RELATÓRIO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO BANCO CENTRAL EUROPEU E AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU sobre o relatório do mecanismo de alerta 2015 (elaborado em conformidade com os artigos 3.º e 4.º do Regulamento (UE) n.º 1176/2011 relativo à prevenção e correção dos desequilíbrios macroeconómicos) /* COM/2014/0904 final */
O relatório
sobre o mecanismo de alerta (RMA) constitui o ponto de partida do ciclo anual
do procedimento relativo aos desequilíbrios macroeconómicos (PDM), que visa
identificar e corrigir os desequilíbrios que impedem o bom funcionamento das
economias dos Estados-Membros e da economia da UE e podem comprometer o
funcionamento adequado da União Económica e Monetária. O RMA
utiliza um painel de onze indicadores, juntamente com um conjunto de
indicadores auxiliares, para identificar os Estados-Membros onde existem
potenciais desequilíbrios económicos que necessitem de uma ação política. Nos
Estados-Membros identificados no RMA, a Comissão efetua uma análise
aprofundada, a fim de aferir se os riscos macroeconómicos nos Estados-Membros
se estão a acumular ou a ser reduzidos, e concluir se existem desequilíbrios ou
desequilíbrios excessivos. A Comissão
publicará as análises aprofundadas na primavera de 2015, sendo as conclusões
integradas nas recomendações específicas por país no âmbito do Semestre Europeu
para a coordenação das políticas económicas. 1. Síntese
Os
desequilíbrios económicos continuam a constituir um grave problema e sublinham
a necessidade da adoção de uma ação política decisiva, abrangente e coordenada.
As economias da UE continuam a registar progressos em
termos de correção dos seus desequilíbrios externos e internos. Os elevados e
insustentáveis défices da balança de transações correntes foram reduzidos de
forma significativa, eliminados ou transformados em excedentes, e o processo de
saneamento dos balanços está a progredir em todos os setores na maior parte dos
países. Além disso, a recuperação da competitividade é encorajadora, como
consequência de correções endógenas e reformas do mercado, mas a manutenção de progressos a nível da competitividade
permanece uma preocupação fundamental, em especial em Estados-Membros com
elevados desequilíbrios externos. Os elevados níveis de dívida
pública e privada na maioria dos países, bem como o elevado endividamento
externo em muitos deles, continuam a constituir vulnerabilidades substanciais
para o crescimento, o emprego e a estabilidade financeira. O desemprego e
outros indicadores sociais continuam a suscitar muitas preocupações em vários
países, tendo o crescimento económico sido insuficiente para produzir
acentuadas melhorias nos dados sociais e nos dados relacionados com o mercado
de trabalho. Um
crescimento lento e uma inflação baixa pesam sobre a redução dos desequilíbrios
e dos riscos macroeconómicos. Os dados publicados
durante o verão e as previsões económicas mais recentes[1] revelam que a atividade
económica perdeu dinâmica e as tendências deflacionistas foram reforçadas. Em
2014 e 2015, prevê-se que a atividade económica na UE cresça 1¼ e 1½ por cento,
após ter registado um crescimento nulo em 2013. Na área do euro, as taxas de
crescimento do PIB real são de – ½, +¾ e ligeiramente acima de 1 por cento em
2013, 2014 e 2015, respetivamente. Os dados agregados encobrem diferenças
consideráveis entre os Estados-Membros. Embora alguns Estados-Membros, como os
países bálticos, a República Checa, o Luxemburgo, a Hungria, a Polónia, a
Eslováquia e o Reino Unido, tenham apresentado um crescimento da produção
relativamente robusto nos três primeiros trimestres de 2014, e Estados-Membros
como a Espanha e a Eslovénia tenham conseguido recuperar após um grave
ajustamento económico, outras economias, tanto grandes como pequenas,
mantiveram um ritmo lento. Estas divergências refletem características
idiossincráticas, como as pressões decorrentes da desalavancagem e diferentes
necessidades e ritmos de consolidação orçamental, bem como uma exposição
diferente à evolução global, mas igualmente diferenças nas capacidades de
ajustamento e de determinação na implementação de reformas.[2] A debilidade da
atividade económica na UE no seu conjunto está também relacionada até agora com
a natureza muito assimétrica do reequilíbrio, com uma fraca procura interna em
países credores, o que alimenta a persistência de excedentes muito elevados da
balança de transações correntes. Níveis consideráveis negativos de hiatos do
produto em vários países, um fraco crescimento, a existência de uma folga considerável
nos mercados de trabalho e uma forte evolução desinflacionista na economia
mundial implicam que a inflação foi muito baixa e se deverá manter abaixo da
definição do BCE de estabilidade dos preços durante um longo período. Uma
inflação muito baixa vem juntar-se aos riscos relacionados com um endividamento
excessivo e aumenta os custos económicos do reequilíbrio e desalavancagem. O
presente relatório dá início à quarta ronda anual do PDM[3]. Este procedimento visa identificar os desequilíbrios que
impedem o bom funcionamento das economias dos Estados‑Membros, da área do
euro ou da UE no seu conjunto, bem como promover as respostas estratégicas
adequadas. A execução do PDM insere-se no Semestre Europeu para a coordenação
das políticas económicas de forma a assegurar a coerência com as análises e
recomendações apresentadas no âmbito de outros instrumentos de supervisão
económica. A Análise Anual do Crescimento (AAC), que é adotada em simultâneo
com o presente relatório, faz o balanço da situação económica e social na
Europa e estabelece amplas prioridades estratégicas para a UE no seu conjunto
para os próximos anos. O
presente relatório identifica os Estados-Membros suscetíveis de serem afetados
por desequilíbrios e que necessitam de uma ação política e em relação aos quais
devem ser realizadas novas análises aprofundadas. O
RMA é, por conseguinte, um dispositivo de deteção de desequilíbrios económicos,
publicado no início de cada ciclo anual de coordenação da política económica.
Baseia-se num painel de indicadores com limiares indicativos, bem como numa
série de indicadores auxiliares, utilizado no início do ciclo anual de
coordenação da política económica. Desde o ano passado, os indicadores
auxiliares também incidiram sobre uma série de indicadores sociais e do emprego
pertinentes. A introdução destes indicadores no procedimento relativo aos
desequilíbrios macroeconómicos devia ser plenamente utilizada para obter uma
melhor compreensão do mercado de trabalho, bem como da evolução social e dos
riscos em jogo. O painel de avaliação mais pormenorizado dos principais
indicadores sociais e de emprego no projeto de relatório conjunto sobre o emprego
também permite uma compreensão mais ampla da evolução social. As análises
aprofundadas (AA) integrarão apreciações mais pormenorizadas e abrangentes para
os Estados-Membros assinalados pelo RMA. Para preparar as AA, a Comissão
baseará a sua análise de um conjunto muito mais rico de dados: todas as
estatísticas pertinentes, todos os dados relevantes, todos os factos materiais
serão tidos em conta. Tal como previsto na legislação[4], será com base nas AA
que a Comissão determinará se existem desequilíbrios ou desequilíbrios
excessivos e apresentará posteriormente as recomendações estratégicas adequadas
para cada Estado-Membro. Com base na leitura
económica do painel de avaliação do PDM, a Comissão considera que as AA se
justificam a fim de analisar mais pormenorizadamente a acumulação e a correção
dos desequilíbrios e os correspondentes riscos em 16 Estados-Membros. Relativamente a alguns países, as AA basear-se-ão nas conclusões do
anterior ciclo de supervisão[5],
ao passo que para outros é a primeira vez que a Comissão realiza uma AA. Este
é, em especial, o caso dos Estados-Membros que concluíram recentemente, ou
estão em vias de concluir, os seus programas de ajustamento económico apoiados
por assistência financeira. ·
Para a Croácia, Itália e Eslovénia,
as AA avaliarão se os desequilíbrios excessivos anteriormente
identificados estão corrigidos, persistem ou se agravaram, prestando
simultaneamente a devida atenção à contribuição das políticas implementadas por
estes Estados-Membros para ultrapassar estes desequilíbrios; ·
Para a Irlanda, Espanha, França
e Hungria, Estados-Membros com desequilíbrios e com necessidade
de uma ação política decisiva, as AA avaliarão os riscos relacionados com a
persistência de desequilíbrios. ·
Relativamente aos outros Estados-Membros
anteriormente identificados como registando desequilíbrios (Bélgica,
Bulgária, Alemanha, Países Baixos, Finlândia, Suécia e Reino Unido),
as AA aferirão em que Estados-Membros persistem desequilíbrios e aqueles em que
foram corrigidos[6];
·
Pela primeira vez, também serão elaboradas AA para Portugal
e a Roménia. Após a conclusão do seu programa de ajustamento
económico em meados de 2014, Portugal adere à norma de procedimentos de
vigilância. No que diz respeito à Roménia, a supervisão dos desequilíbrios e o
acompanhamento das políticas realizaram-se no âmbito do programa de
ajustamento, que é apoiado pela assistência financeira a título preventivo. Estando
esta disposição ainda em curso, os atrasos na conclusão das revisões semestrais
implicam que a Roménia deve ser reintegrada na supervisão PDM. Quanto
aos Estados-Membros que beneficiam de assistência financeira, a supervisão dos
seus desequilíbrios e o acompanhamento das medidas corretivas terão lugar no
contexto dos respetivos programas. Isso aplica-se à Grécia
e a Chipre. No entanto, a situação da Grécia, no contexto do PDM,
será avaliada no final da assistência financeira em curso, em função dos
acordos finalmente aprovados. Em
relação aos outros Estados-Membros, a Comissão não irá, na presente fase, realizar
novas análises no contexto do PDM. Com base na leitura
económica do painel de avaliação, a Comissão é de opinião que os desafios
macroeconómicos da República Checa, Dinamarca, Estónia, Letónia,
Lituânia, Luxemburgo, Malta, Áustria, Polónia
e Eslováquia não constituem desequilíbrios no sentido do PDM. Contudo,
são necessárias uma supervisão cuidadosa e uma coordenação das políticas numa
base contínua e para todos os Estados-Membros, a fim de permitir a
identificação de riscos emergentes e conceber políticas que contribuam para o
crescimento e o emprego. No âmbito da supervisão multilateral e em
conformidade com o artigo 3.º, n.º 5, do Regulamento (UE) n.º
1176/2011, a Comissão convida o Conselho e o Eurogrupo a debaterem o presente
relatório. A Comissão também aguarda o contributo do Parlamento Europeu. Tendo em conta os debates com o Parlamento, e
no Conselho e no Eurogrupo, a Comissão elaborará análises aprofundadas sobre os
Estados-Membros em causa. Prevê-se que estes documentos sejam publicados na
primavera de 2015, antes do pacote de recomendações específicas por país do
«Semestre Europeu». 2. Desequilíbrios e riscos: questões de caráter
transnacional Os
Estados-Membros da UE têm feito progressos no sentido da correção dos seus
desequilíbrios, mas a lenta recuperação tem sido um obstáculo à redução dos
desequilíbrios e dos riscos macroeconómicos conexos.
Nos últimos meses, a atualidade económica agravou-se gradualmente. O
crescimento ficou aquém das expectativas e contraiu-se ou estagnou na Alemanha,
Itália e França. O crescimento do crédito permanece fraco na UE, não obstante
as políticas monetárias flexíveis, uma vez que a procura é reduzida e o setor
privado ainda está em processo de desalavancagem. Um período prolongado de
inflação muito baixa, refletindo uma grande hiato negativo do produto em vários
países e preços que reagem mais ao dinamismo económico do que anteriormente[7], também têm sido um
obstáculo a uma desalavancagem suave. As tensões geopolíticas poderão também
afetar a atividade económica e gerar riscos macroeconómicos, especialmente nos
países com ligações comerciais e exposições financeiras mais profundas em
relação aos países da Vizinhança Oriental. Além disso, o baixo nível de
atividade económica mantém o desemprego e outros indicadores sociais em níveis
inaceitáveis; tal pode, em si mesmo, prejudicar as perspetivas de crescimento a
médio prazo. As
respostas políticas em cada Estado-Membro devem ser adaptadas à sua situação
específica, mas devem ter igualmente em conta a dimensão mais vasta (UE e área
do euro) e o potencial de efeitos colaterais. Os
desequilíbrios macroeconómicos nas suas mais variadas formas aumentam os
desafios e os riscos macroeconómicos; estes são, em primeiro lugar, de natureza
nacional. Os desequilíbrios relacionados com a sustentabilidade externa, a
competitividade, o endividamento excessivo no setor privado e as pressões de
desalavancagem, a sustentabilidade orçamental, os preços dos ativos e a
estabilidade financeira são problemas que se prendem essencialmente com a
capacidade de cada economia para gerar um crescimento forte e sustentado e para
criar postos de trabalho. No entanto, tendo em conta a interconexão entre as
economias da UE, existem vários canais, incluindo o comércio,
as ligações financeiras e monetárias, as reformas estruturais, o clima de
confiança e de incerteza, através dos quais os desequilíbrios podem transferir
efeitos colaterais de um país para outro e em que as perdas de eficiência num
Estado-Membro podem implicar perda de bem-estar noutro. A fraqueza da procura
interna, nomeadamente de investimento, e as pressões deflacionistas parecem ser
excelentes exemplos de como desafios macroeconómicos nos Estados-Membros podem
afetar a totalidade da União[8]. A
promoção de investimentos eficazes para restaurar o crescimento potencial é uma
prioridade fundamental. Ao longo dos últimos sete a
oito anos, desde o início da crise, registou-se uma redução substancial do
potencial de crescimento da UE[9].
De acordo com as estimativas mais recentes, o crescimento potencial anual da
produção da UE diminuiu, tendo passado de ligeiramente acima de 2 por cento há
dez anos para menos de 1 por cento atualmente[10].
Além da evolução demográfica a longo prazo [11],
o abrandamento da atividade a médio prazo pode ser imputado ao fraco aumento da
produtividade e à lenta acumulação de capital[12].
O papel da formação de capital (incluindo I&D) como motor de crescimento
tem sido limitado nos últimos anos, uma vez que o rácio de investimento
continua a ser substancialmente mais baixo do que há alguns anos em quase todos
os Estados-Membros da UE[13].
O
reequilíbrio da balança de transações correntes continua a ser assimétrico,
refletindo uma fraca procura tanto em países devedores como credores. (Gráfico 1) Prosseguiu a correção necessária nas contas
correntes em alguns países, nomeadamente na Irlanda, Chipre, Grécia, Espanha,
Portugal, Roménia e Eslovénia. Os grandes défices desses países há alguns anos
converteram-se em pequenos défices ou importantes excedentes, o que contribuiu para
reduzir os riscos relacionados com os passivos externos. A Itália também
apresenta um ligeiro excedente, enquanto a França tem mantido uma balança de
transações correntes moderadamente negativa. No entanto, em muitos casos, a
maior parte do ajustamento foi impulsionado por uma contração da procura, em
especial de investimento (Gráfico 2), o que poderá ter implicações
negativas para o potencial a médio prazo, se não for corrigido. O aumento das
exportações desempenhou também um papel importante em 2013, especialmente na
Bulgária, Grécia, Eslovénia, Lituânia, Roménia e Portugal, mas também, em menor
medida, na Espanha e Irlanda. Em termos de ajustamento setorial, os países
vulneráveis continuam a proceder a ajustamentos a ritmos diferentes. Espanha e
Portugal deram início ao ajustamento dos setores dos bens não transacionáveis
para os dos bens transacionáveis logo no início da crise e a percentagem desses
bens transacionáveis, tanto em termos de emprego como de valor acrescentado
bruto, tem vindo a aumentar desde 2010[14].
Este processo de ajustamento ainda não teve início na Itália. Uma grande parte
do reequilíbrio nestes países é de natureza não cíclica, ou seja, foi maior do
que sugeririam os hiatos do produto dos Estados-Membros em causa e dos seus
parceiros[15].
Gráfico 1: Défices (-) e excedentes (+) das balanças de
transações correntes
2008, 2013 e 2015 (previsão)
(% do PIB) Nota: Interrupção
na série em 2013 (CY, EL, ES, NL, SI, SK, BG, PL). Os dados relativos à SK
estão de acordo com as normas BPM5/ESA95. Consultar o anexo estatístico para mais pormenores. Fonte: Eurostat e serviços da Comissão. Prevê-se que a área
do euro no seu todo mantenha um excedente externo relativamente grande. O aumento de três pontos percentuais no excedente da área do euro
entre 2008 e 2014 reflete o facto de os excedentes em alguns Estados-Membros
não terem diminuído suficientemente em reação aos grandes esforços de
reequilíbrio das economias que costumavam registar grandes défices da balança
de transações correntes. A Alemanha e os Países Baixos continuaram a registar
excedentes muito elevados, acima do que os dados económicos fundamentais
implicariam, e bastante acima do limiar indicativo do painel de avaliação. No
caso da Alemanha, tendo em conta a respetiva fase do ciclo económico, o
excedente corrigido das variações cíclicas pode mesmo ser superior ao valor
nominal. Dada a redução nos défices das balanças de transações correntes, a
composição geográfica dos excedentes em economias credoras, especialmente a
Alemanha, mudou. O saldo em relação ao resto do mundo aumentou, enquanto o
saldo em relação à área do euro tenha diminuído. Esta última tem sido
impulsionada sobretudo por uma redução das exportações para o resto da área do
euro, e não por um aumento das importações pela Alemanha. Embora os excedentes
da balança de transações correntes não coloquem os mesmos problemas do que os
défices insustentáveis, e sejam parcialmente justificados, excedentes elevados
e prolongados podem refletir ineficiências económicas com um investimento e uma
procura nacionais reduzidos, o que, a médio prazo, conduz a um desperdício de
potencial de produção internamente. Um aumento da procura interna através de
uma aceleração do investimento impulsionaria o potencial de crescimento e seria
suscetível de contribuir para a recuperação e para o ajustamento em curso na
área do euro[16]. Gráfico 2: Parte do investimento no PIB (formação bruta de capital fixo; dados de 2014
e variação em 2007-2014)
Fonte: Serviços da Comissão. A gama de
responsabilidades externas na UE é muito ampla e os riscos para a
sustentabilidade continuam a ser elevados. (Gráfico 3)
Uma vez que a redução dos grandes défices e a passagem para excedentes externos
é um desenvolvimento recente em países devedores, a dívida externa destes
países ainda não melhorou substancialmente e, em certos casos, pode mesmo
ter-se deteriorado. Para as economias com as maiores posições de investimento
internacional líquidas negativas (NIIP), os saldos das contas correntes são já
suficientes para estabilizar e gradualmente reduzir o seu endividamento externo
líquido a médio prazo (Gráfico 4). É esse o caso, nomeadamente, em
relação à Irlanda, Espanha, Letónia, Roménia e Portugal; mas ainda não para a
Grécia ou Chipre. No entanto, estabilizar a dívida externa não seria um
objetivo prudente, em especial nos países em que NIIP elevadas refletem, no
essencial, a dívida. Para reduzir a NIIP para níveis mais seguros ao longo da
próxima década, são necessários excedentes moderados a relativamente
importantes em todos estes países. Além disso, existem importantes riscos
decorrentes do que um ambiente de baixa inflação pode implicar para a
competitividade e o endividamento. A baixa inflação dos preços e dos salários
contribui para ajudar os países a recuperarem a competitividade. No entanto, o
ajustamento da competitividade é dificultado quando uma baixa inflação também afeta
os principais parceiros comerciais de cada economia. Juntamente com os efeitos
adversos decorrentes de uma perspetiva menos positiva para o crescimento, a
sustentabilidade das contas externas continua a representar um problema para
esses países. Os dados relativos a França e ao Reino Unido sugerem um aumento
contínuo dos seus passivos externos líquidos, embora o seu endividamento
externo se mantenha bastante moderado. Gráfico 3: Posições líquidas de investimento internacional
2008, 2013 e 2015 (projeção)
(% do PIB) Nota: As projeções para 2015 pressupõem a inexistência de
valoração dos ganhos/perdas. Os dados relativos a BE, IE, SK, DK, BG, HR, AE18
e UE28 estão de acordo com as normas BPM5/ESA95. CY, DE, ES, NL e PL:
interrupção na série em 2013. Consultar o anexo estatístico para mais
pormenores. Fonte: Eurostat e serviços da Comissão. Gráfico 4: Saldos das contas correntes necessários para
estabilizar ou reduzir os passivos externos (NIIP)
2014 (previsão), Estados-Membros
selecionados (% do PIB) . Nota: Este
gráfico não mostra quaisquer dados relativos à Bélgica, Dinamarca, Alemanha,
Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Áustria, Finlândia e Suécia, cuja NIIP é
positiva em 2013 ou deverá ser positiva em 2015. Chipre também está excluído
devido à limitação dos dados disponíveis. O saldo das contas correntes
necessário para estabilizar ou reduzir o passivo externo líquido assenta nos
seguintes pressupostos: as projeções do PIB decorrem das últimas previsões da
Comissão (cobrindo até os próximos dois anos); do quadro de previsões a médio
prazo (entre dois e cinco anos) e das mais recentes projeções da
sustentabilidade orçamental a longo prazo (mais de cinco anos); assume-se convencionalmente
que os efeitos de valorização são iguais a zero no período abrangido pelas
previsões, o que corresponde a uma previsão imparcial para os preços dos
ativos; e prevê-se convencionalmente que as transferências líquidas de capital são
iguais a zero. Fonte: Serviços da Comissão. A
competitividade melhorou em várias economias. Considerando
a média de três anos, a taxa de câmbio efetiva real (REER) foi desvalorizada na
maior parte dos países da UE, mas manteve-se dentro dos limiares indicativos em
cada um deles. Foi o que aconteceu na Irlanda e na Grécia, mas também na
França, República Checa, Dinamarca, Croácia, Hungria, Letónia e Polónia. Foi
igualmente o caso noutros Estados-Membros como a Espanha, Portugal, Chipre ou a
Finlândia, mas nestes casos a depreciação real era muito menor do que na
Alemanha. Em 2013, contudo, movimentos na taxa de câmbio do euro[17] e nas taxas nacionais
de inflação significaram que a taxa de câmbio real efetiva baseada no índice
harmonizado de preços no consumidor se valorizou em vários países, nomeadamente
na Alemanha, nos Países Baixos e na Áustria. Este desenvolvimento poderia
contribuir para um reequilíbrio mais simétrico na área do euro. No entanto, um
certo número de países que ainda têm de recuperar a competitividade,
nomeadamente a Espanha, a Itália, Chipre, a França e Portugal, viram igualmente
as suas taxas de câmbio reais aumentar. Os custos unitários da mão-de-obra
diminuíram em 2013 em alguns dos países periféricos da área do euro, em particular
na Grécia, em Chipre, na Espanha e na Irlanda, à medida que os salários
diminuíam. Estas reduções foram amplamente repartidas pelos setores (por
exemplo, indústria transformadora, serviços de mercado e construção)[18] na Espanha e na
Grécia. As outras economias da UE registaram pequenos aumentos nos seus custos
unitários da mão-de-obra (ULC) impulsionados por aumentos salariais acima dos
ganhos de produtividade, que foram marginais em França e Itália. Este padrão
dos ULC é observado em setores industriais importantes, bem como nos serviços
de mercado nestas duas economias[19].
Também se verificam aumentos nos custos unitários do trabalho causados pela
evolução salarial superior à produtividade do trabalho nos Países Baixos e na
Alemanha. Algumas das economias da UE na Europa Oriental registaram um aumento
relativamente elevado dos custos unitários do trabalho em 2013, apesar da
evolução favorável da produtividade. Tal é, em especial, o caso da Bulgária, da
Estónia, da Letónia, da Hungria e da Roménia. No que diz respeito à
competitividade não baseada nos custos, os dados sobre o destino geográfico das
exportações mostram os ganhos; no entanto, as análises sobre a qualidade das
exportações foram menos conclusivas[20]. A diminuição das
quotas de mercado no setor das exportações abrandou para a maior parte dos
países europeus. No entanto, ainda não foi invertida.
Globalmente, a maioria dos Estados-Membros perdeu quotas de mercado
significativas nos últimos anos, com a Grécia, a Croácia, Chipre e a Finlândia a
registarem as perdas mais significativas. Apenas algumas economias da UE na
Europa Oriental (Bulgária, os três países bálticos e a Roménia, que no seu
conjunto não representam mais de 2½ por cento das exportações da UE),
aumentaram as suas quotas de mercado globais. Em 2013, contudo, a maior parte
dos Estados-Membros ganharam alguma quota de mercado, em especial no setor dos
serviços, moderando assim esta tendência. Uma parte da perda da quota de
mercado a médio prazo não pode ser recuperada, uma vez que é uma consequência
do crescimento das economias emergentes. No entanto, ao longo dos últimos cinco
anos, a maior parte dos Estados-Membros também perdeu terreno relativamente a
outras economias avançadas, como ilustrado pelos indicadores auxiliares do
desempenho das exportações em relação à OCDE. As perdas de quotas de mercado no
setor das exportações, que incluem o comércio no interior da UE, devem ser
analisadas no contexto de uma procura interna fraca na UE. De facto, no período
pós-crise, registou-se uma diminuição da importância relativa do comércio
intra-UE, enquanto as exportações para fora da UE foram, em geral, mais
dinâmicas. O setor privado
pode ainda ter muito a fazer em termos de desalavancagem (Gráfico 5). A dívida do setor privado (famílias e empresas não financeiras)
continua a ser elevada e acima dos limiares indicativos do painel de avaliação
na maioria dos Estados-Membros. Isto, apesar das importantes reduções do rácio
dívida/PIB ao longo do período 2012-2013, em especial na Dinamarca, Estónia e Irlanda.
Além disso, a redução global do endividamento privado na grande maioria dos
Estados-Membros da UE é minimizada pela magnitude dos aumentos antes da crise, o
que significa que continuarão a existir importantes necessidades de
ajustamento. Por outro lado ainda, o ritmo de redução do endividamento tem sido
muito mais lento do que nos Estados Unidos[21].
Só na Alemanha, em que o endividamento privado não era uma das principais
preocupações antes da crise, é que a dívida privada desceu abaixo dos níveis de
há uma década. Os Estados-Membros têm sido confrontados com desafios diferentes
consoante o endividamento excessivo diz respeito ao setor das famílias (como
nos Países Baixos e na Dinamarca), ao setor empresarial (por exemplo, na Bulgária e na Eslovénia), ou a ambos (Irlanda, Espanha e Chipre).
Os fluxos de crédito negativos para o setor privado, que assinalam um reembolso
ativo das dívidas, foi o principal motor da redução da dívida das
famílias ao longo dos últimos anos, com uma aceleração em 2013 em Espanha,
Portugal e Irlanda, bem como da dívida das empresas em Malta, na Eslovénia, no Reino
Unido e em Espanha. Em alguns outros casos, a redução dos rácios dívida
privada/PIB foi mais passiva e compatível com os fluxos de crédito
líquido positivo tanto para as famílias como para as empresas, nomeadamente na
Estónia e no Reino Unido. Apesar dos fluxos de crédito negativos, a Grécia não
conseguiu reduzir significativamente os seus rácios dívida/PIB (em especial das
famílias)[22].
(Gráficos 6a e 6b). Gráfico 5: Dívida das empresas não financeiras, das
famílias e das administrações públicas
2013, em comparação com 2008
(sombreado)
(% do PIB) Nota: MT, EE, PL (administrações públicas): interrupção nas séries em 2013. Os
dados para AE18 e UE28 estão ainda conformes com as normas SEC 95. Consultar o
anexo estatístico para mais pormenores. Fonte: Eurostat. Gráfico 6a: Fatores da variação cumulativa no
endividamento das famílias, 1T/2014 5 anos || 1 ano Nota: Os dados de IE e NL referem-se ao período até
ao 4T/2013. Fonte: Eurostat, cálculos dos serviços da Comissão. Gráfico 6b: Fatores da variação cumulativa no
endividamento das famílias, 1T/2014 5 anos || 1 ano Nota: (1) Dados não consolidados. Alteração cumulativa do
rácio da dívida decomposto nas contribuições de: i) fluxos de crédito líquido,
ii) outras mudanças em dívidas pendentes (por exemplo, efeitos de
avaliação ou amortizações), iii) crescimento real do PIB, e iv) inflação. (2) O
eixo X no painel da direita representa a contribuição dos fluxos de crédito
líquido para a diminuição do rácio ao longo de todo o período. Os dados de IE, HU e NL referem-se ao período
até ao 4T/2013. Dados SEC 95. Consultar o anexo estatístico
para mais pormenores Fonte: Eurostat, cálculos dos serviços da
Comissão. Graças aos esforços
de consolidação orçamental dos últimos anos, o ritmo do ajustamento orçamental
deve diminuir. Os Estados-Membros da área do euro e a
UE no seu todo pretendem continuar a reduzir os seus défices. No entanto, em
comparação com os programas de estabilidade e de convergência da primavera de
2014, há um abrandamento no ritmo previsto da redução do défice, o que reflete
uma revisão em baixa da atividade económica, mas também uma redução do esforço
orçamental[23],
que chega ao seu termo em 2014 e não deverá ser retomado em 2015. Ao nível
agregado, tal parece um equilíbrio aceitável entre os requisitos de
sustentabilidade e as condições cíclicas. Por conseguinte, o efeito de travão da
atividade em vários Estados-Membros e as consequentes repercussões na área do
euro (e na UE) deve ser ainda mais reduzido. Todavia, num certo número de
casos, subsistem desafios importantes para os países mais endividados (por
exemplo, Grécia, Portugal, Itália, Irlanda, Chipre e Bélgica), ou em que o
aumento do rácio dívida/PIB foi mais rápido (por exemplo, Espanha, Croácia e
Eslovénia). Os desafios nestes países são exacerbados por uma elevada dívida do
setor privado (Gráfico 5) e pelas perspetivas económicas e demográficas[24]. Os riscos para a estabilidade financeira diminuíram na área do euro. Incentivados pela perspetiva da avaliação abrangente, os rácios de
capital próprio dos bancos continuaram a melhorar em 2013 e nos primeiros três
trimestres de 2014. As medidas a nível dos bancos centrais e as condições de
mercado favoráveis contribuíram para atenuar a escassez de liquidez e manter os
custos de financiamento dos bancos a um nível baixo na área do euro e para além
dela. Do mesmo modo, a fragmentação do mercado de obrigações soberanas foi
atenuada, à medida que as transações transfronteiras em obrigações de entidades
soberanas pressionadas do ponto de vista financeiro foram diminuindo. Em
particular, na maioria dos países da periferia da área do euro, a diminuição
dos balanços devida à desalavancagem do setor privado, o aumento do número de
empréstimos improdutivos e o regresso aos mercados de financiamento levaram os
bancos a reduzir a sua dependência relativamente ao financiamento dos bancos centrais.
Os bancos concentraram-se em melhorar os seus rácios de fundos próprios; tendo
em conta os resultados da análise da qualidade dos ativos (AQA) e os testes de
esforço anunciados em 26 de outubro de 2014, o saneamento dos balanços para a
grande maioria das instituições já está em grande parte concluído. Os fluxos de
crédito continuam a ser negativos nos países com dificuldades, e relativamente
baixos na maioria das outras economias da área do euro, embora os primeiros
sinais de melhoria tenham sido percetíveis nos últimos trimestres. Em geral,
para cada Estado-Membro, o total do passivo do setor financeiro diminuiu, ou
aumentou a um ritmo inferior ao limiar previsto no painel de avaliação. A procura moderada de crédito reflete a debilidade da procura e da
oferta desse mesmo crédito. Os bancos depararam-se com
pressões de desalavancagem tendo em conta os ativos depreciados nos seus
balanços. A constituição de provisões para créditos de cobrança duvidosa ainda
está em curso e os progressos realizados são desiguais, apesar de se terem
verificado melhorias significativas no reconhecimento e provisionamento
adequado para as perdas com empréstimos após a conclusão de inúmeros exercícios
nacionais nos países vulneráveis, bem como de uma análise completa da qualidade
dos ativos e dos testes de esforço realizados pelo BCE e pela Autoridade
Bancária Europeia. Depreciações de empréstimos, amortizações antecipadas e
pré-pagamentos começaram a produzir um impacto sobre a dívida privada em vários
países, como a Letónia, o Reino Unido e a Espanha, mas ainda não avançaram
muito na maior parte das economias da UE. Ao longo de 2013, os empréstimos improdutivos
continuaram a aumentar em vários Estados-Membros, nomeadamente em Espanha,
Itália, Portugal, Irlanda, Grécia, Chipre e França (embora partindo de níveis
relativamente baixos), ou estabilizaram a um nível relativamente elevado (como
na Hungria). Não obstante, uma maior certeza sobre os balanços dos bancos ao
longo de 2013, e, sobretudo, após o controlo sem precedentes a que foram
submetidos durante a avaliação exaustiva, contribuiu para reduzir os riscos
para a estabilidade financeira em grande parte das economias. Os acontecimentos
recentes na Bulgária e em Portugal, no entanto, mostram que os riscos
financeiros de certos bancos se podem manter. A fragmentação continua em curso no
mercado da banca de retalho, tendo os bancos da área do euro reduzido as suas
atividades na Europa Central e do Sudeste. Embora subsistam alguns riscos
residuais para a concessão de crédito nessas economias, as liquidações de
ativos prosseguiram em geral de forma ordenada em 2013 e 2014[25]. As perspetivas de
crédito são moderadas, já que a procura de crédito permanece baixa, refletindo
os níveis de investimento e de consumo atenuados pela incerteza, por um
endividamento elevado e por fracas perspetivas de rendimento e de crescimento. Em 2013, os mercados da habitação tornaram-se mais heterogéneos em toda
a UE. A variação anual dos preços da habitação
ajustados pela inflação em 2013 varia entre uma baixa de dois dígitos na
Croácia e na Espanha e um súbito aumento acima do limiar indicativo de 6 por
cento na Letónia e na Estónia. Este alargamento no âmbito da repartição reflete
o facto de o mercado na maioria dos Estados-Membros já ter atingido o seu nível
mais baixo, ao passo que noutros isso só deverá ocorrer nos próximos anos. Os preços
da habitação continuaram a sua correção a um ritmo rápido nos países
vulneráveis como a Grécia, Chipre e a Eslovénia, onde os preços da habitação já
tinham diminuído significativamente face aos picos anteriores. A Irlanda, onde
os preços da habitação tinham começado a aumentar novamente após uma profunda
correção durante a crise, constitui uma exceção assinalável. Embora cerca de um
terço dos mercados da habitação da UE tenham atingido o seu valor mínimo,
outros recuperaram de forma mais clara, apesar de preços relativamente elevados
(por exemplo, a Suécia e o Reino Unido). Noutros países (por exemplo, Dinamarca
e Alemanha) a recuperação de anteriores quedas e/ou de preços baixos conduziu a
aumentos. Os investimentos no parque habitacional mantêm-se em níveis
moderados, particularmente nos Estados-Membros em que as correções estão ainda
em curso. Embora, em alguns casos, tal reflita o investimento excessivo de há
alguns anos (por exemplo, em Espanha), noutros está relacionado com a incerteza
económica geral, a diminuição da oferta e da procura de crédito e os
estrangulamentos de natureza regulamentar. Espera-se que a prossecução das
reformas das disposições institucionais que afetam os mercados da habitação,
como a alteração do sistema fiscal para eliminar os incentivos à compra de
alojamento, contribua para estabilizar os mercados a médio prazo[26]. Gráfico 6: Preços da habitação (deflacionados)
2008, 2011 e 2013
(índice 2000=100, u.o.i.) Nota: Anos de
referência = 2001 (BG), 2002 (CY), 2002 (SI), 2005 (EE), 2006 (SK, LT), 2007
(HU), 2008 (RO, PL), devido à falta de dados. Fonte:
Eurostat. Gráfico 7: Taxa de desemprego
2008, 2013 e 2015 (previsão)
Fonte: Serviços da Comissão. Caixa: O mercado
de trabalho e a situação social continuam a ser problemas sérios A evolução
do emprego e do desemprego. Desde meados de
2013 o desemprego estabilizou em níveis historicamente elevados, tanto na UE-28
(10,7 % em 2014) como na AE-18 (12,0 % em 2014), embora a situação tenha variado
significativamente na UE (Gráfico 7). Com as atuais previsões de um
crescimento mais lento e mais fraco, prevê-se que se mantenha uma taxa de
desemprego elevada durante mais tempo do que se pensava, com acentuadas
diferenças entre os Estados-Membros. O desemprego de longa duração está ainda a
aumentar devido à natureza prolongada da crise. Ao longo do
último ano, o desemprego de longa duração aumentou em percentagem do desemprego
total, passando de 45,3 % para 48,7 % na UE- 28 (47,5 % e
51,5 % na AE-18). Contudo, em alguns países, o emprego no setor dos bens transacionáveis
parou de diminuir, mas continuou em declínio no setor dos bens não
transacionáveis (Espanha, Portugal), refletindo as mudanças estruturais em
curso. A redução do desemprego está principalmente associada a um abrandamento
na destruição de postos de trabalho, mas, apesar da ligeira melhoria, as taxas
de entrada no mercado de trabalho continuam a ser muito baixas. Ao mesmo tempo,
o emprego começou a aumentar muito moderadamente num contexto de perspetivas
incertas e de resistência prolongada nas taxas de atividade e numa menor
dinâmica em termos de horas trabalhadas. A taxa de risco
de pobreza e exclusão social aumentou em 8,7 milhões desde a crise,
continuando ainda a aumentar as diferenças entre os Estados-Membros. Desde
2011, o rendimento disponível das famílias tem vindo a diminuir em termos
reais, em média, na UE-28 e AE-18. O efeito estabilizador das despesas sociais
no rendimento das famílias diminuiu após 2010, com efeitos distributivos da
consolidação orçamental substancialmente variáveis entre os países. Tendo atingido
um nível máximo de 23,6 % no primeiro trimestre de 2013, antes de diminuir
para 23,1 % no final do ano, o desemprego dos jovens afetou
5,6 milhões de jovens em 2013. Em cerca de dois terços dos Estados-Membros,
as taxas de desemprego juvenil em julho de 2014 ainda estavam próximas dos seus
máximos históricos — com taxas de desemprego dos jovens ainda próximas ou acima
dos 40 % nos países mais afetados (Grécia, Espanha, Croácia, Itália,
Chipre e Portugal). Existem, contudo, alguns desenvolvimentos positivos,
considerados de forma prudente, com médias a baixar tanto na UE-28 (diminuição
de 1,2 pontos percentuais) como na AE-18 (0,5 pontos percentuais). As médias
das taxas NEET (jovens fora do sistema educativo, sem emprego e que não seguem
formação) na UE-28 e AE-18 diminuíram apenas muito ligeiramente, continuando a apresentar
grandes divergências entre os Estados-Membros. Dito isto, a proporção de jovens
que não estão no ensino, não têm emprego nem seguem uma formação aumentou
significativamente em quase metade dos Estados-Membros em 2013. A situação
atual evidencia portanto a urgência, para todos os Estados-Membros, de
concretizarem a Garantia para a Juventude. O rendimento
das famílias continuou a estagnar em termos reais ou a diminuir fortemente após
2011 nos países mais afetados pelo novo agravamento das condições económicas.
Os rendimentos dos agregados familiares foram essencialmente afetados pela
redução dos rendimentos de mercado e pelo enfraquecimento progressivo do
impacto das transferências sociais. As desigualdades de rendimento (S80/S20)
estão a aumentar entre e no interior dos Estados-Membros, em especial nos
Estados-Membros que registaram o maior aumento do nível de desemprego. A
população em idade ativa (18-64 anos) assiste a um aumento do seu risco de
pobreza em muitos Estados-Membros. Na maior parte dos países afetados, o
período prolongado de crescimento negativo ou próximo de zero, o aumento do
desemprego de longa duração e o enfraquecimento progressivo do impacto das
transferências sociais dão origem a riscos de pobreza. A evolução
persistentemente negativa do
emprego e da situação social
podem ter um impacto negativo no crescimento potencial do PIB numa grande
variedade de formas e poderá agravar os desequilíbrios macroeconómicos. Mobilidade
dos trabalhadores A mobilidade dos
trabalhadores no interior da UE aumentou em 2013, embora tenha permanecido
abaixo dos fluxos registados antes de 2008. Os fluxos de leste para oeste, a
partir dos novos Estados-Membros com menor PIB per capita para os antigos Estados-Membros com um PIB per capita mais elevado continuaram a representar a maior parte dos movimentos,
apesar de terem continuado a aumentar rapidamente os fluxos provenientes de
outros países periféricos gravemente afetados pela crise. Refletindo a situação
económica melhorada, as saídas líquidas diminuíram na Estónia, Letónia e
Irlanda, enquanto aumentaram na Grécia e em Espanha e principalmente em Chipre,
onde o impacto foi mais acentuado. O impacto destes movimentos no crescimento
potencial exigirá um acompanhamento rigoroso. Países com economias mais
estáveis, como a Alemanha, a Áustria, a Suécia e a Dinamarca registaram alguns
novos aumentos na imigração líquida proveniente de outros Estados-Membros da
UE. Os cidadãos móveis da UE continuaram a ter taxas de emprego mais elevadas,
em média, do que a população do país de acolhimento[27] e, em média,
não recorrem às prestações sociais com maior frequência do que os nacionais dos
países de acolhimento[28].
A taxa de sobrequalificação entre os trabalhadores móveis permanece elevada, com
muitos trabalhadores altamente qualificados a aceitarem postos de trabalho que
exigem qualificações baixas ou intermédias[29].
Para mais
informações sobre o mercado de trabalho e as tendências sociais e os desafios
relacionados ver o projeto de relatório conjunto sobre o emprego (RCE), e o seu painel mais
pormenorizado dos principais indicadores sociais e de emprego. A leitura do painel de avaliação constante do RCE é completada pelas
informações adicionais resultantes do Observatório de Desempenho do Emprego
(EPM) e do Monitor do desempenho em matéria de proteção social (SPPM), bem como
da avaliação das medidas políticas tomadas pelos Estados-Membros. O painel do RCE conseguiu destacar os principais desafios em
matéria social e de emprego no quadro do «Semestre Europeu» para a coordenação
das políticas económicas e contribuiu para os debates a nível institucional. 3. Desequilíbrios e
riscos: Observações específicas por país A
presente secção apresenta uma breve leitura económica do painel de avaliação e das
variáveis auxiliares em cada Estado-Membro. Juntamente com a discussão de
questões transnacionais, ajuda a identificar os Estados-Membros em relação aos
quais devem ser elaboradas análises aprofundadas (AA). Tal como explicado
anteriormente, será com base nas AA que a Comissão determinará se existem
desequilíbrios ou desequilíbrios excessivos. O
PDM não se aplica aos Estados-Membros que beneficiam de assistência financeira
em apoio aos seus programas de ajustamento macroeconómico[30], atualmente
a Grécia, Chipre e a Roménia. No entanto, as observações que se seguem dizem
igualmente respeito à Grécia e à Roménia. A situação da Grécia no contexto do
PDM, incluindo a elaboração de uma análise aprofundada, será tomada em
consideração no final da assistência financeira em curso. A situação da Roménia
no âmbito do PDM requer uma reavaliação, na medida em que a revisão do seu
programa cautelar foi adiada por vários meses. Ver
o anexo estatístico para o conjunto integral de estatísticas com base no qual
esta leitura económica e o relatório completo foram elaborados[31].
Bélgica: Em março de
2014, a Comissão concluiu que a Bélgica registava desequilíbrios
macroeconómicos que necessitavam de um acompanhamento e uma ação política, em
especial no que diz respeito à competitividade externa das mercadorias. No
painel atualizado, alguns indicadores estão acima dos limiares indicativos,
nomeadamente as quotas de mercado das exportações (apesar de uma melhoria em
comparação com os dados dos últimos anos) e a dívida dos setores privado e
público. O
indicador relativo à média de três anos para a balança de transações correntes
registou um défice relativamente pequeno em 2013, que se espera venha a
melhorar ligeiramente. A posição de investimento internacional líquida
permanece fortemente positiva. Em 2013, pela primeira vez desde 2009, as
exportações da Bélgica aumentaram a sua quota de mercado, o que conduziu a uma
acentuada melhoria do indicador de quotas de mercado das exportações (média de
cinco anos), apesar de continuar a registar um valor negativo superior ao
limiar. No que se refere à competitividade dos custos, a média trienal do
indicador dos custos unitários do trabalho (CUT) aumentou, tendo no entanto
permanecido dentro do limiar na sequência do aumento dos CUT em 2011‑2012.
No entanto, registou-se uma desaceleração desde 2013, que deverá continuar a
médio prazo. A dívida do setor privado aumentou ligeiramente em comparação com
2012, e continua a situar-se acima do valor limiar, refletindo principalmente o
elevado nível da dívida das empresas. A dívida pública, superior a 100 por
cento do PIB, mantém-se em grande medida estável. O passivo do setor financeiro
diminuiu em 2013, ao passo que a alavancagem do setor financeiro caiu para o
seu nível mais baixo dos últimos cinco anos. Os preços da habitação ajustados
pela inflação mantiveram-se estáveis em 2013, na sequência de uma tendência
relativamente inalterada nos últimos anos. Numa apreciação global, a
Comissão considera útil, tendo também em conta que foram detetados
desequilíbrios em março de 2014, analisar mais aprofundadamente a persistência
de desequilíbrios ou a sua correção. Bulgária: Em março de 2014,
a Comissão concluiu que a Bulgária registava desequilíbrios macroeconómicos que
exigiam um acompanhamento e uma ação política, em especial no que respeita ao
ajustamento prolongado do mercado de trabalho, ao mesmo tempo que a correção da
posição externa e o desendividamento das empresas progrediam a um ritmo
satisfatório. No painel atualizado, alguns indicadores estão acima dos limiares
indicativos, nomeadamente a posição de investimento internacional líquida
(NIIP), os custos unitários do trabalho, a dívida do setor privado e a taxa de
desemprego. A NIIP permanece fortemente negativa, apesar da nova melhoria
verificada em 2013, em resultado de um excedente da balança de transações
correntes. Um desempenho positivo das exportações resultou em ganhos de quotas
de mercado, não obstante o aumento dos custos unitários do trabalho. A dívida
do setor privado continua a um nível próximo mas ligeiramente acima do limiar
do painel de avaliação e está concentrada no setor empresarial. Durante o
primeiro semestre de 2014, a taxa de desemprego da Bulgária diminuiu pela
primeira vez desde 2009, mas continua elevada, tendo-se situado em mais de 12
por cento em 2013. Além disso, o desemprego dos jovens tem continuado a
aumentar e o desemprego de longa duração permanece elevado. Combinada com o
emprego que continua a degradar-se, esta situação vem juntar-se aos desafios
sociais significativos que o país já enfrenta, refletida nas taxas muito
elevadas de pobreza e de exclusão social. Em junho de 2014, o setor bancário da
Bulgária registou uma grave turbulência quando rumores de deficiências
desencadearam uma «corrida aos bancos» em alguns bancos nacionais. Como
resultado, um banco foi colocado sob administração extraordinária, enquanto
outro obteve apoio do governo em termos de liquidez. Os problemas no setor
financeiro podem ter implicações significativas para a estabilidade
macroeconómica, pesando sobre o crescimento económico, prolongando a deflação e
agravando os desafios orçamentais. Numa apreciação global, a Comissão
considera útil, tendo também em conta que foram detetados desequilíbrios em
março de 2014, analisar mais aprofundadamente a persistência de desequilíbrios
ou a sua correção. República Checa: Nas anteriores rondas do PDM,
a República Checa não apresentava desequilíbrios macroeconómicos. No painel
atualizado, dois indicadores estão acima dos limiares indicativos, nomeadamente
a NIIP e, pela primeira vez, registaram-se perdas da quota de mercado das
exportações. O défice da balança de transações correntes diminuiu
nos últimos anos, uma tendência que se deverá manter. A NIIP permanece muito
acima do limiar, mas, de uma forma geral, estável. Os riscos relacionados com a
posição externa continuam a ser limitados, uma vez que grande parte da dívida
externa decorre de investimento direto estrangeiro e, consequentemente, a
dívida externa líquida é muito baixa. No entanto, os fluxos de rendimento
primário associados a esta posição exigem excedentes comerciais sustentados, a
fim de assegurar a sustentabilidade externa, subjacente à necessidade de manter
a competitividade. O indicador sobre as perdas da quota de mercado das
exportações ultrapassou o limiar, apesar das perdas em 2013 terem desacelerado
em comparação com 2012, e se preveja que venham a ser contidas nos próximos
anos. Ao mesmo tempo, tem-se verificado uma evolução favorável dos indicadores
de competitividade, nomeadamente da taxa de câmbio real efetiva e dos custos
unitários do trabalho. Os níveis de endividamento do setor privado aumentaram,
mas continuam a ser relativamente baixos e bastante abaixo do limiar. Ao mesmo
tempo, o crescimento do crédito é fraco. Apesar de um aumento substancial nos
últimos anos, a dívida pública continua estável e abaixo do limiar. A elevada
participação de capitais estrangeiros no setor bancário continua a ser estável,
apesar dos passivos totais do setor financeiro terem aumentado de um modo
bastante substancial em 2013. O desemprego manteve-se estável ao longo de toda
a crise, tendo recentemente começado a diminuir. Numa apreciação global, a
Comissão não efetuará, nesta fase, uma análise mais aprofundada no contexto do
PDM. Dinamarca: Em março de 2014, a Comissão concluiu que os desafios macroeconómicos
na Dinamarca não constituem riscos macroeconómicos consideráveis que poderiam
ser considerados como desequilíbrios na aceção do PDM. No painel atualizado,
alguns indicadores estão acima dos limiares indicativos, nomeadamente o
excedente da balança de transações correntes, a perda de quotas de mercado no
setor das exportações e a dívida do setor privado. O excedente da
balança de transações correntes tem tido uma tendência crescente há alguns
anos, e excedeu o limiar do painel de avaliação. Em certa medida, isto reflete
a debilidade do crescimento da procura interna na Dinamarca em comparação com
os principais parceiros comerciais do país. Prevê-se que o excedente da balança
de transações correntes diminua à medida que a recuperação se consolida. As exportações
aumentaram a sua quota de mercado em 2013, atenuando o declínio de anos
anteriores. Os indicadores de competitividade dos custos não apontam para mais
perdas. A dívida do setor privado continua a ser elevada e superior ao limiar
do painel de avaliação, embora tenha vindo a seguir uma trajetória descendente
desde 2009. O elevado endividamento das famílias é uma característica
específica da economia dinamarquesa, relacionada com o seu sistema de créditos
hipotecários. Em consequência, o endividamento das famílias é compensado por um
nível elevado de ativos, tais como bens imobiliários e poupanças de reforma muito
elevadas. Além disso, as famílias têm conseguido suportar os ajustamentos dos
preços da habitação que tiveram lugar até 2012 sem um aumento significativo dos
pagamentos em atraso. Por conseguinte, os riscos em relação à economia real e à
estabilidade financeira parecem contidos. Além disso, o setor financeiro foi
reforçado através de medidas regulamentares e de supervisão. Numa apreciação
global, a Comissão não efetuará, nesta fase, uma análise mais aprofundada no
contexto do PDM. Alemanha: Em março de 2014, a Comissão concluiu que a Alemanha se encontrava em
situação de desequilíbrio macroeconómico e necessitava de adotar medidas
estratégicas e de controlo. Estes desequilíbrios dizem respeito a excedentes
importantes e persistentes da balança de transações correntes que são o
resultado da reduzida procura interna, nomeadamente de investimento, bem como
de uma forte competitividade. A necessidade de abordar a debilidade da procura
e do investimento, que entrava o crescimento económico da Alemanha, é particularmente
importante dado o papel proeminente da economia alemã e as suas potenciais
repercussões na UE e na área do euro. No painel atualizado, alguns indicadores
permanecem acima do limiar indicativo, nomeadamente o excedente da balança de
transações correntes, a perda de quotas de mercado no setor das exportações e a
dívida do setor público. O indicador
relativo à média de três anos para o excedente da balança de transações
correntes da Alemanha continuou a aumentar e o excedente anual, que representa
a maior parte do excedente da balança corrente da área do euro, deverá
permanecer elevado nos próximos anos. O saldo da Alemanha em relação à área do
euro tem vindo a diminuir, devido principalmente a uma redução das exportações,
enquanto o seu saldo em relação ao resto do mundo tem aumentado. A posição de
investimento internacional líquida positiva continua a aumentar. O indicador
relativo às perdas de quota do mercado de exportação para um horizonte de cinco
anos é superior ao limiar, embora com pequenos ganhos de quotas de mercado em
2013. As perdas são mais contidas do que na maior parte da área do euro e, de
um modo geral, estão em consonância com outras economias avançadas. Os
indicadores de competitividade dos custos mostram uma deterioração recente,
embora subsistam grandes ganhos acumulados ao longo da década anterior. A taxa
de câmbio real efetiva baseada no índice harmonizado de preços no consumidor
valorizou-se mais do que a média na área do euro em 2013, compensando
parcialmente as depreciações em anos anteriores. Os custos unitários do
trabalho aumentaram ainda mais em 2013, o que reflete os aumentos salariais
relativamente robustos. O investimento contribuiu negativamente para o
crescimento nos anos de 2012 e 2013. O investimento privado diminuiu no segundo
trimestre deste ano, interrompendo uma recuperação que tinha começado em 2013.
Apesar das recentes iniciativas políticas, o atraso no investimento público
persiste. A desalavancagem do setor privado prosseguiu, embora o crescimento do
crédito continue a ser modesto, refletindo a reduzida procura de crédito e uma
elevada proporção de financiamento através de fundos internos. A dinâmica dos
preços da habitação e a evolução do mercado imobiliário em certos segmentos e
regiões podem exigir um acompanhamento atento. O rácio da dívida pública
diminuiu em 2013, prevendo-se que continue a diminuir. O mercado de trabalho
continua robusto e o desemprego tem vindo a seguir uma trajetória descendente. Numa
apreciação global, a Comissão considera útil, tendo também em conta que foram
detetados desequilíbrios em março de 2014, analisar mais aprofundadamente a
persistência de desequilíbrios ou a sua correção. Estónia: Nas anteriores rondas do PDM, não foram
identificados na Estónia quaisquer desequilíbrios. No painel atualizado, alguns
indicadores estão acima dos limiares indicativos, nomeadamente a NIIP negativa,
os custos unitários nominais do trabalho, os preços da habitação ajustados pela
inflação e o desemprego. A NIIP negativa
mantém-se acima do limiar, embora esteja a diminuir. No entanto, uma vez que
metade do passivo externo consiste em investimento direto estrangeiro, os
riscos de financiamento externo continuam a ser limitados. A balança de
transações correntes da Estónia está atualmente em situação de défice, que
tende a ampliar-se. O aumento dos custos unitários nominais do trabalho reflete
um crescimento económico baseado na procura interna, e uma limitada oferta de
mão-de-obra. A dívida do setor privado na Estónia está abaixo do limiar, sendo no
entanto ainda relativamente elevada em comparação com os seus pares. O setor
privado está, no entanto, a proceder a uma desalavancagem, apoiado por um
crescimento do PIB nominal relativamente forte. Os preços da habitação, que
estão a aumentar de forma relativamente rápida, refletem uma qualidade e uma
oferta de habitação que só recentemente começou a adaptar-se à recuperação da
procura. A dívida pública é a mais baixa da UE. O desemprego está a diminuir e
é de esperar que, no próximo ano, o indicador seja inferior ao limiar. No
entanto, a taxa de desemprego de longa duração de trabalhadores pouco
qualificados e outros indicadores relacionados com a pobreza e a exclusão
social continuam relativamente elevados. A exposição da Estónia a riscos
geopolíticos, em especial ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia, agrava o
potencial de crescimento do país e exige um acompanhamento atento. Numa
apreciação global, a Comissão não efetuará, nesta fase, uma análise mais
aprofundada no contexto do PDM. Irlanda: Em março de 2014, a Comissão concluiu que a Irlanda registava
desequilíbrios macroeconómicos que exigiam um acompanhamento específico e a
tomada de medidas decisivas, envolvendo em especial a evolução do setor
financeiro, o endividamento dos setores público e privado, o elevado passivo
externo bruto e líquido e o mercado de trabalho. Tal como anunciado em março de
2014 e em consonância com a recomendação para a área do euro, a Comissão pôs em
prática um acompanhamento específico da execução das políticas para a Irlanda[32].
No painel de avaliação atualizado, alguns indicadores estão acima dos limiares
indicativos, nomeadamente a NIIP, a dívida dos setores público e privado e a
taxa de desemprego. A NIIP continuou a ser fortemente negativa em 2013, mas
tem vindo a diminuir desde 2011, devido à desalavancagem em curso do setor
privado e à emergência de grandes excedentes da balança de transações
correntes. O indicador relativo às perdas da quota de mercado das exportações
está agora abaixo do limiar e, em 2013, registaram-se alguns ganhos à medida
que a exportação de serviços continuava a crescer rapidamente. Na sequência de
uma recuperação significativa da competitividade nos últimos anos, os
indicadores de competitividade de custos estão agora em grande medida estáveis.
A dívida do setor privado diminuiu, mas continua a ser muito elevada, o que
traduz a necessidade de uma desalavancagem adicional mais significativa, em
particular das famílias. No que diz respeito ao setor empresarial, os níveis da
dívida são impulsionados pela presença de grandes empresas multinacionais com
elevados níveis de investimento financiado pelo estrangeiro, que estão sediadas
na Irlanda mas operam principalmente nos mercados mundiais. O elevado nível de
endividamento do setor público continuou a aumentar em percentagem do PIB em
2013, mas prevê-se que venha a diminuir a partir de 2014. O mercado da
habitação atingiu o seu nível mais baixo e os preços estão agora novamente a
aumentar, especialmente em Dublin. A taxa de desemprego continua acima do
limiar indicativo e mais de metade dos desempregados estavam sem emprego há pelo
menos doze meses em meados de 2014. Ainda assim, o desemprego tem vindo a
diminuir desde o início de 2013, impulsionado pela criação sustentada de postos
de trabalho, embora o desemprego (em geral, de longa duração e dos jovens)
continue a ser muito elevado. Numa apreciação global, a Comissão considera
útil, tendo também em conta a identificação, em março de 2014, de
desequilíbrios que exigem a tomada de medidas decisivas, analisar mais
aprofundadamente os riscos envolvidos na persistência de desequilíbrios ou a
sua correção. Grécia: Desde maio de 2010, a Grécia beneficiou de assistência financeira em
apoio do ajustamento macroeconómico. A supervisão dos desequilíbrios e o acompanhamento
das medidas corretivas foram realizados nesse contexto e não no contexto do
PDM. No seu programa, a Grécia realizou progressos consideráveis no sentido da
correção dos seus desequilíbrios e da redução dos riscos macroeconómicos. No
entanto, no painel atualizado, vários indicadores estão acima dos limiares
indicativos: a NIIP, a perda de quotas de mercado das exportações, as dívidas
pública e privada e o desemprego. Em 2013, o saldo da balança de transações
correntes da Grécia continuou a sua adaptação, principalmente em virtude da
contração das importações, de uma certa substituição de importações e do
aumento das receitas provenientes do turismo. O desempenho das exportações,
exceto as relativas ao turismo, continua a ser deficiente. As perdas de quotas
de mercado no setor das exportações acumuladas ao longo dos últimos cinco anos
estão bastante acima do limiar. A Grécia está, no entanto, a recuperar a
competitividade em termos de custos, como se reflete na redução drástica dos
custos unitários do trabalho apoiada por amplas reformas estruturais no âmbito
do programa. A taxa de câmbio real efetiva baseada no índice harmonizado de
preços no consumidor diminuiu substancialmente. O rácio NIIP negativo/PIB
aumentou ainda mais, a partir de níveis já elevados, refletindo o impacto da
longa recessão sobre o PIB nominal e os efeitos desfasados dos défices da
balança corrente. Os preços da habitação diminuíram em 2013, refletindo a
recessão profunda e o processo de ajustamento em curso no setor imobiliário. A
dívida do setor privado manteve-se elevada, ligeiramente acima do limiar, e os
esforços de desalavancagem não conseguiram entravar de forma significativa o
rácio da dívida privada apesar de fluxos de crédito significativamente
negativos. A dívida pública continua também a ser muito elevada, embora se
preveja que atinja um pico em 2014 e, em seguida, diminua gradualmente. A taxa
de desemprego é muito elevada, prevendo-se no entanto que comece a diminuir em
2014. A evolução económica teve um grande impacto sobre outros indicadores
sociais, como o desemprego dos jovens, o desemprego de longa duração e os
indicadores de pobreza. A assistência financeira e os programas de
ajustamento têm ajudado a Grécia a reduzir os seus desequilíbrios
macroeconómicos excessivos e a gerir os riscos conexos. A situação da Grécia no
contexto do PDM será avaliada no final do programa de assistência financeira em
curso e em função dos acordos pós-programa eventualmente aprovados. Espanha: Em março de 2014, a Comissão concluiu
que a Espanha registava desequilíbrios macroeconómicos que exigiam um
acompanhamento específico e a adoção de medidas decisivas, em especial no que
diz respeito aos elevados níveis da dívida interna e externa. Tal como
anunciado em março de 2014 e em consonância com a recomendação para a área do
euro, a Comissão pôs em prática um acompanhamento específico da execução das
políticas para Espanha[33].
No painel de avaliação atualizado, vários indicadores estão acima do limiar
indicativo, nomeadamente a posição de investimento internacional líquida, as quotas
de mercado no setor das exportações, a dívida do setor privado, a dívida das
administrações públicas e a taxa de desemprego. O indicador da balança de transações
correntes está agora bastante abaixo do limiar, uma vez que Espanha atingiu um
excedente da balança de transações correntes em 2013, devido essencialmente à
contração da procura interna. À medida que a procura interna recupera, a
durabilidade do reequilíbrio externo é de importância primordial, tanto mais
que a NIIP negativa permanece muito elevada. No entanto, o aumento em 2013 é,
em grande parte, devido aos efeitos da valorização, o que representa uma
melhoria na confiança dos investidores na economia espanhola. A perda acumulada
de quotas de mercado no setor das exportações, embora ainda acima do limiar,
foi consideravelmente reduzida em resultado dos ganhos em 2013, e o fosso
relativamente a outras economias avançadas foi colmatado. A melhoria do
desempenho das exportações é, em parte, imputável ao restabelecimento da
competitividade em termos de custos, visível nos dados relativos aos custos
unitários do trabalho. A dívida do setor privado continua a ser muito elevada, embora
a desalavancagem tenha continuado em 2013, principalmente devido aos fluxos de
crédito negativos, mas foram também observados os primeiros melhoramentos na
concessão de empréstimos às PME. A reestruturação do setor bancário progrediu,
contribuindo para o progressivo restabelecimento das condições da oferta de
crédito. A dívida pública aumentou substancialmente, refletindo em parte o
processo de saneamento dos balanços do setor financeiro, mas também o nível
ainda elevado do défice das administrações públicas. Os preços da habitação e
da construção residencial em percentagem do PIB diminuíram ainda mais em 2013,
mas dados recentes sugerem que o mercado da habitação está a estabilizar. A
taxa de desemprego muito elevada em Espanha aumentou ainda mais em 2013,
estando, no entanto, agora a diminuir, à medida que o crescimento do PIB se
torna positivo e as recentes reformas do mercado de trabalho começam a dar
frutos. As taxas de desemprego juvenil e de longa duração muito elevadas
comprometem as perspetivas de crescimento futuro e aumentam as desigualdades
sociais. Numa apreciação global, a Comissão considera útil, tendo também em
conta a identificação, em março de 2014, de desequilíbrios que exigem a adoção
de medidas decisivas, analisar mais aprofundadamente os riscos envolvidos na
persistência de desequilíbrios ou a sua correção. França: Em março de 2014, a Comissão
concluiu que a França continuava em situação de desequilíbrio macroeconómico e
que necessitava de adotar medidas de controlo específicas[34] e medidas
estratégicas decisivas. Os desequilíbrios diziam respeito à deterioração da
balança comercial e da competitividade, bem como a implicações do nível de
endividamento do setor público. Tal como anunciado em março de 2014 e em
consonância com a recomendação para a área do euro, a Comissão pôs em prática
um acompanhamento específico da execução das políticas para a França. No painel
atualizado, alguns indicadores continuam acima dos seus limiares indicativos,
nomeadamente as perdas de quotas de mercado no setor das exportações e as
dívidas do setor privado e das administrações públicas. A balança comercial e as tendências em matéria de competitividade não
revelaram sinais de inversão. A balança de transações correntes continua numa
situação de défice estável, dentro dos limiares, sendo a NIIP ligeiramente
negativa. Os resultados das exportações continuam a ser fracos, com perdas
acumuladas substanciais na quota de mercado das exportações, apesar de se terem
registado alguns ganhos limitados em 2013. O crescimento do custo unitário do
trabalho é relativamente moderado, mas não aponta para qualquer melhoria em
termos de competitividade dos custos. A rendibilidade das empresas privadas
continua a ser reduzida, o que limita as perspetivas de desalavancagem e a
capacidade de investimento. A dívida do setor privado é superior ao limiar e acompanha
o elevado e crescente rácio de endividamento das administrações públicas, que é
de quase 100 por cento do PIB. A situação do mercado de trabalho está a
agravar-se, com uma subida da taxa de desemprego para níveis muito próximos do
limiar. A taxa de desemprego juvenil é também elevada e crescente. Num contexto
de fraco crescimento e inflação, é particularmente importante resolver os
desequilíbrios macroeconómicos da França devido à dimensão da economia francesa
e ao seu potencial de contágio suscetível de afetar o funcionamento da área do
euro. Numa apreciação global, a Comissão considera útil, tendo também em
conta a identificação, em março de 2014, de desequilíbrios que exigem a adoção
de medidas decisivas, analisar mais aprofundadamente os riscos envolvidos na
persistência de desequilíbrios ou a sua correção. Croácia: Em março de 2014, a Comissão
concluiu que a Croácia registava desequilíbrios macroeconómicos excessivos que
exigiam um acompanhamento específico e a tomada de medidas fortes, relativamente
ao passivo externo, à deterioração dos resultados das exportações, às empresas
altamente endividadas e a uma dívida das administrações públicas em rápido
aumento, num contexto de crescimento reduzido e de fraca capacidade de
adaptação. Conforme anunciou em março de 2014, a Comissão pôs em prática um
acompanhamento específico da execução das políticas para a Croácia[35].
No painel de avaliação atualizado, alguns indicadores estão acima dos limiares
indicativos, nomeadamente a NIIP, a perda de quotas de mercado das exportações,
a dívida do setor público e a taxa de desemprego. O valor muito negativo da NIIP diminuiu ligeiramente, enquanto a
balança de transações correntes passou para um excedente. O ajustamento da
balança de transações correntes tem sido induzido pela queda da procura interna
e do investimento, com potenciais impactos negativos no potencial de
crescimento da Croácia. O desempenho das exportações é fraco e as perdas
acumuladas da quota de mercado das exportações continuam a ser muito grandes,
embora se tenha verificado uma certa desaceleração e progressos moderados. Os
ganhos de competitividade, no entanto, continuam a ser limitados, com os custos
unitários do trabalho e as taxas de câmbio reais efetivas a voltarem mesmo a
aumentar em 2013, depois de terem diminuído desde 2010. A dívida do setor
privado, embora abaixo do limiar, é relativamente elevada em comparação com os
seus pares e ainda não está a diminuir, apesar do crescimento negativo do
crédito. A dívida das empresas públicas acrescenta passivos contingentes
significativos para o governo e assinala deficiências na sua governação. A
contração da economia e os défices orçamentais elevados colocaram o rácio
dívida pública/PIB numa tendência rapidamente crescente, em que a consolidação orçamental
é difícil num ambiente de recessão. O lento ajustamento dos salários contribui
para acelerar a destruição de emprego e aumentar as elevadas taxas de
desemprego. O elevado desemprego juvenil e de longa duração, bem como as
reduzidas taxas de atividade, deterioram ainda mais as perspetivas de
crescimento, reforçam os ciclos de retroação negativa e pressionam o tecido
social. Numa apreciação global, a Comissão considera ser útil, tendo também
em conta que foram detetados desequilíbrios excessivos em março de 2014,
analisar mais aprofundadamente a persistência de riscos macroeconómicos e
acompanhar os progressos na correção dos desequilíbrios excessivos. Itália: Em março de 2014, a Comissão concluiu
que a Itália se encontrava em situação de desequilíbrio macroeconómico
excessivo que exigia a adoção de um acompanhamento específico e de medidas
fortes. Os desequilíbrios envolvem, em especial, o nível muito elevado da
dívida pública e a fraca competitividade externa, ambos enraizados num lento
crescimento da produtividade. Tal como anunciado em março de 2014 e em
consonância com a recomendação para a área do euro, a Comissão pôs em prática
um acompanhamento específico da execução das políticas para a Itália[36].
No painel de avaliação atualizado, alguns indicadores estão acima dos limiares
indicativos, nomeadamente a perda de quotas de mercado das exportações, o rácio
dívida pública/PIB e a taxa de desemprego. Embora a posição externa se tenha vindo a ajustar
e o excedente da balança de transações correntes registado em 2013 deva
continuar a aumentar, esses desenvolvimentos são principalmente impulsionados
por uma fraca procura interna e por um modesto crescimento das exportações. Numa
base de 5 anos, as perdas acumuladas na quota de mercado das exportações continuam
a ser elevadas e o desempenho das exportações também continua a ser fraco em
comparação com outras economias avançadas. Os indicadores da competitividade
dos custos são estáveis, mas não indicam quaisquer ganhos. O crescimento
nominal dos custos unitários do trabalho abrandou em 2013, graças em parte a
uma estabilização da produtividade do trabalho após a grande diminuição
registada no ano anterior. A dívida do setor privado é moderada, embora o grau
muito elevado do rácio da dívida/PIB das administrações públicas tenha continuado
a aumentar, impulsionado pelo crescimento real negativo e por uma inflação
reduzida. A debilidade económica também se reflete na diminuição do peso do
investimento fixo em relação ao PIB, devido à incerteza das perspetivas económicas
e à significativa contração do crédito do setor privado em 2013. O desemprego
na Itália aumentou ainda mais em 2013, tendo no entanto estagnado no primeiro
semestre de 2014. O desemprego dos jovens aumentou acentuadamente, tendo-se
situado num nível muito elevado, ao mesmo tempo que o desemprego de longa
duração continuou a ser muito elevado. A taxa de atividade é a mais baixa da
UE. Embora a pobreza e os indicadores sociais se tenham mantido de um modo
geral estáveis em 2013, permaneceram a um nível preocupantemente elevado e
podem afetar negativamente as perspetivas de crescimento a médio prazo. Num
contexto de fraco crescimento e inflação, é particularmente importante resolver
os desequilíbrios macroeconómicos da Itália devido à dimensão da economia
italiana e ao seu potencial de contágio suscetível de afetar o funcionamento da
área do euro. Numa apreciação global, a Comissão considera ser útil, tendo
também em conta que foram detetados desequilíbrios excessivos em março de 2014,
analisar mais aprofundadamente a persistência de riscos macroeconómicos e
acompanhar os progressos na correção dos desequilíbrios excessivos. Letónia: Na
anterior ronda do PDM, não foram identificados na Letónia quaisquer
desequilíbrios macroeconómicos. No painel de avaliação atualizado, alguns
indicadores estão acima dos limiares indicativos, nomeadamente a NIIP, a taxa
de desemprego e a variação dos preços da habitação ajustados pela inflação. A NIIP negativa está significativamente acima do limiar
indicativo, embora tenha diminuído nos últimos anos. Mais de dois terços do
passivo líquido refletem as reservas de IDE e a dívida externa líquida
mantém-se a um nível moderado. A balança de transações correntes da Letónia
apresenta um ligeiro défice. Os ganhos de quotas de mercado das exportações do
país estão em desaceleração, sendo no entanto ainda consideráveis em termos
acumulados. Embora os custos unitários do trabalho estejam dentro dos limites
do limiar, as projeções mostram riscos de superação dos limites máximos no
curto prazo, mas num contexto de melhoria da competitividade não baseada nos
custos e, de um modo geral, em consonância com a evolução observada nos
principais parceiros comerciais. Os rácios da dívida pública e privada estão
significativamente abaixo dos limiares. O setor financeiro mantém elevada
liquidez e bons rácios de adequação dos fundos próprios, mas o crescimento do
crédito é ainda negativo no contexto da desalavancagem do setor bancário em
curso. Em 2013, o crescimento dos preços da habitação ajustados pela inflação
ultrapassou mas ficou próximo do limiar, corrigindo uma considerável queda em
anos anteriores. A exposição da Letónia a riscos geopolíticos, em especial ao
conflito entre a Rússia e a Ucrânia, agrava o potencial de crescimento do país.
O indicador do desemprego (média de três anos) está a aproximar-se do limiar e
prevê-se que volte a diminuir ainda mais. O desemprego dos jovens continua a
diminuir. O desemprego de longa duração, embora ainda a um nível elevado,
diminuiu de forma significativa ao longo do ano passado, o que atenua
igualmente os elevados riscos sociais existentes. Numa apreciação global, a
Comissão não efetuará, nesta fase, uma análise mais aprofundada no contexto do
PDM. Lituânia: Nas anteriores rondas do
PDM, não foram identificados na Lituânia quaisquer desequilíbrios
macroeconómicos. No painel atualizado, alguns indicadores estão acima dos
limiares indicativos, nomeadamente o NIIP e o desemprego. A NIIP negativa da Lituânia mantém-se acima do limiar, mas tem vindo a
melhorar consideravelmente. Além disso, a dívida externa líquida é
substancialmente mais baixa, tendo em conta o volume de afluxo de IDE. A
balança de transações correntes registou um pequeno excedente em 2013, mas
prevê-se que este se transforme num ligeiro défice em 2015, à medida que a
procura interna aumenta. Os resultados das exportações afiguram-se sólidos, com
ganhos substanciais na quota de mercado das exportações. Os indicadores da
competitividade dos custos são relativamente estáveis, embora os custos
unitários do trabalho tenham aumentado moderadamente devido a uma contração do
mercado de trabalho. As sanções impostas pela Rússia são suscetíveis de travar
as exportações e o PIB a curto prazo. Mais em geral, a exposição da Lituânia a
riscos geopolíticos, em especial ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia, agrava
o potencial de crescimento do país. Os rácios da dívida do setor privado e das
administrações públicas são relativamente baixos. O setor privado continua a
desalavancagem e o crescimento do novo crédito a empresas não financeiras está
a ser lento. Os preços reais da habitação estabilizaram nos últimos anos. O
desemprego, o desemprego dos jovens e o desemprego de longa duração diminuíram
significativamente, prevendo-se uma descida no desemprego total para um nível
próximo dos níveis do limiar nos próximos anos. A melhor situação do mercado de
trabalho está a contribuir para a redução da pobreza e da exclusão social, que
se mantêm a níveis muito elevados. Numa apreciação global, a Comissão não
efetuará, nesta fase, uma análise mais aprofundada no contexto do PDM. Luxemburgo: Em março de 2014, a Comissão concluiu que os desafios macroeconómicos
do Luxemburgo não constituem riscos macroeconómicos consideráveis que poderiam
ser considerados como desequilíbrios na aceção do PDM. No painel atualizado,
alguns indicadores estão acima dos limiares indicativos, nomeadamente os custos
unitários do trabalho, o crescimento do crédito do setor privado e a dívida do
setor privado. O excedente substancial da balança de transações
correntes do Luxemburgo desceu novamente em 2013, sob o efeito do dinamismo das
importações, mas também da queda dos investimentos, o que significa que o
indicador de três anos está agora dentro do limiar. As perdas acumuladas de quotas
de mercado no setor das exportações diminuíram para valores abaixo do limiar
após alguns ganhos substanciais em 2013. Os custos unitários do trabalho
continuam a ser relativamente dinâmicos, mesmo que se tenha verificado uma
moderação do crescimento do custo unitário do trabalho em 2013. O elevado nível
de endividamento privado no Luxemburgo, principalmente das sociedades não
financeiras, reflete, em geral, grandes empréstimos transfronteiras intraempresas
que são compensados por ativos consideráveis. Embora a dívida das
administrações públicas esteja atualmente numa situação favorável, existe um
risco elevado para a sustentabilidade a longo prazo, devido às crescentes
responsabilidades relacionadas com o envelhecimento da população. Os riscos
para a estabilidade financeira nacional decorrentes da presença de um grande
setor financeiro são reais, mas estão relativamente contidos, na medida em que
este setor é, ao mesmo tempo, diversificado e especializado. Por outro lado, os
bancos nacionais apresentam rácios de capital e de liquidez sólidos. No
entanto, o dinamismo dos preços do setor imobiliário representa uma fonte de
preocupação. Embora o risco de uma forte correção de preços pareça ser
reduzido, existem problemas do lado da oferta e o investimento na construção de
habitações está a diminuir. Numa apreciação global, a Comissão não efetuará,
nesta fase, uma análise mais aprofundada no contexto do PDM. Hungria: Em março de 2014, a Comissão concluiu que a Hungria apresentava desequilíbrios
macroeconómicos que exigiam acompanhamento e a adoção de medidas decisivas,
relativamente, em especial, à continuação do ajustamento da sua NIIP muito
negativa, bem como à dívida pública relativamente elevada do país[37]. No painel de
avaliação atualizado, vários indicadores estão acima dos limiares indicativos,
nomeadamente a NIIP, as perdas de quotas do mercado das exportações, a dívida
das administrações públicas e a taxa de desemprego. O aumento dos excedentes da balança de transações correntes e da
balança de capitais, desde 2010, asseguraram uma redução sustentada da NIIP,
embora continue a ser muito elevada. Esta melhoria da balança de transações
correntes foi, até há pouco tempo, induzida principalmente por uma fraca
procura interna, tendo o desempenho das exportações sido, de um modo geral,
débil, o que resultou em grandes perdas de quota de mercado acumuladas. Ao
mesmo tempo, o aumento dos custos unitários do trabalho tem sido relativamente
dinâmico apesar de as taxas de câmbio reais efetivas (REER) terem sido depreciadas.
A desalavancagem do setor privado prosseguiu num contexto difícil, com um
elevado nível de empréstimos improdutivos, um ónus excessivo para o setor
financeiro, fluxos de crédito negativos e uma diminuição contínua dos preços da
habitação ajustados pela inflação. No entanto, desde meados de 2013, o ritmo da
desalavancagem abrandou devido a regimes de empréstimos subvencionados e a uma
retoma do crescimento. A dívida das administrações públicas continuou a
diminuir gradualmente, mas a trajetória descendente não é suficientemente
robusta face à possibilidade de choques adversos. Os ciclos de retroação
negativa entre o limitado potencial de crescimento da economia e a exposição a
movimentos cambiais poderão agravar as vulnerabilidades do país. O indicador de
desemprego situa-se ligeiramente acima do limiar, principalmente devido ao
aumento da taxa de participação, prevendo-se que melhore ainda mais. Embora a
situação dos jovens no mercado de trabalho tenha melhorado, o desemprego de
longa duração permanece elevado. A taxa de atividade tem vindo a aumentar, mas
continua a ser uma das mais baixas da UE. No entanto, todos os indicadores de
pobreza continuaram a deteriorar-se consideravelmente desde o início da crise. Numa
apreciação global, a Comissão considera útil, tendo também em conta a
identificação, em março de 2014, de desequilíbrios que exigem a adoção de
medidas decisivas, analisar mais aprofundadamente os riscos envolvidos na
persistência de desequilíbrios ou a sua correção. Malta: Em março de 2014, a Comissão
concluiu que os desafios macroeconómicos de Malta não constituíam riscos
macroeconómicos consideráveis que poderiam ser considerados como desequilíbrios
na aceção do PDM. No painel atualizado, alguns indicadores estão acima dos
limiares indicativos, nomeadamente a variação dos custos unitários nominais do
trabalho e as dívidas do setor privado e das administrações públicas. O processo de reequilíbrio externo continuou a avançar e a balança de
transações correntes registou um pequeno excedente em 2013. Prevê-se que o
aumento das importações relacionado com grandes projetos de investimento venha
a conduzir a uma deterioração temporária do saldo da balança de transações
correntes em 2014-15. Não obstante a melhoria da balança externa nos últimos anos,
a quota de mercado das exportações de Malta diminuiu pelo quinto ano consecutivo em 2013, embora
as alterações acumuladas ainda estejam dentro do limiar indicativo. O
crescimento dos custos unitários nominais do trabalho é ligeiramente superior ao
nível do limiar. Esta evolução reflete a evolução da estrutura da economia, mas
também pode indicar riscos de erosão da competitividade, caso persista.
Entretanto, o nível relativamente elevado da dívida privada, concentrada nas
sociedades não financeiras, mantém-se numa trajetória descendente, em parte
devido a um crescimento económico sustentado, mas também devido aos fluxos de
crédito negativos para o setor empresarial, uma vez que os bancos restringiram
os seus padrões de crédito, especialmente para o setor da construção. O rácio
dívida pública/PIB continuou a aumentar, prevendo-se, no entanto, que
estabilize e diminua a partir do próximo ano. Embora o setor bancário, grande e
principalmente orientado para a vertente internacional, esteja a proceder a uma
desalavancagem, o impacto sobre a atividade económica tem sido limitado, dado
que a parte dos ativos e passivos de residentes nos seus balanços é reduzida. A
evolução estável dos preços da habitação, um crescimento robusto do emprego,
embora a par de uma taxa de atividade relativamente baixa, e uma baixa taxa de
desemprego reduzem o risco de que surjam desequilíbrios internos. Numa
apreciação global, a Comissão não efetuará, nesta fase, uma análise mais
aprofundada no contexto do PDM. Países
Baixos: Em março de 2014, a Comissão concluiu que os
Países Baixos registavam desequilíbrios macroeconómicos, envolvendo em especial
a continuação do ajustamento do mercado da habitação e o elevado nível de
endividamento das famílias. No painel atualizado, alguns indicadores estão
acima dos limiares indicativos, nomeadamente: o excedente da balança de
transações correntes; as perdas de quotas de mercado das exportações; o nível
da dívida do setor privado e a dívida do setor público. A persistência de
grandes excedentes na balança de transações correntes dos Países Baixos é o
resultado de poupanças elevadas e de investimentos privados nacionais
estruturalmente débeis, que diminuíram ainda mais em 2013. No entanto, prevê-se
uma recuperação gradual que deverá apoiar os investimentos em 2014 e nos anos
seguintes, colocando uma certa pressão no sentido da baixa sobre o excedente da
balança de transações correntes. As perdas acumuladas da quota de mercado das
exportações diminuíram ligeiramente, depois de alguns ganhos em 2013, em parte
devido ao dinamismo das reexportações. O crescimento do custo unitário do
trabalho tem sido positivo e dentro do limiar. A dívida do setor privado
manteve-se estável, a um nível bastante superior ao limiar, apesar de uma certa
desalavancagem ativa das famílias. Os riscos são reduzidos pelo grande número
de ativos financeiros detidos pelo setor privado. Além disso, alterações
políticas, tais como a redução da dedução fiscal dos juros hipotecários e os
rácios empréstimos/valores em dívida, contribuirão para a redução do
endividamento das famílias e para um setor financeiro mais equilibrado. O
mercado da habitação parece estar a recuperar, com uma subida dos preços do
imobiliário e o número de operações e licenças de construção a aumentar,
abrindo o caminho para um aumento dos investimentos das famílias. A dívida das
administrações públicas está estável, acima do limiar. Numa apreciação
global, a Comissão considera útil, tendo também em conta que foram detetados
desequilíbrios em março de 2014, analisar mais aprofundadamente a persistência
de desequilíbrios ou a sua correção. Áustria Nas anteriores rondas do PDM, não foram identificados na Áustria
quaisquer desequilíbrios macroeconómicos. No painel atualizado, alguns
indicadores continuam acima dos seus limiares indicativos, nomeadamente as
perdas de quotas de mercado no setor das exportações e as dívidas do setor das
administrações públicas. A balança de transações correntes continua estável e
com um excedente moderado, enquanto a NIIP é próxima de zero. As consideráveis
perdas acumuladas da quota de mercado das exportações diminuíram após alguns
ganhos limitados em 2013, uma vez que a economia da Áustria beneficiou da sua
integração da cadeia de abastecimento com a Alemanha e a Europa Central. O desempenho
mais recente das exportações está em grande medida em conformidade com o
desempenho dos parceiros da UE. As preocupações em matéria de competitividade
dos custos parecem ser limitadas, com um aumento dos custos unitários do
trabalho modesto e abaixo do limiar, e a evolução da REER está em consonância
com os parceiros da área do euro. A dívida do setor privado é ligeiramente
inferior ao limiar, situando-se num nível relativamente estável. Os fluxos de
crédito para o setor privado permanecem moderadamente positivos. A dívida das
administrações públicas continua a exceder o limiar, devido também à
reestruturação relacionada com a crise e à recapitalização das instituições do
setor financeiro, que se espera venha a aumentar a dívida pública em cerca de 6
pontos percentuais do PIB em 2014. Embora subsistam riscos substanciais, os
ciclos de retroação negativa entre as administrações públicas e o setor
financeiro foram reduzidos, graças, em parte, ao processo de reestruturação de
instituições financeiras importantes. No entanto, a estreita integração do
setor bancário com países da Europa Central, Oriental e do Sudeste implica que
o sistema bancário austríaco está exposto a riscos geopolíticos, bem como à
evolução macrofinanceira nesses mercados. Esta exposição, porém, parece ser um
pouco mais baixa, em termos globais, do que no passado, e é acompanhada de uma
desalavancagem dos bancos austríacos, o que revela uma redução no passivo do
setor financeiro e uma reorientação para países de menor risco e para fontes de
financiamento locais mais estáveis. No que diz respeito aos preços da
habitação, há indícios de que a forte dinâmica dos preços observada em 2012
tenha diminuído consideravelmente, embora a ritmos diferentes em todo o país. Numa
apreciação global, a Comissão não efetuará, nesta fase, uma análise mais
aprofundada no contexto do PDM. Polónia: Nas anteriores rondas do PDM, não foram identificados na Polónia
quaisquer desequilíbrios macroeconómicos. No painel atualizado, alguns
indicadores estão acima dos limiares indicativos, nomeadamente a NIIP e a taxa
de desemprego. A NIIP permanece altamente negativa e continuou a
deteriorar-se ligeiramente em 2013. No entanto, a dívida externa líquida é
significativamente mais baixa do que a NIIP, uma vez que o IDE representa uma
grande parte da dívida externa. Além disso, o défice da balança de transações
correntes melhorou e está dentro do limiar pela primeira vez desde 2007, graças
a um excedente da balança comercial e a um menor défice da balança de
rendimentos. Em termos acumulados, a quota de mercado das exportações
manteve-se estável ao longo dos últimos cinco anos, embora as perdas nos
últimos anos tenham sido compensadas pelos ganhos em 2013. A dívida do setor
privado expressa em percentagem do PIB continua a figurar entre as mais baixas
da UE, tendo aumentado apenas marginalmente. A dívida pública tem permanecido,
em geral, estável a um nível ligeiramente abaixo do limiar, prevendo-se que
diminua em 2014, sobretudo devido às recentes alterações do sistema de pensões
do segundo pilar. O setor bancário tem boa capitalização, liquidez e é
rentável; o fluxo de crédito para o setor privado continua a ser reduzido em
comparação com o período anterior a 2007, mas é positivo. As hipotecas em moeda
estrangeira ainda representam uma elevada proporção do total das hipotecas, mas
estão a diminuir constantemente. Embora a taxa de desemprego tenha atingido o
limiar no período de referência, os dados mais recentes revelam uma tendência
para a baixa, que poderá estar em risco em função das eventuais consequências
económicas das tensões entre a Rússia e a Ucrânia e da situação económica mais
fraca do que inicialmente previsto na UE. Numa apreciação global, a Comissão
não efetuará, nesta fase, uma análise mais aprofundada no contexto do PDM. Portugal: Entre maio de 2011 e junho de 2014, Portugal beneficiou da assistência
financeira em apoio de um programa de ajustamento macroeconómico[38]. Por conseguinte, a
supervisão dos desequilíbrios e o acompanhamento das medidas corretivas realizaram-se
nesse contexto e não no contexto do PDM. No seu programa, Portugal realizou
progressos consideráveis no sentido da correção das suas fraquezas económicas e
da redução dos riscos macroeconómicos. No entanto, no painel atualizado, vários
indicadores estão acima dos limiares indicativos: a NIIP, as dívidas pública e
privada e o desemprego. A posição de investimento internacional líquida
negativa é muito elevada e tem apresentado uma tendência para a subida. No
entanto, o aumento da NIIP abrandou até quase parar, à medida que a balança de
transações correntes se foi reequilibrando, impulsionada pelo crescimento das
exportações e a redução das importações. As perdas acumuladas de quotas de
mercado no setor das exportações diminuíram para valores abaixo do limiar
devido a alguns ganhos em 2013. Estes ganhos recentes são coerentes com os
sinais de melhoria da competitividade dos custos, refletidos na redução gradual
dos custos unitários do trabalho e na estabilidade da REER. A dívida privada é
muito elevada, e os esforços de desalavancagem das famílias e das empresas
apenas reduziram de forma ligeira os respetivos rácios. A dívida pública
continua também a ser muito elevada, embora se preveja que tenha atingido o
pico em 2013 e, em seguida, diminua gradualmente. Apesar dos recentes
acontecimentos num banco em concreto, o setor bancário português tem-se
estabilizado com sucesso, tendo continuado a melhorar em termos de uma
capitalização adequada e de acesso à liquidez através do mercado. No entanto,
os elevados níveis de empréstimos improdutivos e a fragilidade da conjuntura
económica global continuam a deixar os bancos vulneráveis a choques
macroeconómicos e limitam a sua capacidade para financiar a economia real. O
desemprego permanece muito elevado, embora depois de ter atingido um ponto
máximo no início de 2013 tenha continuado a diminuir gradualmente. O desemprego
dos jovens e o desemprego de longa duração são muito elevados, com outros
indicadores sociais a continuarem a ser fonte de preocupação. No contexto da
integração de Portugal no ciclo de supervisão normal da UE, a Comissão
considera útil analisar mais aprofundadamente os riscos envolvidos, no âmbito
de uma análise aprofundada, para avaliar se existem desequilíbrios. Roménia A Roménia tem beneficiado desde a
primavera de 2009 de assistência financeira, atualmente a título de precaução,
em apoio dos programas de ajustamento, tendo em conta os riscos que persistiam
para a sua balança de pagamentos. A supervisão dos desequilíbrios e o
acompanhamento das medidas corretivas foram realizados nesse contexto. No
entanto, desde o estabelecimento do acordo em curso, no outono de 2013, foi
concluída com sucesso uma avaliação do programa, devendo este estar finalizado
em setembro de 2015. No painel de avaliação
atualizado, a NIIP está ainda muito acima do limiar indicativo. A NIIP altamente negativa da
Roménia reflete a acumulação de défices da balança corrente no período anterior
à crise, que foram em grande parte financiados pelo investimento direto estrangeiro.
Tal implica que a dívida externa líquida é de certa forma inferior à sua NIIP,
embora permaneça elevada. A balança de
transações correntes foi objeto de um reequilíbrio, mas em 2013 ainda havia um
pequeno défice, que se prevê aumente ligeiramente nos próximos anos. O
IDE permanece claramente abaixo dos níveis anteriores à crise. O desempenho das
exportações tem sido forte e a Roménia ganhou quotas de mercado, especialmente
em 2013. A produtividade do trabalho tem vindo a recuperar substancialmente desde
2012, mas os custos unitários do trabalho aceleraram em 2013. A dívida do setor
privado é relativamente baixa e estima-se que tenha diminuído fortemente em
2013, graças a um forte crescimento nominal. O setor
financeiro tem boa capitalização e liquidez, mas a intermediação continua a ser
reduzida. Embora se tenha observado uma descida significativa em 2014, as
pressões de desalavancagem e o elevado número de empréstimos improdutivos
estão a afetar a expansão do crédito ao setor privado. No mercado da habitação,
a correção dos preços do imobiliário ajustados pela inflação continua, embora a
um ritmo mais lento do que nos anos anteriores. A fragilidade do mercado
imobiliário coloca desafios às carteiras de empréstimos dos bancos, que são em
grande medida garantidos por créditos hipotecários. No mercado de trabalho, o
desemprego entre os jovens e a percentagem desta camada da população sem
emprego, educação ou formação permanece elevada, enquanto a taxa de atividade
continua a ser uma das mais baixas na UE. A pobreza e a exclusão social estão
entre as mais elevadas da UE. Sucessivos
programas de assistência financeira contribuíram para reduzir os riscos
económicos na Roménia. Tendo em conta os atrasos na conclusão das
revisões semestrais do programa cautelar, que deve chegar ao fim em
setembro de 2015, a Roménia deve ser reintegrada no âmbito da supervisão PDM, o
que inclui a elaboração de uma revisão aprofundada para analisar em mais pormenor
a persistência de desequilíbrios e riscos ou a sua correção. Eslovénia: Em março de 2014, a Comissão
concluiu que a Eslovénia se encontrava em situação de desequilíbrio
macroeconómico excessivo e necessitava de um acompanhamento específico e da
adoção de medidas fortes. Em particular, são necessárias medidas decisivas para
colmatar os riscos decorrentes de uma estrutura económica caracterizada por uma
débil governação das sociedades, um nível elevado de participação do Estado, um
setor empresarial altamente alavancado, perdas de competitividade em termos de
custos e um acréscimo do nível de dívida pública. Tal como anunciado em março
de 2014 e em consonância com a recomendação para a área do euro, a Comissão pôs
em prática um acompanhamento específico da execução das políticas para a
Eslovénia[39].
No painel atualizado, alguns indicadores estão acima do limiar indicativo,
nomeadamente a posição de investimento internacional líquida, a variação das
quotas de mercado das exportações e a dívida das administrações públicas. A balança de transações correntes continuou
a sua acentuada correção para atingir um excedente significativo em 2013, à
medida que as exportações cresciam e a procura interna se contraía. Em
consequência, a posição de investimento internacional líquida da Eslovénia
melhorou consideravelmente, embora permaneça ligeiramente acima do limiar. Após
cinco anos de diminuição, as quotas de mercado das exportações da Eslovénia
aumentaram em 2013. A recuperação da competitividade dos preços e dos custos
tem sido limitada, dado que os custos unitários do trabalho apenas estabilizaram
após os fortes aumentos registados nos primeiros anos de crise. A dívida do
setor privado diminuiu, impulsionada pela redução do endividamento das
empresas. Isso deveu-se em grande parte ao crescimento do crédito negativo, e
não a uma reestruturação das existências. O processo de desalavancagem do setor
financeiro em curso acelerou significativamente em 2013, devido à transferência
de empréstimos improdutivos para a empresa pública Bank Assets Management
Company e às recapitalizações bancárias efetuadas pelo governo. Por
conseguinte, a dívida total das administrações públicas aumentou
acentuadamente, situando-se agora significativamente acima do limiar. A taxa de
desemprego atingiu um pico em 2013, abaixo do limiar indicativo. No entanto, em
2013, o desemprego de longa duração atingiu níveis recorde. Numa apreciação
global, a Comissão considera ser útil, tendo também em conta que foram
detetados desequilíbrios excessivos em março de 2014, analisar mais
aprofundadamente a persistência de riscos macroeconómicos e acompanhar os
progressos na correção dos desequilíbrios excessivos. Eslováquia: Nas
anteriores rondas do PDM, não foram identificados na Eslováquia quaisquer
desequilíbrios macroeconómicos. No painel atualizado, alguns indicadores ainda
estão acima dos limiares indicativos, nomeadamente a NIIP e a taxa de
desemprego. A NIIP da Eslováquia deteriorou-se
ligeiramente em 2013, mas a sua dívida externa mantém um nível baixo e
relativamente estável, dado o elevado volume de investimento direto estrangeiro.
O saldo da balança de transações correntes melhorou, tendo sido registados
pequenos excedentes em 2012 e 2013. O desempenho das exportações parece
estável, apresentando apenas pequenas perdas de quota de mercado acumuladas e
alguns ganhos em 2013. A evolução da competitividade dos preços e dos custos
não constitui um motivo de preocupação, com a REER e os custos unitários do
trabalho a mostrarem um crescimento estável. A dívida do setor privado
manteve-se estável, devido aos níveis moderadamente positivos dos fluxos de
crédito. O setor bancário continua com um bom nível de capitalização,
estimando-se que o passivo total tenha diminuído ligeiramente em 2013. O rácio
da dívida das administrações públicas continuou a aumentar em 2013, mas
permanece abaixo do limiar. Depois de terem aumentado durante quatro anos
consecutivos, os preços da habitação estabilizaram em 2013. O desempenho do
mercado de trabalho reflete a persistência de disparidades regionais
significativas em termos de crescimento económico e de emprego. O desemprego
continua a ser a questão mais premente de política económica, tendo em conta as
suas implicações sociais. A maior parte do desemprego é de longa duração, o que
sugere uma natureza estrutural. A taxa de desemprego juvenil é também um
problema grave. Numa apreciação global, a Comissão não efetuará, nesta fase,
uma análise mais aprofundada no contexto do PDM. Finlândia: Em março de 2014, a Comissão
concluiu que a Finlândia apresentava desequilíbrios macroeconómicos,
nomeadamente no que se refere à evolução da competitividade. No painel de
avaliação atualizado, três indicadores estão acima dos limiares indicativos,
nomeadamente a evolução das quotas de mercado no setor das exportações, a
variação dos custos unitários do trabalho e o nível da dívida do setor privado.
A tendência de
evolução negativa da posição externa, conducente a défices moderados da balança
de transações correntes, estabilizou em 2013, apesar de um ligeiro abrandamento
da NIIP positiva da Finlândia. As exportações da Finlândia perderam quota de
mercado mais rapidamente do que as de qualquer outro país da UE. Embora a
maioria das perdas se tenham verificado em 2009-2010, a Finlândia também não
conseguiu registar os ganhos moderados de quotas de mercado de exportação
observados na maioria dos outros Estados-Membros da UE. Uma evolução
desfavorável do custo unitário do trabalho está igualmente a pesar sobre a
competitividade em termos de custos. Embora a reestruturação das indústrias
tradicionais esteja em curso, merecem atenção as potenciais fragilidades
estruturais subjacentes à perda de competitividade e que limitam a capacidade
de ajustamento dos setores público e privado. O rácio da dívida do setor
privado/PIB continua a ser elevado, dominado por dívidas das empresas. Ao mesmo
tempo, a diminuição do passivo do setor financeiro em 2013 indica uma
desalavancagem. O ligeiro declínio dos preços reais da habitação
continuou em 2013, limitando os riscos de sobreaquecimento nesse mercado. As
crescentes assimetrias regionais merecem, no entanto, uma atenção especial. O
desemprego está a aumentar e o contexto de crescimento continua a ser muito
deficiente. Numa apreciação global, a Comissão considera útil, tendo também
em conta que foram detetados desequilíbrios em março de 2014, analisar mais
aprofundadamente a persistência de desequilíbrios ou a sua correção. Suécia: Em abril de 2014, a Comissão concluiu que a Suécia registava
desequilíbrios macroeconómicos, especialmente relacionados com o nível de
endividamento das famílias e as ineficiências do mercado da habitação. No
painel de avaliação atualizado, o excedente da balança de transações correntes,
as perdas de quotas de mercado das exportações e a dívida do setor privado
estão acima dos limiares indicativos. O excedente da balança de transações correntes
permanece estável, situando-se ligeiramente acima do limiar, o que reflete uma
poupança relativamente elevada, tanto no setor privado como nas administrações
públicas, bem como a falta de investimento nos últimos anos, embora se preveja
que a sua recuperação. As exportações da Suécia perderam uma grande quota de
mercado ao longo dos anos e, embora estas perdas tenham abrandado em 2013, as
perdas acumuladas estão acima do limiar. No entanto, os indicadores da
competitividade dos custos não apontam para problemas, uma vez que o aumento
dos custos unitários do trabalho foi relativamente baixo em 2013. O elevado
nível da dívida do setor privado é estável, mas continua a merecer atenção. O
endividamento das empresas tem vindo a diminuir desde 2009, mas permanece
elevado, devendo aumentar novamente, à medida que os fluxos de crédito
recuperam. Os aumentos da dívida das famílias abrandaram após as reformas do
crédito hipotecário, mas o endividamento das famílias tem vindo a aumentar de
novo desde 2012. A dívida das administrações públicas é relativamente baixa. Os
preços da habitação ajustados pela inflação estabilizaram-se em níveis elevados
em 2011 e 2012, começaram a subir de novo mais acentuadamente desde meados de
2013 e o mercado da habitação continua propenso a uma evolução desequilibrada,
com graves restrições de abastecimento. Os riscos no setor bancário parecem
limitados, embora os elevados níveis de endividamento das famílias deixem os
bancos mais vulneráveis à perda da confiança se os preços da habitação
diminuírem consideravelmente. Uma vez que dependem amplamente do financiamento através
dos mercados, uma crise de confiança poderia rapidamente aumentar o custo de
financiamento dos bancos e acentuar as pressões de desalavancagem. Numa
apreciação global, a Comissão considera útil, tendo também em conta que foram
detetados desequilíbrios em março de 2014, analisar mais aprofundadamente a
persistência de desequilíbrios ou a sua correção. Reino Unido: Em março de 2014, a Comissão concluiu que o Reino Unido apresentava
desequilíbrios macroeconómicos, em especial no domínio do endividamento das
famílias, associados aos elevados níveis de endividamento hipotecário e às
características estruturais do mercado imobiliário, bem como do declínio da
quota de mercado das exportações do Reino Unido. No painel de avaliação
atualizado, três indicadores estão acima dos limiares indicativos, nomeadamente
as perdas de quotas no mercado das exportações, as dívidas do setor privado e
das administrações públicas. O défice da balança de transações correntes continuou a
aumentar em 2013, embora o indicador relativo a um período de três anos
permaneça dentro do limiar de valor. Ao mesmo tempo, a NIIP negativa do Reino
Unido permanece a um nível moderado. A deterioração acumulada da quota de
mercado das exportações mantém-se muito acima do limiar indicativo, embora a
taxa de diminuição tenha registado uma quebra em 2013. Os indicadores da
competitividade dos custos são relativamente estáveis. O elevado nível da
dívida do setor privado em relação ao PIB está a diminuir progressivamente,
graças a um crescimento nominal, mas mantém-se significativamente acima do
limiar indicativo. Os preços da habitação estão a aumentar novamente, após uma
pequena fase de correção. No entanto, a variação regional do aumento dos preços
da habitação juntamente com a continuação de elevados níveis de endividamento,
sugerem que o setor da habitação pode ser vulnerável a médio prazo aos choques
suscetíveis de produzir repercussões para a economia em geral. A elevada dívida
das administrações públicas continua a ser fonte de preocupação, tendo abrandado
recentemente, mas ainda atingido o pico. O emprego continua a crescer a taxas
saudáveis e o desemprego juvenil e a taxa NEET diminuíram. Numa apreciação
global, a Comissão considera útil, tendo também em conta que foram detetados
desequilíbrios em março de 2014, analisar mais aprofundadamente a persistência
de desequilíbrios ou a sua correção. [1] «Previsões Económicas Europeias, outono de 2014», European
Economy, 2014 (7). [2] No que se refere aos indicadores sintéticos sobre o cumprimento
da recomendação estratégica, ver Deroose, S. e J. Griesse, «Implementing
Economic Reforms–Are EU Member States Responding to European Semester
Recommendations?» ECFIN Economic Brief, 2014(37). [3] O presente relatório é acompanhado por um anexo estatístico que
contém uma grande quantidade de estatísticas, que serviram de base para a
elaboração do presente relatório. Em relação ao relatório do ano passado, não
se verificaram alterações nas definições das variáveis e dos indicadores
auxiliares do painel de avaliação, nem nos respetivos limiares indicativos. No
entanto, as normas estatísticas foram modernizadas com a passagem do SEC 95
para o SEC 2010, e do 5.º para o 6.º Manual da Balança de Pagamentos, bem como
a posição de investimento internacional. Ver também a nota de rodapé 31. [4] Regulamento (UE) n.º 1176/2011 (JO L 306 de 23.11.2011, p. 25). [5] Em março de 2014, a Comissão identificou desequilíbrios na
Bélgica, Bulgária, Alemanha, Irlanda, Espanha, França, Itália, Hungria, Países
Baixos, Eslovénia, Finlândia, Suécia e Reino Unido; destes Estados-Membros, a
Croácia, a Itália e a Eslovénia registavam desequilíbrios excessivos («Resultados
das análises aprofundadas», COM(2014) 150 final, de 5.3.2014, e «Desequilíbrios
macroeconómicos - 2014», European Economy-Occasional Papers, 172-188).
Para o conjunto completo de recomendações específicas por país adotadas pelo
Conselho, incluindo as que são pertinentes para o PDM, ver JO C 247 de
29.7.2014. [6] A Comissão considera que, dado que os desequilíbrios foram
identificados no seguimento de apreciações pormenorizadas nas anteriores
análises aprofundadas, a conclusão de que um desequilíbrio foi corrigido deve
igualmente ser estabelecida tomando devidamente em consideração todos os
fatores pertinentes numa outra análise aprofundada. [7] «Analisar a inflação da área do euro, utilizando a curva de
Philips», Quarterly Report on the Euro Area, 2014(2): 21-6. [8] No que se refere às repercussões transfronteiras, com especial ênfase
na área do euro, ver: «Cross-Border Spillovers within the Euro Area» Quarterly
Report on the Euro Area, 2014(4): a publicar. [9] «The Euro Area's Growth Prospects over the Coming Decade», Quarterly
Report on the Euro Area, 2013(4): 7-16. Ver também «The Growth Impact of
Structural Reforms», Quarterly Report on the Euro Area, 2013(4): 17-27,
e «Growth Differences between Euro Area Member States since the Crisis», Quarterly
Report on the Euro Area, 2014(2): 7-20. [10] Para uma descrição pormenorizada da atual versão da metodologia
aprovada pelo Conselho ECOFIN que é utilizada para avaliar a produção potencial
e os desvios de produção, ver Havik, K. et al., «The Production Function
Methodology for Calculating Potential Growth Rates and Output Gaps», European
Economy-Economic Papers, 535. [11] Ver a comunicação recentemente publicada «2014 Ageing
Report-Underlying Assumptions and Projection Methodologies», European
Economy, 2014(8). [12] «The Drivers of Total Factor Productivity in Catching-up
Economies» Quarterly Report on the Euro Area, 2014(3): 7-19. [13] «Drivers and Implications of the Weakness of Investment in the
EU», caixa I.1, «European Economic Forecast-Autumn 2014», European Economy,
2014 (7): 40-3. [14] «Market Reforms at Work», European Economy, 2014(5). [15] Ver quadro I.4 em «Previsões Económicas Europeias - outono de
2014» op.cit.: 29. [16] Ver o décimo sétimo considerando do Regulamento 1176/2011: «Na
avaliação dos desequilíbrios macroeconómicos deverá ser tida em conta a sua
gravidade e as potenciais repercussões económicas e financeiras negativas que
agravem a vulnerabilidade da economia da União e ameacem o bom funcionamento da
União Económica e Monetária. São necessárias medidas para corrigir os
desequilíbrios macroeconómicos e as divergências de competitividade em todos os
Estados-Membros, especialmente na área do euro. No entanto, a natureza,
importância e urgência dos desafios que se colocam em termos de políticas podem
ser bastante diferentes em função dos Estados-Membros em causa. Atendendo às
vulnerabilidades e à dimensão do ajustamento exigido, a necessidade de agir é
particularmente premente nos Estados-Membros que persistentemente apresentam
grandes défices da balança de transações correntes e perdas de competitividade.
Além disso, nos Estados-Membros com grandes excedentes de balança de transações
correntes as políticas deverão ter por objetivo definir e executar medidas que
contribuam para reforçar a procura interna e o potencial de crescimento.» [17] «Member State Vulnerability to Changes in the Euro Exchange
Rate», Quarterly Report on the Euro Area, 2014(3): 27-33. [18] A consolidação orçamental pode igualmente ter tido um impacto
sobre os salários. Ver «The Relationship between
Government and Export Sector Wages and Implications for Competitiveness», Quarterly
Report on the Euro Area, 2014(1):27-34. [19] Para a análise setorial da competitividade, ver «A
Competitiveness Measure Based on Sector Unit Labour Costs», Quarterly Report
on the Euro Area, 2014(2): 34-40. Para as estimativas
do impacto potencial de uma seleção das reformas do mercado em determinadas
economias, ver «Market Reforms at Work», op.cit. Para avaliações mais
pormenorizadas das reformas setoriais, ver Turrini A. et al. «A Decade of Labour Market Reforms in the EU» European
Economy-Economic Papers, 522; Lorenzani, D. and J. Varga, «The Economic
Impact of Digital Structural Reforms» European Economy-Economic Papers,
529; Lorenzani, D and F. Lucidi, «The Economic Impact of Civil Justice Reforms»
European Economy-Economic Papers, 530; Connell, W. «Economic Impact of
Late Payments» European Economy-Economic Papers, 531; Ciriaci, D.
«Business Dynamics and Red Tape Barriers» European Economy-Economic Papers,
532, e Canton E. et al., '«he Economic Impact of Professional Services
Liberalisation» European Economy-Economic Papers, 533. [20] Vandenbussche, H. «Quality in Exports» European
Economy-Economic Papers, 528. [21] «Corporate Balance Sheet Adjustment in the Euro Area and the United States», Quarterly Report on the Euro Area, 2014(3):40-6 [22] Para uma análise pormenorizada da desalavancagem em curso,
incluindo sobre as modalidades de desalavancagem (ativa, passiva e sem sucesso)
e os condutores e as necessidades de desalavancagem das famílias e empresas
persistentes na área do euro, ver «Private Sector Deleveraging: Where Do We
Stand?» Quarterly Report on the Euro Area, 2014(3):7-19, and «Private Sector Deleveraging: Outlook and
Implication for the Forecast» box 1.2, in 'European Economic Forecast-Autumn
2014,' op.cit.:44-8. [23] Sobre a metodologia para estimar os esforços orçamentais através
do saldo orçamental corrigido das variações cíclicas, ver Mourre, G., et al.,
«Adjusting the Budget Balance for the Business Cycle: The EU Methodology» European
Economy-Economic Papers, 536. [24] «Assessing Public Debt Sustainability in EU Member States: A
Guide», European Economy-Occasional Papers, 200 e «Identifying Fiscal
Sustainability Challenges in the Areas of Pension, Healthcare and Long-term
Care», European Economy-Occasional Papers, 201. Ver também «The Impact
of Unanticipated Disinflation on Debt» box I.3, em «European Economic
Forecast-Autumn 2014», op.cit.: 49-50. [25] No que diz respeito ao impacto que as condições de oferta de crédito
rigorosas poderão ter em termos de subinvestimento, ver «Firms’ investment
decisions in vulnerable Member States», Quarterly Report on the Euro Area,
2013(4): 29-35. [26] «Institutional Features and Regulation of Housing and Mortgage
Markets», Quarterly Report on the Euro Area, 2014(3): 27-33. Ver igualmente «Tax Reforms in EU Member States 2014», European
Economy, 2014(6), que aborda, nomeadamente, as distorções a favor do
endividamento nos sistemas fiscais e na tributação de imóveis. [27] Ver, por exemplo, Arpaia, A., A. Kiss, and B. Palvolgyi (2014),
«Labour Mobility and Labour Market Adjustment in the EU», European
Economy-Economic Papers, a publicar. [28] Ver Juravle, C. et al. (2013): «A
Fact-Finding Analysis on the Impact on the Member States' Social Security
Systems of the Entitlements of Non-Active Intra-EU Migrants to Special
Non-Contributory Cash Benefits and Healthcare Granted on the Basis of
Residence», Relatório elaborado por ICF GHK para a DG Emprego, Assuntos Sociais
e Inclusão. [29] De acordo com as estatísticas da força de trabalho do Eurostat, em
2013, a taxa de sobrequalificação era de 20 por cento para pessoas nascidas no
mesmo país, 31 por cento para os cidadãos de outro país da UE, 36 por cento
para as pessoas nascidas fora da UE. [30] Esta abordagem, que evita a duplicação de procedimentos e as
obrigações de apresentação de relatórios, foi estabelecida no Regulamento (UE)
n.º 472/2013 (JO L 140 de 27.5.2013, p. 1). Também está em
consonância com a proposta da Comissão que estabelece um mecanismo para
prestação de assistência financeira aos Estados-Membros cuja moeda não seja o
euro (COM (2012) 336 de 22.6.2012). Para uma descrição pormenorizada da
situação económica e dos progressos realizados na correção dos desequilíbrios
macroeconómicos e riscos macroeconómicos nesses Estados-Membros, ver os últimos
relatórios sobre o cumprimento dos compromissos: European Economy-Occasional
Papers, 192 (Grécia), 197 (Chipre) e 156 (Roménia). [31] As passagens do SEC 95 para o SEC 2010, e do 5.º para o 6.º Manual
da Balança de Pagamentos, bem como a posição do investimento internacional
foram integradas no painel de avaliação. Tal como se explica em mais pormenor
no anexo estatístico, quando os dados com base nas novas normas estatísticas
não estavam ainda disponíveis no prazo (1 de novembro de 2014) foram utilizados
dados ao abrigo das antigas normas. As consequentes interrupções nas séries
foram devidamente assinaladas. Para a maioria dos Estados-Membros, em relação à
maior parte das variáveis, as alterações nos dados que resultam da transição
para os novos sistemas estatísticos não são significativas do ponto de vista
macroeconómico; é apenas em alguns casos que a passagem estatística levou a que
variáveis fossem revistas passando a ser inferiores (ou superiores) aos
limiares indicativos. A passagem do SEC 95 para o SEC 2010, e do 5.º para o 6.º
Manual da balança de pagamentos constitui uma melhoria da qualidade dos dados e
é, por conseguinte, positiva para a análise económica, apesar da interrupção
temporária das séries. [32] Ver COM(2014) 150 de 5.3.2014 e a recomendação para a área do euro
(JO C 247 de 29.7.2014, p. 141). Este controlo específico para a Irlanda
assenta numa supervisão pós-programa. O último relatório sobre a supervisão
pós-programa para a Irlanda está disponível em European Economy-Occasional
Papers, 195. [33] Ver COM(2014) 150 de 5.3.2014 e a recomendação para a área do euro
(JO C 247 de 29.7.2014, p. 141). Este controlo específico para a Espanha
assenta numa supervisão pós-programa. O último relatório sobre a supervisão
pós-programa para a Espanha está disponível em European Economy-Occasional
Papers, 193. [34] Ver COM(2014) 150 de 5.3.2014 e a recomendação para a área do euro
(JO C 247 de 29.7.2014, p. 141). Os relatórios de acompanhamento específico
serão publicados. [35] Ver COM (2014) 150 de 5.3.2014. O relatório de novembro de 2014
está disponível em
http://ec.europa.eu/economy_finance/economic_governance/documents/2014-11-07_croatia_mip_
specific_ monitoring_report_to_epc_en.pdf. [36] Ver COM (2014) 150 de 5.3.2014) e a recomendação para a área do
euro (JO C 247 de 29.7.2014, p. 141). O relatório de novembro de 2014 está
disponível em
http://ec.europa.eu/economy_finance/economic_governance/documents/2014-11-07_italy_mip_specific_
monitoring_report_to_epc_en.pdf. [37] À exceção do PMI e de outros procedimentos de supervisão
normalizados, o desenvolvimento económico e a aplicação de políticas na Hungria
foram acompanhadas de perto pela Comissão no âmbito da supervisão pós-programa.
O relatório mais recente está disponível em http://ec.europa.eu/economy_finance
/assistance_eu_ms/documents/hu_efc_note_5th_pps_mission_en.pdf. [38] Ver «The Economic Adjustment Programme for Portugal, 2011-2014,», European
Economy-Occasional Papers, 202, para uma avaliação da execução global do
programa de ajustamento e dos desafios políticos para a economia portuguesa. [39] Ver COM (2014) 150 de 5.3.2014 e a recomendação para a área do
euro (JO C 247 de 29.7.2014, p. 141). Os relatórios de acompanhamento
específico serão publicados.