COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU E AO CONSELHO Estratégia de Alargamento e Principais Desafios para 2012-2013 /* COM/2012/0600 final */
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO
EUROPEU E AO CONSELHO Estratégia de Alargamento e Principais
Desafios para 2012-2013
1.
Introdução
A política de alargamento da UE tem sido
seguida há mais de quatro décadas. As sucessivas adesões aumentaram gradualmente
o número de membros, que passou dos iniciais seis para 27. A Croácia deverá
tornar‑se o 28.º membro em 1 de julho de 2013. Através da sua política de
alargamento, a UE tem respondido, desde a sua criação, às legítimas aspirações
das populações do nosso continente de se unirem num esforço europeu comum.
Juntou nações e culturas, enriquecendo e injetando na UE diversidade e
dinamismo. Mais de três quartos dos Estados-Membros da UE são antigos países
«do alargamento». Num período em que a UE se confronta com
importantes desafios e uma grande incerteza a nível global e em que o impulso a
favor da integração económica, financeira e política ganha uma nova dinâmica, a
política de alargamento continua a contribuir para a paz, a segurança e a
prosperidade no nosso continente. Num quadro de condicionalidade rigorosa mas
justa, a perspetiva de adesão impulsiona reformas económicas e políticas,
transformando sociedades e criando novas oportunidades para os cidadãos e as
empresas. Simultaneamente, o alargamento reforça as vantagens económicas e
políticas da União. Ao assumir a liderança na estabilização da sua vizinhança
graças à política de alargamento, a UE pode colher os benefícios de um
continente mais forte e mais unido, demonstrando igualmente a sua capacidade permanente
enquanto ator global. O mais recente alargamento destinado a incluir
os países da Europa Central e Oriental não apenas uniu o Leste e Oeste após
décadas de separação artificial, como também proporcionou benefícios mútuos
para uma integração comercial mais profunda, um maior mercado interno,
economias de escala e investimento alargado, bem como oportunidades de
trabalho. Entre o início das negociações e a adesão real, as exportações da UE
para os países em vias de adesão mais do que triplicaram. Estima-se que o
crescimento, já elevado, destes últimos durante o mesmo período se deveu em um
terço ao alargamento. Reforçar o Estado de direito e a governação
democrática é fundamental para o processo de alargamento. Os ensinamentos
retirados de anteriores alargamentos sublinham a importância de uma maior
atenção nestes domínios e a necessidade de melhorar ainda mais a qualidade do
processo. Este último apoia e continua a promover a estabilidade numa região
recentemente assolada por conflitos, promovendo a criação de um ambiente no
Sudeste da Europa conducente ao crescimento e à atração de investimento, a uma
maior cooperação regional e que aborda desafios comuns como a luta contra a
criminalidade organizada e a corrupção. Aborda questões que preocupam diretamente
os cidadãos tanto da UE como dos países do alargamento no domínio da justiça,
segurança e direitos fundamentais. Com a adoção pelo Conselho em junho da nova
abordagem proposta pela Comissão no domínio do sistema judiciário e direitos
fundamentais e justiça, liberdade e segurança como parte do quadro das
negociações com o Montenegro, o Estado de direito está firmemente alicerçado no
cerne do processo de adesão, lançando igualmente as fundações para futuras
negociações. As dificuldades que atualmente atravessa a área
do euro dominaram a agenda política da UE durante o último ano. Juntamente
com a recente crise financeira global, tal sublinhou a interdependência das
economias nacionais, tanto no interior como no exterior da UE. Os desafios com
que a área do euro se confronta mostram que é importante prosseguir a
consolidação da estabilidade económica e financeira e incentivar as reformas e
o crescimento, nomeadamente nos países do alargamento. A integração económica,
financeira e política reforçada que daí resultará no âmbito da UE deve
igualmente ser tomada em consideração no processo de alargamento. Reforçar a
resistência dos países do alargamento à crise constitui uma questão de
interesse comum. O processo de alargamento constitui um instrumento poderoso
para esse efeito. Uma UE mais forte e alargada estará em melhores condições
para abordar estes desafios. O dinamismo da economia turca, por exemplo, o
papel geopolítico da Turquia, o seu contributo para a segurança energética e a
sua população jovem representam uma oportunidade tanto para a Turquia como para
a UE num contexto de uma perspetiva de adesão. Abordar os riscos de instabilidade nos Balcãs
Ocidentais é manifestamente do nosso interesse comum, dado o legado de guerra e
a divisão que devastaram esta região. O processo de alargamento apoia os
defensores de reformas na região, continuando a consolidar a sua transição
democrática de pós-guerra. Contribui para evitar potenciais custos muito mais
elevados decorrentes das consequências da instabilidade. O reforço da
estabilidade e da democracia na Europa do Sudeste constitui igualmente um
investimento numa democracia sólida e sustentável na vizinhança mais ampla na
UE. O consenso renovado sobre o alargamento, acordado no Conselho Europeu,
continua a ser o quadro em que se insere a política de alargamento da UE. Esta
política baseia-se nos princípios de consolidação dos compromissos, numa
condicionalidade justa e rigorosa e numa boa comunicação com o público, em
combinação com a capacidade da UE para integrar novos membros. A atual agenda
de alargamento abrange os Balcãs Ocidentais, a Turquia e a Islândia. A UE tem
sempre proclamado que a sua política relativamente aos Balcãs Ocidentais era
caracterizada pela inclusão, tendo sucessivos Conselhos Europeus confirmado que
o futuro de toda a região se encontra na UE. O Processo de Estabilização e de
Associação permanece o quadro comum para os necessários preparativos. Manter a credibilidade do processo de
alargamento é crucial para o seu êxito. Tal é válido em termos de garantir a
prossecução de reformas de grande envergadura nos países do alargamento, de
forma a que estes cumpram os critérios estabelecidos, nomeadamente os critérios
de Copenhaga. É igualmente válido em termos de garantir o apoio dos Estados-Membros
e dos seus cidadãos. É essencial promover a compreensão e um debate esclarecido
sobre as consequências da política do alargamento, em especial num momento em
que a UE se confronta com desafios importantes. Neste contexto, o princípio do
mérito próprio é fundamental. O ritmo a que cada país avançar na via da adesão
depende da sua capacidade para satisfazer as condições e os critérios
necessários. O alargamento é por conseguinte, por definição, um processo
gradual, baseado numa execução sólida e sustentável das reformas por parte dos
países em causa. A nova abordagem de negociação adotada no domínio do Estado de
direito introduz a necessidade de apresentar balanços sólidos em matéria de
execução das reformas ao longo do processo de negociação, reformas que devem
ter uma base profunda com o objetivo de serem irreversíveis. A iminente adesão da Croácia, o início das
negociações de adesão com o Montenegro em junho e o estatuto de país candidato
concedido à Sérvia em março mostram como a UE cumpre os seus compromissos, logo
que as condições estão cumpridas. Estes desenvolvimentos positivos enviam
igualmente um forte sinal do poder de transformação do alargamento e do que é
possível numa zona devastada pela guerra apenas há meia geração atrás.
Funcionam como um incentivo e um encorajamento para que todos os países da
região acelerem os seus próprios preparativos para uma eventual adesão à UE. Verificaram-se alguns desenvolvimentos
positivos nos países do alargamento durante o último ano. Para além dos observados em relação à Croácia, ao
Montenegro e à Sérvia, foram registados resultados positivos na antiga
República jugoslava da Macedónia, em que o diálogo de alto nível relativo à
adesão levou as autoridades a centrarem‑se mais nas reformas. O diálogo entre o governo e a oposição na Albânia
permitiu em grande medida ultrapassar o impasse político com a adoção de
reformas eleitorais e parlamentares. As
negociações de adesão com a Islândia estão em boa progressão. A Turquia tem demonstrado um apoio ativo à nova agenda
positiva anunciada no ano passado e lançada pela Comissão em maio de 2012. Simultaneamente, certas reformas estão
pendentes na maior parte dos países. Domínios
como os direitos humanos, a boa governação, o Estado de direito, nomeadamente a
luta contra a corrupção e a criminalidade organizada, a capacidade
administrativa, o desemprego, as reformas económicas e a inclusão social
continuam a ser desafios importantes. Verifica-se
frequentemente uma necessidade de assumir mais responsabilidade pelas reformas
e de conseguir reunir a necessária vontade política para avançar. Reforçar a
liberdade de expressão e a independência dos meios de comunicação permanece um
desafio importante. O processo de adesão continua a ser por vezes afetado de
forma negativa por questões bilaterais. O processo de alargamento é por essência
inclusivo e necessita de uma grande participação dos intervenientes. Nos países do alargamento, um vasto consenso
político e um apoio importante da população às reformas contribuem fortemente
para as transformações necessárias para avançar rumo à adesão à UE. A presente comunicação estabelece um balanço
do atual programa de alargamento da União Europeia. Com
base nas análises aprofundadas por país que o acompanham[1], faz o ponto da
situação sobre os preparativos para a adesão destes países e a fase que
atingiram no processo, avalia as suas perspetivas para os próximos anos e
formula, relativamente a este aspeto, uma série de recomendações. Tal como em anos anteriores, é dada especial
atenção a certos desafios fundamentais, tal como ao apoio prestado pela UE aos
países do alargamento, nomeadamente através do Instrumento de Assistência de
Pré-Adesão.
2.
Questões essenciais
2.1.
Colocar o Estado de direito no centro da
política de alargamento
A experiência de alargamentos recentes e os
desafios com que os países do alargamento se confrontam sublinham a importância
de colocar o Estado do direito ainda mais no cerne da política de alargamento.
Foi proposta no documento de estratégia do último ano e adotada pelo Conselho
uma nova abordagem para as negociações no domínio do sistema judiciário e dos
direitos fundamentais, bem como da justiça, liberdade e segurança. Esta
abordagem refletiu-se agora num quadro de negociações adotado em junho de 2012
para as negociações com o Montenegro, firmemente alicerçando o Estado de
direito no cerne do processo de adesão e estabelecendo igualmente as bases para
futuras negociações. Os países que aspiram a aderir à União devem
demonstrar, em todas as etapas do processo de adesão, a sua capacidade para
reforçar a concretização dos valores em que a União se baseia. Devem
estabelecer e promover desde o início o bom funcionamento das principais
instituições necessárias à governação democrática e ao Estado do direito, desde
o Parlamento nacional, ao governo e ao sistema judiciário, nomeadamente os
tribunais e os procuradores, bem como os órgãos responsáveis pela execução da
lei. A maior parte dos países do alargamento
confronta-se com alguns desafios essenciais nestes domínios: No que diz respeito ao sistema judiciário,
os países devem assegurar que este é independente, imparcial e responsável, bem
como capaz de garantir julgamentos justos. Os países devem igualmente assegurar
que os seus sistemas judiciais funcionam de forma eficiente, sem uma duração
excessiva dos processos. Relativamente a este aspeto, estão agora em vigor na
maior parte dos países estratégias de reforma judiciária. Foram realizados
progressos no reforço da independência dos Conselhos Superiores da Magistratura
e em alguns casos com novos procedimentos de nomeações no setor judiciário.
Contudo, subsistem inúmeros desafios, nomeadamente para garantir procedimentos
mais rigorosos para a nomeação dos juízes e procuradores, encontrar um
equilíbrio justo entre a independência judicial e responsabilização,
nomeadamente abordando a questão da imunidade judiciária, e reduzir em muitos
processos os atrasos excessivos. A execução das decisões judiciais continua a
ser um desafio. Para além das reformas administrativas e legislativas, em
muitos casos é necessária uma alteração na cultura judiciária a fim de dar um
maior ênfase à prestação de um serviço aos cidadãos. A corrupção continua a existir na maior
parte dos países do alargamento. A corrupção mina o Estado de direito, tem um impacto
negativo sobre o ambiente empresarial e os orçamentos nacionais e afeta a vida
quotidiana dos cidadãos em domínios como os cuidados de saúde e a educação. A
omnipresença da corrupção permite a infiltração de grupos de criminalidade
organizada nos setores público e privado. Os países devem garantir um
enquadramento forte para a prevenção da corrupção, nomeadamente em termos de
uma maior transparência dos organismos públicos e da utilização dos fundos
públicos. Os organismos responsáveis pela execução da lei devem ser proativos,
bem coordenados e eficazes, por forma a garantir que os casos de corrupção,
nomeadamente de alto nível, são investigados, reprimidos e sancionados de forma
adequada. Em muitos países do alargamento é necessário envidar esforços
suplementares no que diz respeito ao financiamento dos partidos políticos e das
campanhas eleitorais, à gestão dos conflitos de interesses, à transparência na
contratação pública, ao acesso à informação e à apreensão e confisco de bens.
Em certos casos foram criados serviços especializados de repressão da
criminalidade, que estão a funcionar de forma correta. Muito há ainda a fazer
para obter os resultados necessários. É necessário obter estatísticas fiáveis
para permitir o acompanhamento do êxito das políticas de luta contra a
corrupção. A luta contra a criminalidade organizada
continua a ser uma prioridade essencial e representa um importante problema na
maior parte dos países do alargamento. A natureza transfronteiras de muitas
atividades criminosas exige uma forte cooperação entre os organismos judiciais
e os organismos de execução da lei na região, com os Estados‑Membros da
UE e internacionalmente. Os organismos de execução da lei devem ser dotados de
instrumentos de investigação e jurídicos eficazes a fim de combaterem e
sancionarem de forma adequada a criminalidade organizada. Em especial, deve ser
melhorada a sua capacidade para realizar investigações da natureza financeira.
Estão a ser realizados progressos, mas em muitos países é necessário fazer muito
mais para garantir investigações proativas, um acompanhamento judiciário eficaz
e uma cooperação nacional e internacional reforçada. A Comissão continua a
apoiar uma rede regional de procuradores, que será assistida por peritos
especializados dos Estados-Membros. Deve prosseguir uma maior cooperação
operacional como as agências europeias competentes, nomeadamente a Europol. A reforma da administração pública
continua a constituir uma prioridade essencial no âmbito dos critérios
políticos na maior parte dos países do alargamento. Como parte integrante da
governação democrática e do Estado de direito, a referida reforma tem por
objetivo uma maior transparência, responsabilização e eficácia, bem como uma
maior ênfase nas necessidades dos cidadãos e das empresas. Procedimentos
administrativos adequados, nomeadamente no que diz respeito aos recursos
humanos e à gestão financeira pública, incluindo a cobrança de impostos e
sistemas estatísticos fiáveis e independentes, são de importância fundamental
para o funcionamento do Estado e para a realização das reformas necessárias
para a integração na UE. Os países devem intensificar os seus esforços para
melhorar as suas administrações públicas a todos os níveis com base em
estratégias nacionais globais. Reconhecendo o desafio com que os países do
alargamento se confrontam, a Comissão reforçará a sua capacidade de avaliação e
controlo, identificando as lacunas essenciais e fornecendo ajuda a nível do
planeamento, definição de prioridades e execução das reformas. Os direitos civis, políticos, sociais e
económicos, bem como os direitos das pessoas que pertencem a minorias são
questões essenciais na maior parte dos países do alargamento. Estes direitos
fundamentais são amplamente garantidos pela lei, persistindo, no entanto,
em muitos casos questões relativas à sua aplicação. Em alguns casos, subsistem
lacunas de natureza legislativa, por exemplo no que diz respeito ao âmbito da
legislação em matéria de luta contra a discriminação. As instituições nacionais
em matéria de direitos humanos, como os provedores de justiça, exigem
frequentemente um reforço significativo, tal como os organismos de execução da
lei que tratam das questões de crimes de ódio e de violência com base no
género. Atitudes societais gerais em relação a grupos vulneráveis como as
minorias étnicas, pessoas com deficiência e lésbicas, homossexuais, bissexuais
e transexuais continuam a constituir um problema corrente. Os países do alargamento caracterizam-se, no
seu conjunto, pelo pluralismo dos seus meios de comunicação social. Em alguns
países verificaram‑se progressos em relação à despenalização da injúria.
Contudo, num certo número de países, a liberdade de expressão continua a
suscitar problemas graves, com interferências políticas, pressões económicas, autocensura
e uma proteção insuficiente dos jornalistas contra os atos de assédio ou mesmo
contra ataques violentos. Na Turquia em especial, o quadro jurídico não protege
ainda suficientemente a liberdade de expressão, enquanto o número elevado de
ações em justiça e de investigações de que são alvo certo jornalistas, bem como
a pressão excessiva exercida sobre determinados meios de comunicação, suscitam
profundas inquietações. Tendo em conta os desafios remanescentes neste
domínio, a Comissão tenciona realizar no primeiro semestre de 2013 um
seguimento da conferência «Speak up» de maio de 2011. Este evento deve reunir
intervenientes dos meios de comunicação e da sociedade civil dos Balcãs
Ocidentais e da Turquia, a fim de debater em que medida os governos estão a
abordar as prioridades essenciais para alcançar os padrões europeus no domínio
da liberdade de expressão. A Comissão continuará a trabalhar em estreita
colaboração com o Parlamento Europeu neste domínio. Estas questões continuarão
a ter importância no processo de adesão. Dados os desafios enfrentados e a natureza do
longo prazo das reformas, o capítulo do sistema judiciário e direitos
fundamentais e da justiça, liberdade e segurança serão abordados numa fase
precoce das negociações, a fim de permitir o máximo de tempo para estabelecer a
necessária legislação, instituições e a obtenção de resultados sólidos em
matéria de execução antes do encerramento das negociações. Serão abertos com
base em planos de ação a adotar pelas autoridades nacionais. A Comissão
proporcionará uma orientação significativa nos seus relatórios sobre os exames
analíticos a fim de apoiar a elaboração destes planos de ação por parte do país
candidato. Uma inovação é a introdução de marcos de referência intercalares,
que serão definidos aquando da abertura das negociações. Só depois de estes
serem cumpridos é que o Conselho estabelecerá critérios para o encerramento. Desta forma, as negociações serão realizadas
num quadro estruturado que toma em consideração o tempo necessário para a
execução adequada das reformas e para a obtenção de resultados sólidos. O
processo será acompanhado por salvaguardas e medidas de correção, a fim de
permitir por exemplo a atualização de marcos de referência e para garantir um
equilíbrio global do progresso das negociações em todos os capítulos. A nova
abordagem prevê igualmente uma maior transparência e caráter inclusivo nas
negociações e no processo da reforma, sendo os candidatos incentivados a
desenvolverem as suas prioridades em matéria de reformas através de um processo
de consulta junto dos intervenientes pertinentes para garantir um apoio máximo
para a sua execução. A Comissão continuará a centrar o seu acompanhamento nos
progressos realizados nestes domínios. A execução das reformas continuará a beneficiar
do apoio proporcionado pelos fundos IPA. O reforço do Estado de direito e da
administração pública, é essencial para que os países do alargamento se
aproximem da UE e eventualmente assumam plenamente as obrigações decorrentes da
adesão. Mesmo antes do início das negociações de adesão, está a ser dado maior
ênfase ao Estado de direito no espírito da nova abordagem. Foi iniciado o exame
dos capítulos essenciais do Estado de direito mesmo antes do início das
negociações globais com o Montenegro. Os outros países candidatos, a antiga
República jugoslava da Macedónia e a Sérvia, foram igualmente convidados para
as sessões explicativas em matéria de exame analítico. As prioridades
essenciais estabelecidas como condições para a abertura das negociações de
adesão com a Albânia centram-se fortemente no Estado de direito. As questões
relacionadas com o Estado direito são fundamentais para as várias iniciativas
específicas por país lançadas pela Comissão no ano passado, que são definidas
na parte 3 da presente comunicação.
2.2.
Cooperação regional e reconciliação nos
Balcãs Ocidentais
A cooperação regional e as boas
relações de vizinhança constituem elementos essenciais do processo de
estabilização e de associação e são objeto, nesse contexto, de um
acompanhamento estreito por parte da Comissão em todas as etapas do processo de
adesão. No que diz respeito a este aspeto realizaram‑se novos progressos
no ano passado. Prosseguiram os contactos bilaterais e multilaterais entre os
dirigentes e os políticos da região, igualmente em domínios sensíveis como os
crimes de guerra, as fronteiras, o regresso dos refugiados, a criminalidade
organizada e a cooperação policial, e com instâncias regionais como a
Comunidade da Energia, o Espaço de Aviação Comum Europeu, o Acordo Centro‑Europeu
de Comércio Livre (CEFTA) e a Escola Regional de Administração Pública. Foi
nomeado um novo Secretário-Geral do Conselho de Cooperação Regional (CCR). A
Comissão congratula-se com o facto de o CCR continuar a desenvolver o seu papel
no domínio da cooperação regional, enquanto plataforma para a promoção de
questões importantes para toda a região e para a sua perspetiva UE, continuando
assim a integrar a cooperação regional na agenda política dos países. A
cooperação regional deve ser assumida e gerida a nível regional. Os litígios associados às questões
interétnicas ou do estatuto, nomeadamente na Bósnia e Herzegovina e no Kosovo[2], continuam a entravar o
funcionamento normal das instituições, travam o processo de reforma e podem, em
certos casos, ter implicações regionais mais vastas. A melhor maneira de estes
territórios resolverem esses problemas consiste em continuar a progredir rumo à
adesão à UE. As questões difíceis ligadas à origem étnica podem encontrar uma
solução satisfatória através do diálogo e do compromisso, tal como o demonstra
a aplicação do Acordo-Quadro de Ohrid atualmente em curso na antiga República
jugoslava da Macedónia. As divergências relativamente ao estatuto do Kosovo
continuaram a impedir o aprofundamento das relações com a UE. A questão do norte do Kosovo permanece um
importante desafio. Os progressos
relativamente a estas questões exigem que todos os intervenientes cooperem num
espírito construtivo. Foram obtidos novos resultados no quadro do diálogo
Belgrado‑Pristina e concluídos acordos sobre cooperação regional e
representação, bem como sobre gestão integrada das fronteiras. Este último
acordo deve agora ser aplicado. A interpretação da Sérvia em relação ao acordo
em matéria de cooperação regional e à representação do Kosovo foi finalmente
clarificada e a sua aplicação inicial mostra que deixou de constituir um
obstáculo à participação de todos na cooperação regional. A aplicação de outros
acordos concluídos nos domínios da liberdade de circulação, do cadastro, dos
registos civis, dos carimbos aduaneiros e da aceitação mútua de diplomas foi
desigual e só teve até agora um impacto limitado no terreno. É urgente realizar
progressos suplementares no quadro deste processo. Os apelos à reconciliação ecoam mais
profundamente junto da população no seu conjunto, lançando bases sólidas para
abordar os problemas em suspenso depois da guerra, tais como os crimes de
guerra, os refugiados e as tensões interétnicas. As iniciativas tomadas por ONG
e pela sociedade civil, como a «Youth Initiative for Human Rights» e a Comissão
«Verdade e Reconciliação» e a Iniciativa Igman, contribuem de forma
significativa para reforçar a reconciliação entre os cidadãos da região,
devendo ser apoiadas. No entanto, é necessário continuar vigilante nos próximos
anos a fim de prevenir reflexos nacionalistas. Os governos e os líderes
políticos em especial devem trabalhar mais para promover um ambiente conducente
a abordar o passado. Essas questões decorrentes de conflitos passados,
juntamente com outras questões bilaterais em aberto constituem desafios
essenciais para a estabilidade dos Balcãs Ocidentais e devem ser abordados com
urgência. É urgente resolver estas questões
remanescentes, o que permitirá eliminar um obstáculo importante na via dos
Balcãs Ocidentais rumo à UE. Em termos de crimes de guerra,
afigura-se essencial para uma reconciliação duradoura levar a julgamento os
autores dos crimes cometidos durante as guerras que ocorreram na ex‑Jugoslávia.
A cooperação com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ)
prosseguiu. Segue‑se a medidas anteriores tomadas pelos países da região
proporcionando uma boa base para que o TPIJ completasse o seu trabalho, ainda
que alguns julgamentos possam continuar para além da data de conclusão de
dezembro 2014 previamente indicada. Com a conclusão do trabalho do TPIJ, os
governos em causa continuam a enfrentar importantes desafios, abordando a
impunidade por crimes de guerra no âmbito das suas próprias jurisdições. Com
vontade política, mais recursos, uma cooperação regional mais aprofundada e a
resolução dos problemas relativos à extradição dos próprios nacionais, os
países da região podem assegurar que é feita justiça em relação a milhares de
vítimas das guerras. A questão das pessoas desaparecidas deve ser plenamente
resolvida. A Comissão apoia totalmente a investigação em curso realizada sob os
auspícios da EULEX relativamente a alegados crimes, nomeadamente o tráfico de
órgãos humanos, cometidos no período durante e após o conflito no Kosovo,
abordados no relatório Marty aprovado pela Assembleia Parlamentar do Conselho
da Europa. No que diz respeito aos refugiados, foi
assinada em novembro de 2011 em Belgrado uma declaração ministerial da Sérvia,
Croácia, Bósnia e Herzegovina e Montenegro, renovando o empenhamento político
no sentido de encerrar o processo de Sarajevo. Foi acordado e apresentado um
programa regional de alojamento numa conferência internacional de doadores
realizada em abril de 2012, em que a UE e a comunidade internacional se
comprometeram a contribuir com um importante apoio financeiro suplementar. As autoridades nacionais devem garantir a execução
deste programa, que tem por objetivo facilitar o regresso sustentável da maior
parte dos refugiados pertencentes a grupos vulneráveis aos seus locais de
origem ou a sua integração local onde encontraram refúgio. Tal permitiria o
encerramento definitivo dos centros de acolhimento da região que alojam
deslocados internos e refugiados e a radiação formal do registo dos atuais 74
000 refugiados remanescentes. A Comissão congratula-se com estes
desenvolvimentos e apela aos países para trabalharem com vigor no sentido de
resolverem as questões remanescentes em matéria de refugiados e deslocados
internos. As questões relacionadas com as minorias
continuam a ser um desafio essencial nos Balcãs Ocidentais. Globalmente, estão
em vigor quadros jurídicos sólidos e elaborados para dar proteção às minorias.
Simultaneamente, a execução na prática é frequentemente complicada,
nomeadamente quando existem ligações a conflitos recentes. Deve ser incentivada
uma cultura geral de aceitação das minorias, através da educação, da ativação
de debates para o público em geral e de uma maior sensibilização. É necessário
abordar de forma proativa os casos de crimes de ódio e de discriminação. Os
ciganos continuam a ser particularmente desfavorecidos em toda a região. A
Comissão continuará a apoiar medidas relativamente a este aspeto, nomeadamente
no âmbito da Década dos Ciganos. Os países devem aplicar as conclusões
operacionais que subscreveram nos seminários relativos à etnia cigana
realizados pela Comissão em 2011. Num espírito de relações de boa vizinhança, os
problemas bilaterais em aberto devem ser abordados pelas partes em
causa, o mais rapidamente possível, durante o processo de alargamento, com
determinação e tendo em conta os interesses gerais da UE. Realizaram-se poucos
progressos em relação a estas questões no ano passado. A Comissão insta as
partes a fazer todos os possíveis por resolver os litígios pendentes, em conformidade
com os princípios e os meios estabelecidos, nomeadamente remetendo, se
necessário, determinadas questões para o Tribunal Internacional de Justiça ou
outros órgãos existentes ou órgãos ad hoc de resolução de litígios. As
questões bilaterais não deverão paralisar o processo de adesão. A Comissão está
disposta a facilitar a criação do necessário impulso político na procura de
soluções e a apoiar as iniciativas nesse sentido. O acordo no sentido do
recurso a um processo de arbitragem para a resolução do diferendo fronteiriço
entre a Eslovénia e a Croácia, cuja aplicação teve início durante este ano,
abre a via para a resolução destes problemas bilaterais e constitui um bom
exemplo do caminho a seguir. A Comissão sublinha a importância da declaração da
Croácia sobre a promoção dos valores europeus na Europa do Sudeste e
nomeadamente o compromisso da Croácia de que as questões bilaterais não devem
entravar o processo de adesão dos países candidatos. No que diz respeito à
antiga República jugoslava da Macedónia, a Comissão sublinha que permanece
essencial encontrar uma solução negociada e mutuamente aceitável, sob os
auspícios da ONU, para o litígio sobre a designação do país. É conveniente
encontrar uma solução sem mais demoras.
2.3.
Desafios económicos e sociais
Reforço da
recuperação económica nos países do alargamento Há um cenário misto em termos de evolução
socioeconómica nos países do alargamento. Todos os países do alargamento têm
mantido em grande medida uma estabilidade macroeconómica global, tendo no entanto
aumentado de forma significativa os riscos a nível orçamental em alguns deles.
O impacto da crise económica está ser sentido em toda a região, estando os
Balcãs Ocidentais a entrar de novo em recessão em condições de baixos níveis de
competitividade, rendimento e investimento e de uma elevada taxa de desemprego
em aumento. Os resultados em termos de crescimento da
economia turca podem ser atribuídos em larga medida a políticas macroeconómicas
prudentes e a reformas iniciadas bastante antes da crise mundial. No entanto,
para apoiar o crescimento e continuar a reforçar a economia muito há ainda a
fazer. A dinâmica positiva na economia turca proporciona uma oportunidade para
realizar outras reformas estruturais, particularmente nos domínios da educação,
das infraestruturas e do mercado de trabalho. Na sequência do colapso do sistema bancário, a
economia islandesa contraiu‑se no total em 12 %. A recuperação, com base
nas exportações e numa forte procura interna, começou em 2011, tendo continuado
este ano. A estabilização da economia foi alcançada através de uma
reestruturação e um reforço decisivos do setor bancário, da consolidação das
finanças públicas e de uma combinação de políticas prudentes, embora no âmbito
de controlos sobre os capitais, cuja supressão continua a ser um desafio. Após uma ligeira recuperação em 2010 e 2011, a
maior parte das economias dos Balcãs Ocidentais contraiu‑se de novo em
2012, na sequência da evolução negativa na União Europeia. A Croácia, a Bósnia
e Herzegovina e a Sérvia estão de novo em recessão. A Albânia, o Kosovo e a
antiga República jugoslava da Macedónia estão a resistir melhor às condições
desfavoráveis. Continuaram a crescer, uma vez que conseguiram apoiar a procura
interna e são menos afetados pelas reduções a nível do comércio. O setor
financeiro permaneceu estável em todos os países, apesar de a qualidade da
carteira de empréstimos ter continuado a deteriorar-se. A longa depressão agravou muito visivelmente
as já difíceis condições sociais. O desemprego continuou a aumentar,
situando-se agora em média em 21 % nos Balcãs Ocidentais, mas muito mais
elevado na Bósnia e Herzegovina, na Sérvia, na antiga República jugoslava da
Macedónia e no Kosovo. Os jovens são particularmente afetados. Ainda mais
preocupante, os resultados favoráveis em termos de redução da pobreza
realizados no período anterior à crise estão a ser invertidos. Especialmente a
classe média emergente tornou-se mais vulnerável, com fracos amortecedores
financeiros e poupanças familiares. Várias sondagens sugerem que o
descontentamento da população com a situação económica e social está a
aumentar, uma vez que muitos já não podem frequentemente adquirir produtos e
serviços de base. Estas tendências, conjugadas com um crescimento mais fraco
este ano ou mesmo com uma nova recessão, sugerem a necessidade de uma resposta
política muito mais proativa a fim de atenuar a deterioração das condições
sociais, nomeadamente o desemprego e a pobreza, incentivando, por exemplo, o
investimento para apoiar a criação de emprego e orientando melhor os
investimentos no setor social. Os países estão conscientes da necessidade de
aplicar reformas prioritárias e medidas para apoiar o crescimento e o emprego.
Todavia, o empenhamento político para aplicar estas reformas é frequentemente
demasiado fraco. A cobrança dos impostos, bem como a planificação e a execução
do orçamento não melhoraram suficientemente nos últimos anos. As transferências
orçamentais continuam a ser mal orientadas, não contribuindo para a melhoria da
situação social. A reforma dos mercados de trabalho continua ainda em grande
medida por realizar e os sistemas de ensino profissional não contribuem para
reduzir as inadequações entre as qualificações e as necessidades. Daí resulta
que os trabalhadores procuram muitas vezes emprego no estrangeiro, o que a
curto prazo beneficia a economia através das remessas de fundos, fazendo baixar
o desemprego; no entanto, a mais longo prazo limita o potencial de crescimento
devido a uma diminuição da mão-de-obra e à fuga de cérebros. A nível
microeconómico, inúmeros países implementaram reformas a fim de facilitar a
criação de empresas ou conceberam regimes destinados a atrair os investidores
estrangeiros, mas a debilidade do Estado de direito e a importância do setor
informal continuam a prejudicar o clima de negócios. A UE está empenhada em continuar a ajudar
esses países através de aconselhamento político e de assistência financeira;
trabalha também em estreita colaboração com as IFI, a fim de que os empréstimos
sejam concedidos em condições favoráveis e orientados para os domínios
prioritários. A Comissão continuará a associar os países do
alargamento à estratégia Europa 2020. Analisará a possibilidade de utilizar de
forma mais específica as reuniões do AEA para tratar dos problemas associados à
competitividade e ao emprego. Para o efeito, e em conformidade com a abordagem
Europa 2020, os países do alargamento são incentivados a fixarem objetivos
nacionais em matéria de emprego, inovação, alterações climáticas, energia,
educação, redução da pobreza e a inclusão social. Além disso, a partir de 2013,
a Comissão dará progressivamente início a um diálogo com os países do
alargamento em matéria de programas de reforma social e de emprego,
prosseguindo uma abordagem global da política social e do emprego. A Comissão
promoverá também uma participação melhorada nos programas da UE, de forma a que
os países do alargamento possam trabalhar com os Estados‑Membros nos
domínios das iniciativas emblemáticas da estratégia Europa 2020. Os grupos da política regional e os CCR
realizaram bons progressos na adaptação do processo da estratégia Europa 2020
às necessidades e às realidades regionais. Este ano, os ministros responsáveis
pelo comércio e pelo investimento comprometeram-se a apresentar uma avaliação
periódica das políticas seguidas em matéria de comércio regional, de
investigação privada, de promoção do espírito empresarial e da criação de
emprego. A Comissão apoiará este esforço conjunto de reforma e a abordagem de
acompanhamento regional, nomeadamente através dos fundos ao abrigo do IPA. Uma cooperação económica regional reforçada
pode contribuir para atenuar os efeitos da crise. O comércio regional
representa em média cerca de 17 % do conjunto das trocas comerciais na região.
Os fluxos comerciais entre os países do CEFTA foram menos afetados pela crise,
tendo recentemente recuperado com mais rapidez do que o comércio com a UE.
Contudo, o comércio é dominado pelos produtos alimentares e pelos produtos de
base, constituindo os produtos com maior valor acrescentado apenas uma parte
reduzida das trocas comerciais. O CEFTA lançou‑se no processo de
liberalização de determinados serviços, o que poderá trazer vantagens
importantes para todas as partes. A integração dos mercados da energia e dos
transportes torna a região mais competitiva e cria as condições favoráveis para
atrair investidores nestes domínios. O Quadro de Investimento para os Balcãs
Ocidentais (QIBO) foi criado para agrupar os doadores nacionais e as IFI a fim
de constituir uma reserva de projetos nos países. Ao abrigo do QIBO, a
Comissão, os doadores bilaterais e as IFI apoiam investimentos no valor de 8
000 milhões de EUR nos domínios dos transportes, energia, ambiente, alterações
climáticas, no setor social e do desenvolvimento do setor privado PME. O QIBO
desempenhará um papel cada vez mais importante para ajudar a preparar e a
promover os investimentos mais necessários para apoiar o crescimento e o
emprego. A governação
económica da UE e os países do alargamento Tendo em conta as alterações consideráveis em
curso na governação económica da UE, é importante continuar a informar os
países do alargamento e a associá-los cada vez mais a este processo, tendo
igualmente em conta o atual grau elevado de integração económica com a UE. A Comissão Europeia dispõe de um certo número
de instrumentos para manter informados os países do alargamento sobre a
evolução das políticas económicas da UE. Trata-se nomeadamente dos diálogos
políticos e económicos bilaterais regulares, bem como do diálogo económico
multilateral entre a Comissão, os Estados-Membros da UE e os países candidatos
no contexto do programa de supervisão orçamental de pré-adesão. A Comissão adaptará gradualmente a supervisão
económica dos países do alargamento à governação económica reforçada no âmbito
da UE. Para este efeito, os países serão convidados a reforçar os seus
programas económicos de médio prazo, centrando-se mais na sustentabilidade da
sua posição externa e nos principais obstáculos estruturais ao crescimento, em
conformidade com a estratégia Europa 2020. Deve igualmente ser dada uma maior
atenção ao reforço dos quadros orçamentais nacionais que devem respeitar normas
de qualidade. Os países candidatos devem assumir compromissos políticos fortes
para dar seguimento às recomendações acordadas aquando da reunião anual
conjunta ECOFIN. Esta reunião e os seus preparativos, bem como os fóruns
previstos pelo AEA, virão completar a supervisão económica e orçamental e
permitirão informar os países candidatos de outras evoluções que moldam a
governação económica da UE, se for caso disso. As próximas reuniões explicativas organizadas
no quadro do exame analítico serão igualmente aproveitadas para familiarizar os
países com as alterações ocorridas nas obrigações em matéria da legislação da
união económica e monetária, bem como a nova arquitetura em matéria de
supervisão financeira. A Comissão analisará a possibilidade de convidar para
estas reuniões os países candidatos com os quais as negociações ainda não
começaram. A Comissão pode igualmente organizar outras reuniões de exame
analítico durante as negociações de adesão quando for adotado um novo acervo
significativo.
3.
Manter a dinâmica do
alargamento e das reformas
Os países do alargamento são confrontados com
inúmeros desafios em domínios como o Estado de direito, a corrupção, a
criminalidade organizada, a economia e a coesão social. Além disso, num
contexto de estagnação económica, existem riscos de populismo e de resistência
em relação a reformas essenciais. Nos países dos Balcãs Ocidentais em especial,
afigura-se essencial que os países permaneçam firmemente na via das reformas,
deixando para trás os seus problemas herdados do passado e investindo no seu
futuro europeu. A UE partilha o interesse numa aplicação bem sucedida das reformas.
O alargamento é um empreendimento comum. Manter a dinâmica do alargamento bem
como das reformas constitui as duas faces de uma mesma moeda. A Comissão procura cada vez mais abordagens
inovadoras para dar resposta aos desafios que se colocam nos países do
alargamento aquando do processo de adesão. Os critérios e as condições de
adesão permanecem os mesmos. Contudo, em muitos domínios, são necessárias
abordagens específicas a cada país e por medida destinadas a abordar situações
difíceis, nomeadamente bloqueios no processo de adesão. Estas abordagens dizem
não apenas respeita ao Estado do direito e à reforma da administração pública,
mas igualmente ao reforço democrático, à boa governação e aos problemas
económicos e sociais. Tais iniciativas dão um impulso às reformas. Não
substituem as negociações de adesão, mas constituem uma ponte para elas. Com base no documento de 2011 relativo à
estratégia para o alargamento e nas conclusões do Conselho de dezembro de 2011,
foi lançado em maio de 2012 um programa para o desenvolvimento de relações
construtivas entre a UE e a Turquia, a fim de apoiar o processo das negociações
de adesão, em conformidade com o quadro de negociação e as conclusões
pertinentes do Conselho. O programa abrange uma grande variedade de domínios de
interesse comum, nomeadamente as reformas políticas, o diálogo em matéria de
política externa, o alinhamento pelo acervo da UE, os vistos, a mobilidade e as
migrações, o comércio, a energia, a luta contra o terrorismo e a participação
da Turquia em programas da UE. Foi lançado em março de 2012 em Skopje um
diálogo de alto nível com a antiga República jugoslava da Macedónia sobre a
adesão. Este diálogo coloca a integração na UE na primeira linha das
prioridades nacionais, conferindo um novo impulso e garantindo uma discussão
estruturada e de alto nível sobre os principais desafios e as principais
oportunidades decorrentes das reformas. As questões essenciais incluem
nomeadamente a liberdade de expressão, o Estado de direito, as relações interétnicas,
a reforma eleitoral, a reforma da administração pública, o reforço da economia
de mercado e as relações de boa vizinhança. O Governo está a realizar
progressos, estabelecendo objetivos de reforma ambiciosos, nomeadamente no seu
roteiro, definindo medidas específicas e calendários para a sua aplicação. Na Albânia, a Comissão trabalhou em estreita
colaboração com o governo e a oposição, a fim de ajudar o país a ultrapassar os
obstáculos políticos à realização de reformas eleitorais e parlamentares e a
criar um clima propício para progressos suplementares, apoiando em especial a
agenda da UE. Tal permitiu uma revisão do plano da ação relativo às prioridades
essenciais do parecer da Comissão através de um processo transparente e
participativo. O facto de se colocar a agenda da UE na primeira linha da ação
do governo permitiu obter resultados concretos sobre as prioridades fixadas no
plano, nomeadamente no domínio da reforma eleitoral e parlamentar, do Estado de
direito e dos direitos humanos. Foi lançado em Bruxelas, em junho de 2012, um
diálogo de alto nível com a Bósnia e Herzegovina sobre o processo de adesão.
Esta iniciativa tem por objetivo ajudar o país a progredir no processo de
adesão à UE, explicando as exigências e a metodologia das negociações de adesão
e, concretamente, o que se espera de um país durante o seu processo de adesão.
O objetivo consiste em manter a dinâmica política da agenda da UE apesar da
crise política em curso. A reunião de junho permitiu chegar a conclusões comuns
e acordar num roteiro para a integração na UE destinado a respeitar as
condições para a entrada em vigor do Acordo de Estabilização e de Associação
(AEA) e para um pedido credível de adesão à UE. Tal implicou a criação de um
mecanismo de coordenação entre todos os níveis de autoridade competentes para
os assuntos europeus, de forma a que o país possa falar a uma só voz neste
domínio. A Comissão lamenta que os resultados obtidos até agora continuem aquém
das expectativas. O diálogo estruturado em matéria de justiça lançado com a
Bósnia e Herzegovina em 2011 teve um impacto positivo na execução da estratégia
da reforma do setor judiciário para 2009‑2013. A Comissão Europeia e o Kosovo lançaram um
diálogo estruturado em matéria de Estado de direito em maio de 2012. Este diálogo
é concebido para ajudar o Kosovo a progredir no domínio do Estado do direito, o
que é uma preocupação fundamental no conjunto dos Balcãs Ocidentais. Nesta
fase, a Comissão centrar‑se‑á no aparelho judiciário, na luta
contra a criminalidade organizada e na corrupção. A Comissão prosseguirá estas iniciativas bem
como outras, com vista a manter a dinâmica e o poder de transformação do
processo de adesão, e a assegurar a capacidade de resposta da política de
alargamento.
4.
Progressos realizados nos países do
alargamento e rumo a seguir para 2012-13
4.1.
Balcãs Ocidentais
Croácia Paralelamente à presente comunicação, a
Comissão adotou uma comunicação que expõe as principais conclusões do relatório
global de acompanhamento sobre o grau de preparação da Croácia para a adesão à
UE. A Comissão continuará a assegurar um
acompanhamento dos compromissos assumidos pelo país durante as negociações de
adesão até à data de adesão, estando prevista para a primavera de 2013 uma
comunicação relativa ao relatório de acompanhamento final. Montenegro Em 29 de junho de 2012, o Conselho Europeu
aprovou a decisão do Conselho, com base num relatório da Comissão, de encetar
as negociações de adesão com o Montenegro. As negociações foram abertas no
mesmo dia por ocasião da primeira Conferência Intergovernamental. As
negociações de adesão serão realizadas em conformidade com o quadro de
negociação adotado pelo Conselho, que integra a nova abordagem para os
capítulos em matéria de poder judiciário e direitos fundamentais, bem como de justiça,
liberdade e segurança, reforçando assim a tónica colocada no Estado de direito
durante as negociações. A decisão de abertura das negociações de
adesão tem em conta os progressos permanentes realizados pelo Montenegro nas
suas principais reformas. O Montenegro respeita suficientemente os critérios
políticos. O quadro legislativo e institucional e as políticas melhoraram com
vista a reforçar o funcionamento do Parlamento, o poder judiciário, a política
de luta contra a corrupção, os direitos humanos e a proteção das minorias. As
reformas constitucional e da administração pública em curso continuaram a
progredir. O Montenegro continuou a cumprir adequadamente as obrigações
subscritas no Acordo de Estabilização e de Associação (AEA). Continuou a
desempenhar um papel construtivo na região e a respeitar os seus compromissos
internacionais. O Montenegro deve envidar esforços
suplementares para melhorar ainda mais os seus resultados no domínio do Estado
de direito de forma a implementar reformas irreversíveis, em especial no que
diz respeito aos processos judiciais de criminalidade organizada e corrupção,
nomeadamente de alto nível. O Montenegro deve completar o processo de reforma
constitucional para preservar a independência do poder judiciário. A responsabilização
do poder judiciário continua a constituir motivo de preocupações. Tendo em
conta a dimensão limitada da administração montenegrina, a criação das
capacidades administrativas necessárias para a aplicação do acervo constituirá
igualmente um desafio de natureza transversal. Em conformidade com a nova abordagem e com o
convite do Conselho Europeu de dezembro de 2011, a Comissão começou já, na
primavera de 2012, o exame analítico dos capítulos relativos ao poder
judiciário e aos direitos fundamentais, bem como à justiça, liberdade e
segurança. O exame analítico dos outros capítulos começou em setembro de 2012,
devendo estar concluído no verão de 2013. A Comissão continuará a apoiar o Montenegro na
execução das reformas associadas à UE. Antiga
República jugoslava da Macedónia A antiga República jugoslava da Macedónia
obteve o estatuto de país candidato em 2005. Em 2009, a Comissão considerou que
o país cumpria suficientemente os critérios políticos e recomendou o início das
negociações de adesão. Esta recomendação foi reiterada pela Comissão em 2010 e
2011 e agora em 2012. A Comissão está firmemente convencida de que a passagem
para a fase seguinte do processo de adesão é necessária para acelerar as
reformas, em especial as que dizem respeito ao Estado de direito, e consolidar
a sua sustentabilidade, bem como para reforçar as relações interétnicas. Esta
medida beneficiaria toda a região. O país continua a cumprir os compromissos
subscritos no Acordo de Estabilização e de Associação (AEA). A Comissão mantém
a sua proposta de passar à segunda fase da associação e incentiva o Conselho a
decidir rapidamente sobre esta questão, em conformidade com as disposições
relevantes previstas no AEA. O país continua a cumprir de forma
satisfatória os critérios políticos. O governo colocou a agenda da UE no cerne
da sua atividade. O diálogo de alto nível sobre a adesão realizado com a
Comissão serviu de catalisador das reformas e permitiu progressos
significativos em vários domínios da ação essenciais. O Governo apresentou ao
Parlamento propostas relativas à melhoria do quadro legislativo aplicável às
eleições e, no domínio da liberdade de expressão, à despenalização da
difamação. O primeiro exame efetuado pelo governo da aplicação do acordo-quadro
de Ohrid fornece um instrumento precioso de reforço do diálogo entre as
comunidades. A dinâmica da reforma deve ser prosseguida em
todos os domínios abrangidos pelos critérios políticos de forma, nomeadamente,
a garantir a sua aplicação. Em especial, o Estado de direito, nomeadamente no
que diz respeito à liberdade de expressão, deve ser reforçado. O processo de
diálogo entre governo e a associação dos jornalistas realizado sob a forma de
uma mesa-redonda deve continuar a ser uma instância útil para abordar problemas
essenciais relativos aos meios de comunicação. As tensões que eclodiram entre
as comunidades na sequência de incidentes violentos no decorrer do primeiro
semestre de 2012 são preocupantes. O governo respondeu com maturidade a este
desafio e deve apoiar‑se nestes acontecimentos para reforçar mais
estreitamente as relações interétnicas e consolidar a reconciliação, à luz
igualmente do debate sobre o estatuto das vítimas do conflito de 2001. À medida que nos aproximamos do 20.º
aniversário da entrada da antiga República jugoslava da Macedónia nas Nações
Unidas, o diferendo sobre a denominação do país continua por resolver. Está
aberto desde a década de 90 um diálogo sob a égide das Nações Unidas,
complementado desde 2009 por contactos bilaterais, nomeadamente a nível dos Primeiros-Ministros.
Contudo, estes processos não deram qualquer resultado até agora. Em dezembro, o
Tribunal Internacional de Justiça considerou que a Grécia tinha infringido o
Acordo Provisório concluído com o país ao emitir objeções à sua adesão à NATO
aquando da Cimeira de Bucareste de 2008. Afigura-se essencial manter relações
de boa vizinhança, nomeadamente através de uma solução negociada e aceite de
comum acordo sobre a questão da designação do país, sob os auspícios das Nações
Unidas. É conveniente encontrar uma solução ser mais demoras. Devem ser
evitadas quaisquer ações ou declarações suscetíveis de prejudicar as relações
de boa vizinhança. Sérvia Em março de 2012,
o Conselho Europeu concedeu à Sérvia o estatuto de país candidato. A estabilidade e o
bom funcionamento das instituições foram garantidos aquando do período que
precedeu e seguiu as eleições organizadas a nível presidencial, legislativo e
local, bem como em Vojvodina. Apesar de um abrandamento da atividade
legislativa no contexto eleitoral, foram realizados progressos em matéria de
aplicação das reformas na maior parte dos domínios. A Sérvia manteve uma plena
cooperação com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ). A
Sérvia está a aplicar, sem dificuldade, as obrigações que lhe incumbem ao
abrigo do Acordo Provisório/Acordo de Estabilização e de Associação. O diálogo
com Pristina deu resultados, mas a aplicação dos acordos concluídos foi
desigual. Dois desenvolvimentos recentes são de notar relativamente a este
aspeto: a Sérvia assinou um protocolo técnico sobre gestão integrada das
fronteiras e clarificou a sua interpretação do acordo sobre a cooperação
regional e a representação do Kosovo que, com base na implementação inicial,
deixou de constituir um obstáculo à participação de todos na cooperação
regional. Os novos dirigentes sérvios sublinharam a sua vontade de aplicar
todos os acordos já concluídos aquando do diálogo com Pristina, bem como de
começar a abordar as questões políticas mais gerais. O respeito deste compromisso
é essencial para passar à fase seguinte da integração da Sérvia na UE. A Sérvia continua
rumo ao cumprimento satisfatório dos critérios políticos e das condições do
processo de estabilização e de associação. Deve, no entanto, estar
particularmente atenta ao Estado de direito, nomeadamente ao aparelho
judiciário, setor em que recentes recuos fazem surgir a necessidade de um
compromisso renovado para prosseguir as reformas e garantir a independência, a
imparcialidade e a eficiência da justiça, tendo simultaneamente em conta
recentes acórdãos do Tribunal Constitucional e a necessidade de restaurar a
confiança da população após as deficiências registadas no processo de
renomeação dos juízes e procuradores. Tendo igualmente em conta acontecimentos
recentes, os direitos dos grupos vulneráveis e a independência de instituições
essenciais como o Banco Central merecem igualmente uma atenção especial. A
Sérvia deve igualmente prosseguir o seu empenhamento construtivo na cooperação
regional e reforçar as suas relações com os países vizinhos. A dinâmica das
reformas deve ser relançada e realizados novos avanços, a fim de melhorar de
forma visível e sustentável as suas relações com o Kosovo. Na perspetiva de
recomendar a abertura das negociações com a Sérvia com vista à adesão à União
Europeia, e em conformidade com as conclusões do Conselho de 5 de dezembro de
2011, a Comissão apresentará um relatório logo que considerar que a Sérvia
atingiu um nível necessário de conformidade com os critérios de adesão e as
condições do processo de estabilização e de associação e, em especial, a
prioridade essencial relativamente ao Kosovo mencionada nas conclusões do
Conselho. É necessária uma melhoria visível e sustentável das relações com o
Kosovo, para que as duas entidades possam prosseguir a sua via respetiva rumo à
UE, evitando simultaneamente que uma possa bloquear a outra nos seus esforços. Albânia O acordo político
concluído em novembro de 2011 entre a maioria no poder e a oposição marcou o
final de um longo período de impasse político em que o país se encontrava desde
as eleições legislativas de 2009. Este acordo
tem por objetivo resolver a questão da reforma eleitoral e parlamentar e criar
um clima político propício ao desenvolvimento de esforços de reforma conjuntos
noutros domínios. Em consequência, o diálogo e a cooperação políticos
melhoraram consideravelmente, o que permitiu ao país fazer progredir as
reformas essenciais. As eleições presidenciais desenrolaram‑se no
respeito da Constituição, mas o processo político que envolveu as eleições não
foi tão inclusivo como previsto. Apesar do abrandamento temporário das reformas
que se seguiu, o acordo político está atualmente a ser aplicado. A Albânia realizou progressos satisfatórios
com vista a cumprir os critérios políticos de adesão à UE, graças à execução de
um certo número de reformas em resposta às doze prioridades essenciais
enunciados no parecer da Comissão de 2010. Globalmente, a Albânia continuou a
aplicar, sem grandes dificuldades, o Acordo de Estabilização e de Associação e
a desempenhar um papel construtivo na região. A Albânia cumpriu quatro das
prioridades essenciais, nomeadamente as relativas ao funcionamento adequado do
Parlamento, à adoção das leis pendentes que exigem uma maioria reforçada, à
nomeação de um provedor e à criação de procedimentos de audição e de voto para
as grandes instituições e à alteração do quadro legislativo aplicável às
eleições. A Albânia está no
bom caminho para cumprir as duas prioridades essenciais relativamente à reforma
da administração pública e à melhoria do tratamento das pessoas detidas. A boa
coordenação, pelo governo, do processo de integração na UE e a cooperação
eficaz da oposição permitiram realizar progressos modestos relativamente às
prioridades essenciais em matéria de reforma da justiça e de luta contra a
corrupção, nomeadamente através da reforma do regime de imunidade aplicável aos
funcionários e aos juízes e através da adoção da lei sobre os tribunais
administrativos. Realizaram-se igualmente progressos no que diz respeito às
prioridades essenciais: a luta contra a criminalidade organizada, a reforma do
regime de propriedade, bem como as políticas de luta contra as discriminações,
em especial no que se refere aos direitos da mulher; foram tomadas medidas
importantes relativamente a este aspeto, nomeadamente o aumento das apreensões
de bens de origem criminosa, a adoção de uma estratégia global da reforma do
regime de propriedade e alterações do código penal reforçando as sanções em
caso de violência doméstica. A Albânia deve basear-se nos progressos
realizados e tomar medidas concretas para acelerar a luta contra a corrupção e
a reforma do sistema judiciário, a fim de garantir um sistema independente,
eficiente e responsável pelos seus atos. As reformas da administração e do
sistema judiciário devem ser completadas e as regras de procedimento
parlamentar revistas. A Albânia deve dar maior
atenção ao respeito dos compromissos que subscreveu no domínio dos direitos
humanos, nomeadamente no que diz respeito às condições de vida da comunidade
cigana. Continua a ser necessário prosseguir o
diálogo político sobre as reformas para assegurar um bom funcionamento das
instituições democráticas do país, continuando a reforçá-las. As eleições legislativas do verão de 2013
constituirão um importante teste para a nova lei eleitoral e para o
empenhamento dos diferentes partidos em prosseguir as reformas. Continua a ser primordial manter a dinâmica da
reforma, sublinhando em especial a aplicação da legislação e das políticas no
domínio do Estado de direito. Bósnia e
Herzegovina O estabelecimento das autoridades executivas e
legislativas foi completado com a conclusão do acordo sobre a formação do
governo central, após dezasseis meses de bloqueio político subsequente às
eleições gerais de outubro de 2010. A formação
do novo Conselho de Ministros e a adoção de duas leis essenciais em relação com
a UE conduziram inicialmente a uma alteração de orientação para com a
integração na UE. Contudo, esta dinâmica não
foi mantida. O consenso político que tinha
emergido desapareceu e os progressos em relação à agenda da UE entraram num
impasse. Começou uma remodelação das
autoridades do Estado, da Federação e dos cantões, mas continua entravada por
conflitos políticos e recursos judiciais. Os
progressos realizados pela Bósnia e Herzegovina para cumprir os critérios
políticos foram limitados. Realizaram-se
poucos progressos no sentido de obter estruturas institucionais mais
funcionais, coordenadas e sustentáveis. São
necessários esforços significativos para reforçar o setor judiciário, em
conformidade com as prioridades definidas no contexto do diálogo estruturado
UE/Bósnia e Herzegovina sobre a justiça. Devem
igualmente ser acelerados os esforços desenvolvidos na luta contra a corrupção
e a criminalidade organizada, bem como na prossecução da reforma da
administração pública. Os representantes políticos nem sempre têm uma
visão comum da orientação geral do país, do seu futuro e do seu quadro
institucional, que no entanto é necessária para realizar progressos
qualitativos na via que conduz à UE. Continua por
abordar a necessidade de criar um mecanismo de coordenação eficaz entre os
vários níveis de poder para a transposição, aplicação e execução das
disposições legislativas da UE, para que o país possa falar a uma só voz sobre
as questões europeias e utilize de forma adequada a assistência de pré-adesão
concedida pela UE. Para o efeito, foi lançado
em Bruxelas em 27 de junho um diálogo de alto nível sobre o processo de adesão.
Foi adotado um
roteiro interno para a integração europeia, tendo como objetivo permitir ao
país cumprir as condições da entrada em vigor do Acordo de Estabilização e de
Associação (AEA) e apresentar um pedido de adesão credível, em conformidade com
as conclusões do Conselho relevantes; contudo, não foi cumprido o prazo de 31
de agosto fixado para a conclusão de um acordo político relativo às alterações
a introduzir na Constituição para a tornar conforme ao acórdão proferido pelo
Tribunal Europeu dos Direitos do Homem em matéria de discriminação baseada na
origem étnica no que se refere à representação nas instituições do país
(processo Sejdic-Finci). Em agosto, três partidos políticos transmitiram à
Assembleia Parlamentar propostas distintas, mas não coordenadas, destinadas a
alterar a Constituição. Os atrasos persistentes na harmonização da Constituição
associados ao acórdão proferido pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem no
processo Sejdic-Finci continuam a constituir uma questão preocupante. Para
satisfazer as obrigações que lhe incumbem por força do AP/AEA, o país deve
instituir um processo credível com vista a abordar a decisão do Tribunal
Europeu dos Direitos do Homem e deve igualmente cumprir as suas obrigações em
matéria de auxílios estatais. A governação da
Bósnia e Herzegovina continua a exigir uma presença internacional dotada de um
mandato executivo. Em maio, o Comité Diretor do Conselho de Implementação da
Paz adotou a decisão do Gabinete do Alto Representante de suspender a
supervisão e encerrar o gabinete de Brčko em 31 de agosto, na sequência
dos progressos substanciais realizados na aplicação da sentença definitiva do
tribunal de arbitragem de Brčko. O gabinete de Brčko foi
posteriormente encerrado em 31 de agosto. A UE abriu gabinetes em Brčko e
Mostar e reforçou o gabinete existente em Banja Luka. Na sequência da
separação do mandato do Representante Especial da União Europeia (REUE) em
relação ao Gabinete do Alto Representante, o Chefe da Delegação da UE, que
assume a partir de agora igualmente a função de REUE, assumiu a liderança dos
esforços desenvolvidos em vários domínios para ajudar as autoridades a
realizarem os objetivos da agenda da UE. Relativamente
a este aspeto, a UE continuará a reforçar o seu apoio às instituições do país. São necessários esforços significativos para
satisfazer os requisitos que não foram ainda atingidos, facilitar a transição
de um país submetido a um sistema internacional de governação e de segurança
para um país dotado de instituições nacionais, que se tenha apropriado
plenamente dos processos político e legislativo, em conformidade com as
exigências aplicáveis a um país que aspira a aderir à UE. Entre todas estas questões, a necessidade de um
contexto político estável, com a agenda europeia no cerne do processo político,
constitui a prioridade absoluta. A vontade
política de chegar a um acordo baseado em compromissos é essencial para a
concretização das aspirações do país e dos seus cidadãos no que diz respeito à
UE. Kosovo Paralelamente à presente comunicação, a
Comissão adotou uma comunicação relativa a um estudo de viabilidade para um
Acordo de Estabilização e de Associação com o Kosovo.
4.2.
Turquia
A Turquia é um
país fundamental para a UE, devido ao dinamismo da sua economia, à sua situação
estratégica e ao papel regional importante que desempenha, contribuindo para a
política externa e para a segurança energética da UE. A Turquia está já
amplamente integrada na UE graças à união aduaneira, tendo-se tornado um
precioso elemento da competitividade da Europa. Reciprocamente, a UE continua a
ser o principal alicerce da modernização económica e política da Turquia. Ambas
as partes beneficiariam do reforço destas relações. O potencial da
relação UE‑Turquia só pode ser plenamente explorado no quadro de um
processo de adesão ativo e credível. O processo de adesão continua a ser o
quadro mais adequado para a promoção das reformas ligadas à UE, da instituição
de um diálogo sobre questões de política externa e de segurança, do reforço da
competitividade económica e do aumento da cooperação nos domínios da energia e
da justiça e assuntos internos. Este processo deve respeitar os compromissos da
UE e as condições estabelecidas. Neste contexto,
foi lançada pela Comissão em maio de 2012 uma agenda positiva nas relações com
a Turquia, a fim de relançar o processo de adesão após um período de estagnação
e dar um novo impulso às relações UE‑Turquia. A agenda positiva não é uma
alternativa às negociações de adesão, mas sim uma forma de as apoiar. Centra os
esforços em domínios de interesse comum, tais como o alinhamento legislativo,
uma cooperação energética reforçada, os vistos, a mobilidade e as migrações, a
união aduaneira, a política externa, a reforma política, a luta contra o
terrorismo e uma maior participação em programas interpessoais. Seis dos oito
grupos de trabalho criados no quadro da agenda positiva para apoiar o
alinhamento pelo acervo tiveram a sua primeira reunião. O apoio ativo da
Turquia à agenda positiva e a sua perspetiva europeia continuam a ser
essenciais. É do interesse da UE e da Turquia voltar a dinamizar as negociações
de adesão, nomeadamente para garantir que a UE continuará a ser a referência
para a Turquia em matéria de reformas. Além disso, o Conselho convidou a Comissão a
encetar um diálogo e a criar um quadro de cooperação alargados entre a UE e a
Turquia, a fim de abordar toda a gama de questões relativas à justiça e aos
assuntos internos. O Conselho convidou igualmente a Comissão a tomar medidas a
favor da liberalização, progressiva e a longo prazo, do regime de vistos, paralelamente
à assinatura do acordo de readmissão entre a Turquia e a UE. Depois de ter sido
rubricado em Junho, é fundamental agora que a Turquia o assine para permitir a
aplicação do roteiro para a liberalização do regime de vistos. Tendo em conta o facto de a Turquia ter
vocação para se tornar uma placa giratória dos abastecimentos de energia e de
partilhar determinados desafios com a UE, a Comissão e a Turquia decidiram
igualmente reforçar a sua cooperação num certo número de domínios importantes
ligados à energia. O diálogo político
com a UE sobre as questões de política externa e de segurança foi
consideravelmente reforçado. Os acontecimentos ocorridos na vizinhança comum à
Turquia e à UE confirmaram toda a importância do papel desempenhado pela Turquia
e a sua contribuição útil para a política externa e para a segurança energética
da UE. A Turquia continuou a desempenhar um papel construtivo apoiando os
movimentos de reforma nos países do Norte de África e do Médio Oriente. A
cooperação relativamente à Síria é intensa. As reuniões efetuadas no quadro do
diálogo político, nomeadamente a nível ministerial, centraram-se em questões de
política externa que apresentam um interesse comum para a UE e a Turquia, tais
como o Norte de África, o Médio Oriente, os Balcãs Ocidentais, o Afeganistão, o
Paquistão e o Sul do Cáucaso. A economia turca
continua a registar um forte crescimento, mas importantes desequilíbrios
externos e pressões inflacionistas constituem ainda as maiores ameaças para a
estabilidade macroeconómica. O elevado volume do emprego informal, a
segmentação dos mercados de trabalho e a conclusão da reforma da legislação
sindical continuam a ser um desafio. A Comissão está a analisar as formas de
abordar as preocupações da Turquia no âmbito da União aduaneira, nomeadamente
acordos de comércio livre concluídos pela UE com países terceiros.
Simultaneamente, sublinha que seria desejável modernizar a união aduaneira e
necessário encontrar uma solução para os diferendos comerciais que entravam as
trocas comerciais entre a Turquia e a UE. A
Comissão solicitou ao Banco Mundial que avaliasse o funcionamento da união
aduaneira, com o objetivo último de a modernizar. A Comissão
continuará a trabalhar na aplicação da agenda positiva, a fim de desenvolver um
novo dinamismo no processo de adesão e permitir uma relação mais construtiva. O facto de a
Turquia não ter realizado quaisquer progressos significativos no cumprimento
integral dos critérios políticos suscita cada vez mais preocupações. A situação relativamente ao respeito dos direitos
fundamentais no terreno continua a ser a causa de vivas preocupações - apesar
das recentes melhorias introduzidas em diversas disposições jurídicas neste
domínio. O direito à liberdade e à segurança,
o direito a um processo equitativo e a liberdade de expressão, de reunião e de
associação são objeto de violações recorrentes devido à aplicação
desproporcionada da legislação sobre o terrorismo e a criminalidade organizada. É importante que a Turquia resolva todas as
questões relativas à independência, à imparcialidade e à eficiência do sistema
judiciário. A prossecução das restrições
impostas na prática à liberdade dos meios de comunicação e o número crescente
de processos judiciais contra escritores e jornalistas continuam a ser problemas
graves. Consequentemente, a autocensura está
cada vez mais disseminada. A Comissão
congratula-se com o compromisso das autoridades turcas no sentido de
apresentarem rapidamente o quarto pacote de reforma judiciária e convida-as a
abordarem todos os grandes problemas que afetam o exercício da liberdade de
expressão na prática. Além disso, a
questão curda permanece um desafio essencial para a democracia turca e é
urgente que seja encontrada uma solução política. Globalmente,
a Turquia deve ainda envidar esforços significativos tendo em vista respeitar
as normas mais elevadas em matéria de democracia e de direitos humanos. Os trabalhos em curso sobre uma nova Constituição
proporcionam uma excelente ocasião para o efeito. Os ataques
terroristas perpetrados pelo PKK, que figura na lista das organizações
terroristas identificadas pela UE, intensificaram-se consideravelmente, em
especial durante os últimos meses. Estes ataques foram firmemente condenados e
em várias ocasiões pela UE. A UE e a Turquia mantêm um diálogo ativo sobre a
luta contra o terrorismo, considerada como um aspeto importante da agenda
positiva com a Turquia. A Turquia congelou
as suas relações com a Presidência rotativa do Conselho da UE durante o
segundo semestre de 2012, tendo nomeadamente recusado assistir a quaisquer
reuniões presididas pela Presidência cipriota. A Comissão reitera as suas vivas
preocupações no que diz respeito às declarações e às ameaças turcas e apela ao
pleno respeito pelo papel da Presidência do Conselho, um elemento institucional
fundamental da UE previsto no Tratado. As conversações
realizadas sob os auspícios do Secretário-Geral das Nações Unidas com vista a
encontrar uma solução global para a questão cipriota encontram-se num impasse
desde a primavera de 2012. Uma solução global
é do interesse de todas as partes, dado que reforçaria a estabilidade no
Sudeste do Mediterrâneo, proporcionaria novas oportunidades económicas aos
Estados‑Membros e à Turquia e dariam um forte impulso às negociações de
adesão da Turquia à UE. A Turquia é, por
conseguinte, convidada a adotar uma atitude positiva para com todas as partes a
fim de favorecer a conclusão do processo. A UE sublinhou
igualmente todos os direitos soberanos de que os Estados-Membros da UE
beneficiam, entre os quais figura o de concluir acordos bilaterais e o de
prospetar e explorar os seus recursos naturais, em conformidade com o acervo da
UE e o direito internacional, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o
Direito do Mar. Em conformidade com as
posições reiteradas do Conselho e da Comissão nos últimos anos, a Comissão
recorda que é urgente que a Turquia satisfaça a obrigação que lhe incumbe de
aplicar plenamente o protocolo adicional e progrida na via da normalização das
relações bilaterais com a República de Chipre. Apela
também para que se evite qualquer tipo de ameaça, fonte de fricção ou ação
suscetível de prejudicar as relações de boa vizinhança e a resolução pacífica
dos diferendos. A UE continuará a acompanhar e
a avaliar os progressos realizados sobre estas questões, em conformidade com as
decisões pertinentes do Conselho. A Turquia deve
intensificar os seus esforços para encontrar uma solução para os problemas
bilaterais pendentes com os seus vizinhos, nomeadamente os diferendos
fronteiriços. A Grécia e Chipre apresentaram
um número considerável de queixas oficiais relativamente às violações das suas
águas territoriais e do seu espaço aéreo pela Turquia.
4.3.
Islândia
A adesão da
Islândia à UE permanece uma questão do benefício mútuo. Os interesses comuns da
UE e da Islândia não cessam de aumentar, nomeadamente nos domínios das energias
renováveis e das alterações climáticas e no que diz respeito à importância
estratégica crescente de que se reveste a política ártica da UE. A UE será
enriquecida pela sólida reputação democrática da Islândia. As negociações de
adesão com a Islândia estão a progredir bem, e o nível global de alinhamento da
legislação islandesa pelo acervo é satisfatório, em especial devido ao facto de
ser membro do Espaço Económico Europeu (EEE) e à sua participação plena no
Espaço Schengen desde 2001. Mais de metade dos capítulos de negociação foram
agora abertos, dos quais 10 foram provisoriamente encerrados. A adesão à UE
continua a ser objeto de um debate público vivo na Islândia. A Comissão
continuará a dar apoio às atividades de comunicação neste domínio, bem como às
relações interpessoais. A Comissão está confiante de que a UE estará em
condições de apresentar um pacote de negociação que tenha em conta as
especificidades e as expectativas da Islândia, no quadro da abordagem acordada
para as negociações de adesão, garantindo simultaneamente o pleno respeito dos
princípios e do acervo da União. Tal permitirá igualmente ao povo islandês, no
seu devido tempo, tomar uma decisão com conhecimento causa. A Islândia
continua a cumprir os critérios políticos. A Islândia é uma democracia que
funciona bem, dotada de instituições sólidas e de tradições profundamente
enraizadas de democracia representativa. O sistema judiciário islandês é de
grande qualidade e o país garante o reforço contínuo do seu nível já elevado de
proteção em matéria de direitos fundamentais. Após uma recessão
grave e prolongada, a recuperação económica instalou-se, tal como o demonstra
um crescimento satisfatório em 2011‑2012 e uma melhoria das suas
condições macroeconómicas. Globalmente, o
balanço da Islândia no que se refere ao respeito das obrigações que lhe
incumbem por força do EEE continua largamente satisfatório. São de assinalar
algumas lacunas em domínios como os serviços financeiros, a segurança alimentar
e a livre circulação dos capitais. Continuam em vigor as restrições temporárias
aplicadas à livre circulação dos capitais, adotadas na sequência da crise
financeira de 2008. O Órgão de Fiscalização da EFTA instaurou um processo
contra a Islândia junto do Tribunal da EFTA num processo relativo ao Icesave.
5.
apoiar e ajudar os
países do alargamento
5.1.
Assistência financeira
A Comissão apoia os países do alargamento nos
seus preparativos para a adesão, concedendo‑lhes assistência financeira e
técnica através de um instrumento financeiro específico, o Instrumento de
Assistência de Pré-Adesão (IPA). Em relação ao período 2007‑2013, os
fundos IPA elevaram-se a 11 600 000 000 EUR. Permitiram reforçar as capacidades
e aprofundar as reformas nos países beneficiários nos domínios do Estado de
direito, da justiça e dos assuntos internos, da reforma da administração
pública, dos direitos fundamentais, do desenvolvimento da sociedade civil e do
diálogo. Contribuíram nomeadamente para a conclusão favorável das negociações
de adesão da Croácia com a União Europeia em julho de 2011 e para a abertura de
negociações de adesão com o Montenegro em junho do 2012. Estão a ser apoiados
investimentos no desenvolvimento económico, social e rural, tal como a
cooperação regional nos Balcãs Ocidentais. O apoio dado a projetos específicos
visa, por exemplo, a formação da polícia do Montenegro no domínio da
criminalidade organizada e da corrupção, a criação de um regime de auxílios
para apoiar o emprego das mulheres na Turquia e o financiamento da recuperação
das vias férreas ao longo do corredor europeu X na Croácia, que permite uma
ligação com a rede ferroviária sérvia. Para o próximo quadro financeiro plurianual
2014‑2020, a Comissão propôs uma dotação financeira de 14 100 000 000 EUR
a título do novo instrumento IPA II, um nível de financiamento semelhante, a
preços constantes, ao atual quadro financeiro. A Comissão
apresentou a sua proposta do novo Regulamento IPA II em dezembro de 2011 no
quadro de um conjunto de instrumentos ao abrigo do próximo quadro financeiro
plurianual. A melhoria do eixo estratégico da assistência financeira de
pré-adesão, estabelecendo ligações mais sólidas com as prioridades definidas na
estratégia de alargamento e na planificação plurianual, constitui uma das
inovações principais do IPA II. A melhoria da planificação estratégica da
assistência ao abrigo do IPA refletir-se‑á no quadro estratégico comum e
nos documentos de estratégia por país (ou multipaíses) por toda a duração do
próximo quadro financeiro plurianual e abrangerá de forma mais coerente um
número limitado de domínios de ação que substituirão as atuais «componentes».
Para o efeito, será introduzido um indicador de desempenho e serão definidos objetivos
claramente associados à assistência, dotados de indicadores realistas, nos
documentos de estratégia por país ou multipaíses. O indicador de desempenho
permitirá recompensar os países que disponham de bons resultados e aumentará a
flexibilidade para reafetar os fundos, mesmo em caso de maus resultados. Além
disso, ao abrigo do IPA II, tanto os países candidatos como os países
potencialmente candidatos terão acesso aos mesmos tipos de assistência, que
serão atribuídos em primeiro lugar em função das suas necessidades e das suas
capacidades, bem como dos resultados registados na utilização da assistência de
pré‑adesão. A nível dos
programas operacionais e da mesma forma que em relação a outros instrumentos de
assistência externa da UE, o cofinanciamento das estratégias setoriais
acordado com os países beneficiários será reforçado, contrariamente ao
financiamento de projetos individuais, aumentando assim a parte da assistência
financiada através de apoio ao nível setorial (incluindo assistência orçamental
setorial para domínios de ação selecionados). A programação plurianual
será mais sistemática e será igualmente aplicável à assistência financeira para
facilitar a transição e o desenvolvimento institucional (nomeadamente a reforma
da administração pública, a reforma dos sistemas judiciários, etc.), apoiando
assim a aplicação efetiva das estratégias setoriais conexas. O objetivo
consiste em usar os fundos da UE como alavanca para reformas de grande
dimensão, de forma a utilizar de maneira mais adequada os montantes investidos
para preparar estes países para a adesão do que aquilo que pode ser obtido
através de projetos individuais isolados. Os dois principais
objetivos do IPA são apoiar o processo de adesão e o desenvolvimento
socioeconómico dos beneficiários. A futura assistência
de pré‑adesão continuará a centrar-se principalmente em todos os países
beneficiários no reforço das instituições democráticas e no Estado de direito,
na reforma da administração pública e na boa governação, bem como na luta
contra a corrupção e a criminalidade organizada, no desenvolvimento da
sociedade civil e na promoção e proteção dos direitos humanos e das liberdades
fundamentais. Como corolário da nova abordagem dos capítulos 23 e 24 e dada a
natureza de longo prazo das reformas prosseguidas nestes domínios e a
necessidade de realizar um balanço da execução antes da adesão, a assistência
ao abrigo do IPA II abrangerá as necessidades dos países beneficiários nestes
domínios numa fase precoce. A assistência será
igualmente prestada para apoiar o desenvolvimento económico e social, a
cooperação regional e a cooperação territorial (ações de cooperação
transfronteiriça, transnacional e inter-regional). O apoio ao desenvolvimento
económico e social centrar-se-á nomeadamente no desenvolvimento do capital
físico; na melhoria das ligações com a UE e as redes regionais; na promoção do
emprego e no desenvolvimento do capital humano; na inclusão social e económica. O apoio financeiro
exigirá dos países do alargamento que adotem políticas e estratégias globais e
sustentáveis em setores prioritários, como a justiça e os assuntos internos, a
administração pública, o desenvolvimento do setor privado, os transportes, a
energia, o ambiente e as alterações climáticas, o desenvolvimento social, a
agricultura e o desenvolvimento rural. O resultado esperado deste processo é
garantir a apropriação local e a criação de uma amplo consenso em torno destas
estratégias, melhorando a capacidade dos países beneficiários do IPA para
planificarem, executarem e assegurarem o acompanhamento desta execução, bem
como integrando‑as nos seus preparativos para a adesão à UE.
5.2.
Benefícios de uma integração mais estreita
antes da adesão
Atualmente, os cidadãos dos países do
alargamento podem beneficiar de vantagens consideráveis, mesmo antes da adesão
real do seu país à UE. Através da sua participação em programas da UE, de
iniciativas da sociedade civil e outras, da possibilidade de viajar sem visto e
dos Acordos de Estabilização e de Associação, os cidadãos aproximam-se da UE. A maior parte dos países candidatos e dos
países potencialmente candidatos podem participar nos programas da UE, e a
Comissão propôs alargar esta possibilidade igualmente ao Kosovo durante 2012.
Esta participação permite a esses países familiarizarem-se com as políticas e
os métodos de trabalho da UE e integrarem progressivamente as redes da UE. Por
exemplo, os estudantes são cada vez mais numerosos a aproveitarem a
possibilidade que lhes é proporcionada de participarem nos programas Erasmus ou
Erasmus Mundus, e os cientistas e investigadores da região colaboram com os
seus homólogos da UE ao abrigo do 7.º programa-quadro de investigação. Para os cidadãos dos países do alargamento, a
possibilidade de viajarem para a UE sem visto constitui uma das vantagens mais
visíveis da integração mais estreita na UE. A Islândia faz já parte do espaço
Schengen. Nos Balcãs Ocidentais, os cidadãos croatas podem já viajar para a UE
sem visto desde há algum tempo. A isenção de visto para viajar no espaço
Schengen foi concedida, em dezembro de 2009, aos cidadãos da antiga República
jugoslava da Macedónia, do Montenegro e da Sérvia e, um ano mais tarde, aos
cidadãos da Albânia e da Bósnia e Herzegovina. Estas decisões recentes baseiam-se no
respeito, por parte destes países, de vários requisitos fixados no quadro do
diálogo relativo à liberalização do regime de vistos encetado pela Comissão.
Esses diálogos funcionaram como um forte incentivo para a realização de
reformas, a fim de atingir as normas da UE nos domínios da justiça e dos assuntos
internos, e em termos de reforço do Estado de direito e de luta contra a
criminalidade organizada transnacional, a corrupção e as migrações ilegais.
Tendo em conta desenvolvimentos posteriores, que indicam abusos relativos ao
regime de isenção de vistos e ao sistema de asilo, a Comissão criou, em janeiro
de 2011, um mecanismo de acompanhamento para o período subsequente à
liberalização do regime de vistos, que conduziu ao reforço dos controlos no
terreno. O número de pedidos de asilo não fundamentados continua a ser elevado
em determinados Estados-Membros da UE, e cada país da região deverá, por
conseguinte, tomar medidas sustentáveis e específicas. Mais em geral, foram
adotadas novas propostas com vista a permitir uma suspensão temporária dos
regimes de isenção de visto em vigor com países terceiros em caso de afluxo
súbito de pessoas. Em janeiro de 2012, a Comissão lançou um
diálogo relativo à liberalização do regime de vistos com o Kosovo. A UE e a Turquia intensificaram a sua
cooperação sobre as questões relativas aos vistos e à imigração. Foi rubricado
um acordo de readmissão entre a UE e a Turquia. É essencial que seja
rapidamente assinado e efetivamente aplicado, nomeadamente com vista a realizar
progressos suplementares na via da liberalização, progressiva e de longo prazo,
do regime de vistos. A UE continua a prestar uma assistência
importante às organizações da sociedade civil (OSC) dos países do alargamento,
em especial através do mecanismo para a sociedade civil (MSC). Este ajuda as
OSC a reforçarem as suas capacidades e o seu profissionalismo e incentiva a
criação de redes a todos os níveis - da UE, nacional, regional -
permitindo-lhes participarem num verdadeiro diálogo com os atores públicos e
privados e acompanharem a evolução da situação em domínios como o Estado de
direito e o respeito dos direitos fundamentais. As atividades da sociedade civil são
essenciais para garantir uma democracia madura, o respeito dos direitos do
homem e do Estado de direito. Uma sociedade civil dinâmica contribui para
reforçar a responsabilidade política, a compreensão e a abertura das reformas
associadas à adesão, bem como o apoio a estas, e facilitar a reconciliação nas
sociedades divididas por um conflito. O Montenegro tomou medidas para associar
as OSC aos preparativos das negociações de adesão. Na maior parte dos países do
alargamento, a sociedade civil continuou a desenvolver-se. Em alguns casos, a
cultura de aceitação das OSC deve ser mais incentivada, bem como instaurados um
clima mais propício a um melhor diálogo político e as condições necessárias
para tal. O financiamento continua a ser um ponto de preocupação, nomeadamente
no que diz respeito aos auxílios públicos e à viabilidade. Embora o IPA vise
responder a estas problemáticas no âmbito do QFP, as alterações previstas pelo
Regulamento Financeiro irão permitir à Comissão cooperar com as OSC mais
importantes da região de forma a conceder auxílios de menor dimensão às
organizações locais no terreno, bem como reforçar o controlo democrático e
abordar questões que interessam mais diretamente aos cidadãos.
5.3.
Informação e comunicação
A política do alargamento e, em especial, a
adesão de novos Estados-Membros devem ser compreendidas e apoiadas pela
população para terem êxito e serem sustentáveis. Trata-se de um objetivo
ambicioso num contexto em que, nomeadamente devido à crise financeira e à crise
da dívida soberana atual, o papel dos organismos públicos, nomeadamente da
União Europeia, é cada vez mais contestado. A Comissão considera que, para dar
resposta a estes desafios, o processo de alargamento deve ser mais
transparente, coerente e credível para os cidadãos e os principais
intervenientes, simultaneamente nos Estados-Membros e nos países do
alargamento. Tal como noutros domínios de ação, a população aguarda provas
concretas da eficácia do alargamento da UE, da sua capacidade para transformar
os países em causa, bem como do valor acrescentado para o conjunto da UE. Mais ainda do que no passado, todas as
instituições da UE deverão fornecer informações sobre o processo de
alargamento, sobre os países em causa e sobre a sua implicação para a UE,
contribuindo assim para um debate público esclarecido sobre o alargamento. Há
que pôr termo aos mitos e aos temores infundados associados ao processo de
alargamento, respondendo simultaneamente às preocupações legítimas dos
cidadãos. Os Estados-Membros e os países do alargamento
são os principais atores das campanhas de informação e de comunicação
destinadas aos seus cidadãos, devendo as mensagens enviadas pelos governos para
alimentar os debates nacionais completar a comunicação das instituições da UE.
Os Estados-Membros devem informar as suas populações e explicar-lhes as
decisões tomadas coletivamente no âmbito dos órgãos da UE em relação ao
alargamento. Os dirigentes políticos nos países do alargamento devem explicar
de que forma as decisões que tomam sobre as reformas não apenas estão
relacionadas com o processo de adesão, mas apresentam igualmente um valor
intrínseco que permitirá ao Estado funcionar melhor. Estas ações poderão ajudar
a ganhar de novo apoio da população nos países em que o fosso aumentou entre a
política governamental e a opinião dos cidadãos no que diz respeito ao
alargamento da UE. Poderão igualmente reforçar o apoio público às reformas
necessárias para permitir aos países do alargamento respeitar as condições
rigorosas, mas justas, da adesão à UE.
6.
Conclusões e
recomendações
Com base na análise que precede, a Comissão
apresenta as conclusões e as recomendações seguintes: I 1.
Através da sua política de alargamento, a UE
tem respondido, desde a sua criação, às legítimas aspirações das populações do
nosso continente de se unirem num esforço europeu comum. Constituída
inicialmente por seis países, a UE acolherá a Croácia, o seu 28.º membro, em 1
de julho de 2013. 2.
Num período em que a UE se confronta com
importantes desafios e uma grande incerteza a nível global e em que o impulso a
favor da integração económica, financeira e política ganha uma nova dinâmica, a
política de alargamento continua a contribuir para a paz, a segurança e a
prosperidade no nosso continente. A adesão iminente da Croácia, a abertura
de negociações de adesão com o Montenegro e o estatuto de candidato concedido à
Sérvia são um sinal forte que comprova o poder de transformação do
processo de alargamento numa zona devastada pela guerra há apenas uma meia
geração. O alargamento da União à Europa do Sudeste contribui para evitar
custos muito mais elevados decorrentes das consequências da instabilidade. É um
investimento numa democracia sustentável, e demonstra a capacidade constante da
UE para ser um ator a nível mundial. 3.
Os desafios com que a área do euro se tem
confrontado, juntamente com a recente crise financeira global, sublinharam a
interdependência das economias nacionais, tanto no interior como no exterior da
UE. Estes acontecimentos mostram que é importante prosseguir a consolidação
da estabilidade económica e financeira e incentivar as reformas e o
crescimento, nomeadamente nos países do alargamento. O processo de alargamento
constitui um instrumento poderoso para esse efeito. 4.
Num quadro de condicionalidade rigorosa
mas justa, em que o princípio dos «méritos próprios» é essencial, a perspetiva
de adesão impulsiona reformas económicas e políticas, transformando sociedades,
consolidando o Estado de direito e criando novas oportunidades para os cidadãos
e as empresas. Num período de estagnação económica, atenua o risco de
resistência a reformas essenciais. 5.
A credibilidade do processo de
alargamento é crucial para o seu êxito. Manter a dinâmica do alargamento bem
como das reformas constitui as duas faces de uma mesma moeda. O consenso
renovado sobre o alargamento, acordado no Conselho Europeu, continua a ser o
quadro em que se insere a política de alargamento da UE. O alargamento é, por definição,
um processo gradual, baseado numa execução sólida e sustentável das reformas
por parte dos países em causa. A política de alargamento foi adaptada tendo em
conta os ensinamentos retirados das adesões sucessivas, a fim de garantir a
integração suave dos novos Estados-Membros e de dar uma melhor resposta às
necessidades dos países em transformação, nomeadamente no que diz respeito ao
Estado do direito. 6.
Reforçar o Estado de direito e a governação democrática é fundamental para o processo de
alargamento. Com a adoção pelo Conselho da proposta da Comissão relativa a
uma nova abordagem para as negociações respeitantes aos capítulos consagrados
ao aparelho judiciário e aos direitos fundamentais, bem como à justiça, à
liberdade e à segurança, o Estado de direito, nomeadamente desafios comuns como
a luta contra a criminalidade organizada e a corrupção, fica firmemente
alicerçado no cerne da política de alargamento. As negociações de adesão
relativas a estes capítulos serão abertas no início do processo e encerradas no
seu final, a fim de dispor de um prazo máximo que permita registar um balanço
sólido e tornar as reformas irreversíveis. A Comissão continuará a dar
prioridade às questões ligadas ao Estado de direito, já muito antes da abertura
das negociações de adesão, graças nomeadamente a diálogos estruturados e a um
apoio setorial ao abrigo do IPA II. 7.
Num certo número de países, a liberdade de
expressão continua a ser uma questão que suscita vivas preocupações. Tendo
em conta os problemas remanescentes neste domínio, a Comissão continuará a dar
prioridade a esta questão no processo de adesão. A Comissão tenciona realizar
no primeiro semestre de 2013 um seguimento da conferência «Speak up» de maio de
2011. Este acontecimento deverá reunir representantes dos meios de comunicação
e da sociedade civil dos Balcãs Ocidentais e da Turquia. Os resultados e o
seguimento desta conferência serão tomados em consideração nos controlos e nos
relatórios da Comissão. A Comissão continuará a trabalhar em estreita colaboração
com o Parlamento Europeu neste domínio. 8.
Em muitos domínios, são necessárias abordagens
específicas a cada país destinadas a tratar de situações difíceis, nomeadamente
bloqueios no processo de adesão. A Comissão lançou, nomeadamente, uma agenda
positiva com a Turquia e um certo número de diálogos estruturais de alto
nível nos Balcãs Ocidentais. Tais iniciativas dão já um impulso às
reformas. Não substituem as negociações de adesão, mas constituem uma ponte
para elas. A Comissão está empenhada nesta forma de compromisso e continuará a
colocar a tónica em domínios essenciais como o Estado de direito, a governação
democrática e as reformas económicas. 9.
A cooperação regional e as relações de
boa vizinhança constituem elementos essenciais do processo de estabilização e
de associação. Os problemas herdados de conflitos passados, entre os quais os
crimes de guerra, o regresso dos refugiados, o tratamento das minorias e a
garantia de uma igualdade de direitos entre todos os cidadãos, continuam a ser
um desafio de envergadura para a estabilidade dos Balcãs Ocidentais, e que
devem ser resolvidos com urgência. Devem ainda ser realizados progressos nas
instâncias regionais e a nível da participação de todos na cooperação regional.
Os litígios relativos a questões interétnicas ou de estatuto podem ser
abordados através do diálogo e do compromisso. 10.
Num espírito de relações de boa vizinhança,
os problemas bilaterais devem ser abordados pelas partes em causa, o mais
rapidamente possível, durante o processo de alargamento, com determinação e
tendo em conta os interesses gerais da UE. As questões bilaterais não deverão
paralisar o processo de adesão. A Comissão insta as partes a fazer todos os
possíveis por resolver os litígios pendentes, em conformidade com os princípios
e os meios estabelecidos, nomeadamente remetendo, se necessário, determinadas
questões para o Tribunal Internacional de Justiça ou outros órgãos existentes
ou órgãos ad hoc de resolução de litígios. O contexto das negociações de
adesão pode gerar um impulso político mais forte a favor da resolução dos
litígios. A Comissão está pronta a facilitar a procura de soluções. 11.
É fundamental reforçar a recuperação
económica nos países do alargamento. O desemprego continuou a aumentar e a
maior parte das economias dos Balcãs Ocidentais estão do novo em contração. A
economia turca continuou a crescer, apesar de a um nível menor do que antes. A
recuperação começou na Islândia em 2011 e continuou este ano. A UE está
empenhada em continuar a ajudar os países, fornecendo-lhes aconselhamento
estratégico e assistência financeira. O quadro de investimento para os Balcãs
Ocidentais permitirá ajudar a preparar e a apoiar, em concertação estreita com
as instituições financeiras internacionais, os investimentos mais necessários
para apoiar o crescimento e o emprego. A Comissão continuará igualmente a
associar os países do alargamento à estratégia Europa 2020. 12.
Tendo em conta as alterações consideráveis em
curso na governação económica da UE, a Comissão continuará a informar os
países do alargamento e a associá‑los a este processo. Adaptará
progressivamente no que se refere a este aspeto a supervisão que exerce
atualmente sobre as economias dos países do alargamento e analisará a
possibilidade de utilizar de forma mais específica as reuniões do AEA para
tratar de problemas associados à competitividade e ao emprego. 13.
Em dezembro de 2011, a Comissão apresentou a
sua proposta de um novo Regulamento IPA II para o período correspondente
ao quadro financeiro plurianual 2014‑2020. O IPA II tem por objetivo
garantir uma ligação mais estreita com as prioridades da estratégia de
alargamento, reforçando nomeadamente as instituições democráticas e o Estado de
direito, colocando mais a tónica no desenvolvimento socioeconómico. Prevê um
apoio reforçado às estratégias setoriais, graças a uma maior flexibilidade e
simplificação dos procedimentos. 14.
Hoje em dia, os cidadãos dos países do
alargamento podem beneficiar de vantagens consideráveis, tanto a nível do comércio,
graças aos AEA, como da possibilidade de viajar sem visto e da
participação em programas da UE. Em janeiro de 2012, a Comissão lançou
um diálogo relativo à liberalização do regime de vistos com o Kosovo. Foi
rubricado um acordo de readmissão entre a UE e a Turquia. É imperativo que este
seja rapidamente assinado e efetivamente aplicado, nomeadamente tendo em vista
realizar progressos suplementares na via da liberalização do regime de vistos.
Simultaneamente, os países deviam reforçar as medidas destinadas a lutar
eficazmente contra os abusos relativos ao regime de isenção de visto. 15.
A política de alargamento deve ser compreendida
e apoiada pela população para ter êxito e ser sustentável. É aos
Estados-Membros e aos países do alargamento que incumbe em primeiro lugar informar
os seus cidadãos e comunicar com eles. É essencial promover a compreensão e
um debate esclarecido sobre as consequências da política do alargamento, em
especial num momento em que a UE se confronta com desafios importantes. A
Comissão continuará, por seu lado, a fornecer informações sobre o processo de
alargamento, contribuindo assim para um debate público esclarecido sobre esta
questão. 16.
O processo de alargamento é por essência inclusivo
e necessita de uma grande participação dos intervenientes. Nos países do
alargamento, um vasto consenso político e um apoio importante da população às
reformas contribuem fortemente para as transformações necessárias para avançar
rumo à adesão à UE. A Comissão continuará igualmente a dar apoio através do mecanismo
para a sociedade civil, centrando-se mais na concessão de subvenções de
menor dimensão às organizações locais implantadas no terreno da sociedade
civil. II 17.
Croácia:
Paralelamente à presente comunicação, a Comissão adotou uma comunicação que
expõe as principais conclusões do relatório global de acompanhamento sobre o
grau de preparação da Croácia para a adesão à UE. A Comissão conclui que a
Croácia continuou a progredir na adoção e aplicação da legislação da UE e que
está agora a completar o seu alinhamento pelo acervo. A Comissão sublinhou
contudo determinados domínios que exigem esforços suplementares, bem como um
número limitado de questões que necessitam de esforços acrescidos nos próximos
meses. Tal diz principalmente respeito à política da concorrência, ao aparelho
judiciário e aos direitos fundamentais - especialmente a eficácia da justiça -
bem como em relação à justiça, liberdade e segurança. É essencial que a
Croácia concentre os seus esforços, a fim de garantir que os seus preparativos
estarão concluídos a tempo e que tal possa ser estabelecido na comunicação
relativa ao relatório de acompanhamento final sobre os preparativos de adesão
da Croácia, que a Comissão apresentará na primavera de 2013. 18.
Montenegro:
Os critérios políticos continuam a ser cumpridos de forma satisfatória. A decisão
de abrir negociações de adesão em junho de 2012 tomou em consideração os
progressos constantes realizados pelo Montenegro nas suas principais reformas.
O processo começou e espera-se que termine no verão de 2013. As negociações de
adesão integram a nova abordagem para os capítulos relativos ao poder
judiciário e aos direitos fundamentais, bem como à justiça, liberdade e
segurança, o que tem por efeito colocar uma maior tónica no Estado de direito.
Durante as negociações, o Montenegro deve melhorar ainda mais os seus
resultados neste domínio, de forma a implementar reformas irreversíveis, em
especial no que diz respeito à luta contra a criminalidade organizada e a
corrupção, nomeadamente de alto nível. 19.
Antiga República jugoslava da Macedónia: Os critérios políticos continuam a ser cumpridos de forma
satisfatória. O governo colocou a agenda europeia no cerne da sua ação. O
diálogo de alto nível sobre a adesão realizado com a Comissão serviu como
catalisador para acelerar as reformas e permitiu progressos significativos em
vários domínios de ação essenciais. A dinâmica da reforma deve ser prosseguida
em todos os domínios nomeadamente para garantir a sua aplicação. Há que manter
a tónica no Estado de direito, nomeadamente no que diz despeito à liberdade de
expressão e às relações interétnicas, bem como à reconciliação. A Comissão recomenda pela quarta vez que sejam
abertas negociações de adesão com a antiga República jugoslava da Macedónia. A
Comissão está convencida de que a passagem para a fase seguinte do processo de
adesão é necessária para consolidar a paz e a sustentabilidade das reformas,
atenuando o risco de uma inversão neste processo, bem como para reforçar as
relações interétnicas. Terá igualmente por efeito reforçar a credibilidade da
UE e estimular os esforços de reforma empreendidos noutros pontos da região. A Comissão sublinha que continua a ser essencial
manter relações de boa vizinhança, nomeadamente através de uma solução
negociada e aceite de comum acordo sobre a questão da designação do país, sob
os auspícios das Nações Unidas. Uma decisão do Conselho Europeu no sentido de dar
início às negociações de adesão contribuiria para criar condições propícias à
procura de uma tal solução. Relativamente a este aspeto, a Comissão está
disposta a apresentar sem demora uma proposta de quadro de negociação, que tome
igualmente em consideração a necessidade de resolver a questão da designação do
país logo a partir do início das negociações de adesão. Para o efeito, serão
tidos em conta quadros anteriores e nomeadamente princípios da nova abordagem
adotados pelo Conselho em dezembro de 2011. Esta abordagem exige um compromisso
político intenso por parte de todos, antes do Conselho Europeu. 20.
Sérvia: Em março
de 2012, o Conselho Europeu concedeu à Sérvia o estatuto de país candidato. A
Sérvia continua no caminho do cumprimento satisfatório dos critérios políticos
e das condições do processo de estabilização e de associação. Deve, no entanto,
estar particularmente atenta ao Estado de direito, nomeadamente ao aparelho
judiciário, setor em que recentes recuos fazem surgir a necessidade de um
compromisso renovado para prosseguir as reformas e garantir a independência, a
imparcialidade e a eficiência da justiça, tendo simultaneamente em conta
recentes acórdãos do Tribunal Constitucional. Tendo igualmente em conta
acontecimentos recentes, os direitos dos grupos vulneráveis e a independência
de instituições essenciais como o Banco Central merecem igualmente uma atenção
especial. A Sérvia deve igualmente prosseguir o seu empenhamento construtivo na
cooperação regional e reforçar as suas relações com os países vizinhos. A
dinâmica das reformas deve ser relançada e realizados novos avanços, a fim de
melhorar de forma visível e sustentável as suas relações com o Kosovo. Dois
desenvolvimentos recentes são de notar relativamente a este aspeto: a Sérvia
assinou um protocolo técnico sobre gestão integrada das fronteiras e clarificou
a sua interpretação do acordo sobre a cooperação regional e a representação do
Kosovo que, com base na sua implementação inicial, deixou de constituir um
obstáculo à participação de todos na cooperação regional. Em conformidade com as conclusões do Conselho de 5
de dezembro do 2011, tal como adotadas pelo Conselho Europeu de 9 de dezembro
de 2011, sobre as condições para a abertura das negociações de adesão com a
Sérvia, a Comissão apresentará um relatório logo que considerar que a Sérvia
atingiu o nível necessário de conformidade com os critérios de adesão e, em
especial, com a prioridade essencial de tomar medidas para melhorar de forma
visível e sustentável as suas relações com o Kosovo. A Comissão apela à Sérvia para que aplique de
boa-fé todos os acordos concluídos até agora e se empenhe de forma construtiva
com a ajuda da UE em toda a gama de questões a resolver. É necessária uma melhoria visível e sustentável
das relações com o Kosovo, para que as duas entidades possam prosseguir a sua
via respetiva rumo à UE, evitando simultaneamente que uma possa bloquear a
outra nos seus esforços. Este processo deve progressivamente conduzir à
normalização completa das relações entre a Sérvia e o Kosovo, de forma a que as
duas entidades estejam plenamente em condições de exercer os seus direitos e de
assumir as suas responsabilidades no âmbito da UE. Será essencial neste
processo resolver os problemas que se colocam no norte do Kosovo, respeitando
simultaneamente a integridade territorial do Kosovo e as necessidades
específicas da população local. A Comissão sublinha que as etapas que conduzem à
normalização das relações entre Belgrado e Pristina devem também ser tomadas em
consideração no contexto do quadro previsto para o desenrolar das futuras
negociações de adesão com a Sérvia. A Comissão sublinha a importância de esta
abordagem global ser seguida com determinação pelas partes, com o apoio pleno
da UE. 21.
Albânia: A melhoria do diálogo entre o governo e a oposição, em especial após o
acordo de novembro de 2011, permitiu à Albânia progredir bem com vista a
satisfazer os critérios políticos de adesão à UE. A Albânia procedeu a um certo
número de reformas importantes associadas às 12 prioridades essenciais que
tinham sido identificadas pela Comissão no seu parecer de 2010 e que devem ser
respeitadas com vista à abertura de negociações de adesão com a União Europeia.
A Albânia cumpriu quatro das prioridades essenciais, nomeadamente as relativas
ao funcionamento adequado do Parlamento, à adoção das leis pendentes que exigem
uma maioria reforçada, à nomeação de um provedor e à criação de procedimentos
de audição e de voto para as grandes instituições e à alteração do quadro
legislativo aplicável às eleições. A Albânia está no bom caminho para cumprir
as duas prioridades essenciais relativamente à reforma da administração pública
e à melhoria do tratamento das pessoas detidas. No que diz respeito às outras
prioridades essenciais, registaram-se acertos avanços importantes, nomeadamente
a adoção da lei sobre os tribunais administrativos, a supressão da imunidade
concedida aos juízes e a altos funcionários, um aumento das apreensões de bens
de origem criminosa, a adoção de uma estratégia global de reforma do regime de
propriedade e alterações do código penal para reforçar as sanções aplicadas nos
casos de violência doméstica. Tendo em conta estes progressos, a Comissão recomenda
que o Conselho conceda à Albânia o estatuto de país candidato, sob reserva de
que sejam tomadas medidas essenciais nos domínios do poder judiciário e da
reforma da administração pública e que o regimento parlamentar tenha sido
revisto. A Comissão comunicará ao Conselho logo que os progressos necessários
tenham sido realizados. No seu relatório, a Comissão terá igualmente em conta a
determinação demonstrada pela Albânia na luta contra a corrupção e a
criminalidade organizada, nomeadamente através de investigações proativas e da
instauração de ações na matéria. Para que a Comissão recomende a abertura de
negociações de adesão, seria necessário em especial verificar a execução
sustentável dos compromissos assumidos e a conclusão das prioridades essenciais
que não foram ainda plenamente realizadas. O país deve essencialmente
centrar-se em: realizar eleições em conformidade com as normas europeias e
internacionais; reforçar a independência, a eficiência e a responsabilização
das instituições judiciárias; envidar esforços redobrados na luta contra a
corrupção e a criminalidade organizada, nomeadamente através de investigações
proativas e da instauração de processos; tomar medidas eficazes para reforçar a
proteção dos direitos humanos e as políticas da luta contra a discriminação; e
fazer aplicar os direitos de propriedade. A realização bem sucedida das
eleições legislativas de 2013 será crucial para demonstrar o empenhamento de
todos os partidos a favor da nova reforma eleitoral e constituirá uma condição
prévia para uma recomendação de início das negociações. Um diálogo político
sustentável e esforços contínuos em todos os domínios abrangidos pelas
prioridades essenciais continuarão a ser determinantes para executar as
reformas e assegurar o futuro da Albânia na UE. 22.
Bósnia e Herzegovina: Foram realizados progressos limitados no cumprimento dos critérios
políticos e na execução de estruturas institucionais mais funcionais,
coordenadas e sustentáveis. No quadro estabelecido do Processo de Estabilização
e de Associação, a Bósnia e Herzegovina continuou a participar de forma
construtiva com a UE num diálogo estruturado sobre a justiça. O diálogo de alto nível sobre o processo de adesão
lançado em junho constitui o fórum principal em que são subscritos os
compromissos associados às exigências do processo de integração na UE.
Relativamente a este aspeto, a Comissão lamenta que os resultados obtidos até
agora continuem aquém das expectativas. Os representantes políticos nem sempre
têm uma visão comum da orientação geral do país, do seu futuro e do seu quadro
institucional. Satisfazer as condições para a entrada em vigor do Acordo de
Estabilização e de Associação (AEA) e para a apresentação de um pedido credível
de adesão à UE continua a ser prioritário, tal como a criação de um mecanismo
de coordenação eficaz entre os diferentes níveis de poder para que o país possa
falar a uma só voz sobre as questões europeias. A Comissão continuará o diálogo
com as autoridades do país. Contudo, os seus dirigentes devem demonstrar que possuem
a vontade política para chegar a um consenso e para concretizar as aspirações
do país e dos seus cidadãos no que diz respeito à UE. Na sequência da separação do mandato do
Representante Especial da União Europeia (REUE) relativamente ao Gabinete do Alto
Representante, o Chefe da Delegação da UE, que assume a partir de agora
igualmente a função de REUE, assumiu a liderança dos esforços desenvolvidos em
vários domínios para ajudar as autoridades a realizarem os objetivos da agenda
da UE. Relativamente a este aspeto, a UE
continuará a reforçar o seu apoio às instituições do país. 23.
Kosovo:
Paralelamente à presente comunicação, a Comissão adotou uma comunicação
relativa a um estudo de viabilidade para um Acordo de Estabilização e de
Associação com o Kosovo. Este estudo confirma que pode ser concluído um AEA
entre a UE e o Kosovo, ainda que os seus Estados-Membros mantenham pontos de
vista diferentes quanto ao seu estatuto. A Comissão proporá diretivas da
negociação tendo em vista a conclusão de um AEA, logo que o Kosovo tenha
progredido no que diz respeito a um certo número de prioridades a curto prazo.
Afigura-se essencial que o Kosovo continue a aplicar de boa-fé todos os acordos
concluídos com Belgrado até agora e que se comprometa a tratar o conjunto dos problemas
de forma construtiva com a ajuda da UE. É necessária uma melhoria visível e sustentável
das relações entre o Kosovo e a Sérvia, para que as duas entidades possam
prosseguir a sua via respetiva rumo à UE, evitando simultaneamente que uma
possa bloquear a outra nos seus esforços. Resolver os problemas que se colocam
no norte do Kosovo, respeitando simultaneamente as necessidades específicas da
população local será essencial neste processo. 24.
Turquia: A Turquia é um país fundamental para a UE, devido ao dinamismo da sua
economia, à sua situação estratégica e ao papel regional importante que
desempenha. A Comissão sublinha a importância da cooperação e do diálogo em
curso em matéria de política externa de interesse comum para a UE e a Turquia,
tal como o Norte de África e o Médio Oriente. O potencial da relação UE‑Turquia só pode
ser plenamente explorado no quadro de um processo de adesão ativo e credível,
que respeite os compromissos da UE e as condições estabelecidas. É do interesse
da UE e da Turquia voltar a dinamizar as negociações de adesão, nomeadamente
para garantir que a UE continuará a ser a referência para a Turquia em matéria
de reformas. A Comissão considera, por conseguinte, que é importante que, em
conformidade com os procedimentos estabelecidos e as conclusões do Conselho
pertinentes, os trabalhos retomem no que diz respeito aos capítulos em relação
aos quais as negociações tinham sido interrompidas há vários anos devido à
ausência de consenso entre os Estados-Membros. Para reavivar o processo de adesão e insuflar um
novo dinamismo às relações entre a UE e a Turquia, a Comissão prosseguirá a
aplicação da agenda positiva nas relações com a Turquia, lançada em maio de
2012, e que começa já a dar os primeiros resultados. O apoio ativo da Turquia à
agenda positiva e a sua perspetiva europeia continuam a ser essenciais. O facto de a Turquia não ter realizado quaisquer
progressos significativos no cumprimento integral dos critérios políticos
suscita cada vez mais preocupações. A situação no que se refere ao respeito dos
direitos fundamentais no terreno, nomeadamente a liberdade de expressão,
continua a ser causa de vivas preocupações, apesar dos progressos legislativos
recentes. É importante que a Turquia resolva todas as questões relativas à independência,
à imparcialidade e à eficiência do sistema judiciário. A Comissão congratula-se
com o compromisso das autoridades turcas no sentido de apresentarem rapidamente
o quarto pacote de reforma judiciária e convida-as a abordarem todos os grandes
problemas que afetam o exercício da liberdade de expressão na prática. A Turquia congelou as suas relações com a Presidência
rotativa do Conselho da UE durante o segundo semestre de 2012. A Comissão
reitera as suas grandes preocupações no que diz respeito às declarações e
ameaças turcas e apela ao pleno respeito pelo papel da Presidência do Conselho. A UE sublinhou igualmente todos os direitos
soberanos de que os Estados-Membros da UE beneficiam, entre os quais figura o
de concluir acordos bilaterais e o de prospetar e explorar os seus recursos
naturais, em conformidade com o acervo da UE e o direito internacional,
incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Em conformidade
com as posições reiteradas do Conselho e da Comissão nos últimos anos, a
Comissão recorda que é urgente que a Turquia satisfaça a obrigação que lhe
incumbe de aplicar plenamente o protocolo adicional e progrida na via da
normalização das relações bilaterais com a República de Chipre, o que poderia
dar um novo impulso ao processo de adesão. Na ausência de progressos nestes
domínios, a Comissão recomenda que a UE mantenha as medidas tomadas em 2006.
Apela também para que se evite qualquer tipo de ameaça, fonte de fricção ou
ação suscetível de prejudicar as relações de boa vizinhança e a resolução
pacífica dos diferendos. A Turquia é encorajada a reforçar concretamente o
seu compromisso e a sua contribuição em relação às discussões realizadas sob os
auspícios do Secretário‑Geral das Nações Unidas tendo em vista conseguir
uma resolução global do problema cipriota. 25.
No que diz respeito à questão de Chipre, as
negociações sobre uma resolução global do problema entre os dirigentes das
comunidades cipriota grega e cipriota turca sob os auspícios das Nações Unidas
chegaram a um impasse. É necessário relançar as negociações a fim de concluir
as discussões sem demora, com base nos progressos realizados até agora. Para o
efeito, será necessário criar um clima positivo que facilitará a conclusão do
processo, preparando a população para os compromissos necessários. A Comissão
está disposta a continuar a dar um apoio político forte e a fornecer
aconselhamento técnico sobre as questões relevantes da competência da UE. 26.
Islândia: Os interesses comuns da UE e da Islândia não cessam de aumentar, nomeadamente
nos domínios das energias renováveis e das alterações climáticas e no que diz
respeito à importância estratégica crescente de que se reveste a política
ártica da UE. As negociações de adesão com a Islândia estão em boa progressão.
A adesão à UE continua a ser objeto de um debate público vivo na Islândia. A
Comissão está confiante de que a UE será capaz de apresentar um pacote para as
negociações, que tome em consideração as especificidades da Islândia e que
garanta o pleno respeito dos princípios e do acervo da UE, o que permitirá
igualmente ao povo islandês, chegado o momento, tomar a sua decisão com pleno
conhecimento de causa. ANEXO Conclusões
relativamente ao Montenegro, à antiga República jugoslava da Macedónia, à
Sérvia, à Albânia, à Bósnia e Herzegovina, à Turquia e à Islândia Montenegro O Montenegro respeita suficientemente os
critérios políticos para a adesão à UE. O quadro legislativo e
institucional e as políticas melhoraram com vista a reforçar o funcionamento do
Parlamento, o poder judiciário, a política de luta contra a corrupção, os
direitos humanos e a proteção das minorias. As reformas constitucional e da
administração pública em curso continuaram a progredir. Os
resultados em matéria de execução da lei continuaram a melhorar. É
necessário prosseguir os esforços envidados no domínio do Estado de direito, em
especial para finalizar a reforma constitucional em curso, que tem por objetivo
reforçar a independência do poder judiciário, e melhorar ainda mais os
resultados a nível da execução, nomeadamente no contexto da luta contra a
corrupção e a criminalidade organizada. O Montenegro continuou a desempenhar um
papel construtivo na região e a satisfazer os seus compromissos internacionais,
bem como as condições do processo de estabilização e de associação. No que diz respeito à democracia e ao
Estado de direito, o Montenegro realizou progressos no reforço da
função legislativa e no controlo do Parlamento, nomeadamente nos aspetos
associados ao Estado de direito. Teve início a aplicação da legislação
eleitoral recentemente adotada, tendo sido reforçadas as capacidades
administrativa e técnica do Parlamento. A transparência melhorou, tendo sido
prevista a criação de comissões autónomas encarregadas da integração europeia e
da luta contra a corrupção. Devem ser prosseguidos os esforços envidados para
reforçar a capacidade legislativa e de controlo do Parlamento. Continuou a melhorar a elaboração das
políticas governamentais. As estruturas necessárias às negociações de
adesão estão progressivamente a ser criadas, associando igualmente
representantes da sociedade civil. As capacidades administrativas de
coordenação da integração europeia, nomeadamente a assistência financeira,
deviam continuar a ser reforçadas a fim de satisfazer os requisitos das
negociações de adesão. Seria conveniente reforçar as capacidades globais dos
ministérios para elaborar legislação e estudos de impacto de elevada qualidade.
No que diz respeito à administração local, devem ser envidados esforços
suplementares para aplicar a legislação recente e estabelecer uma administração
transparente, eficaz e responsável. O Montenegro tomou novas medidas para dar
resposta aos desafios da reforma da administração pública. O quadro
legislativo e a aplicação da legislação recente devem ser melhorados de uma
forma sustentável do ponto de vista financeiro e com mecanismos de verificação
adequados. A capacidade do Provedor de Justiça foi reforçada, devendo no
entanto continuar a ser melhorada. O Montenegro registou alguns progressos no
domínio do sistema judiciário. Teve início a aplicação da legislação
recentemente adotada. Foram observados progressos no que diz respeito à
publicação das decisões judiciais e dos processos em atraso. O
processo de reforma constitucional destinado a reforçar a independência do
poder judiciário no respeito das normas europeias continua por acabar. São
necessários esforços suplementares para garantir a aplicação de sistemas de
nomeação e de progressão na carreira baseados no mérito, bem como para reforçar
os dispositivos que garantam a responsabilidade e a integridade do sistema
judiciário. O Montenegro realizou alguns progressos no
domínio da luta contra a corrupção. Teve início a aplicação da
legislação recentemente adotada nos domínios essenciais do financiamento dos
partidos políticos, da prevenção dos conflitos de interesses e dos contratos
públicos. As capacidades dos organismos de supervisão, nomeadamente da comissão
eleitoral, do organismo de controlo das finanças públicas e da comissão
responsável pela prevenção dos conflitos de interesses, deviam ser reforçadas.
O Montenegro continuou a melhorar os seus resultados em matéria de
investigações, ações e condenações em processos de corrupção, continuando no
entanto o seu número muito reduzido e não tendo ainda sido ordenada qualquer
apreensão ou confisco de bens neste tipo de processo. A corrupção continua
disseminada, constituindo causa de preocupação e entravando as investigações
penais realizadas nos processos em matéria de criminalidade organizada. Foram realizados progressos no domínio da luta
contra a criminalidade organizada. Os resultados continuaram a melhorar,
sendo no entanto conveniente ir mais além. Combater a criminalidade organizada
através de todos os meios do sistema jurídico apresenta dificuldades
específicas para o país. A cooperação regional e internacional foi reforçada
através da assinatura de acordos e do desenvolvimento de operações conjuntas.
De qualquer modo, os resultados obtidos, nomeadamente no que diz respeito às
capacidades administrativas e à cooperação entre serviços no domínio da
criminalidade organizada, deviam ser consolidados de forma proativa, em
especial no que se refere às investigações de caráter financeiro, devendo ser
completado o quadro jurídico. Continua por estabelecer um sistema nacional de
informações sobre atividades criminosas. A sua ausência prejudica a eficácia
dos serviços de repressão, que deve ser melhorada. O papel de primeiro plano
desempenhado pelo Ministério Público nas investigações deve ser reforçado. São
necessários esforços suplementares em matéria de luta contra o branqueamento de
capitais e o tráfico de seres humanos, nomeadamente para identificar e
reintegrar as vítimas. O Montenegro continuou a melhorar o quadro
jurídico e institucional em vigor para a proteção dos direitos humanos e
das minorias. As autoridades, nomeadamente ao mais alto nível,
demonstraram uma atitude mais positiva em relação aos direitos humanos. Seria
conveniente completar o quadro legislativo e institucional aplicável e reforçar
as capacidades administrativas e financeiras neste domínio, nomeadamente as do
Procurador‑Geral e do Provedor de Justiça. Registaram-se progressos satisfatórios na
melhoria do quadro jurídico e administrativo relativo aos direitos civis e
políticos no Montenegro e na aplicação desses direitos. Seria conveniente
reforçar os poderes de ação do Provedor contra os maus tratos e melhorar as
condições de vida nas prisões. Devem ser acelerados os esforços em matéria de
investigação e instrução em relação aos antigos processos de violência contra
jornalistas. O Montenegro realizou progressos no domínio
dos direitos sociais e económicos, consolidando o quadro jurídico e
institucional aplicável. A atitude mais positiva das autoridades contribuiu
para promover esses direitos, sendo no entanto necessário desenvolver meios
financeiros suplementares e recursos humanos qualificados para garantir o seu
respeito. Será conveniente melhorar o tratamento dado às violações dos direitos
sociais e económicos. O Montenegro realizou progressos no domínio da
proteção das minorias e dos direitos culturais. A adoção da estratégia
destinada a melhorar a situação dos rom, ashkali e egjiptian
e do plano de ação que a acompanha constitui uma evolução positiva
relativamente a este aspeto, sendo ainda conveniente melhorar a sua inserção,
nomeadamente através da aplicação dos documentos estratégicos relevantes, tendo
em conta as discriminações de que continuam a ser vítimas. O país continua a
progredir no que diz respeito à concessão de um estatuto jurídico às pessoas
deslocadas, mas o acesso dessas pessoas aos direitos económicos e sociais
continua a ser insuficiente. No que se refere às questões regionais e
às obrigações internacionais, o Montenegro continua a respeitar as
condições do processo de estabilização e de associação em matéria de cooperação
com o TPIJ e de cooperação regional. Continuam por resolver certas questões
bilaterais com os países vizinhos, especialmente no domínio da demarcação das
fronteiras. Realizaram-se
progressos significativos no que diz respeito ao processo da Declaração de
Sarajevo. A Bósnia e Herzegovina, a Croácia, o Montenegro e a Sérvia
continuaram a cooperar no sentido de encontrar soluções sustentáveis para os
refugiados que foram deslocados na sequência dos conflitos armados da década de
90. Os quatro países assinaram uma declaração ministerial e adotaram um
programa regional de alojamento para ajudar as cerca de 27 000 famílias, ou
seja, 74 000 pessoas. Numa conferência internacional de doadores realizada em
Sarajevo em abril de 2012, foi prometida uma contribuição para o programa num
montante total de cerca de 265 milhões de EUR. Deve prosseguir uma boa
cooperação sobre todas as questões em suspenso relativas a este processo. No que diz respeito ao Tribunal Penal
Internacional, o acordo bilateral de imunidade concluído com os Estados Unidos
não está em conformidade com as posições comuns e os princípios orientadores da
UE. É conveniente que o Montenegro se alinhe pela posição da UE. Após uma recuperação moderada em 2011, a economia
do Montenegro desacelerou durante o primeiro semestre de 2012. A procura
interna continua modesta devido ao fraco crescimento do crédito e ao valor
total ainda elevado da dívida do setor privado. Na ausência de instrumentos
normalizados de política monetária[3],
a política económica continuou centrada no reforço da estabilidade económica e
financeira através da prossecução das reformas estruturais e da consolidação
orçamental. Contudo, os passivos ligados às
garantias do Estado tornaram‑se um risco significativo para a
estabilidade das finanças públicas. O desemprego mantém-se elevado, persistindo
lacunas no que diz respeito ao Estado de direito, recursos humanos e
infraestruturas. No que diz respeito aos critérios
económicos, o Montenegro realizou alguns progressos suplementares na via de
uma economia de mercado viável. Contudo, a reestruturação inacabada da
indústria metalúrgica, problemas de liquidez generalizados e as condições de
fragilidade do mercado de trabalho continuam a entravar uma afetação eficiente
dos recursos. O país deve, a médio prazo, estar em condições de reencontrar a
capacidade de resistir às pressões concorrenciais e às forças de mercado no
âmbito da União, desde que continue a abordar as atuais deficiências, através
de políticas macroeconómicas e de reformas estruturais adequadas. O Montenegro
preservou globalmente a sua estabilidade macroeconómica. O setor bancário prossegue a sua recuperação, realimentando os
depósitos gradualmente o sistema. Foram
realizados progressos suplementares nos procedimentos de entrada no mercado e
de recuperação em caso de falência. Os
processos civis para execução de dívidas são mais eficazes. A liberalização dos setores das telecomunicações e
da energia facilitou a abertura dos mercados respetivos, tendo‑se as
autoridades de regulação competentes mostrado mais assertivas. O Montenegro participou mais ativamente nos
programas de investigação da UE. O Montenegro
continua fortemente integrado nos mercados da UE e do CEFTA. No entanto, persistem
importantes desequilíbrios externos. Os
resultados a nível do mercado de trabalho são fracos, com taxas de desemprego
muito elevadas. As pressões inflacionistas
aumentaram. Prossegue a redução do efeito de
alavancagem do setor financeiro, causando problemas de liquidez que contribuem
por seu lado para a acumulação subsequente no circuito económico de impostos e
outros pagamentos em atraso. A estabilidade das finanças públicas foi além
disso posta em causa por pressões decorrentes de passivos contingentes e
contribuições não pagas. A dívida pública continua a aumentar. A situação
económica difícil do produtor de alumínio deve ser resolvida. Embora o país
necessite de atrair investimentos suplementares para desenvolver as suas
infraestruturas, as lacunas do Estado de direito e a dimensão importante do
setor informal continuam a prejudicar o ambiente empresarial. O Montenegro realizou alguns progressos na
melhoria da sua capacidade para assumir as obrigações decorrentes da adesão.
Foram realizados progressos satisfatórios nos domínios dos contratos públicos,
da política dos transportes, das estatísticas e da ciência e investigação. Os
progressos foram limitados noutros domínios como a livre circulação dos
trabalhadores, a livre circulação dos capitais, o direito das sociedades, a
segurança alimentar, a política veterinária e fitossanitária, a fiscalidade, a
política empresarial e industrial, o ambiente e as alterações climáticas, bem
como as disposições financeiras e orçamentais. As capacidades administrativas
limitadas do Montenegro colocam problemas num certo número de domínios e deviam
ser reforçadas na perspetiva das negociações de adesão e de uma aplicação
efetiva do acervo. Globalmente, o Montenegro continuou a cumprir adequadamente
as obrigações subscritas no Acordo de Estabilização e de Associação (AEA). Subsistem certas deficiências no que diz respeito
aos auxílios estatais, que necessitam de um novo esforço de alinhamento. O Montenegro realizou alguns progressos no
domínio da livre circulação das mercadorias. É necessário envidar
esforços suplementares, uma melhor coordenação e uma apropriação mais forte
para reforçar o alinhamento pelo acervo. Globalmente, os preparativos no
domínio da livre circulação de mercadorias estão relativamente avançados. Registaram-se poucos progressos no domínio da liberdade
de circulação dos trabalhadores, encontrando-se o alinhamento pelo acervo
ainda numa fase inicial. São de assinalar alguns progressos no domínio do direito
de estabelecimento e livre prestação de serviços. O Montenegro realizou
bons progressos no alinhamento pelo acervo da nova lei relativa aos serviços
postais. Em matéria de direito de estabelecimento, as reformas legislativas
devem ser aplicadas. São ainda necessários esforços consideráveis no que diz
respeito ao alinhamento da legislação pela Diretiva Serviços no domínio do
reconhecimento mútuo das qualificações profissionais, e na cooperação
interinstitucional. Os preparativos neste domínio estão moderadamente
avançados. São de assinalar progressos limitados no
domínio da livre circulação de capitais, apesar de os preparativos
estarem em curso. Seria conveniente concluir o alinhamento pelo acervo no que
diz respeito aos sistemas de pagamento e ao reforço das capacidades
administrativas, principalmente em matéria de luta contra o branqueamento de
capitais. No que diz respeito à luta contra o branqueamento de capitais e o
financiamento do terrorismo, os preparativos não estão ainda muito avançados. É
necessário envidar esforços substanciais para fazer aplicar a legislação,
melhorar a coordenação entre os serviços e obter resultados em matéria de luta
contra o branqueamento de capitais e a criminalidade financeira. Globalmente,
os preparativos neste domínio estão em curso. Registaram-se progressos satisfatórios no
domínio dos contratos públicos. A aplicação da nova legislação continua
a ser fonte de preocupações. O quadro legislativo relativo às concessões
continua por alinhar pelo acervo da UE. O mandato, os poderes e as competências
dos futuros serviços de inspeção deviam ser clarificados e seria conveniente
prever pessoal suficiente. São de assinalar poucos progressos no domínio do direito
das sociedades. Seria conveniente ainda adotar novas alterações à lei
relativa à contabilidade e à auditoria, a fim de estabelecer um organismo de
supervisão público independente para os auditores e um sistema de controlo de
qualidade associado. São de assinalar alguns progressos em matéria de propriedade
intelectual. É necessário envidar esforços suplementares para se alinhar
pelo acervo da UE neste domínio e para garantir a sua aplicação efetiva.
Globalmente, os preparativos em cada um destes domínios estão moderadamente
avançados. Foram realizados alguns progressos no domínio
da política da concorrência. São necessários esforços suplementares para
alinhar a legislação montenegrina pelo acervo e garantir a independência
operacional da autoridade da concorrência. Há que dar especial atenção à
aplicação das regras em matéria de auxílios estatais, nomeadamente no que se refere
aos auxílios estatais concedidos aos setores sensíveis. Globalmente, os
preparativos no domínio da política da concorrência estão moderadamente
avançados. São de assinalar alguns progressos no domínio
dos serviços financeiros. Foram realizados progressos na adoção de
legislação em matéria de divulgação ao público de informações e de dados pelos
bancos, de cálculo dos grandes riscos e de OICVM. É necessário envidar esforços
significativos para alinhar e aplicar o acervo existente nos domínios abrangidos
por este capítulo. Globalmente, o nível de alinhamento permanece moderadamente
avançado. Foram realizados alguns progressos no domínio
da sociedade da informação e dos meios de comunicação social. Contudo, a
independência dos organismos de regulação foi comprometida por alterações à
legislação. Globalmente, os preparativos estão moderadamente avançados. Realizaram-se progressos no domínio da agricultura
e do desenvolvimento rural. É necessário envidar esforços para desenvolver
um quadro jurídico adequado à realização dos objetivos do plano de ação
nacional para a acreditação da gestão dos fundos de desenvolvimento rural.
Foram realizados progressos limitados nos domínios da segurança alimentar,
política veterinária e fitossanitária. Impõem-se esforços em todos os
domínios, nomeadamente no que diz respeito à prossecução do alinhamento pelo
acervo, ao reforço das capacidades de controlo no setor veterinário e à
avaliação das normas de higiene aplicadas nos estabelecimentos que produzem
produtos alimentares ou alimentos para animais. Registaram-se alguns progressos
no domínio das pescas. São necessários esforços suplementares no que diz
respeito ao alinhamento da legislação pelo acervo em matéria de pesca e à
aplicação das normas da UE, nomeadamente nos domínios da gestão dos recursos,
de inspeção e de controlo, de política de mercado, de política estrutural e de
política em matéria de auxílios estatais. O alinhamento pelo acervo em cada um
destes domínios permanece numa fase embrionária.
7.
Registaram-se progressos satisfatórios no domínio
dos transportes, nomeadamente nos transportes rodoviário, ferroviário e
marítimo, sendo no entanto conveniente garantir uma aplicação efetiva do
acervo. Devem ainda ser realizados progressos suplementares no setor dos
transportes ferroviários no que se refere à interoperabilidade, à criação de um
organismo responsável pela investigação dos acidentes e à independência da
autoridade de regulação do setor ferroviário. Globalmente, os preparativos
neste domínio estão avançados. São de assinalar alguns progressos no domínio da
energia. Seria ainda conveniente adotar disposições de aplicação
suplementares para o mercado interno da energia. O Montenegro deve ainda adotar
os atos necessários relativamente às reservas petrolíferas e ao programa de
trabalho decenal para o desenvolvimento de fontes de energia renováveis. O
alinhamento pelo acervo está numa fase embrionária neste domínio.
Foram realizados
progressos limitados no domínio da fiscalidade, consistindo os
progressos verificados principalmente na criação de novos serviços no âmbito da
administração fiscal. Impõem-se esforços suplementares para desenvolver uma
estratégia operacional e informática global. Globalmente, o alinhamento do
Montenegro pelo acervo está pouco avançado no domínio da fiscalidade. Registaram-se alguns progressos no domínio da política
económica e monetária. Devem ser ainda envidados esforços significativos
para completar o alinhamento pelo acervo, nomeadamente no que diz respeito à
independência do Banco Central, ao financiamento monetário e ao acesso
privilegiado do setor público às instituições financeiras. As capacidades de
elaboração e de coordenação das políticas económicas devem ser mais reforçadas.
O recurso atual do Montenegro ao euro, que foi adotado pelas autoridades
montenegrinas em circunstâncias excecionais, não é de modo algum equiparável a
uma adesão à área do euro. Globalmente, o nível de alinhamento no domínio da
política económica e monetária está moderadamente avançado nesta fase. São de
assinalar progressos satisfatórios no domínio das estatísticas. No
entanto, o Montenegro deve ainda envidar esforços sérios e sustentáveis para se
alinhar pelo acervo no que se refere às estatísticas agrícolas e
macroeconómicas e às estatísticas relativas às empresas. Os preparativos neste
domínio estão moderadamente avançados. Foram realizados alguns progressos no domínio
da política social e do emprego. São necessários progressos
suplementares no domínio da saúde e da segurança no trabalho. As capacidades do
serviço público de emprego deviam ser reforçadas e tomadas medidas de ativação
para remediar as taxas de atividade e de emprego reduzidas e ainda a
inadequação entre as qualificações disponíveis e as necessidades existentes. As
medidas e as políticas da redução da pobreza e de inserção dos ciganos devem
ser reforçadas. A situação das finanças públicas continua a afetar de forma
negativa as reformas no domínio social. É necessário envidar mais esforços para
aplicar as reformas planificadas no domínio das pensões. Globalmente, o
Montenegro começou a cumprir as suas prioridades neste domínio. Foram realizados poucos progressos no domínio
da política a favor das empresas e da política industrial. Existem
diversas estratégias e instituições. Impõem-se esforços suplementares para
garantir o desenvolvimento e a aplicação desta política. Registaram-se alguns progressos no domínio das
redes transeuropeias. Quanto às redes de transporte e respetivas
infraestruturas, continuam a ser necessários trabalhos significativos para
melhorar as ligações rodoviárias e ferroviárias. Seria conveniente estabelecer
interconexões de gás com os países vizinhos e modernizar os sistemas nacionais
de transporte de gás. Globalmente, os preparativos neste domínio encontram-se
ainda numa fase inicial. Foram realizados alguns progressos no domínio da
política regional e da coordenação dos instrumentos estruturais, nomeadamente
no que se refere ao quadro institucional e à programação. O Montenegro deve
reforçar as suas capacidades administrativas no âmbito das estruturas IPA
existentes e prepará‑las devidamente para os desafios futuros.
Globalmente, começaram os preparativos neste domínio. O Montenegro realizou alguns progressos no
domínio do poder judiciário e dos direitos fundamentais. Teve início a
aplicação da legislação recentemente adotada. Foram observados progressos no
que diz respeito à publicação das decisões judiciais e dos processos em atraso. A
reforma constitucional destinada a reforçar a independência do poder judiciário
não foi ainda concluída. Seria conveniente criar um sistema nacional único de
recrutamento e um sistema de acompanhamento da duração dos processos,
racionalizar a rede dos tribunais e melhorar a fiabilidade das estatísticas
judiciárias. São necessários esforços suplementares para garantir a
aplicação de sistemas de nomeação e de progressão na carreira baseados no
mérito, bem como para reforçar os dispositivos que garantem a responsabilidade
e a integridade do sistema judiciário. O Montenegro reforçou o seu
quadro jurídico de luta contra a corrupção e continuou a desenvolver os seus
resultados em matéria de investigações, ações e condenações nos processos de
corrupção, devendo no entanto redobrar os esforços relativamente a este aspeto.
A corrupção permanece generalizada e continua a ser uma causa de grande
preocupação, permitindo igualmente a infiltração de grupos de criminalidade
organizada nos setores público e privado. O número de condenações finais
mantém-se reduzido, não tendo havido até agora qualquer processo de corrupção
em que tivesse sido ordenada a apreensão ou o confisco de bens. O quadro jurídico e institucional em vigor
para a proteção dos direitos fundamentais foi reforçado. A despenalização da
difamação contribuiu para melhorar o ambiente mediático do Montenegro. O
processo de concessão de um estatuto jurídico às pessoas deslocadas continua a
avançar. A inclusão social dos rom, askhali e egjiptian
prosseguiu, nomeadamente através da implementação dos documentos de estratégia
relevantes. Persistem lacunas na proteção dos direitos humanos por parte das
autoridades judiciárias e de execução da lei. Devem ser acelerados os esforços
em matéria de investigação e instrução em relação aos antigos processos de
violência contra jornalistas. Serão necessários esforços continuados
suplementares para se alinhar pelo acervo da UE e pelas normas internacionais
neste domínio. Globalmente, os preparativos neste domínio estão moderadamente
avançados. O Montenegro realizou alguns progressos nos
domínios da justiça, liberdade e segurança. Começou o alinhamento pelo
acervo no domínio das migrações, asilo e vistos. Está a ser finalizada a
construção do centro para estrangeiros e do centro para requerentes de asilo. A
execução da estratégia para a gestão integrada das fronteiras e do seu plano de
ação está em curso. No domínio da cooperação policial e da luta contra a
criminalidade organizada, o país continuou a alargar a sua rede internacional e
regional e a reforçar o seu quadro jurídico, bem como as suas capacidades
administrativas. Operações de investigação realizadas conjuntamente com outros
países da região, bem como com Estados da UE, a Interpol e a Europol permitiram
aumentar o número de acusações, detenções e condenações no domínio da luta
contra a criminalidade organizada. Os quadros estratégico e jurídico neste
domínio melhoraram. Impõem-se esforços sustentados suplementares de alinhamento
pelo acervo neste capítulo, nomeadamente no que diz respeito ao asilo, aos
vistos, às fronteiras externas e a Schengen, bem como à luta contra a
criminalidade organizada. É necessário obter bons resultados em termos de
investigações, condenações e apreensão de drogas. A capacidade para aplicar o
quadro legislativo de cooperação judiciária em matéria civil e penal deve ser
reforçada. São necessários mais esforços em matéria de luta contra o
branqueamento de capitais e de tráfico de seres humanos. O país está
moderadamente avançado neste domínio. Registaram-se progressos satisfatórios no
alinhamento pelo acervo no domínio da ciência e investigação. É
necessário envidar esforços suplementares para reforçar as capacidades de
investigação e inovação a nível nacional e facilitar a integração do país no
espaço europeu da investigação. O Montenegro deve ainda aumentar o nível de
investimento na investigação, nomeadamente do setor privado, incentivando os
investimentos públicos e privados nas atividades de investigação científica.
Globalmente, os preparativos neste domínio estão em curso. O Montenegro
realizou alguns progressos no domínio da educação e cultura. O país deve
continuar a proceder a reformas no ensino superior e a modernizar o seu sistema
de ensino e formação profissionais. A aplicação das reformas na educação
continua a ser difícil. Globalmente, os preparativos neste domínio estão
moderadamente avançados. O Montenegro realizou poucos progressos no
domínio do ambiente e das alterações climáticas. Os primeiros sinais de
melhoria verificaram-se com a adoção de legislação em matéria de gestão dos
resíduos, da qualidade do ar e dos produtos químicos, bem como com o reforço
das capacidades administrativas e com esforços de alinhamento pelo acervo no
domínio do clima. É necessário dar especial atenção aos domínios da qualidade
da água e gestão dos resíduos. Deve ser assegurada a aplicação efetiva do
acervo relativamente às avaliações de impacto ambiental e às avaliações
ambientais estratégicas. São necessários esforços consideráveis para alinhar e
aplicar o acervo em matéria de ambiente e de clima, bem como para reforçar as
capacidades administrativas e a cooperação interinstitucional. Seria
conveniente tomar mais sistematicamente em consideração o ambiente e as
alterações climáticas nos outros domínios de ação e documentos de planificação.
A ausência de prioridade política, a insuficiência dos financiamentos e a falta
de sensibilização para os requisitos associados ao ambiente e ao clima travam
os progressos neste domínio. Os preparativos neste domínio encontram-se ainda
numa fase inicial. Registaram-se alguns progressos nos domínios
da defesa do consumidor e da saúde. Deve prosseguir o alinhamento
jurídico no domínio da defesa do consumidor. Os preparativos nestes domínios
estão moderadamente avançados. Obtiveram-se alguns progressos em matéria de legislação
aduaneira. Uma nova lei relativa às pautas aduaneiras reforça o alinhamento
da legislação nacional pela pauta aduaneira comum. Nos domínios das capacidades
administrativas operacionais, a aplicação dos procedimentos e métodos de
trabalho existentes deve ser acelerada. Há que acelerar os preparativos para
uma eventual adesão à Convenção sobre um Regime de Trânsito Comum. Globalmente,
os preparativos no domínio da união aduaneira estão relativamente avançados. O Montenegro realizou alguns progressos no
domínio das relações externas. O Montenegro tornou-se membro da
OMC. Verificaram-se alguns progressos no domínio da política externa,
de segurança e defesa. O Montenegro alinhou-se por todas as declarações da
UE e as decisões do Conselho, tendo continuado a contribuir de forma ativa para
a estabilidade regional. Os preparativos nestes domínios avançaram
moderadamente. O Montenegro realizou progressos desiguais no
domínio do controlo financeiro. Embora o quadro jurídico relativo ao controlo
financeiro interno da administração pública esteja em vigor, a sua
aplicação efetiva está atrasada, nomeadamente a nível local. O Montenegro deve
reforçar as disposições relativas à responsabilização dos gestores no contexto
da reforma da administração pública. A independência financeira do organismo de
controlo das finanças públicas deve ser garantida de forma efetiva. Os
preparativos no domínio do controlo financeiro encontram-se numa fase inicial.
Registaram-se progressos limitados em matéria de disposições financeiras e
orçamentais. Deve ser criado na devida altura um organismo de coordenação
para orientar os preparativos de pré-adesão no domínio dos recursos próprios.
Deve ser criado o quadro administrativo que permitirá a aplicação das regras
relativas aos recursos próprios. Globalmente, os preparativos neste domínio
encontram‑se numa fase inicial. Antiga
República jugoslava da Macedónia A antiga República jugoslava da Macedónia
continua a cumprir os critérios políticos de forma satisfatória. O país
continua a cumprir os compromissos subscritos no Acordo de Estabilização e de
Associação. O governo colocou a agenda da UE no cerne da sua atividade. O
diálogo de alto nível sobre a adesão realizado com a Comissão serviu de
catalisador das reformas e permitiu progressos significativos em vários
domínios da ação essenciais. O Governo adotou propostas relativas à melhoria do
quadro legislativo eleitoral e, no domínio da liberdade de expressão, à
despenalização da difamação. O primeiro exame efetuado pelo governo da
aplicação do acordo-quadro de Ohrid fornece um instrumento precioso de reforço
do diálogo entre as comunidades. A dinâmica da reforma deve ser prosseguida em
todos os domínios abrangidos pelos critérios políticos de forma nomeadamente a
garantir a sua aplicação. O Parlamento está a examinar a legislação correspondente.
Há que manter a tónica no Estado de direito, nomeadamente no que diz respeito à
liberdade de expressão e às relações interétnicas, bem como à reconciliação.
Deve ser aprofundada a abordagem realizada com a sociedade civil. O Acordo-quadro de Ohrid continua a ser um
elemento essencial para a democracia e o Estado de direito no
país. O governo lançou um exame da aplicação deste acordo desde 2001,
com vista a criar um consenso sobre os resultados alcançados e os desafios a
abordar. As tensões que eclodiram entre as comunidades na sequência de
incidentes violentos no decorrer do primeiro semestre de 2012 são preocupantes.
O governo respondeu com maturidade a este desafio, devendo apoiar‑se
nestes acontecimentos para reforçar mais estreitamente as relações interétnicas
e consolidar a reconciliação, nomeadamente sobre o estatuto das vítimas do
conflito de 2001. Verificaram-se novos progressos na aplicação mais vasta da
lei sobre as línguas. O funcionamento do Parlamento melhorou,
tendo-se mantido o diálogo político, em especial no que diz respeito à
integração na UE. A aplicação do regimento progrediu, nomeadamente no que se
refere às principais exigências da oposição. O Parlamento está a analisar as
propostas relevantes do governo em relação à melhoria do quadro eleitoral.
Serão necessários esforços contínuos para ter plenamente em conta as
recomendações da OSCE/ODIHR. Prosseguiu a cooperação no âmbito da coligação
governamental, tendo o processo de adesão podido ser colocado com êxito no
centro da agenda política. O Governo coordenou de forma eficaz a execução do
diálogo de alto nível sobre a adesão com base no seu próprio roteiro. No
domínio da administração local, os progressos em matéria de descentralização
devem ser acelerados, nomeadamente no que se refere ao quadro financeiro. Quanto à administração pública,
registaram-se certos progressos. Os serviços prestados aos cidadãos foram
melhorados e o sistema de administração em linha está a ser gradualmente
introduzido. Estão em curso consultas sobre vastas reformas a introduzir no
quadro que rege a administração. É necessário envidar esforços suplementares
para garantir a transparência, o profissionalismo e a independência da
administração pública. Em especial, há que garantir o respeito dos princípios
segundo os quais o recrutamento e as promoções se devem basear no mérito. No que diz respeito ao sistema judiciário,
estão em vigor salvaguardas legislativas e institucionais, mas são necessários
esforços suplementares para garantir, na prática, independência e imparcialidade.
Foram realizados progressos, nomeadamente na redução do volume dos processos em
atraso. Há que envidar esforços suplementares para criar procedimentos de
destituição equilibrados que se baseiem em motivos claros e transparentes e
para melhorar significativamente a aplicação do princípio do mérito para a
nomeação dos juízes e o desenvolvimento da sua carreira. A Academia de juízes e
procuradores deve ser objeto de um maior apoio no seu papel de formação de
juízes e de um Ministério Público profissionais e altamente qualificados. No domínio da política de luta contra a
corrupção, o quadro legislativo está em vigor e as capacidades foram
ligeiramente reforçadas, mas há que acentuar os esforços no que diz respeito à
aplicação das leis existentes. Foram tomadas medidas para melhorar as
capacidades de verificação e os poderes das autoridades em matéria de aplicação
da legislação. Todavia, registaram-se poucos progressos visíveis em termos dos
resultados finais. O país deve obter resultados na instrução dos processos de
corrupção de alto nível. É necessária uma abordagem mais proativa e coordenada
por parte dos organismos de supervisão e das agências de execução da lei. Deve
ser melhorada a recolha e análise dos dados estatísticos, a fim de centrar esforços
onde são mais necessários. A corrupção continua a existir em várias áreas e a
constituir um problema grave. Registaram-se alguns progressos no que diz
respeito à luta contra a criminalidade organizada, nomeadamente através
da emissão de mais de 100 mandados de detenção internacionais e da cooperação
realizada no quadro da Interpol e com a Europol. A lei sobre a interceção das
comunicações foi alterada, o que reforçou a eficácia e a transparência desta
medida especial de investigação. São necessários esforços suplementares para
reforçar as capacidades das agências de execução da lei, bem como a cooperação
e o intercâmbio de informações entre estes diversos organismos. O país
progrediu no domínio da cooperação policial e na luta contra a criminalidade organizada. O quadro jurídico e institucional relativo aos
direitos humanos e à proteção das minorias está em grande medida
criado. Os direitos civis e políticos são geralmente respeitados, tendo
sido realizados alguns progressos suplementares. O diálogo com os jornalistas
organizado sob forma de mesa-redonda revelou-se um fórum importante no quadro
do qual puderam ser abordados problemas essenciais relativos aos meios de
comunicação. O governo adotou propostas a favor da despenalização da difamação
através da adoção de uma lei sobre a responsabilidade civil por difamação e
insultos. O código penal precisa de ser revisto em conformidade com esta
abordagem. O Conselho do audiovisual começou a fazer aplicar disposições legais
que proíbem a concentração de propriedade e os conflitos de interesse com a
esfera política. O Conselho do audiovisual deve demonstrar que segue uma
abordagem não discriminatória e transparente. A falta de pluralismo e a
autocensura suscitam profundas preocupações. São necessários esforços contínuos
para encontrar uma solução para outros problemas verificados neste domínio,
como a transparência da publicidade governamental e os direitos de trabalho
aplicáveis aos jornalistas. São de assinalar alguns progressos no reforço
dos direitos sociais e económicos. O Conselho económico e social
reuniu-se periodicamente. A Comissão de luta contra as discriminações está
empenhada no tratamento das queixas, ainda que disponha de recursos limitados.
A lei contra as discriminações deve ser integralmente alinhada pelo acervo,
nomeadamente no que diz respeito à discriminação com base na orientação sexual.
É necessário defender melhor os direitos das mulheres, nomeadamente as
provenientes de categorias vulneráveis e intensificar os esforços para aumentar
a sua participação no mercado trabalho e na vida política. A integração social
das pessoas com deficiência permanece limitada. Globalmente, foram realizados alguns
progressos no domínio dos direitos culturais e das minorias. Foi lançada
uma revisão do Acordo-quadro de Ohrid que inclui recomendações para abordar os
desafios atuais. Esta revisão deve ser objeto de acompanhamento, tal como a
realização de uma cooperação concreta entre as diferentes comunidades. Será
essencial promover a confiança entre as comunidades étnicas. No que diz
respeito aos ciganos, foram realizadas várias ações, nomeadamente para
encontrar uma solução para o problema das pessoas sem documentos de identidade
e para integrar os refugiados ciganos. A execução da estratégia e da cooperação
interinstitucional existente deve ser reforçada de forma significativa. No que diz respeito às questões
regionais e às obrigações internacionais, o país continuou a cooperar
plenamente com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ). Já
não existem processos ou recursos pendentes na Haia. Dos quatro processos que o
TPIJ remeteu para as autoridades nacionais em 2008, um foi arquivado em 2011
pelo sistema judicial nacional e três foram arquivados em 2012, em conformidade
com o pedido do Ministério Público e com base na lei da amnistia. No que diz respeito ao Tribunal Penal
Internacional, o acordo bilateral de imunidade concluído com os Estados Unidos
não está em conformidade com as posições comuns e os princípios orientadores da
UE. É conveniente que o país se alinhe pela posição da UE. O país continuou a participar ativamente em
iniciativas de cooperação regionais, nomeadamente no quadro do Processo de
Cooperação para a Europa do Sudeste (SEECP), do Conselho de Cooperação Regional
(CCR) e do Acordo Centro-Europeu de Comércio Livre (ALECE). Assumiu a presidência do SEECP em junho de 2012. A
sede do Secretariado da Rede sanitária da Europa do Sudeste (SEEHN) foi
estabelecida em Skopje. O país continuou a contribuir para a missão da União
Europeia na Bósnia e Herzegovina (ALTHEA). As relações bilaterais da antiga República
jugoslava da Macedónia com os Estados-Membros vizinhos e outros países do
alargamento mantiveram-se globalmente construtivas. O país continuou a
desenvolver as suas relações com os seus parceiros dos Balcãs Ocidentais. As
relações com a Grécia continuam a ser afetadas pela questão da designação do
país. O Tribunal Internacional de Justiça adotou um acórdão relativo ao Acordo
Provisório com a Grécia. O país continua a participar nas discussões realizadas
sob a égide das Nações Unidas e a manter contactos diretos com a Grécia. Devem
prosseguir com maior determinação as conversações realizadas sobre a égide das
Nações Unidas com vista a alcançar uma solução negociada e mutuamente aceitável,
tal como os encontros e os contactos bilaterais. Devem ser evitadas quaisquer
ações ou declarações suscetíveis de prejudicar as relações de boa vizinhança. Prosseguiu o crescimento
económico do país, embora a um ritmo menos sustentado, tendo diminuído no
primeiro semestre de 2012. O crescimento baseou-se numa procura interna
vigorosa, enquanto a procura externa diminuiu. As reformas estruturais
continuaram mas, de forma geral, o seu ritmo foi lento e progressivo.
Observaram‑se novos progressos no que diz respeito à simplificação do
registo das empresas, à aceleração dos procedimentos judiciários e ao
aprofundamento da intermediação financeira. Contudo, pouco avançou na resolução
de uma taxa de desemprego muito elevada, que é principalmente estrutural e
afeta essencialmente os jovens e as pessoas menos qualificadas. No que diz
respeito aos critérios económicos, a antiga República jugoslava da
Macedónia continua bastante avançada. Em certos domínios, continuou a progredir
na via da criação de uma economia de mercado viável. O país deve estar em
condições de fazer face à pressão competitiva e às forças de mercado na União,
desde que aplique vigorosamente o seu programa de reformas, a fim de reduzir as
deficiências estruturais. O país manteve um
amplo consenso sobre os eixos fundamentais da política económica. A política
monetária, baseada na indexação de facto ao euro, contribuiu para a
estabilidade macroeconómica. A política orçamental aplicada permitiu alinhar em
grande parte o crescimento das despesas pelo das receitas. A privatização está
globalmente concluída. A liberalização dos preços e das trocas comerciais foi
no essencial finalizada. São de assinalar progressos suplementares no que diz
respeito à melhoria do acesso ao mercado e à simplificação do quadro
regulamentar. Os procedimentos judiciários foram acelerados e a duração média
dos processos de falência foi de novo reduzida. O registo das propriedades está
praticamente concluído. O setor financeiro resistiu bem até agora às
turbulências que afetaram os mercados financeiros tendo mantido a sua tendência
para uma maior intermediação e para um aprofundamento dos mercados. Prosseguiu
a melhoria progressiva no setor educativo. O aumento dos IED contribuiu para a
diversificação da estrutura das exportações. Contudo, a
qualidade da governação orçamental continuou a deteriorar-se; a gestão da planificação a médio prazo e das
despesas públicas agravou‑se; a transparência e fiabilidade das contas do
setor público diminuíram. Além disso,
continuou a propensão para privilegiar a curto prazo as despesas pouco
propícias ao crescimento. A dívida do setor público aumentou
significativamente. A taxa de desemprego permaneceu muito elevada. O funcionamento do mercado de trabalho é
entravado por deficiências estruturais. O nível de educação e de qualificação
do capital humano é medíocre. Do mesmo modo, o capital físico deve ser
modernizado e aprofundado. Apesar das melhorias graduais, o funcionamento da
economia de mercado continua entravado por deficiências institucionais e
judiciárias. Certas agências de regulação e de supervisão continuam a não
dispor dos recursos e de influência necessários para cumprir eficazmente as
suas missões. A capacidade da administração pública para fornecer serviços às
empresas deve melhorar e tornar-se mais eficaz na matéria. O setor informal
continua a constituir um grave problema. No se refere à sua capacidade para assumir
as obrigações decorrentes da adesão, a antiga República jugoslava da
Macedónia realizou novos progressos, em especial nos domínios da livre
circulação das mercadorias, da concorrência, da segurança alimentar e da
política veterinária, bem como das redes transeuropeias. São necessários
esforços suplementares noutros domínios como o ambiente, a política social e o
emprego e a política regional, bem como a coordenação dos instrumentos
estruturais. Globalmente, o país alcançou um bom nível de alinhamento
pelo acervo nesta fase do processo de adesão. Continuou igualmente a aplicar,
sem grandes dificuldades, as obrigações que lhe incumbem por força do Acordo de
Estabilização e de Associação (AEA), tendo a Comissão proposto passar à segunda
fase da associação. No domínio da livre circulação das
mercadorias, foram realizados progressos satisfatórios, nomeadamente a
nível da normalização e da metrologia. Os preparativos no domínio da livre
circulação de mercadorias estão avançados. O Montenegro realizou alguns
progressos no domínio da liberdade de circulação dos trabalhadores. São
de assinalar alguns progressos no domínio do direito de estabelecimento e da
livre prestação de serviços, principalmente no que diz respeito aos
serviços postais. Contudo, são necessários esforços suplementares no que diz
respeito à aplicação da Diretiva Serviços e ao reconhecimento mútuo das
qualificações profissionais. Globalmente, o país está moderadamente avançado
neste domínio. Registaram‑se alguns progressos no domínio da livre
circulação dos capitais. A prossecução da liberalização dos movimentos de
capitais e dos pagamentos está sujeita à passagem à segunda fase do AEA, que
está a ser analisada pelo Conselho. Os preparativos neste domínio estão em
curso. Foram realizados certos progressos no domínio
dos contratos públicos, em que o nível de alinhamento está avançado, à
exceção das medidas corretivas e dos contratos públicos no setor da defesa. As
capacidades administrativas no que diz respeito às medidas corretivas e às
concessões continuam a ser insuficientes. Observaram‑se progressos
satisfatórios a nível do direito das sociedades, em especial no que diz
respeito à auditoria. O diploma de auditor obtido no estrangeiro ainda não foi
reconhecido. Globalmente, os preparativos neste domínio estão moderadamente
avançados. Verificaram-se progressos no domínio da propriedade intelectual,
em que o quadro legislativo e as capacidades administrativas registaram novas
melhorias. Contudo, são necessários esforços suplementares no domínio da
aplicação e da execução. Globalmente, o alinhamento neste domínio está
moderadamente avançado. Registaram-se
progressos satisfatórios na política da concorrência, tendo o balanço em
matéria de aplicação melhorado. Os preparativos neste domínio encontram‑se
numa fase avançada. A dotação de recursos da autoridade da concorrência deve
ser reforçada. No que diz respeito aos serviços financeiros, foram
realizados progressos nos domínios dos bancos, dos seguros, dos mercados de
valores mobiliários e dos serviços de investimento. Os elementos essenciais do
acervo no domínio das infraestruturas dos mercados financeiros ainda não foram
plenamente alinhados. Globalmente, o alinhamento do acervo neste domínio está
moderadamente avançado. Registaram-se progressos no domínio da sociedade
da informação e dos meios de comunicação social. Prosseguiu o alinhamento
pelo acervo e as garantias fundamentais em matéria de concorrência começaram a
ser aplicadas. No domínio da política de audiovisual, as atividades do Conselho
do Audiovisual desenvolveram‑se, mas há que garantir uma abordagem não
discriminatória. Os preparativos neste domínio registaram poucos progressos. Realizaram-se alguns progressos no domínio da agricultura
e do desenvolvimento rural, em que os preparativos continuam relativamente
avançados. São de assinalar progressos suplementares na criação de um sistema
integrado de gestão e de controlo. O alinhamento pelo acervo exige esforços
contínuos. As capacidades administrativas continuam a ser uma fonte de
preocupação em todo o setor. Realizaram-se
progressos satisfatórios no domínio da segurança alimentar e da política
veterinária, nomeadamente no que diz respeito ao reforço das instituições e
à aplicação de programas de erradicação das doenças animais. Foram observados
poucos progressos no domínio fitossanitário, em que as capacidades
administrativas e a coordenação entre as autoridades competentes não
melhoraram. Globalmente, os preparativos no domínio da segurança alimentar e da
política veterinária e fitossanitária continuam a estar moderadamente
avançados. São de assinalar
poucos progressos no domínio da política dos transportes. Registaram-se
alguns progressos no alinhamento pelo acervo no domínio dos transportes
rodoviários, mas o mesmo não aconteceu em matéria de segurança rodoviária, em
que a situação continua a ser problemática. A legislação ferroviária deve ser
mais estreitamente alinhada pelo acervo. Uma alteração da legislação destinada
a encerrar o mercado ferroviário à concorrência até à adesão à UE contrariou um
alinhamento pelo acervo já efetuado. O comité responsável pela investigação dos
acidentes no domínio ferroviário deve tornar-se operacional a fim de poder
desempenhar o seu papel de organismo independente. Realizaram-se alguns
progressos no setor da energia, nomeadamente no que diz respeito à
promulgação das disposições de aplicação decorrentes da lei de 2011 sobre a
energia. Foram igualmente verificados alguns progressos a nível das energias
renováveis. Deve ainda ser concluída a plena liberalização do mercado da
eletricidade e do gás natural. Os preparativos nestes domínios avançaram
moderadamente. Registaram-se progressos limitados no domínio
da fiscalidade. Devem ser envidados esforços suplementares para
harmonizar a legislação nacional pelo acervo, reforçar a luta contra a fraude e
a evasão fiscal e resolver a situação dos recursos informáticos e do pessoal.
Globalmente, os preparativos no domínio da fiscalidade estão moderadamente
avançados. Os preparativos no domínio da política
económica e monetária encontram-se numa fase avançada, mas foram efetuados
poucos progressos suplementares. Os preparativos neste domínio
progrediram. No domínio das estatísticas, realizaram‑se progressos
no que diz respeito à harmonização das estatísticas setoriais e na transmissão
dos dados. Globalmente, os preparativos no domínio das estatísticas estão
moderadamente avançados. Foram realizados
poucos progressos no domínio da política social e do emprego. As taxas
de desemprego e de pobreza são elevadas, enquanto a participação das mulheres
no mercado trabalho continua reduzida. Foram realizados alguns progressos no
domínio do diálogo social, mas é necessário continuar a reforçar o papel dos
parceiros sociais. A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência e respetivo Protocolo Facultativo foram ratificados. Os
progressos a nível da inclusão dos ciganos, das pessoas com deficiência e de
outros excluídos sociais têm-se processado de forma lenta. Foi criado um
mecanismo de prevenção e de luta contra as discriminações, não tendo no entanto
ainda sido aplicado na íntegra. É conveniente reforçar significativamente as
capacidades administrativas globais. Globalmente, os preparativos neste domínio
não estão muito avançados. São de assinalar
alguns progressos no domínio da política empresarial e da política
industrial. Foram adotadas várias estratégias e medidas, o que demonstra um
compromisso firme a favor da melhoria do ambiente em que evoluem as empresas.
Contudo, a execução destas estratégias e medidas foi posta em prática por
vários organismos que registam falta de coordenação e financiamento. As medidas
não são ainda plenamente efetivas. No domínio das redes transeuropeias
registaram-se progressos. O desenvolvimento das suas redes de transportes,
energia e telecomunicações prossegue e o país participa ativamente no
Observatório dos Transportes do Sudeste da Europa e na Comunidade da Energia.
Foi adjudicado um contrato e começaram os trabalhos de construção relativamente
ao corredor X, financiados em parte pela componente III do IPA. Os preparativos
neste domínio estão moderadamente avançados. São de assinalar progressos limitados no
domínio da política regional e da coordenação dos instrumentos estruturais.
A gestão dos programas IPA deve ser melhorada a fim de garantir uma absorção
completa e atempada dos fundos da UE. São necessários esforços suplementares
para abordar as lacunas dos sistemas de gestão e de controlo. Em especial, é
necessário reforçar significativamente, no âmbito das estruturas de
funcionamento e do serviço central das finanças e contratos do Ministério das
Finanças, os efetivos e o seu nível de qualificações. Os preparativos neste
domínio registaram poucos progressos. Foram realizados alguns progressos no domínio
do sistema judiciário e dos direitos fundamentais, nomeadamente em
matéria de redução dos processos em atraso. São necessários progressos
suplementares no que diz respeito às nomeações judiciais com base no mérito,
aos procedimentos de demissão com base em motivos claros e previsíveis, bem
como à utilização correta dos instrumentos estatísticos. No domínio da política
de luta contra a corrupção, o quadro legislativo está em vigor e as capacidades
foram ligeiramente reforçadas, mas há que acentuar os esforços para desenvolver
os resultados em matéria de investigações, ações e condenações. No que diz
respeito aos direitos fundamentais, verificaram-se progressos em matéria de
liberdade de expressão, nomeadamente na despenalização da difamação. As
instituições competentes devem promover e defender os direitos fundamentais de
forma mais eficaz. O Acordo-quadro de Ohrid continua a ser um elemento
essencial para a democracia e o Estado de direito no país. Os preparativos no
domínio do poder judiciário e dos direitos fundamentais estão moderadamente
avançados. No domínio da justiça,
liberdade e segurança, foram realizados progressos em especial no que diz
respeito às fronteiras externas e à cooperação aduaneira, bem como à interceção
das comunicações. O país deve envidar esforços suplementares com vista a
melhorar a eficácia do procedimento de asilo, garantir um procedimento de
recrutamento no âmbito da polícia apenas baseado no mérito, intensificar a luta
contra a criminalidade organizada e melhorar a apreensão de drogas.
Globalmente, os preparativos neste domínio estão avançados. São de assinalar poucos progressos no domínio
da ciência e investigação. A taxa global de participação nos programas‑quadro
da UE continuou a ser satisfatória. Avançaram os preparativos relativos ao
programa nacional no domínio da ciência, da investigação e do desenvolvimento,
bem como a estratégia em matéria de inovação, mas não foram ainda adotados os
documentos. Neste domínio, o país atinge em parte os seus objetivos. Registaram-se alguns progressos nos domínios
da educação, formação, juventude e cultura. O país continuou a
melhorar o seu desempenho em relação aos critérios de referência comuns
estabelecidos no quadro estratégico «Educação e formação 2020». Os preparativos
para a participação nos programas «Educação ao longo da vida» e «Juventude em
ação» começaram. O país deve ainda garantir que os investimentos são equitativamente
repartidos entre todas as partes do país e beneficiam o conjunto da sociedade
multicultural. No domínio da educação e da cultura, o país está moderadamente
avançado. Registaram-se
progressos limitados no capítulo consagrado ao ambiente e às alterações
climáticas. A transposição do acervo para a legislação nacional progrediu,
em especial nos setores da gestão dos resíduos, da qualidade do ar e dos
produtos químicos. É necessário envidar esforços significativos a fim de
aplicar a legislação nacional, em especial nos domínios da gestão da água, do
controlo da poluição industrial, da proteção da natureza e das alterações
climáticas. Globalmente, os preparativos no domínio do ambiente estão
moderadamente avançados, enquanto no das alterações climáticas estão ainda numa
fase embrionária. Registaram-se
progressos no que diz respeito à defesa dos consumidores e proteção da saúde,
em especial no que se refere ao quadro jurídico e institucional. Os recursos
financeiros limitados e a fragilidade das estruturas operacionais dificultam
novos progressos, nomeadamente em matéria de defesa dos consumidores.
Globalmente, os preparativos neste domínio estão moderadamente avançados. São de assinalar
progressos no domínio da união aduaneira, nomeadamente a nível das
capacidades administrativas e operacionais. A cooperação entre os diferentes
serviços, a luta contra a corrupção no âmbito da administração aduaneira e as
capacidades de luta contra a criminalidade transfronteiriça continuaram a
melhorar. Os preparativos no domínio da união aduaneira estão em boa via. Registaram-se
alguns progressos no domínio das relações externas, nomeadamente no que
diz respeito à política comercial comum. Contudo, as capacidades institucionais
do país nem sempre são suficientes para lhe permitir participar plenamente nas
políticas comerciais, humanitárias e de desenvolvimento da UE. Os preparativos
no domínio das relações externas registaram poucos progressos. Verificaram-se
progressos no domínio da política externa e de segurança e defesa comum.
O país manteve um nível elevado de alinhamento pelas declarações da UE e pelas
decisões do Conselho, tendo continuado a participar nas operações civis,
militares e de gestão de crise. Os preparativos em matéria de política externa,
de segurança e defesa estão bastante avançados. No que diz respeito ao controlo financeiro,
verificaram-se progressos, nomeadamente em matéria de auditoria externa e de
proteção do euro contra a contrafação. Todavia, o país continua numa fase
embrionária na aplicação concreta do controlo financeiro interno das finanças
públicas. Globalmente, os preparativos neste capítulo encontram-se ainda numa
fase inicial. Não se registaram progressos específicos a nível das disposições
financeiras e orçamentais. As instituições responsáveis pelo quadro
administrativo para o cálculo correto, as previsões, a cobrança, o pagamento, o
controlo e a notificação dos recursos próprios devem ser reforçadas. Os
preparativos neste domínio encontram-se numa fase inicial. Sérvia A Sérvia está no
bom caminho para cumprir de forma satisfatória os critérios políticos e
as condições do processo de estabilização e de associação. A estabilidade e o
bom funcionamento das instituições foram garantidos aquando do período que
precedeu e seguiu as eleições organizadas a nível presidencial, legislativo e
municipal, bem como em Vojvodina. Apesar de um
abrandamento da atividade legislativa no contexto eleitoral, foram realizados
progressos em matéria de aplicação das reformas na maior parte dos domínios. A Sérvia manteve a sua plena cooperação com o
Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ). O diálogo com Pristina deu resultados, mas a
aplicação dos acordos foi desigual. A
interpretação dada pela Sérvia ao acordo em matéria de cooperação regional e
representação do Kosovo foi efetivamente clarificada e, sem prejuízo de uma
execução continuada, deixou de entravar o caráter inclusivo da cooperação
regional. Os novos dirigentes sérvios
sublinharam a sua vontade de aplicar todos os acordos já concluídos aquando do
diálogo com Pristina, bem como de começar a abordar as questões políticas mais
gerais. O respeito deste compromisso é
essencial para passar à fase seguinte da integração da Sérvia na UE. Prosseguiu a consolidação da democracia
e do Estado de direito. Segundo os
organismos internacionais de observação eleitoral, as eleições foram abertas à
concorrência e organizadas num clima favorável e de forma profissional. No Kosovo, aquando das eleições legislativa e
presidencial, as operações eleitorais foram facilitadas pela OSCE, tendo-se
desenrolado sem problemas. Em conformidade com
a Resolução 1244/99 do CSNU, não foram organizadas eleições locais no Kosovo,
contrariamente à prática anterior. A legislação de 2011 relativa aos mandatos
parlamentares e ao financiamento dos partidos políticos foi aplicada. Contudo, verificou-se uma certa falta de
transparência no modo de funcionamento da comissão eleitoral nacional e na
administração da nova lista eleitoral única. O
governo deve seguir as recomendações da missão de observação eleitoral da
OSCE/ODIHR. A atividade
legislativa do Parlamento foi reduzida devido ao ciclo eleitoral, tendo
no entanto as outras atividades parlamentares prosseguido normalmente. São ainda necessárias outras reformas para
garantir que as disposições constitucionais, nomeadamente as relativas à
justiça, estão plenamente alinhadas pelas normas europeias. O governo manteve a sua estabilidade e
concluiu o seu mandato. Foi constituído em
julho de 2012 um novo governo de coligação. O
novo governo prosseguiu a orientação estratégica do país fortemente centrada na
integração europeia. O novo Presidente e o
novo governo comprometeram-se a prosseguir a agenda europeia de reformas e a
cooperar estreitamente para realizar os progressos previstos. Em matéria de elaboração das políticas, o Governo
deve melhorar a consulta dos intervenientes e reforçar o acompanhamento da
aplicação da nova legislação. A reforma da administração
pública avança lentamente e é entravada pela falta de vontade política. O quadro jurídico deve ser completado e plenamente
alinhado pelas normas internacionais. A
aplicação da legislação em vigor e da estratégia de reforma da administração
pública deve ser melhorada. Os sistemas de
recrutamento e de promoção com base no mérito devem ser elaborados e aplicados. O acompanhamento das recomendações dos organismos
de regulação independentes deve ser reforçado. Registaram‑se
poucos progressos no domínio do controlo civil das forças da segurança. Foi criada uma comissão parlamentar específica,
tendo no entanto o controlo parlamentar continuado globalmente limitado. Na sequência de uma decisão do Tribunal
Constitucional, o quadro jurídico que rege o controlo das comunicações pelos
serviços de segurança e de informações deve ser clarificado. No que respeita ao sistema judiciário,
registaram-se pouco progressos, principalmente no reforço da nova legislação
destinada a melhorar a sua eficácia. A revisão
da renovação do mandato dos juízes e dos procuradores não corrigiu as
deficiências existentes, tendo as suas conclusões sido revogadas pelo Tribunal
Constitucional, que ordenou a reintegração de todos os juízes e procuradores
que tinham apresentado um recurso em relação à sua não recondução. Os processos devolvidos pelo Tribunal Constitucional
devem ser tratados com diligência e no respeito das decisões do referido
Tribunal. Deve ainda ser criado um sistema de
avaliação profissional, regras disciplinares eficazes e medidas de proteção da
integridade reforçadas. Para restabelecer a
confiança junto dos cidadãos, as autoridades devem prever medidas suplementares
destinadas a reforçar a independência, a imparcialidade, a competência, a
responsabilidade e eficiência do sistema judiciário, nomeadamente: critérios transparentes de nomeação dos juízes e
procuradores; uma formação inicial e contínua
da responsabilidade da Academia Judiciária, bem como uma avaliação dos juízes e
dos procuradores em funções, incluindo os nomeados em 2009; medidas de salvaguarda da integridade; racionalização dos tribunais. Para dar resposta a este desafio, há que elaborar
uma nova estratégia de reforma do sistema judiciário, bem como um plano da ação
para a aplicação desta estratégia, com base numa análise funcional do sistema
judiciário. Prosseguiu a aplicação do quadro jurídico que
rege a luta contra a corrupção. As
operações do organismo de luta contra a corrupção foram reforçadas,
principalmente no domínio do financiamento dos partidos políticos. Contudo, a corrupção continua a existir em várias
áreas e a constituir um problema grave. Continua
por elaborar uma nova estratégia de luta contra a corrupção e um novo plano de
ação. A aplicação do quadro jurídico e a
eficiência dos organismos de luta contra a corrupção deviam ser
significativamente melhorados. São necessários
esforços suplementares com vista a adotar uma abordagem mais proativa das
investigações e das ações intentadas em matéria de corrupção. O sistema
judiciário devia gradualmente construir resultados sólidos em matéria de
condenações, nomeadamente nos processos de alto nível, em especial no que se
refere aos desvios de fundos públicos. É
necessário reforçar as orientações políticas e a eficácia da coordenação entre
os serviços para melhorar significativamente os desempenhos em matéria de luta
contra a corrupção. No que diz
respeito à luta contra a criminalidade organizada, o quadro jurídico é
em geral adequado e continuou a ser aplicado. A
coordenação entre os serviços e a cooperação regional e internacional
acrescidas permitiram obter resultados concretos na luta contra os grupos
criminosos organizados. A criminalidade
organizada continua a ser preocupante na Sérvia, em especial no que se refere
ao branqueamento de capitais e ao tráfico de droga. É
conveniente melhorar os resultados em matéria de investigações e de condenações
neste domínio. Os direitos
humanos continuam a ser bem respeitados em geral, tendo sido realizados novos
progressos no domínio dos direitos humanos e da proteção das minorias. O quadro legislativo e institucional que
rege o respeito dos direitos humanos está em vigor. São necessários esforços suplementares em matéria
de aplicação dos instrumentos internacionais. Registaram-se
alguns progressos a nível dos direitos civis e políticos. A liberdade da
reunião e de associação está garantida pela Constituição e é geralmente
respeitada, mas a Gay pride foi de novo proibida em outubro de 2012. O
serviço governamental responsável pela cooperação com a sociedade civil esteve
muito ativo. O quadro jurídico que rege a liberdade de expressão existe, mas as
violências e as ameaças contra jornalistas continuam a ser fonte de
preocupações. A aplicação da estratégia mediática deve ser acelerada. A
liberdade de pensamento, de consciência e de religião é respeitada em geral,
mas o processo de registo das comunidades religiosas continua a não ter
transparência e coerência. O mecanismo nacional de prevenção da tortura começou
a ser utilizado, mas deve ser reforçado. Apesar de ter sido aberto um novo
estabelecimento penitenciário, o excesso de população nas prisões continua a
ser um grave problema. No que diz respeito ao acesso à justiça, deve ser ainda
criado um sistema eficaz de assistência jurídica gratuita. O quadro jurídico
para a proteção dos direitos sociais e económicos está em vigor. São necessárias medidas suplementares para lutar
contra todas as formas de discriminação, bem como para elaborar mecanismos
eficazes para melhorar a proteção das mulheres e das crianças face a qualquer
forma de violência. Os grupos mais
discriminados são os ciganos, as pessoas com deficiência e as minorias sexuais. É necessária uma abordagem proativa para melhorar a
inserção da população LGBT e uma maior compreensão no âmbito da sociedade. O diálogo social deve ser melhorado e encontrada
uma solução para a questão dos critérios de representatividade dos parceiros
sociais. No que diz respeito aos direitos de
propriedade, a lei de 2011 sobre a restituição começou a ser aplicada. O quadro jurídico
que rege a proteção das minorias existe e é, em geral, respeitado. Foram tomadas algumas
medidas positivas para melhorar a situação das minorias, nomeadamente dos
ciganos. Os conselhos
das minorias nacionais devem a partir de agora apresentar relatórios
financeiros periódicos. São
necessários esforços suplementares para garantir uma aplicação eficaz da
legislação relativa às minorias em toda a Sérvia e abordar as lacunas
identificadas. A Sérvia
deve empenhar-se mais em apoiar o desenvolvimento socioeconómico nas regiões de
Sandzak e Presevo, Bujanovac e Medvedja. Os ciganos, bem como os refugiados e as pessoas
deslocadas, continuam a fazer face a uma situação difícil. No que diz
respeito às questões regionais e às obrigações internacionais, a
Sérvia continuou a cooperar plenamente com o Tribunal Penal Internacional para
a ex-Jugoslávia. A Sérvia continuou a dar um
acesso fácil e rápido aos documentos e às testemunhas no quadro dos processos
em curso ou previstos do TPIJ. As ações por
crimes de guerra a nível nacional continuaram, tendo‑se intensificado a
cooperação e a troca de informações a nível regional.
Contudo, a Sérvia deve reforçar mais as suas investigações sobre as
redes de ajuda aos antigos fugitivos do TPIJ a fim de obter resultados
concretos. A política da
Sérvia para com o Tribunal Penal Internacional continua a corresponder aos
princípios orientadores e às posições comuns da UE sobre a integridade do
estatuto de Roma. A Sérvia não concluiu
qualquer acordo bilateral de imunidade. Realizaram-se
progressos significativos no que diz respeito ao processo da Declaração de
Sarajevo. A Bósnia e Herzegovina, a Croácia, o Montenegro e a Sérvia
continuaram a cooperar no sentido de encontrar soluções sustentáveis para os
refugiados que foram deslocados na sequência dos conflitos armados da década de
90. Os quatro países assinaram uma declaração ministerial e adotaram um
programa regional de alojamento para ajudar as cerca de 27 000 famílias, ou
seja, 74 000 pessoas. Numa conferência internacional de doadores realizada em
Sarajevo em abril de 2012, foi prometida uma contribuição para o programa num
montante total de cerca de 265 milhões de EUR. Deve prosseguir uma boa
cooperação sobre todas as questões em suspenso relativas a este processo. A Sérvia deve ainda realizar progressos com
vista a melhorar de forma visível e sustentável as suas relações com o Kosovo,
a prioridade essencial estabelecida no parecer da Comissão sobre o pedido de
adesão da Sérvia. Foram obtidos novos
resultados no diálogo com Pristina, tendo sido concluídos acordos nos domínios
da cooperação regional e da representação do Kosovo, bem como da gestão
integrada das fronteiras /linhas de demarcação. A
interpretação dada pela Sérvia ao acordo em matéria de cooperação regional e
representação do Kosovo foi efetivamente clarificada logo após a formação de um
novo governo, e, sem prejuízo de uma execução continuada, deixou de entravar o
caráter inclusivo da cooperação regional. A
Sérvia assinou, em setembro de 2012, o protocolo técnico sobre a gestão
integrada das fronteiras que deve ainda ser aplicado.
A aplicação de outros acordos concluídos nos domínios da liberdade de
circulação, do cadastro, dos registos civis, dos carimbos aduaneiros e da
aceitação mútua dos diplomas progrediu globalmente. Na
sequência das eleições e da entrada em função de novos dirigentes, a Sérvia
devia continuar a participar de forma construtiva na fase seguinte do diálogo,
a fim de realizar progressos suplementares com vista a uma melhoria visível e
sustentável das relações com o Kosovo. A Sérvia manteve boas relações com os seus
vizinhos e continuou a participar ativamente na cooperação regional,
nomeadamente no quadro das suas presidências do Processo de Cooperação para a
Europa do Sudeste (SEECP), da Iniciativa regional em matéria de migrações, de
asilo e de regresso dos refugiados (MARRI), da Iniciativa Adriático-Jónia (AII)
e da Cooperação Económica do Mar Negro (BSEC). Continua
a desempenhar um papel ativo igualmente no Conselho da Cooperação Regional
(CCR) e no Acordo Centro-Europeu de Comércio Livre (CEFTA). A economia da Sérvia continuou a crescer
1,6 % em 2011, mas a recuperação enfraqueceu de forma significativa no segundo
semestre, antes de entrar em recessão no primeiro semestre de 2012. A taxa de
desemprego disparou, tendo atingido 25 %. O défice orçamental atingiu 5 % em
2011 e foi ainda mais elevado no primeiro semestre de 2012. A Sérvia concluiu
um acordo de stand-by por precaução com o Fundo Monetário Internacional
em setembro de 2011, mas a conclusão do primeiro exame foi adiada, uma vez que
o orçamento de 2012 se afastou do programa orçamental acordado. As reformas
económicas estagnaram em geral no período que precedeu as eleições. A
independência do banco central foi seriamente ameaçada pela adoção, em agosto
último, de alterações à lei sobre o Banco Nacional da Sérvia. O FMI efetuou uma
missão de informação em setembro de 2012, mas as discussões sobre um acordo de stand-by
ainda não recomeçaram. No que diz respeito aos critérios
económicos, a Sérvia não realizou progressos suplementares no período de
referência na via da criação de uma economia de mercado viável. Devia envidar
esforços significativos em matéria de reestruturação da sua economia a fim de
poder responder, a médio prazo, às pressões concorrenciais e às forças de
mercado no âmbito da União. O consenso sobre os princípios essenciais da
economia de mercado foi amplamente preservado, mas deve ser redinamizado. Os
riscos a curto prazo associados aos financiamentos externos são atenuados pelas
reservas de divisas ainda importantes do país e pela estrutura favorável da sua
dívida externa, com uma forte predominância da dívida a longo prazo. A
integração comercial com a UE continuou forte. O setor bancário dispõe de uma
boa capitalização e de uma liquidez suficiente. O banco central aumentou a sua
supervisão no setor bancário. Foram tomadas algumas medidas para acelerar e
facilitar a entrada no mercado. Foram igualmente tomadas algumas medidas
limitadas para melhorar o contexto em que evoluem as empresas, nomeadamente nos
domínios do direito das sociedades e da política das PME. Contudo, os défices orçamentais elevados
limitaram a eficácia da combinação de políticas macroeconómicas e a política
monetária suportou a carga principal do ajustamento, que continua a ser
restringido pelo nível elevado de euroização da economia. As condições do
mercado de trabalho deterioraram-se acentuadamente devido ao aumento do
desemprego. A criação de emprego sustentável constitui um importante desafio.
Uma política orçamental laxista e o aumento da dívida pública limitam
rapidamente a margem de manobra orçamental que permite amortecer outros
choques. São necessárias medidas de consolidação urgentes e decisivas, apoiadas
por reformas sistémicas do setor público, a fim de restabelecer a viabilidade
das finanças públicas. Os atrasos nas reformas estruturais estão igualmente a
restringir o âmbito das respostas políticas favoráveis ao crescimento. É
necessário dar especial atenção à melhoria do contexto em que evoluem as
empresas. O desenvolvimento de um setor privado dinâmico não progrediu e a
ingerência do Estado na economia continuou a ser importante. A privatização e a
reestruturação de empresas públicas foram muito lentas e, em certos casos, as
empresas que tinham sido privatizadas voltaram a ser públicas. A
previsibilidade jurídica continua reduzida e a falta de clareza dos direitos de
propriedade continua a entravar as atividades económicas. O setor informal
continua a constituir um grave problema. No que diz respeito à sua capacidade para
assumir as obrigações decorrentes da adesão, a Sérvia prosseguiu o
alinhamento da sua legislação pelos requisitos da legislação da UE, apesar de a
um ritmo mais lento devido a atividades reduzidas do governo e do Parlamento
durante o ano eleitoral. Registaram-se progressos satisfatórios no que se
refere ao direito das sociedades, aos direitos de propriedade intelectual, às
estatísticas e à união aduaneira. São necessários esforços suplementares,
nomeadamente nos domínios do sistema judiciário e dos direitos fundamentais, da
justiça, liberdade e segurança, da agricultura e do desenvolvimento rural, do
ambiente e das alterações climáticas, bem como do controlo financeiro. O Acordo
Provisório (AP) do Acordo de Estabilização e de Associação (AEA) continuou a
ser aplicado sem problemas nem questões pendentes. A Sérvia continua a registar
resultados positivos no que se refere ao respeito das suas obrigações ao abrigo
do AEA/AP. São de assinalar
alguns progressos no domínio da livre circulação das mercadorias, em que
os preparativos estão relativamente avançados. As normas da UE continuam a ser
aplicadas e o organismo sérvio de acreditação tornou-se membro de pleno direito
da Cooperação Europeia para a Acreditação. A supervisão do mercado continua
muito fragmentada e os controlos de inspeção continuam a impor uma carga
administrativa inutilmente pesada às empresas. A aplicação da legislação, as
capacidades administrativas e a coordenação entre instituições devem ser
reforçadas. São de assinalar alguns progressos no domínio da livre
circulação dos trabalhadores, em que os preparativos estão relativamente
avançados. Seria conveniente melhorar a coordenação dos regimes de segurança
social e acelerar os preparativos com vista à participação na rede europeia de
serviços de emprego. Foram realizados poucos progressos no domínio
do direito de estabelecimento e da livre prestação de serviços, tendo‑se
verificado alguns progressos no domínio da livre circulação dos capitais,
nomeadamente no que diz respeito à luta contra o branqueamento de capitais. São
necessários esforços suplementares para alinhar pelo acervo a legislação
relativa às operações de capitais a curto prazo, aos bens imobiliários e aos
sistemas de pagamento e para reforçar a luta contra o branqueamento de
capitais. Globalmente, o alinhamento nestes domínios está moderadamente avançado. No domínio dos contratos
públicos, realizaram‑se progressos, nomeadamente no que diz respeito
às parcerias público-privadas. A Sérvia deve prosseguir os seus esforços
contínuos para aplicar o seu quadro legislativo em matéria de contratos
públicos e, especial, para evitar irregularidades na utilização do procedimento
por negociação. Será conveniente assegurar uma coordenação eficaz entre os
principais intervenientes, nomeadamente os organismos de auditoria e as
instituições judiciárias. Os resultados obtidos pela inspeção orçamental do
Ministério das Finanças responsável pela supervisão dos contratos públicos e as
suas capacidades administrativas deviam ser substancialmente reforçados. O
alinhamento neste domínio registou poucos progressos. Graças à entrada em vigor de uma nova lei em
fevereiro de 2012 e à adoção de várias alterações a esta lei, forem efetuados
progressos satisfatórios no domínio do direito das sociedades, em que o
alinhamento progrediu bastante. No que diz respeito à contabilidade e ao
controlo das contas das sociedades, há que reforçar os esforços em matéria de
controlo independente, de garantia da qualidade e de investigação. A
Sérvia realizou progressos satisfatórios em matéria de alinhamento pelo acervo
da UE no que se refere aos direitos de propriedade intelectual e à
aplicação da sua estratégia sobre os direitos de propriedade intelectual (DPI)
para 2011‑2015. Deve ainda ser criado um mecanismo formal de coordenação
e de cooperação entre as instituições responsáveis pela proteção dos DPI. O
alinhamento neste domínio está avançado. São de assinalar
alguns progressos no domínio da política da concorrência, em que o
alinhamento está relativamente avançado. A autoridade de concorrência reforçou
a sua capacidade e a autoridade responsável pelos auxílios estatais desenvolveu
o seu balanço em matéria de resultados, mas as notificações ex ante dos
auxílios estatais devem ser melhoradas. No que diz respeito à política anti‑trust
e às concentrações, bem como aos auxílios estatais, são necessárias medidas de
sensibilização suplementares. A Sérvia efetuou progressos no domínio dos serviços
financeiros, tomando medidas com vista a aplicar as disposições de Basileia
II. A legislação sérvia deve ser mais alinhada pelo acervo e ser efetivamente
aplicada a médio prazo. O alinhamento neste domínio registou poucos progressos. São de assinalar poucos progressos no domínio
da sociedade da informação e meios de comunicação social, em que o
alinhamento está relativamente avançado. O regime geral de autorização
aplicável aos fornecedores de telecomunicações entrou plenamente em vigor,
tendo sido introduzidas garantias fundamentais em matéria de concorrência. A
transição da radiodifusão analógica para a radiodifusão digital começou. A
independência financeira dos organismos de regulação das telecomunicações deve
continuar a ser melhorada e o quadro legislativo da Sérvia ser alinhado pelo
acervo. Registaram-se progressos no domínio da agricultura
e desenvolvimento rural, nomeadamente no que diz respeito às estatísticas
agrícolas. Foram realizados progressos satisfatórios em matéria de estruturas e
de recursos destinados à execução do desenvolvimento rural ao abrigo do IPARD,
mas continua a ser fundamental um maior reforço das capacidades. Globalmente, o
alinhamento neste domínio encontra-se numa fase inicial. São de assinalar
alguns progressos no domínio da segurança alimentar e da política
veterinária e fitossanitária, em que os preparativos estão relativamente
avançados. Seria conveniente reforçar mais a capacidade administrativa das
instituições que intervêm no controlo da segurança da cadeia alimentar,
nomeadamente os laboratórios veterinários, fitossanitários e nacionais de
referência. São necessários esforços no que diz respeito à modernização dos
estabelecimentos de que produzem produtos alimentares e alimentos para animais,
à gestão dos subprodutos de origem animal e aos organismos geneticamente
modificados. São de assinalar alguns progressos em matéria de pescas. Há
que melhorar a recolha de dados do mercado e estabelecer um sistema nacional de
certificação das capturas para as importações e as exportações dos produtos da
pesca. Os preparativos neste domínio registaram poucos progressos. Foram observados
progressos no domínio da política dos transportes, nomeadamente no que
se refere ao transporte rodoviário, ao transporte por vias navegáveis internas
e ao transporte aéreo. Foram adotadas leis sobre o transporte ferroviário e a
segurança e a interoperabilidade no setor ferroviário. Deve ser dada uma atenção
especial ao acesso equitativo ao mercado; há que envidar esforços suplementares
no que diz respeito à separação entre o gestor das infraestruturas e o operador
ferroviário, bem como à criação de um regulador com funções bem definidas. É
necessário um maior reforço das capacidades, nomeadamente no que diz respeito à
execução e à inspeção. Globalmente, o alinhamento da Sérvia neste domínio está
moderadamente avançado. São de assinalar poucos progressos no domínio
da energia. São necessários esforços suplementares para conseguir uma
verdadeira abertura do mercado, uma separação e uma tarifação que reflita os
custos. Seria conveniente adotar uma legislação‑quadro sobre a utilização
racional da energia e uma legislação sobre as reservas de produtos de base. Há que
reforçar o papel e a independência da agência de energia e da autoridade de
regulação nuclear. A Sérvia devia, com urgência, abordar a questão da inclusão
do Kosovo no mecanismo regional de trânsito da eletricidade mencionado no
parecer fundamentado da Comunidade da energia. Globalmente, os preparativos
neste domínio estão moderadamente avançados. São de assinalar alguns progressos no domínio
da fiscalidade com a aplicação da estratégia da administração fiscal
sérvia relativamente às empresas. A modernização deve prosseguir. A luta contra
a economia paralela continua a ser fonte de preocupações. É necessário envidar
esforços significativos para melhorar o sistema informático e a comunicação com
os contribuintes, bem como para continuar a alinhar a legislação relativa aos
impostos especiais de consumo. Globalmente, os preparativos neste domínio estão
moderadamente avançados. Não foram observados progressos no domínio da política
económica e monetária, em que o alinhamento está moderadamente avançado. As
recentes alterações à lei sobre o banco central ameaçam a sua independência e
constituem, por conseguinte, um grande passo atrás em matéria de alinhamento
pelo acervo. As capacidades de elaboração e de coordenação das políticas
económicas devem ser melhoradas. Foram observados progressos satisfatórios no
domínio das estatísticas, em que o alinhamento está moderadamente
avançado. O recenseamento da população e da habitação decorreu conforme
previsto. A capacidade do serviço de estatísticas deve ser reforçada nos
próximos anos a fim de permitir a aplicação de todo o acervo em matéria de
estatísticas. São de assinalar alguns progressos no domínio
da política social e do emprego, nomeadamente no que diz respeito à
política de emprego, à saúde e à segurança no trabalho, bem como à inclusão
social. Contudo, as políticas de emprego são em geral afetadas pelos
desenvolvimentos económicos desfavoráveis e por dotações orçamentais limitadas,
devendo ser reforçadas. São igualmente necessários maiores esforços para reestruturar
e reformar a proteção social, tornando‑a de novo viável. Globalmente, a
Sérvia começou a cumprir as suas prioridades neste domínio. Foram realizados progressos no domínio da política
a favor das empresas e da política industrial, em que os preparativos estão
em curso. A Sérvia aplicou a Lei das Pequenas Empresas de forma adequada. São de assinalar alguns progressos no domínio
das redes transeuropeias, em que os preparativos estão relativamente
avançados. A Sérvia continua a desenvolver as suas redes nos domínios dos
transportes e da energia e a participar ativamente no Observatório dos
Transportes do Sudeste da Europa e na Comunidade da Energia. O financiamento
das novas interconexões das redes de energia e de transportes continua a ser
fonte de preocupações. Foram observados progressos no domínio da política
regional e da coordenação dos instrumentos estruturais, em que os
preparativos avançam. A Sérvia completou as etapas preparatórias para a gestão
descentralizada do IPA em quatro domínios. Seria conveniente continuar a
garantir capacidades de aplicação adequadas. A programação deve ser melhorada,
nomeadamente no que se refere à elaboração de uma reserva de projetos sólida
com base em estratégias pertinentes. Registaram-se
poucos progressos no que diz respeito ao sistema judiciário e aos direitos
fundamentais. A revisão da renovação do
mandato dos juízes e dos procuradores não corrigiu as deficiências existentes,
tendo as suas conclusões sido revogadas pelo Tribunal Constitucional, que
ordenou a reintegração de todos os juízes e procuradores que tinham apresentado
um recurso em relação à sua não recondução. É
necessário elaborar uma nova estratégia de reforma do sistema judiciário com
base numa análise funcional. Prosseguiu a
aplicação do quadro jurídico em matéria de luta contra a corrupção. Contudo, continua pendente uma nova estratégia de
luta contra a corrupção e um novo plano de ação. São
necessárias uma direção política mais forte, uma coordenação entre agências
mais eficaz e uma abordagem proativa no que diz respeito às investigações e às
ações relativas à corrupção. No que diz
respeito aos direitos fundamentais, a legislação está em vigor e é em grande
medida respeitada. A liberdade de expressão é
em geral garantida, mas a aplicação da estratégia relativa aos meios de
comunicação deve ser acelerada. Continua
generalizada a discriminação com base na etnia, no género e na orientação
sexual, sendo necessárias medidas suplementares da luta contra todas as formas
de discriminação. É necessária uma abordagem
proativa para melhorar a inserção da população LGBT e uma maior compreensão no
âmbito da sociedade. Foram tomadas algumas
medidas positivas para melhorar a situação das minorias, nomeadamente dos
ciganos, mas são necessários esforços suplementares para conseguir uma
aplicação coerente da legislação em toda a Sérvia. Globalmente,
a Sérvia começou a cumprir as suas prioridades neste domínio. A Sérvia realizou
alguns progressos no domínio da justiça, liberdade e segurança. Participa ativamente na cooperação policial e
judiciária internacional e os órgãos responsáveis por fazer aplicar a lei
dispõem em geral de capacidades suficientes para efetuar investigações
tradicionais. São necessários esforços
suplementares para reforçar a capacidade para realizar investigações complexas
e para reforçar a coordenação entre os órgãos responsáveis por fazer aplicar a
lei e as instâncias judiciárias. Era
conveniente melhorar os resultados em matéria de investigações proativas e de
condenações definitivas nos processos ligados à criminalidade organizada. Globalmente, os preparativos neste domínio estão
moderadamente avançados. Registaram-se poucos progressos no domínio da ciência
e investigação. Os investimentos públicos e privados na investigação
continuam a ser reduzidos e a Sérvia deve globalmente reforçar as suas
capacidades nacionais em matéria de investigação. Globalmente, os preparativos
neste domínio estão em boa via. Foram observados poucos progressos no domínio
da educação e cultura, em que o alinhamento está moderadamente avançado.
Realizaram-se progressos graças ao reforço da inclusão social no sistema
educativo, bem como à introdução de normas de garantia da qualidade no ensino
elementar. Melhorar a aplicação das reformas no ensino superior continua a constituir
um desafio e as reformas no setor do ensino e da formação profissionais devem
ser aceleradas. A gestão financeira e o controlo financeiro devem continuar a
ser reforçados com vista à participação da Sérvia no futuro programa «Educação,
juventude e desporto». Realizaram-se
alguns progressos no domínio do ambiente, em que o alinhamento pelo
acervo e a ratificação das convenções internacionais em matéria de ambiente
prosseguiram. É necessário envidar esforços suplementares significativos
a fim de aplicar a legislação nacional, em especial nos domínios da gestão da
água, do controlo da poluição industrial e da gestão dos riscos, da proteção da
natureza e da qualidade do ar. O reforço da capacidade administrativa deve
continuar a ser prioritário. Realizaram-se poucos progressos no domínio das alterações
climáticas. São necessários esforços consideráveis para sensibilizar
a opinião pública para as possibilidades e para os desafios da ação a favor do
clima, adotar uma abordagem mais estratégica a nível nacional, alinhar a
legislação pelo acervo da UE em matéria de clima e aplicá-lo, bem como reforçar
as capacidades administrativas e a cooperação interinstitucional. Globalmente,
a Sérvia começou a cumprir as suas prioridades nestes domínios. São de assinalar alguns progressos no domínio
da defesa dos consumidores e proteção da saúde, em que os preparativos
estão relativamente avançados. Os esforços devem centrar-se na aplicação do
quadro legislativo em vigor e num maior alinhamento pelo acervo. A coordenação
institucional entre os intervenientes e a capacidade administrativa nos
domínios da defesa dos consumidores e da proteção da saúde pública devem ser
reforçadas. A Sérvia efetuou
progressos satisfatórios no domínio da união aduaneira, com a adoção de
novas leis e esforços sustentados com vista a melhorar a sua capacidade
administrativa, nomeadamente no setor da auditoria e do controlo a
posteriori. A Sérvia deve igualmente garantir a aplicação adequada do
acervo da UE na fronteira/linha de demarcação administrativa com o Kosovo. A
legislação relativa à segurança aduaneira deve ser aplicada e o sistema de
tratamento automático da declaração aduaneira deve ser renovado ou modernizado.
Globalmente, os preparativos no domínio da união aduaneira estão em boa via. São de assinalar
alguns progressos no domínio das relações externas, em que os
preparativos estão relativamente avançados. A adesão à OMC está pendente da
finalização das negociações bilaterais. No domínio da política externa e de
segurança e defesa comum, a Sérvia melhorou significativamente o seu
alinhamento pelas declarações PESC da UE, tendo‑se mostrado
constantemente pronta a participar nas operações civis e militares de gestão
das crises. Os preparativos neste domínio estão em boa via. Foram realizados progressos
no domínio do controlo financeiro, nomeadamente no que diz respeito às
auditorias externas. É necessário envidar esforços significativos para
desenvolver a gestão e o controlo das finanças públicas com base no conceito
subjacente de responsabilidade em matéria de gestão. Não se registaram
quaisquer progressos no domínio das disposições financeiras e orçamentais.
As infraestruturas administrativas necessárias, nomeadamente em matéria de
coordenação, bem como as ligações organizacionais e processuais entre as
diversas instituições que participam no sistema dos recursos próprios, devem
ser desenvolvidas atempadamente. Globalmente, os preparativos nestes domínios
encontram-se numa fase inicial. Albânia O acordo político
concluído em novembro de 2011 entre a maioria no poder e a oposição marcou o
final do impasse político em que o país se encontrava desde as eleições
legislativas de 2009. Este acordo tem por objetivo resolver a questão da
reforma eleitoral e parlamentar e criar um clima político propício ao
desenvolvimento de esforços de reforma conjuntos noutros domínios. Em
consequência, o diálogo e a cooperação políticos melhoraram consideravelmente,
o que permitiu ao país fazer progredir as reformas essenciais, nomeadamente a
reforma eleitoral. As eleições presidenciais desenrolaram‑se no respeito
da Constituição, mas o processo político em torno do escrutínio não assentou no
diálogo positivo entre os partidos lançado em novembro. Apesar de uma certa
retórica de confrontação entre o governo e a oposição, a aplicação do acordo
político prosseguiu. Globalmente, a Albânia realizou progressos satisfatórios
com vista a cumprir os critérios políticos de adesão à UE e a executar
um certo número de reformas em resposta às prioridades essenciais enunciadas no
parecer da Comissão de 2010[4].
Foram observados progressos consideráveis nos principais domínios da reforma
política, nomeadamente o bom funcionamento do Parlamento, a adoção de leis
pendentes que exigem uma maioria qualificada, a nomeação de um Provedor e a
criação de procedimentos de audição e de voto no Parlamento para as nomeações
para o Tribunal Constitucional e para o Supremo Tribunal, bem como a alteração
do quadro legislativo aplicável às eleições, conducentes ao cumprimento das
quatro prioridades essenciais em causa. A Albânia está no bom caminho para
cumprir as duas prioridades essenciais relativamente à reforma da administração
pública e à melhoria do tratamento das pessoas detidas. No que diz
respeito às seis outras prioridades essenciais, são de assinalar progressos
modestos na reforma do sistema judiciário e na luta contra a corrupção, como o
comprova a reforma do regime de imunidade aplicável aos funcionários e aos
juízes e a adoção da lei relativa aos tribunais administrativos, e progressos desiguais
nas políticas de luta contra a discriminação, nomeadamente nas políticas
destinadas a proteger as minorias e melhorar as condições de vida da comunidade
cigana. Realizaram-se progressos no que diz respeito à luta contra a
criminalidade organizada, bem como a reforma do regime de propriedade e
direitos das mulheres, nomeadamente algumas medidas importantes relativamente a
este aspeto, nomeadamente o aumento das apreensões de bens de origem criminosa,
a adoção de uma estratégia global da reforma do regime de propriedade e
alterações do código penal reforçando as sanções em caso de violência
doméstica. Em todos os
domínios abrangidos pelas prioridades essenciais ainda não plenamente
realizados, serão necessários esforços suplementares significativos para
garantir a execução sustentável dos compromissos já assumidos e a realização de
novos progressos concretos, nomeadamente em matéria de execução. A fim de
manter a dinâmica atual de reformas e de consolidar os resultados obtidos até
agora, o país devia em especial centrar-se na adoção consensual do regimento
parlamentar revisto e nas alterações às leis relativas ao Supremo Tribunal e à
função pública. Garantir a sustentabilidade do diálogo político é essencial
para o funcionamento de instituições democráticas e para a via da adesão à UE.
No que diz respeito à democracia e ao Estado de direito, a
melhoria do diálogo político no Parlamento e o clima mais construtivo em que se
desenrolam as sessões plenárias e as reuniões das comissões permitiram avançar
bem num certo número de domínios, apesar de curtos períodos de confrontação
política e de abrandamento temporário das reformas. O funcionamento do
Parlamento e o diálogo político melhoraram consideravelmente em
resultado do acordo político de novembro de 2011, o que permitiu a realização
de progressos significativos graças à adoção de todas as leis pendentes que
exigiam uma maioria qualificada, à nomeação, por consenso, de um Provedor, ao
procedimento de audição e de votação no Parlamento a que está sujeita a nomeação
presidencial de um juiz para o Supremo Tribunal e à alteração do código
eleitoral (quatro prioridades essenciais do parecer). É agora fundamental
adotar o regimento parlamentar revisto. Em 11 de junho de 2012, foi eleito um
novo Presidente à quarta volta da eleição graças apenas aos votos da maioria no
poder. Apesar de estar em conformidade com a Constituição, a eleição
presidencial não satisfez todas as expectativas em matéria de inclusão e
condicionou a consolidação do diálogo político e a cooperação, o que contribuiu
para um abrandamento temporário dos esforços de reforma em domínios
fundamentais que exigem o consenso político, mas que foi ultrapassado
rapidamente. Registaram-se alguns progressos no que diz
respeito aos trabalhos do governo. Verificaram-se progressos
consideráveis na coordenação do processo de integração na UE, nomeadamente a
revisão, conduzida com toda a transparência e num espírito de concertação, do
plano da ação adotado para aplicar as prioridades essenciais do parecer. O presidente
da comissão parlamentar sobre a integração europeia, membro da oposição, e o
Ministro da Integração Europeia prosseguiram a sua cooperação eficaz no quadro
das reformas associadas à UE, tal como o testemunha a sua participação conjunta
na reunião do Conselho de estabilização e de associação UE‑Albânia de
maio de 2012. A Albânia tem ainda de melhorar a sua capacidade para redigir
textos legislativos e planificar melhor o alinhamento da sua legislação pelo
acervo, nomeadamente através da aplicação efetiva da decisão do Conselho de
Ministros relativa ao plano nacional de execução do AEA[5]. No que diz respeito à
administração local, a descentralização das competências do Estado não foi
acompanhada pela transferência de recursos financeiros e administrativos
suficientes do nível central para o nível local. A existência de duas
associações de autarquias locais distintas não é de modo algum propícia à
melhoria das relações institucionais entre o poder central e a administração
local, necessária para o êxito e para a transparência do processo de
descentralização. São de assinalar progressos em matéria de
reforma da administração pública, uma das prioridades essenciais do
parecer, nomeadamente a adoção das leis relativas aos tribunais administrativos
e à organização e ao funcionamento da administração pública, bem como à
nomeação do Provedor. É agora fundamental adotar as alterações da lei relativa
à função pública. A aplicação dos atos legislativos e administrativos adotados
deve ser reforçada. O quadro legislativo e institucional da administração
pública apresenta ainda lacunas que devem ser supridas para reforçar o
profissionalismo, a despolitização, a meritocracia, a transparência e a
responsabilização na função pública. No que diz respeito ao sistema judiciário,
a Albânia progrediu moderadamente na execução da reforma judiciária, que
constitui uma prioridade essencial do parecer. Começou a aplicar a estratégia
de reforma judiciária, e o plano de ação pertinente, adotados em março de 2012.
Foram adotadas a lei relativa aos tribunais administrativos e a lei relativa à
conferência judiciária nacional. Está operacional o novo sistema privado de
oficiais de justiça. Contudo, aguarda ainda finalização, adoção e aplicação
importante de legislação destinada a reforçar a responsabilização, a
independência e a eficiência do sistema judiciário. Relativamente a este
aspeto, é agora fundamental que sejam adotadas as alterações à lei relativa ao
Supremo Tribunal. A organização dos tribunais, a transparência e os processos em
atraso, tal como o estatuto da administração judiciária ou ainda a dotação
orçamental continuam a suscitar preocupações quanto à eficácia do aparelho
judiciário. O processo judicial que permite esclarecer os acontecimentos
ocorridos em 21 de janeiro de 2011 deve ser concluído de forma credível. São de
assinalar progressos satisfatórios em matéria de luta contra a corrupção no
sistema judiciário, através de restrições à imunidade dos juízes. A Albânia
deve continuar a acelerar a aplicação da estratégia da reforma judiciária, a
fim de garantir a independência, a eficiência e a responsabilização das suas
instituições judiciárias. Verificaram-se
progressos moderados no domínio da política de luta contra a corrupção,
que é uma prioridade essencial do parecer, nomeadamente através da limitação da
imunidade constitucional de funcionários públicos de alto nível e juízes. Foram
envidados alguns esforços para melhorar a cooperação interinstitucional, o
intercâmbio de informações e as ações em caso de infrações menores ou de
gravidade média. No entanto, a ausência de uma abordagem proativa e a falta de
recursos e de equipamento continuam a entravar a eficácia das investigações. Os resultados da Albânia em matéria de
investigações, ações penais e condenações são insuficientes a todos os níveis. A corrupção prevalece em muitos domínios e continua
a ser um problema particularmente grave. São de assinalar
alguns progressos no que diz respeito à luta contra a criminalidade
organizada, que é uma prioridade essencial do parecer. Observaram‑se progressos nomeadamente no que
diz respeito ao aumento do número de apreensões de bens de origem criminosa, à
cooperação interinstitucional em investigações de crimes financeiros, ao
branqueamento de capitais e à luta contra o tráfico de seres humanos. A
cooperação com Estados‑Membros da UE está a progredir bem, tendo sido
criada uma ligação de comunicação segura para facilitar os intercâmbios de
informação com a Europol. Seria conveniente incentivar a avaliação das ameaças
e das investigações proativas para desenvolver mais os resultados de
investigações, ações e condenações a todos os níveis. A criminalidade
organizada continua a ser um desafio de envergadura para a Albânia. Registaram-se progressos moderados no domínio
dos direitos humanos e da proteção das minorias. A Albânia progrediu na realização das
prioridades essenciais que dizem respeito à melhoria do tratamento dos detidos,
ao reforço do acompanhamento judiciário nos processos de maus tratos e à
aplicação das recomendações do Provedor. Foram tomadas medidas para melhorar as
condições de detenção e reforçar a cooperação com o Provedor. Continuam a ser
comunicados alguns casos de maus tratos e a polícia não respeita
sistematicamente os procedimentos previstos em caso de detenção e de detenção
preventiva. As condições de vida nas prisões continuam a divergir. Está
previsto criar um estabelecimento médico especialmente concebido para acolher
os detidos que sofrem de perturbações mentais, sendo no entanto também
necessário prever cuidados de saúde especializados e melhorar os tratamentos.
Os atrasos nos procedimentos judiciários e a falta de recursos registados até
agora pelo Serviço de Liberdade Condicional têm sempre como consequência um
recurso abusivo à detenção preventiva. Foram desiguais os progressos realizados para
satisfazer a prioridade essencial, que consiste no reforço da proteção dos
direitos humanos, nomeadamente das mulheres, das crianças e dos ciganos, e na
aplicação efetiva de políticas de luta contra a discriminação. As alterações ao
Código Penal no que diz respeito à violência doméstica constituem um avanço
encorajador, mas a aplicação das políticas de proteção das crianças deve ser
reforçada. Há que adotar medidas legislativas para pessoas com deficiência e
rever a legislação com vista a eliminar as disposições potencialmente
discriminatórias contra os LBGT. A comissão de luta contra as discriminações
realizou ações de sensibilização, impondo‑se no entanto esforços
suplementares para concluir os dossiês. Certos grupos vulneráveis, como os LBGT
e os ciganos, continuam a ser vítimas de discriminações. As relações
interétnicas continuam boas, não tendo no entanto sido tomadas quaisquer
medidas para sanar as deficiências do quadro legislativo e institucional geral
aplicáveis às minorias. A aplicação dos instrumentos estratégicos destinados a
garantir a inclusão dos ciganos e o acesso dos membros desta comunidade à
proteção social e aos serviços públicos continua a ser insuficiente, o que
conduz à sua marginalização. As políticas no domínio dos direitos humanos
beneficiam de um importante apoio por parte da sociedade civil e dos doadores.
É importante que a Albânia dê prioridade às políticas neste domínio a fim de
garantir a sua sustentabilidade. Foram realizados alguns progressos no domínio
dos direitos da propriedade, nomeadamente através da adoção de uma nova
lei sobre o registo dos bens imobiliários, bem como uma estratégia transversal
e um plano de ação destinado a reformar o regime de propriedade, sendo esta
reforma uma das prioridades essenciais do parecer. É necessária uma coordenação
e um acompanhamento eficazes para garantir a aplicação da estratégia e a
coerência entre a legislação em vigor e as futuras iniciativas. Devem
prosseguir as consultas com os intervenientes relativamente a este aspeto. O
primeiro registo dos bens imobiliários não foi ainda concluído e o tratamento
dos pedidos de compensação e de restituição introduzidos por antigos
proprietários é muito lento. No que diz respeito às questões regionais e
às obrigações internacionais, a Albânia continuou a desempenhar um papel
construtivo, consolidando as suas boas relações com os vizinhos e com os
parceiros regionais, contribuindo deste modo para a estabilidade da região. O
país cooperou plenamente com a EULEX e o Parlamento adotou, em maio de 2012,
uma lei especial que autoriza os investigadores da missão da UE a realizar
investigações em território albanês. No quadro
da sua presidência da MARRI (Iniciativa Regional para Migração, Asilo e
Refugiados), foi concluído um acordo entre Albânia, o Montenegro e a antiga
República jugoslava da Macedónia para facilitar os procedimentos de passagem
das fronteiras entre os países. Os nacionais
destes países podem agora viajar entre estes países por um período máximo de
três meses desde que sejam titulares de um bilhete de identidade biométrico. No que diz respeito ao Tribunal Penal
Internacional, o acordo bilateral de imunidade concluído com os Estados Unidos
não está em conformidade com as posições comuns e os princípios orientadores da
UE. A Albânia deve alinhar‑se pela posição da UE. A Albânia continuou a participar ativamente em
iniciativas de cooperação regionais, nomeadamente no quadro do Processo de
Cooperação para a Europa do Sudeste (SEECP), do Conselho de Cooperação Regional
(CCR) e do Acordo Centro-Europeu de Comércio Livre (CEFTA). O país ocupa a presidência da CEFTA e do Comité de
Ministros do Conselho da Europa. A Albânia manteve a sua estabilidade
macroeconómica. O crescimento do PIB, principalmente alimentado pela procura
interna, abrandou, continuando no entanto positivo, tendo‑se situado em
3,1 % em 2011. A atividade económica estagnou durante o primeiro trimestre de
2012 devido aos cortes de eletricidade decorrentes das condições climáticas.
Receitas inferiores às expectativas e despesas mais elevadas aumentaram o
défice orçamental e, por conseguinte, aumentaram a dívida pública. As reformas
estruturais perderam energia em parte devido à fragilidade do diálogo político
nacional. A política monetária permaneceu rigorosa, tendo permitido manter a
inflação nos limites estabelecidos. As lacunas quanto à força executória dos
contratos e do Estado de direito, a fraqueza das infraestruturas e do capital
humano e a economia informal continuam a entravar o desenvolvimento económico
do país. No que diz
respeito aos critérios económicos, a Albânia realizou alguns progressos
suplementares na via de uma economia de mercado viável. A Albânia deverá estar
em condições de fazer face às pressões concorrenciais e às forças de mercado no
interior da União, a médio prazo, desde que acelere e aprofunde as suas
reformas estruturais, reforçando nomeadamente seu sistema jurídico e o seu
capital material e humano. O país manteve um amplo consenso sobre os
grandes princípios fundamentais de uma economia de mercado, apesar de um
contexto político frequentemente polarizado. A economia albanesa continuou a
crescer, mas a um ritmo mais lento e apesar de condições económicas
permanentemente desfavoráveis em que se encontram os seus principais parceiros
comerciais. A política monetária permitiu estabilizar a inflação e controlar as
previsões inflacionistas. O desempenho do mercado de trabalho melhorou
ligeiramente. A participação do Estado na economia e o nível dos subsídios
permaneceram limitados. O setor bancário dispõe de uma boa capitalização e de
uma liquidez suficiente. O país realizou alguns progressos quanto à necessidade
de facilitar a entrada nos mercados. Contudo, o défice
orçamental aumentou em 2011, o que deu origem a uma nova subida da dívida
pública, já relativamente elevada, que continua a apresentar um problema a
curto prazo. O défice da balança corrente, continuamente elevado, constitui uma
fonte de vulnerabilidade. O desemprego continua elevado. A aplicação dos
procedimentos de falência está incompleta. As carências a nível do Estado do
direito prejudicam o caráter executório dos contratos, enquanto os problemas de
direitos de propriedade não resolvidos dificultam os investimentos e o clima
empresarial em geral. A dimensão do setor informal e uma cobrança insuficiente
dos impostos continuam a colocar problemas. O nível elevado e crescente do
crédito malparado no setor bancário é preocupante. Os investimentos no capital
humano e nas infraestruturas permanecem insuficientes. A falta de
diversificação da base de produção em termos de setores e mercados de
exportação expõe a economia a eventuais choques externos. A Albânia realizou progressos moderados na
melhoria da sua capacidade para assumir as obrigações decorrentes da adesão,
nomeadamente nos domínios da concorrência, da fiscalidade, das estatísticas, da
justiça, liberdade e segurança, da educação e cultura, bem como da união
aduaneira. Os progressos foram limitados em domínios como a livre circulação
dos trabalhadores, os contratos públicos, a legislação em matéria de
propriedade intelectual, as pescas, a energia, o ambiente e as alterações
climáticas. Globalmente, a Albânia continuou em geral a cumprir adequadamente
as suas obrigações subscritas no Acordo de Estabilização e de Associação (AEA).
Deve, contudo, garantir o respeito atempado dos seus compromissos, nomeadamente
no que se refere aos direitos da propriedade industrial e intelectual. Além
disso, é necessário envidar esforços sustentados para reforçar as capacidades
administrativas necessárias e para a aplicação e cumprimento da legislação. No domínio da livre circulação das
mercadorias, foram registados progressos em matéria de normalização. É
necessário prosseguir os trabalhos com vista a aproximar a sua legislação do
acervo. Não foram ainda criados serviços de inspeção adequados que assegurem a
supervisão do mercado. Os preparativos neste domínio registaram poucos
progressos. Registaram‑se poucos progressos no
domínio da livre circulação dos trabalhadores. A Albânia procedeu a
certos preparativos na perspetiva da sua futura participação no EURES e da
coordenação dos sistemas de segurança social. É necessário envidar esforços
suplementares para alinhar pelo acervo a legislação sobre o acesso ao mercado
de trabalho. Globalmente, os preparativos neste domínio não estão muito
avançados. São de assinalar alguns progressos no domínio do direito de
estabelecimento e da livre prestação de serviços, nomeadamente em matéria
de reconhecimento mútuo das qualificações profissionais. Os preparativos com
vista ao alinhamento pela Diretiva Serviços encontram-se ainda numa fase
inicial. A legislação albanesa em matéria postal nem sempre está conforme ao
acervo. Os preparativos neste domínio registaram progressos modestos. Foram
observados progressos no domínio da livre circulação de capitais no que
diz respeito às medidas legislativas introduzidas pelas alterações ao Código
Penal e à legislação bancária. São necessários esforços suplementares para
aproximar do acervo a lei relativa aos sistemas de pagamento. Os preparativos
relativamente à livre circulação de capitais estão moderadamente avançados. Registaram-se poucos progressos no alinhamento
pelo acervo do quadro legislativo em matéria de contratos públicos e de
concessões. A repartição das responsabilidades entre as diferentes
instituições competentes em matéria de contratos públicos continua mal
definida. Os preparativos neste domínio registaram progressos modestos. São de
assinalar alguns progressos no domínio do direito das sociedades, em que
os preparativos estão relativamente avançados. A Albânia aprovou o código de
governação das sociedades, progredindo assim no alinhamento da sua legislação
pelo acervo. A aproximação legislativa deve prosseguir no que diz respeito às
obrigações em matéria de informação e de documentação em caso de fusões ou de
cisões das sociedades, tal como no domínio da contabilidade e da auditoria das
sociedades. No domínio do direito da propriedade intelectual os
progressos foram limitados, não estando os preparativos numa fase muito
avançada. Subsistem importantes lacunas na aplicação efetiva dos direitos de
propriedade intelectual e industrial, o que prejudica o respeito, por parte da
Albânia, dos compromissos que assumiu ao abrigo do AEA. São de assinalar
alguns progressos no domínio da concorrência. O alinhamento da
legislação pelo acervo em matéria antitrust e de controlo das
concentrações progrediu, tendo sido adotado o mapa dos auxílios estatais com
finalidade regional. Seria conveniente preservar de forma adequada as
capacidades administrativas e a independência operacional das autoridades
responsáveis pela concorrência e pelos auxílios estatais. Os preparativos no
domínio da concorrência estão em curso. São de assinalar alguns progressos no domínio
dos serviços financeiros, em que os preparativos estão relativamente
avançados. Continuou a alinhar a sua legislação bancária pelo acervo e a
desenvolver o seu mercado dos investimentos. São necessários esforços
suplementares nos domínios dos seguros e das pensões profissionais, das
infraestruturas do mercado financeiro, do mercado dos valores mobiliários e dos
serviços de investimento. As capacidades administrativas continuam a ser
insuficientes no setor bancário e não bancário. São de assinalar poucos
progressos no domínio da sociedade da informação e meios de comunicação
social, em que os preparativos não estão muito avançados. Embora tenham
sido tomadas algumas medidas regulamentares favoráveis à concorrência no setor
das comunicações eletrónicas, subsistem preocupações quanto à reforma e à
liberalização do setor em geral, às incertezas jurídicas, bem como às
capacidades e à independência do organismo de regulação das telecomunicações. A
adoção da lei relativa aos serviços dos meios de comunicação audiovisuais voltou
a ser adiada. Apesar de se terem verificado alguns progressos em matéria de
independência dos meios de comunicação, a independência do organismo de
regulação, nomeadamente, continua a ser fonte de preocupações. A Albânia deve
garantir a aplicação efetiva da estratégia sobre a passagem para o sistema
digital. Os progressos
realizados no alinhamento pelo acervo relativo à agricultura e ao
desenvolvimento rural foram desiguais, nomeadamente no que diz respeito à
criação das instituições competentes em matéria de desenvolvimento rural. A
Albânia deve envidar esforços para reforçar as capacidades de desenvolvimento
rural, criar um cadastro das propriedades e elaborar estratégias nos domínios
da agricultura e da utilização dos solos. Globalmente, a Albânia começou a
realizar as suas prioridades neste domínio. Foram realizados progressos
limitados nos domínios da segurança alimentar, política veterinária e
fitossanitária. São necessários esforços para definir melhor as
competências, as responsabilidades e a comunicação em matéria de gestão dos
riscos, de registo do movimento dos animais, de controlo das doenças animais,
bem como para modernizar os estabelecimentos que produzem produtos alimentares
ou alimentos para animais. Os preparativos nestes domínios encontram-se numa
fase inicial. Observaram‑se progressos limitados no domínio das pescas,
em que os preparativos não estão muito avançados. É necessário aumentar os
recursos dos serviços competentes, nomeadamente do centro operacional
interinstitucional de análise marítima, bem como reforçar as suas capacidades
técnicas de acompanhamento, controlo e supervisão. A repartição das tarefas em
matéria de comunicação e de informação entre as diferentes direções do
Ministério do Ambiente, das Florestas e da Gestão da Água não é suficientemente
clara São de assinalar
poucos progressos na política de transportes principalmente no que diz
respeito à cabotagem marítima. São necessários esforços suplementares em
matéria de alinhamento pelo acervo e para aplicar a legislação de forma
efetiva. As capacidades administrativas e técnicas continuam reduzidas,
independentemente do modo de transporte, mas principalmente no que se refere à
segurança rodoviária e aérea. A manutenção das infraestruturas ferroviárias
coloca problemas e exige mais recursos. Registaram-se poucos progressos no
setor da energia. A falta de diversificação prejudica a segurança do
abastecimento em eletricidade. Impõe-se esforços suplementares em matéria de
reformas do mercado da energia para garantir a viabilidade do setor. As
capacidades administrativas e a independência da autoridade de regulação da
energia exigem um reforço suplementar. Globalmente, os preparativos não estão
muito avançados nos setores dos transportes e da energia. Registaram-se alguns progressos no alinhamento
pelo acervo da legislação em matéria de fiscalidade indireta, bem como
no reforço das capacidades de investigação e de auditoria interna da
administração fiscal. São necessários esforços suplementares nos domínios da
fiscalidade direta, cobrança de impostos, reembolso do IVA e tecnologias da
informação. Os preparativos neste domínio registaram poucos progressos. A
Albânia não progrediu no alinhamento da sua legislação pelo acervo em matéria
de política económica e monetária e os preparativos neste domínio ainda
não são suficientes. Foram realizados poucos progressos na elaboração do
documento de política económica. As capacidades em matéria de elaboração de
políticas não estão suficientemente desenvolvidas. Registaram-se alguns
progressos no domínio das estatísticas. O INSTAT procedeu a um recenseamento da população e da habitação em
outubro de 2011. As estatísticas setoriais devem ser significativamente
melhoradas e seria conveniente garantir recursos suficientes para o futuro
recenseamento agrícola. A independência e as capacidades administrativas do
INSTAT devem ser garantidas. Globalmente, os preparativos no domínio das
estatísticas estão relativamente avançados. São de assinalar poucos progressos no domínio
da política social e de emprego, em que os preparativos não estão muito
avançados. O mercado de trabalho continua condicionado pela importância do
setor informal, pela fraca participação das mulheres e pela taxa relativamente
elevada de desemprego dos jovens. A inclusão social das pessoas com deficiência
e da minoria cigana continua a ser insuficiente. Seria conveniente prever o
financiamento sustentável das reformas em matéria de proteção e de assistência
sociais a fim de garantir a sua boa aplicação. A realização das políticas neste
domínio continua a causar problemas. Foram realizados alguns progressos no
domínio da política a favor das empresas e da política industrial, em
que os preparativos estão moderadamente avançados. Foram tomadas algumas
medidas para facilitar o acesso das PME ao financiamento e para melhorar o
quadro regulamentar que regula as atividades comerciais. Os procedimentos de
saída do mercado continuam a ser lentos. Registaram-se alguns progressos no domínio das
redes transeuropeias. O transporte ferroviário continua subdesenvolvido,
sendo necessários investimentos substanciais para manter e melhorar o conjunto
das infraestruturas de transporte. No que diz respeito às redes energéticas,
impõem-se esforços suplementares para concluir as linhas de interconexão elétrica
com os países vizinhos e começar a elaborar uma estratégia de introdução do gás
natural. Globalmente, os preparativos não estão muito avançados. Foram
observados alguns progressos no domínio da política regional e da
coordenação dos instrumentos estruturais, em que os preparativos se
encontram ainda numa fase inicial. É necessário envidar esforços consideráveis
para estabelecer as capacidades institucionais e administrativas necessárias
aos níveis central e local, bem como para constituir uma reserva de projetos
maduros e de qualidade. Realizaram-se alguns progressos na aplicação
de políticas relativas ao sistema judiciário e aos direitos fundamentais,
nomeadamente através de esforços para a realização das prioridades essenciais
pertinentes estabelecidas no parecer da Comissão. Contudo, o quadro legislativo
apresenta ainda lacunas importantes, nomeadamente no que se refere à reforma
judiciária. A aplicação coerente dos instrumentos legislativos e estratégicos
continua a ser um desafio em todos os domínios abrangidos por este capítulo. O
alinhamento da Albânia pelas normas europeias e pelo acervo no domínio do
sistema judiciário e dos direitos fundamentais não está muito avançado. A Albânia progrediu no domínio da justiça,
liberdade e segurança, nomeadamente em matéria de gestão das fronteiras, de
cooperação internacional e de luta contra a criminalidade organizada. É
necessário redobrar esforços na coordenação entre as diferentes instituições
responsáveis pela execução da lei e para obter mais resultados concretos em
matéria de investigações, ações e condenações. Globalmente, os preparativos
neste domínio estão a avançar. Observaram‑se poucos progressos no
domínio da ciência e investigação, em que os preparativos não estão
muito avançados. São necessários esforços suplementares a nível nacional para
reforçar as capacidades de investigação e de inovação e para aumentar a
competitividade do país. O nível de investimento na investigação continuou a
ser muito reduzido e as medidas tomadas para valorizar o capital humano devem
ser reforçadas. No domínio da educação e da cultura, o
alinhamento pelas normas europeias progrediu de forma satisfatória,
nomeadamente no que diz respeito ao ensino superior e ao desenvolvimento do
ensino e da formação profissionais. São necessários esforços suplementares para
melhorar a transparência no âmbito dos estabelecimentos privados de ensino
superior. Em 2012, a Albânia começou a participar no programa Cultura.
Globalmente, os preparativos neste domínio estão moderadamente avançados. Embora se tenham registado alguns progressos
no alinhamento pelo acervo no domínio do ambiente, foram observados
poucos progressos no domínio das alterações climáticas. É necessário
envidar esforços suplementares com urgência para alinhar a legislação, aplicá-la
e fazê‑la respeitar. A opinião pública não está sensibilizada para a
problemática ambiental e é muito pouco consultada sobre as iniciativas
legislativas ou os investimentos públicos. Há que assumir um maior empenhamento
político e coordenar mais as ações nestes domínios. São necessários
investimentos significativos, enquanto os recursos atualmente atribuídos
permanecem limitados. O domínio do ambiente deve ser melhor integrado noutros
domínios de política, como os transportes e a energia. No que diz respeito às
alterações climáticas, são necessários esforços consideráveis para sensibilizar
a opinião pública, adotar uma abordagem mais estratégica a nível nacional,
alinhar a legislação pelo acervo e aplicá-lo, bem como reforçar as capacidades
administrativas e a cooperação interinstitucional. Os preparativos no domínio
do ambiente encontram-se ainda numa fase inicial, enquanto os preparativos no
domínio das alterações climáticas estão numa fase muito embrionária. Registaram-se alguns progressos nos domínios
da defesa dos consumidores e da proteção da saúde. A aplicação e
cumprimento da legislação permaneceram muito limitados. Não foi ainda criado um
sistema de supervisão do mercado. O sistema de proteção da saúde é pouco
conhecido tanto dos profissionais como do público em geral, o que prejudica a
sua transparência e a sua aplicação. O setor da saúde continua a não ser
suficientemente financiado. Os preparativos nestes domínios não estão muito
avançados. São de assinalar progressos na aproximação legislativa no domínio da
união aduaneira, em que os preparativos estão relativamente avançados.
Subsistem lacunas a nível das capacidades operacionais e administrativas em
geral e, mais particularmente, da compatibilidade dos sistemas informáticos com
as exigências da UE. Impõem-se esforços suplementares em matéria de
determinação do valor aduaneiro e de facilitação do comércio. O país progrediu moderadamente no domínio das relações
externas. A Albânia prosseguiu a sua boa cooperação com a OMC e o CEFTA. As
capacidades administrativas das instituições encarregadas da política comercial
continuam a melhorar. No domínio da política externa, de segurança e de
defesa, o país continuou a alinhar‑se pelas posições adotadas no
quadro da política comum de defesa e de segurança da UE, tendo demonstrado um
empenhamento político constante em participar nas operações civis, militares e
de gestão das crises. A Albânia tem ainda de concluir o registo em linha
das armas e das munições, cuja gestão será confiada à polícia nacional.
Globalmente, os preparativos neste domínio continuam em curso. Observaram‑se poucos progressos no
domínio do controlo financeiro, em que os preparativos não estão ainda
muito avançados. Subsistem lacunas na aplicação do quadro jurídico que regula o
controlo interno das finanças públicas e na aplicação do princípio da
responsabilidade em matéria de gestão. As auditorias externas devem ser
melhoradas em conformidade com as normas da INTOSAI. Não se verificaram quaisquer progressos
específicos no que diz respeito às disposições financeiras e orçamentais.
A Albânia deve criar atempadamente estruturas de coordenação e modalidades de
aplicação válidas para gerir o sistema de recursos próprios. Globalmente, os
preparativos neste domínio encontram-se numa fase inicial. Bósnia e
Herzegovina O estabelecimento das autoridades executivas e
legislativas foi completado com a conclusão do acordo sobre a formação do
governo central, após dezasseis meses de bloqueio político subsequente às
eleições gerais de outubro de 2010. A formação
do novo Conselho de Ministros e a adoção de duas leis essenciais em relação com
a UE conduziram inicialmente a uma alteração de orientação para com a
integração na UE. Contudo, esta dinâmica não
foi mantida. O consenso político que tinha
emergido desapareceu e os progressos em relação à agenda da UE entraram num
impasse. Começou uma remodelação das
autoridades do Estado, da Federação e dos cantões, mas continua entravada por
conflitos políticos e recursos judiciais. Os
representantes políticos nem sempre têm uma visão comum da orientação geral do
país, do seu futuro e do seu quadro institucional, que no entanto é necessária
para realizar progressos qualitativos na via que conduz à UE. Na sequência da separação do mandato do
Representante Especial da União Europeia (REUE) do Gabinete do Alto
Representante, o Chefe da Delegação da UE na Bósnia e Herzegovina, que assume a
partir de agora igualmente a função de REUE, lidera os esforços desenvolvidos a
vários níveis para ajudar as autoridades a realizarem os objetivos da agenda da
UE nos domínios essenciais. Globalmente, os progressos realizados pela
Bósnia e Herzegovina para cumprir os critérios políticos foram
limitados. Foi lançado em Bruxelas em junho um
diálogo de alto nível sobre o processo de adesão com representantes das
autoridades e dos partidos políticos da Bósnia e Herzegovina, com o objetivo de
explicar os requisitos associados à adesão à UE. Os
participantes acordaram num roteiro interno para a integração europeia, que
visa permitir a entrada em vigor do Acordo de Estabilização e de Associação
(AEA) e a apresentação de um pedido de adesão credível, em conformidade com as
conclusões do Conselho relevantes. O primeiro
prazo fixado no roteiro do mês de junho para a apresentação de uma proposta
concertada para estar em conformidade com o acórdão proferido pelo Tribunal
Europeu dos Direitos do Homem no processo Sejdic-Finci não foi respeitado. A
criação de um mecanismo de coordenação eficaz entre diferentes níveis de poder
para a transposição, aplicação e execução das disposições legislativas da UE
continua a ser uma das prioridades para que o país possa falar a uma só voz
sobre as questões europeias e utilizar com eficácia a assistência de pré-adesão
concedida pela UE. Nos domínios da democracia e do Estado
de direito, após as eleições gerais de outubro de 2010, foi constituído
em fevereiro um governo central. As
autoridades do Estado e da Federação começaram a ser remodeladas em junho.
Contudo, a questão desse processo continua incerta, devido a conflitos
políticos e aos recursos judiciais em curso. O
reforço da funcionalidade e dos mecanismos de coordenação das instituições
continua a ser uma questão a tratar prioritariamente.
A harmonização da Constituição com a Convenção Europeia dos Direitos do
Homem permanece em suspenso. Continua a ter de
ser apresentada à Assembleia Parlamentar uma proposta, com base num consenso
político, que altera a Constituição de forma a torná-la conforme com a
Convenção Europeia dos Direitos do Homem (processo Sejdic-Finci). A Assembleia Parlamentar realizou
alguns progressos na adoção de legislação relacionada com a UE, em especial
através da adoção da lei relativa aos auxílios estatais e da lei relativa ao
recenseamento da população e das famílias. A instituição de um Conselho para os
auxílios estatais, o respeito dos princípios da UE no que diz respeito às
empresas públicas e um inventário completo dos auxílios estatais permanecem
aspetos prioritários para cumprir as obrigações decorrentes do AP/AEA. Os
atrasos na formação do governo central e na remodelação atual dos poderes
públicos a todos os níveis entravaram a eficácia das atividades legislativas.
Deve melhorar a cooperação entre os parlamentos das entidades, a Assembleia
Parlamentar nacional e o Conselho de Ministros do Estado relativamente às
questões europeias. Realizaram-se poucos progressos na melhoria da
funcionalidade e da eficácia dos poderes públicos a todos os níveis, que
continuaram a ser afetados pelo caráter fragmentado e não coordenado do processo
de elaboração das políticas. Foi adotado em
maio o orçamento do Estado para 2012, a que se seguiu o desmembramento da
coligação governamental. A Presidência da
Bósnia e Herzegovina continua dividida relativamente a determinados aspetos da
política externa. Foram realizados poucos progressos no domínio
da reforma da administração pública. O
plano de ação que se insere na estratégia de reforma da administração pública
foi revisto, o que proporciona um quadro de reforma para os próximos cinco
anos. A coordenação entre as diversas
administrações a todos os níveis continua a ser deficiente e o processo de
reforma da administração pública não beneficia do apoio político necessário. Deve ser abordada a questão da sustentabilidade
financeira da administração pública de todos os níveis.
Foi nomeado um Provedor a nível do Estado, mas a redução do
financiamento para as suas atividades teve um impacto negativo na sua eficácia.
A fragmentação e a politização continuaram a entravar o estabelecimento de uma
função pública profissional, responsável, transparente e eficaz, com base no
mérito e nas competências. Registaram-se
progressos limitados no domínio da reforma do sistema judiciário. Surgiu uma atitude construtiva quanto à necessidade
de uma reforma global no quadro do diálogo estruturado sobre a justiça, com
base na apropriação nacional do processo, nomeadamente no que diz respeito à
aplicação da estratégia de reforma do setor judiciário e da estratégia nacional
relativamente aos crimes de guerra. Foram
tomadas medidas suplementares para reduzir os atrasos nos processos judiciais,
nomeadamente nos processos associados às faturas dos serviços de utilidade
pública; no entanto, os atrasos, nomeadamente nos processos relativos aos
crimes de guerra, continuam globalmente a ser importantes. A aplicação harmonizada do direito penal em todo o
país, bem como o caráter fragmentado da organização e dos orçamentos do poder
judiciário continuam a ser questões a abordar. A Bósnia e Herzegovina realizou progressos
limitados em matéria de luta contra a corrupção, que continua a
constituir um problema grave, sendo endémico num grande número de domínios dos
setores público e privado. Apesar da existência de um quadro jurídico, a
vontade política de resolver o problema e de melhorar a capacidade
institucional continua a ser reduzida. A aplicação da estratégia e do plano de
ação deve ser acelerada. Apesar da adoção do seu regulamento, a agência de luta
contra a corrupção não está plenamente operacional. O acompanhamento judiciário
de processos de corrupção permanece lento e apenas um número limitado de
processos de alto nível foi objeto de ações penais. As insuficiências a nível
da aplicação da legislação e os problemas de coordenação entre as entidades
continuam a ser questões preocupantes. A Bósnia e Herzegovina deve assumir um
compromisso político mais forte e realizar uma ação mais determinada na sua
luta contra a corrupção. Realizaram-se poucos progressos na luta contra a
criminalidade organizada. A Bósnia e Herzegovina continua a ser um país
fonte de abastecimento em armas e munições para os grupos criminosos na UE. As
atividades a nível da criminalidade organizada estão, além disso, associadas ao
trânsito de droga nos eixos de tráfico internacionais. De forma geral, os direitos humanos são
respeitados e a proteção das minorias é assegurada na Bósnia e Herzegovina. A Bósnia e Herzegovina ratificou todas as
principais convenções internacionais em matéria de direitos humanos, mas a sua
aplicação continua a ser desigual. Os direitos civis e políticos são em
grande medida respeitados. São de assinalar
alguns progressos na melhoria das condições prisionais. O novo estabelecimento
psiquiátrico de Sokolac não está ainda operacional. Continua
pendente uma vasta reforma do sistema penitenciário. Está
ainda suspensa a adoção da lei‑quadro sobre a assistência jurídica
gratuita. Foram realizados alguns progressos
no que diz respeito ao acesso à justiça, mas o quadro jurídico e institucional
do país continua fragmentado. A liberdade de
expressão, a liberdade de reunião e a liberdade de pensamento, de consciência e
de religião estão inscritas na Constituição do Estado central e nas das
Entidades. O Conselho da imprensa continuou a
trabalhar em estreita colaboração com as instituições judiciárias e as associações
de jornalistas a fim de melhorar a qualidade da informação e dar a conhecer
melhor os seus direitos aos cidadãos. Os jornalistas e os chefes de redação
continuaram ser objeto de atos de intimidação e de ameaças. As pressões políticas exercidas sobre os meios de
comunicação e a polarização destes segundo critérios políticos e étnicos
continuam a ser preocupantes. As tentativas
para comprometer a independência da autoridade de regulação das comunicações
(ARC) e dos organismos de radiodifusão de serviço público multiplicaram‑se.
Continuam pendentes as nomeações do Diretor-Geral e dos membros do conselho de
administração da ARC. No que diz respeito à
sociedade civil, há que continuar a melhorar os mecanismos de cooperação a
todos os níveis e a transparência das dotações financeiras. Realizou-se em Sarajevo em setembro um encontro
mundial para a paz que reuniu os principais chefes religiosos de todas as
confissões. Os direitos económicos e sociais são em
grande medida respeitados. Realizaram-se
alguns progressos nos domínios da luta contra a violência em relação às
mulheres e do desenvolvimento da primeira infância. A
aplicação dos direitos das mulheres e das crianças continua desigual. Foram realizados poucos progressos no que diz
respeito a tornar as escolas mais inclusivas. A
segregação étnica de facto e a discriminação que existe em certas
escolas públicas continuam a ser motivo de preocupação.
A organização dos sistemas educativos com base na etnia e a divisão que
os caracteriza continuam a representar um obstáculo a regressos sustentáveis. É aplicável uma lei nacional relativa à luta contra
discriminações, mas os progressos realizados com vista a garantir a sua
aplicação efetiva revelaram-se modestos. As
discriminações contra as lésbicas, os homossexuais, os bissexuais e os
transexuais (LGBT) continuam generalizadas. O sistema de benefícios sociais
continua a basear-se no estatuto em vez das necessidades, o que tem
consequências nefastas para as condições de vida dos grupos vulneráveis,
nomeadamente das pessoas com deficiência. O
diálogo social e o exercício dos direitos laborais continuaram a ser entravados
pela falta de reconhecimento dos parceiros sociais a nível do Estado e pela
fragmentação do quadro legislativo. O respeito e a
proteção das minorias e dos direitos culturais[6]
são, globalmente, garantidos. A influência do
Conselho para as minorias nacionais na elaboração das políticas continua
limitada, nomeadamente devido à falta de apoio político e financeiro. Foram
registados alguns progressos na aplicação do plano de ação a favor do
alojamento. É conveniente redobrar os esforços
destinados a garantir a aplicação eficaz dos planos de ação em matéria de
saúde, emprego e educação e para melhorar os recursos e a sustentabilidade no
que se refere à aplicação dos quatro planos de ação. Algumas
crianças ciganas não são registadas à nascença, de forma que não podem ser
inscritas na escola nem beneficiar de um seguro de doença. A
minoria cigana continua a confrontar‑se com condições de vida muito
difíceis e a ser objeto de discriminações. No
que diz respeito aos refugiados e deslocados internos, registaram-se alguns
progressos no domínio do alojamento, tratando-se de aplicar a estratégia
revista para a aplicação do anexo 7 do Acordo de Paz de Dayton/ Paris. As
discriminações no que diz respeito ao acesso ao emprego, aos cuidados de saúde
e aos direitos à pensão continuam a prejudicar a sustentabilidade do regresso e
da integração local. Não estão ainda
totalmente em funcionamento procedimentos transparentes relativos à concessão
de assistência ao regresso com base nas necessidades. Quanto às questões regionais e às
obrigações internacionais, prosseguiu a aplicação do APD. A cooperação com o Tribunal Penal Internacional
para a ex-Jugoslávia é, em geral, satisfatória na maior parte dos domínios. Prosseguiu a cooperação entre os tribunais e
os procuradores da Bósnia e Herzegovina, da Croácia e da Sérvia. A aplicação dos acordos bilaterais relativamente ao
reconhecimento mútuo e à execução das decisões judiciais em matéria penal está
em curso. A instauração de processos penais
por crimes de guerra continuou a ser entravada por obstáculos jurídicos à
extradição inscritos no Código do Processo Penal. A
finalização do protocolo relativo à partilha de informações e de provas nos
processos por crimes de guerra entre o Gabinete do Procurador da Bósnia e
Herzegovina e o Gabinete do Procurador para os crimes de guerra da Sérvia
continua pendente. No que diz respeito ao Tribunal Penal
Internacional, o acordo bilateral de imunidade concluído com os Estados Unidos
não está em conformidade com as posições comuns e os princípios orientadores da
UE. É conveniente que o país se alinhe pela
posição da UE. Realizaram-se
progressos significativos no que diz respeito ao processo da Declaração de
Sarajevo. A Bósnia e Herzegovina, a Croácia, o Montenegro e a Sérvia
continuaram a cooperar no sentido de encontrar soluções sustentáveis para os
refugiados que foram deslocados na sequência dos conflitos armados da década de
90. Os quatro países assinaram uma declaração ministerial e adotaram um
programa regional de alojamento para ajudar as cerca de 27 000 famílias, ou
seja, 74 000 pessoas. Numa conferência internacional de doadores realizada em
Sarajevo em abril, foi prometida uma contribuição para o programa num montante
total de cerca de 265 milhões de EUR. Deve prosseguir uma boa cooperação sobre
todas as questões em suspenso relativas a este processo. A Bósnia e
Herzegovina continuou a participar ativamente em iniciativas de cooperação regional,
nomeadamente no quadro do Processo de Cooperação para a Europa do Sudeste
(SEECP), do Conselho de Cooperação Regional (CCR) e do Acordo Centro-Europeu de
Comércio Livre (CEFTA). A Bósnia e Herzegovina
prosseguiu o aprofundamento das suas relações com os seus vizinhos, continuando
a não estar totalmente resolvidos certos problemas de fronteiras e de
propriedade. Realizaram-se várias reuniões
sobre as implicações, para as relações bilaterais, da adesão da Croácia à UE em
julho de 2013. Neste contexto, prosseguiram as
discussões no que diz respeito às questões não resolvidas no domínio da gestão
das fronteiras, com resultados limitados. O
acordo sobre o livre acesso ao porto de Ploce, na Croácia, e ao corredor de
Neum, na Bósnia e Herzegovina, bem como o acordo sobre o pequeno tráfego
fronteiriço deviam ser alinhados pelo acervo da UE. Na perspetiva da
adesão da Croácia, as questões fronteiriças, comerciais e de trânsito devem ser
tratadas com urgência. A economia da Bósnia e Herzegovina
registou um aumento de 1,3 % em 2011, apoiada por uma procura interna
revigorada e, numa menor medida, por uma procura externa ainda em crescimento.
O processo de recuperação inverteu‑se no início de 2012, em consequência
da deterioração do clima económico. O desemprego manteve-se em níveis muito
elevados. Verificou-se uma certa consolidação orçamental como resultado de um
aumento das receitas e certas reduções das despesas. Contudo, a qualidade das
finanças públicas continua a ser deficiente e a sustentabilidade orçamental foi
gravemente prejudicada pela adoção prolongada do orçamento de Estado e da
estratégia orçamental a médio prazo. O enfraquecimento do consenso sobre os
eixos fundamentais da política económica e orçamental teve efeitos negativos
nas reformas a nível nacional. Foi concluído com o FMI um novo acordo de stand‑by,
por um período de dois anos, a fim de apoiar os esforços do país para combater
os efeitos da degradação do ambiente externo e resolver as vulnerabilidades
internas e externas. No que diz respeito aos critérios
económicos, a Bósnia e Herzegovina realizou progressos limitados na via de
uma economia de mercado viável. Devem continuar a ser envidados esforços
consideráveis com determinação a nível das reformas, a fim de permitir que o
país possa, no longo prazo, dar resposta à pressão competitiva e às forças de
mercado no interior da União. A estabilidade financeira e monetária foi
preservada, enquanto a inflação foi moderada. O sistema de comité monetário
(«currency board») continuou a beneficiar de um elevado grau de credibilidade.
O crescimento do crédito, ainda que em ligeira diminuição, prosseguiu, o que
permitiu uma recuperação da procura interna. As atividades comerciais
continuaram a aumentar, tendo o grau de integração comercial com a UE e os países
da região permanecido elevado. São de assinalar certas melhorias limitadas no
ambiente empresarial, nomeadamente no que diz respeito à aceleração do
procedimento de registo. No entanto, os atrasos na adoção dos
orçamentos do Estado para 2011 e 2012 e os quadros globais para as políticas
orçamentais 2012‑2014 e 2013‑2015 prejudicaram gravemente a
sustentabilidade e a credibilidade da política orçamental na Bósnia e
Herzegovina. A qualidade das finanças públicas permaneceu deficiente,
representando as despesas uma parte importante do PIB. A degradação do ambiente
pesa cada vez mais nas finanças públicas desde 2012, com um aumento rápido dos
empréstimos contraídos pelo Estado e da dívida. Estes empréstimos contraídos
pelo Estado têm por efeito excluir, numa certa medida, os investidores
privados. Os desequilíbrios externos, em especial o défice do comércio externo
e o défice da balança corrente, aumentaram. Não foram registados quaisquer
progressos no que diz respeito à privatização, à reestruturação das empresas
públicas e à liberalização das indústrias de rede. As capacidades de produção e
a competitividade da economia mantiveram-se reduzidas, não tendo as fontes de
crescimento nacional sido exploradas de forma adequada. A situação do mercado
trabalho permaneceu má e as rigidezes estruturais, bem como as taxas de
contribuições sociais elevadas e as transferências sociais mal orientadas,
continuaram a entravar a criação de emprego. O desemprego continua muito
elevado e a taxa de participação é muito reduzida. O ambiente empresarial é
afetado pela falta de eficácia da administração e pelas deficiências do Estado
de direito. O setor informal continua a constituir um grave problema. A Bósnia e Herzegovina realizou progressos
limitados em matéria de alinhamento da sua legislação e das políticas
prosseguidas pelas normas europeias. São
de assinalar progressos nos domínios da livre circulação de mercadorias,
concorrência, propriedade intelectual, investigação e num certo número de
aspetos ligados à justiça, liberdade e segurança. Devem
ser ainda envidados esforços específicos nos seguintes domínios: livre
circulação de pessoas e serviços, capitais, alfândegas e fiscalidade, contratos
públicos, emprego e políticas sociais, educação, cultura, indústria e PME,
agricultura e pescas, segurança alimentar e políticas veterinária e
fitossanitária, ambiente e alterações climáticas, transportes, energia,
sociedade da informação e meios de comunicação social, controlo financeiro e
estatísticas. Globalmente, a aplicação do Acordo Provisório (AP) manteve-se
desigual. O país continua a infringir o
AP, uma vez que não respeita a Convenção Europeia dos Direitos do Homem e não
cumpre suficientemente as suas obrigações em matéria de auxílios estatais. A lei relativa aos auxílios estatais foi adotada,
mas a criação do Conselho dos auxílios estatais, o cumprimento dos princípios
da UE em matéria de empresas públicas e o inventário dos regimes de auxílios
continuam pendentes. A aplicação da lei
relativa ao recenseamento da população deve ser acelerada. A Bósnia e Herzegovina realizou alguns
progressos no domínio do mercado interno.
No que diz respeito à livre circulação de mercadorias, foram
registados alguns progressos em matéria de normalização, acreditação,
supervisão dos mercados e defesa dos consumidores. Continua
a ser necessário envidar esforços substanciais para alinhar o quadro jurídico
pela legislação da UE, melhorar as capacidades administrativas e criar um
espaço económico único. Deve ainda ser estabelecido um diálogo público-privado
sobre o mercado industrial. No domínio da livre
circulação das pessoas, serviços e do direito de estabelecimento,
registaram-se poucos progressos. Ambas as
entidades estão a aplicar novos planos contabilísticos para as instituições
financeiras, que são objeto de uma harmonização comum, tendo a supervisão
bancária entre as entidades permanecido satisfatória.
Será essencial continuar a simplificação do registo das empresas e o
alinhamento do quadro legislativo relativamente aos serviços postais. Não se registaram quaisquer progressos no
domínio da livre circulação dos capitais. É
necessário proceder ao alinhamento pelo acervo, bem como à harmonização da
legislação à escala do país. São de assinalar
poucos progressos no domínio das alfândegas e da fiscalidade. Subsistem lacunas no que diz respeito ao
alinhamento da legislação e às capacidades administrativas e operacionais em
geral. Impõem-se esforços suplementares com
vista a proporcionar melhores serviços aos contribuintes, facilitar as trocas
comerciais e garantir a aplicação e execução da legislação, nomeadamente em
matéria de propriedade intelectual. A Bósnia e Herzegovina registou alguns
progressos no que diz respeito à adoção da lei nacional relativa aos auxílios
estatais e à aplicação das regras de itálico. Não
se registaram quaisquer progressos no domínio dos contratos públicos,
especialmente no que diz respeito ao alinhamento integral da legislação
relativa aos contratos públicos. Continuaram
os progressos no domínio dos direitos de propriedade intelectual. Foram observados poucos progressos no domínio
do emprego e das políticas sociais. Continua
a ser necessário intensificar o alinhamento legislativo bem como adotar e
aplicar os documentos estratégicos. Continua por adotar a estratégia para a
inclusão social a nível do Estado. Estão em vigor leis-quadro e
estratégias no domínio da educação, mas a sua aplicação está suspensa. Realizaram-se alguns progressos em matéria de cultura. Continuaram os progressos no domínio da investigação,
tendo começado os preparativos para a união da inovação. As negociações de adesão à Organização Mundial do Comércio
continuaram a avançar. A Bósnia e Herzegovina registou poucos
progressos no cumprimento das normas europeias num certo número de políticas
setoriais. No que diz respeito à indústria
e às pequenas e médias empresas (PME), é conveniente adotar uma estratégia
nacional de desenvolvimento que inclua elementos de política industrial e uma
nova estratégia relativa às PME. Registaram-se
poucos progressos nos domínios da agricultura e desenvolvimento rural,
segurança alimentar, política veterinária e fitossanitária e pescas. Continua a ser essencial uma repartição clara das
competências, uma coordenação mais estreita entre o Estado e as entidades no
que diz respeito ao alinhamento pelo acervo nestes domínios, e a modernização
dos estabelecimentos. A falta de progressos
teve um impacto negativo no comércio de produtos agrícolas, nomeadamente com a
UE. Os preparativos da
Bósnia e Herzegovina no domínio do ambiente mantiveram-se numa fase
inicial. É conveniente criar um quadro
jurídico harmonizado para a proteção do ambiente, bem como capacidades
institucionais adequadas. As capacidades
administrativas são reduzidas e a comunicação, tanto horizontal como vertical,
entre as diferentes autoridades implicadas deve ser reforçada. Em matéria de alterações climáticas, há
questões por abordar no que diz respeito à adoção de uma estratégia nacional
para o clima, ao alinhamento pelo acervo e à sensibilização para a
problemática. A Bósnia e
Herzegovina registou poucos progressos no setor dos transportes; foram
contudo registadas evoluções positivas no que diz respeito às redes
transeuropeias de transporte e ao transporte aéreo. A
lei relativa ao transporte de mercadorias perigosas ainda não foi totalmente
alinhada pelo acervo da UE. A modernização das
infraestruturas de transporte continua suspensa. Os
preparativos no domínios da energia encontram-se numa fase inicial. Enquanto parte no Tratado que institui a Comunidade
da Energia, a Bósnia e Herzegovina deve aplicar a legislação da UE nesta
matéria. Para garantir a segurança de
abastecimento de eletricidade, deve ser criada uma sociedade nacional de
transporte que opere à escala do país e adotada uma estratégia global em
matéria de energia. Foram observados poucos progressos no domínio
da sociedade da informação e meios de comunicação social. A harmonização do quadro jurídico aplicável à
radiodifusão pública continua incompleta. A
persistência de ameaças que comprometem a independência da autoridade de
regulação das comunicações e os serviços públicos de radiodifusão, as pressões
políticas exercidas sobre os meios de comunicação e a lentidão da aplicação da
reforma do setor da radiodifusão pública continuam a ser preocupantes. São de assinalar poucos progressos no domínio
do controlo financeiro. A legislação
correspondente deve ainda ser adotada e aplicada, devendo o comité de
coordenação das unidades centrais de harmonização reassumir o seu papel. As capacidades de auditoria interna, bem como a
independência dos organismos de auditoria externa, devem ser reforçadas. Registaram-se alguns progressos no domínio das estatísticas. As estatísticas setoriais, tais como as contas
nacionais e as estatísticas relativas às empresas ou à agricultura, devem ser
melhoradas. Há que intensificar a cooperação
entre os institutos estatísticos nacionais a nível do Estado e das entidades e
as outras agências estatais, com vista nomeadamente à aplicação da lei sobre o
recenseamento da população e das famílias. Foram realizados alguns progressos nos
diferentes domínios associados à justiça, liberdade e segurança. No que diz respeito à política de vistos, as
prioridades continuaram a ser abordadas. A
aplicação do acordo relativo à facilitação da concessão de vistos concluído
entre a UE e a Bósnia e Herzegovina e o acordo de readmissão prosseguiu sem
problemas. O regime de isenção de vistos para
as estadias no espaço Schengen entrou em vigor em dezembro de 2010 para os
cidadãos da Bósnia e Herzegovina titulares de passaportes biométricos. No quadro do mecanismo de acompanhamento para o
período subsequente à liberalização do regime de vistos, a Bósnia e Herzegovina
adotou medidas específicas com vista a melhorar a gestão do êxodo migratório. A execução de certas reformas adotadas no contexto
do roteiro para a liberalização do regime de vistos continua a estar pendente. Em especial, a Bósnia e Herzegovina deve
empenhar-se urgentemente na criação de um sistema funcional de troca eletrónica
de dados entre os organismos encarregados de fazer aplicar a lei e os gabinetes
do procurador através do país e na criação de uma agência de luta contra a
corrupção plenamente operacional, dotada de efetivos e de recursos financeiros
adequados. Os preparativos do país nos domínios da gestão
das fronteiras, do asilo e das migrações avançaram.
Continuaram a ser introduzidas melhorias no sistema de asilo e de
proteção internacional, bem como no acompanhamento dos fluxos migratórios e na
cooperação entre instituições. As
infraestruturas de certos pontos de passagem fronteiriços necessitam de novas
melhorias. A questão dos pontos de passagem
não autorizados, nas fronteiras com o Montenegro e a Sérvia, ainda não foi
resolvida. Registaram-se poucos progressos no
domínio da luta contra o branqueamento de capitais. A aplicação da estratégia e do plano da ação em
matéria de prevenção do branqueamento de capitais continua a ser limitada. Registaram-se poucos progressos na luta contra a droga. A ausência de um acompanhamento judiciário eficaz
entrava a luta contra o tráfico de droga, que permanece um problema grave. Prosseguiram os esforços na Bósnia e
Herzegovina no sentido de aumentar as capacidades e a eficácia da polícia. A fragmentação das forças policiais da Bósnia e
Herzegovina continua a comprometer a eficácia, a cooperação e o intercâmbio de
informações. A luta contra a criminalidade
organizada continua a ser insuficiente, devido à ausência de uma
coordenação eficaz entre os órgãos encarregados de fazer aplicar a lei. A criminalidade organizada permanece um problema
grave, que prejudica o Estado de direito e o ambiente empresarial. Devem ser intensificados os esforços destinados a
lutar contra o tráfico de seres humanos e melhorada a identificação das
vítimas. A Bósnia e Herzegovina realizou
alguns progressos na luta contra o terrorismo. Foi
restabelecida a task force conjunta de luta contra o terrorismo, mas a
aplicação da estratégia de prevenção e combate ao terrorismo continua
deficiente. Prosseguiram os preparativos relativos à proteção
dos dados pessoais, sendo no entanto conveniente reforçar a aplicação da
lei e a independência do organismo de supervisão. Um
sistema eficaz de proteção dos dados pessoais é essencial para permitir à
Bósnia e Herzegovina concluir acordos com a Europol e a Eurojust. Turquia Foi lançada em maio a agenda positiva para
apoiar e complementar as negociações de adesão, através de uma cooperação
reforçada num certo número de domínios que apresentam um interesse comum: reformas políticas, alinhamento pelo acervo, diálogo
em matéria de política externa, vistos, mobilidade e migrações, comércio,
energia, luta contra o terrorismo e participação nos programas comunitários. Seis dos oito grupos de trabalho constituídos para
incentivar o alinhamento pelo acervo realizaram a sua primeira reunião. Começaram os trabalhos destinados a redigir
uma nova Constituição no quadro de um processo relativamente democrático e
participativo. Contudo, o facto de a Turquia
não ter realizado quaisquer progressos significativos no cumprimento integral
dos critérios políticos suscita cada vez mais preocupações. A situação relativamente ao respeito dos direitos
fundamentais continua a causar vivas preocupações. Tal
resulta, nomeadamente, da ampla aplicação do quadro jurídico próprio do
terrorismo e da criminalidade organizada, na origem de violações recorrentes do
direito à liberdade e à segurança, do direito a um processo equitativo e da
liberdade de expressão, de reunião e de associação. Embora
prossigam os debates sobre os temas considerados sensíveis, como a questão
arménia ou o papel do exército, as restrições impostas na prática à liberdade
dos meios de comunicação e o grande número de processos judiciais de que são
objeto escritores e jornalistas continuam a ser questões graves. Consequentemente, a autocensura está generalizada. No que diz respeito à democracia e ao
Estado de direito, foram tomadas medidas positivas sob forma de uma
participação nos trabalhos relativos a uma nova Constituição, mas o processo
legislativo foi globalmente objeto de uma falta recorrente de consultas. As investigações sobre os projetos presumidos de
golpe de Estado, que representavam para o país a oportunidade de reforçar a
confiança no bom funcionamento das suas instituições democráticas e no Estado
de direito, foram ofuscadas por sérias dúvidas quanto ao seu alcance e às
lacunas dos processos judiciais. A questão
curda permanece um desafio fundamental da democracia turca; a abertura democrática de 2009, que visava
nomeadamente encontrar uma solução para a questão curda, não foi acompanhada de
efeitos. A administração local do sudeste do
país sofreu da detenção de inúmeros políticos locais. Verificou-se um aumento
significativo dos ataques terroristas do PKK. No que diz respeito à reforma da
administração pública, realizaram-se progressos a nível da reforma
legislativa. A criação de um Provedor de
Justiça constitui um passo importante na salvaguarda dos direitos dos cidadãos
e garante a responsabilização da administração pública.
A reforma da administração pública precisa de um maior apoio político e
a descentralização administrativa não progrediu. O controlo civil das forças de segurança
continuou a ser consolidado. A
introdução de controlo parlamentar do orçamento da defesa constituiu uma
evolução positiva, embora tenha uma dimensão restrita.
O Estado‑Maior evitou, em geral, exercer uma pressão direta ou
indireta sobre as questões de caráter político. Foram
tomadas várias medidas simbólicas para democratizar mais as relações entre
civis e militares. Devem ser realizadas
reformas suplementares, nomeadamente a do sistema judiciário militar e do
controlo civil da «gendarmerie». Foram realizados alguns progressos no domínio judiciário
na sequência da adoção do terceiro pacote de reforma judiciária, que introduz
um certo número de melhorias no sistema da justiça penal turca, nomeadamente a
flexibilização das restrições impostas aos meios de comunicação quanto à
possibilidade de divulgarem investigações penais e a supressão da disposição
que permite ao procurador proibir determinadas publicações. Um certo número de pessoas em detenção preventiva
foram libertadas na sequência da entrada em vigor das alterações de ordem
jurídica. Contudo, as reformas jurídicas não
conseguiram resolver certas deficiências essenciais na origem das condenações,
permanentemente renovadas, da Turquia pelo Tribunal Europeu dos Direitos do
Homem. O impacto e a duração anormalmente
prolongada da detenção preventiva continuam a constituir um problema grave. Devem ser tomadas medidas suplementares no que diz
respeito à independência, imparcialidade e eficácia do sistema judiciário,
nomeadamente em relação ao sistema de justiça penal e ao número considerável de
processos penais graves pendentes. Devem
igualmente ser tomadas medidas suplementares para aumentar a taxa de
participação das mulheres no sistema judiciário. A
estratégia de reforma judiciária deve ser revista, associando todas as partes
interessadas, nomeadamente a comunidade jurídica turca e a sociedade civil. Registaram-se
progressos limitados em matéria de luta contra a corrupção, tendo
surgido novos elementos relativamente às incriminação e à transparência do
financiamento dos partidos políticos. A
transparência do financiamento político deve ser reforçada. A dimensão alargada das imunidades continua a
constituir uma lacuna neste domínio. Deve ser
efetuado um inventário das investigações, atos de acusação ou condenações
relativos a processos de corrupção. A
imparcialidade dos juízes no tratamento dos processos de corrupção é por vezes
colocada em dúvida. A execução da estratégia
nacional de luta contra a corrupção exige um maior empenhamento político. Registaram‑se progressos desiguais no
domínio da luta contra a criminalidade organizada. Embora a Turquia seja
parte nas grandes convenções internacionais, a ausência de uma lei sobre a
proteção dos dados continua a entravar a cooperação policial internacional e a
conclusão de um acordo de cooperação operacional com a Europol. A nomeação de
um agente de polícia de ligação junto da Europol contribuiria para melhorar a
cooperação bilateral. Não foram registados quaisquer progressos importantes no
que diz respeito à questão do tráfico de seres humanos. No que diz
respeito aos direitos do homem e à proteção das minorias, devem
ser envidados esforços significativos na maior parte dos domínios, nomeadamente
no que diz respeito à liberdade de expressão, à liberdade de reunião e de
associação e à liberdade da religião. Apesar de se terem
realizado progressos no que se refere ao respeito do direito internacional
em matéria de direitos humanos, as reformas de fundo destinadas a reforçar
as estruturas neste domínio continuam pendentes e o número elevado de processos
penais iniciados contra defensores dos direitos humanos é preocupante. Confirmou‑se
a tendência descendente de casos de tortura e maus tratos observados nos
locais de detenção. Contudo, o uso excessivo
da força continua a ser preocupante, tendo‑se sido registado apenas
progressos modestos na luta contra a impunidade.
Existe um grande número de processos judiciais pendentes, sendo dada
prioridade às contestações apresentadas pelas forças de segurança. No que diz respeito às prisões, o
aumento permanente da população prisional dá origem a um importante excesso de
população, o que tem consequências significativas nas condições sanitárias e na
condição física dos detidos. As condições de
detenção, especialmente dos menores, continuam a ser um problema grave. Chegou a altura de a administração proceder a uma
reforma do sistema de tratamento das queixas nas prisões. Os serviços médicos assegurados aos prisioneiros,
bem como as condições de detenção dos jovens, necessitam de atenção especial. Os progressos foram limitados no que diz
respeito ao acesso à justiça. O âmbito e a qualidade da assistência
jurídica são inadequados. Não existe um mecanismo de controlo efetivo que
permita remediar os problemas de longa data. No que diz
respeito à liberdade de expressão, na sequência da adoção do terceiro
pacote de reformas judiciárias, foi libertado um grande número de jornalistas a
aguardar julgamento, as restrições impostas aos meios de comunicação
relativamente à publicação de informações sobre as investigações penais foram
flexibilizadas, tendo sido proibida a apreensão de documentos escritos antes de
publicação. Todavia, o aumento das violações da liberdade de expressão suscita
graves preocupações e a liberdade dos meios de comunicação continuou a ser
restringida na prática. O quadro jurídico,
nomeadamente no que se refere à criminalidade organizada e ao terrorismo, e a
interpretação que dele fazem os tribunais, suscitam abusos. Conjugado com uma elevada concentração dos meios da
comunicação em grandes conglomerados industriais com interesses que vão muito
para além da livre circulação da informação e das ideias, tal conduziu a uma
autocensura generalizada. O encerramento
frequente de sítios Web é muito preocupante e há que rever a lei relativa à
Internet. No que diz
respeito à liberdade de reunião e de associação, enquanto as
manifestações e as ações do dia 1 de maio, tais como a «jornada de comemoração
do genocídio arménio», se desenrolaram numa atmosfera pacífica, foram
observados casos de violência e de recurso desproporcionado à força por parte
das forças de segurança aquando das manifestações que não tinham sido previamente
autorizadas. Tal referiu-se nomeadamente, mas
não unicamente, às manifestações relacionadas com a questão curda. O direito constitucional à liberdade de reunião e
de associação é por vezes interpretado de uma forma demasiado restritiva. A lei relativa às manifestações e às reuniões deve
ser revista e as alegações relativas à utilização excessiva da força por parte
das forças de segurança devem ser objeto de investigação e, se for caso disso,
de ações. As regras relativas à angariação de
fundos continuam restritivas e discricionárias. Não
se verificaram quaisquer avanços no que diz respeito à legislação sobre
partidos políticos. Realizaram-se
progressos limitados no domínio da liberdade de pensamento, de consciência e
de religião. Registaram-se alguns
progressos a nível da aplicação da jurisprudência do Tribunal Europeu dos
Direitos do Homem em matéria de objeção de consciência.
Prosseguiu o diálogo com as comunidades religiosas não muçulmanas. Contudo, as pessoas que pertencem a uma religião
minoritária ou sem fé foram objeto de ameaças por parte de extremistas. Continua por criar um quadro jurídico conforme à
CEDH, para que todas as comunidades religiosas não muçulmanas, e os Alevis,
possam desenvolver as suas atividades sem entraves abusivos. A nível jurídico, são de assinalar progressos
no que se refere ao respeito dos direitos das mulheres e da igualdade de
género. O governo estabeleceu um
plano da ação para tentar resolver os problemas sublinhados no relatório do
Parlamento Europeu denominado «A perspetiva de 2020 para as mulheres na
Turquia». A Lei sobre a Proteção da
Família e a Prevenção da Violência contra as Mulheres tem por objetivo proteger
da violência os membros da família e as pessoas com relações extraconjugais. Os procedimentos previstos em caso de urgência são
geralmente positivos, tal como o exercício de consulta inclusiva efetuado pelas
autoridades junto da sociedade civil. São
igualmente necessários esforços significativos para tornar esta nova lei, bem
como a legislação já existente, uma realidade política, social e económica. A legislação deve ser aplicada de forma homogénea
em todo o país. É necessário um maior
envolvimento e uma maior participação das mulheres no emprego, na elaboração
das políticas e na própria política. Foi adotada
uma lei sobre as cesarianas sem preparação nem consulta suficiente da sociedade
civil. O debate que precedeu esta lei e um debate semelhante sobre o aborto
caracterizaram-se por tomadas de posição que deram origem a clivagens. A
questão dos casamentos precoces e forçados continua a suscitar graves
preocupações. No que diz respeito aos direitos das
crianças, devem ser envidados esforços em todos os domínios, nomeadamente
na educação, na luta contra o trabalho infantil, na saúde, nas capacidades
administrativas e na coordenação. Globalmente,
devem ser tomadas mais medidas de prevenção e de reinserção para os menores. A detenção das crianças não se efetua em condições
adequadas, sendo necessário abrir novos tribunais de menores conformes com a
legislação em vigor. No
que diz respeito às pessoas socialmente vulneráveis e/ou às pessoas com
deficiência, continuam a ser necessárias medidas suplementares para
aumentar a participação dessas pessoas na vida económica e social. É necessário envidar esforços adicionais na
luta contra a discriminação. Continua
a não existir uma legislação exaustiva na matéria, devendo ser envidados
esforços significativos por parte do governo para preservar verdadeiramente as
populações vulneráveis, nomeadamente as mulheres, as crianças, as lésbicas,
homossexuais, bissexuais e transexuais de tratamentos desiguais, da
discriminação e da violência. Registaram-se
progressos limitados nos domínios do direito do trabalho e do direito
sindical. A legislação sobre os direitos
sindicais dos funcionários públicos foi alterada, não estando no entanto ainda
em conformidade com as normas da UE e da OIT. As
ações coletivas realizadas pelos sindicatos são objeto de inúmeras restrições. No
que diz respeito aos direitos de propriedade, a situação melhorou um
pouco no terreno, graças à adoção da legislação relativa à alteração da lei de
2008 sobre as fundações. Prosseguem a sua
aplicação. Contudo, a legislação em vigor nem
sempre abrange as fundações objeto de fusão, ou seja, as fundações cuja gestão foi
assumida pela Direção-Geral das Fundações, nem as propriedades confiscadas às
fundações dos Alevi. Os processos em curso
contra o mosteiro ortodoxo siríaco Mor Gabriel, alguns dos quais foram
iniciados pelo governo, suscitam preocupações. A
Turquia deve garantir o respeito total dos direitos de propriedade de todas as
comunidades religiosas não muçulmanas e outras. A
abordagem da Turquia relativamente às minorias mantém-se restritiva,
embora representantes de grupos minoritários, e não apenas minorias oficialmente
reconhecidas pela Turquia, tenham sido convidados pela primeira vez para o
Parlamento e para nele exporem o seu parecer sobre uma nova Constituição. Devem ser feitos progressos para atingir o pleno
respeito e proteção das línguas, da cultura e dos direitos fundamentais em
conformidade com as normas europeias. A
Turquia deve adotar uma abordagem global e envidar esforços suplementares para
melhorar a tolerância face às minorias, garantir a sua segurança e promover a
sua integração. É conveniente rever a
legislação em vigor, introduzir uma legislação global de luta contra a
discriminação e criar mecanismos de proteção e instâncias específicas para
lutar contra o racismo, a xenofobia, o antissemitismo e a intolerância. Devem ser aplicados as convenções e os pactos em
vigor. A Turquia fez progressos em matéria de direitos
culturais, tendo sido assinaladas menos restrições sobre a utilização do
curdo nas prisões durante as visitas e as trocas de cartas. Todavia, a legislação continua a restringir a utilização
de línguas que não o turco, nomeadamente a Constituição e a lei sobre os
partidos políticos. O poder judiciário tomou igualmente um certo número de
decisões restritivas quanto à utilização de línguas que não o turco,
nomeadamente a utilização do curdo nos processos judiciais relativos a
políticos e defensores dos direitos humanos curdos. Registaram-se alguns progressos, mas é
conveniente adotar uma abordagem sistemática para resolver os problemas dos ciganos. Deve ser criada uma estratégia global e a questão
deve ser tomada em consideração e integrada nos grandes documentos
estratégicos. Há falta de dados quantitativos
sobre a situação nos ciganos, o que impede uma elaboração informada de
políticas. No que diz respeito às regiões de leste e
do sudeste, realizaram-se debates consideráveis sobre a questão curda, mas
os partidos não progrediram na via de uma solução. Os
ataques terroristas intensificaram-se, tal como as operações militares. Todos os ataques terroristas foram condenados pela
UE. A detenção de políticos eleitos e de
defensores dos direitos do homem constitui uma fonte de preocupação. Aquando de incidentes, como os massacres civis em
Uludere, não foi dado qualquer seguimento aos apelos lançados às autoridades
com vista à realização rápida de uma investigação efetiva, bem como à abertura
de um inquérito público transparente. A verdade sobre as execuções
extrajudiciais e as torturas perpetradas no sudeste nas décadas de 80 e 90 deve
ainda ser estabelecida através das vias de direito normais. O prazo de prescrição porá, em breve, termo às
investigações judiciárias sobre crimes passados, sem qualquer resultado. As minas terrestres e o sistema de guardas de
aldeia continuam a ser uma fonte de preocupação. Prosseguiu o
processo de compensação das pessoas deslocadas no interior do país (DIP),
mas a eficácia do sistema deve ainda ser avaliada. No
que diz respeito aos refugiados e aos requerentes de asilo, são de
assinalar melhorias quanto às condições de detenção nos centros de acolhimento. Todavia, continua a não existir uma estratégia
nacional para dar uma melhor resposta às necessidades dos DIP nem um quadro
jurídico global para os refugiados e os requerentes de asilo. É necessário continuar a melhorar as práticas de
detenção e de deportação. No que diz
respeito às questões regionais e às obrigações internacionais, a
Turquia recordou o seu apoio às negociações encetadas, sob os auspícios do
Secretário-Geral das Nações Unidas, entre os dirigentes das duas comunidades,
tendo em vista conseguir uma resolução global do problema cipriota. Apesar dos repetidos apelos do Conselho e da
Comissão, a Turquia ainda não cumpriu a sua obrigação de aplicar integralmente
e de forma não discriminatória o protocolo adicional ao Acordo de Associação e
não suprimiu todos os obstáculos à livre circulação de mercadorias, tal como
sublinhado na declaração da Comunidade Europeia e dos seus Estados-Membros de
21 de dezembro de 2005 e nas conclusões do Conselho, nomeadamente as conclusões
de dezembro de 2006 e de dezembro de 2010. Não
se registaram quaisquer progressos no sentido da normalização de relações
bilaterais com a República de Chipre. Além
disso, a Turquia decidiu congelar as suas relações com a Presidência
cipriota da UE no segundo semestre de 2012, não participando nomeadamente
nas reuniões presididas pela referida presidência. O
Conselho Europeu expressou as suas vivas preocupações no que diz respeito às
declarações e às ameaças turcas e apela ao pleno respeito do papel da
Presidência do Conselho, um elemento institucional fundamental da UE previsto
no Tratado. A Turquia continuou a
emitir declarações opondo‑se às atividades de perfuração realizadas pela
República de Chipre e a proferir ameaças de represálias contra companhias
petrolíferas que participassem nas explorações cipriotas. A UE sublinhou todos os direitos soberanos de que
os Estados-Membros da UE beneficiam, entre os quais figura o de concluir
acordos bilaterais e o de prospetar e explorar os seus recursos naturais, em
conformidade com o acervo da UE e o direito internacional, incluindo a
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Após a última
série de negociações exploratórias que se realizaram em julho de 2011, deram‑se
início a discussões entre a Grécia e a Turquia com vista a fixar uma data para
o próximo ciclo. A Grécia e Chipre apresentaram um número considerável de
denúncias oficiais relativamente às violações contínuas das suas águas
territoriais e do seu espaço aéreo, nomeadamente voos sobre as ilhas gregas. No que diz respeito à cooperação regional,
a Turquia continua a participar em iniciativas regionais, nomeadamente no
quadro do Processo de Cooperação para a Europa do Sudeste (SEECP) e no Conselho
de Cooperação Regional (CCR). A Turquia apoia a integração europeia de todos os
países da região e intensificou os seus contactos com os Balcãs Ocidentais,
empenhando-se firmemente a favor da paz e da estabilidade. As relações com a
vizinha Bulgária, Estado-Membro da UE, mantiveram-se positivas. A economia
turca continuou a registar um forte crescimento, colhendo deste modo os
dividendos das políticas de estabilidade e de crescimento aplicadas durante a
maior parte da última década. Desde meados de 2011, o ritmo de crescimento
diminuiu progressivamente em conformidade com o abrandamento da procura
interna, acompanhado por uma melhoria da balança comercial e da balança de
contas correntes. Todavia, os desequilíbrios externos e as pressões
inflacionistas, que continuam significativos, continuam a constituir uma ameaça
para a estabilidade macroeconómica. Quanto aos critérios económicos, a
Turquia é uma economia de mercado viável. O país deverá estar em condições de
fazer face à pressão competitiva e às forças de mercado na União a médio prazo,
desde que acelere a aplicação do seu programa global de reformas estruturais. Em 2011, a economia turca registou um
crescimento de 8,5 %, apenas ligeiramente inferior aos 9,2 % de 2010. O
crescimento foi em grande medida impulsionado pela procura interna,
nomeadamente do setor privado. O crescimento registou uma forte desaceleração
no primeiro semestre de 2012, tendo passado para 3,1 % em termos homólogos. O
abrandamento da procura interna é acompanhado por uma melhoria dos défices da
balança comercial e da balança corrente, apesar de serem ainda muito elevados
(10 % do PIB em 2011). A expansão económica sólida contribuiu igualmente para
um forte crescimento do emprego e para a diminuição do desemprego, tendo
passado de cerca de 11 % em meados de 2011 para menos de 9 % um ano mais tarde. A política monetária desempenhou um papel mais
importante, tendo conseguido limitar o crescimento do crédito e reduzir o
défice corrente. O orçamento obteve melhores resultados do que o previsto em
2011 e a dívida pública diminuiu, tendo passado para cerca de 39 % do PIB em
meados de 2012. As reformas e o aumento das despesas em matéria de educação
tiveram um efeito positivo no nível de instrução e nas taxas de escolarização.
A integração económica e comercial com a UE continuou forte. Simultaneamente, o cenário de uma aterragem suave
é comprometido por oscilações de incerteza financeira, bem como por um
sentimento de risco global, devendo sem dúvida ser envidados esforços
suplementares com vista a uma melhor coordenação da combinação de políticas. O
défice das contas correntes continua importante. A
inflação diminuiu, mantendo-se no entanto elevada. Estes
desequilíbrios, reveladores de problemas de competitividade e de uma
insuficiência da poupança interna, exigem novas reformas estruturais. Não foram envidados quaisquer esforços para
melhorar a transparência orçamental e para consolidar mais firmemente a
política orçamental, o que poderá igualmente contribuir para reforçar a
credibilidade da Turquia nos mercados. A saída do mercado
continua a ser dispendiosa e longa e os procedimentos de insolvência são ainda
relativamente burocráticos. Para melhorar a competitividade das empresas, é
conveniente aplicar na íntegra a lei relativa aos auxílios estatais. Embora o
capital humano do país tenha melhorado ligeiramente, os progressos foram modestos
no que diz respeito ao seu capital físico. A Turquia continuou a melhorar a sua capacidade
para assumir as obrigações decorrentes da adesão. Realizaram‑se
progressos na maior parte dos domínios, nomeadamente no direito das sociedades,
estatísticas, ciência e investigação e acervo em matéria de união aduaneira. É
necessário continuar a envidar esforços para reforçar o alinhamento na maior
parte dos domínios. As capacidades administrativas para fazer face ao acervo em
termos de eficácia e de eficiência devem ser reforçadas. A capacidade de
execução da lei deve igualmente ser consolidada em determinados domínios. Os
esforços envidados em matéria de alinhamento foram controlados pelas instâncias
criadas no quadro do Acordo de Associação e pelos grupos de trabalho
estabelecidos no quadro da agenda positiva. Realizaram‑se alguns progressos no
domínio da livre circulação das mercadorias. A Turquia introduziu o
princípio do reconhecimento mútuo na sua ordem jurídica para o setor não
harmonizado. Tornou-se membro de pleno direito do CEN e do CENELEC. Contudo,
continuam a existir obstáculos técnicos ao comércio que impedem a livre
circulação das mercadorias em alguns domínios, em violação das obrigações
subscritas pela Turquia no quadro da união aduaneira. O alinhamento neste
domínio está avançado. Registaram‑se poucos progressos no domínio da livre
circulação dos trabalhadores. A Turquia aumentou a sua capacidade na
perspetiva da sua participação futura no EURES e da coordenação dos regimes de
segurança social. Foram lançados os preparativos neste domínio. São de
assinalar muito poucos progressos no que diz respeito ao direito de
estabelecimento e à livre prestação de serviços, em que são necessários
esforços suplementares. Globalmente, o alinhamento encontra-se numa fase
inicial. Registaram-se progressos limitados em matéria de livre circulação
de capitais. Foram mantidas as restrições em matéria de circulação de
capitais num certo número de setores. É conveniente melhorar as capacidades de
aplicação da lei para lutar contra o branqueamento de capitais e o
financiamento do terrorismo. É necessário envidar esforços suplementares no que
diz respeito ao alinhamento pelo acervo e às recomendações pertinentes do Grupo
de Ação Financeira Internacional (GAFI). Os preparativos neste domínio
encontram-se numa fase inicial. São de assinalar progressos limitados no
domínio dos contratos públicos. As instituições estão criadas e a
capacidade administrativa foi reforçada. Deve ser adotado o projeto de
estratégia de alinhamento, que inclui um plano da ação acompanhado de um
calendário. A Turquia deve ainda revogar as derrogações não conformes com o
acervo e prosseguir o alinhamento da sua legislação, nomeadamente em matéria de
serviços de utilidade pública, concessões e parcerias público-privadas. A
organização do sistema de recurso deve ainda ser revisto. Os preparativos neste
domínio registaram poucos progressos. Foram realizados progressos satisfatórios
em matéria de direito das sociedades. O quadro jurídico e institucional melhorou
graças à criação da Autoridade turca das normas contabilísticas e de auditoria.
Contudo, a capacidade dos tribunais comerciais e das organizações profissionais
deve ser reforçada, a fim de cumprir os critérios no novo código comercial
turco. Globalmente, o alinhamento neste domínio está avançado. São de assinalar
alguns progressos no domínio dos direitos de propriedade intelectual (DPI).
É conveniente adotar disposições legislativas atualizadas, conformes com o
acervo. É fundamental aumentar a capacidade do sistema judiciário e da
administração das alfândegas para garantir uma aplicação mais eficaz dos DPI. É
igualmente conveniente reforçar a luta contra as mercadorias de contrafação.
Uma coordenação e uma cooperação mais estreitas entre as partes implicadas nos
DPI e os organismos públicos são essenciais, tal como as campanhas de
sensibilização geral sobre os riscos associados à violação dos DPI. A Turquia
só aborda parcialmente as prioridades neste domínio. São de assinalar progressos limitados em
matéria de política de concorrência. A Turquia estabeleceu de forma
efetiva as regras em matéria antitrust e em matéria de concentrações,
mas os últimos desenvolvimentos jurídicos suscitam preocupações quanto à
capacidade de a autoridade responsável pela concorrência continuar a exercer as
suas atividades de forma autónoma. Não se registaram quaisquer progressos em
matéria de auxílios estatais, tendo algumas práticas em vigor entrado em
conflito com as regras da união aduaneira. A lei relativa aos auxílios estatais
continua ineficaz na ausência de disposições de aplicação. O alinhamento está
avançado no domínio das concentrações. O país não está ainda suficientemente
preparado no domínio dos auxílios estatais. São de assinalar
alguns progressos no domínio dos serviços financeiros. As normas do
acordo Basileia II tornaram-se obrigatórias no setor bancário. São necessários
esforços suplementares, nomeadamente no que diz respeito aos mercados dos
valores mobiliários e aos serviços de investimento, bem como no setor dos
seguros. Os preparativos neste domínio estão em boa via. Registaram-se
progressos no domínio da sociedade da informação e dos meios de comunicação
social. Contudo, o alinhamento pelo quadro da UE em matéria de comunicações
eletrónicas continua limitado, nomeadamente no que se refere às autorizações e
ao acesso ao mercado. São necessários esforços contínuos para prosseguir o
alinhamento da legislação em matéria de serviços da sociedade da informação. As
disposições relativas ao conteúdo Internet suscetíveis de limitar a liberdade
de expressão e uma interpretação demasiado ampla de certas disposições
jurídicas, nomeadamente em relação a sanções contra os organismos de
radiodifusão, suscitam preocupações. Os preparativos neste domínio registaram
poucos progressos. Realizaram-se
progressos limitados no que se refere ao alinhamento no domínio da agricultura
e do desenvolvimento rural. As capacidades relativas às estatísticas
agrícolas e à rede de informação contabilística agrícola aumentaram. A execução
do programa de desenvolvimento rural de pré-adesão melhorou, sendo ainda
necessários esforços intensivos para garantir a absorção adequada dos fundos. A
proibição de importações de facto de bovinos vivos, de carne de bovino e
de produtos derivados não foi totalmente suprimida, não existindo quaisquer
estratégias em vigor para a reorientação de apoio agrícola, nem para
estatísticas agrícolas. Os preparativos neste domínio não estão muito
avançados. Foram realizados alguns progressos no domínio da segurança alimentar,
política veterinária e fitossanitária. São necessários esforços
suplementares para conseguir um alinhamento integral pelo acervo. É necessário
envidar esforços significativos para modernizar os estabelecimentos
agroalimentares pelas normas da UE, melhorar o controlo dos movimentos dos
animais e da saúde animal, nomeadamente a luta contra a febre aftosa, bem como
os subprodutos de origem animal. Os preparativos neste domínio encontram-se
numa fase inicial. São de assinalar alguns progressos no domínio das pescas,
nomeadamente no que diz respeito às capacidades administrativas, à gestão dos
recursos e das frotas, à inspeção e ao controlo, bem como a acordos
internacionais. Todavia, são necessários esforços suplementares em matéria de
alinhamento legislativo, de ação estrutural, de política de mercado e de
auxílios estatais. O alinhamento neste domínio não está muito avançado. Registaram-se
progressos em matéria de alinhamento no setor dos transportes, que, de
forma geral, avançou modestamente. A Turquia deve alinhar a sua legislação
pelos recentes pacotes de medidas legislativas adotados pela UE em matéria de
transportes marítimos e ferroviários. São necessários esforços suplementares
nos domínios dos recursos humanos e das capacidades técnicas para aplicação do
acervo, nomeadamente no que diz respeito aos produtos perigosos e à preparação
das intervenções de urgência no transporte marítimo. A falta de comunicações
entre os centros de controlo do tráfego aéreo na Turquia e na República de
Chipre compromete gravemente a segurança aérea. São de assinalar
alguns progressos no setor da energia, nomeadamente em matéria de
energia renovável e de eficácia energética. São necessários esforços
suplementares nos domínios do gás natural, da segurança nuclear e da proteção
contra as radiações, nomeadamente no que se refere à gestão responsável do
combustível usado e dos resíduos radioativos. A concorrência continua limitada
no setor do gás. É conveniente melhorar o funcionamento do mecanismo de
tarifação baseado nos custos no mercado da eletricidade e criar um mecanismo
nos mercados do gás. A independência e a capacidade institucional da autoridade
de regulação devem ser reforçadas. Globalmente, o alinhamento da Turquia na
matéria progrediu moderadamente. Em matéria de fiscalidade,
realizaram‑se progressos limitados no alinhamento legislativo. Foram
tomadas medidas construtivas com vista a pôr termo às práticas discriminatórias
na fiscalidade do tabaco, bem como para a cooperação administrativa e a
capacidade operacional. Continuam, no entanto, a existir discrepâncias com o
acervo. São necessários esforços suplementares no que diz respeito aos impostos
especiais de consumo sobre as bebidas espirituosas com vista à conformidade com
o plano da ação, reduzindo as diferenças entre os produtos importados e os
produtos nacionais. A supressão progressiva das práticas discriminatórias é
essencial para permitir progressos suplementares. Não são de assinalar
quaisquer progressos em matéria de fiscalidade direta. Globalmente, o alinhamento
neste domínio está moderadamente avançado. A Turquia registou
alguns progressos no domínio da política económica e monetária. O Banco
Central recorreu ativamente a diversos instrumentos destinados a garantir a
estabilidade financeira e os preços, com êxitos mistos. O alinhamento pelo
acervo permanece incompleto, nomeadamente no que diz respeito à independência
total do Banco Central e à proibição de acesso privilegiado do setor público às
instituições financeiras. As capacidades de formulação e de coordenação da
política económica são adequadas. Globalmente, o nível de preparação da Turquia
é elevado. Foram observados
progressos satisfatórios a nível das estatísticas, nomeadamente no
domínio da nomenclatura e dos registos, das estatísticas da população e outras
estatísticas setoriais. Contudo, são necessários progressos suplementares no
que diz respeito nomeadamente às estatísticas relativas à contabilidade
nacional, às estatísticas sobre as empresas e às estatísticas sobre a
agricultura. O nível global de alinhamento pelo acervo é satisfatório. Registaram-se alguns progressos, embora
heterogéneos, no domínio da política social e do emprego, nomeadamente
melhorando a capacidade administrativa, alargando a cobertura da segurança
social e adotando uma nova legislação sobre a saúde e a segurança no local de
trabalho, bem como uma legislação sindical para os funcionários. Contudo, os
direitos sindicais dos trabalhadores e dos funcionários estão ainda longe de
satisfazer as normas da UE e da OIT. São necessários esforços suplementares
para estabelecer um quadro político claro em matéria de luta contra a pobreza,
de redução da segmentação do mercado de trabalho, de luta contra o trabalho não
declarado e de aumento da taxa de emprego das mulheres e das pessoas com
deficiência. Globalmente, o alinhamento jurídico está relativamente avançado. A Turquia progrediu no que diz respeito aos
princípios e instrumentos da política empresarial e da política industrial,
bem como na adoção de estratégias setoriais. A Turquia atingiu um nível
suficiente de alinhamento neste domínio. A Turquia realizou alguns progressos no
domínio das redes transeuropeias, em que o alinhamento está avançado.
São de assinalar alguns progressos no domínio das redes de transporte e de
energia elétrica. É conveniente prosseguir os esforços envidados para
desenvolver as interconexões de gás e a criação do Corredor Meridional de Gás. Registaram-se alguns progressos no domínio da política
regional e da coordenação dos instrumentos estruturais. O quadro
institucional para a execução das componentes do IPA em relação ao
desenvolvimento regional e ao desenvolvimento dos recursos humanos foi
reforçado, tendo as estruturas operacionais dos programas de competitividade
regional, de ambiente e de desenvolvimento dos recursos humanos obtido uma
acreditação para as funções de adjudicação, celebração de contratos e gestão
financeira. Continua, no entanto, a ser necessário reforçar a capacidade
administrativa das instituições do IPA. Os preparativos neste domínio não estão
muito avançados. Foram realizados alguns progressos no domínio
do sistema judiciário, na sequência da adoção do terceiro pacote de
reformas judiciárias, que introduz um certo número de melhorias no sistema da
justiça penal turca. Contudo, devem ser
envidados esforços suplementares no que diz respeito à independência,
imparcialidade e eficácia do sistema judiciário, nomeadamente em relação ao
sistema de justiça penal e ao número considerável de processos penais graves
pendentes. A taxa de participação das mulheres
no sistema judiciário deve ser melhorada. Registaram-se
progressos limitados em matéria de luta contra a corrupção, tendo surgido novos
elementos relativamente à incriminação e à transparência do financiamento dos
partidos políticos. A execução da estratégia nacional de luta contra a
corrupção exige um maior empenhamento político. A situação relativa ao respeito
dos direitos fundamentais continua a ser muito preocupante, nomeadamente
devido à ampla aplicação do quadro jurídico próprio do terrorismo e da
criminalidade organizada, na origem de violações recorrentes do direito à
liberdade e à segurança, do direito a um processo equitativo e da liberdade de
expressão, de reunião e de associação. São de assinalar progressos limitados no domínio
da justiça, liberdade e segurança. A Turquia fornece com êxito uma ajuda
humanitária aos refugiados, embora o seu sistema de asilo esteja longe de
respeitar as normas da UE. A Turquia precisa de aumentar a sua capacidade para
prevenir a imigração clandestina. É essencial que o acordo de readmissão UE‑Turquia,
rubricado em junho, seja rapidamente concluído e efetivamente aplicado e as
obrigações em vigor em matéria de readmissão sejam plenamente aplicadas. A
adoção da lei relativa aos estrangeiros e à proteção internacional, bem como as
reformas em matéria de gestão das fronteiras, continuam igualmente a ser uma
prioridade. São de assinalar apenas progressos limitados no que diz respeito ao
alinhamento da legislação sobre os vistos. A falta de legislação adequada em
matéria de proteção dos dados constitui um entrave ao progresso. São
necessárias reformas no domínio da luta contra o terrorismo e a criminalidade
organizada. Globalmente, o alinhamento neste domínio encontra‑se numa
fase inicial. Registaram-se
progressos satisfatórios no domínio da ciência. e investigação. A
Turquia tomou medidas para reforçar ainda mais a sua capacidade e a sua
integração no espaço europeu da investigação. A participação e a taxa de êxito
da Turquia no Programa-Quadro de Investigação da UE (7.º PQ) aumentaram, sendo
no entanto necessário esforços suplementares para reforçar a qualidade das suas
candidaturas e dos seus investigadores. Globalmente, a Turquia está bem
preparada neste domínio. Foram realizados
alguns progressos no domínio da educação e cultura. O interesse da
população nos programas da UE continua a aumentar. A Turquia fez passar de 8
para 12 anos a idade do final da educação obrigatória. Foram realizados poucos
progressos no domínio da cultura, não se tendo no entanto verificado quaisquer
progressos a nível do alinhamento legislativo. Globalmente, a Turquia está
moderadamente avançada neste domínio. Foram realizados
progressos irregulares no que diz respeito a um maior alinhamento no domínio do
ambiente e das alterações climáticas. A
Turquia realizou progressos satisfatórios em matéria de água, alguns progressos
em matéria de gestão dos resíduos e da poluição industrial e progressos
limitados no que diz respeito à qualidade do ar e à proteção da natureza. Quase não são de assinalar quaisquer progressos no
que se refere à legislação horizontal em matéria de ambiente e nenhuns
progressos no que diz respeito à proteção da natureza e aos produtos químicos. A sustentabilidade das zonas protegidas existentes
e dos sítios Natura 2000 potenciais merece uma atenção especial. No que diz respeito às alterações climáticas, deve
ser ainda criada e aplicada uma política em matéria de clima mais ambiciosa e
melhor coordenada, tanto a nível nacional como a nível internacional. Não foram registados quaisquer novos progressos a
nível das capacidades administrativas. A
agenda em matéria de ambiente do Ministério do Ambiente e da Urbanização deve
ser reforçada, tal como a coordenação e a cooperação entre autoridades
competentes a todos os níveis. Os preparativos
neste domínio encontram-se numa fase inicial. São de assinalar
alguns progressos no domínio da defesa dos consumidores e proteção da saúde.
A legislação essencial em matéria de defesa dos consumidores deve ainda ser
adotada, permanecendo fraco o movimento de defesa dos consumidores. A Turquia
criou novas estruturas administrativas no domínio da saúde pública, devendo o
seu funcionamento ser acompanhado de perto. Globalmente, os preparativos neste
domínio estão em curso. Registaram-se
progressos satisfatórios no domínio da união aduaneira. A união
aduaneira entre a UE e a Turquia permitiu a esta última atingir um nível
elevado de alinhamento pelo acervo neste domínio. É conveniente continuar a
alinhar a legislação em matéria de isenção de direitos, zonas francas,
supervisão e contingentes pautais, bem como de DPI. Devem prosseguir os
preparativos no domínio dos sistemas informáticos aduaneiros. É necessário
envidar esforços suplementares para melhorar os controlos baseados no risco e
simplificar os procedimentos a fim de facilitar o comércio legítimo, garantindo
simultaneamente a segurança e proteção. Realizaram-se alguns progressos em
matéria de relações externas. É necessário um alinhamento suplementar em
domínios como o sistema de preferências generalizadas e o controlo dos bens de
dupla utilização. O uso intensivo de medidas de salvaguarda suscita
preocupações. Globalmente, o nível de alinhamento neste domínio permanece
elevado. O diálogo político
com a UE sobre as questões de política externa e de segurança foi
intensificado de forma significativa, tendo nomeadamente em conta o papel
influente desempenhado pela Turquia na região, apoiando a segurança, a
transição económica e a reforma democrática, nomeadamente aquando dos recentes
acontecimentos ocorridos no norte de África. A
Turquia condenou firmemente e em várias ocasiões a violência exercida pelo
regime sírio contra civis, tendo mantido uma política de fronteira aberta com a
Síria e prestando atualmente assistência humanitária a cerca de 100 000 sírios
que fugiram do seu país. Durante o período de
referência, o alinhamento da Turquia pelas declarações PESC permaneceu modesto
se o compararmos com períodos anteriores. Não
se registaram quaisquer progressos na normalização das relações com a Arménia. As relações diplomáticas com Israel continuam
limitadas. Globalmente, os preparativos em
matéria de política externa, de segurança e defesa estão moderadamente
avançados. São de assinalar
alguns progressos no domínio do controlo financeiro, nomeadamente no que
diz respeito à proteção do euro. Continuam a ser necessários esforços
suplementares, em especial no que diz respeito à dimensão da próxima revisão do
documento estratégico sobre o controlo interno das finanças públicas, do reforço
da função de auditoria interna na administração pública e na consolidação do
serviço turco de coordenação da luta contra a fraude. Recentes alterações da
lei sobre o Tribunal de Contas comprometem certos elementos anteriores no
domínio da auditoria externa. Globalmente, os preparativos neste domínio estão
moderadamente avançados. Não se registaram quaisquer progressos
específicos no domínio das disposições financeiras e orçamentais, em que
os preparativos se encontram numa fase inicial. Será necessário criar, na
devida altura, estruturas de coordenação fiáveis, capacidades administrativas e
regras de aplicação. Islândia A Islândia continua a cumprir os critérios
políticos. É uma democracia que funciona
bem, dotada de instituições sólidas e de tradições profundamente enraizadas de
democracia representativa. O sistema
judiciário islandês é de grande qualidade e o país garante o reforço contínuo
do seu nível já elevado de proteção em matéria de direitos fundamentais. As propostas formuladas pelo Conselho constitucional
com vista a uma reforma da Constituição estão atualmente a ser analisadas pelo
Parlamento. Na sequência das conclusões da
comissão especial de investigação, foi tomado um certo número de medidas para
melhorar a eficácia da administração pública. Foram
realizadas eleições presidenciais em junho de 2012, tendo o Presidente em
exercício sido reeleito para um quinto mandato. O gabinete do Procurador Especial prosseguiu
os seus trabalhos de forma eficaz sobre processos relativos à crise bancária de
2008. Em abril de 2012, o Supremo Tribunal de Justiça considerou o
Primeiro-Ministro em exercício na altura da crise financeira culpado de uma das
acusações que lhe foram imputadas, nomeadamente de não ter realizado reuniões
especiais do governo antes da crise. Não foi pronunciada qualquer sanção. São de assinalar progressos na prossecução do
reforço do quadro de luta contra a corrupção. No
que diz respeito aos conflitos de interesse, foi criado na primavera de 2012 um
código de conduta destinado aos funcionários dos ministérios. Devem ser elaborados códigos de conduta destinados
aos funcionários em geral e aos conselheiros políticos. A Islândia continuou a salvaguardar os
direitos fundamentais, nomeadamente os direitos económicos e sociais. Deve ainda ratificar a Convenção das Nações Unidas
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a Convenção do Conselho da
Europa sobre a prevenção e o combate da violência contra as mulheres e da
violência doméstica e a Convenção-Quadro do Conselho da Europa para a Proteção
das Minorias Nacionais. Na sequência de uma recessão grave e
prolongada, a economia islandesa começou a recuperar em 2011, tendo
registado um crescimento de 2,6 % nesse ano, tendência que se manteve durante o
primeiro semestre de 2012. As autoridades prosseguiram a reestruturação da
dívida interna, a estabilização do setor financeiro e a consolidação
orçamental. Uma segunda emissão internacional de obrigações desde a crise
permitiu ao país colocar mil milhões de dólares americanos de obrigações junto
de investidores estrangeiros, em maio de 2012, a uma taxa de 6 %. As três
principais agências de notação restituíram à Islândia o seu grau de
investimento. No entanto, a debilidade dos balanços dos setores financeiro e
não financeiro continua a apresentar riscos consideráveis para a estabilidade
económica e financeira. A eliminação das restrições ao movimento de capitais
continua a ser um desafio político fundamental. No que se refere aos critérios económicos,
a Islândia pode ser considerada uma economia de mercado viável. Contudo, as
deficiências do seu setor financeiro e as restrições aplicadas aos movimentos
de capitais constituem ainda um entrave à afetação eficiente dos recursos. A
médio prazo, a Islândia deve estar em condições de reencontrar a capacidade de
resistir às pressões concorrenciais e às forças de mercado no âmbito da União,
desde que continue a abordar as atuais deficiências estruturais, através de
políticas macroeconómicas e de reformas estruturais adequadas. A combinação das políticas, que se centra
fortemente na estabilização da taxa de câmbio e na consolidação orçamental, e a
reestruturação da dívida interna, contribuíram para o restabelecimento de uma
maior estabilidade macroeconómica. A política monetária foi restringida em
reação a um aumento da inflação e a estabilidade da taxa de câmbio foi
globalmente preservada. Prosseguiu a consolidação orçamental com a aplicação de
novas medidas em matéria de receitas e de despesas nos orçamentos de 2011 e
2012. Foram tomadas medidas para reduzir os riscos associados ao
refinanciamento público e para reforçar as finanças das autarquias locais. A
Islândia conservou o seu excedente comercial e uma balança de contas correntes
subjacente globalmente equilibrada. Uma diminuição da taxa de desemprego e um
recente aumento do nível de emprego sugerem uma ligeira melhoria da situação do
mercado de trabalho. O país dispõe de infraestruturas de base de boa qualidade
e de recursos naturais abundantes, bem como de um mercado trabalho flexível que
se caracteriza por taxas de atividade elevadas. Contudo, as vulnerabilidades macrofinanceiras
continuam a ser significativas. A inflação anual permaneceu superior ao
objetivo fixado e as previsões inflacionistas são elevadas. A manutenção da
estabilidade da taxa de câmbio continua a ser problemática. Os riscos
orçamentais persistem. O nível da dívida, tanto pública como privada, continua
elevado, mesmo após a reestruturação, e as famílias e as empresas continuam a
ser confrontadas com problemas importantes. A qualidade dos ativos dos bancos
está sujeita a grandes incertezas e os incumprimentos continuam a ser
generalizados. O desemprego mantém-se em torno de 7 %, o que, para o país, está
próximo de níveis nunca atingidos. Afeta especialmente a juventude e conta com
uma grande parte de desempregados de longa duração. A estabilização
macroeconómica intervém no contexto de uma proteção temporária assegurada por
restrições aplicadas em matéria da balança de capitais, que terão de ser
suprimidas. O crescimento, os investimentos e o desenvolvimento são entravados
pela existência de obstáculos importantes à entrada em determinados setores. A
estrutura industrial mantém-se pouco diversificada. A capacidade da Islândia para
assumir as obrigações decorrentes da adesão continuou a ser avaliada
igualmente tomando em consideração a sua participação no Espaço Económico
Europeu. O nível global de preparação para
satisfazer as exigências do acervo continua satisfatório, nomeadamente devido à
participação da Islândia no Espaço Económico Europeu. O litígio relativo ao Icesave continua por
resolver, apesar de alguns progressos. Em dezembro de 2011, o Órgão de
Fiscalização da EFTA apresentou uma queixa contra a Islândia junto do Tribunal
da EFTA, a fim de obter uma declaração segundo a qual a Islândia não respeitou
a diretiva relativa aos sistemas de garantia dos depósitos nem o artigo 4.º do
Acordo EEE relativo à não-discriminação. A Islândia refutou essas alegações e
alegou que deviam ser rejeitadas. Vários Estados-Membros da UE e da EFTA
enviaram observações escritas ao Tribunal. A |Comissão Europeia interveio junto
do Tribunal da EFTA em apoio ao Órgão de Fiscalização da EFTA. Entretanto, a
liquidação comercial do Landsbanki Íslands hf permitiu aos credores
prioritários receberem os dois primeiros pagamentos parciais, em dezembro de
2011 e maio de 2012. As negociações de adesão continuaram a
progredir. Durante o período de referência,
foram abertos 14 capítulos, dos quais 8 foram provisoriamente encerrados. Mais de metade dos capítulos de negociação (ou
seja, 18) foi agora aberta, dos quais 10 foram provisoriamente encerrados. Globalmente, os preparativos tendo em vista
assumir as obrigações decorrentes da adesão prosseguiram, nos domínios
parcialmente abrangidos pelo Acordo EEE, bem como nos capítulos não abrangidos
por este. A Islândia continua a estar em
grande medida alinhada pelo acervo e aplica uma parte substancial deste nos
domínios abrangidos pelo Acordo EEE, tais como a livre circulação das
mercadorias, a livre circulação dos trabalhadores, o direito de
estabelecimento, a livre prestação dos serviços, os contratos públicos, o
direito das sociedades, os direitos de propriedade intelectual, a concorrência,
e a sociedade da informação e os meios de comunicação social. O relatório de acompanhamento confirma que os
domínios que se seguem são suscetíveis de colocar problemas: serviços financeiros; agricultura
e desenvolvimento rural; ambiente; pescas; livre
circulação de capitais; segurança alimentar; política veterinária e fitossanitária; fiscalidade; e
alfândegas. No que se refere às capacidades
administrativas, deve ser dada uma atenção constante à disponibilização de
recursos humanos e financeiros suficientes para assegurar os preparativos
necessários relativos ao processo de adesão à UE. A legislação da Islândia continua a estar
alinhada numa grande medida pelo acervo no domínio da livre circulação das
mercadorias. O país deve no entanto
envidar esforços suplementares no que diz respeito às medidas horizontais e à
legislação aplicável aos produtos abrangidos tanto pela antiga como pela nova
abordagem, bem como às capacidades administrativas, nomeadamente no domínio da
supervisão do mercado. A Islândia mantém um elevado nível de
alinhamento pelo acervo no domínio da livre circulação dos trabalhadores. São de assinalar progressos satisfatórios no
que diz respeito à coordenação dos regimes de segurança social. A Islândia deve
alargar as suas regras de coordenação em matéria de segurança social aos
nacionais de países terceiros que residam legalmente no seu território e
continuar os preparativos com vista à aplicação de um sistema eletrónico de
intercâmbio de dados. A legislação sobre o direito de
estabelecimento e a livre prestação de serviços está em grande medida
alinhada pelo acervo. Deve ainda ser efetuado
o alinhamento pela Terceira Diretiva Postal e é conveniente suprimir as
restrições atualmente aplicadas no setor da pesca. A Islândia aplica uma parte do acervo no
domínio da livre circulação dos capitais. Persistem
as exceções, nomeadamente relacionadas com o investimento e os controlos
rigorosos aplicados aos movimentos de capitais. No domínio dos contratos públicos, a
Islândia está bastante avançada. O nível de
alinhamento e a aplicação neste domínio continuam a ser satisfatórios, à
exceção das diretivas relativas às medidas de correção e aos contratos públicos
no setor da defesa. A Islândia atingiu
já um nível de alinhamento elevado e aplica uma parte substancial do acervo no
domínio do direito das sociedades. Deve
ainda ser concluído o alinhamento total pelo acervo no domínio do direito das
sociedades e das normas contabilísticas e normas de auditoria. A Islândia mantém um nível elevado de
alinhamento pelo acervo no domínio do direito da propriedade intelectual,
dispondo o país das capacidades administrativas necessárias para a sua
aplicação. Deve ainda ser concluído o pleno
alinhamento pela Diretiva de execução. No que diz respeito à política de
concorrência, o alinhamento pelo acervo está bastante avançado. Os auxílios estatais concedidos pela Islândia em
relação à crise financeira estão conformes com o acervo pertinente. O alinhamento no
domínio dos serviços financeiros atingiu um bom nível. Apesar dos progressos, devem continuar os esforços
envidados para alinhar a legislação pelo novo acervo e para garantir a
aplicação efetiva da legislação, bem como uma supervisão adequado do setor. O diferendo relativo ao Icesave não foi ainda
resolvido. O processo intentado pelo Órgão de
Fiscalização da EFTA contra a Islândia está pendente junto do Tribunal da EFTA. A Islândia atingiu já um nível de alinhamento
elevado e aplica uma parte substancial do acervo no domínio da sociedade da
informação e dos meios de comunicação social. Deviam ser supridas várias
lacunas na transposição do acervo em matéria de política audiovisual e de
serviços da sociedade da informação. Começaram os preparativos no domínio da agricultura
e do desenvolvimento rural, em relação ao qual a política islandesa não
está globalmente em conformidade com o acervo. Foram
adotados uma estratégia e um calendário de medidas a tomar para assegurar o
respeito dos requisitos da UE nestes dois domínios. Devem
ser criadas as estruturas administrativas adequadas para aplicar todos os
aspetos da política agrícola comum. A legislação e o quadro administrativo da
Islândia não estão parcialmente em conformidade com o acervo nos domínios da segurança
alimentar e da política veterinária e fitossanitária. Foram realizados
progressos no que diz respeito à segurança alimentar em geral e às regras que
lhe são aplicáveis. Devem ser abordadas as
lacunas legislativas no domínio da saúde animal e fitossanidade, dos organismos
geneticamente modificados, dos novos alimentos e produtos de origem animal que
não se destinam ao consumo humano. A Islândia continua a aplicar um sistema de
gestão da pesca que prossegue objetivos semelhantes aos da UE,
divergindo no entanto certas regras de forma significativa. As restrições atualmente aplicadas no setor no que
diz respeito à liberdade de estabelecimento, à livre prestação de serviços e à
circulação de capitais não estão conformes com o acervo. A Islândia dispõe
já de um bom nível de alinhamento no setor dos transportes. São de assinalar progressos no que diz respeito
às regras em matéria de segurança rodoviária. A transposição da legislação da
UE sobre o transporte aéreo e rodoviário deve ser concluída. A legislação em
matéria de energia continua a estar parcialmente em conformidade. É necessário envidar esforços suplementares para
proceder ao alinhamento pelo acervo relativo às existências petrolíferas, à
eficiência energética e ao mercado interno da energia, bem como para reforçar a
independência e as capacidades administrativas da autoridade de regulação. No domínio da fiscalidade, a legislação
islandesa continua parcialmente alinhada pelo acervo, mantendo‑se
satisfatórias as capacidades administrativas do país.
Devem ser envidados esforços suplementares para assegurar a interconexão
e a interoperabilidade dos sistemas informáticos com os sistemas da UE no domínio
da fiscalidade. No domínio da política económica e
monetária, a legislação islandesa dispõe de um bom nível de alinhamento
pelo acervo. As lacunas existentes em relação
ao acervo em matéria de política monetária ainda não foram abordadas, nomeadamente
o reforço da independência do Banco Central e a proibição do financiamento
monetário do setor público. A Islândia aplica em parte o acervo relativo
às estatísticas. Foi realizada uma
grande parte do recenseamento e do registo da população e da habitação. A
Islândia deve ainda dotar-se de um Instituto de estatísticas com recursos
suficientes. A Islândia
continuou a aplicar uma parte substancial do acervo em matéria de política
social e de emprego. Começaram os
preparativos com vista à sua participação no Fundo Social Europeu, estando em
elaboração uma estratégia global a favor do emprego. Está por concluir o
alinhamento pelo acervo nos domínios da luta contra as discriminações e da
igualdade oportunidades. O estado de preparação da Islândia no domínio
da política empresarial e da política industrial continua a ser muito
satisfatório. O acesso das PME às fontes de
financiamento é ainda afetado pela crise financeira. A Islândia mantém um bom nível de alinhamento
pelas normas da UE no domínio das redes transeuropeias. Foi adotado um
plano de ação global e um calendário, expondo as diferentes etapas para cumprir
os requisitos da UE no domínio da política regional e da coordenação dos
instrumentos estruturais. A
Islândia deve nomear a sua futura autoridade de gestão e elaborar os documentos
de estratégia e de programação exigidos no quadro da política de coesão. A Islândia continua a dispor de padrões
elevados no domínio do sistema judiciário e dos direitos fundamentais,
tendo o seu quadro estratégico de luta contra a corrupção sido mais reforçado.
A Islândia continua igualmente a reforçar o seu nível já elevado de proteção
dos direitos fundamentais. A legislação relativa aos direitos dos cidadãos e à
proteção dos dados pessoais não está ainda alinhada pelo acervo. A Islândia continua a aplicar o Acordo de
Schengen, estando bastante avançada no alinhamento da sua legislação pelo
acervo em matéria de justiça, liberdade e segurança. Contudo, deve
redobrar os seus esforços em determinados domínios, nomeadamente as migrações,
o direito de asilo e a cooperação judiciária. A Islândia continuou a participar de forma
ativa no programa-quadro da UE nos domínios da ciência e da investigação.
Os seus preparativos com vista à adesão à UE e à integração no espaço europeu
da investigação estão bastante avançados. A Islândia atingiu
um elevado nível de alinhamento no domínio da educação e cultura, tendo
continuado a participar em vários programas da UE nestes domínios. O quadro
legislativo e administrativo no domínio do ambiente e das alterações
climáticas mantém‑se, em grande medida, em conformidade com o acervo,
tendo continuado a ser reforçado. Não está
ainda assegurado o respeito integral do acervo relativamente à proteção da
natureza, à qualidade da água e às alterações climáticas. A Islândia deve ratificar as convenções de Espoo e
de Roterdão. A Islândia atingiu já um nível de alinhamento
elevado e aplica uma parte substancial do acervo no domínio da defesa do
consumidor e da proteção da saúde. São de assinalar progressos suplementares
no domínio da saúde pública. É necessário
envidar esforços suplementares para suprir as restantes lacunas a nível do
alinhamento pelo acervo em matéria de defesa dos consumidores. A Islândia aplica em grande medida o acervo
relativo à união aduaneira. Começaram os preparativos com vista à
aplicação efetiva da legislação da UE a partir da adesão. Devem ser supridas as lacunas que subsistem no
que diz respeito ao alinhamento da legislação islandesa pelo acervo no que diz
respeito à união aduaneira, nomeadamente nos domínios das pautas aduaneiras, da
regulamentação aduaneira geral, das regras de origem, dos regimes aduaneiros
económicos, das regras associadas à segurança e da abolição de taxas
aduaneiras. Devem prosseguir os
preparativos com vista a desenvolver a interconexão com os sistemas
informáticos da UE. No que diz
respeito às relações externas, a legislação islandesa reflete
estritamente o acervo. São de assinalar progressos, uma vez que a Islândia e a
UE acordaram em proceder a consultas mútuas periódicas sobre a política
comercial. A Islândia mantém
um elevado nível de alinhamento no domínio da política externa e de
segurança e defesa comum. A atenção
especial que a Islândia atribui à política do Ártico sublinha a sua
determinação em desempenhar um papel ativo nas organizações regionais do norte
da Europa. O sistema de controlo
financeiro da Islândia está parcialmente em conformidade com as normas
internacionais e com as boas práticas da UE. Devem
prosseguir os trabalhos relativos à elaboração do documento de orientação sobre
o controlo interno das finanças públicas, o estabelecimento de uma auditoria
interna, o respeito das normas do INTOSAI no domínio da auditoria externa e da
proteção dos interesses financeiros da UE. A Islândia
continua a ter um nível de alinhamento satisfatório nos domínios de ação
subjacentes associados às disposições financeiras e orçamentais. Os preparativos administrativos com vista à criação
do sistema de recursos próprios devem ser intensificados. Ainda não foi formalmente criada uma estrutura de
coordenação. [1] As sínteses e as conclusões dos relatórios por país
figuram num anexo à presente comunicação. [2] Esta designação não prejudica as posições relativas ao estatuto e está
conforme com a Resolução 1244/99 do CSNU e com o parecer do TIJ sobre a
declaração de independência do Kosovo. [3] O Montenegro decidiu unilateralmente utilizar o euro como única moeda
com curso legal. [4] As principais prioridades dizem respeito aos seguintes
domínios: funcionamento adequado do Parlamento; adoção das leis por maioria
qualificada; procedimentos de nomeação e as nomeações para as instituições
fundamentais; reforma eleitoral; realização de eleições; reforma da
administração pública; Estado de direito e reforma judiciária; luta contra a
corrupção; luta contra a criminalidade organizada; questões de propriedade;
reforço dos direitos humanos e a aplicação das políticas de luta contra a
discriminação; melhoria do tratamento dos detidos e aplicação das recomendações
do Provedor. Para consultar o texto integral das prioridades essenciais, ver
COM (2010) 680. [5] Plano nacional para a aplicação do Acordo de
Estabilização e de Associação. [6] Segundo a lei relativa à proteção dos direitos das
pessoas pertencentes a minorias nacionais, existem 17 minorias nacionais na
Bósnia e Herzegovina. Os três povos que compõem o país - os bósnios, os croatas
e os sérvios - não constituem minorias nacionais.