COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Sexto relatório sobre a coesão económica, social e territorial: investimento no crescimento e no emprego /* COM/2014/0473 final */
COMUNICAÇÃO
DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL
EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Sexto
relatório sobre a coesão económica, social e territorial: investimento no
crescimento e no emprego 1.
Introdução Embora os governos
nacionais tivessem de aplicar reduções de despesas nos últimos anos, para
equilibrar os seus orçamentos, e o financiamento privado tenha escasseado
devido à crise financeira e económica, o financiamento da política de coesão
continuou a fluir para os Estados‑Membros e as regiões, apoiando
investimentos essenciais no crescimento e no emprego. A crise teve um
impacto profundo nos orçamentos nacionais e regionais, limitando o
financiamento disponível em todas as áreas de investimento. No conjunto da UE,
o investimento público desceu 20 %, em termos reais, entre 2008 e 2013. Na
Grécia, em Espanha e na Irlanda, a descida foi de cerca de 60 %. Nos
países da Europa Central e Oriental, onde o financiamento da política de coesão
é particularmente significativo, o investimento público (medido como formação
bruta de capital fixo) baixou um terço. Sem a política de coesão, os
investimentos nos Estados‑Membros mais afetados pela crise poderiam ter
diminuído ainda mais 50 %. O financiamento da política de coesão já representa
mais de 60 % do orçamento de investimento nesses países. Figura 1: Impacto da política de coesão no investimento público || Figura 2: Percentagem da política de coesão no investimento público A crise
económica inverteu uma longa tendência de convergência do PIB e da taxa de
desemprego na UE, que afeta particularmente as regiões da Europa meridional. Além disso, a crise deu origem a um aumento da pobreza e
da exclusão social, o que, por sua vez, torna ainda mais difícil cumprir
os objetivos da Estratégia Europa 2020. Por exemplo, em
210 das 277 regiões da UE, verificou‑se um aumento da taxa de desemprego
entre 2007 e 2012. Em 50 dessas regiões, o aumento fez com que a taxa de
desemprego passasse para mais do dobro. A situação é particularmente
preocupante para os jovens, uma vez que, em 2012, em cerca de metade das
regiões, a taxa de desemprego dos jovens foi superior a 20 %. Como
resultado, muitas regiões ainda não foram capazes de contribuir para cumprir o
objetivo global da Estratégia Europa 2020 de uma taxa de emprego de 75 %
da população com idade entre 20 e 64 anos, até 2020. Além de manterem
a tónica na abordagem dos obstáculos estruturais de longo prazo ao
desenvolvimento, a Comissão e os Estados‑Membros reagiram à crise através
da reorientação de alguns investimentos de coesão para domínios em que o
impacto na atividade económica e no emprego seria direto e imediato.
Consequentemente, mais de 45 mil milhões de euros – ou 13 % do
financiamento total – foram reafetados até ao final de 2013. Esta transferência
de fundos serviu para sustentar medidas destinadas a atenuar o crescimento do
desemprego e da exclusão social e a apoiar o investimento na inovação e na
investigação e desenvolvimento (I&D), apoiar as empresas, a energia sustentável
e as infraestruturas sociais e educativas. A Comissão
propôs igualmente medidas para melhorar a liquidez nos Estados‑Membros
mais afetados pela crise. A adoção destas medidas pelo Parlamento Europeu e
pelo Conselho permitiu uma redução das contribuições nacionais e deu origem a
mais de 7 mil milhões de euros de adiantamentos adicionais. Foi igualmente
aprovada uma nova redução do cofinanciamento nacional no valor de quase 2,1 mil
milhões de euros. Os dados
disponíveis indicam que os investimentos da política de coesão tiveram um
impacto significativo. Entre 2007 e
2012, o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) criou cerca de 600
000 postos de trabalho, o que corresponde a quase 20 % das previsões de
perdas de postos de trabalho no mesmo período, desde o início da crise
financeira. Investiu em 200 000 projetos
de pequenas e médias empresas (PME) e em 80 000 empresas em fase de
arranque, financiou 22 000 projetos que
envolviam cooperação entre a investigação e o setor empresarial, forneceu cobertura de banda larga a 5 milhões de
pessoas e deu a 5,5 milhões de pessoas acesso ao tratamento de águas residuais. Além disso, os
investimentos da UE no contexto da política de coesão permitiram construir 3 000
km de redes europeias de transportes fundamentais (15 % do total da rede
RET‑T) e
duplicaram o volume do financiamento público de I&D nos Estados‑Membros
menos desenvolvidos. Entre 2007 e
2012, o Fundo Social Europeu (FSE) apoiou 68 milhões de participações em
diferentes projetos. Após terem recebido apoio do FSE, 5,7 milhões de
desempregados ou de pessoas inativas obtiveram emprego e quase 8,6 milhões
de qualificações foram obtidas com o apoio do FSE. Foram comunicados mais de
400 000 casos de novas empresas em fase de arranque e de pessoas que
começaram a trabalhar por conta própria. Este quadro contribuiu para limitar a
queda do PIB em muitos países ou para evitar novos aumentos do desemprego. Os efeitos
destes investimentos aumentarão nos próximos anos, dado que os Estados‑Membros
devem utilizar os fundos dos programas de 2007‑13 até ao final de 2015 e
existe um desfasamento temporal entre o momento em que é feito o investimento e
o momento em que é possível avaliar o seu impacto. Com um orçamento
total de mais de 450 mil milhões de euros (incluindo o cofinanciamento
nacional) para o período de programação de 2014‑20, a política de coesão
será a principal vertente de investimento da UE. Dará
a maior contribuição para apoiar as PME, a I&D e inovação, a educação, a
economia com baixas emissões de carbono, o ambiente, a luta contra o desemprego
e a exclusão social, para desenvolver a infraestrutura de ligação entre os
cidadãos da UE e para a modernização das administrações públicas. Os
seus investimentos, combinados com reformas estruturais, desempenharão um papel
fundamental no apoio ao crescimento e à criação de emprego e na consecução dos
objetivos da Estratégia Europa 2020 de crescimento inteligente, sustentável e
inclusivo. O desafio
consiste em assegurar que estes recursos sejam utilizados da forma mais eficaz
e eficiente, maximizando o seu impacto, consolidando a recuperação e ajudando a
UE a sair da crise mais forte e mais competitiva do que antes. A nova política
de coesão está plenamente alinhada com a Estratégia Europa 2020 e os seus
principais objetivos em matéria de emprego, investigação e desenvolvimento,
alterações climáticas e energia, educação e luta contra a pobreza e a exclusão
social, e ligada ao Semestre Europeu e ao processo de governação económica da
UE. Por conseguinte, os investimentos realizados ao abrigo da política de
coesão serão igualmente utilizados para apoiar as políticas adotadas pelos
Estados‑Membros no âmbito das Orientações Integradas e dos programas
nacionais de reforma, bem como para dar resposta às recomendações específicas
por país do Conselho. A Comissão pode igualmente convidar os Estados‑Membros
a alterarem os seus acordos de parceria e programas operacionais para reagirem
aos novos desafios identificados nas recomendações específicas por país. A presente
comunicação sintetiza as realizações dos fundos de coesão no período de
programação anterior. Descreve os principais elementos da reforma da política
de coesão para o período de 2014‑20[1] e as novas
tendências das atuais negociações do programa entre a Comissão e os Estados‑Membros.
É acompanhada por um documento de trabalho dos serviços da Comissão, que
analisa os desafios socioeconómicos e de governação que os Estados‑Membros
e as regiões enfrentam e avalia o impacto da política de coesão e do
investimento público nas disparidades económicas e sociais. 2. Uma
política em evolução: Investir na competitividade das regiões para
melhorar a qualidade de vida das populações O Tratado da
União Europeia estabelece como objetivo da política de coesão a redução das
disparidades económicas, sociais e territoriais, prevendo um apoio especial às
regiões menos desenvolvidas. Ao longo do
tempo, a política de coesão contribuiu para melhorar o nível de vida e as
oportunidades económicas nas regiões da UE, aumentando as competências e a empregabilidade;
aumentando o acesso às regiões; apoiando a constituição de capacidades
administrativas; estabelecendo laços entre as instituições de investigação, as
universidades e a comunidade empresarial; e prestando serviços às pequenas e
médias empresas. Ao apoiar os principais impulsionadores do crescimento
económico, a política de coesão ajuda as regiões da UE a crescer mais
rapidamente. Mantendo‑se
fiel às suas raízes, a política de coesão desenvolveu‑se e progrediu. Nos
seus primeiros anos, esta política teve uma incidência puramente nacional,
financiando projetos previamente definidos nos Estados‑Membros, com pouca
influência europeia. Ao longo do tempo, foram introduzidos princípios
fundamentais, como a programação plurianual, mais investimentos estratégicos e
um maior envolvimento dos parceiros locais e regionais. A maior parte do
apoio financeiro ao abrigo desta política tem incidido sempre nas regiões e nos
Estados‑Membros menos desenvolvidos. Registou‑se, no entanto, uma
reorientação do investimento em infraestruturas para o apoio às PME, à inovação
e a políticas sociais e de emprego mais inovadoras. Esta mudança foi possível
devido ao desenvolvimento de infraestruturas nos Estados‑Membros (tanto
nos que aderiram à UE depois de 2004, como nos «antigos» Estados‑Membros),
apoiado ao abrigo da política de coesão em períodos anteriores. A figura 3
mostra o desenvolvimento da composição do investimento desde 1989. Figura 3: Composição do investimento da política de
coesão nas regiões menos desenvolvidas (1989‑2013) A percentagem de
investimento em infraestruturas pesadas (nomeadamente de transportes) foi
elevada, aquando do lançamento da política de coesão e após o alargamento de
2004, quando aderiram à UE países com claras lacunas a nível das infraestruturas.
Com a criação do Fundo de Coesão (FC), na década de 1990, o investimento
ambiental tornou‑se cada vez mais importante, ajudando os Estados‑Membros
e as regiões a cumprirem as diretivas e os regulamentos da UE neste domínio. O
investimento no setor produtivo e nas PME em particular manteve‑se
relativamente estável. O investimento
nas pessoas (educação, emprego e inclusão social), no entanto, decresceu
ligeiramente em termos relativos. Não obstante, o papel do FSE enquanto
instrumento de investimento em capital humano aumentou de forma significativa
recentemente, em consequência do impacto dramático da crise económica nos
mercados de trabalho dos Estados‑Membros. Tratando‑se de uma nova
medida para fazer face a este problema, o quadro regulamentar para 2014‑20
reserva uma percentagem mínima (23,1 %) do orçamento da política de coesão
para o FSE. Trata‑se de um requisito importante para o volume de
investimentos em capital humano, emprego, inclusão social, reforma da
administração pública e reforço da capacidade institucional necessária para
contribuir para a realização dos objetivos da Estratégia Europa 2020. Pela primeira
vez, a política de coesão – em particular através do FSE – concedeu apoios,
durante o período de 2007‑13, para modernizar e reformar os órgãos da
administração pública e os sistemas judiciais nos países em fase de
convergência. Este apoio visa melhorar o funcionamento, a acessibilidade e a
qualidade dos serviços públicos, a fim de facilitar a definição de políticas
com base em dados concretos e executar as políticas em conjunto com os
parceiros sociais e a sociedade civil. Por último, a
percentagem de recursos consagrados à assistência técnica tem aumentado
significativamente desde 2000‑06, refletindo a importância crucial de
instituições que funcionem corretamente na gestão eficaz dos programas da
política de coesão. Ao adaptar os
investimentos em função dos níveis de desenvolvimento económico, a política de
coesão tem sido capaz de se adaptar à evolução das necessidades de cada região.
No entanto, a evolução da política não foi tão decisiva como seria de esperar.
Os factos indicam, por exemplo, que a introdução, em 2007‑13, da afetação
obrigatória de parte do financiamento às prioridades da UE foi um passo em
frente, mas os resultados têm sido variáveis e o financiamento ainda se
encontra disseminado de forma muito dispersa. Também se tornou
cada vez mais evidente que a eficácia da política de coesão depende de boas
políticas macroeconómicas, de um ambiente empresarial favorável e da existência
de instituições fortes. Nalguns casos, a existência de políticas inadequadas e
de deficiências administrativas e institucionais limitou a eficácia do
financiamento. Essas lacunas também se mantiveram no que respeita à
transposição da legislação da UE para o direito nacional em domínios
diretamente relacionados com a política de coesão. Embora tenham sido feitas
tentativas de definir quadros estratégicos, institucionais e administrativos em
vigor, a sua aplicação continuou a ser discricionária e não sistemática. Por último, a
aplicação dos fundos centrou‑se mais nas despesas e no cumprimento das
regras de gestão do que na realização dos objetivos. Por vezes, os objetivos do
programa foram vagos, o que dificultou o controlo e a avaliação do desempenho.
O estabelecimento de metas é complexo e alguns Estados‑Membros fixaram
objetivos que não eram suficientemente ambiciosos, o que limitou a capacidade
de avaliar os efeitos das intervenções e compreender quais as medidas mais
eficazes e por que razão. 3. A obtenção de resultados
está no cerne da nova política de coesão Os resultados
das negociações sobre a reforma da política de coesão, que terminaram em
dezembro de 2013, abordam estas deficiências. A reforma centra‑se
na criação de uma política de investimento. Os
objetivos da política de coesão foram alinhados com a Estratégia Europa 2020 e
as respetivas recomendações específicas por país são sistematicamente tidas em
conta na planificação dos investimentos. A forma como funciona a
política de coesão foi também objeto de reforma, com base em cinco pontos
principais. 3.1. Os programas da política de
coesão têm de operar num enquadramento favorável A nova política
de coesão está relacionada com o processo de governação económica da UE e com o
«Semestre Europeu», dado que os investimentos ao abrigo da política de coesão
não podem ser considerados de forma isolada do contexto económico em que são
realizados. Para evitar
políticas orçamentais ou económicas insustentáveis que prejudiquem a eficácia
do apoio da UE durante o período de 2014‑20, o financiamento pode ser
suspenso se um Estado‑Membro não cumprir as recomendações recebidas no
âmbito do processo de governação económica da UE. A eficácia do
investimento não deve ser prejudicada por políticas inadequadas ou por
estrangulamentos regulamentares, administrativos ou institucionais. Os Estados‑Membros
e as regiões devem, por conseguinte, satisfazer uma série de condições prévias.
Essas condições foram fixadas para garantir que o investimento contribui para
um quadro estratégico claro, assegurando a rápida transposição da legislação da
UE que afeta a execução do financiamento da coesão, uma capacidade
administrativa suficiente e o respeito de requisitos mínimos ‑ por
exemplo, em matéria de luta contra a discriminação, igualdade entre homens e
mulheres, deficiência, contratos públicos e auxílios estatais. Em especial,
cada área de investimento deve basear‑se numa estratégia bem definida.
Por exemplo, não podem ser feitos investimentos no setor dos transportes
enquanto não estiver em vigor uma ampla estratégia de transportes nacional ou
regional. Do mesmo modo, os investimentos no domínio da I&D e da inovação
devem inscrever‑se no âmbito de uma «estratégia de especialização
inteligente», que envolva um processo de desenvolvimento de uma visão, a
identificação das vantagens concorrenciais, a definição de prioridades
estratégicas e o recurso a políticas inteligentes, para maximizar o potencial
de desenvolvimento baseado no conhecimento de qualquer região. Em resumo, os
projetos devem seguir as estratégias e não o inverso. 3.2. Os programas da política de
coesão devem concentrar os recursos num número reduzido de prioridades e
otimizar o seu valor acrescentado Os Estados‑Membros
e as regiões devem concentrar o financiamento num número limitado de áreas com
relevância ao nível da UE. Uma grande parcela do FEDER será afetada a quatro
prioridades no centro da Estratégia Europa 2020: inovação e investigação,
agenda digital, apoio às PME e economia com baixas emissões de carbono. O facto de o FSE
se concentrar, no máximo, em cinco prioridades de investimento irá apoiar a
consolidação das realizações e dos resultados a nível europeu. Permitirá também
garantir uma ligação mais clara à Estratégia Europeia para o Emprego e às
Orientações Integradas para o Emprego. Pelo menos 20 % do orçamento do FSE
serão reservados para apoiar a inclusão social e a luta contra a pobreza e a
discriminação. Dada a
necessidade urgente de combater o desemprego entre os jovens, foi lançada a
Iniciativa para o Emprego dos Jovens (IEJ), com um orçamento de 6 mil milhões
de euros, que proporciona financiamento específico para ajudar a pôr em prática
a Garantia Jovem em toda a UE. Esta garante a oferta a todos os jovens de
emprego adequado ou de formação, no prazo de quatro meses após terem deixado o
ensino ou terem ficado desempregados. O financiamento da IEJ centrar‑se‑á
nas regiões com taxas de desemprego jovem particularmente elevadas. As regiões e os
Estados‑Membros terão de fazer escolhas claras acerca dos seus objetivos.
Isso permitirá alcançar uma massa crítica de recursos, assegurando um impacto
significativo e garantindo que são efetuados investimentos nesses domínios com
um impacto direto e imediato sobre o crescimento e o emprego. 3.3. Os programas da política de
coesão devem definir objetivos e resultados claros O êxito da
política de coesão será medido pelos resultados e pelo impacto que tiver. Por
conseguinte, as reformas incidem na garantia de uma maior concentração nos
resultados, através de melhores indicadores de desempenho, da apresentação de
relatórios e da avaliação. Aquando da
conceção dos programas, os Estados‑Membros e as regiões devem especificar
os resultados que pretendem alcançar até ao final do período de programação. Os
programas terão de definir de que modo as ações propostas irão contribuir para
atingir esses objetivos e estabelecer indicadores de desempenho com referências
e objetivos claros que permitam medir os progressos realizados. Cada programa
disporá de um quadro de desempenho, no intuito de aumentar a transparência e a
responsabilização. Para dar um
incentivo suplementar, cerca de 20 mil milhões de euros (ou seja, 6 % do
orçamento da política de coesão) foram reservados para afetação em 2019 aos
programas que demonstrarem estar no bom caminho para atingirem os seus
objetivos. 3.4. Os programas da política de
coesão têm de dar um papel de maior relevância às cidades As cidades podem
ter um papel fundamental na política de coesão e na consecução dos objetivos da
Estratégia Europa 2020. Mais de dois terços da
população europeia vivem em cidades. As cidades são inovadoras e
produtivas e podem assumir a liderança na realização de um crescimento
inteligente. Podem ser mais eficientes em termos de recursos (por exemplo, reduzindo
ao mínimo a ocupação do território, a impermeabilização dos solos e a
utilização da energia) e participar na realização de um crescimento
sustentável, por exemplo, através de infraestruturas verdes. Dadas as disparidades em termos de riqueza, concentração
dos grupos socialmente excluídos e concentração da pobreza nas cidades, elas
são essenciais para enfrentar o desafio do crescimento inclusivo. Por estes
motivos, espera‑se que cerca de metade do FEDER seja gasto nas cidades em
2014‑20. A nova política de coesão tem igualmente por objetivo dar poder
às cidades para elaborarem e aplicarem políticas que contribuam para atingir os
objetivos da Estratégia Europa 2020, mediante a fixação de um montante mínimo
(5 % do FEDER) para investimentos integrados no desenvolvimento urbano
sustentável e a garantia de que as cidades irão desempenhar o papel mais
importante na seleção de projetos. A Comissão
também lançará convites à apresentação de projetos no âmbito do novo programa
de ações urbanas inovadoras para apoiar as cidades que desejem testar novas
ideias de desenvolvimento urbano. 3.5. Os programas da política de
coesão têm de fazer uma melhor inclusão dos parceiros a todos os níveis O quadro
político para 2014‑20 baseia‑se no pressuposto de que todos os
parceiros a nível nacional, regional e local ‑ respeitando os princípios
da governação a vários níveis e incluindo os parceiros sociais e as
organizações da sociedade civil ‑ serão envolvidos em todas as fases da
programação. Pela primeira vez a nível da UE, o código de conduta europeu
relativo ao princípio de parceria[2]
fornece um modelo para os Estados‑Membros desenvolverem relações com
estes parceiros, mobilizando‑os para o desenvolvimento de programas, no
decurso da execução dos programas e durante a fase de acompanhamento e
avaliação. As parcerias também podem ser particularmente eficazes na criação de
estratégias de desenvolvimento local dirigidas pelas comunidades. Nos novos
regulamentos também incluem medidas destinadas a reforçar as capacidades dos parceiros
sociais e da sociedade civil. 4. Da teoria à prática: novos
dados resultantes das negociações Aquando da
adoção da presente comunicação, a Comissão tinha recebido todos (28) os acordos
de parceria (AP) e cerca de 150 programas operacionais (PO)[3].
As negociações com os Estados‑Membros e as regiões ainda estão em curso.
Por conseguinte, o que se segue apenas dá uma indicação da medida em que os
principais elementos da reforma foram incorporados nos novos programas e
estratégias. As informações
disponíveis revelam algumas tendências muito encorajadoras e alguns desafios. No total, cerca
de 336 mil milhões de euros são afetados aos programas nacionais e regionais ao
abrigo do objetivo de Investimento no Crescimento e no Emprego (ICE). Os
recursos estão repartidos do seguinte modo: 187,5 mil milhões de euros para o
FEDER, 63 mil milhões de euros para o Fundo de Coesão e 85 mil milhões de
euros para o FSE, o que é superior à dotação mínima legalmente exigida do FSE
de 80 mil milhões de euros[4]. Figura
4: Atribuição das prioridades de financiamento por fundo (2014‑20), em %
do total dos fundos Cerca de 124 mil
milhões de euros são afetados à I&D e inovação, às TIC, às PME e à economia
de baixo teor de carbono, o que representa um aumento de quase 22 % em comparação
com 2007‑2013. A maior parte deste montante é financiada pelo FEDER
(116,5 mil milhões de euros) e o restante pelo Fundo de Coesão. Serão investidos
98 mil milhões de euros em medidas para o emprego, a inclusão social e a
educação. A maior parte deste montante é financiada pelo FSE: emprego (30,7 mil
milhões de euros), inclusão social (20,9 mil milhões de euros) e educação
( 26,3 mil milhões de euros). São afetados 59
mil milhões de euros à infraestrutura das redes de transportes e energia, o que
representa uma perda de 21 % em relação a 2007‑2013. Quase 4,3 mil
milhões de euros serão investidos no reforço da capacidade institucional das
entidades públicas e na eficiência das administrações e dos serviços públicos
(«boa governação»). Este valor representa um aumento de 72 % em comparação
com o período anterior. O novo período
de programação traz, portanto, uma clara mudança em termos de prioridades de
financiamento em comparação com o período de 2007‑13. Os Estados‑Membros
e as regiões irão investir mais nas prioridades do FEDER (I&D e inovação,
TIC, PME e economia de baixo teor de carbono) e nas prioridades do FSE
(emprego, inclusão social, educação e governação). Por outro lado, haverá menos
investimentos nas infraestruturas de redes e nas infraestruturas ambientais. A
diminuição do investimento em infraestruturas é particularmente importante nos
Estados‑Membros mais desenvolvidos. Figura 5: Atribuição das prioridades de
financiamento em 2014‑20 em comparação com 2007‑13, em % do total A atenção
especial que a Comissão deu à economia de baixo teor de carbono resultou num
aumento visível neste tipo de investimento: mais de 38 mil milhões de euros
serão usados para apoiar a transição para uma economia de baixo teor de carbono
e de resiliência às alterações climáticas. Vários países colocaram particular
ênfase na eficiência energética ou no desenvolvimento das energias renováveis.
Em alguns casos, porém, há que clarificar a relação entre o investimento e os
resultados esperados em relação aos objetivos em matéria de alterações
climáticas. Tendo em conta
os desafios dos altos níveis de desemprego e do aumento da pobreza, o destaque
dado ao crescimento inclusivo poderá ser mais forte em determinados AP. A
Comissão também considera que o financiamento à educação é atualmente
insuficiente para pôr em prática as prioridades identificadas. Em alguns AP, a
prioridade dada às medidas ativas de inclusão social é baixa. Para garantir
melhores resultados sociais e investimentos que respondam melhor às mudanças sociais,
a programação deve integrar melhor a reforma da política social. Além disso, no
que diz respeito à IEJ, a respetiva informação em alguns AP e PO é bastante
genérica e não explica de que forma esta nova iniciativa funcionará, nem se e
como irá apoiar a implementação dos sistemas de Garantia Jovem. Em alguns
programas, as ações apoiadas pela Iniciativa para o Emprego dos Jovens devem
concentrar‑se mais no apoio à criação de emprego. Não obstante a
existência de recomendações específicas por país quanto à integração da minoria
cigana, alguns Estados‑Membros não preveem uma prioridade específica para
as comunidades marginalizadas, tornando mais difícil avaliar em que medida o
financiamento será afetado a este domínio de intervenção. Alguns Estados‑Membros
não contemplam suficientemente as necessidades referentes a este grupo‑alvo
ou precisam de elaborar melhor a respetiva estratégia e a lógica de
intervenção. A modernização
administrativa e a qualidade da justiça são reconhecidas como fatores
essenciais para a competitividade e o crescimento inclusivo. Muitos Estados‑Membros
planeiam medidas para tornar as instituições públicas mais fortes e melhorar a
sua capacidade de produzir políticas mais eficazes, melhores serviços
administrativos, processos judiciais mais céleres, maior transparência e
integridade das instituições públicas e maior participação do público nas
diferentes fases do processo de elaboração de políticas. Contudo, em alguns
Estados‑Membros em que a reforma da administração pública foi identificada
como um desafio, não existe uma estratégia clara e os objetivos são incompletos
e imprecisos, embora tais reformas sejam indispensáveis para apoiar o emprego,
o crescimento e a competitividade. Além disso, nalguns dos Estados‑Membros
em causa, não existe um compromisso político claro para essa reforma. É evidente que a
necessidade de preparação para o investimento mediante o cumprimento de
condições antes da execução do programa foi tomada a sério. O processo não tem
sido fácil e, em muitos casos, a Comissão terá de chegar a acordo sobre planos
de ação para garantir a plena conformidade com os requisitos dentro de prazos
bem definidos. As condições, que os Estados‑Membros consideraram
especialmente difíceis de cumprir, dizem respeito a domínios em que as
diretivas da UE devem ser transpostas ou em que os regulamentos da UE têm de
ser aplicados de modo eficaz. Foram concebidas
estratégias de especialização inteligente a nível nacional e regional, a fim de
acelerar a transformação económica e reduzir as lacunas em matéria de
conhecimentos. Deve dar‑se maior destaque a formas de assistência
flexíveis, ao apoio a uma investigação orientada para o mercado e à cooperação
com as empresas. Existe um risco de manutenção do status quo no apoio às
PME, em vez de se providenciar um apoio adaptado às suas necessidades e
potencial de crescimento, com vista a assegurar um elevado efeito de alavanca e
uma rápida adoção. Alguns Estados‑Membros
dispõem de programas que estabelecem relações claras entre a economia digital e
a inovação. Esta questão é importante, uma vez que são necessários
investimentos em banda larga de alta velocidade e em TIC para superar
estrangulamentos específicos e promover soluções orientadas para o mercado. Por
exemplo, é essencial concentrar o investimento na banda larga para as redes da
nova geração, a fim de assegurar que as regiões menos desenvolvidas não se
atrasem ainda mais. As sinergias entre a política de coesão, o programa
Horizonte 2020 e outros programas da UE também são determinantes no contexto
das estratégias de especialização inteligente a nível nacional e regional. No período de
2014‑20, cerca de 88 programas em 16 países serão programas
plurifinanciados, combinando recursos do FEDER, do FC e do FSE. Espera‑se
que este plurifinanciamento dê origem a uma abordagem integrada, reunindo
diferentes políticas, fundos e prioridades. Para tornar esta
política mais eficaz, mais orientada para os resultados e mais assente no
desempenho, os Estados‑Membros e as regiões terão que fixar metas e objetivos
detalhados. É essencial que os programas não enunciem objetivos de modo
demasiado geral, incluindo um grande número de ações possíveis, a fim de manter
a máxima flexibilidade na seleção de projetos numa fase posterior. Este aspeto
é crucial: se os objetivos e metas não forem suficientemente ambiciosos e
suficientemente detalhados, será muito difícil avaliar a política e realizar um
verdadeiro debate público sobre ela. Durante o processo de negociação, a
Comissão centrar‑se‑á nesses riscos. Os acordos de
parceria têm sido, em grande medida, elaborados através de um diálogo razoável
com os parceiros, embora haja indícios de que, em alguns casos, este diálogo
tem sido insuficiente, que as partes interessadas importantes não tinham sido
envolvidas ou que as observações não se refletiram na versão posterior dos
documentos. A Comissão examinará muito cuidadosamente a forma como os Estados‑Membros
aplicaram o código de conduta europeu relativo ao princípio de parceria, com
vista a assegurar uma verdadeira participação das partes interessadas. Por último, mas
não menos importante, o novo período requer uma governação e mecanismos de
coordenação fortes, a nível nacional e regional, a fim de assegurar a coerência
entre os programas, apoiar a Estratégia Europa 2020 e as recomendações
específicas por país e para evitar sobreposições e lacunas. Este aspeto é
especialmente importante, tendo em conta o aumento global do número de
programas regionais (para os programas do FSE o aumento é de quase 60 % em
comparação com o período de 2007‑13). 5. Conclusão Em 2014‑20,
a política de coesão irá orientar o investimento de um terço do orçamento da UE
para ajudar a alcançar os objetivos de crescimento e de emprego em toda a UE e
reduzir as disparidades económicas e sociais. Além disso, é o maior instrumento
de investimento a nível da UE para a prossecução dos objetivos da Estratégia
Europa 2020. Dá a maior contribuição em vários domínios, nomeadamente: apoio às
PME, à I&D e inovação, investimento numa mão‑de‑obra
competitiva e qualificada, luta contra o desemprego e a exclusão social,
adaptação às alterações climáticas e ambiente. Os modelos
económicos dão uma indicação do impacto macroeconómico. Por exemplo, prevê‑se
que, nos principais países beneficiários, graças à política de coesão, o PIB
possa ser, em média, 2 % mais elevado e o emprego cerca de 1 % mais
elevado, durante o período de execução. Mas os efeitos
que a política de coesão tem no aumento da produtividade continuam a sentir‑se
após a conclusão dos programas. Até 2030, estima‑se que o PIB destes
países se situe mais de 3 % acima do nível esperado se esta política não
fosse posta em prática. Isso significa que, durante o período de 2014‑30,
por cada euro gasto nos principais países beneficiários, o PIB deverá ser mais
de três euros mais elevado. Para se
conseguirem estes resultados, contudo, é essencial que os Estados‑Membros
e as regiões contribuam para as reformas e usem a política como um verdadeiro
instrumento de investimento. O resultado das negociações em curso para
desenvolver estratégias sólidas, identificar um pequeno número de prioridades
essenciais de investimento, estabelecer objetivos ambiciosos e garantir que as
condições micro e macroeconómicas maximizam o impacto dos investimentos
cofinanciados no âmbito da política de coesão, será, pois, crucial. Em 2017, a
Comissão apresentará ao Parlamento Europeu e ao Conselho um primeiro relatório
intercalar sobre os programas. O relatório dará uma panorâmica dos progressos
realizados pelos Estados‑Membros e pelas regiões para cumprir os
objetivos estabelecidos nos seus programas, indicando se estão a produzir os
resultados pretendidos. [1] Ver JO L 347, de 20.12.2013. [2] Ver Regulamento delegado da Comissão, de 7.1.2014, C(2013) 9651
final. [3] Quatro AP já foram adotados pela Comissão. [4] Os recursos financeiros para o objetivo ICE incluem o FEDER (com
exclusão do apoio à Cooperação Territorial Europeia), o FSE e o Fundo de
Coesão. Os valores refletem a situação a partir de 1 de junho, podendo ainda
sofrer alterações no contexto das negociações dos programas.