|
Jornal Oficial |
PT Série C |
|
C/2025/1991 |
28.3.2025 |
Publicação de uma comunicação relativa à aprovação de uma alteração normalizada do caderno de especificações de uma denominação do setor vitivinícola a que se refere o artigo 17.o, n.os 2 e 3, do Regulamento Delegado (UE) 2019/33 da Comissão
(C/2025/1991)
A presente comunicação é publicada nos termos do artigo 17.o, n.o 5, do Regulamento Delegado (UE) 2019/33 da Comissão (1).
COMUNICAÇÃO DA APROVAÇÃO DE UMA ALTERAÇÃO NORMALIZADA
«Lambrusco Salamino di Santa Croce»
PDO-IT-A0342-AM03
Data da comunicação: 2.1.2025
DESCRIÇÃO E MOTIVOS DA ALTERAÇÃO APROVADA
1. Aditamento de uma clarificação relativa às categorias
Descrição:
É aditada uma clarificação relativa à categoria de vinhos espumantes «Lambrusco Salamino di Santa Croce»: «vino spumante» (vinho espumante) e «vino spumante di qualità» (vinho espumante de qualidade).
Motivo:
A alteração visa clarificar as categorias de vinhos espumantes produzidos.
Esta alteração diz respeito ao artigo 1.o do caderno de especificações.
2. Correções formais e atualização das referências à legislação
Descrição:
São efetuadas algumas correções formais à estrutura do caderno de especificações e são atualizadas as referências à legislação e à designação do Ministério.
Motivo:
A alteração tornou-se necessária na sequência de alterações na legislação do setor e na designação do Ministério. Algumas das correções efetuadas visam eliminar gralhas ou tornar as disposições mais claras.
A alteração diz respeito aos artigos 5.o, n.o 3, 7.o, n.o 1, 8.o, n.o 4, e 10.o do caderno de especificações.
3. Correção do texto relativo ao método de produção que prevê a elaboração em garrafa de vinhos espumantes e vinhos frisantes
Descrição:
O texto relativo ao método de produção que prevê a elaboração em garrafa de vinhos espumantes e de vinhos frisantes é corrigido pelo aditamento da expressão «incluindo por».
Motivo:
A alteração foi introduzida para clarificar que a prática enológica de elaboração em garrafa é sempre autorizada para os tipos «frizzante» (vinho frisante) e «spumante» (vinho espumante) e que não está necessariamente sujeita à utilização das menções «método tradicional» ou «fermentado em garrafa segundo o método tradicional» ou «método clássico» ou «método tradicional clássico», tal como previsto no artigo 53.o, n.o 3, do Regulamento Delegado (UE) 2019/33.
O aditamento da expressão «incluindo por» visa clarificar que estas expressões devem ser consideradas uma opção, nas condições previstas, e não uma obrigação para os produtores.
Esta alteração diz respeito ao artigo 5.o, n.o 2, do caderno de especificações.
4. Redução do rendimento de transformação
Descrição:
O rendimento de transformação das uvas em vinho, incluindo o eventual excedente de vinificação, foi reduzido de 80 % para 75 %, sem prejuízo do limite de 70 % para o vinho acabado disponível sob a denominação «Lambrusco di Sorbara» DOC.
Motivo:
A alteração visa limitar a produção de vinhos com o nome da casta Lambrusco, incluindo os obtidos a partir do excedente de vinificação dos vinhos «Lambrusco di Sorbara» DOC abrangidos pela alegação subjacente da IGT «Emilia», de tipo Lambrusco, e evitar a sobre-exploração das uvas.
Esta alteração diz respeito ao artigo 5.o, n.o 5, do caderno de especificações.
5. Modificação do período de fermentação e de fermentação secundária
Descrição:
É aditado um novo parágrafo com a disposição que permite a fermentação e a fermentação secundária de produtos a montante do vinho após 31 de dezembro de cada ano e até 30 de junho do ano seguinte.
Motivo:
A alteração introduzida visa uniformizar as condições de produção em todo o território de Emília, tendo em conta as especificidades da casta Lambrusco, bem como as técnicas de produção tradicionais que sempre foram aplicadas na área de produção dos vinhos em questão, centradas principalmente na produção de vinhos frisantes.
Esta alteração diz respeito ao artigo 5.o, n.o 6, do caderno de especificações.
6. Definição da intensidade da cor
Descrição:
O parâmetro de intensidade cromática máxima para os diferentes produtos foi definido de acordo com o seu estádio de produção, a fim de manter os vinhos e os produtos a montante do vinho numa gama precisa de intensidade de cor, respeitando simultaneamente a tradição e a autenticidade dos vinhos «Lambrusco Salamino di Santa Croce» DOC.
Motivo:
A alteração foi introduzida pelo facto de se ter observado, nos últimos anos, que os produtos com a denominação «Lambrusco Salamino di Santa Croce» com uma intensidade cromática superior à proposta pela presente alteração, na fase de comercialização, são utilizados como simples produtos complementares na lotação para a produção de vinhos acabados e nunca se destinam diretamente ao engarrafamento.
Esta alteração diz respeito ao artigo 5.o, n.o 7, do caderno de especificações.
7. Correção de determinadas características de consumo
Descrição:
São atualizadas algumas características de consumo dos tipos existentes e as descrições dos tipos «frizzante» são melhoradas e atualizadas. É aditado um parágrafo para esclarecer que os vinhos podem apresentar um ligeiro véu devido à presença de resíduos de fermentação nos diferentes tipos, com exceção das versões produzidas na categoria «vino spumante di qualità».
Motivo:
Esta alteração surge na sequência da revisão do caderno de especificações, que revelou que certas características do consumo continham termos incorretos, imprecisos ou incoerentes com a categoria de produtos, nomeadamente para os tipos «spumante», cujas menções sobre o teor de açúcares residuais correspondiam à categoria «vino frizzante» e não tinham em conta os termos constantes do anexo III do Regulamento (UE) 2019/33 aplicáveis às diferentes categorias de «vino spumante». Além disso, é aditado um parágrafo para clarificar que os vinhos de tipo «frizzante» e «spumante» podem apresentar um ligeiro véu devido à presença de resíduos de fermentação, com exceção das versões produzidas na categoria «vino spumante di qualità». Esta característica é explicada por um regresso à técnica de produção por fermentação secundária em garrafa sem remoção das borras de fermentação.
A alteração diz respeito ao artigo 6.o do caderno de especificações e à secção «Descrição do(s) vinho(s)» do documento único.
8. Supressão da disposição do decreto ministerial relativa à alteração dos limites mínimos da acidez total e do extrato não redutor
Descrição:
suprime-se o parágrafo que prevê a possibilidade de o Ministério alterar, por decreto, os limites da acidez total e do extrato não redutor.
Motivo:
Esta disposição tornou-se obsoleta ao abrigo da regulamentação em vigor.
Esta alteração diz respeito ao artigo 6.o do caderno de especificações.
9. Correção do texto relativo à indicação do teor de açúcares no rótulo
Descrição:
Para os tipos «vino spumante» e «vino spumante di qualità», suprime-se a disposição relativa à indicação do teor de açúcares no rótulo.
Motivo:
Esta disposição limitou-se a retomar uma obrigação já estabelecida pela legislação comunitária em vigor.
Esta alteração diz respeito ao artigo 7.o, n.o 2, do caderno de especificações.
10. Correção do texto para alargar o termo «rosé», em vez de «rosato», ao tipo «rosato frizzante»
Descrição:
A utilização do termo «rosé» em vez de «rosato», anteriormente limitada ao tipo «rosato spumante», é agora alargada ao termo «rosato frizzante».
Motivo:
Esta alteração foi introduzida em resposta às exigências do mercado e dos produtores.
Esta alteração diz respeito ao artigo 7.o, n.o 3, do caderno de especificações.
11. Possibilidade de utilizar a menção «fermentação secundária em garrafa» no rótulo
Descrição:
É aditado um parágrafo para permitir a utilização da menção «fermentação secundária em garrafa» no rótulo.
Motivo:
A alteração visa informar os consumidores sobre a utilização da técnica de produção por fermentação secundária em garrafa, que foi reintroduzida nos últimos anos para a obtenção de vinhos frisantes. Estes últimos, que são frequentemente produzidos sem remoção das borras de fermentação, apresentam um aspeto «velado» devido à presença destes resíduos.
Esta alteração diz respeito ao artigo 7.o, n.o 4, do caderno de especificações.
12. Aumento da capacidade máxima das garrafas destinadas ao consumo
Descrição:
A capacidade máxima das garrafas de vidro é aumentada para 9 litros, acompanhada da proibição da utilização do formato «garrafão» de 5 litros, a fim de preservar a forma tradicional da garrafa.
Motivo:
A alteração afigurou-se necessária porque os consumidores pedem por vezes garrafas de maior capacidade, principalmente para ocasiões sociais ou outros eventos especiais.
Esta alteração permite igualmente proporcionar mais oportunidades comerciais aos produtores.
Esta alteração diz respeito ao artigo 8.o, n.o 1, do caderno de especificações.
13. Correção do texto para definir claramente os dispositivos de fecho autorizados
Descrição:
O parágrafo relativo aos dispositivos de fecho autorizados é atualizado e reformulado de forma analítica, com uma distinção entre as disposições aplicáveis aos tipos «spumante» e aos outros.
Motivo:
A alteração foi necessária para clarificar os dispositivos de fecho autorizados, em especial a cápsula de rosca, a cápsula de coroa e a rolha de rebordo com fio. Além disso, permite uma melhor leitura, evita interpretações divergentes e evita confusões entre os tipos «frizzante» e «spumante».
A alteração diz respeito ao artigo 8.o, n.os 3 e 4, do caderno de especificações.
14. Reformulação da relação com o meio geográfico
Descrição:
Não é alterado o artigo relativo à relação com o meio geográfico, mas considerou-se necessário reformular a secção «Relação com a área geográfica» do documento único.
Motivo:
Inclusão no documento único das informações já constantes do caderno de especificações. Por conseguinte, esta reformulação deve ser considerada puramente formal.
A alteração diz respeito à secção «Relação com a área geográfica» do documento único.
DOCUMENTO ÚNICO
1. Nome do produto
Lambrusco Salamino di Santa Croce
2. Tipo de indicação geográfica
DOP - Denominação de Origem Protegida
3. Categorias de produtos vitivinícolas
|
4. |
Vinho espumante |
|
5. |
Vinho espumante de qualidade |
|
8. |
Vinho frisante |
3.1. Código da Nomenclatura Combinada
|
— |
22 - BEBIDAS, LÍQUIDOS ALCOÓLICOS E VINAGRES 2204 - Vinhos de uvas frescas, incluindo os vinhos enriquecidos com álcool; mostos de uvas, excluindo os da posição 2009 |
4. Descrição do(s) vinho(s)
1. «Lambrusco Salamino di Santa Croce» rosso spumante
BREVE DESCRIÇÃO
espuma: fina e persistente;
cor: vermelho-rubi ou granada, de intensidade variável;
nariz: perfumado, com notas florais e frutadas;
boca: de «dosagem zero» a «doce», fresco, harmonioso, com notas leves de levedura;
título alcoométrico volúmico total mínimo: 11,00 % vol.;
extrato não redutor mínimo: 18,0 g/l.
Pode apresentar um ligeiro véu devido à presença de resíduos de fermentação, com exceção das versões produzidas na categoria «vino spumante di qualità».
Os outros parâmetros analíticos não enumerados no quadro infra cumprem os limites estabelecidos pela legislação do Estado-Membro e da UE.
Características analíticas gerais
|
— |
Título alcoométrico total máximo (% vol.): — |
|
— |
Título alcoométrico adquirido mínimo (% vol.): — |
|
— |
Acidez total mínima: 6,0 gramas por litro, expressa em ácido tartárico |
|
— |
Acidez volátil máxima (miliequivalentes por litro): — |
|
— |
Teor máximo de dióxido de enxofre total (miligramas por litro): — |
2. «Lambrusco Salamino di Santa Croce» rosato spumante
BREVE DESCRIÇÃO
espuma: fina e persistente;
cor: rosada, mais ou menos intensa;
nariz: perfumado, característico, com notas florais e frutadas;
boca: de «dosagem zero» a «doce», fresco, harmonioso, com notas leves de levedura;
título alcoométrico volúmico total mínimo: 11,00 % vol.;
extrato não redutor mínimo: 16,0 g/l.
Pode apresentar um ligeiro véu devido à presença de resíduos de fermentação, com exceção das versões produzidas na categoria «vino spumante di qualità».
Os outros parâmetros analíticos não enumerados no quadro infra cumprem os limites estabelecidos pela legislação do Estado-Membro e da UE.
Características analíticas gerais
|
— |
Título alcoométrico total máximo (% vol.): — |
|
— |
Título alcoométrico adquirido mínimo (% vol.): — |
|
— |
Acidez total mínima: 6,0 gramas por litro, expressa em ácido tartárico |
|
— |
Acidez volátil máxima (miliequivalentes por litro): — |
|
— |
Teor máximo de dióxido de enxofre total (miligramas por litro): — |
3. «Lambrusco Salamino di Santa Croce» rosso frizzante
BREVE DESCRIÇÃO
espuma: viva, evanescente;
cor: vermelho-rubi de intensidade variável;
nariz: perfumado, característico, com notas florais;
boca: de seco a doce, fresco, sápido, intenso, harmonioso;
título alcoométrico volúmico total mínimo: 10,50 % vol.;
extrato não redutor mínimo: 18,0 g/l.
Pode apresentar um ligeiro véu devido à presença de resíduos de fermentação.
Os outros parâmetros analíticos não enumerados no quadro infra cumprem os limites estabelecidos pela legislação do Estado-Membro e da UE.
Características analíticas gerais
|
— |
Título alcoométrico total máximo (% vol.): — |
|
— |
Título alcoométrico adquirido mínimo (% vol.): — |
|
— |
Acidez total mínima: 6,0 gramas por litro, expressa em ácido tartárico |
|
— |
Acidez volátil máxima (miliequivalentes por litro): — |
|
— |
Teor máximo de dióxido de enxofre total (miligramas por litro): — |
4. «Lambrusco Salamino di Santa Croce» rosato frizzante
BREVE DESCRIÇÃO
espuma: viva, evanescente;
cor: rosada, mais ou menos intensa;
nariz: perfumado, característico, com notas florais e frutadas;
boca: de seco a doce, fresco, sápido;
título alcoométrico volúmico total mínimo: 10,50 % vol.;
extrato não redutor mínimo: 16,0 g/l.
Pode apresentar um ligeiro véu devido à presença de resíduos de fermentação.
Os outros parâmetros analíticos não enumerados no quadro infra cumprem os limites estabelecidos pela legislação do Estado-Membro e da UE.
Características analíticas gerais
|
— |
Título alcoométrico total máximo (% vol.): — |
|
— |
Título alcoométrico adquirido mínimo (% vol.): — |
|
— |
Acidez total mínima: 6,0 gramas por litro, expressa em ácido tartárico |
|
— |
Acidez volátil máxima (miliequivalentes por litro): — |
|
— |
Teor máximo de dióxido de enxofre total (miligramas por litro): — |
5. Práticas vitivinícolas
5.1. Práticas enológicas específicas
1. Lambrusco Salamino di Santa Croce
Prática enológica específica
As práticas de produção de vinhos correspondem a métodos tradicionais, fiéis e constantes, baseados exclusivamente na fermentação natural em garrafa e na fermentação natural em cubas fechadas, essenciais para conferir aos vinhos «Lambrusco Salamino di Santa Croce» DOC as suas características distintivas. As operações de enriquecimento e a adição de licor de expedição são autorizadas desde que cumpram as condições e os limites estabelecidos pela legislação da União.
5.2. Rendimentos máximos
|
1. |
Lambrusco Salamino di Santa Croce spumante
19 000 quilogramas de uvas por hectare |
|
2. |
Lambrusco Salamino di Santa Croce frizzante
19 000 quilogramas de uvas por hectare |
6. Área geográfica delimitada
A área de produção das uvas destinadas aos mostos e vinhos que beneficiam da denominação de origem controlada «Lambrusco Salamino di Santa Croce» abrange todo o território dos municípios seguintes: Cavezzo, Concordia sulla Secchia, Medolla, Novi, S. Felice sul Panaro, S. Possidonio e parte do território administrativo dos municípios de Campogalliano, Camposanto, Carpi, Finale Emilia, Mirandola, Modena e Soliera, todos localizados na província de Módena.
7. Castas principais
Ancellotta N. – Lancellotta
Fortana N.
Lambrusco Salamino N. — Lambrusco
8. Descrição da(s) relação(ões)
8.1. A) Pormenores da área geográfica.
1.
A província de Módena, situada no centro da região de Emília, apresenta todas as características climáticas do Vale do Pó, embora existam diferenças notáveis devido ao facto de metade da sua extensão ocupar o território acidentado e montanhoso dos Apeninos. A posição particular da planície, no sopé dos Apeninos, dá origem a um regime termo-pluviométrico tipicamente continental, com verões quentes e invernos rigorosos. Os ventos húmidos do sul chegam aqui geralmente secos, dando origem a uma precipitação fraca, muito inferior à observada, por exemplo, no centro da Itália. Os valores médios dos índices de insolação, amplitude térmica e precipitação confirmam o elevado grau de continentalidade do clima local, caracterizado, nomeadamente, por uma distribuição irregular da precipitação, com dois máximos (primavera e outono), marcados por um perigoso excesso hidrológico, e dois mínimos (inverno e verão) associados a uma escassez crítica. No que diz respeito, em especial, à precipitação, o ambiente da planície de Módena apresenta valores cada vez mais baixos em comparação com o resto da planície de Emília, especialmente durante os meses de verão, pelo que a precipitação natural não cobre, em média, mais de metade das necessidades hídricas das culturas agrícolas. A natureza argilosa e compacta de uma grande parte dos solos da região de Módena não facilitou certamente a atividade agrícola ao longo dos séculos e continua a ser um dos aspetos mais difíceis. Estas características geográficas são descritas no capítulo sobre o ambiente geográfico do volume VI («Ducato di Modena e Reggio») incluído na obra literária de Giuseppe Gorani «L’Italia del XVIII secolo», que abre o capítulo com esta frase: «A natureza parece ter favorecido particularmente a cidade e o território do Estado de Módena».
A atividade humana criou as condições necessárias para a manutenção de um ambiente natural e fértil, graças às canalizações de eliminação de resíduos, à proteção contra excessos hidrológicos e às técnicas e sistemas de cultivo que incorporam agentes melhoradores orgânicos para atenuar os efeitos negativos do excesso de argila nos solos agrícolas.
2.
Catão menciona a vitis labrusca em «De agri cultura», assim como Varrão em «De re rustica». Quanto a Plínio, descreve, na sua «História natural», as características da vitis vinifera, «cujas folhas, como as da vitis labrusca, adquirem uma tonalidade sanguinolenta antes de caírem». No século XIV, o bolonhês Pier de' Crescenzi, no seu tratado sobre a agricultura, observou, a propósito das lambruscas: «são pretas, conferem cor e limpidez aos vinhos, mas são colocadas inteiras nos jarros, juntamente com pedaços de engaço, e em nada alteram o sabor do vinho». Trata-se do primeiro documento que demonstra que, nessa altura, o hábito de produzir vinho a partir destas vinhas já se encontrava bem estabelecido, não sendo porventura estas últimas tão «selvagens». Efetivamente, importa relembrar que as antigas lambruscas correspondiam quer a vinhas selvagens (vitis vinifera silvestris), quer a vinhas da sub-espécie vitis vinifera sativa, nascidas espontaneamente de sementes em áreas não cultivadas. É por esta razão que Lambrusco é considerado uma das variedades mais autóctones do mundo, uma vez que resulta da evolução genética da vitis vinifera silvestris occidentalis, cuja domesticação teve lugar no território de Módena. O vinho Lambrusco sempre foi muito apreciado pelos duques, de tal modo que, dois séculos e meio antes, no seu testamento holográfico de junho de 1430, Nicolau III d'Este ordenou que «sobre todo o vinho transportado de Módena para Paris não fosse cobrada metade da taxa aduaneira», a fim de incentivar o comércio deste vinho. Os autores mais importantes do século XIX confirmam que, ao longo dos séculos, Módena sempre foi uma zona propícia à produção de vinhos «mossi» (gasosos), que adquiriram uma reputação e tradição especiais de produção e consumo e cujas características se devem exclusiva ou principalmente ao ambiente, incluindo todos os fatores naturais e humanos que os definem. A origem histórica da denominação «Lambrusco Salamino» está documentada desde, pelo menos, meados do século XIX, como testemunham inúmeros documentos históricos, incluindo o catálogo descritivo das principais variedades de uvas cultivadas nas províncias de Módena e de Reggio Emilia, redigido pelo advogado Francesco Aggazzotti e publicado em 1867, bem como o ensaio analítico «I lambruschi di Sorbara e Salamino», de Enrico Ramazzini, datado de 1885. A influência dos fatores humanos é manifestada, em particular, na definição dos aspetos técnicos e de produção que constituem os elementos relacionados com o caderno de especificações.
A base ampelográfica das vinhas.
A base ampelográfica das vinhas: o «Lambrusco Salamino di Santa Croce» é uma casta tinta vigorosa, de porte semiereto e uma produção constante. As vinhas destinadas à produção de uvas para o «Lambrusco Salamino di Santa Croce» DOC devem ter uma base ampelográfica com a seguinte composição:
|
— |
Lambrusco Salamino, representando pelo menos 85 % da superfície total plantada com vinha; |
|
— |
outras variedades de Lambrusco tradicionalmente cultivadas na área, como a Fortana (localmente denominada «Uva d’oro») e a Ancellotta, até ao limite de 15 % da superfície total plantada com vinha. |
As formas de condução.
O ambiente edafoclimático da região de Módena favorece o crescimento natural da vinha. As explorações vitícolas optaram por formas de condução assentes num sistema de treliça com cordões permanentes e ramos caídos para conter o crescimento vigoroso das plantas. O sistema de condução deve igualmente permitir a distribuição adequada dos gomos e a expressão do potencial produtivo das instalações, facilitar a captura de energia radiante e assegurar que os cachos beneficiam de ar e luz suficientes. As formas de condução mais difundidas são o cordão livre e a cortina dupla de Genebra («Geneva double courtain») e a poda Sylvoz. A densidade de plantação situa-se entre 2 500 e 3 000 pés por hectare. Os porta-enxertos mais utilizados são: Kober5BB, SO4 e 1103P.
As práticas relacionadas com a produção de vinhos.
As práticas de produção de vinhos correspondem a métodos tradicionais, fiéis e constantes, baseados exclusivamente na fermentação natural em garrafa e na fermentação natural em cubas fechadas, essenciais para conferir aos vinhos «Lambrusco Salamino di Santa Croce» DOC as suas características distintivas. As operações de enriquecimento e a adição de licor de expedição são autorizadas desde que cumpram as condições e os limites estabelecidos pela regulamentação da União.
Os autores latinos (Catão, Plínio, Columela) descrevem nos seus documentos a produção de um vinho gasoso (Lambrusco) capaz de libertar espuma, daí a imagem de um vinho frisante. No entanto, só com o desenvolvimento do conhecimento, entre os finais do século XVII e o século XVIII, é que foi possível compreender a causa biológica e a natureza química da fermentação alcoólica, bem como alguns aspetos relacionados com a técnica enológica associada. Mais tarde, porém, outras descobertas permitiram que todo o dióxido de carbono produzido durante a fermentação permanecesse dissolvido no vinho: por um lado, era necessário um recipiente capaz de resistir à pressão e, por outro, uma rolha que impedisse a fuga de dióxido de carbono. Estas duas condições concretizaram-se entre o final do século XVII e o início do século XVIII. Esta propensão para os vinhos frisantes brancos e tintos é recordada por autores dos séculos XVII e XVIII, até ao culminar da longa evolução genética que permitiu identificar melhor as vinhas selvagens dos latinos entre as castas brancas e sobretudo tintas (família Lambruschi de Módena), descritas pelos ampelógrafos do século XIX (nomeadamente Acerbi, Mendola e Agazzotti). Para além dos progressos tecnológicos, verificou-se também uma importante alteração climática (pequena idade do gelo), com outonos frios e húmidos, atrasos na maturação e fermentações incompletas, que conduziram ao recomeço da fermentação em barris e, consequentemente, a uma alteração da limpidez e da cor dos vinhos (casse). Desde meados do século XIX até meados do século XX, o método mais difundido de produção industrial de um Lambrusco naturalmente frisante foi a fermentação secundária em garrafa. Era obtido, assim, um Lambrusco frisante turvo, sem expulsão («dégorgement»), tal como a maior parte do produto. Deste modo, a primeira adega de produção de Lambrusco frisante de toda a Emília começou a funcionar em Módena em 1860. Em todo o caso, as melhores produções foram submetidas à eliminação das borras, inclusive através de métodos suscetíveis de reduzir as perdas qualitativas e quantitativas, inicialmente com a ajuda de enchedores isobáricos (desenvolvidos por Martinotti no final do século XIX), enquanto, atualmente, mesmo os vinhos frisantes e espumantes refermentados em garrafa estão sujeitos à remoção dos depósitos de borras de levedura que se acumulam na rolha, após a garrafa ser virada com o gargalo para baixo, e após a congelação do gargalo.
8.2. B) Informações sobre a qualidade e as características do produto atribuíveis essencial ou exclusivamente ao meio geográfico
A DOC «Lambrusco Salamino di Santa Croce» refere-se à produção de vinhos frisantes e espumantes, nos tipos rosso ou rosato. Do ponto de vista analítico e organolético, estes vinhos apresentam características muito claras e distintivas, tal como descritas no artigo 6.o do caderno de especificações, que permitem identificá-los claramente e associá-los ao seu meio geográfico.
As uvas produzidas na planície central da região de Módena, cujos solos dominantes são conhecidos como «solos argilosos dos vales recuperados», dão origem a um vinho bem colorido e com boa estrutura, corpo flexível, acidez média e notas frutadas acentuadas. A frescura e o perfume dos aromas contribuem para o seu equilíbrio gustativo.
8.3. C) Descrição do nexo causal entre os aspetos referidos na alínea A) e os referidos na alínea B)
Em Módena, a viticultura tem uma importância socio-económica considerável e está ligada à produção de vinhos frisantes e espumantes. O solo é o fator ambiental mais importante, afetando tanto o equilíbrio entre a vegetação e a produção como a qualidade do vinho. Apesar da sua variabilidade ligada ao ambiente e às intervenções agronómicas, as terras agrícolas da região de Módena caracterizam-se por uma boa fertilidade e podem ser divididas em três tipos representativos:
|
a) |
solos soltos, de cor amarela ou avermelhada, pobres em calcário e muitas vezes também em fósforo total e assimilável, situados no sopé das colinas, mas também a altitudes mais elevadas. Os solos das planícies são designados «solos parcialmente descarbonizados da planície de Piemonte», ao passo que nos relevos são distinguidos dois tipos de solo: os «solos pouco calcários da orla dos Apeninos» e os «solos calcários dos baixos Apeninos associados localmente a calanques»; |
|
b) |
solos francos, excelentes do ponto de vista físico e químico, provenientes dos aluviões dos rios Secchia e Panaro, situados na planície central; estes solos são designados «solos calcários de eminências fluviais com solos de Sant’Omobono com textura francolimosa e argilosa»; |
|
c) |
solos argilosos, muito compactos mas quimicamente ricos e férteis, que constituem a maior parte da planície e são designados «solos argilosos de vales recuperados». |
Os solos das planícies são derivados de aluviões plistocénicos e holocénicos, enquanto os das colinas e montanhas, de origem cretácica e eocénica, são muito ricos em componentes extremamente finos e coloidais. Os solos de planície são praticamente desprovidos de elementos grosseiros, que, pelo contrário, estão frequentemente presentes nos solos cultivados de colina e de montanha sob a forma de fragmentos pedregosos que podem dificultar as operações normais de cultivo.
Na planície a norte da província de Módena, onde se situam as vinhas destinadas à produção de uvas para a DOC «Lambrusco Salamino di Santa Croce», predominam os solos conhecidos como «solos argilosos dos vales recuperados». O índice de Winkler situa-se entre 1 900 e 2 000 graus-dia, com precipitações de cerca de 450 mm entre abril e outubro. O vigor das vinhas é elevado e a produção é constante. A história do Lambrusco e da produção de vinhos frisantes na região de Módena é muito antiga e comporta o encanto dos primeiros testemunhos dos poetas e escritores da época clássica (Virgílio, Catão, Varrão), que evocavam, nas suas obras, a «Labrusca vitis», uma casta selvagem que produz frutos de sabor amargo e que cresce na orla dos campos. O Lambrusco, um vinho frisante ou espumante tinto, com cor vermelho-rubi brilhante, deve ser bebido a uma temperatura entre 12 °C e 14 °C para apreciar plenamente os seus aromas e sabores. Nascido em Módena, difundiu-se de seguida pelos mercados nacionais e internacionais. Vários fatores ilustram a importância do «Lambrusco Salamino di Santa Croce» no contexto da viticultura em Módena: 1 806 hectares de superfície plantada com vinha inscrita no cadastro vitícola das categorias DOC, com uma média anual de 205 000 quintais de uvas reivindicados para a produção de vinhos DOC. Graças à utilização da denominação de origem controlada «Lambrusco Salamino di Santa Croce», os produtores da região de Módena pretendem oferecer aos consumidores produtos que forneçam mais informações do que outros vinhos, nomeadamente especificando a sua origem, o seu modo de elaboração e as características específicas que os distinguem dos produtos que não são identificados com uma área bem definida.
9. Outras condições essenciais (acondicionamento, rotulagem, outros requisitos)
—
Hiperligação para o caderno de especificações
http://www.politicheagricole.it/flex/cm/pages/ServeBLOB.php/L/IT/IDPagina/22198
ELI: http://data.europa.eu/eli/C/2025/1991/oj
ISSN 1977-1010 (electronic edition)