Bruxelas, 11.12.2025

COM(2025) 750 final

COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES

sobre o plano de ação revisto da Estratégia Macrorregional da UE

para a Região Alpina

{SWD(2025) 403 final}


Índice

1.    INTRODUÇÃO    

2.    REALIZAÇÕES DA ESTRATÉGIA    

3.    PLANO DE AÇÃO REVISTO    

4.    PILARES ESTRATÉGICOS TEMÁTICOS E AÇÕES NO ÂMBITO DA ESTRATÉGIA    

5.    GOVERNAÇÃO E EXECUÇÃO DA ESTRATÉGIA    

6.    CONCLUSÃO    



1.INTRODUÇÃO

Entre 2009 e 2015, o Conselho Europeu aprovou a criação de quatro estratégias macrorregionais da União Europeia. Ao possibilitar que os países congreguem recursos e adotem uma abordagem de cooperação transetorial e a vários níveis de governação, as estratégias abordam questões que nenhum país pode resolver de forma eficaz atuando isoladamente. Todas as estratégias macrorregionais produzem resultados que favorecem as transições ecológica e digital justas, bem como o desenvolvimento e o crescimento das regiões. As estratégias têm funcionado eficazmente há mais de uma década. O conceito macrorregional é atrativo e recebe uma atenção significativa das partes interessadas, sejam elas políticas, públicas, privadas, académicas ou da sociedade civil, em toda a Europa.

A Comissão Europeia adotou a Estratégia da UE para a Região Alpina em julho de 2015, a pedido dos sete países participantes. A estratégia foi aprovada pelo Conselho Europeu em 28 de junho de 2016. Enquanto estratégia macrorregional europeia, visa utilizar mais eficazmente os recursos financeiros existentes, reforçar a coordenação entre instituições e políticas e melhorar a coordenação da legislação existente.

A região alpina abrange 80 milhões de pessoas (cerca de 15 % de toda a população da UE) e 48 regiões em cinco Estados-Membros da UE (Alemanha, França, Itália, Áustria e Eslovénia) e dois países terceiros (Listenstaine e Suíça). Localizada no coração da Europa, possui uma forte rede de grandes metrópoles, vilas e aldeias alpinas, tornando-a uma das regiões mais ricas, atrativas, competitivas, inovadoras e produtivas da Europa. Com as suas características geográficas e naturais únicas, a região inclui alguns dos recursos hídricos mais importantes da Europa e é um dos principais santuários de biodiversidade do continente. Devido às suas características únicas, a região alpina enfrenta desafios específicos, desde os graves impactos das alterações climáticas — degelo dos glaciares, aumento dos riscos naturais e perturbações dos ciclos da água — até questões socioeconómicas como o envelhecimento da população, a migração dos jovens e a desigualdade em termos de infraestruturas.

O principal objetivo da estratégia é criar um quadro para a cooperação governamental e não governamental entre as várias partes interessadas, promovendo abordagens estratégicas, projetos, o trabalho em rede e a cooperação a nível transfronteiriço sobre temas fundamentais que beneficiam toda a região alpina. A estratégia proporciona um quadro para uma melhor cooperação quando estão em causa necessidades e interesses transalpinos coletivos.

O plano de ação para a estratégia, adotado em 2015, centra-se no reforço da solidariedade mútua entre as regiões alpinas, a fim de aumentar a atratividade e a competitividade da região, reduzir as desigualdades sociais e regionais e assegurar a preservação e a gestão sustentável do seu ambiente natural único. O documento fundador da estratégia 1 traçou o caminho para uma nova relação entre as zonas metropolitanas, as zonas montanhosas e zonas circundantes e as zonas remotas, centrando-se em três prioridades:

1)Competitividade e inovação;

2)Mobilidade e conectividade respeitadoras do ambiente; e

3)Gestão sustentável dos recursos energéticos, naturais e culturais.

Uma década após a adoção da estratégia, o mundo mudou significativamente. O clima geopolítico está a tornar-se cada vez mais instável no contexto da atual guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, dos efeitos socioeconómicos persistentes da pandemia de COVID-19 e dos rápidos progressos tecnológicos. Os efeitos das alterações climáticas são mais evidentes do que nunca, com vagas de calor cada vez mais frequentes, a ocorrência comparativamente rara de invernos nevados e um aumento das catástrofes naturais devido a precipitação intensa. Estas novas condições externas, associadas a prioridades e iniciativas novas e atualizadas da União Europeia, como o Pacto da Indústria Limpa e a União das Competências, tornam necessário atualizar o plano de ação e reavaliar a execução da estratégia, a fim de assegurar o alinhamento com os desafios geopolíticos e políticos contemporâneos que se colocam à região. Além disso, após 10 anos de aplicação, os processos e estruturas internos evoluíram e surgiram novos órgãos e mecanismos de governação na macrorregião.

O novo plano de ação é uma versão atualizada e reorientada do plano de ação inicial, centrada em questões de importância política e estratégica. O plano atualizado apoiará a estratégia na resposta a desafios futuros, incentivando intercâmbios e soluções transfronteiriços para uma região alpina sustentável e próspera.

A presente comunicação apresenta o plano de ação revisto elaborado pelos parceiros da estratégia. Explica o contexto, a fundamentação, o que mudou e a forma como o plano permitirá à estratégia fazer face a mudanças novas e futuras.

2.REALIZAÇÕES DA ESTRATÉGIA

Resultados na concretização de prioridades fundamentais da UE

A estratégia produziu resultados positivos em vários domínios, reforçando a cooperação regional e o trabalho em rede no âmbito dos seus três objetivos temáticos. Ao longo dos últimos 10 anos, permitiu fazer avançar as prioridades da UE na região, contribuindo, nomeadamente, para as transições ecológica e digital europeias e para a adaptação às alterações climáticas e a atenuação dos seus efeitos. Este objetivo foi alcançado através de uma abordagem transetorial baseada na governação a vários níveis e numa ampla participação das partes interessadas. Além disso, a estratégia adaptou iniciativas importantes da UE às necessidades específicas da região.

O lançamento da estratégia constituiu um marco importante na coordenação dos esforços internacionais para dar resposta aos desafios enfrentados pela região alpina. Conhecida pela sua rica biodiversidade e paisagens culturais dinâmicas, a região desempenha um papel económico, ambiental e social crucial na Europa. Tradicionalmente, a região tem enfrentado desafios distintos, que vão de vulnerabilidades ambientais a disparidades socioeconómicas. Desde a sua criação, a estratégia facilitou projetos transfronteiriços bem-sucedidos que reforçaram a proteção do ambiente, o desenvolvimento de infraestruturas e a integração socioeconómica, consolidando assim o estatuto de macrorregião europeia fundamental. Estes esforços coletivos lançaram bases sólidas de colaboração na qual o plano de ação revisto procura continuar a apoiar-se.

Financiamento da estratégia

A integração da estratégia em múltiplas fontes de financiamento é essencial para o êxito da sua execução. Para assegurar uma execução e apropriação eficazes a todos os níveis, é fundamental mobilizar fundos de várias fontes, como as autoridades da UE, nacionais e regionais e o setor privado. A coordenação estratégica destas oportunidades de financiamento a diferentes níveis maximizará o impacto. Historicamente, o programa «Espaço Alpino» do Interreg tem prestado um apoio significativo, mas a diversificação ativa das fontes de financiamento reforçará ainda mais o alcance e a eficácia da estratégia. Esta abordagem pode libertar todo o potencial da estratégia e impulsionar progressos significativos.

Uma vez que a estratégia adota uma abordagem regional, todos os instrumentos de financiamento com uma clara dimensão regional devem ser considerados para apoiar a execução, juntamente com instrumentos temáticos que poderiam ser utilizados de forma mais eficaz quando coordenados em toda a região. Além do programa «Espaço Alpino» do Interreg, financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, as possíveis fontes de financiamento incluem: outros programas nacionais e regionais financiados pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, pelo Fundo Social Europeu Mais e pelo Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural. Outras fontes de financiamento possíveis incluem programas temáticos da UE, como o Erasmus+ e o InvestEU. Por último, os empréstimos, os capitais próprios e as garantias prestadas pelo Banco Europeu de Investimento também podem constituir fontes de financiamento.

Os principais parceiros das partes interessadas da estratégia são as autoridades de gestão dos programas da UE. Um «diálogo financeiro» entre os responsáveis pela execução da estratégia e os administradores dos programas é, por conseguinte, crucial para que possam compreender e alinhar as respetivas necessidades. Neste contexto, a rede de diálogo financeiro da estratégia ajudou a estabelecer uma ligação entre as suas atividades e o financiamento disponível, promovendo o diálogo e melhorando o intercâmbio de informações entre os organismos responsáveis pela gestão das oportunidades de financiamento.

3.PLANO DE AÇÃO REVISTO

O processo de revisão do plano de ação salientou a necessidade de dar resposta a desafios novos ou mais prementes e de desenvolver uma visão mais direcionada para executar a estratégia, bem como de adotar uma abordagem mais sistemática para melhorar a apropriação e a sensibilização de todos os países participantes para a estratégia. Ao mesmo tempo, reconheceu-se a necessidade de uma ampla continuidade em relação aos pilares estratégicos temáticos e às ações da estratégia.

A região alpina é fortemente afetada pelas alterações climáticas. O aumento das temperaturas está a provocar o degelo dos glaciares, aumentando o risco de catástrofes naturais, como avalanches e deslizamentos de terras. Estas alterações afetam o ciclo da água e ameaçam a biodiversidade, a estabilidade económica e a segurança, com consequências não só para a região alpina, mas também para os países a jusante. Além disso, questões socioeconómicas como o envelhecimento da população, a migração dos jovens para fora das zonas rurais e as disparidades em termos de infraestruturas e conectividade exigem intervenções ponderadas. O fosso digital agrava ainda mais estes desafios, criando a necessidade de reforçar as infraestruturas tecnológicas e a literacia digital, a fim de assegurar um desenvolvimento equitativo.

Em resposta a estes desafios, o plano de ação revisto estabelece objetivos abrangentes para promover a resiliência, a inovação, a inclusão e a governação sustentável em toda a região.

Desde 2023, os países participantes e a Comissão têm trabalhado em conjunto, de forma coordenada e a vários níveis, para elaborar um plano de ação revisto que tenha em conta os novos desenvolvimentos políticos e geopolíticos desde que a estratégia foi inicialmente elaborada. O plano de ação revisto reflete igualmente os ensinamentos retirados da execução da estratégia ao longo dos anos e inclui alterações na governação e gestão da estratégia introduzidas na última década.

Este trabalho conduziu ao plano de ação revisto que acompanha a presente comunicação, que traduz de forma mais precisa as necessidades e oportunidades da região e proporciona um quadro mais sólido que permitirá aos países participantes trabalhar em conjunto de forma mais eficaz para alcançar os objetivos da estratégia.

Quais são os elementos novos?

O plano de ação revisto baseia-se na versão anterior, com as seguintes duas alterações principais:

a)    Uma abordagem baseada em missões, que visa dar resposta a desafios significativos pertinentes para toda a região alpina, estabelecendo objetivos ambiciosos, mas realistas, e proporcionando a orientação política e a visibilidade necessárias para executar a estratégia. As missões destinam-se a facilitar sinergias e a promover melhores ligações entre ações e projetos num domínio específico. Envolvem mais estreitamente o nível político, designando um relator de missão, isto é, um político eleito nomeado pela assembleia geral. Na prossecução de objetivos transversais, permitem agrupar projetos e iniciativas em torno de um único objetivo, reforçando a coerência entre os níveis político e técnico.

As missões baseiam-se no plano de ação e são preparadas em estreita cooperação com o conselho executivo e os grupos de ação, envolvendo várias partes interessadas.

b)    Alterações do sistema de governação da estratégia. Ao longo da última década, os procedimentos e a governação da estratégia evoluíram consideravelmente e o plano de ação revisto apresenta agora uma panorâmica completa das estruturas existentes. Incluem:

O conselho de responsáveis dos grupos de ação e o trio de presidências. Na sequência de consultas com as partes interessadas, a governação da estratégia foi também reforçada ao longo do tempo através da criação destes novos órgãos. Os responsáveis dos grupos de ação têm a seu cargo a execução de projetos concretos e o conselho facilita as sinergias e a cooperação. O trio de presidências assegura a continuidade entre as presidências passadas, atuais e futuras.

O Conselho de Juventude. Criado em 2021, o Conselho de Juventude participa em todos os níveis de governação. Contribui para a estratégia através de projetos e promove os contactos entre os jovens de toda a região alpina.

A estrutura de apoio técnico e o secretariado. Outra alteração importante em termos de governação foi a criação da estrutura de apoio técnico com o secretariado respetivo, em 2023. A estrutura é financiada pelo programa «Espaço Alpino» do Interreg. O secretariado apoia os órgãos de decisão da estratégia e os responsáveis pela sua execução, os grupos de ação.

4.PILARES ESTRATÉGICOS TEMÁTICOS E AÇÕES NO ÂMBITO DA ESTRATÉGIA

Pilares e objetivos estratégicos temáticos

Embora os desafios de cooperação na região alpina não tenham mudado substancialmente nos últimos anos, a estratégia lançou as bases para responder à necessidade urgente de adaptação a diversos processos de transformação, centrando-se claramente em temas específicos e dando prioridade a esses temas. O plano de ação revisto mantém a ênfase inicial nos três pilares estratégicos temáticos: crescimento económico e inovação; mobilidade e conectividade; e ambiente e energia. Cada pilar corresponde a um dos objetivos da estratégia. Em resposta aos desafios atuais na região alpina e aos documentos estratégicos mais recentes, estes pilares contêm nove ações.

Cada ação contempla três a sete temas, que constituem a base para o trabalho dos grupos de ação. Embora as próprias ações continuem a ser coerentes com a versão anterior do plano de ação, a redação e a orientação de cada uma evoluíram. Os grupos de ação promovem um forte sentimento de apropriação entre os participantes em toda a região, funcionando no âmbito de uma vasta rede e alinhando a cooperação com os objetivos políticos.

Crescimento económico e inovação

O objetivo deste pilar da estratégia é criar uma economia que seja competitiva e inovadora na região alpina, que seja circular e com impacto neutro no clima. Tal é essencial para apoiar as atividades humanas e manter um equilíbrio sustentável com o ambiente.

As três ações no âmbito deste pilar centram-se nos seguintes aspetos:

1.Reforçar um ecossistema de investigação e inovação eficaz, fomentando um ambiente favorável à investigação e à inovação que estimule o crescimento, especialmente em setores como a agricultura de montanha, a silvicultura e a energia;

2.Aumentar o potencial económico dos setores estratégicos, identificando e explorando o valor de setores-chave e transformando a investigação em benefícios tangíveis através de uma transferência de tecnologia eficaz; e

3.Melhorar a relevância das políticas do mercado de trabalho, da educação e da formação para os setores estratégicos, assegurando um alinhamento do mercado de trabalho com as necessidades das empresas, salientando a importância da educação e da formação e reforçando a mobilidade laboral e a cooperação transfronteiriças para impulsionar o progresso económico.

Mobilidade e conectividade

O objetivo deste pilar é criar uma região alpina mais acessível e interligada, promovendo soluções sustentáveis de transporte e mobilidade e tirando pleno partido da digitalização e das novas tecnologias.

As duas ações no âmbito deste pilar centram-se nos seguintes aspetos:

1.Promover a intermodalidade e a interoperabilidade no transporte de passageiros e de mercadorias, dando resposta à necessidade de sistemas de transporte eficientes e sustentáveis a vários níveis, a fim de permitir o transporte eficiente de pessoas e mercadorias; e

2.Ligar as pessoas digitalmente e promover a acessibilidade aos serviços públicos, centrando-se no reforço da conectividade digital para tornar os serviços públicos mais facilmente acessíveis, melhorando assim a integração socioeconómica e abrindo caminho ao crescimento e ao desenvolvimento regionais.

Ambiente e energia

No âmbito deste pilar, o objetivo é criar um elevado nível de conectividade ecológica e uma região ambientalmente sustentável, preparada para se adaptar às alterações climáticas e atenuar os seus impactos.

As quatro ações no âmbito deste pilar centram-se nos seguintes aspetos:

1.Preservar e captar o valor dos recursos naturais e culturais, salientando o equilíbrio cuidadoso entre a preservação e a utilização sustentável, com especial destaque para a restauração e a gestão sustentável do solo e dos recursos hídricos;

2.Desenvolver a conectividade ecológica em toda a região alpina, conservando, melhorando e restaurando a biodiversidade e os serviços ecossistémicos, e promovendo infraestruturas azuis e verdes para criar ligações sem descontinuidades em todas as zonas;

3.Melhorar a gestão dos riscos e gerir mais eficazmente as alterações climáticas, compreendendo e gerindo os riscos colocados pela degradação ambiental e pelas alterações climáticas, e incentivando a cooperação na luta contra as catástrofes naturais e os fenómenos meteorológicos extremos, prioritariamente através de soluções baseadas na natureza; e

4.Tornar a região alpina um modelo de eficiência energética e de energias renováveis, centrando-se na eficiência energética e na utilização de recursos renováveis compatíveis com o ambiente alpino, que são essenciais para atenuar os efeitos das alterações climáticas.

As alterações do ciclo da água induzidas pelas alterações climáticas, incluindo o degelo dos glaciares, terão consequências não só para a região alpina, mas também para os países a jusante. A gestão conjunta e bem coordenada dos rios que atravessam fronteiras é essencial para garantir uma proteção, uma melhoria e uma restauração integradas dos recursos hídricos e respetivos ecossistemas, afigurando-se fundamental para a resiliência e a segurança hídrica da Europa. O recurso acrescido a soluções baseadas na natureza pode contribuir para restaurar o ciclo da água e melhorar a adaptação às alterações climáticas, incluindo uma melhor proteção contra inundações e a escassez de água, reforçando assim a resiliência de toda a região.

Em conjunto, os três pilares promovem uma abordagem equilibrada que não só incentiva o desenvolvimento económico e uma melhor conectividade, mas também garante a proteção do ambiente, reforçando a resiliência na região alpina, para que esta se possa adaptar e prosperar no contexto dos desafios mundiais.

5.GOVERNAÇÃO E EXECUÇÃO DA ESTRATÉGIA

O quadro de governação da estratégia inclui vários órgãos e instrumentos que orientam e dirigem as suas atividades. A sua composição pormenorizada e a forma de interação são definidas no plano de ação e no respetivo regulamento interno.

A governação da estratégia foi concebida para facilitar o reforço das capacidades e é clara e orientada para os resultados, reforçando assim a cooperação alpina. Assegura a participação ativa das partes interessadas aos níveis nacional, regional e local, juntamente com representantes do setor económico, do meio académico, da sociedade civil e do público em geral, em especial os jovens. Garante que os principais responsáveis pela execução da estratégia estão devidamente habilitados, com um mandato claro, a cumprir as suas responsabilidades. Assegura igualmente uma comunicação clara e abrangente a todos os níveis sobre os resultados e o valor acrescentado da estratégia.

Ao longo da última década, o quadro de governação evoluiu, refletindo o forte empenho das partes interessadas na execução da estratégia. Tal sublinha a necessidade de continuar a melhorar a coordenação no âmbito das ações e entre estas e de reforçar ainda mais a liderança política proporcionada aos níveis de coordenação da estratégia.

Órgãos

Assembleia Geral. A Assembleia Geral é o mais alto órgão de decisão política da estratégia e define as prioridades e os objetivos estratégicos. É composta por representantes políticos de alto nível dos Estados e das regiões participantes, juntamente com observadores como o Conselho de Juventude, a Convenção Alpina e o programa «Espaço Alpino» do Interreg. A Comissão Europeia participa como facilitadora e copresidente e assegura o alinhamento com a legislação da UE, mas não tem direito de voto. A Assembleia Geral aprova os planos de ação, acompanha os progressos na execução e facilita a cooperação transregional.

Presidência. A presidência é rotativa, alternando anualmente entre os Estados parceiros. Desempenha um papel fundamental na presidência das reuniões da Assembleia Geral e do Conselho Executivo, na elaboração do programa de trabalho anual e na organização de reuniões ministeriais setoriais.

Conselho Executivo. O Conselho Executivo é responsável pela execução do plano de ação e inclui coordenadores nacionais e representantes das regiões e dos Estados participantes. A Comissão Europeia, na qualidade de facilitadora e copresidente, verifica o cumprimento da legislação da UE e o alinhamento com as prioridades da UE. O Conselho de Juventude, a Convenção Alpina e outros órgãos observam os seus procedimentos. O Conselho Executivo supervisiona os grupos de ação, coordena as reuniões da Assembleia Geral e promove a coerência na execução da estratégia.

Coordenadores nacionais. Os coordenadores nacionais desempenham um papel crucial na supervisão e no acompanhamento da conceção e da execução da estratégia, bem como na promoção da participação das partes interessadas. São membros do Conselho Executivo e gerem as delegações nacionais. São também o principal ponto de contacto a nível nacional, coordenando a estratégia no seus país. São nomeados pelo respetivo governo ou instituição e representam o nível nacional ou regional.

Grupos de ação. Os grupos de ação são incumbidos da execução quotidiana da estratégia em todos os domínios temáticos. Compostos por peritos e partes interessadas, os grupos de ação coordenam as ações de forma abrangente e integram-nas em todas as regiões. Desenvolvem projetos e políticas que contribuem para os objetivos da estratégia. Os responsáveis dos grupos de ação facilitam a comunicação e impulsionam as atividades do grupo em função dos respetivos planos de trabalho.

Tal como descrito na secção 3, estes órgãos são complementados por novas estruturas: o trio de presidências, o Conselho de responsáveis dos grupos de ação e o Conselho de Juventude, bem como a estrutura de apoio técnico e o secretariado da estratégia.

Execução da estratégia

A execução das atividades da estratégia é orientada pelo plano de ação, que funciona em três níveis estratégicos: pilares e objetivos estratégicos temáticos, ações e projetos. O plano de ação serve de quadro de referência para a Assembleia Geral, o Conselho Executivo e os grupos de ação, ajudando-os a desenvolver os respetivos planos de trabalho com base nas missões aprovadas pela Assembleia Geral.

Os planos de trabalho são programas trienais concebidos para traduzir em resultados concretos os objetivos enunciados no plano de ação e nas missões aprovadas pela Assembleia Geral. Asseguram a coerência política entre o plano de ação e os projetos e iniciativas executados pelos grupos de ação. Os planos de trabalho são focados e realistas e refletem as ambições da estratégia, incorporando orientações da Assembleia Geral e do Conselho Executivo. Serão complementados pelo novo instrumento das missões anteriormente descrito na presente comunicação.

6.CONCLUSÃO

Cada estratégia macrorregional reflete os contextos geográficos, económicos e políticos únicos da região em que incide e é adaptada aos pontos fortes e desafios específicos que cada macrorregião enfrenta. Enquanto iniciativas intergovernamentais, não estão vinculadas por quaisquer regras ex ante sobre estruturas de execução ou organização de projetos. Em vez disso, cada estratégia cresce e adapta-se organicamente às suas próprias circunstâncias.

Desde 2015, a Estratégia Alpina desenvolveu um modelo de governação sofisticado, com um amplo grau de representação de diferentes setores da sociedade. A atualização exaustiva do seu sistema de governação no plano de ação revisto reflete as funções e responsabilidades dos novos órgãos e estruturas, como o trio de presidências, o Conselho de responsáveis dos grupos de ação, o Conselho de Juventude, a estrutura de apoio técnico e o secretariado. Estes novos órgãos, que surgiram ao longo da última década, melhoraram significativamente o funcionamento da estratégia.

Os autores da Estratégia Alpina optaram por não introduzir alterações significativas nas suas prioridades e objetivos. Ao invés, optaram pela continuidade, o que reflete o amplo consenso entre os parceiros estratégicos de que as prioridades e os objetivos escolhidos há 10 anos continuam a ser válidos e pertinentes para a região alpina. No entanto, a estratégia introduziu uma nova abordagem baseada em missões, com a clara intenção de reforçar sinergias, aumentar a apropriação e a responsabilidade políticas e aumentar a sua visibilidade global.

De um modo geral, com estes novos elementos, a estratégia pode continuar a apoiar e a desenvolver a atratividade, a resiliência e a competitividade da região alpina e a melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem na região. A Comissão considera que o plano de ação revisto proporciona um quadro orientado para o futuro para promover o crescimento sustentável, a competitividade, a proteção do ambiente e o reforço da cooperação na região. O plano de ação revisto permitirá à região alpina responder eficazmente aos desafios e às oportunidades com que se depara, para que possa continuar a ser um modelo de cooperação na Europa.

(1)

 Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões sobre uma estratégia da União Europeia para a Região Alpina, COM(2015) 366 final, Bruxelas, 28 de julho de 2015.