RELATÓRIO CONJUNTO AO PARLAMENTO EUROPEU E AO CONSELHO Região Administrativa Especial de Hong Kong: Relatório Anual de 2013 /* JOIN/2014/018 final */
Síntese Desde a
transferência da soberania de Hong Kong para a República Popular da China em
1997, a União Europeia e os seus Estados-Membros têm acompanhado de perto a
evolução política e económica na Região Administrativa Especial (RAE) de Hong
Kong, ao abrigo do princípio «um país, dois sistemas». A fim de dar cumprimento
ao compromisso assumido perante o Parlamento Europeu em 1997, é elaborado
anualmente um relatório sobre a evolução da situação em Hong Kong. O presente
relatório é o décimo sexto e refere-se aos acontecimentos de 2013. A UE acredita
que o princípio «um país, dois sistemas», consagrado na Declaração Sino‑Britânica
e na Lei Básica de Hong Kong, continuou a produzir bons resultados em
2013. Os direitos e as liberdades fundamentais dos cidadãos de Hong Kong
continuaram a ser respeitados, o Estado de direito foi mantido e o sistema de
economia de mercado e o ambiente empresarial preservados. As relações
bilaterais entre a UE e Hong Kong continuaram a aprofundar-se, com uma visita a
Hong Kong, em novembro, do Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão
Barroso. As relações económicas e comerciais desenvolveram-se bem e a UE
e Hong Kong prosseguiram e expandiram o diálogo e a cooperação em numerosos
domínios de interesse mútuo, incluindo os serviços financeiros, as questões
aduaneiras, o ambiente, a investigação, a educação e a cultura. A UE atribui
grande importância à estabilidade, prosperidade económica e desenvolvimento
democrático de Hong Kong. Considera que um governo responsável contribui para a
estabilidade e a prosperidade e ajuda a manter a posição de Hong Kong como
centro internacional de negócios. A UE continua a
encorajar a realização de progressos substanciais para atingir o objetivo do
Governo de Hong Kong e do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional de
alcançar até 2017 o sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo e
até 2020 para as eleições do Conselho Legislativo, em conformidade com a Lei
Básica da RAE de Hong Kong e a vontade da sua população. Evolução da
situação política No seu primeiro
discurso de intervenção em janeiro de 2013, o Chefe do Executivo, Chun‑ying
Leung, delineou o seu projeto e objetivos a longo prazo para Hong Kong, sob o
lema «procurar mudar, manter a estabilidade e servir a população com
pragmatismo». Prometeu manter os valores fundamentais de Hong Kong, aplicar o
princípio «um país, dois sistemas» em conformidade com a Lei Básica e gerir
adequadamente as relações entre Hong Kong e a China continental. Declarou que, na
qualidade de RAE da China, Hong Kong recebia um apoio forte e constante do
Governo central. Considerava que, aproveitando as vantagens do princípio «um
país, dois sistemas», Hong Kong tinha não só aberto o grande mercado
continental como sua zona económica interior, mas também reforçado o seu
estatuto de plataforma internacional. Foram tomadas
iniciativas políticas importantes para promover o desenvolvimento económico,
nomeadamente através das seguintes medidas: reforço das relações económicas com
a China continental e desenvolvimento dos serviços financeiros, dos serviços
empresariais e profissionais, do tráfego marítimo internacional, da inovação e
ensaios; aumento da oferta de terrenos e de habitação subsidiada a curto e a
médio prazo; introdução de medidas para reduzir a pobreza, melhorar os cuidados
aos idosos, favorecer a posição das mulheres e das minorias étnicas e
prosseguir o desenvolvimento da política do trabalho; garantia da proteção e
conservação do ambiente mediante a melhoria da qualidade do ar, gestão dos
resíduos e incentivo à construção de edifícios ecológicos. Tal como em
2012, as relações entre o poder executivo e o poder legislativo revelaram-se
difíceis em 2013. Os legisladores bloquearam ou atrasaram um certo número de
iniciativas. O poder executivo e o poder legislativo não foram capazes de
chegar a um acordo final sobre questões de interesse vital para Hong Kong, tais
como a gestão de resíduos sólidos, em particular os aterros. À semelhança de
2012, alguns legisladores do Conselho Legislativo recorreram a manobras de
obstrução para atingir os seus objetivos, o que afetou em especial o debate
sobre o orçamento de 2013, durante o qual um pequeno número de legisladores
propôs mais de 700 alterações ao projeto de lei das finanças de 2013. O Presidente do
Conselho Legislativo, Jasper Tsang, sugeriu uma razão estrutural para as más
relações entre os poderes executivo e legislativo, assinalando que o atual
sistema de governação não prestou ao executivo um apoio forte, fiável e
maioritário no Conselho. Referiu também que ambos os ramos legislativo e
executivo tinham de respeitar e ter em conta a opinião pública. A escolha do
sistema eleitoral para o Chefe do Executivo e do Conselho Legislativo de Hong
Kong deverão tornar a governação de Hong Kong mais eficiente. Hong Kong
manteve o seu empenhamento em favor da integridade, e a Comissão Independente
contra a Corrupção (ICAC) colabora com a comunidade na luta contra a corrupção
mediante uma aplicação da lei, educação e prevenção eficazes. Em 2013, a ICAC recebeu
2 652 denúncias de corrupção, o que representa uma redução de 33 % em
relação às 3 932 denúncias recebidas em 2012, tendo o número de denúncias
suscetíveis de conduzir a uma ação em tribunal diminuído em 41 %. As
razões exatas para esta redução são difíceis de determinar. O Presidente do
Comité Consultivo sobre a Corrupção sugeriu que um fator poderia ser a maior
sensibilização do público para a prevenção da corrupção, em resultado dos
maiores esforços desenvolvidos pela ICAC na educação preventiva. Outro fator
poderia ter sido a pouca confiança do público na ICAC, na sequência da recente
controvérsia sobre as despesas excessivas incorridas pelo antigo Comissário da
ICAC com receções oficiais. Uma Comissão Independente de Inquérito sobre os
sistemas de regulamentação e procedimentos para as receções oficiais, prendas
protocolares e visitas oficiais da ICAC, nomeada pelo Chefe do Executivo, e a
Comissão das Contas Públicas do Conselho Legislativo trataram da questão. A
ICAC declarou que iria aplicar todas as recomendações apresentadas pelas duas
comissões. O debate
político ao longo de 2013 centrou-se na introdução do sufrágio universal para
as eleições do Chefe do Executivo em 2017. Foi lançada uma grande variedade de
iniciativas neste domínio pelos grupos académicos, a sociedade civil, as
organizações empresariais e os partidos políticos. A maioria deles visava
tornar mais democrático o futuro sistema de nomeação dos candidatos. A
iniciativa «Ocupar o Centro» lançou uma campanha para um sistema eleitoral
democrático, anunciando que ocuparia o bairro de negócios no centro da cidade
de Hong Kong se a reforma do Governo da RAE de Hong Kong proposta ficasse
aquém das normas internacionais. Os membros do
Governo da RAE de Hong Kong e o Diretor do Gabinete de Ligação do Governo
Popular Central em Hong Kong aderiram ao debate público sobre a reforma
eleitoral. O Diretor do Gabinete de Ligação destacou a base jurídica para a
reforma na Lei Básica e as decisões do Comité Permanente da Assembleia Popular
Nacional sobre os métodos para a seleção do Chefe do Executivo e a constituição
do Conselho Legislativo. Declarou ainda que o Governo central esperava que o
futuro sistema eleitoral assegurasse que só os candidatos que «amam o país e
amam Hong Kong» fossem eleitos e nomeados. Em 17 de outubro
de 2013, o Chefe do Executivo anunciou a criação de um grupo de trabalho em
matéria de desenvolvimento constitucional, dirigido pelo Secretário de Estado
da Administração, o Secretário da Justiça e o Secretário dos Assuntos Constitucionais
e do Continente. Em 4 de dezembro, o Governo da RAE de Hong Kong lançou uma
consulta pública sobre a reforma eleitoral para as eleições do Chefe do
Executivo em 2017 e as eleições para o Conselho Legislativo em 2016. O
documento de consulta[1]
convidava os membros do público a enviar os seus pontos de vista à Mesa dos
Assuntos Constitucionais e do Continente até 3 de maio de 2014. O lançamento da
consulta pública conferiu mais estrutura e orientação ao debate sobre a reforma
eleitoral. As opiniões divergiram grandemente, em particular no que se refere
ao procedimento de nomeação dos candidatos. As posições adotadas na matéria
pelo Governo da RAE de Hong Kong e pelo Governo central por um lado, e
pelos partidos pan-democráticos e simpatizantes, por outro, continuaram a ser
mutuamente exclusivas. Em 2015, será necessário chegar a um compromisso sobre
este tema crucial e outras questões importantes, a fim de assegurar que a
reforma eleitoral possa estar concluída a tempo da eleição do Conselho Legislativo
em 2016 e da eleição do Chefe do Executivo em 2017, de importância vital para a
governação eficiente de Hong Kong. A manutenção de
normas elevadas em Hong Kong em matéria de Estado de direito e de independência
do poder judicial continuou a ser tema de debate público. Na cerimónia de
abertura do ano judicial de 2013, o Presidente do Tribunal de Última Instância,
Geoffrey Ma Tao-li, salientou a necessidade da integridade da lei e a
importância do papel constitucional dos juízes e da transparência do processo
judicial. Geoffrey Ma Tao-li declarou ter grande confiança na continuação da
independência do poder judicial em Hong Kong. Dois acórdãos
emitidos pelo Tribunal de Última Instância em 2013 comprovaram a posição
assumida pelo seu presidente de que continuem a ser mantidas normas elevadas em
termos de Estado de direito em Hong Kong. Um acórdão confirmou o direito
dos transexuais que efetuaram cirurgia para mudarem de sexo a casarem-se e
declarou que o obstáculo jurídico existente a esse casamento era inconstitucional.
O outro acórdão estabeleceu que era inconstitucional a política do Governo de
limitar o sistema geral de assistência da segurança social às pessoas que
tenham vivido em Hong Kong durante, pelo menos, sete anos. Poder‑se‑á
melhorar algumas disposições legais, como no caso da assistência jurídica a
pessoas com baixos rendimentos. As empresas
europeias com sede em Hong Kong continuaram a mencionar o Estado de direito e a
elevada qualidade do sistema judicial como uma das principais razões para implantarem
aí a sua sede da China ou da Ásia. Com base nas suas credenciais de Estado de
direito, o Secretário da Justiça, Rimsky Yuen, continuou a promover Hong Kong
como plataforma regional para a arbitragem e os serviços jurídicos a nível
internacional. A Comissão de Arbitragem Marítima da China anunciou que iria
criar uma sucursal em Hong Kong, e estão a ser adotadas medidas para facilitar
a realização de audições de arbitragem em Hong Kong pelo Tribunal Permanente de
Arbitragem, sedeado em Haia. A fim de
responder melhor à evolução das necessidades da sociedade, o Secretário da
Justiça, na sua qualidade de presidente da Comissão para a Reforma Legislativa,
comprometeu-se igualmente a estudar possíveis reformas legislativas nos
domínios da lei sobre os arquivos, do acesso à informação e do financiamento de
arbitragem por terceiros. Os residentes de
Hong Kong continuaram a exercer o direito de liberdade de expressão e de
associação. Em 2013 realizaram-se as marchas anuais
de 4 de junho e de 1 de julho, bem como duas
outras grandes manifestações políticas. O presidente da Comissão para a
Igualdade de Oportunidades discursou na Parada do Orgulho Gay anual e,
ao longo de todo o ano, realizaram-se inúmeras manifestações de menor
envergadura sobre questões políticas ou socioeconómicas relativas a
Hong Kong e à China continental. Na sua grande maioria, as manifestações
foram pacíficas e, em geral, a polícia agiu de forma proporcional. Os
meios de comunicação social, incluindo os meios de comunicação digitais, continuaram
a ser gratuitos e a dar voz a uma diversidade de pontos de vista. No entanto,
como referido no relatório anual da Associação de Jornalistas de Hong Kong,
verificou-se um sentimento crescente de que tanto a imprensa como os meios de
comunicação social eletrónicos exerciam autocensura, em especial quando cobriam
assuntos relativos à China continental. Com base nas tendências de 2013, o
Índice da Liberdade de Imprensa de 2014 da organização Repórteres sem
Fronteiras classificou Hong Kong na 61.a posição, o que corresponde
a uma descida de três lugares, por motivos de autocensura e da crescente
influência exercida pelo Gabinete de Ligação do Governo central. O
prosseguimento da aplicação do princípio «um país, dois sistemas» e a reputação
de Hong Kong como território onde o ambiente empresarial beneficia do livre
fluxo de informação continuarão a depender da liberdade dos meios de
comunicação social. As declarações do Chefe do Executivo a favor da liberdade
dos meios de comunicação social foram, portanto, muito bem acolhidas. As relações de
Hong Kong com a China continental suscitaram um grande debate público e a
atenção dos meios de comunicação social. Ocasionalmente, as relações económicas
e interpessoais, incluindo o turismo, causaram agitação social em Hong Kong e
colocaram problemas de estratégia às autoridades. Entre estes figuram questões
como a crescente procura de habitação e de lugar nas escolas primárias e
secundárias por pessoas vindas do continente (em especial da zona perto da
fronteira entre Hong Kong e a China continental), bem como de postos de
trabalho por candidatos a emprego oriundos do continente, a pressão crescente
sobre os transportes públicos devido ao aumento rápido dos turistas chineses do
continente (de 35 milhões em 2012 para 41 milhões em 2013[2]) e o
aumento da procura de certos bens de consumo, incluindo leite em pó para bebés,
o que provocou por vezes escassez em Hong Kong. O Governo
introduziu várias medidas destinadas a salvaguardar os interesses dos
residentes de Hong Kong e a estabilizar o mercado contra o rápido aumento dos
preços e a escassez de produtos. Essas medidas não impediram, no entanto, o
aumento da frequência da manifestação de alguma hostilidade em relação aos
habitantes da China continental nos meios de comunicação (incluindo os meios de
comunicação social) e a emergência de alguns grupos radicais hostis à China
continental. Evolução
económica Hong Kong
continua a ser um dos principais centros financeiros mundiais e um importante
centro de comércio na Ásia. Os quatro principais ramos de atividade em Hong
Kong (serviços financeiros, comércio e logística, turismo e serviços
profissionais e ao produtores) têm sido a força motriz do crescimento económico
de Hong Kong, dando um impulso ao crescimento de outros setores e criando
emprego. Aproveitando o crescimento económico chinês, a cidade desempenha um
papel importante no comércio e no investimento com a China continental.
Hong Kong tem prosperado em virtude dos seus valores fundamentais — o
Estado de direito, a livre circulação de informações, a transparência e a
posição assumida contra a corrupção. Em 2013, Hong
Kong obteve bons resultados económicos e continuou a ocupar uma elevada posição
em muitos dos estudos globais que avaliam a liberdade económica e a competitividade[3].
Não obstante os bons resultados económicos obtidos, Hong Kong enfrenta também
novos desafios em matéria de concorrência originados pela liberalização
económica da China e pela emergência de outros centros económicos na região. A
sua economia registou um crescimento estável de 2,9 % em termos reais em
2013. A procura interna foi o principal motor de crescimento, enquanto os
resultados obtidos pelo setor externo se mantiveram modestos em virtude da má
conjuntura económica mundial. Os níveis de emprego foram bons, com a taxa de
desemprego a oscilar em torno de 3,3 % durante a maior parte do ano. Os
preços ao consumidor aumentaram em 4,3 %[4]. Com o apoio do
Governo central, Hong Kong continuou a ser o maior centro de renminbi (RMB) offshore
em todo o mundo, detendo a maior reserva de depósitos de renminbi fora da
China continental, ou seja mais de 1 bilião de RMB[5] no
final de 2013. Continuou a manter a sua vantagem competitiva em relação a
outros centros financeiros em termos de infraestruturas de mercado e de
liquidez, com um bom leque de produtos de investimento em RMB. A fixação da
taxa do mercado monetário interbancário em CNH de Hong Kong (fixação da HIBOR
em CNH) foi oficialmente lançada em 24 de junho de 2013, fixando taxas de
referência para os empréstimos offshore e facilitando a criação de um
maior número de opções de cobertura. O reconhecimento mútuo de produtos
financeiros entre a China continental e Hong Kong é encarado como a próxima
etapa no estabelecimento de Hong Kong como a plataforma asiática para a gestão
de fundos. As entidades reguladoras no território continental e em Hong Kong
estabeleceram planos para o próximo lançamento do sistema, o que permitiria aos
gestores internacionais vender produtos financeiros na China continental e a venda
de fundos da China continental em Hong Kong. Ao mesmo tempo,
a China aumentou o ritmo de internacionalização dos renminbi, com Londres,
Paris, Frankfurt, Singapura e Taipé agora capazes de se desenvolver como
plataformas para os negócios offshore em RMB. Hong Kong foi rápida a
criar alianças com outros mercados offshore. Em dezembro de 2013, as
bolsas de Hong Kong e de Singapura assinaram um pacto de cooperação para o
desenvolvimento de produtos de investimento em renminbi. No entanto, prevê-se
que a concorrência externa aumente à medida que surjam novos operadores no
mercado. As reformas
económicas da China criaram oportunidades e desafios para Hong Kong. O plano de
Pequim para a criação de uma zona piloto de comércio livre em Xangai suscitou
fortes reações em Hong Kong. As medidas estratégicas necessárias para
permitir que a nova zona de Xangai promovesse uma maior convertibilidade do RMB
e taxas de juro mais livres orientadas para o mercado provocaram muita
especulação dos meios de comunicação social e das empresas. Alguns temem que a
liberalização nestes domínios ameace a posição de Hong Kong como centro
financeiro mais importante da Ásia. O consenso entre a comunidade empresarial
era que Hong Kong precisava de reforçar a sua vantagem para manter a sua
competitividade. Os laços
económicos entre Hong Kong e a China continental foram ainda reforçados pelo
alargamento do âmbito de aplicação dos serviços abrangidos pelo Acordo de
Comércio Livre. Em 29 de agosto de 2013, Hong Kong e a China continental
assinaram o Suplemento X ao Acordo de Estreitamento das Relações
Económicas e Comerciais (CEPA). Ambas as partes anunciaram publicamente que o
âmbito e a profundidade da liberalização ao abrigo do CEPA vão além de qualquer
ACL que a China continental tenha celebrado com outros parceiros. No total,
existem agora 403 medidas de liberalização do comércio de serviços ao
abrigo do CEPA. O Governo central comprometeu-se a alcançar a liberalização do
comércio de serviços entre o continente e Hong Kong ao abrigo do CEPA até
ao fim de 2015, ou seja, antes do final do 12.º plano quinquenal. O
Governo da província de Cantão lançou a sua proposta de reunir Cantão, Hong
Kong e Macau numa zona de comércio livre, tendo em vista a liberalização do
comércio de serviços entre a província de Cantão e Hong Kong até ao final de
2014. Os governos de
Hong Kong e de Cantão investiram conjuntamente em grandes projetos de
infraestruturas, criando novas ligações de transporte entre Hong Kong e o Delta
do Rio das Pérolas. A construção da ligação rápida ferroviária
Guangzhou-Shenzhen-Hong Kong e da ponte Hong Kong- Zhuhai-Macau teve início em
2010 e está a progredir a bom ritmo. Em resposta aos
apelos da comunidade empresarial local, Hong Kong tornou-se mais ativa no
que respeita a iniciativas regionais e multilaterais para manter a sua
competitividade enquanto plataforma regional de serviços/comércio. Hong Kong
tinha inicialmente planos para aderir à zona de comércio livre Associação das
Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) - China, mas acabou por aceitar a proposta
da ASEAN de negociar um acordo bilateral. Em maio de 2013, Hong Kong
anunciou que iria participar nas negociações para o Acordo sobre o Comércio de
Serviços (TiSA), que conta com a participação de 23 membros da Organização
Mundial do Comércio. Para além do CEPA, Hong Kong assinou acordos de comércio
livre com a Nova Zelândia, a Associação Europeia de Comércio Livre e o Chile. A nível interno,
em 2013 o Governo considerou prioritária a questão do mercado imobiliário
inflacionado. Foram tomadas medidas para reduzir a procura, incluindo impostos
de selo consideráveis sobre as transações imobiliárias e o reforço das regras
relativas à concessão de empréstimos hipotecários. O Governo também aboliu um
sistema de lista de pedidos que durava há 14 anos e retomou a direção da
venda de sítios pertencentes ao Estado no quadro do programa anual de venda de
terrenos através de um sistema de venda lançado pelo Governo. Em consequência,
verificou-se uma estabilização considerável dos preços da habitação e o volume
de vendas baixou em 37,7 %[6]
em 2013. Confrontado com o risco de uma bolha especulativa num contexto de
taxas de juro muito baixas, o Governo manifestou várias vezes a sua
determinação em manter estas medidas fiscais rigorosas em vigor, apesar da
pressão do setor imobiliário. O Chefe do Executivo, Chun-ying Leung, também se
comprometeu a aumentar a oferta de habitação para fazer face ao grande aumento
dos preços da habitação, que colocava a compra de propriedade fora do alcance
do público em geral e alimentava o descontentamento social. O Governo anunciou
uma estratégia de habitação orientada para a oferta, com o objetivo de criar
470 000 novas unidades de habitação na próxima década, das quais 60 %
seriam habitações sociais. O Governo intensificou
os seus esforços para resolver as crescentes disparidades de rendimento e
riqueza. Um passo importante foi a publicação, pela primeira vez, de um limiar
de pobreza oficial para Hong Kong, em setembro de 2013, que foi fixado em
metade do rendimento familiar mensal médio. A análise da situação em 2012
revelou que antes dessa intervenção havia 541 000 agregados familiares com
um total de 1 312 000 pessoas a viver abaixo do limiar e que a taxa
de pobreza era de 19,6 %. Após a intervenção, cerca de um milhão de
pessoas vivia abaixo do limiar de pobreza, o que representa uma taxa de pobreza
de 15,2 %. A publicação do limiar de pobreza criou expectativas de que o
Governo tomasse medidas mais eficazes de luta contra a pobreza. Em outubro de
2013, o Governo lançou um período de consulta de quatro meses sobre a política
demográfica de Hong Kong, tendo em vista o estabelecimento de um consenso e a
formulação de medidas de política sustentáveis. Estima-se que a força de
trabalho começará a diminuir a partir de 2018. Reduzir a pobreza e apoiar a
população que envelhece irão ser desafios orçamentais importantes a longo
prazo. O Governo terá de gerir uma agenda política complexa e polémica nos
próximos anos, que incluirá o aumento da produtividade, a capacidade de atrair
talentos, a importação de mão-de-obra, a assimilação de novos imigrantes, a
proteção social, os cuidados a prestar aos idosos, a sustentabilidade
orçamental e a gestão do crescimento económico ao mesmo tempo que mantém uma
sociedade equilibrada e harmoniosa. A comunidade
empresarial de Hong Kong chamou a atenção para a questão da escassez de
mão-de-obra, apelando para a flexibilização do regime de importação de
mão-de-obra. A Câmara Geral de Comércio de Hong Kong alegou que existiam até
110 000 postos de trabalho por preencher (situação em julho de 2013),
número próximo do máximo histórico de 122 000 registado em 1989. A
construção, o comércio a retalho, a restauração e os cuidados de saúde sofreram
sistematicamente de escassez de mão-de-obra. Esta questão poderá gerar debates
acesos entre os sindicatos, os legisladores e os dirigentes de empresas no
futuro. Num contexto de condições de mercado do trabalho favoráveis, os
salários aumentaram consideravelmente em 2013. Os trabalhadores menos
qualificados também receberam aumentos salariais significativos,
refletindo as condições do mercado de trabalho geralmente restritivas. O
salário mínimo legal aumentou de 28 HKD para 30 HKD em maio de 2013. O
Governo lançou dois importantes planos de política ambiental em 2013: «Um plano
ar limpo para Hong Kong» e «Utilização sustentável de recursos 2013–2022».
Além disso, substituiu o seu índice de poluição atmosférica por um novo índice
de qualidade do ar assente em critérios de saúde em Hong Kong, com
informações sobre os riscos para a saúde a curto prazo com base em valores em
tempo real dos níveis de poluição atmosférica. Com o objetivo de reduzir os
resíduos sólidos em 40 % no prazo de dez anos, o plano de ação sobre os
recursos inclui um eventual regime de tarificação dos resíduos, que alarga os
aterros existentes e prevê a construção de um novo incinerador, incentivando
uma maior reciclagem e a redução dos resíduos na origem. O público sente-se
cada vez mais implicado e interessado nas questões relacionadas com o ambiente.
Para a execução destes planos do Governo, é necessário um forte empenhamento
político, a participação dos cidadãos, o apoio da comunidade em geral e a
cooperação transfronteiriça na região do Delta do Rio das Pérolas, nomeadamente
para as iniciativas de ar limpo. Relações e
cooperação entre a União Europeia e Hong Kong Em 2013, as
relações bilaterais e a cooperação entre a União Europeia e Hong Kong
continuaram a desenvolver-se e a reforçar-se. Hong Kong continua a ser um
importante protagonista na região e um intermediário da maior importância para
os fluxos comerciais e de investimento bilaterais entre a UE e a China
continental. A UE manteve a
sua posição de segundo maior parceiro comercial de Hong Kong, após a China
continental[7].
O comércio bilateral de produtos entre a UE e Hong Kong registou um
crescimento de 3,9 %, para atingir 46 mil milhões de EUR em 2013, com
a UE a gozar de excedente comercial crescente[8]. As empresas
estrangeiras de Hong Kong provêm essencialmente da UE, com um total de
1 921 empresas, incluindo 452 sedes regionais, 725 serviços
regionais e 744 serviços locais (em junho de 2013)[9]. As
empresas da UE estão ativas num vasto leque de setores, sobretudo os serviços
financeiros e os serviços às empresas, o comércio, a logística, a construção e
o comércio a retalho, sendo também atores essenciais nos setores bancário, dos
seguros e dos valores mobiliários de Hong Kong. Acolhendo uma das maiores
comunidades empresariais europeias na Ásia, Hong Kong continua a atrair um
grande número de cidadãos europeus para residir e trabalhar no seu território. As relações a
nível dos investimentos entre a UE e Hong Kong reforçaram-se significativamente
nos últimos anos. Os fluxos de investimento direto estrangeiro (IDE) da UE para
Hong Kong quadruplicaram, tendo passado de 3,7 mil milhões de EUR em 2009 para
15 mil milhões de EUR em 2012[10],
refletindo o interesse sustentado das empresas da UE em Hong Kong como
plataforma de investimento. Os fluxos de IDE de Hong Kong para a UE cifraram-se
num valor médio anual de 5,3 mil milhões de EUR durante o mesmo período.
As existências de IDE detidas pela UE em Hong Kong aumentaram de 90 mil
milhões de EUR em 2009 para 133 mil milhões de EUR em 2012. Em
contrapartida, as existências de IDE detidas por Hong Kong na UE quase
duplicaram, passando de 27,5 mil milhões de EUR para 50 mil milhões de EUR
no mesmo período. A comunidade
empresarial da UE aprecia Hong Kong pelo respeito do Estado de direito, os
níveis elevados de transparência, a liberdade de informação e dos meios de
comunicação, o seu acesso preferencial ao mercado da China continental e a
oferta de prestadores de serviços de elevada qualidade. A UE considera estes
fatores essenciais para manter a prosperidade de Hong Kong e conservar a sua
mais-valia enquanto centro empresarial regional e internacional. A
7.ª reunião do diálogo estruturado entre a União Europeia e o Governo da
RAE de Hong Kong teve lugar em Hong Kong, em 14 de novembro de 2013. O diálogo
estruturado é uma plataforma bem estabelecida que permite à UE e a Hong Kong
debaterem questões de interesse mútuo e identificarem domínios para cooperação
futura. Na reunião de 2013, ambas as partes acordaram em reforçar a colaboração
e os intercâmbios em matéria de educação, inovação, proteção do ambiente e
direito da concorrência. A UE registou com apreço os esforços de Hong Kong para
atualizar a sua regulamentação em matéria de serviços financeiros e o seu
empenhamento ativo contra as atividades de branqueamento de capitais e o
financiamento do terrorismo. A
UE expressou o seu desejo de iniciar discussões técnicas com Hong Kong sobre a
troca automática de informações fiscais que
tenham em conta a evolução internacional no domínio da cooperação entre as
autoridades fiscais, bem como de ver progressos rápidos na atualização dos
acordos relativos aos serviços aéreos entre os Estados‑Membros da UE e
Hong Kong, de modo a que os seus acordos relativos aos serviços aéreos
bilaterais cumpram a cláusula de designação UE. A
UE manifestou igualmente o desejo de intensificar o diálogo regulamentar no
domínio dos fundos de investimento. Em 2013
assistiu-se a uma série de visitas de representantes de alto nível das
instituições da União Europeia à RAE de Hong Kong. A visita mais importante foi
a do Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, em novembro,
durante a qual encontrou o Chefe do Executivo de Hong Kong e o Presidente do
Conselho Legislativo. O Presidente Durão Barroso interveio num evento para
assinalar o 20.º aniversário da representação da União Europeia em
Hong Kong e Macau, sublinhando as relações de longa data entre a UE e Hong
Kong e o empenhamento da UE ao mais alto nível em continuar a desenvolver estas
relações. Outra visita de alto nível foi a do Presidente da Autoridade Bancária
Europeia, Andrea Enria, em março. As visitas periódicas de altos funcionários
asseguraram intercâmbios em áreas de interesse comum, incluindo as relações
externas da União Europeia, passando pela regulamentação dos serviços
financeiros, as questões macroeconómicas, o comércio e o investimento, a
segurança dos alimentos e dos produtos e o ambiente e a concorrência. O
Parlamento Europeu enviou também quatro delegações a Hong Kong que
contribuíram para reforçar as relações bilaterais e a cooperação com o Conselho
Legislativo. As empresas
europeias em Hong Kong são representadas principalmente pela Câmara de Comércio
Europeia, que realizou uma série de atividades para facilitar o diálogo com o
Governo e melhorou o perfil das empresas e da indústria da UE em 2013. Algumas
das atividades da Câmara de Comércio Europeia durante o ano foram realizadas
em parceria com o Programa Académico Hong Kong-UE (EUAP), lançado em 1 de
setembro de 2012. O EUAP inclui um consórcio dirigido pela Universidade
Baptista de Hong Kong, que inclui a Universidade Chinesa de Hong Kong, a
Universidade de Hong Kong e a Universidade Lingnan. O programa promove a
investigação académica, desenvolve atividades de sensibilização para aumentar a
visibilidade da UE e reforça a cooperação académica com as instituições de
ensino superior da UE. No intuito de
reforçar ainda as relações com Hong Kong, as missões diplomáticas da UE e dos
seus Estados-Membros prosseguiram os esforços de diplomacia pública para
aumentar a visibilidade da UE em Hong Kong e melhorar o conhecimento e as
informações sobre as políticas da UE, nomeadamente em matéria de comércio e
regulação, energia e alterações climáticas, regulamentação dos serviços
financeiros, questões aduaneiras, políticas de igualdade entre homens e
mulheres, diálogo intercultural, assuntos académicos e o papel da UE no mundo.
Um instrumento fundamental para o efeito foi a frutuosa série de reuniões entre
os chefes de missão da UE, os altos representantes do Governo de Hong Kong e do
Conselho Legislativo e outras figuras de destaque. As missões
diplomáticas da UE trabalharam também em estreita colaboração para encorajar os
contactos entre pessoas e promover os intercâmbios académicos, organizando
atividades conjuntas como a Feira do Ensino Superior da UE, o Festival do
Cinema da UE e a iniciativa «Modelo UE». A UE irá
continuar a desenvolver as suas relações com Hong Kong, a reforçar as relações
económicas, comerciais e de investimento, a intensificar a cooperação com as
empresas e a sociedade civil e a promover a mobilidade e os intercâmbios com a
população de Hong Kong. Entre as principais prioridades para 2014 contam-se a
regulamentação dos serviços financeiros e a fiscalidade, as questões
aduaneiras, a aplicação dos direitos de propriedade intelectual e o
desenvolvimento das relações em matéria de educação, investigação, comércio e
investimento. [1] Documento de consulta sobre os métodos para a escolha do Chefe do
Executivo em 2017 e a constituição do Conselho Legislativo em 2016. Este
documento refere-se à formação do Conselho Legislativo em 2016 e não em 2020. [2] Fonte: Direção de Turismo
de Hong Kong. [3] Hong
Kong foi classificada como o segundo lugar do mundo mais favorável às empresas,
após Singapura, no relatório Doing Business 2014 pelo Grupo do
Banco Mundial. De acordo com o relatório sobre os investimentos mundiais em
2013 da CNUCED, Hong Kong foi a terceira maior beneficiária de IDE do mundo (75
mil milhões de USD) e a terceira maior fonte de IDE na Ásia (84 mil milhões de
USD) em 2012. [4] Todos os indicadores
económicos relativos à economia de Hong Kong são estatísticas oficiais
provenientes da Direção dos Serviços de Estatística e Censos de Hong Kong. [5] Segundo a Autoridade Monetária de Hong Kong,
os depósitos totais em RMB e os certificados de depósitos em curso em RMB
cifravam-se em 1 053 mil milhões de CNH no final de 2013. Os
depósitos totais em RMB e os certificados de depósitos em curso em RMB no final
de 2012 cifravam-se em 720 mil milhões de CNH. [6] Segundo o Governo da RAE
de Hong Kong, o número de acordos de aquisição de propriedade para fins de
residência diminuiu de 81 333 em 2012 para 50 676 em 2013. [7] A classificação baseia-se
nas estatísticas comerciais publicadas pelo Serviço de Estatísticas e de Censos
de Hong Kong. [8] Fonte: Eurostat - Base
de dados Comext. [9] Fonte: Serviço de
Estatísticas e de Censos de Hong Kong. [10] Dados sobre o IDE
fornecidos pelo Eurostat em 16 de dezembro de 2013.