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22.5.2015 |
PT |
Jornal Oficial da União Europeia |
L 127/25 |
DECISÃO (UE) 2015/801 DA COMISSÃO
de 20 de maio de 2015
relativa ao documento de referência sobre melhores práticas de gestão ambiental, indicadores de desempenho ambiental setorial e indicadores de excelência para o setor do comércio a retalho, nos termos do Regulamento (CE) n.o 1221/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho, relativo à participação voluntária de organizações num sistema comunitário de ecogestão e auditoria (EMAS)
[notificada com o número C(2015) 3234]
(Texto relevante para efeitos do EEE)
A COMISSÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,
Tendo em conta o Regulamento (CE) n.o 1221/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de novembro de 2009, relativo à participação voluntária de organizações num sistema comunitário de ecogestão e auditoria (EMAS), que revoga o Regulamento (CE) n.o 761/2001 e as Decisões 2001/681/CE e 2006/193/CE da Comissão (1), nomeadamente o artigo 46.o, n.o 1,
Considerando o seguinte:
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(1) |
O Regulamento (CE) n.o 1221/2009 estabelece uma obrigação para a Comissão de elaborar documentos de referência setoriais mediante consulta aos Estados-Membros e a outras partes interessadas. Estes documentos de referência setoriais devem incluir as melhores práticas de gestão ambiental e indicadores de desempenho ambiental para setores específicos e, se for caso disso, indicadores de excelência adequados e sistemas de classificação que identifiquem os níveis de desempenho ambiental. |
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(2) |
A comunicação da Comissão — Estabelecimento do plano de trabalho que define uma lista indicativa dos setores que serão considerados prioritários para a aprovação de documentos de referência setoriais e transetoriais, nos termos do Regulamento (CE) n.o 1221/2009, de 25 de novembro de 2009, relativo à participação voluntária de organizações num sistema comunitário de ecogestão e auditoria (EMAS) (2) — estabelece um plano de trabalho e uma lista indicativa de setores prioritários para a aprovação de documentos de referência setoriais e transetoriais, incluindo o setor do comércio por grosso e a retalho. |
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(3) |
Os documentos de referência para setores específicos, incluindo as melhores práticas de gestão ambiental e indicadores de desempenho ambiental e, se for caso disso, indicadores de excelência e sistemas de classificação que identifiquem os níveis de desempenho ambiental, são necessários para ajudar as organizações a centrarem-se melhor nos aspetos ambientais mais importantes de um dado setor. |
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(4) |
As medidas previstas na presente decisão estão em conformidade com o parecer do comité instituído pelo artigo 49.o do Regulamento (CE) n.o 1221/2009, |
ADOTOU A PRESENTE DECISÃO:
Artigo 1.o
O documento de referência setorial sobre as melhores práticas de gestão ambiental, os indicadores de desempenho ambiental do setor e os indicadores de excelência para o setor do comércio a retalho figura em anexo.
Artigo 2.o
É obrigação de uma organização registada no EMAS no setor do comércio a retalho demonstrar na declaração ambiental de que modo as melhores práticas de gestão ambiental e os indicadores de excelência descritos no documento de referência setorial têm sido utilizados para identificar medidas e ações e, eventualmente, para estabelecer prioridades com vista a melhorar o seu desempenho ambiental.
Artigo 3.o
O cumprimento dos indicadores de excelência identificados no documento de referência setorial não é obrigatório para as organizações registadas no EMAS, uma vez que o caráter voluntário do EMAS deixa a cargo das próprias organizações a avaliação da viabilidade dos indicadores em termos de custos e benefícios.
Artigo 4.o
Os destinatários da presente decisão são os Estados-Membros.
Feito em Bruxelas, em 20 de maio de 2015.
Pela Comissão
Karmenu VELLA
Membro da Comissão
ANEXO
1. INTRODUÇÃO
O presente documento é o primeiro documento de referência setorial em conformidade com o artigo 46.o do Regulamento (CE) n.o 1221/2009, relativo à participação voluntária de organizações num sistema comunitário de ecogestão e auditoria (EMAS). Com vista a facilitar a compreensão deste documento de referência setorial, a presente introdução descreve brevemente a sua base jurídica e a sua utilização.
O documento de referência setorial tem por base um relatório sobre aspetos científicos e políticos (1), elaborado pelo Instituto de Estudos de Prospetiva Tecnológica (IPTS), um dos sete institutos do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (JRC).
Enquadramento legal relevante
O sistema comunitário de ecogestão e auditoria (EMAS) foi introduzido em 1993 pelo Regulamento (CEE) n.o 1836/93 do Conselho (2), para participação voluntária de organizações. Posteriormente, o EMAS sofreu duas revisões importantes:
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Regulamento (CE) n.o 761/2001 do Parlamento Europeu e do Conselho (3); |
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Regulamento (CE) n.o 1221/2009. |
Um novo elemento importante da última revisão, que entrou em vigor em 11 de janeiro de 2010, é a elaboração de documentos de referência setoriais (SRD) que reflitam as melhores práticas de gestão ambiental para setores específicos, introduzida pelo artigo 46.o do Regulamento (CE) n.o 1221/2009. Estes incluem as melhores práticas de gestão ambiental (BEMP), os indicadores de desempenho ambiental para setores específicos e, se for caso disso, indicadores de excelência e sistemas de classificação que identifiquem os níveis de desempenho.
Interpretação e utilização do presente documento
O sistema comunitário de ecogestão e auditoria (EMAS) é um sistema de participação voluntária de organizações que se comprometem a melhorar de forma contínua as condições ambientais. Neste contexto, o presente documento de referência setorial (SRD) proporciona ao setor do comércio a retalho uma orientação com especificidade setorial e salienta uma série de opções para a aplicação de aperfeiçoamentos e de melhores práticas. O documento de referência setorial destina-se a ajudar e apoiar todas as organizações que pretendam melhorar o seu desempenho ambiental, fornecendo ideias e inspiração, bem como orientações práticas e técnicas.
O documento de referência setorial aborda, primeiro, as organizações que já se encontram registadas no EMAS, depois as organizações que ponderam registar-se futuramente no EMAS e, em terceiro lugar, também aquelas que puseram em prática outro sistema de gestão ambiental ou aquelas que, não tendo um sistema de gestão ambiental formal, pretendem saber mais sobre as melhores práticas de gestão ambiental a fim de melhorarem o seu desempenho ambiental. Por conseguinte, o presente documento tem por objetivo incentivar todas as organizações e intervenientes no setor do comércio a retalho a concentrarem-se em aspetos ambientais relevantes, tanto diretos como indiretos, e a obterem informações sobre as melhores práticas e indicadores adequados de desempenho ambiental, específicos do setor, para medirem o seu desempenho ambiental, e ainda sobre indicadores de excelência.
Nos termos do Regulamento (CE) n.o 1221/2009, as organizações registadas no EMAS devem elaborar uma declaração ambiental [artigo 4.o, n.o 1, alínea d)]. Quando se avalia o desempenho ambiental, o documento de referência setorial pertinente deve ser tido em conta. A Decisão 2013/131/UE (4) da Comissão, relativa à adoção do guia do utilizador que indica os passos necessários para participar no EMAS («guia do utilizador EMAS»), refere-se igualmente à natureza jurídica dos documentos de referência setoriais EMAS. Tanto o guia do utilizador EMAS como a decisão indicam que é obrigatório uma organização registada no EMAS clarificar na declaração ambiental de que modo o documento de referência setorial, quando disponível, foi tido em conta; ou seja, de que modo o documento de referência setorial foi utilizado para identificar medidas e ações e, eventualmente, estabelecer prioridades para continuar a melhorar o desempenho ambiental. A decisão indica também que o cumprimento dos indicadores de excelência identificados não é obrigatório, porque o caráter voluntário do EMAS deixa a avaliação da viabilidade dos indicadores, em termos de custos e benefícios, a cargo das próprias organizações.
As informações constantes do presente documento baseiam-se nos dados diretos fornecidos pelas próprias partes interessadas, seguidos de uma análise subsequente do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia. Um grupo de trabalho técnico, constituído por peritos e partes interessadas do setor, empregou o seu parecer especializado, juntamente com o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, acabando por acordar e aprovar os indicadores descritos. Tal significa que as informações fornecidas sobre os indicadores de desempenho ambiental específicos do setor e indicadores de excelência no presente documento correspondem aos níveis de desempenho ambiental que podem ser obtidos pelas organizações do setor com o melhor desempenho. No que respeita à declaração ambiental, o artigo 4.o, n.o 1, alínea d), do Regulamento (CE) n.o 1221/2009 remete para o anexo IV do mesmo regulamento, onde se refere que a declaração ambiental também deve conter informações sobre os indicadores principais e outros indicadores de desempenho ambiental existentes que sejam relevantes. Os chamados «outros indicadores de desempenho ambiental relevantes» (anexo IV, secção C, ponto 3) dizem respeito aos aspetos ambientais mais específicos identificados na sua declaração ambiental e devem ser comunicados para além dos indicadores principais. Para este efeito, os documentos de referência setoriais também devem ser tidos em conta (anexo IV, secção C, ponto 3). Sempre que tal se justifique por razões técnicas, uma organização pode concluir que um ou mais dos indicadores principais EMAS e um ou mais dos indicadores específicos do setor apresentados no documento de referência setorial não são pertinentes para a mesma, podendo não fornecer informações a seu respeito. Por exemplo, um retalhista não alimentar não tem de comunicar os indicadores de eficiência energética para a refrigeração de alimentos comercial, visto que tal não é relevante. Na escolha dos indicadores relevantes, deve ter-se em conta que alguns indicadores estão estreitamente ligados à implementação de determinadas melhores práticas. Portanto, a sua aplicabilidade está limitada a organizações que implementem essas melhores práticas de gestão ambiental. No entanto, se uma das melhores práticas de gestão ambiental se adequar a uma organização, mesmo que não seja aplicada, é recomendável que a organização comunique os indicadores associados para, pelo menos, estabelecer uma base de referência comparável.
Os indicadores apresentados foram selecionados como os mais comummente utilizados por organizações exemplares no setor. As organizações podem verificar quais dos indicadores de desempenho ambiental selecionados (ou alternativas adequadas) são os mais adequados em cada caso.
Os verificadores ambientais EMAS devem verificar se e de que forma o documento de referência setorial foi tido em conta pela organização aquando da elaboração da sua declaração ambiental [artigo 18.o, n.o 5, alínea d), do Regulamento (CE) n.o 1221/2009]. Isto significa que, no âmbito da realização das suas atividades, os verificadores ambientais acreditados necessitarão de provas por parte da organização sobre a forma como o documento de referência setorial foi tido em conta. Não devem verificar o cumprimento dos indicadores de excelência descritos, mas devem verificar as provas relativas ao modo como o documento de referência setorial foi utilizado como um guia para a identificação de medidas voluntárias que a organização pode implementar para melhorar o seu desempenho ambiental.
O registo no EMAS é um processo contínuo. Tal significa que, sempre que uma organização tencione melhorar o seu desempenho ambiental (e analise o seu desempenho ambiental), deve consultar o documento de referência setorial relativo aos tópicos específicos enquanto fonte de inspiração sobre as questões a abordar em seguida, numa abordagem faseada.
Estrutura do documento de referência setorial
O presente documento compreende quatro capítulos. O capítulo 1 apresenta o enquadramento jurídico do EMAS e descreve como utilizar o presente documento, enquanto o capítulo 2 define o âmbito de aplicação do presente documento de referência setorial. O capítulo 3 descreve sucintamente as melhores práticas de gestão ambiental (BEMP), juntamente com informações sobre a sua aplicabilidade, principalmente no que respeita a instalações novas e existentes e/ou estabelecimentos novos e existentes, bem como às PME. Para cada melhor prática de gestão ambiental, são igualmente apontados os correspondentes indicadores de desempenho ambiental e referências de excelência. Para cada uma das diversas medidas e técnicas descritas, é mencionado mais do que um indicador de desempenho ambiental, em reflexo de na prática se utilizarem diferentes indicadores.
Por último, o capítulo 4 apresenta um quadro exaustivo, com os indicadores de desempenho ambiental mais relevantes, as correspondentes explicações e as referências de excelência conexas.
2. ÂMBITO DE APLICAÇÃO
O presente documento de referência setorial incide na gestão ambiental das organizações do setor do comércio a retalho. No âmbito da classificação estatística das atividades económicas, estabelecida pelo Regulamento (CE) n.o 1893/2006 do Parlamento Europeu e do Conselho (5), este setor é caracterizado com o código NACE 47 (NACE Rev. 2): «Comércio a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos». A venda a retalho de serviços como, por exemplo, restaurantes, cabeleireiros ou agentes de viagens, está excluída.
Abrange toda a cadeia de valor para os produtos vendidos nos estabelecimentos de venda a retalho, conforme indica o seguinte esquema de entradas/saídas:
Figura 2.1.
Visão geral das entradas e saídas do setor do comércio a retalho
Setor do comércio de RETALHO
NACE 47
transporte, embalagem, refrigeração, iluminação, reciclagem, triagem seletiva, gestão de resíduos, condições de trabalho, etc.
PRODUÇÃO
Cadeia de abastecimento
Auxiliares químicos
Energia
Água
Reciclagem/reutilização (garrafas, baterias, lâmpadas, equipamento elétrico, etc.)
Emissões atmosfér.
Venda grossista
Cuidados pessoais desporto
NACE 20.4, 32
Madeira, papel
NACE 16, 17, 31
Distribuição e logística
Rótulos ambientais
Consumidores
Calor residual
Águas residuais
Resíduos sólidos
Aspetos indiretos
Aspetos diretos
Aspetos indiretos
Computadores, electrónica
NACE 26, 27.5
Alimentos, bebidas
NACE 10, 11, 12
Produtos
outros
Têxteis, vestuário
NACE 13, 14, 15
CONSUMO
Os principais aspetos ambientais a gerir pelas organizações pertencentes ao setor do comércio a retalho são indicados no quadro 2.1.
Para cada categoria, o quadro indica os aspetos abrangidos pelo presente documento de referência setorial. Estes aspetos ambientais foram selecionados como os mais pertinentes para os retalhistas. No entanto, os aspetos ambientais a gerir por retalhistas específicos devem ser avaliados caso a caso. Os aspetos ambientais, como águas residuais, resíduos perigosos, biodiversidade ou materiais de outros domínios não enumerados podem ser igualmente pertinentes.
Quadro 2.1.
Principais aspetos ambientais referidos no presente documento
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Categoria |
Caráter (6) |
Aspetos abrangidos no presente documento |
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Eficiência energética |
Direto |
Construção, aquecimento, ventilação e climatização (AVC), refrigeração, iluminação, aparelhos, energias renováveis, monitorização energética |
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Emissões para a atmosfera |
Direto |
Refrigerantes |
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Cadeia de abastecimento |
Indireto |
Estratégias empresariais, priorização de produtos, mecanismos de melhoria, processamento da escolha, critérios ambientais, informação e divulgação, rotulagem ambiental [incluindo produtos de marca própria (7)] |
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Transporte e logística |
Direto/indireto |
Monitorização, contratos públicos, tomada de decisões, modos de transporte, redes de distribuição, planeamento, conceção de embalagens |
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Resíduos |
Direto |
Resíduos alimentares, embalagens, sistemas de devolução |
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Materiais e recursos |
Direto |
Consumo de papel |
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Água |
Direto |
Recolha e tratamento das águas pluviais |
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Influência sobre os consumidores |
Indireto |
Aspetos ambientais associados ao consumo (por exemplo, sacos de plástico) |
Por conseguinte, as «melhores práticas de gestão ambiental (BEMP)» apresentadas agrupam-se do seguinte modo:
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Melhores práticas de gestão ambiental para melhorar o desempenho energético, incluindo a gestão de refrigerantes |
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— |
Melhores práticas de gestão ambiental para melhorar a sustentabilidade ambiental das cadeias de abastecimento do setor retalhista |
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— |
Melhores práticas de gestão ambiental para melhorar as operações de transporte e logística |
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— |
Melhores práticas de gestão ambiental no que respeita à gestão dos resíduos |
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— |
Outras melhores práticas de gestão ambiental (consumo reduzido e utilização de papel mais ecológico para publicações comerciais, recolha e reutilização de águas pluviais e influência no comportamento ambiental dos consumidores). |
As melhores práticas de gestão ambiental abrangem os aspetos ambientais mais significativos do setor.
3. MELHORES PRÁTICAS DE GESTÃO AMBIENTAL, INDICADORES DE DESEMPENHO AMBIENTAL SETORIAL E REFERÊNCIAS DE EXCELÊNCIA PARA O SETOR DO COMÉRCIO A RETALHO
3.1. Desempenho energético, incluindo a gestão de refrigerantes
3.1.1. Conceção e adaptação da envolvente do edifício para uma otimização do desempenho energético
A melhor prática de gestão ambiental consiste em melhorar a envolvente dos edifícios existentes de retalhistas, a fim de reduzir as perdas de energia para um nível aceitável e viável, através da aplicação de várias técnicas, como as que constam do Quadro 3.1. A melhor prática de gestão ambiental consiste também em otimizar a conceção da envolvente do edifício, com o objetivo de satisfazer as normas, indo além da regulamentação existente, especialmente em novos edifícios.
Quadro 3.1.
Elementos da envolvente do edifício e técnicas associadas
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Elemento da envolvente |
Técnica |
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Parede/fachada/telhado/pavimento — teto da cave |
Alterar os materiais de isolamento |
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Técnicas para aumentar a espessura do isolamento |
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Janelas/vidros |
Mudar para vidros mais eficazes |
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Mudar para caixilhos e armações mais eficazes |
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Proteção solar |
Utilizar dispositivos de proteção solar externos e internos |
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Estanquidade ao ar |
Melhoramento das portas |
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Portas de ação rápida |
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Vedação |
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Introduzir secções que sirvam de tampão |
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Envolvente global |
Orientação |
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Manutenção |
Tecnicamente, é possível para qualquer edifício ou fração autónoma, novos ou existentes. Os inquilinos podem aplicar mecanismos para influenciar os senhorios e devem estar conscientes da importância da envolvente do edifício no seu desempenho ambiental. A adaptação da envolvente do edifício requer um investimento significativo. De um modo geral, esta melhor prática de gestão ambiental produz poupanças de custos, mas com longos períodos de recuperação do investimento, pelo que é recomendável aplicá-la juntamente com outras grandes obras de restauro do estabelecimento (por exemplo, disposição, iluminação, segurança, estrutura, ampliações, etc.), com o intuito de reduzir os seus custos.
A aplicabilidade desta melhor prática de gestão ambiental a pequenas empresas (8) é normalmente bastante limitada, devido ao elevado investimento necessário e à ausência de influência nas características do edifício.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.1.2. Conceção de instalações para sistemas de aquecimento, ventilação e climatização novos e existentes
A melhor prática de gestão ambiental consiste em adaptar os sistemas existentes de AVC (aquecimento, ventilação e ar condicionado), com vista a reduzir o consumo de energia e melhorar a qualidade do ar em recintos fechados. A melhor prática de gestão ambiental consiste em otimizar a conceção de sistemas de AVC em edifícios novos, utilizando sistemas inovadores para reduzir a procura de energia primária e aumentar a eficiência.
A aplicação das melhores práticas de conceção deve permitir uma melhor integração na envolvente do edifício, evitando dimensioná-lo em demasia e utilizando a sua orientação como forma de minimizar o consumo global de energia. O que se segue pode, em especial, ser importante para novos estabelecimentos: utilização de vidros, calor residual proveniente da refrigeração, energias renováveis, bombas de calor e outros sistemas inovadores. A monitorização da qualidade do ar em recintos fechados e os sistemas de gestão de energia são considerados as melhores práticas no que respeita à manutenção de AVC.
Esta melhor prática de gestão ambiental é totalmente aplicável aos novos edifícios. Em todos os edifícios existentes, o sistema de AVC pode ser adaptado com o intuito de reduzir o consumo de energia, embora as características do edifício tenham influência no impacto da adaptação dos sistemas de AVC. A influência climática é muito relevante para selecionar as técnicas a aplicar. A aplicação de novos sistemas de AVC num edifício existente, por exemplo, a instalação de centrais de cogeração, sistemas de recuperação de calor e conceitos de conceção integrados, tais como a norma da casa passiva, pode ser efetuada parcialmente com um desempenho económico aceitável. A disposição do estabelecimento tem forte influência no desempenho dos sistemas de AVC, especialmente as especificações relativas à conceção do processo de refrigeração, em que pode ser recuperada uma enorme quantidade de calor residual.
Para as pequenas empresas, o grau de influência na conceção de AVC pode ser desprezável, apesar de deverem participar na execução e na recomendação da melhor prática de gestão ambiental descrita.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.1.3. Utilização de conceitos de conceção integrados para edifícios
A melhor prática de gestão ambiental consiste na utilização dos conceitos de conceção integrados para a totalidade ou uma parte do edifício, com vista a reduzir a procura energética do estabelecimento. Os conceitos integrados minimizam a utilização de energia e os custos associados de um edifício, garantindo ao mesmo tempo boas condições térmicas de conforto para os ocupantes. Alguns requisitos exemplificativos no Quadro 3.2.
Quadro 3.2.
Exemplos de requisitos aplicáveis aos conceitos de conceção integrados
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Requisitos |
Exemplos de medidas para os alcançar |
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A necessidade energética do edifício para aquecimento e arrefecimento de espaços deve ser inferior a 15 kWh/m2 por ano A carga térmica específica não deve exceder 10 W/m2 O edifício não deve apresentar fugas de ar superiores a 0,6 vezes o seu volume por hora O consumo total de energia primária não pode ser superior a 120 kWh/m2 por ano |
Melhor isolamento. Valores U recomendados inferiores a 0,15 W/m2K Conceção sem pontes térmicas Valores U de janelas inferiores a 0,85 W/m2K Estanquidade ao ar. Ventilação mecânica com recuperação de calor do ar de exaustão Instalação de sistemas solares térmicos ou para bombas de calor (a procura final de energia exclui a contribuição da energia solar e do ambiente utilizada no local para a produção de calor) |
Os conceitos integrados são normalmente introduzidos durante a fase de projeto de novos edifícios. O conceito é parcialmente adequado para os edifícios existentes, visto que podem ser integrados vários elementos sem custos de investimento elevados. As condições climáticas podem também influenciar a decisão de aplicar este conceito. Por exemplo, a norma da casa passiva foi principalmente desenvolvida por investigadores alemães e suecos, mas pode ser transposta para climas mais quentes. Os custos de investimento de um edifício concebido segundo abordagens integradas exemplares não excedem 10 a 15 % do custo adicional em comparação com uma construção convencional. A análise do custo do ciclo de vida revela que a conceção de edifícios com recurso à norma da casa passiva representa o custo mínimo do ciclo de vida, uma vez que o sistema de aquecimento necessário é relativamente simples e a potência térmica instalada é limitada.
Para as pequenas empresas, a utilização de conceitos de conceção integrados para minimizar a procura energética de edifícios novos pode ser considerada uma atividade rentável em termos de contratos públicos, sem qualquer restrição específica além do investimento inicial adicional.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.1.4. Integração de sistemas de refrigeração e aquecimento, ventilação e climatização
A melhor prática de gestão ambiental consiste em recuperar o calor residual do ciclo de refrigeração e maximizar a sua utilização. Os retalhistas de produtos alimentares têm a possibilidade, em determinadas circunstâncias, de produzir calor em excesso, mesmo após a utilização do calor para aquecimento de espaços, o qual pode ser fornecido para outras partes do mesmo edifício ou para outros edifícios.
As medidas devem ser tidas em consideração para os edifícios novos ou existentes de retalhistas de produtos alimentares, e o funcionamento destes sistemas terá resultados diferentes, dependendo de vários fatores:
— Dimensão e utilização do edifício: os estabelecimentos de grandes retalhistas não estão normalmente sozinhos nos seus edifícios. Portanto, a «vizinhança» (por exemplo, estabelecimentos de pequena dimensão num centro comercial) é um potencial consumidor do calor em excesso. Regra geral, uma mercearia com carga de refrigeração típica e envolvente otimizada pode recuperar energia suficiente para aquecer duas vezes a sua própria superfície.
— Conceção e manutenção de AVC: todos os elementos do sistema de AVC devem ser projetados e mantidos corretamente. A recuperação de calor do ar de exaustão, o controlo da ventilação com sensores de CO2, em função da procura, e a monitorização da estanquidade ao ar e da qualidade do ar em recintos fechados são técnicas vivamente aconselhadas.
— Carga de refrigeração: os estabelecimentos menores oferecem mais produtos refrigerados por metro quadrado de superfície de vendas e a eficácia na refrigeração é inferior. A tendência para o aumento da quantidade de produtos refrigerados disponíveis também é importante. A dimensão do estabelecimento não tem influência na aplicabilidade técnica de abordagens integradas, mas a relação custo/eficácia de todo o sistema é menos vantajosa para os pequenos estabelecimentos.
— Condições climáticas: em climas frios, a carga de refrigeração é menor do que nas regiões mais quentes. Simultaneamente, as necessidades de aquecimento de edifícios são elevadas no Norte da Europa, pelo que a integração dependerá da qualidade da envolvente do edifício. Para os climas mais quentes (por exemplo, países mediterrânicos da Europa), as necessidades de arrefecimento podem ser muito significativas e a estanquidade do edifício ao ar pode aumentar os ganhos internos. É, por conseguinte, necessária uma conceção de ventilação otimizada. O arrefecimento mecânico durante a noite e as temperaturas interiores variáveis (por exemplo, 21-26 °C) são também técnicas recomendadas.
— Temperatura ambiente: na integração do ciclo de refrigeração, há um limite para a temperatura ambiente, que depende da conceção do sistema, quando a taxa de produção de calor residual não é suficiente para manter uma temperatura confortável no interior dos edifícios. Pode ser necessária uma fonte de aquecimento adicional, mas, uma vez mais, depende da qualidade da envolvente do edifício.
— Propriedade do edifício: muitos estabelecimentos estão integrados em edifícios residenciais ou comerciais, pertencentes a terceiros. A melhor integração da recuperação de calor deve, portanto, envolver os proprietários efetivos do edifício.
Esta melhor prática de gestão ambiental é aplicável a qualquer sistema de refrigeração novo ou existente a instalar em estabelecimentos novos ou renovados, sendo plenamente aplicável às pequenas empresas (tendo em conta as condições supra). No entanto, as pequenas empresas podem exigir assistência técnica subcontratada.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.1.5. Monitorização do desempenho energético de estabelecimentos
A melhor prática de gestão ambiental consiste em monitorizar a utilização de energia pelos processos no interior de um estabelecimento (pelo menos, os processos que consomem mais energia, como aquecimento, refrigeração, iluminação, etc.), bem como aos níveis do estabelecimento e da organização. Adicionalmente, representa uma melhor prática de gestão ambiental indicar o consumo de energia (por processo) e aplicar medidas preventivas e corretivas.
Pode ser aplicado um sistema de monitorização a qualquer conceito de vendas. Exige a atribuição de recursos suplementares se não existir uma estrutura de gestão empresarial adequada. Esta prática pode exigir esforços suplementares para os estabelecimentos existentes.
As pequenas empresas que gerem um ou alguns estabelecimentos podem necessitar de uma boa estrutura de gestão empresarial e abordagens de responsabilidade partilhada para estabelecer e manter um sistema de monitorização adequado. Podem existir problemas de acessibilidade económica para a aplicação desta melhor prática de gestão ambiental em estabelecimentos existentes.
Indicadores de desempenho ambiental e referências de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referências de excelência |
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3.1.6. Refrigeração eficiente, incluindo a utilização de refrigerantes
A melhor prática de gestão ambiental consiste em pôr em prática medidas de poupança energética no sistema de refrigeração de uma mercearia, com destaque para a cobertura de expositores frigoríficos com tampas de vidro, sempre que o potencial de poupança energética produza benefícios ambientais pertinentes.
A melhor prática de gestão ambiental consiste em utilizar refrigerantes naturais em mercearias, visto que os impactos ambientais serão substancialmente reduzidos, e evitar fugas, garantindo que as instalações estão hermeticamente fechadas e bem mantidas.
Esta prática é aplicável aos retalhistas de produtos alimentares com carga de refrigeração significativa. A cobertura dos armários pode ter períodos de recuperação curtos (menos de três anos) quando as poupanças previstas são iguais ou superiores a 20 %. A cobertura de expositores também pode ter impacto no comportamento térmico do estabelecimento, bem como na humidade do ambiente interior. Acresce que a aplicação de refrigerantes naturais, para além dos benefícios ambientais, pode reduzir o consumo de energia em determinadas circunstâncias da atividade retalhista de produtos alimentares.
A aplicabilidade às pequenas empresas pode ser restrita às organizações que utilizam sistemas de refrigeração comerciais, tanto de tipo plug-in como remotos.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.1.7. Iluminação eficiente
A melhor prática de gestão ambiental consiste em conceber estratégias de iluminação inteligentes com maior eficiência e consumo reduzido, utilizar a luz natural sem afetar o conceito de vendas e utilizar controlos inteligentes, uma conceção adequada dos sistemas e dispositivos de iluminação mais eficientes para assegurar níveis de iluminação ideais.
Esta técnica é aplicável a qualquer conceito de vendas. A iluminação específica para efeitos de comercialização está igualmente abrangida. No entanto, deve ser cuidadosamente tida em conta a influência que o aumento da colocação de vidros (para permitir uma maior utilização da luz natural) tem no equilíbrio térmico do estabelecimento. A definição de uma estratégia de iluminação ótima e a utilização dos dispositivos mais eficientes podem conduzir a poupanças superiores a 50 % em relação ao desempenho atual.
A utilização de sistemas de iluminação inteligentes e de dispositivos eficientes é viável para as pequenas empresas.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.1.8. Medidas secundárias para a melhoria do desempenho energético
A melhor prática de gestão ambiental consiste em aplicar medidas de poupança de energia nos centros de distribuição, auditar periodicamente a utilização de energia no sistema de gestão ambiental, formar pessoal no sentido da poupança de energia e comunicar os esforços internos e externos da organização com vista à poupança de energia.
Não há limite quanto à dimensão, à natureza ou à localização geográfica do retalhista para estabelecer um sistema de gestão de energia completo, tendo em conta os equipamentos, os centros de distribuição, as utilizações de energia específicas, a comunicação e a formação.
Para as pequenas empresas, os contratos públicos para fornecimento de equipamentos eficientes, formação de pessoal e comunicação são medidas exequíveis e viáveis.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
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3.1.9. Utilização de fontes de energia alternativas
A seguir à minimização da procura de energia, a melhor prática de gestão ambiental consiste em integrar fontes de energia renováveis nos estabelecimentos. Satisfazer a procura energética com energias renováveis tem benefícios ambientais substanciais. Contudo, é essencial, em primeiro lugar, reduzir a procura energética e aumentar a eficácia, conforme se explica nos pontos 3.1.1 a 3.1.8, e, em seguida, integrar as energias renováveis para satisfazer a procura energética remanescente. A utilização de bombas de calor e de sistemas combinados de produção de calor e energia deve igualmente ser tida em conta.
Em princípio, é aplicável a qualquer formato de estabelecimento. São limitações importantes a disponibilidade de fontes de energia renováveis, a acessibilidade da instalação no solo ou em telhados e a estabilidade da procura de sistemas de produção combinada de calor e energia.
As compras ecológicas podem ser uma boa solução para as microempresas. Para as pequenas empresas, a utilização de energias renováveis ou outras fontes alternativas é exequível.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.2. Cadeia de abastecimento do setor retalhista
Figura 3.1.
Sequência proposta para as principais questões e ações (caixas retangulares sombreadas) que representam as melhores práticas de melhoria sistemática da cadeia de abastecimento, dividida em condições prévias e duas estratégias (S1 e S2) (13)
S1. Impulsionar melhoria generalizada
Promover produtos pioneiros
Estabelecer e auditar requisitos ambientais para fornecedores e produtos
Colaborar com principais fornecedores para melhorar ecoeficiência
Excluir produtos piores.
Requerer certificação por terceira entidade.
Critérios de exclusão (p. ex. peixes em lista de perigo)?
Possível estabelecer requisitos ambientais para produtos e fornecedores?
Margem para intervenção eficaz?
Norma ambiental relevante de terceiros com aplicação geral?
Estabelecer inter-câmbio de dados dos fornecedores?
Desenvolvimen-to de produtos e normas
Grupo de produtos prioritário?
GRUPOS DE PRODUTOS PRINCIPAIS?
Prioridade à melhoria da cadeia de abastecimento
Identificar pontos de controlo
Gama central de produtos melhorada
Nicho de mercado pioneiro expandido
Marcas pioneiras relevantes
S
S
S
S
N
N
N
N
N
S
N
Avaliação ambiental
S2. Encorajar ecoconsumo
Condições prévias
3.2.1. Integração da sustentabilidade ambiental da cadeia de abastecimento na estratégia e nas operações empresariais
A melhor prática de gestão ambiental consiste, para os quadros superiores, em integrar a sustentabilidade ambiental da cadeia de abastecimento na estratégia empresarial e, para o pessoal de gestão especializado (de preferência no âmbito de uma unidade especializada), em coordenar a implementação de ações necessárias nas operações a retalho. As ações devem, pelo menos, ser coordenadas entre os indivíduos ou departamentos responsáveis por contratos públicos, fabrico, garantia da qualidade, transportes e logística e comercialização. A fixação de metas ambientais quantitativas de sustentabilidade que sejam amplamente divulgadas e altamente ponderadas no processo de tomada de decisão empresarial é particularmente importante, não só como indicador mas também como impulsionador de ações para melhorar a sustentabilidade ambiental da cadeia de abastecimento. Na Figura 3.1 é proposta uma sequência das ações que traduzem melhores práticas de melhoria sistemática das cadeias de abastecimento do produto, determinada de acordo com a ordem cronológica e a eficácia ambiental. A melhor prática consiste na implementação desta sequência de ações (refletindo também a melhor prática de gestão ambiental descrita subsequentemente).
A integração de uma estratégia ambientalmente sustentável relativa à cadeia de abastecimento na estrutura e nas operações de gestão do setor retalhista é possível para qualquer retalhista. Para os grandes retalhistas, esta melhor prática de gestão ambiental é mais complexa e exige uma ampla formação e reorganização para estabelecer prioridades em matéria de fontes sustentáveis do ponto de vista ambiental. A integração da sustentabilidade ambiental da cadeia de abastecimento em organizações de venda a retalho pode melhorar o desempenho económico a longo prazo, através da criação de uma forte identidade de marca de valor acrescentado e da garantia de um abastecimento de produtos eficientes e sustentáveis no futuro.
Para as pequenas empresas, estas ações podem ser relativamente simples de implementar e podem estar associadas a uma alteração na posição de mercado para acentuar uma variedade de produtos de valor acrescentado mais sustentável.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.2.2. Avaliação de cadeias de abastecimento de produtos essenciais, para identificar produtos, fornecedores e opções de melhoria prioritários e identificar mecanismos eficazes de melhoria da cadeia de abastecimento do produto
De acordo com a sequência da melhor prática de gestão ambiental aplicável à melhoria ambiental de cadeias de abastecimento do setor a retalho (Figura 3.1), os retalhistas devem identificar os produtos, processos e fornecedores prioritários para melhoria através da avaliação ambiental das cadeias de abastecimento dos produtos, recorrendo às informações científicas existentes, a consultas com peritos (por exemplo, ONG) e a instrumentos de avaliação do ciclo de vida. Em seguida, os retalhistas devem identificar as possibilidades de melhoria pertinentes disponíveis para grupos de produtos prioritários. Neste contexto, um dos aspetos importantes é a identificação de normas ambientais pertinentes de terceiros amplamente reconhecidas que possam ser utilizadas para indicar níveis mais elevados de desempenho ambiental do fornecedor e/ou produto. A aplicabilidade e o nível de proteção ambiental dessas normas variam consideravelmente.
Algumas normas são amplamente aplicáveis (Quadro 3.4 a Quadro 3.7) e as suas melhores práticas consistem em garantir que todos os fornecedores/produtos são certificados de acordo com elas. A Diretiva 2010/30/UE, relativa à rotulagem energética, criou um quadro jurídico que permite aos consumidores e também aos retalhistas concentrarem a sua carteira de produtos na classe de eficiência energética mais elevada. Outras normas não se baseiam em critérios que podem ser amplamente aplicados para melhorar a sustentabilidade ambiental de todos os produtos e fornecedores — em vez disso, procuram identificar produtos pioneiros (Quadro 3.3). Por exemplo, o rótulo ecológico da UE é atribuído aos produtos que, ao longo do ciclo de vida, demonstram um desempenho ambiental equivalente ao dos melhores 10-20 % de produtos da mesma categoria. A melhor prática para padrões elevados de exigência, como rótulos ambientais ISO de tipo I (14) e normas aplicáveis aos produtos biológicos, consiste em promover a sua seleção pelos consumidores.
Quadro 3.3.
Exemplos ilustrativos e não exaustivos de normas de certificação de «produtos ambientais» pioneiros e grupos de produtos aos quais essas normas são aplicáveis
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Norma |
Grupos de produtos |
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Anjo azul (Blue Angel) Rótulo ecológico da UE Cisne nórdico (Nordic Swan) Rotulagem energética da UE (classe de eficiência mais elevada) |
Produtos não alimentares |
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Biológica (de acordo com o Regulamento (CE) n.o 889/2008 (15) da Comissão e o Regulamento (CE) n.o 834/2007 (16) do Conselho). Inclui GOTS, KRAV, Soil Association, BioSuisse, etc. |
Produtos alimentares e produtos de fibras naturais |
Para normas amplamente aplicáveis, é proposto um sistema de classificação simples, recorrendo, a título de exemplo, a algumas normas normalmente utilizadas. O Quadro 3.4 apresenta informações detalhadas sobre critérios propostos que as normas imporiam aos produtos e ao seu fabrico de modo a serem consideradas «básicas», «melhoradas» ou «exemplares».
Quadro 3.4.
Proposta de critérios de classificação de normas «básicas», «melhoradas» e «exemplares» para produtos vendidos por retalhistas
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Básica |
Melhorada |
Exemplar |
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São apresentados, no Quadro 3.5, no Quadro 3.6 e no Quadro 3.7, respetivamente, exemplos de normas ambientais básicas, melhoradas e exemplares e grupos de produtos aos quais estas são aplicáveis.
Os quadros 3.5, 3.6, 3.7 e 3.8 contêm exemplos ilustrativos e não exaustivos, que não constituem aval oficial de normas «básicas», «melhoradas» ou «exemplares» para grupos de produtos.
Quadro 3.5.
Exemplos ilustrativos e não exaustivos de normas ambientais «básicas» e grupos de produtos aos quais são aplicáveis
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Norma |
Grupos de produtos |
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GlobalGAP (boas práticas agrícolas) e normas de referência |
Culturas e pecuária |
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Oeko-Tex 1000 |
Têxteis |
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Certificação da produção nacional/regional (por exemplo, certificação de origem britânica «Red Tractor») |
Todos os produtos |
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Peixe vermelho estriado (anulação de seleção) |
Peixe |
Quadro 3.6.
Exemplos ilustrativos e não exaustivos de normas ambientais «melhoradas» e iniciativas e grupos de produtos aos quais são aplicáveis
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Normas e iniciativas |
Grupos de produtos |
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Iniciativa «Melhor Algodão» («Better Cotton Initiative», BCI) |
Produtos de algodão |
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Critérios de Basileia relativos à produção responsável de soja («Basel Criteria on Responsible Soy Production», BCRSP) |
Soja (produtos lácteos, ovos e carne de suplemento aos alimentos para animais) |
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Iniciativa «Melhor Cana-de-Açúcar» («Better Sugarcane Initiative», BSI) |
Produtos à base de açúcar |
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4C (Associação do Código Comum para a Comunidade Cafeeira) |
Café |
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Comércio equitativo |
Produtos agrícolas provenientes de regiões em desenvolvimento |
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RA (Rainforest Alliance) |
Produtos agrícolas provenientes dos trópicos |
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Mesa redonda sobre o óleo de palma sustentável («Round Table on Sustainable Palm Oil», RSPO) |
Produtos à base de óleo de palma |
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Programa para a aprovação da certificação florestal («Programme for the Endorsement of Forestry Certification», PEFC) |
Madeira e papel |
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Mesa redonda sobre a produção de soja responsável («Round Table on Responsible Soy», RTRS) |
Soja (produtos lácteos, ovos e carne de suplemento aos alimentos para animais) |
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UTZ |
Cacau, café, óleo de palma, chá |
Quadro 3.7.
Exemplos ilustrativos e não exaustivos de normas ambientais «exemplares» e iniciativas e grupos de produtos aos quais são aplicáveis
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Norma |
Grupos de produtos |
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Conselho de Proteção Florestal («Forest Stewardship Council», FSC) |
Madeira e papel |
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Conselho de Proteção Marinha («Marine Stewardship Council», MSC) |
Marisco de captura selvagem |
Caso não estejam disponíveis normas ambientais de aplicação ampla, a melhor prática do retalhista consiste em especificar, no âmbito de acordos contratuais, critérios ambientais que abordam pontos críticos ambientais de cadeias de abastecimento ou intervir para melhorar o desempenho da cadeia de abastecimento através da difusão de melhores práticas e avaliação comparativa do desempenho ambiental.
Qualquer retalhista pode identificar os mecanismos mais eficazes de melhoria das cadeias de abastecimento. Para os grandes retalhistas com produtos de marca própria, todos os aspetos desta melhor prática de gestão ambiental podem ser implementados.
Para as pequenas empresas, esta técnica é limitada à identificação dos produtos prioritários para processamento da escolha ou contratos públicos ecológicos com base na certificação por terceiros. A implementação de uma abordagem sistemática e centrada ao longo do tempo não acarreta despesas importantes.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.2.3. Processamento da escolha e contratos públicos ecológicos de grupos de produtos prioritários com base na certificação por terceiros
A melhor prática de gestão ambiental consiste em excluir os produtos mais insustentáveis (por exemplo, espécies em extinção) e exigir uma certificação generalizada (ou seja, a meta de 100 % da quota de vendas) de acordo com normas ambientais de terceiros para produtos que tenham sido identificados como prioridades para a melhoria ambiental. As normas ambientais são aplicáveis aos produtos e/ou fornecedores e são, de um modo geral, classificadas como básicas, melhoradas ou exemplares, de acordo com o rigor e a exaustividade dos requisitos ambientais (ver Quadro 3.8 para exemplos ilustrativos e não exaustivos). A melhor prática de gestão ambiental consiste em aplicar o nível mais elevado disponível de uma norma ambiental amplamente reconhecida.
Quadro 3.8.
Exemplos ilustrativos e não exaustivos de melhores práticas que sustentam as referências de excelência para esta melhor prática de gestão ambiental nos grupos de produtos
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Grupo de produtos |
Exemplos de melhores práticas Objetivo (quotas das vendas reais ou visadas para diferentes normas) |
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Café, chá |
100 % proveniente de comércio equitativo; 100 % 4C |
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Frutas e produtos hortícolas |
100 % Global GAP |
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Gorduras e óleos |
100 % RSPO; 100 % RTRS |
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Marisco |
100 % MSC |
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Açúcar |
100 % proveniente de comércio equitativo |
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Têxteis |
100 % BCI |
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Madeira e papel |
100 % FSC |
Esta melhor prática de gestão ambiental aplica-se a todos os retalhistas. A referência de excelência é expressa em relação aos produtos de marca própria vendidos por grandes retalhistas.
As pequenas empresas sem gamas de produtos de marca própria devem evitar os produtos mais prejudiciais ao ambiente (por exemplo, espécies piscícolas em vias de extinção) e armazenar produtos de marca que tenham sido certificados de acordo com normas ambientais pertinentes (por exemplo, Quadro 3.3).
As normas ambientais de terceiros podem não abranger todos os aspetos e processos ambientais relevantes ao longo da cadeia de abastecimento e não estão disponíveis normas amplamente aplicáveis e rigorosas em termos ambientais para todos os grupos de produtos. Os grupos de produtos não referidos no Quadro 3.8 podem ser visados para a melhoria das cadeias de abastecimento através da aplicação de requisitos do produto/fornecedor, da intervenção do retalhista (por exemplo, avaliação comparativa do fornecedor) e da promoção de «produtos ecológicos» pioneiros, tal como consta de melhores práticas de gestão ambiental subsequentes.
No caso de a certificação ambiental ser especificada como um critério de «classificação de ordem», os custos de conformidade e certificação são suportados pelos fornecedores e não transitam para os retalhistas. No entanto, as melhores práticas implicam que os retalhistas prestem apoio aos fornecedores existentes para obter a certificação, caso em que os custos são partilhados. Para os fornecedores, os custos de conformidade podem ser considerados um investimento para aumentar a aceitação no mercado dos seus produtos e, eventualmente, aplicar preços mais elevados. Para os retalhistas, os custos adicionais associados a esta técnica podem ser contrabalançados com a redução de riscos da cadeia de abastecimento, a potencial fixação de preços e as vantagens comerciais.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.2.4. Imposição de requisitos ambientais a fornecedores de grupos de produtos prioritários
A melhor prática de gestão ambiental consiste em estabelecer critérios ambientais para produtos prioritários e seus fornecedores, visando pontos críticos ambientais identificados, e garantir a observância destes critérios através de auditorias ao produto e ao fornecedor.
Esta melhor prática de gestão ambiental é aplicável aos grandes retalhistas e aos produtos prioritários de marca própria. A auditoria do desempenho ambiental do fornecedor pode ser integrada nos sistemas de auditoria social e controlo de qualidade do produto, de modo a minimizar os custos adicionais. Para os fornecedores, os custos de conformidade podem ser contrabalançados com uma maior segurança da procura, uma maior possibilidade de comercialização dos seus produtos e qualquer subida de preço que possam consequentemente obter. Para os retalhistas, os custos podem ser contrabalançados com o decréscimo dos riscos em termos de reputação e dos riscos a médio prazo relativos às cadeias de abastecimento associados a práticas insustentáveis, e ainda com aumentos de preços e prémios de comercialização que podem consequentemente obter.
Esta melhor prática de gestão ambiental não é aplicável às pequenas empresas.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.2.5. Melhoria do desempenho do fornecedor através da análise comparativa e da difusão de melhores práticas
A melhor prática de gestão ambiental consiste em promover a melhoria do fornecedor através da criação de sistemas de intercâmbio de informações (que podem ser utilizados na avaliação comparativa dos fornecedores) e da divulgação de melhores práticas de gestão. Este último aspeto pode ajudar o fornecedor a cumprir normas de terceiros e critérios definidos pelo retalhista.
Esta melhor prática de gestão ambiental é aplicável aos grandes retalhistas e aos produtos prioritários de marca própria. Os fornecedores retalhistas podem propor aos fornecedores um pequeno aumento de preço para incentivar a participação em regimes de melhoria e pagar pela recolha de dados e pela divulgação de técnicas de melhores práticas de gestão. Estes custos devem ser contrabalançados com o decréscimo dos riscos em termos de reputação e dos riscos a médio prazo relativos às cadeias de abastecimento associados a práticas insustentáveis, e ainda com os aumentos de preços e prémios de comercialização que os retalhistas podem consequentemente aplicar. Os dividendos de quaisquer melhorias de eficiência identificadas podem ser partilhados com os retalhistas através de acordos contratuais.
Esta melhor prática de gestão ambiental não é aplicável às pequenas empresas.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.2.6. Investigação e desenvolvimento colaborativos para impulsionar a melhoria e inovação generalizadas da cadeia de abastecimento
A melhor prática de gestão ambiental consiste em colaborar estrategicamente com outras partes interessadas para identificar e desenvolver opções de melhoria de cadeias de abastecimento inovadoras e desenvolver normas ambientais amplamente aceites.
Qualquer grande retalhista com cadeias de abastecimento de produtos de marca própria pode colaborar com institutos de investigação ou empresas de consultoria para melhorar a sustentabilidade da cadeia de abastecimento. Os retalhistas podem querer concentrar a investigação e o desenvolvimento em grupos de produtos relativamente aos quais não existem opções de melhoria comercialmente viáveis e amplamente aplicáveis. Esta prática pode ser considerada um investimento para assegurar cadeias de abastecimento sustentáveis e economicamente competitivas.
Esta melhor prática de gestão ambiental não é aplicável às pequenas empresas.
Indicadores de desempenho ambiental e referências de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referências de excelência |
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3.2.7. Promoção de produtos ecológicos pioneiros
A melhor prática de gestão ambiental consiste em promover produtos ecológicos certificados pioneiros. As campanhas de sensibilização, o fornecimento, a fixação de preços, o posicionamento no estabelecimento e a publicidade são componentes importantes desta técnica, que pode ser efetivamente implementada através do desenvolvimento de gamas de produtos ecológicos de marca própria.
Todos os retalhistas podem armazenar e encorajar o consumo de produtos ecológicos pioneiros. Os grandes retalhistas podem implementar esta técnica mais extensivamente, através do desenvolvimento de gamas de produtos ecológicos de marca própria. Os custos do fornecedor associados à certificação de produtos pioneiros podem ser transferidos para os retalhistas. Os produtos ecológicos pioneiros certificados estão associados a aumentos de preços significativos e margens de lucro mais elevadas. As gamas de produtos ecológicos de marca própria são igualmente suscetíveis de conduzir a um aumento das vendas globais dos produtos de marca própria do retalhista através de um «efeito de halo» positivo.
Esta melhor prática de gestão ambiental é aplicável às pequenas empresas.
Indicadores de desempenho ambiental e referências de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referências de excelência |
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3.3. Transporte e logística
3.3.1. Contratos públicos ecológicos e requisitos ambientais para os prestadores de serviços de transporte
A melhor prática de gestão ambiental consiste em integrar os critérios de comunicação e desempenho ambiental nos contratos de serviços de transporte e logística prestados por terceiros, incluindo os requisitos aplicáveis à implementação de melhores práticas de gestão ambiental descritas no presente documento.
Todos os retalhistas contratam, pelo menos, uma parte das suas operações de transporte e logística a prestadores de serviços terceiros e podem tomar decisões de aquisição de acordo com critérios ambientais e eficiência. No entanto, melhorar a eficiência das operações de transporte e logística reduz os custos operacionais e exige uma comunicação e monitorização eficazes. Os prestadores de serviços de transporte eficientes podem oferecer serviços de baixo custo aos retalhistas.
Os pequenos retalhistas são geralmente dependentes de prestadores de serviços terceiros.
Indicadores de desempenho ambiental e referências de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referências de excelência |
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3.3.2. Monitorização e comunicação de informações eficientes para todas as operações de transporte e logística
A melhor prática de gestão ambiental consiste em comunicar a eficiência e o desempenho ambiental de todas as operações de transporte e logística entre fornecedores diretos, centros de distribuição, retalhistas e as instalações de gestão de resíduos, com base na monitorização de operações internas e em dados fornecidos pelas operações de terceiros.
Esta prática é aplicável por todos os retalhistas. A comunicação de informações sobre operações de transporte e logística internas é apenas aplicável aos grandes retalhistas. A monitorização e a comunicação de informações eficientes exigem pequenos investimentos nos necessários sistemas de tecnologia de informação e gestão, mas podem identificar opções para melhorar a eficiência das operações de transporte e logística.
Para as pequenas empresas, estão disponíveis dados básicos sobre fatores de emissão média de diferentes modos de transporte, a fim de estimar as emissões.
Indicadores de desempenho ambiental e referências de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referências de excelência |
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3.3.3. Integração da eficiência dos transportes em decisões de abastecimento e conceção de embalagens
A melhor prática de gestão ambiental consiste em integrar a eficiência dos transportes em decisões de abastecimento e conceção da embalagem, com base numa avaliação do ciclo de vida de produtos provenientes de diferentes regiões e através da conceção da embalagem de produtos para maximizar a densidade das unidades de transporte.
Esta prática é aplicável a grandes retalhistas com gamas de produtos de marca própria. É altamente dependente do produto e do local de origem e relacionada com uma multiplicidade de fatores de abastecimento. No que respeita às embalagens, aumentar a densidade de mercadorias embaladas pode melhorar consideravelmente a eficiência dos transportes e, por conseguinte, reduzir os custos de transporte.
Esta melhor prática de gestão ambiental não é aplicável às pequenas empresas.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.3.4. Passagem para modos de transporte mais eficientes
A melhor prática de gestão ambiental consiste em mudar para modos de transporte mais eficientes, em especial o transporte ferroviário, o transporte por vias navegáveis e camiões de maior porte, e minimizar o transporte aéreo na maior distância de transporte possível. A possibilidade de fazer essas transferências pode limitar-se à distribuição primária, desde os centros de distribuição de fornecedores até aos centros de distribuição de retalhistas, tendo em conta que, nos primeiros e nos últimos quilómetros, é muitas vezes preciso recorrer ao transporte rodoviário. Por conseguinte, as transferências modais exigem a otimização das redes de distribuição para facilitar as transferências intermodais (por exemplo, implantação de centros de distribuição com acesso a redes de transporte ferroviário e marítimo). A mudança de camiões mais pequenos para camiões maiores, incluindo camiões com reboques de dois pisos, está incluída na presente técnica devido à eficiência, consideravelmente maior, dos camiões de grande porte em comparação com os de pequeno porte. As transferências modais também podem contribuir para as decisões de abastecimento do produto quando o transporte representa uma componente significativa dos impactos ambientais do ciclo de vida do produto (tendo em conta todas as implicações relevantes do ciclo de vida).
Quadro 3.9.
Classificação dos modos de transporte por ordem de preferência ambiental (o melhor em primeiro lugar)
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Classificação |
Modo de transporte |
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1 |
Comboio de mercadorias |
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2 |
Navio de alto mar |
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3 |
Via navegável interior |
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4 |
Camião de grande porte |
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5 |
Camião de médio porte |
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6 |
Camião de pequeno porte |
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7 |
Transporte aéreo |
Todos os retalhistas podem tomar medidas no sentido de transferir o transporte do produto para modos menos poluentes, pelo menos com base no tamanho dos veículos, e a maior parte dos grandes retalhistas pode transferir, no mínimo, parte da distribuição primária do modo rodoviário para o modo ferroviário ou por vias navegáveis. No entanto, alcançar transferências em larga escala, no transporte de mercadorias a retalho, do modo rodoviário para o modo ferroviário e por vias navegáveis interiores exigirá melhorias nas infraestruturas de transporte ferroviário e de transporte por vias navegáveis e uma maior coordenação transfronteiriça da parte das empresas de exploração. Por conseguinte, a política e a infraestrutura de transporte nacionais (por exemplo, tarifas rodoviárias) podem influenciar significativamente a margem para melhoria dos retalhistas e a tomada de decisões relativas ao modo de transporte.
Não é aplicável às pequenas empresas, salvo se as escolhas disponíveis em matéria de aquisição permitirem a seleção de modos de transporte mais eficientes para determinados produtos.
Indicadores de desempenho ambiental e referências de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referências de excelência |
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3.3.5. Otimização da rede de distribuição
A melhor prática de gestão ambiental consiste em otimizar a rede de distribuição através da implementação sistemática das seguintes opções mais eficientes: i) estações centralizadas estratégicas para o transporte ferroviário e por via navegável, ii) plataformas consolidadas e iii) rotas diretas.
Aplicável aos grandes retalhistas com serviços de transporte e logística internos e a prestadores de serviços de transporte terceiros, especialmente quando os produtos são abastecidos a partir de distâncias mais longas, esta prática não exige um investimento significativo. A construção de novas estações centrais integradas com redes de transporte ferroviário e por vias navegáveis exige investimento significativo. Em ambos os casos, o aumento da eficiência de carga e a utilização de modos mais eficientes em rotas de maiores distâncias podem reduzir significativamente os custos de funcionamento.
Não é aplicável às pequenas empresas.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.3.6. Otimização do planeamento de rotas, utilização da telemática e formação dos condutores
A melhor prática de gestão ambiental consiste em otimizar a eficiência operacional através do planeamento eficiente de rotas, da utilização da telemática e da formação dos condutores. O planeamento eficiente de rotas inclui, para além dos produtos, carregar os veículos de entrega do estabelecimento com resíduos e entregas do fornecedor para os centros de distribuição e fazer entregas noturnas para evitar o congestionamento do tráfego.
Aplicável a todos os produtos a fornecer aos grandes retalhistas com serviços de transporte e logística internos e aos prestadores de serviços de transporte terceiros. A formação dos condutores geralmente produz uma poupança de 5 % de combustível. A otimização de rotas pode exigir um investimento significativo nas tecnologias da informação, mas pode reduzir os custos de investimento de capital (menor número de camiões necessários) e reduzir significativamente os custos de funcionamento (combustível).
Aplicável a pequenas empresas se tiverem os seus próprios veículos de transporte (por exemplo, carrinhas de entregas).
Indicadores de desempenho ambiental e referências de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referências de excelência |
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3.3.7. Minimização do impacto ambiental dos veículos rodoviários através de decisões de compra e adaptações de equipamento
A melhor prática de gestão ambiental consiste em minimizar o impacto ambiental dos veículos rodoviários através de decisões de compra e adaptações de equipamento. Tal inclui a compra de veículos de propulsão alternativa, veículos eficientes e menos poluentes e veículos com baixas emissões de ruído, modificações aerodinâmicas e a aplicação de pneus com baixa resistência ao rolamento.
Aplicável a todos os produtos a fornecer aos grandes retalhistas com serviços de transporte e logística internos e aos prestadores de serviços de transporte terceiros. Para veículos destinados a percorrer longas distâncias a velocidades mais elevadas (> 80 km/h), pequenos investimentos em modificações aerodinâmicas e grandes investimentos para tornar tratores e unidades de reboque mais aerodinâmicos oferecem períodos de recuperação que podem ir até dois anos. Os mesmos períodos de recuperação são aplicáveis à instalação de pneus com baixa resistência ao rolamento. Os veículos de propulsão alternativa exigem custos de investimento consideravelmente mais elevados.
Aplicável a pequenas empresas se tiverem os seus próprios veículos de transporte (por exemplo, carrinhas de entregas).
Indicadores de desempenho ambiental e referências de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referências de excelência |
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3.4. Gestão de resíduos
3.4.1. Minimização dos resíduos alimentares
A melhor prática de gestão ambiental consiste em integrar as práticas respeitadoras do ambiente com o intuito de evitar a produção de resíduos alimentares, como monitorização, auditoria, definição de prioridades, questões logísticas, mecanismos de melhor preservação, controlo da temperatura e da humidade no estabelecimento, centros de distribuição e camiões de entregas, formação do pessoal, doação, aconselhamento aos consumidores, etc., e evitar a deposição em aterro ou a incineração dos resíduos alimentares através de processos de fermentação.
Esta é uma medida eficaz em termos de custos, aplicável aos retalhistas de produtos alimentares de todas as dimensões e localizados em qualquer Estado-Membro. No entanto, podem estar em vigor políticas para evitar ou desencorajar a doação de alimentos.
Todas as pequenas empresas podem implementar medidas preventivas para evitar a produção de resíduos alimentares. Os custos de gestão seriam compensados pelas poupanças de custos resultantes da redução de perdas de produto e de produção de resíduos.
Indicadores de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.4.2. Integração da gestão de resíduos nas atividades dos retalhistas
A melhor prática de gestão ambiental consiste em integrar práticas de gestão dos resíduos, sendo que a prevenção é a prioridade. As melhores práticas incluem:
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Práticas de gestão interna:
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Organização das práticas de gestão:
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As técnicas descritas são aplicáveis a qualquer retalhista. As melhores práticas devem ser adequadas aos retalhistas que gerem um número significativo de estabelecimentos e centros de distribuição. A afetação de recursos para a redução eficaz dos resíduos é economicamente justificada. O transporte a granel de volta para centros de distribuição permitirá a redução dos custos de tratamento, se comparados com os custos negociados a nível local ou do estabelecimento.
As pequenas empresas que produzem grande quantidade de resíduos devem disponibilizar recursos e formar o pessoal em boas práticas de gestão de resíduos.
Indicador de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicador de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.4.3. Sistemas de devolução para garrafas em PET e PE e para produtos utilizados
A melhor prática de gestão ambiental consiste na implementação de sistemas de retoma e na sua integração na logística da empresa, como, por exemplo, para garrafas em PET ou PE.
Os retalhistas de produtos alimentares, especialmente as grandes cadeias, podem implementar esta melhor prática de gestão ambiental. É necessária afetação de recursos, manutenção e equipamento. Em alguns países já é obrigatória (por exemplo, Países Baixos, Suécia e Alemanha).
Para as pequenas empresas, são necessários recursos adicionais para o funcionamento diário do sistema de recuperação.
Indicador de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicador de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.5. Utilização de menos papel e de papel reciclado/certificado em publicações
A melhor prática de gestão ambiental consiste em reduzir o impacto mediante um decréscimo no consumo de materiais, como a otimização do papel para publicações comerciais ou a utilização de papel mais respeitador do ambiente.
Todos os retalhistas que produzem grandes quantidades de publicações comerciais impressas, sobretudo as grandes cadeias, podem beneficiar da implementação desta melhor prática de gestão ambiental. A implementação correta de práticas para reduzir o consumo de papel pode conduzir a uma redução de custos.
Esta melhor prática de gestão ambiental é aplicável às pequenas empresas.
Indicadores de desempenho ambiental e referências de excelência
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Indicadores de desempenho ambiental |
Referências de excelência |
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3.6. Recolha e reutilização de águas pluviais
A melhor prática de gestão ambiental consiste em recolher e reutilizar e/ou infiltrar no local águas pluviais de telhados e áreas de estacionamento.
Os retalhistas proprietários dos seus próprios edifícios e/ou áreas de estacionamento e em locais com as condições certas podem implementar esta prática. As condições climáticas e o sistema municipal normalizado de recolha das águas pluviais podem afetar a aplicação desta técnica. Trata-se de uma medida onerosa.
Esta melhor prática de gestão ambiental é aplicável às pequenas empresas.
Indicador de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicador de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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3.7. Prevenção da utilização de sacos de plástico descartáveis ou outras medidas destinadas a influenciar o comportamento do consumidor
A melhor prática de gestão ambiental consiste em convencer os consumidores a reduzir o seu impacto ambiental, através de campanhas, como a remoção de sacos de plástico, a publicidade responsável e o fornecimento de melhores informações de orientação aos consumidores.
Todos os retalhistas podem implementar esta prática. Geralmente, a regulamentação é o principal impulsionador da sua implementação.
Esta melhor prática de gestão ambiental é aplicável às pequenas empresas.
Indicador de desempenho ambiental e referência de excelência
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Indicador de desempenho ambiental |
Referência de excelência |
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4. PRINCIPAIS INDICADORES AMBIENTAIS RECOMENDADOS ESPECÍFICOS DO SETOR
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Indicador |
Unidades comuns |
Breve descrição |
Nível mínimo recomendado de monitorização |
Indicador principal conexo de acordo com o anexo IV do Regulamento (CE) n.o 1221/2009 (secção C.2) |
Referência de excelência e melhores práticas de gestão ambiental conexas |
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DESEMPENHO ENERGÉTICO |
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kWh/m2 por ano |
Utilização de energia (eletricidade, calor, outros combustíveis) por unidade de superfície de vendas e por ano. Indicações:
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Por estabelecimento (local), centro de distribuição ou outro e a nível organizativo (valor agregado) Por processos principais que consomem energia: calor, eletricidade para refrigeração (se aplicável) e eletricidade para todas as outras utilizações |
Eficiência energética |
Utilização de energia específica por m2 da superfície de vendas para aquecimento, refrigeração e climatização igual ou inferior a 0 kWh/m2 por ano, se o calor residual proveniente da refrigeração puder ser integrado. Caso contrário, inferior ou igual a 40 kWh/m2 por ano para os novos edifícios e a 55 kWh/m2 por ano para edifícios existentes. (melhores práticas de gestão ambiental: 3.1.1, 3.1.2, 3.1.3, 3.1.4) |
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kWh/m por ano |
Utilização de energia do sistema de refrigeração por metro linear de expositor e por ano. Indicações:
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Por estabelecimento (local) |
Eficiência energética |
Consumo específico (linear) de refrigeração centralizada de 3 000 kWh/m por ano. (melhor prática de gestão ambiental: 3.1.6) |
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W/m2 |
Potência de iluminação instalada para satisfazer as necessidades de iluminação (básicas e para fins de apresentação do produto) por unidade de superfície de vendas e por ano. Indicações:
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Por estabelecimento (local), centro de distribuição ou outro Por zona do estabelecimento e por período do dia, se aplicável |
Eficiência energética |
Potência de iluminação instalada inferior a 12 W/m2 para supermercados e inferior a 30 W/m2 para estabelecimentos especializados. (melhor prática de gestão ambiental: 3.1.7) |
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% |
Percentagem de estabelecimentos monitorizados no sistema de gestão energética. Indicações:
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Por estabelecimento (local) Por processo |
Eficiência energética |
100 % dos estabelecimentos e processos monitorizados. Mecanismos de avaliação comparativa implementados. (melhores práticas de gestão ambiental: 3.1.5, 3.1.8) |
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% |
Perdas de refrigerantes em relação à carga total de refrigerante da instalação. Indicações:
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Por estabelecimento (local), centro de distribuição ou outro e a nível organizativo (valor agregado) Por tipo de refrigerante |
Emissões |
— (melhor prática de gestão ambiental: 3.1.6) |
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% |
Percentagem de estabelecimentos que utilizam refrigerantes naturais, em relação ao número total de estabelecimentos com câmaras frias. Indicações:
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Ao nível da organização |
Emissões |
Utilização generalizada de refrigerantes naturais. (melhor prática de gestão ambiental: 3.1.6) |
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DESEMPENHO DA CADEIA DE ABASTECIMENTO |
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(S/N) |
Este indicador indica se os programas de melhoria da cadeia de abastecimento são sistematicamente implementados para grupos de produtos prioritários. Indicações:
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Ao nível da organização, por cadeia de abastecimento de produtos |
As melhorias do desempenho ambiental da cadeia de abastecimento abrangem:
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Implementação sistemática de programas de melhoria de cadeias de abastecimento em grupos de produtos prioritários (melhor prática de gestão ambiental: 3.2.1) |
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(S/N) |
Este indicador refere-se à avaliação dos impactos ambientais da cadeia de abastecimento e à identificação de mecanismos eficazes de melhoria dessa cadeia. Indicações:
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Ao nível da organização, por cadeia de abastecimento de produtos |
As melhorias do desempenho ambiental da cadeia de abastecimento abrangem:
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Implementação de avaliações sistemáticas (independentemente ou através de consórcios) das cadeias de abastecimento de produtos essenciais. (melhor prática de gestão ambiental: 3.2.2) |
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Percentagem das vendas de produtos certificados com determinado nível de desempenho ambiental |
Devem ser tidas em conta as seguintes taxas. Percentagem de vendas de:
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Ao nível da organização, por grupo de produtos |
As normas ambientais abordam:
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100 % de certificação, num grupo de produtos, de acordo com as normas ambientais de terceiros. 100 % de vendas de produtos com marcas de distribuidor, num grupo de produtos, que cumprem normas ambientais definidas pelo retalhista. 10 % de vendas em grupos de produtos certificados como biológicos. 50 % de vendas de algodão certificado como biológico. 10 % de vendas em grupos de produtos não alimentares certificados de acordo com rótulos ecológicos oficiais (ISO de tipo I). (melhores práticas de gestão ambiental: 3.2.2, 3.2.3, 3.2.4, 3.2.5, 3.2.6, 3.2.7) |
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DESEMPENHO DE TRANSPORTE E LOGÍSTICA |
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MJ/tkm |
Consumo direto energético de combustível por tonelada-quilómetro transportada, para o transporte total e por modo, de forma a comparar opções modais. Indicações:
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Ao nível da organização Por modo de transporte e rota principal |
Eficiência energética Eficiência dos materiais |
— (melhores práticas de gestão ambiental: 3.3.1, 3.3.2, 3.3.3, 3.3.4, 3.3.5, 3.3.6, 3.3.7) |
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kg de equivalente CO2/tkm |
Fornece uma indicação da eficiência ambiental das operações de transporte. Indicações:
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Ao nível da organização Por modo de transporte e rota principal Por tipo de combustível |
Eficiência dos materiais Emissões |
— (melhores práticas de gestão ambiental: 3.3.1, 3.3.2, 3.3.3, 3.3.4, 3.3.5, 3.3.6, 3.3.7) |
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Quilogramas de equivalente CO2/m3 (ou por palete) entregue Quilogramas de equivalente CO2/tonelada de produto entregue |
Fornece uma indicação do impacto ambiental final das operações de transporte. Este indicador reflete a distância de transporte dos produtos. É menor se os produtos tiverem uma origem local/regional. Indicações:
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Ao nível da organização Por modo de transporte e rota principal Por grupo de produtos |
Eficiência dos materiais Emissões |
— (melhores práticas de gestão ambiental: 3.3.1, 3.3.2, 3.3.3, 3.3.4, 3.3.5, 3.3.6, 3.3.7) |
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% |
Este indicador mostra a quota de modos de transporte mais eficientes no total das atividades de transporte do retalhista. Indicações:
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Ao nível da organização Por rota principal ou, pelo menos, distinguindo entre transporte por terra e por mar |
Eficiência energética Eficiência dos materiais |
Mais de 50 % dos transportes por terra entre fornecedores diretos e centros de distribuição a retalho (tkm ou valor das vendas) são por via navegável interior ou por caminho de ferro (se a infraestrutura o permitir). Mais de 99 % dos transportes ultramarinos, de acordo com o valor das vendas, são por navio. (melhor prática de gestão ambiental: 3.3.4) |
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(S/N) |
Este indicador revela se o retalhista implementou uma otimização sistemática das suas redes de distribuição através da implementação de localizações estratégicas de estações, plataformas consolidadas e rotas diretas. Inclui transportar resíduos ou entregas do fornecedor em viagens de regresso após entregas ao estabelecimento, utilização de telemática e janelas de entrega alargadas. |
Ao nível da organização |
Eficiência energética Eficiência dos materiais |
Otimização sistemática do planeamento de rotas. (melhor prática de gestão ambiental: 3.3.5, 3.3.6) |
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% |
Indicações:
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Ao nível da organização |
Emissões |
100 % dos camiões cumprem as normas EURO V. (melhor prática de gestão ambiental: 3.3.7) |
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GESTÃO DE RESÍDUOS |
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kg/ano toneladas/ano kg/m2/ano |
Peso dos resíduos produzidos por ano. Indicações:
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Ao nível da organização Por tipo de resíduos: por exemplo, resíduos alimentares, plásticos, papel e cartão, madeira, metal, matérias perigosas, etc. Por destino: reutilização, reciclagem externa, fermentação, doação, etc. |
Resíduos |
— (melhor prática de gestão ambiental: 3.4.1, 3.4.2) |
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% |
Percentagem de resíduos alimentares não enviados para operações de recuperação, como a fermentação, em relação ao total de resíduos alimentares produzidos. |
Ao nível da organização |
Resíduos |
0 % de resíduos alimentares enviados para aterros ou incineração. (melhor prática de gestão ambiental: 3.4.1) |
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% |
Peso de materiais reciclados dividido pela quantidade total de resíduos. Indicações:
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Ao nível da organização |
Eficiência dos materiais Resíduos |
No estabelecimento está integrado um sistema de gestão de resíduos cujo objetivo é reciclar ou reutilizar 100 % dos materiais de embalagem secundários. (melhor prática de gestão ambiental: 3.4.2) |
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% |
Taxa de devolução, pelo consumidor, da embalagem do produto, como, por exemplo, garrafas de plástico, e produtos utilizados, como pilhas e equipamentos eletrónicos, em relação às vendas totais desses produtos. Indicações:
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Por tipo de embalagem/produto com depósito |
Eficiência dos materiais Resíduos |
Devolução, pelo consumidor, de 80 % dos produtos/embalagens sem depósito. Devolução, pelo consumidor, de 95 % dos produtos/embalagens com depósito. (melhor prática de gestão ambiental: 3.4.3) |
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CONSUMO DE MATERIAIS, EXCETO REFRIGERANTES |
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% |
Percentagem de papel certificado (por exemplo, FSC) ou papel reciclado utilizado para publicações comerciais |
— |
Eficiência dos materiais Resíduos |
100 % de papel certificado ou reciclado. (melhor prática de gestão ambiental: 3.5) |
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GESTÃO DAS ÁGUAS |
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% |
Percentagem de estabelecimentos com sistema de recolha das águas pluviais e/ou sistemas de infiltração de águas pluviais |
— |
Água |
A recolha de águas pluviais e/ou a infiltração no local estão integradas no sistema de gestão das águas pluviais. (melhor prática de gestão ambiental: 3.6.) |
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COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR |
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# |
Número de sacos de plástico fornecidos ou vendidos em caixas de lojas. Indicações:
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Sacos de plástico descartáveis gratuitos, sacos de plástico biodegradáveis descartáveis gratuitos, sacos de plástico descartáveis vendidos, sacos reutilizáveis vendidos |
Eficiência dos materiais Resíduos |
Zero sacos descartáveis disponíveis nas caixas de lojas. (melhor prática de gestão ambiental: 3.7) |
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(1) O relatório sobre aspetos científicos e políticos está disponível ao público no sítio Web do JRC/IPTS no seguinte endereço: http://susproc.jrc.ec.europa.eu/activities/emas/documents/RetailTradeSector.pdf. As conclusões sobre as melhores práticas de gestão ambiental e a sua aplicabilidade, bem como os indicadores de desempenho ambiental específicos identificados e as referências de excelência contidas no presente documento de referência setorial, baseiam-se nos resultados documentados no relatório sobre aspetos científicos e políticos. Todas as informações e pormenores técnicos podem ser encontrados aí.
(2) Regulamento (CEE) n.o 1836/93 do Conselho, de 29 de junho de 1993, que permite a participação voluntária das empresas do setor industrial num sistema comunitário de ecogestão e auditoria (JO L 168 de 10.7.1993, p. 1).
(3) Regulamento (CE) n.o 761/2001 do Parlamento Europeu e do Conselho de 19 de março de 2001 que permite a participação voluntária de organizações num sistema comunitário de ecogestão e auditoria (EMAS) (JO L 114 de 24.4.2001, p. 1).
(4) Decisão 2013/131/UE da Comissão, de 4 de março de 2013, relativa à adoção do guia do utilizador que indica os passos necessários para participar no EMAS, ao abrigo do Regulamento (CE) n.o 1221/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho relativo à participação voluntária de organizações num sistema comunitário de ecogestão e auditoria (EMAS) (JO L 76 de 19.3.2013, p. 1).
(5) Regulamento (CE) n.o 1893/2006 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 20 de dezembro de 2006, que estabelece a nomenclatura estatística das atividades económicas NACE Revisão 2 e que altera o Regulamento (CEE) n.o 3037/90 do Conselho, assim como certos regulamentos CE relativos a domínios estatísticos específicos (JO L 393 de 30.12.2006, p. 1).
(6) Esta é uma classificação aproximada da natureza dos aspetos ambientais, de acordo com as definições constantes do Regulamento (CE) n.o 1221/2009. A natureza direta ou indireta de cada aspeto ambiental deve ser avaliada para cada caso específico.
(7) Produtos fabricados por uma empresa e vendidos com a marca de outra empresa (por exemplo, uma marca de retalhista). Os produtos de marca própria são também designados por marcas de distribuidor.
(8) Define-se pequena empresa como uma empresa que emprega menos de 50 pessoas e cujo volume de negócios anual e/ou balanço total anual não excede 10 milhões de EUR [Recomendação 2003/361/CE da Comissão, de 6 de Maio de 2003, relativa à definição de micro, pequenas e médias empresas (JO L 124 de 20.5.2003, p. 36)].
(9) Este valor de referência pode também ser visto à luz da Diretiva 2010/31/UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de Maio de 2010, relativa ao desempenho energético dos edifícios (JO L 153 de 18.6.2010, p. 13), e à luz das definições nacionais dos edifícios com consumo de energia quase nulo (NZEB). É exemplo o limiar de 20 kWh/m2 por ano (http://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/?uri=CELEX:52013DC0483).
Nota: por força da Diretiva Eficiência Energética, as grandes empresas devem sujeitar-se a auditorias energéticas, realizadas por peritos qualificados, de quatro em quatro anos, devendo a primeira ter lugar até 5 de dezembro de 2015.
(10) Este valor de referência deve também ser visto à luz dos critérios de CPE da UE para a iluminação interior de retalhistas, a saber: 3,5 W/m2/100 lux (critérios essenciais) ou 3,2 W/m2/100 lux (critérios globais). Cf. http://ec.europa.eu/environment/gpp/pdf/criteria/indoor_lighting.pdf
(11) O sistema de gestão energética pode fazer parte do EMAS.
(12) Em alternativa, o rácio de energias renováveis no local ou nas proximidades de acordo com a norma prEN 15603.
(13) Os produtos essenciais referem-se a produtos com elevados volumes de vendas (em termos de valor), ao passo que os produtos prioritários são aqueles que exibem valores elevados, tanto nos volumes de vendas (em termos de valor) como nos impactos ambientais: depois de um retalhista identificar os seus produtos essenciais, é realizada uma avaliação ambiental da respetiva pegada e apenas são considerados os mais pertinentes.
(14) Rótulos ecológicos de tipo I: Rotulagem ambiental certificada por terceiros (ISO 14024).
(15) Regulamento (CE) n.o 889/2008 da Comissão, de 5 de setembro de 2008, que estabelece normas de execução do Regulamento (CE) n.o 834/2007 do Conselho relativo à produção biológica e à rotulagem dos produtos biológicos, no que respeita à produção biológica, à rotulagem e ao controlo (JO L 250 de 18.9.2008, p. 1).
(16) Regulamento (CE) n.o 834/2007 do Conselho, de 28 de junho de 2007, relativo à produção biológica e à rotulagem dos produtos biológicos e que revoga o Regulamento (CEE) n.o 2092/91 (JO L 189 de 20.7.2007, p. 1).
(17) A norma EURO VI relativa às emissões de veículos entrou em vigor no final de 2012, pelo que pode ser considerada uma referência de excelência nos próximos anos.