RELATÓRIO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Relatório sobre a execução da estratégia de cooperação internacional no domínio da investigação e da inovação /* COM/2014/0567 final */
1.
Contexto
Em setembro de 2012, a Comissão adotou a
Comunicação «Reforçar e centrar a cooperação internacional no domínio da
investigação e da inovação: Uma abordagem estratégica»[1]. A Comunicação foi bem
acolhida pelo Parlamento Europeu[2],
pelo Conselho[3],
pelo Comité Económico e Social Europeu[4]
e pelo Comité das Regiões[5]. A Comunicação salientou que os desafios
globais exigem respostas globais e que estes são impulsionadores da cooperação
internacional no domínio da investigação e da inovação. A participação na
cooperação internacional é também essencial para atrair talentos e aceder a
conhecimentos e a mercados, aumentando assim a competitividade da UE. O reforço da cooperação da UE com os seus
parceiros internacionais é portanto necessário para criar massa crítica,
agrupar conhecimentos e identificar soluções inovadoras. Isto requer uma
estratégia que englobe todas as dimensões da cooperação internacional no
domínio da investigação e da inovação. Esta estratégia deverá intensificar a
cooperação a nível regional e bilateral, bem como a cooperação através de
instâncias multilaterais, mas também criar sinergias com as políticas externas
da UE e com os Estados-Membros. Por conseguinte, a Comunicação salientou que,
para reforçar e centrar a cooperação internacional, é necessário uma abordagem
que capte plenamente a dimensão global da investigação e da inovação em todos
os seus aspetos. Esta abordagem faz parte integrante do Programa-Quadro
Horizonte 2020 e com a sua maior incidência na cooperação internacional. Além
disso, para além do Horizonte 2020, a estratégia incidiu também no reforço
da dimensão inovadora da cooperação internacional, no desenvolvimento de
princípios e condições de enquadramento para esta estratégia, no reforço da
participação em iniciativas multilaterais e na promoção de sinergias com as
políticas externas da UE[6]
e com as atividades dos Estados-Membros. A Comissão comprometeu-se a apresentar um
relatório sobre os progressos na aplicação da estratégia em 2014. O presente
documento apresenta um relatório sobre o ponto da situação.
2.
A dimensão internacional do Programa-Quadro
Horizonte 2020
O desenvolvimento da dimensão internacional do
Programa-Quadro Horizonte 2020[7]
e do Programa Euratom[8]
e, em particular, dos seus primeiros programas de trabalho foram domínios de
atividade importantes durante os dois primeiros anos de implementação da
estratégia. A legislação do Horizonte 2020[9] sublinha a importância
da cooperação internacional como uma prioridade transversal. Foi adotada uma
dupla abordagem, centrada numa abertura generalizada e numa cooperação
internacional orientada, para que o Horizonte 2020 pudesse contribuir para
alcançar os objetivos da Comunicação de 2012. Através de uma abertura generalizada,
entidades jurídicas de todo o mundo podem participar no Horizonte 2020[10]. Trata-se de um
instrumento importante para reforçar a cooperação internacional e será
essencial para as componentes do Horizonte 2020 que funcionam principalmente de
acordo com um modelo ascendente, ainda que estas possam também levar a cabo
atividades específicas para desenvolver uma dimensão internacional. As subvenções concedidas pelo Conselho Europeu
de Investigação estão a ser cada vez mais reconhecidas como prémios de
excelência científica. Investigadores de todo o mundo podem candidatar-se a uma
subvenção, desde que a investigação seja realizada num Estado-Membro ou país
associado. A participação nas Comunidades do Conhecimento e
Inovação (CCI) do Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia está aberta a
entidades jurídicas de todo o mundo. As atuais três CCI nos domínios das
alterações climáticas, energia sustentável e TIC estão a colaborar com
entidades de países terceiros. As infraestruturas eletrónicas têm uma forte
dimensão internacional. O objetivo das atividades consiste em continuar a
desenvolver o âmbito global da rede GÉANT e das infraestruturas eletrónicas da
UE conexas, de forma a permitir o acesso aos dados e a colaboração à distância
entre cientistas de todo o mundo. Durante o período de execução do Horizonte
2020, as Ações Marie Skłodowska-Curie (MSCA) irão permitir a cerca de
15 000 investigadores não europeus a iniciação ou prossecução das suas
carreiras na Europa. Além disso, são incentivados os destacamentos de
investigadores da Europa para outras partes do mundo. Prevê-se que, até 2020,
mais de 3 500 organizações não europeias terão participado em MSCA. Para complementar esta abertura generalizada,
estão incluídas em todo o Horizonte 2020 atividades de cooperação internacional
orientadas. Para estas atividades, são previamente identificados temas e
parceiros para a cooperação e estes envolvem domínios em que a cooperação com
parceiros internacionais cria situações vantajosas para todas as partes. A identificação de temas e parceiros adequados
para atividades de cooperação internacional orientadas fez parte da preparação
dos primeiros programas de trabalho do Horizonte 2020. Uma lista completa de
tópicos de cooperação internacional incluída nos programas de trabalho
encontra-se disponível no Portal dos Participantes[11]. Cerca de 20 % de
todos os tópicos no primeiro programa de trabalho são definidos como relevantes
para a cooperação internacional, um nível que é mais elevado do que o
verificado no último ano do 7.º PQ (cerca de 12 %). No entanto,
verificou-se uma mudança com vista à utilização de formas mais flexíveis de
estímulo da cooperação internacional através de um menor número de tópicos e
convites à apresentação de propostas[12]
coordenados e em que a participação de entidades de países terceiros constitui
um critério de elegibilidade. A cooperação internacional é sobretudo
incentivada em termos gerais. Mais importante ainda é o facto de se
verificar uma tendência clara para definir a cooperação internacional em termos
globais – algo que vai além do simples estímulo da participação direta de
investigadores de países terceiros nos acordos de subvenção assinados – com uma
mudança em curso no sentido de estimular a cooperação internacional através da
contribuição para iniciativas multilaterais. Um exemplo do modo de implementação da
estratégia é a aplicação da Declaração de Galway[13] no lançamento de uma
Aliança Transatlântica de Investigação Oceanográfica, em conjunto com os EUA e
o Canadá, através do convite «Crescimento Azul». A parte ligada à investigação sobre a energia
de fusão, no âmbito do programa de trabalho Euratom, inclui igualmente uma
componente muito forte de cooperação internacional relacionada concretamente
com o Roteiro Europeu de Fusão e integrada no projeto emblemático ITER. As atividades de cooperação internacional
horizontais são financiadas através do desafio «A Europa como protagonista
global: Sociedades inclusivas, inovadoras e reflexivas». Estas atividades
apoiam a cooperação internacional no âmbito do Horizonte 2020, mas incluem também
atividades que vão além do âmbito deste programa, tais como o estímulo do
diálogo sobre políticas com os parceiros internacionais da UE. O Centro Comum de Investigação contribui para a
cooperação internacional através de atividades específicas com parceiros-chave.
3.
Desenvolvimento de princípios comuns e condições de
enquadramento para a participação na cooperação internacional
Uma abordagem estratégica para a cooperação
internacional exige o desenvolvimento de princípios comuns e de condições de
enquadramento adequadas para a participação na cooperação. Tal é necessário
para criar condições equitativas para que investigadores de todo o mundo possam
cooperar entre si. Estes princípios dizem respeito a questões como a
investigação e a inovação responsáveis, a integridade da investigação, a
avaliação de propostas com base na análise interpares, a promoção do papel das
mulheres na ciência e a dimensão do género na investigação, carreiras de
investigação[14],
o tratamento justo e equitativo dos DPI, o acesso a dados de investigação e a
infraestruturas e o acesso aberto. Para alcançar este objetivo, a Comissão apoiou
as atividades do Conselho Mundial da Investigação (GRC)[15], uma organização
voluntária e informal de presidentes de conselhos de investigação. Na reunião
de 2012, os principais resultados alcançados pelos participantes no âmbito
deste fórum foram a subscrição de uma Declaração de Princípios de alto nível
para a Análise de Mérito Científico, enquanto na reunião de 2013 foram
subscritas declarações sobre o Acesso Aberto e a Integridade da Investigação. A
reunião de 2014 emitiu uma declaração sobre como apoiar a próxima geração de
investigadores. No contexto do diálogo de políticas com
regiões e países parceiros, é dada cada vez mais atenção ao estabelecimento de
condições de enquadramento para a participação na cooperação internacional.
Estas condições incluem mecanismos de financiamento para a cooperação em países
parceiros, elegibilidade de empresas estrangeiras para participar em programas
nacionais de I&D, sistemas de DPI, acesso à contratação pública e a capital
de risco e regulamentação sobre o acesso a dados e direitos de propriedade. Neste contexto, é crucial identificar e
eliminar obstáculos à participação de entidades de países terceiros nos
programas de financiamento da UE, uma vez que um dos principais problemas com
que as organizações de países terceiros se deparam é assegurar o financiamento
para cobrir a sua participação. Este aspeto é especialmente importante para os
países que não são automaticamente elegíveis para beneficiar de financiamento
do orçamento Horizonte 2020, um grupo de países que agora inclui também o
Brasil, a China, a Índia, o México e a Rússia. Estes países foram encorajados a
criar mecanismos para financiar a participação dos seus investigadores no
Programa-Quadro Horizonte 2020. Para abordar esta questão crucial, o
México criou um mecanismo de financiamento complementar equivalente[16] que constitui uma
fonte de financiamento para parceiros mexicanos em projetos bem-sucedidos do Horizonte
2020 e que poderá servir de inspiração para outras iniciativas semelhantes
noutros países parceiros. Noutro exemplo, a Nova Zelândia instituiu um
mecanismo de cofinanciamento específico para os projetos de Intercâmbio de
Pessoal de Investigação e Inovação financiados no âmbito das MSCA. As dificuldades na concessão e aplicação
efetiva dos DPI constituem um obstáculo à cooperação internacional. Em relação
a este ponto, o diálogo UE-Brasil sobre os DPI registou progressos no que diz
respeito à proteção dos DPI no Brasil. Quanto aos EUA, as condições de
enquadramento no domínio da inovação são abordadas nas discussões da Parceria
Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP). As
condições de enquadramento para a cooperação com a Índia são, em geral,
satisfatórias. Contudo, o seu regime de patentes deve ser reforçado. Na África
do Sul, foram alcançados progressos significativos decorrentes de atos
legislativos em matéria de DPI. Os investigadores europeus que desejem
participar em programas nos países parceiros estão a enfrentar várias
dificuldades, sobretudo o número limitado de convites à apresentação de
propostas abertos à participação europeia. O acesso a informações, as barreiras
linguísticas, bem como os procedimentos financeiros, administrativos e
logísticos, reduzem frequentemente as oportunidades para uma cooperação eficaz. Os Pontos de Contacto Nacionais criados nos
países parceiros podem também desempenhar um papel crucial, em particular
através de ações coordenadas da rede internacional de PCN. Estes podem
contribuir para aumentar a visibilidade do Horizonte 2020 e para obter feedback
sobre atividades internacionais de instituições de investigação em países
parceiros.
4.
Colaboração com organizações internacionais e
iniciativas multilaterais
No que diz respeito aos
desafios globais em domínios críticos, a melhor forma de implementação da
cooperação internacional é através de uma maior participação em organizações
internacionais e iniciativas multilaterais. Por conseguinte, a Comissão
melhorou também o apoio a iniciativas multilaterais no domínio da investigação
e da inovação, algo que se refletiu também nos primeiros programas de trabalho
do Horizonte 2020. As alterações climáticas, a escassez de recursos
e a perda de biodiversidade estão, sem sombra de dúvida, entre os maiores
desafios ambientais, sociais e económicos do século XXI e exigem esforços de
investigação multilaterais nos quais a Europa desempenhou e continua a
desempenhar um papel fundamental. Neste espírito, o desafio do Horizonte 2020
denominado «Ação climática, ambiente, eficiência na utilização dos recursos e
matérias-primas» apoia o trabalho do Fórum Belmont[17], um grupo de alto
nível informal das entidades financiadoras a nível mundial (nas quais se inclui
a Comissão) da investigação sobre alterações ambientais globais que coordena o
financiamento da investigação em colaboração. O Fórum Belmont está também a
promover a criação do «Future Earth», o programa internacional sobre
Sustentabilidade Global que está a integrar e a reforçar os programas
internacionais existentes[18].
A Comissão é também um dos copresidentes do Grupo de Observação da Terra (GEO)[19], uma parceria
voluntária de governos e organizações internacionais que coordena os esforços
no sentido de criar uma Rede Mundial de Sistemas de Observação da Terra
(GEOSS). É também prestado apoio ao Painel Intergovernamental sobre Alterações
Climáticas (PIAC)[20],
o principal organismo internacional responsável pela avaliação das alterações
climáticas e também um organismo científico que funciona sob os auspícios das
Nações Unidas. O desafio «Saúde» visa apoiar ativamente a
implementação da GLOPID-R, a iniciativa para a Colaboração de Investigação
Mundial para a Prevenção de Doenças Infeciosas[21].
São também apoiadas iniciativas semelhantes, tais como o Consórcio
Internacional para a Investigação sobre Doenças Raras[22] e a Aliança Mundial
para as Doenças Crónicas[23]. As infraestruturas eletrónicas são outro domínio
em que a Europa participa ativamente a nível multilateral, por exemplo no
contexto da rede GÉANT ou da Aliança de Dados de Investigação[24]. No que se refere a outras
instâncias multilaterais, a Comissão conduziu o processo que renovou o quadro
financeiro do Programa Científico «A Fronteira Humana»[25]. Além disso, a
Comissão desempenhou um papel ativo na atualização da estratégia europeia para
a física das partículas[26],
liderada pela CERN. A parceria entre a Comissão e o EIROForum[27] foi reforçada. A
Comissão desempenhou um papel ativo no desenvolvimento do Roteiro Estratégico
Eureka 2020. Uma abordagem multilateral
revelou ser uma das melhores práticas no que diz respeito à segurança no
domínio das nanotecnologias. O projeto Nanoreg, desenvolvido no âmbito do Grupo
de Trabalho da OCDE sobre Nanomateriais Fabricados, beneficia de financiamento
multilateral do 7.o PQ (10 milhões de euros), dos
Estados-Membros (30 milhões de euros) e da indústria (10 milhões de
euros). A Comissão tem participado ativamente em
vários organismos da OCDE relacionados com políticas de investigação e
inovação, bem como organismos relacionados com questões energéticas,
nomeadamente o Fórum Mundial de Ciência (GSF), o Comité da Política Científica
e Tecnológica (CSTP), o Grupo de Trabalho sobre a Política Tecnológica e de
Inovação (TIP), os comités no âmbito da Agência da Energia Nuclear (AEN) e a
Agência Internacional da Energia (AIE). A UE desempenha um papel fundamental no
contexto da organização internacional ITER e do Fórum Internacional Geração IV. A UE foi representada pela Comissão na Reunião de
Ministros da Ciência do G8, que teve lugar em Londres em 12 de junho de 2013,
onde o trabalho permanente do Grupo de Altos Funcionários sobre Infraestruturas
de Investigação Globais foi aprovado, juntamente com resoluções importantes
sobre desafios globais e dados científicos abertos. A Cimeira Rio+20 apelou à elaboração de uma
agenda de desenvolvimento pós-2015 com o desenvolvimento sustentável no centro
das atenções. Tal irá incluir o desenvolvimento de um conjunto de Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável universalmente aplicável e que terá por base a
análise dos progressos verificados na realização dos Objetivos de
Desenvolvimento do Milénio.
5.
Comunicação
Uma condição prévia para a implementação
bem-sucedida da Comunicação de 2012 é trabalhar no sentido de assegurar uma sensibilização
global dos pontos fortes da UE e do seu papel na cooperação internacional em
investigação e inovação. A fim de atingir esse objetivo, a Comissão concebeu
uma estratégia de comunicação que visa cuidadosamente todas as partes
interessadas, quer a nível internacional nos países parceiros e nos fóruns
multilaterais quer nos Estados-Membros. Neste contexto, a Comissão lançou uma campanha
de comunicação e utilizou como mensagem principal «Horizonte 2020 – Aberto ao
mundo». Para além de se centrar no Programa-Quadro Horizonte 2020, a estratégia
de comunicação inclui igualmente elementos destinados a aumentar a visibilidade
da política de investigação e inovação da UE, o papel da cooperação
internacional nesse contexto e o reforço da imagem da União Europeia como um
centro de excelência e de conhecimentos. O papel dos PCN, tanto na UE como nos países
parceiros, é vital para a promoção do Horizonte 2020. Do mesmo modo, a rede da
Comissão de Conselheiros da Investigação e da Inovação e o pessoal nas delegações
da UE, que lidam com a investigação e a inovação, estão a desempenhar um papel
muito ativo, não só na promoção do Horizonte 2020, mas também na ligação em
rede com os Conselheiros Científicos dos Estados-Membros, os governos regionais
e locais e outros protagonistas. Todas as delegações da UE foram igualmente
mobilizadas a fim de contribuírem para o estabelecimento de contactos com os
organismos de investigação. Por último, os projetos bilaterais com países
parceiros desempenham um papel importante na sensibilização para as
possibilidades de participação no Horizonte 2020. A diplomacia científica constitui um
instrumento importante para a execução da estratégia de comunicação,
aproveitando, por exemplo, as oportunidades oferecidas por reuniões de alto
nível para fins de sensibilização sobre a importância da cooperação
internacional em matéria de investigação, um elemento considerado essencial
para as políticas externas, e de promoção do Horizonte 2020. Para apoiar a execução desta estratégia de
comunicação, a Comissão disponibilizou uma vasta gama de materiais, incluindo
postais, folhetos, apresentações PowerPoint, boletins, a newsletter International
Research Update, sítios web sobre a cooperação internacional e um vídeo que
explica a dimensão internacional do Horizonte 2020 e a importância da
cooperação internacional em matéria de investigação e inovação. Alguns destes
materiais são disponibilizados nas línguas dos países parceiros, tais como o
russo e o chinês. A presença nos meios de comunicação social foi também
intensificada.
6.
Reforçar as sinergias com as políticas externas da
UE e as atividades dos Estados-Membros
Uma abordagem global para a cooperação
internacional no domínio da investigação e da inovação implica igualmente
maiores sinergias com outras políticas com uma forte dimensão global e, em
particular, com as políticas externas da UE, incluindo aquelas que dizem
respeito ao desenvolvimento, e com as atividades dos Estados-Membros. Através da diplomacia científica, a cooperação
internacional em matéria de investigação e inovação pode ser utilizada como um
instrumento de «poder pela persuasão» e como um mecanismo para melhorar as
relações com importantes países e regiões. Da mesma forma, boas relações
internacionais facilitam a cooperação efetiva no domínio da investigação e da
inovação. A diplomacia científica pode apoiar os esforços da UE em situações de
gestão de crises e consolidação da paz. Por exemplo, as infraestruturas de
investigação, tais como a instalação sincrotrónica SESAME[28], e projetos sobre
questões como o impacto das alterações climáticas e as implicações para a
segurança humana[29]
podem facilitar o diálogo entre investigadores e partes interessadas no Médio
Oriente. Para realçar a importância estratégica da
cooperação internacional ao mais alto nível, a investigação e a inovação são
cada vez mais partes integrantes do diálogo político geral com os parceiros
internacionais da UE, tal como refletem as conclusões de cimeiras recentes
(Brasil, China, Japão, EUA e África) e de outras reuniões de alto nível (por
exemplo, Canadá e Nova Zelândia) em 2013 e 2014. As políticas de investigação e inovação e as
políticas comerciais estão estreitamente interligadas. As negociações sobre
acordos de comércio livre, tais como a Parceria Transatlântica de Comércio e
Investimento (TTIP) entre a UE e os EUA, são uma oportunidade para melhorar as
condições de enquadramento para a cooperação em matéria de inovação. As políticas de investigação e inovação podem
ter um impacto positivo nas políticas de cooperação para o desenvolvimento da
UE. A Comunicação «Aumentar o impacto da política de desenvolvimento da UE: uma
Agenda para a Mudança»[30]
apela a uma política de desenvolvimento, orientada para a adoção de políticas
de inovação que permitam aos países em desenvolvimento aproveitar as
oportunidades oferecidas por mercados integrados a nível mundial. A inovação é também uma dimensão importante da
política de ajuda humanitária da UE. A Comunicação «A abordagem da UE em
matéria de resiliência – aprender com as crises de segurança alimentar»[31] apela à promoção de
abordagens inovadoras para a gestão de riscos. As sinergias com instrumentos de política
externa foram reforçadas através do apoio, nos casos apropriados, ao aumento
das capacidades de investigação e inovação. Por exemplo, no âmbito do
Instrumento de Cooperação para o Desenvolvimento 2007-2013, foram atribuídos
30 milhões de euros ao Programa de Inovação para a Redução da Pobreza na
África do Sul. O Programa de Bolsas de Investigação da União Africana apoia a
execução da política de C&T da União Africana. O 11.o Fundo
Europeu de Desenvolvimento (FED) reservou 35 milhões de euros para a ação
«Conhecimento em prol do Desenvolvimento» (Knowledge for Development). O
Instrumento Europeu de Vizinhança e Parceria (2007-2013) incluiu o programa
regional East-Invest, que abrange os seis países da Parceria Oriental, bem como
programas bilaterais sobre o reforço das capacidades na Vizinhança Meridional.
Os países do alargamento estão envolvidos em ações de investigação e inovação
no âmbito da Estratégia para o Danúbio e da Estratégia da UE para a Região
Adriática e Jónica. No âmbito do Instrumento de Assistência de Pré-Adesão,
tem sido dada uma atenção particular ao fortalecimento da capacidade de
investigação. Igualmente, tem sido dada atenção à consecução
de uma maior coordenação entre as atividades dos Estados-Membros e países
associados e as atividades da UE. Esta coordenação tem sido prosseguida, em
particular, no âmbito do Fórum Estratégico para a Cooperação C&T Internacional
(FECI)[32].
O FECI tem trabalhado para a realização dos seus objetivos, ao fornecer
aconselhamento estratégico sobre o desenvolvimento e a execução da nova
estratégia de cooperação internacional no domínio da investigação e da
inovação. O FECI também elaborou orientações para reforçar o seu contributo em
cimeiras e diálogos birregionais e criou um grupo de trabalho para debater
princípios comuns. Têm sido desenvolvidas iniciativas conjuntas com parceiros
importantes como a Índia, a China, o Brasil e os EUA. O FECI contribuiu para o
planeamento estratégico das prioridades para a cooperação futura, nomeadamente
num seminário que teve lugar em 26 de março de 2014[33]. Uma outra dimensão da cooperação com os
Estados-Membros e países associados surge quando conjugam esforços para
conceber e executar atividades conjuntas. O instrumento ao abrigo do
artigo 185.º foi utilizado para a criação da Parceria entre a Europa e os
Países em Desenvolvimento para a Realização de Ensaios Clínicos[34] e estão em curso trabalhos
para renovar a cooperação euro-mediterrânica em matéria de investigação e
inovação. A Comissão está também a explorar o fortalecimento da cooperação
internacional através de Iniciativas de Programação Conjunta (IPC), tais como a
IPC sobre a água para a Índia.
7.
Prioridades para a cooperação futura
7.1.
Planeamento estratégico
O desenvolvimento de um planeamento
estratégico de prioridades para a cooperação futura constituiu um elemento
central da Comunicação de 2012. O seu objetivo consiste em permitir uma identificação
mais precoce de iniciativas de cooperação com a escala e o âmbito apropriados e
a sua inclusão nos programas de trabalho do Horizonte 2020. A identificação das prioridades acordadas em
conjunto para a cooperação com os países e regiões parceiros evoluiu
consideravelmente desde a adoção da Comunicação. Os diálogos com os parceiros
da UE têm sido a principal fonte de inspiração para este exercício de
planeamento e, neste contexto, foram identificadas prioridades em consonância
com os princípios de interesse comum, benefício mútuo, otimização da escala e
do âmbito, parceria e sinergia. Mais informações sobre este processo são
fornecidas no documento de trabalho que acompanha a presente Comunicação.
7.2.
Cooperação bilateral
Exemplos sobre o modo como as prioridades foram
estabelecidas com os países parceiros podem ser consultados nos roteiros para a
cooperação internacional com o Brasil, o Canadá, a China, a Coreia, o Japão, a
Índia, a Rússia, a África do Sul e os EUA e estes são fornecidos no documento
de trabalho que acompanha a presente Comunicação. Verificaram-se também progressos na definição
de prioridades com outros países. A cooperação com a Austrália incidirá na
energia, eficiência na utilização dos recursos e matérias-primas, saúde,
segurança alimentar e infraestruturas de investigação. No que se refere ao México, os domínios
prioritários para a cooperação futura incluem a energia e, em especial, a
investigação sobre energia geotérmica, saúde e TIC. Para a Nova Zelândia, as prioridades para a cooperação
futura incluem a saúde e a segurança alimentar. Para a Ucrânia, a cooperação incidirá nas TIC,
novos materiais e tecnologias de transformação, biotecnologia e transportes. A associação ao Programa-Quadro
Horizonte 2020 também progrediu de forma harmoniosa. Os países associados
participam no Horizonte 2020 ao mesmo nível que os Estados-Membros. Até à data,
foi concluído o processo de associação com os seguintes países: Noruega,
Islândia, Albânia, Bósnia-Herzegovina, Antiga República Jugoslava da Macedónia,
Montenegro, Sérvia, Turquia, Israel e Moldávia.
7.3.
Cooperação regional
A
cooperação em matéria de investigação entre a UE e determinadas regiões é
também essencial para uma abordagem global da cooperação internacional. A
atenção incide nas regiões com as quais foram estabelecidos diálogos políticos.
A cooperação regional também se baseia na necessidade de abordar problemas que
não podem ser resolvidos a nível bilateral, tais como doenças como a malária, o
HIV e a tuberculose ou desafios relacionados com o ambiente, a utilização
sustentável de recursos e as alterações climáticas. A cooperação regional pode
também permitir a utilização ótima de infraestruturas de investigação, tais
como a Plataforma de Radioastronomia África-UE[35],
e facilitar o acesso aos conhecimentos disponíveis na região. Exemplos
que mostram como foram estabelecidas prioridades num contexto regional podem
ser consultados nos roteiros para a região do Mediterrâneo e a região da
Parceria Oriental. Para África, as atuais áreas de cooperação são
investigação no domínio da saúde, através da Parceria entre a Europa e os
Países em Desenvolvimento para a Realização de Ensaios Clínicos (EDTCP 2), o
Sistema de Observação da Terra e as TIC. Para o futuro, o Diálogo Político de
Alto Nível entre a UE e a África identificou a segurança alimentar e
nutricional e a agricultura sustentável como prioridades. Com a Comunidade dos Estados Latino-Americanos
e das Caraíbas (CELAC), as prioridades para a cooperação futura são a
bioeconomia, as energias renováveis, as TIC, a saúde, a biodiversidade e as
alterações climáticas, bem como a carreira dos investigadores. A cooperação com os países do Golfo incidirá
na segurança energética, ambiente (incluindo a água e o clima), saúde e TIC. Com a ASEAN, as prioridades para a cooperação
futura são a alimentação, a agricultura e as biotecnologias e, em particular, a
aquicultura, a saúde, as TIC e as energias renováveis.
8.
Conclusões
Embora se tenham registado progressos na
aplicação da estratégia de cooperação internacional no domínio da investigação
e da inovação lançada em 2012, decorre do exposto anteriormente que se trata
apenas de um ponto de partida e que ainda há muito a fazer. A dimensão internacional do Programa-Quadro
Horizonte 2020 e dos seus programas de trabalho deve ser reforçada através de
uma melhor integração da cooperação internacional na Programação Estratégica e
no desenvolvimento do programa de trabalho do Horizonte 2020. Tal deve
basear-se nas prioridades para a futura cooperação internacional estabelecidas
no exercício de planeamento estratégico. Além disso, os trabalhos para desenvolver
princípios comuns e condições de enquadramento e eliminar obstáculos à
cooperação devem continuar, uma vez que estes são essenciais para melhorar o
nível e a qualidade da atividade de cooperação internacional. É igualmente necessário prosseguir os
trabalhos em relação ao acompanhamento do impacto da estratégia através de
indicadores quantitativos. Tal como a Comunicação de 2012 anunciava, será
necessário acompanhar a plena dimensão global das atividades de cooperação
internacional, de forma a ir mais além de simples medições da participação
direta de entidades de países terceiros em acordos de subvenção assinados no
âmbito do Horizonte 2020. Atendendo ao facto de o Horizonte 2020 ter sido
lançado apenas a 1 de janeiro de 2014, é prematuro tecer comentários sobre esse
aspeto nesta fase. A estratégia de comunicação sobre a cooperação
internacional continuará a ser aperfeiçoada e executada, uma vez que constitui
um elemento essencial para uma maior sensibilização e promoção do
Horizonte 2020 como um programa aberto ao mundo. Ao mesmo tempo, a
Comissão continuará a centrar-se na diplomacia científica e a procurar reforçar
sinergias com as políticas externas da UE e com os Estados-Membros. Em particular, os progressos realizados na
aplicação da estratégia serão utilizados para fortalecer uma abordagem que
incorpore a dimensão global da cooperação internacional nos domínios da
investigação e inovação, com vista a fazer face aos desafios globais e obter
resultados com um maior impacto. [1] COM(2012) 497. [2] Em 9 de outubro de 2012, a Comissária Geoghegan-Quinn
apresentou a Comunicação à Comissão ITRE do Parlamento Europeu [3] CSST/2013/10405 [4] CESE/20122081 [5] CDR/2012/2076 [6] Incluindo as políticas de desenvolvimento e de ajuda
humanitária [7] Regulamento (UE) n.º 1291/2013 do Parlamento Europeu e
do Conselho de 11 de dezembro de 2013 [8] Regulamento (Euratom) n.º 1314/2013 do Conselho de 16 de
dezembro de 2013 [9] Sempre que for feita referência ao Horizonte 2020,
subentende-se que este inclui o programa Euratom [10] Ser autorizado a participar não implica necessariamente
beneficiar de financiamento do orçamento Horizonte 2020. As regras relativas ao
financiamento dos participantes de países terceiros são apresentadas na parte A
do anexo relativa às condições gerais do programa de trabalho para 2014-15 do
Horizonte 2020. [11] http://ec.europa.eu/research/participants/portal/desktop/en/opportunities/index.html
[12] Um convite à apresentação de propostas coordenado consiste
em dois convites publicados em simultâneo pela UE e pelo país parceiro,
respetivamente. Ambos os convites solicitam propostas de projetos, que
impliquem cooperação com entidades do outro lado. A mesma proposta é
apresentada em ambos os lados. Cada lado assina um contrato apenas com os seus
próprios participantes e financia somente estes. [13] http://www.innovation.ca/sites/default/files/Rome2013/files/Canada-EU-US%20Galway%20Statement%20on%20Atlantic%20Research%20Cooperation%202013.pdf [14] Por exemplo, o Conselho está atualmente a negociar a
reformulação da Diretiva 2005/71/CE relativa a um procedimento específico de
admissão de nacionais de países terceiros para fins de investigação científica. [15] http://www.globalresearchcouncil.org/
[16] http://www.conacyt.mx/index.php/el-conacyt/convocatorias-y-resultados-conacyt/convocatoria-conacyt-horizon2020
[17] http://igfagcr.org [18] Incluindo o Programa Mundial de Investigação Climática
(WCRP), o Programa Internacional Geosfera-Biosfera (IGBP), o Programa Internacional
da Biodiversidade (DIVERSITAS) e o Programa Internacional de Dimensões Humanas
(IDHP). [19] 89 países e a Comissão são membros do GEO (http://www.earthobservations.org) [20] http://www.ipcc.ch [21] http://glopidr.globe-network.org/
[22] http://www.irdirc.org
[23] http://www.gacd.org [24] https://rd-alliance.org/
[25] http://www.hfsp.org [26] http://council.web.cern.ch/council/en/EuropeanStrategy/ESParticlePhysics.html
[27] http://www.eiroforum.org
[28] http://www.sesame.org.jo/sesame/
[29] http://www.cliwasec.eu
[30] COM(2011)
637. [31] COM(2012) 586 [32] http://www.consilium.europa.eu/policies/era/sfic
[33] ERAC-SFIC 1359/14 [34] http://www.edctp.org [35] http://www.aerap.org