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Document 52012XC0202(04)

Publicação de um pedido de registo em conformidade com o artigo 6. °, n. ° 2, do Regulamento (CE) n. ° 510/2006 do Conselho relativo à proteção das indicações geográficas e denominações de origem dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios

OJ C 29, 2.2.2012, p. 14–18 (BG, ES, CS, DA, DE, ET, EL, EN, FR, IT, LV, LT, HU, MT, NL, PL, PT, RO, SK, SL, FI, SV)

2.2.2012   

PT

Jornal Oficial da União Europeia

C 29/14


Publicação de um pedido de registo em conformidade com o artigo 6.o, n.o 2, do Regulamento (CE) n.o 510/2006 do Conselho relativo à proteção das indicações geográficas e denominações de origem dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios

2012/C 29/11

A presente publicação confere um direito de oposição nos termos do artigo 7.o do Regulamento (CE) n.o 510/2006 do Conselho (1). As declarações de oposição devem dar entrada na Comissão no prazo de seis meses a contar da data da presente publicação.

DOCUMENTO ÚNICO

REGULAMENTO (CE) N.o 510/2006 DO CONSELHO

«DANBO»

N.o CE: DK-PGI-0005-0830-05.10.2010

IGP ( X ) DOP ( )

1.   Nome:

«Danbo»

2.   Estado-Membro ou país terceiro:

Dinamarca

3.   Descrição do produto agrícola ou género alimentício:

3.1.   Tipo de produto:

Classe 1.3 —

Queijos

3.2.   Descrição do produto correspondente à denominação indicada no ponto 1:

Queijo curado, firme, fabricado com leite de vaca. Não são autorizados leite nem produtos lácteos de outros animais.

Teor de água: dependente do teor de matéria gorda no extrato seco, de acordo com o seguinte:

Matéria gorda no extrato seco:

teor máximo de água;

30 % a < 45 %:

56 %;

45 % a < 50 %:

50 %.

A matéria gorda no extrato seco exprime-se como 30 + ou 45 +. No queijo «Danbo» com um teor de matéria gorda no extrato seco compreendido entre 30 % e < 45 %, o teor de matéria gorda tem de fazer parte do nome. O teor de 45 % de matéria gorda é tomado como referência em caso de alegações nutricionais sobre o teor de matéria gorda.

Propriedades características restantes:

 

Exterior:

Crosta dura esfregada. A superfície pode ser revestida.

 

Interior:

Cor: entre esbranquiçado (ou cor de marfim) e amarelo claro.

Textura: embora macio e maleável, é fácil de cortar.

Estrutura: número variável de olhos de distribuição homogénea, esféricos, do tamanho de ervilhas, atingindo quase 10 mm de diâmetro, podendo apresentar rachas. No queijo aromatizado, o número de olhos é bastante inferior, de aspeto irregular.

Cheiro e sabor: sabor suave, ligeiramente ácido, aromático e característico, devido à lavagem durante o envelhecimento. O cheiro e o sabor acentuam-se com o envelhecimento.

 

Forma:

Espalmado e quadrado ou retangular.

 

Cura:

O queijo «Danbo» atinge o sabor e textura que o caracterizam após 3 a 4 semanas de cura, à temperatura de 12-20 °C. O produtor de «Danbo» pode expedir o queijo para outras empresas para tratamento ulterior, incluindo cura, ou para armazenagem, antes de decorrido aquele prazo, mas estas não podem expedi-lo antes de decorrido esse prazo mínimo de cura.

 

Aromatizantes:

É autorizada a adição de cominhos, desde que o cheiro e o sabor do queijo sejam determinados pelos aditivos e estes sejam identificados no nome ou a ele associados.

3.3.   Matérias-primas (unicamente para os produtos transformados):

3.4.   Alimentos para animais (unicamente para os produtos de origem animal):

3.5.   Fases específicas da produção que devem ter lugar na área geográfica identificada:

O queijo «Danbo» tem de ser fabricado e curado por fabricantes de queijo na Dinamarca. O método de produção inclui duas fases que diferem da tecnologia de laticínios convencional. A primeira fase consiste no tratamento da coalhada, desde o corte até à mistura. A segunda consiste na formação de Brevibacterium linens à superfície do queijo depois da salga. Descrição das fases:

 

Tratamento da coalhada depois do corte:

Depois do corte, adicionam-se grandes quantidades de água e a mistura é aquecida a uma temperatura relativamente baixa. O controlo cuidadoso destes dois parâmetros permite produzir queijo com um pH mínimo relativamente elevado e o teor adequado de água, conferindo-lhe a consistência característica.

 

Cultivo de Brevibacterium linens:

O pH mínimo relativamente elevado propicia o desenvolvimento de Brevibacterium linens, acentuado pelo facto de o queijo ser armazenado durante os primeiros 7 a 10 dias a 18-20 °C e pela humidade relativa, próxima do ponto de orvalho. Seguidamente, o queijo é transferido para instalações mais frias e mais secas. Tipicamente, o processo de cura com microrganismos é concluído por amolecimento e lavagem da camada de fungos, retardando a cura da superfície.

3.6.   Regras específicas relativas à fatiagem, ralagem, acondicionamento, etc.:

3.7.   Regras específicas relativas à rotulagem:

4.   Delimitação concisa da área geográfica:

Dinamarca

5.   Relação com a área geográfica:

5.1.   Especificidade da área geográfica:

A Dinamarca possui uma longa tradição de produção de produtos lácteos, de que muito se orgulha. O fabrico de «Danbo» faz parte integrante do currículo das escolas de laticínios dinamarquesas há mais de 100 anos. Consequentemente, os especialistas em laticínios sempre receberam formação no sentido de adquirirem o saber essencial de fabrico desta especialidade queijeira dinamarquesa.

História:

Em 1889 Rasmus Nielsen passou a ser o diretor da queijaria Kirkeby, em Fiónia. Era bom fabricante de produtos lácteos, facto atestado, designadamente, por a queijaria ter sido homologada como estabelecimento de formação de queijeiros bolseiros do Estado. Em 1896 recebeu um subsídio do Governo dinamarquês para estudar fabrico de queijo no estrangeiro. No inverno seguinte aprendeu alemão e, na primavera de 1897, deslocou-se à Prússia oriental, ao longo da fronteira com a Rússia. Nessa região, a paisagem era constituída por estepe de pastagens extensivas. As queijarias eram aí famosas pelo fabrico de queijo.

O Professor Bøggild, da Real Universidade de Agronomia e Veterinária da Dinamarca, deu-lhe uma carta de recomendação para facilitar a introdução desta matéria nas queijarias. Graças à carta foi bem recebido em muitas pequenas queijarias da Prússia oriental. Incumbia-lhe pesquisar documentação sobre as técnicas de fabrico de especialidades queijeiras então produzidas naquela região. Depois da Prússia oriental, Rasmus Nielsen rumou à Holanda, onde trabalhou no fabrico de queijo, em diversas queijarias.

Regressou a Kirkeby no outono de 1897, tendo na bagagem um tesouro de novos conhecimentos e experiência. De regresso a casa, começou a ensaiar tudo o que aprendera.

Sabia, desde o início, que não queria imitar nenhum dos queijos que vira, mas sim reunir toda a experiência para fabricar um queijo especial. Um queijo inteiramente novo. A característica especial do novo queijo «opstukken», fabricado por Rasmus Nielsen, era a sua forma quadrada, de um tipo muito especial de cura por bolores à superfície. Na altura, era total novidade o queijo «opstukken» ter tal forma. Este tipo de cura era igualmente especial, pois a crosta do queijo era esfregada com uma solução que continha culturas de bactérias e fermentos.

O queijo teve uma aceitação imediata e gradualmente muitas foram as queijarias que começaram a fabricá-lo. Antes da Segunda Guerra Mundial o queijo dinamarquês era produzido essencialmente para o mercado nacional. Depois da guerra e, especialmente, nos anos 50, a produção de queijo começou a acentuar-se e, com o aumento das exportações, a Dinamarca teve de se colocar nos mercados de exportação com nomes de queijo tipicamente dinamarqueses, para poder apresentá-los ao lado de outros produtos agrícolas dinamarqueses de renome. Foi assim que o «Danbo» recebeu a sua designação honorífica e foi incluído na Convenção de Stresa e, posteriormente, no Codex Alimentarius.

5.2.   Especificidade do produto:

O «Danbo» é um dos queijos dinamarqueses mais típicos e, para os produtores, é o queijo «opstukken» por excelência. O «Danbo» possui um sabor distintivo único. É suave, ligeiramente ácido, aromático e caracteristicamente curado por lavagem com culturas de microrganismos. O elevado teor de humidade do «Danbo», quando comparado com queijo idêntico, confere-lhe maciez e maleabilidade inexistentes noutros queijos, sem perder facilidade de corte.

5.3.   Relação causal entre a área geográfica e a qualidade ou características do produto (para as DOP) ou uma determinada qualidade, a reputação ou outras características do produto (para as IGP):

A proteção do «Danbo» enquanto indicação geográfica baseia-se no seu método característico de produção e na sua reputação.

Método de obtenção:

O «Danbo» é fabricado segundo um processo muito especial de cura por lavagem com uma solução de microrganismos conhecido por «método dinamarquês», que consiste em esfregar o queijo, de modo a que a crosta cure à superfície e no interior. Este processo é crucial para o sabor peculiar distintivo do queijo, popular entre os dinamarqueses, mas não muito apreciado pelo palato dos restantes europeus. Uma das características especiais do fabrico do «Danbo» é a adição de grandes quantidades de água. Muito da consistência do queijo se deve a tal facto. A formação em fabrico de «Danbo» fez e continua a fazer parte da formação normal em produtos lácteos na Dinamarca, pelo que as referências sobre o fabrico de «Danbo» continuam a abundar nos manuais de formação. Há mais de 100 anos que os queijeiros dinamarqueses, juntamente com os técnicos, especialistas e engenheiros em produtos lácteos recebem formação sobre o fabrico de «Danbo». Considerando as tradições imemoriais transmitidas pela formação e o método especial de fabrico e cura utilizados na Dinamarca, o «Danbo» tem de ser fabricado e curado por especialistas dinamarqueses.

Reputação:

Em 1952, houve 10 queijos dinamarqueses típicos, incluindo o «Danbo», que receberam nomes dinamarqueses ao abrigo da Convenção de Stresa e do Diploma n.o 80, de 13 de março de 1952, do Ministério da Agricultura. Os nomes dos queijos e respetivas descrições continuam em vigor, nos termos do Diploma n.o 335, de 10 de maio de 2004, sobre produtos lácteos, etc.

O termo «Danbo» é uma combinação de dois nomes, «Dan» e «Bo». «Dan» é o derivativo nórdico do nome popular «Danerne» («dinamarqueses») e «Bo» significa «residente». Assim sendo, «Danbo» é um termo histórico que designa um habitante da Dinamarca, atribuído a este queijo por todos os dinamarqueses o considerarem o queijo mais característico de todos.

O «Danbo» é reconhecido como especialidade de origem dinamarquesa. Segundo um recente inquérito ao consumidor, a maioria dos consumidores dinamarqueses conhecem e associam o «Danbo» à Dinamarca. Dado que o fabrico e o consumo de «Danbo» estão concentrados na Dinamarca, o «Danbo» é mais famoso entre os consumidores dinamarqueses. O inquérito revelou que, em geral, poucos são os estrangeiros que conhecem o «Danbo».

A natureza específica do queijo, nomeadamente o seu sabor muito característico e a sua consistência peculiar fazem dele um queijo sem par. O «Danbo» é o queijo mais consumido na Dinamarca. Dado o seu caráter peculiar, é consumido sobretudo por dinamarqueses.

Com uma produção superior a 40 000 toneladas, o «Danbo» responde hoje por cerca de 13 % da produção queijeira total da Dinamarca. O fabrico e consumo de «Danbo» concentram-se na Dinamarca e o «Danbo» é hoje aí considerado como o queijo nacional.

O «Danbo» participou em exposições e concursos nacionais e internacionais, tendo ganho numerosas distinções. Há mais de 100 anos que o «Danbo» figura permanentemente em exposições nacionais, tendo participado pela última vez na Exposição Nacional de Laticínios e em exposições regionais, em 2009. Sempre houve e continua a haver campanhas publicitárias sobre o «Danbo», que é um queijo único que responde ao consumidor que procura bom queijo particularmente adequado para ser fatiado. Muitas são as obras internacionais sobre queijo que fazem referência à sua origem dinamarquesa. O «Danbo» consta igualmente de muitas receitas dinamarquesas.

Referência à publicação do caderno de especificações:

[Artigo 5.o, n.o 7, do Regulamento (CE) n.o 510/2006]

http://www.foedevarestyrelsen.dk/Foedevarer/Foedevarekvalitet/Beskyttede%20bet.%20og%20traditionelle%20specialiteter/Danske%20beskyttede%20produkter/Sider/Danske%20beskyttede%20produkter.aspx


(1)  JO L 93 de 31.3.2006, p. 12.


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