUE no presente caso.

(354)

Tendo em conta a avaliação efetuada, a Comissão conclui que a medida é compatível com o mercado interno com base no artigo 107.o, n.o 3, alínea c), do TFUE, na medida em que é limitada ao financiamento do défice de financiamento do projeto de investimento.

7.   CONCLUSÃO

(355)

Tendo em conta a conclusão da secção 6.1.1, a FLH é uma empresa na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE. De acordo com a avaliação prevista na secção 6.1.2, a Comissão considera que o financiamento das medidas M5 novo edifício de quartel de bombeiros, M9 equipamento de combate a incêndios e M8 heliporto pode ser considerado como correspondente a uma missão de serviço público. De acordo com a avaliação prevista na secção 6.1.2, o financiamento de todas as outras medidas está sujeito a apreciação ao abrigo das regras da União em matéria de auxílios estatais.

(356)

De acordo com as considerações enunciadas na secção 6.2.1, a Comissão considera que os empréstimos de acionistas a favor da FLH foram concedidos em condições de mercado e, por conseguinte, não constituem auxílios estatais na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE.

(357)

À luz das considerações enunciadas na secção 6.3, a Comissão considera que o financiamento público concedido à FLH sob a forma de injeções de capital constitui um auxílio estatal na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE. Uma vez que as injeções de capital estão sujeitas a uma decisão da Comissão e não foram colocadas à disposição da FLH, a Comissão considera que a Alemanha respeitou a proibição prevista no artigo 108.o, n.o 3, do TFUE.

(358)

De acordo com a avaliação prevista na secção 6.5, a Comissão considera que foram satisfeitas todas as condições comuns de compatibilidade nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea c), do TFUE no presente caso. Por conseguinte, a Comissão conclui que tais medidas são compatíveis com o mercado interno com base no artigo 107.o, n.o 3, alínea c), do TFUE, na medida em que se limitam ao financiamento do défice de financiamento do projeto de investimento.

(359)

Por último, a Comissão observa que, em 17 de junho de 2014, a Alemanha informou a Comissão de que aceita, a título excecional, que a presente decisão seja adotada em língua inglesa.

ADOTOU A PRESENTE DECISÃO:

Artigo 1.o

Os empréstimos de acionistas concedidos à Flughafen Leipzig/Halle GmbH não constituem auxílios estatais na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.

Artigo 2.o

1.   Na medida em que as injeções de capital na Flughafen Leipzig/Halle GmbH cobrem os custos correspondentes a missões de serviço público relativamente às quais o operador aeroportuário tem direito ao reembolso nos termos do artigo 8.o (3) da LuftSiG e os custos do heliporto, as mesmas não constituem auxílios estatais na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.

2.   Na medida em que as injeções de capital na Flughafen Leipzig/Halle GmbH se limitam ao défice de financiamento do projeto de investimento e não cobrem os custos relativos a missões de serviço público estabelecidos no n.o 1, as mesmas constituem auxílios estatais que são compatíveis com o mercado interno nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea c), do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.

3.   Na medida em que os montantes das injeções de capital são superiores aos montantes declarados compatíveis com o mercado interno nos n.os 1 e 2, os mesmos constituem auxílios estatais que são incompatíveis com o mercado interno nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea c), do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia.

Artigo 3.o

A República Federal da Alemanha é a destinatária da presente decisão.

Feito em Bruxelas, em 23 de julho de 2014.

Pela Comissão

Joaquín ALMUNIA

Vice-Presidente


(1)  Com efeitos a partir de 1 de dezembro de 2009, os artigos 87.o e 88.o do Tratado CE passaram a ser, respetivamente, os artigos 107.o e 108.o do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE). As duas séries de artigos são idênticas em termos de substância. Para efeitos da presente decisão, as referências aos artigos 107.o e 108.o do TFUE devem ser entendidas, quando apropriado, como referências aos artigos 87.o e 88.o do Tratado CE. O TFUE introduziu igualmente algumas alterações na terminologia, tais como a substituição de «Comunidade» por «União» e de «mercado comum» por «mercado interno». A terminologia do TFUE será utilizada ao longo da presente decisão.

(2)  JO C 284 de 28.9.2011, p. 6.

(3)  Ver nota de rodapé 2.

(4)  Comunicação da Comissão — Orientações relativas aos auxílios estatais a aeroportos e companhias aéreas (JO C 99 de 4.4.2014, p. 3).

(5)  Aplicação dos artigos 92.o e 93.o do Tratado CE e do artigo 61.o do Acordo EEE aos auxílios de Estado no setor da aviação (JO C 350 de 10.12.1994, p. 5).

(6)  Comunicação da Comissão — Orientações comunitárias sobre o financiamento dos aeroportos e os auxílios estatais ao arranque das companhias aéreas que operam a partir de aeroportos regionais (JO C 312 de 9.12.2005, p. 1).

(7)  JO C 113 de 15.4.2014, p. 30.

(8)  O acionista maioritário da FLH é a Mitteldeutsche Flughafen AG, que detém uma participação de 94 % no seu capital social. As ações remanescentes são da propriedade do Freistaat da Saxónia, do Landkreis da Saxónia do Norte e da cidade de Schkeuditz. A FLH não tem acionistas privados.

(9)  São acionistas da MFAG: o Freistaat da Saxónia (76,64 %), o Land da Saxónia-Anhalt (18,54 %), a cidade de Dresden (2,52 %), a cidade de Halle (0,2 %) e a cidade de Leipzig (2,1 %). A FLH não tem acionistas privados.

(10)  As injeções de capital dos acionistas públicos da FLG que financiam a construção da nova pista sul e outras medidas no montante de 350 milhões de EUR e relativamente às quais foram tomadas decisões até 2006 já foram avaliadas e consideradas compatíveis com o mercado interno na Decisão 2008/948/CE da Comissão, de 23 de julho de 2008, relativa às medidas de auxílio concedidas pela Alemanha a favor de DHL e Aeroporto de Leipzig/Halle C 48/06 (ex N 227/06) (JO L 346 de 23.12.2008, p. 1) e, por conseguinte, não se encontram abrangidas pelo âmbito da presente investigação.

(11)  Informações abrangidas pela obrigação de sigilo profissional.

(12)  Decisão de aprovação do plano para a pista sul de descolagem e de aterragem e a plataforma de estacionamento de uma autoridade alemã responsável pelo planeamento, de 4 de novembro de 2004, e primeira alteração a essa decisão, de 9 de dezembro de 2005.

(13)  O aeroporto de Leipzig/Halle tem duas pistas de circulação que atravessam vias de tráfego (autoestrada A14, linha ferroviária de alta velocidade, estrada nacional com quatro faixas de rodagem), o que significa que têm de ser construídas pontes para as pistas de circulação.

(14)  Regulamento (CE) n.o 2320/2002 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de dezembro de 2002, relativo ao estabelecimento de regras comuns no domínio da segurança da aviação civil (JO L 355 de 30.12.2002, p. 1).

(15)  Até 1 de abril de 2011.

(16)  Comunicação da Comissão sobre a revisão do método de fixação das taxas de referência e de atualização (JO C 14 de 19.1.2008, p. 6).

(17)  Com base em estimativas anteriores a 2011.

(18)  Com base nas estimativas de 2011.

(19)  Processo T-128/98, Aéroports de Paris/Comissão, Coletânea 2000, p. II-3929.

(20)  Processos apensos T-443/08 e T-455/08, Mitteldeutsche Flughafen AG e Flughafen Leipzig Halle GmbH/Comissão, (acórdão «Aeroporto de Leipzig-Halle»), Coletânea 2011, p. II-1311.

(21)  Decisão da Comissão, de 7 de março de 2007, no processo de auxílio estatal N620/06, Aeroporto Regional de Memmingen/Allgäu — Alemanha (JO C 133 de 15.6.2007, p. 8).

(22)  Regulamento (CE) n.o 300/2008 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de março de 2008, relativo ao estabelecimento de regras comuns no domínio da segurança da aviação civil e que revoga o Regulamento (CE) n.o 2320/2002 (JO L 97 de 9.4.2008, p. 72).

(23)  Proposta de empréstimo do Sachsen LB, de 14.1.2010, propondo margens de 55 pontos de base por ano até 80 pontos de base por ano, em função do montante do empréstimo (quanto maior o montante do empréstimo, menor a margem proposta).

(24)  Proposta de empréstimo do Nord LB, de 11.1.2010 propondo margens de risco de 22 pontos de base por ano até 238 pontos de base por ano, dependendo do montante do empréstimo.

(25)  Considerando 95 da decisão de início do procedimento.

(26)  Informações comerciais de caráter confidencial.

(27)  Plano de ação sobre a capacidade, eficiência e segurança dos aeroportos na Europa, COM(2006) 819 final, de 24 de janeiro de 2007.

(28)  A taxa de desconto foi determinada utilizando o Modelo de Equilíbrio de Ativos Financeiros: re = rf + ßi (PRM).

Rf = Taxa de base = […] % em 30.12.2005.

ßi = Fator beta = […] em 1.1.2006.

PRM = Prémio de risco de mercado antes de impostos = […] em 1.1.2006.

(29)  VAL (valor atual líquido) do défice de financiamento dos investimentos = 166,9 milhões de EUR/189,4 milhões de EUR = 88,10 %.

(30)  O prazo de investimento é idêntico com o financiamento através de injeções de capital.

(31)  VAL do défice de financiamento dos investimentos = 142,1 milhões de EUR/189,4 milhões de EUR = 75,00 %.

(32)  Decisão 2008/948/CE.

(33)  Ver processo C-35/96, Comissão/Itália, Coletânea 1998, p. I-3851 e processos C180/98 a 184/98, Pavlov, Coletânea 2000, p. I-6451.

(34)  Ver Comunicação da Comissão relativa à aplicação das regras em matéria de auxílios estatais da União Europeia à compensação concedida pela prestação de serviços de interesse económico geral (JO C 8 de 11.1.2012, p. 4), parte 2.1, e jurisprudência associada, em especial processos apensos C-180/98 a C-184/98, Pavlov e outros, Coletânea 2000, p. I-6451, mas ver igualmente processo C-222/04, Cassa di Risparmio di Firenze e outros, Coletânea 2006, p. I-289; processo C-205/03 P, FENIN/Comissão, Coletânea 2006, p. I-6295 e processo C-49/07, MOTOE, Coletânea 2008, p. I-4863.

(35)  Processo 118/85, Comissão/Itália, Coletânea 1987, p. 2599, n.o 7; processo C-35/96, Comissão/Itália, Coletânea 1998, p. I-3851, n.o 36; Pavlov e outros, n.o 75.

(36)  Processos apensos 209/78 a 215/78 e 218/78, Van Landewyck, Coletânea 1980, p. 3125, n.o 88; processo C-244/94, FFSA e outros, Coletânea 1995, p. I-4013, n.o 21; e processo C-49/07, MOTOE, Coletânea 2008, p. I-4863, n.os 27 e 28.

(37)  Processo T-128/98, Aéroports de Paris/Comissão, Coletânea 2000, p. II-3929, confirmado pelo processo C-82/01, Coletânea 2002, p. I-9297, n.os 75 a 79.

(38)  Processos apensos T-443/08 e T-455/08 Mitteldeutsche Flughafen AG e Flughafen Leipzig Halle GmbH/Comissão, (acórdão «Aeroporto de Leipzig/Halle»), Coletânea 2011, p. II-1311, nomeadamente os n.os 93 e 94; confirmados pelo processo C-288/11 P Mitteldeutsche Flughafen e Flughafen Leipzig-Halle/Comissão, Coletânea 2012, ainda não publicado.

(39)  Ver acórdão «Aeroporto de Leipzig/Halle», n.o 106.

(40)  Acórdão «Aeroporto de Leipzig/Halle», n.o 102 e seguintes.

(41)  Processo C-205/03P FENIN/Comissão, Coletânea 2006, p. I-6295, n.o 88; e acórdão Aeroporto de Leipzig/Halle, n.o 95.

(42)  Acórdão «Aeroporto de Leipzig-Halle», n.o 98.

(43)  Processo C-118/85, Comissão/Itália, Coletânea 1987, p. 2599, n.os 7 e 8, e processo C-30/87, Bodson/Pompes funèbres des régions libérées, Coletânea 1988, p. 2479, n.o 18.

(44)  Ver, nomeadamente, processo C-364/92 SAT/Eurocontrol, Coletânea 1994, p. I-43, n.o 30, e processo C-113/07 P Selex Sistemi Integrat/Comissão, Coletânea 2009, p. I-2207, n.o 71.

(45)  Processo C-343/95, Cali & Figli/Servizi ecologici porto di Genova, Coletânea 1997, p. I-1547. Decisão N 309/02 da Comissão, de 19 de março de 2003, Segurança aérea — compensação de custos na sequência dos atentados de 11 de setembro de 2001 (JO C 148 de 25.6.2003, p. 7). Decisão N 438/02 da Comissão, de 16 de outubro de 2002, Subvenções às administrações portuárias para realização de missões da competência das autoridades públicas (JO C 284 de 21.11.2002, p. 2).

(46)  Ver, entre outros, o processo C-172/03, Wolfgang Heiser/Finanzamt Innsbruck, Coletânea 2005, p. I-01627, n.o 36, e a jurisprudência citada nesse acórdão.

(47)  Nos termos do Regulamento (CE) n.o 2320/2002 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de dezembro de 2002, relativo ao estabelecimento de regras comuns no domínio da segurança da aviação civil (JO L 355 de 30.12.2002, p. 1).

(48)  Decisão da Comissão, de 20 de fevereiro de 2014, no processo de auxílio estatal SA.35847 (2012/N) — República Checa — aeroporto de Ostrava, ainda não publicada no Jornal Oficial, considerando 16.

(49)  Artigo 27.o (d)(1) da LuftVG: «Flugsicherungsdienste und die dazu erforderlichen flugsicherungstechnischen Einrichtungen werden an den Flugplätzen vorgehalten, bei denen das Bundesministerium für Verkehr, Bau und Stadtentwicklung einen Bedarf aus Gründen der Sicherheit und aus verkehrspolitischen Interessen anerkennt».

(50)  Acórdão «Leipzig/Halle», n.o 115.

(51)  Comunicação da Comissão aos Estados-Membros: Aplicação dos artigos 92.o e 93.o do Tratado CEE e do artigo 5.o da Diretiva 80/723/CEE da Comissão às empresas públicas do setor produtivo (JO C 307 de 13.11.1993, p. 3, ponto 11). Essa comunicação diz respeito ao setor produtivo mas é aplicável a outros setores económicos. Ver igualmente processo T-16/96, Cityflyer Express Ltd/Comissão, n.o 51, Coletânea 1998, p. II-00757.

(52)  Ver, por exemplo, «Moody’s, Updated Summary Guidance for Notching Bonds, Preferred Stocks and Hybrid Securities of Corporate Issuers» (fevereiro de 2007).

(53)  O nível das garantias pode ser medido através da taxa de perda dado o incumprimento (Loss Given Default — LGD), ou seja, a percentagem da perda esperada face ao montante em risco em relação ao devedor, tendo em conta os montantes recuperáveis provenientes dos ativos dados em garantia e do produto da realização da massa falida. Por conseguinte, a LGD é inversamente proporcional ao valor das garantias.

(54)  Paper International Convergence of Capital Measurement and Capital Standards (Convergência internacional da medição dos fundos próprios e das normas sobre fundos próprios), publicado pelo Comité de Basileia de Supervisão Bancária em junho de 2006.

(55)  A taxa «swap» corresponde à Inter-Bank Offered Rate (taxa interbancária de oferta) (taxa IBOR), todavia com um prazo mais longo. Esta taxa é utilizada nos mercados financeiros como taxa de juro de referência para a fixação da taxa de juro de financiamento.

(56)  Um «swap» de risco de incumprimento (CDS) é um contrato de derivados de crédito (negociável), celebrado entre um prestador e um beneficiário de uma garantia, através do qual o risco de crédito de uma unidade de referência subjacente é transferido do beneficiário para o prestador da garantia. O beneficiário da garantia paga um prémio ao prestador da garantia até ao vencimento do contrato CDS ou (caso a seguinte condição seja preenchida primeiro) até à ocorrência de uma unidade de referência baseada num incidente de crédito estabelecido previamente em intervalos de tempo regulares. Este prémio pago pelo beneficiário da garantia em intervalos de tempo regulares (expresso em percentagem ou em pontos de base do montante sujeito a garantia, o «valor nominal») é designado diferencial de «swap» de risco de incumprimento. Os diferenciais de «swaps» de risco de incumprimento podem ser utilizados como valor de base adequado para o preço do risco de crédito.

(57)  Ver, por exemplo, Oxera, Estimating the cost of capital for Dutch water companies, 2011 (p. 3) ou os dados da Bloomberg relativos às comissões de subscrição na emissão de obrigações. Visando uma estimativa conservadora, será estabelecida, em seguida, uma taxa de 20 pontos de base.

(58)  Ver, por exemplo, Oxera, Estimating the cost of capital for Dutch water companies, 2011 (p. 3) ou os dados da Bloomberg relativos às comissões de subscrição na emissão de obrigações.

(59)  Processo C-482/99, França/Comissão («Stardust Marine»), Coletânea 2002, p. I-4397.

(60)  Processos apensos T-267/08 e T-279/08, Nord-Pas-de-Calais, Coletânea 1999, ainda não publicados, n.o 108.

(61)  Processo 78/76, Steinike & Weinlig/Alemanha, Coletânea 1977, p. 595, n.o 21.

(62)  Processo C-39/94, Syndicat français de l’Express international (SFEI) e outros/La Poste e outros, Coletânea 1996, p. I-3547, n.o 60 e processo C-342/96, Reino de Espanha/Comissão das Comunidades Europeias, Coletânea 1999, p. I-2459, n.o 41.

(63)  Processo 173/73, República Italiana/Comissão das Comunidades Europeias, Coletânea 1974, p. 709, n.o 13.

(64)  Processo C-482/99, França/Comissão («Stardust Marine»), Coletânea 2002, p. I-4397, n.o 69.

(65)  Processo C-305/89, Itália/Comissão («Alfa Romeo»), Coletânea 1991, p. I-1603, n.o 23; Processo T-296/97, Alitalia/Comissão, Coletânea 2000, p. II-03871, n.o 84.

(66)  Processo 40/85, Bélgica/Comissão, Coletânea 1986, p. I-2321.

(67)  Acórdão «Stardust Marine», n.o 71.

(68)  Processo C-124/10P, Comissão Europeia/Électricité de France (EDF), Coletânea 2012, ainda não publicado, n.o 85.

(69)  Acórdão «Leipzig/Halle», n.o 115.

(70)  Processo T-214/95, Het Vlaamse Gewest/Comissão, Coletânea 1998, p. II-717.

(71)  Aeroporto de Leipzig/Halle, n.o 93, e Decisão 2008/948/CE, considerando 8.

(72)  Processo T-109/01, Fleuren Compost/Comissão, Coletânea 2004, p. II-127.

(73)  Ponto 173 das Orientações relativas à aviação de 2014.

(74)  Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões: «Modernização da política da UE no domínio dos auxílios estatais» (MAE), COM(2012) 209 final.

(75)  Previsões da IATA para os transportes de passageiros e de mercadorias para 2007-2011, outubro de 2007.

(76)  Com base em estimativas anteriores a 2011.

(77)  Com base nas estimativas de 2011.

(78)  Tal não impede de prever que vantagens futuras possam compensar as perdas iniciais.


4.9.2015   

PT

Jornal Oficial da União Europeia

L 232/43


DECISÃO (UE) 2015/1470 DA COMISSÃO

de 30 de março de 2015

relativa ao auxílio estatal SA.38517 (2014/C) (ex 2014/NN) aplicado pela Roménia — Sentença arbitral Micula contra Roménia, de 11 de dezembro de 2013

[notificada com o número C(2015) 2112]

(Apenas faz fé o texto na língua romena)

(Texto relevante para efeitos do EEE)

A COMISSÃO EUROPEIA,

Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, nomeadamente o artigo 108.o, n.o 2, primeiro parágrafo (1),

Tendo em conta o Acordo sobre o Espaço Económico Europeu, nomeadamente o artigo 62.o, n.o 1, alínea a),

Após ter convidado as partes interessadas a apresentarem as suas observações em conformidade com as disposições acima citadas (2) e tendo em conta essas observações,

Considerando que:

1.   PROCEDIMENTO

(1)

Por sentença de 11 de dezembro de 2013 («a Sentença»), um tribunal de arbitragem («o Tribunal»), criado pelo Centro Internacional para a Resolução de Diferendos relativos a Investimentos («CIRDI»), no processo Micula e outros contra Roménia  (3) concedeu uma indemnização a favor dos cinco requerentes (os irmãos Viorel e Ioan Micula e as empresas S.C. European Food S.A., S.C. Starmill S.R.L e S.C. Multipack, todas elas pertencentes aos irmãos Micula; designados coletivamente «os requerentes») devida pela Roménia, no montante de 376 433 229 RON (cerca de 82 milhões de euros (4)) devido ao incumprimento da Roménia no sentido de assegurar um tratamento justo e equitativo dos investimentos dos requerentes, que resultou na violação pela Roménia do artigo 2.o, n.o 3, do Acordo entre o Governo do Reino da Suécia e o Governo da Roménia para a Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos («BIT») (5). Além disso, o Tribunal decidiu que serão devidos juros sobre esse montante até que a Sentença seja integralmente aplicada pela Roménia. Em 11 de dezembro de 2013, o montante total devido pela Roménia aos requerentes perfazia, por conseguinte, 791 882 452 RON (cerca de 178 milhões de euros (6)).

(2)

Por carta de 31 de janeiro de 2014, os serviços da Comissão informaram as autoridades romenas de que qualquer aplicação ou execução da Sentença constituiria um novo auxílio e teria de ser notificada à Comissão.

(3)

Em 20 de fevereiro de 2014, as autoridades romenas informaram os serviços da Comissão de que tinham aplicado parcialmente a Sentença através da compensação de parte da indemnização concedida aos requerentes pelo Tribunal como perdão das dívidas fiscais de um dos requerentes, designadamente a S.C. European Food S.A, às autoridades romenas. A dívida fiscal que foi desta forma compensada ascendeu a 337 492 864 RON (cerca de 76 milhões de euros (7)). A Roménia pediu ainda esclarecimentos aos serviços da Comissão quanto à possibilidade de pagar o montante em dívida a pessoas singulares (os irmãos Viorel e Ioan Micula ou qualquer outra pessoa singular a quem o montante devido possa ser atribuído).

(4)

Em 12 de março de 2014, os serviços da Comissão solicitaram informações adicionais à Roménia no que respeita a ulteriores aplicações ou execuções previstas da Sentença, tendo estas sido fornecidas pela Roménia por carta de 26 de março de 2014.

(5)

Em 1 de abril de 2014, os serviços da Comissão alertaram as autoridades romenas quanto à possibilidade de emitir uma injunção de suspensão para garantir que não seriam pagos mais auxílios estatais incompatíveis e solicitou observações a esse respeito à Roménia. Por carta de 7 de abril de 2014, a Roménia declarou que não desejava apresentar observações sobre a possibilidade da Comissão emitir uma injunção de suspensão.

(6)

Por carta de 26 de maio de 2014, a Comissão informou a Roménia da sua decisão de emitir uma injunção de suspensão («a injunção de suspensão»), nos termos do artigo 11.o, n.o 1, do do Regulamento (CE) n.o 659/1999 do Conselho (8), obrigando a Roménia a suspender qualquer ação que possa levar à aplicação ou à execução da parte da Sentença que ainda não tinha sido paga, já que tal constituiria um pagamento de auxílio estatal ilegal, até que a Comissão tenha tomado uma decisão final sobre a compatibilidade do referido auxílio estatal com o mercado interno.

(7)

Por carta de 1 de outubro de 2014, a Comissão informou a Roménia de que tinha decidido dar início ao procedimento previsto no artigo 108.o, n.o 2, do Tratado («a decisão de início do procedimento») relativamente à aplicação parcial da Sentença pela Roménia, que teve lugar no início de 2014 (9), bem como em relação a qualquer outra aplicação ou execução posteriores da Sentença.

(8)

A decisão da Comissão de dar início ao procedimento foi publicada no Jornal Oficial da União Europeia  (10) de 7 de novembro de 2014. Através da referida decisão, a Comissão convidou as partes interessadas a apresentar as suas observações.

(9)

Em 26 de novembro de 2014, a Roménia apresentou as suas observações sobre a decisão de início do procedimento. Os requerentes apresentaram observações, como partes interessadas, em 8 de dezembro de 2014, após a rejeição, pela Comissão, do seu pedido para usufruírem de um período mais longo de tempo para apresentarem as suas observações. As observações dos requerentes foram transmitidas à Roménia, a quem foi dada a possibilidade de sobre elas se pronunciar; as observações da Roménia sobre as observações dos requerentes foram recebidas em 27 de janeiro de 2015.

(10)

Os requerentes também solicitaram o acesso a toda a correspondência por escrito entre a Comissão e a Roménia contida no processo. O pedido foi rejeitado, em 19 de dezembro de 2014, tendo a rejeição sido confirmada em 2 de março de 2015.

(11)

Por cartas de 9 e 11 de março de 2015, as autoridades romenas informaram a Comissão de que, durante o período de 5 de fevereiro a 25 de fevereiro de 2015, o executor nomeado pelo tribunal tinha apreendido um montante adicional de 9 197 482 RON ao Ministério das Finanças e que tinha sido efetuado um pagamento voluntário do montante restante (ou seja, 466 760 066 RON) (11) pelo Ministério das Finanças para uma conta bloqueada aberta em nome dos cinco requerentes.

2.   ANTECEDENTES

A legislação em matéria de auxílios estatais aplicável na Roménia antes da sua adesão à União

(12)

O Acordo Europeu («AE») entre a Comunidade Europeia (a «Comunidade») e os seus Estados-Membros, por um lado, e a Roménia, por outro, entrou em vigor em 1 de fevereiro de 1995 (12). O objetivo do AE foi o de preparar a Roménia para a adesão à União. O artigo 64.o, n.o 1, alínea iii), do AE declarou incompatível com o bom funcionamento do AE qualquer auxílio público que falseie ou ameace falsear a concorrência através do favorecimento de certas empresas ou certas produções, na medida em que possam afetar as trocas comerciais entre a União e a Roménia. De acordo com o artigo 64.o, n.o 2, do AE, quaisquer práticas contrárias ao referido artigo deviam ser analisadas «com base nos critérios decorrentes da aplicação das regras dos artigos 85.o, 86.o e 92.o do Tratado que institui a Comunidade Económica Europeia» (atualmente artigos 101.o, 102.o e 107.o do Tratado). Esta referência dinâmica aos «critérios decorrentes da aplicação das regras» refere-se a todas as regras da União relativas a auxílios estatais, incluindo as que regem a concessão de auxílios estatais regionais (13). Para além da obrigação material de obedecer à legislação da União em matéria de auxílios estatais, os artigos 69.o e 71.o do AE obrigavam a Roménia a harmonizar a sua legislação nacional com o acervo comunitário, mencionando expressamente o direito da concorrência da União e, consequentemente, a legislação em matéria de auxílios estaduais que faz parte do mesmo. Por conseguinte, o AE obrigava a Roménia, e a Roménia comprometeu-se, a respeitar toda a legislação europeia referente a auxílios estaduais. Além disso, o AE tornou-se parte da ordem jurídica nacional após ter sido ratificado através da Lei n.o 20/1993 pelo Parlamento Nacional e publicada no Jornal Oficial nacional em 12 de abril de 1993 (14).

(13)

A fim de cumprir a sua obrigação de harmonização no âmbito do AE, a Roménia aprovou a Lei n.o 143/1999 relativa aos auxílios estatais («Lei dos Auxílios Estatais») em 1999, que entrou em vigor em 1 de janeiro de 2000. Essa lei incluiu a mesma definição de auxílios estatais existente no artigo 64.o do AE e nos termos da legislação europeia. A lei também designou o Conselho da Concorrência Romeno (15) e o Instituto da Concorrência Romeno (16) enquanto autoridades de fiscalização em matéria de auxílios estatais com competência para apreciar a compatibilidade dos auxílios estatais concedidos pela Roménia às empresas (17) e fixou os procedimentos a observar para a notificação e autorização dos auxílios estatais, que se basearam no artigo 108.o do Tratado.

O regime de incentivos ao investimento

(14)

Em 2 de outubro de 1998, a Roménia aprovou o Diploma Governamental de Emergência 24/1998 («DGE 24»), que concede a certos investidores em regiões desfavorecidas uma série de incentivos ao investimento, nomeadamente:

o artigo 6.o, n.o 1, a): uma isenção do pagamento de direitos aduaneiros e do imposto sobre o valor acrescentado sobre maquinaria, ferramentas, instalações, equipamento, meios de transporte, outros produtos sujeitos a depreciação que são importados ou fabricados a nível nacional com a finalidade de investir nessa região («Facilidade para Máquinas»);

o artigo 6.o, n.o 1, b): reembolso de direitos aduaneiros sobre matérias-primas, peças sobresselentes e/ou componentes necessários para alcançar a produção própria do investidor nessa região («Facilidade para Matérias-primas»);

o artigo 6.o, n.o 1, c): uma isenção de pagamento do imposto sobre lucros ao longo do período durante o qual a zona em causa é designada como uma região desfavorecida («Facilidade para o Imposto sobre Lucros»).

(15)

O governo romeno determinou quais as regiões que deveriam ser designadas como desfavorecidas e durante quanto tempo, até um máximo de dez anos. Por decisão de 25 de março de 1999, o governo declarou a área de exploração mineira de Ștei-Nucet, distrito de Bihor, como uma região desfavorecida durante 10 anos, produzindo efeitos a partir de 1 de abril de 1999.

(16)

Em 15 de maio de 2000, o Conselho da Concorrência romeno adotou a Decisão n.o 244/2000, na qual se considerou que vários dos incentivos oferecidos ao abrigo do DGE 24 resultavam em distorção da concorrência. Na decisão entendeu-se que as «isenções de direitos aduaneiros sobre as matérias-primas são considerados auxílios estatais para fins de funcionamento... conduzindo à distorção da concorrência» e que «o reembolso dos direitos aduaneiros sobre as matérias-primas importadas, peças sobresselentes e/ou componentes necessários para fins de produção própria numa determinada área... deve ser eliminado». A referida decisão foi adotada na sequência da notificação pela agência nacional para o desenvolvimento regional (a entidade concessora de auxílios ao abrigo do DGE 24) ao Conselho da Concorrência, nos termos da Lei n.o 143/1999, acerca de alterações previstas ao DGE 24 incluídas no projeto do Diploma Governamental de Emergência 75/2000 («DGE 75»). Entre outras alterações notificadas, o legislador romeno previu a substituição do reembolso dos direitos aduaneiros nos termos do artigo 6.o, n.o 1, alínea b), do DGE 24 (a Facilidade para Matérias-primas), por uma isenção dos direitos aduaneiros sobre as matérias-primas importadas, peças sobresselentes e/ou componentes necessários para fins de produção própria. Na Decisão n.o 244/2000, o Conselho da Concorrência concedeu uma autorização condicional ao projeto do DGE 75, desde que fossem respeitadas as seguintes condições: i) as facilidades previstas pelo artigo 6.o, n.o 1, alínea b), do DGE 24 deveriam ser revogadas e a alteração prevista para substituição do reembolso dos direitos aduaneiros pela isenção de direitos aduaneiros deveria ser revogada, e ii) as alterações previstas ao artigo 6.o, n.o 1, alínea c), do DGE 24 (Facilidade para o Imposto sobre Lucros) seriam limitadas apenas aos lucros que são reinvestidos.

(17)

O DGE 75 entrou em vigor em 1 de julho de 2000. No entanto, o DGE 75, tal como aprovado, não respeitava as condições do Conselho da Concorrência de revogar a Facilidade para Matérias-primas e revogar a alteração prevista à mesma. Em vez disso, alterou o artigo 6.o, n.o 1, alínea b) do DGE 24, substituindo o reembolso de direitos aduaneiros no âmbito da Facilidade para Matérias-primas por uma isenção de direitos aduaneiros sobre as matérias-primas importadas, em direta violação da Decisão n.o 244/2000.

(18)

O Conselho da Concorrência contestou a não execução da sua decisão perante o Tribunal de Recurso de Bucareste que, contudo, indeferiu o pedido em 26 de janeiro de 2001 por inadmissibilidade (18). A inadmissibilidade foi fundamentada no facto de o DGE 75 ter sido considerado uma medida legislativa, e não administrativa, cuja legalidade o Conselho da Concorrência não podia contestar ao abrigo da Lei n.o 143/1999 e que quaisquer conflitos relativos às disposições jurídicas deviam ser resolvidos entre o governo e o parlamento, sem interferência dos tribunais. O Supremo Tribunal de Cassação e Justiça da Roménia rejeitou o recurso do Conselho da Concorrência contra a decisão do Tribunal de Recurso, em 19 de fevereiro de 2002, considerando-o inadmissível com base em motivos idênticos (19).

(19)

Em fevereiro de 2000, a Roménia iniciou negociações de adesão à União. A política de concorrência, incluindo o cumprimento das regras relativas aos auxílios estatais da União, fez parte dessas negociações. No contexto dessas negociações, a Posição Comum da União, de 21 de novembro de 2001, observou que «há uma série de regimes de auxílios incompatíveis, tanto já existentes como novos, que não foram harmonizados com o acervo», incluindo «facilidades previstas ao abrigo do [DGE 24 e do DGE 75]» (20).

(20)

Em 31 de agosto de 2004, a Roménia revogou todos os incentivos previstos pelo DGE 24, tal como alterado pelo DGE 75, com exceção da Facilidade para o Imposto sobre Lucros. A revogação dos incentivos do DGE 24 entrou em vigor em 22 de fevereiro de 2005. O relatório que acompanha o decreto que revoga o DGE 24, tal como alterado pelo DGE 75, explicava: «Para cumprir os critérios da regulamentação comunitária em matéria de auxílios estatais, bem como para concluir as negociações ao abrigo do Capítulo n.o 6 — Política de Concorrência, é necessário eliminar da legislação nacional todas as formas de auxílio estatal que sejam incompatíveis com o acervo comunitário neste domínio e, neste sentido, propõe-se a revogação […] das disposições do artigo 6.o, n.o 1, alíneas b), d), e e), do Diploma Governamental de Emergência n.o 24/1998 sobre as regiões desfavorecidas […] (21).

Investimentos dos requerentes e o processo de arbitragem CIRDI

(21)

Os requerentes efetuaram certos investimentos na área de Ștei-Nucet, distrito de Bihor, Roménia, no início da década de 2000. Em 1 de junho de 2000, a S.C. European Food S.A. obteve um certificado de investidor permanente, ao passo que a S.C. Starmill S.R.L. e a S.C. Multipack obtiveram o seu certificado de investidor permanente («CIP») em 17 de maio de 2002, tornando-se assim as referidas empresas elegíveis para beneficiar do regime criado pelo DGE 24, tal como alterado pelo DGE 75, para os investimentos por elas realizados a contar daquelas datas na região de Ștei-Nucet, distrito de Bihor, Roménia.

(22)

Em 2003, a Roménia e Suécia concluíram o BIT, que concedeu aos investidores de cada país (incluindo para investimentos celebrados antes da entrada em vigor do BIT (22)) certas proteções quando investem no outro país. O BIT garantia, nomeadamente, um tratamento justo e equitativo dos investimentos abrangidos no Estado de acolhimento, o que foi interpretado como incluindo também uma proteção das expectativas legítimas dos investidores. Permitiu igualmente aos investidores intentar ações perante um tribunal de arbitragem internacional caso entendessem que os seus direitos ao abrigo do BIT tinham sido violados pelo Estado de acolhimento. Uma vez que os irmãos Micula possuem cidadania sueca, alegaram que os seus investimentos na Roménia eram abrangidos pelo BIT.

(23)

Em 28 de julho de 2005, e em reação à revogação de incentivos ao investimento ao abrigo do DGE 24, os requerentes solicitaram a criação de um tribunal de arbitragem em conformidade com as disposições de resolução de litígios do BIT. Por decisão de 24 de setembro de 2008, o Tribunal considerou que os pedidos dos credores eram admissíveis. Os requerentes tinham solicitado, inicialmente, o restabelecimento dos incentivos ao investimento do DGE 24, que tinham sido revogados a partir de 22 de fevereiro de 2005. No entanto, durante o processo, os requerentes retiraram parcialmente o seu pedido em 2009 e, em vez disso, solicitaram uma indemnização por perdas e danos resultantes da revogação dos incentivos do DGE 24. Os requerentes alegaram que, ao revogar os incentivos, a Roménia violara as suas expectativas legítimas de que os incentivos referidos estariam disponíveis, fundamentalmente, até 1 de abril de 2009. Assim, de acordo com os requerentes, a Roménia tinha violado a sua obrigação de tratamento justo e equitativo que, como investidores suecos, lhes era devida nos termos do artigo 2.o, n.o 3, do BIT.

(24)

No decurso do processo de arbitragem, a Comissão interveio na qualidade de amicus curiae. Na sua intervenção, apresentada em 20 de julho de 2009, a Comissão explicou que os incentivos do DGE 24 eram «incompatíveis com as regras comunitárias em matéria de auxílios regionais. Em especial, os incentivos não respeitavam os requisitos da legislação comunitária em matéria de custos elegíveis e intensidades de auxílio. Além disso, as facilidades constituíam um auxílio ao funcionamento, que é proibido ao abrigo das regras relativas aos auxílios regionais».

(25)

A Comissão observou também que «quaisquer decisões no sentido de reinstaurar os privilégios retirados pela Roménia, ou de compensar os requerentes pela perda destes privilégios, levaria à concessão de novos auxílios que não seriam compatíveis com o Tratado CE». Informou também o Tribunal de que a «execução de [qualquer sentença que exija que a Roménia restabeleça os regimes de investimento que foram declarados incompatíveis com o mercado interno durante as negociações de adesão] não pode, por conseguinte, ocorrer se tal contradisser as regras da política de auxílios estatais da UE».

(26)

Na Sentença de 11 de dezembro de 2013, o Tribunal considerou que ao revogar os incentivos do DGE 24 a Roménia «violou as expectativas legítimas dos requerentes no que diz respeito à disponibilidade dos incentivos do DGE 24» até 1 de abril de 2009 (23). O Tribunal concluiu ainda que, com exceção da manutenção das obrigações dos investidores nos termos do DGE 24 após a revogação dos incentivos em causa, «a revogação dos incentivos pela Roménia foi uma ação razoável na prossecução de uma política racional» (24). No entanto, o Tribunal afirmou ainda que (25)«[E]sta conclusão não prejudica o entendimento do Tribunal, mencionado acima, […] de que a Roménia prejudicou as expectativas legítimas dos Requerentes no que diz respeito à disponibilidade dos incentivos até 1 de abril de 2009. Por conseguinte, as ações da Roménia, apesar de, na sua maioria, serem adequada e cuidadosamente orientadas no sentido de uma política racional, foram injustas ou não equitativas face aos Requerentes».

O Tribunal concluiu a sua análise afirmando que (26)«[A]o revogar os incentivos do DGE 24 antes de 1 de abril de 2009, a Roménia não atuou injustificadamente ou de má-fé (exceto no sentido de que [a Roménia] agiu injustificadamente ao manter as obrigações dos investidores após a supressão dos incentivos). No entanto, o Tribunal conclui, por maioria, que a Roménia violou as expectativas legítimas dos Requerentes de que os incentivos referidos estariam disponíveis, fundamentalmente da mesma forma, até 1 de abril de 2009. A Roménia também não agiu de forma transparente ao não ter informado os requerentes atempadamente de que o regime deixaria de vigorar antes da data de vencimento indicada. Por conseguinte, o Tribunal considera que a Roménia não «assegurou um tratamento justo e equitativo dos investimentos» dos Requerentes na aceção do artigo 2.o, n.o 3, do BIT».

(27)

O Tribunal decidiu ainda que a Roménia devia pagar uma indemnização aos requerentes (27). No total, o Tribunal decidiu que os requerentes tinham direito a 376 433 229 RON, acrescidos de juros. A indemnização é calculada do seguinte modo: o Tribunal considerou que a Roménia devia pagar aos requerentes 85,1 milhões de RON (28) como indemnização pelo aumento do custo do açúcar (pela importação do qual os requerentes tiveram de pagar direitos aduaneiros após a revogação da Facilidade para Matérias-primas), 17,5 milhões de RON (29) como indemnização pelo custo acrescido de matérias-primas além do açúcar e do PET (30), 18,1 milhões de RON (31) como indemnização pela perda da capacidade de armazenagem de açúcar a preços mais baixos, e 255,7 milhões de RON (32) como indemnização pelos lucros cessantes resultantes das vendas perdidas de produtos acabados. Além disso, o Tribunal ordenou à Roménia o pagamento de juros (ROBOR acrescido de 5%) calculados a partir de 1 de março de 2007 no que diz respeito ao aumento de custo do açúcar e das outras matérias-primas, a partir de 1 de novembro de 2009 no que diz respeito à perda de capacidade de armazenagem de açúcar, e a partir de 1 de maio de 2008 no que diz respeito aos lucros cessantes. Na data da Sentença, o capital e os juros devidos aos requerentes ascendiam a 791 882 452 RON, tal como ilustrado no Quadro.

Indemnizações e juros concedidos aos requerentes pela Sentença

Indemnização concedida

Montante (em RON)

Juros calculados a partir de

Aumento do custo do açúcar

85 100 000

1 de março de 2007

Aumento do custo de matérias-primas que não açúcar ou PET

17 500 000

1 de março de 2007

Oportunidade perdida de armazenagem de açúcar

18 133 229

1 de novembro de 2009

Lucros cessantes da venda de produtos acabados

255 700 000

1 de maio de 2008

TOTAL

376 433 229

Total com juros em 11 de dezembro de 2013:

791 882 452 RON

O Processo de Anulação CIRDI

(28)

Em 18 de abril de 2014, a Roménia apresentou perante um Comité ad hoc um pedido de anulação da Sentença, com base no artigo 52.o da Convenção Internacional sobre a Resolução de Diferendos relativos aos Investimentos entre os Estados e os nacionais de outros Estados de 18 de março de 1965 («Convenção CIRDI»). Devido às regras processuais aplicáveis ao processo, a Roménia não forneceu o seu pedido à Comissão. No entanto, é evidente que, no seu pedido, a Roménia também solicitou ao Comité ad hoc para ordenar a suspensão da execução da Sentença até que o Comité tenha decidido sobre o pedido de anulação. Por carta de 18 de agosto de 2014, a Roménia informou a Comissão de que, por decreto de 7 de agosto de 2014, o Comité ad hoc concedeu a suspensão da execução da Sentença sob a condição de a Roménia prestar, no prazo de um mês, as seguintes garantias: «A Roménia compromete-se a, quaisquer que sejam as condições (incluindo as relacionadas com a lei ou decisões [da UE]), a efetuar o pagamento integral das suas obrigações pecuniárias imposto pela Sentença do processo CIRDI n.o ARB/05/20 — e devido aos requerentes — na medida em que a Sentença não seja anulada — após a notificação da decisão sobre a anulação».

(29)

A pedido da Roménia, a Comissão explicou à Roménia que esta não poderia assegurar um compromisso incondicional de que pagaria aos requerentes a indemnização concedida ao abrigo da Sentença, ainda que tal implicasse um incumprimento das suas obrigações ao abrigo do direito da União e independentemente de qualquer decisão da Comissão. A Roménia respondeu em conformidade ao Comité ad hoc, que levantou a suspensão da execução da Sentença em 7 de setembro de 2014.

(30)

Em 15 de outubro de 2014, a Comissão apresentou um pedido ao Comité ad hoc para obter uma autorização de intervenção como parte não litigante no processo de anulação. A autorização de intervenção foi concedida pelo Comité ad hoc em 4 de dezembro de 2014 e a Comissão apresentou o seu relatório de amicus curiae neste processo, em 9 de janeiro de 2015.

Ações dos Requerentes para Reconhecimento e Execução da Sentença nos tribunais da Roménia e dos EUA

(31)

As autoridades romenas informaram ainda os serviços da Comissão sobre o processo nacional instaurado pelos requerentes para execução da Sentença. Em fevereiro de 2014, Viorel Micula instaurou, em primeiro lugar, um processo judicial visando o reconhecimento da Sentença à luz do Novo Código de Processo Civil (artigos 1124.o a 1132.o) (33). Em 7 de maio de 2014, a Comissão interveio no referido processo nos termos do artigo 23.o-A, n.o 2, do Regulamento (CE) n.o 659/1999. No entanto, Viorel Micula desistiu da ação em 28 de maio de 2014 e, por conseguinte, não foi proferida qualquer sentença. Separadamente, em 18 de março de 2014, os outros quatro requerentes (a S.C. European Food S.A., a S.C. Starmill S.R.L., a S.C. Multipack e o Sr. Ion Micula) instauraram um processo judicial na Roménia, visando a execução da Sentença em conformidade com o artigo 54.o da Convenção CIRDI, solicitando o pagamento de 80% do montante em dívida (ou seja, 301 146 583 RON) e os juros correspondentes.

(32)

Em 24 de março de 2014, o Tribunal de Bucareste autorizou a execução da Sentença tal como solicitado pelos quatro requerentes, tendo considerado que, nos termos do artigo 54.o da Convenção CIRDI, que foi ratificada pela Roménia e que faz parte da ordem jurídica nacional, a Sentença é um ato diretamente executório e deve ser tratada como uma sentença definitiva a nível nacional, dispensando assim o procedimento para reconhecimento da Sentença à luz do Novo Código de Processo Civil romeno (artigos 1123.o a 1132.o) (34). Em 30 de março de 2014, um executor iniciou o procedimento de execução impondo ao Ministério das Finanças romeno um prazo de seis meses para pagar aos quatro requerentes 80% do valor definido pela Sentença, acrescido de juros e de outros custos.

(33)

A Roménia contestou a execução da Sentença perante o Tribunal de Bucareste e pediu a aplicação de medidas cautelares, ou seja, uma suspensão temporária da execução, até que houvesse uma decisão quanto ao mérito da causa (35). Em 14 de maio de 2014, o Tribunal de Justiça de Bucareste suspendeu temporariamente a execução da Sentença até que tivesse sido tomada uma decisão sobre o mérito da contestação da Roménia e o seu pedido de suspensão da execução. Em 26 de maio de 2014, a Comissão interveio no processo referido, nos termos do artigo 23.o-A, n.o 2, do Regulamento (CE) n.o 659/1999. A Comissão solicitou ao Tribunal de Bucareste que suspendesse e anulasse a execução forçada da Sentença. Em alternativa, a Comissão convidou o Tribunal de Bucareste a submeter uma questão prejudicial ao Tribunal de Justiça da União Europeia («TJUE»).

(34)

Em 23 de setembro de 2014, o Tribunal de Bucareste, relativamente à aplicação de medidas cautelares, levantou a suspensão e indeferiu o pedido da Roménia para uma suspensão da execução da Sentença. A razão principal para este indeferimento foi o levantamento da suspensão da execução da Sentença pelo Comité ad hoc CIRDI, em 7 de setembro de 2014 (ver considerando 29). Em 30 de setembro de 2014, a Roménia decidiu recorrer da decisão do Tribunal de Bucareste de 23 de setembro de 2014 (36). Em 13 de outubro de 2014, o Tribunal de Bucareste rejeitou o pedido para enviar questões prejudiciais ao TJUE com base no artigo 267.o do Tratado. Em 17 de outubro de 2014, no seguimento da decisão da Comissão, de 1 de outubro de 2014, de dar início ao procedimento formal de investigação, no contexto do processo n.o 15755/3/2014 perante o Tribunal de Bucareste, a Roménia pediu novamente que fossem aplicadas medidas cautelares sob a forma de suspensão da execução forçada da Sentença.

(35)

Não obstante a obrigação de todas as autoridades romenas, incluindo do poder judicial, de obedecer às decisões da Comissão de 26 de maio de 2014 e de 1 de outubro de 2014, o executor nomeado pelo Tribunal de Bucareste emitiu um despacho em 31 de outubro de 2014 para apreender as contas do Ministério das Finanças da Roménia e promover a execução de 80% do valor concedido pela Sentença. Na sequência das cartas de penhora emitidas pelo executor, algumas partes do tesouro público e de contas bancárias do Ministério das Finanças estão atualmente congeladas.

(36)

Em 24 de novembro de 2014, o Tribunal de Bucareste rejeitou igualmente a ação principal da Roménia contra a ordem de execução de 24 de março de 2014, incluindo o pedido de aplicação de medidas cautelares de 17 de outubro de 2014. Em 14 de janeiro de 2015, a Roménia recorreu da decisão do Tribunal de Bucareste (37). Em 24 de fevereiro de 2015, o Tribunal de Recurso de Bucareste levantou a suspensão da decisão do Tribunal de Bucareste de 23 de setembro de 2014, e suspendeu a execução forçada até que seja proferida uma decisão sobre o recurso contra a decisão do Tribunal de Bucareste de 24 de novembro de 2014. A Comissão decidiu solicitar autorização para intervir nesses processos de recurso com base no artigo 23.o-A, n.o 2, do Regulamento (CE) n.o 659/1999.

(37)

Em 5 de janeiro de 2015, o executor nomeado pelo tribunal apreendeu 36 484 232 RON (cerca de 8,1 milhões de euros (38)) ao Ministério das Finanças da Roménia. Deste montante, o executor transferiu posteriormente 34 004 232 RON (cerca de 7,56 milhões de euros) em partes iguais para três dos cinco requerentes, e manteve o restante como compensação pelos custos de execução. Entre 5 de fevereiro e 25 de fevereiro de 2015, o executor nomeado pelo tribunal apreendeu 9 197 482 RON (cerca de 2 milhões de euros) adicionais (39) ao Ministério das Finanças. Em 9 de março de 2015, o Ministério das Finanças transferiu voluntariamente o montante remanescente de 472 788 675 RON (cerca de 106,5 milhões de euros (40)) (incluindo despesas do executor nomeado pelo tribunal de 6 028 608 RON) para uma conta bloqueada em nome dos cinco requerentes, a fim de cumprir a Sentença. No entanto, os cinco requerentes apenas poderão levantar o dinheiro se a Comissão decidir que o auxílio estatal concedido com base na Sentença é compatível com o mercado interno.

(38)

A Comissão descobriu, além disso, que o Sr. Viorel Micula também instaurou uma ação de execução contra a Roménia perante o Tribunal Distrital dos EUA do Distrito de Colúmbia (41). O processo está pendente. A Comissão tenciona pedir autorização para apresentar um relatório de amicus curiae neste processo. O Sr. Viorel Micula também deu início a um novo processo de execução contra a Roménia perante os tribunais romenos, em 3 de outubro de 2014, mas esta pretensão foi rejeitada pelo Tribunal de Bucareste em 3 de novembro de 2014.

3.   DESCRIÇÃO DA MEDIDA E MOTIVOS PARA DAR INÍCIO AO PROCEDIMENTO

Descrição da medida

(39)

A medida em apreço é o pagamento da indemnização concedida aos requerentes pelo Tribunal em virtude da Sentença, quer por aplicação ou por execução da referida Sentença, acrescida dos juros vencidos a contar da data do proferimento da Sentença

(40)

Tal como referido no considerando 3, a Roménia já efetuou um pagamento parcial da indemnização no início de 2014, através do perdão das dívidas fiscais de um dos requerentes, a S.C. European Food S.A., ao Estado da Roménia. As dívidas fiscais assim perdoadas ascenderam a 337 492 864 RON (cerca de 76 milhões de euros (42)).

(41)

Tal como referido no considerando 37, o executor nomeado pelo tribunal apreendeu 45 681 714 RON (cerca de 10,17 milhões de euros (43)) ao Ministério das Finanças da Roménia para executar a Sentença. Além disso, as autoridades romenas transferiram o montante remanescente de 472 788 675 RON (cerca de 106,5 milhões de euros (44)) (incluindo despesas do executor nomeado pelo tribunal de 6 028 608 RON) para uma conta bloqueada em nome dos cinco requerentes.

(42)

De acordo com as autoridades romenas a sentença arbitral foi aplicada na íntegra.

Fundamentos para dar início ao procedimento formal de investigação

(43)

Na decisão de início do procedimento, a Comissão chegou à conclusão preliminar de que o pagamento da indemnização concedida pelo Tribunal aos requerentes, através da aplicação ou execução da Sentença, constitui um auxílio estatal na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado. Esta conclusão preliminar baseia-se nas conclusões preliminares de que:

os cinco requerentes constituem uma unidade económica que deve ser classificada como uma empresa;

o pagamento da indemnização concedida proporcionaria aos requerentes uma vantagem económica que, de outra forma, não estaria disponível no mercado;

a presença de uma vantagem não é excluída pelo facto de a indemnização concedida pelo Tribunal ser designada como indemnização por perdas e danos, uma vez que a Sentença não se insere no âmbito da jurisprudência do acórdão Asteris, na qual é feita a distinção entre danos e auxílios estatais;

a vantagem concedida é seletiva, uma vez que apenas os requerentes beneficiariam da medida;

a vantagem é concedida através de recursos estatais, uma vez que os pagamentos são efetuados a partir do orçamento de Estado, e a decisão de concessão da vantagem é imputável à Roménia, independentemente de a Roménia ter implementado a Sentença voluntariamente ou por ordem de um tribunal;

o pagamento das indemnizações concedidas aos requerentes falseia a concorrência e afeta as trocas comerciais entre os Estados-Membros.

(44)

Em seguida, a Comissão determinou que a aplicação das regras em matéria de auxílios estatais no caso em apreço não afeta os direitos e obrigações protegidos pelo artigo 351.o do Tratado. A Comissão concluiu, além disso, que o pagamento das indemnizações concedidas aos requerentes constituiria um novo auxílio, uma vez que a aplicação ou a execução da Sentença teriam lugar após a adesão da Roménia à União, e que não era relevante que alguns dos custos que a medida estaria de facto a reembolsar tenham sido suportados pelos requerentes antes da adesão. Por último, a Comissão chegou à conclusão preliminar de que o pagamento da indemnização concedida pelo Tribunal aos requerentes através da aplicação ou da execução da Sentença não seria compatível com o mercado interno, uma vez que não cumpria as condições de compatibilidade aplicáveis aos auxílios regionais.

4.   OBSERVAÇÕES DA ROMÉNIA

(45)

A Roménia salienta, em primeiro lugar, que nos termos do artigo 54.o, n.o 1, da Convenção CIRDI, da qual a Roménia se tornou parte em 1975, cada Estado Contratante «reconhecerá a obrigatoriedade da sentença dada em conformidade com a presente Convenção e assegurará a execução no seu território das obrigações pecuniárias impostas por essa sentença como se fosse uma decisão final de um tribunal desse Estado». A Roménia alega que a consequência desta cláusula é que cada Estado Contratante é obrigado a reconhecer e executar uma sentença arbitral CIRDI cuja execução não tenha sido suspensa em conformidade com as regras ao abrigo da Convenção CIRDI, não existindo possibilidade de recurso contra tal sentença perante os tribunais nacionais.

(46)

Em segundo lugar, a Roménia salienta que o governo da Roménia está obrigado ao cumprimento da Constituição romena, que lhe impede que influencie indevidamente os juízes nacionais no que diz respeito à questão de impor ou não a execução da Sentença. Salienta que o tribunal nacional decidiu autonomamente que os vários atos emitidos pela Comissão em 2014 não poderiam suspender a execução da Sentença nos termos do direito romeno. A Roménia argumenta ainda que, apesar de nos termos da Constituição romena o direito da União ter geralmente precedência sobre o direito nacional (comum) romeno, o direito da União não podia prevalecer sobre a própria Constituição romena.

(47)

Em terceiro lugar, a Roménia alega que a indemnização atribuída aos requerentes pelo Tribunal não deve ser tratada como um novo auxílio incompatível, mas como indemnização por perdas e danos na aceção da jurisprudência do acórdão Asteris. A Roménia rejeita, em especial, a aplicação da jurisprudência do acórdão Lucchini ao caso em apreço, argumentando que a base factual distingue o caso em apreço do caso julgado pelo TJUE no processo Lucchini  (45).

(48)

Por último, a Roménia salienta repetidamente o conflito revelado no presente caso entre as obrigações da Roménia ao abrigo da Convenção CIRDI e nos termos do direito da União. Alega que, até que tenha sido determinado a nível do CIRDI se é a Convenção CIRDI ou o direito da União que deve prevalecer, a aplicação ou a execução de uma Sentença CIRDI não deve ser considerara como constituindo um auxílio estatal ilegal.

5.   OBSERVAÇÕES DAS PARTES INTERESSADAS

(49)

A única parte interessada que apresentou as suas observações sobre a decisão de início do procedimento foram os requerentes no processo de arbitragem que deu origem à Sentença. Os requerentes contestam as conclusões preliminares contidas na decisão de início do procedimento. Em especial, fazem observações sobre i) o contexto do processo e ii) a descrição alegadamente incorreta da medida; argumentam que iii) não existe nenhum conflito entre os auxílios estatais da União e os BIT intra-UE; alegam que iv) a aplicação ou a execução da Sentença não constitui um auxílio estatal ou v), pelo menos, não um novo auxílio; afirmam que a caracterizar-se como auxílio vi) a aplicação ou a execução da Sentença seria um auxílio compatível; sustentam que vii) a proteção das expectativas legítimas impede a Comissão de adotar uma decisão negativa; e, finalmente, argumentam que viii) a Comissão deve tomar medidas para envolver devidamente os requerentes no procedimento de investigação.

No que diz respeito ao contexto do processo

(50)

Os requerentes explicam que, após o colapso do regime comunista em 1989, a Roménia se encontrava numa situação de privação económica grave. A situação era tal que, quando a Roménia iniciou o processo de adesão à União Europeia, em 1995, ainda estava longe de satisfazer os critérios de adesão da União. A fim de acelerar o desenvolvimento económico e reduzir as disparidades regionais, o governo romeno estabeleceu um plano para o desenvolvimento regional e, pouco tempo depois, adotou o DGE 24 para incentivar investimentos do setor privado nas regiões desfavorecidas. Os incentivos do DGE 24 destinavam-se unicamente a investidores que criassem postos de trabalho nas regiões mais desfavorecidas de um dos países mais pobres da Europa. Neste contexto, os requerentes salientam particularmente que o DGE 24 não proporcionava apenas vantagens aos investidores, mas também impunha obrigações, tais como o dever de criar postos de trabalho e empregar trabalhadores anteriormente desempregados, desenvolver e produzir novos materiais numa região desfavorecida, manter a sede das empresas recentemente criadas na região desfavorecida, e a obrigação de requerer e receber um CIP.

(51)

Os requerentes explicam ainda que as suas empresas obtiveram CIP entre 2000 e 2002 para investir no distrito de Bihor. Nos termos dos referidos CIP, que eram válidos até 1 de abril de 2009, os requerentes comprometeram-se a manter os seus investimentos durante «duas vezes o período de tempo durante o qual [os requerentes] beneficiavam das vantagens» criadas pelo DGE 24. Através dos seus investimentos, os requerentes alegam ter criado aproximadamente 9 000 novos postos de trabalho, dos quais 7 000 continuam a existir até à data. Os requerentes afirmam ainda que os seus investimentos tiveram repercussões significativas na região. A conclusão que os requerentes tiram destas observações é que, através dos seus investimentos, contribuíram para aliviar as dificuldades decorrentes das difíceis condições económicas na região do distrito de Bihor e melhoraram a qualidade de vida na região.

(52)

No que diz respeito às leis em matéria de auxílios estatais em vigor na Roménia antes da adesão da Roménia à União, os requerentes argumentam que, uma vez que o DGE 24 foi criado antes da entrada em vigor da Lei n.o 143/1999, o DGE 24 constituía um auxílio existente para efeitos da referida lei e não tinha de ser autorizado pelo Conselho da Concorrência. Os requerentes também recordam que, apesar de o Conselho da Concorrência ter tentado contestar o DGE 75 nos tribunais da Roménia, não contestou a compatibilidade do DGE 24 com a Lei n.o 143/1999. Os requerentes também recordam que, com exceção da Posição Comum da União Europeia de 21 de novembro de 2001, nenhuma declaração emitida pela União no decurso do processo de adesão identificava especificamente o DGE 24 como sendo problemático do ponto de vista dos auxílios estatais.

(53)

Por último, os requerentes afirmam que o não cumprimento total da Sentença, ou a recuperação da parte que já tinha sido aplicada através do perdão de dívidas fiscais do requerente para abater a indemnização devida, seria catastrófica para os requerentes e para a região, pondo em perigo milhares de postos de trabalho e revertendo o desenvolvimento económico que teve lugar na região.

No que diz respeito à descrição da medida

(54)

Os requerentes alegam que a decisão de início do procedimento não é consistente relativamente à identificação da medida em causa. Referindo-se aos considerandos 25 e 26 da decisão de início do procedimento, os requerentes sublinham que, apesar de a Comissão afirmar que está apenas a investigar a aplicação ou a execução da Sentença, na realidade está a pôr em causa o regime subjacente do DGE 24. Os requerentes também afirmam que, em qualquer caso, nunca foi validamente estabelecido que o DGE 24 constituía um auxílio estatal incompatível.

(55)

Afirmando ainda que a decisão de início do procedimento descaracteriza a Sentença, os requerentes argumentam que a Sentença concede exclusivamente uma indemnização por perdas e danos decorrentes da violação do BIT pela Roménia e não replica os benefícios do DGE 24. Com efeito, de acordo com os requerentes o Tribunal não concedeu uma indemnização devido à revogação prematura dos incentivos do DGE 24 em si mesma, tendo antes considerado que as medidas que violavam o BIT provinham da ação injustificada da Roménia ao i) manter na sua globalidade a obrigação do investidor prevista no DGE 24, apesar de ter revogado praticamente todos os benefícios que daí decorriam, ii) ao comprometer as expetativas legítimas dos requerentes no que diz respeito à disponibilidade contínua dos incentivos do DGE 24, e iii) ao não ser suficientemente transparente para com os requerentes.

(56)

Os requerentes declararam ainda que a decisão de início do procedimento se baseia no pressuposto de que o DGE 24 constituía um auxílio incompatível, e que este pressuposto é incorreto já que a compatibilidade do DGE 24 como auxílio com finalidade regional nunca foi validamente determinada.

No que diz respeito à ausência de conflito entre as regras relativas aos auxílios estatais da União e os BIT intra-UE

(57)

Referindo-se aos considerandos 51 a 55 da decisão de início do procedimento, os requerentes afirmam que as disposições do direito da União que lidam com as obrigações de direito internacional dos Estados-Membros são irrelevantes neste caso, uma vez que não existe nenhum conflito entre o direito da União em matéria de auxílios estatais e o BIT. Fundamentalmente, os requerentes alegam que qualquer conflito está excluído pelo facto de o processo de arbitragem em questão ter sido iniciado antes da adesão da Roménia à União. É dito que a obrigação da Roménia de aplicar a Sentença resulta do momento em que a alegada violação do BIT ocorreu, ou seja, antes da adesão da Roménia à União e, por conseguinte, não é afetada pelo direito da União.

No que diz respeito à caracterização da aplicação/execução da Sentença como auxílio estatal

(58)

Os requerentes argumentam que a aplicação ou a execução da Sentença pela Roménia não constitui um auxílio estatal na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado.

(59)

Em primeiro lugar, embora não contestem a qualificação da S.C. European Food S.A., da S.C. Starmill S.R.L e da S.C. Multipack como empresas, os requerentes afirmam que não se pode afirmar que Ioan e Viorel Micula estejam envolvidos em atividades económicas. Em particular, afirma-se que o facto de os irmãos Micula deterem ações de várias empresas é insuficiente para que sejam eles próprios qualificados como empresas. Os requerentes defendem também que as três empresas acima referidas e os irmãos Micula não podem ser tratados como uma unidade económica única, já que os interesses dos irmãos não são os mesmo que os das empresas.

(60)

Em segundo lugar, os requerentes sublinham que a aplicação da Sentença não lhes confere nenhuma vantagem. Argumentam que as medidas que servem para o cumprimento de obrigações jurídicas, tais como o pagamento de indemnizações por perdas e danos, não constituem um tratamento preferencial das empresas. Neste contexto, os requerentes afirmam que a Comissão não pode basear-se na declaração do advogado-geral Colomer no processo Atzeni, uma vez que esse processo tinha a ver com uma indemnização paga a um beneficiário como compensação pela recuperação de um auxílio incompatível que já tinha sido pago. Contrariamente, os requerentes defendem que, no caso em apreço, não lhes foi pago nenhum auxílio estatal — muito menos um auxílio estatal ilegal — distinguindo-o, portanto, do processo Atzeni. Do mesmo modo, os requerentes defendem que o caso em apreço não pode ser comparado aos casos citados na decisão de início do procedimento, nos quais se considerou que as cláusulas contratuais de indemnização dos beneficiários pela recuperação de auxílios estatais incompatíveis constituíam elas mesmas um auxílio estatal.

(61)

Os requerentes defendem ainda que a aplicação ou a execução da Sentença se enquadraria precisamente na jurisprudência do acórdão Asteris. Argumentam que a lógica subjacente à jurisprudência do acórdão Asteris, bem como em processos como o Denkavit  (46) e o ThyssenKrupp  (47), é que o pagamento de indemnizações não fica ao critério dos Estados-Membros, pelo que não pode ser considerado como auxílio estatal. Acrescentam ainda que os compromissos da Roménia ao abrigo do BIT exprimem as regras gerais de responsabilidade às quais se aplica a jurisprudência do acórdão Asteris. No que diz respeito ao argumento da Comissão de que o acórdão Asteris não se aplica às indemnizações por danos concedidas com base nos BIT intra-UE considerados incompatíveis com o direito da União, os requerentes defendem que essa incompatibilidade não tornaria nula uma Sentença concedida com base em tais BIT. Além disso, a aplicação ou execução da Sentença não pode ser vista como uma concessão de auxílio estatal «pela porta dos fundos», já que a Sentença não restabelece o regime suprimido do DGE 24; pelo contrário, é dito que a Sentença confere uma indemnização por danos resultante da decisão autónoma da Roménia de, nomeadamente, manter um encargo excessivo imposto aos requerentes.

(62)

Os requerentes afirmam ainda que os argumentos da Comissão no que respeita à incompatibilidade do BIT com o direito da União são irrelevantes, uma vez que o litígio conducente ao processo de arbitragem e, em última análise, à Sentença, surgiu antes da adesão da Roménia à União. Alegando que a argumentação da Comissão na decisão de início do procedimento se baseia em relacionar erradamente a aplicação/execução da Sentença com a incompatibilidade do regime DGE 24, os requerentes reafirmam que, em qualquer caso, a Sentença não concedeu indemnizações com base na decisão da Roménia de obedecer às regras da União em matéria de auxílios estatais.

(63)

Os requerentes contestam ainda que a decisão do TJUE no processo Lucchini, à qual a Comissão se refere na decisão de início do procedimento, tenha qualquer relevância para o caso em apreço. Na sua opinião, o acórdão Lucchini estabelece apenas que as disposições de direito nacional não podem comprometer a recuperação de auxílios incompatíveis e não tem qualquer influência sobre a aplicação/execução de uma sentença arbitral que conceda uma indemnização por danos pela violação de um BIT.

(64)

Em terceiro lugar, no que se refere à imputabilidade da aplicação/execução da Sentença à Roménia, os requerentes alegam que a apreciação da Comissão não se pode basear na imputabilidade do DGE 24 em si. Defendem ainda que a aplicação/execução de uma sentença CIRDI é uma consequência automática e involuntária das obrigações da Roménia nos termos da Convenção CIRDI. Qualquer ato involuntário não é, de acordo com os requerentes, imputável ao Estado e não pode constituir um auxílio estatal. Salientam ainda que as sentenças CIRDI não podem ser objeto de revisão pelos tribunais nacionais e a sua aplicação não pode ser impedida por uma questão de ordem pública nacional ou por incompatibilidade com o direito da União.

(65)

Os requerentes argumentam ainda que as obrigações da Roménia ao abrigo da Convenção CIRDI não foram afetadas pela adesão subsequente da Roménia à União. Explicam que, uma vez que a alegada violação do BIT e a instauração do processo ocorreram antes da adesão da Roménia à União, o direito da UE não é aplicável ao caso em apreço.

(66)

Em quarto lugar, no que diz respeito a seletividade, os requerentes alegam que a aplicação/execução da Sentença não é seletiva, uma vez que os BIT e a Convenção CIRDI estabelecem um regime de responsabilidade geral que é igualmente aplicável a todos os investidores. Por conseguinte, as indemnizações por danos concedidas ao abrigo deste regime não são seletivas. Neste contexto, os requerentes citam também uma declaração alegadamente feita pela Comissão de que os «BIT, embora conferindo uma vantagem através da fixação de direitos de propriedade no estrangeiro, tecnicamente não podem ser considerados auxílios estatais proibidos pelo artigo 107.o, n.o 1 [do Tratado], uma vez que o benefício não favorece certas empresas ou a produção de determinados bens, mas destina-se em geral a todos os investidores, independentemente do setor em que operam».

(67)

Por último, os requerentes negam que a aplicação da Sentença seja suscetível de falsear a concorrência e afetar as trocas comerciais entre os Estados-Membros. Alegam que o raciocínio constante da decisão de início do procedimento não pode aplicar-se aos irmãos Micula, que alegadamente não exercem qualquer atividade económica, com a consequência de que nenhuns pagamentos que lhes sejam feitos poderão falsear a concorrência ou afetar as trocas comerciais entre os Estados-Membros. De um modo mais geral, os requerentes alegam que a aplicação da Sentença não concederia aos requerentes uma vantagem, pelo que se pode excluir qualquer efeito sobre a concorrência ou as trocas comerciais.

No que diz respeito à caracterização da aplicação/execução da Sentença como um novo auxílio

(68)

Os requerentes discordam ainda da caracterização da aplicação/execução da Sentença como um novo auxílio. Fazem notar que os únicos acontecimentos ocorridos após a adesão da Roménia foram a adoção da própria Sentença e a sua execução. Afirmam que a execução pela Roménia, em particular, se trata de uma mera consequência automática da Sentença, e não o resultado de uma decisão específica. Os momentos relevantes foram, de acordo com os requerentes, a promulgação do DGE 24, a emissão de CIP para os requerentes ou, no máximo, a celebração do BIT. Os requerentes também se baseiam na jurisprudência e na prática da Comissão no que se refere a garantias estatais (segundo as quais o momento relevante é aquele em que a garantia é concedida, e não quando esta é invocada ou os pagamentos emitidos) para argumentar que, sempre que a indemnização é paga com base num compromisso incluído num acordo internacional, a data da celebração desse acordo deve ser considerada decisiva.

No que diz respeito à compatibilidade da aplicação/execução da Sentença

(69)

Os requerentes alegam, em primeiro lugar, que sempre que a Comissão está a investigar um auxílio não notificado, e o Estado-Membro em causa não apresentar quaisquer argumentos quanto à compatibilidade, a Comissão tem o dever de avaliar se o auxílio é compatível ao abrigo das regras ou orientações aplicáveis, se necessário solicitando mais informações ao Estado-Membro ou ao beneficiário.

(70)

No que diz respeito à análise preliminar da compatibilidade que consta da decisão de início do procedimento, os requerentes defendem que é conceptualmente incorreta, uma vez que aplica as atuais Orientações relativas aos auxílios com finalidade regional («OAR») à aplicação/execução da Sentença, embora seja claramente evidente que a aplicação/execução da Sentença não é motivada por qualquer objetivo de desenvolvimento regional. Na opinião dos requerentes, e sublinhando mais uma vez que a decisão de início do procedimento parte indevidamente do princípio de que a aplicação da Sentença restabeleceria retroativamente o DGE 24, o único auxílio que poderia ser concedido eram os benefícios ao abrigo do regime DGE 24. O DGE 24 deveria ter sido, então, avaliado ao abrigo das OAR de 1998, ao abrigo das quais deveria ter sido considerado compatível.

(71)

Seguidamente, os requerentes afirmam que nunca existiu qualquer decisão formal válida que estabelecesse que o DGE 24 constitui um auxílio estatal incompatível. A decisão do Conselho da Concorrência romeno (Decisão n.o 244) que denunciou o DGE 24 foi, de acordo com os requerentes, incorreta, uma vez que não apreciou a compatibilidade e não apresentou uma fundamentação para as suas conclusões. Além disso, os requerentes alegaram que a adoção do DGE 75 — que reafirmou o DGE 24 — pelo governo romeno se sobrepôs à decisão do Conselho da Concorrência. Alegam ainda que a rejeição da contestação do DGE 75 perante os tribunais romenos por parte do Conselho da Concorrência é mais uma prova de que o DGE 24 e o DGE 75 prevaleceram sobre a decisão do Conselho da Concorrência.

(72)

Os requerentes afirmam ainda que a Comissão não tinha nem tem competência para rever o DGE 24, mesmo que incidentalmente. As partes relevantes do DGE 24 foram revogadas antes da adesão da Roménia à União. Na medida em que se considere que a Sentença restabelece os auxílios concedidos ao abrigo do DGE 24, os requerentes afirmam, por conseguinte, que a Comissão não tem competência de revisão. Neste contexto, referem também a decisão da Comissão no processo de auxílio estatal n.o 380/2004, no qual a Comissão concluiu que a aplicação de uma sentença arbitral após a adesão, sentença essa que tinha sido proferida antes da adesão e que estava relacionada exclusivamente com períodos anteriores à adesão, não constituía um novo auxílio.

(73)

Por último, os requerentes alegam que o DGE 24 e os incentivos individuais ao abrigo do DGE 24 eram compatíveis com o mercado interno nos termos das OAR de 1998 aplicáveis, uma vez que cumpriam todas as condições de compatibilidade. Neste contexto, afirmam que, em primeiro lugar, o DGE 24 pode, de facto, ser visto como um auxílio ao investimento compatível, em vez de um auxílio ao funcionamento, e, em segundo lugar, que, mesmo que considerado auxílio ao funcionamento, o DGE 24 era ainda compatível.

No que diz respeito às expectativas legítimas

(74)

Os requerentes alegam que uma decisão da Comissão no sentido de que a aplicação ou a execução da Sentença infringem as regras em matéria de auxílios estatais violaria as expectativas legítimas dos requerentes. Argumentam que a União incentivou expressamente a Roménia a celebrar BIT com os Estados-Membros antes da adesão da Roménia; que a Comissão continua a apoiar a celebração de BIT; que os requerentes se basearam na sua expectativa de que o processo de arbitragem lhes permitiria receber uma indemnização pelos danos causados pela decisão da Roménia de manter todas as obrigações dos investidores nos termos do DGE 24; e que não existe nenhum interesse público superior que justifique a violação das expectativas legítimas dos requerentes.

No que diz respeito aos direitos processuais dos requerentes

(75)

Por último, os requerentes afirmam que, de acordo com a jurisprudência, as partes interessadas «têm o direito de participar no procedimento administrativo na medida do necessário à luz das circunstâncias do caso» (48). Os requerentes, alegando que a Roménia não os envolveu devidamente no procedimento de auxílio estatal, o que alegadamente os colocou numa situação de desvantagem específica, avisam que o facto de a Comissão não permitir que os requerentes defendam devidamente os seus interesses através de uma participação mais ampla no procedimento poderá comprometer a decisão final da Comissão. Os requerentes terminam com a observação de que a prática da Comissão em processos de auxílios estatais em geral não salvaguarda suficientemente os direitos processuais dos alegados beneficiários e é, por não apresentar uma solução eficaz, contrária ao artigo 6.o, n.o 1, da Convenção Europeia dos Direitos do Homem e ao artigo 47.o da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.

6.   COMENTÁRIOS DA ROMÉNIA SOBRE AS OBSERVAÇÕES DE TERCEIROS

(76)

Na sua resposta às observações apresentadas pelos requerentes, a Roménia rejeita, em primeiro lugar, a afirmação de que Ioan e Viorel Micula não podiam ser eles próprios considerados como empresas para efeitos da aplicação do direito da União Europeia em matéria de auxílios estatais. A Roménia alega que os cinco requerentes devem, em vez disso, ser considerados como uma única unidade económica, uma vez que os irmãos Micula exercem um controlo direto ou indireto sobre as empresas requerentes. Para sustentar esta afirmação, a Roménia explica designadamente que durante as negociações entre a Roménia e os requerentes que tiveram lugar após o proferimento da Sentença, os irmãos Micula tomaram uma decisão formal em nome das três empresas requerentes.

(77)

Em segundo lugar, a Roménia refuta a tentativa dos requerentes de recusar a ligação entre a revogação dos incentivos do DGE 24 e a concessão de indemnização ao abrigo da Sentença. Defende que decorre claramente da Sentença que o valor da indemnização por danos foi estabelecido pelo Tribunal com base nas vantagens económicas que os requerentes teriam obtido se os incentivos se tivessem mantido.

(78)

Em terceiro lugar, no que se refere à afirmação dos requerentes de que não tinham sido e que não estão a ser devidamente envolvidos na investigação relativa aos auxílios estatais, a Roménia nega não ter enviado imediatamente aos requerentes a decisão de início do procedimento. Afirma ainda que a Roménia não tem nenhuma obrigação legal de envolver os requerentes mais amplamente do que aquilo que está a fazer, e que tem feito até ao momento.

7.   APRECIAÇÃO

7.1.   Existência de auxílio

(79)

O artigo 107.o, n.o 1, do Tratado dispõe que «os auxílios concedidos pelos Estados-Membros ou provenientes de recursos estatais que, independentemente da forma que assumam, falseiem ou ameacem falsear a concorrência através do favorecimento de certas empresas ou certas produções são, na medida em que afetem as trocas comerciais entre os Estados-Membros, incompatíveis com o mercado interno». Deste modo, uma medida constitui um auxílio estatal se estiverem preenchidas quatro condições cumulativas:

a medida deve conferir uma vantagem económica seletiva a uma empresa;

a medida deve ser imputável ao Estado e financiada através de recursos estatais;

a medida deve falsear ou ameaçar falsear a concorrência;

a medida deve ser suscetível de afetar as trocas comerciais entre os Estados-Membros.

(80)

A Comissão sublinha que a noção de auxílio estatal é um conceito objetivo e jurídico diretamente definido pelo Tratado. A determinação de se uma medida específica constitui um auxílio estatal não depende das intenções ou das justificações dos Estados-Membros aquando da sua concessão, mas dos efeitos da medida em questão (49).

Empresa

(81)

O Tribunal de Justiça tem sistematicamente definido empresas como entidades que desenvolvem uma atividade económica, independentemente do seu estatuto jurídico e do modo como são financiadas (50). Assim, a classificação de uma determinada entidade como empresa depende inteiramente da natureza das suas atividades.

(82)

Pode considerar-se que duas entidades jurídicas distintas formam uma única unidade económica para efeitos de aplicação das regras em matéria de auxílios estatais. A referida unidade económica é então considerada a empresa em causa. Tal como o TJUE considerou anteriormente, «[e]m matéria de direito da concorrência, o termo "empresa" deve ser entendido como a designação de uma unidade económica […] ainda que juridicamente essa unidade económica seja constituída por várias pessoas, singulares ou coletivas» (51). Para determinar se várias entidades formam uma unidade económica, o TJUE analisa a existência de uma participação maioritária ou de vínculos funcionais, económicos ou orgânicos (52).

(83)

Os requerentes do processo de arbitragem que deu origem à Sentença são os irmãos Ioan Micula e Viorel Micula e três empresas por eles detidas (a S.C. European Food S.A., da S.C. Starmill S.R.L e da S.C. Multipack). É evidente que as três empresas estão envolvidas em atividades económicas, já que se especializam na produção industrial de produtos alimentares, produtos de moagem e embalagens de plástico, respetivamente. As três sociedades, por conseguinte, constituem empresas. Esta caracterização não é contestada pelos requerentes.

(84)

Porém, os requerentes defendem que os irmãos Micula não podem eles próprios, sendo pessoas singulares, ser considerados empresas para efeitos do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado e que, em conformidade, os fundos que lhes foram pagos na aplicação ou a execução da Sentença não constituem um auxílio estatal. Em especial, é dito que os interesses dos irmãos Micula não coincidem com os das três empresas requerentes.

(85)

No entanto, a Comissão considera que as três empresas e os irmãos Micula constituem conjuntamente uma única unidade económica para efeitos da aplicação das regras em matéria de auxílios estatais. A referida unidade económica é, portanto, considerada a empresa em causa.

(86)

Esta conclusão baseia-se, em primeiro lugar, no facto de os irmãos Micula deterem, direta ou indiretamente, a propriedade quase exclusiva das três empresas requerentes, demonstrando, assim, uma participação de controlo sobre essas empresas.

(87)

Em segundo lugar, esta conclusão tem em conta que as empresas requerentes fazem parte de um grupo maior de empresas, o European Food and Drinks Group («EFDG»). Durante o processo de arbitragem, os irmãos Micula requereram igualmente uma indemnização para as outras empresas que fazem parte do EFDG e que alegadamente sofreram prejuízos na sequência das ações da Roménia que deram origem ao processo. De facto, em vez de requererem e quantificarem prejuízos distintos para cada uma das empresas requerentes e para os dois requerentes individuais, os requerentes apresentaram o seu pedido de indemnização por prejuízos alegadamente sofridos pelo EFDG como um todo. Depois de analisar a estrutura proprietária do EFDG e de determinar que os irmãos Micula, direta ou indiretamente, possuem, pelo menos, 99,96% de todas as empresas do EFDG para as quais os irmãos Micula requerem indemnizações (ou seja, a European Drinks S.A., a Rieni Drinks S.A., a Scandic Distilleries S.A., a Transilvania General Import-Export S.R.L. e a West Leasing S.R.L), o Tribunal aceitou esta abordagem e permitiu que os requerentes pedissem indemnização por prejuízos ao EFDG como um todo (53). Este comportamento dos requerentes durante o processo de arbitragem e as resoluções correspondentes por parte do Tribunal demonstram que os irmãos Micula e as três empresas requerentes, bem como as empresas acima mencionadas que fazem parte do EFDG, formam uma única unidade económica com um interesse económico único.

(88)

Em terceiro lugar, a caracterização dos irmãos Micula e das suas empresas como uma única unidade económica é reforçada pela forma como a Sentença acabou por lhes conceder a indemnização. Em vez de conceder uma indemnização individual a cada um dos cinco requerentes, a Sentença concedeu-lhes a indemnização de forma «conjunta» com base num «direito comum». O facto de os cinco requerentes (ou seja, incluindo as empresas requerentes) terem solicitado conjuntamente ao Tribunal que concedesse toda a indemnização apenas aos irmãos Micula mostra que as empresas requerentes não têm qualquer autonomia relativamente aos irmãos Micula. No final, o Tribunal permitiu que cada requerente recuperasse a totalidade do montante da indemnização concedida e que, em seguida, distribuísse a indemnização pelos requerentes como estes bem entendessem, independentemente dos danos efetivamente sofridos por cada requerente.

(89)

A conclusão precedente não é afetada pelo argumento dos requerentes de que o caso em apreço deve ser distinguido do acórdão Hydrotherm, já que nesse processo a pessoa singular era um sócio pessoalmente responsável pelas obrigações financeiras de várias empresas, juntamente com as quais se considerou que ele constituía uma única unidade económica, ao passo que os irmãos Micula não são tão pessoalmente responsáveis. Em resposta, a Comissão recorda que, nos números pertinentes do acórdão Hydrotherm, o TJUE não mencionava, de forma alguma, a responsabilidade pessoal da pessoa singular em causa; pelo contrário, o TJUE limitou-se a indicar que a pessoa singular em causa «tem um controlo total» das empresas em causa (54). Como já mencionado, em virtude dos seus direitos de propriedade, os irmãos Micula têm, similarmente, um controlo total sobre as empresas requerentes e, de facto, sobre as outras empresas em questão do EFDG.

(90)

Além disso, a Comissão considera que, contrariamente às declarações dos requerentes, os fundamentos subjacentes ao acórdão Cassa di Risparmio di Firenze são igualmente aplicáveis ao presente caso. Neste acórdão, o TJUE reconheceu que uma atividade económica pode ser exercida por uma entidade, direta ou indiretamente, através do controlo de um operador que faz parte de uma unidade económica que formam em conjunto. Apesar de o TJUE reconhecer que a mera detenção de participações, mesmo participações de controlo, não basta para caracterizar enquanto económica a atividade da entidade detentora dessas participações quando tal apenas dá origem ao exercício dos direitos resultantes do estatuto de acionista ou de associado, bem como ao recebimento de dividendos, que são os simples frutos da propriedade de um bem, é evidente que a presente situação é diferente. Com efeito, de acordo com o TJUE «uma entidade que, pelo facto de deter participações de controlo numa sociedade, exerce efetivamente esse controlo através de uma participação direta ou indireta na sua gestão, participa na atividade económica exercida pela empresa controlada» (55). O TJUE também quis salientar que a «simples cisão de uma empresa em duas entidades diferentes» não pode ser suficiente para contornar as regras relativas aos auxílios estatais (56). Esta lógica aplica-se igualmente sempre que uma das duas entidades em causa seja uma pessoa singular. De outra forma, a concessão de auxílios a uma pessoa singular que seja o acionista de controlo de uma empresa não será considerada como constituindo um auxílio estatal, ainda que a pessoa singular possa usar os auxílios para benefício de empresas que controla. Com efeito, no caso em apreço, não pode fazer qualquer diferença para efeitos da aplicação das regras em matéria de auxílios estatais se a indemnização atribuída coletivamente a todos os requerentes pelo Tribunal é paga aos irmãos Micula ou às empresas detidas por estes.

(91)

Em conclusão, a Comissão considera que os irmãos Micula e as três empresas requerentes formam uma única unidade económica que constitui uma empresa para efeitos de aplicação do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado. As outras empresas do EFDG por cujos alegados prejuízos os irmãos Micula viram ser-lhes atribuída indemnização em virtude da Sentença (European Drinks S.A., Rieni Drinks S.A., Scandic Distilleries S.A., Transilvania General Import-Export S.R.L., West Leasing S.R.L) (57) também fazem parte dessa unidade económica única. O beneficiário final da medida de auxílio é esta unidade económica única, composta pelos cinco requerentes e as referidas empresas do EFDG.

Vantagem Económica (1)

(92)

Na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado, uma vantagem é um benefício económico que uma empresa não teria obtido em condições normais de mercado, ou seja, sem a intervenção estatal (58). A forma exata da medida é irrelevante para determinar se confere uma vantagem económica à empresa. A noção de vantagem inclui, por exemplo, todas as situações em que as empresas são dispensadas de custos inerentes às suas atividades económicas.

(93)

Através da Sentença, o Tribunal atribuiu aos requerentes uma indemnização de 376 433 229 RON acrescida de juros, a pagar pela Roménia. Para compreender a razão pela qual a aplicação ou a execução da Sentença concede aos requerentes uma vantagem económica, será útil em primeiro lugar examinar, nessa Sentença, com que fundamento é que o Tribunal determinou que devia ser paga uma indemnização aos requerentes.

(94)

Depois de ter decidido que a Roménia tinha violado o BIT, o Tribunal explicou que a indemnização tinha ser concedida com base no princípio de que «o requerente deve ser colocado na posição em que estaria «com toda a probabilidade», se não fosse pelo ilícito internacional» (59). Explicou ainda que apenas os prejuízos que possuem um nexo causal com o ato que constitui o ilícito internacional poderão ser compensados através de indemnização e que «todas as violações do BIT alegadas pelos Requerentes resultam do mesmo facto: a revogação prematura dos incentivos [do DGE 24] ou em ligação direta com essa revogação prematura» (60). Na avaliação da indemnização exata a pagar aos requerentes, o Tribunal teve em conta se os prejuízos tinham realmente ocorrido e se estes estavam diretamente relacionados com a revogação do regime de incentivos. Por exemplo, no que diz respeito às indemnizações concedidas pelo aumento do preço do açúcar, o Tribunal considerou que (61)«tanto a existência de prejuízos como o nexo de causalidade entre a revogação dos incentivos e os prejuízos sofridos foram devidamente provados. Não se contesta que, na sequência da revogação do Incentivo para as Matérias-primas, os requerentes tiveram de pagar um montante superior pelo açúcar que adquiriram depois de fevereiro de 2005».

(95)

Tendo em conta essas considerações, é evidente que através da aplicação ou execução da Sentença, a Roménia concede aos requerentes um montante que corresponde exatamente às vantagens previstas pelo regime suprimido do DGE 24, desde o momento em que foi revogado (22 de fevereiro de 2005) até ao seu termo previsto (1 de abril de 2009). Mais precisamente, a aplicação ou execução de Sentença conduz ao reembolso efetivo de direitos aduaneiros cobrados sobre a importação de açúcar e de outras matérias-primas entre 22 de fevereiro de 2005 e 31 de março de 2009, bem como de direitos aduaneiros cobrados sobre açúcar importado que os requerentes teriam evitado se tivessem tido a oportunidade de armazenar o açúcar antes do termo previsto das facilidades do DGE 24, em 31 de março de 2009. Além disso, para assegurar que os requerentes beneficiam plenamente de um montante correspondente ao do regime suprimido e que são «colocados na posição em que estariam "com toda a probabilidade"», o Tribunal também concedeu juros e indemnização pelas alegadas oportunidades perdidas e lucros cessantes (62). Com efeito, a aplicação ou a execução da Sentença restabelece a situação em que os requerentes, muito provavelmente, estariam se o regime DGE 24 nunca tivesse sido revogado.

(96)

Por conseguinte, a aplicação ou a execução da Sentença concede aos requerentes uma vantagem económica que, de outra forma, não estaria disponível no mercado. Em primeiro lugar, os custos das matérias-primas, como fatores de produção para os produtos finais, constituem despesas de funcionamento normais das empresas, e dispensá-las de uma parte das suas despesas normais de funcionamento concede-lhes uma vantagem específica. Em segundo lugar, a concessão de indemnização por lucros cessantes aos requerentes por estes terem tido de suportar as suas próprias despesas de funcionamento constitui igualmente uma vantagem económica que não estaria disponível em condições normais de mercado e na ausência da Sentença; em condições normais de mercado, a empresa teria tido de suportar os custos inerentes à sua atividade económica e, por conseguinte, não teria gerado esses lucros. Em terceiro lugar, o pagamento aos requerentes de juros relativos a pagamentos que eram alegadamente devidos no passado, mas que devem ser qualificados como conferindo uma vantagem, confere uma vantagem distinta e complementar. Novamente, em condições normais de mercado e na ausência da Sentença, a empresa teria tido de suportar as suas despesas de funcionamento normais, não teria gerado os alegados lucros cessantes e, por conseguinte, não teria sido capaz de acumular juros sobre o referido capital. De facto, através da revogação do regime DGE 24, a Roménia restabeleceu as condições normais de concorrência no mercado no qual os requerentes operam, e qualquer tentativa de indemnizar os requerentes pelas consequências da revogação dos incentivos do DGE 24 concede uma vantagem que não está disponível nessas condições normais de mercado.

(97)

As tentativas dos requerentes de separar a concessão de indemnização da revogação dos incentivos do DGE 24 não são convincentes. Os requerentes alegam: «[N]o caso em apreço, o Tribunal CIRDI concluiu que a decisão de respeitar as regras relativas aos auxílios estatais da UE respeitava as obrigações da Roménia nos termos do BIT e não concedeu indemnizações aos requerentes nesta base. Em vez disso, o Tribunal CIRDI concedeu indemnizações pelos atos ilícitos do Estado romeno que consistiram em manter as obrigações impostas relativamente ao DGE 24 após o regime ter sido suprimido e na falta de transparência para com os investidores».

(98)

Esta descrição da Sentença é inexata e, em qualquer caso, não tem em consideração os efeitos da aplicação/execução da Sentença. Já se salientou que o Tribunal considerou que as alegadas violações do BIT resultaram todas da «revogação prematura dos incentivos ou da ligação direta com essa revogação prematura» (63), e concedeu uma indemnização pelos prejuízos que resultaram diretamente da revogação do regime de incentivos. O Tribunal também já foi citado na sua afirmação de que (64),«[A]o revogar os incentivos do DGE 24 antes de 1 de abril de 2009, a Roménia não atuou injustificadamente ou de má-fé (exceto no sentido de que [a Roménia] agiu injustificadamente ao manter as obrigações dos investidores após a supressão dos incentivos). No entanto, o Tribunal conclui, por maioria, que a Roménia violou as expectativas legítimas dos Requerentes de que os incentivos referidos estariam disponíveis, fundamentalmente da mesma forma, até 1 de abril de 2009. A Roménia também não agiu de forma transparente ao não ter informado os requerentes atempadamente de que o regime deixaria de vigorar antes da data de vencimento indicada. Por conseguinte, o Tribunal considera que a Roménia não «assegurou um tratamento justo e equitativo dos investimentos» aos requerentes, na aceção do artigo 2.o, n.o 3, do BIT».

(99)

À luz desta conclusão, não pode defender-se, tal como o fazem os requerentes, que o Tribunal concluiu que a decisão da Roménia de obedecer às regras dos auxílios estatais da União ao revogar o DGE 24 não viola o BIT, ou que não concedeu as indemnizações com este fundamento (65). A Comissão observa que, na sua justificação da decisão de conceder uma indemnização pelo aumento dos preços e pela perda da capacidade de armazenagem, bem como pelos lucros cessantes, o Tribunal se referiu apenas aos prejuízos sofridos pelos requerentes na sequência da revogação dos incentivos do DGE 24 (66). Nomeadamente, o Tribunal não se referiu à sua conclusão de que a Roménia agiu excessivamente ao manter as obrigações dos investidores nos termos do DGE 24 e ao não ter agido de forma transparente, nem tampouco conferiu indemnizações adicionais nesta base.

Vantagem Económica (2): A Indemnização por Prejuízos e os Auxílios Estatais

(100)

A existência de uma vantagem não é, contrariamente às alegações dos requerentes, excluída pelo facto de o pagamento das indemnizações concedidas aos requerentes pelo Tribunal através de aplicação ou execução da Sentença implicar o pagamento de uma indemnização por perdas e danos. A este respeito, a questão central é a de saber se os princípios constantes do acórdão Asteris  (67) do TJUE são aplicáveis ao caso em apreço. No acórdão Asteris, o TJUE estabeleceu que os auxílios estatais «têm uma natureza jurídica fundamentalmente diferente das indemnizações que as autoridades nacionais sejam, eventualmente, condenadas a pagar aos particulares como ressarcimento de um prejuízo por elas causado» (68). Os requerentes alegam que o caso em apreço se insere claramente no âmbito desta jurisprudência, e que qualquer tentativa da Comissão em distinguir o processo Asteris do caso em apreço não é convincente. A Comissão não concorda com esta posição.

(101)

A Comissão observa, em primeiro lugar, que o processo Asteris surgiu num contexto muito diferente do contexto do caso em apreço. Nesse processo, o TJUE proferiu uma decisão em resposta a uma questão prejudicial submetida por um tribunal grego pela qual o TJUE foi convidado a pronunciar-se sobre a competência dos tribunais dos Estados-Membros para conhecer de pedidos de indemnização intentados por particulares contra as autoridades nacionais relativamente ao não pagamento de auxílios no âmbito da política agrícola comum da União. O não pagamento do auxílio não foi o resultado de incumprimento de uma promessa de concessão desse auxílio pelas autoridades gregas, mas sim a consequência da inclusão de erros técnicos, pela Comissão, num regulamento. As empresas afetadas tinham já intentado uma ação de indemnização contra a Comissão perante o TJUE, que a tinha rejeitado como infundada. Em resposta à questão submetida a título prejudicial, o TJUE especificou no seu acórdão que, uma vez que tinha anteriormente excluído a ação de indemnização contra a Comissão, qualquer ação de indemnização contra o Estado grego teria se basear em fundamentos diferentes da ação contra a Comissão que tinha indeferido, ou seja, num ato ilícito das próprias autoridades gregas. Nomeadamente, o TJUE não indicou que a concessão de indemnização igual a um montante de auxílios estatais ilegais prometidos mas não pagos não constituiria, em si mesma, um auxílio estatal. Por conseguinte, não decorre do acórdão Asteris que qualquer concessão de indemnizações está automaticamente fora do âmbito de aplicação do direito da União em matéria de auxílios estatais, tal como os requerentes parecem argumentar. Pelo contrário, no caso de responsabilidades derivadas de condutas ilícitas das autoridades nacionais, não é concedida qualquer vantagem a uma empresa sempre que essa responsabilidade apenas garante que é conferido à parte lesada aquilo a que tem direito, tal como aconteceria com qualquer outra empresa, segundo as regras gerais de responsabilidade civil desse Estado-Membro. Uma indemnização concedida ao abrigo dessas regras gerais de responsabilidade civil difere de um auxílio estatal na medida em que não pode levar a que o individuo lesado fique numa situação melhor depois de receber a indemnização.

(102)

Em segundo lugar, para a indemnização cair fora do âmbito das regras da União relativas aos auxílios estatais nos termos da jurisprudência do acórdão Asteris deve basear-se numa regra geral de indemnização (69). No caso em apreço, a indemnização foi concedida aos requerentes com base num BIT intra-UE que a Comissão considera inválido a partir da adesão da Roménia à União. A Comissão tem entendido sistematicamente que os BIT intra-UE, tal como o BIT no qual os requerentes baseiam a sua alegação (70), são contrários ao direito da União, uma vez que são incompatíveis com o disposto nos Tratados da União, devendo por conseguinte ser considerados inválidos (71). A Comissão tem apresentado repetidamente este ponto de vista aos Estados-Membros, incluindo os Estados-Membros em causa.

(103)

Em terceiro lugar, a Comissão observa que o objetivo da Sentença é compensar os requerentes pelos incentivos que a Roménia lhes tinha prometido sob o DGE 24 (alterado pelo DGE 75), mas que a União lhe tinha exigido que suprimisse para poder concluir o processo de negociação para a sua adesão à União. Assim, em contraste com o processo Asteris, a razão pela qual os requerentes reclamam uma indemnização neste caso, é porque lhes foram negados os incentivos que a Roménia se tinha comprometido a conceder-lhes, em violação das suas obrigações ao abrigo do artigo 64.o do Acordo Europeu e da Lei n.o 143/1999, tal como interpretado pela Decisão n.o 244/2000 do Conselho da Concorrência romeno de não conceder um auxílio estatal ilegal. No entanto, como o Advogado-Geral Ruiz-Jarabo Colomer explicou (72), a concessão de uma indemnização igual à soma dos montantes de auxílio que foram previstos serem concedidos constituiria uma concessão indireta de um auxílio estatal ilegal e incompatível com o mercado interno. Neste sentido, o Tribunal Geral considerou que as cláusulas de indemnização para a recuperação de auxílios estatais constituíam auxílios estatais (73). Além disso, no acórdão Lucchini, o TJUE considerou que um tribunal nacional estava impedido de aplicar o direito nacional sempre que a aplicação do referido direito tivesse como efeito «opor-se à aplicação do direito comunitário, na medida em que tornaria impossível a recuperação de auxílios estatais concedidos em violação do direito comunitário» (74).

(104)

As tentativas dos requerentes de diferenciar os casos referidos do caso em apreço não são convincentes. O importante não é que os factos precisos subjacentes a esses processos diferem do caso em apreço, mas sim o princípio que fundamenta esses processos, a saber, que a legislação nacional, incluindo regimes de responsabilidade ao abrigo da legislação nacional, não pode ser aplicada sempre que tal comprometa a aplicação do direito da União em matéria de auxílios estatais e resulte, assim, em última análise, na concessão de auxílios estatais ilegais. Nesta perspetiva, o processo Asteris não dispensa as indemnizações concedidas a título de indemnização pela recuperação de auxílios estatais ilegais ou devido ao não recebimento de um auxílio estatal ilegal. A Comissão considera que mesmo princípio se aplica quando a responsabilidade decorre de um tratado de direito internacional celebrado entre dois Estados-Membros (tal como um BIT intra-UE) cuja aplicação origina a concessão de auxílios estatais. Sempre que a colocação em prática de um tratado intra-UE por um Estado-Membro obstar à aplicação do direito da União, esse Estado-Membro deve respeitar o direito da União, uma vez que o direito primário da União, tal como os artigos 107.o e 108.o do Tratado, tem precedência sobre as obrigações internacionais do Estado-Membro.

(105)

A argumentação dos requerentes de que nunca existiu uma decisão formal válida que estabelecesse que o DGE 24 constitui um auxílio estatal ilegal, ou que esses incentivos eram incompatíveis com o mercado interno é irrelevante neste âmbito, uma vez que é a aplicação/execução da Sentença, e não os incentivos ao investimento prometidos nos termos do DGE 24, que constitui a medida contestada e que fundamenta a presente decisão. Com efeito, considerando que o DGE 24 foi suprimido em 22 de fevereiro de 2005 e que nenhum auxílio foi pago nos termos dessa legislação após essa data, nem o Conselho da Concorrência romeno nem a Comissão poderiam concluir numa decisão formal que o DGE 24 deu origem a auxílios estatais incompatíveis no período de 22 de fevereiro de 2005 a 1 de abril de 2009, que é o período relativamente ao qual a Sentença concede indemnização aos requerentes.

(106)

Por esta mesma razão, não havia também qualquer necessidade de a Comissão adotar uma decisão formal afirmando a existência de auxílio estatal nos casos em que um órgão jurisdicional nacional ou um tribunal arbitral concedesse uma indemnização contra um Estado-Membro em consequência da remoção de uma medida de auxílio. O artigo 107.o, n.o 1, do Tratado inclui uma proibição geral da concessão de auxílios estatais «independentemente da forma que assumam». A forma exata da medida é, portanto, irrelevante para determinar se confere à empresa uma vantagem económica (75). Assim, se o auxílio estatal é concedido através da aplicação ou execução de um acórdão ou de uma sentença, o que a Comissão considera ser o caso relativamente à Sentença, é em relação a essa aplicação ou execução que a Comissão deve demonstrar que estão preenchidas as condições cumulativas do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado e que esse auxílio é incompatível com o mercado interno.

(107)

Em qualquer caso, a Comissão recorda que o Conselho da Concorrência romeno, diversas Posições Comuns da União e o governo romeno, após a revogação do DGE 24, todos eles concluíram que o DGE 24 deu origem a auxílios estatais ilegais nos termos do Acordo Europeu, da Decisão n.o 4/2000 do Conselho de Associação UE-Roménia, da Lei n.o 143/99 e do acervo comunitário. Além disso, a Decisão n.o 244/2000 do Conselho da Concorrência romeno nunca foi contestada nem anulada, mas apenas ignorada pelo legislador romeno através da adoção do DGE 75, contrária às disposições da Lei n.o 143/1999 relativa aos auxílios estatais e, por conseguinte, em violação das suas obrigações ao abrigo do Acordo Europeu e da Decisão n.o 4/2000 do Conselho de Associação UE-Roménia. Em seguida, a União insistiu que a Roménia respeitasse essa decisão, as suas obrigações ao abrigo do Acordo Europeu e do acervo comunitário no contexto das negociações de adesão, o que esta última fez ao revogar o DGE 24.

(108)

Pelas razões precedentes, a Comissão conclui que o pagamento das indemnizações concedidas aos requerentes pelo Tribunal através de aplicação ou execução da Sentença constitui uma vantagem económica a favor dos requerentes, a qual não teriam obtido em condições normais de mercado.

Seletividade

(109)

Nem todas as medidas que concedem a uma empresa uma vantagem económica constituem um auxílio estatal, mas apenas aquelas que conferem uma vantagem económica de forma seletiva a certas empresas ou categorias de empresas ou a certos setores económicos.

(110)

A Sentença concede indemnização apenas aos requerentes. Por conseguinte, mediante o pagamento dessa indemnização, seja através da aplicação ou execução da Sentença, a Roménia concede uma vantagem apenas aos requerentes. A medida é, portanto, seletiva.

(111)

Além disso, como resulta do acórdão Asteris, a indemnização por perdas e danos só não beneficiará seletivamente uma empresa específica na medida em que essa indemnização advier da aplicação de uma norma geral de direito em matéria de responsabilidade governamental que cada indivíduo possa invocar, de modo que fique excluída a possibilidade de qualquer indemnização concedida conferir um benefício seletivo a certos grupos da sociedade. A medida contestada, que resulta da aplicação das disposições do BIT, não respeita este requisito por todos os motivos patentes no caso em apreço.

(112)

Em primeiro lugar, o BIT só confere esse direito de indemnização a um determinado grupo de investidores, ou seja, a investidores dos dois Estados-Membros abrangidos pelo BIT intra-UE, ou seja, a Suécia e a Roménia. Por conseguinte, nem todos os investidores da União na mesma situação poderiam basear-se nesse BIT para obter uma indemnização equivalente aos incentivos prometidos nos termos do regime de auxílios suprimido do DGE 24, mas apenas os investidores de uma determinada nacionalidade. Por conseguinte, na medida em que o pagamento de indemnizações concedidas a um investidor nos termos de um BIT resulta na concessão de uma vantagem, a vantagem é seletiva. No que diz respeito à argumentação dos requerentes de que o caráter geral dos benefícios concedidos pelos BIT tinha sido anteriormente reconhecido pela Comissão (ver considerando 66), a frase citada pelos requerentes em apoio dessa alegação não se trata, de todo, uma declaração da Comissão, mas sim de um excerto de um estudo preparado por um contratante externo para o Departamento de Política da Direção-Geral das Políticas Externas do Parlamento Europeu. Em segundo lugar, a fim de eliminar quaisquer dúvidas sobre a autoria das opiniões expressas nesse estudo, ele contém uma declaração de exoneração de responsabilidade indicando que o autor assume a responsabilidade exclusiva pelas mesmas e que elas não refletem a posição oficial do Parlamento Europeu. A afirmação feita no referido relatório não pode ser imputada à Comissão e é irrelevante para o caso em apreço.

(113)

Em segundo lugar, a medida contestada compensa os requerentes pela revogação de incentivos ao investimento que têm, em si mesmos, um caráter seletivo. Com efeito, os incentivos oferecidos no DGE 24 apenas se encontravam disponíveis para empresas que investissem em certas regiões. Por conseguinte, a indemnização concedida aos requerentes pelo Tribunal deve, em si mesma, ser considerada seletiva, uma vez que corresponde às vantagens prometidas nos termos do suprimido DGE 24.

(114)

Em qualquer caso, a Comissão considera que o BIT nos termos do qual o Tribunal atribuiu a indemnização aos requerentes se tornou inválido após a adesão da Roménia à União, pelo que não pode ser entendido como constituindo a base de uma norma geral de direito para a responsabilidade do governo na qual todos os investidores podem confiar.

(115)

Por todas estas razões, a Comissão conclui que a aplicação ou a execução da Sentença concede aos requerentes uma vantagem seletiva.

Recursos Estatais

(116)

Apenas as vantagens concedidas direta ou indiretamente através de recursos estatais são suscetíveis de constituir auxílios estatais na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado. No caso em apreço, a Roménia já aplicou parcialmente a Sentença de indemnização concedida aos requerentes pelo Tribunal através do perdão das dívidas fiscais devidas por um dos requerentes ao Estado romeno. Além disso, o executor nomeado pelo tribunal apreendeu fundos de contas do Estado para saldar os créditos em dívida dos requerentes no âmbito da Sentença. Pagamentos diretos do orçamento de Estado, a renúncia a receitas estatais ao perdoar impostos devidos, ou a transferência de outros ativos do Estado (tais como ações de outras empresas ou a transferência de ativos penhorados) para os requerentes, quer efetuados voluntariamente, quer por meio de execução judicial, devem ser todos considerados medidas financiadas através de recursos estatais.

Imputabilidade

(117)

Para uma vantagem seletiva constituir um auxílio estatal na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado, deve, nomeadamente, ser imputável ao Estado (76). No caso em apreço, os requerentes defendem que, uma vez que a aplicação da Sentença é «uma consequência automática e involuntária das obrigações da Roménia nos termos da Convenção CIRDI, não é imputável ao Estado e, por conseguinte, não pode constituir um auxílio estatal». A grande linha de argumentação dos requerentes é que, uma vez que a Roménia está sujeita a uma obrigação de direito internacional no sentido de aplicar a Sentença, fazê-lo não pode ser imputável ao Estado. A Comissão não concorda com esta linha de raciocínio e considera que a medida é imputável à Roménia pelas seguintes razões.

(118)

A Comissão salienta, em primeiro lugar, que o acordo voluntário da Roménia em celebrar o BIT, nomeadamente o artigo 7.o do mesmo, criou as condições para a vantagem seletiva resultante da Sentença, tal como explicado nos considerandos 110 e seguintes.

(119)

Além disso, se a Roménia aplica voluntariamente a Sentença, pagando a indemnização concedida aos requerentes pelo Tribunal, não há dúvidas de que essa ação é imputável ao Estado romeno. Esta é, em qualquer caso, a situação no que toca ao montante da indemnização concedida aos requerentes através da Sentença que a Roménia perdoou relativamente a impostos devidos por um dos requerentes, a saber, a S.C. European Food S.A., às autoridades romenas. Este é também o caso quando a Roménia decidiu pagar voluntariamente a indemnização em dívida concedida pelo Tribunal.

(120)

Por último, todos os atos dos órgãos estatais da Roménia são imputáveis à Roménia. Estes órgãos estatais incluem o governo do Estado-Membro e outras autoridades públicas. Nomeadamente, também os tribunais nacionais de um Estado e os executores e os oficiais de justiça nomeados pelos tribunais devem ser considerados órgãos desse Estado e estão, por conseguinte, vinculados, ao abrigo do artigo 4.o, n.o 3, do Tratado da União Europeia, ao seu dever de cooperação leal face à União. Por conseguinte, as ações dos tribunais nacionais e dos executores e oficiais de justiça nomeados pelos tribunais são imputáveis ao Estado romeno, pelo que se a Roménia é obrigada a indemnizar os requerentes no âmbito da Sentença por ação dos seus tribunais ou executores e oficiais de justiça nomeados pelo tribunal, essa ação é igualmente imputável ao Estado Romeno. O direito da União reconhece apenas uma rara exceção a este princípio geral de imputabilidade: uma medida não é imputável a um Estado-Membro se esse Estado-Membro estiver obrigado nos termos do direito da União a aplicar essa medida, sem qualquer poder discricionário. Nesse caso, a medida resulta de um ato dos órgãos legislativos da União e não é imputável ao Estado. No entanto, é incontestável que a Roménia não está obrigada pelo direito da União a aplicar a Sentença. Qualquer decisão de aplicar ou executar a Sentença, quer seja tomada pelo governo romeno ou pelos tribunais nacionais da Roménia, é, por conseguinte, imputável ao Estado romeno.

(121)

Tendo em conta o que precede, a Comissão conclui que a medida é imputável à Roménia.

Distorção da Concorrência e Efeitos sobre as Trocas Comerciais

(122)

Considera-se que uma medida concedida pelo Estado falseia ou ameaça falsear a concorrência quando é suscetível de melhorar a posição concorrencial do beneficiário em relação a outras empresas com as quais concorre (77). Para todos os efeitos práticos, uma distorção da concorrência na aceção do artigo 107.o do Tratado é, deste modo, presumida assim que o Estado concede uma vantagem financeira a uma empresa num setor liberalizado em que existe, ou poderia existir, concorrência. Uma vantagem concedida a uma empresa que falseie a concorrência também será normalmente suscetível de afetar as trocas comerciais entre os Estados-Membros. As trocas comerciais entre os Estados-Membros são afetadas quando uma medida reforça a posição concorrencial da empresa beneficiária em comparação com outras empresas concorrentes nas trocas comerciais intracomunitárias (78).

(123)

A Comissão já concluiu (ver considerandos 81 e seguintes) que os requerentes formam, conjuntamente, uma única unidade económica que constitui, por sua vez, a empresa relevante para efeitos da aplicação das regras da União relativas aos auxílios estatais. Essa empresa tem um papel ativo num mercado liberalizado, concorrendo com outras empresas. A Comissão concluiu igualmente que o pagamento das indemnizações aos requerentes, quer por aplicação ou execução da Sentença, melhoraria a posição concorrencial em comparação com outras empresas com as quais concorrem, e que não beneficiaram de uma indemnização semelhante pela remoção de um auxílio estatal ilegal. A indemnização concedida através da Sentença baseia-se num montante correspondente aos direitos aduaneiros cobrados sobre as matérias-primas, em lucros cessantes e em juros sobre o montante total da indemnização concedida. Os custos das matérias-primas, como fatores de produção para os produtos finais, constituem despesas de funcionamento normais das empresas. Ao dispensar os requerentes de uma parte das suas despesas de funcionamento normais, é-lhes concedida uma vantagem competitiva específica, tal como acontece ao indemnizar os requerentes por lucros cessantes e ao efetuar o pagamento de juros. Os requerentes estão envolvidos no fabrico de produtos alimentares, produtos de moagem e embalagens de plástico. Todos estes produtos se inserem num mercado liberalizado, pelo que qualquer vantagem concedida aos requerentes é suscetível de falsear a concorrência. Considerando que os produtos que fazem parte da produção principal dos requerentes podem ser e, de facto, são objeto de comércio entre os Estados-Membros, é evidente que qualquer vantagem concedida aos requerentes é também suscetível de afetar as trocas comerciais entre os Estados-Membros.

(124)

A Comissão observa que os argumentos dos requerentes, negando um falseamento da concorrência, apenas repetem as declarações no sentido de que os irmãos Micula não podem ser considerados empresas, e que a aplicação da Sentença não concederia aos requerentes qualquer vantagem. Ambas as declarações foram já amplamente abordadas acima (ver considerandos 81 e seguintes e 92 e seguintes) e não exigem quaisquer observações adicionais.

Conclusão

(125)

Pelas razões precedentes, a Comissão considera que o pagamento da indemnização concedida aos requerentes pelo Tribunal constitui um auxílio estatal na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado.

7.2.   A aplicação das regras relativas aos auxílios estatais não afeta os direitos e obrigações protegidos pelo artigo 351.o do Tratado

(126)

O artigo 351.o do Tratado estabelece que «as disposições dos Tratados não prejudicam os direitos e obrigações decorrentes de convenções concluídas […] em relação aos Estados que aderem à Comunidade, anteriormente à data da respetiva adesão, entre um ou mais Estados-Membros, por um lado, e um ou mais Estados terceiros, por outro». No caso em apreço, os direitos e obrigações nos quais os requerentes se baseiam são os decorrentes do BIT.

(127)

Decorre claramente da redação do artigo 351.o do Tratado que o mesmo não se aplica no caso em apreço, uma vez que o BIT é um tratado celebrado entre dois Estados-Membros da União, a Suécia e a Roménia, e não um tratado «entre um ou mais Estados-Membros, por um lado, e um ou mais Estados terceiros, por outro». Por conseguinte, a aplicação da legislação em matéria de auxílios estatais ao caso em apreço não afeta os direitos e obrigações protegidos ao abrigo do artigo 351.o do Tratado.

(128)

Neste contexto, a Comissão recorda que são aplicadas regras diferentes ao abrigo do direito da União a BIT intra-UE, por um lado, e a BIT celebrados entre um Estado-Membro da União e um país terceiro, por outro. No caso dos BIT intra-UE, a Comissão considera que tais acordos são contrários ao direito da União, incompatíveis com o disposto nos Tratados da União e devem, por conseguinte, ser considerados nulos. Por outro lado, os BIT celebrados entre um Estado-Membro da União e um país terceiro são regidos pelo Regulamento (UE) n.o 1219/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho (79) que estabelece disposições transitórias para os acordos bilaterais de investimento entre os Estados-Membros e os países terceiros até que esses acordos sejam progressivamente substituídos por acordos da União relacionados com a mesma matéria, tendo em conta a competência exclusiva da União no que diz respeito à política comercial comum na qual se insere o investimento direto estrangeiro (80).

(129)

A Roménia é também parte na Convenção multilateral CIRDI, à qual aderiu antes da sua adesão à União. No entanto, dado que nenhum país terceiro que seja Parte Contratante da Convenção CIRDI é parte no BIT implicado neste processo, o artigo 351.o não é relevante neste caso.

7.3.   Novo auxílio

(130)

O artigo 107.o, n.o 1, do Tratado dispõe que um auxílio estatal é, em princípio, incompatível com o mercado interno. A menos que uma medida de auxílio seja declarada compatível com o mercado interno pela Comissão, os Estados-Membros estão proibidos de pôr em prática medidas de auxílio estatal. Nos termos do artigo 108.o, n.o 3, do Tratado, um Estado-Membro deve notificar à Comissão quaisquer projetos de alteração ou de concessão de auxílios e não deve por em prática a medida proposta até que a Comissão tenha tomado uma decisão final sobre a compatibilidade da mesma com o mercado interno.

(131)

A obrigação de não pôr em prática qualquer medida de auxílio sem uma decisão final da Comissão sobre a compatibilidade da mesma só se aplica, obviamente, a medidas de auxílio colocadas em prática após a entrada em vigor do Tratado para o Estado-Membro em causa. Para a Roménia, o Tratado entrou em vigor em 1 de janeiro de 2007.

(132)

Os requerentes contestam que a aplicação ou a execução da Sentença constituiria um «novo auxílio» na aceção do artigo 1.o, alínea c), do Regulamento (CE) n.o 659/1999. Afirmam que, mesmo que a apreciação da Comissão seja correta quod non e a aplicação ou a execução da Sentença constitua um auxílio, a data de concessão do auxílio seria a da concessão inicial dos benefícios aos requerentes ao abrigo do DGE 24, o que ocorreu em 2000 e 2002, e, portanto, antes da adesão da Roménia à União. De acordo com os requerentes, o último momento que se poderia considerar como data de concessão é o da entrada em vigor do BIT, no qual se baseia a Sentença, o que ocorreu em 2003.

(133)

A Comissão não concorda com os requerentes e considera que o pagamento das indemnizações concedidas aos requerentes pelo Tribunal, quer através da aplicação ou da execução da Sentença, constitui um novo auxílio e está sujeito, por conseguinte, a todo o mecanismo de controlo de auxílios estatais estabelecido nos artigos 107.o e 108.o do Tratado. De acordo com a jurisprudência do TJUE, deve considerar-se que o auxílio é concedido no momento em que um direito incondicional de receção do mesmo é conferido ao beneficiário ao abrigo das regras nacionais aplicáveis (81). Nem a adoção do DGE 24, em 2 de outubro de 1998, nem a designação de Ștei Nucet, no distrito de Bihor, como uma região desfavorecida durante 10 anos (aplicável a partir de 1 de abril de 1999), nem a concessão de certificados de investidor permanente à S.C. European Food S.A. (em 1 de junho de 2000) e à S.C. Starmill S.R.L. e à S.C. Multipack (em 17 de maio de 2002) conferiram aos requerentes um direito incondicional de obter a Facilidade para Matérias-primas até 1 de abril de 2009. Pelo contrário, o direito a essa Facilidade só era obtido por uma empresa elegível para auxílio ao abrigo do regime criado pelo DGE 24:

ao abrigo do regime inicial criado pelo DGE 24: quando a agência de desenvolvimento regional aprovava os documentos das vendas da produção da empresa confirmando que a importação de matérias-primas destinadas a utilização na produção interna tinha ocorrido, conferindo um direito ao reembolso de direitos aduaneiros pagos (82); e

após a Facilidade para Matérias-primas do DGE 24 ter sido transformada numa isenção de direitos aduaneiros ao abrigo do DGE 75: quando uma empresa elegível para auxílio ao abrigo desse regime importava matérias-primas destinadas a utilização na produção interna e solicitava a isenção às autoridades de controlo fronteiriço com base em documentos devidamente justificados.

(134)

Uma vez que o regime estabelecido pelo DGE 24, tal como modificado pelo DGE 75, tinha sido revogado em 22 de fevereiro de 2005, o direito ao auxílio não podia ser obtido por nenhuma empresa, após essa data, nos termos do quadro regulamentar nacional através da importação de matérias-primas para a Roménia destinadas a utilização na produção interna. Assim, o pedido de indemnização dos requerentes ao Estado romeno deriva apenas da Sentença, em conjugação com a legislação nacional romena que lhe confere efeitos jurídicos na ordem jurídica nacional da Roménia. Como a Sentença foi proferida e corre o risco de ser implementada executada após a adesão da Roménia à União, o direito incondicional ao abrigo do direito nacional romeno de receber a indemnização concedida pelo Tribunal, resultante da ratificação da Convenção CIRDI, que a transpõe para a ordem jurídica nacional da Roménia e, assim, permite à Sentença produzir efeitos jurídicos no ordenamento jurídico da Roménia, só foi conferido aos requerentes após a adesão da Roménia à União.

(135)

Também é importante notar a este respeito que a Sentença concede aos requerentes uma indemnização num montante correspondente aos benefícios previstos no âmbito da suprimida Facilidade para Matérias-primas do regime DGE 24, a partir do momento em que esta lei foi revogada (22 de fevereiro de 2005) até ao seu termo previsto (1 de abril de 2009). Esse período compreende um pouco mais de 49 meses, durante a maioria dos quais (27 meses) a Roménia foi um membro de pleno direito da União, sujeita diretamente à disciplina relativa a auxílios estatais prevista no Tratado. Além disso, a Sentença concede aos requerentes indemnização pela oportunidade perdida de armazenagem de açúcar em 2009, partindo do princípio que os prejuízos conexos ocorreram entre 31 de março de 2009 e 1 de julho de 2010. Estes alegados prejuízos foram sofridos na sua totalidade após a adesão da Roménia à União em 2007. Por último, o Tribunal concedeu uma indemnização por lucros cessantes, tendo em conta a alegação de prejuízos sofridos entre 1 de janeiro de 2005 e 31 de agosto de 2011. Esse período compreende 80 meses, durante a maioria dos quais (56 meses) a Roménia foi um membro de pleno direito da União, sujeita diretamente à disciplina de auxílios estatais prevista no Tratado.

(136)

Por último, o regime de incentivos do DGE 24 não é mencionado no Anexo V, capítulo 2, n.o 1, do Ato de Adesão da Roménia à União, que enumera exaustivamente as medidas de auxílio estatal que seriam consideradas como auxílio existente aquando da adesão da Roménia à União (83)  (84).

(137)

É irrelevante o facto de nem o Ato de Adesão nem o Tratado se aplicarem à Roménia no momento em que a Roménia alegadamente violou as suas obrigações ao abrigo do BIT ao revogar o regime de auxílios estabelecido pelo DGE 24, ou quando os requerentes apresentaram os seus pedidos ao abrigo do BIT perante o Tribunal. Em nenhum desses momentos foi conferido aos requerentes um direito incondicional ao pagamento da indemnização concedida pelo Tribunal, que é o que constitui a medida em causa. Apenas quando o Tribunal estabeleceu que o artigo 2.o, n.o 3, do BIT tinha sido violado através do proferimento da Sentença em 11 de dezembro de 2013, em conjugação com a legislação nacional romena que atribui efeitos jurídicos à Sentença no ordenamento jurídico nacional romeno, é que os requerentes receberam um direito incondicional à indemnização de que se poderiam fazer valer contra a Roménia. Essa data foi posterior à adesão da Roménia à União Europeia.

(138)

O processo dos requerentes, por conseguinte, não é comparável à decisão da Comissão no Processo N 380/04, ao qual se referem. O Processo N 380/04 tinha a ver com um contrato celebrado entre a empresa Latvijas Gaze («LG») e a Letónia, em 1997. Quando surgiu um litígio entre a LG e a Letónia sobre as obrigações desta nos termos do contrato, foi instaurado um processo de arbitragem comercial em Estocolmo ao abrigo das regras da CNUDCI. O tribunal de arbitragem estabelecido para esse processo decidiu, em 19 de junho de 2003, que a Letónia devia pagar uma indemnização à LG pelo período de 10 de janeiro de 2001 até 10 de março de 2003. A Letónia não cumpriu a sentença arbitral antes da sua adesão à União em 1 de maio de 2004 e notificou a aplicação prevista dessa sentença à Comissão após a adesão. Na sua decisão, a Comissão observou que a obrigação de indemnização tinha por base o contrato de 1997, que a indemnização concedida pelo tribunal arbitral estava relacionada na sua totalidade com um período anterior à adesão da Letónia, e que a própria sentença arbitral tinha sido proferida antes da adesão da Letónia à União. Nesta base, a Comissão concluiu que «o pagamento […] da indemnização concedida pelo Tribunal […] constitui um mero ato de aplicação de uma medida que cristalizou inteiramente antes da adesão» e que a aplicação da sentença arbitral de 2003 não podia ser considerada como constituindo um «novo auxílio». Além disso, a decisão da Comissão no Processo N 380/04 salienta que não prejudicava a análise de possíveis pagamentos futuros no âmbito do contrato relacionados com períodos posteriores à adesão, limitando assim rigorosamente a abordagem escolhida aos factos específicos notificados pela Letónia.

(139)

Em contrapartida, no caso em questão, a obrigação de indemnização resulta da Sentença, que foi proferida em 2013, a indemnização concedida aos requerentes pelo Tribunal refere-se na maioria ao período após a adesão da Roménia à União e a própria Sentença foi proferida quase sete anos após a adesão da Roménia à União. Por último, a decisão do Processo N 380/04 afasta-se mais claramente do presente caso no facto de naquele nada indicar que, ao aplicar ou executar a decisão arbitral 2003, a LG receberia um auxílio estatal ilegal que a Letónia se tinha comprometido a conceder, contrariamente às suas obrigações em matéria de auxílios estatais como país candidato à adesão à União.

(140)

Por conseguinte, a Comissão considera que o pagamento da indemnização concedida pelo Tribunal aos requerentes constitui um novo auxílio e que essa medida só pode ser posta em prática se e depois de a Comissão a autorizar ao abrigo das regras em matéria de auxílios estatais.

7.4.   Ilegalidade nos termos do artigo 108.o, n.o 3, do Tratado

(141)

A indemnização concedida pelo Tribunal já foi parcialmente paga pela Roménia aos requerentes através do perdão de certas dívidas fiscais devidas por um dos requerentes, a S.C. European Food S.A., ao Estado da Roménia. Uma vez que a aplicação parcial da Sentença não foi notificada à Comissão pela Roménia, a medida foi aplicada ilegalmente, em violação do artigo 108.o, n.o 3, do Tratado. Qualquer outro pagamento da indemnização concedida pelo Tribunal, seja por aplicação ou execução da Sentença, que a Comissão desconheça ou que possa ocorrer após a adoção da presente decisão constituiria também, pelas mesmas razões, uma violação das obrigações da Roménia nos termos do artigo 108.o, n.o 3, do Tratado.

7.5.   Compatibilidade com o mercado interno

(142)

Em primeiro lugar, a Comissão recorda que, ao avaliar a compatibilidade de uma medida com o mercado interno nos termos dos artigos 107.o, n.o 2, e 107.o, n.o 3, do Tratado, o ónus da prova é a principal responsabilidade do Estado-Membro (85). Neste contexto, a Comissão recorda ainda que uma medida de auxílio estatal não pode ser declarada compatível com o mercado interno, quando implique uma violação indissociável de outras disposições específicas do Tratado (86). Até ao momento, a Roménia não apresentou quaisquer argumentos suscetíveis de justificar a medida nos termos dos artigos 107.o, n.o 2, e 107.o, n.o 3, do Tratado. No entanto, por uma questão de exaustividade, a Comissão considera adequado proceder a uma avaliação da compatibilidade por sua própria iniciativa.

(143)

Os requerentes alegam que a medida constitui um auxílio regional compatível. Com base nos artigos 107.o, n.o 3, alínea a), e 107.o, n.o 3, alínea c), do Tratado, a Comissão pode considerar compatíveis com o mercado interno auxílios estatais para promover o desenvolvimento económico de certas regiões desfavorecidas da União. As condições sob as quais os auxílios para promover o desenvolvimento regional podem ser considerados compatíveis com o mercado interno são estabelecidas nas Orientações relativas aos auxílios com finalidade regional para 2014-2020 («OAR 2014»). O considerando 188 dessas Orientações explica que estas se aplicam à apreciação da compatibilidade de todos os auxílios com finalidade regional destinados a ser concedidos após 30 de junho de 2014. Isto significa que os auxílios com finalidade regional concedidos ilegalmente ou os auxílios com finalidade regional destinados a ser concedidos antes de 1 de julho de 2014 devem ser apreciados de acordo com as Orientações relativas aos auxílios com finalidade regional para o período de 2007-2013 (87) («OAR 2007»).

(144)

Tal como explicado no considerando 134, foi concedido aos requerentes um direito incondicional ao auxílio quando a Sentença foi emitida, em 11 de dezembro de 2013, em conjugação com a legislação nacional romena que confere à Sentença efeitos jurídicos na ordem jurídica nacional da Roménia, ou seja, antes da entrada em vigor das OAR de 2014. Por conseguinte, o pagamento da indemnização concedida pelo Tribunal aos requerentes deve ser apreciado à luz das OAR de 2007.

(145)

Nas referidas orientações, a Comissão estabelece que os auxílios com finalidade regional destinados a reduzir as despesas correntes de uma empresa constituem um auxílio ao funcionamento e não devem ser considerados compatíveis com o mercado interno, a menos que sejam concedidos em circunstâncias excecionais para resolver desvantagens específicas enfrentadas pelas empresas em regiões desfavorecidas abrangidas pelo âmbito de aplicação do artigo 107.o, n.o 3, alínea a), do Tratado (88).

(146)

No caso em apreço, a indemnização atribuída aos requerentes pelo Tribunal refere-se aos prejuízos diretamente relacionados com a revogação dos incentivos do DGE 24 e destina-se a colocar o beneficiário na posição em que «com toda a probabilidade» estaria se os incentivos do DGE 24 não tivessem sido revogados. Com efeito, a aplicação da Sentença reestabelece a situação em que os requerentes estariam, muito provavelmente, se o DGE 24 não tivesse sido revogado pela Roménia. Como as vantagens concedidas ao abrigo do DGE 24 estavam relacionadas com os custos correntes dos requerentes, e não estavam ligadas a um investimento inicial, essas vantagens constituíam um auxílio ao funcionamento. Por conseguinte, a colocação do beneficiário na posição em que estaria se os incentivos do DGE 24 não tivessem sido revogados e, assim, a indemnização pelos prejuízos relacionados com a referida revogação, constitui um auxílio ao funcionamento. Tal como explicado nos considerandos 92 e seguintes, o pagamento das indemnizações concedidas aos requerentes pelo Tribunal, na realidade, reduz retroativamente as despesas de funcionamento por eles incorridas no exercício das suas atividades económicas em condições normais de mercado.

(147)

De acordo com os pontos 76, 77 e 79 das OAR de 2007, os auxílios ao funcionamento são normalmente proibidos, e podem apenas ser concedidos a título excecional às regiões referidas nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea a), desde que:

se justifiquem em função da sua contribuição para o desenvolvimento regional (desejado);

a sua natureza e o seu nível sejam proporcionais às desvantagens que procura suavizar;

sejam temporários e reduzidos ao longo do tempo, devendo ser eliminados quando as regiões em causa atinjam uma convergência real com as regiões mais prósperas da UE;

em princípio, seja concedidos relativamente a um conjunto pré-definido de despesas ou custos elegíveis e limitados a uma certa proporção desses custos;

o Estado-Membro se tenha comprometido a respeitar regras relativas a relatórios detalhados, tal como previsto no ponto 83 das OAR de 2007.

(148)

As atividades económicas que beneficiam da aplicação da Sentença estão situadas numa área que se insere no âmbito de aplicação do artigo 107.o, n.o 3, alínea a), do Tratado, tal como estabelecido pela Comissão na decisão do mapa dos auxílios com finalidade regional para a Roménia, para os períodos de 2007-2013 (89) e 2014-2020 (90).

(149)

No entanto, a Comissão não vê como é que o pagamento das indemnizações concedidas aos requerentes se justifica em termos de contribuição para o desenvolvimento regional das regiões em causa. O auxílio ao funcionamento resultante do pagamento não se destina a contribuir para o objetivo em termos de equidade nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea a), do Tratado, mas simplesmente a indemnizar o beneficiário pelos prejuízos sofridos devido à revogação do DGE 24 antes da sua data de termo prevista. Isto resulta na entrega de capital gratuito aos requerentes sem qualquer impacto positivo sobre o desenvolvimento da região.

(150)

Não é suficiente que a atividade económica esteja situada numa «região» para assumir que a medida é proporcional às desvantagens que procura suavizar, uma vez que, em primeiro lugar, deve ser demonstrado quais são essas desvantagens e, em segundo lugar, de que forma criam um obstáculo ao desenvolvimento da região em causa. Na ausência de qualquer prova, a Comissão não conseguiu identificar as desvantagens específicas que as medidas de auxílio procurariam corrigir.

(151)

O pagamento das indemnizações concedidas aos requerentes pelo Tribunal é de caráter temporário, já que não produz quaisquer efeitos após a aplicação ou execução da Sentença ter sido concluída. No entanto, não está limitado a uma determinada porção de custos pré-definidos, uma vez que a indemnização tem por objetivo assegurar que todos os prejuízos sofridos pelos requerentes são cobertos.

(152)

Tendo em conta o que precede, a Comissão considera que o pagamento das indemnizações concedidas aos requerentes pelo Tribunal não está em conformidade com as OAR de 2007 e, por conseguinte, não pode ser declarado compatível com o mercado interno. Como não é aplicável qualquer outra base de compatibilidade, a Comissão considera que a compatibilidade da medida de auxílio não foi estabelecida.

7.6.   Conclusão sobre a avaliação da medida de auxílio

(153)

A análise precedente indica que o pagamento das indemnizações concedidas pelo Tribunal aos requerentes resulta na concessão de um auxílio incompatível novo, que é incompatível com o Tratado. A Comissão lamenta que a Roménia já tenha pago parcialmente a indemnização através do perdão de dívidas fiscais devidas por um dos requerentes, a S.C. European Food S.A., ao Estado romeno, para abater uma parte dessa indemnização, bem como através das medidas tomadas pelo executor nomeado pelo tribunal.

8.   RECUPERAÇÃO

(154)

De acordo com o Tratado e com a jurisprudência consolidada do TJUE, a Comissão tem competência para decidir que o Estado-Membro em questão deve suprimir ou alterar um auxílio quando verifica a incompatibilidade do mesmo com o mercado interno (91). O Tribunal tem também defendido, de forma reiterada, que a obrigação que incumbe a um Estado-Membro de suprimir auxílios considerados pela Comissão como incompatíveis com o mercado interno tem como objetivo reestabelecer a situação previamente existente (92). Neste contexto, o Tribunal de Justiça estabeleceu que tal objetivo é alcançado quando o beneficiário tiver reembolsado os montantes concedidos a título de auxílios ilegais, perdendo então o beneficiário a vantagem de que tinha beneficiado no mercado relativamente aos seus concorrentes, e a situação anterior à concessão do auxílio se encontrar reposta (93). Na sequência desta jurisprudência, o artigo 14.o, n.o 1, do Regulamento (CE) n.o 659/1999 prevê que «nas decisões negativas relativas a auxílios ilegais, a Comissão decidirá que o Estado-Membro em causa deve tomar todas as medidas necessárias para recuperar o auxílio do beneficiário […]».

(155)

Os requerentes alegam que tinham uma expetativa legítima de que os incentivos concedidos ao abrigo do DGE 24 eram legais e que podiam beneficiar desses incentivos até ao seu termo previsto, em 1 de abril de 2009. A Comissão observa, neste contexto, que o artigo 14.o, n.o 1, do Regulamento (CE) n.o 659/1999 especifica ainda que «[a] Comissão não deve exigir a recuperação do auxílio se tal for contrário a um princípio geral de direito [comunitário]». O princípio da proteção da expetativa legítima foi reconhecido pelo TJUE como um princípio geral de direito da União. A Comissão não considera, porém, que os requerentes podem reivindicar uma tal expectativa legítima.

(156)

De acordo com a jurisprudência do TJUE, salvo em circunstâncias excecionais, as empresas às quais foi concedido um auxílio não podem, em princípio, invocar uma expectativa legítima de que o auxílio é legal a não ser que tenha sido concedido em conformidade com o procedimento previsto no artigo 108.o, n.o 3, do Tratado. O TJUE, na sua jurisprudência mais recente, declarou que na ausência de garantias suficientemente precisas decorrentes de uma ação positiva da Comissão, que tem a competência exclusiva para autorizar a concessão de auxílios estatais por Estados-Membros da União, que levem o beneficiário a crer que a medida não constitui um auxílio estatal, nenhumas circunstâncias excecionais podem justificar a aplicação do princípio da proteção das expetativas legítimas para impedir a recuperação caso essa medida de auxílio não tenha sido notificada à Comissão (94). Com efeito, é jurisprudência assente que o princípio da proteção das expetativas legítimas não pode ser invocado contra uma disposição precisa do direito da União e que o comportamento de uma autoridade nacional responsável pela aplicação do direito da União, que atua em violação desse direito, não pode originar expetativas legítimas por parte de um operador económico de que irá beneficiar de um tratamento contrário a esse direito (95). Espera-se que um operador económico diligente esteja em condições de assegurar que esse procedimento foi observado (96).

(157)

A Comissão observa que, no que diz respeito à indemnização concedida pelo Tribunal aos requerentes, deveria ter ficado claro para os requerentes, mesmo antes de os auxílios lhes terem sido concedidos através da adoção da Sentença, em conjugação com o direito nacional romeno que confere efeitos jurídicos à Sentença na ordem jurídica nacional da Roménia, que a Comissão considerava que o pagamento dessa indemnização originava auxílios estatais ilegais e incompatíveis. Esta posição foi expressamente comunicada ao Tribunal em 20 de julho de 2009 e comunicada aos requerentes.

(158)

No que se refere à alegação dos requerentes de que tinham uma expectativa legítima de que o DGE 24 era legal e permaneceria em vigor até 1 de abril de 2009, a Comissão recorda, a título preliminar, que é o pagamento da indemnização atribuída aos requerentes pelo Tribunal, e não o DGE 24, que forma a base para a presente decisão. No entanto, a Comissão acrescenta, por uma questão de exaustividade, que os requerentes não podem invocar justificadamente uma expectativa legítima quanto à validade e à manutenção da existência desse regime até 1 de abril de 2009. No que diz respeito esse regime, não era a Comissão, mas sim o Conselho da Concorrência romeno que, em virtude da Decisão n.o 4/2000 do Conselho de Associação UE-Roménia e da Lei n.o 143/1999 da Roménia relativa aos auxílios estatais, era responsável pela monitorização e autorização da concessão de auxílios estatais antes da adesão da Roménia à União. A Comissão observa, a este respeito, que o DGE 24 foi notificado ao Conselho da Concorrência romeno à luz das alterações previstas pelo DGE 75 e que o Conselho da Concorrência romeno, através da sua Decisão n.o 244/2000 de 15 de maio de 2000, considerou que os incentivos referidos constituíam um auxílio estatal incompatível. Foi após a adoção dessa decisão, em 1 de junho de 2000, que a S.C. European Food S.A. obteve o seu CIP, que a tornou elegível para obter um auxílio estatal ao abrigo do regime criado pelo DGE 24, tal como explicado no considerando 133. No entanto, isso não significa o auxílio tenha sido concedido naquela data, tal como explicado no considerando 134.

(159)

Conclui-se que no momento em que a S.C. European Food S.A. recebeu o auxílio estatal ilegal do DGE 24, o que, em qualquer caso, terá ocorrido após 1 de junho de 2000, deveria estar plenamente consciente da decisão do Conselho da Concorrência romeno de 15 de maio de 2000 que declarava os incentivos do DGE 24 como auxílios estatais incompatíveis. Além disso, também deveria ter tido conhecimento do Acordo Europeu, que entrou em vigor em 1 de janeiro de 1995, e da Lei n.o 143/1999 da Roménia, relativa a auxílios estatais, que entrou em vigor em 1 de janeiro de 2000, que proibiam ambos à Roménia a concessão de auxílios estatais e conferiam ao Conselho da Concorrência romeno o poder de autorizar a concessão de novos auxílios estatais. Não existindo uma tal autorização do Conselho da Concorrência e em consonância com a jurisprudência do TJUE que aplica, por força do artigo 64.o do Acordo Europeu de 1995, o artigo 1.o das Normas de Execução da Decisão n.o 4/2000 do Conselho de Associação UE-Roménia e o acervo comunitário, a S.C. European Food S.A. nunca poderia ter alimentado expectativas legítimas de que os incentivos concedidos ao abrigo do DGE 24 constituíam um auxílio estatal compatível, independentemente das ações subsequentes do governo romeno após a Decisão n.o 244/2000 ter sido adotada. Obviamente, o mesmo se aplica à Multipack e à Starmill, que só obtiveram os seus CIP em 17 de maio de 2002, dois anos após a Decisão n.o 244/2000 ter sido adotada. Por conseguinte, os requerentes nem sequer podem invocar validamente uma expectativa legítima de que o regime DGE 24 constituía um auxílio estatal legal, o que a Comissão considera irrelevante para efeitos da presente decisão.

(160)

Portanto, qualquer pagamento da indemnização concedida aos requerentes pelo Tribunal deve ser recuperado pela Roménia, uma vez que esse pagamento constitui um auxílio estatal ilegal e incompatível. Como os cinco requerentes, juntamente com as outras empresas em causa do EFDG, constituem uma única unidade económica (ver considerando 91), os cinco requerentes e as outras empresas em causa do EFDG devem ser solidariamente responsáveis pelo reembolso ao Estado Romeno do auxílio estatal recebido por qualquer uma delas. Tendo em conta o disposto no artigo 14.o, n.o 2, do Regulamento (CE) n.o 659/1999 do Conselho, o auxílio deve ser recuperado em conformidade com uma decisão de recuperação e deve incluir juros calculados com base numa taxa adequada fixada pela Comissão. Os juros são devidos a partir da data em que o auxílio ilegal foi colocado à disposição do beneficiário e até ao momento da sua recuperação. O artigo 14.o, n.o 3, do Regulamento (CE) n.o 659/1999 estabelece o seguinte: «a recuperação será efetuada imediatamente e segundo as formalidades do direito nacional do Estado-Membro em causa, desde que estas permitam uma execução imediata e efetiva da decisão da Comissão». Para o efeito e na eventualidade de um processo nos tribunais nacionais, os Estados-Membros interessados devem tomar as medidas necessárias previstas no seu sistema jurídico, incluindo medidas provisórias, sem prejuízo do direito da União.

(161)

A Comissão observa a este respeito que a Roménia já pagou o montante de 337 492 864 RON (cerca de 76 milhões de euros (97)) perdoando as dívidas fiscais devidas por um dos requerentes, a S.C. European Food S.A. A Comissão observa ainda que, em 5 de janeiro de 2015, o executor nomeado pelo tribunal apreendeu 36 484 232 RON (cerca de 8,1 milhões de euros (98)) ao Ministério das Finanças da Roménia e, subsequentemente, transferiu 34 004 232 RON (cerca de 7,56 milhões de euros) em partes iguais para três de cinco dos requerentes, tendo mantido o restante como compensação pelos custos de execução. Entre 5 de fevereiro e 25 de fevereiro de 2015, o executor nomeado pelo tribunal apreendeu mais 9 197 482 RON (cerca de 2 milhões de euros) (99) das contas bancárias do Ministério das Finanças. Além disso, a Comissão toma nota do facto de que as autoridades romenas transferiram voluntariamente 472 788 675 RON (cerca de 106,5 milhões de euros (100)) (incluindo as despesas do executor nomeado pelo tribunal de 6 028 608 RON) para uma conta bloqueada em nome dos cinco requerentes. Esses montantes, bem como quaisquer outros pagamentos aos requerentes relativos ao cumprimento da Sentença que tenham ocorrido ou venham a ocorrer, devem ser recuperados pela Roménia. Por conseguinte, a Comissão

ADOTOU A PRESENTE DECISÃO:

Artigo 1.o

1. O pagamento das indemnizações concedidas pelo tribunal arbitral criado pelo Centro Internacional para a Resolução de Diferendos relativos a Investimentos (CIRDI) pela sentença de 11 de dezembro de 2013 no Processo n.o ARB/05/20 Micula e outros contra Roménia  (101) proferida à unidade económica única que inclui Viorel Micula, Ioan Micula, a S.C. European Food S.A., a S.C. Starmill S.R.L., a S.C. Multipack, a European Drinks S.A., a Rieni Drinks S.A., Scandic Distilleries S.A., a Transilvania General Import-Export S.R.L. e a West Leasing S.R.L, é considerado como auxílio estatal na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do Tratado, sendo incompatível com o mercado interno.

Artigo 2.o

1.   A Roménia não deve pagar qualquer auxílio incompatível referido no artigo 1.o e deve recuperar qualquer auxílio incompatível referido no artigo 1.o que já tenha sido pago a qualquer uma das entidades que constituem a unidade económica única que beneficia do referido auxílio através da aplicação ou execução parcial da sentença arbitral de 11 de dezembro de 2013, bem como qualquer auxílio pago a qualquer uma das entidades que constituem a unidade económica única que beneficia de auxílio por meio de uma aplicação ulterior da decisão arbitral de 11 de dezembro de 2013 de que a Comissão não tenha tido conhecimento, ou que venha a ser pago após a data da presente decisão.

2.   Viorel Micula, Ioan Micula, a S.C. European Food S.A., a S.C. Starmill S.R.L., a S.C. Multipack, a European Drinks S.A., a Rieni Drinks S.A., a Scandic Distilleries S.A., a Transilvania General Import-Export S.R.L., e a West Leasing S.R.L são solidariamente responsáveis pelo reembolso do auxílio estatal recebido por qualquer um deles.

3.   Os montantes a recuperar são os que resultam da aplicação ou execução da sentença de 11 de dezembro de 2013 (capital e juros).

4.   Os montantes a recuperar devem ser acrescidos de juros a contar da data em que foram colocados à disposição dos beneficiários até à data da sua recuperação efetiva.

5.   A Roménia deve apresentar as datas exatas em que o auxílio concedido pelo Estado foi colocado à disposição dos beneficiários respetivos.

6.   Os juros são calculados numa base composta, em conformidade com o disposto no Capítulo V do Regulamento (CE) n.o 794/2004 da Comissão (102).

7.   A Roménia deve garantir que não serão efetuados quaisquer novos pagamentos dos auxílios referidos no artigo 1.o, com efeitos a partir da data de adoção da presente decisão.

Artigo 3.o

1.   A recuperação dos auxílios referidos no artigo 1.o deve ser imediata e efetiva.

2.   A Roménia deve assegurar a aplicação da presente decisão no prazo de quatro meses a contar da data da respetiva notificação.

Artigo 4.o

1.   No prazo de dois meses a contar da notificação da presente decisão, a Roménia deve apresentar as seguintes informações:

a)

o montante total dos auxílios recebidos por cada entidade referida no artigo 1.o da presente decisão;

b)

uma descrição pormenorizada das medidas já tomadas e planeadas com vista ao cumprimento da presente decisão;

c)

documentos comprovativos de que os beneficiários foram intimados a reembolsar os auxílios.

2.   A Roménia manterá a Comissão informada sobre o andamento das medidas nacionais adotadas para aplicar a presente decisão até estar concluída a recuperação dos auxílios referidos no artigo 1.o. A pedido da Comissão, apresentará de imediato informações sobre as medidas já tomadas e planeadas para dar cumprimento à presente decisão. Deve fornecer, igualmente, informações pormenorizadas sobre os montantes dos auxílios e os juros de recuperação já reembolsados pelos beneficiários.

Artigo 5.o

A destinatária da presente decisão é a Roménia.

Feito em Bruxelas, em 30 de março de 2015.

Pela Comissão

Margrethe VESTAGER

Membro da Comissão


(1)  A partir de 1 de dezembro de 2009, os artigos 87.o e 88.o do Tratado CE passaram a ser, respetivamente, os artigos 107.o e 108.o do Tratado. As duas séries de artigos são idênticas em termos de substância. Para efeitos da presente decisão, as referências aos artigos 107.o e 108.o do Tratado devem ser entendidas, sempre que apropriado, como referências aos artigos 87.o e 88.o do Tratado CE. O Tratado introduziu igualmente algumas alterações na terminologia, tais como a substituição de «Comunidade» por «União» e de «mercado comum» por «mercado interno». A terminologia do Tratado será utilizada ao longo da presente decisão.

(2)  JO C 393 de 7.11.2014, p. 27.

(3)  Processo CIRDI n.o ARB/05/20, Ioan Micula, Viorel Micula, SC European Food SA, SC Starmill SRI, SC Multipack SRL contra Roménia, Sentença Definitiva de 11 de dezembro de 2013.

(4)  Taxa de câmbio de referência do Banco Central Europeu, em 11 de dezembro de 2013: 1 euro = 4,45 RON.

(5)  O BIT entrou em vigor em 1 de abril de 2003.

(6)  Ver nota de rodapé 4.

(7)  Taxa de câmbio de referência do Banco Central Europeu em 15 de janeiro de 2014: 1 euro = 4,52 RON.

(8)  Regulamento (CE) n.o 659/1999 do Conselho, de 22 de março de 1999, que estabelece as regras de execução do artigo 108.o do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (JO L 83, de 1999.3.27, p. 1).

(9)  Ver o considerando 3.

(10)  Ver nota de rodapé 2.

(11)  Um montante adicional de 6 028 608 RON foi transferido para a conta bloqueada como indemnização pelos custos de execução.

(12)  JO L 357 de 31.12.1994, p. 2.

(13)  Ver também o artigo 2.o das Normas de Execução da Decisão n.o 4/2000 do Conselho de Associação UE-Roménia, de 10 de abril de 2001, que aprova as normas de execução das disposições relativas aos auxílios estatais referidas no artigo 64.o, n.o 1, iii) e n.o 2, nos termos do artigo 64.o, n.o 3, do Acordo Europeu que cria uma associação entre as Comunidades Europeias e os seus Estados-Membros, por um lado, e a Roménia, por outro, bem como no artigo 9.o, n.o 1, alínea iii) e no n.o 2 do Protocolo 2 daquele acordo, relativo aos produtos da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) (JO L 138 de 22.5.2001, p. 16).

(14)  Monitorul Oficial, primeira parte, n.o 73 de 12 de abril de 1993.

(15)  O Conselho da Concorrência foi e é uma autoridade administrativa autónoma no domínio do direito da concorrência e da legislação em matéria de auxílios estatais, com poderes de regulamentação e de investigação, semelhante à Comissão Europeia no domínio da legislação relativa à concorrência e aos auxílios estatais.

(16)  O Instituto da Concorrência era uma autoridade especializada subordinada ao governo. As responsabilidades principais do Instituto eram: i) realizar investigações e verificar a aplicação efetiva das disposições legais e das decisões do Conselho da Concorrência; ii) supervisionar a fixação de preços por entidades públicas e empresas públicas; e iii) assegurar a transparência dos auxílios estatais e acompanhar e informar sobre despesas relativas a auxílios estatais.

(17)  Nos termos do artigo 1.o das Normas de Execução da Decisão n.o 4/2000, o Conselho de Associação UE-Roménia designou o Conselho da Concorrência e o Instituto da Concorrência como sendo as entidades romenas responsáveis pela inspeção e apreciação da compatibilidade dos auxílios estatais com o Acordo Europeu de 1995.

(18)  Decisão Civil n.o 26; ver Sentença, n.o 219.

(19)  Ver Sentença, n.o 224.

(20)  Posição Comum da União Europeia de 21 de novembro de 2001, CONF-RO 43/01, p. 4. Durante o processo de adesão de um país candidato, a Comissão propõe regularmente e o Conselho adota as chamadas posições comuns, em que é avaliado o progresso do país candidato rumo ao cumprimento dos critérios de adesão.

(21)  Relatório de Fundamentação que acompanha o DGE 94/2004, de 26 de agosto de 2004, p. 12 e 13.

(22)  Artigo 9.o, n.o 1, do BIT.

(23)  Sentença, n.o 725.

(24)  Sentença, n.o 827.

(25)  Sentença, n.o 827.

(26)  Sentença, n.o 872.

(27)  Sentença, n.o 875 e seguintes

(28)  Este montante é calculado para as importações efetuadas entre 22 de fevereiro de 2005 e 31 de março de 2009.

(29)  Ver nota de rodapé 28.

(30)  Os requerentes reclamaram uma indemnização pelo aumento do custo do PET. No entanto, o Tribunal rejeitou este pedido com base no facto de os requerentes nunca terem efetivamente beneficiado da Facilidade para Matérias-primas no que diz respeito a importações de PET.

(31)  Este montante é calculado com base nos direitos aduaneiros cobrados sobre o açúcar importado e que teriam sido evitados se o requerente tivesse tido a oportunidade de armazenar açúcar antes do termo previsto do DGE (ou seja, 1 de abril de 2009). O índice de referência baseia-se nas existências de 2004/2005.

(32)  Os lucros cessantes são calculados para o período de 2004-2008 relativamente à perda de quotas de mercado dos refrigerantes e de outros produtos que continham açúcar. A alegação é que, após a revogação dos incentivos do DGE, os custos aumentaram, resultando em preços mais elevados e, por conseguinte, quotas de mercado mais baixas.

(33)  Processo n.o 3456/3/2014, Tribunal de Bucareste.

(34)  Despacho emitido pelo Tribunal de Bucareste no Processo 9261/3/2014, Secção IV Civil.

(35)  Processo n.o 15755/3/2014, Tribunal de Bucareste, Secção III Civil.

(36)  Processo n.o 15755/3/2014/a1, Tribunal de Recurso de Bucareste, Secção IV Civil.

(37)  Ver nota de rodapé 36.

(38)  Taxa de câmbio de referência do Banco Central Europeu em 5 de janeiro de 2015: 1 euro = 4,49 RON.

(39)  Ver nota de rodapé 38.

(40)  Taxa de câmbio de referência do Banco Central Europeu em 9 de março de 2015: 1 euro = 4,44 RON.

(41)  Processo n.o 1-14-cv-600 Viorel Micula contra Governo da Roménia no Tribunal Distrital dos EUA do Distrito de Colúmbia — Pedido de confirmação da sentença CIRDI e proferimento de decisão.

(42)  Ver nota de rodapé 7.

(43)  Ver nota de rodapé 38.

(44)  Ver nota de rodapé 40.

(45)  Ver Decisão de Início do Procedimento, considerando 39.

(46)  Processo 61/79 Amministrazione delle finanze dello Stato contra Denkavit italiana, EU:C:1980:100.

(47)  Decisão 2008/408/CE da Comissão, de 20 de novembro de 2007, relativa ao Auxílio Estatal C 36/A/06 (ex NN 38/06) executado pela Itália a favor da ThyssenKrupp, Cementir e Nuova Terni Industrie Chimiche (JO L 144 de 4.6.2008, p. 37).

(48)  Referindo-se ao Processo T-68/03 Olympiaki Aeroporia Ypiresies, EU:T:2007:253, n.o 42.

(49)  Processo C-487/06 P British Aggregates contra Comissão, EU:C:2008:757, n.os 85 e 89 e jurisprudência citada e Processo C-279/08 P Comissão contra Holanda (NOx), EU:C:2011:551, n.o 51.

(50)  Processos apensos C-180/98 a C-184/98, Pavlov e outros, EU:C:2000:428, n.o 74.

(51)  Processo C-170/83 Hydrotherm, EU:C:1984:271, n.o 11. Ver também processo T-137/02 Pollmeier Malchow contra Comissão, EU:T:2004:304, n.o 50.

(52)  Processo C-480/09 P AceaElectrabel Produzione SpA contra Comissão, EU:C:2010:787, n.os 47 a 55; Processo C-222/04 Cassa di Risparmio di Firenze SpA e outros, EU:C:2006:8, n.o 112.

(53)  Ver a Sentença, n.os 935 a 936 e 943.

(54)  Processo C-170/83 Hydrotherm, EU:C:1984:271, n.o 10.

(55)  Processo C-222/04, Cassa di Risparmio di Firenze SpA e outros, EU:C:2006:8, n.o 112.

(56)  Processo C-222/04, Cassa di Risparmio di Firenze SpA e outros, EU:C:2006:8, n.o 114.

(57)  Ver considerandos 87 e 88.

(58)  Processo C-39/94 SFEI e outros, EU:C:1996:285, n.o 60; Processo C-342/96 Reino de Espanha contra Comissão, EU:C:1999:210, n.o 41.

(59)  Sentença, n.o 917.

(60)  Sentença, n.o 928.

(61)  Sentença, n.o 953.

(62)  Ver o considerando 27 para a descrição dos montantes devidos nos termos da Sentença de arbitragem.

(63)  Sentença, n.o 928.

(64)  Sentença, n.o 872.

(65)  O Tribunal concluiu que a revogação dos incentivos do DGE 24 violou as expectativas legítimas dos requerentes, antes mesmo de considerar a razoabilidade ou a transparência das ações da Roménia (Sentença, n.os 725, 726; a razoabilidade e a transparência foram apenas consideradas nos n.os 727 e seguintes e 837 e seguintes, respetivamente). Assim, não há qualquer fundamento para defender, como os requerentes sugerem, que a conclusão do Tribunal pela existência de uma violação do BIT dependeu da falta de razoabilidade de manter em vigor as obrigações dos investidores nos termos do DGE 24 ou da falta de transparência das ações da Roménia.

(66)  Sentença, n.os 953, 961, 971, 984, 1 016, 1 020, 1 136.

(67)  Processos apensos 106/87 a 120/87 Asteris, EU:C:1988:457.

(68)  Processos apensos 106/87 a 120/87 Asteris, EU:C:1988:457, n.o 23.

(69)  Ver Decisão da Comissão de 16 de junho de 2004 sobre auxílios dos Países Baixos a favor da Akzo Nobel a fim de reduzir o transporte de cloro (Processo N 304/2003), comunicação resumida no JO C 81 de 2.4.2005, p. 4; Ver também a Decisão da Comissão de 20 de dezembro de 2006 sobre auxílios dos Países Baixos para a relocalização da empresa de desmantelamento de automóveis Steenbergen (Processo N 575/05), comunicação resumida no JO C 80 de 13.4.2007, p. 1.

(70)  Pelas mesmas razões, a Comissão também consideraria inválidos os BIT intra-UE na base dos processos arbitrais enumerados na nota de rodapé 53 do pedido.

(71)  Ver a resposta do Comissário De Gucht à pergunta parlamentar oral O-000043/2013/rev.1, em que declarou que «A Comissão concorda que os tratados bilaterais e de investimento (BIT) entre Estados-Membros da UE não respeitam o direito da UE», debate de sessão plenária de 22 de maio de 2013. Ver ainda o Documento de Trabalho dos Serviços da Comissão de 3 de fevereiro de 2012 sobre os movimentos de capitais e investimentos na UE — Documento dos Serviços da Comissão sobre a Monitorização do Mercado, SWD(2012)6 final, página 13. Ver também o Documento de Trabalho dos Serviços da Comissão de 15 de abril de 2013 sobre a livre circulação de capitais na UE, SWD(2013)146 final, páginas 11 e 14; o Documento de Trabalho dos Serviços da Comissão de 18 de março de 2014 sobre a livre circulação de capitais na UE, SWD(2014)115 final, p. 12; e Comissão Europeia, Atividades e análises de acompanhamento, Tratados Bilaterais e de Investimento entre Estados-Membros da UE (BIT intra-UE) 2012; disponível em: http://ec.europa.eu/internal_market/capital/analysis/monitoring_activities_and_analysis/index_en.htm

(72)  Parecer de 28 de abril de 2005 nos Processos apensos C-346/03 e C-529/03 Atzori, ECLI:EU:C:2005:256, n.o 198.

(73)  Processo T-384/08 Elliniki Nafpigokataskevastiki AE Chartofylakeiou contra Comissão, EU:T:2011:650, e Processo T-565/08 Corsica Ferries contra Comissão, EU:T:2012:415, n.os 23, 114 e 120 a 131. Ver, por analogia, o Processo C-111/10 Comissão contra Conselho, EU:C:2013:785, n.o 44.

(74)  Processo C-119/05 Lucchini, EU:C:2007:434, n.o 59.

(75)  Processo C-280/00, Altmark Trans, EU:C:2003:415, n.o 84.

(76)  Processo T-351/02 Deutsche Bahn contra Comissão, EU:T:2006:104, n.o 101.

(77)  Processo 730/79 Phillip Morris, EU:C:1980:209, n.o 11. Processos apensos T-298/97, T-312/97, etc. Alzetta, EU:T:2000:151, n.o 80.

(78)  Processo T-288/97 Friulia Venezia Giulia, EU:T:2001:115, n.o 41.

(79)  Regulamento (UE) n.o 1219/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 12 de dezembro de 2012, que estabelece disposições transitórias para os acordos bilaterais de investimento entre os Estados-Membros e os países terceiros (JO L 351 de 20.12.2012, p. 40).

(80)  Artigo 3.o, n.o 1, alínea e), do Tratado.

(81)  Processo C-129/12 Magdeburger Mühlenwerke, EU:C:2013:200, n.o 40.

(82)  Uma tradução para inglês da disposição inicial que prevê a Facilidade para Matérias-primas (que é o incentivo ao investimento cuja revogação conduziu a que fossem concedidas indemnizações aos requerentes no âmbito da Sentença) pode ser vista no parágrafo 148.o da Sentença. De acordo com essa tradução, o artigo 6.o, n.o 1, alínea b), estabelece que «Privately held companies, Romanian legal entities, as well as small or family business, authorised pursuant to the Decree-Law no. 54/1990 concerning the organisation and operation of free initiative-based economic activities that are headquartered and conduct business within the disadvantaged region, will be granted the following advantages for their new investments in the these regions: […] refunds of customs duties on raw materials, spare parts and/or components necessary of achieving the investor’s own production in that region. The refunds will be made based on the approval by the regional development agencies of the companies’ production sales documents. The funds necessary for the refund of the customs duties will be provided to the Agency for Regional Development from the Regional development Fund. In case of unprivileged regions belonging to two or more administrative-territorial units, the funds necessary for the refund of the customs duties will be provided by the National Agency for Regional Development from the National Development Fund [the «Raw Materials Incentive» or «Raw Materials Facility”]»;

(83)  As três categorias de auxílios existentes que constam do Ato de Adesão são:

medidas de auxílio em execução antes de 10 de dezembro de 1994;

medidas de auxílio enumeradas no Apêndice ao Anexo;

medidas de auxílio que, antes da data da adesão, foram avaliadas pela autoridade de controlo dos auxílios estatais do novo Estado-Membro e consideradas compatíveis com o acervo, e relativamente às quais a Comissão não levantou objeções motivadas por sérias dúvidas quanto à compatibilidade das medidas com o mercado comum, nos termos do procedimento previsto no n.o 2.

Qualquer decisão de execução da Sentença não é abrangida por nenhuma destas três categorias. Mesmo que se considerasse que a aplicação da Sentença apenas reestabelece os direitos dos requerentes previstos no DGE 24 como se os incentivos aplicáveis ao abrigo deste último não tivessem sido revogados antes do seu termo previsto, esse restabelecimento retroativo deveria, ainda assim, considerar-se como «novo auxílio» a partir da adesão da Roménia à União.

(84)  Ver também os Processos Apensos T-80/06 e T-182/09 Budapesti Erömü, EU:T:2012:65, n.o 54.

(85)  Processo T-68/03 Olympiaki Aeroporia Ypiresies AE contra Comissão, EU:T:2007:253, n.o 34.

(86)  Processo C-225/91, Matra contra Comissão, EU:C:1993:239, n.o 41.

(87)  Orientações relativas aos auxílios estatais com finalidade regional para o período de 2007-2013 (JO C 54 de 4.3.2006, p. 13-44).

(88)  OAR de 2007, ponto 76.

(89)  Decisão da Comissão N 2/07, comunicação resumida no JO C 73 de 30.3.2007, p. 15.

(90)  Decisão da Comissão SA 38364, comunicação resumida no JO C 233 de 18.7.2014, p. 1.

(91)  Ver processo C-70/72 Comissão contra Alemanha, EU:C:1973:87, n.o 13.

(92)  Processos apensos C-278/92, C-279/92 e C-280/92, Espanha contra Comissão, EU:C:1994:325, n.o 75.

(93)  Ver processo C-75/97 Bélgica contra Comissão, EU:C:1999:311, n.os 64-65.

(94)  Processo C-148/04 Unicredito Italiano, EU:C:2005:774, n.os 104 a 111.

(95)  Acórdão no Processo C-217/06 Comissão contra Itália, EU:C:2007:580, ponto 23 e jurisprudência citada.

(96)  Processo C-5/89 Comissão contra Alemanha, EU:C:1990:320, n.o 14.

(97)  Ver nota de rodapé 7.

(98)  Ver nota de rodapé 38.

(99)  Ver nota de rodapé 38.

(100)  Ver nota de rodapé 40.

(101)  Processo CIRDI n.o ARB/05/20, Ioan Micula, Viorel Micula, SC European Food SA, SC Starmill SRI, SC Multipack SRL contra Roménia, Sentença Definitiva de 11 de dezembro de 2013.

(102)  Regulamento (CE) n.o 794/2004 da Comissão, de 21 de abril de 2004, relativo à aplicação do Regulamento (CE) n.o 659/1999 do Conselho que estabelece as regras de execução do artigo 93.o do Tratado CE (JO L 140 de 30.4.2004, p. 1).