COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Iniciativa Oportunidades para a Juventude /* COM/2011/0933 final */
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO
EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS
REGIÕES Iniciativa Oportunidades para a Juventude
1.
O Risco de uma geração perdida?
Mais de 5 milhões jovens na UE estão hoje
desempregados. Entre 2008 e 2010, este número aumentou um milhão. Gráfico 1: Evolução
das taxas de desemprego dos jovens (15-24 anos) desde 2005 Fonte: Eurostat, dados mensais sobre o desemprego
ajustados às variações sazonais, exceto para o Japão Isto significa que um em cada cinco jovens
disponíveis para o mercado de trabalho não consegue obter emprego. A taxa de
desemprego dos jovens (superior a 20 %) é duas vezes mais elevada do que a
taxa relativa ao total da população ativa e quase três vezes mais elevada do
que a taxa da população ativa adulta. Em alguns países, as taxas atingem 40 %.
Dentro de cada país, a situação pode variar consideravelmente entre regiões.
Além disso, certos grupos da população juvenil (incluindo as mulheres, os
jovens com deficiência e os jovens oriundos da migração) estão particularmente
expostos aos riscos do desemprego, ao emprego de longa duração, ao abandono
escolar ou à inatividade[1]. Gráfico 2: Taxas de desemprego dos jovens (15-24 anos)
em Outubro de 2011 Fonte: Eurostat, dados mensais sobre o desemprego
ajustados às variações sazonais. Confrontados com o aumento dos níveis de
desemprego, é cada vez mais difícil para os jovens encontrar trabalho e muitos
decidem prolongar ou retomar os seus estudos. Esta decisão pode ser um
investimento no futuro, desde que sejam adquiridas as competências adequadas No
entanto, verificamos que um número considerável de jovens não se encontra a
trabalhar nem a estudar. No total, 7,5 milhões de pessoas no grupo
etário dos 15 aos 24 anos não têm emprego nem frequentam qualquer programa de
estudos ou formação. Esta proporção subiu de 10,8 % em 2008 para 12,8% em 2010,
no conjunto da UE. Na Bulgária, Eslováquia, Estónia, Espanha, Grécia, Irlanda,
Itália, Letónia e Roménia, mais de 14 % da população juvenil (já) não se
encontra a estudar e (ainda) não tem emprego. Gráfico 3: Proporção de jovens sem emprego e que não
estão a frequentar um programa de estudos ou formação, em percentagem do grupo
etário dos 15-24 anos em 2008 e 2010 Fonte: Eurostat,
Inquérito às Forças de Trabalho da UE[2].
Isto significa que estes jovens deixaram o ensino formal e que se encontram
desempregados (à procura de emprego) ou fora do mercado de trabalho,
correspondendo por exemplo a candidatos a emprego passivos, desmotivados quanto
à sua integração no mercado de trabalho ou evitando-a deliberadamente, e
optando possivelmente por outras atividades de natureza familiar ou privada O efeito prolongado da crise está a agravar
uma situação já difícil para muitas pessoas. O desemprego de longa duração dos jovens está a aumentar: em
média, 28 % dos jovens desempregados com menos de 25 anos de idade estão sem
emprego há mais de 12 meses. Acresce que um número cada vez maior de jovens não
procura emprego ativamente. A Fundação Europeia para a Melhoria das Condições
de Vida e de Trabalho (Eurofound) estima que, em 2008, o custo para a sociedade
do desemprego de longa duração ou inatividade dos jovens, nos 21
Estados-Membros relativamente aos quais existem dados disponíveis ascendeu,
pelo menos, a 2 mil milhões de euros por semana, o equivalente a 1,1 % do
PIB no total[3].
A reintegração no emprego de apenas 10 % dessas pessoas geraria uma
poupança anual superior a 10 mil milhões de euros. Simultaneamente, a diminuição de empregos
permanentes durante a crise afetou de forma desproporcionada os jovens empregados,
que se encontram excessivamente representados nos contratos temporários. Embora
este tipo de contrato possa ser um ponto de partida para um emprego mais
estável, nos Estados-Membros com mais contratos temporários essa transição é
também mais difícil. Isto pode criar mercados de trabalho segmentados,
ficando os jovens retidos na base do mercado de trabalho, com menor acesso à
formação em contexto de trabalho, menores níveis salariais e maior precariedade
em termos de emprego a longo prazo e de perspetivas de carreira[4]. Além
disso, as dificuldades no mercado de trabalho estão a ter um impacto negativo
nos jovens diplomados entre os 25 e os 29 anos de idade, para quem é cada vez
mais difícil obter um emprego adequado às suas qualificações. Em 2010 e 2011, verificaram-se elevados níveis
de desemprego, mas simultaneamente uma maior dificuldade em preencher as vagas
de emprego[5].
Estas tendências sugerem crescentes desajustamentos do mercado de trabalho,
provocados por competências inadequadas, por uma mobilidade geográfica limitada
ou condições salariais inadequadas nos diversos setores e regiões da UE. Entre
o presente ano e 2020, está prevista a abertura de 73 milhões de vagas de
emprego através da aposentação de trabalhadores. Estas vagas deverão ser
preenchidas por novos profissionais devidamente qualificados, oferecendo novas
oportunidades aos jovens. Todavia, atualmente, numa camada da população
já cada vez mais reduzida, uma grande parte da geração jovem não possui as
competências necessárias para entrar e singrar no mercado de trabalho numa base
sustentável[6].
A proporção de jovens que abandonam a escola[7] continua a ser superior a 14 %,
o equivalente a um em cada seis jovens. Esta percentagem ultrapassa
significativamente a meta de 10 % fixada na estratégia Europa 2020.
Segundo as estimativas da OCDE, cerca de 30-40 % de jovens que abandonam a
escola podem enfrentar dificuldades permanentes no acesso a um emprego estável[8], correndo
mais tarde o risco de marginalização. Para superar
estes desafios, a Europa precisa de investir nos seus jovens e propor ações
eficazes e imediatas para prevenir e combater as elevadas taxas de desemprego
dos jovens. São necessárias medidas de incentivo ao crescimento para criar
novos empregos, embora tal não seja em si mesmo suficiente para responder ao
problema do desemprego dos jovens. Esta é a razão que levou a Comissão a propor
a Iniciativa Oportunidades para a Juventude (ver quadro na secção 4),
visando em especial os jovens que não têm emprego nem participam nos programas
de ensino e formação, e procurando combinar uma ação concreta dos Estados‑Membros
e da UE com as prioridades identificadas na estratégia Europa 2020, nas
Conclusões do Conselho de Junho de 2011 sobre o emprego dos jovens[9] e na
Recomendação do Conselho sobre as políticas necessárias para reduzir o abandono
escolar[10].
A iniciativa baseia-se numa forte parceria entre os Estados-Membros e a
Comissão e encoraja uma ação concertada entre as autoridades dos
Estados-Membros, as empresas, os parceiros sociais e a UE.
2.
O Papel essencial dos Estados-Membros
A dimensão dos desafios e as causas do
desemprego dos jovens variam entre Estados‑Membros,
mas podem ser identificados os seguintes fatores na maioria dos países: ·
abandono escolar sem qualificações; ·
falta de competências adequadas e de experiência
profissional; ·
emprego precário seguido de períodos de desemprego;
·
oportunidades de formação limitadas; ·
programas ativos de emprego insuficientes e
inadequados.
Embora a situação seja particularmente difícil em vários países, também existem
bons desempenhos de que podemos retirar alguns ensinamentos. Na maioria dos
Estados-Membros (18 em 27), a taxa de desemprego dos jovens é superior a
20 % (dados do Eurostat de Outubro de 2011). Seis
Estados-Membros registam taxas entre 10 e 20 %, em treze as taxas variam
entre 20 e 30 % e em cinco as taxas excedem 30 % (EL, ES, IRL, PT e
SK). Apenas três Estados-Membros apresentam
uma taxa de desemprego juvenil inferior a 10 % (AT, DE e NL). Os principais responsáveis pela redução das
taxas de desemprego dos jovens são os Estados-Membros, incluindo aos níveis
regional e local. As autoridades nacionais financiam
programas educativos e sociais que dispõem de mecanismos políticos e orçamentais
para apoiar iniciativas a favor dos jovens. Os parceiros nacionais ou setoriais
também desempenham um papel essencial, sobretudo em áreas como os aprendizados,
a formação e as práticas laborais. Por sua vez, a UE pode ter um papel de
apoio, ajudando os Estados-Membros a melhorar a situação profissional e
educativa dos jovens, de duas formas: ·
analisando as políticas e desempenhos nacionais, identificando as prioridades a nível da UE e sugerindo linhas de ação
baseadas em boas práticas: isto pode ser feito através de uma análise cruzada e
de uma coordenação das políticas económicas, de emprego, educativas e sociais,
no quadro da estratégia Europa 2020, elaboradas numa base anual no quadro do
semestre europeu de governação económica; ·
dando apoio financeiro a ações de âmbito
nacional e transnacional, de acordo com prioridades
previamente acordadas: tal é possível através de uma variedade de programas,
nomeadamente o Fundo Social Europeu e outros programas da UE como a
Aprendizagem ao Longo da Vida, a Juventude em Ação e o PROGRESS, este último
apoiando em particular novas abordagens políticas através da experimentação de
políticas sociais. Outros fundos como o Fundo Europeu de Desenvolvimento
Regional, o Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural ou o Fundo Europeu
para a Integração de Nacionais de Países Terceiros também apoiam medidas que
ajudam a combater o desemprego dos jovens. Após o primeiro semestre europeu de governação
económica em 2011, a Comissão, na Análise Anual do Crescimento para 2012, chama
a atenção para as primeiras indicações de que os Estados-Membros não estão a
reagir de forma suficientemente eficaz às recomendações formuladas. Dada a
gravidade da situação descrita acima, a Comissão considera que, sem esperar
pelas recomendações específicas por país de 2012, os Estados-Membros, e em
particular os países com as taxas de desemprego juvenil mais elevadas, devem
tomar medidas decisivas nas quatro áreas seguintes: - Prevenir o abandono escolar O primeiro passo para ajudar os jovens a
melhorar as suas perspetivas de futuro é dotá-los de competências adequadas
através do ensino e prevenir a possibilidade de abandonarem a escola ou uma
eventual formação em que possam estar a participar[11]. O
Conselho adotou uma recomendação para reduzir o abandono escolar em Junho de
2011. Trata-se de um instrumento importante para garantir o objetivo da
estratégia Europa 2020 de reduzir o abandono escolar de 14 % para menos de
10 %. A solução reside na combinação de medidas de prevenção, intervenção
e compensação. Uma ação imediata através da reintegração num programa de
formação é essencial para limitar o número de jovens que abandonam a escola e
ficam no desemprego. - Desenvolver competências adequadas ao mercado de trabalho O desenvolvimento das competências deve
continuar a ser uma componente importante do desenvolvimento da carreira
profissional dos jovens. Os Estados-Membros precisam de garantir que os
sistemas educativos e formativos são capazes de transmitir aos jovens de uma
forma eficiente as competências necessárias. No presente contexto de forte
contenção dos orçamentos públicos, a Comissão encorajou os Estados-Membros a
dar prioridade à eficiência da despesa com a educação e a formação profissional[12],
garantindo simultaneamente o objetivo de 40 % de pessoas com 30-34 anos de
idade que concluem um curso de ensino superior ou equivalente[13]. A iniciativa emblemática «Agenda para Novas
Qualificações e Novos Empregos» propõe o desenvolvimento de uma ferramenta
comum - a
Classificação Europeia das Qualificações, Competências e Profissões -, tendo em vista uma
maior aproximação do mundo do emprego, da educação e da formação. Isto é
particularmente importante em certos setores com falta de mão-de-obra e com
crescente potencial para a criação de emprego como o setor da saúde. A Comissão
preconiza igualmente a introdução de reformas para garantir o reconhecimento
das qualificações[14]
profissionais e propõe a criação de um Passaporte Europeu de Qualificações para
ajudar os cidadãos a registar as suas qualificações de uma forma transparente e
comparável. A escassez de competências em línguas estrangeiras pode
reduzir a mobilidade dos jovens no mercado de trabalho europeu. Do mesmo modo,
são necessários mais esforços para garantir que os jovens possuem competências suficientes
no domínio das TIC, através nomeadamente dos apoios da iniciativa emblemática
«Europa Digital» da estratégia Europa 2020. Além disso, os jovens dotados de um
espírito e competências empresariais tenderão a obter mais facilmente um
emprego e a ter mais sucesso na criação de novas empresas. Neste contexto, a
Comissão pretende investir parte do orçamento de 2013 em atividades de
investigação relacionadas com as TIC, a fim de apoiar os jovens empresários e
inovadores. - Apoiar o primeiro emprego e a formação em contexto de trabalho A aquisição de competências deve ser
acompanhada de oportunidades de aprendizagem num contexto de trabalho. Desde
que respeitem as necessárias normas de qualidade, os aprendizados, as
colocações nas empresas e os estágios são particularmente importantes, uma vez
que oferecem a oportunidade aos jovens de adquirirem simultaneamente as
competências de que necessitam e experiência profissional. Os parceiros sociais
podem ajudar a criar mecanismos para integrar um maior número de jovens num
contexto de trabalho, mesmo por pequenos períodos de experiência profissional. A
adoção de políticas ativas de trabalho e a melhoria dos serviços de emprego
deverão ajudar os jovens a encontrar essas oportunidades de trabalho. A
introdução de apoios específicos poderá também contribuir para a melhoria das
qualificações e a obtenção de emprego, incluindo noutras regiões e
eventualmente noutros Estados-Membros. - Acesso ao mercado de trabalho: conseguir o (primeiro) emprego Garantir aos jovens a possibilidade de obterem
qualificações adequadas e experiência profissional é uma condição necessária,
mas não suficiente. É preciso melhorar as condições de acesso dos jovens ao
mercado de trabalho. Em particular, em linha com as recomendações existentes, e
quando oportuno, os Estados‑Membros deverão rever a legislação aplicável
em matéria de proteção do emprego, em consulta com os parceiros sociais,
reduzindo a rigidez excessiva dos contratos permanentes e garantindo uma
proteção e um acesso mais fácil ao mercado de trabalho por parte dos
desempregados[15].
Os Estados-Membros devem considerar atentamente o possível impacto dos custos
laborais não salariais excessivos na procura de nova mão-de-obra por parte
daqueles que entram no mercado de trabalho. É também essencial implementar reformas do
mercado de trabalho que possam contribuir para abrir os mercados de trabalho
aos jovens candidatos a emprego e jovens empresários, eliminando restrições
injustificadas às empresas e aos serviços profissionais, às profissões
jurídicas, ao aconselhamento contabilístico e técnico e aos setores da saúde e
social, promovendo simultaneamente o emprego por conta própria, incluindo
formas de apoio eficazes destinadas aos jovens para a criação de empresas.
3.
O Papel da UE na Iniciativa Oportunidades para a Juventude
No âmbito da Iniciativa Oportunidades para a
Juventude, propõe-se que os Estados-Membros e a UE conjuguem esforços, partindo
das suas vertentes da ação da UE descritas acima. Além de uma revisão mais
ampla das políticas e do desempenho nacionais no quadro da estratégia Europa
2020, importa redobrar esforços no sentido de mobilizar plenamente os apoios
financeiros e os instrumentos da UE.
3.1.
Maior utilização do Fundo Social Europeu para
medidas de emprego dos jovens
É importante aliar
os esforços nacionais a uma utilização tão ampla quanto possível dos apoios
financeiros disponíveis da UE, seja no âmbito dos fundos estruturais ou de
outras ações desenvolvidas pela Comissão. No período atual
de execução dos fundos estruturais (2007-2013), os Estados-Membros preveem
afetar dois terços do financiamento disponível a título do Fundo Social Europeu
a medidas em prol da educação e do emprego. Uma parte significativa dessa ajuda
beneficiará os jovens. A verba considerada representa um total de 79 mil
milhões de euros, se incluirmos as contribuições nacionais. Além disso, está
prevista a afetação a título do FEDER de 7,2 mil milhões de euros para
infraestruturas educativas e de 555 milhões de euros para infraestruturas
pré-escolares, estas últimas destinadas a ajudar em particular as jovens mães a
regressar ao mercado de trabalho. Todavia, no final de 2011, os Estados-Membros
disporão ainda de 30 mil milhões de euros para programas do FSE, que não
chegaram a ser autorizados para projetos concretos. Acresce que, muitas vezes,
os esforços para combater o desemprego dos jovens não correspondem à gravidade
do problema. É preciso acelerar o processo de execução, uma vez que isso
ajudará a reduzir o desemprego dos jovens, mas é também necessário desenvolver
novas abordagens nomeadamente para apoiar a participação dos jovens em
programas de aprendizado e formação ou para promover o empreendedorismo entre
os jovens, incluindo no setor da economia social. Mais de metade de todos os
Estados-Membros registam uma taxa de desemprego dos jovens superior à média da
UE[16]. Embora
não seja possível estabelecer um nexo de causalidade, os dados disponíveis
mostram que os Estados-Membros com as taxas mais elevadas de desemprego dos
jovens não consideram suficientemente as questões relativas aos jovens nos seus
programas do FSE. Por exemplo, em Junho de 2010 as taxas de desemprego dos
jovens na Grécia, Itália e Lituânia ascenderam a 32 %, 27 % e
36 %, representando os jovens nestes Estados-Membros apenas 11 %, 15 %
e 14 % dos beneficiários do FSE. Acelerar o processo de execução será
determinante para melhorar o emprego dos jovens nos Estados-Membros com piores
resultados em termos de execução e de desempenho relacionados com o desemprego
dos jovens (BG, EL e RO). Os Estados-Membros com taxas de desemprego dos
jovens superiores à média e taxas de execução do FSE médias[17] (CY, IT,
PL, SE e SK) deverão dar maior incidência às dificuldades específicas dos seus
países, seja ao aplicar (IT), seja ao readaptar as medidas do FSE, para
responder a certas necessidades como a adequação das qualificações ao mercado
de trabalho ou a introdução de incentivos para os empregadores e o acesso ao
crédito por parte dos jovens para a criação de empresas (PL). Nos Estados-Membros com taxas de execução do
FSE superiores a 40 % e níveis de desemprego dos jovens acima da média da
UE, importa melhorar a participação dos jovens nos programas do FSE e
introduzir medidas específicas no domínio da juventude (EE, ES, LT e LV). Uma maior focalização nas medidas de apoio à
juventude e uma aplicação mais célere deverão ajudar a melhorar rapidamente a
situação de desemprego dos jovens. A maioria dos países (BG, EE, EL, ES, IE,
LV, RO, SE, SK e UK) identificou os jovens que abandonam os sistemas de ensino
e formação como um dos grupos principais de jovens desempregados e consideram
que se trata de um grupo-chave para melhorar as condições de emprego dos
jovens. A Comissão apoiará uma melhor aplicação do FSE
na área dos aprendizados/estágios e do empreendedorismo, incluindo o
empreendedorismo social, utilizando a assistência técnica do FSE para
desenvolver e divulgar boas práticas.
3.2.
Abordagens inovadoras para facilitar a transição da
escola para a vida ativa
A aprendizagem no local de trabalho é
um elemento crucial para facilitar a transição dos jovens da escola para o
mundo do trabalho e para o desenvolvimento de uma mão-de-obra qualificada no
futuro. Nos últimos anos, surgiu um consenso alargado entre as autoridades
públicas, os parceiros sociais e o setor empresarial sobre a necessidade de
associar uma vertente teórica e uma vertente prática nos programas de ensino e
formação profissionais (os denominados «aprendizados» ou aprendizagem «dual» ou
«a dois níveis»). Apesar desse consenso geral, a oferta de
uma aprendizagem deste tipo não é homogénea na UE. A cooperação na UE no
domínio do ensino e formação profissionais, no âmbito do denominado «Processo
de Copenhaga», estabeleceu um programa de trabalho ambicioso para os
Estados-Membros e os parceiros sociais, que deverão abordar questões
fundamentais como a qualidade e o financiamento destes programas. A iniciativa
Leonardo da Vinci da UE já financia projetos concretos neste domínio. As
atividades variam da formação de indivíduos em contexto de trabalho no
estrangeiro ao desenvolvimento em larga escala da cooperação transnacional. Contudo, são necessários esforços
adicionais nos Estados-Membros, tanto a nível nacional como regional, para
reforçar a oferta de programas de aprendizagem a dois níveis orientados para as
necessidades do mercado de trabalho. É também preciso um maior empenho das
empresas - incluindo do setor público -, para oferecer mais
oportunidades de trabalho e de formação aos jovens, nomeadamente no âmbito das
estratégias que visam promover a responsabilidade social das empresas. As
parcerias estratégicas entre as diferentes partes interessadas envolvidas
poderão servir de exemplo. Os estágios podem ajudar os estudantes
e jovens diplomados a adquirir uma primeira experiência profissional. No
entanto, o aumento de oportunidades de aprendizagem no local de trabalho deve
ser associado a um forte compromisso no sentido de garantir condições adequadas
de realização. Em 2012, a Comissão apresentará um quadro de qualidade que
servirá de base para a realização e a participação em estágios de elevada
qualidade, incluindo uma análise geral das condições de realização dos estágios
e sua transparência na UE. Importa ainda adotar novas medidas pelos
Estados-Membros e agentes do mercado de trabalho tendo em vista a aplicação do mecanismo
de garantia criado para os jovens, para garantir que, quatro meses após a
saída da escola, se encontram empregados ou participam num programa de educação
ou (re)formação, especialmente os jovens que abandonam os sistemas de ensino e
formação e outros jovens vulneráveis. Mediante pedido do Parlamento Europeu, a
Comissão lançará em 2012 a ação preparatória «Medidas de Ativação destinadas
aos Jovens - Implementação da Iniciativa Juventude em Movimento», visando em
particular o mecanismo de garantia para os jovens, através de um orçamento de 4
milhões de euros. A experiência retirada desta ação poderá servir de base para
a criação de mecanismos com o apoio do FSE.
3.3.
Apoiar a mobilidade dos jovens no mercado de
trabalho
O Erasmus é o prestigiado programa da UE no
domínio da educação e formação que permite, todos os anos, a 250 000
estudantes estudar e trabalhar no estrangeiro. Financia, igualmente, a
cooperação entre estabelecimentos de ensino superior de toda a Europa. Este programa
apoia não apenas estudantes, mas também professores e profissionais de empresas
que desejam ensinar no estrangeiro, além de ajudar o pessoal universitário a
receber formação. A Comissão basear-se-á no sucesso destas ações de
mobilidade para apoiar a mobilidade e a eficiência no mercado de trabalho.
Para evitar desajustamentos entre as vagas de
emprego e os candidatos a emprego, a Comissão, com o apoio do Parlamento
Europeu, pretende instituir um mecanismo específico em prol da mobilidade
profissional, para ajudar os jovens a encontrarem um emprego noutro
Estado-Membro e ajudar as empresas a preencher as suas vagas mais difíceis.
Através da ação preparatória «O teu primeiro emprego EURES», a Comissão apoiará
os jovens e os empregadores (as PME, em particular) na promoção de
recrutamentos e colocações transnacionais. A aprendizagem não formal também poderá ajudar
a combater o problema do desemprego dos jovens. Por essa razão, o Serviço
Voluntário Europeu será reforçado nos últimos dois anos do atual programa
Juventude em Ação. O objetivo é recrutar, pelo menos, 10 000
voluntários. A experiência adquirida noutro Estado-Membro pode desenvolver
competências importantes e ajudar os jovens a entrar no mercado de trabalho.
Simultaneamente, a Comissão está a criar um Corpo Voluntário Europeu de
Ajuda Humanitária que oferecerá novas oportunidades aos jovens europeus. A ação Erasmus para Jovens Empreendedores
promove a mobilidade dos empresários através de uma troca de experiências
transfronteiriça, dando aos novos empresários a possibilidade de aprender com
empresários de acolhimento mais experientes noutros Estados‑Membros. Em
troca, os empresários de acolhimento beneficiam de uma visão mais atual na sua
empresa e de novos contactos no estrangeiro. Mais de 4 200 empresários já
se candidataram à participação neste programa desde o seu início, tendo sido
aceites 86 % do total de candidaturas. Até agora foram realizados 850
intercâmbios.
4.
Próximas etapas
Nas próximas semanas, a Comissão irá debater a
situação económica e social de cada Estado‑Membro no âmbito da preparação
do semestre europeu da governação económica de 2012. Trabalhará com os grupos
pertinentes do Conselho e do Parlamento Europeu no sentido de garantir uma
rápida aplicação dos diferentes elementos da Iniciativa Oportunidades para a
Juventude enunciados no quadro abaixo. A Comissão consultará os parceiros sociais
europeus para assegurar o seu envolvimento ativo e concreto nesta iniciativa, e
procurará obter o apoio e o contributo de todas as partes interessadas. Uma nova Iniciativa Oportunidades para a
Juventude Mobilizar o
FSE para apoiar o desenvolvimento das competências e a transição da escola para
o mundo do trabalho ·
Vários Estados-Membros poderão utilizar mais
significativamente os fundos disponíveis da UE, reprogramando e acelerando a
sua execução, a fim de criar mecanismos de apoio em larga escala destinados aos
jovens que garantam especificamente a redução do abandono escolar e o aumento
da empregabilidade. Isto é particularmente importante para os Estados-Membros
onde o desemprego dos jovens e a falta de apoios são mais elevados. A Comissão
está preparada para trabalhar com os Estados-Membros utilizando procedimentos
céleres de modificação dos programas operacionais, fornecer assistência técnica
da UE e assegurar uma recuperação rápida dos fundos não utilizados. ·
Utilizará 1,3 milhões de euros da dotação para
assistência técnica do FSE, para apoiar a organização de aprendizados através
do FSE, e 3 milhões de euros dessa mesma dotação para, nomeadamente, criar
mecanismos de apoio aos jovens empresários e jovens empresários do setor
social. ·
A Comissão apoiará os Estados-Membros na
definição de medidas em prol da juventude aquando da preparação dos seus
programas para o período seguinte do FSE. Facilitar a
transição da escola para o mundo do trabalho ·
Os Estados-Membros, em cooperação com os
parceiros sociais, deverão procurar aumentar significativamente a oferta de
aprendizados na UE e garantir que representam oportunidades reais para os
jovens adquirirem uma formação específica num contexto de trabalho e uma
experiência profissional que lhes proporcione um emprego mais estável. Um
aumento de, pelo menos, 10 % na UE, até ao final de 2013, assegurará um
total de 370 000 novos aprendizados[18]. ·
Os parceiros sociais devem analisar, se
oportuno, com as autoridades dos Estados‑Membros, qual a melhor forma de
implementar o objetivo específico de promover mais e melhores contratos de
aprendizado e de estágio, no âmbito dos acordos autónomos sobre os mercados de
trabalho inclusivos (2010). ·
A Comissão reforçará consideravelmente os apoios
à mobilidade para fins de aprendizagem dos estudantes que frequentam o ensino
superior e os programas de formação profissional. Ao canalizar os fundos tanto
quanto possível para as colocações nas empresas, deverão ser asseguradas novas
colocações (mais 30 %), atingindo 130 000 colocações em 2012 no
âmbito dos programas Erasmus e Leonardo da Vinci. ·
A Comissão lançará uma campanha no valor de 1,5
milhões de euros para as empresas, no início de 2012, com vista a sensibilizar
as empresas para os apoios às colocações oferecidos pelos programas Erasmus e
Leonardo da Vinci e incentivar o potencial acolhimento de estagiários europeus
nessas empresas. ·
Em 2012, a Comissão apresentará um quadro em
matéria de qualidade que servirá de base para a realização e a participação em
estágios de elevada qualidade, incluindo uma análise geral das condições de
realização dos estágios e da sua transparência na UE. ·
Os Estados-Membros e os agentes do mercado precisam
de redobrar esforços para implementar o mecanismo de garantia destinado aos
jovens e garantir que,
após quatro meses da saída da escola, os jovens têm emprego ou frequentam um
programa de ensino ou (re)formação, em especial os jovens que abandonam os
sistemas educativo e formativo e outros jovens vulneráveis. A Comissão lançará,
em 2012, a ação preparatória «Medidas de Ativação destinadas aos Jovens - Implementação da
Iniciativa Juventude em Movimento», visando em particular o mecanismo de
garantia para os jovens, através de um orçamento de 4 milhões de euros. ·
A Comissão investirá uma parte significativa do
seu orçamento de 6 milhões de euros destinados à inovação social em projetos
inovadores, visando em espacial os jovens que se encontram em situações ou
zonas desfavorecidas. ·
A dotação orçamental para o Serviço Voluntário
Europeu será reforçada, de modo a garantir pelo menos 10 000 oportunidades
de voluntariado em 2012. Apoiar a
mobilidade no mercado de trabalho ·
Atualmente, o Portal Europeu da Mobilidade
Profissional EURES assegura a divulgação de mais de 1,2 milhões de vagas de
emprego e 700 000 CV. Em 2012, os Estados-Membros deverão criar serviços
específicos de recrutamento EURES e prever medidas de apoio para garantir que
pelo menos 100 000 das vagas EURES são preenchidas com êxito por jovens,
intensificando dessa forma a utilização deste portal. ·
No início de 2012, a iniciativa «O Teu Primeiro
Emprego EURES», lançada pela Comissão em 2011, dará apoio financeiro direto a
5 000 jovens para o preenchimento de vagas de emprego noutros
Estados-Membros em 2012-2013. Esta será uma ação-piloto que servirá para
desenvolver esta iniciativa e aumentar o número de colocações profissionais. ·
Espera-se que o Erasmus para Jovens
Empreendedores venha a financiar cerca de 600 intercâmbios adicionais em 2012. Reforço da
aplicação das políticas no quadro do semestre europeu ·
A Comissão procederá a uma nova avaliação e
análise das medidas adotadas pelos Estados-Membros para combater o desemprego
dos jovens e comunicará as suas conclusões na reunião informal do Conselho de
Ministros do Emprego e dos Assuntos Sociais de abril de 2012. ·
A Comissão Convida os Estados-Membros a debater
as adaptações necessárias aos seus sistemas educativos e formativos no âmbito
do quadro estratégico para a cooperação europeia no domínio da educação e da
formação (EF2020). ·
A Comissão fornecerá orientações específicas aos
Estados-Membros sobre as medidas destinadas a combater o desemprego dos jovens
no quadro dos contactos bilaterais de preparação dos programas de reforma
nacionais de 2012. ·
As questões relativas à juventude serão
integradas pela Comissão nas recomendações específicas por país a apresentar
aos Estados-Membros em maio de 2012. [1] Por
exemplo, a taxa média de desemprego na UE dos jovens provenientes da migração é
superior a 30 %. [2] Os dados
relativos a Malta e Suécia são provisórios; os dados sobre o Luxemburgo são
pouco fiáveis porque se baseiam numa amostra reduzida. [3] Eurofound
(2011), «The social impact of the crisis». Os custos estimados incluem receitas
perdidas e custos para as finanças públicas resultantes do excesso de
transferências através das prestações sociais; representam um limite inferior,
não incluindo custos adicionais como os impostos não pagos sobre receitas perdidas,
custos com a saúde e a justiça penal. Os países excluídos da estimativa devido
à falta de variáveis estatísticas são a DK, EL, FI, FR, MT e SE. A população de
referência é composta por pessoas com 16-29 anos idade, desempregadas ou
inativas (mas não no ensino) há mais de seis meses. [4] Ver
relatórios da Comissão «Employment in Europe 2010» e «EU Employment and Social
Situation Quarterly Review September 2011». [5] Ver
projeto de relatório conjunto sobre o emprego 2011-2012 da Comissão, COM(2011)
815 Anexo III de 23.11.2011, p. 6f. [6] Ver
projeto de relatório conjunto sobre a educação e a formação 2020 da Comissão,
COM(2011) 902 de 20.12.2011. [7] O
conceito de abandono escolar é utilizado em relação às pessoas que deixam o
ensino e a formação tendo concluído apenas o ensino básico ou outro nível de
ensino inferior e que não se encontram a frequentar nenhum programa de ensino
ou formação. [8] Scarpetta
S., A. Sonnet e T. Manfredi (2010) «Rising youth unemployment during the crisis
how to prevent negative long-term consequences on a generation?», OECD Social,
Employment and Migration Papers, n.º 106. [9] Conclusões
do Conselho 11838/11 de 20 de Junho de 2011 sobre a promoção do emprego dos
jovens. [10] Ver JO C
191(2011) [11] Em alguns
países, as taxas de abandono escolar correspondem a 20-30 %. [12] Comunicação
da Comissão «Análise Anual do Crescimento para 2012», COM(2011) 815 de
23.11.2011. [13] Ver
projeto de relatório conjunto sobre a educação e a formação 2020 da Comissão,
COM(2011) 902 de 20.12.2011. [14] Na
sequência do compromisso assumido na legislação sobre o mercado único, a
Comissão apresentou uma proposta de revisão das regras da UE em matéria de
reconhecimento das qualificações profissionais, COM(2011) 883 final de
20.12.2011. [15] Comunicação
da Comissão «Análise Anual do Crescimento para 2012», COM(2011) 815 de
23.11.2011. [16] BG, CY,
EE, EL, ES, FR, HU, IE, IT, LT, LV, PL, PT, RO, SE, SK e UK. [17] De acordo
com os dados fornecidos pelos Estados-Membros sobre os níveis nacionais de
pagamento do FSE em relação à afetação total no final do terceiro trimestre de
2011. [18] No início
de 2012, a Comissão apresentará um estudo aprofundado sobre a oferta de
aprendizados na UE. Atualmente, cerca de 40 % dos estudantes do ensino
secundário na UE estão a realizar uma formação profissional de tipo
aprendizado. Contudo, apenas menos de metade desses estudantes tem a
possibilidade de realizar uma formação a dois níveis, aliando a teoria à
prática num contexto de trabalho.