Projeto de declaração comum
«A Europa pela Cultura – A Cultura pela Europa»
Declaração Comum: «A Europa pela Cultura – A Cultura pela Europa»
O nosso objetivo é promover e posicionar a cultura como recurso e beneficiária da unidade, da democracia, da diversidade, da excelência e da competitividade europeias. Por conseguinte, comprometemo-nos a:
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Reforçar o papel da União Europeia como potência cultural mundial e centro dinâmico de criatividade, onde todos podem livremente criar cultura, aceder à cultura e nela participar – um papel que defende os direitos culturais e capacita os cidadãos e os profissionais criativos.
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Assegurar que a cultura continue a ser uma força motriz do tecido socioeconómico e territorial da Europa, reconhecendo o valor intrínseco, societal, cívico e económico da cultura, e o seu potencial transformador.
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Promover medidas para capacitar, prosperar, inovar e competir a nível mundial.
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Reconhecer o valor intrínseco da cultura e o seu papel enquanto bem público que contribui para a resiliência e o crescimento sustentável da UE.
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Em consonância com estes compromissos e com as quatro direções fundamentais da Bússola da Cultura para a Europa, declaramos a nossa adesão aos seguintes princípios para as políticas culturais na Europa.
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1.
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A liberdade de expressão artística e a liberdade de criação são os alicerces da cultura e desempenham um papel indispensável na promoção de sociedades democráticas e na defesa dos valores europeus.
Comprometemo-nos a:
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Salvaguardar a liberdade de expressão artística e o respeito pelos valores da UE como pedra angular da democracia e dos direitos fundamentais na União Europeia.
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Proteger os artistas e os profissionais da cultura contra a censura, a intimidação e a ingerência indevida.
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Proteger a independência das instituições culturais.
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2.
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A diversidade cultural e linguística é um dos valores fundamentais em que a UE se funda. Comprometemo-nos a:
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Apoiar, celebrar e preservar a riqueza da diversidade cultural e linguística da União Europeia e a sua soberania cultural.
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Promover a riqueza da diversidade das obras e conteúdos culturais criados na Europa, nomeadamente em linha, aumentando a sua visibilidade e descobribilidade, em todas as línguas oficiais da UE, no pleno respeito pela diversidade linguística.
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3.
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O acesso à cultura é um pilar fundamental das sociedades democráticas e inclusivas. Comprometemo-nos a:
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Melhorar o acesso inclusivo, a participação, a fruição e os benefícios da cultura e do património cultural para todos, especialmente as gerações mais jovens.
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Prestar especial atenção aos direitos culturais, incluindo o acesso à cultura, das pessoas vulneráveis, nomeadamente as pessoas com deficiência, marginalizadas ou desfavorecidas e as pessoas que vivem em zonas rurais, remotas ou mal servidas – inclusive em zonas em risco de despovoamento ou que enfrentam desafios socioeconómicos.
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Reforçar e melhorar as infraestruturas culturais em toda a Europa, procurando resolver as disparidades socioeconómicas e territoriais e promovendo a participação cultural ao nível local.
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4.
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Todas as pessoas têm direito a condições de trabalho equitativas, justas, saudáveis e seguras, incluindo os artistas e os profissionais da cultura, que estão no cerne dos nossos setores e indústrias culturais e criativos. Uma remuneração justa e condições de trabalho adequadas são fundamentais para a liberdade artística e a diversidade cultural. Comprometemo-nos a:
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Promover, no respeito pelo papel e pela autonomia dos parceiros sociais, uma remuneração justa, uma proteção social adequada, o acesso ao desenvolvimento de competências e à mobilidade para todos os artistas e profissionais da cultura, bem como apoiar os seus direitos de negociação coletiva e promover a sua saúde e segurança no trabalho, incluindo a sua saúde mental.
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Promover a igualdade de género na cultura e no património cultural e proteger os direitos dos artistas e profissionais da cultura com deficiência.
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5.
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Os jovens são cruciais para moldar o futuro da Europa e a sua diversidade cultural. Comprometemo-nos a:
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Promover a representação e a participação dos jovens na definição das políticas culturais, a fim de amplificar as suas vozes nos processos de tomada de decisão que lhes dizem respeito.
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Apoiar os artistas jovens e emergentes, incluindo as pessoas marginalizadas ou desfavorecidas, reconhecendo o seu contributo para a cultura e o património da Europa.
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Incentivar a cooperação e o intercâmbio intergeracionais entre artistas, a fim de assegurar a transmissão de competências, conhecimentos e tradições.
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6.
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A sinergia entre a cultura, as artes e a educação é fundamental para o desenvolvimento e a prosperidade das sociedades futuras. Comprometemo-nos a:
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Promover a educação artística para todos na aprendizagem formal, não formal e informal, como parte da aprendizagem ao longo da vida, contribuindo assim para a diversidade e a resiliência da UE.
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Apoiar a abordagem CTEAM (ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática) e as sinergias interdisciplinares e transdisciplinares entre a cultura, as artes, a ciência e a tecnologia.
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7.
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A participação cultural tem impactos positivos comprovados na saúde e no bem-estar das pessoas e das comunidades. Comprometemo-nos a:
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Promover – através das nossas políticas – os efeitos positivos da cultura e da participação cultural na saúde e no bem-estar.
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Partilhar boas práticas e abordagens inovadoras nos diversos setores.
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8.
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A utilização, desenvolvimento e governação dos sistemas de inteligência artificial (IA), de forma ética, sustentável e responsável, deverá promover a criatividade humana através de uma abordagem equitativa centrada no ser humano e baseada nos direitos. Deverá: respeitar os direitos culturais, a acessibilidade, a inclusividade e a diversidade cultural, promover e contribuir para a descobribilidade e a visibilidade dos conteúdos europeus, nacionais e locais; promover a competitividade, combater os fossos digitais, e promover a inclusão digital. Comprometemo-nos a:
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Promover a criação humana e a soberania digital cultural e linguística europeia e fazer face aos riscos éticos de enviesamentos e homogeneização cultural.
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Proteger os direitos de propriedade intelectual, dando resposta aos impactos da IA nos criadores e na sua remuneração justa, sem deixar de acolher a inovação.
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Promover a transparência dos conteúdos gerados pela IA, a fim de facilitar a distinção entre conteúdos gerados por seres humanos e gerados por IA.
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Acompanhar e atenuar o impacto da IA no emprego, bem como ajudar os setores e indústrias culturais e criativos a adaptarem-se à evolução tecnológica e a adquirirem competências digitais.
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Promover a utilização da IA como instrumento de apoio aos profissionais da cultura e da criação e permitir que os setores e indústrias culturais e criativos aproveitem as oportunidades oferecidas por estas tecnologias, reforçando assim a capacidade de inovação e a competitividade tecnológica da Europa a nível mundial.
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9.
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O património cultural liga o nosso passado ao nosso futuro. É um símbolo da unidade na diversidade e uma pedra angular da nossa identidade, da nossa democracia e da nossa resiliência. Comprometemo-nos a:
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Proteger, salvaguardar e promover a riqueza do património natural e cultural da Europa, tanto tangível como intangível, aproveitando simultaneamente as tecnologias digitais para promover a sua preservação, acesso e inovação.
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Melhorar a sensibilização, a investigação e o reforço das capacidades, bem como a utilização e interoperabilidade das bases de dados e das tecnologias digitais para fazer face à ameaça do tráfico de bens culturais e de outros crimes conexos, promovendo simultaneamente a cooperação entre os profissionais pertinentes, como os profissionais do património, dos serviços responsáveis pela aplicação da lei ou dos serviços aduaneiros, inclusive no contexto internacional.
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Promover o intercâmbio intergeracional para assegurar a transmissão do património cultural e dos conhecimentos das gerações mais velhas para as mais jovens.
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10.
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A cultura e o património cultural promovem o desenvolvimento regional e territorial, a resiliência, a coesão social e a convergência entre as regiões da Europa. Precisam também de ser protegidos em tempos de crise, nomeadamente contra riscos como os efeitos das alterações climáticas. Comprometemo-nos a:
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Explorar o potencial da cultura e do património cultural, em sinergia com outros domínios, para aumentar a atratividade de todos os territórios e enfrentar os desafios territoriais, incluindo a luta contra o declínio demográfico, especialmente nas zonas periféricas, rurais, remotas e mal servidas, incluindo as regiões ultraperiféricas da UE.
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Promover um turismo cultural sustentável, que respeite o património cultural, as paisagens e as práticas comunitárias, e que contribua para o desenvolvimento regional e local.
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Explorar diferentes formas de integrar a cultura e o património cultural na cooperação em matéria de preparação para crises, no planeamento da segurança e da preparação para crises, na gestão de crises e riscos, na reconstrução pós-crise, na recuperação e nos processos de consolidação da paz.
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11.
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A cultura, incluindo o património cultural, é crucial na transição para a sustentabilidade ambiental, uma vez que molda os valores, comportamentos e práticas que subjazem a um desenvolvimento ambientalmente responsável. Comprometemo-nos a:
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Salientar a importância da cultura na resposta estratégica aos desafios ecológicos, promovendo uma arquitetura, conceção, salvaguarda do património e gestão paisagística que visem a qualidade, a inovação, a inclusão e a excelência, bem como incentivando a adoção de instrumentos práticos e competências de ecologização e permitindo aos agentes da cultura e do património liderarem e alterarem narrativas em cocriação com as comunidades.
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12.
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Concretizar as ambições da presente declaração e tirar pleno partido dos impactos transversais da cultura implica promover a cultura nas políticas internas e externas da UE, satisfazer as necessidades dos setores e indústrias culturais e criativos, investir neles e acompanhar os progressos realizados. Comprometemo-nos a:
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Apoiar a sustentabilidade dos setores e indústrias culturais e criativos e salvaguardar o património cultural, nomeadamente incentivando diferentes formas de financiamento e ponderando modos de financiamento inovadores e alternativos em todos os níveis de governação.
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Assegurar uma integração efetiva da cultura nas estratégias, políticas e ações pertinentes da UE, bem como nos instrumentos de financiamento correspondentes, desde a fase inicial de conceção até à execução.
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Reforçar a circulação transfronteiriças de obras culturais europeias em toda a sua diversidade.
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Manter um diálogo estreito e regular com as partes interessadas pertinentes.
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Promover a presente declaração – no âmbito dos papéis e poderes respetivos dos signatários – nas relações da UE com os países parceiros e as organizações internacionais pertinentes, e fomentar a colaboração nas instâncias multilaterais.
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Promover iniciativas destinadas a melhorar a disponibilidade de dados sólidos e comparáveis sobre a cultura, a fim de apoiar o desenvolvimento de políticas culturais baseadas em dados concretos.
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Analisar os progressos realizados nos domínios abrangidos pela presente declaração.
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