COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO BANCO CENTRAL EUROPEU, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU, AO COMITÉ DAS REGIÕES E AO BANCO EUROPEU DE INVESTIMENTO Crescimento para a Grécia /* COM/2012/0183 final */
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO
EUROPEU, AO CONSELHO, AO BANCO CENTRAL EUROPEU, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL
EUROPEU, AO COMITÉ DAS REGIÕES E AO BANCO EUROPEU DE INVESTIMENTO
Crescimento para a Grécia
1. Introdução A Grécia está a atravessar uma crise económica
e social sem precedentes na Europa nos tempos modernos. Para a ultrapassar e
reconstruir uma economia bem-sucedida será necessário que tanto a população
como os seus líderes políticos se unam num esforço nacional – sendo a Grécia a
única dona do seu destino. As causas subjacentes da crise foram-se acumulando
ao longo de vários anos e a inversão destas tendências negativas exigirá tempo.
Uma crise de tal magnitude requer mudanças radicais na Grécia, para permitir o
surgimento de uma economia grega nova, dinâmica e competitiva, capaz de gerar
um crescimento sustentável, criar postos de trabalho, apoiar a coesão social e
dar resposta às expectativas dos cidadãos gregos. A Grécia não tem de enfrentar sozinha este
enorme desafio. Poderá ir buscar forças e um apoio concreto à sua pertença à
União Europeia e à área do euro. Apoiar a Grécia no esforço que terá de
desenvolver exige uma solidariedade a longo prazo por parte de todos os membros
da UE. Os outros Estados-Membros e as instituições da UE afirmaram claramente o
seu desejo de ajudar a Grécia e de manter a Grécia na área do euro, ao fornecer
ajuda numa dimensão que seria impensável, mesmo há poucos anos. O pacote total
de assistência à Grécia, incluindo os empréstimos da UE e de instituições
financeiras, a redução do valor contabilístico da dívida na posse dos
investidores privados e as subvenções a partir dos fundos da UE, estruturais e
outros, ascende a cerca de 380 000 milhões de euros. Esse valor é
equivalente a 177% do PIB da Grécia. Este nível de assistência não tem
precedentes (o Plano Marshall, com o qual os EUA apoiaram a reconstrução no
pós-guerra, envolveu transferências equivalentes a cerca de 2,1% do PIB dos
países beneficiários). Quadro 1.
Apoio internacional e da UE à Grécia ao longo dos últimos anos Várias formas de apoio internacional e da UE ≈ 380 000 milhões de euros || Equivalente a: (dados de 2011) || Por comparação: Assistência financeira (empréstimos): 240 000 milhões de euros || · 3% do PIB da UE · 177% do PIB da Grécia · 33 600 euros por cada cidadão grego || · Total do Plano Marshall 1948-1951: – ≈ 13 000 milhões de dólares americanos (85% em subvenções, 15% em empréstimos) – ≈ 5% do PIB dos EUA – ≈ 2,1% do PIB dos países beneficiários Participação do setor privado (redução do valor contabilístico da dívida): 100 000 milhões de euros Financiamento da UE durante o período 2007-2013 (subvenções): > 40 000 milhões de euros (incluindo 20 000 milhões de euros provenientes dos fundos estruturais e de coesão da UE e 20 000 milhões de euros ao abrigo da Política Agrícola Comum) A crise veio
comprovar a interdependência de todos os Estados-Membros da UE, mais
especialmente daqueles que partilham a mesma moeda. Um grau tão avançado de
integração económica, social e política só pode ter êxito se cada membro
estiver em condições de preencher plenamente as suas obrigações. A Grécia
precisa da UE para ultrapassar esta crise – e a UE precisa de uma Grécia
plenamente funcional e dinâmica para desempenhar o seu pleno papel enquanto Estado-Membro,
aplicando as políticas da UE em todo o seu território. Durante a crise, a Comissão tem assistido
ativamente a Grécia, através de apoios diretos e em ligação com os outros
Estados-Membros, instituições da UE e a comunidade internacional, procurando
desenvolver soluções sem precedentes e garantir a obtenção de resultados
duráveis no terreno. Em toda a estrutura da Comissão, as equipas encontram-se
totalmente mobilizadas e estão a trabalhar ativamente com a administração
grega, tanto em Bruxelas como em Atenas. Para poder prestar a assistência
técnica necessária, a Comissão criou também uma taskforce especial para
a Grécia, em julho de 2011. A Comissão assumiu igualmente a tarefa de
acompanhar de perto os compromissos e os progressos realizados. Como
demonstrado no anexo à presente comunicação, estão a começar a surgir
resultados tangíveis, com os trabalhos realizados a permitir identificar vias
de evolução prometedoras. A Comissão decidiu publicar agora a presente
comunicação por considerar que, após vários meses de incerteza, se encontra
criado o enquadramento geral para a recuperação da Grécia. A Grécia aplicou
importantes medidas para reduzir o défice do seu setor público e adotou novas
políticas em matéria orçamental e económica. O Acordo sobre o Segundo Programa
de Ajustamento Económico e o êxito da recente operação de redução da dívida por
parte do setor privado constituem uma oportunidade para criar uma nova dinâmica
de aceleração das tão necessárias reformas estruturais. A presente comunicação será de interesse para
um amplo leque de leitores: ·
Para a população grega, pois demonstra que da atual
crise poderá emergir um sistema mais justo, com maior coesão social, digno de
confiança e eficaz. A Grécia tem capacidade para mudar e dispõe de muitos trunfos
valiosos aos quais poderá recorrer – mas todo o apoio sem precedentes que a
Grécia está atualmente a receber só poderá produzir resultados se os cidadãos
gregos apoiarem o programa e trabalharem para construir um futuro diferente. ·
Para as instituições democráticas da Grécia, que
deram o seu acordo ao Segundo Programa de Ajustamento Económico e estão
empenhadas na sua execução. A presente comunicação salienta a necessidade de
criar uma atmosfera mais positiva, salientando os rápidos benefícios que
poderão materializar-se em resultado da integral aplicação das medidas iniciais
do programa. ·
Para os outros Estados-Membros da UE, as
instituições da UE e os nossos parceiros internacionais, que estão a
proporcionar um apoio sem precedentes à Grécia e que quererão assegurar-se de
que a sua contribuição está a ser corretamente aplicada, de um modo que evitará
o ressurgimento dos problemas. O objetivo da comunicação é evidenciar os
efeitos positivos que a integral e efetiva execução do Segundo Programa de
Ajustamento Económico[1]
poderá trazer, ao lançar as fundações para o crescimento, o investimento e a
renovação social. A presente comunicação identifica formas de maximizar o
impacto dos resultados iniciais através de medidas decisivas e com o apoio da
UE[2]. Embora a Grécia esteja confrontada com um
longo processo de transformação e ajustamento, a aplicação dessas medidas
lançará o processo de recuperação. Para convencer as pessoas de que os
sacrifícios agora suportados irão ter resultados tangíveis, será necessário dar
a conhecer a um público alargado o programa e os resultados pretendidos com as
alterações de fundo que irão ser materializadas ao longo dos próximos meses. 2. Uma oportunidade histórica
para construir um futuro mais risonho A principal prioridade para a Grécia terá de
ser a execução plena e atempada do Segundo Programa de Ajustamento Económico.
As medidas de reforma que contém destinam-se a restaurar o crescimento e o
potencial de criação de emprego da economia grega e eliminar as regras destrutivas
de valor e as oportunidades para a corrupção e burocracia que impedem que os
cidadãos e as empresas gregas se empenhem em atividades produtivas. Atualmente,
a regulamentação excessiva e uma administração pública pouco eficaz geram
ineficiência e demasiados casos de comportamentos de procura de obtenção de
rendas. A eliminação dos obstáculos mais gritantes ao
crescimento pode melhorar de forma significativa a situação dos cidadãos e das
empresas num período relativamente curto. A médio prazo, são necessárias
reformas mais profundas da administração pública e do sistema judiciário da
Grécia, para garantir procedimentos mais céleres e eficientes, um sistema de
cobrança de impostos substancialmente mais eficaz e equitativo, menos
burocracia e mais certeza jurídica para o investimento e as novas atividades
empresariais. As reformas acordadas ao abrigo do Segundo
Programa de Ajustamento Económico pretendem criar uma sociedade mais equitativa
– em que todos os segmentos da população suportam uma parte equitativa do peso
do ajustamento e em que todos irão gozar dos benefícios da reforma. O impacto
dos graves desequilíbrios que se foram acumulando na economia grega afetou os
mais desfavorecidos de forma particularmente dura, tornando mais premente a
necessidade de uma reforma. Os interesses enraizados, tanto dentro como fora da
administração pública, que exploraram a sua posição num sistema opaco e
burocrático que se presta à corrupção, não devem continuar a ser tolerados.
Contudo, toda a população irá beneficiar com estas mudanças e merece uma melhor
governação. 2.1. O sucesso é possível A Grécia já realizou progressos importantes na
substancial redução do seu défice público, através de medidas do lado da
despesa e no domínio fiscal. O défice da administração central foi cortado de
quase 16% do PIB em 2009 para 9,25% do PIB no ano passado. O parlamento aprovou
um enorme volume de nova legislação e todas as ações prévias que tinham de ser
efetuadas antes da entrada em vigor do Segundo Programa de Ajustamento Económico
foram concluídas. Como o passado recente revelou, quando todo o sistema de
governação se empenha na realização de objetivos claros, é possível
alcançá-los. O caminho da renovação económica está agora
claramente definido no Segundo Programa de Ajustamento Económico. Este programa
irá proporcionar uma transformação histórica, equipando a Grécia com uma
economia moderna e estruturas de governação para ajudar o país a fazer face ao
futuro com confiança. A Grécia pode apoiar-se nos seus muitos pontos fortes –
como o setor dos transportes marítimos, o potencial turístico, as universidades
e a sua população ativa geralmente bem formada ou ainda a sua localização
enquanto potencial polo logístico e energético na Europa do Sudeste. A rápida execução de diversas ações essenciais
contribuirá de forma decisiva para o crescimento e a criação de emprego,
fomentando a competitividade e estimulando o investimento. Os resultados serão
tangíveis e visíveis para os cidadãos e as empresas num prazo relativamente
curto. A execução destas ações lançará o processo de reforma e dará um sinal
claro de que a Grécia está empenhada nesta via. Por outro lado, ajudará a
Grécia a passar de um círculo vicioso para um círculo virtuoso – em que o
empenhamento nas reformas é recompensado pela renovação da confiança e do
crescimento, criando incentivos para futuros progressos. Embora o Segundo Programa de Ajustamento
Económico tenha de ser cumprido na íntegra, na presente comunicação a Comissão
salienta três áreas globais em que as medidas já adotadas pelas autoridades
gregas em 2012 poderão dar resultados promissores até ao final do ano. São
elas: ·
Assumir o controlo das finanças públicas e das
receitas, para garantir a prazo a sustentabilidade das primeiras; ·
Facilitar o fluxo de empréstimos para a economia
real através da recapitalização dos bancos e do auxílio às PME na obtenção de
empréstimos em condições acessíveis; ·
Liberalizar a área empresarial para induzir o
crescimento – é urgentemente necessária uma importante reformulação do ambiente
empresarial, a fim de que a Grécia se torne de novo um lugar em que os
investidores nacionais e estrangeiros tenham confiança para investir e criar
postos de trabalho. 2.1.1. Assumir o controlo das
finanças públicas – uma pré-condição para o crescimento e a criação de emprego O objetivo do programa é preparar a economia
para que se torne mais dinâmica e justa a médio prazo. A experiência
internacional demonstra que as tentativas de criação de crescimento e emprego
sairão frustradas se a dívida pública não for colocada de novo numa trajetória
sustentável e se a competitividade não for reposta. Para assegurar a
sustentabilidade, serão necessários esforços adicionais em 2013 e 2014 para que
a Grécia consiga reduzir o seu rácio de dívida para cerca de 117% do PIB até
2020. Se se privilegiarem cortes orientados na despesa em vez de aumentos dos
impostos, será possível limitar o impacto a curto prazo na economia real. Além
disso, a redução no défice contribuirá para melhorar a liquidez das empresas
gregas, uma vez que o governo irá absorver uma proporção cada vez menor da
poupança nacional e estrangeira. A credibilidade da Grécia junto dos mercados
aumentará, permitindo-lhe financiar-se a custos acessíveis no final do período
do financiamento oficial, o que facilitará as condições de financiamento para
as empresas. A reforma do sistema e da administração fiscal, enunciada no ponto
2.3.2, será também crucial para permitir o controlo das finanças públicas. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 1 do Memorando de Entendimento): As autoridades gregas terão de identificar medidas para diminuir os
défices orçamentais em 2013 e 2014. Essas medidas deverão centrar-se no corte
da despesa. 2.1.2. Promover o fluxo de
empréstimos para a economia real através da recapitalização dos bancos e o apoio
às PME O sistema bancário grego sofreu retiradas
maciças de depósitos, o que limitou o acesso à liquidez e originou a
deterioração do valor dos ativos. Isso repercutiu-se numa redução das operações
de empréstimo à economia real. A resolução deste problema e a reposição dos
fluxos de liquidez para as empresas gregas são pré‑condição para a
recuperação económica. O Segundo Programa de Ajustamento Económico
disponibiliza recursos financeiros para recapitalizar o sistema bancário grego
com um duplo objetivo: garantir a estabilidade financeira e permitir que os
bancos possam financiar a economia real. As PME gregas deparam-se atualmente com
condições de funcionamento muito difíceis: 6 de cada 10 empresas viram os seus resultados
deteriorarem-se em 2011 em comparação com 2010 e 150 000 postos de
trabalho foram perdidos. Estes dados preocupantes salientam a necessidade de
uma ação rápida e orientada de apoio às PME – o apoio da UE à sua manutenção e
desenvolvimento é descrito mais à frente na presente comunicação. Para enfrentar esta ameaça será essencial
utilizar todos os recursos disponíveis, nomeadamente provenientes dos fundos
estruturais da UE[3],
para injetar liquidez em novas atividades e para apoiar a criação de postos de
trabalho e o crescimento sustentável. Já se encontram disponíveis mais de 4 000
milhões de euros em assistência à liquidez para as PME por parte dos fundos
estruturais da UE, sob a forma de instrumentos de engenharia financeira e
subvenções. Além disso, foi criado um novo fundo de garantia para as PME que
dispõe de 500 milhões de euros provenientes dos fundos estruturais da UE, que
poderão ser multiplicados para disponibilizar 1 000 milhões de euros
adicionais em empréstimos do BEI aos bancos gregos, para que estes os possam
por sua vez emprestar às PME gregas. Contudo, atualmente, este dinheiro não está a
chegar às PME gregas devido à reduzida procura de investimento, aos elevados
riscos associados aos empréstimos às PME nas atuais circunstâncias e
consequentemente à dificuldade que estas têm em garantir os cofinanciamentos
necessários por parte dos bancos. As autoridades gregas ainda têm que pôr em
prática as alterações à legislação da UE que permitirão cofinanciar o capital
de exploração das PME. A eliminação destes bloqueios é uma prioridade
imediata. Além disso, existem vários projetos e regimes cofinanciados pelos
fundos estruturais da UE e que foram concebidos para incentivar as competências
empresariais e fornecer apoio à criação de empresas, bem como o acesso a regimes
de microfinanciamento. Ações preconizadas para 2012: A recapitalização dos bancos deveria estar concluída até setembro de
2012, de modo a salvaguardar a sua autonomia comercial. Nos próximos 8 meses, o setor bancário e a administração gregas devem
acelerar a disponibilização dos 4 000 milhões de euros já disponíveis para
o financiamento das PME. A Grécia deve transpor para o seu direito interno as
novas regras da União que autorizam o cofinanciamento do capital de exploração.
O BEI deverá conceder às PME empréstimos garantidos pelo fundo de
garantia para as PME, respeitando o objetivo de 160 milhões de euros em 2012,
de 400 milhões de euros suplementares até ao final de 2013 e ainda de mais 440
milhões de euros antes de 2015. Acresce ainda que durante 2012 o BEI
disponibilizará 440 milhões de euros suplementares às PME, garantidos pelas
autoridades gregas. A formação em matéria de espírito empresarial (orientada principalmente
para os novos produtos e serviços inovadores), incluindo ações de orientação pedagógica,
acompanhamento personalizado e consultoria, deverá também ser objeto de um
maior apoio financeiro. 2.1.3. Libertar as empresas para
estimular o crescimento A Grécia só sairá de forma duradoura da crise
quando desenvolver o seu setor produtivo. Estima-se que a reforma dos mercados
dos produtos e dos serviços poderia, a longo prazo, aumentar o PIB da Grécia em
13,5%[4].
Libertar as empresas da burocracia e da corrupção permitiria libertar o
potencial de crescimento em setores como o turismo, os serviços portuários, a
transformação de produtos alimentares e muitos outros. Daí resultaria um
reequilíbrio da economia em benefício dos investimentos e das exportações, que
poderia resultar numa transferência decisiva para atividades com maior valor
acrescentado. Esta secção põe em evidência oito domínios nos quais deverão ser
realizar progressos até ao final de 2012[5]. ·
Restabelecer a competitividade em termos de
custo No âmbito da modernização do mercado de
trabalho da Grécia, devem ser adotadas medidas para favorecer o rápido
ajustamento do custo do trabalho por unidade de produto, de modo a combater o
desemprego e restabelecer a competitividade em termos de custo da economia
grega. Tal como já foi acordado ao abrigo do Segundo Programa de Ajustamento
Económico, essas medidas devem ter como objetivo, juntamente com as medidas já
adotadas, uma redução do custo nominal do trabalho por unidade de produto na
economia empresarial em 15% durante o período 2012-2014. As medidas deverão ter
em conta os resultados do diálogo social e estar associadas a um esforço mais
global de reforço das instituições do mercado de trabalho, de simplificação do
sistema de negociação salarial a todos os níveis e de luta contra o trabalho
não declarado. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 4.1 do Memorando de
Entendimento): Convém preparar até ao final de julho de 2012, em concertação com os
parceiros sociais, um calendário da reforma do sistema de acordos coletivos de
trabalho no que diz respeito à negociação salarial. As autoridades gregas devem
igualmente adotar medidas neutras no plano orçamental que reduzam as contribuições
sociais que pesam sobre o custo do trabalho. ·
Facilitar as exportações São necessários, em média, 20 dias para o
desalfandegamento para exportação e cumprimento das formalidades aduaneiras na
Grécia, contra 10, em média, no resto da União. Estima-se que daí resulta uma
perda de cerca de 10% do valor total das exportações[6]. Será necessário suprimir
exigências documentais ou processuais desproporcionadas e frequentemente
inúteis. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 4.2 do Memorando de
Entendimento): Deverá proceder-se a uma análise sistemática do desalfandegamento para
exportação e das formalidades aduaneiras, a fim de suprimir os controlos
excessivos e alinhar os sistemas de controlo pelas práticas exercidas no
mercado único. Assim que o processo de simplificação for lançado, será possível
maximizar os benefícios desenvolvendo a informatização dos procedimentos.
Deverão também ser feitos esforços para ajudar os exportadores a identificar
oportunidades nos mercados mais promissores. ·
Estimular o novo investimento Os investimentos em novas instalações ou
projetos registam atrasos e são acompanhados de despesas associadas a
obstáculos regulamentares e administrativos que implicam numerosas autoridades.
As regras de ordenamento do território ou de emissão de licenças ambientais são
frequentemente citadas como obstáculos aos investimentos. As empresas dos
setores da energia, de distribuição, da logística e dos transportes são as mais
afetadas. Os problemas são ampliados em caso de litígio, nomeadamente devido ao
efeito suspensivo de numerosas ações administrativas ou judiciais e de uma
insuficiência de pessoal ou de competências nos serviços chave da
administração. A conclusão do cadastro predial estimulará igualmente o
investimento ao proteger os investidores dos litígios em matéria de propriedade
fundiária. O acesso a uma mão-de-obra qualificada é igualmente um problema para
os investidores estrangeiros nos domínios com uma grande intensidade de
investigação e de inovação, em virtude de o sistema educativo público não estar
adaptado às necessidades de uma economia do conhecimento. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 4.2 do Memorando de
Entendimento): As disposições legislativas adotadas recentemente com vista a acelerar
certos procedimentos de concessão de licenças para certas profissões e
atividades transformadoras, bem como os procedimentos de concessão de licenças
ambientais para projetos ou atividades, deverão ser agora postas em prática na
sua íntegra. Devem ser adotadas medidas adicionais para facilitar a criação de UMA empresa
– no Small Business Act, a UE fixa como objetivo um prazo de 3 dias e um custo
máximo de 100 euros. A Grécia deverá igualmente criar um balcão único, em
conformidade com a Diretiva Serviços. ·
Modernizar os contratos públicos Os contratos públicos representam 12% do PIB
grego. O prazo de adjudicação dos contratos públicos na Grécia é duas vezes
mais longo que a média da União (quase 1 ano). Os procedimentos são ineficazes
e consumidores de recursos: o setor público investe duas vezes mais pessoas-dia
na gestão dos procedimentos. Em média, cada procedimento é objeto de dois
recursos. A situação penaliza os fornecedores do setor público e aumenta os
custos, impedindo a aquisição de fornecimentos e serviços necessários ao bom
funcionamento dos serviços públicos, bem como a conclusão de trabalhos
financiados pelos fundos da UE. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 2.6 do Memorando de Entendimento): A legislação relativa aos contratos públicos deverá ser reformada em
profundidade até ao final do ano e a nova autoridade única dos contratos
públicos deverá atingir a plena operacionalidade. Convém estabelecer e pôr em
prática, para vários ministérios cujas despesas são importantes, um plano que
garanta uma gestão mais profissional e mais transparente dos contratos
públicos, antes de alargar as práticas bem-sucedidas à restante administração.
Além disso, o desenvolvimento dos contratos públicos eletrónicos, o agrupamento
dos contratos públicos através de centrais de aquisição e a generalização de
contratos-quadro normalizados para os fornecimentos e serviços permitiria
importantes economias. ·
Reforçar a concorrência e liberalizar os preços Os preços mantiveram-se a níveis elevados em
inúmeros setores da economia grega durante a fase de abrandamento económico – o
que agravou ainda mais as dificuldades económicas dos consumidores e empresas,
que viram uma diminuição dos seus rendimentos. É necessária uma ação resoluta
para eliminar os numerosos obstáculos regulamentares que impedem a concorrência
e a entrada de novos operadores no mercado. É necessário, nomeadamente,
prosseguir os esforços tendentes a alterar as regras que garantem determinados
fluxos de receitas ou protegem as profissões regulamentadas da concorrência.
Convém igualmente reforçar a concorrência e liberalizar os preços, para que a
redução dos custos do trabalho se repercuta nos preços, limitando assim os
efeitos sobre o rendimento disponível e assegurando que toda a sociedade grega
possa beneficiar da diminuição dos custos de produção. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 4.2 do Memorando de
Entendimento): A lei de 2011 sobre as profissões regulamentadas, bem como as medidas
adicionais de liberalização da economia que constam do Memorando de
Entendimento, deverão ser plenamente postas em prática até ao final do ano. As
regras da UE sobre o reconhecimento das qualificações profissionais devem
também, por sua vez, ser postas em prática. Uma análise do quadro regulamentar
de certos setores económicos será realizada até ao outono e servirá de base
para a revogação de diplomas anticoncorrenciais e inutilmente pesados. ·
Reforçar a competitividade do setor da energia A Grécia é altamente dependente dos
combustíveis fósseis (a sua eletricidade é essencialmente produzida a partir de
lenhite). A maior parte das ilhas permanecem isoladas e dependentes de grupos
eletrogéneos a gasóleo e de centrais a fuelóleo. A eficácia global da produção
de eletricidade é uma das mais reduzidas da Europa. O setor da energia é
dominado por algumas empresas públicas pouco produtivas que continuam a gozar
de um quase monopólio no mercado. Os gestores da rede de transporte ainda não
foram totalmente desagregados. Os clientes industriais queixam-se de que os
preços da energia, que se encontram entre os mais elevados da Europa,
comprometem a sua competitividade. As redes de eletricidade e de gás devem ser
modernizadas. Se melhorar as suas instalações de armazenagem de gás e a sua
rede de gasodutos e investir em novos projetos de ligação que permitam
diversificar as suas fontes de abastecimento, a Grécia poderá, em virtude da
sua posição geográfica estratégica, transformar-se na porta de acesso ao
mercado europeu do gás. A interconexão das redes elétricas das ilhas maiores com
o continente e entre outras ilhas mais pequenas é uma condição indispensável
para a implantação em grande escala de instalações eólicas e fotovoltaicas. É igualmente essencial reforçar a rede de
transporte continental a fim de integrar essas instalações de energias
renováveis no mercado nacional e permitir a exportação em larga escala de
eletricidade para o resto da Europa. A Grécia é uma passagem natural para muito
do gás proveniente da bacia do mar Cáspio e do Leste da bacia Mediterrânica. O
programa RTE‑E e o novo mecanismo para a interligação da Europa podem
desempenhar um papel primordial na definição e financiamento dos esforços neste
domínio. A garantia de um setor energético aberto e funcional e sem discriminação
no acesso às suas infraestruturas e redes é condição essencial para ajudar a
atrair investidores privados. Projetos como o Hélios poderão servir de
rampa de lançamento para um mercado europeu da energia produzida a partir de
fontes renováveis verdadeiramente integrado, ao mesmo tempo ajudando à
recuperação da economia grega. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 4.2 do Memorando de
Entendimento): A privatização das empresas públicas de gás e de eletricidade, que será
realizada este ano, proporcionará aos investidores do setor privado a
possibilidade de aceder a um vasto e novo mercado, com ganhos de eficácia que
se repercutirão nas antigas empresas públicas e permitirão um importante
aumento da eficiência. A separação da exploração da rede de transporte de gás e de
eletricidade das atividades de produção e de fornecimento aumentará a
transparência do setor e reforçará a concorrência, permitindo a entrada de
novos operadores no mercado. A assistência técnica contribuirá para a
reforma dos regimes gregos de auxílio às energias renováveis, de modo a
melhorar o clima de investimento e valorizar a abundância dos recursos de
energia de fonte eólica e solar na Grécia. ·
Melhorar a eficácia dos serviços de transporte O setor grego dos transportes sofreu
importantes alterações: criação de uma autoridade reguladora do setor
ferroviário, abertura do transporte rodoviário de mercadorias e liberalização
do transporte ocasional de passageiros em autocarros. Todavia, ainda há muito por fazer. Os
obstáculos administrativos e uma má gestão impedem a boa exploração dos portos
e dos aeroportos, em detrimento de dois dos principais setores da economia: a
logística e o turismo. No caso dos aeroportos e da gestão do tráfego aéreo,
seria possível, num prazo relativamente curto, aumentar consideravelmente as
capacidades e reduzir os custos para os operadores, atraindo assim um maior
número de turistas. O transporte ferroviário poderia ser melhorado, criando um
quadro que permita aos operadores de transportes de passageiros da UE aceder ao
mercado grego e simplificando os procedimentos de transporte internacional de
mercadorias. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 4.2 do Memorando de
Entendimento): Convém concluir o documento sobre a política dos transportes (previsto
para junho de 2012) que fixará o quadro estratégico e regulamentar para todo o
setor dos transportes. As funções regulamentares e operacionais da autoridade
grega da aviação civil deverão ser separadas e devem ser afetadas as verbas necessárias
para a modernização dos equipamentos de controlo do tráfego aéreo, o
recrutamento de controladores de tráfego aéreo qualificados e a aquisição de
programas informáticos modernos de atribuição de faixas horárias. Deve ser
concluída a criação de autoridades adjudicantes independentes para os serviços
de transporte ferroviário de passageiros. É necessário reexaminar os
procedimentos e acordos de passagem das fronteiras para facilitar os fluxos de mercadorias
no corredor X e pôr termo aos encerramentos de fronteiras. ·
Assegurar o sucesso do programa de privatizações O plano de privatizações definido no Segundo
Programa de Ajustamento Económico, relativamente ao qual se preveem receitas de
50 000 milhões de euros, deverá permitir atrair o investimento direto
estrangeiro, a entrada de novos intervenientes no mercado e o reforço da
concorrência, contribuindo simultaneamente para o reembolso da dívida pública.
Deverá igualmente abrir caminho a uma gestão mais eficaz de empresas
fundamentais para a economia no seu todo que são atualmente propriedade do
Estado, desde que a sua aplicação assente numa visão estratégica a longo prazo. É necessário criar um quadro regulamentar mais
coerente para os caminhos-de-ferro, os portos e os aeroportos, na perspetiva da
sua privatização. Este quadro deve clarificar o papel respetivo das autoridades
públicas e dos gestores das infraestruturas, garantir um acesso não
discriminatório às instalações, facilitar o desenvolvimento de infraestruturas
num sistema de transportes coerente e assegurar a utilização eficaz dos fundos
estruturais e de coesão, bem como a execução das prioridades da RTE-E. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 2.1 do Memorando de
Entendimento): É conveniente criar um quadro regulamentar e institucional sólido para
os ativos ligados às infraestruturas, cuja venda foi adiada em virtude de
obstáculos técnicos e da incerteza que envolve as suas condições de exploração.
Deve ser concluído o inventário completo dos bens imobiliários do Estado
deveria ser concluído e acelerar a criação do registo fundiário nacional. Os
objetivos em matéria de receitas devem ser alcançados, a fim de evitar qualquer
défice de financiamento orçamental e garantir a credibilidade das privatizações
como meio de garantir a sustentabilidade da dívida. 2.2. Enfrentar as repercussões
sociais da crise Para além dos três domínios de ação atrás
descritos, a rápida deterioração da situação social na Grécia requer uma
resposta urgente. O desemprego, nomeadamente dos jovens, aumentou
dramaticamente desde o início da crise, enquanto a pobreza atinge níveis
inaceitáveis. Todavia, os programas de ajustamento económico foram concebidos
para obviar a esta situação ao reformar a economia de forma a partilhar os
frutos do futuro crescimento e emprego entre todos. É essencial continuar a reduzir os custos do
trabalho e melhorar a produtividade, a fim de restabelecer a competitividade da
economia grega. Essas medidas indispensáveis devem ser acompanhadas de medidas
robustas que garantam a justiça social e a ajuda aos mais vulneráveis. O programa tem devidamente em conta essas
considerações, por exemplo ao rever os programas sociais de modo a identificar
melhor os beneficiários e a proteger eficazmente as pessoas mais vulneráveis;
ao assegurar uma redução tão ajustada quanto possível das pensões de reforma e
ao preservar as mais modestas; ao combater a fraude nas prestações sociais; ao
reduzir os custos dos cuidados de saúde sem prejudicar a sua qualidade; ao
reforçar a justiça do sistema fiscal; e ao lutar contra a evasão fiscal. 2.2.1. Promover o emprego e a
formação dos jovens A Comissão colabora ativamente com as
autoridades gregas para encontrar os meios de lutar contra o desemprego dos
jovens, que atinge níveis muito elevados. Neste contexto, está a ser
reexaminada a utilização dos fundos estruturais da UE na Grécia e as formas de
auxiliar as autoridades gregas a reafetá-los para projetos com maior e mais
rápida incidência no crescimento e no emprego. Está em fase de elaboração um plano de ação a
fim de definir claramente os grupos alvo e objetivos políticos prioritários. Os
financiamentos da UE através do Fundo Social Europeu, num montante compreendido
entre 200 e 250 milhões de euros, poderão ser reafetados no quadro dos
programas para os fundos estruturais em vigor na UE, com vista a apoiar medidas
suscetíveis de produzirem resultados imediatos para os jovens que não encontram
emprego. Essas medidas poderão designadamente apoiar a
aquisição da primeira experiência profissional ou subsidiar colocações de curta
duração no setor privado ou nas comunidades locais; alargar as possibilidades
de formação em regime de aprendizagem ou de estágios para os estudantes e
licenciados; facilitar a reconversão ou o aperfeiçoamento profissionais no
quadro de uma estratégia de crescimento e de desenvolvimento; promover o
espírito de empreendedorismo, nomeadamente social; e incentivar as estadias de
estudo ou de formação no estrangeiro, por exemplo no quadro dos programas Leonardo
e Erasmus. Ações preconizadas para 2012: Deverá ser concluído e posto em prática antes do final de 2012 um plano
de ação destinado a promover o emprego dos jovens, designadamente através da
formação e do empreendedorismo. 2.2.2. Praticar uma política ativa do
emprego Os serviços públicos de emprego devem ser
reforçados, a fim de proporcionar serviços mais personalizados e de melhor
qualidade aos desempregados, cujo número continua a crescer. Impõe-se um
investimento mais determinado e mais orientado nas políticas ativas de criação
de emprego, em apoio de uma reforma da economia geradora de emprego, bem como
uma avaliação mais sistemática da eficácia dessas medidas. Deve ser dada
prioridade aos grupos mais vulneráveis (desempregados com reduzidas
qualificações, jovens em abandono escolar, trabalhadores idosos, desempregados
de longa duração, migrantes e minorias, etc.). As medidas no domínio da
aquisição de competências devem ser orientadas para a identificação e resposta
às necessidades dos setores e nichos suscetíveis de se tornarem motores do
crescimento futuro. Os fundos estruturais da UE podem financiar
diferentes regimes para um recrutamento de curta duração especificamente
orientado para as necessidades dos grupos desfavorecidos. Desta forma,
aliviariam temporariamente a pressão económica que pesa sobre as pessoas mais
afetadas pela crise, permitindo simultaneamente que estas desenvolvam as suas
competências profissionais e se mantenham no mercado do trabalho. Além disso, a Grécia poderia utilizar o
potencial atualmente inexplorado da economia social, com o apoio do Fundo
Social Europeu, que constitui um viveiro de emprego importante e poderá dar
resposta à crescente necessidade de serviços sociais. Ações preconizadas para 2012: Convém utilizar mais eficazmente a ajuda do Fundo Social Europeu para
criar um quadro plenamente operacional em benefício da economia social e das
empresas sociais, para além de outros motores essenciais para uma recuperação
geradora de emprego, e responder às diversas necessidades de integração dos
grupos vulneráveis. 2.2.3. Investir na educação e na
formação A fim de permitir o regresso ao crescimento e
tirar plenamente proveito das vantagens competitivas da Grécia, convém melhorar
a pertinência, a qualidade e a atração do ensino e da formação profissionais
iniciais. A cooperação entre as empresas e os estabelecimentos de ensino deverá
ser incentivada, para que os jovens deixem o sistema de educação ou de formação
com as qualificações e competências de que a economia necessita – tanto em
matéria de empregabilidade como de empreendedorismo. Esta diligência deve
igualmente implicar a criação de pontes entre o ensino geral e o ensino
profissional, bem como entre o ensino e a formação profissionais iniciais e o
aprofundamento da aprendizagem ou o ensino superior. 2.3. Criação de uma administração pública
moderna A reforma deve começar por uma modernização da
administração pública grega. A Grécia sofre atualmente de uma falta de
capacidades para pôr em prática as políticas adotadas, gerir as suas finanças
públicas, cobrar impostos, abrir os seus mercados à concorrência, fazer com que
os contratos públicos sejam eficazes e inovadores, pagar aos seus fornecedores
ou assegurar aos cidadãos um recurso judicial rápido. A complexidade e a
opacidade que prevalecem a todos os níveis criam possibilidades de corrupção
que minam a confiança dos cidadãos no sistema e a eficácia deste último. A
resolução desses problemas criará as condições para o restabelecimento de um
contrato social, baseado na transparência, confiança e solidariedade, entre os
cidadãos gregos e o Estado. O restabelecimento da confiança nas estatísticas
oficiais constitui parte integrante deste contrato social. 2.3.1. Reforma da administração
pública As estruturas e os métodos de trabalho do
serviço público grego devem ser profundamente reformados. É necessário designar
claramente um responsável por cada política, de forma a assegurar a prestação
de contas e combater a inércia e a pôr termo à atual dispersão das
responsabilidades pelos diferentes aspetos de uma mesma política entre vários
ministérios e serviços. A execução destas reformas complexas pressupõe uma
importante capacidade de coordenação interministerial. Impõe-se também reformas
para melhorar o funcionamento e a organização de certos ministérios e serviços
públicos gregos. Todos os princípios de coerência e de eficiência que presidem
à reforma da administração central devem ser aplicados à escala regional e
local. A UE fornece um
apoio tangível à reforma administrativa na Grécia, em particular no quadro do
Fundo Social Europeu, com um orçamento de 505 milhões de euros. A reforma da
administração pública é também um elemento central do Segundo Programa de
Ajustamento Económico[7]. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 2.6 do Memorando de
Entendimento): O grupo diretor de alto nível criado no início de 2012 para fiscalizar
e controlar a execução das reformas administrativas deve iniciar os seus
trabalhos assim que possível sob a autoridade do Primeiro-ministro. Convém
criar uma estrutura estável de coordenação interministerial. Devem ser criadas
estruturas horizontais em cada ministério para aplicar, de acordo com regras
comuns, os procedimentos relativos à auditoria orçamental e financeira, ao
controlo interno ou à gestão dos recursos humanos. Será necessário definir e pôr em prática, de forma urgente, um roteiro
e medidas de reforma administrativa a nível regional e local. A aceleração da
execução do programa de reforma administrativa financiado pelo FSE será crucial
para a obtenção de resultados em tempo útil. 2.3.2. Reforma fiscal, administração
fiscal e gestão das finanças públicas É urgente uma reformulação do sistema fiscal
grego. A estrutura tanto dos impostos diretos como indiretos – nomeadamente
sobre os imóveis – deveria ser aperfeiçoada no sentido do apoio à estabilidade
e ao crescimento. A existência de um grande número de isenções, regras
especiais e regimes preferenciais, para além de diminuir a base tributária,
resulta num sistema complexo e difícil e gerir e cumprir. Ao aumentarem essa
complexidade, as isenções e exceções poderão também resultar em elevados níveis
de fuga aos impostos e de fraude fiscal, prestando-se à evasão fiscal e à
corrupção, com perdas consideráveis de receitas para o Estado e pondo em causa
a viabilidade das empresas. A reforma fiscal deverá, portanto, visar uma
melhoria da qualidade da legislação e da administração fiscal e do grau de
observância das obrigações fiscais. A administração fiscal grega deve ser objeto
de esforços incansáveis para reforçar a sua capacidade de cobrança junto de
todas as componentes da sociedade. Devem ser tomadas medidas eficazes para
melhorar o enquadramento de governação e a independência da administração
fiscal. Os progressos em termos de melhoria da contabilidade nacional devem ser
continuados. As lacunas nessas frentes desempenharam um papel determinante na
deterioração da situação orçamental grega. O aperfeiçoamento da administração
fiscal e o combate à evasão fiscal são também essenciais para garantir uma
repartição equitativa do peso do ajustamento. Por sua vez, a administração fiscal grega deve
reembolsar urgentemente os cerca de 700 milhões de euros de adiantamentos sobre
o IVA pagos pelas empresas exportadoras. É extremamente pernicioso para as
empresas em dificuldades subordinar esses reembolsos à realização de auditorias
discricionárias por funcionários da administração fiscal. Um reforço das capacidades impõe-se igualmente
para garantir uma gestão transparente dos fundos públicos e lutar contra a
fraude e corrupção. Ações preconizadas para 2012 (ver pontos 2.e e 2.4 do Memorando de
Entendimento): A reforma abrangente do sistema fiscal deverá ser cuidadosamente
preparada ao longo dos próximos meses, de modo a aumentar a eficiência e a
contribuir para a criação de emprego. Convém intensificar os esforços em matéria de cobrança das dívidas
fiscais e de auditoria dos particulares com grandes fortunas, não deixando de
desenvolver esforçar para simplificar profundamente os aspetos jurídicos e
processuais do sistema fiscal, com base na assistência técnica que está a ser fornecida. Deve ser adotada uma estratégia de luta contra a fraude que englobe as
receitas e as despesas públicas. 2.3.3. Reforma dos sistemas de saúde
e de reformas Para manter o acesso universal aos cuidados de
saúde e melhorar a respetiva qualidade no quadro de uma disciplina orçamental
nitidamente reforçada, a Grécia deve encontrar meios para conter o custo dos
produtos e aumentar a eficiência do conjunto do sistema. Isso deve ser feito
com a preocupação de melhorar a qualidade do conjunto dos serviços de cuidados
públicos de saúde, nomeadamente atacando as desigualdades de cobertura e
obviando à dispersão que caracteriza a governação e a administração do sistema.
Será importante assegurar um consumo mais
responsável dos serviços e dos produtos de cuidados de saúde, nomeadamente
reduzindo as despesas e os desperdícios em relação aos equipamentos médicos e
produtos farmacêuticos. O meio de alcançar este objetivo é criar sistemas de
prescrição de medicamentos mais transparentes e mais profissionais e um sistema
de aquisições para o setor da saúde (a Grécia adotou as receitas em linha e
realizou recentemente um primeiro leilão eletrónico de produtos farmacêuticos).
A resposta às necessidades de recursos humanos a longo prazo, com particular
saliência para a formação e retenção dos profissionais de saúde primária e
enfermeiros, será importante para a sustentabilidade do sistema de cuidados de
saúde. A Grécia adotou em 2010 uma das mais
ambiciosas reformas dos regimes de pensões na UE. Essas reformas irão contribuir
para a viabilidade a longo prazo do regime de pensões grego. Uma vez que a esperança de vida à nascença
aumentou significativamente na última década - atingiu 78,4 anos para os homens
e 82,8 anos para as mulheres em 2010, por comparação com a média da UE27 em
2008, respetivamente 76,4 e 82,4 anos – o processo de reforma deve atribuir uma
maior importância ao impacto do envelhecimento demográfico nos sistemas de
saúde e de pensões. Ações preconizadas para 2012 (ver pontos 2.7 e 2.8 do Memorando de
Entendimento): A Grécia deve diligenciar no sentido de criar um conjunto de medidas
destinadas a: i) melhorar a governação do sistema de saúde reduzindo
simultaneamente a dispersão das responsabilidades e os custos administrativos;
ii) reduzir as despesas farmacêuticas, atuando sobre os preços, a prescrição e
o reembolso dos medicamentos e promovendo os medicamentos genéricos; iii)
centralizar as encomendas públicas; iv) criar um sistema de saúde em linha
completo e uniforme, a fim de melhorar o acompanhamento, a transparência e a
eficiência do sistema de saúde; e v) apresentar um instrumento de planificação
dos recursos humanos que descreva as necessidades de pessoal a longo prazo no
setor da saúde. Essas medidas são necessárias para dispor de um serviço de saúde
verdadeiramente nacional, que garanta a justiça, a equidade, a eficiência e a
qualidade dos serviços e das despesas. Será conveniente concluir a reforma do sistema de pensões, reformando
os regimes secundários e complementares e reprimindo a fraude em matéria de
pensões de invalidez. 2.3.4. Reforma judicial A administração judicial grega deve também ser
objeto de uma reforma, tendo em conta a sua eficácia diminuta à luz das normas
internacionais. Os cidadãos e as empresas devem poder confiar no sistema judicial
para lhes fornecer soluções eficazes e que lhes permitam fazer valer os seus
direitos. O sistema caracteriza-se pela complexidade dos procedimentos, o que
se traduz em atrasos excessivos (muito superiores à média da OCDE) na resolução
dos litígios e na acumulação de casos pendentes, não obstante um número
relativamente elevado de tribunais e de juízes em relação à população grega. As
medidas da reforma judicial apresentadas no Segundo Programa de Ajustamento
Económico podem dar uma contribuição importante para a retoma económica, ao
estimular o consumo privado, o investimento estrangeiro e o espírito de
empreendedorismo nacional. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 4.5 do Memorando de
Entendimento): A Grécia deveria esforçar se por: i) reabsorver o volume de processos
pendentes nos tribunais (processos fiscais, civis e comerciais); ii) incentivar
os cidadãos e as empresas a recorrerem a outros modos de resolução dos
litígios, tais como a mediação, a fim de aligeirar a carga de trabalho dos funcionários
judicias; iii) criar novas aplicações para um sistema de justiça em linha; iv)
rever o código do processo civil; e v) adotar e pôr em prática uma estratégia
anticorrupção. 2.3.5. Melhorar a coordenação interna O Segundo Programa de Ajustamento Económico
define um programa completo a pôr em prática pelas autoridades gregas.
Representa também a "massa crítica" necessária para que o processo de
reforma estrutural iniciado prossiga por si só. Todavia, não existe atualmente, no governo
grego, um "centro nevrálgico" para coordenar e acompanhar o processo
de reforma. Um tal mecanismo será necessário para manter as reformas numa boa
trajetória e permitir ao governo exercer um controlo transparente e eficaz
sobre todo o processo. O governo e o parlamento poderão apoiar-se neste
mecanismo para supervisionar a execução das reformas, o que facilitará a
correção de eventuais derrapagens. Por último, facilitará a criação de uma
capacidade autónoma de conceção e de execução das reformas estruturais. Está também a ser prestada assistência técnica
com o objetivo de melhorar a qualidade das estatísticas oficiais, que são
objeto de um plano de ação global conjunto (Joint Overall Statistical Greek
Action Plan - JOSGAP). Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 5 do Memorando de
Entendimento): Deve ser criado um mecanismo de supervisão e de coordenação das
reformas estruturais, que deverá estar plenamente operacional em meados de
2012. 3. A União Europeia pode ajudar 3.1.1. Mobilizar os fundos da UE Os recursos disponíveis através dos fundos da
UE constituem uma força de intervenção económica não negligenciável[8]. Mais de 20 000 milhões de
euros foram atribuídos para o período 2007-2013 no quadro dos fundos
estruturais e de coesão, aos quais se acrescem 21 000 milhões de euros a
título da política agrícola comum. No entanto, foram utilizados menos de metade
dos recursos provenientes dos fundos estruturais e de coesão e a absorção dos
financiamentos de desenvolvimento rural poderia também ser melhorada. Isso
implica que um determinado volume de recursos não foi utilizado para estimular
a procura e o investimento e criar emprego a curto prazo, criando
simultaneamente os alicerces de um crescimento sustentável. A Comissão recenseou, conjuntamente com as
autoridades gregas, um certo número de projetos prioritários que podem dar um
impulso imediato ao crescimento e ao emprego. Propôs igualmente um instrumento
de partilha de riscos para relançar o investimento privado nos grandes projetos
de infraestruturas. Este instrumento desempenhará um papel fulcral enquanto
catalisador para projetos cruciais como as concessões de autoestradas e
investimentos importantes na gestão dos resíduos. Ações preconizadas para 2012 (ver ponto 4.3 do Memorando de
Entendimento): A Grécia deve perseverar nos seus esforços para alcançar os objetivos
de absorção dos recursos dos fundos estruturais e de coesão, de apresentação de
candidaturas para grandes projetos e de redução progressiva dos auxílios
estatais “de minimis” não orientados para fins específicos. Os esforços
realizados para simplificar a gestão dos fundos da UE devem ser prosseguidos:
convém suprimir encargos administrativos supérfluos assegurando simultaneamente
a estabilidade das condições de execução. Os preparativos técnicos necessários para o instrumento de partilha dos
riscos devem avançar rapidamente para que o instrumento possa ser ativado assim
que possível, após a conclusão de um acordo político entre o Parlamento Europeu
e o Conselho. A Grécia deve concluir um acordo sobre a necessária reestruturação das
concessões de autoestradas, a fim de assegurar a respetiva viabilidade
económica. Convém aumentar sensivelmente, e o mais rapidamente possível, o número
de projetos contratados - em especial os 181 projetos prioritários - a fim de
garantir a respetiva conclusão antes do final de 2015. 3.1.2. Assistência técnica / A taskforce
para a Grécia A Comissão Europeia, por intermédio da taskforce
especial criada para a Grécia e que se encontra sob a responsabilidade do
Presidente Barroso, continuará a conceder a sua ajuda ao país para organizar e
mobilizar a assistência técnica necessária à execução destas reformas
ambiciosas. A taskforce está já a trabalhar em
estreita colaboração com as autoridades gregas para recensear as necessidades e
mobilizar a experiência dos outros Estados-Membros e das organizações
internacionais em matéria de absorção dos fundos estruturais, de administração
fiscal / gestão das finanças públicas (incluindo a luta contra a fraude, o
contrabando e a corrupção), de reforma da administração pública, de melhoria do
ambiente empresarial, de reforma da justiça e de reforma do sistema de saúde.
Numerosos Estados-Membros participam, pondo à disposição das autoridades gregas
especialistas reconhecidos que podem aconselhá-las. A Comissão apresentará relatórios regulares
sobre a execução do Segundo Programa de Ajustamento Económico e sobre os
trabalhos da taskforce para a Grécia. 4. Conclusão A transformação económica da Grécia não se
fará e um dia para o outro, mas podem esperar‑se progressos
significativos ainda em 2012. Essas reformas estruturais profundas e a correção
dos desequilíbrios acumulados desde há vários anos serão morosas, mas as ações
preconizadas na presente comunicação deverão criar as condições de uma retoma e
transformar a Grécia num país mais dinâmico, moderno, inovador, sustentável e
justo. Os desafios são inúmeros. A Grécia precisa de remodelar
grandes áreas da sua administração pública e tornar-se num país atrativo para
os investidores e as empresas. Deve proceder a um reequilíbrio profundo da sua
economia, em benefício de atividades mais produtivas e assentes na concorrência
e de produtos e serviços inovadores com elevado valor acrescentado. O mercado
de trabalho deve ser reformado por forma a mobilizar e valorizar o capital
humano, oferecer possibilidades de emprego mais numerosas e de melhor qualidade
e restabelecer a competitividade. A preservação das condições para um diálogo
social real e construtivo deverá também contribuir para o êxito das reformas
iniciadas. A Grécia já realizou importantes progressos no
sentido de uma redução sensível dos seus desequilíbrios orçamentais, do
controlo das suas despesas e do aumento das suas receitas fiscais. O Segundo
Programa de Ajustamento Económico é o quadro indicado para a prossecução desta
transformação. Permitirá à Grécia voltar a página relativamente a anos de
políticas insustentáveis e de perda de competitividade, graças a medidas
determinadas tendentes a repor o seu défice e a sua dívida pública numa
trajetória sustentável e a libertar o potencial da sua economia. A integral
execução do programa, nomeadamente através da mobilização dos instrumentos de
apoio da UE existentes, criará as bases sobre as quais irão assentar no futuro
o crescimento, o emprego e a coesão social; restabelecerá, tanto no estrangeiro
como no país, a confiança concedida à Grécia e permitirá àqueles que terão
sofrido mais com a crise viver numa sociedade mais justa. Em última análise, o
êxito deste processo depende unicamente da Grécia. A solidariedade do resto da
UE e das instituições europeias manifestou-se muito concretamente, ao longo da
crise, através de um apoio financeiro considerável e dos conhecimentos postos à
disposição para apoiar este processo de transformação. A presente comunicação refere
as principais medidas a adotar, nas próximas semanas e meses, para provar que é
possível inverter a situação e iniciar uma verdadeira transformação em benefício
de todos os cidadãos gregos. ANEXO No presente
anexo a Comissão apresenta, de forma mais pormenorizada, o apoio disponível a
nível da UE: –
A secção 1 dá uma visão do impacto da crise na
Grécia; –
A secção 2 apresenta informação pormenorizada sobre
o apoio financeiro do orçamento da UE e explica como as regras gerais foram
adaptadas à situação da Grécia; –
A secção 3 mostra como as principais políticas da
UE podem contribuir para o crescimento e o emprego na Grécia e indica que o
país deve explorar o seu potencial. Os resultados em todos esses domínios
reforçar-se-ão à medida que as reformas estruturais previstas no Segundo
Programa de Ajustamento Económico forem postas em prática e comecem a
transformar a economia. 1. Incidência da crise na
Grécia Olhando para trás, torna-se agora evidente que
o forte crescimento do PIB (4% por ano em média) registado pela Grécia durante
a década anterior à crise não era sustentável. Este crescimento era alimentado
pelo aumento dos salários reais sem ligação com a produtividade e por um
crescimento excessivo do crédito, taxas de juro reais diminutas e uma política
orçamental laxista. Os resultados a curto prazo da economia grega esconderam
importantes e numerosas deficiências, designadamente uma competitividade e uma
produtividade diminutas, um ambiente desfavorável às empresas, reduzidos
investimentos dos setores privado e público, um sistema fiscal complexo e
obsoleto e um sistema judicial ineficaz. Durante este período foram-se criando
desequilíbrios perigosos. A expansão da procura, combinada com a reduzida
competitividade externa, provocou um rápido agravamento dos desequilíbrios
externos. Entre 2000 e 2009, a competitividade degradou-se de 10 a 20%. Em
2008, o défice da balança corrente atingia 14% do PIB. Os desequilíbrios
orçamentais agravavam-se e permaneciam elevados, visto que as despesas
excessivas não eram compensadas por qualquer aumento das receitas. O défice
público foi constantemente superior a 3% do PIB desde a adoção do euro, tendo
disparado em 2009 para atingir cerca de 16% do PIB. Esses desequilíbrios deixaram o país muito
exposto ao abrandamento da economia mundial e provocaram um aumento
significativo da dívida púbica, que fragilizou a capacidade de financiamento da
economia grega. A dívida pública passou de cerca de 100% do PIB em 2000 para
129% em 2009. Os diferenciais das taxas de juro das obrigações agravaram-se até
alcançarem níveis recorde, visto que os mercados tinham perdido confiança na
capacidade da economia e do governo grego para reembolsarem as suas dívidas, o
que desencadeou a crise da dívida soberana. O facto de as previsões orçamentais do governo
e as estatísticas oficiais gregas não revelarem a verdadeira amplitude do
problema agravou a situação e atrasou a aplicação de medidas corretivas. Em
2009, quando a dimensão do problema foi oficialmente reconhecida pelo governo
que entrou em funções em outubro, as previsões do défice público foram revistas
em alta com um aumento de 6 pontos percentuais do PIB. A Grécia, confrontada com as consequências de
um ajustamento económico rápido, atravessa atualmente uma recessão muito
profunda. O PIB sofreu uma quebra superior a 11% desde o início da crise e
deverá continuar a contrair-se em 2012. Esta degradação da atividade económica
era em parte inevitável, tendo em conta o crescimento insustentável anterior à
crise. No entanto, a procura externa foi mais reduzida do que o previsto e a
crise económica foi também agravada pela execução insuficiente das reformas
estruturais e pela instabilidade política e social, bem como pelos problemas de
liquidez associados à fuga de capitais. O possível regresso a um crescimento
positivo em 2014 depende de forma crucial das medidas que vierem a ser adotadas
nas próximas semanas e meses. A crise teve consequências sociais graves. O
desemprego aumentou enormemente nos últimos dois anos, situando-se atualmente
em17,7% (média anual para 2011). Segundo previsões recentes, poderá ultrapassar
a barreira dos 20% em 2012 e 2013, antes de voltar a diminuir. O desemprego de
longa duração aumentou para 9,1% da população ativa e continuará provavelmente
a registar um aumento. O aumento do número de agregados familiares sem emprego
que a Grécia conheceu recentemente é um dos mais fortes da Europa. Os jovens
foram particularmente afetados. Em novembro de 2011, o desemprego dos jovens
elevava-se a 48%, ou seja, duas vezes mais do que dois anos antes. No terceiro
trimestre de 2011, cerca de 45% dos desempregados com idades compreendidas
entre 15 e 24 anos eram desempregados de longa duração, contra 30% dois anos
antes. Antes da crise, a Grécia já registava uma das
taxas de pobreza mais elevadas da UE; a profunda recessão económica apenas veio
agravar essa pobreza, a exclusão social e a exclusão em matéria de habitação,
afetando o rendimento disponível. O número de pessoas sem-abrigo aumenta entre
as famílias com crianças e os jovens, bem como no caso dos migrantes em
situação irregular, cuja presença em número cada vez maior veio avivar as
tensões. 2. Como é que a UE tem vindo a ajudar
a Grécia? 2.1. Os Primeiro e Segundo
Programas de Ajustamento Económico – programas de reforma da economia Em 2010, assim que foi revelada a verdadeira
dimensão da crise, a UE e a comunidade internacional intervieram rapidamente
para ajudar a Grécia. Esta ajuda assumiu a forma de dois ambiciosos programas
de ajustamento económico, que incluíram a concessão de uma ajuda financeira
maciça sob condição de que fossem iniciadas ações globais e duradouras para
estabilizar as finanças públicas, restabelecer a estabilidade financeira e pôr
em prática reformas estruturais suscetíveis de reforçar o crescimento. O Primeiro Programa de Ajustamento
Económico foi lançado em maio de 2010, com compromissos de empréstimo num
montante de 110 000 milhões de euros, dos quais 73 000 milhões de
euros foram desembolsados. O Segundo Programa de Ajustamento Económico foi
acordado em março de 2012 e prevê um pacote de empréstimos num montante máximo
de 130 000 milhões de euros, aos quais se acrescem os fundos residuais do
primeiro programa. O Primeiro Programa de Ajustamento Económico
já resultou num saneamento orçamental notável. As medidas aplicadas desde o
início da crise representam, no total, mais de 20% do PIB, o que constitui um
dos ajustamentos orçamentais mais ambiciosos jamais efetuados na UE. Foram
adotadas medidas difíceis, mas necessárias, para reduzir os vencimentos no
setor público e as pensões de reforma, aumentar os impostos e reformar o
mercado do trabalho, nomeadamente instituindo um salário inferior ao mínimo
legal para os jovens e os desempregados de longa duração. O progresso no sentido de alcançar os
objetivos ambiciosos do Primeiro Programa de Ajustamento Económico foi desigual
não obstante os importantes esforços desenvolvidos. O défice público foi
reduzido, passando de cerca de 16% do PIB em 2009 para 9,25% do PIB no ano
passado, enquanto o défice da balança corrente diminuiu 4 pontos percentuais
entre 2009 e 2011, para se situar um pouco abaixo de 10% do PIB. Neste contexto, os auxílios estatais ao setor
bancário grego, associados às intervenções do Banco Central Europeu e do Banco
Central da Grécia, contribuíram para estabilizar a economia grega, assegurar o
funcionamento do sistema e evitar um colapso financeiro que poria ainda mais em
perigo o resto da economia e, designadamente, os depositantes. Um acordo sobre um ambicioso Segundo
Programa de Ajustamento Económico para a Grécia foi concluído em fevereiro
de 2012. No período de 2013 e 2014, será necessário um novo ajustamento
orçamental de cerca de 5,5% do PIB para repor a dívida pública numa trajetória
mais sustentável. O ajustamento orçamental consistirá principalmente em
reduções das despesas orçamentais, a fim de limitar a sua incidência negativa
no potencial de crescimento da economia grega. As economias serão
principalmente realizadas com base na racionalização das prestações sociais e
pelo melhor enquadramento dos seus beneficiários, sem pôr em causa a proteção
social de base para os mais vulneráveis O Segundo Programa de Ajustamento Económico
põe ainda mais a tónica nas reformas estruturais suscetíveis de reforçar o
crescimento. Uma reforma fiscal favorável ao crescimento – que deve ser
elaborada nos próximos meses – simplificará o sistema fiscal e torná-lo-á mais
eficiente, reduzindo os custos de conformidade para as empresas e os cidadãos e
eliminando as isenções e os regimes preferenciais. A reforma abrangerá todos os
domínios da fiscalidade direta e indireta (imposto sobre os rendimentos,
imposto das sociedades, IVA, impostos prediais, contribuições sociais dos
empregadores). Ao alargar a matéria coletável, a reforma permitirá uma redução
dos elevados impostos marginais sobre o trabalho. Este domínio é um dos
domínios principais em que a Comissão, em colaboração com o FMI e vários
Estados-Membros, fornece uma assistência técnica às autoridades gregas para as
ajudar a reformar um sistema fiscal obsoleto e substitui-lo por um sistema
moderno e mais eficaz. Quando a luta contra a evasão fiscal e o
sistema fiscal mais justo começarem a produzir resultados, os cidadãos gregos
estarão mais dispostos a aceitar o programa de ajustamento. A justiça social
sempre foi um elemento importante na conceção dos programas. Assim, quer no que
se refere à reforma das pensões, dos outros programas sociais, do mercado de
trabalho e dos cuidados de saúde, quer à luta contra a evasão fiscal, foram
desenvolvidos especiais esforços para proteger os grupos mais vulneráveis da
população. O programa é concebido para garantir a
sustentabilidade da dívida e para construir uma nova economia grega. O objetivo
é ajudar a Grécia a reforçar a sua competitividade nos próximos anos e a obviar
rapidamente às taxas de desemprego inaceitáveis, reduzindo o custo do trabalho,
atualmente insustentável, e criando um mercado de trabalho mais moderno e
flexível. Os mercados de produtos e serviços serão também objeto de reformas
para reforçar a concorrência e a flexibilidade dos preços e fazer com que a
diminuição dos custos se traduza num crescimento económico mais elevado em
benefício de todos. O programa transformará também o ambiente para as empresas,
ao melhorar as condições de base para o empreendedorismo e para os projetos
inovadores, condição indispensável para o futuro dinamismo da economia grega. 2.2. Apoio do orçamento da UE A Grécia recebe desde 2007 e continuará a
beneficiar até 2013 de um apoio financeiro considerável do orçamento da UE. Os
fundos da UE apoiam a renovação de numerosos setores da economia e ajudam os
cidadãos a encontrar um emprego. No total, mais de 20 000 milhões de euros
dos fundos estruturais da UE encontram-se disponíveis, o que constitui um
importante fundo de investimento a favor do crescimento e do emprego na Grécia. Quadro: Como é que os fundos da UE ajudam a
economia e a sociedade gregas Fonte de financiamento do orçamento da UE || Montantes disponíveis e montantes disponibilizados Fundos estruturais e de coesão || 20 200 milhões de euros atribuídos, 8 400 milhões de euros já disponibilizados Agricultura: Pagamentos diretos e intervenções de mercado Desenvolvimento rural || Cerca de 2 400 milhões de euros por ano, 17 000 milhões de euros durante o período 3 900 milhões de euros atribuídos, 1 700 milhões de euros já disponibilizados Fundo Europeu das Pescas || 210 milhões de euros atribuídos, 70 milhões de euros já disponibilizados Programa-Quadro de Investigação || Durante todo o período, poderá ser concedido um montante de 1 000 milhões de euros a organizações gregas, no âmbito de convites à apresentação de propostas Programa-Quadro para a Inovação e a Competitividade || 14 milhões de euros disponibilizados até ao presente a beneficiários gregos Programa para a Educação e a Formação ao longo da vida e Programa “Juventude em Ação” || 188 milhões de euros atribuídos, ≈ 108 milhões de euros disponibilizados Solidariedade e Gestão dos Fluxos Migratórios (SOLID) || 228 milhões de euros atribuídos, ≈ 70 milhões de euros disponibilizados Instrumento Europeu de Microfinanciamento (Progress Microfinance) || 8,75 milhões de euros atribuídos para um empréstimo prioritário e 0,8 milhões atribuídos para uma garantia a um organismo grego de microcrédito Ações realizadas até à data Embora não faltem verbas da UE para apoiar
projetos capazes de reforçar o crescimento na Grécia, nem todas as vantagens
associadas aos fundos estruturais estão já concretizadas. Isto deve-se ao facto
de existirem vários estrangulamentos administrativos que impedem as ajudas financeiras
de alcançarem os setores da economia real em que são necessários. Para fazer face a estes problemas, a Comissão
propôs um certo número de medidas concretas para simplificar e racionalizar a
gestão dos fundos estruturais e acelerar a sua absorção por forma a incentivar
o investimento. De entre estas medidas, muitas já foram postas em prática na
Grécia e estão a produzir resultados. Caixa: Como
é que a Comissão ajudou a Grécia a tirar melhor partido dos fundos estruturais
da UE? A Comissão
formulou uma série de propostas para simplificar a execução da política de
coesão e torná-la mais flexível. Essas alterações eliminaram os obstáculos
administrativos aos investimentos e permitem reprogramar mais facilmente a
afetação das verbas para apoiar as grandes prioridades em matéria de
crescimento. Propostas em 2008, entraram em vigor em 2009. A Comissão
também propôs aumentar o pré-financiamento ao aumentar o montante dos
adiantamentos para os programas apoiados pelos fundos estruturais da UE.
Isso permitiu um financiamento muito mais rápido dos projetos prioritários – o
montante total dos adiantamentos a favor da Grécia eleva-se a cerca de 1 500
milhões de euros. Execução em 2009. O limiar a
partir do qual um projeto necessita a aprovação prévia da Comissão foi
aumentado de 25 milhões de euros para 50 milhões de euros, o que torna o
arranque de projetos mais fácil não deixando de assegurar que as verbas sejam
gastas de forma adequada. Execução em junho de 2010. Após um
aumento anterior da taxa de cofinanciamento da UE relativamente aos fundos
estruturais na Grécia para 85%, a Comissão propôs um novo aumento dessa taxa
em mais 10 pontos percentuais. Esta alteração significa que os grandes projetos
recebem um maior apoio por parte do orçamento da UE e não serão atrasados pelo
saneamento orçamental em curso na Grécia. O impacto combinado deste complemento
e do maior cofinanciamento é muito significativo: cerca de 958 milhões de euros
para o conjunto dos fundos estruturais. Proposto em agosto de 2011, entrou
em vigor em dezembro de 2011. A Comissão
alterou as regras da UE a fim de permitir o cofinanciamento do capital de
exploração das empresas, o que constitui uma ajuda vital para as PME. Execução
em novembro de 2011: essas disposições legislativas devem agora ser
plenamente aplicadas pela administração grega. A Comissão
trabalha em estreita cooperação com o Banco Europeu de Investimento para
desbloquear um certo número de instrumentos financeiros apoiados pelos fundos
estruturais e cujo objetivo é conceder o crédito que é extremamente necessário
para as PME gregas, nomeadamente no âmbito da iniciativa JEREMIE, do fundo para
o empreendedorismo ETEAN e do instrumento europeu de microfinanciamento Progress. Foi criado
recentemente um fundo de garantia para as PME, com o apoio da Comissão, que
conta com 500 milhões de euros provenientes dos fundos estruturais. Assim que
estiver operacional, esse fundo fornecerá aos bancos liquidez suplementar num
montante máximo de 1 000 milhões de euros, que deverão ser utilizados para
conceder empréstimos às PME. É urgente e prioritário tornar o fundo de garantia
para as PME plenamente operacional e trabalhar em conjunto com o BEI no sentido
de garantir um fluxo de liquidez para a economia real. Proposto em 2011,
assinado em março de 2012: A Comissão propôs a criação de um instrumento
de partilha dos riscos para apoiar os projetos de infraestruturas em grande
escala nos setores dos transportes, da energia e do ambiente. Os empréstimos
apoiados por esse instrumento de partilha dos riscos permitirão a conclusão de
projetos de investimento em curso e facilitarão o lançamento de novos projetos.
Projetos de importância crítica, como as grandes concessões de autoestradas,
que abrangem 1 400 km das redes transeuropeias, e projetos essenciais no domínio
da gestão dos resíduos poderão ser apoiados da mesma forma. Proposto em
outubro de 2011; acordo político esperado em maio de 2012. Próximas fases A Comissão, em cooperação com as autoridades
gregas, estabeleceu uma lista de 181 projetos prioritários em
cofinanciamento que representam um elevado valor de investimento em setores
importantes. A contribuição dos fundos estruturais para esses projetos eleva-se
a cerca de 11 500 milhões de euros. O objetivo é produzir resultados
tangíveis e estimular a economia, a competitividade e o emprego. Um grupo de ação especial (Action Team)
está a trabalhar com o governo grego para identificar as possibilidades de reafetar
os fundos em benefício dos projetos prioritários, por exemplo para lutar
contra o desemprego dos jovens ou apoiar as PME. Várias centenas de projetos importantes do
período de programação 2000-2006 continuam por concluir, existindo portanto
o risco de que as verbas afetadas a esses projetos tenham de ser reembolsadas
ao orçamento da UE. As autoridades gregas devem adotar com urgência medidas
para que esses projetos sejam concluídos nos prazos acordados. É igualmente urgente tornar o fundo de
garantia para as PME plenamente operacional, de modo a garantir um fluxo de
liquidez para a economia real. Devem ser igualmente adotadas medidas
suplementares para desbloquear as verbas que já foram disponibilizadas
ao sistema bancário, mas que ainda não foram reutilizadas sob a forma de
empréstimos às PME. A conclusão da recapitalização dos bancos, que está em
curso, será útil para este efeito. Os preparativos com vista à utilização do instrumento
de partilha dos riscos deverão iniciar-se logo que possível após o acordo
oficial previsto em maio. As verbas deverão ser disponibilizadas no quadro da
atual afetação dos fundos estruturais, que deverá ser alavancada de forma
significativa. O instrumento será gerido pelo BEI e a Comissão compromete-se a
adotar as suas modalidades de funcionamento assim que possível, sob a forma de
um acordo de cooperação com o BEI. A Grécia beneficia
também do instrumento de microfinanciamento europeu Progress.
Foi recentemente concluído um acordo para o fornecimento de uma
garantia a título deste instrumento a um organismo grego de microcrédito, o Pancretan
Cooperative Bank Ltd (PCB), o que permitirá a este organismo
oferecer até 6 milhões de euros em microempréstimos a microempreendedores
gregos (fundamentalmente empresas em fase de arranque e novos mutuários). Um
outro empréstimo prioritário que poderá alcançar 8,75 milhões de euros deverá
permitir que o PCB dê resposta à procura de numerosas microempresas que se
deparam com dificuldades em aceder ao financiamento em virtude do
estrangulamento do crédito e dos requisitos de elegibilidade mais estritos
aplicados pelo setor bancário grego. Com um efeito de alavanca de uma vez e
meia, este empréstimo garantido deverá permitir a concessão de microempréstimos
a microempresas num montante total de 13 milhões de euros. Foram adotadas medidas para simplificar os
procedimentos na administração grega e acelerar a seleção dos projetos e a
sua execução. Por exemplo, os procedimentos de emissão de licenças
arqueológicas e de licenças ambientais foram racionalizados e encurtados, em
conformidade com o Memorando de Entendimento. No entanto, muito mais poderia ser feito para acelerar
a absorção dos fundos estruturais e maximizar as suas repercussões ao
suprimir os obstáculos administrativos e ao racionalizar a gestão, visando
simultaneamente uma melhor coordenação e o reforço das sinergias entre o
conjunto das ações cofinanciadas pela UE. A adoção da legislação necessária
para encurtar e simplificar os procedimentos em matéria de celebração de
contratos e de expropriações permitirá acelerar a colocação em prática dos
projetos cofinanciados pela UE. Várias outras simplificações processuais,
nomeadamente tendentes à aceleração da execução de novos projetos e à
racionalização dos processos de pagamento, já foram objeto de acordo. Os
procedimentos revistos serão postos em prática a partir de abril. 2.3. Outros tipos de apoio à
Grécia financiados pelo orçamento da UE O apoio concedido ao crescimento e ao emprego
na Grécia pelo orçamento da UE não se limita aos fundos estruturais. Uma vasta
gama de outros programas da UE contribuem para a modernização da economia
grega, criando perspetivas de emprego e melhorando a competitividade. Agricultura, desenvolvimento rural e pescas A Grécia recebe cerca de 2 400 milhões de
euros por ano sob forma de pagamentos diretos aos agricultores, aos
quais vêm acrescentar-se cerca de 70 milhões de euros em despesas associadas ao
mercado. Além disso, 3 900 milhões de euros estão
disponíveis para apoiar o desenvolvimento das zonas rurais. Tal como
para os fundos estruturais, a taxa de cofinanciamento para o FEADER foi
aumentada em 10 pontos percentuais, sob proposta da Comissão. Esta medida irá
ocasionar economias de cerca de 567 milhões de euros para o orçamento nacional. Até dezembro de 2011, já haviam sido
disponibilizados 1 700 milhões de euros no quadro do desenvolvimento
rural, para auxiliar mais de 8 000 jovens, homens e mulheres, a
instalarem-se enquanto agricultores nas zonas rurais da Grécia. Essas verbas
foram utilizadas para estimular o crescimento económico nas zonas rurais
através de investimentos diretos no setor agrícola, bem como na transformação e
comercialização dos produtos agrícolas. Incentivam igualmente a necessária
diversificação da economia rural, por exemplo ao promover o turismo, as
pequenas empresas e a proteção do ambiente. O Fundo Europeu das Pescas contribui
para a criação de novos postos de trabalho, principalmente na aquicultura e na
transformação. Apoia a execução de estratégias locais de desenvolvimento tanto
nas ilhas como nas zonas costeiras da Grécia continental, designadamente nas
zonas mais remotas onde o desemprego é elevado. As verbas da UE contribuem para
a manutenção e o desenvolvimento do emprego, incentivando a diversificação das
atividades económicas e promovendo a qualidade do ambiente costeiro, por
exemplo através de apoios ao ecoturismo e à preservação do património natural e
arquitetónico. Investigação, inovação e espírito
empresarial A UE apoia a Grécia no domínio da investigação
e do desenvolvimento tecnológico contribuindo para os custos suportados
pelos organismos gregos que participam no Sétimo Programa-Quadro de
Investigação e Desenvolvimento Tecnológico. No total, cerca de 622 milhões de
euros foram concedidos a organismos gregos durante o período de 2007 a 2011 e
vários centenas de milhões suplementares poderão sê-lo até 2013 no quadro dos
próximos convites à apresentação de propostas. As organizações gregas têm sido
particularmente bem-sucedidas no domínio das tecnologias da informação e da
comunicação, que representa cerca de 211 milhões de euros do conjunto das
verbas atribuídas à Grécia. Este financiamento irá apoiar projetos de
investigação inovadores, que ajudarão a economia grega a tornar-se competitiva
nos setores tecnológicos mais avançados. Os investigadores gregos beneficiaram
igualmente de cerca de 50 milhões de euros no quadro do programa Marie Curie,
o que lhes permitiu colaborar com os seus homólogos na União e atraiu
investigadores de alto nível para a Grécia. Entre 2007 e 2011 a Grécia também beneficiou
de subvenções atribuídas a título do Programa para o Espírito Empresarial e
a Inovação, que se elevaram a um pouco mais de 14 milhões de euros. Essas
verbas foram utilizadas para criar na Grécia plataformas no quadro da rede Enterprise
Europe Network, que propõe serviços gratuitos às empresas, e para apoiar
toda uma série de projetos tendentes a libertar o potencial de crescimento da
eco -inovação. O Programa Energia Inteligente -
Europa II forneceu aos seus beneficiários gregos 10 milhões de euros sob a
forma de subvenções para financiar projetos que visam eliminar os obstáculos à
entrada das energias renováveis no mercado e melhorar a eficiência energética.
Por outro lado, os promotores de projetos gregos têm acesso aos produtos de
financiamento oferecidos pelo Fundo Europeu para a Eficiência Energética,
em prol de projetos de investimento nos domínios da eficiência energética e das
energias renováveis nas diferentes cidades e regiões. Educação A reforma do sistema de ensino grego e a luta
contra o desemprego dos jovens foram reforçados por um apoio em grande escala
fornecido pelo Fundo Social Europeu, bem como por uma importante
assistência às organizações e cidadãos gregos no quadro do Programa Europeu
para a Educação e a Formação ao Longo da Vida. As organizações gregas irão
receber cerca de 165 milhões de euros durante o período em causa e já foram
concedidas subvenções que se elevam a mais de 94 milhões de euros para ajudar
os estudantes, os professores e os formadores a estudar e a desenvolverem as
suas competências noutros países. Só durante o período 2009-2010, cerca de
8 000 estudantes e professores participaram no programa. O programa
facilitou também a cooperação entre os estabelecimentos de ensino e de formação
gregos e os de outros Estados-Membros, o que irá ajudar ao desenvolvimento do
sistema de ensino grego. Vários milhares de jovens participaram em projetos
financiados pelo programa Juventude em Ação, o que contribui para
reforçar a sua empregabilidade e aumentar a sua mobilidade. Foram
disponibilizados cerca de 23 milhões de euros para a Grécia ao longo do período
de vigência do programa, dos quais já foram desembolsados 13,6 milhões de
euros. Assuntos internos A Comissão forneceu uma ajuda financeira
considerável aos sistemas de gestão das fronteiras, das migrações e do
direito de asilo, bem como para fazer face às consequências humanitárias da
pressão originada pelo elevado número de migrantes em situação irregular e de
requerentes de asilo. A Grécia adotou dois planos neste domínio: um plano de
ação para a gestão das migrações e do direito de asilo, que prevê medidas
concretas para obviar às lacunas nos procedimentos de asilo e de regresso ao
país de origem; e um plano de ação “Schengen Grécia” que prevê medidas
concretas para obviar às lacunas na gestão das fronteiras. Registaram-se
progressos, embora desiguais, em todos os domínios em causa. É importante agora
prosseguir esses esforços com base naquilo que já foi realizado. Todos os
países de UE têm interesse em que sejam postas em prática, na Grécia, políticas
sólidas e eficazes em matéria de migração e de asilo. A Grécia é um dos principais beneficiários do
programa Solidariedade e Gestão dos Fluxos Migratórios (SOLID). No
total, foi previsto um montante de 228 milhões de euros para o período 2010-2012,
a fim de ajudar a Grécia a controlar eficazmente as suas fronteiras externas, a
garantir o regresso dos migrantes em situação irregular e a pôr em prática uma
política de asilo credível. Estão previstas várias medidas, entre as quais o
aumento das taxas de cofinanciamento, para melhorar a absorção dessas verbas. 2.4. Assistência Técnica – A taskforce
para a Grécia (TFGR) Para além de um apoio financeiro proveniente
do seu orçamento, a UE fornece também uma assistência técnica considerável às
autoridades gregas. Em julho de 2011, a pedido do governo grego, a Comissão
criou uma taskforce especializada incumbida de fornecer assistência
técnica às autoridades gregas para as ajudar a pôr em prática os Programas de
Ajustamento Económico, bem como para apoiar a modernização da administração
grega e a absorção das verbas da UE[9]. Esta taskforce apoia a Grécia nos seus
esforços, mobilizando peritos oriundos dos Estados-Membros e de organizações
europeias ou internacionais. Desde a sua criação, participou na criação e
lançamento de grupos de trabalho incumbidos de prestar assistência técnica.
Trabalha atualmente, com as autoridades gregas em mais de 20 projetos de
assistência técnica, em 9 domínios de ação diferentes. Alguns desses grupos de
trabalho já estão ativos, enquanto outros estão prestes a ser lançados. Além
disso, estão em curso discussões exploratórias sobre um certo número de outros
projetos. Durante os seus primeiros meses de
funcionamento, a taskforce coordenou, nomeadamente com um total de 200
pessoas-dia de trabalho, peritos das administrações fiscais nacionais que se
deslocaram a Atenas por curtos períodos para prestar assistência técnica,
formação e ministrar seminários, incluindo cerca de 20 reuniões em diferentes
setores da administração fiscal. A Comissão concluiu, além disso, um acordo com
o FMI para uma assistência técnica reforçada no domínio da gestão das finanças
públicas e da administração das receitas, a fim de contribuir para o
financiamento de três conselheiros residentes (2 no domínio da administração
das receitas, 1 no domínio da gestão das finanças públicas) até dezembro de
2013 e de cerca de 900 dias de missões a curto prazo. Esta assistência técnica será dirigida para
várias áreas que se revestem de importância crucial para o sucesso do programa
e favorecerá a criação de um ambiente regulamentar seguro e viável, que apoie o
crescimento induzido pelas empresas, tentando solucionar as lacunas do mercado
de forma proporcionada e coerente. Este programa de assistência técnica visa
também melhorar a capacidade de pôr em prática as exigências legislativas ou
administrativas com eficácia e equidade e apoiar a reforma da administração
fiscal e a luta contra a evasão e a fraude fiscal, a gestão das finanças
públicas e a reforma da administração pública. A UE está também a ajudar a Grécia na criação
de uma autoridade estatística nacional independente e reforçada, pondo
prioritariamente a tónica na qualidade das estatísticas das finanças públicas
através de um plano de ação especial (JOSGAP). Este plano prevê também um apoio
a uma ampla gama de outros domínios estatísticos, bem como à reorganização da
autoridade estatística nacional. Foi nomeado um conselheiro residente de alto
nível e organizada uma assistência técnica, assegurada em permanência por
peritos no domínio das finanças públicas e, quando necessário, das contas
nacionais, bem como em outros domínios estatísticos. Estes melhoramentos,
facilitados pela nova governação da autoridade estatística nacional, já
conduziram a resultados positivos, uma vez que o Eurostat já validou três
notificações sucessivas do défice e da dívida. Esses progressos devem ser
consolidados e a capacidade dos estatísticos gregos deve ser reforçada. 3. Mobilizar as políticas chave
para favorecer o crescimento e o emprego 3.1. Reformas estruturais para
apoiar as empresas e o investimento A plena realização do potencial dos mercados
gregos de produtos e serviços irá requerer esforços contínuos e uma sólida
determinação política para desmontar uma teia de legislação complexa e de
estruturas administrativas ineficazes. Regras exageradamente vinculativas e
controlos desproporcionados e intrusivos contribuem para a falta de abertura
dos mercados e para uma concorrência insuficiente. Estes fatores explicam em
parte porque a Grécia é sistematicamente tão mal classificada no plano
internacional no que se refere ao clima dos negócios e à corrupção. Para que esta ação tenha êxito, o governo
grego deverá fazer sua a causa das empresas e considerá-las como parceiros, em
vez de uma fonte de risco. Em contrapartida, as empresas devem-se mostrar à
altura desta confiança, cumprindo os requisitos regulamentares e fiscais. Existem numerosas medidas evidentes – sem por
isso serem fáceis – que as autoridades gregas podem adotar para melhorar as
difíceis condições nas quais as empresas gregas operam atualmente. Algumas
destas reformas levarão tempo até produzirem resultados, mas uma ação rápida e
decisiva enviará um sinal forte de que a Grécia está empenhada em instituir um
ambiente mais favorável às empresas. Os compromissos que figuram no Memorando de
Entendimento revisto fornecem um bom quadro para a reforma, que exigirá a
completa reorganização da administração pública, para que esta facilite o
trabalho das empresas gregas, em vez de o dificultar. O processo de reforma
pode ser prosseguido nos domínios em que a necessidade de reforma é urgente,
tais como as exportações, o sistema aduaneiro e os contratos públicos. Facilitação e promoção das exportações Tradicionalmente, a economia grega é menos
aberta que numerosas outras de dimensão análoga, uma vez que a Grécia importa
mais (33% do seu PIB) do que exporta (22% do seu PIB) e financia a diferença
através de empréstimos. Doravante, deve adotar medidas para reequilibrar a sua
economia e apoiar a emergência de um setor exportador eficaz. A eliminação dos procedimentos e obstáculos
administrativos que complicam inutilmente o envio de mercadorias para o
estrangeiro é uma medida que pode intervir rapidamente. A atual organização do
desalfandegamento para exportação e das formalidades aduaneiras constituem um
importante obstáculo para as empresas – e são provavelmente dissuasoras para
numerosos potenciais exportadores de mais pequena dimensão que poderiam tentar explorar
os mercados estrangeiros. O desalfandegamento para exportação
aparenta-se a um percurso de combate burocrático para reunir certificados e
documentos inúteis exigidos por diversos ministérios e agências. O
desalfandegamento de um envio de produtos demora na Grécia, em média, 20 dias,
contra 10 dias em média na UE. 90% das expedições para exportação gregas são
objeto de um controlo físico ou documental, enquanto a média na UE é de 5%. A rápida supressão das exigências documentais
inúteis e uma reformulação total dos procedimentos aduaneiros podem eliminar a
maioria dessas “despesas supérfluas”. Estão atualmente a ser desenvolvidos
esforços, que contam com assistência técnica, para racionalizar e automatizar o
desalfandegamento para exportação e as formalidades aduaneiras. Esse trabalho
deve concluído com a maior urgência. Esses esforços devem ser apoiados por uma
estratégia dos poderes públicos e por uma reforma/coordenação de todos os
ministérios ou agências relevantes, a fim de apoiar os exportadores desejosos
de alargar as suas estratégias de venda aos mercados estrangeiros. Devem,
designadamente, criar meios para que os novos exportadores possam procurar
oportunidades nos mercados mais promissores. Embora as exportações de bens e produtos
manufaturados constituam uma prioridade a curto prazo, em virtude de a Grécia
ser tradicionalmente uma economia baseada nas PME e em atividades de
transformação de produtos agrícolas, outras iniciativas a médio prazo deverá
visar o aumento das exportações de serviços e a melhoria do potencial do país no
setor do turismo. Concorrência e acesso ao mercado A Grécia teria tudo a ganhar com mercados mais
concorrenciais e auxílios estatais menos discricionários. A título de exemplo,
uma maior concorrência nos mercados da energia beneficiaria os consumidores, aumentaria
a segurança dos abastecimentos e contribuiria para a realização dos objetivos
ambientais. De igual forma, no setor farmacêutico, é necessária uma maior
concorrência no mercado dos medicamentos não patenteados, para obter
medicamentos genéricos mais baratos, que podem contribuir para o controlo do
orçamento da saúde. Uma política de auxílios estatais mais bem
orientada pode apoiar a retoma da economia grega, diminuindo simultaneamente a
carga para os recursos públicos, desde que a despesa pública seja orientada
para setores que reforcem o crescimento a longo prazo e estimulem a criação de emprego.
O governo grego aceitou criar uma unidade central incumbida de controlar e
verificar os auxílios estatais antes da notificação à Comissão de eventuais medidas
de auxílio. A Comissão pode fornecer a ajuda técnica necessária às autoridades
gregas, a fim de as ajudar a alcançar este objetivo. Iniciativas importantes estão a decorrer para
melhorar o acesso aos mercados, favorecer a concorrência e incentivar práticas em
matéria de fixação de preços mais concorrenciais. A aplicação na íntegra da
legislação de 2011 sobre as profissões regulamentadas (Lei 3919/2011) pode
tornar caducas numerosas disposições que restringem o direito ou a forma de
aceder a uma profissão. Esta lei está atualmente em fase de execução e as
propostas tendentes a introduzir restrições a título do "interesse
público" são objeto de uma análise aprofundada. A taskforce
coordena a assistência técnica e dá às autoridades gregas aconselhamento jurídico
para adaptar a legislação derivada subjacente à liberalização das profissionais
regulamentadas, analisar a incidência das medidas e reavaliar a organização de
certas profissões jurídicas, nomeadamente a de advocacia. Um controlo rigoroso do quadro administrativo
vigente num certo número de setores chave deveria estar concluído até ao
outono, abrindo o caminho à ação legislativa no início de 2013, com vista a
eliminar as disposições regulamentares que entravam a concorrência e a
flexibilidade dos preços. Contratos públicos transparentes e eficazes Os contratos públicos gregos são
particularmente ineficazes, em detrimento tanto dos compradores públicos, que
não conseguem adquirir os produtos necessários aos serviços públicos, como dos
fornecedores. A adjudicação é lenta, onerosa e opaca e os resultados não são
satisfatórios. Os procedimentos são frequentemente suspensos em virtude de
litígios. Os contratos públicos são dispersos num grande número de pequenos
contratos geridos por uma multiplicidade de entidades compradoras que não estão
em condições de definir as suas necessidades e de organizar os procedimentos de
forma eficaz. O governo grego começou a pôr em prática um
programa coerente e ambicioso para rever inteiramente a legislação, as
estrutura e as práticas relativas aos contratos públicos. Estão previstas uma
simplificação das regras, a criação de um órgão de controlo dos contratos
públicos, um maior recurso a organismos de aquisição especializados e a
contratos-quadro, uma utilização mais ampla de novas técnicas de contratação,
bem como a criação de um portal para todos os anúncios de contratos públicos, a
introdução de soluções eletrónicas para a celebração de contratos e um reforço
da atenção dedicada aos conflitos de interesses. O governo grego comprometeu-se
a publicar um roteiro para uma reforma global da sua legislação e da sua
administração no domínio dos contratos públicos até meados de 2012. A Comissão
Europeia apoiará este projeto importante através de assistência técnica. Redução da carga administrativa e práticas
conformes com o princípio "Legislar melhor" A legislação grega é frequentemente elaborada
numa base setorial, sem que seja suficientemente tomada em conta a incidência
global nas partes interessadas e nas empresas. Estas últimas citam numerosos
exemplos de regulamentações ou de práticas administrativas que são fonte de
custos desproporcionados ou de restrições. A nova lei que visa melhorar o
processo de regulamentação, a adotar brevemente, garantirá uma maior disciplina
na elaboração das regras, combatendo a carga administrativa que entrava as
operações comerciais e aplicando nas novas iniciativas legislativas métodos que
permitam "regulamentar melhor". O compromisso de criar no Ministério das
Finanças uma direção que garantirá a responsabilidade geral da planificação,
gestão e acompanhamento das reformas estruturais proporciona uma ocasião para
colocar as empresas no cerne de uma nova estratégia de crescimento. Esta
direção pode servir de centro nevrálgico para todo o processo de reformas. É
urgente criar e manter uma tal capacidade de gestão das reformas. Facilitar os novos investimentos Os investimentos em novas instalações ou
projetos registam atrasos e são acompanhados de despesas associadas a
obstáculos regulamentares e administrativos que implicam numerosas autoridades.
As regras de ordenamento do território ou de emissão de licenças ambientais são
frequentemente citadas como obstáculos aos investimentos. As empresas que
exercem a sua atividade nos setores da energia (e mais particularmente nas
energias renováveis), da distribuição e da logística, bem como dos transportes,
são as mais afetadas. Os problemas são muitas vezes ampliados em caso de
litígio, tanto na fase administrativa como judicial, nomeadamente em virtude do
efeito suspensivo de numerosas ações judiciais ou de uma insuficiência de
pessoal ou de competências em serviços chave da administração. O governo grego começou a aplicar recentemente
um certo número de leis para acelerar o procedimento de concessão de licenças
para certas profissões e atividades produtivas, bem como de licenciamento
ambiental dos projetos ou atividades. Os processos de expropriação, que são
objeto de procedimentos administrativos e judiciais complexos, irão igualmente
ser revistos dentro em breve. As alterações associadas à reforma do sistema
judicial irão acelerar os procedimentos judiciais e reduzirão/eliminarão os
processos pendentes. O governo grego também adotou medidas para
facilitar a criação de empresas. Todavia, é possível racionalizar ainda mais os
procedimentos. A conclusão do cadastro permitirá igualmente
estimular os investimentos. Já foi atribuído um montante de 83 milhões de euros
através dos fundos estruturais da UE para criar uma infraestrutura informática
para o registo digital dos direitos de propriedade ativos e a validação das
reivindicações de propriedade do Estado, nomeadamente a delimitação das
florestas e a digitalização dos direitos de propriedade ativos conservados em
papel por gabinetes cadastrais nas zonas urbanas. O Memorando de Entendimento
menciona objetivos precisos no que respeita ao cadastro e prevê a criação de um
registo cadastral completo e de serviços cadastrais únicos em todo o país até
2020. A Comissão apoiará os esforços das autoridades gregas para respeitar o
calendário de conclusão do cadastro, que garantirá uma certa segurança, podendo
contribuir para atrair os investimentos. Embora várias ações diversas tenham já sido
iniciadas ou estejam planeadas para eliminar os obstáculos administrativos ao
investimento, seria útil a criação de um projeto sistemático e concertado para
abordar esses obstáculos. Reforma
fiscal a favor das empresas A realização de progressos na reforma da
administração fiscal e a indispensável reforma da legislação fiscal melhoria também
consideravelmente o ambiente empresarial na Grécia. A luta contra a evasão
fiscal é crucial para restabelecer a situação concorrencial dos intervenientes
económicos que respeitam a regulamentação fiscal e sofrem a concorrência
desleal daqueles que iludem o imposto e as contribuições sociais. O Memorando
de Entendimento relativo ao Segundo Programa de Ajustamento Económico contém um
certo número de disposições tendentes a criar uma administração fiscal moderna,
reativa e eficaz. Este esforço será apoiado por uma assistência
técnica fornecida no âmbito do plano de ação conjunto FMI/UE, que abrange nove
domínios designados em colaboração com as autoridades gregas (auditoria,
cobrança de dívidas, resolução de diferendos, grandes contribuintes, grandes
fortunas e trabalhadores independentes com elevado rendimento, análises dos
riscos e dos rendimentos, serviços aos contribuintes, registo, declaração e
pagamento dos impostos, organização e gestão). A simplificação da legislação fiscal
desempenhará também um papel crucial no êxito deste esforço global. Neste
domínio, os esforços podem apoiar-se na decisão adotada no quadro do Memorando
de Entendimento relativo ao Primeiro Programa de Ajustamento Económico com
vista a revogar o Código dos Livros e Registos e de o substituir por uma
legislação nitidamente mais simples, uma vez que as atuais regras dificultam o
cumprimento da legislação, travam o espírito empresarial e são extremamente
dissuasivas para os investidores estrangeiros. A racionalização da administração fiscal deverá
também acelerar os reembolsos do IVA devido, o que ajudará particularmente as
PME e os exportadores gregos ao aligeirar a carga administrativa que pesa sobre
a sua liquidez. Por último, no contexto dos esforços em curso
para combater a evasão fiscal, a Comissão está disposta a ajudar a Grécia a
negociar um acordo fiscal com a Suíça, que poderá permitir-lhe cobrar os
impostos devidos pelos seus cidadãos. Um tal acordo deve respeitar plenamente
as exigências pertinentes do direito da UE. 3.2. Aumentar a liquidez das PME As PME constituem um motor essencial para o
crescimento económico e o emprego na Grécia. Representam 99,9% de todas as
empresas na Grécia, das quais 96.5% são microempresas. As PME conhecem graves
dificuldades de sobrevivência: em 2011, 6 em cada 10 viram os seus resultados
deteriorar-se em relação a 2010, tendo sido suprimidos 150 000 postos de
trabalho. Quanto a 2012, este ano será marcado, segundo um estudo recente
encomendado pela Associação Grega das PME, por 60 000 encerramentos de PME
e 240 000 novas supressões de postos de trabalho. Como descrito na secção 2 do presente anexo,
os fundos estruturais da UE prestam um apoio intenso às PME. Encontram-se
disponíveis mais de 4 000 milhões de euros para fornecer liquidez, capital
de exploração e garantias aos empréstimos concedidos às PME, e 1 000
milhões suplementares serão colocados à disposição através do fundo de garantia
para as PME recentemente criado. No entanto, essas verbas nem sempre chegam à
economia real. As autoridades e os bancos gregos devem intensificar os seus
esforços para supervisionar o desembolso das verbas previstas pelos programas
existentes e ultrapassar conjuntamente os obstáculos à sua execução efetiva. É especialmente necessário aumentar os
esforços tendentes a acelerar os procedimentos e a suprimir os pontos de
estrangulamento administrativos associados à aprovação das subvenções
(nomeadamente supervisionando estreitamente os pagamentos, simplificando os
contratos e os procedimentos de aprovação, reduzindo os prazos de aprovação e o
número de intervenientes no processo, etc.). Além disso, é urgente adaptar a
legislação pertinente e os contratos de subvenção no que se refere ao
empréstimo de capital de exploração. Por outro lado, a rápida aplicação da diretiva
relativa aos atrasos de pagamento seria muito benéfica para as PME gregas. 3.3. Recorrer às privatizações
para melhorar o funcionamento de setores importantes da economia A privatização constitui uma fase essencial do
processo de reformas. A razão mais imperiosa para a privatização na Grécia
reside no facto de os ativos poderem ser melhor utilizados no setor privado, o
que melhoria a competitividade da economia real. Além disso, as empresas
privatizadas com êxito e mais bem geridas servirão de "modelos a
seguir", o que geraria outros efeitos externos positivos. O Fundo de Desenvolvimento dos Ativos da
República Helénica (HRADF) foi criado para gerir a alienação de ativos
públicos. Lança regularmente convites à manifestação de interesse em ativos
públicos, entre os quais, recentemente, anúncios de concursos respeitantes a
bens imobiliários e à venda da companhia de distribuição de gás. Esta evolução
vai na boa direção do ponto de vista da sustentabilidade e abre o processo de
privatização de um número cada vez mais de categorias de ativos. No entanto, no que se refere a numerosos
ativos, a situação atual do mercado e os obstáculos técnicos existentes na
Grécia não são propícios à prossecução da privatização em grande escala. Esta
incerteza provém designadamente da dificuldade atual em estimar razoavelmente o
valor dos ativos públicos. Além disso, as autoridades gregas, o
HRADF e a Comissão Europeia devem fazer face a um grande número de desafios.
Contam-se, entre outros, a existência de regras sobre as "ações
privilegiadas" num contexto de pós-privatização e a necessidade de obter a
aprovação prévia das medidas de auxílios estatais adotadas a favor de empresas
que são propriedade do Estado. Entre os outros pontos a resolver, figuram a
aceleração do registo da propriedade dos terrenos do Estado, o estatuto
jurídico dos títulos fundiários, a comunicação de informações de ordem
económica sobre os títulos individuais de propriedade fundiária e a capacidade
de cartografia e da repartição por zonas do cadastro. Os ativos devem ser "preparados" de
forma adequada antes de serem vendidos. O processo de pré-privatização incide
entre outros sobre a elaboração de contas certificadas e de roteiros de
restruturação, alterações de pessoal ou a engenharia financeira. A tomada em
consideração desses fatores implica que a valorização dos ativos ocorra
normalmente antes da sua privatização. Além disso, para realizar com êxito a
transferência de propriedade dos ativos públicos, é necessário elaborar um
quadro regulamentar adequado e uma estratégia clara a longo prazo. Tais quadros
devem definir as prioridades públicas a fim de evitar a criação de monopólios
privados não regulamentados. A Comissão está em estreito contacto com o
HRADF e com o Ministério das Finanças, a fim de garantir o êxito do programa de
privatizações e de os ajudar a conceber medidas conformes às regras em matéria
de auxílios estatais. Neste contexto, apresentou um documento de orientação
sobre aplicação das regras relativas aos auxílios estatais aquando da restruturação
e/ou da privatização de empresas estatais. Em certos casos bem definidos e sem prejudicar
os projetos prioritários mencionados no ponto 3.4, os fundos estruturais da UE
poderão desempenhar um papel de apoio ao programa de privatizações, fornecendo
uma assistência técnica ou favorecendo os investimentos físicos em domínios
como a energia ou os transportes, a fim de ajudar a preparar os ativos públicos
para a venda, começando por melhorar o seu funcionamento, o que proporcionará
melhor resultados para os utentes e aumentará o potencial de criação de valor
desses ativos. 3.4. Crescimento e emprego através
do estímulo aos investimentos em infraestruturas A falta de infraestruturas adequadas na Grécia
constitui um importante obstáculo ao crescimento. Investimentos bem orientados
em infraestruturas podem contribuir em larga medida para o crescimento e o
emprego. Neste domínio, os fundos estruturais da UE podem fornecer um
importante contributo. Assim que for aprovado, o instrumento de partilha dos
riscos permitirá atrair investimentos privados essenciais. Entre os 181 projetos prioritários para o
crescimento e o emprego recenseados pela autoridades gregas e pela Comissão em
novembro de 2011 figuram numerosos projetos de infraestruturas no domínio dos
transportes, da gestão dos resíduos ou da energia. Alguns estão já na fase de
realização, enquanto outros estão em fase de preparação. Alguns projetos
deparam-se com importantes bloqueios que devem ser rapidamente ultrapassados. Quando se encontrarem concluídos, o mais
tardar em 2015, esses projetos deverão melhorar a competitividade da economia
grega, ter repercussões positivas noutros setores como o turismo e melhorar a
qualidade da vida. Os recursos mobilizados pelos fundos estruturais deverão ser
complementados por financiamentos públicos ou investimentos privados. Os
obstáculos à plena realização desses projetos deverão ser suprimidos. Os cinco maiores projetos, do ponto de vista
da sua dimensão e repercussão, são concessões de autoestradas (1 400 km de
redes transeuropeias) num montante total de 3 200 milhões de euros,
financiados pela Grécia e pela UE. Se forem concluídos, poderão permitir a
criação de cerca de 30 000 postos de trabalho diretos e indiretos e dar ao
investimento e ao emprego o impulso de que tanto necessitam. Quatro desses
projetos encontram-se atualmente bloqueados e devem ser relançados
imediatamente. A realização dessas redes pode contribuir para a modernização
das infraestruturas, que permanece um fator essencial para estimular o desenvolvimento
do país. Essas autoestradas reforçarão igualmente a posição da Grécia na Europa
do Sudeste ao concluírem os principais corredores que ligam o país aos outros
Estados-Membros, bem como aos países candidatos e aos países candidatos
potenciais. Contribuirão também para melhorar a segurança rodoviária. Redes de transporte Mais do que nos outros Estados-Membros, a
economia e o nível de vida na Grécia dependem da qualidade e da eficácia dos
serviços portuários e das ligações marítimas. Os portos tratam mais de 85% das
trocas externas de mercadorias da Grécia e garantem a segurança de
abastecimento das ilhas. O tráfego de passageiros que transita pelos portos
gregos representa 22% do número total de passageiros marítimos em toda a UE. Os
portos gregos dispõem igualmente do potencial essencial para canalizar grande
parte dos fluxos comerciais intercontinentais para a Europa Oriental. Os portos gregos estão confrontados com três
grandes problemas: a insuficiência dos equipamentos e o investimento reduzido
em infraestruturas, a muito má qualidade das ligações ao interior do país
(redes ferroviárias e rodoviárias) e disfuncionamentos administrativos e
operacionais. Os ordenamentos portuários foram frequentemente realizados numa
base local ou regional, sem ter em conta as prioridades estratégicas a nível
nacional. O turismo representa 15% da economia grega –
tendo em conta as incidências indiretas nos outros setores – e assenta
essencialmente em ligações baratas e eficazes. As ligações aéreas para a
Grécia, em especial para os aeroportos regionais, sofrem da ausência de um
sistema moderno de gestão de tráfego, da ineficiência das operações
aeroportuárias (tempo de operação limitado, etc.) e do elevado nível das taxas
aeroportuárias. A falta de infraestruturas adequadas – portos de recreio e
pontos de embarque de cruzeiros, por exemplo – prejudica igualmente a qualidade
do turismo. A nova estratégia das RTE-T inclui os portos
de Igoumenitsa, Patras, do Pireu e de Salónica na rede principal europeia de
transportes. A ligação ferroviária essencial entre o Pireu e Salónica, bem como
a autoestrada do mar entre Atenas/Pireu e Limassol, integram um dos corredores
de transporte englobado na proposta de mecanismo para a interligação da Europa. O sistema de transporte grego poderá ser
modernizado: –
pela abertura ou pela supressão das restrições
subsistentes nos serviços de transporte de viajantes em autocarro e táxi; –
pela criação de serviços administrativos com um
balcão único para a comunicação de informações sobre os navios. Os navios estão
atualmente sujeitos a inúmeras formalidades obrigatórias que atrasam o
transporte das mercadorias e dos viajantes. Essas formalidades mobilizam
igualmente recursos do setor dos transportes marítimos e do Estado; –
pela elaboração de um modelo de governação adequado
e de um quadro de privatização dos portos e dos aeroportos, que permitam evitar
a constituição de monopólios privados, não originem discriminações entre os
utentes e imponham uma transparência total das contas e uma supervisão adequada
por parte das autoridades públicas. Os novos proprietários ou concessionários
devem ser obrigados a respeitar os compromissos assumidos em relação aos
projetos que receberam um apoio da UE. O transporte ferroviário poderá ser melhorado: –
através do aluguer do material circulante para o
transporte de passageiros que não seja necessário ao operador histórico; –
através da criação de um quadro que permita que os
operadores de transporte de passageiros da UE se instalem no mercado em
condições de concorrência equitativas em relação ao operador histórico; –
através da revisão dos procedimentos e dos acordos
de passagem das fronteiras a fim de facilitar os fluxos de mercadorias no
corredor X e de cessar os encerramentos de fronteiras. A Comissão pode organizar uma assistência
técnica para ajudar as autoridades gregas a adaptarem-se às boas práticas, em
cooperação com os seus homólogos de outros Estados-Membros. Pode igualmente
oferecer uma assistência técnica para a gestão do tráfego aéreo e eventualmente
financiar equipamentos modernos. Transporte marítimo O transporte marítimo é um pilar tradicional
da economia grega. Uma combinação de fatores (as tarifas reduzidas praticadas
para o transporte de mercadorias, a supressão do ministério competente) fez com
que numerosos armadores mudassem de pavilhão. Se esta tendência prosseguir,
para além do emprego a bordo e das receitas fiscais, poderá vir a afetar o
emprego em terra nas empresas de transporte marítimo. A crise económica afeta o
setor grego da navegação costeira. As empresas são deficitárias ou realizam
poucos lucros, mesmo quando têm contratos de serviço público. Em certos casos,
esta situação prejudica a cobertura da rede e a qualidade dos serviços,
nomeadamente, mas não exclusivamente, na ligação às ilhas mais pequenas, que
vêm as suas possibilidades de crescimento reduzirem-se. A fim de explorar
plenamente o seu potencial marítimo e aproveitar as oportunidades de
crescimento marítimo, a Grécia deve dotar-se de uma estrutura administrativa
mais adequada no setor do transporte marítimo em geral. Infraestruturas de banda larga e TIC A Grécia regista, em relação à média da UE, um
atraso no que se refere à penetração da banda larga, principalmente em virtude
do reduzido desenvolvimento dos serviços em linha. Os esforços deverão
concentrar-se na conclusão de projetos de importância nacional para alargar a
rede de banda larga a um maior número de cidades e fornecer conexões de elevado
débito e de banda larga (fibra ótica) a um maior número de edifícios públicos,
a fim de reduzir as despesas públicas e privadas em telecomunicações. O aumento das taxas de penetração da banda
larga depende do alargamento da oferta de serviços em linha. Deverá posta a
tónica nos setores enumerados no Memorando de Entendimento. A utilização das
TIC deverá ser uma fonte de vantagens consideráveis tanto para os cidadãos como
para as finanças públicas, em domínios como a saúde (receitas eletrónicas,
interoperabilidade entre o Ministério da Saúde e os hospitais públicos, por
exemplo), o cadastro (prossecução da digitalização dos direitos de propriedade
fundiária) e os contratos públicos (contratos públicos em linha). No setor
empresarial, as oportunidades oferecidas pelos serviços digitais deverão ser
plenamente exploradas, por exemplo ajudando as PME a tirar proveito da Internet
para aceder aos mercados internacionais. 3.5. Fontes de crescimento futuro 3.5.1. Explorar o potencial do setor
da energia para o crescimento e o emprego A política energética da Grécia pode
contribuir de forma significativa para o relançamento económico do país. Além
disso, o desenvolvimento de infraestruturas energéticas interligáveis com o
resto da região ajudará a estimular a competitividade e a produtividade deste
setor na Grécia. No domínio da energia, a Grécia está confrontada
com desafios consideráveis. É altamente dependente dos combustíveis fósseis (a
sua eletricidade é essencialmente produzida a partir de lenhite). A maior parte
das ilhas permanecem isoladas e dependentes de grupos eletrogéneos a gasóleo e
de centrais a fuelóleo. A eficácia global da produção de eletricidade é uma das
mais reduzidas da Europa. O setor da energia é dominado por algumas empresas
públicas pouco produtivas e que ainda não foram desagrupadas. Os clientes
industriais queixam-se de que os preços da energia, que se encontram entre os
mais elevados da Europa, comprometem a sua competitividade. No setor da
construção, em especial, a eficácia energética pode ser consideravelmente
melhorada. A Grécia tem a oportunidade de ser um
precursor no domínio da produção energética sustentável. Poucos países europeus
dispõem duma tal variedade de fontes de energia renováveis: a abundante energia
eólica e solar, mas também hídrica, geotérmica e de biomassa proporcionam à
Grécia a possibilidade de ocupar a ponta do progresso em matéria de produção
menos poluente de eletricidade. Graças à sua posição geográfica estratégica,
bem como à exploração de reservas de hidrocarbonetos no mar, a Grécia tem o
potencial para se tornar uma plataforma para o gás. A aplicação das medidas de
liberalização da UE e os esforços de privatização deverão permitir que a
economia se tornasse mais competitiva. A fim de explorar este potencial, no interesse
dos consumidores de energia gregos mas também para apoiar os objetivos da UE em
matéria de segurança dos abastecimentos e de combate às alterações climáticas,
devem ser levadas a efeito as ações a seguir descritas. A privatização dos setores do gás e da
eletricidade constitui a ocasião para melhorar a sua eficiência. O processo de
privatização deve ser concluído rapidamente, criando simultaneamente um quadro
que permita o desenvolvimento de mercados competitivos num futuro próximo.
Neste quadro eficaz, que comporta uma desagregação total e a abertura completa
tanto dos mercados do gás como da eletricidade, irão aparecer novas
possibilidades de investimento para os grandes e pequenos produtores de
energia. Assim, o setor grego da energia tornar-se-á dinâmico e competitivo e
será fonte de benefícios económicos para todos os outros domínios da economia. As redes de eletricidade e de gás devem
ser modernizadas. Graças aos melhoramentos introduzidos na armazenagem do gás e
nas redes de gasodutos, a Grécia poderá explorar a sua posição geográfica
estratégica como porta de acesso ao mercado europeu do gás. A interconexão das
redes elétricas das grandes ilhas com o continente e entre outras ilhas mais
pequenas é uma condição indispensável para a implantação em grande escala de
instalações eólicas e fotovoltaicas. É igualmente essencial reforçar a rede de
transporte continental, a fim de integrar essas instalações de energias
renováveis no mercado nacional e permitir a exportação em larga escala de
eletricidade para o resto da Europa. A Grécia é um ponto de passagem natural
para muito do gás proveniente da bacia do mar Cáspio e do Leste da bacia
Mediterrânica. O programa RTE-E e o novo mecanismo para a
interligação da Europa podem desempenhar um papel primordial na definição e
financiamento dos esforços neste domínio. O envio de sinais claros que indiquem
que o setor da energia é um setor aberto e eficaz da economia grega, onde o
acesso às infraestruturas não é objeto de qualquer discriminação, permitirá
igualmente atrair financiamentos privados para tais investimentos. A instalação em grande escala das fontes de
energias renováveis exige uma reforma global do regime de apoio. Para
atrair os investimentos necessários, o quadro deverá satisfazer os princípios
da eficácia em matéria de custos e da estabilidade financeira. Para explorar as
suas vantagens comparativas, a Grécia dedica uma atenção especial ao
desenvolvimento dos recursos eólicos e solares. Assim que a confiança dos
investidores estiver restabelecida, poderá ser desenvolvido um setor das
energias renováveis competitivo ao longo da cadeia de valor. A contribuição
deste setor para o crescimento económico poderá ser ainda maior graças à
iniciativa HELIOS. Esta iniciativa deve começar pela implantação de algumas
instalações fotovoltaicas em grande escala, numa primeira fase destinadas ao
consumo interno. Seguidamente, e à medida que forem sendo desenvolvidos o projeto
e as capacidades de transporte, a energia produzida poderia ser exportada para
o resto da Europa, o que ajudaria os outros Estados-Membros a alcançar os seus
objetivos para 2020 de forma rentável. O setor da reabilitação de edifícios
públicos e privados é essencial para alcançar os objetivos da eficácia
energética e também para criar emprego. Os fundos disponíveis para os agregados
familiares no quadro do sistema “Exoikonomo” não são plenamente
utilizados e deveriam ser abertos às PME. São necessários instrumentos
suplementares para apoiar os esforços nos edifícios públicos, transportes
urbanos e nas infraestruturas de energia locais. Neste contexto, o instrumento
de partilha dos riscos proposto poderá ajudar a reduzir os riscos associados
aos investimentos no setor da reabilitação de edifícios e favorecer assim o
emprego e o crescimento local. 3.5.2. Promover um crescimento
sustentável - ambiente e gestão dos resíduos A gestão dos resíduos sólidos pode contribuir
em grande medida para a qualidade de vida dos cidadãos gregos e para o
desenvolvimento da atividade económica. A plena aplicação da legislação
existente poderá permitir criar milhares de postos de trabalho na Grécia e
aumentar sensivelmente o volume de negócios anual do setor dos resíduos. Os
progressos no domínio da gestão dos resíduos irão favorecer, além disso, o
respeito da legislação ambiental da UE e permitirão evitar procedimentos por
infração potencialmente onerosos. A Grécia já beneficiou consideravelmente dos
fundos estruturais da UE para a sua infraestrutura de base neste setor, mas
continua a registar atrasos, nomeadamente no que se refere à gestão dos
resíduos sólidos e das águas residuais. Convém, talvez mais do que em qualquer
outro setor, promover com urgência o respeito do acervo comunitário de forma a
criar a infraestrutura necessária em conformidade com as normas da UE. A fim de honrar as suas obrigações decorrentes
do direito da UE e de se conformar com os acórdãos do Tribunal de Justiça da
União Europeia, a Grécia deve urgentemente: (a)
Construir instalações de gestão dos resíduos (isto
é, unidades de tratamento mecânico e biológico e aterros), bem como encerrar e
reabilitar todas as descargas ilegais e descontroladas que existem ainda (no
que respeita ao processo de reabilitação, existem possibilidades de
cofinanciamento); e (b)
Construir várias estações de tratamento das águas
residuais urbanas (deverá ser concedida uma atenção especial à região da Ática,
mas igualmente a outras grandes aglomerações urbanas como Salónica, Patras,
etc.). Convém, além disso, garantir a plena execução
de dois acórdãos do Tribunal (o primeiro respeitante à construção de uma
estação de tratamento das águas residuais urbanas na Ática Ocidental, na região
de Thriassio Pedio, num projeto cofinanciado pelos fundos estruturais da UE, e
o segundo respeitante à ausência de recolha e tratamento das águas residuais
urbanas em cinco aglomerações da Ática Oriental). A clareza jurídica quanto à responsabilidade
do produtor (atualmente ausente da legislação grega) pode dotar a Grécia dos
instrumentos para obter os recursos necessários para a aplicação de sistemas de
recolha seletiva e de reciclagem. Os progressos na instauração de taxas ou de
uma tarificação dos aterros podem também contribuir para uma utilização mais
eficaz dos recursos, tal como a aplicação de sistemas de incentivos que
favoreçam a prevenção e a participação na recolha seletiva (sistemas de
pagamento em função do volume de resíduos gerado). Como evocado anteriormente, a nova legislação
relativa às avaliações do impacto ambiental (AIE), deveria conduzir a
procedimentos mais aperfeiçoados e mais eficazes. Uma nova lei sobre o
licenciamento ambiental foi incluída no Memorando de Entendimento e no Quadro
Estratégico Orçamental a Médio Prazo. Esta lei foi adotada em setembro de 2011
e as decisões de execução serão adotadas em 2012 (a primeira foi adotada em
janeiro de 2012 e diz respeito à categorização dos projetos sujeitos a
avaliação/licença ambiental). Esta nova lei deverá reduzir o tempo necessário para
a emissão das licenças, designadamente porque introduz prazos precisos para
cada uma das etapas administrativas e fases do procedimento de autorização.
Esta prática assenta na experiência adquirida noutros Estados-Membros. O FEADER apoia o desenvolvimento sustentável
das zonas rurais em toda a Grécia, através de várias medidas agroambientais. Já
foram desembolsados, para esse efeito, 720 milhões de euros. 3.5.3. Construir uma economia do
conhecimento e da inovação No decurso da década passada, a intensidade da
I&D estagnou na Grécia em 0,6% do PIB (2007), caracterizando-se por um
nível muito reduzido da I&D privada, que aumentou ligeiramente entre 2000 e
2007, passando de 0,15% para 0,17%, segundo os últimos dados oficiais
disponíveis. Em termos absolutos, o montante total dos investimentos em I&D
aumentou, todavia, sensivelmente durante o período 2001-2007. A política de coesão da UE constitui o
principal motor do sistema grego de investigação e de inovação. Para o período
de programação 2007-2013, vários programas regionais, que se vieram acrescentar
ao programa operacional nacional principal, comportam medidas de apoio à
investigação, à inovação e à competitividade das empresas. O programa
principal, "Competitividade e Espírito Empresarial", está dotado de
um orçamento total de 1,5 milhões de euros, dos quais 1,3 milhões a título da
política de coesão da UE. O Programa Operacional define 3 objetivos
estratégicos para o período 2007-2013, com a investigação e a inovação entre os
domínios de intervenção mais importantes. Constata-se, no entanto, um reduzido
recurso aos fundos estruturais da UE para a investigação, e as medidas
tendentes a incentivar o setor privado a utilizar os fundos, a fim de encorajar
a transformação da economia, são atualmente insuficientes. O setor privado representa uma parte pouco
elevada do total das despesas de I&D, o que reflete, no que se refere às
empresas, uma procura reduzida de conhecimentos baseados na investigação. Além
disso, a reduzida capacidade de absorção das empresas é simultaneamente causa e
consequência desta reduzida procura de conhecimentos. Entre os fatores que
travam a mobilização de recursos para I&D, contam-se as dificuldades de
acesso aos capitais, com que se deparam nomeadamente as novas empresas, em
virtude da reticência do setor financeiro em financiar a inovação e os
investimentos arriscados. Segundo o Painel de Avaliação da União da
Inovação 2011, a Grécia situa-se entre os inovadores moderados e os seus
resultados são inferiores à média. As suas forças relativas situam-se ao nível
dos recursos humanos, das colaborações e do espírito de empreendedorismo e dos
inovadores, enquanto as suas fraquezas relativas residem dos financiamentos e
auxílios, nos investimentos das empresas e nos ativos intelectuais. Verifica‑se
um forte crescimento para os desenhos comunitários, enquanto se observa um
declínio relativamente acentuado no que se refere às despesas de inovação
distintas da I&D, bem como às exportações de serviços com elevada
intensidade de conhecimento. A colaboração tecnológica avaliada de acordo
com o número de pedidos de patentes conjuntasé muito modesta, comparada com a
média da UE. No total, mais de 65% dos pedidos de patentes são introduzidos por
um único inventor e, por conseguinte, menos de 35% decorrem de uma colaboração.
Destes, as patentes conjuntas que implicam um país exterior à UE apenas atingem
7,4%, valor pouco elevado e que ilustra a necessidade de um maior grau de
colaboração e de internacionalização das atividades de investigação e de
inovação. Os principais desafios futuros são: –
assegurar um investimento público adequado e eficaz
na investigação e inovação e melhorar a eficácia da utilização dos fundos
estruturais da UE, pondo a tónica num conjunto de polos de competitividade e de
plataformas tecnológicas; –
concluir a elaboração de um quadro regulamentar
integrado para os atores da I&D e aplicá-lo. Trata-se nomeadamente de fixar
um objetivo principal (Europa 2020) para os investimentos em I&D e de
prever uma programação orçamental plurianual; –
assegurar uma utilização dos fundos estruturais
muito mais eficaz e geradora de crescimento, favorecendo o investimento privado
na investigação e inovação em apoio de uma estratégia de especialização
inteligente. 3.5.4. Explorar o potencial da Grécia
enquanto destino turístico e cultural A Grécia goza duma vantagem comparativa nos
domínios da cultura e do turismo, que apresentam um importante potencial de
crescimento e de criação de emprego. Os monumentos e sítios arqueológicos
constituem polos em torno dos quais podem hoje desenvolver-se atividades
económicas. Convém pôr rapidamente em prática uma estratégia para explorar e
desenvolver novas sinergias entre os setores da cultura, do turismo, do
empreendedorismo, da educação, da medicina e da gastronomia, bem como investir
em novas tecnologias (utilização das TIC para promover os tesouros culturais da
Grécia) com o objetivo de melhorar a relação qualidade/preço e de posicionar a
Grécia como um destino turístico de grande qualidade, com a tónica no turismo
respeitador do ambiente. O turismo é um dos setores chave da economia
grega, tanto em termos de crescimento económico como de emprego. A contribuição
direta do setor das viagens e do turismo para o PIB do país atingiu 12 600
milhões de euros em 2011 (5,6% do PIB total, contra 2,9% para a UE). As viagens
e o turismo representam 332 000 postos de trabalho diretos, ou seja, 8,0%
do emprego total do país (3,2% na UE), e 768 000 postos de trabalho, ou
18,4% do emprego total (8,4% na UE), contabilizando também os postos de
trabalho indiretos. No entanto, a Grécia não teve grande sucesso na atração de
visitantes dos mercados emergentes. A época turística concentrou-se nos meses
do verão e os turistas gastam relativamente menos dinheiro na Grécia do que
quando visitam outros destinos concorrentes. A indústria
turística grega pode ser desenvolvida de várias formas. Trata-se, nomeadamente,
de: –
aumentar a procura turística: as ações realizadas neste domínio têm como objetivos principais
prolongar a época turística, proporcionar à população os meios para partir de
férias e aumentar o número de turistas (principalmente de fora da UE). Graças a
um clima temperado ao longo do ano, a Grécia está em perfeitas condições para beneficiar
da sua capacidade de acolher turistas fora da época alta. De entre as
principais iniciativas tendentes a reforçar a procura turística na UE, constam
o programa de turismo social Calypso, as iniciativas "50 000
turistas" ou "Época Baixa" (que visam combater a sazonalidade) e
um portal Internet para atrair os visitantes provenientes de países exteriores
à UE; –
dar a conhecer e promover os destinos: as principais ações neste domínio são o projeto "Destinos
Europeus de Excelência" (EDEN), que incentiva pequenos destinos emergentes
a enveredar pela via do turismo sustentável, o desenvolvimento de itinerários
culturais temáticos (como as rotas dos olivais) e a promoção do cicloturismo na
UE. –
estabelecer uma plataforma para a troca de boas
práticas: o Comité Consultivo do Turismo (TAC)
constitui um fórum de discussão para os representantes da política turística
dos Estados-Membros. A Grécia pode beneficiar das boas práticas dos outros
Estados-Membros. –
prolongar a época turística, diversificar os
produtos turísticos e melhorar a qualidade dos serviços propostos, a fim de
atrair turistas com rendimentos mais elevados, que devem
ser os principais motores do desenvolvimento da indústria turística grega. 3.6. Reforçar a administração
pública e o sistema judicial 3.6.1. Construir uma administração
pública moderna para uma nova economia Atualmente, a administração pública grega não
possui as estruturas estáveis, coordenadas e habilitadas necessárias para se
sentir verdadeiramente parte ativa e responsável das reformas enunciadas no
Segundo Programa de Ajustamento Económico e descritas na presente comunicação.
Encontra-se prisioneira de um quadro jurídico muito complexo, nefasto a todos
os níveis ao serviço público e para a economia. A administração é demasiado
orientada para a produção de leis, em vez de se concentrar na sua execução. A UE apoia a reforma
administrativa na Grécia, nomeadamente através de um programa do Fundo Social
Europeu dotado de um orçamento de 505 milhões de euros. O principal objetivo
deste programa é reforçar a qualidade das políticas públicas através da
modernização do quadro regulamentar e da reforma das estruturas e dos
procedimentos. As ações previstas são designadamente grandes projetos cujo
objetivo é a criação, organização e funcionamento de "Unidades de
Planificação e Orçamento" nos ministérios setoriais, a reorganização da
administração fiscal e aduaneira, a reorganização dos serviços gerais de
contabilidade da Grécia e a normalização dos procedimentos de aplicação do novo
código da função pública. Para fazer com que a Grécia disponha de uma
administração moderna, capaz de apoiar uma economia dinâmica e revitalizada, é
importante aumentar a eficácia, a responsabilidade e a integridade dos serviços
administrativos, bem como simplificar os processos de tomada de decisão. O
Memorando de Entendimento prevê que esta modernização da administração pública
tenha lugar até dezembro de 2012. Para o efeito, cria nomeadamente um grupo diretor
de alto nível (criado em fevereiro de 2012), presidido pelo Primeiro-Ministro e
que supervisionará a execução das reformas administrativas. Em janeiro de 2012,
a França e a Grécia, em colaboração com a taskforce, assinaram um
memorando de entendimento que abre caminho à realização da reforma da administração
central. Por sua vez, o governo alemão começou a fornecer assistência técnica
para a reforma administrativa ao nível local e regional. Em conformidade com o Memorando de
Entendimento do Segundo Programa de Ajustamento Económico, deverá ser criado
até maio de 2012 um centro de decisão sólido, apoiado numa verdadeira
coordenação interministerial. Ao melhorar e acelerar a coordenação entre os
ministérios, pondo termo à atual visão puramente vertical e limitada a cada
ministério, e ao arbitrar as questões da competência de vários ministérios,
este centro fornecerá à administração central orientações mais claras e uma
visão mais estratégica. Esta estrutura terá uma importância crucial para a
execução de todas as reformas orientadas para o crescimento e o emprego, bem
como das decisões adotadas pelo grupo diretor de alto nível. A Grécia deve igualmente dotar os seus
diversos ministérios setoriais das estruturas necessárias para garantir um
acompanhamento eficaz dos procedimentos administrativos (entre os quais os
procedimentos de pagamento, controlo interno e auditoria, a gestão dos recursos
humanos e as TIC) para conseguir a aplicação de regras comuns e de
procedimentos harmonizados antes do final de 2012. Todos os princípios de coerência e de
eficiência subjacentes à reforma da administração central deverão também ser posteriormente
aplicados a nível regional e local, a fim de estimular o crescimento e o
emprego em todos os escalões da economia. Em abril de 2012, a Alemanha e a
Grécia, em colaboração com a taskforce, assinaram um memorando de
entendimento que inclui um roteiro para a execução de reformas em domínios como
a melhoria da supervisão e da eficácia dos municípios e regiões em matéria de
ordenamento urbano, desenvolvimento rural e reforço da capacidade das
administrações locais para planear, conceber, pôr em prática e controlar
eficazmente os programas de investimento. Para garantir que essas verbas possam ser
utilizadas tão eficazmente quanto possível e a fim de aumentar a transparência
da economia, é essencial lutar contra a fraude e a corrupção. A Grécia, com o
apoio da Comissão, deverá elaborar uma estratégia de luta contra a fraude que
abranja todos os aspetos do sistema de receitas e despesas públicas e que
inclua a proteção dos interesses financeiros da UE. Tal ajudará a restaurar a
confiança e a estabelecer condições de concorrência justas e equitativas para
todos. Paralelamente, uma luta eficaz contra a fraude e a corrupção, incluindo
o combate ao contrabando nas fronteiras, contribuirá para estabilizar um pouco
mais as receitas da Grécia. A utilização da informática ainda se encontra
pouco desenvolvida na administração grega. A correção dessa situação permitiria
acelerar os procedimentos, racionalizar os processos e reforçar a transparência,
tanto para a administração como para as empresas. As autoridades gregas
começaram a pôr em prática projetos em vários grandes domínios da administração
pública eletrónica, como a gestão integrada dos recursos (Enterprise
Resource Planning - ORP, que agrupa a gestão financeira e a gestão dos
recursos humanos), a gestão das relações com o cidadão e a celebração de
contratos eletrónicos. As autoridades gregas tencionam desenvolver esses
projetos prioritariamente nos setores das finanças, da reforma administrativa e
da saúde. A entrada em serviço da administração em linha deverá efetuar-se de
forma coordenada e complementará a reforma dos procedimentos administrativos. O restabelecimento da credibilidade das
estatísticas oficiais é um elemento essencial do contrato social que permitirá
a estabilização da Grécia. Não obstante os progressos notáveis realizados desde
2009, as estatísticas continuam a ser um assunto de controvérsia na sociedade
grega. O retorno da confiança nos números oficiais exigirá a execução integral
do plano de ação incluído no recente "Compromisso relativo à Confiança nas
Estatísticas", assinado em 29 de fevereiro último pelo Governo Grego e
pela Comissão e aprovado pelo Parlamento. Tal implica tanto a revisão da lei
relativa às estatísticas como a atribuição à autoridade estatística nacional
dos recursos humanos e financeiros necessários. 3.6.2. Restabelecer a confiança no
sistema judicial Os disfuncionamentos do sistema judicial grego
são um obstáculo ao desenvolvimento económico do país e minam o seu tecido
social. Trata-se de um sistema que permite que todos os tipos de devedores –
incluindo os contribuintes que não querem pagar – não cumpram as suas
obrigações porque sabem que apenas os credores mais determinados os irão
perseguir judicialmente para fazer valer os seus direitos. As centenas de
milhares de processos pendentes nos tribunais e a morosidade de fixação de uma
data para o julgamento são os sinais mais manifestos do mau funcionamento do
sistema. Esta situação conduziu a sentimento geral de "injustiça" na
população grega. As autoridades gregas mostraram claramente a sua vontade de
alterar esta situação e de empreender esforços importantes para criar um
sistema judicial eficaz e de fácil acesso para os cidadãos e as empresas. Está em
curso uma análise completa do atual sistema, que é bem necessária. Estas
reformas visam restabelecer a confiança no funcionamento do Estado grego e nas
suas instituições e apoiar a recuperação económica. O Governo grego fixou uma série de objetivos
para a eliminação dos processos pendentes nos tribunais administrativos e a
reabsorção do atraso nos processos cíveis. Comprometeu-se, além disso, a
promover um método alternativo de resolução dos litígios, a fim de libertar
recursos nos tribunais e contribuir para o desenvolvimento de uma cultura não
processual, encontrando meios mais económicos de resolver os problemas e os
conflitos. A Comissão colabora neste domínio com as autoridades gregas e com os
outros intervenientes. Enquanto os potenciais investidores não
tiverem o sentimento de que o sistema judicial da Grécia é justo e eficaz e
defenderá os seus direitos, poderão não adotar decisões de investimento
importantes. A adoção de novas medidas eficazes para cobrar as dívidas ao
Estado e a simplificação do quadro jurídico das transações sobre bens
imobiliários reforçarão a confiança dos investidores e aumentarão
simultaneamente as receitas públicas. A criação de um sistema de justiça em
linha moderno permitirá ganhar em rapidez e em transparência, com consideráveis
ganhos de tempo e de eficiência esperados, que deverão ser sentidos pelos
utentes do sistema judicial, e com a melhoria das prestações dos funcionários
judiciais. A racionalização e reorganização dos tribunais de primeira instância
não só resultará na realização de economias como também aproximará a justiça
dos cidadãos ao tornar essas jurisdições num ponto de acesso único à justiça
para a maioria das questões judiciais com as quais se encontram confrontados
(por exemplo, autenticação de documentos, questões de direito da família ou de
sucessão, etc.). Um regime de insolvência moderno é primordial
para permitir a correta saída do mercado das sociedades não rentáveis e a
restruturação das empresas viáveis A reforma do regime de insolvência é um dos
domínios que exigem uma grande atenção e a Comissão está pronta a colaborar com
o Governo grego neste ponto. 3.7. Enfrentar as repercussões
sociais da crise Antes da crise, a Grécia já registava uma das
taxas de pobreza mais elevadas da UE. Em 2010, as taxas de risco de pobreza ou
de exclusão social elevavam-se a 27,7% da população total, acima dos 23,5% da
média na UE. Quanto à taxa de pobreza no trabalho, esta era, nesse mesmo ano, a
segunda mais elevada da União. A profunda recessão agravou a pobreza, a exclusão
social e a exclusão em matéria de habitação e afetou o rendimento disponível
(que diminuiu 9.3% em 2010). O número de pessoas sem abrigo aumenta entre as
famílias com crianças e os jovens, bem como no caso dos migrantes em situação
irregular, cuja presença em número cada vez maior veio agravar as tensões. É
urgente atuar para resolver esses problemas. A Comissão está a trabalhar com as autoridades
gregas para diminuir as taxas insuportavelmente elevadas de desemprego entre os
jovens. A fim de concentrar os apoios financeiros onde as necessidades são mais
gritantes, os recursos poderão ser reafetados para ações que favoreçam o
emprego dos jovens. Essas ações incluem a ajuda à aquisição de uma primeira
experiência profissional, a subvenção de colocações de curta duração no setor
privado ou nas administrações locais, o alargamento das possibilidades de
formação em aprendizagem ou de estágio para os estudantes e os licenciados, a
promoção de ações de reconversão e aperfeiçoamento, o incentivo ao espírito de
empreendedorismo, nomeadamente no domínio social, e as estadias de estudo no
estrangeiro. Um montante suplementar de 200 a 250 milhões
de euros poderá estar disponível para uma tal reafetação, conduzindo à
potencial criação de milhares de postos de trabalho. Diversas outras prioridades a curto prazo
exigem uma ação imediata. O Fundo Social Europeu pode ajudar a melhorar o
funcionamento do mercado de trabalho, estreitar os laços entre a
educação/formação e o emprego, reforçar o capital humano e lutar contra o
fenómeno muito alastrado do trabalho não declarado. Os serviços públicos de emprego
deverão ser reforçados, por forma a proporcionar um melhor serviço ao número cada
vez maior de desempregados. Impõe-se um investimento mais determinado e mais
orientado nas políticas ativas do mercado de trabalho, bem como uma avaliação
mais sistemática da eficácia destas medidas. Deverá ser dada prioridade aos
grupos mais vulneráveis (desempregados com reduzidas qualificações, jovens em
abandono escolar, trabalhadores idosos, desempregados de longa duração,
migrantes e minorias, etc.). Os fundos estruturais da UE podem também ser
mobilizados para elaborar e financiar uma estratégia integrada de renovação
urbana, a fim de lutar contra a pobreza e a exclusão social. Para prevenir a marginalização social e dotar
os membros dos grupos vulneráveis das qualificações necessárias para entrar ou
regressar ao mercado de trabalho, é importante pôr em prática a estratégia
nacional de educação e de formação ao longo da vida anunciada em 2011. Esta
deverá incluir o alargamento do acesso à educação e à formação para os alunos
não tradicionais, com a participação das administrações locais e regionais e
dos estabelecimentos de ensino superior. Por último, um melhor acesso ao emprego, nomeadamente
através de um maior apoio financeiro ao empreendedorismo (com a tónica em novos
produtos e serviços inovadores) e um recurso mais geral à subvenção dos
salários para recrutamento a curto prazo especificamente orientado para os
grupos desfavorecidos, deverá ser considerado um meio tanto para minorar temporariamente
a pressão económica como para manter no mercado de trabalho as categorias mais
afetadas pela crise. Novas possibilidades de emprego resultarão igualmente da
recuperação da economia social, sob o impulso de empreendedores sociais e de
inovadores em domínios essenciais como a assistência social, os serviços de
auxílio aos desempregados, o desenvolvimento local e comunitário, a produção e
a distribuição alimentares e a eficiência energética. 3.8. Gerir as migrações e a
política de asilo O facto de a Grécia pertencer ao espaço
Schengen permite que os cidadãos gregos circulem livremente nos outros países
que aplicam a convenção e que os viajantes desses outros países se desloquem
livremente na Grécia. Esta livre circulação favorece o turismo e as viagens,
bem como as relações de negócios, o que é benéfico para a economia. A Grécia
está no entanto sujeita, desde há alguns anos, a uma forte pressão migratória
ilegal que, conjugada com a crise económica atual, tem um impacto social e
económico negativo e ameaça o bom funcionamento do espaço Schengen. A situação
humanitária na qual se encontram por vezes os migrantes e os requerentes de
asilo prejudica a imagem da Grécia e não corresponde à sua tradição ancestral
de hospitalidade e de respeito dos direitos humanos. Face a este problema, a Grécia deve prosseguir
a reforma da sua política de asilo e de migração e gerir eficazmente as suas
fronteiras externas. Os quadros de ação, ou seja, o Plano de Ação para a Gestão
das Migrações e do Regime de Asilo e o Plano de Ação "Schengen‑Grécia",
já estão criados. Devem agora ser postos em prática, designadamente adotando e
aplicando normas em matéria de migração e de asilo que sejam conformes com a
legislação vigente na União Europeia e com as obrigações internacionais da
Grécia. A Grécia deve melhorar a situação humanitária dos migrantes e dos
requerentes de asilo na região da fronteira com a Turquia e em Atenas e
reforçar a sua capacidade de acolhimento dos migrantes clandestinos e dos
requerentes de asilo, com particular atenção para os grupos vulneráveis. Deve
igualmente dotar-se dos meios necessários em matéria de regresso voluntário,
respeitando integralmente os direitos fundamentais. Neste contexto, existe um
considerável potencial inexplorado, uma vez que muitos migrantes se encontram
bloqueados na Grécia sem reais perspetivas de integração e poderão querer
regressar ao seu país de origem. A UE forneceu um apoio financeiro importante
aos sistemas de gestão das fronteiras, das migrações e da política de asilo,
bem como para fazer face às consequências humanitárias da pressão ocasionada
pelo elevado número de migrantes clandestinos e requerentes de asilo. A Grécia
é um dos principais beneficiários do Programa Solidariedade e Gestão dos Fluxos
Migratórios (SOLID). [1] O
texto integral do Programa pode ser consultado em: http://ec.europa.eu/economy_finance/publications/occasional_paper/2012/pdf/ocp94_en.pdf
[2] A
presente comunicação não altera nem acrescenta nada às decisões formais
respeitantes à Grécia adotadas no contexto dos procedimentos de coordenação
política e económica do Tratado aplicáveis. [3] Para mais amplas informações sobre os financiamentos da
UE e sobre a disponibilização de liquidez às PME, consultar os pontos 2.2 e 2.3
do anexo. [4] Foundation of Economic and Industrial Research,
Boletim trimestral 2/10, 2010. [5] Para mais pormenores sobre esses domínios, ver a secção
3 do anexo. [6] Fonte: Trading on Time: World Bank Policy
Research Working Paper 3909. [7] Para mais amplas informações sobre a reforma da
administração pública, cf. ponto 3.6 do anexo. [8] Para mais amplas informações sobre os financiamentos
concedidos pela UE, consultar os pontos 2.2 e 2.3 do anexo. [9] MEX/11/0720 "Commission appoints Task Force for
Greece".