COMISSÃO EUROPEIA
Bruxelas, XXX
COM(2025) 1025/2
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES
Plano Europeu de Habitação a Preços Acessíveis
{SWD(2025) 1053}
This document is an excerpt from the EUR-Lex website
Document 52025DC1025
COMMUNICATION FROM THE COMMISSION TO THE EUROPEAN PARLIAMENT, THE COUNCIL, THE EUROPEAN ECONOMIC AND SOCIAL COMMITTEE AND THE COMMITTEE OF THE REGIONS The European Affordable Housing Plan
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Plano Europeu de Habitação a Preços Acessíveis
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES Plano Europeu de Habitação a Preços Acessíveis
COM/2025/1025 final
COMISSÃO EUROPEIA
Bruxelas, XXX
COM(2025) 1025/2
COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO COMITÉ DAS REGIÕES
Plano Europeu de Habitação a Preços Acessíveis
{SWD(2025) 1053}
Introdução
Uma casa não são apenas quatro paredes e um telhado. É também a segurança, o calor, um lugar onde se reúnem familiares e amigos. É uma sensação de pertença. Mas, para demasiados europeus, a questão da habitação tornou‑se, hoje, uma fonte de ansiedade. Pode ser sinónimo de dívidas ou de incerteza. — Presidente Ursula von der Leyen, discurso sobre o estado da União de 2025
As nossas casas, os nossos lares, são os alicerces das nossas comunidades, a base da nossa sociedade e da nossa democracia. A habitação não é uma mera mercadoria, mas um direito fundamental e uma pedra angular da dignidade humana. No entanto, existe em toda a Europa um sentimento palpável de injustiça perante a inacessibilidade dos preços das habitações e a indisponibilidade das mesmas.
A Europa enfrenta não apenas uma crise da habitação, mas uma crise social, que enfraquece a nossa coesão e ameaça a nossa competitividade, ao limitar a mobilidade laboral e educativa, o que agrava a escassez de mão de obra nos polos de crescimento. A Europa deve agir de forma decidida para ajudar a tornar a habitação mais acessível para todos os europeus. Ao mesmo tempo, os esforços para melhorar a acessibilidade dos preços devem ser indissociáveis da sustentabilidade e da qualidade. Habitações resilientes e eficientes do ponto de vista energético, construídas com a menor pegada de carbono possível, reduzem os custos da manutenção e dos serviços públicos essenciais, reforçando simultaneamente o valor dos imóveis a longo prazo, ao passo que uma qualidade adequada é essencial para proporcionar condições de vida saudáveis, seguras e dignas. A integração destes objetivos assegurará que as políticas de habitação da Europa produzem benefícios sociais, económicos e ambientais duradouros.
A Comissão propõe hoje um plano para concretizar essa visão. O presente primeiro Plano Europeu de Habitação a Preços Acessíveis apresenta uma série de ações concretas para ajudar a combater as causas estruturais desta crise e proporcionar resultados aos cidadãos europeus. Visa aumentar a oferta de habitação, desencadear investimentos e reformas e apoiar as pessoas e as zonas mais afetadas. Além disso, define uma nova via para permitir que as instituições da UE, os governos nacionais, regionais e locais, as instituições financeiras e as partes interessadas trabalhem em conjunto para fazer face a esta crise.
A habitação continua a ser, antes de mais, uma competência dos Estados-Membros, das regiões e dos municípios. A UE desempenhará plenamente o seu papel, mas só uma ação conjunta a todos os níveis permitirá garantir que todos os europeus têm acesso às casas que merecem.
1.A crise da habitação na Europa: um desafio premente e partilhado
Entre 2013 e 2024, os preços da habitação aumentaram mais de 60 % em termos nominais em toda a UE, crescendo mais rapidamente do que o rendimento das famílias, enquanto as rendas médias subiram cerca de 20 %, tendo as novas rendas aumentado significativamente mais. Os investimentos na oferta de habitação diminuíram acentuadamente ao longo da última década. A oferta não acompanhou a evolução da procura devido aos elevados custos de construção, aos défices de inovação, à escassez de mão de obra qualificada e à burocracia excessiva. As licenças de construção de habitações diminuíram 22 % desde 2021 e o potencial do parque habitacional existente não é plenamente aproveitado, estando desocupadas cerca de 20 % das habitações existentes.
A Comissão estima que a UE necessitará de mais de dois milhões de habitações por ano para satisfazer a procura atual, o que significa acrescentar cerca de 650 000 habitações por ano às 1,6 milhões de habitações construídas atualmente. A concretização dessas unidades habitacionais adicionais custaria cerca de 150 mil milhões de EUR por ano.
A crise da habitação afeta agora cada vez mais pessoas de diferentes segmentos da sociedade, uma vez que um número crescente de agregados familiares de rendimentos médios enfrenta dificuldades no acesso à habitação a preços acessíveis. Profissionais cruciais, como os professores, os enfermeiros, os bombeiros ou os agentes da polícia, não têm meios para viver nas comunidades que servem. Muitos jovens são forçados a abandonar os seus estudos, a recusar oportunidades de emprego, a adiar a constituição/alargamento da família ou a viver em locais sobrelotados e precários. Os elementos mais desfavorecidos da nossa sociedade são os que sentem maiores dificuldades devido ao aumento das rendas e ao acesso limitado à habitação social, o que agrava o risco de ficarem em situação de sem-abrigo. Com o aumento contínuo do custo de vida, cada vez mais europeus têm de assumir sacrifícios para fazer face às despesas.
Algumas zonas sentem a crise de forma particularmente acentuada. As cidades e os destinos turísticos mais populares da Europa são os que sofrem maior pressão. Ao mesmo tempo, as zonas despovoadas e rurais, incluindo algumas regiões ultraperiféricas da UE, enfrentam uma diminuição dos preços e dificuldades no acesso a serviços essenciais, nomeadamente serviços e infraestruturas sociais.
Juntamente com este plano, a Comissão apresenta uma análise das principais causas da crise da habitação 1 , que está na base da orientação política e das ações apresentadas.
2.A resposta da Europa: um plano para uma habitação sustentável, de qualidade e a preços acessíveis
O desafio que se coloca a toda a Europa em matéria de habitação exige uma resposta comum. A UE pode e deve desempenhar um papel mais importante no apoio, coordenação e amplificação dos esforços nacionais, regionais e locais, não os substituindo, mas proporcionando ambição e recursos comuns. As soluções europeias devem refletir a diversidade das necessidades, dos mercados e dos sistemas de governação em matéria de habitação em todo o continente, promovendo simultaneamente os nossos objetivos comuns.
As ações apresentadas no presente plano baseiam-se em amplas consultas, incluindo uma consulta pública que recebeu mais de 13 300 respostas. O plano responde ao apelo do Conselho Europeu de outubro de 2025 no sentido de ser apresentado um plano ambicioso e abrangente para a habitação a preços acessíveis 2 . Baseia-se no trabalho do Parlamento Europeu, através da sua Comissão Especial sobre a Crise de Habitação na União Europeia, e do Conselho (Emprego, Política Social, Saúde e Consumidores) 3 . A Comissão recolheu igualmente contributos do Comité das Regiões Europeu, do Comité Económico e Social Europeu, de representantes de municípios e regiões de toda a UE e de um vasto leque de partes interessadas. O plano baseia-se ainda nas recomendações independentes do Conselho Consultivo para a Habitação 4 .
O Plano Europeu de Habitação a Preços Acessíveis assenta em quatro pilares que exigem medidas:
I.Aumentar a oferta
II.Mobilizar investimento
III.Permitir o apoio imediato e, ao mesmo tempo, impulsionar reformas
IV.Apoiar os mais afetados
No âmbito destes quatro pilares, o presente plano define 10 domínios de ação fundamentais em que a UE pode acrescentar valor e apoiar os esforços de outras autoridades públicas e partes interessadas, incluindo uma nova iniciativa legislativa sobre os arrendamentos de curta duração no âmbito de um ato legislativo sobre a habitação a preços acessíveis, um pacote de simplificação e a mobilização de novos investimentos ao abrigo do atual quadro financeiro plurianual (QFP) e do próximo. Apresenta igualmente domínios que os Estados‑Membros podem e devem tratar como prioritários. Uma nova Aliança Europeia para a Habitação apoiará estas ações através da cooperação e da partilha de boas práticas entre os Estados-Membros, os municípios, as regiões, outras instituições da UE e as partes interessadas.
O Plano Europeu de Habitação a Preços Acessíveis é apresentado juntamente com uma revisão das regras em matéria de auxílios estatais aplicáveis aos serviços de interesse geral, a fim de apoiar melhor a habitação a preços acessíveis, uma Estratégia Europeia para a Construção de Habitações e uma comunicação e proposta de recomendação do Conselho sobre o Novo Bauhaus Europeu. Em 2026, será complementado por um pacote Energia para os Cidadãos destinado a reduzir ainda mais as faturas de energia, a concretizar uma transição justa, a erradicar a pobreza energética e a capacitar as pessoas e as comunidades.
Pilar I. Aumentar a oferta
Para corrigir o desfasamento entre a oferta e a procura de habitação, é necessário um aumento substancial do número de novas habitações, em especial nas zonas em que a procura é elevada. O aumento da habitação social e a preços acessíveis é particularmente importante para apoiar os agregados familiares de rendimentos baixos e médios.
A oferta de habitação é dificultada pela baixa produtividade, pela falta de escala e de capacidade e pelos elevados custos no setor da construção e da renovação, assim como pela falta de mão de obra qualificada. A multiplicidade e complexidade das regras, a todos os níveis de governação, geram atrasos e custos adicionais. Inspirada no Novo Bauhaus Europeu, a Europa deverá liderar uma transformação da habitação que una a acessibilidade dos preços à sustentabilidade e à qualidade, a fim de criar espaços habitados inclusivos e preparados para o futuro. O investimento na digitalização em todas as fases do planeamento, conceção, licenciamento e exploração da habitação continuará a apoiar a oferta.
Maximizar a utilização eficiente do parque imobiliário existente, evitando demolições e resíduos desnecessários, deverá ser uma das prioridades, a par da construção de novas habitações. Tal inclui a renovação dos edifícios ineficientes e a sua reorientação, assim como a reutilização de imóveis desocupados, e a regulamentação do arrendamento de curta duração quando este concorre com a habitação a longo prazo. A melhoria das ligações de transporte, da conectividade em banda larga e da prestação de serviços essenciais também pode reforçar a viabilidade e a atratividade da habitação subutilizada nas zonas rurais, ajudando a aliviar a pressão sobre os mercados urbanos e apoiando um desenvolvimento equilibrado e sustentável em toda a UE.
Ação 1. Reforçar a produtividade, a capacidade e a inovação no setor da construção
Em Espanha, o Projeto Estratégico para a Recuperação e Transformação Económica no domínio da construção industrializada, visa disponibilizar anualmente 15 000 unidades habitacionais a preços acessíveis, de qualidade e eficientes do ponto de vista energético, com um investimento de 1,3 mil milhões de EUR ao longo de 10 anos, que deverá mobilizar 1,4 EUR de investimento privado por cada euro público.
Nos últimos 10 anos, os custos de construção e renovação aumentaram mais rapidamente do que a inflação, tendo a produtividade do setor estagnado. A construção é vital para a competitividade da Europa, sendo necessário aumentar a sua capacidade e escala para satisfazer a procura de habitação. Um maior investimento na inovação e na tecnologia, uma transição para uma economia mais circular, o recurso a materiais inovadores e a utilização de métodos de construção modernos facilitados por novas normas harmonizadas permitiriam poupar tempo e custos e melhorar a resiliência da cadeia de abastecimento.
A escassez de mão de obra e de competências no setor da construção é agora três vezes superior à que se registava há uma década. Preveem-se mais de quatro milhões de ofertas de emprego até 2035 5 . Por conseguinte, importa tornar as carreiras no setor da construção mais atrativas para novos talentos, incluindo as mulheres. Embora 11 % dos trabalhadores móveis da UE e 34 % dos trabalhadores móveis por conta própria trabalhem na construção, apenas 1 % dos serviços de construção são prestados além-fronteiras na UE. Em 2026, o pacote de medidas relativas à mobilidade laboral justa permitirá melhorar o cumprimento das regras da UE quanto aos trabalhadores móveis.
Um mercado saudável, funcional e competitivo para a construção e a renovação é também essencial para manter os preços baixos. A Comissão estará atenta aos indícios de atividades anticoncorrenciais que possam justificar a adoção de medidas a nível da UE.
|
Objetivo |
Uma indústria mais forte para impulsionar a construção e a renovação de habitações |
|
Formas de o alcançar |
Para ajudar o setor da construção a enfrentar o desafio da oferta de habitação a preços acessíveis, a Comissão irá: ·Promover, em estreita coordenação com a indústria, a inovação nos materiais e métodos de construção e renovação e apoiar a transição para uma maior circularidade e processos digitais, através de uma nova Estratégia Europeia para a Construção de Habitações apresentada em conjunto com o presente plano 6 ; ·Assegurar que as empresas e os profissionais podem prestar serviços de construção além-fronteiras, sem baixar as normas sociais e laborais, através de um ato legislativo sobre os serviços de construção (quarto trimestre de 2026); ·Dar resposta à escassez de competências no setor da construção, implantando programas de formação e aprendizagem em grande escala em profissões relacionadas com a construção, através do Pacto para as Competências, da academia do Novo Bauhaus Europeu e do Erasmus+, e promovendo a inovação nos programas curriculares sobre construção, com base na iniciativa Build Up Skills 7 ; ·Acompanhar eventuais práticas anticoncorrenciais no setor da construção e, se necessário, tomar medidas, em estreita cooperação com a Rede Europeia da Concorrência, nos processos instaurados pelos seus membros. Os Estados-Membros são incentivados a tirar partido das oportunidades oferecidas pela legislação da UE, apoiando os investimentos que possam tornar a construção mais acessível (incluindo a adoção de métodos modernos de construção e renovação, bem como de materiais inovadores, soluções de acessibilidade e os esforços em matéria de aprendizagem, melhoria de competências e requalificação em grande escala) e mais sustentável (graças a investimentos numa indústria transformadora europeia de base biológica e de baixas emissões, à integração de critérios de sustentabilidade na adjudicação de contratos públicos e nos regimes de apoio). |
Ação 2. Reduzir a burocracia para acelerar a oferta de habitação
A oferta de habitação está sujeita a muitas regras rigorosas estabelecidas a nível da UE, nacional, regional e local, que visam preservar a segurança e qualidade de vida, promover objetivos sociais e económicos e proteger o ambiente e o património cultural. Estas regras assumem muitas formas, incluindo códigos de construção, políticas em matéria de uso do solo e delimitação de zonas, contratos públicos e impostos locais. No entanto, traduzem-se, com demasiada frequência, em complexidade administrativa e, consequentemente, em custos e atrasos desnecessários, o que limita a oferta de habitação onde ela é mais necessária.
A Comissão já está a tomar medidas para simplificar o quadro legislativo da UE de forma a beneficiar a oferta de habitação e continuará a fazê-lo, nomeadamente através da integração da habitação noutras ações relevantes de simplificação, sempre que se justifique. Em julho de 2025, a Comissão adotou alterações ao quadro de financiamento sustentável, a fim de simplificar a comunicação de informações para o setor da construção e reduzir os encargos administrativos, nomeadamente para as muitas micro, pequenas e médias empresas ativas na construção e renovação 8 . Em 10 de dezembro de 2025, a Comissão Europeia apresentou um regulamento para acelerar a realização de avaliações ambientais 9 , acelerando e racionalizando os processos de licenciamento para os setores estratégicos, incluindo a habitação social e a preços acessíveis. Existe margem para simplificar as regras da UE e utilizar melhor as flexibilidades existentes, a fim de impulsionar a oferta de habitação.
Com um portal de balcão único para verificar as regras aplicáveis, e passando do «licenciamento como regra» para o «licenciamento como exceção», a iniciativa neerlandesa Omgevingswet reduziu o tempo de licenciamento de 26 para oito semanas.
A «Norma de Hamburgo» alemã é um conjunto de 65 medidas destinadas a reduzir o custo da construção de habitação subvencionada para 3 000 EUR por m2.
A Estónia tem um sistema de licenças de construção totalmente digitalizado, que é utilizado pelos 79 municípios e permite tratar mais de 42 000 processos anualmente. Todas as autoridades avaliam o mesmo projeto simultaneamente na Internet, o que permite poupar muito tempo e dinheiro.
Ao mesmo tempo, a maioria das regras que influenciam a oferta de habitação são estabelecidas pelos Estados-Membros, incluindo a nível regional e local, o que resulta frequentemente na justaposição de regras complexas ao nível da UE e em alguns Estados-Membros. É o caso, por exemplo, de limites para a altura ou o volume dos edifícios, através da imposição de dimensões mínimas das parcelas ou de números de lugares de estacionamento, o que limita a densidade habitacional, aumenta os custos e exige maiores áreas de terreno. As informações sobre os projetos são frequentemente conservadas em sistemas separados, e alguns deles não são digitais, o que exige que as pessoas revejam os documentos manualmente.
A simplificação das regras e dos procedimentos que restringem a oferta de habitação requer, por conseguinte, um esforço conjunto por parte das autoridades da UE, nacionais, regionais e locais, respeitando simultaneamente objetivos políticos mais vastos, nomeadamente em termos de clima e ambiente.
|
Objetivo |
Procedimentos administrativos mais rápidos e simples para promover a oferta de habitação |
|
Formas de o alcançar |
A Comissão contribuirá para reduzir a burocracia, a fim de facilitar a oferta de habitação sustentável e a preços acessíveis onde ela é mais necessária, apresentando um pacote de simplificação da habitação (2027), que incluirá: ·Um levantamento exaustivo da legislação e das iniciativas pertinentes da UE e do seu impacto combinado na oferta e na acessibilidade dos preços da habitação, identificando oportunidades para reduzir os encargos administrativos desnecessários, em especial para as PME, acelerar os processos de licenciamento e renovação e melhorar a eficiência em termos de custos, respeitando simultaneamente os objetivos políticos mais vastos; ·Apoio aos Estados-Membros na aplicação efetiva das regras da UE, incluindo as oportunidades de simplificação introduzidas no âmbito da proposta de regulamento para acelerar os processos de licenciamento e a partilha de boas práticas de simplificação a nível nacional, regional e local no âmbito da Aliança Europeia para a Habitação, com especial destaque para a digitalização. Os Estados-Membros são incentivados a simplificar as regras em matéria de planeamento, delimitação de zonas e licenciamento e os códigos de construção a nível nacional, regional e local, bem como a aumentar a capacidade administrativa, nomeadamente para efeitos de digitalização. São igualmente convidados a utilizar as flexibilidades oferecidas pelas diretivas relativas aos contratos públicos para promover uma oferta de habitação eficaz em termos de custos e eficiente, em especial através de procedimentos acelerados e da contratação pública conjunta. |
Ação 3. Combinar a acessibilidade dos preços, a sustentabilidade e a qualidade na habitação
O aumento da acessibilidade dos preços da habitação não deve ser feito em detrimento da sustentabilidade, incluindo a resiliência, ou da qualidade. Os custos da energia representam uma parte importante do custo de vida global dos agregados familiares. No Plano de Ação para Energia a Preços Acessíveis, a Comissão incentivou os Estados-Membros a reduzirem os impostos e as taxas e a incentivarem a eletrificação, a fim de reduzir os preços. A simplificação das cláusulas contratuais e o aumento da transparência para os consumidores incentivarão a concorrência e reduzirão os preços. Além disso, o setor da construção tem um enorme potencial para reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa, os seus resíduos e a sua utilização da água, através da mudança para materiais mais inovadores, descarbonizados e de base biológica.
Cada euro gasto em eficiência energética na habitação traduz-se em doze euros de poupança de energia ao longo do ciclo de vida do investimento. A promoção das renovações para aumentar o desempenho energético dos edifícios residenciais é, por conseguinte, fundamental para reduzir os custos. No entanto, as pessoas precisam de ter acesso tanto a financiamento como a informações fiáveis para poderem tomar medidas. Importa também capacitar as famílias para produzirem a sua própria energia renovável e, assim, pouparem nas faturas de energia e gerarem benefícios que possam partilhar com os seus vizinhos em comunidades de energia.
A sustentabilidade na habitação também diz respeito aos materiais, à água, à mobilidade local, à exposição à poluição atmosférica e ao ruído, bem como à adaptação às alterações climáticas. A integração da resiliência hídrica, da gestão sustentável da água e de uma boa gestão dos riscos de inundações nos projetos de habitação, tal como estabelecido na Estratégia Europeia de Resiliência Hídrica 10 , criará condições para a sustentabilidade a longo prazo e a acessibilidade dos preços.
A habitação social e a preços acessíveis deve ter a qualidade que os europeus merecem, com especial atenção para a inclusividade, a equidade, a saúde, a segurança, a acessibilidade e a adaptabilidade às diferentes gerações. Desde a sua criação em 2020, o Novo Bauhaus Europeu 11 promove os valores da sustentabilidade, da qualidade e da inclusividade para melhorar a vida quotidiana das pessoas e dar forma aos bairros onde vivem. Apoia a habitação sustentável, de qualidade e a preços acessíveis, aumentando o financiamento e desenvolvendo e replicando novas soluções para termos bairros mais inclusivos, justos e economicamente acessíveis. Outras iniciativas, como a Missão Cidades com Impacto Neutro no Clima e Inteligentes e a Missão Adaptação às Alterações Climáticas, promovem a utilização de soluções inovadoras e que reduzam os custos para garantir a acessibilidade dos preços, a sustentabilidade, a resiliência às alterações climáticas e a qualidade do espaço edificado.
|
Objetivo |
Reduzir o custo de vida para os cidadãos europeus mantendo, simultaneamente, padrões elevados |
|
Formas de o alcançar |
A Comissão irá: ·Reduzir as faturas de energia dos agregados familiares, acelerando a renovação através de: onovas parcerias para casas melhores, a fim de eliminar obstáculos a nível local à concessão de financiamentos e à obtenção de escala (2026), oorientações sobre serviços de balcão único para a renovação de habitações no âmbito de um pacote de apoio ao financiamento da eficiência energética, oapoio aos Estados-Membros na elaboração de planos nacionais abrangentes de renovação de edifícios (2026); ·Ajudar as comunidades e agregados familiares a pouparem dinheiro e a obterem benefícios adicionais das energias renováveis, apoiando o desenvolvimento de comunidades de energia através de instrumentos práticos para eliminar os obstáculos administrativos, técnicos e financeiros existentes no quadro de um plano de ação para as comunidades de energia (2026); ·Promover a regeneração dos bairros e melhoria do acesso ao financiamento de soluções de base comunitária para habitação a preços acessíveis através do Novo Bauhaus Europeu 12 . Os Estados-Membros são incentivados a dar prioridade à renovação e reorientação dos edifícios existentes, evitando simultaneamente demolições desnecessárias, como forma de revitalizar bairros. |
Pilar II. Mobilizar investimento
O investimento global na oferta de habitação, incluindo o financiamento público e privado, diminuiu em muitos Estados-Membros e continua abaixo dos níveis necessários para a impulsionar. Tal deve-se à diminuição do investimento proveniente de várias fontes fundamentais, como os agregados familiares, os bancos e os orçamentos públicos. Há vários fatores em jogo: menos financiamento público disponível na sequência da grande crise financeira, aumento dos custos dos terrenos e da construção, bem como condições de empréstimo mais restritivas. A fim de gerar o investimento necessário para colmatar o défice de habitações ao longo da próxima década, será essencial mobilizar mais investimentos públicos e privados.
A UE apoia este objetivo, tendo mobilizado já, pelo menos, 43 mil milhões de EUR de investimento relacionado com a habitação no âmbito do atual QFP através dos fundos da política de coesão, do Programa InvestEU, do Programa LIFE, do Programa a favor do Mercado Interno e do Horizonte Europa, bem como do NextGenerationEU. Numa perspetiva de futuro, o Fundo Social em matéria de Clima financiará investimentos na eficiência energética, na renovação de edifícios e no aquecimento e arrefecimento limpos.
Em resultado da revisão intercalar da política de coesão, a Croácia vai alargar o seu parque habitacional para arrendamento a preços acessíveis nas zonas urbanas. O financiamento da UE de 15 milhões de EUR será alavancado através de empréstimos com partilha de riscos geridos pelo banco de fomento nacional (HBOR). Uma parte dos empréstimos pode ser objeto de distrate mediante o cumprimento de critérios relacionados com os princípios do Novo Bauhaus Europeu.
No entanto, pode e está a ser feito ainda mais. O regulamento relativo à revisão intercalar da política de coesão 13 passou a permitir que os Estados-Membros e as regiões afetem financiamento à habitação a preços acessíveis, para além dos 10,4 mil milhões de EUR 14 já previstos para a eficiência energética e a habitação social, proporcionando‑lhes igualmente flexibilidades e incentivos financeiros aquando da reprogramação de fundos para a habitação. Estas flexibilidades regulamentares e a possibilidade de uma taxa de cofinanciamento da União mais elevada para os investimentos em habitação permanecerão em vigor até 2029/2030, o que facilitará uma nova reprogramação nos próximos anos. Por último, um novo modelo de instrumento financeiro ajudará a alavancar o financiamento da política de coesão com outros recursos 15 .
No próximo orçamento de longo prazo da UE para 2028-2034 serão desbloqueadas novas possibilidades de financiamento. Em especial, os futuros planos de parceria nacional e regional incluem a habitação social e a preços acessíveis como um dos seus objetivos específicos, de forma a permitir que os Estados-Membros enfrentem os seus desafios específicos com investimentos e reformas relacionados com a habitação 16 . O Mecanismo da UE contribui igualmente para a habitação social e a preços acessíveis, ao passo que o Erasmus+ pode prestar aos estudantes apoio à habitação para facilitar e aumentar o acesso à mobilidade, ao voluntariado e à aprendizagem. Além disso, o Fundo Europeu de Competitividade tem entre os seus objetivos gerais as infraestruturas sociais, permitindo ainda apoiar a descarbonização dos edifícios.
Para além do reforço do apoio a nível da UE, os Estados-Membros devem também intensificar o investimento. Por este motivo, a Comissão está a facilitar a concessão de apoio financeiro pelos Estados-Membros à habitação a preços acessíveis através da revisão das regras em matéria de auxílios estatais a seguir indicadas.
O fundo nacional de construção «Landsbyggefonden» dinamarquês é um fundo rotativo criado em 1967 para apoiar a habitação sem fins lucrativos. Trata-se de um regime de autofinanciamento, principalmente através de uma taxa sobre as rendas dos inquilinos em organizações de habitação sem fins lucrativos e os seus recursos são utilizados para renovar, manter e construir habitação social e prestar serviços sociais.
Existem fundos rotativos semelhantes noutros Estados-Membros, incluindo a Áustria, a Eslovénia e os Países Baixos, onde são utilizados para apoiar o desenvolvimento, a renovação e a manutenção a longo prazo das habitações sociais, combinando frequentemente as contribuições dos inquilinos com financiamento público para assegurar a estabilidade a longo prazo.
Para mobilizar investimentos na oferta de habitação, é essencial uma ampla coligação de intervenientes financeiros. O Banco Europeu de Investimento (BEI) está a avançar neste sentido através do seu plano de ação para uma habitação sustentável e a preços acessíveis. Os bancos de fomento nacionais e regionais e outras instituições financeiras internacionais, como o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) e o Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB), desempenham um papel fundamental na mobilização de capital público e privado e na prestação de consultoria.
O desenvolvimento e o reforço de modelos de financiamento escaláveis e inovadores com base em exemplos bem-sucedidos, como os fundos rotativos 17 , contribuirão para criar ainda mais sinergias entre o capital público e o privado.
Ação 4. Mobilizar investimento público e privado adicional
As oportunidades de investimento em habitação social e a preços acessíveis continuam a ser demasiado fragmentadas e carecem muitas vezes da visibilidade necessária para atrair investidores e promotores de projetos. O investimento privado é essencial, devendo ser feito recurso a todos os mecanismos disponíveis, incluindo parcerias público-privadas. Importa explorar todo o potencial do ecossistema europeu de investimento em habitação. Para o efeito, a Comissão, em estreita cooperação com o Grupo BEI, os bancos e instituições de fomento nacionais e regionais, e as instituições financeiras internacionais, como o Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (CEB), o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) e outros parceiros fundamentais, está a desenvolver uma nova plataforma pan-europeia de investimento na habitação sustentável e a preços acessíveis.
Neste contexto, a Comissão congratula-se com o facto de os bancos de fomento nacionais e regionais tencionarem investir até 2029 375 mil milhões em recursos em habitação social, a preços acessíveis e sustentável, nomeadamente através do Programa InvestEU, e com o facto de o Grupo BEI ter aumentado substancialmente o seu financiamento para habitação sustentável e a preços acessíveis e pretender aumentá-lo ainda mais nos próximos anos, alargando o apoio a todos os Estados-Membros e mobilizando fundos da UE para prestar aconselhamento aos Estados-Membros, às regiões e aos municípios. A Comissão congratula‑se igualmente com o apoio substancial que as instituições financeiras internacionais, como o CEB e o BERD, já prestam e continuarão a prestar nos próximos anos.
A plataforma apoiará a colaboração entre as autoridades públicas e os investidores privados para congregar recursos e aumentar o investimento na oferta de habitação em toda a UE. Proporcionará acesso direto a informações sobre oportunidades de financiamento, boas práticas, estudos de casos e abordagens inovadoras em todos os Estados-Membros. Ajudará a desenvolver modelos de financiamento escaláveis e inovadores e promoverá a agregação de projetos através de um portal digital, de um grupo de peritos e de polos de financiamento nacionais voluntários. A plataforma complementará os instrumentos propostos no âmbito do próximo quadro financeiro plurianual para facilitar o acesso dos beneficiários aos fundos da UE, em especial o Portal Único 18 . Trabalhará em sinergia e, se for caso disso, desenvolverá ações conjuntas com a Coligação Europeia para o Financiamento da Eficiência Energética, estabelecida em 2024 para mobilizar financiamento privado no domínio da eficiência energética.
Um dos obstáculos ao investimento salientados pelos profissionais do mercado é a falta de um quadro de referência para avaliar os resultados sociais dos investimentos em habitação, o que resulta em incerteza nas avaliações dos projetos, em elevados custos de diligência devida e em requisitos desproporcionados de comunicação de informações para os fornecedores de habitação. Explorar orientações voluntárias a nível da UE baseadas nas práticas de mercado poderia facilitar a cooperação entre os setores público e privado e mobilizar investimentos sem novas obrigações de rotulagem ou divulgação.
|
Objetivo |
Aumentar o investimento público e privado em habitação sustentável e a preços acessíveis |
|
Formas de o alcançar |
A Comissão irá: ·Melhorar o acesso a oportunidades de financiamento, boas práticas e abordagens de financiamento inovadoras para mobilizar investimento público e privado através de uma nova plataforma pan-europeia de investimento na habitação sustentável e a preços acessíveis, incluindo um portal digital, um grupo de peritos e polos nacionais (terceiro trimestre de 2026); ·Mobilizar novos investimentos em habitação no âmbito do atual QFP, incluindo 10 mil milhões de EUR em investimentos adicionais estimados em 2026 e 2027 através do Programa InvestEU 19 e, pelo menos, 1 500 milhões de EUR em propostas recebidas até à data dos Estados-Membros e das regiões para reprogramar os fundos de coesão no âmbito da revisão intercalar 20 . O Fundo Social em matéria de Clima também disponibilizará apoio adicional; ·Oferecer novas oportunidades para aumentar os investimentos em habitação no âmbito do próximo QFP, em especial no âmbito dos planos de parceria nacional e regional e do Mecanismo da UE, bem como do Fundo Europeu de Competitividade e do seu novo Instrumento InvestEU, com base no modelo bem-sucedido do Programa InvestEU; ·Ajudar os Estados-Membros a desenvolver modelos de financiamento escaláveis e inovadores para os investimentos em habitação, nomeadamente dívida/capital próprio, financiamento misto, obrigações de habitação, fundos renováveis, através da partilha de boas práticas e da prestação de assistência técnica, utilizando fundos da UE quando adequado; ·Explorar possibilidades de criar um quadro de investimento voluntário, induzido pelo mercado, para a habitação social e a preços acessíveis, a fim de ajudar os investidores a aumentar os seus investimentos; ·Facultar orientações aos Estados-Membros para os ajudar a conceber soluções financeiras e jurídicas para apoiar a habitação social e a preços acessíveis, que tenham igualmente em conta considerações relativas à dívida pública. Os Estados-Membros e as regiões são incentivados a reforçar os investimentos para apoiar a habitação social e a preços acessíveis, nomeadamente utilizando instrumentos financeiros e financiamento misto no âmbito da atual política de coesão e através dos seus planos de parceria nacional e regional ao abrigo do próximo QFP. |
Ação 5. Permitir um apoio público mais rápido e mais simples para a habitação social e a preços acessíveis
A Comissão tem respondido aos pedidos das autoridades locais, regionais e nacionais e das partes interessadas no sentido de rever as regras em matéria de auxílios estatais, a fim de facilitar o financiamento da habitação a preços acessíveis.
De acordo com as normas em vigor da UE em matéria de auxílios estatais, os Estados‑Membros podem apoiar a habitação social de forma flexível ao abrigo da decisão relativa aos serviços de interesse económico geral («Decisão SIEG») em benefício de grupos socialmente menos favorecidos, incluindo as pessoas em situação de sem-abrigo. Este apoio não precisa de ser notificado à Comissão, independentemente do montante. No entanto, o apoio à habitação a preços acessíveis está limitado a 15 milhões de EUR por ano, sendo necessário notificar montantes mais elevados 21 .
A fim de facilitar o apoio à habitação a preços acessíveis para os agregados familiares de rendimentos baixos e médios, incluindo os trabalhadores essenciais, os agregados com circunstâncias familiares específicas, as pessoas com deficiência e os estudantes, a Comissão decidiu rever a Decisão SIEG. Embora esta decisão deixe fundamentalmente inalteradas as regras relativas ao apoio à habitação social, inclui expressamente uma nova categoria de habitação a preços acessíveis entre as categorias isentas de notificação para as quais não existe um limite máximo de compensação. Desta forma, os Estados-Membros podem manter os seus regimes de habitação social existentes e criar regimes adicionais de habitação a preços acessíveis para outros grupos-alvo. A revisão irá também simplificar, atualizar e clarificar determinados conceitos da Decisão SIEG. Os serviços da Comissão fornecerão orientações e apoio aos Estados-Membros, quando estes o solicitarem, para os ajudar a conceber SIEG de habitação social e a preços acessíveis, em conformidade com as regras em matéria de auxílios estatais.
|
Objetivo |
Impulsionar os investimentos públicos em habitação social e a preços acessíveis |
|
Formas de o alcançar |
Juntamente com este plano, a Comissão reviu as regras em matéria de auxílios estatais, a fim de: ·Permitir aos Estados-Membros apoiar projetos de habitação a preços acessíveis sem notificação prévia e autorização da Comissão, quando estiverem preenchidas as condições descritas na Decisão SIEG; ·Permitir-lhes definir as modalidades de apoio, os grupos-alvo, os critérios de elegibilidade, o preço da habitação e as normas de qualidade para a habitação social e a preços acessíveis, em função do seu contexto e das suas necessidades de habitação; ·Simplificar os requisitos administrativos aplicáveis aos auxílios estatais em matéria de notificação, monitorização e comunicação de informações para todos os SIEG. |
Pilar III. Permitir o apoio imediato e, ao mesmo tempo, impulsionar reformas
Alguns bairros, em especial nas cidades, mas também noutros pontos de atração turística, encontram-se sob forte pressão quanto à acessibilidade dos preços da habitação. Nestas zonas habitacionais sob pressão, a rápida expansão dos arrendamentos de curta duração, combinada com práticas especulativas de investimento, pode estar a intensificar a concorrência por um parque habitacional limitado, o que faz subir os preços. Os residentes locais correm o risco de ser afastados do mercado devido aos preços e rendas incomportáveis, enquanto outros não podem aceitar empregos ou oportunidades educativas porque não conseguem encontrar habitação dentro das suas possibilidades financeiras. Um recente inquérito Eurobarómetro 22 revelou que a preocupação mais urgente para os europeus que vivem nas cidades é, de longe, a falta de habitação a preços acessíveis.
A UE vai utilizar medidas legislativas e não legislativas para apoiar as zonas sob pressão habitacional de modo a reforçar a habitação a preços acessíveis. Tal incluirá um quadro para as autoridades públicas identificarem zonas sob pressão habitacional e clarificarem as medidas específicas e proporcionadas que podem ser tomadas para gerir os arrendamentos de curta duração e proteger e promover a acessibilidade dos preços da habitação nessas zonas, nomeadamente através da aceleração do planeamento e do licenciamento.
Essas medidas devem ser complementadas por reformas estruturais a longo prazo para melhorar a acessibilidade dos preços da habitação numa série de domínios sob o controlo dos Estados-Membros, tais como ações relacionadas com os imóveis desocupados, o desenvolvimento da habitação social, os transportes locais, a fiscalidade e os procedimentos administrativos.
É necessário compreender melhor o papel que o aumento da financeirização e da especulação estão a desempenhar na crise da habitação em geral, especialmente tendo em conta a ausência de dados e de transparência neste domínio.
Ação 6. Abordar os arrendamentos de curta duração em zonas sob pressão habitacional
O alojamento de curta duração reservado através de plataformas digitais oferece muitas vantagens: maior oferta de alojamento e de serviços para os consumidores, rendimentos adicionais para os anfitriões, incentivos ao investimento na renovação e impulso dado ao turismo, aos rendimentos e ao emprego. No entanto, dado o seu rápido crescimento de quase 93 % entre 2018 e 2024, evoluiu de serviços ocasionais entre pares para uma atividade comercial significativa, o que pode ter limitado a oferta de habitação a preços acessíveis para os residentes locais em algumas zonas. Em destinos muito populares, este tipo de alojamento pode representar até 20 % do parque habitacional. É necessário preservar os benefícios dos arrendamentos de curta duração e, simultaneamente, reduzir os seus impactos negativos.
As autoridades nacionais e locais necessitam de maior segurança jurídica para definir as medidas adequadas. Os prestadores de serviços de arrendamento de curta duração também necessitam de segurança quanto ao que é permitido por lei. Receia-se que os arrendamentos de curta duração, em especial os geridos por anfitriões profissionais, concorram com os serviços de alojamento tradicionais, incluindo os prestados por PME, que têm de cumprir requisitos nacionais mais rigorosos, como as regras em matéria de segurança e de defesa do consumidor.
O Regulamento Arrendamentos de Curta Duração 23 , aplicável a partir de maio de 2026, proporcionará maior transparência e ajudará as autoridades públicas a regular o mercado de forma proporcionada, ao exigir o registo obrigatório dos anfitriões e a partilha de dados sobre as transações efetivas entre as plataformas digitais e as autoridades nacionais. Além disso, será importante que o regulamento seja corretamente aplicado, incluindo os esforços das plataformas digitais para realizar controlos aleatórios e retirar os anúncios ilegais notificados.
Em complemento do regulamento em vigor, a Comissão proporá um ato legislativo que aborde os arrendamentos de curta duração e estabeleça um quadro jurídico da UE coerente, baseado em dados, claro e previsível, a fim de permitir e apoiar a adoção de medidas específicas e proporcionadas pelas autoridades locais, em especial em zonas sob pressão habitacional, e de apoiar o turismo sustentável. Tal assegurará uma maior coerência jurídica no mercado único para as autoridades nacionais e locais gerirem os arrendamentos de curta duração, proporcionando-lhes simultaneamente flexibilidade no pleno respeito do princípio da subsidiariedade. Assim, os Estados-Membros, os municípios e as regiões poderão equilibrar os benefícios dos arrendamentos de curta duração com os potenciais efeitos negativos nos mercados da habitação e nas comunidades. A iniciativa responderia igualmente ao apelo do Relatório Letta no sentido de uma ação setorial específica nos mercados de serviços em rápido crescimento, a fim de construir um mercado único mais sustentável.
|
Objetivo |
Fazer face à escassez nas zonas sob pressão habitacional |
|
Formas de o alcançar |
A Comissão irá: ·Propor uma nova iniciativa legislativa em matéria de arrendamentos de curta duração, a fim de permitir às autoridades públicas tomar uma série de medidas justificadas e proporcionadas, em especial nas zonas sob pressão habitacional, e abordar questões pendentes, como a defesa do consumidor e a distinção entre anfitriões profissionais e não profissionais; ·Essa iniciativa será uma componente central do ato legislativo sobre a habitação a preços acessíveis, para ajudar as autoridades públicas a identificarem as zonas sob pressão habitacional, com base nos dados publicamente disponíveis, e permitir-lhes, no pleno respeito da subsidiariedade, tomar medidas para proteger e promover a acessibilidade dos preços da habitação nessa zonas nomeadamente simplificando os procedimentos administrativos, nomeadamente simplificando os procedimentos administrativos em matéria planeamento e de licenciamento (iniciativa legislativa e não legislativa, quarto trimestre de 2026). Os Estados-Membros são incentivados a acompanhar os dados sobre os arrendamentos de curta duração no seu território e a avaliar o seu impacto na acessibilidade dos preços da habitação. |
Ação 7. Combater a especulação no mercado da habitação
É necessário que haja investimento privado na habitação, o qual provém, em grande parte, de fundos de pensões e de seguros, que normalmente visam retornos estáveis a longo prazo. Esse investimento desempenha um papel importante no fornecimento de infraestruturas sociais, incluindo habitação sustentável e a preços acessíveis. Ao mesmo tempo, as indicações dadas pelos investimentos a curto prazo com fins lucrativos suscitam preocupações relacionadas com distorções do mercado, sobrevalorização e pressões especulativas. Em muitas cidades e destinos turísticos, os preços da habitação estão cada vez mais dissociados dos rendimentos locais. Os dados limitados e a falta de transparência sobre a propriedade e as principais transações imobiliárias tornam mais difícil para as autoridades públicas acompanhar a evolução do mercado. Melhorar a recolha e análise desses dados é uma condição prévia para avaliar a dimensão e o impacto do comportamento especulativo no mercado da habitação e, subsequentemente, tomar medidas em conformidade.
O aumento da quantidade e da disponibilidade de habitação social e a preços acessíveis e o apoio aos fornecedores de habitação sem fins lucrativos ou com fins lucrativos limitados, incluindo a habitação cooperativa e os fundos fundiários comunitários, podem ajudar a combater a volatilidade dos preços, mantendo-os acessíveis a longo prazo. Esses fornecedores enfrentam, contudo, obstáculos à expansão, como a falta de reconhecimento jurídico e dificuldades de acesso ao financiamento. Políticas fiscais e outras medidas podem também atenuar o risco de comportamentos especulativos.
|
Objetivo |
Identificar os comportamentos especulativos no mercado da habitação |
|
Formas de o alcançar |
A Comissão irá: ·Efetuar uma análise da dinâmica dos preços da habitação que inclua os elementos objetivos disponíveis sobre os padrões especulativos, as lacunas de dados e as consequências económicas, bem como propor ações de acompanhamento sempre que necessário (quarto trimestre de 2026); ·Promover uma maior transparência no mercado de imóveis de habitação, trabalhando com as autoridades públicas para esclarecer a propriedade e as transações imobiliárias e identificar padrões especulativos; ·Facilitar os investimentos em fornecedores de habitação sem fins lucrativos ou com fins lucrativos limitados, identificando os obstáculos técnicos e legislativos, desenvolvendo um quadro de investimento induzido pelo mercado para a habitação social e a preços acessíveis e mobilizando investimentos no âmbito da plataforma pan‑europeia de investimento (ver ação 4); ·Facilitar a aprendizagem entre pares e a inovação no combate à especulação imobiliária, com base nas experiências locais e nacionais (por exemplo, em matéria de fiscalidade e medidas para abordar a questão dos imóveis desocupados). Os Estados-Membros são incentivados a adotar medidas para limitar os comportamentos especulativos nocivos no mercado da habitação, nomeadamente através da conceção de políticas fiscais eficazes, da melhoria da transparência do mercado e da afetação de uma percentagem definida de novos projetos neste domínio à habitação social e a preços acessíveis, refletindo as necessidades locais. |
Ação 8. Promover reformas estruturais nos Estados-Membros
Para aumentar a acessibilidade dos preços da habitação, os Estados-Membros têm de efetuar reformas estruturais em vários domínios de intervenção. A Comissão apoiará estes esforços através de uma série de instrumentos e de orientações estratégicas no âmbito do Semestre Europeu.
A redução da burocracia a nível nacional, regional e local e a mobilização de investimento na capacidade administrativa e em soluções digitais são fundamentais para aumentar a oferta de habitação social e a preços acessíveis. As autoridades públicas devem igualmente assegurar a disponibilidade de terrenos adequados para projetos de habitação e utilizar melhor o parque imobiliário existente.
As reformas devem apoiar tanto as zonas urbanas que enfrentam situações de escassez como os territórios rurais e mais remotos onde se verifica um declínio demográfico. Nas zonas sob pressão habitacional, tal implica aumentar a oferta através de novos edifícios, bem como da renovação, da reorientação e da densificação urbana, assegurando que estes projetos beneficiam de procedimentos administrativos mais simples e mais rápidos. Nas zonas menos pressionadas, tal implica apoiar o «direito de permanecer», através de ajuda à renovação e modernização da habitação local em locais com potencial económico, a par do investimento em transportes, infraestruturas e serviços, em conformidade com a política de coesão da UE.
Em França, 18 % dos agregados familiares, ou seja, mais de 10 milhões de pessoas, vivem em habitações sociais. O sistema global regulamentado pelo Estado baseia-se principalmente no financiamento a longo prazo de contas de poupança («Livret A») e nas contribuições dos empregadores através da contribuição patronal para o esforço de construção (PEEC).
Na Áustria, no âmbito do modelo de Viena, um em cada quatro residentes desta cidade vive numa das unidades habitacionais municipais, cooperativas ou com fins lucrativos limitados que foram desenvolvidas ao longo do último século. Quase 70 % das habitações cumprem as mais elevadas normas da categoria A.
A Chéquia e a Polónia estão a criar sistemas de habitação social para alojar famílias com baixos rendimentos e reduzir o fenómeno dos sem-abrigo, incentivando simultaneamente os senhorios privados a arrendarem imóveis através de agências de arrendamento social.
A fiscalidade é um instrumento de apoio fundamental para promover a acessibilidade dos preços da habitação. Por exemplo, os impostos são uma componente importante dos custos de habitação, nomeadamente durante a aquisição.
A habitação social requer especial atenção, uma vez que a sua oferta na UE diminuiu nas últimas décadas. Embora reconhecendo as diferentes situações e tradições dos Estados‑Membros, é necessário inverter a tendência, descrita pela OCDE, segundo a qual a percentagem média de habitação social representa atualmente apenas cerca de 6 % a 7 % do parque habitacional da UE
24
.
|
Objetivo |
Aumentar a acessibilidade dos preços da habitação e a resiliência dos mercados de habitação através de reformas estruturais |
|
Formas de o alcançar |
A Comissão irá: ·Ajudar os Estados-Membros a conceber reformas eficazes para a habitação social e a preços acessíveis através de um acompanhamento mais rigoroso e de recomendações específicas no âmbito do Semestre Europeu; ·Promover estatísticas europeias relacionadas com a habitação, a fim de continuar a reforçar a elaboração de políticas baseadas em provas e em dados, tendo em vista uma melhor afetação de recursos para a habitação, e estabelecer um ponto de acesso a nível da UE para os dados e análises relativos à habitação; ·Trabalhar com os Estados-Membros, nomeadamente no contexto da Aliança para a Habitação, a fim de identificar, com base nos dados e análises acima referidos, os domínios em que as políticas e o financiamento da UE mais podem contribuir para melhorar o funcionamento dos mercados da habitação; ·Apoiar os Estados-Membros na conceção de políticas fiscais que promovam a acessibilidade dos preços da habitação, avaliando o impacto dos impostos relacionados com a habitação nos respetivos mercados, emitindo orientações práticas e facilitando o intercâmbio de boas práticas; ·Prestar apoio técnico e financeiro aos Estados-Membros, às regiões e aos municípios para a realização de reformas através da Aliança Europeia para a Habitação e do Instrumento de Assistência Técnica 25 e ao abrigo do próximo QFP. Os Estados-Membros são incentivados a aplicar reformas ambiciosas e abrangentes centradas na acessibilidade dos preços, tirando pleno partido das oportunidades de partilha de dados, aprendizagem mútua e assistência técnica disponíveis, nomeadamente no âmbito da Aliança Europeia para a Habitação. |
Pilar IV. Apoiar os mais afetados
A crise da habitação não afeta todas as pessoas da mesma forma. Alguns grupos são desproporcionadamente afetados pelo aumento dos custos da habitação e pelo acesso limitado a habitações a preços acessíveis. A falta de habitação a preços acessíveis impede os jovens, em especial os oriundos de meios desfavorecidos, de acederem a oportunidades de educação, estágio, aprendizagem e emprego, com graves consequências económicas e sociais 26 . Atrasa a constituição de família. Os estudantes e os aprendizes estão particularmente expostos a elevados custos de habitação, o que os pode desencorajar de prosseguir estudos, participar em programas de mobilidade como o Erasmus+ ou concluir os estudos.
Garantir o acesso a habitação a preços acessíveis para os trabalhadores que desempenham funções cruciais — como os profissionais de saúde e de prestação de cuidados, os professores ou o pessoal responsável pela resposta a emergências — é vital para garantir comunidades resilientes e inclusivas. Para estes trabalhadores, a habitação é frequentemente escassa ou demasiado dispendiosa, em especial nas zonas urbanas onde os seus serviços são mais necessários. A revisão das regras em matéria de auxílios estatais à habitação a preços acessíveis apresentada pela Comissão ajudará os Estados-Membros a facilitar o apoio à habitação a preços acessíveis para os agregados familiares de rendimentos baixos e médios, incluindo os trabalhadores essenciais.
Em 2021, todos os Estados-Membros se comprometeram a cumprir o objetivo comum de pôr termo ao fenómeno dos sem-abrigo na Europa até 2030. Apesar dos esforços desenvolvidos até à data, o fenómeno dos sem-abrigo tem aumentado, com mais de um milhão de pessoas, incluindo 400 000 crianças, nessa situação na UE, incluindo cerca de 80 000 pessoas que dormem na rua 27 . Há que tomar medidas imediatas para mudar de rumo.
Os grupos com baixos rendimentos são particularmente afetados pela crise da habitação. Os grupos em situação de desvantagem, como os idosos com pensões mais baixas, as famílias monoparentais e as famílias com crianças em risco de pobreza, as pessoas LGBTIQ+, as vítimas de violência baseada no género, os ciganos e outras minorias marginalizadas, os migrantes e outros grupos em risco de exclusão ou discriminação, enfrentam problemas específicos no acesso à habitação. As pessoas com deficiência também se confrontam com a disponibilidade limitada de habitação acessível, o que aumenta o risco de institucionalização.
Os inquilinos enfrentam riscos crescentes de insegurança habitacional devido ao aumento das rendas e, em alguns Estados-Membros, ao facto de a assistência jurídica ou social ser insuficiente quando necessária.
Habitações de má qualidade e com um fraco desempenho energético dificultam a manutenção de temperaturas interiores adequadas e da qualidade do ar e contribuem para a pobreza energética. Cerca de 42 milhões de europeus não têm dinheiro para aquecer suficientemente as suas casas 28 .
Ação 9. Habitação para os jovens
A partir do orçamento afetado de 2,7 mil milhões de EUR do MRR para a oferta de habitação social e a preços acessíveis, Portugal lançou o seu plano de alojamento a preços acessíveis para estudantes (375 milhões de EUR), que disponibiliza 18 239 camas, das quais 11 795 são camas novas, que aumentarão a oferta existente, e 6 444 resultam da renovação da atual rede de residências de estudantes.
A habitação a preços acessíveis está cada vez mais fora do alcance de muitos jovens, limitando a sua independência e a sua participação na sociedade e na economia. Para fazer face a este desafio, é necessária uma abordagem abrangente que combine um maior investimento na habitação para estudantes, medidas específicas que aumentem as oportunidades de arrendamento e aquisição a preços acessíveis especificamente para as gerações mais jovens e o apoio a modelos de habitação inovadores, como os espaços de coabitação e a convivência intergeracional. Em alguns países, já surgiram várias abordagens promissoras que garantem a qualidade e a acessibilidade dos preços e que podem servir como modelos a expandir e replicar em toda a UE.
|
Objetivo |
Melhorar o acesso à habitação para jovens, estudantes, aprendizes e estagiários |
|
Formas de o alcançar |
A Comissão irá: ·Ajudar a construir mais alojamentos para estudantes, mobilizando investimentos através do Programa InvestEU e da plataforma pan‑europeia de investimento e ajudando os Estados-Membros e as regiões a orientar os seus fundos da política de coesão neste sentido; ·Ajudar os estudantes, os estagiários e os aprendizes a encontrar habitação no mercado de arrendamento privado, avaliando a viabilidade de um regime de garantia 29 para reduzir ou eliminar a necessidade de prestar uma caução; ·Identificar e divulgar modelos de alojamento inovadores para estudantes e jovens; ·Lançar um regime-piloto no âmbito do Erasmus+, em parceria com cidades de toda a UE e partes interessadas pertinentes, a fim de aumentar a disponibilidade de soluções de habitação inovadoras e a preços acessíveis para estudantes móveis oriundos de meios desfavorecidos. Além disso, a Comissão irá trabalhar com os Estados‑Membros no sentido de incentivar a utilização do Fundo Social Europeu Mais para continuar a apoiar soluções de habitação a preços acessíveis para os estudantes desfavorecidos. Os Estados-Membros são incentivados a desenvolver e a aplicar regimes específicos destinados a melhorar o acesso dos jovens à habitação, incluindo opções de arrendamento a preços acessíveis e o apoio a regimes de alojamento partilhado ou coabitação. |
Ação 10. Dar resposta ao fenómeno dos sem-abrigo e apoiar os inquilinos e os agregados familiares em situação vulnerável
Na Finlândia, na sequência do lançamento da iniciativa «Housing First» em 2008, o número de pessoas sem-abrigo diminuiu 30 % e o número de pessoas em situação de sem-abrigo de longa duração caiu mais de 35 % até 2024. O Governo está a elaborar um novo plano para erradicar o fenómeno dos sem-abrigo até 2027.
O fenómeno dos sem-abrigo é um desafio persistente e complexo que deve ser enfrentado através de soluções baseadas na habitação (incluindo soluções de «prioridade à habitação») 30 , acompanhadas de abordagens integradas para combater a pobreza e a exclusão. A Estratégia da UE de Combate à Pobreza, a adotar em 2026, seguirá uma linha pluridimensional e centrada nas pessoas para combater as causas profundas da pobreza. Tratará o fenómeno dos sem-abrigo como uma das formas mais graves de exclusão social, reforçará a prevenção e promoverá instrumentos integrados para reduzir a desigualdade, a pobreza e a exclusão e melhorar o acesso aos serviços essenciais, à proteção social e ao mercado de trabalho.
Aumentar a disponibilidade de habitação social é essencial para alcançar percursos de longo prazo para a saída da situação de sem‑abrigo e prevenir a exclusão social e situações de habitação precária. O acesso à habitação social e a assistência prestada aos sem-abrigo são um dos 20 princípios do Pilar Europeu dos Direitos Sociais. O reforço dos serviços relacionados com a habitação, como o aconselhamento em matéria de endividamento e as medidas de atenuação, são fundamentais para prevenir os despejos.
A promoção da diversidade social e da solidariedade intergeracional nos bairros evita a segregação, promove a inclusão e assegura que os inquilinos vulneráveis integram comunidades prósperas e diversificadas. No âmbito da transição justa e dos esforços para erradicar a pobreza energética, é igualmente necessário proteger os grupos mais desfavorecidos, que vivem frequentemente em habitações com pior desempenho energético, contra cortes no fornecimento de energia.
|
Objetivo |
Promover soluções de habitação que protejam e capacitem as pessoas em situações vulneráveis |
|
Formas de o alcançar |
A Comissão irá: ·Propor uma recomendação do Conselho sobre a luta contra a exclusão habitacional, a fim de apoiar as pessoas vulneráveis em situações de habitação precária e prevenir e resolver o problema dos sem-abrigo. A recomendação visará promover a conceção e a execução de políticas baseadas numa abordagem centrada nas pessoas, orientada para a habitação e integrada. A iniciativa será apresentada no contexto da futura Estratégia de Combate à Pobreza e basear-se-á no trabalho da Plataforma Europeia de Combate à Situação de Sem-Abrigo; ·Mobilizar novos investimentos em habitação social e soluções direcionadas para a habitação para as pessoas sem-abrigo, criando um fluxo de trabalho específico no âmbito da plataforma pan-europeia de investimento, incluindo potenciais iniciativas de cooperação com organizações filantrópicas e intervenientes privados para expandir o apoio financeiro e em espécie; ·Identificar modelos e partilhar boas práticas que combinem a proteção dos direitos de propriedade com a segurança dos inquilinos e apoiar a investigação e o intercâmbio de boas práticas 31 ; ·Ajudar os agregados familiares a combater a pobreza energética e proteger as pessoas desfavorecidas contra cortes no fornecimento de energia, no âmbito do próximo pacote Energia para os Cidadãos (2026). Os Estados-Membros e as regiões são incentivados a intensificar o seu apoio às pessoas sem-abrigo e a outros grupos em situações vulneráveis, nomeadamente através dos seus planos de parceria nacional e regional no âmbito do próximo QFP. Poderá ser previsto um apoio adicional ao abrigo do Mecanismo da UE de apoio à habitação social e a preços acessíveis. São igualmente incentivados a promover o acesso das pessoas com deficiência a habitação acessível. Os Estados-Membros e as autoridades regionais e locais são incentivados a aumentar a transparência dos contratos de arrendamento, por exemplo, exigindo que os prestadores de serviços de arrendamento publiquem os custos médios de arrendamento e/ou o valor da última renda do imóvel. |
3.Uma Aliança Europeia para a Habitação com vista a reforçar a cooperação em toda a UE
Será um esforço europeu, alicerçado nas realidades locais. — Presidente Ursula von der Leyen, discurso sobre o estado da União de 2025
Até à data, a cooperação a nível da UE em matéria de política de habitação tem sido limitada, deixando por explorar, em grande medida, as oportunidades de coordenar ações, partilhar boas práticas e realizar progressos na consecução de objetivos comuns. Uma nova Aliança Europeia para a Habitação reunirá todos os níveis de governo, dos municípios e regiões às instituições nacionais e europeias, juntamente com as principais partes interessadas do setor da habitação, a fim de promover um compromisso comum para garantir habitação sustentável, de qualidade e a preços acessíveis para todos. A Aliança servirá de plataforma para a cooperação, a aprendizagem mútua e o intercâmbio de boas práticas em toda a Europa, criando uma nova forma de trabalhar no domínio da habitação a nível da UE e estabelecendo ligações com o nível de base. Promoverá sinergias e a cooperação, em especial com a Agenda da UE para as Cidades 32 , o Novo Bauhaus Europeu, a Plataforma Europeia de Combate à Situação de Sem-Abrigo e o Fórum de Alto Nível sobre o setor da construção. A Comissão Europeia está pronta a intensificar a sua cooperação com o Conselho e o Parlamento Europeu sobre este tema.
No discurso sobre o estado da União de 2025, a presidente Ursula von der Leyen anunciou a primeira Cimeira da UE sobre Habitação, que será organizada em 2026 pela Comissão, juntamente com o Conselho Europeu, reunindo ao mais alto nível todos os principais intervenientes no domínio da habitação.
|
Objetivo |
Reforçar a cooperação e a aprendizagem mútua entre todos os níveis de governo e as partes interessadas |
|
Formas de o alcançar |
A Comissão irá: ·Organizar a primeira Cimeira da UE sobre a Habitação (2026); ·Criar uma Aliança Europeia para a Habitação (terceiro trimestre de 2026) para: ofacilitar a cooperação em matéria de habitação com e entre os Estados-Membros e os diferentes níveis de governo, nomeadamente com os municípios e as regiões, as principais partes interessadas do setor da habitação, o Parlamento Europeu, o Comité das Regiões Europeu e o Comité Económico e Social Europeu, opartilhar conhecimentos e boas práticas entre os Estados‑Membros, as regiões e os municípios através de um novo programa de aprendizagem mútua em matéria de habitação no âmbito da governação a vários níveis. |
Conclusões
Colocar a habitação sustentável, de qualidade e a preços acessíveis no topo da nossa agenda significa dar resposta a uma das preocupações quotidianas mais prementes dos europeus. Os elevados custos da habitação estão no cerne da crise do custo de vida, moldando as escolhas, as oportunidades e o bem-estar das pessoas. Garantir que todos os europeus podem pagar uma habitação digna é não só uma questão de equidade, mas também essencial para a competitividade da Europa, ao permitir que as pessoas têm acesso a emprego, contribuem para a economia e podem construir um futuro estável.
O presente plano define uma visão e uma série de ações para aumentar a oferta, desbloquear o investimento, prestar apoio imediato, promovendo simultaneamente reformas duradouras, e apoiar os mais afetados. Assinala o início de um esforço coletivo que terá de ser sustentado. A realização de progressos exigirá colaboração e ação a todos os níveis: das instituições europeias aos Estados-Membros, aos municípios e às regiões, das partes interessadas à sociedade em geral. A Comissão aguarda com expectativa o contributo adicional do Parlamento Europeu através do seu próximo relatório e a cooperação com o Conselho na perspetiva da primeira Cimeira da UE sobre Habitação, em 2026, que constituirá um momento fundamental para assegurar que a habitação continua a ocupar um lugar de destaque na agenda política e que as medidas políticas são efetivamente aplicadas no terreno.
Antes do final do presente mandato, a Comissão apresentará um relatório sobre os progressos realizados no âmbito do presente plano.
Anexo: Resumo das ações e calendário
O quadro seguinte sintetiza as ações propostas no presente documento, incluindo as orientações políticas apresentadas como incentivos a considerar pelos Estados-Membros.
|
O quê |
Quem |
Quando |
|
Pilar I. Aumentar a oferta |
||
|
Ação 1. Reforçar a produtividade, a capacidade e a inovação no setor da construção |
||
|
Estratégia Europeia para a Construção de Habitações |
CE |
4T 2025 |
|
Ato legislativo sobre os serviços de construção |
CE |
4T 2026 |
|
Programas de formação em grande escala, promovendo a inovação nos programas curriculares sobre construção |
CE, EM, indústria |
|
|
Acompanhar e, se necessário, tomar medidas contra eventuais práticas anticoncorrenciais no setor da construção |
CE, EM |
|
|
Apoiar os investimentos numa indústria transformadora europeia de baixas emissões e de base biológica, a integração de critérios de sustentabilidade nos contratos públicos e nos regimes de apoio, a adoção de métodos modernos de construção e renovação e os esforços de melhoria de competências e requalificação em grande escala. |
EM |
|
|
Ação 2. Reduzir a burocracia para acelerar a oferta de habitação |
||
|
Pacote de simplificação da habitação |
CE, EM |
2027 |
|
Simplificar as regras em matéria de planeamento, delimitação de zonas e licenciamento e os códigos de construção a nível nacional, regional e local, aumentar a capacidade administrativa, nomeadamente em matéria de digitalização, e utilizar as flexibilidades oferecidas pelas diretivas relativas aos contratos públicos |
EM |
|
|
Ação 3. Combinar a acessibilidade dos preços, a sustentabilidade e a qualidade na habitação |
||
|
Nova parceria para casas melhores, orientações sobre serviços de balcão único para a renovação, apoio a planos nacionais abrangentes de renovação de edifícios |
CE, EM |
2026 |
|
Plano de ação para as comunidade de energia |
CE |
2026 |
|
Revitalização dos bairros através do Novo Bauhaus Europeu |
CE, EM |
Após 2026 |
|
Dar prioridade à renovação/reorientação de edifícios existentes, evitar demolições desnecessárias |
EM, órgãos de poder local e regional |
|
|
Pilar II. Mobilizar investimento |
||
|
Ação 4. Mobilizar investimento público e privado adicional |
||
|
Plataforma pan-europeia de investimento na habitação sustentável e a preços acessíveis |
CE, BEI, BIFN, IFI |
3T 2026 |
|
Apoiar novos investimentos na habitação no âmbito do atual QFP |
CE, EM |
2026-2027 |
|
Oportunidades para aumentar os investimentos em habitação no âmbito do próximo QFP |
CE, EM, regiões |
Após 2028 |
|
Ajudar a desenvolver modelos de financiamento escaláveis e inovadores |
CE, EM |
2026-2027 |
|
Quadro voluntário de investimento em habitação social induzido pelo mercado e a preços acessíveis |
CE, intervenientes no mercado, autoridades públicas |
|
|
Facultar orientações aos Estados-Membros para conceber soluções financeiras e jurídicas para apoiar a habitação social e a preços acessíveis, que tenham em conta considerações relativas à dívida pública. |
CE, EM |
|
|
Reforçar a ambição de apoiar os investimentos em habitação social e a preços acessíveis |
EM, regiões |
|
|
Ação 5. Permitir um apoio público mais rápido e mais simples para a habitação social e a preços acessíveis |
||
|
Revisão das regras em matéria de auxílios estatais |
CE |
4T 2025 |
|
Pilar III. Permitir o apoio imediato e, ao mesmo tempo, impulsionar reformas |
||
|
Ação 6. Abordar os arrendamentos de curta duração em zonas sob pressão habitacional |
||
|
Nova iniciativa legislativa em matéria de arrendamentos de curta duração no âmbito de um ato legislativo sobre a habitação a preços acessíveis |
CE |
4T 2026 |
|
Acompanhar os dados sobre os arrendamentos de curta duração e avaliar o seu impacto na acessibilidade dos preços da habitação |
EM |
|
|
Ação 7. Combater a especulação no mercado da habitação |
||
|
Analisar a dinâmica dos preços da habitação, incluindo os dados disponíveis sobre padrões especulativos, as lacunas de dados e as consequências económicas |
CE |
4T 2026 |
|
Promover uma maior transparência no mercado de imóveis de habitação |
CE, EM |
|
|
Facilitar os investimentos em fornecedores de habitação sem fins lucrativos ou com fins lucrativos limitados |
CE, EM |
|
|
Aprendizagem entre pares e inovação no combate à especulação imobiliária |
CE, EM e órgãos de poder local e regional |
|
|
Pôr em prática medidas para limitar comportamentos especulativos nocivos de modo a refletir as necessidades locais |
EM e órgãos de poder local e regional |
|
|
Ação 8. Promover reformas estruturais nos Estados-Membros |
||
|
Acompanhamento reforçado e recomendações específicas no âmbito do Semestre Europeu |
CE |
A partir de 2026 |
|
Promover estatísticas europeias relacionadas com a habitação e criar um ponto de acesso a nível da UE para os dados e análises do mercado da habitação |
CE, EM |
|
|
Identificar os domínios em que as políticas e o financiamento da UE mais podem contribuir para melhorar o funcionamento dos mercados da habitação |
CE, EM |
|
|
Apoiar os Estados-Membros na conceção de políticas fiscais que promovam a acessibilidade dos preços da habitação |
CE, EM |
|
|
Prestação de apoio técnico e financeiro aos Estados-Membros, às regiões e aos municípios para a realização de reformas |
CE |
A partir de 2026 |
|
Execução de reformas ambiciosas e abrangentes centradas na acessibilidade dos preços |
EM |
|
|
Pilar IV. Proteger os mais afetados |
||
|
Ação 9. Habitação para os jovens |
||
|
Mobilizar investimentos para o alojamento de estudantes |
CE, EM |
|
|
Estudar a viabilidade de um sistema de garantia para reduzir/eliminar a necessidade de constituição de caução |
CE, Grupo BEI |
|
|
Identificar e divulgar modelos de alojamento inovadores para estudantes e jovens |
CE, EM |
|
|
Regime-piloto no âmbito do Erasmus+ para estudantes móveis oriundos de meios desfavorecidos |
CE, municípios |
|
|
Desenvolver e aplicar regimes específicos para melhorar o acesso dos jovens à habitação |
EM |
|
|
Ação 10. Dar resposta ao fenómeno dos sem-abrigo e apoiar os inquilinos e os agregados familiares em situação vulnerável |
||
|
Recomendação do Conselho sobre a luta contra a exclusão habitacional |
CE, EM |
2026 |
|
Mobilizar novos investimentos em habitação social e soluções orientadas para a habitação para as pessoas sem-abrigo através da plataforma pan-europeia de investimento |
CE, BEI, BIFN, IFI |
3T 2026 |
|
Identificar modelos e partilhar boas práticas que combinem a proteção dos direitos de propriedade com a segurança dos inquilinos |
CE |
|
|
Combater a pobreza energética e proteger as pessoas vulneráveis contra cortes no fornecimento através do pacote Energia para os Cidadãos |
CE |
2026 |
|
Intensificar o apoio às pessoas sem-abrigo e a outros grupos em situações vulneráveis, nomeadamente através dos planos de parceria nacional e regional no âmbito do próximo QFP |
CE, regiões |
|
|
Aumentar a transparência dos contratos de arrendamento |
EM e órgãos de poder local e regional |
|
|
Uma Aliança Europeia para a Habitação com vista a reforçar a cooperação em toda a UE |
||
|
Cimeira da UE sobre Habitação |
CE, Conselho, EM |
2026 |
|
Aliança Europeia para a Habitação |
CE |
2026 |
|
Programa de aprendizagem mútua sobre habitação no âmbito da governação a vários níveis |
CE, EM, regiões, autoridades locais |
3T 2026 |
Ver o documento de trabalho dos serviços da Comissão. COM(2025) 1025
Conclusões do Conselho Europeu de 23 de outubro de 2025. Ver: https://data.consilium.europa.eu/doc/document/ST-18-2025-INIT/pt/pdf .
Conclusões da Presidência de 1 de dezembro de 2025.
https://housing.ec.europa.eu/document/e8944c5e-6098-495c-8ecd-da7da9738588_en
Previsão de competências do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional (Cedefop).
COM(2025) 991
Esta iniciativa, no âmbito do subprograma LIFE Transição para as Energias Limpas, está a ser alargada a todos os Estados‑Membros.
COM (2025) 984
COM(2025) 280 final.
https://new-european-bauhaus.europa.eu/index_en?prefLang=pt .
COM(2025) 1026 e COM(2025) 1027
Regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho que altera os Regulamentos (UE) 2021/1058 e (UE) 2021/1056 no respeitante a medidas específicas para fazer face a desafios estratégicos no contexto da revisão intercalar.
Este valor inclui o cofinanciamento nacional.
O impacto pode ser ainda maior se forem utilizados empréstimos estratégicos aos Estados-Membros, que poderão apoiar os planos de parceria nacional e regional.
Um fundo renovável é um regime financeiro utilizado para reconstituir continuamente e reutilizar capitais para efeitos específicos, como o financiamento de projetos ou a concessão de empréstimos. À medida que os empréstimos são reembolsados, o capital é novamente emprestado para outros projetos, o que possibilita a sua utilização repetida.
O Portal Único tornar-se-á o ponto de acesso único a informações consolidadas sobre oportunidades de financiamento para promotores de projetos no âmbito do próximo QFP.
Nomeadamente graças à garantia adicional decorrente da alteração omnibus.
Propostas recebidas pelos Estados-Membros até 11 de dezembro de 2025, incluindo cofinanciamento nacional.
O apoio à habitação a preços acessíveis insere-se na categoria global de serviços de interesse económico geral («SIEG»).
Regulamento (UE) 2024/1028.
Para efeitos das estatísticas da OCDE, entende-se por «habitação social para arrendamento» o alojamento para arrendamento residencial disponibilizado a preços inferiores aos do mercado e atribuído de acordo com regras específicas e não com mecanismos de mercado (Salvi Del Pero et al., 2016).
No âmbito do convite à apresentação de propostas do Instrumento de Assistência Técnica de 2027.
As estatísticas do rendimento e das condições de vida na UE (SILC) sugerem que, em média, 42 % dos jovens com idades compreendidas entre os 16 e os 29 anos em risco de pobreza gastam mais de 40 % do seu rendimento em habitação.
Base de dados da OCDE sobre habitação a preços acessíveis, HC3.1 Pessoas em situação de sem-abrigo. Ainda não existem dados harmonizados.
Eurostat.
Pelo Grupo BEI no âmbito da Plataforma de Aconselhamento InvestEU.
As abordagens direcionadas para a habitação dão prioridade à disponibilização de habitação estável e permanente, o mais rapidamente possível, às pessoas que já são ou correm o risco de se tornarem sem-abrigo, oferecendo serviços de apoio após a sua mudança, em vez de lhes exigir que cumpram previamente determinadas condições.
Por exemplo, através do seguimento do projeto TEN-LAW, um estudo comparativo abrangente financiado pela UE, realizado em 28 países europeus, que analisa as legislações nacionais em matéria de arrendamento e os quadros mais amplos de proteção do arrendamento, incluindo o equilíbrio de direitos e deveres entre inquilinos e senhorios;
Nomeadamente através da Plataforma Europeia para as Cidades, que proporcionará às mesmas acesso simplificado ao apoio da UE, nomeadamente instrumentos de financiamento, recursos de conhecimento e assistência técnica, incluindo a título do Mecanismo da UE.