COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU E AO CONSELHO Estratégia do Alargamento e Principais Desafios para 2013-2014 /* COM/2013/0700 final */
Vinte
anos de Copenhaga Em
primeiro lugar os elementos fundamentais — Estado de direito, democracia e
economia I. A agenda do alargamento Há vinte anos, os Balcãs
Ocidentais foram assolados por conflitos. Ao mesmo tempo, a União Europeia
acordou as condições, designadas por «critérios de Copenhaga», para a entrada
de futuros Estados-Membros na UE. Os critérios de Copenhaga refletem os valores
que estão na base da UE: a democracia, o Estado de direito, o respeito pelos
direitos fundamentais, bem como a importância de uma economia de mercado
viável, o que abriu caminho à transformação histórica e à adesão de países da
Europa Central e Oriental. Dez anos depois, na
Cimeira de Salónica de 2003, a UE proporcionou a todos os países dos Balcãs
Ocidentais uma perspetiva clara de adesão à UE, sob reserva do cumprimento das
condições necessárias, nomeadamente os critérios de Copenhaga e as condições do
Processo de Estabilização e de Associação (PEA). A Croácia cumpriu essas
condições. Após a ratificação do Tratado de Adesão por todos os
Estados-Membros, a União Europeia acolheu a Croácia como vigésimo oitavo
Estado-Membro em 1 de julho de 2013. A Croácia é o primeiro país a completar o
Processo de Estabilização e de Associação. A adesão da Croácia é a prova da
capacidade de transformação e do efeito estabilizador do processo de adesão,
assim como do poder persuasor da UE. O acordo histórico
concluído entre a Sérvia e o Kosovo* em abril constitui uma
nova prova do poder da perspetiva da UE e do seu papel na cura das profundas
cicatrizes históricas. Reflete também, de forma crucial, a coragem da liderança
política em ambos os países. Em junho, o Conselho Europeu decidiu dar início às
negociações de adesão com a Sérvia, tendo o Conselho autorizado a abertura de
negociações com vista a um Acordo de Estabilização e de Associação entre a UE e
o Kosovo. Foi um ano importante
para os outros países do alargamento. Em junho de 2013, o
Montenegro adotou planos de ação abrangentes para os
capítulos sobre o sistema judicial e os direitos fundamentais e a justiça,
liberdade e segurança, em conformidade com a nova abordagem para tratar estes
capítulos numa fase precoce do processo de adesão. Na Albânia, o
apoio de todos os partidos às reformas fundamentais, à realização ordeira de eleições
legislativas e a outras medidas a tomar no combate à corrupção e à
criminalidade organizada significa que o estatuto de país candidato é agora
possível. A antiga República
jugoslava da Macedónia tem emergiu da sua crise política no início do
mesmo ano, mas subsistem problemas, nomeadamente no que diz respeito à
liberdade de expressão e dos meios de comunicação social. Foram tomadas medidas
para melhorar as relações de boa vizinhança. De um modo mais geral, um avanço
decisivo nas conversações, realizadas sob os auspícios da ONU, sobre a
designação do país é agora fundamental. Na Bósnia-Herzegovina, uma falta de
vontade política para implementar as reformas e a incapacidade de aplicar o
acórdão Sejdic-Finci está a dificultar os progressos em relação à UE e as
perspetivas económicas do país. Na Turquia, foram
registados progressos no sistema judicial e noutras reformas, tendo sido
apresentado em setembro o tão aguardado pacote de democratização. As
negociações de paz com o PKK prosseguiram com vista a pôr termo ao terrorismo e
à violência no sudeste do país, lançando as bases para uma solução para a
questão curda. No entanto, a gestão das manifestações em resposta à proposta de
desenvolvimento do Parque Gezi em Istambul suscitou graves preocupações e salientou
a necessidade de a UE permanecer o alicerce das reformas. No que respeita à Islândia, o novo governo
suspendeu as negociações de adesão com a UE e declarou que as negociações não
prosseguirão sem a realização de um referendo. O processo de
adesão é hoje mais rigoroso e abrangente do que no
passado.
Tal
reflete a evolução das políticas da UE, bem como os ensinamentos
retirados dos anteriores alargamentos. O processo assenta na
condicionalidade rigorosa mas justa, dependendo os progressos realizados no
sentido da adesão das medidas adotadas por cada país para cumprir os critérios
estabelecidos. Uma lição essencial a retirar do passado é a importância de
abordar os elementos fundamentais em primeiro lugar. O Estado de direito encontra-se
atualmente no cerne do processo de alargamento. A nova abordagem, adotada pelo
Conselho em dezembro de 2011, significa que os países têm de abordar questões
como a reforma judicial e a luta contra a criminalidade organizada e a
corrupção no início das negociações de adesão. Tal permite dispor de um máximo
de tempo para estabelecer um balanço sólido em matéria de execução das
reformas, de modo a assegurar que as reformas estão profundamente enraizadas e
são irreversíveis. Esta nova abordagem é um elemento essencial do quadro de
negociações para o Montenegro e moldará o trabalho da Comissão com os outros
países do alargamento. A crise económica
mundial dos últimos cinco anos sublinhou a necessidade, para todos os países,
de procederem a uma análise fundamental e de reforçarem a sua governação
económica.
Isto aplica-se, em particular, aos países dos Balcãs Ocidentais, nenhum dos
quais possui uma economia de mercado viável, sendo todos afetados por uma taxa
de desemprego elevada, nomeadamente entre os jovens. É essencial que estes
países intensifiquem as reformas para regressar a um crescimento sustentável e
deem resposta aos desafios necessários para satisfazer os critérios económicos
e melhorar a competitividade. A presente comunicação apresenta propostas para
apoiar este objetivo, incluindo a introdução de estratégias de reforma
económica nacionais e de planos de ação em matéria de gestão das finanças
públicas. Os acontecimentos em
vários países do alargamento sublinharam a importância de reforçar as
instituições democráticas e garantir processos
democráticos inclusivos que apoiem estas instituições e consolidem os
princípios democráticos fundamentais e valores europeus comuns. É essencial
reforçar o papel da sociedade civil, tal como as plataformas de todos os
partidos para a integração na UE e realizar novos avanços em matéria de
reformas eleitorais, legislativas e da administração pública. A União Europeia assenta
em valores e princípios comuns, nomeadamente o respeito pelos direitos
fundamentais.
Todos os países dos Balcãs Ocidentais e a Turquia necessitam de realizar novas
reformas para assegurar que os princípios da liberdade de expressão e da
proteção dos direitos das minorias étnicas, nomeadamente os ciganos, são
respeitados na prática, não apenas consagrados na lei. São necessárias medidas
mais rigorosas para proteger outros grupos vulneráveis contra a discriminação,
nomeadamente em razão da orientação sexual. As relações de boa
vizinhança e a cooperação regional continuam a ser
elementos essenciais do processo de estabilização e de associação. Os
desenvolvimentos na Sérvia e no Kosovo demonstraram nomeadamente que os países
podem progredir no sentido de ultrapassar a herança de recentes conflitos, em
conformidade com o próprio princípio sobre o qual a União Europeia foi fundada.
A
cooperação regional deve ser reforçada,
inclusiva e ser assumida ao nível regional. A Comissão apoia plenamente os
trabalhos do Processo de Cooperação da Europa do Sudeste (SEECP) e do Conselho
de Cooperação Regional, incluindo a estratégia regional 2020. É preciso envidar
esforços renovados para ultrapassar os litígios
bilaterais entre países do alargamento e com
Estados-Membros. Os problemas bilaterais devem ser abordados pelas partes em
causa, o mais rapidamente possível, e não devem bloquear o processo de adesão. 2014 assinala o
lançamento do segundo Instrumento de
Assistência de Pré-Adesão. Através do IPA II, a UE continuará a prestar
apoio substancial aos países do alargamento na sua preparação para a adesão,
com um nível de fundos para o período de 2014-2020 (11,7 mil milhões de EUR a
preços correntes), comparável ao do atual quadro financeiro.
O IPA II apoiará igualmente a cooperação regional e transfronteiriça. O IPA II incidirá nos
domínios de interesse comum, em especial, no apoio às reformas e à sua
aplicação sustentável em matéria de Estado de direito, no reforço às
instituições democráticas e à boa governação, bem como ao desenvolvimento
socioeconómico. O lançamento do IPA II
constitui também uma oportunidade para assegurar uma ligação ainda
mais estreita entre a estratégia de alargamento e as prioridades de
assistência. O IPA II introduz algumas inovações importantes, nomeadamente a
tónica na definição de políticas e estratégias a longo prazo para um número
limitado de setores prioritários, que serão alinhadas pelas necessidades e
capacidades de cada país. Serão fixados objetivos claros e indicadores
realistas, associados à assistência setorial plurianual. Se os países
satisfizerem as condições necessárias de gestão das finanças públicas, poderão
beneficiar de apoio orçamental — um novo incentivo para a realização de
reformas. Estarão disponíveis incentivos para os países que progridam no seu
processo de reformas. Em caso de mau desempenho, os fundos serão reafetados. A
gestão dos programas IPA será objeto de uma maior racionalização,
principalmente através de um menor número de projetos, mas de maior dimensão. Todos os países do
alargamento têm uma clara perspetiva europeia. Os progressos
rumo à adesão dependem das medidas tomadas por cada país para cumprir os
critérios estabelecidos, com base no princípio do mérito próprio. Este aspeto é
crucial para a credibilidade da política de alargamento e incentivar para os
países a prosseguirem reformas de grande
envergadura. Simultaneamente, é essencial que os Estados-Membros,
juntamente com as instituições da UE, realizem um debate informado sobre o
impacto político, económico e social da política de alargamento. Os
Estados-Membros desempenham um papel essencial ao prestarem aos cidadãos informações
factuais sobre a política de alargamento e, ao fazê-lo, informam-nos dos
respetivos benefícios, nomeadamente do seu contributo essencial para a paz, a
segurança e a prosperidade, bem como respondem a quaisquer preocupações que
eventualmente tenham. II.
Desafios essenciais Na presente comunicação,
a Comissão realça uma série de desafios importantes com que se defrontam os
Balcãs Ocidentais e a Turquia: a governação económica e a competitividade; o
Estado de direito; o funcionamento de instituições que garantam a democracia;
os direitos fundamentais; e, no caso dos Balcão Ocidentais, ultrapassar o
legado do passado. Estes desafios são essenciais para os critérios de Copenhaga
e as condições do Processo de Estabilização e de Associação. As medidas para resolver
estes desafios também se reforçam mutuamente. Por exemplo, promovendo o Estado
de direito e garantindo os direitos fundamentais aumentará a segurança jurídica
e, em conjunto com uma integração regional mais profunda, contribuem de forma
significativa para apoiar o desenvolvimento económico e a competitividade. a)
Governação
económica e competitividade Nos últimos três anos, a
UE reforçou significativamente a sua governação económica. Por ocasião do
Semestre Europeu, os Estados-Membros coordenam as suas políticas orçamentais e
estruturais antes de os respetivos parlamentos aprovarem os seus orçamentos
nacionais. Os instrumentos do diálogo económico com os países do alargamento
têm vindo a ser gradualmente adaptados aos novos desafios e aos mecanismos de
coordenação na UE. Já foi solicitado aos países que colocassem uma maior tónica
na sustentabilidade da sua posição externa e nos principais obstáculos
estruturais ao crescimento. É importante agora refletir plenamente os
principais instrumentos da UE no diálogo económico dada a forma como economica
e financeiramente os países do alargamento estão integrados com a UE. A UE é o destino de
cerca de 60 % das exportações dos Balcãs Ocidentais. Além disso, a UE é,
de longe, o principal fornecedor de investimento direto estrangeiro (IDE). Com
exceção da Turquia, os bancos da UE dominam o setor financeiro. O acesso ao
mercado único dos bens e serviços da UE constitui um importante canal para o
crescimento. A retoma da UE terá também um impacto positivo nos Balcãs Ocidentais
em particular. As previsões mais recentes da Comissão indicam que os Balcãs
Ocidentais devem registar um crescimento de 2 % em 2013. A previsão para a
Turquia é de 3,2 %, o que significa que o país está a regressar de novo a
taxas de crescimento mais elevadas após um relativo abrandamento em 2012. A modesta recuperação
nos Balcãs Ocidentais não constitui uma garantia para o crescimento sustentável
e a convergência. Subsistem importantes desafios para todos os países do
alargamento em termos de reforma económica, competitividade e criação de
emprego: ·
Enquanto
a Turquia é uma economia de mercado viável, nenhum país do alargamento dos
Balcãs Ocidentais tem esse estatuto. ·
Os
sistemas de gestão das finanças públicas devem ser significativamente reforçados
para reduzir o risco de fraude e de corrupção. ·
O
Estado de direito tem de ser significativamente melhorado, a fim de conferir
uma maior segurança jurídica aos operadores económicos e aumentar a confiança
dos investidores. ·
As
reformas estruturais devem ser hierarquizadas e a competitividade reforçada, a
fim de apoiar o processo de consolidação orçamental, reduzir os elevados
desequilíbrios externos, bem como a elevada taxa de desemprego em todos os
países (em média, mais de 20 % nos Balcãs Ocidentais). Existem grandes
diferenças a nível regional nos países, registando-se níveis mais elevados de
pobreza nas zonas rurais. Propõe-se uma nova
abordagem para ajudar os países do alargamento a fazer face primeiramente aos
fundamentos económicos e a cumprir os critérios económicos. Os países serão
convidados a reforçar as políticas económicas e a sua governação, através da
elaboração coordenada de uma estratégia nacional de reforma económica, que
inclui dois elementos — um programa macroeconómico e orçamental e um programa
de reformas estruturais e competitividade. Estes serão abordados no diálogo
bilateral e multilateral com os países: ·
O
programa macroeconómico e orçamental continuará a ser abordado através dos
instrumentos existentes, a saber, os programas económicos de pré-adesão para os
países candidatos e os programas económicos e orçamentais para os países
potencialmente candidatos. Para reforçar a supervisão, o Conselho ECOFIN
conjunto com os países candidatos será convidado a fornecer orientações estratégicas
mais orientadas através de recomendações específicas por país e a efetuar uma
análise anual e uma apreciação da aplicação das políticas. ·
Como
novo elemento, os países serão convidados a desenvolver programas de reforma
estrutural e de competitividade. Estes programas serão apresentados à Comissão ao
mesmo tempo que os programas orçamentais, mas serão depois analisados no âmbito
dos órgãos competentes do Acordo de Estabilização e de Associação, sobretudo
nos domínios da indústria, concorrência, mercado interno, investigação,
educação, transportes, energia e ambiente. Além disso, a Comissão utilizará os
relatórios do outono sobre os progressos realizados para dar orientações claras
sobre as reformas necessárias para continuar a avançar no cumprimento dos critérios
económicos. A Comissão vai também
encetar um diálogo sobre a gestão das finanças públicas com os países do
alargamento, que irá, nomeadamente, apoiar os progressos no sentido do
cumprimento dos critérios económicos. Os países têm que elaborar planos de ação
neste domínio que serão supervisionados pela Comissão. Uma gestão financeira
pública eficaz abrirá igualmente a possibilidade de apoio orçamental setorial,
tal como previsto ao abrigo do IPA II. A Comissão desenvolverá
esta abordagem em estreita cooperação com instituições financeiras
internacionais relevantes e proporcionará uma assistência técnica regional
abrangente para o efeito. As recomendações da Comissão relativamente aos
critérios económicos proporcionarão orientações quanto ao âmbito de aplicação
desta assistência técnica. Outras medidas
destinadas a estimular a competitividade, os investimentos, o crescimento e o
emprego O apoio da Comissão para
o desenvolvimento económico sustentável nos Balcãs Ocidentais ultrapassa a
estabilização macroeconómica e a obtenção do estatuto de economia de mercado
viável. Desde o início da crise, a Comissão tem vindo a insistir no sentido de
que é preciso envidar esforços suplementares para resolver a difícil situação
socioeconómica, nomeadamente a elevada taxa de desemprego. A Comissão destacou
igualmente a necessidade de apoiar os investimentos em infraestruturas nos
Balcãs Ocidentais. As redes transfronteiriças de transportes, de energia e de
comunicações estão pouco desenvolvidas. Tendo em conta a dimensão das economias
dos Balcãs Ocidentais, uma maior integração é fundamental. A cooperação
económica regional foi reconhecida como uma oportunidade de crescimento e uma
base para a cooperação política e as relações de boa vizinhança. A projetada
liberalização dos serviços na Zona de Comércio Livre da Europa Central (CEFTA)
continuará a apoiar este objetivo. O desenvolvimento do capital humano e físico em
zonas rurais e a adoção suplementar de normas no setor agroalimentar irá
contribuir para a competitividade do setor da agricultura regional. A Comissão já iniciou um
novo diálogo sobre o emprego e os programas de reforma social com a Turquia e a
Sérvia. Seguir-se-ão os diálogos com a antiga República jugoslava da Macedónia
e o Montenegro. A situação socioeconómica nos países potencialmente candidatos
é mais problemática do que nos países candidatos e será necessário apoio
suplementar para desenvolver as capacidades administrativas a fim de promover a
participação no novo processo. Os potenciais candidatos serão gradualmente
convidados para este novo diálogo. Será programada em 2014 uma assistência
técnica global, com destaque para os potenciais candidatos. Com vista a reduzir
o fosso existente em termos de competências e melhorar os sistemas educativos,
a Comissão continuará a desenvolver a plataforma dos Balcãs Ocidentais para a
educação e a formação. Sob os auspícios do
Conselho de Cooperação Regional (CCR), grupos regionais criados no âmbito da
Agenda de Salónica começaram a abordar as prioridades da estratégia Europa
2020. Encontra-se em prepação uma estratégia Europa 2020 regional. É necessário
envidar mais esforços para aumentar a sensibilização e a capacidade dos grupos
regionais atualmente dispersos, a fim de poderem realizar análises regulares
pelos pares e emitir recomendações. O CCR deve desenvolver um mecanismo de
acompanhamento público. A Comissão seguirá as conclusões dos grupos e do
mecanismo de acompanhamento no seu diálogo económico e no processo de
programação do IPA. As reformas conducentes ao
cumprimento dos critérios económicos serão igualmente apoiadas pelo Quadro de
Investimento para os Balcãs Ocidentais (WBIF). O WBIF desempenhará um papel
cada vez mais importante para ajudar a preparar e a apoiar os investimentos
mais necessários para dinamizar o crescimento e o emprego. Ao abrigo do WBIF, a
Comissão, os doadores bilaterais e as instituições financeiras internacionais
apoiam investimentos no valor de 4 mil milhões de EUR por ano nos domínios dos
transportes, energia, ambiente, alterações climáticas, no setor social e setor
privado/desenvolvimento das PME, na medida em que a Comissão estiver a
cofinanciar uma plataforma a favor das PME dos Balcãs Ocidentais destinada a
melhorar o acesso das PME ao financiamento através de garantias e capital de
risco. Melhorar a interconexão
no domínio dos transportes e da energia entre a UE e os países do alargamento
será uma prioridade fundamental para promover o crescimento económico
sustentável, o emprego, o comércio e o intercâmbio cultural. A Comissão
sublinha a importância de um maior desenvolvimento das infraestruturas
energéticas transeuropeias e da cooperação com a Comunidade da Energia. O
futuro Tratado, que institui uma comunidade dos transportes, irá promover a
integração de mercados e de infraestruturas de transporte terrestre e, ao mesmo
tempo, ajudar os países dos Balcãs Ocidentais a aplicarem as normas da UE neste
domínio.
A Comissão procedeu a uma apreciação das redes transeuropeias da UE no domínio
dos transportes (RTE-T) e da energia (RTE-T), tendo em vista melhorar as
ligações com os países abrangidos pela política de alargamento e pela política
de vizinhança. Neste sentido, a Comissão adotou uma lista de projetos de
interesse comum para o desenvolvimento das infraestruturas transeuropeias de
energia. Deve ser adotada no próximo Conselho Ministerial da Comunidade da
Energia uma lista de programas de interesse comum no domínio da energia. A cooperação com a
Turquia será reforçada, sobretudo tendo em vista a sua localização estratégica
e o seu potencial enquanto placa giratória para o abastecimento de energia. Em
2013, a Turquia ratificou o acordo sobre o gasoduto transanatoliano que será
ligado ao gasoduto transadriático, transportando para a UE gás natural da
região do Mar Cáspio através da Turquia. Neste contexto, o reforço da
cooperação UE-Turquia no domínio da energia, bem como os progressos pertinentes
realizados nas negociações de adesão facilitarão novos progressos rumo à
interconexão e integração dos mercados da energia da UE e da Turquia. A
Comissão aguarda com expectativa uma avaliação efetuada pelo Banco Mundial
sobre a união aduaneira UE-Turquia. Esta avaliação, encomendada pela Comissão
Europeia, apresentará recomendações sobre a melhoria do seu funcionamento e um
eventual alargamento do seu âmbito de aplicação. Para apoiar os
esforços envidados para responder a estes desafios, a Comissão irá: - convidar os
países do alargamento a preparar uma estratégia de reforma económica nacional,
que inclui dois elementos — o atual programa macroeconómico e orçamental e um
novo programa de reformas estruturais e competitividade. O processo terá como
resultado recomendações específicas por país e orientações claras sobre as
ações necessárias para a obtenção de maiores progressos no sentido de alcançar
uma economia de mercado viável e para melhorar a competitividade; - lançar um
diálogo com os países sobre os requisitos necessários para cumprir as normas de
gestão das finanças públicas, preparando o terreno para um eventual apoio
orçamental do IPA; - fornecer uma
assistência técnica global em estreita cooperação com outras organizações
internacionais. No período 2007-2013,
foi concedido um montante máximo de 190 milhões de EUR de assistência de
pré-adesão para reforçar as capacidades institucionais dos governos em domínios
como a gestão dos fundos públicos, a política económica e orçamental e as
estatísticas, bem como as capacidades institucionais de bancos nacionais. No quadro do IPA II, a Comissão
continuará a apoiar as reformas conducentes ao cumprimento dos critérios
económicos e ao desenvolvimento socioeconómico, nomeadamente através do Quadro
de Investimento para os Balcãs Ocidentais (WBIF), dando prioridade à melhoria
das interconexões de transportes e de energia entre a UE e os países do alargamento,
e a prestar assistência técnica de apoio à governação económica, ao diálogo
sobre o emprego e as questões sociais, aos objetivos do CCR sobre a estratégia
Europa 2020.e
à agricultura e desenvolvimento rural b) O Estado de direito O Estado de direito é um
valor fundamental em que assenta a União Europeia. Salvaguardar os seus
valores, tais como o Estado de direito, foi sempre a razão de ser da União
Europeia, desde a sua criação até às últimas fases do seu alargamento. O Estado de
direito continua a constituir uma prioridade para a UE e está no cerne do
processo de adesão, enquanto pilar essencial dos critérios políticos de
Copenhaga. Os países que aspiram à adesão à União Europeia devem estabelecer e
promover desde o início o bom funcionamento das principais instituições
necessárias para garantir o Estado de direito. O Estado de direito apoia o
ambiente empresarial, proporcionando segurança jurídica aos operadores
económicos e incentivando o investimento, o emprego e o crescimento. A luta contra
a criminalidade organizada e a corrupção é fundamental para combater a
infiltração da criminalidade nos sistemas político, jurídico e económico.
Na
maior parte dos países do alargamento são necessárias reformas do sistema
judicial inclusivas, transparentes e ambiciosas com o objetivo de assegurar
sistemas judiciais independentes, imparciais, eficazes e responsáveis. É
necessária uma atenção especial à nomeação, avaliação e procedimentos
disciplinares aplicáveis aos juízes. Há também necessidade de criar quadros
mais eficazes de luta contra a corrupção e a criminalidade organizada, que
continuam a ser uma preocupação séria em muitos países do alargamento. É
necessário envidar esforços para garantir a obtenção de resultados substanciais
neste domínio, baseados em investigações, ações e decisões judiciais que sejam
eficientes, eficazes e imparciais nos processos de corrupção a todos os níveis,
nomeadamente a corrupção de alto nível. O processo de liberalização
do regime de vistos tem incentivado os
países dos Balcãs Ocidentais a tomar medidas importantes para reformar os
aspetos mais estreitamente relacionados com este processo. Essas reformas
reforçaram a governação interna. Os países devem acelerar os esforços para
consolidar as reformas e aplicar medidas para evitar a utilização abusiva de um
regime de vistos liberalizado como definido e recomendado pela Comissão nos
seus relatórios de acompanhamento pós-liberalização do regime de vistos. A
Comissão apresentará o quarto desses relatórios até ao final de 2013. As
questões da migração e da gestão das fronteiras continuarão a ser abordadas
nos fóruns apropriados, como no quadro do AEA, e nomeadamente no
capítulo 24 «Justiça, liberdade e segurança». Uma
nova
abordagem para as negociações de adesão está a ser aplicada
para os capítulos relativos ao sistema judicial e os direitos fundamentais e à
justiça, liberdade e segurança. A nova abordagem de negociação adotada no
domínio do Estado de direito introduz a necessidade de apresentar balanços
sólidos em matéria de execução das reformas ao longo do processo de negociação.
A
abordagem destes domínios numa fase precoce das negociações permite aos países
do alargamento disporem de um máximo de tempo para assegurar que as reformas
estão profundamente enraizadas e são irreversíveis. A nova abordagem está
agora a ser aplicada nas negociações com o Montenegro, que elaborou
planos de ação global como base para a abertura de negociações sobre estes
capítulos. Na sequência do convite do Conselho Europeu em junho de 2013, a nova
abordagem está a ser plenamente integrada no quadro de negociação para a Sérvia
e o exame analítico dos capítulos 23 e 24 está em curso. O Estado de direito é
também um tema crucial nas relações da UE com
outros países do alargamento. O diálogo de alto nível da Comissão relativo à
adesão com a antiga República jugoslava da Macedónia continua a abordar
questões relacionadas com o Estado de direito. Algumas das prioridades
essenciais do parecer da Comissão de 2010, que estabelece as condições para a
abertura das negociações de adesão com a Albânia, dizem respeito
ao Estado de direito. A Comissão apoia a reforma judicial através do seu
diálogo estruturado sobre a justiça com a Bósnia-Herzegovina, mantendo
igualmente um diálogo estruturado sobre o Estado de direito com o Kosovo,
que incide sobre a luta contra a criminalidade organizada e a corrupção e a
reforma do sistema judicial. O Estado de direito é também uma prioridade no
quadro da agenda positiva com a Turquia. Para apoiar os
esforços envidados para responder a estes desafios, a Comissão irá: - aplicar a nova
abordagem aos capítulos «Sistema judicial e direitos
fundamentais» e «Justiça, liberdade e segurança» com o Montenegro e a Sérvia, e continuar a
dar prioridade ao Estado de direito através de diálogos específicos com os
outros países do alargamento; - assegurar a
coordenação com as agências europeias competentes (nomeadamente a Europol, a
Eurojust e a Frontex) e incentivar o reforço da cooperação entre estas agências
e os países do alargamento, incluindo a
conclusão de acordos operacionais com a Europol;. - reforçar o
apoio às reformas relativas ao Estado de direito através do IPA II, tanto a
nível nacional como regional, para integrar as reformas nestes domínios
prioritários e garantir um intercâmbio efetivo das melhores práticas para a
obtenção de resultados no domínio da luta contra a criminalidade organizada e a
corrupção. No período 2007-2013,
foram concedidos mais de 800 milhões de EUR ao abrigo da assistência de
pré-adesão para melhorar o setor da justiça, a independência do sistema
judiciário, a luta contra a corrupção e a criminalidade organizada, bem como a
gestão das fronteiras e a segurança. No quadro do IPA II, serão
desenvolvidas estratégias setoriais com especial ênfase no desenvolvimento de
sistemas judiciários independentes, eficientes e profissionais e no apoio ao
desenvolvimento de um enquadramento sólido a nível nacional e regional,
bem como à obtenção de resultados concretos na luta contra a criminalidade
organizada e a corrupção. Tal inclui medidas de prevenção e o fornecimento aos
organismos responsáveis pela aplicação da lei de instrumentos de investigação e
jurídicos eficazes, em especial a capacidade de realizar investigações de
natureza financeira. (c) O funcionamento de instituições que garantam a
democracia Os critérios políticos
de Copenhaga exigem que os países candidatos tenham instituições estáveis que
garantem a democracia. É fundamental que as principais instituições funcionem
de forma adequada, quer se trate do parlamento nacional, do governo ou da
administração pública. A transparência, a responsabilização e a eficácia das
instituições e administrações públicas, nomeadamente com uma maior ênfase nas
necessidades dos cidadãos e das empresas, devem ser prioritárias na maior parte
dos países do alargamento. É necessário envidar mais esforços para reforçar a
democracia participativa e estabelecer plataformas nacionais para as reformas
relacionadas com a UE, que reúnam um consenso entre as partes e a sociedade em
geral para apoiar as principais reformas necessárias. Os países também têm
necessidade de encontrar um equilíbrio adequado entre a administração
central, regional e local que apoie melhor a execução de reformas e a
prestação de serviços aos cidadãos. O papel das autoridades regionais e locais
no processo de alinhamento pela legislação da UE e na aplicação efetiva das
normas da UE são também fundamentais. As instituições
democráticas continuam frágeis em vários países do alargamento. Falta uma
cultura de procura de consensos, sendo o papel dos parlamentos
nacionais
pouco desenvolvido. A democracia é mais do que a realização de eleições livres
e justas. Trata-se de dispor de instituições fortes e responsáveis e processos
participativos centrados em torno dos parlamentos nacionais. O controlo
parlamentar é frequentemente subvertido por um recurso excessivo aos
procedimentos de urgência para legislar, pela fraqueza dos sistemas e
procedimentos de comissões parlamentares e por uma consulta insuficiente das
partes interessadas, sendo raras as contribuições de peritos. As eleições são
frequentemente encaradas como uma oportunidade para adquirir o controlo
político das instituições do Estado e ultrapassa em muito a transferência
legítima e normal do poder político associado a uma mudança de governo. Em
muitos casos, mesmo postos muito pouco elevados na administração pública são
efetivamente politizados, o que prejudica tanto a capacidade como a
responsabilização das administrações. A reforma da administração pública é
vital e deve incidir nomeadamente sobre a
profissionalização e a despolitização da função pública. A incorporação de
princípios meritocráticos, a luta contra a corrupção e a aplicação de
procedimentos administrativos adequados, nomeadamente no que diz respeito aos
recursos humanos, revestem-se de uma importância fundamental. A sociedade civil e os
cidadãos,
nomeadamente os jovens, são frequentemente marginalizados em relação às
questões de política corrente. O diálogo entre os decisores políticos e as
partes interessadas deve continuar a ser desenvolvido. Uma sociedade civil
assumida constitui uma componente fundamental de qualquer sistema democrático.
Reforça a responsabilização política e a coesão social, aprofundando a
compreensão e a abertura a todas as reformas relacionadas com a adesão,e
apoiando a reconciliação em sociedades divididas por conflitos. Em alguns
casos, há que criar um ambiente mais favorável, que melhore as condições do
diálogo político e de uma contribuição não partidária para o processo de tomada
de decisões, apoiado por estatísticas de boa qualidade fornecidas por
institutos nacionais de estatística independentes. A independência e a eficácia
de organismos essenciais como o Provedor de Justiça e as instituições
nacionais de auditoria devem ser garantidas e as suas recomendações
seguidas de forma adequada. Para apoiar os
esforços envidados para responder a estes desafios, a Comissão irá: - trabalhar de
forma mais intensiva com organizações internacionais como o Conselho da Europa,
a OSCE/ODIHR e a OCDE (SIGMA) para apoiar as reformas eleitorais e
parlamentares; continuar a promover a cooperação interparlamentar entre os
parlamentos nacionais da região, os dos Estados-Membros da UE e o Parlamento
Europeu; - atribuir uma
maior prioridade à reforma da administração pública no processo de adesão, com
especial ênfase na transparência, despolitização e processos de recrutamento
baseados no mérito; - centrar-se
mais na sociedade civil, nomeadamente no reforço das capacidades e no incentivo
à criação de um ambiente propício ao seu desenvolvimento e a uma maior
participação das partes interessadas nas reformas, nomeadamente através de uma
maior transparência da ação do governo e das despesas governamentais; - promover uma
ampla participação no processo de adesão, com base no exemplo positivo do
Montenegro, e incentivar uma transparência máxima no tratamento dos documentos
pertinentes. No período 2007-2013,
foram concedidos mais de 30 milhões de EUR ao abrigo da assistência de
pré-adesão, a fim de reforçar nomeadamente as capacidades das assembleias
parlamentares nacionais, dos Provedores de Justiça e das instituições nacionais
de auditoria. No mesmo período, as organizações da sociedade civil beneficiaram
de cerca de 190 milhões de EUR ao abrigo do IPA, bem como de mais de
35 milhões de EUR a título do Instrumento Europeu para a Democracia e os
Direitos Humanos (IEDDH). No quadro do IPA II, a Comissão irá
apoiar o reforço das instituições democráticas, a boa governação, nomeadamente
os Provedores de Justiça, e a reforma da administração pública, incluindo os
projetos de geminação nos domínios acima mencionados. A Comissão explorará
igualmente as possibilidades de capacitar a próxima geração de decisores
políticos, funcionários públicos e dirigentes, continuando a apoiá-los,
nomeadamente através de programas de visitas mais específicos e de um eventual
regime de bolsas de estudo. A Comissão continuará igualmente a apoiar o reforço
das capacidades da sociedade civil, nomeadamente através do mecanismo para a
sociedade civil, e reforçará o papel da sociedade civil no quadro da
programação estratégica do IPA II. d) Direitos fundamentais Os direitos civis,
políticos, sociais e económicos, bem como os direitos das pessoas que pertencem
a minorias são questões importantes na maior parte dos países do alargamento.
Os direitos fundamentais são globalmente garantidos pela lei nos países do
alargamento mas, em muitos casos, não são aplicados na prática. É necessário
envidar mais esforços para melhorar o estatuto das mulheres e garantir a
igualdade de género, assegurar o respeito pelos direitos das crianças e apoiar
as pessoas com deficiência. Num certo número de
países do
alargamento,
a liberdade de expressão continua a ser uma questão que suscita vivas
preocupações. As minorias étnicas, nomeadamente os ciganos, enfrentam muitas
dificuldades, não obstante a existência de quadros jurídicos que apoiam os seus
direitos. É importante consolidar um quadro coerente relativo à luta contra
certas formas e manifestações de racismo e xenofobia em domínios como os meios
de comunicação social audiovisual, o desporto, a política, a educação e a
Internet. A discriminação em razão da orientação sexual está também muito
generalizada. Estes grupos vulneráveis são também objeto de hostilidade por
parte da sociedade, que pode ir até discursos de ódio ou atos de violência e de
intimidação. Na comunicação deste
ano, a Comissão sublinha, em especial, a liberdade de expressão, a situação dos
ciganos e a posição da comunidade LGBTI. A Comissão está a trabalhar sobre estas
questões dos direitos fundamentais em estreita colaboração com as organizações
internacionais e regionais pertinentes, nomeadamente o Conselho da Europa e a
OSCE. A Comissão propõe que os países candidatos participem, como observadores,
na Agência dos Direitos Fundamentais da UE, com vista a apoiar os seus esforços
para assegurar o pleno respeito dos direitos fundamentais. -
Liberdade
de expressão A Comissão tem
vindo a dar prioridade à liberdade de expressão e dos meios de comunicação
social no quadro do processo de adesão à UE e da assistência financeira e
técnica. Em junho de 2013, a Comissão, em conjunto com o Parlamento Europeu
realizou uma segunda conferência «Speak-Up!» que reuniu
centenas de importantes partes interessadas dos meios de comunicação social, da
sociedade civil e das autoridades nacionais. Os países do
alargamento caracterizam-se, na maior parte dos casos, pelo pluralismo dos seus
meios de comunicação social. No entanto, a conferência «Speak-Up! 2» confirmou
que um certo número de desafios importantes deviam ser resolvidos com urgência.
Certos jornalistas continuam a ser objeto de atos de violência e de
intimidações, o que conduz à autocensura. As autoridades devem intensificar
os seus esforços na investigação de novos casos e de casos anteriores e
assegurar a aplicação de sanções dissuasivas contra os seus autores. A
despenalização da difamação permitiu ao
sudeste da Europa realizar um avanço fundamental na proteção de um jornalismo
livre e crítico. No entanto, as ações penais contra jornalistas continuam. É
necessário desenvolver o sistema judiciário e dar formação aos juízes a fim de
evitar os abusos de poder do Estado. A
ingerência do poder político na liberdade dos meios de comunicação social
continua a ser um grave problema. É necessário intensificar os esforços envidados
para garantir a independência política e financeira dos organismos de
radiodifusão de serviço público nos Balcãs Ocidentais. O melhor meio de o
conseguir consiste em dispor de um financiamento sustentável, criar regras
transparentes para a nomeação dos membros dos conselhos de administração e
demonstrar, a nível nacional, uma grande determinação para realizar com êxito
as reformas necessárias. Na maior parte dos países do alargamento, os organismos
reguladores não funcionam de forma satisfatória. Além disso, não existe
qualquer autorregulação funcional dos meios de comunicação social e
estes devem envidar esforços suplementares para melhorar a sua governação
interna. É igualmente necessário combater a pressão económica informal
exercida sobre os meios de comunicação social, nomeadamente
através da transparência da propriedade dos meios de
comunicação,
impedindo uma concentração excessiva e instituindo regras transparentes em
matéria de concursos para a publicidade nos meios de comunicação públicos. Os
meios de comunicação social também devem aplicar o direito do trabalho de forma
adequada. Para
apoiar os esforços envidados para dar resposta a estes desafios, a Comissão
irá: - promover a
liberdade de expressão e dos meios de comunicação social e sublinhar a sua
importância para efeitos da adesão à UE através dos seus diálogos políticos
regulares com os países do alargamento; - assegurar que
a liberdade de expressão e dos meios de comunicação social é sistematicamente
abordada, como prioridade, no quadro do capítulo 23 «Sistema judicial e
direitos fundamentais» e do capítulo 10 «Sociedade da informação e meios
de comunicação social»; - conceder um
prémio de excelência em jornalismo de investigação a partir de 2014. No período 2007-2013,
foram concedidos mais de 27 milhões de EUR de assistência de pré-adesão
para ajudar os países a enfrentar os desafios ligados à liberdade de expressão.
No quadro do IPA II, a Comissão irá desenvolver uma visão de longo prazo da
assistência financeira da UE em matéria de liberdade de expressão, em
cooperação com os principais parceiros (por exemplo, o Conselho da Europa, a
OSCE, a OCDE). -
Ciganos
Existem cerca de 10 a
12 milhões de ciganos na Europa, dos quais cerca de 4 milhões se
encontram na Turquia e 1 milhão nos Balcãs Ocidentais. Em toda a Europa, a situação
da maior parte das comunidades ciganas é uma questão altamente preocupante.
Os ciganos são muito frequentemente vítimas de racismo, discriminação e
exclusão social, vivendo em condições de extrema pobreza, com um acesso
insuficiente aos cuidados de saúde, à educação e formação, à habitação e ao
emprego. Tendo em conta a situação difícil que enfrentam, muitos deles
abandonam a região e procuram asilo num certo número de países da UE. A maior
parte destes pedidos são, em última instância, recusados. Esta situação não é
sustentável. Desde 2011, um quadro
para as estratégias nacionais de integração dos ciganos está em vigor a nível
da UE. Com uma tónica na redução da pobreza, exclusão social e discriminação
dos ciganos, os objetivos e princípios deste enquadramento são igualmente
relevantes para países do alargamento, em que muito mais deve
ser feito para facilitar a inclusão social e
económica dos ciganos e para desenvolver e assegurar a aplicação, o seguimento
e o acompanhamento adequados de estratégias nacionais destinadas aos
ciganos. A
inclusão dos ciganos, tem de tornar-se uma prioridade nacional, não só nos
documentos de estratégia, mas através de um empenhamento real no terreno, com
medidas para aumentar o acesso à educação, para promover o emprego e
melhorar a saúde e as condições
de habitação, em especial a
garantia do acesso a serviços públicos, como o abastecimento de água e de
eletricidade. A questão da documentação e do registo
civil dos ciganos tem de ser abordada. A inclusão dos
ciganos continua a ser um objetivo fundamental e será um desafio político cada
vez mais importante se não forem tomadas medidas mais rigorosas. Exige uma
abordagem coordenada, baseada numa forte vontade política a
todos os níveis, em particular de autoridades municipais e
governos nacionais dos países em causa, bem como numa alteração das
mentalidades entre populações maioritárias. Os dirigentes ciganos também
precisam de desempenhar o seu papel, promovendo uma taxa mais elevada de
registo civil, garantindo a participação no ensino obrigatório e limitando os
fluxos de requerentes de asilo. As autoridades locais devem estar dispostas a
combater o absentismo e a ultrapassar a resistência das populações maioritárias
a um ensino comum, nomeadamente subordinando o pagamento de prestações sociais
à frequência escolar. A Comissão está a
trabalhar estreitamente com cada um dos países do alargamento para examinar os
progressos realizados na execução dos principais compromissos assumidos para
promover uma melhor integração da comunidade cigana. A coerência entre o
apoio dado aos ciganos nos países do alargamento e as atividades em curso a
nível da UE deve ser reforçada. Para
apoiar os esforços envidados para responder a estes desafios, a Comissão irá: - apoiar e
encorajar a organização de reuniões nacionais de acompanhamento dos seminários
de 2011, bem como um acompanhamento rigoroso da aplicação das conclusões
operacionais através de comités de acompanhamento para cada país; - reforçar e
orientar melhor o financiamento do IPA através de um «mecanismo para os
ciganos» destinado a financiar as medidas acordadas nos seminários nacionais,
com uma melhor cooperação com outras organizações internacionais; - organizar em
Bruxelas, em 2014, uma conferência sobre a forma de avançar no que diz respeito
aos ciganos, durante a qual serão entregues prémios às ONG que realizaram com
êxito projetos inovadores a favor da integração dos ciganos. No período 2007-2013,
foram concedidos mais de 100 milhões de EUR ao abrigo da assistência de
pré-adesão para apoiar a inclusão e a integração sociais dos ciganos nos países
do alargamento, nomeadamente através da habitação. No quadro do IPA II, a
Comissão orientará melhor os fundos e reforçará a cooperação estratégica com
partes interessadas externas, identificando as melhores práticas e baseando-se
nelas. Os projetos com um impacto direto na vida dos ciganos terão prioridade,
com especial atenção para a educação e a inclusão social. -
Comunidade
lésbica, homossexual, bissexual, transgénero e transexual (LGBTI) A homofobia, a
discriminação e os crimes de ódio em razão da orientação sexual e da identidade
de género são ainda fenómenos muito generalizados nos Balcãs Ocidentais e na
Turquia. Tal deve-se, em parte, à falta de quadros legislativos, mas também à
aplicação incoerente das disposições jurídicas em vigor. Entre as violações de
direitos figuram a discriminação em domínios como o emprego e a educação, a
recusa de determinadas autoridades em fazer respeitar a liberdade de expressão
e de reunião, os discursos de ódio, a intimidação, a violência física e mesmo
assassinatos. Em junho de 2013, a UE
adotou diretrizes para a promoção e a proteção do exercício de todos os
direitos humanos das pessoas LGBTI, a fim de proporcionar orientações para as
ações externas da UE neste domínio. Uma estratégia bem sucedida neste domínio nos
países do alargamento exige um forte empenhamento político dos governos, das
autoridades locais e dos organismos responsáveis pela aplicação da lei em
causa, bem como da UE. As autoridades dos países do alargamento podem
desempenhar um papel fundamental na concretização de uma mudança de
mentalidades na sociedade no seu todo em relação às pessoas LGBTI, atitude que
é, muitas vezes, ambivalente no melhor dos cenários e, no pior, hostil. É essencial que a legislação
contra a discriminação seja urgentemente
alargada, de modo a incluir a orientação sexual e a identidade de género no seu
âmbito de aplicação na Turquia e na antiga República jugoslava da Macedónia. A
legislação relativa a crimes por incitação ao ódio ainda tem de ser
introduzida na maior parte dos países. É necessário dar formação ao pessoal dos
serviços de aplicação da lei e de mediação, juízes e profissionais dos meios de
comunicação para aumentar a sensibilização face à nova legislação, assegurar
uma boa aplicação e contribuir para uma
melhor compreensão. Os países devem prosseguir uma abordagem de
tolerância zero em relação aos discursos de ódio, aos atos de violência e às
intimidações e tomar medidas com caráter prioritário
para tratar os casos do passado e estar preparados para reagir de forma
vigorosa a novos casos no futuro. Os países devem tomar medidas para
combater os estereótipos e a desinformação, nomeadamente no
sistema educativo. Não podem ser invocados valores religiosos ou culturais para
justificar qualquer forma de discriminação. A liberdade de reunião e de
expressão devem ser protegidas, nomeadamente através do tratamento adequado dos
desfiles de orgulho gay, incluindo na Sérvia, onde lamentavelmente
o desfile deste ano foi proibido pelo terceiro ano consecutivo por motivos de
segurança. Para
apoiar os esforços envidados para responder a estes desafios, a Comissão irá: -
aumentar o seu apoio político e a visibilidade, garantindo, nomeadamente, que
estas questões são sistematicamente abordadas nas instâncias adequadas com os
países do alargamento, bem como nas negociações de adesão, definindo
prioridades estratégicas mais claras e melhorando o controlo e o
acompanhamento; - organizar em
2014 uma conferência de alto nível sobre as questões associadas às pessoas
LGBTI com o objetivo de estabelecer um balanço da situação e dos progressos
alcançados, de partilhar as melhores práticas e adotar conclusões operacionais;
- melhorar a
cooperação estratégica com as partes interessadas externas (as organizações
internacionais e a sociedade civil). No período 2007-2013,
foram especificamente consagrados às questões ligadas às pessoas LGBTI mais de
2,5 milhões de EUR através do IPA e do IEDDH. No quadro do IPA II,
a Comissão visará mais especificamente o financiamento, nomeadamente
consagrando-o à formação de pessoal das instituições públicas relevantes,
incluindo os juízes e as forças policiais e às campanhas orientadas e outras
iniciativas (sessões de trabalho, eventos) a fim de sensibilizar o público e
promover a tolerância. A Comissão coordenará a sua assistência nesta matéria,
nomeadamente
com o Conselho da Europa e a OSCE. e) Resolver as questões bilaterais e ultrapassar a
herança do passado O acordo histórico
concluído em abril entre Belgrado e Pristina cria as condições para a
construção de um futuro europeu comum para ambas as partes. Dá uma nova
perspetiva a outros conflitos bilaterais e constitui um exemplo dos resultados
que a vontade política, a coragem e o apoio da UE permitem obter. Na sequência
de numerosas reuniões de alto nível organizadas graças à mediação da UE, a
Sérvia e o Kosovo chegaram, em 19 de abril, a um «primeiro acordo de princípio
que rege a normalização das relações», complementado em maio por um plano de
aplicação global com um calendário preciso até ao final de 2013. Tal abriu
caminho para a decisão do Conselho Europeu de dar início às negociações de
adesão com a Sérvia e o Conselho decidiu aprovar as diretrizes de negociação
com vista a um Acordo de Estabilização e de Associação com o Kosovo. Foram igualmente
registados progressos sobre as questões bilaterais noutras zonas da
região, que se traduziram por um reforço das relações de boa vizinhança — um
elemento essencial do Processo de Estabilização e de Associação. A Sérvia e a
Bósnia-Herzegovina têm intensificado os contactos, tendo o Presidente sérvio
apresentado um pedido público de desculpas pelos crimes cometidos na
Bósnia-Herzegovina. Uma nova atitude mais construtiva preside atualmente às
relações entre a Sérvia e a Croácia. Prosseguiram igualmente os contactos
bilaterais e multilaterais entre os países da região sobre questões tão
sensíveis como os crimes de guerra, o regresso dos refugiados, a criminalidade
organizada e a cooperação policial. Foram assinados vários acordos entre os
procuradores encarregados de tratar os crimes de guerra, nomeadamente entre a
Bósnia-Herzegovina, a Croácia e a Sérvia. Os obstáculos à extradição estão a
ser resolvidos. Os representantes dos Presidentes da Bósnia-Herzegovina, da
Croácia, do Montenegro, da Sérvia e do Kosovo reuniram-se pela primeira vez em
setembro para debater o estatuto da iniciativa «Verdade e reconciliação»
(RECOM). Estiveram de acordo quanto aos objetivos e o papel essencial desta
iniciativa. A Croácia, a Sérvia, a Bósnia-Herzegovina e o Montenegro estão
atualmente a implementar o projeto regional de alojamento no âmbito do processo
de Sarajevo. Os progressos realizados
devem ser consolidados. Muitos problemas bilaterais continuam por resolver, incluindo o
respeitante às minorias e às questões decorrentes da desagregação da antiga
Jugoslávia, como a demarcação das fronteiras. Pontos de vista
fundamentalmente opostos sobre a história recente pesam sobre as relações, tal
como os inúmeros problemas interétnicos. Os responsáveis políticos e outros
líderes devem demonstrar uma maior responsabilidade e adotar uma posição mais
forte na condenação dos discursos de ódio racial e outras manifestações de
intolerância. Muito há ainda a fazer para responsabilizar os autores dos crimes
de guerra, resolver as questões pendentes no que diz respeito aos refugiados e
às pessoas deslocadas no interior do país e normalizar as relações no que se
refere à situação das minorias. Foram realizados progressos limitados no que
diz respeito às pessoas desaparecidas. Os conflitos
interétnicos e os relacionados com o estatuto continuam a entravar o
funcionamento normal das instituições nos diferentes Estados, principalmente na
Bósnia-Herzegovina, e abrandam o processo de reforma. As questões difíceis
relacionadas com os problemas étnicos podem ser abordadas com êxito através do
diálogo e do compromisso, tal como demonstrado pela conclusão do Acordo entre a
Sérvia e o Kosovo e pela implementação em curso do Acordo-Quadro de Ohrid na
antiga República jugoslava da Macedónia. As questões bilaterais
pendentes continuam a afetar negativamente o processo de adesão. Num espírito
de boa vizinhança, os problemas bilaterais em aberto devem ser abordados pelas
partes em causa o mais rapidamente possível. Devem ser desenvolvidos todos os
esforços para evitar importar para a UE litígios bilaterais significativos. A
Comissão insta as partes a fazer todos os possíveis para resolverem os litígios
pendentes, em conformidade com os princípios e os meios estabelecidos,
nomeadamente remetendo, se necessário, determinadas questões para o Tribunal
Internacional de Justiça ou outros órgãos existentes ou órgãos ad hoc de
resolução de litígios. A Eslovénia e a Croácia demonstraram que esta abordagem
pode conduzir a resultados positivos. As questões bilaterais não devem
paralisar o processo de adesão. A UE está atualmente a
integrar o requisito de normalização das relações entre Belgrado e Pristina no
quadro de negociações de adesão com a Sérvia. No que se refere à antiga
República jugoslava da Macedónia, a manutenção de boas relações de vizinhança,
nomeadamente uma solução negociada e mutuamente aceitável sobre a questão da
designação do país, sob os auspícios das Nações Unidas, continua a ser
essencial e deve ser resolvida sem demora. A Comissão está disposta a facilitar
a criação do necessário impulso político na procura de soluções e a apoiar as
iniciativas nesse sentido. A reconciliação é
essencial para promover a estabilidade numa região que recentemente foi tão
afetada por conflitos. Os países da região, os Estados-Membros e a UE devem
envidar mais esforços para apoiar a criação, no Sudeste da Europa, de um ambiente
que permita ultrapassar a herança do passado, minimizando assim os riscos de
uma instrumentalização política dos problemas bilaterais em aberto. A Comissão
sublinha a importância da declaração da Croácia relativa à promoção dos valores
europeus na Europa do Sudeste. É louvável que a Croácia esteja disposta a pôr
ao serviço dos seus vizinhos que estão na via da adesão à UE a sua posição
única de primeiro Estado-Membro da UE gravemente afetado pelos conflitos da
década de 90 para dar-lhes dar apoio político e técnico. A Comissão está
disposta a facilitar este apoio em especial através do instrumento TAIEX. A cooperação regional continuou no
âmbito de fóruns regionais como a Comunidade da Energia, o Espaço de Aviação
Comum Europeu, a Zona de Comércio Livre da Europa Central (CEFTA) e a Escola
Regional de Administração Pública. O Conselho de Cooperação Regional continua a
desenvolver o seu papel enquanto plataforma para a promoção de questões
importantes para toda a região e para o seu futuro na UE, continuando assim a
integrar a cooperação regional na agenda política dos países. A proposta do
Montenegro a favor de uma «iniciativa dos Seis dos Balcãs Ocidentais» (reunindo
a Albânia, a Bósnia-Herzegovina, a antiga República jugoslava da Macedónia, o
Kosovo, o Montenegro e a Sérvia) é um passo construtivo, com base na
experiência positiva dos «Quatro de Visegrado». É importante que estas
iniciativas sejam complementares e apresentem um valor acrescentado
relativamente às disposições atuais, e sejam assumidas e geridas a nível
regional. Uma
participação ativa na estratégia relativa ao Danúbio e à futura estratégia
macrorregional adriática-jónica pode também apoiar o desenvolvimento económico
e social e promover a integração na UE. Para
apoiar os esforços envidados para responder a estes desafios, a Comissão irá: - incentivar o
desenvolvimento de uma rede de acordos bilaterais entre os países que assinaram
Acordos de Estabilização e de Associação, a fim de constituir um enquadramento
que permita um diálogo reforçado sobre as questões principais; - continuar a
oferecer um apoio político e agir enquanto elemento facilitador junto de todos
os países em causa, de modo a encontrar soluções para as questões bilaterais
tão rapidamente quanto possível e continuar a apoiar ativamente os esforços de
outras instâncias para encontrar soluções. No período de 2007-2013,
a Comissão concedeu uma assistência de pré-adesão importante para financiar
projetos e iniciativas de apoio à reconciliação e, de um modo mais geral, à
cooperação regional e transfronteiriça. No quadro do IPA II, a reconciliação
será um tema crucial e a Comissão continuará a apoiar iniciativas que visem
resolver os problemas em suspenso desde a guerra (processo de Sarajevo, rede de
procuradores encarregados dos crimes de guerra, processo «Verdade e
reconciliação» (RECOM). A cooperação será igualmente incentivada e apoiada em
domínios como a educação, a ciência, a cultura, os meios de comunicação social,
a juventude e o desporto. A Comissão continuará a apoiar iniciativas regionais,
tais como o Conselho de Cooperação Regional e a Escola Regional de
Administração Pública. Será importante assegurar uma grande coerência e o
alinhamento dos fundos entre programas nacionais e regionais e as estratégias
macrorregionais pertinentes. * * * III. Conclusões e recomendações Com base na análise que
precede e nas avaliações específicas por país que figuram em anexo, a Comissão
formula as seguintes conclusões e recomendações: I 1. Há
vinte anos, os Balcãs Ocidentais foram assolados por conflitos.
Ao mesmo tempo, a União Europeia acordou nas condições, designadas por «critérios
de Copenhaga», para a entrada de futuros Estados-Membros na UE. Dez anos
depois, na Cimeira de Salónica de 2003, os
Estados-Membros da UE proporcionaram a todos os países dos Balcãs Ocidentais, uma
perspetiva clara de adesão à UE, sob reserva do
cumprimento das condições necessárias, nomeadamente as condições do Processo de
Estabilização e de Associação (PEA). A Croácia cumpriu estas
condições e, em julho de 2013, a UE acolheu a Croácia como 28.º
Estado-Membro. A sua adesão é a prova da capacidade de transformação e do
efeito estabilizador do processo de alargamento. O acordo histórico concluído
entre a Sérvia e o Kosovo em abril constitui uma prova
suplementar do poder da perspetiva da UE e do seu papel na cura das profundas
cicatrizes históricas. Os critérios de
Copenhaga mantêm toda a sua atualidade, refletindo os valores
fundamentais
em que assenta a UE: a democracia, o Estado de direito, o respeito pelos
direitos fundamentais. Os desafios económicos que se colocam à UE sublinham
a importância dos critérios económicos e a necessidade de continuar a
consolidar a estabilidade económica e financeira e a incentivar o crescimento e
a competitividade nos países do alargamento. 2. O processo
de adesão é hoje mais rigoroso e abrangente do que no passado, refletindo a
evolução das políticas da UE, bem como os ensinamentos retirados dos anteriores
alargamentos. O processo assenta na condicionalidade rigorosa mas
justa, dependendo os progressos realizados no sentido da adesão das medidas
adotadas por cada país para cumprir os critérios estabelecidos. Este
aspeto é crucial para a credibilidade da política de alargamento e para
a criação de incentivos para os países do alargamento prosseguirem reformas de
grande envergadura. Uma lição essencial a retirar do passado é a importância de
abordar os elementos fundamentais em primeiro lugar.
3. O Estado
de direito encontra-se atualmente no cerne do processo de
alargamento. A nova abordagem, adotada pelo Conselho em dezembro de 2011,
significa que os países têm de abordar questões como a reforma judicial e a
luta contra a criminalidade organizada e a corrupção no início das negociações
de adesão. Tal permite dispor de um máximo de tempo para estabelecer um balanço
sólido em matéria de execução das reformas, de modo a assegurar que as reformas
estão profundamente enraizadas e são irreversíveis. Esta nova abordagem é um
elemento essencial do quadro de negociações para o Montenegro e moldará o
trabalho da Comissão com os outros países do alargamento. O processo de
liberalização do regime de vistos trouxe grandes vantagens para os cidadãos dos
Balcãs Ocidentais, tendo incentivado os países a implementarem reformas no
domínio do Estado de direito, bem como do controlo das fronteiras e da
migração. Os países têm de intensificar os esforços para consolidar as suas
reformas e aplicar medidas para evitar a utilização abusiva do regime de vistos
liberalizado. 4. A crise
económica mundial sublinhou a necessidade de todos os países reforçarem a sua
governação económica. Nenhum dos países dos Balcãs Ocidentais é ainda uma
economia de mercado viável, sendo todos afetados por uma taxa de desemprego
elevada, nomeadamente entre os jovens. É essencial que estes países
intensifiquem as reformas para alcançar um crescimento sustentável e dar
resposta aos desafios necessários para satisfazer os critérios económicos e
melhorar a competitividade. A Comissão apresentou
um certo número de propostas para apoiar este objetivo, incluindo a introdução
de estratégias de reforma económica nacionais e de planos de ação em matéria de
gestão das finanças públicas. A Comissão irá trabalhar com as principais
instituições financeiras internacionais a fim de apoiar as reformas conducentes
ao cumprimento dos critérios económicos. O quadro de investimento para os
Balcãs Ocidentais continuará a apoiar investimentos destinados a estimular o
emprego e o crescimento. Um ambiente mais propício a atrair investimentos
diretos estrangeiros é crucial. 5. A
atualidade em vários países do alargamento sublinhou a importância de reforçar
as instituições democráticas e de assegurar que os
processos democráticos são mais inclusivos. A Comissão incentiva e apoia
através de assistência financeira o reforço do papel da sociedade civil e de
plataformas de todos os partidos para a integração na UE. A Comissão promoverá
igualmente reformas eleitorais, legislativas e da administração pública, em
estreita cooperação com outras organizações internacionais nesses domínios. 6. A União Europeia
assenta em valores e princípios comuns, nomeadamente o respeito pelos direitos
fundamentais.
Todos os países dos Balcãs Ocidentais e a Turquia necessitam de realizar novas
reformas para assegurar que os princípios da liberdade de expressão e a
proteção dos direitos das minorias étnicas, incluindo os ciganos, são
respeitados na prática. São necessárias medidas mais rigorosas para proteger
outros grupos vulneráveis contra a
discriminação, nomeadamente em razão da orientação sexual. A Comissão irá
aumentar a prioridade dada a estas questões no processo de adesão, incluindo um
financiamento mais específico ao abrigo do IPA, bem como um reforço da
assistência de apoio à inclusão dos ciganos, através de um «mecanismo para os
ciganos». 7. A cooperação
regional
e as relações de boa vizinhança constituem
elementos essenciais do processo de estabilização e de associação. Os problemas
herdados de conflitos passados, entre os quais os crimes de guerra, o regresso
dos refugiados, o tratamento das minorias e a garantia de uma igualdade de
direitos entre todos os cidadãos, continuam a ser um desafio de envergadura
para a estabilidade dos Balcãs Ocidentais, e que devem ser resolvidos com
urgência. Para o efeito, a Comissão continuará a apoiar iniciativas destinadas
a ultrapassar a herança do passado. A cooperação regional deve continuar a ser
reforçada, inclusiva e ser assumida a nível regional. A Comissão apoia
plenamente os trabalhos do Processo de Cooperação da Europa do Sudeste (SEECP)
e do Conselho de Cooperação Regional, incluindo a estratégia regional 2020. 8. É
necessário um esforço renovado para resolver os diferendos
bilaterais tanto
entre os países do alargamento como com os atuais
Estados-Membros. Os problemas bilaterais devem ser abordados pelas partes em
causa, o mais rapidamente possível, e não devem bloquear o processo de adesão.
A Comissão insta as partes a fazer todos os possíveis para resolver os litígios
pendentes, em conformidade com os princípios e os meios estabelecidos. O
contexto das negociações de adesão pode gerar um impulso político a favor da
resolução dos litígios. A Comissão continuará a oferecer um apoio político e a
agir enquanto elemento facilitador junto de todos os países em causa, de modo a
encontrar soluções para as questões bilaterais tão rapidamente quanto possível
e continuará a apoiar ativamente os esforços de outras instâncias para
encontrar soluções. A Comissão incentivará o desenvolvimento de uma rede de
acordos bilaterais entre os países que são partes em Acordos de Estabilização e
de Associação, a fim de constituir um enquadramento que permita um diálogo
reforçado sobre as questões essenciais. 9. 2014
assinala o lançamento do segundo Instrumento de
Assistência de Pré-Adesão para o período até 2020. No quadro do IPA II, a
UE continuará a prestar apoio substancial aos países do alargamento nos seus
preparativos para a adesão e apoiará igualmente a cooperação regional e
transfronteiriça. A tónica será colocada nos domínios de interesse comum com um
número mais reduzido de prioridades e projetos de maior dimensão. Os principais
desafios com que se deparam os países serão abordados de uma forma mais
estratégica e coerente, propondo inovações, nomeadamente uma abordagem
setorial, incentivos para um melhor desempenho, um maior apoio orçamental e uma
maior ênfase na obtenção de resultados mensuráveis. Para ajudar a dar resposta
às elevadas necessidades de investimento e criar crescimento e emprego, a
Comissão reforçará a cooperação com as instituições financeiras internacionais
(IFI), a fim de que os fundos do IPA possam igualmente mobilizar capital
privado através de instrumentos financeiros inovadores. 10. A
política de alargamento depende do apoio dos cidadãos da UE. É essencial que os
Estados-Membros, juntamente com as instituições da UE, realizem um debate
informado sobre o impacto político, económico e social da política de
alargamento. Desempenham um papel essencial, fornecendo aos cidadãos
informações factuais sobre a política de alargamento e, ao fazê-lo,
informam-nos dos seus benefícios, nomeadamente do seu contributo essencial para
a paz, a segurança e a prosperidade, e dão resposta a quaisquer preocupações
que eventualmente tenham. II 11. Montenegro: o lançamento de
negociações de adesão, no ano passado, marcou o início de uma nova fase para o
Montenegro na sua via de aproximação à UE. As reformas políticas profundas e
duradouras necessárias para aplicar a nova abordagem relativa ao
capítulo 23 «Sistema judicial e direitos fundamentais» e ao capítulo 24
«Justiça, liberdade e segurança» exigirão uma forte vontade política e um
reforço da capacidade administrativa. O processo de adesão deve ser inclusivo
com uma acentuada participação da sociedade civil em todo o processo. O
Montenegro adotou planos de ação pormenorizados que incluem um amplo programa
de reformas conducente ao reforço do Estado de direito. A execução desses
planos e os progressos verificados no cumprimento dos parâmetros de referência
intercalares relativos a estes capítulos determinarão o ritmo global das
negociações de adesão. A este respeito, a aplicação das alterações
constitucionais de julho, que reforçam a independência do poder judicial, e a
realização de novos progressos no que diz respeito à luta contra a
criminalidade organizada e a corrupção, nomeadamente de alto nível, são
essenciais. A reforma da
administração pública constitui uma prioridade para garantir que o Montenegro
dispõe da capacidade para aplicar o acervo, combater a politização e aumentar a
transparência e o profissionalismo da função pública. A atualidade nos últimos
meses, em especial no que se refere à alegada utilização de fundos públicos
para partidos políticos, salientou a importância de reforçar a confiança dos
cidadãos nas instituições públicas. Neste contexto, é importante assegurar que
os inquéritos são concluídos de forma minuciosa e rápida e que são tomadas
medidas adequadas. Afigura-se igualmente necessário um acompanhamento adequado
dos trabalhos do grupo parlamentar encarregado do processo eleitoral. A liberdade
de expressão deve ser reforçada, nomeadamente através da realização de
investigações adequadas sobre todos os casos de violência e ameaças contra
jornalistas e intentando ações contra os autores dos crimes. No domínio
económico, melhorar o enquadramento empresarial e combater o elevado nível de
desemprego são questões essenciais. A reestruturação do produtor de alumínio
KAP é agora urgente. 12. Sérvia: 2013 constituiu
um ano histórico para a Sérvia na sua via de aproximação à União Europeia. A
decisão do Conselho Europeu de junho que autorizou a abertura das negociações
de adesão marca o início de uma nova fase importante nas relações da Sérvia com
a União Europeia. Trata-se de um reconhecimento dos progressos realizados em
relação às reformas essenciais e aos esforços consideráveis desenvolvidos pela
Sérvia no sentido da normalização das suas relações com o Kosovo. O Acordo de
Estabilização e de Associação entrou em vigor em setembro. A Sérvia trabalhou de
forma ativa e construtiva no sentido de uma melhoria visível e sustentável das
relações com o Kosovo. Em abril, a sua participação no diálogo organizado sob a
égide da UE deu origem ao «primeiro acordo de princípio que rege a normalização
das relações» com o Kosovo (a seguir denominado «o primeiro acordo»), que
representa uma etapa histórica e que foi complementado, em maio, por um plano
de execução. Prosseguiu a sua aplicação, tendo já dado origem a uma série de
mudanças irreversíveis no terreno. As partes chegaram também a acordo em
matéria de energia e telecomunicações. A Sérvia deve continuar a estar
plenamente empenhada na normalização das relações com o Kosovo e na execução de
todos os acordos concluídos no diálogo. A Comissão começou o exame analítico
do acervo, em setembro, e aguarda com expectativa a primeira Conferência
Intergovernamental sobre a adesão da Sérvia em janeiro de 2014, o mais tardar,
logo que o Conselho tiver adotado o quadro de negociação. Nesta nova fase,
exigente, a Sérvia deve prestar especial atenção aos domínios essenciais do
Estado de direito, nomeadamente a reforma do sistema judicial, a luta contra a
corrupção e a criminalidade organizada, a reforma da administração pública, a
independência de instituições fundamentais, a liberdade de imprensa, a luta
contra as discriminações e a proteção das minorias. A estratégia em favor dos
ciganos deve ser aplicada pró-ativamente. A Sérvia necessita de continuar a
melhorar o enquadramento empresarial e a desenvolver um setor privado
competitivo. A luta contra o nível elevado de desemprego é também essencial. A
Sérvia deve aproveitar a contribuição positiva dada à cooperação regional no
ano passado, que incluiu a intensificação dos seus contactos de alto nível com
os países vizinhos. 13. A
antiga República jugoslava da Macedónia: a crise política que se
seguiu aos acontecimentos ocorridos no Parlamento no final do ano passado expôs
profundas divisões entre os partidos políticos, que afetam o funcionamento do
parlamento e demonstraram a necessidade de uma política construtiva de interesse
nacional. A continuação da implementação do acordo político de 1 de março é
fundamental. A agenda da UE continua a ser a prioridade estratégica do país. O
diálogo de alto nível relativo à adesão tem contribuído para os progressos na
maioria dos domínios prioritários, nomeadamente a eliminação progressiva do
número de processos em atraso e os progressos na luta contra a corrupção. O
país atingiu já um nível de alinhamento elevado na fase do processo de adesão
em que se encontra e realizou novos progressos na melhoria da sua capacidade
para assumir as obrigações decorrentes da adesão. A prioridade de reformas
para o próximo ano deve ser a aplicação e a execução eficazes dos atuais
quadros políticos e jurídicos. Deve ser dada especial atenção ao Estado de direito,
nomeadamente à independência do poder judicial, e à obtenção de novos
resultados em matéria de luta contra a corrupção e a criminalidade organizada.
A liberdade de expressão e a situação dos meios de comunicação social, em
geral, também continuam a ser questões preocupantes. A revisão do Acordo-Quadro
de Ohrid, particularmente importante para as relações interétnicas, deve
ser concluída e as suas recomendações implementadas. A estratégia em favor dos
ciganos deve ser aplicada pró-ativamente. A eliminação da distinção entre o
Estado e os partidos deve ser abordada, tal como salientado pelo OSCE/ODIHR no
contexto eleitoral. O país deve combater a elevada taxa de desemprego e
reforçar a gestão das finanças públicas. A Comissão considera que
os critérios políticos continuam a ser cumpridos de forma satisfatória e
recomenda a abertura das negociações de adesão. A passagem para as etapas
seguintes do processo de alargamento, mais exigentes, é essencial para
consolidar e incentivar novas reformas, bem como para reforçar as relações
interétnicas. O diálogo de alto nível relativo à adesão constitui um
instrumento útil, que continuará centrado nas questões essenciais, nomeadamente
as relações de boa vizinhança, mas não pode substituir as negociações de adesão.
A Comissão continua
convencida de que uma decisão de abertura de negociações de adesão contribuiria
para criar as condições propícias para melhorar as relações de boa vizinhança
no seu conjunto e, em especial, para encontrar uma solução mutuamente aceitável
para o problema da designação do país, o que a Comissão considera essencial.
Após quase duas décadas, todas as partes no processo da ONU devem demonstrar um
forte compromisso político para chegar finalmente a uma solução, com o
empenhamento ativo da comunidade internacional. Esta é a quinta vez que
a Comissão recomenda a abertura das negociações de adesão com este país. Até
agora, o Conselho não tomou qualquer decisão. Não dar sequência a esta
recomendação constitui potencialmente um grave problema para a antiga República
jugoslava da Macedónia e para a UE. Esta situação põe em causa a credibilidade
do processo de alargamento, que tem por base a condicionalidade clara e o
princípio dos méritos próprios. A falta de uma perspetiva europeia credível
coloca em risco a sustentabilidade dos esforços de reforma do país. A convite do Conselho
Europeu, a Comissão reitera a sua intenção de apresentar sem demora uma
proposta de quadro de negociação, que tome em consideração a necessidade de
resolver a questão da designação do país numa fase precoce das negociações de
adesão, e procederá ao exame analítico do acervo da UE, começando pelos
capítulos consagrados ao sistema judicial e aos direitos fundamentais, bem como
à justiça, liberdade e segurança. A Comissão considera que, se o exame
analítico e os debates do Conselho sobre o quadro de negociação estivessem em
curso, poderia ser criada a dinâmica necessária, o que permitiria encontrar uma
solução negociada e mutuamente aceitável para a questão da designação do país,
mesmo antes da abertura dos capítulos de negociação. A aplicação da nova
abordagem adotada para os capítulos 23 e 24 também à antiga República
jugoslava da Macedónia poderia proporcionar as ferramentas necessárias para
abordar as questões mais importantes que preocupam igualmente os
Estados-Membros e contribuiria para a sustentabilidade das reformas. Antes do décimo
aniversário da entrada em vigor do AEA, em abril de 2004, a Comissão convida o
Conselho, pela quinta vez, a adotar a sua proposta de 2009 de passar à segunda
fase da associação, em conformidade com as disposições pertinentes do AEA, que
preveem que a associação estará plenamente concluída no final de um período
transitório de um máximo de dez anos. 14. Albânia: Em outubro
último, a Comissão recomendou que o Conselho concedesse à Albânia o estatuto de
país candidato, sob reserva de que tenham sido tomadas medidas essenciais nos
domínios do poder judicial e da reforma da administração pública, bem como da
revisão do regimento parlamentar. Em dezembro de 2012, com vista a decidir
sobre a concessão do estatuto de candidato, o Conselho convidou a Comissão a
apresentar um relatório logo que os progressos necessários tivessem sido
realizados, tendo em conta também outras medidas tomadas pela Albânia na luta
contra a corrupção e a criminalidade organizada, nomeadamente através de
investigações proativas e da instauração de ações nesses casos. Relativamente a
este aspeto, a Albânia adotou as medidas essenciais restantes no que diz
respeito à reforma do sistema judicial, da administração pública e do poder
legislativo, que foram objeto de consenso entre os partidos. A missão
internacional de observação eleitoral liderada pela OSCE/ODIHR considerou que
as eleições legislativas de junho tinham sido abertas e se caracterizaram por
uma participação ativa dos cidadãos ao longo da campanha e por um verdadeiro
respeito pelas liberdades fundamentais. Na luta contra a corrupção e a
criminalidade organizada, a Albânia tomou uma primeira série de medidas no
sentido de melhorar a eficácia das investigações e da ação penal e de reforçar
a cooperação entre os organismos de aplicação da lei. O número de condenações
em casos de corrupção e branqueamento de capitais tem aumentado, tal como o
número de investigações sobre o tráfico de seres humanos e de droga. Todas as recentes
recomendações do Conselho da Europa em matéria de financiamento dos partidos
políticos e das disposições jurídicas relativas à corrupção foram
satisfatoriamente cumpridas. O novo governo da Albânia assumiu um firme
compromisso de luta contra a corrupção e deu prioridade a esta questão no seu
programa. Em virtude da
Albânia ter realizado os necessários progressos, a Comissão recomenda que o
Conselho conceda à Albânia o estatuto de país candidato, entendendo-se que a
Albânia continua a tomar medidas no domínio da luta contra a criminalidade
organizada e a corrupção. Na sequência do
parecer da Comissão de 2010, a Albânia deve dar resposta às seguintes
prioridades essenciais para permitir a abertura das negociações de adesão: 1. Continuar
a aplicar a reforma da administração pública, com vista a reforçar o
profissionalismo e a despolitização da administração pública; 2. Tomar
medidas suplementares para reforçar a independência, a eficiência e a
responsabilização das instituições judiciais; 3. Continuar
a envidar esforços redobrados na luta contra a corrupção, nomeadamente para a
obtenção de resultados concretos em matéria de investigações proativas, de
instauração de ações penais e de condenações; 4. Continuar
a envidar esforços redobrados na luta contra a criminalidade organizada,
nomeadamente para a obtenção de resultados concretos em matéria de
investigações proativas, de instauração de ações penais e de condenações; 5. Tomar
medidas eficazes para reforçar a proteção dos direitos humanos, nomeadamente os
direitos dos ciganos e as políticas de luta contra a discriminação, bem como a
aplicação dos direitos de propriedade. A Comissão está
pronta a apoiar os esforços envidados pela Albânia para a realização destas
prioridades fundamentais, empenhando-se num diálogo de alto nível com o país. O diálogo
construtivo e sustentável entre o governo e a oposição sobre as reformas
relativas à UE será essencial para garantir o futuro da Albânia na UE. O
empenhamento construtivo da Albânia na cooperação regional continua a ser
fundamental. 15. O processo de
integração europeia está numa situação de impasse na Bósnia‑Herzegovina. O país tem de
aplicar sem demora o acórdão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem no processo
Sejdic-Finci a fim de avançar rumo à adesão à UE. Tomar este acórdão em
consideração é crucial não só para o país progredir rumo à adesão à UE, mas
também para a legitimidade e a credibilidade da Presidência e da Assembleia dos
Povos da Bósnia-Herzegovina que devem ser eleitos em 2014. A Bósnia-Herzegovina
deve também urgentemente estabelecer um mecanismo de coordenação em matéria de
assuntos europeus, a fim de poder exprimir-se a uma só voz sobre a agenda da
UE. Sem o consenso
necessário para avançar rumo à adesão à UE, existe um forte risco de que a
assistência de pré-adesão não produza os resultados esperados. Dado que ainda
não foi encontrada uma solução sobre a aplicação do acórdão Sejdic-Finci e que
o mecanismo de coordenação da UE não foi criado, não é possível manter o mesmo
nível de fundos de pré-adesão da UE. A Comissão decidiu adiar
as discussões sobre o IPA II até que o país retome a trajetória do processo de
integração na UE. Na ausência de progressos concretos, a Bósnia-Herzegovina
arrisca-se a perder importantes fundos IPA. A UE está firmemente
empenhada em apoiar a Bósnia-Herzegovina e os seus cidadãos a realizarem os
seus sonhos e as suas ambições de progressos na via da adesão à UE. A
continuação desses progressos depende da capacidade de os líderes políticos
trabalharem em conjunto e chegarem a um compromisso que desbloqueie o processo
de adesão à UE. Um compromisso desse tipo permitirá renovar a confiança dos
cidadãos na capacidade dos seus líderes para obterem resultados rumo à integração
europeia. Tal abrirá o caminho à entrada em vigor do Acordo de Estabilização e
de Associação e, em seguida, a um pedido de adesão credível. Embora se tenham
registado progressos limitados no que diz respeito à reforma global do sistema
judicial, está a ser executado um certo número de recomendações formuladas pela
Comissão no quadro do diálogo estruturado sobre a justiça. Este diálogo mostra
o potencial da agenda de alargamento e os benefícios de um compromisso efetivo.
Foram igualmente realizados alguns progressos em matéria de redução dos atrasos
no tratamento dos processos de crimes de guerra. Preparativos exaustivos a
todos os níveis, com o apoio da UE e de outras organizações internacionais,
também tornaram possível a realização do recenseamento há muito aguardado. No
entanto, o país vê-se confrontado com importantes desafios. O Estado de
direito, nomeadamente a reforma judicial e a luta contra a corrupção e a
criminalidade organizada, a reforma da administração pública, a liberdade de
expressão, nomeadamente as medidas destinadas a pôr termo à intimidação de
jornalistas, e a luta contra a discriminação, nomeadamente em relação aos
ciganos, devem ser objeto de especial atenção. É necessário aprofundar as
reformas económicas para melhorar as deficiências do ambiente empresarial e
criar um espaço económico único no país. Após a adesão da
Croácia, a Comissão considera inaceitável que a Bósnia-Herzegovina se tenha até
à data recusado a adaptar o Acordo Provisório/Acordo de Estabilização e
Associação a fim de ter em conta o seu comércio tradicional com a Croácia. A
Comissão convida a Bósnia-Herzegovina a rever a sua posição com urgência, a fim
de que uma adaptação baseada na ponderação dos fluxos comerciais tradicionais
possa ser finalizada o mais rapidamente possível. 16. Kosovo: 2013 constituiu
um ano histórico para o Kosovo na sua via de aproximação à União Europeia. As
decisões do Conselho de junho, que autorizam a abertura de negociações com
vista à conclusão de um Acordo de Estabilização e de Associação (AEA), marcam o
início de uma nova fase importante nas relações entre a UE e o Kosovo. Trata-se
de um reconhecimento dos progressos realizados em relação às reformas
essenciais e dos esforços consideráveis desenvolvidos pelo Kosovo no sentido da
normalização das suas relações com a Sérvia. A abertura formal das negociações
sobre o acordo terá lugar este mês. A Comissão pretende concluir estas
negociações na primavera de 2014, rubricar o projeto de acordo no verão e,
posteriormente, apresentar ao Conselho as propostas para assinatura e conclusão
do acordo. O Kosovo trabalhou de
forma ativa e construtiva no sentido de uma melhoria visível e sustentável das
relações com a Sérvia. Em abril, a sua participação no diálogo organizado sob a
égide da UE deu origem ao «primeiro acordo de
princípio que rege a normalização das relações» com a Sérvia (a
seguir denominado «o primeiro acordo»), que representa uma etapa histórica e
que foi complementado, em maio, por um plano de execução. Prosseguiu a sua
aplicação, tendo já dado origem a uma série de mudanças irreversíveis no
terreno. As partes chegaram também a acordo em matéria de energia e
telecomunicações. O Kosovo deve continuar a estar plenamente empenhado na
prossecução da normalização das relações com a Sérvia e na aplicação de todos
os acordos concluídos no diálogo. A Comissão fornecerá fundos IPA suplementares
para facilitar a aplicação do acordo de abril nas comunidades em causa. O Estado de direito
continua a ser uma prioridade fundamental para o Kosovo. É também uma pedra
angular do processo de estabilização e associação de que o Kosovo é parte
integrante. O diálogo estruturado sobre o Estado de direito continuará, por
conseguinte, a apoiar e orientar o Kosovo neste domínio, nomeadamente nas
discussões sobre o futuro da Missão da União Europeia para o Estado de Direito
no Kosovo (EULEX). O Kosovo continua a tomar medidas para abordar as
prioridades definidas no roteiro sobre os vistos e a Comissão apresentará um
relatório relativamente a este aspeto no primeiro semestre de 2014. O Kosovo deve agora
concentrar-se na implementação das reformas, a fim de cumprir as suas
obrigações no âmbito de um futuro AEA. Deve ser dada uma atenção especial à
luta contra a criminalidade organizada e a corrupção, à prossecução da reforma
judicial e da administração pública, à garantia dos direitos das minorias,
nomeadamente os ciganos, e à resolução das questões ligadas ao comércio. O
Kosovo deve urgentemente abordar a questão do desemprego e as deficiências
estruturais que afetam o mercado de trabalho. Além disso, a Comissão
convida todas as pessoas com direito de voto a participarem nas próximas
eleições municipais de novembro. Esta é uma oportunidade importante para as
comunidades locais no norte do Kosovo fazerem valer os seus direitos
democráticos e participarem ativamente no desenvolvimento futuro do Kosovo. A
Comissão espera que as autoridades assegurem eleições abertas a todos e que
respeitem plenamente os princípios democráticos. 17. A
Turquia é um país candidato e um parceiro
estratégico para a União Europeia. A Turquia, pela sua dimensão e pelo
dinamismo da sua economia, é um importante parceiro comercial da UE e um
precioso elemento da sua competitividade graças à união aduaneira. A Turquia
possui uma localização estratégica, nomeadamente no domínio da segurança
energética e desempenha um papel importante na região. A Comissão sublinha a
importância da cooperação e do diálogo em curso sobre questões de política
externa. A agenda positiva, lançada em 2012, continua a apoiar e
complementar as negociações de adesão com a Turquia, mas não as substitui. Um
processo de adesão ativo e credível, no quadro do qual a UE continua a ser o
alicerce das reformas económicas e políticas da Turquia, constitui o melhor
meio de explorar plenamente o potencial das relações UE-Turquia. Uma
intensificação dos contactos de alto nível entre a Turquia, a UE e os seus
Estados-Membros continuaria a reforçar a cooperação. As reformas progrediram
significativamente nos últimos doze meses. O quarto pacote de reformas do
sistema judicial reforça a proteção dos direitos fundamentais, nomeadamente no
que diz respeito à liberdade de expressão e à luta contra a impunidade em casos
de tortura e de maus tratos. O governo iniciou um processo de paz histórico
destinado a acabar com o terrorismo e a violência no sudeste do país e abrindo
o caminho para uma solução da questão curda. As medidas de democratização
anunciadas e apresentadas em setembro de 2013 preveem novas reformas sobre uma
série de questões importantes, nomeadamente a utilização de línguas que não o
turco, os direitos das pessoas pertencentes a minorias e a redução dos limiares
de representação no parlamento, atualmente elevados, bem como o apoio
orçamental aos partidos políticos. A implementação destas medidas em cooperação
com as partes interessadas e em conformidade com as normas europeias é
fundamental. A comissão parlamentar de conciliação, constituída por
representantes de todos os partidos, criada para redigir uma nova Constituição,
chegou a um acordo sobre uma série de artigos. Com a adoção de uma lei
abrangente relativa aos estrangeiros e à proteção internacional foi dado um
importante passo no sentido de garantir uma proteção adequada dos requerentes
de asilo. Foi criado o cargo de Provedor de Justiça e encontra-se já a
trabalhar ativamente no sentido de desempenhar o seu papel. O debate público
sobre temas anteriormente considerados sensíveis aumentou. A Turquia forneceu
igualmente uma assistência humanitária vital a um grande número de sírios que
fogem do seu país. Entre outros desenvolvimentos positivos figura a ratificação
pela Turquia do acordo sobre o gasoduto transanatoliano que será ligado ao
gasoduto transadriático, transportando para a UE gás natural da região do Mar
Cáspio através da Turquia. A utilização excessiva
da força pela polícia e a ausência geral de diálogo durante os protestos de
maio/junho suscitaram sérias preocupações, sublinhando a urgente necessidade de
aprofundar as reformas, promover o diálogo em todo o espetro da ação política e
na sociedade em sentido mais lato, bem como de fazer respeitar os direitos
fundamentais na prática. Foi lançada uma série de inquéritos judiciais e
administrativos para esclarecer o comportamento da polícia durante as
manifestações. Estes inquéritos devem ser concluídos em conformidade com as
normas europeias, devendo os responsáveis responder pelos seus atos. O
Ministério do Interior emitiu duas circulares com vista a uma melhoria dos
procedimentos de intervenção policial durante as manifestações. É importante
prosseguir a elaboração de planos para criar um mecanismo de acompanhamento da
aplicação da lei, a fim de garantir a independência da supervisão do comportamento
da polícia. São necessárias outras alterações na ordem jurídica turca, especialmente
para reforçar a liberdade de expressão e de imprensa, bem como a liberdade de
reunião e de associação; a prática judiciária deve refletir sistematicamente as
normas europeias. O quarto pacote de reformas do sistema judicial deve ser
aplicado na íntegra. A vaga de protestos de junho reflete igualmente a reforma
democrática de grande envergadura realizada na última década no país e a
emergência de uma sociedade civil dinâmica e diversificada que deve ser
respeitada e consultada de forma mais sistemática a todos os níveis do processo
de tomada de decisões, independentemente de quem detiver a maioria no
parlamento. Todos estes
desenvolvimentos sublinham a importância do empenhamento da União Europeia e do
papel que deve continuar a desempenhar como referência para a Turquia em
matéria de reformas. Para este efeito, a dinâmica das negociações de adesão
deve ser relançada, respeitando os compromissos da UE e as condições
estabelecidas. A este respeito, a abertura do capítulo 22 consagrado à política
regional representa um passo importante; a Comissão aguarda com expectativa que
a CIG se realize com a maior brevidade possível. A Turquia fez progressos em
vários outros capítulos. A Turquia pode acelerar o ritmo das negociações
respeitando os critérios de referência, cumprindo as condições definidas no
quadro de negociação e honrando as suas obrigações contratuais para com a UE. Os progressos realizados
nas negociações de adesão e nas reformas políticas na Turquia são as duas faces
de uma mesma moeda. É do interesse tanto da Turquia como da UE que os critérios
de referência para a abertura do capítulo 23: «Sistema judiciário e
direitos fundamentais» e do capítulo 24: «Justiça, Liberdade e Segurança» sejam
acordados e comunicados à Turquia, o mais rapidamente possível, com vista a
permitir uma abertura rápida das negociações sobre estes dois capítulos, de
modo a reforçar o diálogo entre a UE e a Turquia em domínios de interesse mútuo
e vital para apoiar os esforços de reforma em curso. A assinatura do acordo de
readmissão UE-Turquia e o lançamento simultâneo do diálogo em matéria de vistos
para uma liberalização do regime de vistos dariam um novo impulso às relações
UE-Turquia e proporcionariam vantagens concretas para ambas as partes. É
importante que estes dois processos avancem e que a assinatura e a ratificação
do acordo de readmissão na Turquia sejam rapidamente concluídas. A prossecução
do reforço da cooperação UE-Turquia no domínio da energia, bem como os
progressos realizados nas negociações de adesão, facilitarão a interconexão e a
integração dos mercados da energia da UE e da Turquia. A Comissão sublinha
todos os direitos soberanos de que os Estados-Membros da UE beneficiam, entre
os quais figura o de concluir acordos bilaterais e o de prospetar e explorar os
seus recursos naturais, em conformidade com o acervo da UE e o
direito internacional, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito
do Mar. Em conformidade com as posições reiteradas do Conselho e da Comissão
nos últimos anos, é agora urgente que a Turquia satisfaça a obrigação que lhe
incumbe de aplicar plenamente o protocolo adicional e progrida na via da
normalização das relações com a República de Chipre. Tal poderia dar um novo
impulso ao processo de adesão, permitindo, em especial, a realização de
progressos sobre os oito capítulos abrangidos pelas conclusões do Conselho de
dezembro de 2006. A Comissão apela também para que se evite qualquer tipo de
ameaça, fonte de fricção ou ação suscetível de prejudicar as relações de boa
vizinhança e a resolução pacífica dos diferendos. O compromisso assumido pela
Turquia e o contributo em termos concretos para uma solução global para a
questão cipriota são cruciais. 18. No que
diz respeito à questão de Chipre, a Comissão espera que as comunidades
cipriota grega e cipriota turca reiniciem verdadeiras negociações tendo em
vista alcançar uma solução global sob os auspícios das Nações Unidas. A
Comissão espera que ambas as partes abordem rapidamente as questões de fundo,
com o objetivo de assegurar rapidamente o êxito do processo. Todas as partes
são encorajadas a contribuírem para a instauração de um clima positivo entre as
comunidades, através de medidas que beneficiam os cipriotas na sua vida
quotidiana, e a preparar a opinião pública para os compromissos necessários. A
Comissão considera que os benefícios da reunificação compensarão as concessões
que devem ser feitas para o efeito. Em especial, todos os cipriotas
beneficiariam plenamente da exploração dos recursos de hidrocarbonetos. A
Comissão está disposta a continuar a reforçar o seu apoio ao processo, se as
duas partes o solicitarem e se as Nações Unidas concordarem. 19. Islândia: A Islândia
tinha atingido uma fase avançada nas negociações de adesão quando o novo
governo decidiu suspender as negociações; o processo de adesão foi
interrompido. O governo declarou que iria proceder a uma avaliação do estado
das negociações até à data, bem como sobre a evolução da situação na União
Europeia, que será submetida ao parlamento islandês para discussão nos próximos
meses. A Comissão decidiu suspender os trabalhos preparatórios no que se refere
ao IPA II. De qualquer modo, a Islândia continua a ser um parceiro importante
para a UE. ANEXO Conclusões
relativamente ao Montenegro, à Sérvia, à antiga República jugoslava da
Macedónia, à Albânia, à Bósnia-Herzegovina, ao Kosovo, à Turquia e à Islândia Montenegro A abertura das
negociações de adesão com o Montenegro em junho de 2012 assinalou o início de
uma nova e importante fase para o Montenegro na sua via de aproximação à UE. As
reformas políticas profundas e duradouras necessárias para aplicar a nova
abordagem relativa ao capítulo 23 «Sistema judicial e direitos
fundamentais» e ao capítulo 24 «Justiça, liberdade e segurança» exigirão
uma forte vontade política e um reforço da capacidade administrativa. O
processo de adesão deve ser inclusivo com uma acentuada participação da
sociedade civil em todo o processo. Durante o período
abrangido pelo relatório, o Montenegro centrou-se na elaboração de planos de
ação globais que irão orientar o processo de reforma do país no domínio do
Estado de direito. Em junho, o governo adotou estes planos de ação, que
constituem os critérios de referência para a abertura dos capítulos 23 e
24. Na sequência da adoção dos planos de ação, a Comissão recomendou em agosto
a abertura desses capítulos e, em setembro, o Conselho convidou o Montenegro a
apresentar as suas posições de negociação. Os trabalhos progridem em
conformidade com a nova abordagem relativa a estes capítulos definida no quadro
das negociações com o Montenegro. As reuniões de exame
analítico relativamente a todos os capítulos de negociação foram concluídas no
final de junho de 2013. Até agora, as negociações relativas a dois capítulos
(ciência e investigação, educação e cultura) foram provisoriamente encerradas.
Foram fixados critérios de abertura em relação a seis capítulos (liberdade de
circulação de mercadorias; a liberdade de estabelecimento e a liberdade de
prestação de serviços; política da concorrência; a agricultura e o
desenvolvimento rural; a segurança alimentar, a política veterinária e
fitossanitária; política regional e coordenação dos instrumentos estruturais). A reforma da
administração pública constitui uma prioridade para garantir que o Montenegro
dispõe da capacidade para aplicar o acervo, combater a politização e aumentar a
transparência e o profissionalismo da função pública. A atualidade nos últimos
meses, em especial no que se refere à alegada utilização de fundos públicos
para partidos políticos, salientou a importância de reforçar a confiança dos
cidadãos nas instituições públicas. Neste contexto, é importante assegurar que
os inquéritos são concluídos de forma minuciosa e rápida e que são tomadas
medidas adequadas. Afigura-se igualmente necessário um acompanhamento adequado
dos trabalhos do grupo parlamentar encarregado do processo eleitoral. O
Montenegro deve também garantir um acompanhamento adequado das recomendações
formuladas pela OSCE e pelo ODIHR relativamente à sua legislação eleitoral, desde
há muito tempo, e estabelecer uma delimitação clara e amplamente aceite entre
os interesses públicos e os interesses partidários. O Montenegro continua a
respeitar suficientemente os critérios políticos para a adesão à UE. As
eleições legislativas e presidenciais de outubro de 2012 e abril de 2013,
respetivamente, não alteraram a prioridade estratégica dada pelo país ao
objetivo de uma adesão à UE. Embora estas eleições tenham sido consideradas
pela OSCE/ODIHR profissionais e eficientemente administradas, foram também
identificadas algumas deficiências. Não tendo a oposição reconhecido os
resultados da eleição presidencial, o maior grupo da oposição boicotou o
parlamento durante dois meses. O boicote terminou quando foi concluído um
acordo entre todos os partidos políticos de modo a formar duas instâncias
parlamentares encarregadas de investigar as alegações de utilização abusiva de
fundos públicos para fins eleitorais e de redigir recomendações para melhorar o
processo eleitoral. A comissão de inquérito parlamentar sobre as alegações de
desvios de fundos públicos concluiu os seus trabalhos em julho. O parlamento
não conseguiu chegar a acordo sobre conclusões que permitissem, nomeadamente,
estabelecer uma responsabilidade política, tendo-se limitado a elaborar um
relatório técnico. Há ainda que garantir um seguimento judicial. Um grupo de trabalho
sobre o reforço da confiança no processo eleitoral já adotou um projeto de lei
relativo a uma lista eleitoral única, a fim de substituir a lei relativa ao
recenseamento, bem como projetos de alterações à lei sobre bilhetes de
identidade. No
domínio do Estado de direito, o parlamento aprovou alterações à Constituição
relativas ao reforço da independência do poder judicial, há muito aguardadas,
que estão, de um modo geral, em conformidade com as recomendações da comissão
da Veneza. O Montenegro participa
ativamente em fóruns regionais e internacionais em matéria de cooperação
policial e judicial. Embora tenham sido proferidas algumas sentenças
relacionadas com o tráfico de droga, apenas um número reduzido de processos
diziam respeito a crimes como o tráfico de seres humanos e o branqueamento de
capitais. Algumas condenações em primeira instância em processos de
criminalidade organizada e de corrupção foram revogadas. A impunidade em
relação a casos de maus-tratos nas prisões continua a ser um grave problema. O Montenegro desempenhou
um papel de líder na promoção da cooperação regional, nomeadamente através da
sua proposta de «iniciativa dos Seis dos Balcãs Ocidentais». Quanto ao Tribunal
Penal Internacional, o acordo bilateral de
imunidade de 2007 entre o Montenegro e os Estados Unidos continua em vigor e
prevê derrogações à competência do Tribunal. É conveniente que o Montenegro se
alinhe pela posição da UE. No que diz respeito ao
futuro, o Montenegro deve assegurar o acompanhamento político e judicial das
alegações de desvio de fundos públicos para fins partidários. Deve igualmente
realizar com êxito os trabalhos do grupo parlamentar encarregado do processo
eleitoral, mediante a adoção de medidas legislativas e outras medidas para
alargar o apoio político e reforçar a confiança do público no processo
eleitoral e nas instituições do Estado. O reforço da confiança
do público no Estado está estreitamente ligado à prossecução do reforço do
Estado de direito. A aplicação eficaz e atempada dos planos de ação do
Montenegro nessas áreas desempenhará, por conseguinte, um papel primordial.
Deve ser prestada especial atenção às reformas destinadas a melhorar a
independência, a responsabilidade e o profissionalismo do sistema judicial,
através do reforço das medidas de proteção da integridade, bem como através de
nomeações de magistrados baseadas no mérito. A execução das alterações
constitucionais desempenharão um papel importante a este respeito. Em paralelo,
o Montenegro tem de desenvolver os seus resultados no que diz respeito às
investigações sistemáticas e à ação penal nos processos de corrupção e
criminalidade organizada, nomeadamente nos processos de alto nível, bem como no
que respeita à aplicação de sanções que sejam proporcionais à gravidade dos
crimes cometidos. A liberdade de expressão
deve ser reforçada, nomeadamente através da realização de investigações
adequadas sobre todos os casos de violência e ameaças contra jornalistas e
intentando ações contra os autores dos crimes. É necessária uma atenção
acrescida para remediar as lacunas no domínio da proteção dos direitos humanos
pelas autoridades judiciais e pelas autoridades responsáveis pela aplicação da
lei, em especial no que respeita aos grupos vulneráveis. Os ciganos são vítimas
de discriminação, especialmente em termos de direitos sociais e económicos, e
continuam a estar sub-representados a nível político. Os ativistas LGBT
(lésbicas, homossexuais, bissexuais, transexuais e transgénero) continuam a ser
vítimas de discriminação, os ataques são raramente comunicados e as
sanções previstas devem ser reforçadas. A adoção do plano de
reorganização do setor público e a entrada em vigor da nova lei sobre os
funcionários e os agentes do Estado constituem passos positivos. Um
recrutamento de funcionários equitativo e através de concurso constitui uma
condição prévia para o desenvolvimento de uma administração profissional. As
cartas de demissão não datadas são um motivo de preocupação e devem ser
devolvidas ao pessoal que as assinou. No que diz respeito aos critérios
económicos, o Montenegro realizou alguns progressos
suplementares na via de uma economia de mercado viável. O país deve, a médio
prazo, estar em condições de reencontrar a capacidade para resistir às pressões
concorrenciais e às forças de mercado no âmbito da União, desde que continue a
combater as atuais deficiências, através de políticas macroeconómicas e de
reformas estruturais adequadas. Após ter entrado em recessão
em 2012, o país saiu da recessão em 2013. A resiliência do turismo e do
investimento direto estrangeiro (IDE) juntamente com um aumento de exportações
de eletricidade apoiaram a recuperação, compensando a falta de dinamismo da
procura interna. O défice da balança de transações correntes está a diminuir,
mas continua a ser muito elevado. Em julho, o produtor de alumínio KAP entrou
em processo de falência, o que representa um risco para as finanças públicas,
atendendo à dimensão significativa dos passivos contingentes. A taxa de
desemprego permaneceu muito elevada. Após quatro anos de contração, o
crescimento do crédito tornou-se positivo, mas os níveis elevados de crédito
malparado continuam a pesar sobre a capitalização bancária e, por conseguinte,
sobre a oferta de crédito. Para enfrentar os atuais
desafios económicos e reduzir os desequilíbrios externos, o Montenegro tem de
reforçar a competitividade, melhorando a produtividade e atraindo mais IDE
noutros setores para além do turismo e do imobiliário. O estabelecimento de um
ambiente empresarial sólido continua a ser entravado pela debilidade do Estado
de direito e pela corrupção. A elevada taxa de desemprego impõe a redução do
fosso entre a oferta e a procura de mão de obra qualificada e uma fixação dos
salários mais independente, a nível das empresas. Exige também o reforço dos
serviços públicos de emprego a fim de aplicar as políticas de ativação e a
criação de um mercado de trabalho inclusivo e eficiente. As autoridades deviam
considerar objetivamente a viabilidade do conglomerado de alumínio em condições
de mercado e a melhor solução possível sem agravar a pressão sobre as finanças
públicas. A trajetória de consolidação orçamental deve prosseguir, incluindo
esforços para cobrar dívidas fiscais em atraso. O nível elevado de crédito
malparado continua a constituir uma fonte de preocupações e apela a um reforço
da supervisão bancária que implica um controlo do respeito das provisões
adequadas. O setor informal continua a constituir um grave problema. No que respeita à capacidade
para assumir as obrigações decorrentes da adesão à UE, o Montenegro
encontra-se em níveis variáveis de alinhamento. O reforço das capacidades
administrativas constitui um desafio de natureza transversal em muitos
domínios. Em capítulos como os contratos públicos, o direito das sociedades, a
legislação em matéria de propriedade intelectual, a sociedade da informação e
os meios de comunicação social, a fiscalidade, a política empresarial e
industrial, o Montenegro está suficientemente avançado, tendo permitido à
Comissão recomendar a abertura das negociações de adesão. Noutros domínios, como a
livre circulação das mercadorias; a liberdade de estabelecimento e a liberdade
de prestação de serviços; a agricultura e o desenvolvimento rural; a segurança
alimentar, a política veterinária e fitossanitária; e a política regional e a
coordenação dos instrumentos estruturais, foram fixados parâmetros de
referência iniciais – incluindo
frequentemente estratégias para o alinhamento com o acervo. Estes parâmetros de
referência deverão agora servir de orientação para o trabalho do Montenegro nos
próximos meses. No que diz respeito ao capítulo da política da concorrência, a
elaboração de um plano de reestruturação para o produtor de alumínio KAP é
particularmente urgente, a fim de que o Montenegro possa cumprir as suas
obrigações decorrentes do Acordo de Estabilização e de Associação. No domínio
do ambiente e das alterações climáticas, é necessário envidar esforços
consideráveis, nomeadamente um reforço do planeamento estratégico, para
assegurar o alinhamento pelo acervo e a sua aplicação. Sérvia 2013 constituiu um ano
histórico para a Sérvia na sua via de aproximação à União Europeia. A Sérvia
trabalhou de forma ativa e construtiva no sentido de uma melhoria visível e
sustentável das relações com o Kosovo. Em abril, a sua participação no diálogo
organizado sob a égide da UE deu origem ao «primeiro acordo
de princípio que rege a normalização das relações» (a seguir
denominado «o primeiro acordo»), que representa
uma etapa histórica e que foi complementado, em maio, por um
plano de execução. As duas partes acordaram, em especial, que nenhuma delas irá
bloquear ou incentivar os outros intervenientes a bloquear os progressos
realizados pela outra parte nos seus respetivos percursos rumo à UE. Tal
representa uma mudança fundamental nas relações entre as duas partes. Prosseguiu a
aplicação do primeiro acordo, tendo já dado origem a uma série de mudanças
irreversíveis no terreno. As partes concluíram acordos em matéria de energia e
telecomunicações. Registaram-se igualmente progressos na execução dos acordos
alcançados no diálogo técnico, tendo continuado a cooperação da Sérvia com a
EULEX a fim de melhorar num certo número de domínios. A Sérvia tem dinamizado
o ritmo das reformas e intensificou os contactos de alto nível com os países
vizinhos no sentido de assegurar um contributo positivo para a cooperação
regional.
A
Sérvia tomou algumas medidas para consolidar a sua situação orçamental e para
melhorar o ambiente das empresas. Prosseguiu o alinhamento da sua legislação pelos
requisitos da legislação da UE em muitos domínios, que são agora objeto de
supervisão no âmbito do plano nacional para a adoção do acervo, para o período
2013-2016. O Acordo de Estabilização e de Associação entre a União Europeia e a
Sérvia entrou em vigor em 1 de setembro. Em consequência dos
importantes progressos realizados, foi aberta uma nova fase nas relações entre
a Sérvia e a União Europeia. O Conselho Europeu decidiu iniciar as negociações
de adesão em 28 de junho, na sequência da recomendação da Comissão de 22 de
abril. A Comissão apresentou a sua proposta de quadro de negociações ao
Conselho em 22 de julho. A Comissão iniciou igualmente o exame analítico do acervo
da UE («screening»), em setembro. O quadro de negociação deve ser adotado pelo
Conselho o mais rapidamente possível e confirmado pelo Conselho Europeu, com o
objetivo de realização da primeira Conferência Intergovernamental sobre a
adesão da Sérvia em janeiro de 2014, o mais tardar. Nesta nova e exigente
fase das relações UE-Sérvia, a Sérvia terá de continuar a intensificar os seus
esforços no sentido de cumprir plenamente todos os critérios de adesão. Será
igualmente fundamental proceder a uma comunicação periódica dos benefícios e
das oportunidades que o processo de adesão cria para todos os cidadãos da
Sérvia até à adesão. Entre os principais
desafios que deve enfrentar, a Sérvia deve prestar especial atenção aos
domínios essenciais do Estado de direito, nomeadamente a reforma do sistema
judicial, a luta contra a corrupção e a criminalidade organizada, a reforma da
administração pública, a independência de instituições fundamentais, a
liberdade de imprensa, a luta contra as discriminações e a proteção das
minorias. A Sérvia deve continuar
a estar plenamente empenhada na normalização permanente das relações com o
Kosovo e na implementação de todos os acordos resultantes do diálogo,
nomeadamente cooperando, se for caso disso, com a EULEX. A Sérvia necessita
de concluir a implementação do primeiro acordo, em especial nos setores da
polícia, da justiça e das eleições autárquicas no Kosovo. É importante que a
Sérvia continue a incentivar uma ampla participação dos sérvios do Kosovo nas
próximas eleições locais no Kosovo. Resta assegurar a plena aplicação do
princípio de cooperação regional inclusiva, nomeadamente evitando problemas
como os que se verificaram aquando da cimeira do Processo de Cooperação da
Europa do Sudeste (PCESE). Espera-se que a Sérvia continue a contribuir
ativamente para a cooperação regional e a reconciliação. A Sérvia respeita
suficientemente os critérios políticos. O governo tem
prosseguido ativamente a agenda de integração na UE, o que demonstra um
consenso em termos de decisões políticas fundamentais e um reforço do processo
de consulta. O parlamento melhorou a transparência dos seus trabalhos, o
processo de consulta em matéria de legislação, bem como a sua supervisão do
executivo. No entanto, o parlamento ainda aplica frequentemente os procedimentos
de urgência, que limitam indevidamente o tempo e o debate para análise dos
projetos legislativos. A Sérvia tem vindo a
atribuir particular atenção à melhoria do Estado de direito, que será uma
questão fundamental, em conformidade com a nova abordagem sobre os
capítulos 23 (sistema judiciário e direitos fundamentais) e 24 (justiça,
liberdade e segurança). A Sérvia adotou novas estratégias abrangentes em
domínios essenciais como o sistema judicial, a luta contra a corrupção e a luta
contra a discriminação, na sequência de um vasto
processo de consulta. Adotou uma clara abordagem pró-ativa em matéria de
investigações no domínio da luta contra a corrupção, nomeadamente em processos
de alto nível. A cooperação regional e internacional produziu igualmente alguns
resultados em matéria de luta contra a criminalidade organizada. Foram lançadas
investigações penais num certo número de casos, mas as condenações definitivas
continuam a ser raras nestes domínios. A Sérvia manteve também uma plena
cooperação com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ). No que diz respeito à
liberdade de expressão, a difamação foi despenalizada. Em conformidade com os
seus compromissos anteriores sobre a inclusão dos ciganos, foram implementadas
medidas e adotado um novo plano de ação. O quadro jurídico para a proteção das
minorias continua a ser, de um modo geral, respeitado, mas a sua aplicação
coerente em toda a Sérvia deve ainda ser reforçada, em domínios como a
educação, a utilização de línguas, o acesso aos meios de comunicação e a
difusão de serviços religiosos em língua minoritária. Embora tenham sido
envidados esforços adicionais pelas autoridades e instituições independentes em
matéria de proteção de outros grupos vulneráveis, em particular da população
lésbica, homossexual, bissexual, transexual e transgénero (LGBTI), falta um
apoio político suficiente. Em particular, foi lamentável que a Gay Pride
tenha sido proibida pelo terceiro ano consecutivo por motivos de segurança;
esta foi uma oportunidade perdida para demonstrar respeito pelos direitos
fundamentais. Olhando para o futuro, a
Sérvia terá de prestar especial atenção ao reforço da independência de
instituições essenciais e, em especial, do aparelho judicial. O quadro
normativo e constitucional ainda deixa margem para uma influência política
indevida, em especial no que toca ao papel do parlamento em matéria de
nomeações e destituições dos magistrados. Novas reformas exigirão uma ampla
análise funcional do sistema judicial, em termos de custos, eficiência e acesso
à justiça. A Sérvia deve continuar a reforçar seriamente os seus resultados em
matéria de investigações, ações penais e condenações efetivas nos processos de
corrupção e criminalidade organizada. A aplicação das recentes alterações da
legislação sobre «abuso de funções» deve ser cuidadosamente acompanhada, com
vista a uma análise exaustiva dos crimes económicos. Deve ser criada uma
legislação eficaz para a proteção dos informadores. A aplicação efetiva das
estratégias e dos planos de ação nos domínios do sistema judicial e da luta
contra a corrupção constituirá um teste da preparação da Sérvia e da sua
vontade de avançar. Os documentos estratégicos poderão exigir ajustamentos na
sequência de um exame analítico. O governo deve
igualmente reforçar a sua orientação no domínio da reforma da administração
pública e continuar a desenvolver um sistema de função pública transparente e
assente no mérito. O quadro jurídico da função pública a nível local ainda não
foi devidamente aplicado e desenvolvido. A Sérvia deve prestar
maior atenção à liberdade dos meios de comunicação social e fazer avançar agora
a aplicação da estratégia de comunicação social que terá início com a adoção da
legislação esperada em matéria de informação do público e os meios de comunicação
social, dos organismos de radiodifusão de serviço público e das comunicações
eletrónicas. O financiamento estatal direto e o controlo dos meios de
comunicação social, bem como a sustentabilidade dos organismos de radiodifusão
de serviço público continuam a constituir questões fundamentais a abordar. O
plano de ação da estratégia de luta contra a discriminação tem de ser adotado e
implementado. As autoridades devem reforçar a proteção dos meios de comunicação
social, dos defensores dos direitos humanos e de outros grupos vulneráveis,
incluindo a população LGBTI, contra as ameaças e os ataques de grupos radicais.
Os recentes progressos realizados para melhorar a situação das minorias,
nomeadamente dos ciganos, devem ser progressivamente reforçados, nomeadamente
através de recursos financeiros adicionais. A questão da habitação e o acesso
aos documentos por parte dos ciganos carece de uma atenção permanente. É
necessário dar mais atenção a regiões que enfrentam graves condições
socioeconómicas, em especial no sul e leste da Sérvia. As eleições para os
conselhos nacionais das minorias em 2014 será uma boa ocasião para a Sérvia
reafirmar o seu empenho na proteção das minorias. O processo eleitoral terá de
ser cuidadosamente realizado, tendo em conta as anteriores recomendações de
instituições independentes. Será importante que a
Sérvia continue a dar um contributo ativo para a cooperação regional e a
desenvolver os seus laços com os países vizinhos, nomeadamente abordando as
questões bilaterais pendentes. No que diz respeito aos critérios
económicos,
a Sérvia realizou alguns progressos na via da criação de uma economia de
mercado viável. A Sérvia devia envidar esforços significativos para
reestruturar a sua economia a fim de poder fazer face, a médio prazo, às pressões
concorrenciais e às forças de mercado no âmbito da União. Em 2012, a Sérvia
atravessou outra recessão, tendo a economia registado uma contração de
1,7 %. Um forte crescimento das exportações atenuou os efeitos dos baixos
níveis de procura interna, tendo conduzido a uma recuperação moderada e
desigual no primeiro semestre de 2013. Foi realizada uma série de esforços de
consolidação orçamental sobretudo a nível das receitas. O processo de
reestruturação das empresas públicas foi reativado. Foram realizados alguns
progressos no que diz respeito à luta contra a corrupção e à melhoria dos
direitos de propriedade. O crescimento continua a
assentar numa base reduzida e os primeiros sinais de retoma económica em 2013
não tiveram repercussões no mercado de trabalho. O desemprego e o défice
orçamental permanecem muito elevados. A rigidez no mercado de trabalho persiste
e a criação de emprego sustentável constitui um desafio importante. Não foi
ainda adotado um programa de ajustamento orçamental credível a médio prazo. A
presença do Estado na economia é significativa e as empresas públicas
continuaram a acumular prejuízos importantes. A Sérvia necessita de continuar a
melhorar o enquadramento empresarial e deve envidar esforços consideráveis para
desenvolver um setor privado competitivo. O funcionamento dos mecanismos de
mercado é dificultado pela incerteza jurídica e pela corrupção. O setor
informal continua a constituir um grave problema. No que diz respeito à
sua capacidade para assumir as obrigações
decorrentes da adesão, a Sérvia prosseguiu o
alinhamento da sua legislação pelos requisitos da legislação da UE em muitos
domínios, tendo estes esforços sido apoiados pela adoção de um plano nacional
para a adoção do acervo. Foram registados progressos satisfatórios em matéria
de contratos públicos com a adoção de uma nova lei relativa aos contratos
públicos, que prevê a continuação do alinhamento com o acervo da UE e
inclui disposições melhoradas em matéria de prevenção da corrupção. A questão
da independência do Banco Central foi em parte resolvida com as alterações à
lei. Foram adotadas duas novas leis no domínio da contabilidade e auditoria das
sociedades, com vista a um maior alinhamento no domínio do direito das
sociedades. O quadro institucional da estratégia a favor das PME e o acesso
destas ao financiamento melhoraram. As medidas tomadas para melhorar o ambiente
empresarial, em especial no que diz respeito à avaliação do impacto da nova
legislação nas empresas, constituem uma evolução positiva. Os recenseamentos da
população e das explorações agrícolas foram finalizados com êxito. No entanto,
as alterações à lei relativa aos direitos de autor no que diz respeito à
cobrança e às isenções dos direitos constituem um retrocesso em matéria de
alinhamento pelo acervo da UE. No futuro, a Sérvia deve
redobrar os seus esforços para se alinhar pelo acervo da UE, com especial
atenção à aplicação efetiva da legislação adotada. Em especial, a Sérvia terá
de intensificar os esforços de alinhamento nos setores da água, gestão de resíduos,
qualidade do ar e proteção da natureza e tomar outras medidas conducentes à
abertura do mercado, à separação e a uma tarifação que reflita os custos no
setor da energia. É igualmente necessário envidar esforços suplementares nos
domínios do controlo dos auxílios estatais, em que deve ser mais clara a
independência da comissão em matéria de controlo dos auxílios estatais e
revogada a isenção das regras em matéria de auxílios estatais de que beneficiam
as empresas em vias de privatização. Os sistemas de proteção social, as
relações laborais e o diálogo social devem ser substancialmente reforçados,
nomeadamente a nível do diálogo social tripartido. A lei sobre as OGM deve ser
alinhada pela legislação da UE, a fim de permitir a adesão à OMC. São ainda necessários
esforços substanciais para desenvolver a gestão e o controlo das finanças
públicas com base no conceito subjacente de responsabilidade em matéria de
gestão, bem como para desenvolver capacidades de auditoria externa completas. O Acordo Provisório (AP)
do Acordo de Estabilização e de Associação (AEA) continuou a ser aplicado sem
problemas. Antiga República
jugoslava da Macedónia A antiga República
jugoslava da Macedónia foi o primeiro país a assinar um Acordo de Estabilização
e de Associação com a UE, em 2001. Há oito anos que obteve o estatuto de país
candidato, desde o parecer positivo da Comissão em novembro de 2005 e a decisão
tomada pelo Conselho em dezembro de 2005. Desde 2009, a Comissão considera que
o país cumpre suficientemente os critérios políticos e recomendou o início das
negociações de adesão. A Comissão recomendou também, desde 2009, o início da
segunda fase da associação, ao abrigo do Acordo de Estabilização e de
Associação. Até agora, o Conselho não tomou qualquer decisão. Vinte anos após a
entrada do país na Organização das Nações Unidas, uma solução para a questão da
designação do país deve ser encontrada sem demora. Na ausência do processo
de negociação, os principais fóruns de discussão e
acompanhamento das reformas são os organismos estabelecidos ao abrigo do AEA,
bem como o diálogo de alto nível relativo à adesão criado em 2012. O diálogo
tem contribuído para a realização de progressos na maioria dos domínios
prioritários. Os progressos realizados no âmbito do diálogo de alto nível
colocarão o país numa posição vantajosa aquando do início das negociações. No
entanto, não é, nem pode ser, um substituto da passagem para a abertura das
negociações de adesão. A crise política que se
seguiu aos acontecimentos ocorridos no parlamento no final do ano passado expôs
profundas divisões entre os partidos políticos, que afetam o funcionamento do
parlamento e demonstraram a necessidade de uma política construtiva no
interesse nacional. Aquando da adoção do orçamento de 2013, a expulsão do hemiciclo,
pela força, de deputados da oposição e de jornalistas, conduziu o principal
partido da oposição a boicotar o parlamento e a ameaçar efetuar um boicote às
eleições locais. O impasse político prolongado que se seguiu foi resolvido
através da aplicação do acordo político de 1 de março. Tal implicou o regresso
dos deputados da oposição ao parlamento, a participação nas eleições
autárquicas, a formulação por uma comissão de inquérito de recomendações para o
futuro, a assinatura de um memorando de entendimento entre todos os partidos
sobre os objetivos estratégicos euro-atlânticos do país e a prossecução dos
trabalhos sobre as reformas eleitorais. O relançamento do diálogo entre o
governo e os jornalistas continua pendente. O consenso sobre o relatório da
comissão de inquérito revelou que podem ser encontradas soluções construtivas,
com vontade política, através do diálogo e do compromisso. As recomendações da
comissão de inquérito devem ser aplicadas na íntegra. Globalmente, o país
continua a cumprir de forma satisfatória os critérios
políticos.
A OSCE/ODIHR considerou na sua avaliação que as eleições autárquicas realizadas
em março/abril de 2013 tinham sido organizadas de forma profissional e eficaz,
assinalando no entanto a ausência de uma distinção suficientemente clara entre
o Estado e os partidos e recomendando uma nova alteração da legislação
eleitoral. O país concluiu a maior parte das suas reformas judiciais entre 2004
e 2010. Foram realizados progressos suplementares este ano no domínio da eficiência
do sistema judicial. Registaram-se igualmente progressos com o estabelecimento
de dados exaustivos sobre os resultados em matéria de luta contra a corrupção,
que deverá prosseguir no futuro. No que diz respeito à liberdade de expressão,
o diálogo com os meios de comunicação social ficou bloqueado na sequência da
expulsão de jornalistas do parlamento, e apesar dos desenvolvimentos registados
a nível do quadro legislativo, a reputação do país em matéria de liberdade dos
meios de comunicação deteriorou-se. O encerramento de um certo número de meios
de comunicação social nos últimos anos também reduziu a diversidade de pontos
de vista diferentes acessível a todos os cidadãos. Dado que o país já
atingiu um elevado nível de alinhamento na fase do processo de adesão em que se
encontra, a prioridade para o próximo ano deve ser a aplicação e a execução
eficazes dos atuais quadros político e jurídico, à semelhança dos países já
envolvidos em negociações de adesão. No domínio do Estado de
direito, há que continuar a reforçar a independência e a competência dos
tribunais, dando mais ênfase à qualidade do sistema judicial para os cidadãos.
A corrupção continua a existir em várias áreas e a constituir um problema
grave. O país tem que demonstrar o impacto real das atuais medidas de luta
contra a corrupção e aplicar medidas eficazes de luta contra a criminalidade
organizada. Em matéria de liberdade de expressão, o elevado grau de polarização
dos meios de comunicação social, muitas vezes segundo critérios políticos, dificulta
a criação de uma informação objetiva, coloca pressão económica sobre os
jornalistas e os proprietários dos meios de comunicação (nomeadamente através
da utilização opaca de publicidade governamental) e promove o recurso a normas
profissionais pouco exigentes. O diálogo entre o governo e os representantes
dos meios de comunicação social deve ser restabelecido e deve produzir
resultados concretos em termos de mudança da cultura dos meios de comunicação
social, assim como o estabelecimento de um clima propício ao desenvolvimento da
confiança. As restantes recomendações do ODIHR devem ser plenamente aplicadas.
A estratégia em favor dos ciganos deve ser aplicada pró-ativamente. É
necessário adotar novas medidas para denunciar a intolerância observada, por
exemplo, em
relação à comunidade lésbica, homossexual, bissexual, transexual e transgénero (LGBTI).
É também urgente que a
revisão do Acordo-Quadro de Ohrid, particularmente
importante para as relações interétnicas e intracomunitárias, seja concluída e
as suas recomendações aplicadas. Este aspeto, bem como a continuação da
descentralização, um elemento fundamental do Acordo, contribuirá para a
estabilidade no país e para além das suas fronteiras. O país mantém, em geral,
boas relações com os outros países do alargamento e desempenha um papel ativo
na cooperação regional. Continua a ser
importante manter uma abordagem construtiva relativamente às relações com os
Estados-Membros da UE seus vizinhos e serem evitadas quaisquer ações ou
declarações suscetíveis de prejudicar as relações de boa vizinhança. No que respeita
aos critérios económicos, o país continua a
estar bastante avançado e, em alguns domínios, continuou a progredir na via da
criação de uma economia de mercado viável. O país deve estar em condições de
fazer face à pressão competitiva e às forças de mercado na União a médio prazo,
desde que aplique vigorosamente os seus programas de reforma, a fim de reduzir
as importantes deficiências estruturais. A atividade
económica estagnou em 2012, tendo-se perfilado um regresso ao crescimento no
primeiro semestre de 2013. Apesar de um contexto externo difícil, a
estabilidade macroeconómica foi preservada. O desemprego permanece muito
elevado, particularmente entre os jovens. O défice crescente e os níveis da dívida
pública aumentaram a vulnerabilidade do país. Devem ser
tomadas medidas para corrigir as causas subjacentes ao elevado desemprego, em
especial, a inadequação das qualificações. A sustentabilidade das finanças
públicas tem de ser reforçada. A política orçamental deve ser alinhada pelas
prioridades do país em matéria de reformas estruturais e centrada nas despesas
que promovem o crescimento. A introdução de um quadro orçamental e de um
planeamento estratégico a médio prazo contribuirá para reforçar a disciplina
orçamental. O país deve envidar esforços suplementares para aplicar uma gestão
eficiente das finanças públicas, a fim de garantir a utilização mais racional e
transparente possível dos recursos públicos e dos recursos da UE. Para garantir
mais investimentos do setor privado, são necessários esforços suplementares
para melhorar o ambiente empresarial, que é negativamente afetado pela
corrupção, bem como pela lentidão e pelo custo dos procedimentos de saída do
mercado. O setor informal continua a constituir um grave problema. O país desenvolveu uma
profunda e ampla cooperação com a UE em todos os domínios do acervo, tendo
atingido um grau elevado de alinhamento, a nível estratégico e institucional,
centrando-se atualmente na capacidade administrativa e nos mecanismos de
coordenação no âmbito da administração nacional para assegurar a sua
implementação eficaz. O Montenegro realizou progressos suplementares na
melhoria da sua capacidade para assumir as obrigações
decorrentes da adesão. O país continua a cumprir os compromissos
subscritos no Acordo de Estabilização e de Associação (AEA), antes do
décimo aniversário da sua entrada em vigor. No domínio do mercado
interno, o país atingiu um bom nível de alinhamento da legislação nos domínios
dos movimentos de capitais, dos serviços postais e do direito das sociedades.
No domínio da justiça e dos assuntos internos, o país está bem avançado nos
seus preparativos em matéria de política de vistos, fronteiras externas e
Schengen, e na cooperação policial. A nível da reforma da administração
pública, há que continuar a envidar esforços para aplicar os princípios de
transparência, mérito e representação equitativa. É necessário envidar esforços
suplementares, nomeadamente nos domínios da política regional, do ambiente e
das alterações climáticas, em que a execução dos projetos financiados pela UE
deve ser melhorada, bem como nos domínios da qualidade da água, do controlo da
poluição industrial e da gestão dos riscos. No domínio da política social e de
emprego, é necessário tomar medidas para criar um mercado de trabalho inclusivo
e eficiente. O controlo interno das finanças públicas deve ser reforçado e
desenvolvido em toda a administração pública. Globalmente, o país alcançou um
nível de alinhamento pelo acervo suficiente para
lhe permitir passar à fase seguinte do processo de adesão. Albânia Em outubro último, a
Comissão recomendou que o Conselho concedesse à Albânia o estatuto de país
candidato, sob reserva de que tenham sido tomadas medidas essenciais nos
domínios do poder judicial e da reforma da administração pública, bem como da
revisão do regimento parlamentar. Em dezembro de 2012, com vista a decidir
sobre a concessão do estatuto de candidato, o Conselho convidou a Comissão a
apresentar um relatório logo que os progressos necessários tivessem sido
realizados, tendo em conta também outras medidas tomadas pela Albânia na luta
contra a corrupção e a criminalidade organizada, nomeadamente através de
investigações proativas e da instauração de ações nesses casos. Relativamente a
este aspeto, a Albânia adotou as medidas essenciais restantes no que diz
respeito à reforma do sistema judicial, da administração pública e do poder
legislativo, que foram objeto de consenso entre os partidos. A missão
internacional de observação eleitoral liderada pela OSCE/ODIHR considerou que
as eleições legislativas de junho tinham sido abertas e se caracterizaram por
uma participação ativa dos cidadãos ao longo da campanha e por um verdadeiro
respeito pelas liberdades fundamentais. Na luta contra a corrupção e a
criminalidade organizada, a Albânia tomou uma primeira série de medidas no
sentido de melhorar a eficácia das investigações e da ação penal e de reforçar
a cooperação entre os organismos de aplicação da lei. O número de condenações em
casos de corrupção e branqueamento de capitais tem aumentado, tal como o número
de investigações sobre o tráfico de seres humanos e de droga. Todas as recentes
recomendações do Conselho da Europa em matéria de financiamento dos partidos
políticos e de disposições jurídicas relativas à corrupção foram
satisfatoriamente cumpridas. O novo governo da Albânia assumiu um firme
compromisso de luta contra a corrupção e deu prioridade a esta questão no seu
programa. Na sequência do parecer
da Comissão de 2010, a Albânia deve satisfazer as seguintes prioridades
essenciais para a abertura das negociações de adesão. A Albânia deve 1)
continuar a aplicar a reforma da administração pública, com vista a reforçar o
profissionalismo e a despolitização da administração pública; 2) tomar medidas
suplementares para reforçar a independência, a eficiência e a responsabilização
das instituições judiciais; 3) continuar a envidar esforços redobrados na luta
contra a corrupção, nomeadamente para a obtenção de resultados concretos em
matéria de investigações proativas, ações penais e condenações; 4) continuar a
envidar esforços redobrados na luta contra a criminalidade organizada,
nomeadamente para a obtenção de resultados concretos em matéria de
investigações proativas, ações penais e condenações; 5) tomar medidas eficazes
para reforçar a proteção dos direitos humanos, nomeadamente os direitos dos
ciganos e as políticas de luta contra a discriminação, bem como a aplicação dos
direitos de propriedade. O diálogo construtivo e
sustentável entre o governo e a oposição sobre as reformas relativas à UE será
essencial para garantir o futuro da Albânia na UE. O empenhamento construtivo
da Albânia na cooperação regional continua a ser fundamental. A Albânia continuou a
realizar progressos no que diz respeito aos critérios
políticos de adesão à UE. A maioria no poder e a oposição
cooperaram para adotar uma série de instrumentos jurídicos no parlamento. Esta
cooperação inclui a adoção da lei sobre a função pública, a lei sobre o Supremo
Tribunal e o regimento do parlamento, bem como um conjunto de alterações ao
Código Penal e ao Código de Processo Civil. Embora o processo
conducente às eleições legislativas de 23 de junho tenha sido marcado por
tensões, comprometendo, por vezes, o trabalho dos organismos da administração
eleitoral, as eleições foram abertas e realizaram-se globalmente de uma forma
ordenada, com uma taxa elevada de participação dos eleitores. A Albânia
continuou a registar progressos no que se refere à reforma da administração pública,
nomeadamente através da adoção da lei sobre a função pública. Foram tomadas novas
medidas para proceder à reforma do sistema judicial, incluindo a racionalização
do sistema judicial. A melhoria dos métodos de trabalho dos organismos de luta
contra a corrupção, um aumento das condenações e uma melhor cooperação
interinstitucional permitiram realizar alguns progressos na luta contra a
corrupção e obter os primeiros resultados concretos, que devem ser reforçados.
Um melhor acompanhamento e uma melhor transparência em domínios essenciais, como
o registo dos títulos de propriedade, as alfândegas, o ensino superior e a
saúde, atestam uma maior sensibilização para a prevenção. As recomendações do
Conselho da Europa em matéria de financiamento dos partidos políticos e as
disposições jurídicas relativas à corrupção foram seguidas. Todavia, a
corrupção continua a ser um problema particularmente grave, o que exigirá
determinação e esforços concertados no sentido da sua resolução. No que se
refere à criminalidade organizada, a cooperação policial internacional
melhorou, tal como o recurso à análise de ameaças; as apreensões de droga e de
ativos de origem criminosa aumentaram. As recomendações do Conselho da Europa
sobre a luta contra o branqueamento de capitais foram cumpridas. O Código Penal
foi objeto de importantes alterações no que se refere ao tráfico de seres
humanos e outras infrações graves. No domínio dos direitos
humanos, a liberdade de reunião e de associação, bem como a liberdade de
pensamento, de consciência e de religião, foram, de modo geral, respeitadas. No
domínio da luta contra a discriminação são de assinalar progressos, por
exemplo, através do plano de ação sobre os direitos das lésbicas,
homossexuais, bissexuais, transexuais e transgénero (LGBTI). No domínio da
liberdade de expressão, a lei sobre os meios de comunicação audiovisuais
melhorou substancialmente o quadro legislativo dos meios audiovisuais na
Albânia. Quanto ao futuro, a
Albânia deve acelerar a reforma do sistema judicial. A estrutura institucional
e jurídica do sistema judicial deve ser revista e reforçada. O país deve ainda
concluir ou adotar uma importante legislação indispensável para garantir a
independência, a transparência, a responsabilização e a eficiência do sistema
judicial, incluindo as alterações da Constituição destinadas a despolitizar as
nomeações para o Supremo Tribunal de Justiça. A legislação recentemente adotada
deve ser aplicada de forma eficaz com o pleno apoio dos responsáveis políticos
e dos profissionais forenses. Além disso, a Albânia
tem de prestar especial atenção à aplicação da reforma da administração
pública, em especial no que diz respeito às leis estruturais e aos atos
administrativos. A legislação derivada da nova lei sobre a função pública deve
ser adotada e implementada rapidamente. A continuidade da administração pública
tem de ser assegurada e o profissionalismo, a despolitização e a
responsabilização devem ser reforçados. Serão necessárias ações
específicas em matéria de luta contra a corrupção, incluindo através da
atribuição a um organismo de coordenação central da autoridade e capacidades
necessárias, bem como de um forte apoio político. As capacidades de prevenção e
de repressão e a independência dos organismos responsáveis pela aplicação da lei
devem ser reforçadas. O parlamento deve assegurar o acompanhamento adequado dos
relatórios das instituições independentes. É igualmente conveniente
melhorar os resultados em matéria de investigações e ações penais eficazes no
que se refere à criminalidade organizada, com base nos resultados iniciais. São
necessários esforços suplementares para concluir as alterações do Código de
Processo Penal e para desenvolver efetivamente a utilização da avaliação das
ameaças, o intercâmbio de informações e as investigações orientadas e
proativas. Uma abordagem mais proativa é igualmente necessária no que diz
respeito às investigações sobre os sinais de riqueza inexplicável e sobre as
suspeitas de branqueamento de capitais. No domínio dos direitos
humanos, a elaboração de uma nova legislação e a aplicação da legislação
existente devem ser prioritárias, com um destaque claro para os direitos das
pessoas com deficiência, os direitos das crianças e a inclusão dos ciganos. No
que diz respeito à liberdade de expressão, devem ser envidados esforços
suplementares para garantir plenamente a independência da entidade reguladora
dos meios de comunicação social. No que diz respeito aos critérios
económicos, a Albânia realizou alguns progressos
suplementares na via de uma economia de mercado viável. O país deverá estar em
condições de fazer face à pressão competitiva e às forças de mercado na União a
médio prazo, desde que acelere as suas reformas estruturais. A Albânia manteve a sua
estabilidade macroeconómica. O crescimento do PIB desacelerou, mas
permaneceu positivo, devido principalmente à procura externa. Uma inflação
baixa criou margem de manobra para a flexibilização da política monetária a fim
de estimular o crescimento, mas aguarda-se ainda a sua repercussão na economia
real, dado que o crescimento do crédito abrandou no meio de um elevado crédito
malparado com tendência para aumentar. O défice orçamental continua a ser
elevado e a dívida pública continuou a aumentar, o que conduziu a uma violação
e supressão do limite máximo da dívida legal de 60 % do PIB. Verificou-se
uma ligeira melhoria da situação no mercado de trabalho, mas a taxa de
desemprego permanece elevada. O défice da balança de transações correntes
diminuiu, mas continua a ser considerável. A economia mantém-se vulnerável
simultaneamente às deficiências estruturais nacionais e à instabilidade
económica mundial. A Albânia tem de
complementar as políticas orçamental e monetária orientadas para a estabilidade
através de reformas estruturais, a fim de assegurar um crescimento económico
sustentável a longo prazo. A Albânia terá de abordar a questão dos elevados
níveis de défice orçamental e da dívida pública e rever a sua tendência para
pensar a curto prazo. Além disso, será necessário melhorar a previsibilidade
orçamental, reduzindo a sobreavaliação recorrente das receitas e cobrando
impostos de forma mais eficiente. É essencial melhorar o enquadramento das
empresas e do investimento para a diversificação da economia e o reforço do seu
potencial de crescimento a longo prazo. Tal pode ser obtido, nomeadamente, com
o reforço do Estado de direito, a luta contra a corrupção e a resolução dos
pagamentos em atraso, bem como o desenvolvimento das infraestruturas e o
reforço do capital humano. O setor informal continua a constituir um grave
problema. O Acordo de
Estabilização e de Associação (AEA) continuou a ser globalmente aplicado sem
problemas e a Albânia prosseguiu o alinhamento da sua legislação pelos
requisitos da legislação da UE num certo número de domínios, o que reforçou a
sua capacidade para assumir
as
obrigações decorrentes da adesão. Verificaram-se melhorias em matéria de
contratos públicos, estatísticas, justiça, liberdade e segurança e alfândegas.
A Albânia deve realizar esforços suplementares para garantir a aplicação
efetiva dos direitos de propriedade intelectual e industrial, e prestar
especial atenção ao setor da energia, nomeadamente à diversificação das fontes
de energia, ao funcionamento do mercado da eletricidade, bem como às questões
de perdas de rede e de taxas reduzidas de cobrança das faturas. Deve igualmente
abordar com determinação a questão dos reembolsos do IVA, nomeadamente no que
se refere aos atuais atrasos, e reforçar a proteção ambiental, nomeadamente
através de investimentos sustentáveis no domínio da gestão dos resíduos e das
águas residuais. São necessários progressos suplementares nos domínios do
emprego e da política social. A capacidade administrativa e o profissionalismo
dos organismos responsáveis pela aplicação do acervo devem ser
reforçados e a independência dos organismos reguladores salvaguardada. Em
vários domínios do acervo, em particular os contratos públicos e o controlo
financeiro, é importante reforçar a transparência e a responsabilização. Bósnia-Herzegovina
Na
Bósnia-Herzegovina o processo de integração europeia está em ponto morto, ao
passo que outros países da região estão a avançar neste domínio. O Acordo de
Estabilização e de Associação (AEA) foi assinado em 2008, tendo o processo de
ratificação sido concluído em 2011. O AEA ainda não entrou em vigor porque o
país não cumpriu os restantes requisitos, nomeadamente envidar um esforço
credível para executar o acórdão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem
proferido no processo Sejdic-Finci no que se refere
à discriminação contra os cidadãos em razão da sua origem étnica. Por
conseguinte, as relações entre a UE e a Bósnia-Herzegovina ainda são regidas
pelo Acordo Provisório (AP) de 2008. Os representantes
políticos não partilham uma visão comum quanto às orientações gerais ou ao
futuro do país, nem quanto ao modo como deve funcionar. Não há qualquer diálogo
político a nível nacional sobre questões fundamentais como o processo de
integração na UE, nem foi estabelecida qualquer prioridade neste contexto. A
agenda da UE não tem sido uma prioridade para os representantes políticos do
país, não dando origem a qualquer progresso na sua perspetiva europeia. Os
interesses a curto prazo, de natureza partidária ou étnica, têm prevalecido
sobre uma política orientada para o futuro de forma a fixar a
Bósnia-Herzegovina na UE. O impasse político em que se encontra a Federação,
que dura há mais de um ano, tem um impacto negativo sobre a governação, tanto
na Federação como a nível estatal. Certos intervenientes políticos continuam a
questionar a unidade da Bósnia-Herzegovina enquanto Estado único. Os dois principais
compromissos do roteiro de 2012 para o pedido de adesão do país à UE,
nomeadamente a implementação efetiva do acórdão proferido no processo
Sejdic-Finci e a criação de um mecanismo de coordenação eficaz para as questões
europeias, não foram respeitados. A UE envidou intensos esforços de mediação
para ajudar os dirigentes políticos da Bósnia-Herzegovina a definir bases
comuns para a execução do acórdão Sejdic-Finci, mas não
conseguiram chegar a acordo sobre uma solução. Ter em conta este
acórdão não só é crucial para o país progredir rumo à adesão à UE, mas também
para a legitimidade e a credibilidade da Presidência e da Assembleia dos Povos
da Bósnia-Herzegovina, que deve ser eleita em
2014. Tal permitiria desbloquear o processo de adesão à UE, que é vital para a
evolução da Bósnia-Herzegovina e que poderia assim passar do estatuto de país
em situação de pós-conflito para o de Estado-Membro da UE no futuro.
Sem coragem e determinação políticas, a perspetiva europeia da
Bósnia-Herzegovina não se concretizará. Igualmente urgente e
importante é o estabelecimento de um mecanismo de coordenação em matéria de
assuntos europeus, entre os vários níveis de governo. Num país altamente
descentralizado, como a Bósnia-Herzegovina, um tal mecanismo é de importância
crucial para que o representante da Bósnia-Herzegovina possa falar em nome de
todo o país e possa comprometer o país quando interage com a UE. Cabe ao país
desenvolver urgentemente um mecanismo que satisfaça este requisito de base. Está a tornar-se cada
vez mais difícil justificar a concessão de fundos de pré-adesão a um país cujos
representantes políticos não estão dispostos a obter o consenso necessário para
avançar na via da pré-adesão. Sem consenso, existe um forte risco de que a
assistência de pré-adesão não produza os resultados esperados. Dado que ainda
não foi encontrada uma solução sobre a execução do acórdão Sejdic-Finci e que o
mecanismo de coordenação da UE ainda não foi criado, não é possível manter o
mesmo nível de financiamento ao abrigo do Instrumento de Assistência de
Pré-Adesão (IPA). A Comissão decidiu adiar as discussões sobre o IPA II até que
o país retome a trajetória do processo de integração na UE. Na ausência de
progressos concretos, a Bósnia-Herzegovina arrisca-se a perder importantes
fundos de pré-adesão. Os preparativos
do país para a adaptação à adesão da Croácia têm sido lentos, mas os acordos
necessários relacionados com a passagem de pessoas e mercadorias na fronteira
com a Croácia foram assinados a tempo, antes de 1 de julho. A Comissão
considera inaceitável que a Bósnia-Herzegovina se tenha recusado até à data a
adaptar o AP/AEA a fim de ter em conta o seu comércio tradicional com a
Croácia. A Comissão convida a Bósnia-Herzegovina a rever a sua posição com
urgência, a fim de que uma adaptação baseada na ponderação dos fluxos
comerciais tradicionais possa ser finalizada o mais rapidamente possível. O país realizou
muito poucos progressos no cumprimento dos critérios
políticos. Não tendo
executado o acórdão Sejdic-Finci, o país não pôs ainda termo à prática
discriminatória segundo a qual os cidadãos da Bósnia-Herzegovina que
não declarem pertencer a um dos três povos constituintes do país estão
impedidos de concorrer para a Presidência e/ou para a Assembleia dos Povos da
Bósnia-Herzegovina. Os processos legislativos continuam, em geral, a ser
extremamente lentos, devido à falta de vontade política de chegar a um
compromisso. O
recurso frequente ao procedimento de urgência para adotar
leis na Assembleia Parlamentar da Bósnia-Herzegovina conduziu
à utilização intensiva do procedimento de interesse nacional vital. Devido à falta de acordo político,
a legislação foi frequentemente bloqueada por um veto das entidades. Ainda existe um
elevado nível de corrupção, faltam medidas de prevenção eficazes contra o
branqueamento de capitais e foram realizados progressos limitados na luta
contra a criminalidade organizada e o terrorismo. Embora se tenham registado
progressos limitados na reforma global do sistema judicial, está a ser
implementado um certo número de recomendações formuladas pela Comissão no
quadro do diálogo estruturado sobre a justiça: no domínio do tratamento dos
crimes de guerra, a determinação dos tribunais responsáveis pelos processos
progrediu bastante em conformidade com a estratégia nacional contra os crimes
de guerra e graças à afetação de recursos financeiros e humanos adequados
provenientes dos orçamentos correspondentes, bem como às importantes contribuições
do IPA. O número de processos em atraso diminuiu. A conclusão dos protocolos com
a Croácia e a Sérvia sobre a cooperação em matéria de repressão dos autores de
crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio é promissora.
Globalmente, existem ainda graves deficiências no que diz respeito à
independência, eficácia, responsabilização e imparcialidade do poder judicial
na Bósnia-Herzegovina. A aplicação dos
instrumentos existentes em matéria de direitos humanos, nomeadamente os que
protegem as lésbicas, homossexuais, bissexuais, transexuais e transgénero
(LGBTI) contra os atos de violência e os discursos de ódio, bem como a
implementação de planos de ação a favor dos ciganos, continuam a ser limitadas.
As lacunas legislativas continuam a entravar o regresso duradouro e a
integração local de refugiados e pessoas deslocadas internamente. Foram criadas
as disposições legais que garantem a liberdade de expressão, mas a intimidação
de jornalistas e editores continuam a ser uma fonte de preocupação, tal como as
pressões financeiras exercidas sobre os organismos de radiodifusão públicos. A
Bósnia-Herzegovina continuou a participar ativamente nas iniciativas de
cooperação regional e a manter relações de boa vizinhança. As questões em
suspenso em matéria de delimitação das fronteiras e de propriedade com os
países vizinhos terão de ser resolvidas. Os preparativos
exaustivos a todos os níveis, com o apoio da UE e de outras organizações
internacionais, permitiram a realização, pela primeira vez desde 1991, do recenseamento
da população há muito aguardado na Bósnia-Herzegovina. No que diz
respeito aos critérios económicos, a Bósnia-Herzegovina realizou
progressos limitados na via de uma economia de mercado viável. Devem continuar
a ser envidados esforços consideráveis, com determinação, a nível das reformas
a fim de permitir que o país possa, no longo prazo, dar resposta à pressão
competitiva e às forças de mercado no interior da União. A economia
registou uma contração de 1,1 % em 2012. No entanto, os indicadores para o
primeiro semestre de 2013 mostram alguns sinais de recuperação. A taxa de
desemprego permaneceu muito elevada. A qualidade das finanças públicas
continuou deficiente, embora a gestão das finanças públicas tenha de certa
forma sido reforçada. Apesar de uma ligeira melhoria, o consenso sobre os eixos
fundamentais da política económica e orçamental continua a ser insuficiente, o
que entrava as reformas a nível nacional. O setor público pesado e ineficiente,
com sobreposição de competências múltiplas a nível nacional, das entidades e
municipal ou cantonal ou (em especial no âmbito da Federação) continua a impor
riscos para a sustentabilidade orçamental. Um sistema judicial e jurídico
ineficiente dificulta a capacidade de controlo da aplicação da legislação e é
um claro fator dissuasor do investimento, constituindo uma fonte de corrupção. A composição das
despesas públicas na Bósnia-Herzegovina e a sua reduzida eficiência continuam a
ser preocupantes. Neste contexto, a informação financeira deve continuar a ser
melhorada a fim de aumentar a qualidade da análise e da conceção das políticas.
Os fatores de rigidez estrutural, tais como a excessiva tributação do trabalho
e as transferências sociais mal orientadas, exigiriam medidas para estimular a
procura de mão de obra. As autoridades da Federação devem prosseguir o
desenvolvimento da reforma do sistema de pensões. Tendo em conta a elevada
percentagem de empresas públicas na economia, as autoridades deviam acelerar o
processo de privatização, que poderia melhorar a situação orçamental e
estimular a concorrência. O setor privado precisa de ser apoiado por um bom
ambiente empresarial, sobretudo melhorando a execução de contratos e a criação
de um espaço económico único no país. O setor informal continua a constituir um
grave problema. A falta de um
verdadeiro apoio político a favor da agenda da UE reflete-se nos progressos
muito limitados no que respeita à aproximação da
legislação e normas da UE. Trata-se, nomeadamente, dos domínios
veterinário e da segurança alimentar; da concorrência; dos contratos públicos;
energia; do ambiente e alterações climáticas; dos transportes; do emprego e das
políticas sociais. Noutros domínios, como o desenvolvimento rural e a política
regional, são escassos os progressos realizados devido à falta de acordo sobre
as estratégias a nível nacional. Num certo número de casos, devem ser efetuadas
as nomeações para órgãos importantes. O imobilismo em relação a este aspeto
cria bloqueios a nível legislativo. Outras instituições, como o conselho dos
auxílios estatais, foram atingidas pela falta de recursos financeiros e, por
conseguinte, ainda não puderam funcionar corretamente. Uma das poucas exceções
positivas é o domínio dos direitos de propriedade intelectual, industrial e
comercial em que os preparativos para o alinhamento pelas normas da UE se
encontram numa fase avançada. Para permitir à
Bósnia-Herzegovina exportar produtos de origem animal para a UE é necessário
que esta progrida rapidamente na transposição da legislação da UE relativa às
questões veterinárias e de segurança alimentar. A Bósnia-Herzegovina é o único
país na região que não alinhou a sua legislação pelas diretivas da UE de 2004
em matéria de contratos públicos, o que deve fazer prioritariamente. O país
deve manter esforços consistentes para assegurar a sustentabilidade da execução
de todas as reformas introduzidas no âmbito do roteiro para a liberalização do
regime de vistos, bem como no que se refere a medidas mais vastas nas
fronteiras que visam reforçar a segurança nacional e regional. Devem prosseguir
as atividades relacionadas com a prevenção de abusos do regime de isenção de
vistos. Kosovo 2013 constituiu um ano
histórico para o Kosovo na sua via de aproximação à União Europeia. As decisões
do Conselho de junho, que autorizam a abertura de negociações com vista à
conclusão de um Acordo de Estabilização e de Associação (AEA), marcam o início
de uma nova fase importante nas relações entre a UE e o Kosovo. A abertura
formal das negociações terá lugar este mês. A Comissão pretende concluir estas
negociações na primavera de 2014, rubricar o projeto de Acordo no verão e,
posteriormente, apresentar as propostas para o Conselho assinar e concluir o
acordo. O Kosovo trabalhou de
forma ativa e construtiva no sentido de uma melhoria visível e sustentável das relações
com a Sérvia.
Em abril, a sua participação no diálogo organizado sob a égide da UE deu origem
ao «primeiro acordo de princípio que rege a
normalização das relações» com a Sérvia (a seguir
denominado «o primeiro acordo»), que representa uma etapa histórica e que foi
complementado, em maio, por um plano de execução. As duas partes acordaram, em
especial, que nenhuma delas bloqueará ou incentivará terceiros a bloquear os
progressos realizados pela outra parte nos seus respetivos percursos para a UE.
Tal representa uma mudança fundamental nas relações entre as duas partes.
Prosseguiu a aplicação do primeiro acordo, tendo já dado origem a uma série de mudanças
irreversíveis no terreno. As partes chegaram a acordo em
matéria de energia e telecomunicações. Registaram-se igualmente progressos na
execução dos acordos concluídos no diálogo técnico, com o apoio da Missão da
União Europeia para o Estado de Direito no Kosovo (EULEX). O Kosovo deve
continuar a estar plenamente empenhado na prossecução da normalização das
relações com a Sérvia e na aplicação de todos os acordos concluídos no diálogo.
O Kosovo deve concluir a implementação do primeiro acordo, em especial nos
setores da polícia, da justiça e das eleições autárquicas. O primeiro acordo foi
encarado com resistência no norte do Kosovo. A abordagem
moderada e inclusiva de Pristina, juntamente com o papel positivo desempenhado
por Belgrado, permitiram evitar a escalada. Na sequência do primeiro
acordo, as esquadras de polícia sérvias que operam no norte do Kosovo foram
encerradas; a Sérvia deixou de efetuar os pagamentos dos vencimentos dos
agentes policiais empregados pelo Kosovo; os tribunais da Sérvia deixaram de
examinar processos penais no Kosovo; e as quatro assembleias municipais nos
quatro municípios do norte foram dissolvidas. As eleições autárquicas previstas
para novembro devem também realizar-se no norte do Kosovo. É importante que
estas eleições sejam realizadas de uma forma ordenada e que todas as pessoas
com direito a voto participem e exerçam os seus direitos democráticos. Em 19 de
setembro, um membro da EULEX foi morto num atentado contra um comboio de
veículos da EULEX no norte do Kosovo. Os responsáveis políticos do Kosovo e da
Sérvia condenaram os ataques com a maior firmeza. O Kosovo tem realizado
importantes reformas políticas. Em
abril, a Comissão e a Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros
e a Política de Segurança confirmaram[1]
que o Kosovo tinha cumprido as prioridades a curto prazo no que diz respeito ao
Estado de direito, administração pública, proteção das minorias e trocas
comerciais, tal como identificadas no estudo de viabilidade[2] de
outubro do ano passado. Em abril, a Comissão enviou igualmente a sua
recomendação ao Conselho para a assinatura e conclusão de um acordo-quadro que
autorize o Kosovo a participar nos programas da União Europeia. Em dezembro, o Kosovo
tornou-se membro do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento. Em
junho, o Kosovo assinou um acordo-quadro com o Banco Europeu de Investimento,
tendo o Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa aceitado a sua adesão.
Em fevereiro, o Conselho de Cooperação Regional decidiu alterar o seu estatuto,
a fim de permitir que o Kosovo se tornasse participante de pleno direito. O diálogo sobre a liberalização
do regime de vistos permaneceu entre as
prioridades da agenda política do Kosovo. Pristina tem envidado esforços para
garantir progressos. Em fevereiro, a Comissão adotou o seu primeiro relatório
sobre os progressos realizados pelo Kosovo para satisfazer os requisitos do
roteiro sobre a liberalização do regime de vistos.[3] O
Kosovo adotou o seu plano de ação para a liberalização dos vistos em abril. Até
à data, realizaram-se três reuniões de altos funcionários. Em estreita
cooperação com a Comissão, com o Gabinete da UE em Pristina e com a EULEX, o
Kosovo realizou progressos em termos de alteração da legislação, tal como
recomendado no relatório. É necessário envidar esforços suplementares a este
respeito. O Kosovo deve também centrar-se na aplicação da legislação. Um vasto consenso
político sobre a perspetiva europeia do Kosovo foi fundamental para a dinâmica
do processo de aproximação. O Conselho Nacional para a integração europeia
prosseguiu igualmente este objetivo. É importante que este consenso seja
mantido e alargado. Estes esforços devem representar um contributo essencial
para as negociações sobre o Acordo de Estabilização e de Associação. O estudo de viabilidade
da Comissão estabelece os domínios prioritários nos quais o Kosovo deve centrar
a sua ação para cumprir as obrigações decorrentes de um Acordo de Estabilização
e de Associação. Trata-de do Estado de direito, sistema judicial, administração
pública, reforma eleitoral e a Assembleia, direitos humanos e direitos
fundamentais, proteção das minorias, questões ligadas ao comércio e mercado interno,
bem como as questões fitossanitárias e veterinárias. No contexto dos critérios
políticos,
o governo do Kosovo reforçou a sua capacidade para abordar as prioridades do
processo de integração europeia. Demonstrou essa capacidade através do
seguimento que deu às prioridades a curto prazo do estudo de viabilidade e da
preparação das negociações do Acordo de Estabilização e de Associação. Foram
também tomadas medidas para melhorar o controlo exercido pela Assembleia em
relação ao trabalho do governo. No entanto, a decisão da Assembleia de debater
o resultado de um processo judicial constituiu um contratempo nos esforços
envidados pelo Kosovo para reforçar as suas instituições de governação
democrática. O Kosovo demonstrou um
empenho claro em obter resultados na luta contra a criminalidade organizada e a
corrupção, nomeadamente lançando investigações e reforçando o quadro
legislativo. Foram tomadas as primeiras medidas para a elaboração de
estatísticas harmonizadas neste domínio. O Kosovo prosseguiu também a sua boa
cooperação com a EULEX. O sistema judicial foi objeto de uma importante
reforma. A sua aplicação coerente será essencial para outras mudanças
positivas e deve ser acompanhada de perto. Em janeiro, as leis que criam uma
nova estrutura para os tribunais e o Ministério Público entraram em vigor.
Espera-se que o novo quadro jurídico contribua para a independência, a
eficácia, a responsabilização e a imparcialidade do sistema judicial. O Kosovo
prosseguiu também a readmissão de pessoas provenientes dos Estados-Membros. Na sequência das
recomendações do estudo de viabilidade, a Assembleia alterou os artigos do
Código Penal relativos à responsabilidade penal dos meios de comunicação social
e à proteção das fontes jornalísticas. O Conselho de acompanhamento da
aplicação, que reúne as autoridades do Kosovo e a Igreja ortodoxa sérvia, foi
estabelecido e funciona bem. Foi igualmente lançada a radiodifusão pública em
língua sérvia. Foi
nomeado um novo comissário para as línguas, tendo o seu gabinete começado a
desempenhar as suas funções. O orçamento e o pessoal do Provedor de Justiça
foram reforçados por forma a permitir que esta instituição desempenhe o seu
papel de protetor da boa governação e dos direitos humanos no Kosovo. O Kosovo deve ainda
assegurar a conclusão da sua reforma eleitoral e
que o seu quadro jurídico tem em conta as melhores práticas na UE. A
Assembleia tem de reforçar a sua supervisão do poder executivo através de
uma melhor análise dos projetos legislativos e do acompanhamento da aplicação
das políticas e da legislação. O Governo deve assegurar uma participação
adequada nos trabalhos da Assembleia. A independência financeira da Assembleia
melhorou, sendo no entanto necessárias novas medidas (por exemplo, a melhoria
do regulamento interno e da legislação sobre a Assembleia), a fim de reforçar a
independência financeira e administrativa da Assembleia. No que diz respeito ao Estado
de direito,
o Kosovo deve, como questão prioritária, fornecer provas concretas dos
resultados obtidos na luta contra a criminalidade organizada e a corrupção, bem
como reforçar a legislação e a sua aplicação. O Kosovo deve continuar a
melhorar a fiabilidade das suas estatísticas nestes domínios. O Kosovo deve
apoiar ativamente a EULEX na execução do seu mandato, nomeadamente a equipa
especial de investigação. O Kosovo está progressivamente a assumir cada vez
mais responsabilidades da EULEX. O diálogo estruturado sobre o Estado de direito
constitui um fórum essencial no âmbito do qual o Kosovo e a UE analisam os
progressos realizados na matéria. As ingerências políticas
nos trabalhos do sistema judicial
continua
a ser uma questão que suscita sérias preocupações. O Conselho Superior da Magistratura
e o Conselho do Ministério Público devem responder com firmeza aos ataques
dirigidos contra os juízes, os procuradores e as instituições judiciais. A
Assembleia e o governo devem fazer o mesmo. É conveniente adotar medidas de segurança
e de proteção adequadas para os juízes e os funcionários judiciais, bem como
para os procuradores, testemunhas e queixosos. O Kosovo deve tomar medidas
suplementares para reduzir os processos em atraso, nomeadamente a aplicação das
decisões dos tribunais e garantir que os julgamentos são realizados em
instalações adequadas e em conformidade com os procedimentos judiciais. Deve
prosseguir o recrutamento de juízes e procuradores pertencentes a minorias, em
conformidade com o quadro legislativo. O Kosovo deve garantir que o procurador
especial responsável pelos processos de criminalidade organizada, crimes de
guerra e corrupção mantém as suas competências. No que diz respeito à administração
pública,
o Kosovo deve centrar a sua atenção na aplicação da legislação, da estratégia e
do plano de ação, o que requer uma forte orientação política. O
profissionalismo da função pública deve ser melhorado e as pessoas que
pertencem a minorias devem estar bem representadas em conformidade com a
legislação. A ingerência política no recrutamento e nas nomeações de
funcionários públicos tem de cessar. No domínio dos direitos humanos
e dos direitos fundamentais, há que simplificar a complexidade e as
sobreposições do quadro institucional relativo à sua promoção e proteção. São
necessários mais esforços em matéria de investigações e ações penais no que se
refere a ataques físicos contra os jornalistas. O mesmo se aplica aos
incidentes violentos contra a comunidade de lésbicas,
homossexuais, bissexuais, transexuais e transgénero (LGBTI). O Kosovo
deve igualmente realizar os necessários progressos na aplicação efetiva dos
direitos de propriedade, por exemplo através da redução do número de processos
em atraso e melhorando a execução das decisões administrativas e judiciais. A
legislação sobre a proteção dos dados pessoais tem de ser melhor aplicada. A
Assembleia deve conceber um mecanismo de financiamento sustentável a longo
prazo para o organismo público de radiodifusão; as nomeações dos membros do seu
conselho de administração devem ser concluídas. No que diz respeito à proteção
das minorias,
a legislação em matéria de património cultural e da Igreja ortodoxa sérvia deve
ser aplicada. As autoridades locais têm de ser mais apoiadas para prosseguir o
processo de descentralização. O plano de ação e a estratégia para as
comunidades cigana, ashkali e egyptian devem ser aplicados com
determinação, uma vez que a situação destas minorias no terreno continua a ser
uma preocupação fundamental. Tal é igualmente importante no contexto do
processo de liberalização do regime de vistos. Os ataques motivados por razões
étnicas ou religiosas têm de ser investigados, objeto de ações penais e os
responsáveis levados a tribunal. No que diz respeito aos critérios
económicos,
o Kosovo não realizou quaisquer progressos na via da criação de uma economia de
mercado viável. São necessários reformas e investimentos consideráveis a fim de
permitir que o país possa vir a dar resposta, a longo prazo, à pressão
competitiva e às forças de mercado no interior da União. A difícil situação
económica na região e na UE começou a afetar a economia do Kosovo, embora de
forma menos pronunciada do que em outros países da região. O PIB do Kosovo
cresceu 2,5 % em 2012. A política orçamental tem sido moderada e o
desempenho orçamental registou bons resultados. Foi introduzida uma regra
orçamental juridicamente vinculativa, a aplicar a partir de 2014. A taxa de
desemprego permaneceu muito elevada. O Kosovo continuou a efetuar investimentos
significativos nas suas infraestruturas. São necessários esforços
contínuos para apoiar a estabilidade macroeconómica e a melhoria da situação
social. O Kosovo tem de melhorar a sua competitividade e ambiente empresarial,
e apoiar o setor privado de modo a reduzir o desemprego. Um bom ambiente
empresarial exige novas medidas para combater a debilidade do Estado de direito
e a corrupção. A privatização deve prosseguir. O setor informal continua a
constituir um grave problema. As prioridades no
domínio das normas europeias devem ser
abordadas no contexto das negociações sobre o Acordo de Estabilização e de
Associação. O Kosovo concluiu a reestruturação do Ministério do Comércio e da
Indústria de forma a poder negociar a componente comercial do Acordo de forma
eficaz, tendo completado uma análise de impacto. O Kosovo envidou igualmente
esforços destinados a preparar o recenseamento agrícola. No que respeita às
questões relativas ao comércio e ao mercado interno, a melhoria das
estatísticas das empresas do Kosovo é essencial. O Kosovo deve continuar a
aplicação do quadro jurídico relativo ao comércio, à concorrência e ao mercado
interno. O Kosovo deve intensificar os seus esforços em vários setores dos domínios
veterinário e fitossanitário que afetam a segurança
alimentar, tal como definidos no estudo de viabilidade. No setor da energia,
há que intensificar os esforços para desmantelar a central elétrica Kosovo A. A
tónica colocada nas prioridades do estudo de viabilidade, na preparação das
negociações de um acordo com a UE e no diálogo sobre a liberalização do regime
de vistos teve um impacto sobre os progressos realizados noutros setores. Turquia A Turquia é um país
candidato e um parceiro estratégico para a União Europeia. A Turquia, pela sua
dimensão e pelo dinamismo da sua economia, é um importante parceiro comercial
da UE e um precioso elemento da sua competitividade graças à união aduaneira. A
Turquia possui uma localização estratégica, nomeadamente no domínio da
segurança energética e desempenha um papel importante na região. A Comissão
sublinha a importância da cooperação e do diálogo em curso sobre questões de
política externa. Reciprocamente, a UE continua a ser um importante
alicerce das suas reformas económicas e políticas. Os acontecimentos em torno
do Parque Gezi sublinharam a importância de promover o diálogo em todo o
espetro da ação política e da sociedade em geral e a necessidade de fazer
respeitar os direitos fundamentais na prática. A agenda positiva,
lançada em 2012, continua a apoiar e complementar as negociações de adesão com
a Turquia através de uma cooperação reforçada num certo número de domínios que
apresentam um interesse comum. Embora tenha produzido alguns resultados
positivos, não constitui um substituto das negociações. O potencial da relação
UE-Turquia só pode ser plenamente explorado no quadro de um processo de adesão
ativo e credível. O processo de adesão continua a ser o quadro mais adequado
para a promoção das reformas ligadas à UE, a instituição de um diálogo sobre
questões de política externa e de segurança, o reforço da competitividade
económica e uma maior cooperação nos domínios da energia, da justiça e dos
assuntos internos. A dinâmica das negociações de adesão deve ser relançada,
respeitando os compromissos da UE e as condições estabelecidas. A este
respeito, a abertura do capítulo 22- Política regional, após mais de três
anos de impasse nas negociações, representa um importante passo. A Turquia pode
acelerar o ritmo das negociações cumprindo os critérios de referência,
satisfazendo os requisitos do quadro de negociação e respeitando as suas
obrigações contratuais para com a UE, nomeadamente a aplicação integral e não
discriminatória do protocolo adicional ao Acordo de Associação em relação a
todos os Estados-Membros. No que diz respeito aos critérios
políticos,
o balanço da evolução da situação registada nos últimos doze meses na Turquia é
misto. Prosseguiram os esforços relativos às reformas importantes. O quarto
pacote de reformas do sistema judicial, adotado em abril, reforça a proteção
dos direitos fundamentais, nomeadamente no que diz respeito à liberdade de
expressão e à luta contra a impunidade em casos de tortura e de maus tratos. O
governo lançou um processo de paz destinado a pôr termo ao terrorismo e à
violência no sudeste do país e abrindo o caminho para uma solução da questão
curda. Este processo deve prosseguir de boa fé por todas as partes. As medidas
de democratização anunciadas e apresentadas em setembro de 2013 preveem novas
reformas sobre toda uma série de questões importantes, nomeadamente a
utilização de línguas que não o turco, os direitos das pessoas pertencentes a
minorias, as alterações aos atuais limiares elevados para representação no
Parlamento e o financiamento dos partidos políticos, o que deverá aumentar o
pluralismo. A implementação destas medidas em cooperação com os partidos da
oposição e em conformidade com as normas europeias é fundamental. A comissão parlamentar
de conciliação, constituída por representantes de todos os partidos, criada
para redigir uma nova Constituição, prosseguiu o seu trabalho e chegou a acordo
sobre uma série de artigos. Esse trabalho deve continuar num espírito de
compromisso. Com a adoção de uma lei abrangente relativa aos estrangeiros e à
proteção internacional foi dado um importante passo no sentido de garantir uma
proteção adequada dos requerentes de asilo. Os esforços prosseguiram igualmente
com o objetivo de proteção dos direitos das mulheres, designadamente através da
aplicação da lei sobre a proteção da família e a prevenção da violência. Foi
criado o cargo de Provedor de Justiça e encontra-se já a trabalhar ativamente
no sentido de desempenhar o seu papel. A instituição nacional encarregada dos
direitos humanos também se tornou operacional. Além disso, o debate
público animou-se em torno de temas anteriormente considerados de natureza
sensível, nomeadamente a questão curda, o papel das forças armadas, a questão
arménia ou os direitos das pessoas, independentemente da sua orientação sexual. O debate
democrático alarga-se, em especial através dos meios de comunicação social, e
exprime-se para além dos partidos políticos tradicionais, nomeadamente por
manifestações. Quanto a este aspeto, a vaga de protestos de junho reflete
igualmente a reforma democrática de grande envergadura realizada na última
década no país e a emergência de uma sociedade civil dinâmica e diversificada
que deve ser respeitada e consultada de uma forma mais sistemática a todos os
níveis do processo de tomada de decisões, independentemente de quem detiver a
maioria no parlamento. Todavia, os progressos
neste domínio são entravados por diversos fatores persistentes. O clima
político continua a ser marcado pela polarização e carece de um espírito de
compromisso. O governo tem tendência para confiar unicamente na sua maioria
parlamentar para aprovar leis e decisões, nomeadamente em questões sensíveis do
ponto de vista social, sem consulta nem diálogo suficientes com as partes
interessadas. As tensões e a frustração resultantes atingiram o seu ponto
culminante em maio e junho em torno de um projeto controverso de
desenvolvimento urbano no Parque Gezi em Istambul, dando origem a fortes
protestos em muitas outras cidades. As tentativas para estabelecer um diálogo
com os manifestantes foram limitadas e ofuscadas pelo uso excessivo da força
por parte da polícia, pela polarização dos debates e por uma ausência geral de
diálogo. Na sequência dos confrontos seis pessoas perderam a vida e 8 000
ficaram feridas. As investigações efetuadas pelo Ministério do Interior
concluíram que a polícia tinha utilizado a força de forma desproporcionada
contra os manifestantes em maio e junho. A vaga de protestos em
junho pôs em evidência uma série de questões que precisam de ser urgentemente
resolvidas. No que diz respeito ao uso excessivo da força por parte da polícia,
as investigações judiciais e administrativas lançadas devem ser objeto de
acompanhamento em conformidade com a jurisprudência do Tribunal Europeu dos
Direitos do Homem e os responsáveis devem ser devidamente punidos. Deve ser
adotada e aplicada em conformidade com as normas europeias uma legislação
relativa à criação de uma comissão de acompanhamento da aplicação da lei
enquanto organismo de supervisão independente encarregado das infrações
policiais. O Ministro do Interior tomou uma primeira medida positiva, emitindo circulares
para enquadrar a ação dos agentes da polícia durante as manifestações. Todavia,
o quadro jurídico global e as práticas em matéria de intervenções dos
funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem estar em conformidade com
as normas europeias, de modo a garantir, em todas as circunstâncias, o respeito
dos direitos humanos e, em especial, o direito à liberdade de reunião. Há disposições
essenciais do quadro jurídico turco, bem como a respetiva interpretação pelos
membros do sistema judiciário continuam a entravar a liberdade de expressão,
nomeadamente a liberdade dos meios de comunicação social. A estrutura de
propriedade dos meios de comunicação social da Turquia, dominada por grandes
grupos industriais, combinada, por vezes, com declarações de intimidação de
funcionários de alto nível e com avisos das autoridades, contribui também para
uma autocensura generalizada dos meios de comunicação, como comprovado pelo
facto de os principais meios de comunicação não terem coberto as manifestações de
junho. Esta situação também conduziu a despedimentos e demissões de
jornalistas. Uma interpretação
restritiva por parte do sistema judicial das disposições jurídicas relativas à
incitação ao ódio levou a um certo número de condenações de figuras públicas
devido às suas observações críticas contra a religião. A definição pouco clara,
em direito penal, da adesão a uma organização armada continua a ser a fonte de
um grande número de detenções e ações penais. Deve ainda ser estabelecido um
quadro jurídico compatível com o TEDH para reger as questões de fé e de objeção
de consciência. São necessários esforços consideráveis para garantir
eficazmente os direitos das mulheres, das crianças, das lésbicas, homossexuais,
bissexuais, transexuais e transgénero (LGBTI). A violência doméstica, os crimes
de honra e a questão dos casamentos precoces e forçados continuam a suscitar
grande preocupação. A Turquia deve garantir o pleno respeito por todos os
direitos de propriedade, incluindo os das comunidades religiosas não muçulmanas.
Estes problemas devem
ser corrigidos e o quarto pacote de reforma judicial deve ser devidamente
aplicado em conformidade com as normas europeias. As autoridades devem
intensificar os seus esforços para proteger outros direitos e liberdades fundamentais,
a fim de que todos os cidadãos possam exercer os seus
direitos sem obstáculos. As medidas anunciadas no pacote de democratização dão
a possibilidade de realizar progressos sobre várias destas questões. Estas questões salientam
a importância para a UE de reforçar o seu empenhamento com a Turquia sobre os
direitos fundamentais. Os progressos realizados nas negociações de adesão e nas
reformas políticas na Turquia são as duas faces de uma mesma moeda. É do
interesse tanto a Turquia como da UE que os critérios de referência para a
abertura dos capítulos 23-Poder judicial e
direitos fundamentais e 24-Justiça, liberdade e segurança sejam
acordados e comunicados à Turquia o mais rapidamente possível, com vista a
permitir uma abertura rápida das negociações sobre estes dois capítulos. Tal
contribuirá de modo significativo para garantir que a UE e as suas normas
continuam a constituir a referência para as reformas na Turquia. Tendo em conta as
reformas necessárias, o processo de tomada de decisão global, tanto a nível
nacional como a nível local, deve prever uma consulta mais estruturada e
sistemática da sociedade civil. É essencial reformar o atual enquadramento
jurídico, tornando-o mais propício ao desenvolvimento das organizações da
sociedade civil em geral. A título de exemplo, as avaliações de impacto
ambiental devem ser efetuadas respeitando plenamente o acervo da UE. Os grandes
projetos de infraestruturas devem deixar de ser excluídos. A consulta dos
intervenientes da sociedade civil noutros domínios de ação é também fortemente
incentivada. A assinatura do acordo
de readmissão UE-Turquia e o lançamento simultâneo do diálogo em matéria de
vistos constituem as primeiras etapas para a
liberalização do regime de vistos, o que pode dar um novo impulso às relações
UE-Turquia e proporcionar vantagens concretas para ambas as partes. É
importante que estes dois processos avancem e que o processo de ratificação do
acordo de readmissão na Turquia seja rapidamente finalizado tendo em vista a
sua aplicação integral e eficaz. Em matéria de política
externa,
a Turquia continuou a desempenhar um papel importante na sua vizinhança mais
alargada, por exemplo, expandindo as suas atividades enquanto doador não
tradicional no Corno de África, apoiando a transição democrática no norte de
África, bem como reforçando a cooperação com e entre o Afeganistão e o
Paquistão. Desempenhou um papel particularmente importante em relação à Síria,
apoiando o desenvolvimento de uma oposição mais unificada e fornecendo uma
assistência humanitária vital a um grande número de sírios que fogem do seu
país. Continuou também a prestar apoio concreto às conversações do grupo E3 +3
com o Irão. A ratificação de um acordo intergovernamental sobre o projeto de
gasoduto transanatoliano (TANAP) entre a Turquia e o Azerbaijão constituiu um
contributo importante para a realização do objetivo de promover uma maior
segurança energética europeia através do corredor energético do sul. O diálogo
político regular entre a UE e a Turquia continuou a intensificar-se, abrangendo
tanto as questões internacionais de interesse comum, como o Médio Oriente e a
Ásia Central e as questões globais, como o combate ao terrorismo e a não proliferação.
A Turquia prosseguiu a sua política de empenhamento nos Balcãs Ocidentais, nomeadamente
através da sua participação ativa no Processo de Cooperação para a Europa do
Sudeste e do seu contributo para missões militares, de
polícia e de «Estado de direito», lideradas pela UE na Bósnia-Herzegovina e no
Kosovo. A Turquia continuou a
exprimir o seu apoio a um reatamento das conversações destinadas à procura de
uma solução equitativa e global para a questão de
Chipre,
sob os bons auspícios das Nações Unidas. A vontade da Turquia e da Grécia de
aceitar contactos com os negociadores principais das duas comunidades é uma
medida positiva, que poderá dar um impulso ao processo de resolução da questão. A UE sublinhou
igualmente a importância dos progressos realizados na normalização das relações
entre a Turquia e todos os Estados-Membros da UE, nomeadamente com a República
de Chipre. A este respeito, convida a Turquia a deixar de bloquear a adesão dos
Estados-Membros às organizações internacionais e aos seus mecanismos. Além
disso, a UE insistiu uma vez mais sobre todos os direitos soberanos de que os
Estados-Membros da UE beneficiam, entre os quais figura o de concluir acordos
bilaterais e o de prospetar e explorar os seus recursos naturais, em
conformidade com o acervo da UE e o direito internacional, nomeadamente a
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Neste contexto, nas
conclusões do Conselho de 11 de dezembro de 2012, a UE tomou nota com grande
pesar que a Turquia, apesar dos repetidos apelos, continua a recusar cumprir a
sua obrigação de aplicar integralmente e de forma não discriminatória o
protocolo adicional ao Acordo de Associação em relação a todos os
Estados-Membros, não tendo eliminado todas as restrições que aplica aos navios
e aviões registados em Chipre ou cuja última escala foi Chipre. A UE salientou
que cumprir esta obrigação poderia relançar fortemente o processo de
negociação. Na ausência de progressos sobre esta questão, a UE mantém as suas
medidas aplicáveis desde 2006, que terão um efeito contínuo sobre o progresso
global das negociações. A UE continuará a acompanhar de perto e a reexaminar os
progressos realizados sobre todas as questões abrangidas pela Declaração da
Comunidade Europeia e dos seus Estados-Membros de 21 de setembro de 2005.
Aguarda-se agora a realização de progressos o mais rapidamente possível. Em conformidade com o
quadro de negociação e anteriores conclusões do Conselho Europeu e do Conselho,
a Turquia deve pronunciar-se inequivocamente a favor de relações de boa
vizinhança e da resolução pacífica de conflitos em conformidade com as
disposições da Carta das Nações Unidas, recorrendo, se necessário, ao Tribunal
Internacional de Justiça. Neste contexto, a UE manifestou sérias preocupações e
instou a Turquia a evitar qualquer tipo de ameaça ou ação contra um
Estado-Membro, ou fonte de fricção ou ações suscetíveis de prejudicar as
relações de boa vizinhança e a resolução pacífica dos diferendos. A UE congratulou-se com
o facto de prosseguirem as iniciativas de cooperação entre a Grécia e a Turquia
para melhorar as relações bilaterais. O 55.º e último ciclo de
conversações exploratórias para a delimitação da plataforma continental teve
lugar em setembro. A Grécia e Chipre apresentaram à Turquia queixas oficiais
relativamente às violações das suas águas territoriais e do seu espaço aéreo
pela Turquia, nomeadamente os voos sobre as ilhas gregas. Quanto aos critérios
económicos,
a Turquia é uma economia de mercado viável. O país deverá estar em condições de
fazer face à pressão competitiva e às forças de mercado na União a médio prazo,
desde que acelere a aplicação do seu programa global de reformas estruturais. Após um forte
crescimento de cerca de 9 % nos últimos dois anos, o crescimento do PIB na
Turquia abrandou para 2,2 % em 2012. Tal foi acompanhado de um
reequilíbrio do crescimento da procura interna em relação ao comércio externo,
da redução temporária do défice da balança de transações correntes, e de uma
redução da inflação. No primeiro semestre de 2013, o crescimento do PIB
intensificou-se de novo situando-se em 3,7 %. Ao mesmo tempo, o défice da
balança corrente aumentou de novo e os preços no consumidor aceleraram outra
vez. A dívida pública em percentagem do PIB continuou a diminuir, sendo agora
claramente inferior a 40 %. Desde maio, devido a fatores nacionais e
internacionais, os mercados financeiros foram sujeitos a pressões que levaram a
uma reação imediata do Banco Central, com vista a estabilizar a taxa de câmbio
e conter as saídas de capitais. O desempenho económico
recente da Turquia ilustra tanto o elevado potencial como a persistência de desequilíbrios
da economia. Quanto ao lado externo da economia, a dependência do afluxo
sustentado de capitais para financiar, em grande medida, um elevado défice da
balança de transações correntes torna a Turquia vulnerável a alterações no
sentimento de risco global, dando origem a grandes flutuações das taxas de
câmbio e a uma alternância de ciclos de forte expansão e de forte recessão da
atividade económica. Abordar esta vulnerabilidade apela à adoção de medidas que
aumentem a poupança nacional, tendo a política orçamental um importante papel a
desempenhar neste contexto. A adoção de uma regra orçamental reforçaria a
transparência orçamental, forneceria uma importante âncora orçamental e
reforçaria a credibilidade. O nível relativamente elevado da inflação continua
a ser um desafio importante. Um reequilíbrio da combinação de políticas
macroeconómicas contribuiria para reduzir a carga que pesa sobre a política
monetária. A médio e longo prazo, é essencial que o funcionamento dos mercados
de bens, serviços e mão de obra seja melhorado através de reformas estruturais
para aumentar a competitividade a nível internacional. O inquérito atualmente
em curso sobre o funcionamento da união aduaneira entre
a UE e a Turquia proporciona uma importante oportunidade para refletir e
debater sobre a necessária modernização deste instrumento fundamental para as
relações UE-Turquia, com vista a insuflar um novo impulso no desempenho
comercial de ambas as partes e a redinamizar a integração económica. Tendo em conta o potencial
da Turquia para se tornar uma placa giratória da energia e os desafios
energéticos que partilha com a UE, é importante que o diálogo reforçado abranja
todas as questões de interesse comum. No que respeita à capacidade
para assumir as obrigações decorrentes da adesão, a Turquia continuou a
alinhar a sua legislação pelo acervo. Registaram-se progressos satisfatórios em
matéria de livre circulação de mercadorias; serviços financeiros; energia;
política regional e coordenação dos instrumentos estruturais; ciência e
investigação; e educação. Registaram-se progressos significativos na criação do
quadro jurídico no domínio da migração e do asilo. O quadro jurídico aplicável
à luta contra o financiamento do terrorismo melhorou. A nova legislação em
matéria de eletricidade conseguiu que este domínio esteja, em grande medida, em
conformidade com o acervo. A Comissão avaliou os progressos realizados no
âmbito dos grupos de trabalho no quadro da agenda positiva e informou a Turquia
e os Estados-Membros, sobre quais os critérios de referência que considera
cumpridos. A Comissão reconheceu igualmente os progressos alcançados em matéria
de requisitos importantes no que diz respeito ao sistema judicial e aos
direitos fundamentais. Os progressos foram limitados em alguns capítulos,
nomeadamente os contratos públicos, a política de concorrência, a agricultura e
o desenvolvimento rural, a segurança alimentar, a política veterinária e
fitossanitária, e a fiscalidade. A Turquia deve
prosseguir a sua ação global no domínio do direito da propriedade intelectual,
agricultura e desenvolvimento rural, segurança alimentar, política veterinária
e fitossanitária, política social e emprego, ambiente e alterações climáticas,
assim como a proteção dos consumidores. Ainda são necessários progressos
substanciais no domínio do sistema judicial e dos direitos fundamentais e da
justiça, liberdade e segurança. É necessário prosseguir o alinhamento
legislativo, em especial em matéria de contratos públicos, política da
concorrência e fiscalidade. A Turquia deve consolidar a sua capacidade
institucional, nomeadamente nos capítulos relativos ao direito das sociedades,
transportes e política regional e coordenação dos instrumentos estruturais. Islândia Na sequência das
eleições gerais de 27 de abril de 2013, o governo decidiu suspender as
negociações de adesão à UE e indicou que estas só
prosseguiriam depois de aprovadas através de um referendo. A Islândia dissolveu
o seu comité de negociação com a UE. Esta decisão significa que o processo de
adesão está em ponto morto. O governo declarou que iria proceder a uma
avaliação do estado atual das negociações, bem como da evolução da situação na
União Europeia, que será submetida ao parlamento islandês para discussão nos
próximos meses. As autoridades islandesas
deixaram de contribuir para a elaboração do presente relatório desde a mudança
de governo. O relatório da Comissão no quadro da presente comunicação foi
adaptado para ter em conta esta situação, ou seja, o período abrangido vai de
setembro de 2012 até à entrada em funções do novo governo, isto é, maio de
2013. Até à data, foram
abertos 27 capítulos de negociação, dos quais 11 foram provisoriamente
encerrados. Foram realizados progressos significativos relativamente a este
aspeto durante o período de referência: 9 capítulos abertos e 1 provisoriamente
encerrado. A Islândia é um parceiro importante para a UE na sua qualidade de
membro do Espaço Económico Europeu, pela sua participação no Espaço Schengen,
bem como devido a interesses comuns nos domínios das energias renováveis e das
alterações climáticas e no que se refere à importância estratégica da política
da UE para o Ártico. Enquanto democracia que
funciona bem, dotada de instituições sólidas, a Islândia continua a cumprir
plenamente os critérios políticos de adesão à UE. No que se refere aos critérios
económicos, a Islândia pode ser considerada uma economia de mercado viável. As restrições aplicadas
aos movimentos de capitais constituem um obstáculo importante para o
investimento e o crescimento. A supressão destes controlos, preservando ao
mesmo tempo a estabilidade das taxas de câmbio, continua a ser um desafio
fundamental. Foi criado, em junho de 2012, um grupo ad hoc sobre a
supressão dos controlos impostos aos movimentos capitais, composto por peritos
do Banco Central Europeu, da Comissão e do Fundo Monetário Internacional a
pedido do governo da Islândia, no quadro da adesão, a fim de avaliar as
perspetivas de supressão destes controlos. No que diz respeito ao Instrumento
de Assistência de Pré-Adesão (IPA) para a Islândia, tendo em conta o
seu objetivo e a decisão do governo islandês sobre as negociações de adesão, a
Comissão decidiu suspender os trabalhos preparatórios para o IPA II. A Comissão
não assinará novos contratos ao abrigo do IPA I. No que diz respeito aos
projetos para os quais já foram assinados contratos, a Comissão está a efetuar
uma avaliação projeto a projeto, juntamente com as autoridades islandesas, a
fim de determinar quais os projetos que prosseguirão. A Islândia
atingiu já um nível de alinhamento elevado num
vasto número de domínios abrangidos pelo acervo, principalmente devido ao seu
estatuto de membro do Espaço Económico Europeu. Foram tomadas medidas
adicionais no período de referência para prosseguir o alinhamento, nomeadamente
nos seguintes domínios de intervenção: livre circulação de mercadorias, direito
das sociedades, contratos públicos, sociedade da informação e meios de
comunicação social, e política de transportes. * Esta designação
não prejudica as posições relativas ao estatuto e está conforme com a Resolução
1244/99 do CSNU e com o parecer do TIJ sobre a declaração de independência do
Kosovo. [1] JOIN(2013) 8
final. [2] COM(2012) 602
final. [3] COM(2013) 66
final.