Bruxelas, 23.4.2025

COM(2025) 185 final

COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES

Relatório sobre o estado de Schengen de 2025


Relatório sobre o estado de Schengen de 2025

40.º aniversário de Schengen

1.Schengen enquanto ativo estratégico

Assinado em 14 de junho de 1985, o Acordo de Schengen marcou o início de uma nova era de cooperação estratégica e de uma integração mais profunda centrada na liberdade e na segurança dos seus cidadãos. A visão era simples, mas profunda: construir uma Europa em que os cidadãos possam atravessar as fronteiras internas sem enfrentar obstáculos, promovendo assim o crescimento económico, o intercâmbio cultural e a coesão social, reforçando simultaneamente a segurança coletiva.

A criação do espaço Schengen foi um momento decisivo no processo de construção de uma Europa unida uma Europa para os seus cidadãos 1 . O Acordo de Schengen produziu, em primeiro lugar, benefícios tangíveis nas regiões fronteiriças, que estão no cerne do processo de integração europeia, e, em seguida, alargou esses benefícios em todo o continente. À medida que o projeto Schengen evoluiu, expandiu-se para além de um mero acordo destinado a suprimir os controlos nas fronteiras. Ao longo dos anos, Schengen tornou-se um sistema resiliente e multifacetado, assente numa gestão eficaz das fronteiras externas, em regras comuns em matéria de vistos, regressos e cooperação policial, numa estreita coordenação entre as autoridades nacionais e numa cooperação internacional mais estreita. Plenamente integrado no quadro da UE, cresceu tanto em termos de adesão como de ambição, simbolizando o compromisso da Europa para com a unidade, a liberdade e a segurança.

Quatro décadas após a sua criação, Schengen é muito mais do que um mero símbolo de mobilidade: trata-se de um veículo para melhorar a vida dos cidadãos, facilitar as atividades das empresas e reforçar a posição da Europa a nível mundial. Atualmente, Schengen está no cerne de uma Europa mais forte e mais segura, facilitando a vida quotidiana de mais de 450 milhões de europeus. Schengen continua a ser um projeto concebido em prol das pessoas, tendo também evoluído para um ativo estratégico da União, de três formas.

Em primeiro lugar, enquanto dinamizador essencial do mercado único, o espaço Schengen é um motor crucial de crescimento económico, competitividade e soberania económica da Europa. Num panorama mundial cada vez mais volátil, com o ressurgimento de tensões geopolíticas e a concorrência geoeconómica, a economia europeia exige um ambiente sem barreiras para prosperar e menos exposição às dependências externas. O espaço Schengen reforça a nossa resiliência coletiva ao apoiar a livre circulação de mercadorias, serviços e pessoas. Desempenha um papel fundamental na manutenção e no reforço das cadeias de abastecimento em toda a Europa e na consolidação do mercado único, tal como sublinhado no relatório Letta 2 .

Em segundo lugar, Schengen é a resposta mais robusta da UE aos desafios de um mundo em que as ameaças já não se limitam às fronteiras nacionais. Permite-nos aproveitar os nossos conhecimentos especializados e recursos coletivos, criando um quadro de segurança muito mais forte e eficaz do que a soma dos sistemas nacionais individuais. Schengen proporciona um conjunto de instrumentos, recursos coletivos e capacidades necessários para fazer face às complexas ameaças transnacionais à liberdade e à segurança. Estas ameaças, quer derivem de redes criminosas organizadas ou de intervenientes estatais ou não estatais hostis, não podem ser eficazmente enfrentadas pelas nações a título individual. No atual panorama geopolítico e de segurança, Schengen já não é apenas um benefício, é uma necessidade.

Em terceiro lugar, quando intervenientes hostis procuram enfraquecer e fragmentar a Europa, Schengen é uma força de unidade, aproximando os europeus. Schengen promove a unidade e contribui para uma identidade europeia tangível e partilhada. É uma defesa política profundamente enraizada contra tentativas de semear discórdia e desconfiança entre os europeus.

Para que as pessoas possam usufruir plenamente dos direitos e liberdades decorrentes do acervo de Schengen, a confiança mútua entre os Estados-Membros é fundamental, o que, por sua vez, depende da aplicação efetiva das regras acordadas. É necessário respeitar rigorosamente as normas comuns para fazer face à migração ilegal, lutar contra a criminalidade organizada e o terrorismo e combater o contrabando, assegurando simultaneamente uma proteção adequada dos direitos fundamentais. A existência de mecanismos de execução eficazes e de um esforço coordenado a todos os níveis é essencial para uma cooperação sustentável entre os Estados-Membros.

Hoje, tal como em 1985, chegou o momento de reiterar a nossa confiança neste projeto, reconhecendo que nos encontramos noutro momento decisivo nos nossos esforços constantes para manter e consolidar uma Europa forte e unida. Um ativo estratégico exige renovação e investimento contínuos, nomeadamente a nível político, estratégico e regulamentar, bem como a nível operacional.

Investir em Schengen enquanto ativo estratégico: promover a governação política e o quadro regulamentar do espaço Schengen

O quadro de governação Schengen inclui um conjunto de regras comuns e um sistema de instituições e procedimentos que abrangem todas as políticas e medidas subjacentes ao bom funcionamento do espaço Schengen. Assegura o bom funcionamento do espaço e a sua conformidade com os objetivos políticos baseados nos princípios da responsabilidade partilhada, da confiança mútua e do acompanhamento das regras acordadas. Baseia-se numa estreita coordenação entre todas as autoridades e numa estreita cooperação entre os Estados-Membros e com as agências competentes da UE.

Ao longo do ciclo de Schengen de 2024-2025, o Barómetro Schengen+ forneceu uma panorâmica regular dos principais fatores com impacto no espaço Schengen, consolidando a análise da situação de Schengen. Estas informações reforçam a preparação e a elaboração de políticas, nomeadamente em matéria de luta contra o tráfico de droga, de vistos e de regresso. Em 2024, a Comissão e a presidência belga coorganizaram um seminário com os países Schengen e as agências operantes no domínio da justiça e dos assuntos internos, que sublinhou a necessidade de simplificar as obrigações de comunicação de informações, alinhar as definições dos indicadores-chave e maximizar a utilização de outros instrumentos, como o EUROSUR, para o intercâmbio de informações. Oito conclusões operacionais, incluindo o levantamento dos quadros de comunicação de informações e a resolução de lacunas de dados específicas, moldarão o ciclo de Schengen de 2025-2026. Tal melhorará o Barómetro+, transformando-o num instrumento específico e mais eficaz para uma melhor governação.

Durante a presidência belga, registaram-se igualmente progressos no sentido de criar um quadro comum para uma maior coordenação, tal como proposto 3 pela Comissão em 2024. Foi criada uma reunião de altos funcionários Schengen como fórum para abordar questões de interesse comum e preparar os debates para o Conselho Schengen. A primeira reunião centrou-se na governação, na coerência jurídica e no alargamento. A segunda reunião, realizada sob a presidência húngara, salientou a cooperação regional como alternativa tangível aos controlos nas fronteiras internas, reforçando a gestão das fronteiras externas e a cooperação com países terceiros. Este formato continuará a desempenhar um papel fundamental no apoio à coordenação das políticas.

O panorama político mundial está a sofrer uma transformação significativa, apresentando tanto desafios operacionais como oportunidades. O aprofundamento e o alargamento do espaço Schengen reforçariam a nossa força coletiva para enfrentar estes desafios. É necessária uma recalibração estratégica da aplicação das regras e um maior investimento nos domínios com maior impacto a longo prazo, começando externamente por uma política de vistos forte e por uma colaboração mais estreita com os países terceiros. Ao mesmo tempo, temos de gerir eficazmente as nossas fronteiras externas e concentrar os nossos recursos, equipamento e tecnologia no aumento da segurança. Tal criará espaço para uma cooperação mais aprofundada no espaço Schengen, a fim de impulsionar a ação coletiva e, ao mesmo tempo, promover uma maior integração entre as pessoas. Em última análise, o espaço Schengen não é um conjunto de partes isoladas, mas um sistema coeso em que todas as partes trabalham em conjunto para apoiar os nossos objetivos comuns e reforçar a nossa resiliência coletiva.

A função de monitorização da Comissão foi reforçada. Com base nos progressos realizados nos últimos anos, a Comissão continuará a utilizar plenamente as visitas de verificação, as novas visitas, as visitas sem pré-aviso e outros instrumentos de execução à sua disposição. Os Estados-Membros devem também dar prioridade ao financiamento da UE para fazer face às vulnerabilidades identificadas nas avaliações Schengen e nas avaliações da vulnerabilidade realizadas pela Frontex. Por conseguinte, é prioritário assegurar que os fundos da UE estejam estrategicamente ligados às reformas necessárias.

Investir em Schengen enquanto ativo estratégico: ação operacional

O mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen, que constitui o principal elemento de governação, é a bússola do sistema para identificar as deficiências e as áreas a melhorar antes que estas ameacem a integridade do sistema e assegura o equilíbrio adequado de medidas destinadas a colmatar eventuais lacunas. A confiança mútua constitui o elemento fulcral de Schengen, que o mecanismo de avaliação põe em prática. Os países Schengen não só asseguram que os seus sistemas funcionam de forma eficaz, como também se apoiam ativamente uns aos outros, reconhecendo que o êxito (e os fracassos) de um sistema têm impacto na estabilidade e na segurança de todo o espaço Schengen.

Em 2024, a Comissão executou o programa anual de avaliação conducente aos relatórios de Schengen por país da Croácia, da Polónia, da Hungria, da Chéquia e da Eslováquia. A Comissão acompanhou igualmente a aplicação das medidas corretivas comunicadas pela Grécia, Irlanda e Dinamarca. Em fevereiro de 2024, realizaram-se visitas sem pré-aviso aos consulados de Mumbai, na Índia, da Alemanha, de Espanha e da Polónia. Apenas um número limitado de deficiências graves continuam por resolver desde o ciclo de avaliação anterior, embora exista ainda um número significativo de questões persistentes que têm de ser resolvidas.

O anexo 1 contém mais pormenores sobre a execução da avaliação das atividades de monitorização e o anexo 2 apresenta o compêndio de boas práticas identificadas em avaliações Schengen recentes.

2.A espinha dorsal política de Schengen: um quadro de governação comum sólido

Lidar com as mudanças geopolíticas e as implicações para a liberdade e a segurança começa com um novo compromisso relativamente a dois princípios fundamentais: responsabilidade partilhada e confiança mútua. Responsabilidade partilhada de defender os direitos e a segurança de todas as pessoas em todo o espaço Schengen. Confiança mútua entre os países Schengen de que todas as partes do sistema de Schengen são geridas de forma competente e eficaz, em consonância com normas comuns rigorosas.

O Painel de Avaliação de Schengen de 2024 destaca as assimetrias na aplicação dos principais requisitos de Schengen. Cerca de 65 % das recomendações emitidas no âmbito do mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen ainda se encontram por aplicar. As deficiências persistentes têm consequências operacionais importantes.

A ação política destinada a renovar o compromisso para com a responsabilidade partilhada e a confiança mútua deve ser apoiada por uma ação decisiva tanto a nível político como operacional, a fim de assegurar uma aplicação rápida e eficaz das regras de Schengen. Tal exige um quadro de governação Schengen sólido, com forte supervisão política, coordenação e responsabilização.

Ao longo do último ano, registaram-se progressos na consolidação do quadro de governação, que constituiu uma prioridade fundamental do ciclo de Schengen de 2024-2025. Em especial, os instrumentos reforçados da Comissão, incluindo o Barómetro Schengen+ e o Painel de Avaliação de Schengen, ajudaram a promover, entre os países Schengen, um entendimento comum das principais questões que exigem uma ação conjunta, a identificar eventuais lacunas na aplicação e a colmatar o fosso entre os níveis técnico e político. Tal permitiu uma abordagem mais estratégica da execução e do acompanhamento das atividades de avaliação e monitorização de Schengen.

Podem existir novas oportunidades para tirar pleno partido da coordenação política e da monitorização. O Conselho Schengen, inspirado no comité misto instituído ao abrigo dos acordos dos Estados associados a Schengen, é responsável por fornecer orientações estratégicas sobre as políticas com impacto no funcionamento de Schengen. Em complemento da formação do Conselho «Assuntos Internos», o Conselho Schengen tem por objetivo criar um ambiente aberto para um diálogo político estreito entre os decisores do espaço Schengen.

Para assegurar que o quadro de governação gere verdadeiramente resultados, é necessário promover uma compreensão aprofundada das dificuldades no terreno, reforçar o controlo das vulnerabilidades e deficiências persistentes e assumir uma maior responsabilidade coletiva por soluções eficazes. Afiguram-se necessárias iniciativas de cooperação, uma ação decisiva e medidas específicas para colmatar as lacunas persistentes e preservar a integridade das regras acordadas em comum.

O ciclo de Schengen de 2025-2026 deverá dar prioridade à coordenação política integrada e à tomada de decisões sobre todas as questões que tenham um impacto estratégico na liberdade e na segurança num espaço sem fronteiras internas, explorando todo o potencial do Conselho Schengen.

·A Comissão apoiará os esforços para reforçar a supervisão política pelo Conselho Schengen, com vista a assegurar uma ação mais coordenada entre os Estados-Membros em questões com impacto direto no funcionamento de Schengen e a facilitar os debates sobre desafios comuns.

·A gestão quotidiana do espaço Schengen pode ser melhorada através do reforço dos instrumentos comuns para detetar e responder rápida e eficazmente às vulnerabilidades no espaço Schengen. A Comissão desenvolverá o Painel de Avaliação de Schengen agregado, a fim de melhor apoiar o Conselho Schengen na identificação das principais prioridades para colmatar lacunas e tomar medidas céleres destinadas a atenuar os riscos emergentes.

A Comissão está disposta a trabalhar com a atual e as próximas presidências para alcançar estes objetivos no âmbito da Prioridade 1 para o ciclo de Schengen de 2025-2026, tal como descrito na secção 5.

Os trabalhos no âmbito do ciclo de Schengen de 2025-2026 devem também incluir medidas destinadas a reforçar os sistemas nacionais de governação Schengen tanto nos países Schengen como nos países candidatos à adesão à UE. A Comissão organizará uma série de seminários no sentido de chegar a acordo sobre normas mínimas para que os Estados Schengen possam aplicar plenamente o sistema de Schengen através de estruturas políticas e administrativas eficazes. Este trabalho basear-se-á nos vastos desenvolvimentos e nas estruturas de governação estabelecidas no âmbito da gestão europeia integrada das fronteiras. Esta abordagem reunirá todas as autoridades competentes.

Conforme referido nas avaliações Schengen, e com base na sua própria experiência, a Comissão convida todos os países Schengen a nomearem um coordenador nacional para supervisionar todas as questões com impacto no funcionamento de Schengen, assegurando uma repartição clara de responsabilidades entre todas as autoridades em causa.

De acordo com o seguimento dado à avaliação temática 2019-2020 das estratégias nacionais para a gestão integrada das fronteiras dos Estados‑Membros 4 , todos os países Schengen iniciaram processos nacionais de revisão das suas estratégias. No final de 2024, 12 países Schengen tinham adotado formalmente as estratégias revistas e oito estavam em vias de adoção. Os resultados revelam melhorias notáveis, incluindo quadros de governação mais sólidos e uma melhor integração dos procedimentos de regresso nas estratégias nacionais. A maioria dos países Schengen demonstrou progressos no alinhamento das suas estratégias com as prioridades da UE, refletindo os progressos na análise de riscos, no conhecimento da situação e na cooperação com a UE.

No entanto, persistem lacunas significativas no planeamento dos recursos humanos, na coordenação entre os serviços e nas disposições financeiras. Apenas alguns países Schengen associam com êxito as suas estratégias aos planos de ação, às análises das necessidades e aos quadros de financiamento. As estratégias nacionais ainda não integram plenamente disposições específicas relativas a garantias e formação em matéria de direitos fundamentais. Ao mesmo tempo, as obrigações relacionadas com o procedimento de triagem estabelecido no Pacto em matéria de Migração e Asilo devem ser eficazmente integradas e alinhadas com o sistema integrado de gestão das fronteiras mais vasto. O investimento no sistema de governação para a gestão europeia integrada das fronteiras proporcionará uma base sólida para a criação de quadros nacionais robustos de governação Schengen.

3.A espinha dorsal política e regulamentar: um espaço Schengen mais vasto e aprofundado

3.1.Um espaço Schengen mais vasto

Ao longo de 40 anos, Schengen evoluiu de uma iniciativa regional entre alguns Estados-Membros da UE para um projeto verdadeiramente europeu 5 . O espaço Schengen foi alargado nove vezes para criar aquele que é hoje o maior espaço de livre circulação do mundo sem controlos nas fronteiras internas.

A Bulgária e a Roménia tornaram-se plenamente integradas no espaço Schengen em 1 de janeiro de 2025. A decisão do Conselho de 12 de dezembro de 2024 6 , na sequência da sua decisão de 30 de dezembro de 2023 7 sobre a mesma matéria, marcou a conclusão de um processo de 18 anos, uma vez que ambos os países se tornaram Estados Schengen após a sua adesão à UE. Ao aderirem plenamente ao espaço Schengen, espera-se que a Bulgária e a Roménia poupem milhares de milhões de euros, tendo em conta que, com as fronteiras internas ainda em vigor, se estimava que as empresas que operam nestes dois países pagassem anualmente milhares de milhões em resultado dos custos logísticos acrescidos, dos atrasos nas entregas de bens e equipamentos e dos encargos adicionais com os combustíveis e condutores 8 .

Chipre está a trabalhar no sentido de aplicar as recomendações Schengen 9 e a sua primeira avaliação Schengen está em curso. A Comissão apoia Chipre no seu processo de integração mais profunda no sistema de Schengen.

A Irlanda está, de forma unívoca, isenta de participar em todas as disposições do conjunto de regras de Schengen 10 . Tendo em conta os benefícios para a Irlanda e para o espaço Schengen no seu conjunto, e após ter sido autorizada pelo Conselho a participar em determinados domínios 11 , como o Sistema de Informação Schengen e a cooperação policial e judiciária em matéria penal, está atualmente em curso um seguimento da sua avaliação Schengen 12 . A Comissão tenciona publicar o relatório de avaliação Schengen 13 relativo à Irlanda em 2025. Se for positivo, tal permitirá ao Conselho colocar em vigor estas disposições 14 na Irlanda, conduzindo a uma maior cooperação Schengen.

À medida que a UE se prepara para um novo alargamento, com vários países candidatos a avançar nas suas negociações de adesão, o espaço Schengen deverá também alargar-se a esses países, porquanto são obrigados a aceitar e aplicar o conjunto de regras de Schengen a partir do dia da sua adesão à UE. Será necessário um novo quadro transparente, eficiente e eficaz para a admissão no espaço Schengen, a fim de fazer face às complexidades da expansão desse espaço e assegurar um processo de integração bem preparado. Com base nos ensinamentos retirados do último alargamento de Schengen, o quadro deve proporcionar um processo previsível e equitativo que permita que novos países beneficiem progressivamente da participação em Schengen e, em última análise, suprimir os controlos nas fronteiras internas como marco final.

Este processo exige uma rigorosa monitorização em todas as fases, a fim de assegurar que os novos países Schengen cumprem continuamente as normas exigentes aplicadas pelos países existentes em todos os domínios necessários para, em última análise, abolir os controlos nas fronteiras internas. Como primeiro passo, durante as negociações de adesão, estes países devem continuar a trabalhar no sentido de estabelecer as normas jurídicas, de governação e operacionais necessárias para implantar o sistema de Schengen num quadro de governação nacional plenamente funcional no momento da sua adesão à UE. Tal exige uma preparação sólida, incluindo a implementação de um plano de ação Schengen, conforme estabelecido na Comunicação de 2024 sobre a política de alargamento da UE 15 .

3.2.Aprofundar Schengen para estar preparado para a era digital

A UE está atualmente a transformar a forma como a gestão das fronteiras é gerida, passando dos controlos nas fronteiras, principalmente físicos, para um sistema de fronteiras mais moderno e digital. É necessário acelerar a digitalização do quadro de Schengen para melhorar a segurança dos cidadãos, reforçar as fronteiras externas, a cooperação no domínio da aplicação coerciva da lei e facilitar as viagens de boa-fé e a liberdade de circular livremente no espaço Schengen, assegurando simultaneamente a proteção dos direitos fundamentais e as normas de segurança.

No âmbito dos esforços para fazer do espaço Schengen o padrão de referência mundial na facilitação de viagens seguras e sem descontinuidades, as novas regras 16 que regem a utilização eficiente das informações sobre viagens («informações antecipadas sobre os passageiros») pelas autoridades de fronteira e de aplicação da lei entraram em vigor em janeiro de 2025. Trata-se de um passo importante no sentido de aumentar a segurança sem comprometer a experiência de viagem, respeitando simultaneamente os direitos em matéria de proteção de dados e privacidade. Em 2025, a Comissão tenciona lançar uma avaliação das regras que regem a utilização dos dados dos registos de identificação dos passageiros, a fim de analisar a sua eficácia e eficiência.

A digitalização dos procedimentos nas fronteiras externas da UE é um elemento fundamental para fazer face aos riscos de segurança. Em dezembro de 2024, a Comissão apresentou uma proposta que estabelece o início progressivo do funcionamento do Sistema de Entrada/Saída. A referida proposta permite aos países Schengen implantar gradualmente o Sistema de Entrada/Saída nas suas fronteiras externas ao longo de um período de seis meses, proporcionando-lhes assim, bem como à eu-LISA, flexibilidade e instrumentos para fazer face aos desafios que subsistam antes da plena implantação do sistema. A Comissão insta os colegisladores a assegurarem celeridade nas negociações e rapidez na adoção da proposta. Os preparativos para a implantação do Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem devem ser concluídos rapidamente, uma vez que alguns países Schengen enfrentam dificuldades na aplicação das medidas necessárias.

A Comissão insta o Parlamento Europeu e o Conselho, bem como as autoridades dos Estados-Membros e a eu-LISA, a assegurarem que estas importantes inovações estejam plenamente operacionais e sigam o novo calendário 17 acordado pelo Conselho Schengen em março de 2025.

Embora estes sistemas melhorem significativamente a segurança e a eficiência das viagens, a proposta da Comissão sobre a digitalização dos documentos de viagem, apresentada em outubro de 2024 18 , faz parte de um compromisso mais amplo para com a inovação digital em prol dos viajantes. O objetivo desta iniciativa é estabelecer uma norma comum para os documentos de viagem digitais e introduzir uma aplicação móvel à escala da UE para ajudar a racionalizar os controlos nas fronteiras e resultar numa experiência de viagem sem descontinuidades para todos os viajantes. Estão em curso negociações com o Parlamento Europeu e o Conselho para concretizar esta ambição. Estão também em curso trabalhos para modernizar os procedimentos de visto, a fim de garantir que os nacionais de países terceiros também beneficiam de um procedimento de visto mais eficiente e seguro. Na sequência da proposta da Comissão relativa aos vistos digitais, os processos legislativos terminaram com a sua adoção em 2023. Os atos de execução conexos estão atualmente a ser revistos e o objetivo é começar a desenvolver a plataforma de pedidos de visto da UE em 2026 para o início do funcionamento da plataforma e a introdução do visto digital em 2028.

Tendo em conta que as mudanças sociais e tecnológicas evoluem a um ritmo sem precedentes, inimaginável quando o espaço Schengen foi criado pela primeira vez, o espaço Schengen tem de se adaptar para estar na linha da frente. As tecnologias e as soluções digitais emergentes serão cruciais para transformar a gestão das fronteiras e permitir a deteção precoce de ameaças. Os investimentos em investigação e desenvolvimento para futuras tecnologias europeias de gestão das fronteiras e de segurança devem continuar a proteger o espaço Schengen utilizando soluções europeias de ponta no futuro. Tal exige a criação de parcerias mais estreitas, nomeadamente com países associados a Schengen e com partes interessadas públicas e privadas, tais como investigadores, empresários, empresas inovadoras ou organizações de investigação e tecnologia. Este trabalho deve ser complementado com uma maior preparação através de sistemas avançados de deteção de ameaças, da monitorização permanente das infraestruturas críticas e da criação de protocolos de resposta em tempo real. Estas medidas são necessárias para gerir a ameaça crescente de violações da cibersegurança, nomeadamente nas agências da UE e nos sistemas de dados relacionados com as fronteiras.

3.3.Aprofundar Schengen para se adaptar à evolução do panorama de segurança

Em 1 de abril de 2025, a Comissão adotou a ProtectEU: uma nova Estratégia Europeia de Segurança Interna, que define os trabalhos para reforçar o aparelho de segurança da UE nos próximos anos e integrar as considerações em matéria de segurança em toda a legislação, políticas e programas da UE. Devem ser envidados esforços semelhantes a nível nacional, uma vez que as avaliações Schengen de 2024 revelaram uma lacuna persistente na abordagem estratégica da segurança interna. As autoridades nacionais continuam a funcionar de forma compartimentada, aplicando medidas ad hoc e sem uma abordagem europeia abrangente. Esta circunstância impede os países Schengen de identificarem as prioridades nacionais, de disporem de um planeamento estratégico das capacidades e de conceberem medidas transfronteiriças e complementares a todos os níveis (nacional, regional e local). Por conseguinte, garantir a segurança interna num espaço sem controlos nas fronteiras internas exige uma abordagem que promova uma cooperação mais profunda e mais estruturada entre as autoridades nacionais responsáveis pela aplicação da lei e a nível europeu, nomeadamente no que diz respeito à governação. 

Conforme anunciado na Estratégia de Segurança Interna, a fim de apoiar os debates com os Estados-Membros no Conselho sobre a evolução dos desafios em matéria de segurança interna e o intercâmbio sobre as principais prioridades políticas, a Comissão desenvolverá e apresentará análises regulares das ameaças referentes aos desafios em matéria de segurança interna da UE. Com o intuito de apoiar o trabalho mais vasto sobre a melhoria do conhecimento da situação, é essencial que os Estados-Membros reforcem a partilha de informações com a Capacidade Única de Análise de Informações (SIAC) e assegurem uma melhor partilha de informações com as agências e os organismos da UE.

Para fazer face à evolução dos desafios em matéria de segurança de uma forma mais coordenada, coerente e eficaz, a cooperação operacional transfronteiriça em matéria de aplicação da lei afigura-se crucial. As persistentes restrições jurídicas e jurisdicionais, identificadas na avaliação de 2024 levada a cabo pela Comissão das Recomendações do Conselho sobre a cooperação operacional em matéria de aplicação da lei 19 , continuam a dificultar uma cooperação operacional eficaz entre as autoridades responsáveis pela aplicação da lei. Conforme anunciado na Estratégia Europeia de Segurança Interna 20 , a Comissão trabalhará no sentido da criação de um grupo de alto nível sobre o futuro da cooperação operacional em matéria de aplicação da lei, a fim de desenvolver uma visão estratégica partilhada e propor soluções concretas para colmatar as lacunas jurídicas, melhorar o intercâmbio de informações e assegurar um elevado nível de segurança interna em todo o espaço Schengen.

Um dos desafios enfrentados pelas autoridades responsáveis pela aplicação da lei é assegurar o acesso lícito aos dados. A procura de um equilíbrio entre segurança e privacidade é essencial para salvaguardar a liberdade e a segurança. Com base nas recomendações adotadas pelo Grupo de Alto Nível sobre o acesso aos dados para uma aplicação eficaz da lei, em maio de 2024, e conforme anunciado na Estratégia Europeia de Segurança Interna, a Comissão apresentará, no primeiro semestre de 2025, um roteiro com as medidas legislativas e práticas que propõe adotar para assegurar o acesso lícito e efetivo aos dados.

Por último, é necessário atualizar o quadro jurídico para combater a introdução clandestina de migrantes. A Comissão exorta o Parlamento Europeu e o Conselho a concluírem rapidamente as negociações para reforçar o papel da Europol na luta contra a introdução clandestina de migrantes 21 . Entretanto, prosseguirão os trabalhos para melhorar os instrumentos já disponíveis. Em janeiro de 2025, a Comissão apoiou o lançamento de uma rede profissional de investigadores no domínio da introdução clandestina de migrantes em linha, gerida pelo Centro Europeu contra a Introdução Clandestina de Migrantes da Europol e pela Unidade da UE de Sinalização de Conteúdos na Internet. Esta rede ajudará a desmantelar os grupos criminosos que operam em linha. A segunda Conferência Internacional sobre o Tráfico de Migrantes avaliará os progressos realizados e impulsionará novas ações de apoio à consolidação do trabalho da Aliança Mundial contra o Tráfico de Migrantes.

Foram implementadas iniciativas semelhantes em resposta ao tráfico de droga, que incidem sobre a sensibilização para os fatores que impulsionam esta ameaça crescente. A cooperação entre as partes interessadas públicas e privadas tem sido fundamental para combater a utilização abusiva dos transportes comerciais, tal como promovida através da Aliança Europeia dos Portos. A iniciativa contribuirá para a futura Estratégia dos Portos da UE que a Comissão tenciona adotar em 2025 e, conforme anunciado na Estratégia Europeia de Segurança Interna, será alargada de modo a incluir os portos de menor dimensão e os portos de navegação interior.

4.A espinha dorsal operacional de Schengen: aplicação

O verdadeiro êxito de Schengen depende fundamentalmente da aplicação eficaz do sistema pelos milhares de autoridades que operam no terreno, incluindo várias agências da UE. Só através de uma ação coerente, de elevada qualidade e coordenada é que os compromissos políticos podem ser traduzidos numa realidade prática. O quadro operacional de Schengen é apoiado pelos guardas de fronteira, pelos agentes responsáveis pela aplicação da lei e pelas autoridades de imigração e é essencial para tornar a visão ambiciosa de Schengen um verdadeiro trunfo estratégico. As atividades de avaliação e monitorização de Schengen de 2024 revelaram que, embora os alicerces de Schengen continuem a ser sólidos, subsistem algumas lacunas persistentes em domínios críticos, que exigem medidas de acompanhamento específicas para evitar que essas deficiências comprometam a integridade e a segurança global do espaço Schengen.

4.1.Reforçar a preparação muito além das nossas fronteiras

Schengen beneficia principalmente os cidadãos e residentes europeus, facilitando a liberdade de circulação no espaço Schengen sem controlos nas fronteiras internas. Estes benefícios abrangem igualmente todos os nacionais de países terceiros que residam legalmente no território de um país Schengen.

Em 2024, o número total de viajantes regulares de boa-fé — o que significa que entraram com um visto Schengen ou eram elegíveis para a isenção de visto — excedeu os 500 milhões 22 . Para estadas de curta duração, os nacionais de países terceiros podem aceder ao espaço Schengen através de um sistema de vistos Schengen, a menos que sejam elegíveis para a isenção de visto 23 . Este sistema, juntamente com o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem, a implementar em 2026, assegura procedimentos normalizados de controlo nas fronteiras, de segurança e de entrada para estadas de curta duração em todos os países Schengen, reforçando a coerência e a eficiência na gestão da mobilidade interna e da entrada e saída externas. Constitui a nossa primeira linha de defesa.

O nível de aplicação das regras comuns em matéria de vistos é elevado, conforme apurado nas atividades de avaliação e monitorização de Schengen de 2024. Vários países Schengen resolveram rapidamente deficiências relacionadas com a eficiência do fluxo de trabalho nos consulados que tratam vistos Schengen ou com o seu sistema informático de tratamento de vistos. No entanto, são ainda necessárias algumas melhorias nos países que tratam os maiores volumes de vistos Schengen de curta duração, a fim de gerir eficazmente um elevado número de pedidos.

Os países de todo o mundo reconhecem os benefícios substanciais dos direitos e liberdades associados a Schengen, que são fundamentais para a conectividade e a cooperação a nível mundial. A UE deve continuar a promover normas rigorosas à escala mundial no domínio da gestão das fronteiras, da cooperação em matéria de aplicação da lei e do intercâmbio de informações, com uma forte proteção dos direitos fundamentais.

No futuro, o aprofundamento das relações com os países parceiros da nossa vizinhança e não só deve ser acompanhado de um compromisso inequívoco no sentido de cumprirem as nossas normas rigorosas e valores partilhados. Os países terceiros elegíveis para acesso sem visto ou relações de Schengen privilegiadas devem não só colher os benefícios, mas também respeitar estes compromissos fundamentais. Para tal, é necessário reforçar a monitorização e a responsabilização. A nova estratégia em matéria de vistos da Comissão, que deverá ser adotada no final de 2025, explorará o papel da política de vistos como motor da competitividade e enquanto alavanca para reforçar a segurança interna da UE e melhorar a cooperação com países terceiros, nomeadamente em matéria de readmissão. A estratégia analisará igualmente medidas para favorecer a chegada de estudantes de topo, investigadores e trabalhadores qualificados de países terceiros em apoio da União das Competências 24 .

A promoção de uma maior coesão e integração com os países candidatos da UE constitui uma oportunidade para partilhar experiências e alargar valores e normas fundamentais aos nossos vizinhos. Nos últimos anos, a Frontex reforçou o seu apoio aos países candidatos. A UE negociou acordos relativos ao estatuto com a Albânia, a Bósnia-Herzegovina, a Macedónia do Norte, a Moldávia, o Montenegro e a Sérvia 25 . Em 2024, a presença da Frontex foi alargada à fronteira entre o Montenegro e a Albânia. Estes acordos alargam uma linha de gestão das fronteiras de importância crítica para lá das fronteiras externas da UE, ajudando a fazer face a potenciais riscos antes de chegarem à UE.

Em 2024, os países candidatos tomaram medidas para se alinharem com os requisitos de Schengen, incluindo medidas para salvaguardar normas rigorosas de gestão das fronteiras, alinhar as políticas de vistos, combater a criminalidade organizada, o terrorismo e as ameaças híbridas e forjar a cooperação em matéria de aplicação da lei. O Plano de Ação da UE para os Balcãs Ocidentais 26 realizou progressos concretos em matéria de gestão da migração. No entanto, os progressos continuam a ser desiguais e são necessárias novas medidas em matéria de alinhamento dos vistos e de criação de um quadro nacional de governação Schengen. O Montenegro e a Sérvia tomaram medidas positivas no sentido de estabelecer um plano de ação Schengen. A Comissão está a acompanhar de perto todos os países candidatos à adesão à UE. As autoridades dos países candidatos serão progressivamente integradas nas atividades relacionadas com Schengen, incluindo a sua participação em ações de formação e atividades de monitorização.

O alargamento significa também a preparação para novos desafios geopolíticos em matéria de gestão das fronteiras e ameaças à segurança. A Comissão dará prioridade a este trabalho na sua revisão das políticas, centrando-se na criação de um sistema dinâmico totalmente equipado para fazer face a futuras necessidades e configurações.

Os países parceiros procuram aprofundar os seus laços com os Estados-Membros do espaço Schengen, tendo por objetivo estabelecer uma relação privilegiada em matéria de gestão e segurança das fronteiras, com benefícios tangíveis para os seus cidadãos e contactos interpessoais mais estreitos através de viagens de boa-fé facilitadas e da migração legal. A Frontex está atualmente a negociar acordos de trabalho com quase 20 países terceiros 27 , que poderão abranger a partilha de informações através do EUROSUR e acordos de análise de risco. A fim de reforçar ainda mais a segurança do espaço Schengen, a Europol e os Estados-Membros da UE intensificaram os trabalhos nos últimos anos para melhorar a transmissão e o tratamento de informações provenientes dos principais países terceiros 28 . Esta abordagem assegura que os dados pertinentes, em especial sobre suspeitos de terrorismo, sejam tratados e partilhados de forma eficiente, a fim de ajudar a detetar e prevenir ameaças à segurança nas fronteiras externas da UE.

A Comissão congratula-se com a conclusão bem-sucedida das negociações de acordos entre a UE e, respetivamente, a Islândia e a Noruega sobre a utilização dos dados dos registos de identificação dos passageiros. As regras não fazem formalmente parte do quadro jurídico de Schengen, mas, uma vez em vigor, permitirão a estes países Schengen transferir e tratar este tipo de dados, melhorando assim significativamente a capacidade do espaço Schengen para combater o terrorismo e a criminalidade grave.

O ciclo de Schengen de 2025-2026: uma coordenação mais estreita na ação externa de Schengen

A dimensão mundial de Schengen também desempenha um papel crucial na luta contra as táticas de desestabilização utilizadas em todo o mundo, em especial em situações de rivalidade geopolítica, como as utilizadas pela Rússia. O quadro de Schengen permite à UE agir coletivamente, por exemplo através da adoção de medidas ao abrigo do mecanismo de suspensão de vistos e da congregação de recursos, nomeadamente das agências da UE, para combater ameaças críticas. Ao mesmo tempo, a UE pode comprometer-se a adotar uma abordagem coordenada em relação aos países terceiros, nomeadamente no que se refere aos procedimentos que autorizam a entrada no espaço Schengen 29 .

Em 2024, a Comissão analisou a aplicação das orientações emitidas em 30 de setembro de 2022 sobre a emissão geral de vistos em relação aos requerentes russos. A avaliação demonstra que uma ação conjunta conduziu a uma redução global importante do número de vistos Schengen emitidos a nacionais russos, passando de mais de quatro milhões de vistos emitidos em 2019 para 0,5 milhões em 2023. No entanto, subsistem práticas divergentes entre os países Schengen, o que pode comprometer a segurança da UE. Alguns países ainda emitem um elevado número de vistos turísticos a nacionais russos, comprometendo os esforços coletivos para reforçar a segurança. Por conseguinte, é essencial dar prioridade à execução coerente da ação coordenada em relação a países terceiros em todos os países Schengen, conforme debatido pelo Conselho Schengen em março de 2025.

4.2.Reforço da segurança das pessoas através de uma gestão robusta das fronteiras e de regressos mais eficazes

A gestão europeia integrada das fronteiras de elevada qualidade é uma pedra angular do êxito do espaço Schengen. Em 2024, o espaço Schengen foi, uma vez mais, o destino mais visitado do mundo, com 40 % das viagens internacionais a nível mundial nas suas fronteiras externas. Este volume significativo de passageiros foi gerido de forma eficaz através do trabalho diário de mais de 120 000 membros do pessoal da Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira, embora a elevada carga de trabalho coloque grandes desafios às autoridades.

Ao mesmo tempo, os conflitos geopolíticos e de segurança foram um motor dos fluxos migratórios, dificultando ainda mais a gestão das fronteiras externas de Schengen, incluindo táticas para instrumentalizar a migração para fins políticos. A intensificação dos esforços da UE, por exemplo através do reforço das parcerias com países terceiros, resultou numa redução significativa das passagens não autorizadas das fronteiras. Em 2024, registaram-se cerca de 240 000 deteções, o nível mais baixo desde 2021 30 .

Passagens não autorizadas das fronteiras para a UE (Frontex)

Além da questão de um elevado fluxo de passageiros, incluindo os que tentam contornar as condições de entrada, as fronteiras externas da UE estão expostas a ameaças à segurança crescentes e mais complexas. A violência em curso no Sael está a originar deslocações forçadas e a criar um terreno fértil para que os grupos terroristas reforcem as suas redes, com mercenários russos potencialmente a exacerbarem a espiral de violência e a facilitarem os esforços de recrutamento dos jiadistas 31 . Do mesmo modo, as crises regionais fora da UE criam um efeito dominó, dando nova motivação aos terroristas de todo o espetro ideológico para recrutarem, mobilizarem ou reforçarem as suas capacidades 32 . Embora estas ameaças pareçam ser de natureza mais local ou regional, continuam a exigir uma vigilância estreita nas fronteiras externas, a fim de impedir o regresso à UE de combatentes terroristas estrangeiros e atenuar o risco de terrorismo. As fronteiras externas também continuam a ser vulneráveis ao contrabando de mercadorias ilícitas, como drogas e armas de fogo, que podem alimentar a criminalidade organizada.

A gestão das fronteiras externas da UE é uma responsabilidade partilhada entre os países Schengen e a UE. Em conformidade com o seu mandato, a Frontex continua a prestar um apoio fundamental à gestão das fronteiras, com mais de 2 600 agentes do corpo permanente e meios técnicos destacados nos Estados Schengen e em países terceiros. Em 2024, a Frontex começou a implantar o seu novo conceito operacional e estrutura de comando, o que assegurará que os destacamentos possam responder de forma mais rápida e flexível à situação operacional. Com base nos progressos substanciais realizados nos últimos anos e para satisfazer as necessidades contínuas, a Comissão trabalhará no sentido de reforçar a Agência, nomeadamente fornecendo-lhe tecnologias de ponta para a vigilância e o conhecimento da situação. Neste contexto, é fundamental que os países Schengen continuem a contribuir atempadamente para a Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira, em especial em termos de pessoal e de ativos. Além disso, a fim de reforçar a segurança das fronteiras e a cooperação da UE face à evolução das ameaças, a Comissão proporá no próximo ano o reforço da Frontex.

Além de assegurar que a Frontex disponha dos recursos de que necessita para apoiar operações conjuntas no terreno, é fundamental que os países Schengen intensifiquem os seus esforços, uma vez que subsistem lacunas significativas na aplicação das práticas de gestão das fronteiras.

Os controlos nas fronteiras são particularmente afetados por estas lacunas de aplicação. As avaliações Schengen mostram que quase metade de todos os países Schengen enfrenta deficiências relacionadas com os recursos humanos, a formação, a aplicação dos procedimentos de controlo das fronteiras e os problemas técnicos que afetam a funcionalidade do equipamento informático, em especial quando utilizam o Sistema de Informação Schengen. A persistência destas deficiências representa um défice de segurança para o espaço Schengen, pelo que a Comissão trabalhará com os países Schengen para analisar as razões da falta de progressos. A Comissão apresentará ao Conselho Schengen, durante o ciclo de Schengen de 2025-2026, um relatório sobre os progressos realizados nesta matéria.

Em termos de vigilância das fronteiras, alguns países Schengen expostos a ameaças acrescidas à segurança devido ao elevado risco de tráfico de droga proveniente de países terceiros e ao aumento da migração apresentam lacunas graves. Estas vulnerabilidades afetam principalmente a vigilância das fronteiras marítimas. Ao longo do último ano, a UE atribuiu fundos adicionais no montante de 378 milhões de EUR, ao abrigo do Instrumento de Apoio Financeiro à Gestão das Fronteiras e à Política de Vistos, para apoiar os países Schengen no reforço das suas infraestruturas e capacidades de vigilância das fronteiras. A Comissão insta os países Schengen a acelerarem as ações destinadas a assegurar que os fundos sejam canalizados para as zonas com necessidades mais prementes e a otimizarem a utilização das tecnologias disponíveis.

Uma gestão mais eficaz das fronteiras externas deve ser acompanhada de medidas eficazes para repatriar as pessoas sem direito de permanência legal nos Estados-Membros. Os viajantes que entram para estadas de curta ou longa duração devem cumprir todos os requisitos de segurança e cumprir diligentemente o requisito de saída do espaço Schengen dentro do prazo estabelecido. Caso contrário, o espaço Schengen dispõe de um conjunto de regras mínimas comuns que regem o regresso de pessoas sem direito de permanência, incluindo as pessoas que contornam os procedimentos legais de entrada. Uma vez operacional, o Sistema de Entrada/Saída reforçará a execução, melhorando a deteção das pessoas com vistos caducados, uma vez que representam uma parte significativa dos viajantes sem direito de permanência e que devem regressar.

Em 2024, o número de regressos efetivos aumentou quase 12 % em comparação com 2023, atingindo quase 123 400 regressos, contribuindo muito para isso o aumento significativo do apoio da Frontex. Nesse ano, a Frontex ajudou os países Schengen a repatriar mais de 56 000 pessoas, o que representa um aumento de 43 % em relação ao ano anterior. Os regressos voluntários também continuaram a aumentar, passando de 54 % em 2023 para 64 % dos regressos em 2024.

Apesar desta tendência positiva, a eficácia dos sistemas nacionais de regresso continua a representar um desafio significativo em todo o espaço Schengen, uma vez que apenas uma em cada cinco pessoas obrigadas a regressar é efetivamente repatriada. Pelo menos metade de todos os países Schengen continua a deparar-se com graves dificuldades na concretização dos regressos, dificuldades que são particularmente pronunciadas nos países com maior número de processos de regresso.

A utilização de indicações comuns no Sistema de Informação Schengen para os nacionais de países terceiros obrigados a sair do espaço Schengen contribuiu para regressos mais eficazes, com melhorias notáveis na coordenação e na partilha de informações. No entanto, o sistema continua a ser subutilizado como instrumento conjunto para identificar pessoas e apoiar os esforços de regresso, uma vez que, em vários países Schengen, o número de indicações para efeitos de regresso criadas é 60 % inferior ao número de decisões de regresso emitidas. Tal significa que pode haver repatriados que tenham fugido, mas não existem informações no sistema para assegurar o seu regresso. Além disso, em 2024, alguns países Schengen não incluíram as impressões digitais em nenhuma indicação para efeitos de regresso e muitos não incluíram documentos de identidade e fotografias, mesmo quando disponíveis. Esta situação exige uma ação urgente a nível nacional.

Para enfrentar os desafios específicos dos nacionais de países terceiros que representam uma ameaça à segurança, o coordenador da UE responsável pelos regressos forneceu orientações sobre a utilização das indicações para efeitos de regresso do Sistema de Informação Schengen e do «sinalizador de segurança», com base nas práticas dos Estados-Membros.

Avaliação temática de 2024 para assegurar regressos mais eficazes

A fim de apoiar o sistema europeu de regresso, a Comissão realizou uma avaliação temática de Schengen sobre a eficácia do sistema de regresso. Identificou progressos no desenvolvimento dos sistemas nacionais de regresso, mas também revelou que a situação é complexa, com quadros jurídicos e procedimentos nacionais que variam entre os países Schengen, reduzindo a eficácia global da UE.

A avaliação identificou três problemas principais. Em primeiro lugar, a falta de uma análise de risco para antecipar as flutuações do volume de processos de regresso impede as autoridades nacionais de tomarem medidas de preparação, incluindo o planeamento integrado dos recursos, em especial para o planeamento de contingência. Em segundo lugar, os países Schengen enfrentam desafios para assegurar um processo de regresso harmonioso devido a ineficiências em fases fundamentais, nomeadamente o sistema de recursos, a identificação efetiva prévia ao regresso e um controlo suficiente do cumprimento da obrigação de regresso. Em terceiro lugar, é necessário reforçar a aplicação operacional das indicações para efeitos de regresso no âmbito do Sistema de Informação Schengen por todas as autoridades nacionais, a fim de alcançar uma tomada de decisões mais eficaz nos procedimentos de regresso.

Para fazer face a estes desafios, os países Schengen podem recorrer a uma vasta gama de boas práticas identificadas. Por exemplo, alguns países (Noruega, Países Baixos) criaram ciclos de planeamento e controlo integrados para todas as autoridades envolvidas no processo de regresso, permitindo uma coordenação regular e assegurando uma otimização da afetação de recursos. Além disso, a utilização de ferramentas informáticas de gestão de processos que permitem o intercâmbio de informações em tempo real entre diferentes autoridades revelou-se benéfica (Áustria, Estónia, Noruega, Países Baixos). Igualmente importantes são as práticas que dão prioridade ao aconselhamento em matéria de regresso como um passo fundamental em cada procedimento de regresso, adaptado às necessidades específicas dos repatriados (Áustria, Bulgária, Noruega, Países Baixos), o que pode melhorar significativamente a eficácia global dos regressos.

O statu quo já não é uma opção. Por conseguinte, a Comissão propôs um novo quadro jurídico em matéria de regresso 33 e insta os colegisladores a realizarem rápidos progressos nas negociações. Chegou o momento de ir além de soluções fragmentadas e de realizar progressos no reconhecimento e na aplicação das decisões uns dos outros, a par da congregação dos recursos nacionais e europeus necessários de uma forma que beneficie todos, reconhecendo os pontos fortes de cada um que contribuem para o interesse geral europeu. Na pendência de um acordo e da aplicação do novo quadro legislativo em matéria de regressos, a Comissão insta os países Schengen a aplicarem sem demora as recomendações formuladas na avaliação temática, a fim de otimizar a utilização dos quadros existentes e produzir resultados melhores e mais rápidos.

4.3.Um elevado nível de ação coordenada no espaço Schengen

Um elevado nível de conhecimento da situação, em especial nas fronteiras externas, é uma condição prévia fundamental para a preparação num panorama de segurança em evolução. O quadro da UE já oferece instrumentos sólidos para o conhecimento da situação e a análise de risco, como o EUROSUR, concebido para melhorar a gestão das fronteiras externas através da integração de informações a nível nacional e da UE, incluindo imagens de satélite, sistemas de informação e aplicações de comunicação de informações, a fim de aumentar o conhecimento nas fronteiras da UE. No entanto, cerca de 50 % dos países Schengen continuam a deparar-se com deficiências importantes, muitas vezes relacionadas com a falta de pessoal qualificado e com uma cooperação interagências insuficiente, o que reduz o potencial destes instrumentos. Para colmatar as lacunas identificadas e fornecer aos países Schengen e à Frontex orientações práticas sobre a aplicação e a gestão do EUROSUR, a Comissão adotou, em janeiro de 2025, uma recomendação que estabelece o Manual do EUROSUR 34 .

No ciclo de Schengen de 2025-2026, é necessário tirar partido dos esforços existentes e antecipar as ameaças emergentes, mantendo uma compreensão clara da evolução no terreno. Para tal, é necessário maximizar a utilização dos instrumentos disponíveis, como o EUROSUR, e aplicar uma abordagem analítica mais sólida e integrada, com a participação ativa das agências da UE.

O intercâmbio de informações rápido e eficaz entre as autoridades responsáveis pela aplicação da lei continua a ser um dos instrumentos mais poderosos para prevenir e combater a criminalidade. Até ao final de 2024, todos os países Schengen deviam transpor as novas regras da diretiva relativa ao intercâmbio de informações 35 para os seus sistemas nacionais, a fim de assegurar uma comunicação sem descontinuidades e coordenada. Onze países Schengen ainda não notificaram a transposição desta diretiva 36 e sete apenas notificaram a transposição parcial. Vários países ainda não criaram um ponto único de contacto operacional ligado a um sistema interoperável de gestão de processos. Estes atrasos colocam todos em risco. É urgente que todos os países concluam a aplicação jurídica e técnica, para que as autoridades responsáveis pela aplicação da lei possam proceder rapidamente ao intercâmbio de informações.

As funcionalidades melhoradas dos sistemas informáticos de grande escala, em especial do Sistema de Informação Schengen, ainda não alcançaram todo o seu potencial para reforçar a segurança. Além disso, muitos países Schengen continuam a enfrentar desafios na implementação de funcionalidades críticas nas fronteiras externas, como as pesquisas de impressões digitais aquando da utilização do Sistema de Informação sobre Vistos. Estas dificuldades, em grande parte devidas à falta de recursos suficientes, significam uma subutilização considerável destes instrumentos e a persistência de lacunas críticas em matéria de segurança. Sem investimentos específicos e um compromisso firme de operacionalizar plenamente os sistemas de informação Schengen e sobre vistos, o seu potencial para funcionar como um pilar sólido e fiável da segurança continua por explorar.

A par de tornar o intercâmbio contínuo de informações uma realidade e complementar as nossas medidas relativas às fronteiras externas, é necessária uma cooperação operacional transfronteiriça em matéria de aplicação da lei estruturada e eficaz.

Os debates realizados pelo coordenador Schengen no ciclo de Schengen de 2023-2024, bem como as recentes visitas de avaliação de Schengen a alguns países Schengen (Chéquia, Croácia, Eslováquia e Hungria), salientaram que a cooperação transfronteiriça, em especial nas zonas regionais e fronteiriças, melhorou significativamente ao longo do último ano. Em 2024, foram renovados vários acordos bilaterais e multilaterais para ajudar as autoridades a traduzir estes objetivos de cooperação em ações no terreno, incluindo disposições sobre o exercício das competências policiais e de outras competências públicas nas regiões fronteiriças, tal como previsto no Código das Fronteiras Schengen revisto.

Ao longo do último ano, verificou-se também uma ênfase crescente na aplicação de instrumentos mais estratégicos que adotem uma «abordagem de acompanhamento ao longo de toda a rota», indo além da resposta aos riscos imediatos que se materializam nas regiões fronteiriças internas para fazer face às ameaças nas fronteiras externas. Em 2024, a iniciativa regional Schengen entre a Áustria, a Bulgária, a Eslováquia, a Grécia, a Hungria e a Roménia foi reforçada, passando agora a incluir medidas na fronteira entre a Bulgária e a Turquia para prevenir mais eficazmente as ameaças antes de estas chegarem ao espaço Schengen. Do mesmo modo, a Croácia, a Eslovénia e a Itália deverão implementar patrulhas conjuntas ao longo da sua fronteira com a Bósnia-Herzegovina, reforçando a cooperação regional.

Estes desenvolvimentos positivos confirmam o potencial da Recomendação (UE) 2022/915 do Conselho, de 9 de junho de 2022, sobre a cooperação operacional em matéria de aplicação da lei 37 e das recomendações da Comissão, de 23 de novembro de 2023, sobre medidas alternativas aos controlos nas fronteiras internas 38 . Os países Schengen desenvolveram em conjunto inúmeras novas práticas, incluindo esquadras de polícia conjuntas e análises de risco conjuntas transfronteiriças regulares, a fim de adaptar melhor as operações conjuntas. Além disso, vários países estão a pôr em prática o procedimento de transferência introduzido pelo Código das Fronteiras Schengen 39 revisto, que visa facilitar a transferência direta de migrantes em situação irregular nas fronteiras internas, estando em curso disposições para assegurar a sua aplicação prática. A Comissão insta os países Schengen a trabalharem em estreita colaboração com os seus vizinhos, sobretudo nos casos em que os controlos tenham sido reintroduzidos ao longo das fronteiras internas, a desenvolverem novas iniciativas de cooperação e a permitirem aos viajantes atravessar as fronteiras internas sem descontinuidades.

Ao mesmo tempo, existe ainda um potencial inexplorado para a cooperação operacional em matéria de aplicação da lei, uma vez que as abordagens nacionais variam significativamente e nem sempre são consideradas e aplicadas de forma estratégica. Embora tenham sido desenvolvidas novas iniciativas e práticas, estas não são reproduzidas uniformemente em todo o espaço Schengen e, em muitos casos, não são consideradas como parte do conjunto mais vasto de instrumentos de segurança Schengen. Existe um interesse comum em intensificar os esforços nacionais e tirar pleno partido dos benefícios de uma cooperação mais estreita. Tal contribuirá igualmente para fazer face às perturbações nas fronteiras internas e assegurar o correto funcionamento das passagens de fronteira ao longo da rede transeuropeia de transportes (RTE-T).

As avaliações Schengen de 2024 confirmaram que muitos países Schengen ainda não dispõem do quadro jurídico para aplicar uma cooperação transfronteiriça eficaz, uma vez que vários acordos continuam desatualizados. Existem também obstáculos operacionais em alguns países, nomeadamente limitações à realização de um controlo móvel suficiente ou limitações legais para que a polícia receba dados de passageiros dos operadores de ferries. Os referidos obstáculos resultaram, em alguns casos, na reintrodução do controlo nas fronteiras internas, quando, em muitos casos, os mesmos resultados poderiam ser alcançados, muitas vezes de forma mais eficaz e eficiente, utilizando as competências policiais nacionais.

São particularmente urgentes medidas corretivas para os países Schengen que notificaram a reintrodução dos controlos nas fronteiras internas, uma vez que constituem uma derrogação aos princípios subjacentes à cooperação Schengen. Em abril de 2025, dez países Schengen reintroduziram ou alargaram os controlos nas fronteiras internas.

Em 10 de julho de 2024, entrou em vigor o Código das Fronteiras Schengen revisto, que contém um quadro atualizado para a reintrodução dos controlos nas fronteiras internas, com prazos mais claros e obrigações mais rigorosas de monitorização e comunicação de informações para os países Schengen e a Comissão. A entrada em vigor do Código das Fronteiras Schengen revisto é considerada o início do novo quadro jurídico, o que significa que os prazos e as obrigações ao abrigo do novo código serão calculados a partir do momento da primeira notificação desde a sua entrada em vigor. A Comissão adotou modelos para as notificações e os relatórios a apresentar pelos Estados-Membros aquando da reintrodução do controlo nas fronteiras internas.

A Comissão está a acompanhar de perto as ações dos países Schengen, encetando um diálogo estruturado com todos os Estados-Membros em causa, a fim de identificar eventuais lacunas ou incoerências na aplicação das novas regras, incluindo as práticas de transferência nas fronteiras internas. As avaliações em curso têm por objetivo assegurar que qualquer medida aplicada seja proporcionada e necessária; e, em segundo lugar, garantir que as notificações para a reintrodução dos controlos nas fronteiras internas se limitem estritamente a casos genuínos e justificados, nomeadamente nas situações em que as medidas em causa se limitam a reforçar os esforços de cooperação policial.

A Comissão congratula-se com o aumento da cooperação operacional, inclusive a nível regional, e promove novas iniciativas, como o exercício de competências policiais nas zonas fronteiriças, que são instrumentos poderosos para dar resposta às preocupações legítimas dos Estados-Membros em matéria de migração e segurança. A Comissão continua empenhada em defender os princípios da livre circulação e da segurança em todo o espaço Schengen e dará o seguimento necessário no próximo ciclo de Schengen, nomeadamente através da emissão de pareceres, conforme estabelecido no Código das Fronteiras Schengen revisto.

5.Prioridades no ciclo de Schengen de 2025-2026

Os benefícios que o espaço Schengen trouxe às pessoas na UE dificilmente poderiam ter sido imaginados quando os cinco Estados-Membros fundadores assinaram o Acordo de Schengen há 40 anos. Ao longo do tempo, Schengen evoluiu para um sistema sólido e abrangente, gerindo eficazmente as fronteiras externas, a segurança e a migração de forma coordenada, no pleno respeito dos valores europeus e dos direitos fundamentais.

Para manter e tirar partido destas realizações, o espaço Schengen exige uma atenção e um empenho contínuos. Quarenta anos após a criação de Schengen, é essencial reconhecer que o panorama geopolítico e de segurança mudou e tomar as medidas necessárias para assegurar que os alicerces de Schengen sejam suficientemente resilientes para enfrentar os desafios futuros. Com o processo de alargamento da UE em curso, esta é uma prioridade para a Comissão.

No ciclo de Schengen de 2025-2026, é necessário reforçar a ação em três domínios principais. Em primeiro lugar, é essencial consolidar o quadro de governação para reforçar a coordenação das políticas. Tal proporciona oportunidades significativas para adotar uma abordagem mais estruturada, dando prioridade a uma execução eficaz, à responsabilidade partilhada e a uma responsabilização clara a todos os níveis.

Prioridade 1: consolidar o quadro de governação com base nos progressos realizados ao longo do último ano e tendo em vista a aplicação de uma abordagem mais estruturada, centrada na execução, na responsabilidade partilhada e na responsabilização. Embora o acompanhamento técnico continue a ser importante, não é suficiente, pelo que é necessário reforçar a governação política para apresentar progressos tangíveis.

-A nível da UE, tal exige o estabelecimento de um quadro estruturado para dar seguimento às prioridades, incluindo uma maior supervisão política. A Comissão trabalhará em estreita colaboração com as presidências do Conselho e os países Schengen neste domínio.

-A nível nacional, os países Schengen devem continuar a desenvolver sistemas de governação nacionais eficazes, com uma maior coordenação interna de todas as questões relacionadas com Schengen. Os países candidatos à adesão à UE devem também desenvolver esses sistemas de governação nacionais antes da adesão, a fim de se prepararem para a adesão ao espaço Schengen.

Em segundo lugar, é necessária uma abordagem estruturada e coerente da segurança, que exija uma cooperação policial mais estreita. Dadas as persistentes limitações jurídicas e operacionais, será necessário envidar mais esforços a nível europeu e nacional para intensificar a cooperação entre as autoridades responsáveis pela aplicação da lei. Uma abordagem global que abranja toda a gama de ameaças à segurança deve tornar-se um pilar central do sistema de Schengen.

Prioridade 2: abordagem estruturada e coerente da cooperação policial para explorar o potencial da Recomendação do Conselho sobre a cooperação operacional em matéria de aplicação da lei e do Código das Fronteiras Schengen, e avançar para iniciativas de cooperação regional que apliquem a abordagem de acompanhamento ao longo de toda a rota.

-A nível da UE, é necessário dar seguimento à principal conclusão da avaliação da Comissão sobre as recomendações relacionadas com a cooperação policial, que afirma que «a persistência de desafios jurídicos, técnicos e operacionais põe em evidência os limites das atuais recomendações não vinculativas». Será lançado um debate estratégico a nível da UE para desenvolver uma visão partilhada.

-A nível nacional, os países Schengen têm de reavaliar as iniciativas de cooperação existentes à luz da dimensão mais ampla das ameaças, que vão além dos vizinhos imediatos e exigem uma resposta coordenada aos desafios ao longo de toda a rota. Para tal, é necessário utilizar todos os instrumentos de cooperação transfronteiriça, incluindo nas regiões fronteiriças internas, em conformidade com o Código das Fronteiras Schengen revisto. O coordenador Schengen continuará a apoiar o trabalho de cooperação operacional em matéria de aplicação da lei, nomeadamente através do reforço de uma cooperação mais estreita com as autoridades responsáveis pela aplicação da lei dos países candidatos à adesão à UE.

Em terceiro lugar, devem ser acelerados os esforços para cumprir as promessas de digitalização com marcos fundamentais a alcançar nos próximos meses, a fim de assegurar que o Sistema de Entrada/Saída e o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem estão bem encaminhados para cumprir o novo calendário. É essencial evitar novos atrasos, uma vez que tal implicaria custos significativos, incluindo vulnerabilidades prolongadas em matéria de segurança, ineficiências na gestão das fronteiras e oportunidades perdidas para racionalizar os procedimentos de migração.

Prioridade 3: acelerar a digitalização dos procedimentos e sistemas para aumentar a segurança e a eficiência nas fronteiras externas da UE e no espaço sem controlos nas fronteiras internas.

-A nível da UE, tal exige um acompanhamento político rigoroso do cumprimento dos marcos e do calendário revisto. Ao mesmo tempo, devem prosseguir os debates estratégicos sobre o quadro mais vasto para a digitalização, a fim de colmatar as lacunas em matéria de segurança e eficiência, nomeadamente em matéria de segurança dos documentos, gestão da migração e regresso.

-A nível nacional, os países Schengen devem utilizar melhor os instrumentos existentes, em especial os sistemas de informação Schengen e sobre vistos. Os países Schengen devem dispor de equipamento, processos e sistemas que permitam a implantação atempada e eficaz do quadro de interoperabilidade, em especial o Sistema de Entrada/Saída, o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem, o Eurodac e o Sistema de Informação sobre Vistos.

A Comissão convida o Conselho Schengen a aprovar estas prioridades na sua próxima reunião, em junho de 2025. As prioridades e considerações apresentadas para este novo ciclo de Schengen devem igualmente constituir a base para um diálogo político reforçado, tanto a nível nacional como europeu, nomeadamente no Parlamento Europeu e no Conselho.

(1)      Reunião do Conselho Europeu em Fontainebleau – Conclusões da Presidência, junho de 1984, 1984_June_-_fontainebleau__eng_.pdf .
(2)      «Much more than a market – Speed, Security, Solidarity. Empowering the Single Market to deliver a sustainable future and prosperity for all EU Citizens», Enrico Letta, abril de 2024. Enrico Letta - «Much more than a market» (abril de 2024) .
(3)      COM(2024) 173 final.
(4)      Decisão de Execução da Comissão, de 17 de dezembro de 2020, que estabelece o relatório da avaliação temática 2019-2020 das estratégias nacionais para a gestão integrada das fronteiras dos Estados‑Membros. C(2020) 8000 final.
(5)      O Protocolo n.º 19 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia relativo ao acervo de Schengen integrado no âmbito da União Europeia é aplicável a 30 países. Os controlos nas fronteiras internas foram suprimidos entre 29 países participantes.
(6)      Decisão (UE) 2024/3212 do Conselho, de 12 de dezembro de 2024, que estabelece a data para a supressão dos controlos de pessoas nas fronteiras internas terrestres com a República da Bulgária e a Roménia e entre estes dois países (JO L, 2024/3212, 23.12.2024).
(7)      Decisão (UE) 2024/210 do Conselho, de 30 de dezembro de 2023, relativa à plena aplicação das disposições do acervo de Schengen na República da Bulgária e na Roménia (JO L, 2024/210, 4.1.2024).
(8)      O custo da não adesão ao espaço Schengen para o mercado único e impacto na Bulgária e na Roménia, relatório de iniciativa, Comité Económico e Social Europeu, INT 1046, 4 de dezembro de 2024.
(9)      Documentos do Conselho: 5535/21, 10403/22, 12636/21, 12638/21, 12639/21, 11237/24.
(10)      Artigos 4.º e 5.º do Protocolo n.º 19 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia relativo ao acervo de Schengen integrado no âmbito da União Europeia.
(11)    Decisão 2002/192/CE do Conselho, de 28 de fevereiro de 2002, sobre o pedido da Irlanda para participar em algumas das disposições do acervo de Schengen.
(12)      Nos termos do artigo 2.º da Decisão de Execução (UE) 2020/1745 do Conselho, foram realizadas visitas de avaliação relacionadas com a cooperação policial e o Sistema de Informação Schengen em 2021, no âmbito da primeira avaliação Schengen da Irlanda. A fim de avaliar os progressos realizados pela Irlanda, foi efetuada uma visita de verificação entre 25 e 29 de novembro de 2024, em conformidade com o artigo 21.º, n.º 3, do Regulamento (UE) 2022/922. Embora se tenham registado progressos, a Irlanda ainda tem de tomar outras medidas para aplicar as medidas corretivas pendentes. A Comissão continuará a acompanhar a aplicação do plano de ação.
(13)      Que abrange a avaliação, pela equipa de avaliação, da aplicação pela Irlanda dos requisitos respeitantes à cooperação judiciária em matéria penal e de cooperação em matéria de droga e do artigo 26.º da Convenção de Schengen.
(14)      Decisão 2002/192/CE do Conselho, de 28 de fevereiro de 2002, sobre o pedido da Irlanda para participar em algumas das disposições do acervo de Schengen.
(15)      Comunicação da Comissão de 2024 sobre a política de alargamento da UE, de 30 de outubro de 2024. COM(2024) 690 final.
(16)      Regulamento (UE) 2025/12 e Regulamento (UE) 2025/13.
(17)      De acordo com o calendário revisto, a implantação do Sistema de Entrada/Saída será progressiva, com início em outubro de 2025. O Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem será lançado no último trimestre de 2026.
(18)      Proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece uma aplicação para a apresentação eletrónica dos dados de viagem («aplicação digital da UE para viagens») e altera os Regulamentos (UE) 2016/399 e (UE) 2018/1726 do Parlamento Europeu e do Conselho e o Regulamento (CE) n.º 2252/2004 do Conselho, no que diz respeito à utilização de credenciais de viagem digitais [COM(2024) 670 final]; proposta de regulamento do Conselho relativo à emissão e às normas técnicas das credenciais de viagem digitais baseadas nos bilhetes de identidade [COM(2024) 671 final].
(19)      Documento de trabalho dos serviços da Comissão, avaliação da colocação em prática, por parte dos Estados-Membros, da Recomendação (UE) 2022/915 do Conselho, de 9 de junho de 2022, sobre a cooperação operacional em matéria de aplicação da lei. SWD(2025) 36 final de 31 de janeiro de 2025.
(20)      COM(2025) 148 final.
(21)      Proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho relativo ao reforço da cooperação policial em matéria de prevenção, deteção e investigação da introdução clandestina de migrantes e do tráfico de seres humanos, bem como ao reforço do apoio da Europol na prevenção e combate a esses crimes, e que altera o Regulamento (UE) 2016/794 [COM(2023) 754 final]; proposta de diretiva do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece regras mínimas para prevenir e combater o auxílio à entrada, ao trânsito e à permanência irregulares na União e que substitui a Diretiva 2002/90/CE do Conselho e a Decisão-Quadro 2002/946/JAI do Conselho [COM(2023) 755 final].
(22)      Barómetro Schengen+ de março de 2025.
(23)      Na sequência de uma avaliação caso a caso para determinar se os países terceiros cumprem as rigorosas normas de Schengen, a UE dispõe atualmente de um regime de isenção de vistos em vigor com 61 países terceiros, duas regiões administrativas especiais da China (Hong Kong e Macau) e uma autoridade territorial que não é reconhecida como Estado por, pelo menos, um Estado-Membro da UE (Taiwan). No âmbito desse regime, os cidadãos de países terceiros titulares de um passaporte eletrónico podem entrar no espaço Schengen para estadas de curta duração sem necessitarem de um visto. Aplica-se o princípio da reciprocidade de vistos, o que possibilita que os cidadãos da UE viajem para esses países terceiros.
(24)      Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões intitulada «A União das Competências». COM(2025) 90 final de 5 de março de 2025.
(25)      Embora o acordo relativo ao estatuto com a Bósnia-Herzegovina esteja a ser finalizado, os acordos com a Albânia, a Macedónia do Norte, a Moldávia, o Montenegro e a Sérvia foram assinados e estão em curso operações conjuntas.
(26)       Plano de Ação da UE para os Balcãs Ocidentais – Comissão Europeia .
(27)      Albânia, Arménia, Bósnia-Herzegovina, Cabo Verde, Canadá, EUA, Gâmbia, Jordânia, Kosovo, Líbano, Macedónia do Norte, Marrocos, Mauritânia, Moldávia, Montenegro, Níger, Nigéria, Senegal, Sérvia e Ucrânia.
(28)      Por exemplo, em março de 2025, a UE e o Brasil assinaram um acordo que reforça a parceria entre a Europol e as autoridades policiais brasileiras, permitindo o intercâmbio de informações operacionais.
(29)      Comunicação da Comissão 1. Que atualiza as orientações quanto à emissão de vistos em geral a cidadãos russos na sequência da Decisão (UE) 2022/1500 do Conselho, de 9 de setembro de 2022, relativa à suspensão total da aplicação do Acordo entre a Comunidade Europeia e a Federação da Rússia sobre a facilitação da emissão de vistos aos cidadãos da União Europeia e da Federação da Rússia; e 2. Que formula orientações para o controlo dos cidadãos russos nas fronteiras externas [C(2022) 7111 final].
(30)      Dados da Frontex (14 de janeiro de 2025). «Irregular border crossings into EU drop sharply in 2024» (não traduzido para português).
(31)      Análise estratégica de risco da Frontex de 2024. Strategic_Risk_Analysis_2024_Report.pdf .
(32)      COM(2025) 148 final.
(33)      COM(2025) 101 final.
(34)      Recomendação da Comissão, de 17 de janeiro de 2025, que estabelece o manual prático para a aplicação e gestão do EUROSUR («Manual do EUROSUR»), C(2025) 117 final.
(35)      Diretiva (UE) 2023/977 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 10 de maio de 2023, relativa ao intercâmbio de informações entre as autoridades de aplicação da lei dos Estados-Membros e que revoga a Decisão-Quadro 2006/960/JAI do Conselho. JO L 134 de 22.5.2023, p. 1.
(36)      Em 31 de janeiro de 2025, a Comissão deu início a procedimentos de infração através do envio de uma notificação para cumprir a 18 Estados-Membros (Bélgica, Bulgária, Chéquia, Dinamarca, Alemanha, Estónia, Grécia, Espanha, França, Croácia, Chipre, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, Portugal, Roménia e Eslovénia).
(37)      JO L 158 de 13.6.2022, p. 53.
(38)      Recomendação da Comissão, de 23 de novembro de 2023, relativa à cooperação entre os Estados-Membros em matéria de ameaças graves à segurança interna e à ordem pública no espaço sem controlos nas fronteiras internas. JO L, 2024/268, 17.1.2024.
(39)      Regulamento (UE) 2024/1717 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de junho de 2024, que altera o Regulamento (UE) 2016/399 que estabelece o código da União relativo ao regime de passagem de pessoas nas fronteiras (JO L, 2024/1717, 20.6.2024).

Bruxelas, 23.4.2025

COM(2025) 185 final

ANEXO

da

Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões

Relatório sobre o estado de Schengen de 2025


ANEXO 1

Aplicação do sistema de Schengen: uma panorâmica horizontal e específica por país das atividades de avaliação e monitorização de Schengen, incluindo a situação nas fronteiras internas

Schengen é o maior espaço de liberdade, de segurança e de justiça sem fronteiras internas do mundo. Beneficia mais de 450 milhões de cidadãos da UE, juntamente com nacionais de países terceiros que vivem na UE ou visitam a UE como turistas, estudantes ou por motivos profissionais. Nas últimas quatro décadas, Schengen proporcionou esta liberdade e segurança graças a um quadro sólido que está subjacente às suas operações quotidianas. O sistema de Schengen estabelece regras de entrada harmonizadas e de elevado nível, assegura uma gestão rigorosa e eficaz das fronteiras externas e promove uma cooperação eficaz em matéria de aplicação da lei e de imigração. O sistema não funciona isoladamente; baseia-se num quadro de governação que dá prioridade à aplicação efetiva das regras de Schengen e a respostas coordenadas.

Neste contexto, o mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen desempenha um papel fundamental na promoção das condições para o bom funcionamento do espaço sem controlos nas fronteiras internas. Através deste mecanismo de avaliação pelos pares, equipas de peritos nacionais, coordenadas pela Comissão e apoiadas por observadores de agências e organismos da UE, realizam avaliações de cada país Schengen para identificar deficiências e assegurar a sua rápida resolução, evitando assim quaisquer efeitos colaterais que possam comprometer a integridade e a estabilidade de Schengen. O mecanismo é também o instrumento utilizado para avaliar o grau de preparação dos novos países para aplicarem todas as regras de Schengen, com o objetivo último de abolir os controlos nas fronteiras internas no âmbito do processo de adesão a Schengen.

Em 2024, a Comissão e os países Schengen, com o forte apoio das agências e organismos da UE, registaram progressos constantes na terceira geração de avaliações Schengen. A aplicação do novo regulamento relativo à avaliação Schengen implicou uma importante simplificação e redução dos encargos administrativos (os novos relatórios de Schengen por país resultaram em seis vezes menos relatórios, conduzindo a menos recomendações), com uma maior incidência estratégica e racionalização, bem como uma maior transparência sobre os resultados. Tal foi igualmente apoiado pelo reforço da participação dos coordenadores nacionais. Além disso, foi desenvolvida uma estratégia de formação abrangente para criar um quadro único de formação no domínio das avaliações Schengen. A Comissão continuará a consolidar esta nova abordagem com relatórios mais curtos e menos recomendações, centrando-se simultaneamente numa maior execução das reformas estruturais mais importantes.

Em 2024, foram realizadas avaliações Schengen na Croácia, na Polónia, na Hungria, na Eslováquia e na Chéquia, dando especial atenção à situação nas fronteiras orientais da UE. Estas avaliações salientaram os desafios decorrentes do atual ambiente geopolítico, designadamente as ameaças híbridas da Rússia, que têm implicações significativas para a segurança interna de Schengen. De um modo geral, as avaliações revelaram que estes países participam efetivamente na arquitetura de Schengen e aplicam as regras estabelecidas. No entanto, à luz da evolução dos desafios em matéria de segurança, é necessário um maior grau de preparação. Embora a garantia do pleno respeito dos direitos fundamentais na fronteira constitua um desafio comum, a avaliação da Hungria revelou deficiências graves no respeito dos direitos fundamentais durante os procedimentos de fronteira e de regresso. Foram igualmente realizadas avaliações nos consulados da Dinamarca, da Noruega e da Suécia, relacionadas com as suas avaliações Schengen de 2022 sobre a política de vistos, ajudando a encerrar finalmente as avaliações pendentes que tinham sido adiadas devido à pandemia de COVID-19. Além disso, realizou-se uma visita sem pré-aviso a Mumbai, na Índia, sobre a aplicação da política comum de vistos pelos consulados da Alemanha, Espanha e Polónia.

No âmbito das atividades de avaliação, foi também dada especial atenção à situação nas fronteiras internas. Embora nenhum dos países Schengen avaliados tenha reintroduzido controlos nas suas fronteiras internas durante as visitas de avaliação, esses controlos afetaram alguns dos países avaliados (ou seja, a Croácia, a Polónia, a Hungria, a Eslováquia e a Chéquia) devido à reintrodução desses controlos pelos países vizinhos. O coordenador Schengen salientou igualmente esta importante questão durante as reuniões bilaterais e multilaterais regulares com os países Schengen. No âmbito deste diálogo estruturado, realizaram-se 15 reuniões entre países que reintroduziram controlos nas fronteiras internas e países afetados por esses controlos. Estes debates reafirmaram a natureza específica dos controlos nas fronteiras internas e proporcionaram oportunidades para reforçar ainda mais a cooperação transfronteiriça, tendo em conta os instrumentos reforçados introduzidos pelo Código das Fronteiras Schengen, que entrou em vigor no ano passado.

Enquanto parte dos esforços reforçados de monitorização no âmbito do mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen, foram realizadas novas visitas e visitas de verificação à Grécia (devido às graves deficiências identificadas em 2021), à Irlanda (no âmbito da primeira avaliação de Schengen em curso) e à Dinamarca. Os resultados de todas as atividades de monitorização foram incluídos no Painel de Avaliação de Schengen de 2024, que foi apresentado aos países Schengen durante o Conselho Schengen de dezembro.

Por outro lado, 2024 foi também o ano de concretizar uma prioridade estratégica fundamental, tal como identificada pelo Conselho Europeu, com a execução da avaliação temática sobre regressos mais eficazes. A adoção do relatório em dezembro de 2024 abriu caminho a melhorias concretas nos sistemas de regresso, identificando deficiências no processo de regresso que limitam a eficácia do sistema, juntamente com as boas práticas aplicadas por alguns países Schengen que fornecem soluções para desafios comuns. Os resultados da avaliação temática contribuíram igualmente para a proposta da Comissão relativa a um novo quadro legislativo em matéria de regresso, adotada em 11 de março de 2025, e fornecem um roteiro de ação até que as novas regras entrem em vigor.

Numa análise prospetiva neste importante ano em que celebramos o 40.º aniversário do Acordo de Schengen, uma das principais realizações da integração na UE, o mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen continua a ser fundamental para o trabalho no terreno de implementação da arquitetura de Schengen. A fim de refletir o novo quadro regulamentar, o questionário de avaliação será atualizado e a Comissão reforçará a orientação estratégica, aperfeiçoando (em estreita cooperação com os coordenadores nacionais) o âmbito da avaliação, a fim de dar prioridade aos domínios com maior impacto. Esta medida, por sua vez, deve ser acompanhada de uma supervisão política mais robusta, uma vez que as deficiências persistentes na aplicação das regras de Schengen continuam a comprometer o seu bom funcionamento. A resolução destas deficiências exige a tomada urgente de medidas corretivas.

1.Atividades de avaliação e monitorização em 2024

Atividades de avaliação em 2024 1

Ao longo do último ano, peritos da Comissão e dos países Schengen, apoiados por observadores de órgãos e organismos da UE 2 , implementaram o programa anual de avaliações Schengen de 2024. Os países avaliados foram a Croácia, a Polónia, a Hungria, a Eslováquia e a Chéquia. Na sequência destas avaliações, a Comissão adotou relatórios de Schengen por país relativos à Croácia 3 e à Polónia 4 , bem como um relatório de avaliação sobre as graves deficiências identificadas na Hungria. Foram igualmente concluídas as avaliações da Dinamarca, da Noruega e da Suécia (que tinham sido adiadas devido às restrições decorrentes da pandemia de COVID-19).

Tendo em conta a dinâmica regional que afeta estes países, em especial os expostos a ameaças híbridas por parte da Rússia e à instrumentalização da migração pela Bielorrússia, a elevada pressão migratória e a criminalidade transfronteiriça, foi dada especial atenção às seguintes prioridades:

·uma sólida governação nacional de Schengen como condição prévia para que os países Schengen participem efetivamente no sistema de Schengen e o apliquem plenamente, através de capacidades políticas e administrativas eficientes;

·reforço das capacidades de gestão das fronteiras para controlar eficazmente as fronteiras externas, tanto em circunstâncias normais como durante crises, incluindo planos de contingência sólidos, juntamente com o pleno respeito dos direitos fundamentais no âmbito da gestão europeia integrada das fronteiras;

·iniciativas de segurança adequadas com os países vizinhos do espaço Schengen, adotando uma abordagem abrangente de acompanhamento ao longo de toda a rota que enfatize a cooperação proativa entre as forças policiais e o intercâmbio contínuo de informações;

·controlos rigorosos das condições de entrada de países terceiros no âmbito dos procedimentos de visto e aplicação de processos eficientes para repatriar as pessoas que não estão autorizadas a permanecer no espaço Schengen;

·aproveitamento dos sistemas informáticos de grande escala para apoiar todas as fases do processo de Schengen, assegurando que as suas funcionalidades melhoradas produzem resultados tangíveis no reforço da segurança, na gestão das fronteiras externas e na facilitação do intercâmbio de informações, respeitando simultaneamente os requisitos em matéria de proteção de dados.

Principais conclusões das avaliações por país de 2024

De um modo geral, as avaliações por país de 2024 salientaram a importância crescente da arquitetura de Schengen para enfrentar os principais desafios com que os países Schengen e a UE se deparam, nomeadamente uma maior pressão nas fronteiras externas, a gestão da segurança interna face à evolução das ameaças e a racionalização generalizada dos processos. Tal foi particularmente evidente nos países avaliados, sobretudo nos países situados ao longo da fronteira oriental da UE, que partilham dinâmicas regionais semelhantes.

Embora alguns dos países avaliados tenham realizado progressos significativos na aplicação das regras de Schengen, por exemplo no que diz respeito ao reforço da vigilância das fronteiras terrestres e a uma cooperação policial mais ativa, outros continuam a enfrentar desafios para cumprir plenamente as normas rigorosas de Schengen. As vulnerabilidades resultam amiúde da insuficiência de recursos especializados, do desalinhamento entre prioridades estratégicas e operacionais e da utilização insuficiente dos instrumentos técnicos e jurídicos existentes para identificar e combater as ameaças à segurança transfronteiras em rápida evolução.

As avaliações de 2024 salientam, uma vez mais, a necessidade urgente de dar prioridade, a nível político, estratégico e operacional, às políticas, aos processos e aos instrumentos de Schengen, a fim de assegurar uma aplicação eficaz no terreno, contribuindo assim para o bom funcionamento do espaço Schengen.

Em fevereiro de 2024, a Comissão efetuou uma visita sem pré-aviso aos consulados alemão, polaco e espanhol em Mumbai, na Índia, para avaliar a política comum de vistos. O objetivo era avaliar as potenciais vulnerabilidades nesta importante plataforma de pré-entrada no espaço Schengen, que é um dos locais que emitem o maior volume de vistos de curta duração e que enfrenta uma procura cada vez maior. A avaliação permitiu avaliar algumas das queixas que a Comissão recebe regularmente sobre tempos de espera excessivos para marcações, o que pode conduzir, nomeadamente, à procura do visto mais vantajoso («visa shopping»). Neste contexto, a equipa de avaliação analisou tanto a cooperação com prestadores de serviços externos como questões específicas por país (por exemplo, no que diz respeito à Alemanha, centralização das operações em Mumbai). A avaliação sem pré-aviso concluiu que não existiam deficiências graves na aplicação da obrigação de visto pelos três países Schengen nos respetivos consulados e que as decisões sobre os pedidos de visto eram, de um modo geral, fundamentadas. Os problemas recorrentes que ainda requerem atenção e melhorias incluem a cooperação com prestadores de serviços externos e a utilização de sistemas informáticos de apoio aos procedimentos de visto.

Atividades de monitorização em 2024

A monitorização contínua está no cerne dos esforços de governação para identificar desafios e responder com resultados reais e mensuráveis. Por conseguinte, o êxito do mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen — e, consequentemente, a estabilidade de Schengen — depende da aplicação efetiva das medidas corretivas recomendadas. As medidas são adaptadas à situação específica de cada país Schengen e destinam-se a reforçar a aplicação das regras de Schengen e a garantir que todos os Estados-Membros contribuem positivamente para a liberdade e a segurança coletivas.

Nos seus esforços para reforçar a dimensão de monitorização das avaliações Schengen, a Comissão intensificou o controlo dos relatórios de acompanhamento apresentados pelos países Schengen, a fim de identificar rapidamente quaisquer lacunas e atrasos na execução. Embora o Painel de Avaliação de Schengen tenha tornado os relatórios dos países Schengen mais coerentes e regulares, os relatórios de acompanhamento continuam a ter de ser apresentados atempadamente. Em 2024, sete países Schengen apresentaram tardiamente os seus relatórios de acompanhamento. Os esforços devem também centrar-se na melhoria da qualidade da comunicação de informações, a fim de assegurar que as informações prestadas são pertinentes. Tal permitirá à Comissão desempenhar eficazmente a sua função de monitorização e assegurar a existência de um intercâmbio significativo, conducente a soluções tangíveis, identificando simultaneamente os progressos e as lacunas remanescentes.

No âmbito dos esforços reforçados de monitorização, a Comissão realizou visitas de monitorização específicas, incluindo uma nova visita para avaliar as deficiências graves anteriormente identificadas e três visitas de verificação para avaliar os progressos na execução dos planos de ação.

Nova visita em 2024

·Grécia (novembro de 2024). Tendo em conta as graves deficiências identificadas em 2021 no que diz respeito aos processos e garantias em matéria de regresso dos nacionais de países terceiros sem direito legal de permanência, o objetivo da visita consistia em avaliar a aplicação das medidas corretivas. Atendendo aos progressos limitados realizados pela Grécia, a equipa de avaliação concluiu que subsistem deficiências graves.

Visitas de verificação em 2024

·Grécia — gestão das fronteiras externas (setembro de 2024). Os progressos limitados comunicados pela Grécia na sequência da avaliação de 2021 estiveram na origem desta visita, que salientou os baixos progressos realizados a nível estratégico e nas fronteiras terrestres, exigindo medidas corretivas urgentes.

·Dinamarca — gestão das fronteiras externas (dezembro de 2024). O objetivo era avaliar a evolução comunicada pelas autoridades dinamarquesas no reforço da governação global e da coordenação da gestão das fronteiras. A visita confirmou que foram introduzidas melhorias notáveis; no entanto, são necessários mais esforços para acelerar a plena aplicação da estrutura reforçada de governação das fronteiras, apoiada por uma estratégia abrangente em matéria de recursos humanos que disponibilize pessoal suficiente e formação adequada.

·Irlanda — segurança interna no seguimento da primeira avaliação em curso (novembro de 2024). A visita confirmou que foram realizados progressos significativos para reforçar a segurança interna da UE através da implementação do Sistema de Informação Schengen, incluindo as novas funcionalidades; porém, as melhorias na cooperação policial continuaram a ser limitadas. São necessários mais esforços para impulsionar os trabalhos no âmbito da primeira avaliação de Schengen, que beneficiaria de uma governação de Schengen mais forte, a fim de assegurar a rápida aplicação de medidas corretivas.

Atualmente, três países Schengen continuam a apresentar graves deficiências na aplicação das regras de Schengen 5 . O coordenador Schengen está a acompanhar de perto a situação juntamente com as autoridades nacionais competentes e a Comissão.

Na sequência das últimas avaliações dos relatórios de acompanhamento apresentados pelos Estados-Membros, a Comissão dá por encerrados os planos de ação 6 do Listenstaine nos domínios do Sistema de Informação Schengen 7 e da cooperação policial 8 , bem como o plano de ação da Eslovénia 9 relativo ao cumprimento dos requisitos em matéria de proteção de dados na aplicação da arquitetura de Schengen, em conformidade com o artigo 21.º, n.º 3, do regulamento relativo à avaliação Schengen. Tendo em conta os resultados das atividades de avaliação realizadas em 2024, a Comissão deu por tecnicamente encerrados os planos de ação da Polónia que ainda estavam em aberto aquando da avaliação 10 .

2.Painel de Avaliação de Schengen de 2024

Durante a reunião do Conselho Schengen de dezembro de 2024, a Comissão apresentou aos ministros do espaço Schengen o Painel de Avaliação de Schengen de 2024. O painel de avaliação foi acompanhado de prioridades estratégicas adaptadas, salientando os progressos realizados e apelando também a maiores esforços em domínios fundamentais.

Painel de Avaliação de Schengen de 2024 (agregação): estado geral da execução por dimensão específica

Uma análise das atividades de avaliação e monitorização realizadas em 2024 revelou progressos em vários domínios importantes, tendo alguns países Schengen registado progressos rápidos na execução dos respetivos planos de ação. No que diz respeito à política de vistos Schengen, por exemplo, vários países comunicaram melhorias horizontais na resolução das deficiências nas práticas dos prestadores de serviços externos. A Noruega e a Suécia, em especial, apesar de terem sido avaliadas no domínio dos vistos em 2024, realizaram progressos substanciais e estão prestes a concluir os seus planos de ação. Do mesmo modo, Chipre envidou esforços significativos para aplicar as medidas corretivas necessárias, com melhorias notáveis no processo de regresso e no Sistema de Informação Schengen. Entretanto, as avaliações da Polónia e da Hungria, embora tenham conduzido a novas recomendações, também salientaram progressos significativos na aplicação das medidas corretivas do ciclo de avaliação anterior.

Contudo, o Painel de Avaliação de Schengen de 2024 confirmou igualmente uma tendência persistente observada nos últimos anos, designadamente o ritmo desigual de aplicação das recomendações a nível nacional na sequência de uma avaliação de Schengen. Embora o Painel de Avaliação de Schengen apresente uma panorâmica do estado de execução num determinado momento 11 , os países Schengen avaliados no mesmo ano e, por conseguinte, que se espera que se encontrem em fases de execução semelhantes continuam a apresentar níveis de progresso significativamente díspares. Por exemplo, embora dois dos países Schengen que estão a ser avaliados em 2025 tenham aplicado quase integralmente todas as recomendações, tal não é válido para o país terceiro.


Ponto da situação no respeitante à aplicação das recomendações da avaliação de Schengen em abril de 2025

Além disso, um número significativo de deficiências de longa data subsiste em vários países Schengen, anos após a realização das suas avaliações; muitas destas deficiências dizem respeito a aspetos fundamentais do quadro de Schengen. Esta circunstância compromete a eficácia do mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen para apoiar plenamente o funcionamento, a segurança e a integridade do espaço Schengen, o que, por sua vez, cria vulnerabilidades críticas que, se não forem sanadas rapidamente, poderão ter um impacto negativo substancial no funcionamento global de Schengen.

Um elemento horizontal que exige medidas corretivas urgentes diz respeito à aplicação dos sistemas informáticos de grande escala que sustentam a arquitetura de Schengen — uma vulnerabilidade com implicações de grande alcance em matéria de segurança para a gestão das fronteiras, a migração e a aplicação da lei. Esta situação foi identificada como uma deficiência importante em, pelo menos, metade dos países avaliados. Apesar do reforço das funcionalidades do Sistema de Informação Schengen, concebido para reforçar a segurança e racionalizar os procedimentos, o seu pleno potencial continua por realizar, uma vez que os países Schengen não estão a utilizar o sistema de acordo com as suas normas e capacidades exigidas. Por exemplo, cinco países ainda não inseriram indicações sobre pessoas vulneráveis, como as crianças em risco de rapto, enquanto um país é responsável pela inserção de 75 % dessas indicações. Apenas 16 países criaram indicações para controlos de verificação, deixando lacunas críticas no sistema: estes controlos permitem obter informações sobre pessoas ou objetos conexos para efeitos de repressão de infrações penais e de prevenção de ameaças à segurança pública ou nacional. Estas lacunas afetam a segurança de Schengen no seu conjunto.

Ao mesmo tempo, os países Schengen não estão a introduzir no sistema dados essenciais de forma adequada, mesmo quando essas informações estão prontamente disponíveis a nível nacional. No início de 2025, havia cerca de 1,7 milhões de indicações sobre pessoas singulares, das quais apenas cerca de 900 000 (52 %) incluíam fotografias e apenas cerca de 600 000 (35 %) continham impressões digitais. Estas lacunas graves dificultam consideravelmente a capacidade dos países para identificarem pessoas, em especial as que representam ameaças à segurança. Além disso, os Estados-Membros devem, por vezes, melhorar uma série de requisitos em matéria de proteção de dados dos sistemas informáticos de grande escala e reforçar a monitorização desses requisitos. A resolução destas lacunas não é apenas uma necessidade técnica, mas um requisito fundamental para salvaguardar a integridade e a segurança do espaço Schengen.

A Comissão insta todos os países Schengen a prosseguirem um acompanhamento eficaz dos resultados dos Painéis de Avaliação de Schengen de 2024 e a colaborarem ativamente, se for caso disso, com o coordenador Schengen. Caso as recomendações tenham repercussões financeiras para os países Schengen, a Comissão convida-os a darem prioridade à sua execução no âmbito dos programas nacionais de fundos da UE 12 . Embora estejam disponíveis recursos financeiros significativos, muitas vezes o financiamento da UE não é direcionado para onde é mais necessário. Há que estabelecer ligações mais fortes entre as recomendações das avaliações Schengen, as avaliações da vulnerabilidade e o financiamento ao abrigo do novo quadro financeiro plurianual.

3.Avaliações temáticas de Schengen para 2024

As avaliações temáticas Schengen proporcionam uma oportunidade única para avaliar o estado de aplicação das regras de Schengen em todos os países Schengen num determinado momento e para comparar práticas entre os que enfrentam desafios semelhantes.

Avaliação temática sobre regressos mais eficazes

No último ano, o Conselho Europeu apelou a uma ação determinada a todos os níveis para facilitar, aumentar e acelerar os regressos a partir da UE, recorrendo a todas as políticas, instrumentos e ferramentas aplicáveis da UE. A aplicação mais eficaz da legislação em vigor em matéria de regresso, juntamente com a prossecução dos trabalhos sobre uma abordagem comum em matéria de regresso, também apoia uma aplicação mais rápida e eficiente do Pacto em matéria de Migração e Asilo.

Em resposta a este apelo à ação, a avaliação temática de Schengen sobre regressos mais eficazes foi realizada e concluída em 2024. O relatório foi adotado em dezembro de 2024 e inclui uma análise transversal dos atuais instrumentos que podem contribuir para este objetivo, nomeadamente o Regulamento Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira, a Diretiva Regresso, o Código das Fronteiras Schengen e o Sistema de Informação Schengen.

A equipa de avaliação foi composta por 15 peritos dos países Schengen, dois peritos da Comissão, um observador da Frontex e um observador da Agência dos Direitos Fundamentais. Ao longo de 2024, a equipa trabalhou numa análise exaustiva e realizou visitas a Itália, à Noruega e aos Países Baixos para avaliar práticas que, devido à sua natureza específica, não puderam ser avaliadas de forma eficaz à distância.

A avaliação salientou a complexidade dos processos de regresso, que se aplicam a um leque diversificado de nacionais de países terceiros, nomeadamente:

·pessoas que entram legalmente no espaço Schengen, mas que ultrapassaram a sua autorização ou permanência legal (por exemplo, nacionais isentos da obrigação de visto);

·pessoas que entram ilegalmente e são detidas nas fronteiras externas; e

·pessoas detidas no território de um país Schengen devido a permanência ilegal na sequência de uma entrada legal ou ilegal.

Como tal, as medidas de regresso eficazes estão entre os instrumentos mais sustentáveis para salvaguardar o espaço de liberdade, segurança e justiça sem fronteiras internas.

Tendo em conta a multiplicidade de partes interessadas, processos e mecanismos envolvidos, o relatório de avaliação temática de Schengen salientou a importância do regresso enquanto elemento fundamental da gestão europeia integrada das fronteiras. Para o efeito, é crucial uma cooperação interagências eficaz a nível nacional e europeu, juntamente com um nível suficiente de preparação e um melhor intercâmbio de informações. Tal é necessário tanto para a tomada de decisões eficientes e informadas como para a execução das decisões de regresso. Todo este processo pode ser facilitado através do Sistema de Informação Schengen. O relatório identifica desafios comuns relacionados com as principais fases do processo de regresso, designadamente o seu início, a identificação de nacionais de países terceiros, os regressos voluntários e forçados, bem como as estruturas e mecanismos de cooperação que apoiam estes processos.

Com base no relatório de avaliação, o Conselho adotou recomendações para fazer face aos desafios comuns identificados 13 . O relatório de avaliação identifica igualmente as melhores práticas de alguns países Schengen que podem ajudar a aplicar medidas corretivas.

Os resultados da avaliação temática contribuíram para a proposta de uma nova abordagem comum em matéria de regresso, conforme apresentada pela Comissão em março de 2025 14 . Constituem um roteiro para melhorar os sistemas nacionais de regresso até que o novo quadro legislativo esteja plenamente em vigor.

Seguimento da avaliação temática da gestão europeia integrada das fronteiras (GEIF)

A gestão integrada das fronteiras é um objetivo fundamental da UE, conforme estabelecido no artigo 77.º, n.º 2, alínea d), do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. Visa facilitar a passagem das fronteiras e assegurar um nível elevado e uniforme de controlo nas fronteiras externas da UE, contribuindo assim para a segurança interna da UE e para uma gestão eficaz da migração, respeitando simultaneamente os direitos fundamentais. Tem por base o modelo de controlo de acesso a quatro níveis, que inclui medidas em países terceiros, nomeadamente no âmbito da política comum de vistos, medidas com os países terceiros vizinhos, medidas de controlo fronteiriço nas fronteiras externas, análise de risco e medidas no âmbito do espaço Schengen e em matéria de regresso.

Em 2019-2020, foi realizada uma avaliação temática das estratégias nacionais dos países Schengen para a gestão integrada das fronteiras. Na sequência da avaliação temática, o Conselho adotou uma decisão que estabelece uma recomendação para suprir as deficiências identificadas na avaliação temática 2019-2020 das estratégias dos Estados-Membros para a gestão integrada das fronteiras 15 . A recomendação identificou os aspetos mais importantes a ter em conta pelos países aquando da revisão das suas estratégias nacionais.

No segundo semestre de 2024, a Comissão e os peritos dos países Schengen 16 , juntamente com um observador da Frontex, a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, analisaram os progressos realizados até à data. Analisaram em que medida as estratégias nacionais revistas estavam alinhadas com as prioridades políticas da UE, centrando-se nos mecanismos de governação, no planeamento de recursos e nos objetivos estratégicos. Utilizando 140 indicadores, a avaliação analisou em que medida as recomendações da avaliação anterior tinham sido aplicadas e identificou os domínios que ainda careciam de maior atenção.

Esta análise exaustiva é um instrumento fundamental para reforçar a coerência e a eficácia operacional da governação de Schengen e a aplicação da gestão europeia integrada das fronteiras, tanto a nível da UE como a nível nacional.

Resultados da avaliação

Os resultados revelam melhorias notáveis, um sinal de que os países estão altamente empenhados em realizar progressos em conformidade com o ciclo estratégico plurianual de políticas europeu. As principais melhorias desde a avaliação de 2019-2020 incluem mecanismos de governação mais sólidos, tanto a nível nacional como da UE, uma abordagem mais coerente do controlo nas fronteiras baseada no risco e um melhor planeamento estratégico dos recursos financeiros. Em especial, a componente «regresso» tornou-se um elemento central das estratégias nacionais, reforçando a abordagem integrada, integrando também a gestão da migração, embora seja ainda necessária uma maior harmonização. Outro importante passo em frente é a maior ênfase na segurança interna, que é agora um pilar fundamental da gestão integrada das fronteiras nos países Schengen.

No entanto, subsistem lacunas. As estratégias nacionais carecem frequentemente de alinhamento com o planeamento de capacidades, em especial no que se refere aos recursos humanos, à formação e ao investimento em infraestruturas e equipamentos. Além disso, a cooperação interagências continua fragmentada, o que limita a eficácia das estruturas de governação. Estas deficiências persistentes, já identificadas na avaliação anterior, sublinham a necessidade de uma maior integração e coordenação estratégica para assegurar um sistema europeu integrado de gestão das fronteiras verdadeiramente unificado e resiliente.

Seguimento da avaliação temática sobre o tráfico de droga para o espaço Schengen

Tendo em conta o aumento significativo do tráfico de droga para a UE, como demonstrado pelas apreensões recorde de cocaína 17 , foi realizada uma avaliação temática de fevereiro a novembro de 2023 para identificar boas práticas nas capacidades nacionais dos países em matéria de luta contra o tráfico de droga para a UE. Em consequência, em março de 2024, o Conselho adotou uma decisão de execução 18 que estabelece uma recomendação para a aplicação das boas práticas identificadas na avaliação temática de Schengen de 2023.

Dado que o principal objetivo desta avaliação temática de Schengen era identificar boas práticas, os países Schengen foram incentivados a avaliar o valor acrescentado e a viabilidade de incorporar essas práticas nos seus quadros nacionais, consultando, se fosse caso disso, os países que já as tinham aplicado.

Dos 27 Estados-Membros e países associados avaliados, todos os países, com exceção de um, apresentaram planos de ação à Comissão e ao Conselho. A Comissão recebeu planos de ação da Alemanha, da Áustria, da Bélgica, da Chéquia, da Croácia, da Dinamarca, da Eslováquia, da Eslovénia, da Espanha, da Estónia, da Finlândia, da Grécia, da Hungria, da Islândia, da Itália, da Letónia, do Listenstaine, da Lituânia, do Luxemburgo, de Malta, da Noruega, dos Países Baixos, da Polónia, de Portugal, da Suécia e da Suíça.

Em 2024, a Comissão analisou 19 os planos de ação apresentados para verificar a aplicação da recomendação do Conselho que exige que os países analisem e ponderem a aplicação das boas práticas identificadas durante a avaliação temática nos respetivos sistemas nacionais.

Com base nos planos de ação apresentados, os Estados-Membros que tencionam aplicar ou já aplicaram o maior número de boas práticas são a Áustria, a Bélgica, a Chéquia, a Croácia, a Dinamarca, a Estónia, a Grécia, Malta e os Países Baixos. Além disso, as boas práticas no levantamento dos fluxos de drogas ilícitas revelam a taxa total de aplicação mais elevada, revelando um forte empenho coletivo e progressos significativos na identificação dos fluxos de drogas ilícitas para o espaço Schengen. Em contrapartida, as boas práticas para criar barreiras e aumentar a resiliência dos centros logísticos demonstram uma taxa global de aplicação particularmente baixa, salientando os desafios consideráveis que podem surgir das limitações de recursos, das complexidades operacionais ou das prioridades nacionais divergentes. A falta de progressos substanciais neste domínio é particularmente preocupante dada a importância estratégica dos centros logísticos, que representam pontos críticos de vulnerabilidade na luta contra o tráfico de droga. A resposta a estes desafios exigirá uma maior coordenação, um financiamento específico e um maior apoio técnico aos países que enfrentam dificuldades neste domínio.

Com base nas informações prestadas nos planos de ação, a Comissão considera encerrados todos os planos de ação apresentados, com uma exceção. A aplicação das boas práticas continuará a ser acompanhada através de avaliações Schengen periódicas, em conformidade com o programa plurianual de avaliação e com o disposto na decisão de execução do Conselho.

4.Situação nas fronteiras internas

Em 1 de janeiro de 2025, foram suprimidos os controlos nas fronteiras internas terrestres com a Roménia e a Bulgária, deixando apenas um Estado-Membro da UE, Chipre, a aguardar a supressão dos controlos nas fronteiras internas.

Em 10 de julho de 2024, entrou em vigor o Código das Fronteiras Schengen revisto 20 , que estabelece um novo quadro para a reintrodução do controlo nas fronteiras internas, com prazos revistos e requisitos mais rigorosos em matéria de monitorização e comunicação de informações. Com base nestas novas regras, a Comissão adotou decisões de execução que criam um modelo para os países notificarem a reintrodução ou a prorrogação do controlo nas fronteiras internas, juntamente com um modelo uniforme para a comunicação de informações sobre a reintrodução ou a prorrogação do controlo nas fronteiras internas 21 .

Desde a entrada em vigor do Código das Fronteiras Schengen alterado, 10 países Schengen reintroduziram o controlo fronteiriço nas suas fronteiras internas 22 . Seis Estados-Membros (ou seja, Alemanha, Áustria, Dinamarca, França, Noruega e Suécia) já dispunham de controlos fronteiriços por períodos prolongados antes da entrada em vigor do Código das Fronteiras Schengen alterado. Posteriormente, a Alemanha alargou o âmbito geográfico destes controlos a todas as suas fronteiras internas. Os Países Baixos notificaram, pela primeira vez, a reintrodução do controlo fronteiriço em todas as suas fronteiras terrestres e aéreas. A Bulgária reintroduziu temporariamente o controlo fronteiriço nas suas fronteiras terrestres, como medida preventiva, na sequência da supressão dos controlos nas fronteiras internas.

A Comissão aplica os novos prazos e obrigações de comunicação a todas as reintroduções e prorrogações notificadas desde a entrada em vigor do código alterado.

No âmbito do diálogo em curso sobre o controlo nas fronteiras internas, a Comissão tem estado em estreito contacto com os países que reintroduziram o controlo nas fronteiras internas, bem como com os países afetados pela reintrodução de tais medidas. Estes debates promoveram um intercâmbio de informações entre os países em causa, bem como entre a Comissão e os países Schengen. A Comissão sublinhou que os países são obrigados a adotar medidas de atenuação para limitar, tanto quanto possível, o impacto de um controlo fronteiriço nas viagens transfronteiriças, nas operações de transporte de mercadorias 23 e no funcionamento das regiões transfronteiriças. Os debates centraram-se igualmente nos progressos contínuos no seguimento das recomendações da Comissão de novembro de 2023 sobre medidas alternativas para fazer face às ameaças graves à ordem pública e à segurança nacional 24 .

Ao mesmo tempo, as avaliações Schengen realizadas em 2024 visitaram centros de cooperação policial e aduaneira e esquadras de polícia nas regiões fronteiriças internas. Estas visitas destinavam-se a verificar se as estruturas e os procedimentos asseguram o intercâmbio atempado de informações e operações conjuntas eficazes, combatendo a criminalidade transfronteiriça, a migração irregular e as ameaças à segurança pública. O objetivo geral destas avaliações era a) assegurar a partilha eficiente de informações e a cooperação operacional entre as autoridades responsáveis pela aplicação da lei, reforçando assim a segurança interna, e b) identificar os domínios que carecem de melhorias ou de medidas corretivas. Estas atividades de monitorização e discussões revelaram a natureza não sistemática dos controlos.

A Comissão está também a trabalhar no sentido de assegurar que nenhum país Schengen ou região transfronteiriça seja particularmente afetado pela reintrodução dos controlos nas fronteiras internas, nomeadamente os que têm uma situação geográfica única. Estão a ser tomadas medidas adequadas para resolver os casos em que a reintrodução do controlo nas fronteiras internas causa graves inconvenientes à vida quotidiana das pessoas e das empresas.

A Comissão promoveu igualmente a cooperação operacional entre os países Schengen para dar uma resposta mais eficaz e eficiente às preocupações dos Estados-Membros em matéria de segurança e migração. A Comissão promoveu ainda o desenvolvimento da cooperação regional ao longo das rotas migratórias, colaborando também ativamente com países terceiros. Para assegurar o regresso rápido, mas também ordenado, dos migrantes em situação irregular nas fronteiras internas, os países Schengen devem aplicar os seus acordos bilaterais de readmissão preexistentes ou, em alternativa, celebrar acordos operacionais para pôr em prática o procedimento de transferência introduzido ao abrigo do Código das Fronteiras Schengen alterado.

Até à data, um Estado-Membro, a Alemanha, prolongou o controlo nas fronteiras internas desde a entrada em vigor do Código das Fronteiras Schengen alterado. A pedido do Luxemburgo, a Comissão já lançou uma consulta 25 , que resultou em reuniões a nível operacional e ministerial destinadas a resolver os obstáculos práticos aos fluxos transfronteiriços e a reforçar a cooperação em matéria de medidas operacionais alternativas. A Comissão continua empenhada em defender os princípios da livre circulação e da segurança em todo o espaço Schengen e dará o seguimento necessário no próximo ciclo de Schengen, nomeadamente através da emissão de pareceres, conforme estabelecido no Código das Fronteiras Schengen revisto.

5.Instrumentos de avaliação e de monitorização de Schengen

Em novembro de 2024, a Comissão criou o grupo de avaliadores de Schengen de 2025. Em conformidade com os requisitos do mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen, quase todos os países Schengen designaram pelo menos um perito. Apenas um país se absteve com o fundamento de que a designação afetaria substancialmente o cumprimento de tarefas nacionais 26 , pelo que não pôde designar pelo menos um perito para cada domínio do sistema de Schengen 27 .

No total, foram designados 545 peritos nacionais, dos quais 525 peritos nacionais foram selecionados para o grupo de 2025, tendo em conta os critérios gerais e específicos estabelecidos no Regulamento (UE) 922/2022 e no convite pertinente aos países Schengen 28 .

Número de peritos selecionados por país Schengen (2025)

Para assegurar um grupo de peritos de alta qualidade para as atividades de avaliação e monitorização, foi elaborada em 2024 uma estratégia de formação no domínio das avaliações Schengen. A estratégia define os aspetos centrais das atividades de formação no domínio das avaliações Schengen, com base em objetivos a curto e médio prazo, com vista a aplicar uma metodologia coerente para um quadro comum e integrado de formação no domínio das avaliações Schengen. Visa, nomeadamente, elaborar um currículo comum para todas as atividades de formação, reforçar a governação para a execução da formação e simplificar a seleção dos formandos, melhorando assim as sinergias com o grupo de avaliadores de Schengen. Em 2024, 90 peritos foram formados e certificados como avaliadores de Schengen em atividades de formação inicial no âmbito deste quadro comum.

O terceiro seminário para coordenadores nacionais e peritos principais teve lugar em janeiro de 2025, reunindo os coordenadores nacionais dos países Schengen e da Comissão, juntamente com os peritos principais designados para as avaliações de 2024 e 2025. Mais de 40 peritos de alto nível dos países Schengen, que representam uma comunidade de mais de 500 avaliadores de Schengen, realizaram um intercâmbio estratégico sobre o futuro do espaço Schengen e, em especial, sobre a forma de reforçar o quadro de governação, tanto a nível europeu como nacional. O seminário visava igualmente preparar os coordenadores nacionais e os peritos principais para as atividades de avaliação de Schengen de 2025.

6.Perspetivas para o futuro: atividades de avaliação e monitorização em 2025

O ano de 2025 assinala o 40.º aniversário da assinatura do Acordo de Schengen em 14 de junho de 1985. Este marco definirá a agenda para a governação de Schengen ao longo do ano, reafirmando Schengen como símbolo da nossa conquista coletiva, designadamente uma Europa segura e unida que beneficia tanto os cidadãos como as empresas europeias. Na celebração desta importante conquista, Schengen continuará a estar no cerne das prioridades da Comissão e a constituir um ativo estratégico essencial para lidar com a evolução do panorama geopolítico.

O mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen continuará a refletir a natureza dinâmica e evolutiva do projeto de Schengen, assegurando a sua resiliência e eficácia num ambiente em mudança. Foram adotados novos requisitos jurídicos, em especial os decorrentes do Pacto em matéria de Migração e Asilo (por exemplo, o Regulamento Triagem, o Regulamento Procedimento de Regresso na Fronteira) e os relacionados com a nova arquitetura digital de apoio à gestão das fronteiras e à segurança interna do espaço Schengen (por exemplo, regulamentos relativos à interoperabilidade, procedimentos do ETIAS, acesso das autoridades responsáveis pela aplicação da lei ao SES e ao ETIAS, Diretiva Interoperabilidade, Diretiva Intercâmbio de Informações).

Consequentemente, a Comissão, em consulta com os países Schengen e os organismos competentes da UE, procederá à revisão 29 do questionário-tipo de Schengen em 2025. O questionário atualizado reforçará igualmente os aspetos estratégicos subjacentes ao bom funcionamento do espaço Schengen, como a governação Schengen e a utilização dos instrumentos financeiros conexos da UE.

Em conformidade com o programa plurianual de avaliação para 2023-2029, será executado o programa anual de avaliação de 2025 30 , que inclui as avaliações periódicas da Suíça, da Eslovénia e da Áustria, juntamente com as avaliações da Bulgária e da Roménia na sequência da sua plena integração no espaço Schengen sem controlos nas fronteiras internas. No que diz respeito às atividades de monitorização para 2025, a Comissão tenciona realizar visitas a França (que já tiveram lugar em março de 2025), à Grécia (setembro de 2025) e a Portugal.

Jan.

Fev.

Mar.

Abr.

Maio

Jun.

Jul.-

Ago.

Set.

Out.

Nov.

Dez.

Avaliação periódica

Suíça

Eslovénia

Áustria

Roménia

Bulgária

Primeira avaliação

Avaliação temática

Tendo em conta o papel específico das avaliações temáticas na identificação e resposta a desafios transversais para o espaço Schengen, como o tráfico de droga e o regresso nos dois anos anteriores, na sequência de consultas com os países Schengen, a Comissão considera que 2026 é um momento oportuno para lançar outra avaliação temática. Com a guerra em curso na Ucrânia e o aumento contínuo dos riscos para a segurança, a referida avaliação terá por objetivo identificar lacunas e vulnerabilidades na arquitetura das fronteiras de Schengen e de segurança, com vista a reforçar a sua coerência e aumentar o nível global de segurança interna.

Além disso, em 2025, a Comissão continuará a acompanhar o seguimento dado às primeiras avaliações Schengen em curso, a fim de promover a preparação técnica de ambos os países em causa. No caso de Chipre, as visitas necessárias 31 poderão ainda ter lugar em 2025, desde que as autoridades cipriotas tenham aplicado as medidas corretivas necessárias. Relativamente à Irlanda, a Comissão tenciona publicar, no primeiro semestre de 2025, o relatório de Schengen sobre a cooperação judiciária em matéria penal, a cooperação em matéria de droga e o artigo 26.º da Convenção de Schengen. Se o resultado for positivo e se forem aplicadas rapidamente medidas corretivas noutros domínios pertinentes, como a cooperação policial, tal permitirá ao Conselho aplicar essas disposições na Irlanda e conduzirá a uma maior cooperação Schengen.

A Comissão intensificará igualmente os seus esforços em 2025 para apoiar a integração sem descontinuidades dos requisitos de Schengen para os países que aspiram a aderir à UE. Uma vez que os países candidatos à adesão à UE são candidatos a Schengen, o processo de alargamento da UE tem implicações significativas para Schengen. Os países candidatos à adesão à UE devem cumprir todos os requisitos de Schengen no momento da sua adesão à UE, mesmo que alguns direitos Schengen, como o pleno acesso ativo a todos os sistemas de informação, o direito de emitir vistos Schengen e o direito de suprimir os controlos nas fronteiras internas, só sejam aplicáveis numa fase posterior. A Comissão trabalhará em estreita colaboração com os países candidatos para que, no momento da sua adesão à UE, o sistema de Schengen se baseie num quadro nacional de governação de Schengen plenamente operacional. Tal exige uma preparação sólida, incluindo a implementação de planos de ação Schengen, conforme estabelecido na Comunicação de 2024 sobre a política de alargamento da UE 32 .

Por último, no que diz respeito à formação, a aplicação de um currículo comum nos cursos de formação inicial em 2024 criou uma base sólida para a conceção da formação futura. As próximas atividades de formação inicial estão previstas para a primavera, o verão e o outono de 2025.

(1)

     Para uma panorâmica das atividades de avaliação de 2024, ver: Mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen – Comissão Europeia .

(2)

     Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex); Autoridade Europeia para a Proteção de Dados (AEPD); Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA); Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol) e Agência da União Europeia para a Gestão Operacional de Sistemas Informáticos de Grande Escala no Espaço de Liberdade, Segurança e Justiça (eu-LISA).

(3)

     Avaliação Schengen da Croácia — Resumo e recomendações, disponível em: «Schengen evaluation of Croatia» (não traduzido para português).

(4)

     Avaliação Schengen da Polónia — Resumo e recomendações, disponível em: «Schengen evaluation of Poland» (não traduzido para português).

(5)

     Grécia, França e Hungria.

(6)

     Os planos de ação que ainda não estavam encerrados antes das avaliações periódicas de 2024 da Chéquia, da Hungria e da Eslováquia serão encerrados através dos relatórios de Schengen por país a adotar em 2025.

(7)

     Encerrado em 16 de outubro de 2024.

(8)

     Encerrado em 1 de novembro de 2024.

(9)

     Encerrado em 8 de novembro de 2024.

(10)

     C(2024) 8110 final de 17 de dezembro de 2024.

(11)

     Em conformidade com a metodologia do Painel de Avaliação de Schengen, o Painel de Avaliação de Schengen de 2024 não inclui pontuações para a Chéquia, a Eslováquia, a Hungria e a Polónia, uma vez que os relatórios por país com as respetivas recomendações na sequência das avaliações periódicas de 2024 ainda não tinham sido adotados. A Bulgária e a Roménia também não foram incluídas, uma vez que a sua primeira avaliação periódica só terá lugar no segundo semestre de 2025. Os países Schengen recentemente avaliados em 2023 e no início de 2024 (ou seja, a Croácia, a Estónia, a Finlândia, a Letónia e a Lituânia) ainda não tiveram a oportunidade de apresentar os seus planos de ação, que incluem as medidas corretivas previstas, nem os seus primeiros relatórios de acompanhamento, uma vez que os prazos ainda não expiraram.

(12)

     O Fundo de Gestão Integrada das Fronteiras — Instrumento de Apoio Financeiro à Gestão das Fronteiras e à Política de Vistos, o Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração e o Fundo para a Segurança Interna.

(13)

     Decisão de Execução do Conselho, de 6 de março de 2025, que estabelece recomendações sobre como abordar os aspetos comuns que podem ser melhorados, identificados na avaliação temática de 2024 intitulada «Colmatar as lacunas nacionais: no sentido de um sistema eficaz de regresso da UE através de soluções comuns e práticas inovadoras».

(14)

     Proposta de regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece um sistema comum de regresso dos nacionais de países terceiros em situação irregular na União, e que revoga a Diretiva 2008/115/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, a Diretiva 2001/40/CE do Conselho e a Decisão 2004/191/CE do Conselho. COM(2025) 101 final.

(15)

     Documento 6755/21 do Conselho, de 8 de março de 2021.

(16)

     Alemanha, Bélgica, Grécia, França, Hungria, Itália, Países Baixos, Portugal e Roménia, liderados pela Noruega.

(17)

     A quarta síntese global dos mercados de drogas ilícitas na União Europeia, conduzida pela Europol e pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência [OEDT, que passou a designar-se Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA) a partir de julho de 2024].

(18)

     Decisão de Execução do Conselho, de 5 de março de 2024, que estabelece uma recomendação sobre a aplicação das boas práticas identificadas na avaliação temática Schengen de 2023 das capacidades dos Estados-Membros nos domínios da cooperação policial, da proteção das fronteiras externas e da gestão dos sistemas informáticos para lutar contra o tráfico de droga para a União.

(19)

     Em conformidade com o artigo 21.º, n.º 2, primeiro parágrafo, do Regulamento (UE) 2022/922.

(20)

     Regulamento (UE) 2016/399 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 9 de março de 2016, que estabelece o código da União relativo ao regime de passagem de pessoas nas fronteiras (Código das Fronteiras Schengen).

(21)

     Decisão de Execução (UE) 2025/315 da Comissão, de 14 de fevereiro de 2025, que estabelece um modelo para a notificação da reintrodução temporária ou da prorrogação do controlo fronteiriço nas fronteiras internas. C/2025/902; Decisão de Execução (UE) 2025/308 da Comissão, de 14 de fevereiro de 2025, que estabelece um modelo uniforme para o relatório sobre a reintrodução ou a prorrogação do controlo fronteiriço nas fronteiras internas, em conformidade com o artigo 33.º do Regulamento (UE) 2016/399 do Parlamento Europeu e do Conselho. C/2025/905.

(22)

     Para uma síntese, ver: Reintrodução temporária do controlo fronteiriço – Comissão Europeia .

(23)

     De acordo com a Comunicação da Comissão sobre os corredores verdes, os veículos de transporte de mercadorias não devem enfrentar mais de 15 minutos de atraso total nos postos de fronteiras internas da rede transeuropeia de transportes (RTE-T), independentemente das mercadorias que transportam. A Comissão continuou a organizar reuniões com a Rede de Pontos de Contacto Nacionais para os Transportes sempre que tenham sido identificados potenciais problemas suscetíveis de afetar negativamente o fluxo de transporte rodoviário no mercado interno.

(24)

     Recomendação da Comissão, de 23 de novembro de 2023, relativa à cooperação entre os Estados-Membros em matéria de ameaças graves à segurança interna e à ordem pública no espaço sem controlos nas fronteiras internas. C(2023) 8139 final.

(25)

     Em consonância com o artigo 27.º-A do Regulamento (UE) 2016/399.

(26)

     Em consonância com o artigo 17.º, n.º 2, do Regulamento (UE) 2022/922.

(27)

A Dinamarca não nomeou um perito em cooperação policial.

(28)

     Artigo 15.º, n.º 1, do Regulamento (UE) 2022/922.

(29)

     Em consonância com o artigo 14.º do Regulamento (UE) 2022/922.

(30)

     O programa de avaliação anual de 2025, disponível na Avaliação anual .

(31)

     Artigo 23.º do Regulamento (UE) 2022/922.

(32)

     Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões. Comunicação de 2024 sobre a política de alargamento da UE. COM(2024) 690 final.


Bruxelas, 23.4.2025

COM(2025) 185 final

ANEXO

da

Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões

Relatório sobre o estado de Schengen de 2025


ANEXO 2

Coletânea de boas práticas identificadas no âmbito do mecanismo de avaliação e de monitorização de Schengen

O bom funcionamento do espaço Schengen assenta na aplicação efetiva e eficiente das regras de Schengen pelos Estados-Membros. O mecanismo de avaliação e monitorização de Schengen é um instrumento essencial para garantir a correta aplicação do acervo de Schengen, permitindo não só a deteção atempada de vulnerabilidades, mas também a identificação de boas práticas e soluções inovadoras aplicadas pelos Estados-Membros.

A coletânea de boas práticas que acompanha o Relatório sobre o estado de Schengen de 2025 assinala a sua terceira edição desde a entrada em vigor do novo Regulamento Mecanismo de Avaliação e Monitorização de Schengen. Enquanto documento dinâmico, engloba tanto as boas práticas identificadas na versão anterior da coletânea como as medidas novas e inovadoras identificadas nas avaliações realizadas em 2024, que melhoram consideravelmente a aplicação de regras comuns e que poderão ser colocadas em prática por outros Estados-Membros.

A coletânea de boas práticas reúne um vasto conjunto de boas práticas que abrangem vários aspetos do acervo de Schengen, incluindo a governação nacional de Schengen, a gestão das fronteiras externas, a política de vistos, os regressos, bem como medidas no interior do espaço Schengen, como as fronteiras internas e a segurança interna. Tem por objetivo fornecer indicações sobre estratégias, instrumentos e medidas inovadores suscetíveis de apoiar as autoridades dos Estados-Membros na aplicação do acervo de Schengen e promover a partilha de conhecimentos entre pares. Importa promover um maior intercâmbio de conhecimentos e experiências no âmbito das instâncias competentes do Conselho, a fim de reforçar este esforço de colaboração. A coletânea visa complementar com novas perspetivas as boas práticas existentes descritas nas recomendações ou manuais aplicáveis da Comissão ou do Conselho.

A presente coletânea é descritiva, não tendo caráter juridicamente vinculativo. Pretende ser um recurso útil para os decisores políticos, os agentes responsáveis pela aplicação coerciva da lei e outras partes interessadas que participam na garantia do funcionamento harmonioso e eficiente do espaço Schengen, mas também apoiar eventuais soluções de medidas corretivas para dar resposta às futuras recomendações propostas pelas equipas de avaliação. É parte integrante do relatório a que se refere o artigo 25.º do Regulamento (UE) 2022/922 do Conselho.



GOVERNAÇÃO NACIONAL DE SCHENGEN

1.Estratégias nacionais

Aplicação da gestão europeia integrada das fronteiras (GEIF)

Governação da gestão nacional integrada das fronteiras

·O plano de contingência inclui procedimentos pormenorizados para uma série de potenciais cenários de crise e define funções e responsabilidades claras para todas as autoridades nacionais competentes (incluindo a polícia, as alfândegas, as forças armadas e os serviços de imigração) e para as partes interessadas locais (como os municípios e as organizações não governamentais). Esses planos são complementados com procedimentos para solicitar e integrar o apoio europeu. Foram realizados vários testes do quadro de planeamento de contingência que envolveram todas as autoridades nacionais com responsabilidades em situações de crise. [Finlândia, 2023]

·A estratégia nacional de desenvolvimento a longo prazo e o programa governamental a curto prazo em matéria de segurança interna incluem prioridades em matéria de aplicação do acervo da UE e de Schengen, bem como a evolução da cooperação internacional em matéria de aplicação da lei. As recomendações da avaliação de Schengen são igualmente abrangidas pelo programa. A análise e a apresentação de relatórios anuais asseguram uma execução e operacionalização eficientes. Esta arquitetura estratégica nacional, que liga as prioridades da UE às estratégias nacionais, facilita a execução eficiente (afetação de recursos) e a operacionalização do acervo da União e de Schengen de uma forma sistemática. [Croácia, 2024]

·Um documento estratégico abrangente orienta os esforços nacionais na aplicação das regras de Schengen entre 2021 e 2027, em consonância com as normas europeias para reforçar a cooperação Schengen. As autoridades públicas, incluindo vários departamentos ministeriais, desempenham um papel fundamental neste conceito nacional de governação Schengen. O Plano de Execução de Schengen de 2023 constitui o principal instrumento para alcançar estes objetivos em diferentes domínios do quadro de Schengen. O Ministério do Interior é responsável pela avaliação dos progressos, pela atualização do conceito e pela apresentação de relatórios ao governo de dois em dois anos, utilizando indicadores e calendários para medir o êxito e alinhar com os objetivos da Chéquia em matéria de gestão europeia das fronteiras. [Chéquia, 2024]

Mecanismo de controlo da qualidade

·O Ministério do Interior criou um mecanismo nacional de avaliação das fronteiras externas, baseado nos mecanismos europeus e nacionais de controlo da qualidade. Reúne as recomendações do mecanismo de avaliação de Schengen, da avaliação da vulnerabilidade efetuada pela Frontex e das visitas de avaliação nacionais. Estas últimas incluem uma avaliação das questões relativas ao Sistema de Informação de Schengen/SIRENE e à cooperação policial. [Áustria, 2020]

·A gestão das fronteiras a nível nacional e da UE deve ser sistematicamente sujeita à aplicação do mecanismo europeu de controlo da qualidade que abrange todo o âmbito da GEIF. O mecanismo nacional permanente de controlo da qualidade inclui um grupo de avaliadores nacionais, aos quais a Frontex ministrou cursos para avaliadores de Schengen. [Avaliação temática das estratégias nacionais de GIF, 2020]

Cooperação entre serviços

·Considera-se que a coordenação e a cooperação formais entre serviços, de caráter estreito e eficaz, entre as diferentes autoridades nacionais a nível central, regional e local, são essenciais para o bom funcionamento dos sistemas de gestão integrada das fronteiras. As unidades da guarda de fronteiras são destacadas para as águas territoriais e o território dos países terceiros em causa, assegurando um patrulhamento conjunto constante por via marítima e aérea a bordo de navios e aeronaves do Estado-Membro, apoiado por meios eletrónicos como o Sistema Integrado de Vigilância Externa (SIVE). [Avaliação temática das estratégias nacionais de GIF, 2020]

·A partilha de informações entre serviços através da mesma plataforma contribui para criar um quadro comum estruturado que melhore a qualidade da partilha de informações e apoie as principais partes interessadas no cumprimento da sua missão institucional, evitando a duplicação de esforços. [Estónia, 2023]

·Criação de uma célula de investigação conjunta envolvendo outras autoridades nacionais responsáveis pela aplicação da lei e cinco outros Estados-Membros da UE afetados pelo fluxo migratório, bem como a Europol e a Frontex. Esta célula permitiu um intercâmbio de informações eficaz e célere e, por conseguinte, uma reação rápida e a adoção de medidas eficazes para abrandar o fluxo migratório e levar a cabo ações contra os passadores. A recolha e a concentração de informações criminais e de informações de fonte aberta na célula, bem como o controlo cruzado de pessoas, fizeram da célula de investigação conjunta uma plataforma operacional na fronteira externa, apoiando a gestão global do fenómeno. [Lituânia, 2023]

2.Capacidades nacionais

Formação

Cooperação com a CEPOL

·A participação coordenada e ativa na formação policial europeia faz parte integrante da cooperação entre serviços no âmbito da estrutura de governação permanente da polícia, das alfândegas e da guarda de fronteiras. As necessidades de formação são regularmente debatidas não só pela Academia Universitária de Polícia nacional, mas também em cooperação permanente com as instituições de formação da Guarda de Fronteiras e dos Serviços Aduaneiros. A participação nos cursos da CEPOL é elevada e o acesso à LEED, a plataforma de aprendizagem eletrónica da CEPOL, é concedido a um grande número de agentes policiais. As formações da CEPOL estão incluídas nos planos nacionais de formação anuais da polícia, das alfândegas e da guarda de fronteiras e, sob a coordenação da Academia Universitária de Polícia nacional, os lugares de formação da CEPOL disponíveis são partilhados entre as autoridades policiais com base nas suas necessidades e competências. Além disso, as informações sobre as possibilidades de formação da CEPOL estão facilmente acessíveis na intranet da polícia, das alfândegas e da guarda de fronteiras. [Finlândia, 2023]

Regressos

·Acordo com uma companhia aérea para utilizar regularmente aeronaves e simuladores para formar a reserva de escoltas em operações de regresso, não só do ponto de vista operacional, mas também para simular situações de emergência suscetíveis de ocorrer durante as operações de regresso, nomeadamente incêndios a bordo. [Finlândia, 2023]

Gabinete SIRENE

·O Gabinete SIRENE do Serviço Nacional de Investigação criou um curso nacional de formação em linha centrado no Sistema de Informação Schengen renovado. O curso contém material teórico e verificação de conhecimentos. O pacote de formação em linha é obrigatório para os agentes da polícia, os guardas de fronteira e os agentes aduaneiros e a conclusão do curso é monitorizada e acompanhada. [Finlândia, 2023]

·Criação de um centro de formação de ponta nas instalações do Gabinete SIRENE, oferecendo uma vasta gama de oportunidades de formação prática a todos os utilizadores finais de todos os serviços policiais nacionais. As atividades educativas incluem sessões práticas em laboratórios informáticos e a disponibilização de plataformas de aprendizagem eletrónica, incluindo a intranet da polícia e os cursos da CEPOL, relacionados com o ensino à distância do Sistema de Informação de Schengen. A Academia de Polícia coopera regularmente com os serviços competentes da polícia, as universidades locais e as organizações não governamentais, para garantir a atualização regular do programa de formação, nomeadamente no domínio da cooperação policial internacional e das questões relativas ao espaço Schengen. Está disponível, através de bibliotecas eletrónicas na intranet da polícia, um conjunto completo de manuais com todas as informações relevantes sobre o Sistema de Informação de Schengen, o Sistema Automático de Identificação Dactiloscópica e as questões SIRENE para cada autoridade nacional competente e serviço de polícia. [Chipre, 2023]

·O sistema informático nacional regista informações e documentos sobre os nacionais de países terceiros sujeitos a regresso, dando assim uma imagem completa da sua situação. O Gabinete SIRENE é responsável por converter diretamente, nos sistemas das autoridades responsáveis pela migração, as indicações nacionais para efeitos de regresso em indicações de não admissão e de interdição de permanência após a receção dos formulários R-A SIRENE de outros Estados-Membros sobre indicações nacionais. O mesmo procedimento pode ser executado pelos guardas de fronteira quando a pessoa objeto de uma indicação para efeitos de regresso está localizada à saída do território da UE. [Estónia, 2023]

·O gabinete nacional SIRENE implementou uma prática excecional de formação sobre temas relacionados com o SIS, disponibilizando materiais como cartazes, manuais e podcasts, a fim de aumentar a sensibilização e a utilização do SIS a nível nacional. Há formadores disponíveis para sessões a pedido e foram distribuídos materiais pelas autoridades nacionais competentes. [Chéquia, 2024]

Formação conjunta com outros Estados-Membros

·O Estado-Membro adotou o conceito de formação conjunta com os serviços de polícia dos países vizinhos como forma de melhorar a cooperação nas zonas fronteiriças. As ações de formação conjuntas e a existência de outros serviços responsáveis pela aplicação coerciva da lei com homólogos estrangeiros decorrem, por exemplo, do trabalho do comité de cooperação bilateral. O centro de cooperação policial e aduaneira organiza igualmente ações de formação conjuntas. [Alemanha, 2020; Espanha, 2022]

Proteção de dados

·Existe uma formação bem concebida em matéria de proteção de dados para o pessoal expatriado em postos consulares e formação no domínio da proteção de dados, organizada em cooperação com o encarregado da proteção de dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros e a autoridade de proteção de dados. [Chéquia, 2019]

·Conceito de formação abrangente do responsável pelo tratamento dos dados do Sistema Nacional de Informação Schengen e, em especial, disponibilização de módulos de aprendizagem eletrónica e estratégia global de formação para os novos membros do pessoal. [Países Baixos: 2021]

·A formação abrangente sobre os requisitos em matéria de proteção de dados relacionados com o Sistema de Informação de Schengen, organizada pelo encarregado da proteção de dados e ministrada ao pessoal do Sistema de Informação de Schengen nacional e do Gabinete SIRENE e aos utilizadores finais, sobretudo no que diz respeito aos esforços de sensibilização. [Itália, 2021]

·Formação e sensibilização do pessoal do Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre os requisitos em matéria de proteção de dados relativos ao procedimento de emissão de vistos e ao Sistema de Informação sobre Vistos, incluindo a participação ativa do gabinete do encarregado da proteção de dados, para os utilizadores finais, nomeadamente para o pessoal consular antes do destacamento nas embaixadas/consulados. [Grécia, 2021]

·O encarregado da proteção de dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros fornece um manual sobre o tratamento e a proteção de dados pessoais a todos os utilizadores finais do Sistema de Informação sobre Vistos. O guia é conciso e de fácil utilização. [Chéquia, 2024] 

·Formação do pessoal sobre proteção de dados em sistemas informáticos de grande escala através de sessões regulares em linha e presenciais, incluindo cursos de formação de formadores para maximizar o alcance e promover uma cultura de proteção de dados. Os encarregados da proteção de dados das diferentes autoridades desempenham um papel fundamental na organização e realização destas ações de formação. [Polónia, 2024] 

Formação em linha

·Formação regular em todos os pontos de passagem de fronteira, que garante que os guardas de fronteira aprendem constantemente e têm conhecimentos atualizados sobre os procedimentos de controlo de fronteira. A formação em linha consiste em testes diários que os guardas de fronteira têm de realizar durante o seu período de serviço. Existe um conjunto de 200 perguntas de escolha múltipla, das quais 10 por dia são atribuídas aleatoriamente aos guardas de fronteira em serviço. As perguntas abrangem igualmente as bases jurídicas, o manuseamento de equipamentos e a proteção de dados. O chefe de turno verifica os resultados e, com base nas lacunas identificadas nos conhecimentos dos guardas de fronteira sobre determinados temas, são organizadas formações mensais específicas sobre esses temas. [Hungria, 2024]

Direitos fundamentais

·As autoridades nacionais dispõem de ferramentas de atualização de conhecimentos em linha para os guardas de fronteira, com cursos obrigatórios e facultativos. Em complemento destas plataformas, é desenvolvida e utilizada uma plataforma em linha para melhoria de competências, centrada exclusivamente nos direitos fundamentais no controlo das fronteiras e nos regressos. A plataforma baseia-se no manual de cursos da Frontex de 2019 para formadores no domínio dos direitos fundamentais e está acessível ao público, sendo bem estruturada e de fácil utilização, ligando as normas e salvaguardas em matéria de direitos fundamentais aos cenários de controlo nas fronteiras. [Croácia, 2024]

Equipamento

Dispositivos móveis

·Foram distribuídos dispositivos móveis para proporcionar aos agentes que realizam patrulhas acesso às bases de dados pertinentes através de uma aplicação móvel. Fáceis de utilizar e potentes, estes dispositivos podem ler as chapas de matrícula dos veículos, assim como a zona de leitura ótica (ZLO) dos documentos de identidade. Estão igualmente equipados com capacidades de reconhecimento facial (ou seja, enviam fotografias para uma base de dados central, para efeitos de reconhecimento facial). [Hungria, 2019]

·Todos os agentes da polícia com o perfil pertinente foram equipados com telemóveis inteligentes com acesso direto a bases de dados (inter)nacionais e com uma aplicação de comunicação segura. As forças policiais nacionais utilizam uma solução móvel para trabalhar fora das esquadras. Através de dispositivos móveis (tábletes, telemóveis inteligentes e computadores portáteis), qualquer agente da polícia operacional pode consultar bases de dados (inter)nacionais (tais como bases de documentos de identidade, de chapas de matrícula e de dados biométricos). Os objetos digitalizados com o telemóvel inteligente, como as chapas de matrícula, são imediatamente verificados na base de dados central. [Países Baixos: 2021]

Documentos para verificar as condições de entrada

·Os guardas de fronteira de primeira linha do aeroporto internacional têm a possibilidade de utilizar um formulário com as perguntas necessárias para determinar o cumprimento da maioria das condições de entrada estabelecidas no artigo 6.º, n.º 1, do Código das Fronteiras Schengen. O formulário facilita a verificação das condições de entrada dos nacionais de países terceiros, melhora a comunicação entre os agentes da polícia de fronteiras e os viajantes e permite superar potenciais barreiras linguísticas. O formulário está disponível em 28 línguas correspondentes ao tráfego internacional no aeroporto, como chinês, coreano, russo, ucraniano e albanês, e é utilizado para facilitar o controlo das condições de entrada quando existe uma barreira de comunicação entre passageiros e guardas de fronteira. O preenchimento do formulário pelo nacional de país terceiro requer apenas breves instantes e não afeta os tempos de espera nas fronteiras. [Hungria, 2024]

3.Sistemas informáticos de grande escala:

Pedidos nacionais

Indicações e consultas

·Sempre que o Gabinete SIRENE cria, atualiza ou suprime uma indicação utilizando a aplicação nacional, a autoridade emissora/requerente é automaticamente informada através de uma notificação automática por correio eletrónico, o que simplifica o procedimento, reduz o volume de trabalho e melhora o intercâmbio de informações entre as diferentes autoridades envolvidas. [Hungria, 2019]

·Os Estados-Membros recebem os dados dos passageiros de todos os voos provenientes de países terceiros, o Targeting Center Borders compila esses dados, que são tratados automaticamente através do sistema nacional de informações antecipadas sobre os passageiros (API). O sistema API é constituído por bases de dados nacionais, «listas de vigilância», perfis baseados em análises de risco, o Sistema de Informação de Schengen e a base de dados relativa a documentos de viagem furtados e extraviados (SLTD). Em caso de correspondência, os operadores têm acesso a várias bases de dados e utilizam a aplicação nacional para verificar a correspondência e obter mais informações sobre a indicação (fotografias, impressões digitais, mais pormenores sobre as «medidas a tomar», etc.). O resultado da resposta positiva apresenta identificadores, o «motivo do pedido» e as «medidas a tomar». Os dados do suspeito e do voo são enviados para o aeroporto ou porto marítimo em questão, que é responsável pela detenção do suspeito. [Países Baixos: 2021]

·Para além dos proprietários de armas de fogo, todas as armas de fogo importadas também devem ser registadas pelos importadores e armeiros no registo policial, sendo efetuadas as mesmas consultas automatizadas. Desde agosto de 2022 que é obrigatório carregar fotografias das armas de fogo, indicando todas as marcações e números de série disponíveis. Desta forma, garante-se que as fotografias estão disponíveis para anexar às indicações se estiver a ser introduzida uma arma no Sistema de Informação de Schengen. [Lituânia, 2023]

·Um processo de criação de indicações convivial com elevado grau de automatização para as indicações nacionais sobre cidadãos (nacionais). Implica a importação automática de dados dos registos nacionais, incluindo fotografias. Estes dados são diretamente transferidos para as indicações do Sistema de Informação Schengen aquando da sua criação. [Croácia, 2024]

·A autoridade aduaneira nacional dispõe de um sistema de consulta automática para verificar as declarações aduaneiras dos veículos por confronto com o Sistema de Informação Schengen, utilizando os números NIV. [Croácia, 2024]

·As atualizações proativas de indicações anteriormente criadas sobre pessoas com a descrição da sua identidade/documento aumentam a probabilidade de encontrar com êxito uma indicação durante as consultas. [Croácia, 2024]

Comunicação de respostas positivas

·Foram implementadas várias práticas para assegurar a notificação automática das respostas positivas ao Gabinete SIRENE. Em particular:

-a apresentação de informações nos ecrãs do agente de segunda linha relativamente a uma resposta positiva logo que seja registada na primeira linha. Os guardas de fronteira do Gabinete SIRENE recebem igualmente informações sobre as respostas positivas através da aplicação da guarda de fronteiras, [Polónia, 2015]

-quando a agência nacional responsável pelos veículos rodoviários obtém uma resposta positiva, o gabinete SIRENE recebe uma notificação automática por correio eletrónico, o que permite ao operador SIRENE verificar a resposta positiva e contactar a agência, caso esta não tenha tomado a iniciativa, [Luxemburgo, 2016]

-a aplicação utilizada nas fronteiras dispõe de uma funcionalidade de conversa direta («chat») com o responsável pelo processo no Gabinete SIRENE, o que permite o contacto direto e imediato com o Gabinete SIRENE em caso de envio de um formulário interno de notificação de respostas positivas, [Croácia, 2018]

·No aeroporto, os guardas de fronteira estabeleceram um procedimento eficaz de acompanhamento das respostas positivas relativas a indicações para efeitos de vigilância discreta, em cooperação com os agentes aduaneiros. Caso os guardas de fronteira verifiquem que um passageiro é objeto de um pedido de vigilância discreta no Sistema de Informação de Schengen, assinalam discretamente esse facto aos agentes aduaneiros. [França, 2021]

·A aplicação nacional fornece aos utilizadores finais o formulário de notificação de respostas positivas do Sistema de Informação de Schengen, com um modelo previamente preenchido que extrai da indicação todos os dados disponíveis. Os utilizadores finais preenchem os campos pertinentes e enviam o formulário diretamente ao Gabinete SIRENE. A mensagem de correio eletrónico recebida inclui o formato HTML, que pode ser diretamente convertido num formulário SIRENE. As perguntas do controlo de verificação são previamente preenchidas no formulário de notificação de respostas positivas. Desta forma, garante-se um nível muito bom de qualidade dos dados e de comunicação de respostas positivas em tempo real. [Lituânia, 2023]

·Procedimento eficaz para informar que uma pessoa objeto de uma decisão de regresso e de uma indicação para efeitos de regresso abandonou efetivamente o espaço Schengen. Nesses casos, a autoridade da guarda de fronteira que recebeu a resposta positiva regista a partida diretamente na aplicação utilizada pelo Serviço de Migração. O Gabinete SIRENE apaga a indicação para efeitos de regresso e introduz a indicação de não admissão fora do horário de expediente quando recebe a informação sobre a partida de outro Estado-Membro Schengen ou das embaixadas ou consulados nacionais. Em caso de regresso forçado, as unidades de polícia locais que o executaram também o registam diretamente no sistema. Este procedimento assegura uma gestão eficaz da política de regresso a nível nacional e assegura igualmente que a indicação de não admissão é introduzida de imediato no Sistema de Informação de Schengen quando a decisão de regresso é acompanhada de uma proibição de entrada. [Finlândia, 2023]

·Comunicação automatizada e convivial de uma resposta positiva entre a primeira e a segunda linha em determinados pontos de passagem de fronteira. Em caso de resposta positiva, o agente de primeira linha tem a possibilidade de enviar a informação relativa à resposta positiva da primeira linha diretamente para a segunda linha. Posteriormente, será visível na segunda linha uma notificação de cor vermelha. Em caso de resposta positiva relativa a pessoas para efeitos de controlo discreto, a primeira linha recolhe discretamente as informações disponíveis e, além disso, junta capturas de ecrã do passaporte/bilhete de identidade/certificado de matrícula do veículo. Estas serão automaticamente enviadas para a segunda linha, sendo criado um formulário de notificação de respostas positivas, que será enviado ao SIRENE. [Hungria, 2024]

·Ao receber um formulário nacional de resposta positiva sobre uma indicação estrangeira do Sistema de Informação Schengen, o sistema SIRENE de gestão de processos transfere automaticamente os dados já em inglês para os formulários SIRENE G, H ou R, consoante a categoria da indicação. A introdução manual necessária é mínima antes de enviar o formulário para outros gabinetes SIRENE. Quando o Gabinete SIRENE recebe um formulário SIRENE R-A relativo a uma indicação nacional para efeitos de regresso, o formulário é automaticamente transferido do sistema de gestão para uma base de dados utilizada pelas autoridades de polícia de fronteiras e estrangeiros. Em seguida, converte automaticamente a indicação conforme necessário ou elimina-a se a decisão de regresso não for acompanhada de uma proibição de entrada. Aplica-se o mesmo processo à receção dos formulários SIRENE R-B ou R-E. Os formulários de resposta positiva e as indicações são tratados em tempo útil. Para as indicações nacionais de respostas positivas relativas a pessoas desaparecidas, o formulário nacional de resposta positiva inclui um campo obrigatório sobre o consentimento para a partilha de informações de localização com a pessoa que apresenta a denúncia de pessoa desaparecida. [Eslováquia, 2024

Criação de indicações

·Foi criada uma mensagem de alerta no fluxo de trabalho SIRENE para recordar às autoridades a necessidade de inserir dados biométricos, se disponíveis, ao criar uma indicação no SIS. [Países Baixos: 2021]

·Elevado nível de qualidade dos dados e automatização em dois processos no Registo de Pessoas Procuradas. Em primeiro lugar, quando é criada uma indicação sobre um nacional, o registo verifica automaticamente se existe um veículo ou uma arma de fogo registada nas bases de dados nacionais em nome da pessoa e oferece automaticamente ao utilizador final a possibilidade de incluir o objeto como uma extensão da indicação, o que tem de ser confirmado pelo utilizador final. Em segundo lugar, ao introduzir uma indicação sobre um residente, o registo preenche previamente na indicação e importa os dados alfanuméricos (incluindo as informações do documento de identificação) dos registos nacionais (a fotografia do documento de identificação não é carregada automaticamente, mas sim acrescentada manualmente, quando disponível). Além disso, ao criar uma indicação para efeitos de regresso na aplicação nacional relativa a uma pessoa cujas informações pessoais constem dos registos nacionais, a aplicação nacional também importa os dados alfanuméricos e biométricos da indicação (incluindo a cópia do documento de identificação, quando disponível). [Lituânia, 2023]

·Pré-preenchimento automático dos dados nas indicações. Ao introduzir uma indicação relativa a um residente nacional no sistema de registo de mandados, o registo pré-preenche e importa os dados alfanuméricos e a fotografia da pessoa visada na indicação do registo nacional em questão. [Hungria, 2024]

Intercâmbio de informações

·Quando uma indicação nacional relativa a uma pessoa desaparecida é introduzida no Sistema de Informação Schengen, o Gabinete SIRENE nacional receberá um formulário SIRENE C gerado automaticamente. Este formulário inclui todas as informações suplementares e pode ser transmitido diretamente a outros Gabinetes SIRENE pelo Gabinete SIRENE nacional. A geração automática dos formulários SIRENE C para as indicações ao abrigo do artigo 32.º permite a transmissão rápida de dados para ajudar outros Estados-Membros em casos urgentes. [Irlanda, 2024]

Sistemas nacionais de informação Schengen e sobre vistos e sistemas informáticos

·O centro de operações de segurança monitoriza a segurança ao nível dos utilizadores de toda a rede policial, detetando anomalias que possam indicar eventuais ataques. Quando o centro de operações de segurança deteta uma utilização suspeita, o centro de operações deve intervir para verificar a eventual anomalia. A monitorização ativa de um «comportamento atípico» dos utilizadores finais que efetuam consultas permite-lhes identificar sinais de utilização indevida do Sistema de Informação de Schengen e prevenir eventuais riscos para a segurança dos dados. [Países Baixos: 2021]

·No sistema informático nacional de vistos, os pedidos urgentes (por exemplo, num caso em que um requerente precise de viajar pouco tempo após a apresentação do pedido, como a hospitalização de um familiar próximo) são sinalizados de forma permanente. Por conseguinte, é fácil identificar pedidos urgentes e atribuir prioridade à sua análise. [Malta, 2022]

·Os relatórios mensais sobre a qualidade dos dados elaborados pela eu-LISA são recebidos no Gabinete Nacional do Sistema de Informação de Schengen e são então pré-filtrados para incluir apenas as indicações que o Gabinete SIRENE deve verificar e/ou transmitir aos utilizadores finais que criaram a indicação em causa. A dupla verificação de eventuais erros garante, em grande medida, a boa qualidade dos dados introduzidos no Sistema de Informação de Schengen pelas autoridades. [Lituânia, 2023]

·A aplicação Sistema de Informação de Schengen nacional apresenta de forma bem visível «Notificação imediata» e «Identidade usurpada», colocando o texto no topo da indicação em letras vermelhas. Esta disposição permite ao utilizador final tomar conhecimento imediato da situação em termos de urgência, complexidade e sensibilidade da indicação. [Chipre, 2023]

·A infraestrutura informática de tratamento de vistos facilita significativamente a apresentação e a análise dos pedidos de visto de forma segura, limitando a dependência do prestador de serviços externo no que diz respeito à gestão e ao controlo dos sistemas. Em primeiro lugar, um formulário de pedido de visto em linha disponível no sítio Web do Ministério dos Negócios Estrangeiros e utilizado em cerca de 80 % dos pedidos de visto, incluindo um «Guia» com explicações úteis em muitas línguas sobre os dados a introduzir nos diferentes campos. No final do processo, é possível gerar uma lista de controlo para os documentos comprovativos necessários, dependendo do local de apresentação do pedido e da finalidade da viagem. Em segundo lugar, foi desenvolvido um sistema de introdução de dados para o prestador de serviços externo registar os pedidos e combiná-los com dados biométricos e documentos comprovativos digitalizados, totalmente gerido pelas autoridades nacionais. Por último, o sistema «principal» de tratamento dos pedidos para a análise dos pedidos e a tomada de decisões tem uma interface intuitiva e convivial, que permite aos decisores contactar facilmente os consulados, os prestadores de serviços externos, os guardas de fronteira e a polícia em relação a um determinado pedido. O VIS Mail foi integrado no sistema de forma convivial e dispõe de várias ferramentas analíticas e estatísticas. A funcionalidade de gestão e controlo dos registos do sistema notifica a equipa de apoio do ministério de quaisquer atividades invulgares dos utilizadores que efetuam o tratamento dos dados. [Finlândia, 2023]

·Procedimento normalizado para a captura de fotografias de nacionais de países terceiros no registo de políticas de cidadãos estrangeiros de acordo com as normas da OACI. Tal resulta em fotografias de elevada qualidade e facilita a identificação de pessoas visadas por indicações nacionais para efeitos de regresso e por indicações relativas a recusas de entrada. [Hungria, 2024]

·Controlos automatizados de impressões digitais realizados com base numa análise dos riscos de criminalidade e imigração, além de determinar a identidade das pessoas e confirmar as respostas positivas. [Hungria, 2024]

·Existe um processo bem planeado e documentado para a continuidade das atividades nos centros de dados. São utilizadas configurações idênticas para ambientes de desenvolvimento, pré-produção e produção e existe um local secundário geo-redundante e altamente seguro. Há testes regulares das unidades de alimentação ininterrupta, dos sistemas de restauro de salvaguarda e dos sistemas de comutação automática entre o centro de dados primários e o local de salvaguarda. A documentação relativa à segurança da informação é regularmente revista e atualizada; são realizadas regularmente auditorias internas. [Eslováquia, 2024]

·O sistema de gestão de processos do Gabinete SIRENE inclui um instrumento sólido para a elaboração de relatórios estatísticos, permitindo a apresentação de relatórios pormenorizados por esquadra de polícia e por ponto de passagem de fronteira com base em formulários internos de comunicação de respostas positivas. As estatísticas podem ser filtradas por vários parâmetros, como o tipo de infração, o que ajuda a monitorizar a utilização do Sistema de Informação Schengen à escala nacional e a comunicar informações à eu-LISA. [Croácia, 2024]

·Em situações em que o acesso direto ao Sistema de Informação Schengen não esteja disponível, os utilizadores finais podem contactar a autoridade técnica central por fax ou mensagem de correio eletrónico para gerir as indicações através do canal de comunicação Web em modo de emergência. Os procedimentos nacionais claros fornecem critérios mínimos e modelos para este processo, assegurando a disponibilidade ininterrupta de todas as funcionalidades do Sistema de Informação Schengen para os utilizadores finais. [Polónia, 2024]

Requisitos em matéria de proteção de dados relativos ao Sistema Nacional de Informação de Schengen (N.SIS)

·As autoridades que gerem o N.SIS aceitam pedidos relativos aos direitos dos titulares dos dados apresentados em línguas diferentes da língua do Estado-Membro. [Lituânia, 2018]

·O encarregado da proteção de dados do responsável pelo tratamento de dados do N.SIS estabeleceu uma política abrangente de notificação de violações de dados, incluindo procedimentos, ferramentas e instruções ao pessoal. [Alemanha, 2020; [Noruega, 2022]

·Estrutura descentralizada de controlo da proteção de dados pessoais, na qual são disponibilizadas pessoas de contacto para questões relativas à proteção de dados pessoais em todas as unidades da polícia, enquanto dois encarregados da proteção de dados são incumbidos da supervisão geral. [Países Baixos: 2021]

·O encarregado da proteção de dados é responsável pela gestão da vulnerabilidade, pela coordenação da atividade de avaliação da mesma e pela realização de avaliações e auditorias de riscos; coopera com o responsável pelo tratamento de dados de forma proativa e colaborativa, por exemplo, quanto ao projeto de criação de um Centro de Operações de Cibersegurança que permita uma gestão rápida e eficaz dos incidentes. [Itália, 2021]

·A gestão da autorização de utilizador do Serviço Nacional de Polícia impede o acesso não autorizado a dados pessoais. Para além de uma eventual mudança do cargo ou das tarefas, o superior hierárquico do utilizador controla e avalia anualmente se as autorizações de utilizador dos subordinados são adequadas e, se necessário, lança um procedimento interno para as atualizar. O coordenador responsável pelo sistema deve verificar anualmente se os direitos de utilizador conferidos aos grupos de partes interessadas e às pessoas externas são adequados e se estão atualizados. [Finlândia, 2023]

·O novo sistema de gestão de informações e eventos de segurança (SIEM) é implementado como uma ferramenta de análise de registos que melhora significativamente a deteção de anomalias e a potencial utilização indevida do Sistema de Informação Schengen, o que reduz a vulnerabilidade do sistema. [Suécia 2022]

·Prestação proativa de informações sobre os direitos dos titulares dos dados pela polícia aeroportuária. Fornecem uma ligação para o portal de proteção de dados da polícia através de códigos QR, que são colocados de forma visível na primeira e na segunda linha nos pontos de passagem de fronteira. [Hungria, 2024]

Requisitos em matéria de proteção de dados em relação ao procedimento de emissão de vistos/Sistema de Informação sobre Vistos

·Atividades abrangentes do responsável pelo tratamento de dados do N.VIS relacionadas com a supervisão dos consulados e do prestador de serviços externo, nomeadamente sobre questões ligadas à segurança e à proteção de dados. Em especial, nos últimos anos, o responsável pelo tratamento de dados do N.VIS realizou uma série de auditorias internas. [Espanha, 2017; Itália, 2021]

·O encarregado da proteção de dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da União Europeia e da Cooperação participa nas inspeções do ministério ao procedimento de emissão de vistos e, regra geral, participa também intensamente em muitos aspetos do procedimento de emissão de vistos relacionados com a proteção de dados. [Espanha, 2022]

·Controlo exaustivo dos registos efetuado por um programa informático automatizado para detetar incidentes nos ficheiros de registo. [Dinamarca, 2022; Suécia 2022]

·A solução do sistema de gestão de informações e eventos de segurança (SIEM) implementada no sistema informático do Ministério dos Negócios Estrangeiros foi concebida com numerosas regras predefinidas que acionam alarmes e notificam por correio eletrónico a equipa de apoio VISA do ministério em caso de qualquer atividade invulgar dos utilizadores que efetuam o tratamento dos dados no sistema central do VIS (C-VIS). Uma vez que o sistema VISA (o sistema principal nacional de tratamento dos pedidos para a análise dos pedidos e a tomada de decisões) regista todo o tratamento de dados no VISA e no C-VIS por todas as autoridades de utilizadores finais com direitos de acesso, o controlo dos registos abrange também todas estas autoridades. A equipa de proteção de dados do ministério dispõe de um procedimento bem consolidado para avaliar as violações de dados e quais as medidas adicionais a tomar, incluindo o calendário para a notificação da Autoridade de Proteção de Dados. [Finlândia, 2023]

Gabinete SIRENE

Procedimentos SIRENE

·O Ministério Público dispõe de um balcão de serviço disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, para as sinalizações do Gabinete SIRENE. [Dinamarca, 2017]

·Participação do pessoal SIRENE em atividades no local no decurso de operações policiais em grande escala. [Suíça, 2018]

·Existe um mecanismo para enviar impressões digitais do Sistema de Informação de Schengen ao Sistema Automático de Identificação Dactiloscópica nacional através do sistema de gestão do fluxo de trabalho SIRENE e obter automaticamente respostas positivas/negativas. Este procedimento só é iniciado quando é criado um processo no sistema de gestão do fluxo de trabalho SIRENE. Em conformidade com a legislação, o procedimento não implica o armazenamento das impressões digitais do SIS no AFIS nacional. [Irlanda, 2021]

·Todas as autoridades competentes relacionadas com a rede interna segura da polícia dispõem das suas contas de correio eletrónico oficiais específicas, utilizadas para o intercâmbio de informações. Todos os relatórios policiais de incidentes são visíveis por todos os gabinetes com contas de correio eletrónico específicas, incluindo pelos agentes SIRENE que efetuam pesquisas pró-ativas nas bases de dados disponíveis, incluindo o SIS, e por todos os nacionais da UE e de países terceiros envolvidos nos incidentes comunicados. Na sequência destas consultas, caso seja obtida uma correspondência positiva, o Gabinete SIRENE contacta imediatamente a esquadra da polícia responsável pelo caso (que comunicou o incidente) e solicita que sejam tomadas novas medidas relativamente ao objeto da indicação. A abordagem proativa desenvolvida pelo Gabinete SIRENE garante que nenhuma resposta positiva passe despercebida durante as consultas efetuadas com base no SIS. [Chipre, 2023]

Sistema de gestão do fluxo de trabalho SIRENE

·Nas aplicações de gestão de processos, em caso de resposta positiva relativa a uma indicação que contenha pseudónimos, identidades e/ou ligações utilizadas indevidamente, aparece uma janela instantânea que chama a atenção para a presença destas informações. Esta notificação dá uma resposta eficaz a um dos problemas mais comuns relacionados com as soluções de consulta nos diferentes Estados-Membros: a dificuldade em tornar estas informações visíveis para o utilizador final. [Hungria, 2019]

·O sistema de gestão do fluxo de trabalho SIRENE controla automaticamente todas as mensagens recebidas de todos os canais internacionais (incluindo os formulários SIRENE) por confronto com palavras-chave predefinidas. Os dados pessoais incluídos nos formulários são automaticamente controlados por confronto com as bases de dados conexas. Os resultados positivos dessa verificação são assinalados como «respostas positivas prioritárias», a fim de indicar que esses formulários devem ser tratados com caráter prioritário. Graças a esta solução, o Gabinete SIRENE pode gerir eficazmente os pedidos recebidos, sem atrasos. [Listenstaine, 2021]

·Os formulários A e M sobre pessoas recebidos (utilizados, respetivamente, para o intercâmbio de informações sobre mandados de detenção europeus e pedidos de extradição, bem como sobre informações suplementares diversas quando não está previsto qualquer procedimento) são tratados automaticamente no sistema de gestão de processos SIRENE, que transfere automaticamente para o serviço de informações de segurança dinamarquês os formulários recebidos sobre indicações relacionadas com o terrorismo. [Dinamarca, 2022]

·Os formulários SIRENE criados pelos agentes são previamente preenchidos com os dados das indicações e incluem textos predefinidos que podem ser acrescentados com apenas um clique. Os textos predefinidos são adaptados a cada forma e a cada tipo de indicação. [Eslováquia, 2019]

·O sistema de gestão de processos SIRENE é uma aplicação informática única que trata todas as mensagens de forma altamente automatizada: os formulários SIRENE recebidos são automaticamente associados aos processos existentes e atribuídos ao agente competente responsável pelo processo; os formulários A recebidos são tratados automaticamente e verificados tendo por referência as bases de dados nacionais com base em palavras-chave. Este processo permite que todos os formulários A recebidos relacionados com estas palavras-chave sejam automaticamente enviados uma vez por dia, em lote, aos serviços e unidades competentes. Os formulários A só são atribuídos a um operador para tratamento manual em caso de correspondência. Os formulários nacionais de resposta positiva específicos são automaticamente enviados a partir de uma janela de pré-visualização no alerta do Sistema de Informação de Schengen pelos utilizadores finais a partir do navegador/registos da polícia e recebidos na caixa de entrada da OIT, e depois convertidos em formulários SIRENE de notificação de respostas positivas. Estes processos facilitam significativamente o exercício das funções do Gabinete SIRENE e contribuem para a eficácia atempada do intercâmbio de informações e formulários suplementares. [Lituânia, 2023]

4.Aspetos relacionados com os direitos fundamentais

Controlo dos regressos forçados

·O controlo adequado é assegurado pela total independência do Garante Nacional, pelo âmbito da sua ação, pelas ações de formação em matéria de direitos fundamentais (nomeadamente sobre os direitos dos grupos mais vulneráveis) ministradas a quem efetua as escoltas de regresso e pelo princípio da não repulsão, bem como pela rede regional de agentes de controlo dos regressos forçados com formação que operam em todo o território. [Itália, 2021]

·A publicação regular em linha dos relatórios de controlo dos regressos forçados pelo Defensor dos Direitos Públicos, incluindo em inglês, como parte do relatório geral anual do Provedor de Justiça, assegura um nível adicional de controlo dos processos de afastamento, reforçando a sua transparência, e contribui para a eficácia do mecanismo de controlo dos regressos forçados. [Chéquia, 2019]

·O Comando-Geral da Guarda de Fronteiras tem um consultor designado em matéria de direitos humanos para integrar e apoiar práticas de gestão das fronteiras conformes com os direitos fundamentais. As divisões regionais da Guarda de Fronteiras também dispõem de consultores designados em matéria de direitos humanos, que participam na formação sobre direitos fundamentais a nível regional e local. [Polónia, 2024]

5.Supervisão da proteção de dados

·A Inspeção Nacional de Dados organiza a supervisão dos sistemas de informação Schengen e sobre vistos no âmbito do Modelo de Processo Operacional e Notação — uma representação gráfica para definir os processos operacionais num modelo de processo operacional. O Modelo de Processo Operacional e Notação permite aos trabalhadores compreenderem as suas responsabilidades em cada fase, bem como todo o processo de supervisão. [Letónia, 2023]

DIMENSÃO EXTERNA

Cooperação com países terceiros

Agentes de ligação

·Existe um acesso direto da intranet do Gabinete de Ligação Internacional à base de dados dactiloscópicos que permite aos agentes consultarem o AFIS nacional com um ficheiro NIST apenso a uma indicação, permitindo-lhes recuperar quaisquer correspondências no espaço de minutos. Quando a pesquisa automática resulta numa correspondência, esta é igualmente objeto de uma verificação por um perito em impressões digitais. Esta funcionalidade permite não só consultar as bases de dados nacionais com parâmetros alfanuméricos, mas também com dados biométricos, o que aumenta o rigor na identificação das pessoas. [Lituânia, 2023]

·Os consultores em matéria de vistos ou os agentes de ligação são destacados em países terceiros prioritários, incumbidos de identificar potencial migração irregular para o espaço Schengen e recolher informações sobre novos métodos ou tendências. Quando as autoridades responsáveis pelos vistos detetam documentos ou identidades fraudulentos, não só o visto Schengen é recusado, como também é emitida uma proibição de entrada para impedir o nacional de país terceiro de tentar a entrada através de outro Estado-Membro. As informações recolhidas por estes agentes são regularmente partilhadas com as autoridades competentes através de reuniões coordenadas, melhorando a preparação nas fronteiras externas e para os procedimentos de regresso. Estas informações contribuem para a elaboração de planos nacionais e regionais, permitindo ações específicas contra entidades envolvidas na facilitação da migração irregular. Os migrantes em situação irregular identificados nestas operações são encaminhados para os processos de regresso adequados. [Hungria, 2024]

·Foi concedido aos agentes de ligação acesso direto ao sistema de gestão de processos gerido pelo ponto único de contacto, permitindo a extração de informações em tempo real a partir de bases de dados nacionais e internacionais. Este acesso melhora a sua tomada de decisões, apoia as investigações transfronteiriças e aumenta a eficiência operacional com colaboradores internacionais. Além disso, a supervisão pelo ponto único de contacto assegura que as comunicações entre os agentes de ligação e as autoridades responsáveis pela aplicação da lei são coordenadas, transparentes e seguras. [Chéquia, 2024].

Cooperação internacional

·A celebração de acordos bilaterais e multilaterais de cooperação com vários países terceiros permite o intercâmbio de dados em tempo real em matéria de vigilância marítima e nos pontos de passagem de fronteira no que respeita aos controlos em ferries, bem como outras informações relacionadas com as fronteiras. As autoridades apoiam ativamente o desenvolvimento de capacidades nacionais de controlo de fronteiras em países terceiros através da doação de meios. [Itália, 2021]

·As autoridades nacionais gerem os fluxos migratórios e combatem a criminalidade transfronteiras proveniente de fora do espaço Schengen, aplicando um conceito regional de vigilância de fronteiras. Este prevê o destacamento de agentes de ligação de países terceiros para os centros de coordenação regional do Estado-Membro e vice-versa, o que visa facilitar a cooperação direta e o intercâmbio de informações. As unidades da guarda de fronteiras são destacadas para as águas territoriais e para o território de países terceiros, assegurando um patrulhamento conjunto e constante por via marítima e aérea. O sistema regional de vigilância de fronteiras é complementado por um mecanismo de busca e salvamento com embarcações coordenadas pela agência nacional de busca e salvamento. [Espanha, 2022]

·O projeto «Destino turístico seguro» decorre desde 2006, acolhendo e destacando agentes da polícia a nível internacional para melhor servir os turistas e nacionais no estrangeiro. Com a participação crescente de organizações policiais estrangeiras, em 2023 assistiu-se à participação de 24 organizações em 21 países. Os agentes de polícia estrangeiros operam sob poderes acordados, prestando serviços nas línguas dos turistas, o que reduz os obstáculos à procura de ajuda policial. Envergando os seus uniformes nacionais, os agentes da polícia convidados contribuem para a prevenção da criminalidade e reforçam a segurança. [Croácia, 2024]

·Acordos estabelecidos com países terceiros vizinhos, segundo os quais agentes convidados são destacados nessas fronteiras para apoiar a vigilância e outras atividades de controlo, como os controlos nas fronteiras. Aumenta as capacidades de reação e o intercâmbio de informações. Num território vizinho, os agentes da polícia de fronteiras de um país terceiro parceiro estão a patrulhar diariamente, em cooperação com os guardas de fronteira locais, para prevenir a migração ilegal e identificar os facilitadores da introdução clandestina de migrantes. Com base num acordo bilateral com outro país parceiro, um agente está atualmente a trabalhar em pontos de passagem de fronteira específicos para apoiar os controlos e facilitar a comunicação com os passageiros. [Hungria, 2024]

·Os tribunais e as procuradorias criam indicações para pessoas procuradas, juntamente com um mandado de detenção europeu (MDE), tanto em polaco como em inglês. Anexar a versão inglesa à indicação acelera os procedimentos nos outros Estados-Membros para ações relativas a respostas positivas internacionais. [Polónia, 2024]

Política de vistos 

Prestadores de serviços externos

·A imposição de sanções financeiras aos prestadores de serviços externos em caso de incumprimento do contrato, combinada com um controlo reforçado do seu trabalho, constitui uma forma eficaz de assegurar a conformidade do prestador de serviços externo com as disposições do contrato e de melhorar o seu desempenho. [Áustria, 2022]

GESTÃO DAS FRONTEIRAS EXTERNAS

Conhecimento da situação a nível nacional e europeu e sistema de alerta precoce

Cooperação (conhecimento da situação)

·A coordenação entre os centros nacionais de coordenação de dois Estados-Membros vizinhos permite dispor de um quadro de situação comum, um intercâmbio de informações eficaz, um melhor conhecimento da situação nas fronteiras comuns e uma maior capacidade de resposta, uma vez que o posicionamento dos recursos é também partilhado pelos dois países. [Portugal/Espanha, 2017]

·O acesso direto às bases de dados nacionais (para além das que são utilizadas para o controlo fronteiriço) permite ao Centro Nacional de Coordenação manter um quadro de situação nacional abrangente e assegurar um melhor conhecimento da situação pelas partes interessadas a nível nacional e europeu. [Finlândia, 2023]

·O Centro Nacional de Coordenação definiu um procedimento de análise dos pedidos de ativação dos serviços de fusão Eurosur a nível distrital e local. Este procedimento verifica a legalidade e a pertinência de cada pedido dos serviços de fusão Eurosur antes de ser apresentado à Frontex, garantindo que apenas os pedidos pertinentes e eficazes em termos de custos são enviados à Frontex e posteriormente utilizados nas atividades operacionais. [Finlândia, 2023]

·No âmbito da EMPACT, atuar como «motor» do plano de ação operacional da EMPACT que visa as redes criminosas envolvidas na produção, no tráfico e na distribuição de drogas sintéticas e de novas substâncias psicoativas. O chefe da Unidade «Drogas» do Serviço Central de Investigação da Polícia atua como «motor», beneficiando de um apoio operacional bastante único e identificando e acedendo eficazmente a várias oportunidades financeiras. O Centro de Execução de Projetos Europeus do Ministério dos Assuntos Internos apoia esta atividade como uma prioridade e presta assistência através do tratamento de tarefas administrativas e do apoio aos esforços de luta contra o tráfico de droga. [Polónia, 2024]

·Os guardas de fronteira e as autoridades aduaneiras cooperam estreitamente através de um procedimento digital integrado nas fronteiras nos pontos de passagem, a fim de reforçar os controlos e assegurar um processo mais harmonioso. Os dados recolhidos e os resultados dos controlos de primeira linha, incluindo as informações do SIS, são diretamente transferidos dos guardas de fronteira para as autoridades aduaneiras, que prosseguem as inspeções com dados pré-preenchidos. [Polónia, 2024

Análise de risco

Fronteiras terrestres 

·O sistema nacional de análise de riscos da instituição de controlo fronteiriço é eficiente e apoiado por uma cooperação funcional entre agências. Duas vezes por ano, a instituição de controlo fronteiriço publica produtos conjuntos de análise de risco com as Alfândegas e a Polícia Nacional. O intercâmbio regular e sistemático de informações entre as autoridades nacionais competentes envolvidas na execução da gestão europeia integrada das fronteiras, resultando em produtos conjuntos de análise de risco, assegura um conhecimento global da situação a nível nacional e apoia capacidades de reação adequadas. Além disso, são organizadas formações comuns, operações conjuntas e ações adaptadas entre as autoridades competentes envolvidas na gestão das fronteiras. [Lituânia, 2023]

·A aplicação para detetar pessoas e/ou veículos com um perfil de risco específico no âmbito do sistema nacional de análise de riscos da polícia de fronteiras e integrada no sistema nacional de informações sobre a gestão das fronteiras está disponível em todos os pontos de passagem de fronteira para todos os agentes da polícia envolvidos no controlo nas fronteiras e assegura a utilização eficaz dos perfis de análise de risco por todos os níveis organizacionais, aumentando ainda a qualidade do controlo nas fronteiras. Para identificar pessoas ou veículos de alto risco, a polícia de fronteiras desenvolveu uma aplicação automática de indicadores de risco que é integrada no sistema de informações sobre a gestão das fronteiras. Quando ativados, os indicadores detetam automaticamente potenciais infratores durante os controlos na fronteira. Os indicadores estão automaticamente ligados a perfis de risco, mostrando um alarme amarelo no ecrã do guarda de fronteira com uma ligação para o perfil, que dá instruções específicas para determinar o estatuto de uma pessoa. Os guardas de fronteira podem ativar estes indicadores em momentos e passagens de fronteira específicos. [Croácia, 2024]

Controlos nas fronteiras

Fronteiras aéreas 

·Uma unidade específica de seis guardas de fronteira monitoriza a aviação recreativa e em transporte privado, incluindo aeronaves ligeiras e helicópteros, uma vez que tem acesso ao seguimento de rotas e aos dados de voo em tempo real a partir dos radares militares. A unidade recebe todos os planos de voo, procedendo à sua análise. Sempre que o aeroporto de partida ou de chegada não é um ponto de passagem de fronteira, é enviada uma indicação a uma unidade policial para que intervenha. No caso de aterragens não autorizadas em aeródromos não afetados a passagens de fronteira, as autoridades impõem coimas. A avaliação de riscos de desvios de rotas de voo é efetuada regularmente. [Bélgica, 2020]

·A comunicação entre a primeira e a segunda linhas nos pontos de passagem de fronteira do aeroporto através da aplicação nacional é altamente automatizada e convivial. Em caso de resposta positiva, o agente de primeira linha tem a possibilidade de introduzir comentários num campo específico, e a informação relativa à resposta positiva é enviada, juntamente com os comentários, da primeira para a segunda linha através da aplicação nacional. No que diz respeito às cancelas eletrónicas, em caso de resposta positiva a uma indicação para efeitos de vigilância discreta, o operador de cancela eletrónica pode também acrescentar um comentário à resposta positiva, que é imediatamente enviado para a segunda linha, que recolhe informações adicionais disponíveis e envia o formulário de resposta positiva ao SIRENE. Desta forma, é possível concluir o controlo sem qualquer contacto com a pessoa objeto da indicação, recolhendo simultaneamente as informações necessárias. [Lituânia, 2023]

·Unidade de informações de passageiros responsável pela recolha e pelo tratamento dos dados dos passageiros em todos os voos em curso no país. O seu papel consiste em informar (24 horas por dia, sete dias por semana) as autoridades policiais da necessidade de analisar mais aprofundadamente os passageiros que entram e saem, após a comparação automatizada dos seus dados com as bases de dados pertinentes (como o Sistema de Informação Schengen ou o I-24/7), ou com perfis abstratos modelizados em cooperação e/ou a pedido dessas autoridades. Uma vez que recebe consultas de todos os serviços policiais, a unidade está numa posição privilegiada para detetar a sobreposição de investigações e de objetos de interesses e para informar as respetivas agências. No cerne do êxito na execução das tarefas e do intercâmbio de informações da unidade está um sistema de gestão de processos bem desenvolvido para o tratamento das comunicações com as autoridades competentes e as unidades de informações de passageiros de outros Estados-Membros, criado de acordo com as boas práticas internacionais. As operações têm devidamente em conta os requisitos processuais e em matéria de proteção de dados impostos pela legislação nacional e da UE em vigor. A unidade realiza proativamente campanhas de sensibilização sobre as capacidades que oferece. Dispõe de capacidades técnicas e humanas de alta qualidade. [Letónia, 2023]

Fronteiras terrestres

·Verificação prévia automática no Sistema de Informação Schengen dos veículos que se aproximam das cabinas de controlo nas fronteiras terrestres através do reconhecimento automático de matrículas, incluindo extensões de objetos. [Croácia, 2024]

Vigilância de fronteiras

·A guarda de fronteiras utiliza veículos aéreos não tripulados (UAV) para executar tarefas de vigilância e intervenção. Cada uma das unidades regionais responsáveis pelas fronteiras terrestres externas está ligada ao sistema. O sistema é composto por três plataformas (mini motoplanadores não tripulados), uma estação terrestre (com controlo remoto, ecrãs e antenas) e outros equipamentos de apoio. As plataformas estão equipadas com câmaras de visão diurna e noturna, e uma plataforma pode ser utilizada em qualquer momento. As imagens de alta qualidade das câmaras são disponibilizadas em tempo real à estação terrestre ou a outros destinatários ligados. Este sistema de UAV pode reforçar a capacidade de vigilância de fronteiras, melhorar o conhecimento da situação e facilitar as capacidades de reação. Quando é detetado um objeto voador, o centro de coordenação regional é rapidamente informado para que sejam tomadas medidas de intervenção específicas. [Polónia, 2019]

·Foi instalado um sistema de barreira eletrónica ao longo da maior parte da fronteira terrestre externa, constituído por um elevado número de câmaras diurnas, noturnas e térmicas e sensores de movimento e sísmicos. Os centros regionais monitorizam o sistema, transmitindo os alarmes gerados automaticamente aos centros de coordenação locais para o envio de patrulhas. O sistema deteta efetivamente passagens não autorizadas, permite a monitorização em tempo real e melhora os tempos de resposta das patrulhas. [Polónia, 2024]

·A guarda de fronteiras nacional utiliza um sistema informático para o planeamento, a coordenação e a comunicação de ações operacionais, que serve de plataforma única para aumentar a eficiência global do controlo nas fronteiras externas. O sistema dispõe de vários módulos que permitem ao utilizador guardar e partilhar informações sobre eventos, visualizar os eventos num mapa, planear patrulhas e horários de trabalho, mostrar a posição das unidades operacionais em tempo real e transmitir relatórios. [Polónia, 2024]

Base de dados nacional para a vigilância das fronteiras:

·O conceito de vigilância das fronteiras nacionais assenta numa base de dados nacional abrangente e eficiente, que combina todas as funcionalidades pertinentes para apoiar as tarefas operacionais e táticas. Este sistema segue todos os elementos do ciclo operacional de vigilância das fronteiras: prestação de apoio à recolha de informações, comunicação de informações sobre os resultados táticos e operacionais das atividades, planeamento dos turnos, gestão e coordenação das patrulhas, conceção de uma resposta eficaz no terreno e disponibilização de um conhecimento coerente da situação. O software prevê uma plataforma de serviços única para todas as autoridades policiais, assegurando assim a utilização eficaz dos recursos em caso de emergência e os benefícios da compilação do quadro de situação em determinadas áreas de responsabilidade. O software está ligado às funções do ambiente informático móvel da patrulha implantada no terreno. Com base na sua conceção abrangente e coerente, o sistema pode ser gerido a nível local, regional e nacional. [Estónia, 2023]



REGRESSO

Eficácia do sistema de regresso nacional

Procedimentos de regresso

·A prática de tomar decisões em matéria de regresso, afastamento e proibição de entrada numa só etapa reduz os encargos administrativos e, simultaneamente, os direitos processuais dos repatriados são plenamente respeitados. [Áustria, 2015]

·O procedimento de notificação da «intenção de emitir uma proibição de entrada» quando é detetada uma permanência irregular no decurso de um controlo de saída, dando ao nacional do país terceiro a possibilidade de formular objeções, permite às autoridades emitir uma proibição de entrada sem interromper a partida do nacional do país terceiro, respeitando simultaneamente os seus direitos. [Países Baixos: 2021]

·As autoridades nacionais elaboraram um aviso sobre a assistência disponível para a reintegração, a assinar pelos nacionais de países terceiros após consulta. Esta informação é armazenada com os respetivos processos, facilitando a comunicação com os consultores em matéria de regresso nos centros de detenção. [Croácia, 2024]

·Reconhecimento mútuo das decisões de regresso emitidas por outros Estados-Membros. Se um nacional de um país terceiro sem direito de permanência for encontrado e for objeto de uma decisão de regresso emitida por outro país da UE, as autoridades nacionais reconhecerão e executarão sem demora essa decisão. Não emitirão uma nova decisão de regresso nem contactarão o país de emissão, mas, em vez disso, procederão ao afastamento da pessoa para o seu país de regresso, na sequência, se tal se justificar, de uma avaliação atualizada. [Chéquia, 2024]

Procedimento de regresso forçado

·Existem procedimentos que permitem às autoridades tomar rapidamente uma decisão sobre um pedido de asilo subsequente apresentado durante o procedimento de afastamento, a fim de evitar adiar ou atrasar o afastamento de um nacional de um país terceiro, assegurando a aplicação efetiva do princípio da não repulsão. [Países Baixos: 2015]

Regresso voluntário

·Ao longo de todo o procedimento de regresso, o regresso voluntário é uma prioridade para as autoridades nacionais. Existe uma abordagem proativa para incentivar os nacionais de países terceiros a partir voluntariamente em qualquer fase do procedimento, em especial nos centros de detenção. Estes centros são considerados propícios à promoção do regresso voluntário. Os gestores dos processos e as autoridades incentivam de forma proativa os nacionais de países terceiros a saírem do país voluntariamente, ao mesmo tempo que proporcionam alojamento e apoio adequados. [Países Baixos: 2021]

·O diálogo com os repatriados numa fase precoce, ao promover o regresso ou a partida voluntários, bem como a possibilidade de um repatriado participar num regime de regresso voluntário em qualquer fase do procedimento de regresso, incentivam e aumentam o recurso ao regresso voluntário e à reintegração como parte integrante de um sistema comum da UE em matéria de regresso, em conformidade com a Estratégia da UE sobre o Regresso Voluntário e a Reintegração. [Luxemburgo, 2016; Dinamarca, 2022]

Sistema informático

·O sistema informático nacional de gestão de processos de regresso, desenvolvido em conformidade com o modelo da Frontex (RECAMAS), proporciona às autoridades competentes em matéria de regresso uma ferramenta eficiente e integrada, que favorece a gestão eficaz desses processos. [Itália, 2021; Estónia 2023]

·A ligação do sistema nacional de gestão de processos de migração ao módulo relativo aos voos fretados da Aplicação da Frontex para o Regresso (Frontex Application for Return – FAR) permite às autoridades nacionais aceder diretamente a todas as operações de voos fretados organizadas com o apoio da Frontex e ajuda-as a organizar e a participar em operações de regresso de forma mais eficiente. [Áustria, 2020]

Detenção para efeitos de afastamento

Centros de detenção

·Uma sala para crianças nas instalações de registo de estrangeiros proporciona um ambiente adequado e estimulante às crianças. Os horários de funcionamento prolongados e a acessibilidade sem restrições, a presença de um assistente social e o grande número de jogos e atividades disponíveis tornam a sua utilização atrativa para as crianças. [Lituânia, 2018]

·Os centros para famílias e as instalações psiquiátricas específicas permitem dar resposta às necessidades específicas das pessoas vulneráveis detidas. A configuração, as atividades e o empenhamento do pessoal dos centros vocacionados para as famílias permitem manter uma vida familiar tão próxima quanto possível da normal e proporcionam um ambiente adequado e estimulante às famílias e aos menores não acompanhados. Nas instalações psiquiátricas está prevista uma estreita cooperação entre os parceiros relevantes, a fim de dar resposta às necessidades das pessoas vulneráveis com problemas psicológicos ao longo do processo de regresso, aumentando simultaneamente a eficiência dos procedimentos de regresso. [Países Baixos: 2021]

·Os protocolos desenvolvidos e a formação do pessoal, combinados com a conceção e o regime, contribuem para atenuar a tensão e o trauma dos menores no processo de regresso e são consentâneos com o princípio do superior interesse da criança. [Noruega, 2022]

·As instalações para estrangeiros dispõem de serviços de saúde mental, oferecendo aos nacionais de países terceiros assistência em questões de saúde mental, como a perturbação de stress pós-traumático e a prevenção do suicídio, e apoiando a sua adaptação. Os psicólogos realizam uma primeira avaliação com todos os recém-chegados e informam-nos sobre as possibilidades de obter apoio psicológico nas instalações. Esta avaliação permite a identificação precoce de problemas psicológicos, o que pode garantir uma abordagem e um tratamento eficazes desses casos. Os serviços de saúde mental podem ser acedidos durante o horário de expediente, de segunda a sexta-feira, mediante marcação por telefone ou através de um formulário de pedido. Cria-se, desta forma, um ambiente aberto e seguro, sobretudo quando se trata de vítimas de tráfico de seres humanos e de outras pessoas vulneráveis. [Lituânia, 2023]

·As condições de detenção incluem zonas recreativas espaçosas ao ar livre num centro de acolhimento, com uma área de jogo ao ar livre específica para crianças pequenas e uma zona recreativa relvada para adultos, criando uma atmosfera agradável com espaço para a privacidade. Atenua o risco de conflito e de sobrelotação. [Croácia, 2024]

·Centro de detenção com uma unidade educativa de 11 funcionários, que organiza uma grande variedade de atividades educativas, sociais, culturais (tendo em atenção as sensibilidades culturais) e desportivas, bem como eventos. O pessoal está à disposição dos detidos de segunda a sábado, 12 horas/dia, e os agentes estão vestidos à paisana. Alguns deles têm experiência profissional em educação e psicologia e desempenham um papel ativo na prevenção de conflitos no centro. [Polónia, 2024

·Os centros de detenção oferecem aos detidos cuidados médicos alargados adaptados às suas necessidades. Se os cuidados não puderem ser prestados no local, os detidos são rapidamente levados para clínicas especializadas externas. A Guarda de Fronteiras cobre os custos destes tratamentos. Em caso de doença grave, os detidos são libertados e transferidos para organizações de cuidados especializados. [Polónia, 2024]

·O centro de detenção disponibiliza uma creche específica, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, onde as mães podem cuidar dos seus recém-nascidos numa instalação privada e separada. A sala está equipada com mobiliário e artigos essenciais para apoiar os cuidados a lactentes. Existe também uma secção de acolhimento de crianças, espaçosa e bem equipada, que oferece uma vasta gama de atividades, brinquedos e jogos adequados à idade. As crianças cujos pais são detidos no centro podem visitar a sala de jogos com o consentimento dos pais. No caso das crianças muito pequenas, as visitas também podem ser supervisionadas por um dos pais, garantindo um ambiente seguro e favorável para todos. [Chéquia, 2024]

·O centro de detenção implementou uma série de ajudas visuais, incluindo quadros de orientação, sinalética, regras internas e cartazes, concebidos para serem adaptados às crianças e acessíveis. Estes materiais apresentam pictogramas e são apresentados a uma altura e com um aspeto fáceis de compreender pelos menores. Além disso, «O meu guia sobre o regresso» da Frontex foi amplamente disponibilizado e está acessível em várias línguas. [Chéquia, 2024]



FRONTEIRAS INTERNAS



Cooperação transfronteiriça em zonas fronteiriças internas

Cooperação operacional com Estados-Membros vizinhos

·Patrulhas trilaterais conjuntas em comboios com os Estados-Membros vizinhos. [Áustria, 2015]

·Os Estados-Membros elaboram um relatório semestral conjunto de análise da criminalidade e um relatório quinzenal de análise operacional da criminalidade. Além disso, é preparada e partilhada com os Estados-Membros parceiros uma sessão de informação diária sobre os crimes cometidos num Estado-Membro. [Listenstaine, 2015]

·Num comando distrital da polícia da região fronteiriça existe uma equipa de análise conjunta composta por vários serviços, incluindo autoridades policiais, alfandegárias, de fronteira e criminais. As análises são utilizadas para fundamentar as decisões relativas aos controlos nas fronteiras, ao policiamento e às questões aduaneiras. Observou-se que os relatórios de análise eram utilizados para informar os agentes antes das patrulhas conjuntas, incluindo sobre os dias, horas e locais de realização dessas patrulhas. No que se refere aos portos autorizados a receber pessoas que chegam de países situados fora do espaço Schengen, são elaborados relatórios mensais de análise de risco, que são utilizados para determinar os aspetos operacionais e administrativos dos controlos nas fronteiras. [Dinamarca, 2017]

·A fim de assegurar uma cooperação transfronteiriça eficaz e a mutualização dos recursos, os Estados-Membros vizinhos celebraram um acordo sobre a utilização comum de fontes humanas secretas de informação para a realização de operações secretas de obtenção de informações através de uma reserva comum de agentes da polícia. [Lituânia, 2018]

·O sistema de dados nacional emite sinais luminosos nos ecrãs sempre que tem início uma operação, alertando assim imediatamente os operadores para o seguimento necessário. Proporciona igualmente transmissões em direto. A geolocalização dos veículos de patrulha também é visível no sistema. Os centros de cooperação policial e aduaneira e o PUC têm acesso direto a esse sistema. [Chéquia, 2019]

·As brigadas binacionais conjuntas para combater a imigração ilegal e os passadores são mecanismos integrados e permanentes de cooperação internacional que permitem a dois países vizinhos organizar controlos com base numa análise partilhada de riscos relacionados com a migração. Compostas por um número igual de agentes de ambos os países, selecionados pelas suas competências técnicas e linguísticas, estas «brigadas» (ou «unidades conjuntas») criadas nas fronteiras franco-alemã e franco-italiana são regidas pelos acordos de Prüm ou por um acordo bilateral. Para além da organização de patrulhas conjuntas, as brigadas (ou unidades conjuntas) proporcionam formação conjunta. Este sistema de brigadas conjuntas facilita o intercâmbio de informações entre dois países vizinhos e a coordenação das operações de controlo, devendo, por conseguinte, ser incentivado e alargado a outras fronteiras, nomeadamente à fronteira franco-espanhola. [França, 2021]

·A nível regional, a cooperação transfronteiriça assenta em protocolos administrativos celebrados com as autoridades competentes dos Estados-Membros vizinhos, que são executados através de planos de ação anuais. Esta cooperação prática abrange análises de risco conjuntas, operações e patrulhas conjuntas, a gestão de eventos específicos e formações comuns. Estão previstas patrulhas conjuntas regulares. Este conceito de cooperação cria uma boa base para uma resposta operacional conjunta a nível regional, uma utilização comum de recursos limitados e um conhecimento da situação em matéria de criminalidade mais abrangente. [Estónia, 2023; Letónia, 2023]

·São tomadas medidas proativas para limitar a reintrodução temporária dos controlos nas fronteiras internas através da realização de reuniões regulares e específicas com os países vizinhos e da cooperação tática e operacional nas regiões fronteiriças. São regularmente organizadas ações conjuntas de formação transfronteiriça e exercícios de perseguições transfronteiriças e são divulgadas informações básicas sobre esta possibilidade através de folhetos destinados a todos os agentes da polícia nacional. Através de uma vasta rede e de altos funcionários designados em todas as regiões fronteiriças, as autoridades policiais estão em contacto permanente com os seus homólogos transfronteiriços (internos). A monitorização, a análise e a resposta conjuntas às ameaças emergentes são constantes. Tal pode ser alargado a patrulhas, ações, exercícios e planeamento conjuntos, etc., quando surgem ou aumentam ameaças à segurança. Se os controlos nas fronteiras internas forem reintroduzidos, ambos os países analisam a aplicação para evitar ocorrências futuras. [Eslováquia, 2024]

·A nível político e estratégico, tal é feito através de reuniões e consultas regulares e específicas com os países vizinhos, mas a tónica é colocada na cooperação tática e operacional nas regiões fronteiriças. São organizadas regularmente ações de formação e exercícios conjuntos de perseguições transfronteiriças, juntamente com os Estados-Membros vizinhos, e são disponibilizadas informações básicas sobre esta possibilidade através de folhetos destinados a todos os agentes da polícia eslovaca. Através da sua extensa rede de centros de cooperação policial e da designação de determinados altos funcionários em todas as regiões fronteiriças como responsáveis pela coordenação da cooperação em matéria de aplicação da lei com o país vizinho («plenipotenciários fronteiriços»), as forças policiais eslovacas estão permanentemente em contacto com os seus homólogos do outro lado da fronteira interna. Tal assegura um acompanhamento e uma análise conjuntos e permanentes da situação em matéria de segurança nas regiões fronteiriças, permitindo uma deteção rápida e uma resposta conjunta a ameaças emergentes. Quando surgem ou aumentam determinadas ameaças à segurança, a cooperação transfronteiriça é intensificada sob a forma de patrulhas conjuntas, ações conjuntas, exercícios conjuntos, planeamento conjunto, etc. Quando, apesar destas medidas preventivas, em certos casos, a reintrodução dos controlos nas fronteiras internas é considerada necessária, a aplicação desses controlos é analisada conjuntamente por ambos os países numa fase posterior, a fim de identificar possíveis medidas para os evitar no futuro. Esta é considerada uma boa prática. [Eslováquia, 2024]

·Intensificação da cooperação policial por parte dos Estados Schengen vizinhos devido a um novo conceito de patrulha conjunta desenvolvido a partir de um acordo de 2023 entre os comandos nacionais da polícia competentes. Foi criado um centro operacional com capacidades de comando, controlo e comunicação num centro de cooperação policial transfronteiriça. Um plano operacional regional baseado no risco orienta os esforços. As patrulhas participantes são acompanhadas através de dispositivos GPS e conhecem a localização umas das outras através de dispositivos móveis. As operações conjuntas, incluindo 12-16 patrulhas mistas por mês, ocorrem perto da fronteira partilhada. Os tipos e equipamentos de patrulha, como os drones e a visão noturna, são selecionados de acordo com o plano. Desde junho de 2022, outras autoridades Schengen vizinhas aderiram a estas operações. [Hungria, 2024]



SEGURANÇA INTERNA

Estratégias nacionais em matéria de aplicação coerciva da lei

·De quatro em quatro anos, o ministro da Justiça e da Segurança define a agenda de segurança nacional, juntamente com os objetivos estratégicos nacionais para a atividade policial. A nível regional, a administração local traduz as prioridades nacionais em objetivos estratégicos regionais para a polícia na agenda de segurança regional. Os serviços responsáveis pela aplicação coerciva da lei procedem ao intercâmbio de dados e informações a fim de recolher os dados e as informações adequados para contribuir para a agenda de segurança nacional, as agendas de segurança regionais e a Avaliação da Ameaça da Criminalidade Grave e Organizada (SOCTA) da Europol. Os comités diretores do departamento de investigação são incumbidos da coordenação e monitorização de todo o procedimento. Graças a uma sessão de informação operacional diária, as diferentes equipas da polícia são informadas das questões específicas que requerem atenção na sua área de trabalho e que são utilizadas, por exemplo, como ponto de partida para a elaboração de políticas de luta contra a criminalidade organizada e para estimar os níveis de ameaça que indicam a probabilidade da ocorrência de um ataque terrorista. Além disso, os serviços de investigação e análise de todos os serviços regionais de informações realizam as suas próprias avaliações da ameaça e da segurança. [Países Baixos: 2021]

·A Procuradoria-Geral nomeou um magistrado de ligação para o ponto único de contacto, que é frequentemente consultado sobre o lançamento de indicações e mandados de detenção internacionais, investigações criminais internacionais complexas e outros casos que requerem o contributo do Ministério Público. [Portugal, 2022].

·Cooperação muito estreita entre os agentes de ligação estrangeiros e a autoridade central para a cooperação judiciária internacional, que pode aconselhar e assistir por escrito as decisões europeias de investigação ou os pedidos de auxílio judiciário mútuo dirigidos ao Estado-Membro. [Portugal, 2022].

·Utilização de uma ferramenta de análise pela polícia nas suas unidades de análise criminal, permitindo a criação de «perfis» de fenómenos criminosos, com base em dados operacionais, que mostram ao utilizador uma visualização interativa do referido fenómeno e das suas tendências, práticas adotadas e evoluções. Desde o início do lançamento desta aplicação em 2019, a polícia alargou significativamente o número de fenómenos de criminalidade analisados e de utilizadores. [Lituânia, 2023]

Organização do ponto único de contacto (PUC) para o intercâmbio internacional de informações no domínio da aplicação coerciva da lei

Organização, intercâmbio de informações

·Para uma melhor coordenação da cooperação policial internacional, a polícia criou uma rede de agentes de contacto para essa cooperação. Estão localizados em todos os comandos regionais da polícia e no comando da polícia metropolitana da capital. Os agentes de contacto ajudam a melhorar a qualidade e a facilitar a coordenação dos pedidos de intercâmbio de informações. [Polónia, 2019]

·Existe um fluxo diário consolidado de notificação de incidentes criminais do nível local para o nível regional e estatal. Na prática, a equipa de gestão das esquadras locais e regionais, bem como o serviço central da polícia criminal do Estado, têm regularmente acesso a um relatório eletrónico sobre os acontecimentos das últimas 24 horas, que permite tomar decisões informadas a todos os níveis. [Alemanha, 2020]

·O sistema de coordenação das operações de luta contra o terrorismo reúne todas as informações provenientes das diferentes organizações e instituições policiais responsáveis pela prevenção e luta contra o terrorismo, o radicalismo violento e a criminalidade organizada e grave. Este sistema proporciona uma alternativa adequada, que combina a gestão da informação com a coordenação operacional caso as autoridades nacionais competentes não tenham acesso às bases de dados umas das outras. [Espanha, 2022]

·Destacamento de agentes internacionais responsáveis pela apreciação dos pedidos a nível regional em diferentes departamentos de polícia. Estes agentes fazem parte do ponto único de contacto e beneficiam de quatro semanas de formação sobre sistemas informáticos de grande escala, intercâmbio de informações suplementares através do canal SIRENE, gestão de dados biométricos e visitas no terreno à Europol e à Eurojust. Têm pleno acesso aos sistemas de gestão de processos do ponto único de contacto e ao sistema mundial de comunicações policiais seguras I-24/7 da Interpol e podem introduzir indicações no Sistema de Informação de Schengen e notificações da Interpol. Têm igualmente acesso aos sistemas e autorizações equivalentes a um agente responsável pela apreciação dos pedidos adstrito ao Gabinete SIRENE nacional e ao Centro Internacional de Comunicações. Tal resultou na disponibilização de conhecimentos especializados sobre o Sistema de Informação de Schengen em cada divisão local. Além disso, os agentes internacionais responsáveis pela apreciação dos pedidos verificam a qualidade e a relevância jurídica das informações solicitadas, redigem mensagens SIENA a enviar aos agentes de ligação da Europol e ministram formação sobre a cooperação policial internacional no âmbito do departamento de polícia local. [Finlândia, 2023]

·A polícia nacional utiliza um sistema integrado de gestão de processos para facilitar a comunicação em tempo real, a coordenação de recursos e a atribuição de tarefas nos centros de comando. A sua conceção convivial permite respostas rápidas e uma coordenação eficiente em situações dinâmicas, partilhando comandos e informações diretamente com patrulhas e unidades especializadas. Reforça a prontidão operacional e a segurança pública. O sistema integra igualmente importantes parceiros não policiais, como as alfândegas, o corpo de bombeiros e os serviços de ambulância, para o intercâmbio de informações em tempo real e a afetação coerente de recursos. [Chéquia, 2024]

Organização

·O centro permanente de informação e análise da criminalidade da polícia, das alfândegas e da guarda de fronteiras constitui uma forma de cooperação e coordenação eficaz entre as autoridades responsáveis pela aplicação coerciva da lei que gera, entre outros, produtos analíticos e de avaliação da ameaça comuns. [Finlândia, 2018]

·A criação de serviços centrais, reunindo recursos de diferentes administrações e incidindo num tipo de criminalidade, conduz a resultados operacionais muito eficazes. [França, 2021]

·Estrutura eficaz para produzir não só a avaliação nacional da ameaça, mas também avaliações específicas da ameaça e dos riscos. Combina o controlo da qualidade organizado a nível central com a análise dos requisitos a nível regional. A unidade de análise estratégica multidisciplinar é responsável pela análise estratégica da criminalidade. É composta por uma equipa que trabalha a nível nacional e por equipas no terreno em várias regiões. O controlo da qualidade é mantido a nível central, o que garante a coerência entre os diferentes produtos analíticos. A unidade realiza a avaliação nacional anual da ameaça, que incide nos grupos de criminalidade organizada. [França, 2021]

·O memorando de entendimento celebrado entre a polícia e as autoridades aduaneiras permite uma ampla cooperação entre ambas as administrações e prevê o intercâmbio e a partilha de informações relevantes e de informações estratégicas, táticas e operacionais, nomeadamente facilitando o acesso mútuo às bases de dados, no respeito dos direitos individuais e das regras em matéria de proteção de dados, o desenvolvimento e a promoção de boas práticas, os procedimentos para questões operacionais no que diz respeito a ações conjuntas, patrulhas móveis conjuntas, equipas de investigação conjuntas, equipas de informação conjuntas, a partilha de equipamento entre serviços e a cooperação em matéria de desenvolvimento, aquisição, implantação e utilização de tecnologia. [Chipre, 2021]

·O ponto único de contacto tem um grupo de análise de risco responsável por efetuar uma análise mais aprofundada dos pedidos nacionais e internacionais por ele recebidos, recolhendo informações adicionais nas bases de dados disponíveis e fornecendo relatórios de análise sobre as tendências e as práticas adotadas pela criminalidade. Os relatórios são em seguida transmitidos aos procuradores e/ou às respetivas autoridades policiais para apoiar as investigações pertinentes. [Portugal, 2022].

·A divisão de cooperação internacional combina o intercâmbio de informações operacionais com a tomada de decisões estratégicas a nível internacional. O ponto único de contacto nacional para o intercâmbio internacional de informações no domínio da aplicação coerciva da lei está integrado nesta divisão. Conta com a representação das forças policiais nacionais, das forças policiais regionais e das alfândegas. Ambas as autoridades competentes dispõem de uma rede de peritos em cooperação policial internacional, que prestam assistência e aconselhamento às unidades de informação criminal a nível regional sobre a utilização dos instrumentos de cooperação policial internacional. Regularmente, as principais autoridades policiais ministram formação a peritos em cooperação policial internacional. Estes peritos fazem parte das suas unidades a nível regional e desempenham esta função para além do seu trabalho quotidiano. Os conhecimentos são transmitidos à rede numa reunião anual, para a qual, por exemplo, os agentes de ligação nacionais da Europol são convidados como oradores. No período que decorre entre estas reuniões, os conhecimentos sobre os novos procedimentos são transmitidos à rede através de boletins informativos ou em reuniões ad hoc. Além disso, os peritos da rede da autoridade recebem uma formação destinada a reforçar as capacidades, com a duração de uma semana, antes de integrarem a rede. Estas redes de peritos constituem uma forma simples de divulgar conhecimentos sobre a cooperação policial internacional a nível regional. [Espanha, 2022]

·A UIP nacional está integrada no PUC nacional, gerindo todos os processos relacionados com o registo de identificação dos passageiros para várias autoridades (polícia, alfândegas, serviços de informações, polícia militar, Ministério Público e tribunais, etc.). Esta integração torna o sistema mais abrangente e reforça o papel do PUC enquanto plataforma de informação geral para todos os intercâmbios internacionais de informações sobre segurança. A partilha de um sistema de gestão de processos com outras unidades do PUC permite uma fácil integração e verificação cruzada da informação, conduzindo a uma análise mais exaustiva. [Eslováquia, 2024]

Utilização de instrumentos da Europol para a cooperação transfronteiriça e o intercâmbio de informações

·Os dados do sistema nacional destinado a investigações policiais são automaticamente carregados no Sistema de Informação da Europol. A base de dados das investigações em curso está ligada a um carregador automático de dados no Sistema de Informação da Europol. Diariamente, são inseridas informações novas, as informações existentes são melhoradas e as informações antigas são eliminadas. Este processo é totalmente automático. A unidade nacional Europol trata as respostas positivas registadas entre as investigações nacionais e as investigações estrangeiras já disponíveis no Sistema de Informação da Europol. [Países Baixos: 2021]

·Integração da interrogação dos sistemas da Europol («Querying Europol Systems», QUEST) no sistema nacional de consulta para efetuar pesquisas no Sistema de Informações Europol. Além disso, o âmbito da pesquisa foi alargado a todos os objetos disponíveis no sistema e a mesma funcionalidade de pesquisa estará disponível para as alfândegas. Tal aumentou o número de pesquisas, tornando este Estado-Membro o terceiro mais ativo na utilização da funcionalidade de pesquisa em 2024. [Hungria, 2024]