COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Melhorar a ajuda da UE aos países em desenvolvimento mediante a mobilização de financiamento para o desenvolvimento. Recomendações com base no relatório de 2012 sobre a responsabilidade da UE em matéria de financiamento do desenvolvimento. /* COM/2012/0366 final */
ÍNDICE 1........... Introdução...................................................................................................................... 2 2........... Apoio da UE para reforçar as
finanças públicas dos países em desenvolvimento.............. 3 2.1........ Maior mobilização dos rendimentos
internos.................................................................... 3 2.2........ Manutenção de níveis de dívida
sustentáveis.................................................................... 4 3........... Incentivar fluxos privados
internacionais para o desenvolvimento...................................... 5 3.1........ O comércio enquanto motor de
desenvolvimento............................................................. 5 3.2........ O impacto das remessas sobre o
desenvolvimento........................................................... 6 4........... Financiamento oficial para
objetivos globais..................................................................... 6 4.1........ Reforço da assistência oficial ao
desenvolvimento............................................................ 6 4.2........ Contabilização de toda a APD........................................................................................ 7 4.3........ Aumentar o financiamento da luta
contra as alterações climáticas e da preservação da biodiversidade no contexto
mais vasto do desenvolvimento sustentável...................................................................... 7 5........... Alavancar o financiamento do
desenvolvimento e procurar sinergias................................. 8 5.1........ Fontes de financiamento inovadoras................................................................................ 8 5.2........ Instrumentos de financiamento
inovador e envolvimento do setor privado......................... 9 5.3........ Reforço de sinergias entre
diferentes fontes de financiamento......................................... 10 6........... Tornar as ações da UE mais
eficazes: Execução de Busan a nível de país....................... 10 6.1........ Quadros de resultados a nível do
país........................................................................... 10 6.2........ Quadros de responsabilidade mútua.............................................................................. 11 6.3........ Fragmentação reduzida................................................................................................. 11 7........... Conclusões................................................................................................................... 12 COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO
EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS
REGIÕES Melhorar a ajuda da UE aos países em
desenvolvimento mediante a mobilização de financiamento para o desenvolvimento.
Recomendações com base no relatório de
2012 sobre a responsabilidade da UE em matéria de financiamento do
desenvolvimento. 1. Introdução A UE tem sido constantemente a força motriz na
mobilização da ajuda internacional para o desenvolvimento: é o maior doador de
ajuda e o primeiro em termos de eficácia da ajuda, o maior mercado e o mais
aberto para os países em desenvolvimento, estando na vanguarda da promoção das
três dimensões do desenvolvimento sustentável. Esta posição é o resultado de um certo número
de compromissos específicos da UE para apoiar os países em desenvolvimento nos
seus esforços. Vários destes compromissos contribuem para o objetivo global de
ajudar os países em desenvolvimento a mobilizar todas as fontes de
financiamento do desenvolvimento para atingir os seus objetivos de
desenvolvimento. A agenda internacional de financiamento do
desenvolvimento, fixada na Conferência de Monterrey[1], em 2002, e retomada na
Conferência de Doha em 2008, é um fator fundamental em todos os importantes
debates internacionais sobre as questões que exigem uma cooperação global. Os
ODM, a ação internacional da luta contra as alterações climáticas, o
desenvolvimento sustentável, as negociações comerciais internacionais — todos
estes domínios são afetados pela forma de financiar a realização dos objetivos
estabelecidos. A justo título, pois o facto de ter em conta os meios
disponíveis é indispensável para a definição de objetivos realistas. Quais são estes meios no contexto do
desenvolvimento? De longe, a principal fonte de financiamento para o
desenvolvimento à disposição dos governos é o dos rendimentos internos – este
facto também explica por que razão a principal responsabilidade pelo
desenvolvimento incumbe aos próprios países em desenvolvimento. A ajuda dos
parceiros do desenvolvimento complementa este aspeto e poderá catalisar outros
fluxos, mas não é, em si, o principal elemento para muitos países em
desenvolvimento. No entanto, são o comércio internacional, os investimentos e
as remessas dos emigrantes que podem estimular a economia real, na medida em
que as condições sejam propícias. Há igualmente saídas de capitais dos países
em desenvolvimento que devem ser tidas em conta. Ainda assim, os doadores têm um papel
importante a desempenhar no desenvolvimento, bem como a ajuda pública ao
desenvolvimento (APD). Em primeiro lugar, os doadores podem tomar medidas que
apoiam ou criam um efeito de alavanca para outros financiamentos do
desenvolvimento. Em segundo lugar, a APD é mais importante para os países mais
pobres que têm um acesso limitado a outras fontes. Estas duas considerações
também estão na base da Agenda da UE para a Mudança. Ao mesmo tempo, temos de analisar o conjunto
do financiamento do desenvolvimento — financiamentos mobilizados internamente,
as entradas e saídas internacionais de capitais — dado, na realidade, os países
em desenvolvimento terem de definir e aplicar as suas políticas de
desenvolvimento tendo em conta a combinação dos recursos disponíveis. A UE e os Estados-Membros, em contraste com
outros doadores, apresentaram vários compromissos em todos os domínios de
financiamento do desenvolvimento e acompanharam anualmente os progressos
realizados nesse sentido. A presente comunicação baseia-se nos
progressos anteriores, bem como nos novos princípios enunciados na Agenda para
a Mudança, propondo melhorias no apoio da UE para mobilizar financiamento para
o desenvolvimento. Estas propostas baseiam-se nos
dados apresentados no documento de trabalho que acompanha a presente
comunicação e nos anteriores relatórios publicados desde 2003. 2. Apoio da UE para
reforçar as finanças públicas dos países em desenvolvimento 2.1. Maior
mobilização dos rendimentos internos Os rendimentos nacionais tendem a ser a fonte
de financiamento mais importante para o desenvolvimento diretamente acessível
aos governos. Considerando que os níveis de cobrança de receitas[2] nos países em desenvolvimento,
e especialmente nos países de baixos rendimentos, estão claramente abaixo da
média mundial, esta é uma área em que devem ser feitos esforços adicionais
significativos. Os aumentos de receitas das administrações públicas podem
traduzir-se diretamente num maior investimento nas prioridades de
desenvolvimento, o que também sublinha a responsabilidade na realização de boas
despesas. Compete ao governo parceiro adotar e executar
medidas regulamentares e políticas adequadas para garantir que se concretiza o
ciclo virtuoso de cobrança de impostos - despesas para o desenvolvimento -
progresso do desenvolvimento – aumento da cobrança de impostos. Os doadores só
podem facilitar este processo se o governo parceiro estiver pronto e empenhado.
Neste espírito, a UE deve continuar a aumentar o seu apoio, a fim de reforçar a
capacidade dos sistemas fiscais, em consonância com os três princípios da boa
governação na área fiscal (transparência, intercâmbio de informações e
concorrência fiscal leal), e da gestão das finanças públicas. Ações: A
UE e os seus Estados-Membros devem integrar a administração fiscal e a justa
cobrança de impostos, incluindo a racionalização de incentivos fiscais e a boa
governação em matéria fiscal, no diálogo político com os países parceiros. Além disso, os doadores podem ajudar os países
em desenvolvimento na mobilização de receitas internas através de meios
regulamentares. Para lutar contra os fluxos de capitais ilícitos provenientes
dos países em desenvolvimento, a UE contribui para melhorar a transparência dos
fluxos financeiros internacionais, através, por exemplo, do apoio à capacidade
de identificação da utilização abusiva dos preços de transferência. Estes
esforços são complementados por iniciativas de cooperação como o reforço da
iniciativa para a transparência das indústrias extrativas e a adoção da
legislação para a apresentação de relatórios por país para as empresas
multinacionais[3].
A UE e os seus Estados-Membros devem prosseguir estas ações. 2.2. Manutenção
de níveis de dívida sustentáveis Assegurar a sustentabilidade da dívida faz
parte integrante de uma boa gestão das finanças públicas, incluindo políticas
macroeconómicas adequadas para assegurar a estabilidade. O período
prolongado de crise económica reduziu a capacidade de muitos países em
desenvolvimento para darem resposta a eventuais choques adicionais[4], ao mesmo tempo que também
reduziu a capacidade dos países desenvolvidos para alargarem o apoio. Deverão ser reforçados as capacidades de
gestão da dívida dos países em desenvolvimento e de resistência a choques
económicos. A UE e os seus Estados-Membros cumpriram os seus compromissos de
redução do peso da dívida, tendo aumentado o seu nível de envolvimento. A UE
também acompanha as finanças dos países em desenvolvimento em cooperação com o
FMI, apoiando as reformas na gestão das finanças públicas, incluindo a gestão
da dívida. Tendo em conta a maior utilização de
mecanismos de concessão de empréstimos para os países em desenvolvimento e o
aumento da parte de empréstimos dos países que não são do Clube de Paris nas
carteiras de títulos da dívida dos países em desenvolvimento, a UE e os seus
Estados-Membros deverão continuar a promover práticas responsáveis de concessão
e contração de empréstimos, incentivando a participação de todos os mutuantes
nas negociações de reestruturação da dívida. Cinco Estados-Membros tomaram
igualmente medidas específicas para evitar ações de fundos de dívida de má
qualidade relativamente a países em desenvolvimento, devendo essas medidas ser
alargadas. Ações: A UE e
os seus Estados-Membros deverão i) continuar a utilizar práticas responsáveis
de concessão de empréstimos, incluindo em operações combinadas e de crédito à
exportação, ii), incentivar a participação de não membros do Clube de Paris em
situações de renegociação da dívida e iii) tomar medidas nacionais para
restringir ações de fundos de dívida de má qualidade contra países em desenvolvimento. 3. Incentivar fluxos
privados internacionais para o desenvolvimento 3.1. O
comércio enquanto motor de desenvolvimento O comércio internacional é a maior fonte de
financiamento externo para os países em desenvolvimento. No entanto, as economias
emergentes e, de forma mais geral, os países de rendimentos médios foram
capazes de tirar maior partido do comércio internacional do que os países menos
desenvolvidos (PMD). São necessários mais esforços para integrar melhor no
sistema do comércio multilateral os PMD e outros países com maiores
necessidades. Globalmente, a UE é o maior parceiro comercial
e o mercado mais aberto para os países em desenvolvimento, representando 16% do
total das suas trocas comerciais. A UE trabalha regularmente para melhorar a
coerência e a complementaridade entre as suas políticas de comércio e
desenvolvimento[5].
Além disso, a recente comunicação sobre «Comércio, crescimento e
desenvolvimento»[6]
fixa novas orientações para a próxima década sobre formas de melhorar a contribuição
das políticas comerciais e de investimento da UE para o crescimento inclusivo e
o desenvolvimento sustentável. Tal como a Agenda para a Mudança, a nova
política comercial e de desenvolvimento da UE será baseada numa maior
diferenciação entre países em desenvolvimento, dando a prioridade aos PMD e a
outros países com maiores necessidades. A par do significativo apoio político, a ajuda
ao desenvolvimento da UE reflete igualmente este compromisso. O montante total
dos fundos de ajuda ao comércio autorizados pela UE e os Estados-Membros
elevou-se a 10,7 mil milhões de EUR em 2010. A UE e os seus Estados-Membros
excederam já em 2008 o objetivo específico de aumentar a assistência
relacionada com o comércio para 2 mil milhões de EUR por ano até 2010. A África
continua a ser o principal objetivo da ajuda da UE ao comércio (38%), mas a
parte dos PMD passou de 23%, em 2009, para 16%. Isto deve-se, em parte, a
fatores conjunturais e de programação, mas indica também a necessidade de
implementar as orientações da comunicação sobre «Comércio, Crescimento e
Desenvolvimento». Relativamente a compromissos para financiamentos futuros, a
estratégia da UE de ajuda ao comércio apresenta um compromisso de aumento da
ajuda ao comércio em coerência com o aumento gradual da ajuda global da UE. 3.2. O
impacto das remessas sobre o desenvolvimento Os fluxos globais de
remessas para os países em desenvolvimento foram estimados em 267,5 mil milhões
de EUR em 2011 e espera-se um crescimento a um ritmo de 7-8% anualmente[7]. No entanto, as
remessas da UE mantiveram o dinamismo desde 2008[8].
Embora sejam fluxos privados, estes valores sublinham o seu potencial de
impacto sobre o desenvolvimento; a realização da meta do G8 de reduzir o custo
do envio de remessas para 5% aumentaria os fundos que chegam aos países em
desenvolvimento em cerca de 11 mil milhões de EUR[9]. A nível da UE, foram realizados progressos
significativos para tornar as remessas mais baratas, mais transparentes, mais
competitivas e mais fiáveis, através de iniciativas como a transposição da
diretiva sobre os serviços de pagamento de 2007 (DSP) para a legislação
nacional da maioria dos Estados-Membros da UE, a criação por vários
Estados-Membros da UE de sítios Web de comparação de despesas com as remessas e
o apoio às capacidades dos países em desenvolvimento para maximizarem o
contributo de desenvolvimento das remessas. Como a política comercial, esta
questão é analisada com mais pormenor no relatório da UE sobre DSP. A UE
sublinhou as ações necessárias na comunicação sobre «A abordagem global da
migração e mobilidade»[10],
bem como no documento de trabalho dos serviços da Comissão que a acompanha[11]: a UE e os seus
Estados-Membros têm de implementar compromissos confirmados nas conclusões do
Conselho de 29 de maio de 2012[12],
a fim de maximizar o impacto da migração e da mobilidade sobre o
desenvolvimento . 4. Financiamento oficial
para objetivos globais 4.1. Reforço
da assistência oficial ao desenvolvimento A APD é um recurso fundamental para o
desenvolvimento, especialmente para os países mais pobres. Infelizmente, em
2011, a APD coletiva da UE diminuiu para 53,1 milhões de EUR, passando de 53,5
mil milhões de EUR em 2010. Esta redução limitada, no contexto de fortes cortes
orçamentais devido à crise económica atual a nível da UE, corresponde a um
nível de APD de 0,42% do RNB, implicando uma descida do resultado de 2010 que
foi de 0,44% do RNB. No entanto, a UE é, de longe, o maior dador de APD a nível
mundial, representando mais de metade do total da APD para os países em desenvolvimento. O Conselho dos Negócios Estrangeiros, de 14 de
maio de 2012, adotou o «Relatório anual de 2012 para o Conselho Europeu sobre
os objetivos de ajuda ao desenvolvimento da UE»[13], que exprime sérias
preocupações sobre a lentidão dos progressos realizados no sentido de atingir o
objetivo ambicioso da UE de 0,7% APD/RNB até 2015. Refletindo o forte empenho da UE para se
centrar nos mais pobres, a UE e os seus Estados-Membros assumiram igualmente
compromissos específicos para aumentar a ajuda a África e aos países menos
desenvolvidos. Desde o compromisso, em 2005, de canalizar 50% do aumento da
ajuda da UE para a África, a ajuda combinada da UE à África aumentou cerca de
6,2 mil milhões de EUR, a preços constantes, de modo que 28% do total do
crescimento da ajuda pública ao desenvolvimento da UE, entre 2004 e 2011, foi
para África. Embora aquém do objetivo, a maioria dos Estados-Membros da UE
estão a tomar medidas para aumentar a APD a África, sublinhando a importância
da parte de África em termos da respetiva APD global. Em 2011, a APD da UE à
África foi de 25,3 milhões de EUR, o que representa um valor significativo de
43% do total da ajuda pública ao desenvolvimento da UE. Também, em 2011, a UE cumpriu pela primeira
vez o seu compromisso de fornecer, no seu conjunto, pelo menos 0,15% do RNB
para os países menos desenvolvidos. A parte dos países menos desenvolvidos na
APD da UE aumentou ao longo dos anos e atingiu 35% em 2011, o que corresponde a
18,8 mil milhões de EUR ou 0,15% do RNB. 4.2. Contabilização
de toda a APD Com uma maior utilização da abordagem
diferenciada ao desenvolvimento e com o objetivo de aumentar o impacto do
financiamento, os doadores estão a utilizar mais os empréstimos como uma
ferramenta de desenvolvimento, especialmente para os países em desenvolvimento
mais avançados. Tal exige uma clarificação do modo como as condições
preferenciais dos empréstimos são determinadas na contabilização da APD, para
evitar inflacionar ou deflacionar artificialmente os dados da APD, assegurando
informações comparáveis sobre os doadores. Ação: Para este efeito, a UE e os seus
Estados-Membros deverão acordar que o método em vigor para a determinação de
condições preferenciais nos empréstimos nos relatórios sobre a APD deve ser
claramente definido no Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da OCDE, a fim de
garantir uma igualdade de tratamento entre todos os doadores. 4.3. Aumentar
o financiamento da luta contra as alterações climáticas e da preservação da
biodiversidade no contexto mais vasto do desenvolvimento sustentável O desenvolvimento sustentável, incluindo o
desenvolvimento social, o crescimento económico e a proteção ambiental, é um
desafio global fundamental. A UE está a ajudar os países em desenvolvimento a
elaborar uma abordagem inclusiva para tratar todos os seus elementos, incluindo
o trabalho digno, as normas laborais e a proteção do ambiente através de
diversas ações específicas, bem como através da respetiva integração, ao mesmo
tempo que promove uma abordagem unificada na prestação de ajuda. Na recente
Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável no Rio, a UE
renovou o seu compromisso de apoiar todos os aspetos do desenvolvimento
sustentável. Em alguns domínios, a UE assumiu compromissos financeiros
específicos. No que se refere ao financiamento da luta
contra as alterações climáticas, a UE e os seus Estados-Membros são, de longe,
o maior contribuinte, correspondendo em 2010 a mais de 70% da APD a nível
mundial tanto da APD relacionada com a atenuação como relacionada com a adaptação.
A UE continua a estar no bom caminho para atingir o objetivo de fornecer 7,2
mil milhões de EUR durante o período de 2010-2012 para financiar um arranque
rápido das ações contra as alterações climáticas, tendo desembolsado mais 2,33
mil milhões de EUR em 2011. Já foram apresentados, em maio, dados
pormenorizados sobre os progressos da UE nesta matéria[14]. A UE também reiterou o
compromisso de prestar a sua justa parte no contexto do compromisso financeiro
global a longo prazo de 100 mil milhões de USD por ano até 2020, e confirmou a
importância de uma informação transparente sobre os progressos realizados. A UE adotou igualmente a «Estratégia da UE em
matéria de biodiversidade até 2020», que reafirma o compromisso de apoiar os
países em desenvolvimento na execução de acordos internacionais no domínio da
biodiversidade, nomeadamente graças a um aumento substancial de mobilização de
recursos para este efeito. Em 2010, a APD conjunta da UE relacionada com a
biodiversidade foi de 3 mil milhões de EUR. Abordar todos estes desafios implica a
mobilização de recursos significativos de todos os domínios possíveis de
financiamento do desenvolvimento. Mas significa também que o financiamento para
estes domínios de intervenção não pode ser considerado separadamente da
política nacional de ambiente dos países parceiros, como, por exemplo, os
subsídios aos combustíveis fósseis nos países emergentes e em desenvolvimento
que se elevaram a 309 mil milhões de EUR em 2010[15] e que mais do que compensaram
os efeitos do financiamento prestado para reduzir as emissões de gases com
efeito de estufa a nível mundial. Isto mostra também que a UE deve continuar a
promover políticas tanto nos países doadores como nos países parceiros que se
reforcem mutuamente com o efeito de alavancar os melhores resultados possíveis
para o desenvolvimento. 5. Alavancar o
financiamento do desenvolvimento e procurar sinergias 5.1. Fontes
de financiamento inovadoras O «financiamento inovador» é considerado uma
importante fonte de financiamento para a maioria dos bens públicos mundiais,
incluindo a abordagem dos desafios do desenvolvimento global. Ao mesmo tempo,
dada a sua natureza inovadora, é impossível estabelecer uma lista completa das fontes
e mecanismos que entram no âmbito desta expressão. Por esse motivo, o
potencial estimado de financiamento inovador para mobilizar novos fundos varia
grandemente. A Comissão propôs um imposto sobre as
transações financeiras a nível de toda a UE, fortemente apoiada pelo Parlamento
Europeu[16],
que contribuirá, através do orçamento da UE, para abordar igualmente os
desafios globais. Embora não explicitamente orientado para o financiamento do
desenvolvimento, reduziria a parte de outros recursos do orçamento da UE, no
valor de 54 mil milhões de EUR até 2020[17],
que, por seu turno, poderia tornar mais fácil para os Estados-Membros
mobilizarem fontes de financiamento necessárias para satisfazer os objetivos de
ajuda e abordar outros desafios globais. Outra fonte potencial de importância
crescente resulta das receitas provenientes do sistema de comércio de licenças
de emissões, que alguns Estados-Membros já canalizam, em parte, para o apoio a
países em desenvolvimento. Ação: O Conselho deverá adotar a proposta
de imposto sobre as transações financeiras a nível da UE. 5.2. Instrumentos
de financiamento inovador e envolvimento do setor privado Há uma gama crescente de meios para recolher e
colocar em comum as receitas, utilizar financiamento tradicional para o
desenvolvimento e concretizar a ajuda. A participação do setor privado no
financiamento do desenvolvimento é outra forma inovadora de mobilização de
novos fundos. Em muitos países em desenvolvimento, a
expansão do setor privado é um poderoso motor do crescimento económico e a
principal fonte de criação de emprego. O
investimento estrangeiro desempenha também um papel importante, inclusivamente
através de ligações de empresas internas com mercados internacionais e através
de investimentos. Um dos principais desafios
para os governos dos países em desenvolvimento é o de assegurar um contexto que
apoia o desenvolvimento do setor privado. Tal
requer, frequentemente, reformas económicas de grande alcance com vista a
melhorar o clima de investimento e a facilitar o acesso ao financiamento. Por conseguinte, e tal como referido na Agenda da
UE para a Mudança[18],
a UE deveria continuar a apoiar os esforços dos países parceiros para melhorar
o seu ambiente empresarial, com vista a fomentar o crescimento inclusivo. A UE promove ativamente os princípios da
responsabilidade social das empresas (RSE) incluindo os direitos humanos e
laborais, parâmetros de trabalho digno, bem como a atenção para as condições
locais do ambiente. A recente comunicação da Comissão sobre a RSE[19] descreve estes aspetos em
pormenor e o Conselho assumiu compromissos específicos nas suas conclusões
sobre «Reforçar a política industrial na UE»[20].
A UE deve igualmente utilizar as suas
subvenções de forma mais estratégica e eficaz para alavancar a mobilização de
recursos públicos e privados. Metade dos Estados-Membros já está ativamente
envolvida em vários mecanismos inovadores. A UE e os Estados-Membros,
juntamente com as instituições de financiamento público europeu e
internacional, estão ativamente a colaborar através de diversos mecanismos
combinados regionais que devem continuar a ser reforçados no futuro, a fim de
exercer um efeito de alavanca nos recursos de subvenção. Tal inclui o potencial
para uma maior utilização de mecanismos de garantia, investimentos em fundos
próprios e outros tipos de financiamento inovador. Neste contexto, a UE está
atualmente a estudar com os Estados-Membros e as instituições financiadoras, a
criação de uma plataforma da UE para a cooperação externa e o desenvolvimento a
fim de maximizar o impacto dos recursos através de uma cooperação reforçada, da
coerência, do acompanhamento e do desenvolvimento de mecanismos de
financiamento inovador. Ação: A
UE, os Estados-Membros e as instituições públicas de financiamento deverão
intensificar os esforços para uma maior utilização de mecanismos de financiamento
inovador numa base coerente, coordenada e estratégica. A UE deverá atrair mais
capacidades e recursos privados através de mecanismos combinados que podem
agregar financiamento adicional público e privado: i) criar um balcão para o
setor privado no âmbito dos mecanismos combinados regionais, ii) fazer maior
utilização de mecanismos de partilha de riscos, como garantias, que podem
libertar investimentos e iii) promover investimentos, através de instrumentos
que permitam uma melhor gestão dos riscos e a participação de capital em fundos
estruturados. 5.3. Reforço
de sinergias entre diferentes fontes de financiamento Os recursos referidos nos capítulos anteriores
estão intrinsecamente ligados entre si, tal como estão os desafios globais que
aqueles devem abordar. Em última análise, cada país terá de encontrar o seu
equilíbrio entre estas prioridades na execução interna para obter o melhor
retorno em todas as frentes. No entanto, a tendência para os diferentes
domínios de intervenção «rivalizarem» face aos recursos contribui para a
fragmentação da ajuda e para menos eficácia no desenvolvimento. Esta situação
pode ser observada na sobreposição de fontes de financiamento através das quais
os diversos desafios podem ser satisfeitos, em que todas as partes rivalizam
por mais recursos nacionais e internacionais de financiamento, um aumento da
participação do setor privado e a utilização de mecanismos inovadores. Por
conseguinte, existe margem para encontrar sinergias entre todas estas
políticas. Neste contexto, a tendência para estabelecer
fronteiras entre áreas políticas e instrumentos de intervenção pode revelar-se
contraproducente. Enquanto, em teoria, comprometem as despesas em políticas
específicas, as categorias artificiais vão restringir o espaço político dos
países para afetar os recursos de acordo com o que traz melhores resultados no
contexto nacional. Embora existam sinais precoces de um consenso internacional
emergente no sentido de ser necessária uma abordagem conjunta para fazer face
aos desafios mundiais, será necessário continuar o trabalho de análise e uma
abordagem transversal a fim de evitar comprometer os objetivos políticos. Ação: A UE e os seus Estados-Membros
deverão apoiar uma abordagem integrada para o financiamento do desenvolvimento,
incluindo o acompanhamento dos seus diversos elementos, eventualmente no
contexto das discussões sobre um quadro de desenvolvimento pós-2015, devendo
estabelecer uma posição comum da UE sobre esta matéria. 6. Tornar as ações da UE
mais eficazes: Execução de Busan a nível de país Em resposta aos resultados do fórum de alto
nível sobre a eficácia da ajuda de Busan, a UE deve centrar-se na execução a
nível nacional dos compromissos em matéria de eficácia da ajuda e do
desenvolvimento, em particular através do apoio à capacidade e liderança dos
países parceiros para estabelecer prioridades e obter resultados. A UE
introduziu um amplo leque de orientações para o efeito: a posição comum da UE
para Busan, o quadro operacional sobre a eficácia da ajuda e o código de conduta
da UE sobre a complementaridade e a divisão do trabalho. Estes permanecem
válidos; no entanto, deve ser dada prioridade a algumas questões fundamentais
para uma ação coletiva da UE a nível dos países, em linha com os resultados de
Busan e em conformidade com as conclusões do Conselho sobre a Agenda para a
Mudança. 6.1. Quadros
de resultados a nível do país A tónica nos resultados foi identificada em
Busan como uma prioridade essencial. O documento final de Busan afirma que
todos os parceiros de desenvolvimento devem basear-se, na medida do possível,
em quadros de resultados realizados a nível nacional e sob a orientação de cada
país como um instrumento comum para acompanhar os resultados e as realizações
resultantes dos objetivos de desenvolvimento dos países parceiros. É ainda necessário um trabalho considerável no
estabelecimento e utilização de quadros de resultados a nível de cada país.
Embora reconhecendo a liderança dos países parceiros, a UE deve assumir um
papel ativo nesse processo em coordenação com as iniciativas existentes. A ação
coletiva da UE deve seguir a abordagem de quadros de responsabilidade mútua
estabelecidos no quadro operacional da UE, nomeadamente as delegações da UE
iniciarem discussões para apoiar os quadros existentes e desenvolver novos em
conjunto com os Estados-Membros, os países parceiros e outros intervenientes. 6.2. Quadros
de responsabilidade mútua Os quadros de responsabilidade mútua a nível
nacional são ferramentas essenciais para promover a execução dos compromissos
em matéria de eficácia da ajuda e do desenvolvimento no terreno. Estes são
igualmente suscetíveis de contribuir para qualquer futuro acompanhamento no
âmbito da Parceria Global para uma cooperação ao desenvolvimento eficaz. Todo o potencial dos quadros de
responsabilidade mútua deve ainda ser explorado; assim, é oportuno o apoio
coletivo da UE para reforçar ou estabelecer estes quadros. Este apoio deverá
ser fornecido sob liderança do país parceiro, em coordenação com outros
processos e intervenientes, e tendo em conta o esperado papel de apoio dos
gabinetes locais do PNUD. A UE deve dar especial ênfase à forma de tratar
nestes quadros as prioridades dos países parceiros em relação a Busan,
incluindo a utilização de sistemas nacionais e desenvolvimento das capacidades. 6.3. Fragmentação
reduzida Os parceiros de desenvolvimento
comprometeram-se em Busan a aumentar a utilização de mecanismos de coordenação
adotados a nível nacional para reduzir a fragmentação. A ação coletiva da UE no
terreno é de especial importância dado a iniciativa acelerada sobre a
complementaridade e a divisão do trabalho ter acumulado experiência da UE neste
domínio, devendo ser prosseguida e preparando o terreno para mais programação
conjunta. A cartografia dos doadores é uma das atividades
que pode reforçar a divisão do trabalho em cada país. Em conformidade com as
prioridades de Busan, a UE e os seus Estados-Membros deverão aumentar a
cartografia a nível nacional para cobrir o apoio que dão à ação climática com
base na metodologia da iniciativa acelerada e com base no sistema de
indicadores do Rio da OCDE. Complementará as medidas potenciais da UE e dos
Estados-Membros de apoio às estratégias nacionais em matéria de ação climática
e promoverá a integração de riscos climáticos nas estratégias de
desenvolvimento. Ação: Uma ação coletiva da UE para reforçar
a execução a nível nacional dos compromissos em matéria de eficácia da ajuda e
do desenvolvimento com base no quadro operacional da UE através: i) do apoio
aos resultados a nível nacional e aos quadros de responsabilidade mútua, e ii)
da continuação de atividades de divisão do trabalho, incluindo cartografia do
apoio da UE a ações climáticas a nível nacional, conducentes a ambientes
propícios para a programação conjunta. 7. Conclusões Os próximos três anos vão registar progressos
importantes. A União Europeia terá de cumprir os seus compromissos e preparar
uma abordagem comum e coerente também sobre os meios para alcançar quaisquer
novos objetivos. Apesar da evolução do contexto global, a UE tem de continuar a
centrar-se no objetivo essencial: prestar o melhor apoio possível aos países em
desenvolvimento mediante a mobilização de todos os recursos disponíveis para o
desenvolvimento. [1] Conferência internacional sobre o financiamento do desenvolvimento. [2] Geralmente expressa como o rácio impostos/PIB. [3] COM(2011) 637 final. http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=COM:2011:0637:FIN:EN:PDF [4] http://www.imf.org/external/pp/longres.aspx?id=4611 [5] Ver: Relatório 2011 da UE sobre a coerência das
políticas para o desenvolvimento (CPD), SEC (2011) 1627 final. [6] COM (2012) 22 final de 27 de janeiro de 2012, http://ec.europa.eu/trade/wider-agenda/development/
[7] Nota de informação n.º 17 sobre a migração e o
desenvolvimento, Banco Mundial, Unidade de migração e remessas, dezembro de
2011. [8] Eurostat, Estatísticas em breve 4/2012. [9] «Innovation With Impact: Financing 21st Century
Development», relatório de Bill Gates aos líderes do G20, Cimeira de Cannes,
novembro de 2011. [10] COM (2011) 743. [11] SEC(2011) 1353. [12] 9417/12 [13] 9372/12; http://register.consilium.europa.eu/pdf/en/12/st09/st09372.en12.pdf [14] 10029/12, http://register.consilium.europa.eu/pdf/en/12/st10/st10029.en12.pdf [15] Por exemplo, OCDE (2011), Tackling Climate Change and
Growing the Economy. http://www.oecd.org/dataoecd/28/18/44287948.pdf [16] http://europa.eu/rapid/pressReleasesAction.do?reference=MEMO/12/375&format=HTML&aged=0&language=en&guiLanguage=en
[17] http://europa.eu/rapid/pressReleasesAction.do?reference=IP/12/300&format=PDF&aged=0&language=EN&guiLanguage=fr [18] http://ec.europa.eu/europeaid/what/development-policies/documents/agenda_for_change_en.pdf [19] http://ec.europa.eu/enterprise/policies/sustainable-business/files/csr/new-csr/act_en.pdf [20] http://www.consilium.europa.eu/uedocs/cms_Data/docs/pressdata/en/intm/126548.pdf