RELATÓRIO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU E AO CONSELHO sobre os progressos realizados pela Bulgária no âmbito do mecanismo de cooperação e de verificação /* COM/2012/0411 final */
RELATÓRIO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO
EUROPEU E AO CONSELHO sobre os progressos realizados pela Bulgária
no âmbito do mecanismo de cooperação e de verificação I. Mecanismo de cooperação e de
verificação: apoiar a Bulgária nos domínios da reforma judiciária e da luta
contra a corrupção e a criminalidade organizada Na perspetiva da adesão da Bulgária à UE em
2007, foi acordado que era necessário prosseguir os trabalhos em domínios
importantes para resolver deficiências a nível da reforma do sistema judiciário
e da luta contra a corrupção e a criminalidade organizada, o que conduziu à
criação de um quadro de apoio à Bulgária e de acompanhamento dos progressos
realizados nestas áreas, isto é, o mecanismo de cooperação e de verificação
(MCV)[1].
Foram estabelecidos seis objetivos de referência, que abrangem a independência
e a responsabilização do sistema judiciário, a sua transparência e eficiência;
a luta contra a corrupção de alto nível, bem como a corrupção a nível de todo o
setor público; e a luta contra a criminalidade organizada. A decisão previu a
apresentação periódica de relatórios por parte da Comissão e a continuação da
aplicação do mecanismo até os objetivos do MCV e todos os seis objetivos de
referência serem realizados de forma satisfatória[2]. Decorridos cinco anos, o presente relatório
avalia se os objetivos do MCV foram realizados. Esta avaliação é o fruto da
análise apresentada no relatório técnico que acompanha o presente relatório,
fazendo um balanço do que foi conseguido até à data e do que continua por
realizar. Analisa o trabalho dos últimos cinco anos, a legislação e os
instrumentos aplicados e os resultados conseguidos. Durante este período, houve
alturas em que os progressos registaram uma aceleração; outras em que houve
retrocessos. A cooperação foi, em algumas fases, ativa, enquanto, noutras
ocasiões, o MCV foi objeto de ressentimento e de resistência. Em termos
globais, a Comissão está convencida de que o CMV deu um contributo importante
para o processo de reformas na Bulgária. O presente relatório aprecia,
nomeadamente, a sustentabilidade e a irreversibilidade do processo de reformas,
inclusivamente se existe uma suficiente apropriação que permita manter o ritmo
das reformas. A União Europeia é atualmente muito
interdependente. O Estado de Direito é um dos valores fundamentais da UE e há
nele um forte interesse comum, que reflete o interesse da opinião pública
búlgara nestas questões[3].
As sondagens do Eurobarómetro demonstraram que 96 % dos búlgaros consideram a
corrupção e a criminalidade organizada uma questão importante para o seu país e
92 % respondem do mesmo modo relativamente às deficiências do sistema
judiciário. A mesma sondagem mostrou igualmente que 76 % dos búlgaros
consideram que a UE deveria ter um papel a desempenhar para fazer face a estas
questões[4]. O MCV não requer que a Bulgária tenha padrões
mais elevados do que os existentes em outros Estados-Membros. O seu objetivo é
ajudar a Bulgária a alcançar padrões comparáveis com outros Estados-Membros, um
objetivo apoiado por 78 % dos búlgaros[5].
Para efeitos de avaliação do que foi alcançado pela Bulgária desde a adesão, a
situação verificada nos outros Estados-Membros constitui um fator importante. A
Comissão utiliza no presente relatório parâmetros de referência e indicadores
comparativos, sempre que estiverem disponíveis[6].
A fim de comparar os progressos realizados pela Bulgária com a situação noutros
Estados‑Membros, a Comissão baseou-se igualmente num painel de peritos
experientes de domínios profissionais relevantes para estas questões[7]. A partir de 2007, o orçamento da UE
disponibilizou cerca de 41 milhões de EUR para apoio à reforma judiciária na
Bulgária, através dos fundos estruturais. Até meados de 2012, 25 projetos com
um orçamento de 13,6 milhões de EUR foram acordados nos domínios da formação,
desenvolvimento dos recursos humanos, reforço da capacidade e assistência
técnica. Ao mesmo tempo, vários Estados-Membros apoiaram a Bulgária com
projetos bilaterais em todos os domínios da reforma judiciária, incluindo a
reforma das forças policiais e a luta contra a corrupção e a criminalidade
organizada[8]. II. Análise dos progressos realizados no âmbito
do MCV no período 2007-2012 A avaliação global
da Comissão dos progressos realizados desde a adesão da Bulgária, no âmbito do
MCV, revela progressos importantes a nível do quadro legislativo de base. Em
momentos fundamentais, o Governo búlgaro tem revelado uma forte vontade
política em realizar reformas profundas e duradouras. O desafio atual é
colmatar algumas lacunas estratégicas fundamentais e assegurar uma aplicação
efetiva. A determinação da sociedade búlgara no sentido da execução das
reformas objeto da supervisão do MCV tem sido variável: é necessário uma
aplicação mais coerente para congregar ações díspares. Uma orientação das
reformas mais coerente constituiria o melhor indicador da sustentabilidade e da
irreversibilidade do processo. Desde 2007, a Bulgária lançou uma série de
importantes reformas jurídicas e constitucionais. Embora incompletas, estas
reformas permitiram criar importantes estruturas, por vezes inovadoras, em
especial para incentivar a especialização necessária para fazer face a
problemas defrontados. As principais instituições, como o Conselho Superior da
Magistratura (CSM) e o seu serviço de inspeção, assumiram as suas funções.
Realizou‑se um importante investimento nas estruturas de luta contra a
criminalidade organizada, o que levou à criação de organismos especializados a
nível do sistema judiciário e das forças policiais, bem como foram tomadas
importantes medidas para melhorar o quadro jurídico para o confisco de ativos e
a cooperação bem-sucedida com outros Estados-Membros. No entanto, o potencial deste enquadramento
não foi ainda utilizado plenamente. Foram conferidos ao Conselho Superior da
Magistratura amplos poderes para gerir e orientar o sistema judiciário. Estes
poderes não foram exercidos para regulamentar eficazmente as profissões
judiciárias, com base no mérito e na idoneidade, ou para garantir a coerência e
a independência da justiça das quais depende a confiança pública. Continua a haver uma falta de orientação
política, o que tem dificultado a realização de progressos. Muitas instituições
adotaram medidas úteis. Contudo, a escala limitada destas medidas no âmbito
destas instituições e a falta de uma abordagem coordenada revelam que subsistem
questões sobre as orientações do processo de reformas. Ao longo dos cinco anos
de aplicação do MCV, diferentes governos e parlamentos deram uma ênfase
diferente a estas questões e tiveram níveis variáveis de empenhamento na
obtenção de resultados. Um plano de ação para a reforma do sistema judiciário
foi adotado em 2010. Nem sempre foram integralmente respeitados princípios
fundamentais, tais como a independência do sistema judiciário. A falta de uma
tendência coerente revela que o processo de reformas não atingiu a dinâmica
necessária para se tornar uma parte aceite do desenvolvimento da Bulgária. Esta conclusão é reforçada pelo facto de que
muitas medidas importantes parece terem sido tomadas em resultado,
principalmente, da pressão externa. O MCV foi essencial para este processo,
sendo reconhecido tal papel pela opinião pública búlgara[9]. Tem contribuído para manter a
orientação geral do processo de reformas nos momentos de pressão e para
incentivar mudanças que requerem a coragem de desafiar interesses instalados. O
facto de que a pressão externa é ainda necessária levanta questões sobre a
sustentabilidade e a irreversibilidade das mudanças. A apropriação e a execução são, por
conseguinte, os elementos essenciais para o cumprimento dos objetivos de
referência do MCV, determinando a sustentabilidade e a irreversibilidade do
processo de reformas. A nomeação e o trabalho do novo Conselho Superior da
Magistratura e do novo Procurador-Geral constituirão um dos indicadores da
sustentabilidade das reformas. II.1 Reforma judiciária no período
2007-2012 Objetivo de referência 1: adotar as alterações constitucionais que suprimam qualquer ambiguidade relativamente à independência e à responsabilização do sistema judiciário Objetivo de referência 2: garantir processos judiciais mais transparentes e eficazes, mediante a adoção e aplicação de nova legislação sobre o sistema judiciário e de um novo código de processo civil. Apresentar relatórios sobre o impacto desta nova legislação e dos códigos de processo penal e administrativo, nomeadamente durante a fase de instrução Objetivo de referência 3: prosseguir a reforma do sistema judiciário, por forma a reforçar o profissionalismo, a responsabilização e a eficácia. Avaliar o impacto desta reforma e publicar anualmente os seus resultados Após a adesão, a Bulgária comprometeu-se a
reforçar a independência, a responsabilização e a integridade do sistema
judiciário e a garantir um processo judicial mais eficiente, coerente e transparente.
Esses objetivos abrangentes de reforma requereram alterações legislativas, uma
reforma das estruturas e recursos humanos do sistema judiciário e a melhoria
dos processos e das práticas judiciais. Requereram também algumas alterações
comportamentais por parte dos magistrados e de outros intervenientes do sistema
judiciário. Esta combinação implicou um empenhamento por parte de todos os
poderes do Estado: do Parlamento e dos poderes executivo e judicial, com o
apoio da sociedade civil. Desde 2007, a Bulgária criou um certo número
de bases importantes para cumprir os seus compromissos para com a UE. Na
sequência imediata da adesão, foi tomada uma importante série de medidas, com
alterações constitucionais, uma nova Lei relativa ao sistema judiciário, um
novo Código do Processo Civil, um novo Código do Processo Administrativo e
alterações ao Código do Processo Penal. No primeiro ano de adesão criaram-se
também novas instituições judiciárias. Foi criado um serviço de inspeção
independente do sistema judiciário e entrou em funções um novo Conselho
Superior da Magistratura (CSM), com amplas responsabilidades pela gestão do
sistema judiciário[10].
Estas responsabilidades incluíram a gestão dos recursos humanos do sistema
judiciário, incluindo as nomeações, promoções, avaliações e afetação de
pessoal. Foi também conferida ao Conselho responsabilidade disciplinar e, por
conseguinte, a tarefa de garantir a responsabilização e a integridade do
sistema judiciário e o respeito de elevados padrões profissionais por parte da
prática judiciária[11].
Com estas atribuições, o Conselho passou a ser o principal ator da execução da
reforma judiciária. A Bulgária alcançou resultados a nível da
aplicação deste novo quadro jurídico e institucional. Pela primeira vez, foram
efetuadas controlos independentes dos tribunais e dos procuradores, foram
emitidas recomendações relativas à gestão e prática judiciais e foi adotada uma
abordagem mais rigorosa relativamente à atividade disciplinar. Além disso, a
Bulgária melhorou os códigos processuais em todos os três ramos do direito e
começou a melhorar a prática judicial. Contudo, estes esforços ainda não conduziram a
melhorias significativas em termos de eficiência e de responsabilização
judicial. Os processos judiciais têm, frequentemente, uma duração excessiva[12]. A prática disciplinar revela
incoerências e, em muitos processos importantes, não conseguiu concluir ou não
obteve resultados dissuasivos. As apreciações, promoções e nomeações judiciais
ainda não são transparentes e não seguem critérios objetivos e assentes no
mérito. Ainda não há uma política global em matéria de recursos humanos que
possa colocar em equilíbrio as necessidades em termos de efetivos com a carga
de trabalho. As medidas destinadas a melhorar a prática judicial parecem ser
muitas vezes superficiais e ainda não tiveram um efeito concreto nos resultados
em casos importantes. Subsistem questões sobre a independência judicial. Algumas destas deficiências podem decorrer de
falhas na aplicação da lei, mas refletem igualmente importantes debilidades
estruturais, processuais e organizacionais no âmbito do Conselho Superior da
Magistratura e do Ministério Público. As próximas eleições para o Conselho, no
outono, e a eleição de um novo procurador-geral e do novo presidente do Supremo
Tribunal de Justiça são cruciais para que a Bulgária possa demonstrar a sua
determinação em manter a trajetória da reforma judiciária. Existe a possibilidade de utilizar as
estruturas criadas para o sistema judiciário para orientar o processo de reformas,
corrigir a falta de confiança pública no sistema judiciário e criar um sistema
baseado numa governação eficaz e responsável. Deste modo, poderia ser
assegurado um sistema com o justo equilíbrio entre eficiência,
responsabilização, integridade e independência. No entanto, exige um maior
empenhamento por parte do Conselho Superior da Magistratura e do Ministério
Público, que seja suficientemente forte para desafiar interesses instalados
muito enraizados. A participação da sociedade civil e das
associações profissionais dos magistrados no sentido da reforma judiciária
constitui uma realização importante desde 2007. As autoridades búlgaras devem
fazer uma melhor utilização destes recursos, participar em atividades de
cooperação mais intensas com os parceiros estrangeiros e juntar todos os atores
fundamentais num compromisso comum em relação às reformas. Independência, responsabilização e
integridade do sistema judiciário As alterações constitucionais de fevereiro de
2007 definiram o enquadramento da independência judicial na Bulgária. A
Constituição proporciona ao sistema judiciário uma considerável autonomia de
gestão. No entanto, confere também um papel importante às instituições
políticas - metade dos membros eleitos do Conselho Superior da Magistratura
(CSM) e todos os inspetores judiciais são eleitos pelo Parlamento[13] – o que constitui uma fonte de
críticas da Comissão de Veneza do Conselho da Europa[14]. Os juízes leigos podem ter
uma influência determinante sobre as decisões dos tribunais, mas são nomeados
pelas forças políticas a nível local[15].
Os relatórios do MCV chamaram igualmente a atenção para a questão das nomeações
e avaliações com base no mérito[16]. Estas preocupações foram confirmadas, dado um
conjunto de importantes nomeações judiciais pelo Parlamento e pelo CSM carecer
de transparência e objetividade e ter sido marcado por alegações de influência
política[17].
A independência foi igualmente posta em causa na sequência de uma série de
críticas políticas diretas de certos juízes – a expulsão do sistema judiciário
do presidente da União dos Juízes pelo CSM suscita preocupações neste contexto[18]. O Conselho não adotou medidas
claras para proteger a independência judicial nestes casos. A impressão geral é
de incapacidade de respeitar a separação de poderes do Estado, o que tem
consequências diretas para a confiança do público no sistema judiciário. As mesmas alterações constitucionais de 2007 e
a adoção nesse ano de uma nova lei revista relativa ao sistema judiciário
permitiram igualmente criar as bases para uma política adequada de integridade
e responsabilização do sistema judiciário. A imunidade dos magistrados foi
limitada à execução dos deveres profissionais e foi criada uma inspeção do
sistema judicial independente. Em 2009, a Bulgária adotou um código ético para
a magistratura e criou um comité de integridade central no quadro do CSM[19]. As alterações jurídicas de
2010 tornaram a avaliação da integridade uma fase obrigatória no
desenvolvimento da carreira profissional e na promoção no quadro do sistema judiciário,
tendo criado estruturas locais para a integridade e a avaliação. O resultado
foi a primeira atividade disciplinar real no âmbito do sistema judiciário
búlgaro[20].
A maior parte destes processos disciplinares
foi iniciada com base em controlos efetuados pelo serviço de inspeção, que
começou as suas atividades operacionais em 2008. O serviço de inspeção tem
apresentado também ativamente os seus pontos de vista sobre as questões
disciplinares no âmbito do CSM, tendo-lhe sido conferido em 2009 o direito de
recurso em relação a decisões disciplinares. Apresenta recomendações
pormenorizadas aos presidentes dos tribunais. A atividade de controlo do
serviço de inspeção representa um contributo positivo para a melhoria da
disciplina judicial e da responsabilização, dado essa atividade não existir
anteriormente[21].
Ao mesmo tempo, o trabalho do serviço de inspeção não foi dirigido para a
promoção de soluções para as deficiências sistemáticas em matéria de
responsabilização e prática judicial. Há exemplos de ausência de recomendações
do serviço de inspeção em domínios como o sistema de afetação aleatória ou a
correção de importantes deficiências sistemáticas a nível da prática judicial[22]. A atividade disciplinar realizada desde 2007
mostra uma certa clemência e uma relutância em tratar processos graves, em
especial no que diz respeito à integridade. Dois processos emblemáticos de
alegado tráfico de influências no sistema judiciário só foram tratados após uma
grande pressão pública[23].
Recursos bem-sucedidos contra decisões disciplinares no quadro do Supremo
Tribunal Administrativo evidenciam insuficiências a nível da jurisprudência do
Tribunal, dos processos disciplinares do CSM ou da legislação: essas
insuficiências devem ser analisadas e corrigidas, bem como a falta de
seguimento penal, uma vez que o Ministério Público não investigou
sistematicamente os magistrados envolvidos nestes processos. Esta situação
relaciona-se com os resultados, em geral, medíocres do sistema judiciário na
instauração de processos por corrupção dentro das suas próprias estruturas[24]. Globalmente, a própria jurisprudência
disciplinar não tem sido coerente. A Bulgária tem também sido incapaz de
assegurar adequadamente a integridade no quadro do sistema de promoções e
avaliações judiciais, apesar das alterações à Lei relativa ao sistema
judiciário de 2010. As verificações da integridade têm tido um caráter formal e
com poucos efeitos preventivos, por vezes recorrendo a ONG para emitir
informações pertinentes para o domínio público. Várias nomeações de alto nível
durante este período careceram da necessária transparência e continuaram a ser
marcadas por acusações de influência política e de insuficiências a nível da
integridade[25].
A incapacidade da liderança judicial para definir e executar uma estratégia
adequada de luta contra a corrupção[26]
alienou uma parte do sistema judiciário e pode considerar-se que contribuiu
para o baixo nível da confiança do público neste domínio[27]. Eficiência do
processo judicial O Conselho Superior da Magistratura é responsável
pela política de recursos humanos do sistema judiciário, o que inclui o
recrutamento inicial, a prestação de formação através do Instituto Nacional da
Justiça, avaliações periódicas, promoções e nomeações para altos cargos da
magistratura. As alterações legislativas em 2010 conferiram ao CSM o papel de
avaliação da carga de trabalho, de mudança das áreas de jurisdição, de
reafetação de recursos e, se necessário, de encerramento de tribunais. Por
conseguinte, o Conselho tem todas as competências necessárias para gerir
corretamente os recursos humanos e as estruturas judiciárias em benefício da
eficiência judicial. Com base na apreciação do período posterior a
2007, pode ser destacado um determinado número de dificuldades quanto à forma
como o CSM cumpriu as suas responsabilidades na matéria. Em primeiro lugar, o
Conselho não foi capaz de traduzir de forma adequada os objetivos da Lei
revista relativa ao sistema judiciário aplicável às promoções. O sistema, tal
como é praticado, não assegura uma evolução na carreira dos magistrados de
acordo com o mérito profissional, bem como não tem devidamente em conta a
questão da integridade. Embora tenham sido definidos na lei novos critérios de
avaliação, estes não têm sido utilizados para refletir corretamente as diferenças
a nível do desempenho[28].
As deficiências do sistema de avaliação afetaram igualmente os procedimentos de
promoção e provocaram frequentes recursos judiciais de decisões em matéria de
promoção[29].
As promoções e os recrutamentos iniciais não
seguiram um calendário coerente e previsível[30],
com base numa avaliação das necessidades de pessoal e numa estratégia destinada
à sua satisfação. Entre 2009 e 2011, não foram tomadas decisões de promoção. O
consequente elevado número de vagas em alguns tribunais foi preenchido através
de destacamentos – um procedimento fora do âmbito do sistema de promoções,
assente apenas no acordo entre os presidentes dos tribunais[31]. Existem diferenças importantes quanto ao
volume de trabalho entre os tribunais de Sófia e outros no país[32], tendo estas disparidades a
nível da carga de trabalho conduzido a graves atrasos em alguns tribunais,
nomeadamente quanto à emissão de fundamentações de decisões judiciais. Estes
atrasos na publicação das fundamentações são um obstáculo real à eficiência do
processo judicial, afetando também a independência judicial: dado a elevada
carga de trabalho em muitos tribunais conduzir muitas vezes a atrasos na
emissão de fundamentações, um grande número de juízes encontra-se em infração
técnica. As associações profissionais manifestaram a preocupação de que esta
situação possibilita um tratamento subjetivo, alegando que alguns dos seus
membros foram sancionados, ao passo que, noutros casos, os atrasos quanto à
emissão de fundamentações foram tolerados pelo serviço de inspeção judicial[33]. Outras condições importantes para um processo
judicial mais eficiente e coerente consistem na existência de procedimentos e
práticas profissionais eficientes por parte da polícia, do Ministério Público e
dos tribunais. Desde 2007, a Bulgária melhorou os três códigos processuais,
abrangendo o direito penal, civil e administrativo[34]. Os resultados daí decorrentes
permitiram às forças policiais melhorar as práticas de investigação e
facilitaram a utilização de elementos de prova em tribunal. Permitiram
igualmente que os tribunais nomeassem advogados supletivos de defesa, a fim de
reduzir o risco de atrasos, e permitiram ao Ministério Público apresentar
recursos em relação a decisões judiciais para a reapreciação de processos. A Bulgária
também começou a trabalhar na elaboração de um novo Código Penal em 2010, dado
o atual código estar desatualizado e inadaptado ao combate de muitas formas
contemporâneas de criminalidade, incluindo a corrupção, os abusos de poder e a
criminalidade organizada[35].
Os trabalhos sobre o Código Penal prosseguiram a um ritmo desigual e a meta
inicial para apresentação de um primeiro projeto para debate público no início
de 2013 foi adiada. As deficiências em matéria de prática de
investigação e judicial, em especial no que se refere aos processos de
corrupção de alto nível e de criminalidade organizada grave, têm sido
salientadas pela Comissão desde 2008[36].
A Bulgária deu uma primeira resposta a estas preocupações através da introdução
do acompanhamento de um certo número de processos de interesse público por
parte do Conselho Superior da Magistratura, através de atividades de formação e
das atividades de controlo do serviço de inspeção, a fim de estabelecer se as
regras processuais tinham sido respeitadas pelos juízes. A reforma dos
procedimentos penais em 2010 foi também acompanhada por uma reorganização
estrutural das investigações policiais, a extensão das tarefas de investigação
a um grupo muito maior de agentes da polícia e a prestação da formação e a disponibilização
do equipamento necessários para o efeito. Estas medidas contribuíram para a aceleração
de alguns processos nos tribunais, mas tiveram poucos efeitos nos processos
mais importantes de corrupção de alto nível e de criminalidade organizada objeto
de acompanhamento pela Comissão. Na sequência de uma análise pormenorizada de
alguns dos principais processos, em julho de 2011, o relatório do MCV
recomendou uma análise global das estruturas organizacionais e dos processos
judiciais e a aplicação de um plano de ação, em cooperação com peritos
internacionais, sendo objeto de acompanhamento em conjunto com a sociedade
civil[37].
Estas recomendações visaram, nomeadamente, a necessidade de considerar as
diferentes instituições como parte de um conjunto, e não organismos distintos
que prosseguem as suas próprias estratégias. Em resposta, a Bulgária tomou uma
série de decisões estruturais e organizacionais que envolvem o Ministério
Público e a sua cooperação com outros organismos importantes. Essas medidas ainda
não resultaram em melhorias percetíveis nos resultados das forças policiais e
do sistema judiciário relativamente a processos de corrupção de alto nível e de
criminalidade organizada (ver infra). Além disso, as autoridades responsáveis
pela aplicação da lei e o aparelho judiciário não procederam ainda a uma
avaliação global e independente dos pontos fracos das estruturas e
procedimentos existentes. Por conseguinte, o impacto potencial das medidas
tomadas pela Bulgária neste contexto, desde o verão passado, deve ainda ser
verificado. Neste contexto, é importante sublinhar a
importância da coerência judicial. Recentemente, uma consulta no âmbito do
sistema judiciário expôs um profundo desacordo entre os juízes sobre as
condições de aplicação da detenção preventiva de arguidos em processos penais
graves. Os desacordos em áreas tão importantes suscitam preocupações de monta e
evidenciam as insuficiências existentes a nível da garantia da coerência por
parte das autoridades judiciais, sendo o Supremo Tribunal de Justiça o mais
importante interveniente neste domínio. A prossecução de uma estratégia
pró-ativa por parte do Supremo Tribunal de Justiça para identificar e
solucionar a interpretação incoerente da lei em todos os domínios pertinentes
poderá proporcionar grandes vantagens, nomeadamente em apoio da luta da
Bulgária contra a criminalidade organizada e a corrupção[38]. Além disso, a Bulgária ainda
não realizou a publicação integral das decisões dos tribunais e das
fundamentações num formato uniforme. Reforma do
sistema judiciário As deficiências em matéria de
responsabilização do sistema judiciário e de eficiência do processo judicial
devem ser relacionadas com as principais instituições que determinam os
progressos neste domínio, em especial o Conselho Superior da Magistratura e o
Ministério Público. Por estas razões, a Comissão recomendou uma reforma global
destas instituições, avaliando e melhorando as estruturas organizativas e as
práticas profissionais em matéria de processos penais graves[39]. Embora tenham sido adotadas
algumas medidas limitadas a nível do Ministério Público[40], estas recomendações estão
essencialmente ainda pendentes. A reforma do CSM tem sido alvo de uma atenção
especial, dado o mandato do atual Conselho estar a terminar. A atenção dada ao
Conselho foi intensificada quando dois membros se demitiram em 2011,
desiludidos face à incapacidade do Conselho de obter melhorias tangíveis no
plano da integridade e responsabilização judiciais e a deficiências em matéria
de transparência, no âmbito da sua organização interna. Na eleição para
substituir estes lugares, um conjunto de tribunais recusou participar, tendo
considerado que o atual Conselho tinha perdido a legitimidade para representar
o sistema judiciário. Este debate conduziu a reflexões pelo Ministério
da Justiça no que diz respeito à reforma do processo eleitoral do Conselho e a
um conjunto de contribuições provenientes do sistema judiciário e da sociedade
civil para promover uma reforma de fundo da forma como o Conselho está
organizado e é eleito[41].
Algumas das preocupações suscitadas neste contexto foram confirmadas por
peritos consultados pela Comissão[42].
As eleições para o novo Conselho, no próximo
outono, constituem uma importante oportunidade para reforçar a sua
responsabilização e legitimidade junto do sistema judiciário e do público.
Devem servir de ponto de partida para uma reforma mais profunda que assegure um
Conselho com melhor capacidade para desempenhar o seu papel constitucional. Por
estas razões, a Comissão recomendou às autoridades búlgaras que a introdução de
eleições diretas no domínio judiciário seria um passo importante para resolver
as deficiências do sistema atual. Embora o Governo búlgaro tenha aprovado em
princípio eleições diretas para o CSM, considerou que estas eleições seriam
impossíveis de organizar adequadamente no próximo outono. As alterações à Lei
relativa ao sistema judiciário, adotada em junho, incluem um importante avanço
na via da transparência do próximo processo eleitoral em sede dos domínios
parlamentar e judiciário. No entanto, os membros do domínio judiciário
continuarão a ser eleitos através de eleições indiretas, de modo que o CSM terá
de esperar mais cinco anos antes de beneficiar do recurso a eleições diretas[43]. Os primeiros relatórios
sugerem que, apesar de os requisitos de transparência constituírem um avanço
neste processo, o adiamento do recurso a eleições diretas no corrente ano
provocou a aplicação de procedimentos incoerentes e concedeu um papel dominante
aos presidentes dos tribunais na escolha dos delegados. As próximas eleições ainda constituem uma
oportunidade para escolher membros do CSM comprometidos em relação a um papel
mais ativo para o Conselho no seu próximo mandato. O Parlamento e o aparelho
judiciário podem centrar as suas deliberações em critérios como as
qualificações profissionais e educativas, a integridade e uma visão para o
futuro. A transparência deve significar uma oportunidade para os candidatos
poderem ser examinados pela sociedade civil e pelo Parlamento e o sistema
judiciário deve estar disponível para se responsabilizar relativamente às suas
opções. A fim de contribuir para o êxito do próximo
mandato do Conselho, será importante melhorar a sua estrutura, procedimentos e
organização. Os novos dirigentes do Conselho podem contribuir com um novo olhar
para o seu papel, com base numa análise exaustiva do seu atual mandato. As
ideias apresentadas por associações profissionais e pela sociedade civil, no
início do corrente ano, podem proporcionar inspiração para o novo Conselho. Um primeiro
teste serão as próximas eleições para o procurador-geral e o presidente do
Supremo Tribunal de Justiça. O novo Conselho poderá optar por tornar
emblemáticas de uma nova abordagem as eleições para os lugares da magistratura
mais importantes do país, com processos abertos e transparentes, critérios
claros e uma concorrência efetiva. II.2 Luta contra a criminalidade organizada
no período 2007-2012 Objetivo de referência 6: Aplicar uma estratégia destinada a lutar contra a criminalidade organizada, especialmente centrada nos delitos graves, no branqueamento de capitais e no confisco sistemático dos bens dos criminosos. Apresentar relatórios sobre as investigações, acusações e condenações novas e em curso nestes domínios Após a adesão, a Bulgária comprometeu-se a
demonstrar resultados positivos em matéria de luta contra a criminalidade
organizada. Este compromisso implica a demonstração da capacidade das
autoridades responsáveis pela aplicação da lei e do sistema judiciário para
investigar, intentar ações e julgar com êxito processos importantes de
criminalidade organizada, de forma a assegurar um efetivo efeito dissuasor. As
principais questões incluem o confisco sistemático de ativos, a melhoria da
prática profissional das forças policiais, do Ministério Público e dos
tribunais, bem como a criação de estruturas eficazes e o estabelecimento de uma
cooperação eficiente entre as forças policiais, o Ministério Público e outras
autoridades administrativas. As atividades desenvolvidas contra a
criminalidade organizada registaram uma intensificação em 2010, ano em que as
forças policiais assumiram um papel mais ativo e foi efetuada uma série de
reformas institucionais e processuais pendentes desde há muito. Estes esforços
permitiram criar um quadro institucional mais sólido, estabelecer melhores
procedimentos e consolidar a confiança das autoridades responsáveis pela
aplicação da lei dos outros Estados-Membros da UE na Bulgária[44]. Os recursos consagrados às
investigações policiais registaram aumentos significativos[45]. Contudo, não existem ainda
resultados convincentes em relação às fases de instrução e de julgamento para
combater eficazmente esta forma de criminalidade. Existem ainda numerosos
processos por resolver e atrasados neste domínio. A criminalidade organizada é
ainda descrita por observadores independentes como um desafio fundamental para
o Estado e a sociedade[46],
uma perspetiva partilhada pela opinião pública[47].
O quadro institucional da luta contra a
criminalidade organizada foi adaptado várias vezes desde 2007[48]. Verificou-se uma tendência
geral no sentido de uma maior especialização, de mais ações de formação e de um
controlo de segurança mais rigoroso[49].
Foram criadas, em 2010, equipas conjuntas especializadas para os processos de
criminalidade organizada no âmbito do Ministério Público a nível de cinco
tribunais distritais iniciaram os seus trabalhos, em 2012, um novo serviço
central especializado do Ministério Público dedicado à criminalidade organizada
e um novo tribunal especializado[50].
Esta abordagem está em conformidade com as recomendações formuladas em
sucessivos relatórios do MCV[51]. Estas novas estruturas especializadas a nível
das forças policiais, Ministério Público e tribunais ilustram o compromisso de
adaptação das estruturas a fim de combater a criminalidade organizada. No
entanto, ainda não conseguiram provar a sua eficácia no âmbito da investigação,
instrução e julgamento com êxito de processos importantes. Com muito poucas
exceções, o tribunal especializado tomou decisões até à data apenas em relação
a processos de menor importância, uma vez que a legislação subjacente não
permite aos tribunais dar maior prioridade aos casos mais importantes[52]. Esta situação é acentuada
pelas limitações em matéria de pessoal tanto do Ministério Público como dos tribunais.
Outra importante debilidade da lei é que não permite aos tribunais iniciar
ações contra infrações por corrupção que muitas vezes estão, na realidade,
ligadas à criminalidade organizada. Juntamente com o reforço geral dos
processos penais e a reforma das investigações policiais, estas novas
estruturas e reformas são uma demonstração clara do interesse da Bulgária em
realizar uma mudança radical a nível da luta contra a criminalidade organizada.
A obtenção de melhores resultados quanto ao
confisco de ativos constitui um elemento importante do efeito dissuasivo da
luta contra a criminalidade organizada e, igualmente, da luta contra a
corrupção. Nos primeiros anos após a adesão registaram-se poucos progressos
neste domínio, com poucos ativos caucionados e confiscados no quadro de
importantes processos de criminalidade organizada e de corrupção de alto nível.
No ano de 2011 assistiu‑se a um aumento significativo dos montantes de
ativos confiscados na Bulgária e a uma abordagem mais pró-ativa e rigorosa por
parte da comissão de confisco de ativos sob a administração de um novo diretor.
A sua demissão em 2012, motivada por um apoio político insuficiente, colocou em
dúvida a sustentabilidade desta melhoria e evidenciou a existência de
obstáculos maiores que impedem um efetivo confisco de ativos. [53] A fim de assegurar um confisco efetivo de
ativos, uma nova Lei relativa ao confisco de ativos foi adotada pelo Parlamento
em maio[54].
Esta lei prevê pela primeira vez a possibilidade de confiscar bens ilícitos
através de um processo iniciado em tribunais civis que não exige previamente
uma condenação, podendo ser lançado aquando do início de inquéritos judiciais
para um certo número de delitos graves e de determinadas infrações
administrativas. Com a adoção desta lei, que exigiu um esforço especial por
parte do Governo no Parlamento, a Bulgária respondeu positivamente às
recomendações de longa data da comunidade internacional e de muitos
profissionais búlgaros. A Comissão e os Estados-Membros incentivaram e apoiaram
esta abordagem[55].
A lei não reflete todas as recomendações formuladas nos relatórios do MCV neste
contexto[56]
e tem também umas outras lacunas potenciais que foram identificadas pelos
peritos[57].
Por forma a permitir que a nova Lei relativa ao confisco de ativos tenha um
efeito dissuasivo real, será necessário realizar um exame sistemático dos
ativos em todos os processos pertinentes e assegurar uma melhor cooperação
interinstitucional. Tal exigirá que o Ministério Público associe
sistematicamente a comissão de confisco de ativos, numa fase suficientemente
precoce da investigação, a fim de prevenir o desaparecimento de ativos. As
autoridades de controlo administrativo terão também de estabelecer uma estreita
cooperação com a comissão de confisco de ativos para identificar e definir o
perfil de processos pertinentes, dado a comissão não dispor de poderes ex-officio
para atuar por sua própria iniciativa. A coerência da jurisprudência judicial,
em especial no que se refere à inversão do ónus da prova prevista na nova lei,
irá constituir um outro elemento importante determinante da sua eficácia. Será
também importante assegurar a independência e a eficiência da futura comissão
de confisco de ativos que será criada ao abrigo da nova lei, nomeadamente
através da nomeação de membros competentes e politicamente independentes no
âmbito de um processo transparente e objetivo[58].
Muito embora a Bulgária tenha investido
consideravelmente desde 2010 para melhorar o quadro institucional e jurídico em
matéria de luta contra a criminalidade organizada, os resultados foram
limitados: poucos processos importantes de criminalidade organizada foram
objeto de condenações[59]
e houve várias absolvições em processos importantes em que os elementos de
prova do domínio público motivaram expectativas de condenações[60]. Devem ser levantadas sérias
preocupações quanto aos maus resultados da investigação de assassínios
contratados: dos 33 assassínios contratados objeto de acompanhamento pela
Comissão desde 2006, apenas foram iniciados quatro processos, apesar de algumas
investigações estarem ainda em curso[61].
Verificou-se este ano uma série de novos assassínios contratados. Neste
contexto, é importante mencionar que a Comissão recebe regularmente queixas de
cidadãos búlgaros e de investidores estrangeiros acerca da inação judiciária e
da alegada colusão com a criminalidade organizada a nível local[62]. Podem observar-se maiores
progressos em domínios ligados à cooperação da Bulgária com outros
Estados-Membros, o que levou a um certo número de medidas para resolver delitos
específicos com uma dimensão transfronteiriça, tais como o tráfico de
estupefacientes[63].
Os resultados globalmente débeis a nível do
seguimento de processos específicos não podem ser atribuídos a uma instituição
específica. A análise mostra que existem deficiências em todas as fases do
processo de investigação e judiciário a nível das forças policiais, do
Ministério Público e dos tribunais[64].
Algumas destas deficiências são de caráter sistemático, nomeadamente a
fragmentação das investigações entre vários organismos e as deficiências em
matéria de cooperação, utilização dos elementos de prova e, especificamente, em
domínios como o da proteção das testemunhas e a análise económica e financeira[65]. A Bulgária precisa de
procedimentos e práticas claros e eficazes e de melhores instrumentos de
cooperação[66]
para ter êxito em processos importantes de criminalidade organizada. Uma
avaliação global e independente do insucesso de processos, com o apoio dos
parceiros da UE, e medidas corretivas sob a forma de um plano de ação parecem
ser a forma mais óbvia de realizar progressos na matéria. As falhas sistémicas na aplicação da lei foram
recentemente demonstradas após dois condenados proeminentes terem escapado ao
cumprimento da sua pena de prisão. As autoridades búlgaras não conseguiram
deter alguns dos mais proeminentes criminosos do país após ter sido anunciada a
sentença do tribunal. Tal deve ser considerado uma falha grave do sistema. II.3 Luta contra a corrupção no período
2007-2012 Objetivo de referência 4: Realizar investigações profissionais e imparciais sobre as alegações de corrupção de alto nível e apresentar relatórios sobre a matéria. Elaborar relatórios sobre as inspeções internas de instituições públicas e sobre a publicação das declarações patrimoniais dos altos funcionários do Estado Objetivo de referência 5: Tomar medidas suplementares para prevenir e combater a corrupção, nomeadamente nas fronteiras e no âmbito da administração local Após a adesão, o MCV determinou o modo como a
Bulgária deveria demonstrar a obtenção de melhores resultados em matéria de
luta contra a corrupção. Tal envolveu a demonstração da capacidade das
autoridades responsáveis pela aplicação da lei e do sistema judiciário para
investigar, intentar ações e julgar com êxito processos por corrupção de alto
nível e para investigar patrimónios inexplicáveis. Contam-se entre os
instrumentos fundamentais um sistema de controlo dos ativos de funcionários
públicos de elevado nível, medidas para combater a corrupção a nível da aplicação
da lei, da ação judicial, nas fronteiras e em outras partes do setor público e
medidas específicas em áreas de conflitos de interesses e de contratos
públicos. Desde 2007, a Bulgária desenvolveu um quadro
administrativo global e medidas de prevenção para combater a corrupção. Estão
disponíveis instrumentos de avaliação dos riscos e foram aplicadas metodologias
específicas a domínios essenciais como as declarações de património e os
conflitos de interesses. As reformas dos serviços aduaneiros e da polícia das
fronteiras permitiram reduzir as possibilidades de corrupção nestes domínios.
No entanto, a execução tem sido desigual. Verificaram-se recuos em domínios
como a Lei da amnistia de 2009[67].
Além disso, ainda não foi seguida a recomendação da Comissão de transformar o
sistema de verificação dos bens num instrumento eficaz, que permita identificar
os casos de enriquecimento ilícito[68].
Na sua análise do quadro de luta contra a
corrupção da Bulgária, os peritos consultados pela Comissão salientaram algumas
deficiências gerais que inibem a realização de progressos neste domínio. A
Bulgária não dispõe de instituições independentes no domínio da luta contra a
corrupção com a autoridade e a obrigação de apresentar propostas e de
empreender ações[69].
Esta situação limita a sua liberdade de ação para intervir de forma pró-ativa e
garantir um controlo independente. Em consequência, muitas atividades
administrativas neste domínio tendem a ser reativas e a centrar-se apenas no
cumprimento formal. A ausência de direitos sancionatórios em alguns domínios e
de sanções eficazes em domínios em que tais direitos existem é ilustrativa da
dificuldade de esta ação surtir efeitos[70].
A fim de realizar uma mudança radical na sua
luta contra a corrupção no próximo período, a Bulgária deve ponderar a
instituição de um organismo independente com o objetivo de coordenar e prestar
assistência neste domínio. Neste contexto, seria também adequada a realização
de uma avaliação de impacto independente da estratégia nacional da Bulgária de
luta contra a corrupção e a criminalidade organizada, bem como o
estabelecimento de uma nova estratégia com indicadores mais claros e objetivos
de referência do desempenho. O grau de preocupação com a corrupção na
Bulgária é considerável: 96 % dos búlgaros consideram que a corrupção é um
problema importante e 68 % consideram que a situação neste domínio se mantém
inalterada ou se agravou em relação a 2007[71].
As perceções públicas só irão mudar quando for evidente a tomada de medidas
vigorosas em matéria de luta contra a corrupção. Corrupção de alto nível A resposta do sistema judiciário e dos
organismos de aplicação da lei relativamente aos processos por corrupção e, em
especial, aos processos por corrupção de alto nível que envolvem altos
funcionários públicos e políticos, tem constituído um dos objetivos centrais do
MCV desde 2007. A Bulgária desenvolveu uma especialização neste domínio. Na
sequência das recomendações emitidas pela Comissão[72], a Bulgária criou em 2009 uma
equipa conjunta de investigação e repressão da fraude com fundos da UE e
reforçou o seu quadro jurídico[73].
Alguns outros processos por corrupção de alto nível foram tratados por equipas
conjuntas, criadas ao mesmo tempo, que incidiram as suas atividades na
criminalidade organizada. No seguimento das outras recomendações contidas nos
relatórios do MCV[74],
a Bulgária criou em 2012 uma equipa conjunta específica tendo como tónica a
corrupção de alto nível e reorganizou a equipa conjunta em matéria de luta
contra a fraude na UE, alargando o seu mandato a vários outros domínios de
fraude com fundos públicos. Os resultados destas estruturas especializadas
são variáveis. Embora a criação de uma equipa conjunta em matéria de fraude
envolvendo a UE tenha inicialmente conduzido a um aumento do número de processos
nos tribunais, esse número voltou a diminuir em 2011[75] e a grande maioria destes
processos era de menor importância. Além disso, a análise da Comissão mostrou
um grande número de indeferimentos inexplicados e processos por concluir[76]. Os resultados do sistema judiciário no que se
refere a outros processos por corrupção revelam uma panorâmica semelhante:
embora o número de processos tenha aumentado em 2009 e 2010, verificou-se uma
descida significativa em 2011[77].
Além disso, são poucos os processos de alto nível que entram nos tribunais e
muitos desses processos progridem muito lentamente na fase de instrução, com um
número desproporcionalmente elevado de absolvições[78]. As investigações sobre
alegada corrupção e abusos de poder por parte de magistrados obtiveram uma
resposta particularmente fraca do sistema judiciário[79]. Neste contexto, devem ser expressas especiais
preocupações quanto aos contínuos atrasos e adiamentos a nível do Tribunal de
Segunda Instância em dois processos emblemáticos em matéria de fraude com
fundos da UE, em que foram proferidas penas de prisão importantes pelo Tribunal
de Primeira Instância em março e outubro de 2010. Não foi encontrada qualquer
explicação satisfatória para a razão pela qual os meios processuais disponíveis
para acelerar estes processos emblemáticos não foram ativamente utilizados pelo
sistema judiciário[80].
Os resultados dececionantes em ambas as fases de instrução e de julgamento nos
processos de corrupção de alto nível podem ser atribuídos, em grande medida, a
debilidades sistemáticas que afetam a eficiência judicial noutros domínios,
tais como o quadro jurídico, a jurisprudência judicial e a prática do
Ministério Público e das autoridades de controlo administrativo. Estes aspetos
foram definidos pela Comissão em 2011[81]
e refletiram-se igualmente na análise efetuada pelo Ministério Público em 2012.
As medidas corretivas aplicadas pelo Ministério Público[82] demonstram uma maior
compreensão no quadro do sistema judiciário de que serão necessárias alterações
substanciais a nível da prática profissional e da organização para melhorar os
resultados da Bulgária em matéria de luta contra a corrupção de alto nível. Estas medidas devem ser integradas num esforço
jurídico e institucional global na Bulgária para melhorar a forma como os processos
por corrupção são objeto de ações judiciais, tal como recomendado no âmbito do
MCV em 2011[83].
Tal irá exigir uma ação coordenada em várias áreas. Em primeiro lugar, a
Bulgária deve considerar a introdução de alterações legais a fim de facilitar a
instauração de processos judicias por delitos de corrupção[84]. Em segundo lugar, as
autoridades de controlo administrativo devem adotar uma atitude pró-ativa para
identificarem processos e meios eficazes de cooperação com o sistema
judiciário. Em terceiro lugar, os investigadores policiais e os magistrados do
Ministério Público têm necessidade de desenvolver a capacidade de análise de
dados económicos e financeiros complexos. Por último, o Ministério Público deve
igualmente poder planear de forma adequada e orientar investigações complexas
até ao seu encerramento com êxito e o sistema judicial tem necessidade de
melhorar a capacidade dos juízes para poderem apreciar os elementos de prova
económicos e financeiros, alinhar a jurisprudência e incentivar a aplicação de
sanções dissuasivas através da ação judicial. Neste contexto, será importante
estabelecer uma estreita cooperação operacional entre a equipa conjunta
especializada na luta contra a corrupção e o serviço do Ministério Público
especializado na criminalidade organizada. Apesar dos vários instrumentos jurídicos e
processuais desenvolvidos para lutar contra a corrupção de alto nível, as
dificuldades persistentes de tais processos nos tribunais levantam questões
acerca da capacidade e determinação do sistema judiciário. Os processos por
corrupção de alto nível envolvem, normalmente, personalidades públicas
influentes; constituem, por conseguinte, um teste para a capacidade e a
independência do sistema judiciário da Bulgária. Dado a corrupção e a
criminalidade organizada estarem frequentemente relacionadas, as investigações
financeiras pormenorizadas são uma parte importante de qualquer investigação
neste domínio e de especial importância para detetar as ligações existentes
entre a criminalidade organizada e o mundo político. Estes aspetos não foram
objeto de uma atenção adequada na Bulgária. Será também importante colaborar de
perto com a comissão de confisco de ativos e outras autoridades de controlo
administrativo, a fim de assegurar a prossecução eficiente de processos de
corrupção de alto nível, obtendo-se resultados dissuasivos. Corrupção na administração pública Os esforços das instituições responsáveis pela
aplicação da lei em matéria de luta contra a corrupção devem ser complementados
com uma ação administrativa eficaz, a fim de assegurar a identificação de
incumprimentos das normas, a aplicação de sanções e o desenvolvimento de
medidas de prevenção. Desde 2007, a Bulgária tem desenvolvido um quadro
administrativo abrangente neste domínio. Nomeadamente, a Bulgária criou um
organismo de coordenação de alto nível para a luta contra a corrupção no âmbito
do Conselho de Ministros, a fim de controlar a aplicação da estratégia e dos
planos de ação da Bulgária neste domínio. Foram criados em 2010 dois novos organismos
administrativos, uma comissão para a prevenção de conflitos de interesses e um
organismo horizontal para promover a luta contra a corrupção. Além disso, foi
confiada aos serviços de inspeção administrativa em cada domínio de atividade
das administrações públicas a tarefa de desenvolver e acompanhar as atividades
de prevenção e os instrumentos de avaliação de riscos, devendo igualmente
aplicar sanções disciplinares, caso se revele necessário. Este enquadramento é
completado pelo serviço nacional de auditoria, encarregado do controlo dos bens
dos funcionários públicos. Com o auxílio deste enquadramento
administrativo abrangente, a Bulgária tem podido assegurar um conjunto de
realizações em matéria de prevenção e de repressão da corrupção desde 2007. Os
instrumentos de avaliação de riscos e os códigos de ética foram desenvolvidos e
aplicados na maioria das áreas da administração; foi criado um sistema de
declarações periódicas de conflitos de interesses, incompatibilidades e ativos
dos funcionários públicos e algumas instituições, tais como as alfândegas, as
autoridades fiscais e a polícia de fronteiras, realizaram reformas estruturais,
dando uma especial atenção à integridade e à prevenção da corrupção. No entanto, há ainda um conjunto de lacunas
importantes que a Bulgária deve colmatar, a fim de realizar uma mudança radical
em matéria de dissuasão da corrupção e de melhoria do grau de confiança dos
cidadãos búlgaros nas instituições públicas. O sistema de controlo de ativos
com base no qual o serviço nacional de auditoria recolhe e publica declarações
de património é um contributo útil para a transparência, mas a verificação das
declarações está aquém das expectativas e o sistema não prevê qualquer
possibilidade para a deteção de enriquecimento ilícito. Foram comunicados
poucos casos de seguimento concreto por outras autoridades de incoerências
existentes nas declarações[85].
A recomendação da Comissão de incluir a verificação de ativos na nova Lei
relativa ao confisco de ativos não foi acatada[86].
O facto de só alguns destes processos serem objeto de investigação sugere
fortemente que existe uma lacuna neste âmbito e que parte da máquina
administrativa precisa de assumir uma responsabilidade explícita para
investigar de forma pró-ativa o enriquecimento ilícito. A Bulgária adotou uma Lei relativa aos
conflitos de interesses em 2009 e criou uma autoridade administrativa incumbida
de determinar e sancionar os conflitos de interesses[87]. A criação de uma comissão
específica para determinar a existência de conflitos de interesses e propor
sanções conduziu a um aumento impressionante de denúncias públicas de conflitos
de interesses e a um certo número de decisões, mas, até ao momento, apenas foi
concluído um processo[88].
Com base na avaliação dos primeiros 15 meses de ação desta comissão, revelou
tratar-se de uma nova autoridade que respondeu aos desafios e começou a
funcionar rapidamente, mas que ainda não foi capaz de se afirmar
convincentemente com base em decisões tomadas em processos importantes[89]. Devem ser igualmente levantadas
questões relativamente à eficácia da base jurídica desta comissão. As suas
decisões podem ser objeto de recurso em duas instâncias perante os tribunais e
quaisquer sanções administrativas subsequentes podem igualmente ser objeto de
recurso em duas instâncias. Como resultado deste procedimento pesado em dois
níveis, a comissão foi capaz de tomar, no total e até à data, apenas cinco
decisões penais[90].
Esta comissão tem de demonstrar a sua capacidade para emitir decisões sólidas
em processos sensíveis. As recomendações da comissão para aplicar regras no
domínio dos conflitos de interesses a contratos de prestação de serviços
específicos ainda não foram seguidas[91]. A Bulgária aplica uma metodologia de avaliação
do risco de corrupção a nível do poder executivo, sob a autoridade da
Inspeção-Geral do Conselho de Ministros. Esta metodologia pode ser considerada
um instrumento útil para a prevenção da corrupção. Contudo, a sua aplicação não
é obrigatória e a capacidade da Inspeção-Geral para a acompanhar é limitada.
Além disso, a avaliação do risco de corrupção só é obrigatória para o poder
executivo[92]
e as sanções disciplinares não foram, até à data, aplicadas em casos em que os
requisitos não foram respeitados. Deve ainda tornar-se operacional uma nova
estrutura para a avaliação dos riscos de corrupção no contexto institucional da
Bulgária («Borkor») . A fim de contribuir com um valor acrescentado, deverá
tornar-se uma forte instituição central para coordenar a luta contra a
corrupção, com autoridade para avaliar os planos das outras instituições, para
realizar uma avaliação dos riscos das declarações de conflitos de interesses ou
para atuar como um secretariado de um processo de acompanhamento independente. Contratos públicos As deficiências a nível da aplicação da
legislação em matéria de contratos públicos são uma fonte importante de
corrupção. Comprometem também a utilização eficaz dos fundos da UE e, em geral,
conduzem a uma qualidade inferior no fornecimento de bens públicos e ao
desperdício de fundos públicos. As auditorias e as avaliações realizadas por
vários serviços da Comissão permitiram identificar riscos e insuficiências
substanciais neste domínio. Desde 2007, a Bulgária envidou esforços no
sentido de melhorar o seu quadro jurídico e a ação administrativa no que diz
respeito aos contratos públicos. A Bulgária reformou a legislação em matéria de
contratos públicos com o objetivo de a simplificar e de reforçar alguns
controlos administrativos, a fim de estar em conformidade com as recomendações
da Comissão[93].
Foram conferidos poderes à agência responsável pela inspeção das finanças
públicas e ao Tribunal de Contas para efetuar controlos ex-officio e foi
alargado o requisito de a agência responsável pelos contratos públicos
verificar os concursos antes da sua publicação. Foram envidados esforços para
aperfeiçoar as competências do sistema judiciário, nomeadamente através da
especialização. Todavia, estes esforços ainda não permitiram
obter os resultados esperados. As queixas recebidas pela Comissão relativas ao
sistema de contratos públicos da Bulgária continuam a aumentar[94] e há casos flagrantes de
violações graves das regras da UE relativas aos contratos públicos. Embora
tenha sido disponibilizado pessoal adicional no corrente ano[95], os recursos consagrados às
autoridades adjudicantes continuam a ser insuficientes. Será importante que a
Bulgária aplique eficazmente novos procedimentos de controlo. O direito
conferido à agência responsável pelos contratos públicos de realização de
controlos ex-officio constitui assim uma mensagem importante no sentido
da expectativa da aplicação de uma abordagem baseada na análise dos riscos mais
pró-ativa por parte de todos os organismos de controlo. III. Próximas etapas
A avaliação da Comissão revela que a Bulgária
realizou progressos nos cinco anos decorridos desde a sua adesão à UE. O MCV
deu uma contribuição positiva para estes progressos. A Comissão considera que a
Bulgária está no bom caminho para atingir os objetivos constantes do MCV, desde
que intensifique o processo de reformas. O aprofundamento das reformas irá
requerer uma maior apropriação do processo de reformas, em especial a nível da
liderança do sistema judiciário. Será igualmente necessário que as autoridades
apliquem uma clara orientação comum e uma abordagem global para a execução das
reformas, conjugando os trabalhos das diferentes instituições de forma mais
eficaz do que no passado. Tal implica um maior esforço para demonstrar que a
integridade constitui um valor e que a corrupção e a criminalidade organizada
são efetivamente punidas. O MCV deve prosseguir a sua aplicação, a fim de
apoiar estes esforços e manter a dinâmica de mudança no sentido de um processo
de reformas sustentável e irreversível – um processo suficientemente forte que
consiga dispensar a intervenção externa do MCV. Nos últimos cinco anos tem-se revelado que a
Bulgária pode realizar progressos significativos quando o rumo político é
claro. Foram criados muitos dos instrumentos adequados. A fase seguinte será a
utilização destes instrumentos, a fim de conduzir e aplicar o processo de
reformas, o que permitirá progredir no sentido da satisfação dos requisitos do
MCV e constituirá uma demonstração perante o povo búlgaro dos compromissos
assumidos. Todos os Estados-Membros têm obrigações e oportunidades no espaço de
liberdade, de segurança e de justiça e a Comissão aguarda com expectativa que a
Bulgária conclua o processo de reformas específico no âmbito do MCV e que
aborde estas questões na mesma base que os outros Estados-Membros. Reconhecendo que a Bulgária necessita agora de
aplicar o que foi decidido, evitando quaisquer recuos e demonstrando a
realização de sólidos resultados, a Comissão decidiu apresentar a sua próxima
avaliação no final de 2013, o que permitirá dispor-se do tempo necessário para
avaliar resultados concretos. A Comissão irá igualmente pôr termo à prática de
emissão de relatórios de balanço intercalares. No entanto, a Comissão irá
acompanhar estreitamente os progressos realizados ao longo deste período, com
deslocações regulares e debates frequentes com as autoridades búlgaras, bem
como com outros Estados‑Membros. IV. Recomendações A fim de manter o ritmo de progresso, a
Comissão convida a Bulgária a tomar medidas nos domínios indicados
seguidamente, com base nas recomendações destinadas a ajudar a Bulgária a
centrar os seus esforços no processo de reformas com vista à próxima avaliação
da Comissão dos progressos realizados no âmbito do MCV, a apresentar no final
de 2013. 1. Reforma do sistema
judiciário –
Renovar o Conselho Superior da Magistratura, com um
mandato para a realização de reformas fundamentais. –
Estabelecer e executar uma estratégia de médio
prazo em matéria de recursos humanos do sistema judiciário, com base numa
análise das necessidades e da carga de trabalho, com as alterações que se
impõem na estrutura dos tribunais, recrutamento e formação. –
O novo Procurador-Geral deve ter um mandato para
reformar o Ministério Público a nível da estrutura, procedimentos e
organização, com base numa auditoria funcional independente e em cooperação com
peritos externos. –
Definir uma meta para a conclusão dos trabalhos
sobre o novo Código Penal e para a sua aplicação. –
Assegurar a abertura da participação de todas as
ONG e organizações profissionais significativas na definição e acompanhamento
das estratégias de reforma. 2. Independência,
responsabilização e integridade do sistema judiciário –
Centrar os trabalhos do serviço de inspeção na
integridade e na eficiência judicial. Definir um único sistema eficaz de
atribuição aleatória dos processos para utilização a nível nacional. –
Assegurar que a eleição do Procurador-Geral
constitui um exemplo de um processo transparente, concorrencial e baseado em
critérios de integridade e eficácia. –
Tornar a transparência, a objetividade e a
integridade as principais prioridades nas avaliações, promoções, nomeações e
decisões disciplinares do sistema judiciário. 3. Eficiência do
processo judicial –
Estabelecer uma estratégia para reduzir os atrasos
verificados na publicação de fundamentações de processos e analisar o modo como
resolver este problema. –
Eliminar lacunas na aplicação efetiva das decisões
judiciais, tais como a subtração à justiça para escapar a penas de prisão ou a
não aplicação de sanções financeiras definidas pelos tribunais. –
Adotar uma estratégia para melhorar a coerência
jurídica, incluindo uma estratégia pró-ativa do Supremo Tribunal de Justiça, a
fim de identificar e decidir em áreas em desacordo. 4. Luta contra a
criminalidade organizada –
Assegurar que a nova comissão de confisco de ativos
é nomeada por motivos de integridade, bem como que outras autoridades,
nomeadamente o Ministério Público, cooperem plenamente com os seus trabalhos; e
que o Supremo Tribunal de Justiça decida rapidamente para preservar a sua
autoridade, se tal se revelar necessário; –
Efetuar uma análise independente do insucesso dos
processos, abrangendo as deficiências a nível da investigação e da ação penal,
incluindo a proteção de testemunhas, a análise económica e financeira, a
recolha de elementos de prova pelas forças policiais e a cooperação entre o
sistema judiciário e o poder executivo. –
Nesta base, resolver as deficiências a nível da
estrutura, gestão, pessoal, formação, cooperação e prática profissional. 5. Luta contra a
corrupção –
Utilizar a experiência com anteriores processos, a
fim de melhorar o desempenho das forças policiais, do Ministério Público e dos
tribunais. –
Realizar uma avaliação independente de impacto da
estratégia nacional de luta contra a corrupção da Bulgária. Confiar a uma única
instituição a tarefa de coordenar a luta contra a corrupção, a fim de prestar
assistência e coordenar os esforços em diferentes setores, apresentar
relatórios sobre os resultados da estratégia de luta contra a corrupção em
todos os organismos públicos e apoiar um novo sistema de acompanhamento
independente com a participação da sociedade civil. –
Alterar a Lei relativa aos conflitos de interesses, a fim de permitir a
aplicação efetiva de sanções dissuasoras. Rever o sistema de declaração e de
verificação dos bens, por forma a torná-lo um instrumento eficaz, que permita
identificar os casos de enriquecimento ilícito. [1] Conclusões
do Conselho de Ministros de 17 de outubro de 2006 (13339/06); Decisão da
Comissão de 13.12.2006 que estabelece um mecanismo de cooperação e de verificação
dos progressos realizados na Bulgária relativamente a objetivos de referência
específicos nos domínios da reforma judiciária e da luta contra a corrupção e a
criminalidade organizada (C (2006) 6570 final). [2] Previa também a possibilidade de um mecanismo de medidas
de salvaguarda, que não teve de ser invocado. [3] As conclusões do Conselho Europeu de 28 e 29 de junho
incluem um compromisso por parte da UE no âmbito do Pacto para o Crescimento e
o Emprego no sentido da resolução dos atrasos verificados no sistema
judiciário, como parte integrante do processo de modernização da administração
pública (conclusões do Conselho Europeu de 29 de junho de 2012, p. 8). [4] Sondagem Flash Eurobarómetro realizada pela
Comissão na Bulgária em maio de 2012 (Flash Eurobarómetro n.º 351 «Mecanismo de
cooperação e de verificação para a Bulgária e a Roménia» em: http://ec.europa.eu/public_opinion/index_en.htm
). [5] Flash Eurobarómetro n.º 351. [6] Os parâmetros de referência incluem os trabalhos do
Conselho da Europa, da OCDE e das agências das Nações Unidas. [7] Os peritos a que recorreu em 2012 incluíam profissionais
experientes de França, Alemanha, Irlanda, Polónia, Espanha, Eslovénia e Reino
Unido. [8] Relatório técnico, p. 36. [9] Estas conclusões são confirmadas pela perceção do
público. 71 % dos inquiridos numa sondagem Flash Eurobarómetro realizada na
Bulgária creem que a ação da UE, através do MCV, tem tido um impacto positivo
na resolução de deficiências do sistema judiciário. 67 % partilham deste ponto
de vista relativamente à corrupção e 65 % relativamente à criminalidade
organizada. Ao mesmo tempo, a maioria considera que a situação nestes domínios
se manteve na mesma ou se deteriorou nos últimos cinco anos. (Flash
Eurobarómetro n.º 351). [10] O Conselho Superior da Magistratura está estruturado de
acordo com a Constituição (relatório técnico, p. 4, nota 6). [11] O CSM é assistido nestas áreas pelo serviço de inspeção do
sistema judiciário, pelos presidentes dos tribunais e pela instituição de
formação judiciária da Bulgária, o Instituto Nacional da Justiça. [12] Estatísticas do TEDH mostram que a Bulgária regista o
número mais elevado de decisões do TEDH de todos os Estados-Membros da UE, cuja
execução está pendente. Para uma grande maioria, estas decisões referem-se à
duração excessiva dos processos penais e à falta de uma solução eficaz. Outros
elementos dizem respeito a investigações ineficazes e a uma utilização
excessiva de armas de fogo pelas forças policiais. (Conselho da Europa:
Acompanhamento da execução das decisões do TEDH, relatório anual de 2011: http://www.coe.int/t/dghl/monitoring/execution/Source/Publications/CM_annreport2011_en.pdf
[13] Os membros do contingente parlamentar do CSM são eleitos
por maioria simples, enquanto os inspetores são eleitos por uma maioria de dois
terços. [14] Ver o relatório técnico, p. 5 e nota 7. [15] Ver o relatório técnico, p. 18. [16] Mais recentemente, COM(2011)459 final, p. 8. [17] Os relatórios da Comissão no âmbito do MCV de 20 de julho
de 2011 (COM (2011) 459 final, p. 4) e de 8 de fevereiro de 2012 (COM(2012)57
final, p. 2) salientaram as preocupações sobre a transparência e a objetividade
das nomeações judiciais superiores neste contexto (ver o relatório técnico, pp.
6 e 14). [18] Na sequência de acusações de influência e de parcialidade
no quadro de processos de criminalidade organizada por parte de um membro do
Governo, os juízes do Tribunal da Cidade de Sófia recorreram para o CSM em
fevereiro para proteger a independência judicial e apurar os factos no âmbito
deste processo. O juiz acusado intentou também uma ação por difamação. O juiz
foi posteriormente expulso do sistema judiciário pelo CSM em 12 de julho, por
retardar as fundamentações no quadro de um processo judicial, o que levou a
saídas intempestivas e a protestos em vários tribunais, incluindo por um grande
número de juízes do Supremo Tribunal de Justiça. [19] Contudo, peritos independentes consultados pela Comissão
expressaram preocupações com a falta de separação das funções no quadro do
Conselho (relatório técnico, p. 13, nota 49). [20] Houve pouca atividade disciplinar antes de 2007 e até à
criação de um serviço de inspeção independente. Globalmente, o CSM tomou
decisões relativamente a 179 processos disciplinares entre outubro de 2007 e
dezembro de 2011. O número de sanções aumentou de 15 em 2008 e de 24 em 2009
para 34 em 2010 e voltou a diminuir para 13 em 2011. [21] O serviço de inspeção efetua controlos periódicos e
pontuais da gestão dos tribunais locais e do Ministério Público, o seguimento
de denúncias e, igualmente, a investigação de questões específicas, tais como
atrasos verificados nos processos. Até 2011, o serviço de inspeção realizou uma
avaliação completa de todos os distritos judiciais. [22] Ver o relatório técnico, p. 7. [23] Num destes dois processos, todas as sanções disciplinares
foram anuladas pelo Supremo Tribunal Administrativo. Ver o relatório técnico, pp.
14 e 15. [24] Tal foi salientado em vários relatórios do MCV, incluindo
COM(2011)459final, p. 4 e COM(2012)57final, p. 2-3. [25] Foram levantadas questões de integridade aquando das
nomeações de presidentes para vários tribunais superiores e para o serviço de
inspeção do Conselho Superior da Magistratura e relativamente a alguns dos
membros deste. (Relatório técnico, pp. 6 e 14 e COM(2011)459final, p. 4). [26] Por exemplo, a resolução de deficiências no sistema de
afetação aleatória dos tribunais, no caso de a verificação do serviço de
inspeção não ter ainda conduzido à tomada de medidas corretivas concretas (ver
o relatório técnico, pp. 7 e 19). [27] A população búlgara tem a perceção mais negativa de todos
os Estados-Membros relativamente à prevalência da corrupção no setor
judiciário. Em setembro de 2011, 76 % de todos os inquiridos na Bulgária
consideraram que a corrupção está generalizada no setor judiciário. Esta
perceção melhorou, no entanto, ligeiramente desde 2009. (Eurobarómetro especial
n.º 374 em matéria de perceção da corrupção na UE, publicado em fevereiro de
2012). [28] Ver o relatório técnico, p. 13. Por exemplo, o CSM
reconheceu que as avaliações efetuadas em 2011 atribuíram a nota de «muito bom»
a 98 % de todos os magistrados. [29] A decisão de promoção do CSM foi anulada em maio pelo
Supremo Tribunal Administrativo, dado os resultados académicos do candidato
tidos em conta pelo CSM neste contexto terem sido considerados inadequados. [30] Ver o relatório técnico, p. 13, nota 46. [31] De facto, os destacamentos igualam as promoções e dizem
principalmente respeito a tribunais e ao Ministério Público em Sófia. Em 2011,
o número total de juízes e de magistrados do Ministério Público destacados foi
de 265 em comparação com 294 lugares propostos para promoção e transferência no
mesmo ano. [32] De acordo com as estimativas de profissionais, a carga de
trabalho no Tribunal da Cidade de Sófia é oito vezes mais elevada do que em
outros tribunais de primeira instância, sendo pior a situação no Tribunal
Regional de Sófia. As reafetações de lugares permaneceram modestas com 20 a 30
transferências, em média, por ano (relatório técnico, p. 14). Não foram ainda
adotadas quaisquer decisões de encerramento da totalidade de tribunais e de
redistribuição de pessoal. [33] Um processo referido neste contexto é sintetizado na nota
18. [34] Um novo Código do Processo Civil foi adotado em julho de
2007, o Código do Processo Administrativo foi alterado em 2007 e 2011 e o
Código do Processo Penal foi alterado em 2010. Ver o relatório técnico, pp. 10-12.
[35] Ver o relatório técnico, p. 9. [36] Ver o relatório técnico, p. 16. [37] COM(2012)459final, p. 8, recomendação f e g. [38] O Supremo Tribunal de Justiça emitiu apenas cinco decisões
interpretativas relativas à criminalidade organizada e a infrações por corrupção
entre 2007 e 2011. [39] Estas recomendações foram apresentadas pela Comissão nos
pontos 1 e 3 da página 8 do relatório do MCV adotado em 20 de julho de 2011
(COM(2011)459). [40] Por exemplo, o Ministério Público criou dois novos
departamentos para a luta contra a criminalidade financeira e um departamento
para a justiça de menores. A Bulgária tem ainda de tomar medidas para reforçar
a independência interna dos magistrados do Ministério Público, a fim de
assegurar a realização de investigações independentes, objetivas e eficazes. A
Bulgária deve nomeadamente colmatar a lacuna no direito búlgaro de garantias
suficientes para a realização de uma investigação independente às infrações de
que o procurador-geral ou outros funcionários de alto nível próximos deste possam
ser suspeitos (TEDH 1108/02 Kolevi, acórdão de 5.11.2009, definitivo em
5.2.2010). [41] Foram apresentadas propostas, em fevereiro de 2012, ao
Ministério da Justiça para uma reforma global do CSM por uma coligação das mais
importantes organizações profissionais e ONG ativas no domínio da reforma
judiciária. Ver o relatório técnico, p. 16. [42] Os peritos salientaram nomeadamente a falta de separação
formal no Conselho entre os domínios dos delegados do Ministério Público e dos
juízes. Esta questão foi anteriormente sublinhada em pareceres da Comissão de
Veneza do Conselho da Europa, tal como o forte papel político nas nomeações. [43] As candidaturas serão publicadas dois meses antes da data
das eleições e as audições públicas de todos os candidatos serão organizadas
para permitir o controlo público. No outono, serão organizadas eleições
indiretas com um número duplo de delegados. As eleições diretas estão previstas
para as próximas eleições do Conselho em 2017. [44] A Europol registou progressos a nível da cooperação da
Bulgária com as instituições responsáveis pela aplicação da lei de outros
Estados-Membros da UE, o que permitiu realizar várias operações conjuntas
bem-sucedidas. [45] Os investigadores policiais passaram de 2 000 em 2010 para
6 000 em 2011 e devem atingir um total de 8000. (SEC(2011)967final, p. 18). [46] A Europol considera a criminalidade organizada na Bulgária
como um fenómeno único na UE, na medida em que exerce uma influência
considerável sobre a economia, o que a torna uma plataforma com capacidade para
influenciar o processo político e as instituições do Estado. O volume de
negócios anual das doze atividades de criminalidade organizada mais importantes
na Bulgária é estimado em 1,8 mil milhões de EUR, ou seja, 4,8 % do PIB anual.
(Avaliação da ameaça da criminalidade organizada grave 2010-2011. Centro para o
Estudo da Democracia, Sófia, abril de 2012, p. 5) A Europol observa também que
o número de processos iniciados na Bulgária, embora em aumento, continua a ser
reduzido em comparação com a dimensão da criminalidade organizada. [47] 96 % dos inquiridos numa sondagem Flash Eurobarómetro
realizada na Bulgária em maio de 2012 consideraram que a criminalidade
organizada constituía um problema importante. (Flash Eurobarómetro n.º 351). [48] Relatório técnico, p. 31. [49] O reforço global das investigações policiais em 2010 teve
também um efeito positivo sobre a capacidade das forças policiais neste
domínio. [50] Relatório técnico, p. 32. [51] COM(2009)402 final, p. 7; COM(2010)400 final, p. 8;
COM(2011)459 final, p. 9. [52] O Código Penal da Bulgária define a criminalidade
organizada como infrações penais cometidas por três ou mais pessoas. [53] Relatório técnico, p. 34. [54] Um recurso constitucional foi registado no início de
julho. [55] Após um primeiro fracasso no Parlamento em julho de 2011 e
as recomendações da Comissão para o relançamento da adoção da lei em dois
relatórios consecutivos do MCV, vários embaixadores de Estados-Membros
intervieram publicamente em apoio da lei em maio e a Comissão prestou
aconselhamento relativamente a alguns aspetos da lei. [56] Encontram-se em falta, em especial, o controlo de ativos
de altos funcionários e políticos e um direito ex-officio da comissão de
confisco de ativos. [57] Relatório técnico, p. 35. [58] Os membros da nova comissão serão eleitos pelo Parlamento,
Governo e Presidente. [59] São exceções notáveis os casos de Dimitar Zhelyazhkov,
Plamen Galev e Angel Hristov. [60] Desde julho passado, quatro processos importantes foram
finalmente absolvidos pelo Supremo Tribunal de Justiça: o processo do chamado
«grupo do crocodilo», o processo dos «irmãos Margin» e os processos de Ilian
Varsanov e Dimitar Vuchev. As absolvições são, além disso, referenciadas no
COM(2011)459 final, p. 5. [61] É geralmente aceite que houve cerca de 150 assassínios
contratados ao longo dos últimos 10 anos, muito poucos dos quais foram
esclarecidos e objeto de condenações. [62] Trata-se, nomeadamente, da região do mar Negro. [63] Uma figura importante do mundo da criminalidade organizada
foi detida em maio e será extraditada para julgamento num outro Estado-Membro
da UE. Uma grande apreensão recente de estupefacientes foi consequência da
cooperação entre a Bulgária, vários outros Estados-Membros e a Europol. [64] Ver o relatório técnico, p. 30. [65] Não existem informações sobre ativos caucionados ou
confiscados em relação com processos iniciados pelo novo serviço especializado
do Ministério Público para a criminalidade organizada. Um importante processo
de branqueamento de capitais foi iniciado recentemente relativamente a Plamen
Galev e Angel Hristov. [66] As propostas apresentadas pelos peritos, com base nas
práticas de outros Estados-Membros, incluíam a apresentação periódica de
relatórios pelos quadros superiores do Ministério Público e das forças
policiais e a criação de um registo central das contas bancárias para facilitar
a investigação financeira. [67] A Lei de amnistia de 2009 conduziu a 458 processos
interrompidos, incluindo nos domínios do abuso de poder e da utilização
indevida de fundos públicos. [68] COM(2011)459 final, p. 10. [69] Com exceção do serviço nacional de auditoria, todas as
autoridades neste domínio estão subordinadas ao poder executivo. [70] O serviço nacional de auditoria e a comissão de conflitos
de interesses não podem aplicar sanções, se a cooperação for recusada. Os
serviços de inspeção têm o direito de aplicar sanções por incumprimento das
regras de prevenção da corrupção, mas na realidade não exerceram este direito. [71] Flash Eurobarómetro n.º 351 de julho de 2012. [72] Em 2009, a Comissão recomendou à Bulgária a criação de
estruturas especializadas para a ação judicial e o julgamento de processos de
alto nível por corrupção e criminalidade organizada. (COM(2009)402 final, p. 7. [73] As alterações ao Código Penal em maio de 2008 permitiram a
admissão em tribunal de elementos de prova facultados pelo Organismo Europeu de
Luta Antifraude (OLAF). [74] COM(2011)459 final, pp. 8-9. [75] As condenações em processos por fraude envolvendo a UE
aumentaram de forma constante de zero em 2007 para um pico de 243 condenações
em 2010 e diminuíram novamente para 159 em 2011. Todas as acusações por fraude
envolvendo a UE registadas em 2011 deixaram de ser processos penais e passaram
a ser infrações administrativas. (COM(2012)57 final, p. 6). [76] Nos seus relatórios de julho de 2011 e fevereiro de 2012,
a Comissão aponta para um grande número de processos interrompidos em que
aspetos conexos foram objeto de ação judicial noutro Estado-Membro
(COM(2011)459final, p. 6; COM(2012)57 final, p. 6). [77] Investigações recém-iniciadas na fase de instrução para
delitos de corrupção: 512 em 2007, 490 em 2008, 595 em 2009, 684 em 2010 e 522
em 2011. [78] Desde a última análise da Comissão em julho de 2011, foram
proferidas sentenças em cinco processos de alto nível e, em dois deles,
sentenças definitivas. Foram pronunciados condenações definitivas a penas de
prisão em dois processos relativos a um antigo deputado e a um antigo diretor
de uma empresa pública, tendo a execução de uma pena sido suspensa. No mesmo
período, dez processos foram objeto de absolvição, envolvendo três antigos
ministros, um antigo ministro-adjunto e outros altos funcionários, gestores de
empresas públicas e empresários. [79] Ver p. 7. [80] Em ambos os processos, a existência de muitos dos atrasos
significa que as condenações em primeira instância proferidas em 2010 quase não
progrediram em segunda instância. (Relatório técnico, p. 20, nota 80). [81] Relatório técnico do MCV de 20 de julho de 2011
(SEC(2011)967 final), p. 12. [82] Ver o relatório técnico, pp. 16-17. [83] Para o efeito, a Comissão recomendou que a Bulgária proceda
a uma auditoria global da prática judicial, dos processos e da organização e
estabeleça um plano de ação pormenorizado, com o apoio de peritos
internacionais. (COM(2011)459 final, recomendações nos pontos 3 e 6, pp. 8 e 9) [84] Ver o relatório técnico, p. 9. [85] As declarações são controladas automaticamente por um
programa informático face a alguns outros dados disponíveis, tais como as
declarações fiscais, mas não existe qualquer definição de perfis de risco,
qualquer acesso a dados bancários, qualquer comparação com as declarações de
anos anteriores e, portanto, qualquer possibilidade de acompanhamento de
enriquecimento inexplicável. [86] A Comissão recomendou à Bulgária: «adotar legislação que
preveja o confisco de bens não baseado na condenação e o controlo ex officio
dos bens dos altos funcionários, dos magistrados e dos políticos, e apresentar
resultados satisfatórios neste domínio» (COM(2011) 459 final, p. 9). [87] A Bulgária adotou uma lei em 2009 e, seguidamente, criou
em 2011 a comissão para a prevenção e verificação de conflitos de interesses,
na sequência da suspensão dos fundos da UE no verão de 2008, que foi motivada
nomeadamente por vários casos de conflitos de interesses e pela falta de
proteção dos fundos da UE neste domínio (relatório técnico, p. 27; ver
igualmente COM(2008)496final «Relatório sobre a gestão dos fundos da UE na
Bulgária»). [88] Ver o relatório técnico, p. 27. [89] Processos recentes que foram publicamente questionados
envolvem o anterior presidente da comissão de confisco de ativos e o antigo
presidente e um antigo membro da comissão para a defesa dos consumidores. [90] Outras deficiências evidenciadas pelos peritos incluem,
nomeadamente, a incapacidade de investigar denúncias anónimas e de aplicar
sanções administrativas em caso de apresentação de declarações incorretas (ver
relatório técnico, p. 27). [91] (COM(2011)459 final, recomendação V, p. 10) Os contratos
de serviço individuais são, atualmente, baseados na Lei relativa às obrigações
e contratos e, por conseguinte, escapam à legislação do trabalho e às suas
disposições em matéria de conflitos de interesses e incompatibilidades. [92] A avaliação do risco de corrupção não é obrigatória para o
Parlamento, o sistema judiciário, as administrações autónomas locais, as
agências públicas, os institutos públicos, os serviços de utilidade pública e
os fundos públicos. [93] COM(2011)459 final, p. 10. [94] No domínio dos contratos públicos, a Comissão recebeu 4
queixas ao longo de 2008 e 2009 e 26 queixas no decurso de 2010 e 2011. [95] A agência responsável pelos contratos públicos recebeu 10
lugares adicionais no corrente ano, principalmente para exercer funções
adicionais de controlo ex-ante.