Aceitar Recusar

EUR-Lex Acesso ao direito da União Europeia

Voltar à página inicial do EUR-Lex

Este documento é um excerto do sítio EUR-Lex

Documento 52017DC0053R(01)

COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU, AO COMITÉ DAS REGIÕES E AO BANCO EUROPEU DE INVESTIMENTO Segundo Relatório sobre o estado da União da Energia

COM/2017/053 final/2

Bruxelas, 1.2.2017

COM(2017) 53 final

COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU, AO COMITÉ DAS REGIÕES E AO BANCO EUROPEU DE INVESTIMENTO

Segundo Relatório sobre o estado da União da Energia


I.    Introdução

Para a União da Energia, 2016 foi o ano da concretização. Foi um ano em que a visão da Estratégia-quadro para a União da Energia 1 se traduziu em novas iniciativas legislativas e não legislativas de teor concreto, mais recentemente com o pacote «Energias limpas para todos os europeus», apresentado em 30 de novembro de 2016. Numa próxima etapa, a Estratégia Europeia de Mobilidade Hipocarbónica 2 deverá igualmente vir a traduzir-se em iniciativas concretas, em consonância com o Programa de Trabalho da Comissão para 2017 3 . É importante que os colegisladores trabalhem no sentido de as iniciativas propostas serem adotadas sem demora e em conformidade com a Declaração comum das três instituições sobre as prioridades legislativas da UE para 2017 4 , de modo a permitir uma rápida transição em termos práticos.

A União da Energia é um projeto prioritário europeu, identificado pela Comissão Juncker como uma das dez prioridades políticas 5 , na qual cinco dimensões estão estreitamente interligadas: segurança energética, solidariedade e confiança; um mercado europeu da energia plenamente integrado; eficiência energética, contribuindo para moderar a procura; descarbonização da economia; investigação, inovação e competitividade. Foram realizados progressos no que se refere a todos estes aspetos.

A União da Energia faz parte da agenda positiva para a União Europeia definida na Declaração de Bratislava 6 e não pode ser separada de outras políticas europeias fundamentais. Contribui para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 7 e para a aplicação da agenda da economia circular 8 , e depende de uma estreita interação com a União dos Mercados de Capitais, o Mercado Único Digital, a Nova Agenda de Competências para a Europa, o Plano de Investimento para a Europa e a União da Segurança. Quando analisa a legislação em vigor e assegura que a mesma continua a prosseguir os objetivos visados, a agenda da União da Energia contribui igualmente para a agenda da Comissão para a adequação e a eficácia da regulamentação (REFIT).

A União da Energia não se restringe à energia e ao clima: visa acelerar a modernização global da economia europeia, tornandoa hipocarbónica e eficiente em termos de energia e de recursos, de uma forma socialmente equitativa. O seu derradeiro objetivo consiste em assegurar que os consumidores, os trabalhadores e as empresas europeias tirem partido desta União. As empresas europeias devem estar na vanguarda dos investimentos necessários, porquanto tal lhes conferirá a vantagem de serem pioneiras nas novas tecnologias e modelos empresariais. Por outras palavras, há uma forte justificação para a transição para uma economia mais moderna e hipocarbónica.

Isto requer igualmente uma forte dimensão externa. Num contexto geopolítico em rápida mutação, uma União da Energia eficaz é crucial para proteger os interesses económicos a longo prazo e o bem-estar da Europa e dos seus cidadãos 9 . Por esse motivo, os trabalhos da agenda interna foram complementados por uma diplomacia reforçada em matéria de energia, concebida para consolidar a segurança do aprovisionamento energético, aumentar a exportação de soluções tecnológicas hipocarbónicas europeias e promover a competitividade da indústria. Em termos mais gerais, a diplomacia no domínio da energia deve incrementar a margem de manobra da Europa, juntamente com os seus parceiros internacionais, num mundo mais volátil. Trata-se de um domínio em que a Europa possui sólidas potencialidades para demonstrar liderança a nível mundial.

Uma forte dimensão externa compreende igualmente uma sólida diplomacia no domínio do clima, que dê provas de liderança na condução do mundo rumo a uma transição global para energias limpas e contribua para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente ao garantir energia sustentável para todos. Na sequência da adoção do Acordo de Paris 10 , em dezembro de 2015, foi a sua célere ratificação pela União Europeia que permitiu que o primeiro acordo universal e juridicamente vinculativo sobre o clima entrasse em vigor em 4 de novembro de 2016.

Em 2016, a União Europeia demonstrou que se encontra igualmente na vanguarda da aplicação do Acordo de Paris. A Comissão adotou todas as propostas legislativas necessárias para cumprir os ambiciosos compromissos assumidos pela União Europeia no quadro do Acordo. Essas propostas e as medidas que as acompanham no intuito de facilitar a sua concretização constituem um contributo essencial para a agenda geral da Comissão no sentido de gerar emprego, crescimento e investimentos associados.

Ao mesmo tempo, as propostas da Comissão devem assegurar que essa transição seja sustentável para os cidadãos e as empresas europeias, para além de conduzir à criação de novos postos de trabalho, competências e oportunidades, impulsionando o crescimento e garantindo uma elevada qualidade de vida na União Europeia. É também isto o que os jovens europeus esperam da União Europeia.

Por todas estas razões, a tónica é atualmente colocada na execução. É necessário chegar a acordo com o Parlamento Europeu e o Conselho sobre as iniciativas legislativas, a legislação em vigor deve ser aplicada e as normas do Tratado em matéria de concorrência e auxílios estatais devem ser estritamente aplicadas. Paralelamente, as ações não legislativas a nível da União, a nível nacional e a nível local devem continuar e ser reforçadas.

II.    Evolução e observações sobre o domínio de intervenção

Desde o primeiro relatório sobre o Estado da União da Energia, publicado em novembro de 2015 11 , continuaram a observar-se e foram mesmo reforçadas diversas tendências no que respeita à transição da União Europeia para uma economia hipocarbónica 12 . As principais observações que podem ser extraídas da evolução registada a nível nacional em 2016 são resumidas nas observações sobre o domínio de intervenção que figuram no anexo 2. Estas observações constituem a base de uma análise mais aprofundada das políticas dos EstadosMembros que a Comissão tenciona realizar em 2017.

Globalmente, a União Europeia continuou a realizar consideráveis progressos na concretização dos objetivos da União da Energia, sobretudo no que se refere às metas energéticas e climáticas estabelecidas para 2020. A União já obteve consideráveis reduções no consumo de energia. Se os esforços dos EstadosMembros prosseguirem, a União Europeia reúne todas as condições para atingir as suas metas de eficiência energética para 2020 13 . 

 

Figura 1: Consumo de energia primária e evolução do PIB 14

Em 2015, as emissões de gases com efeito de estufa na União Europeia foram inferiores em 22 % ao nível de 1990 15 . Apesar de um ligeiro aumento temporário em 2015, as emissões continuam a seguir uma trajetória decrescente 16 . As emissões nos setores abrangidos pelo regime de comércio de licenças de emissão (RCLE) da União Europeia continuaram a diminuir em 2015 17 . 

A União Europeia está igualmente a realizar progressos no setor das energias renováveis, tendo a quota de energias renováveis – com base em dados de 2014 – atingido 16 % do seu consumo final bruto de energia 18 . À medida que nos aproximamos de 2020, a trajetória tornase mais acentuada e requer esforços suplementares.

Figura 2: Quotas das energias renováveis na União Europeia em relação às trajetórias previstas pela Diretiva «Energias Renováveis» e pelos planos de ação nacionais para as energias renováveis 19

Outra evolução importante a assinalar é o facto de a União Europeia continuar a dissociar claramente o seu crescimento económico das suas emissões de gases com efeito de estufa. No período 1990-2015, o produto interno bruto (PIB) combinado da União Europeia cresceu 50 %, enquanto as emissões diminuíram 22 %. As tendências e projeções atuais apontam para a manutenção desta dissociação.

Figura 3: Evolução histórica e projetada do PIB (em termos reais), das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e da intensidade das emissões da economia (rácio entre as emissões e o PIB) (Índice 1990 = 100) 20  

A União Europeia conseguiu ainda reduzir de forma significativa a intensidade dos gases com efeito de estufa na sua economia. Atualmente, é uma das grandes economias mais eficientes em matéria de gases com efeito de estufa e deverá tornar-se a economia mais eficiente em matéria de gases com efeito de estufa no âmbito do G20 através da prossecução das metas climáticas e energéticas para 2030. No entanto, também outras regiões estão a reduzir significativamente a intensidade das suas emissões de gases com efeito de estufa, com base nos respetivos planos climáticos elaborados no âmbito do Acordo de Paris. Por outras palavras, apesar desta evolução positiva, não há margem para complacência se a Europa quiser continuar a ser um líder mundial.

Figura 4 Intensidade das emissões de GEE (Milhões de toneladas eq. CO2/mil milhões de USD) 21

III.    Avaliação dos progressos e dos desafios

A transição para uma economia moderna e hipocarbónica está em curso

A Estratégiaquadro para a União da Energia afirma a ambição de abandonar uma economia dependente de combustíveis fósseis. O processo de descarbonização da economia europeia está em curso. Os colegisladores acordaram, num prazo sem precedentes, proceder à ratificação do Acordo de Paris pela União Europeia. Para respeitar os compromissos assumidos pela União Europeia, a Comissão adotou as propostas necessárias para concretizar o quadro de ação relativo ao clima e à energia para 2030, no que se refere aos setores abrangidos pelo regime de comércio de licenças de emissão da União Europeia 22 a partir de julho de 2015, e para os outros setores que não são por ele abrangidos 23 , incluindo igualmente a integração da utilização dos solos, reafetação dos solos e silvicultura (LULUCF)  24 , a partir de julho de 2016. Numa próxima etapa, as atenções concentrar-se-ão em preparar a participação da União Europeia no primeiro «diálogo facilitador», em 2018, no qual as partes deverão fazer o balanço da ambição coletiva e dos progressos realizados na aplicação do Acordo de Paris.

Em 2016, a Comissão apresentou ainda uma estratégia europeia de mobilidade hipocarbónica com uma ambição igualmente clara: em meados do século, as emissões de gases com efeito de estufa provenientes dos transportes devem ser inferiores em, pelo menos, 60 % às de 1990, sendo o objetivo último eliminá-las completamente, sem deixar de responder às necessidades de mobilidade das pessoas e mercadorias e assegurando a interligação à escala mundial. As emissões de poluentes atmosféricos provenientes dos transportes e que prejudicam a saúde pública devem igualmente ser reduzidas de forma drástica e sem demora. A estratégia confere particular atenção aos transportes rodoviários, que são responsáveis por mais de 70 % das emissões de gases com efeito de estufa provenientes dos transportes.

Imediatamente após a entrada em vigor do Acordo de Paris, a Comissão adotou o pacote «Energias limpas», que define o enquadramento regulamentar para o período pós-2020, dando igualmente um forte impulso à transição para uma economia mais limpa. Sensivelmente ao mesmo tempo, adotou-se a Diretiva «Limites Nacionais de Emissão» (LNE) 25 . Ao estabelecer limites mais rigorosos para as emissões de importantes poluentes atmosféricos, a União Europeia contribui para melhorar a saúde dos seus cidadãos e evitar mortes prematuras, reduzindo, simultaneamente, os substanciais custos económicos para a sociedade 26 . Numa economia moderna, os cidadãos devem beneficiar de investimentos na saúde.

Progressos no sentido de uma economia inovadora e eficiente em termos de energia e de recursos

A Comissão cumpriu a sua promessa de tratar a eficiência energética como uma fonte por direito próprio. A Comissão propôs uma meta vinculativa de 30 %, a nível da União Europeia, para a melhoria da eficiência energética até 2030. Diversas iniciativas de acompanhamento em matéria de eficiência energética irão garantir que a meta seja alcançada de forma rentável, mediante a adaptação da legislação pertinente ao contexto que irá prevalecer em 2030 e a superação das múltiplas barreiras que entravam os investimentos em eficiência energética e, sobretudo, na renovação de edifícios.

Uma economia moderna deve ser eficiente não só na utilização da sua energia, mas também na utilização dos seus recursos durante o seu ciclo de vida. A transição energética deverá processarse a par da transição para uma economia circular, visto que uma maior prevenção e reciclagem de resíduos podem proporcionar poupanças substanciais. Como delineado na comunicação recentemente adotada sobre «O papel da produção de energia a partir de resíduos na economia circular» 27 , por exemplo, se for simultaneamente respeitado o princípio da hierarquia dos resíduos, a quantidade de energia recuperada a partir de resíduos poderia aumentar 29 % se fossem devidamente utilizadas técnicas comprovadas e medidas de apoio para contribuir para a consecução dos objetivos enunciados na Estratégia-quadro para a União da Energia e no Acordo de Paris. A Europa é líder no setor das tecnologias verdes. A produção de bens e serviços ambientais por unidade do Produto Interno Bruto (PIB) cresceu mais de 50 % ao longo da última década e o emprego associado a esta «economia verde» aumentou para mais de 4 milhões de postos de trabalho equivalentes a tempo inteiro. Igualmente neste domínio há óbvios argumentos comerciais e um potencial comprovado.

A modernização da economia europeia requer uma concorrência efetiva e um quadro regulamentar estável nos mercados da energia, a fim de incentivar a inovação e a competitividade. A Comunicação «Acelerar o ritmo da inovação no domínio das energias limpas» 28 apresenta uma estratégia da União Europeia para permitir que as empresas europeias, novas e já estabelecidas, promovam a investigação e a inovação em soluções de energias limpas e deve garantir que os resultados dos esforços por eles envidados neste domínio sejam colocados no mercado rapidamente e com êxito. Foram realizados progressos consideráveis 29 em todos os domínios prioritários do Plano Estratégico para as Tecnologias Energéticas, com o objetivo de integrar tecnologias hipocarbónicas rentáveis no sistema energético.

O forte apoio à investigação e à inovação em tecnologias energéticas limpas levou ainda a União Europeia a aderir à «Mission Innovation» (Missão Inovação) a nível mundial 30 . A União Europeia não deixará de desempenhar um papel de liderança neste contexto ao assegurar que esta iniciativa se traduza em resultados transformadores, em estreita cooperação com investidores. Indicadores novos e melhorados, por exemplo sobre as importações, as exportações e as quotas de mercado das tecnologias energéticas limpas, permitirão avaliar melhor o desempenho e a competitividade a nível mundial da União Europeia neste domínio, bem como atualizar os nossos objetivos de investigação e inovação. Para o efeito, a Comissão irá colaborar com os Estados-Membros, a indústria, a comunidade de investigação e inovação e outras importantes partes interessadas, no âmbito de um fórum sobre a competitividade industrial em matéria de energias limpas que começará a funcionar em estreita coordenação com outras instâncias já existentes até ao final do ano.

Capacitar os consumidores

A União da Energia deve proporcionar benefícios palpáveis aos consumidores, que estão no âmago da transição energética. É cada vez maior o número de consumidores ativos no mercado energético, tal como ressalta, por exemplo, das crescentes capacidades de energia solar fotovoltaica em edifícios residenciais, da criação de novas cooperativas de energias renováveis ou das mais elevadas taxas de mudança de fornecedor tanto no mercado do gás como no da eletricidade. Todavia, continuam a ser necessárias medidas para apoiar os inúmeros consumidores que ainda não têm a possibilidade de participar neste contexto.

Conforme revelou o relatório sobre os «Preços e custos da energia na Europa» 31 , os preços do mercado retalhista têm aumentado nos últimos anos, apesar da descida dos preços grossistas. As propostas para o mercado da eletricidade 32 e a nova diretiva relativa às energias renováveis 33 irão conferir maiores possibilidades aos consumidores de participarem plenamente no mercado e facultar medidas adicionais para proteger os consumidores vulneráveis, evitar cortes de abastecimento de energia e combater a pobreza energética na União Europeia. Uma rigorosa aplicação das regras da concorrência contribuirá igualmente para melhorar o bem estar dos consumidores, graças a preços mais baixos, maior leque de escolha e mais inovação.

Em 2017, a Comissão tenciona lançar uma campanha de sensibilização destinada a incentivar um maior número de consumidores a participar na evolução do mercado energético e a tirar dela partido. A campanha visa destacar os benefícios da eficiência energética e da mudança de fornecedor. A campanha será lançada, a título de açãopiloto, em vários EstadosMembros, podendo ser alargada a outros EstadosMembros quando os resultados da açãopiloto estiverem disponíveis.

Além disso, o Observatório da Pobreza Energética começará a funcionar no final de 2017, ajudando os EstadosMembros a controlar a pobreza energética e a definir medidas para combater este problema crescente. O Observatório pretende elaborar estatísticas sobre a pobreza energética, servir de plataforma para a divulgação de boas práticas junto das principais partes interessadas e ser uma fonte de informação sobre a pobreza energética para o público em geral.

A transição para energias limpas deve ser equitativa e ter em conta o seu impacto transformativo nas partes interessadas, nomeadamente na indústria e nos trabalhadores. Por conseguinte, a Comissão está a analisar a forma como pode otimizar o seu apoio à transição estrutural em regiões muito dependentes do carvão e do carbono, no respeito pelas regras da concorrência. Para o efeito, tenciona trabalhar em parceria com as partes interessadas destas regiões, direcionar melhor o apoio da União Europeia, incentivar o intercâmbio de boas práticas, incluindo debates sobre os roteiros industriais e as necessidades de requalificação profissional, e promover sinergias / cooperação comum.

Uma infraestrutura virada para o futuro a favor da União da Energia

Uma infraestrutura sólida constitui a espinha dorsal da União da Energia. No ano passado, começaram a funcionar importantes projetos de interligação e a cooperação regional foi consideravelmente reforçada.

Foram iniciadas as obras de construção de novas interligações, nomeadamente do gasoduto transadriático, que faz parte do Corredor Meridional de Gás; foram assinados acordos de financiamento, como uma convenção de subvenção para um investimento de 187 milhões de EUR do Mecanismo Interligar a Europa para o gasoduto Balticconnector, uma interligação de gás entre a Finlândia e a Estónia, e uma convenção de subvenção de 179 milhões de EUR para o gasoduto BRUA que atravessa a Bulgária, a Roménia, a Hungria e a Áustria 34 . Quanto ao grupo Conectividade do Gás na Europa Central e do Sudeste (CESEC), o seu mandato deve ser alargado à eletricidade, às energias renováveis e à eficiência energética.

Foi criado um novo Grupo de Alto Nível para a cooperação energética entre os países dos mares do Norte 35 , que visa melhorar a integração dos parques eólicos ao largo e reforçar as interligações. Em 2016, os concursos para projetos de parques eólicos ao largo resultaram em propostas com os mais baixos preços de sempre, o que revela que os preços da energia eólica produzida ao largo também estão a diminuir e que a eletricidade produzida nos parques eólicos ao largo está a tornar-se mais barata 36 .

Começaram a funcionar nos últimos meses novos terminais de gás natural liquefeito (GNL) em Świnoujście (Polónia) 37 , Dunquerque (França) e Pori (Finlândia), proporcionando novas oportunidades de mercado e melhorando, paralelamente, a segurança do aprovisionamento de gás dos Estados-Membros e dos países vizinhos. A região do leste do Mediterrâneo é igualmente uma promissora fonte de aprovisionamento de gás para a União Europeia. Tal aumenta as possibilidades de diversificação e reduz a dependência face às importações de um único fornecedor, o que constitui um objetivo fundamental da União da Energia.

Não obstante, ainda existem estrangulamentos decorrentes da falta ou da subutilização de infraestruturas. São ainda necessárias interligações e, se for caso disso, linhas internas para uma maior integração do mercado interno da eletricidade no sudoeste da Europa e na Europa do Norte e Oriental (por exemplo, Alemanha, Polónia e República Checa), devendo a gestão destas interligações ser melhorada. Devem prosseguir os trabalhos com vista à sincronização dos Estados Bálticos com a rede europeia de eletricidade. A meta de 15 % de interligação da eletricidade para 2030, na condição de esta capacidade ser disponibilizada no mercado, deverá permitir que a União tire o melhor partido possível dos seus recursos renováveis, para além de garantir a segurança do aprovisionamento e a integração do mercado.

Os esforços em matéria de infraestruturas devem ser intensificados em 2017. A terceira lista de projetos de interesse comum (PIC) pretende identificar os projetos mais urgentes em termos de integração do mercado, sustentabilidade e segurança do aprovisionamento. A nova lista deve ser acompanhada de uma comunicação sobre as infraestruturas energéticas. O próximo Estado da União da Energia irá destacar os projetos de interesse comum que não registaram progressos suficientes, de molde a evitar atrasos por parte dos Estado-Membros na transição energética. Ao mesmo tempo, os operadores dos sistemas de transmissão devem colocar as infraestruturas existentes integralmente à disposição dos operadores do mercado e as regras do mercado devem promover uma utilização eficiente das infraestruturas antes da construção de quaisquer infraestruturas novas.

Dada a escassez de recursos nos Estados-Membros, os recursos públicos devem ser utilizados de forma inteligente. Os Estados-Membros devem assegurar que o seu apoio às infraestruturas energéticas no sentido mais lato respeite os princípios da União da Energia. Apenas deve prestar-se apoio em consonância com a política energética a longo prazo da União Europeia, devendo evitar-se ativos parados e situações de dependência do carbono 38 . Impõem-se maiores esforços para assegurar a infraestrutura necessária com vista a uma energia limpa no domínio dos transportes.

A proteção de infraestruturas críticas nos setores da energia e dos transportes é um tema que assume uma importância crescente à luz dos recentes ataques terroristas e de outras ameaças geopolíticas. Já se encontra em vigor legislação para avaliar as necessidades pertinentes e melhorar a proteção das infraestruturas críticas 39 . Os futuros trabalhos no setor energético devem concentrarse no reforço da proteção física das instalações, bem como em medidas destinadas a assegurar o funcionamento dos serviços. A digitalização do setor da energia aumenta a sua exposição a ciberataques e a necessidade de regras sólidas em matéria de proteção de dados. Tendo em vista a aplicação da Diretiva sobre a Cibersegurança 40 e a promoção de sinergias entre a União da Energia e o Mercado Único Digital, um grupo de peritos está a analisar as necessidades de cibersegurança específicas do setor da energia. Esta segurança é igualmente crucial da perspetiva dos consumidores.

O desafio do investimento

Para alcançar os objetivos energéticos e climáticos da União Europeia para 2030, serão necessários cerca de 379 mil milhões de EUR de investimento por ano durante o período 2020-2030 41 . Em consequência, os trabalhos em matéria de investimentos serão intensificados em 2017 e todos os instrumentos disponíveis serão utilizados de forma coerente.

O Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE) continua a desempenhar um papel crucial neste domínio ao contribuir para desbloquear o financiamento privado. Até à data, mais de 20 % dos investimentos apoiados pelo Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos estão relacionados com o setor da energia. Paralelamente à extensão do Fundo, a Comissão propôs que, pelo menos, 40 % dos projetos da vertente de infraestruturas e inovação do Fundo tenham incidência climática, energética e ambiental, em conformidade com os objetivos do Acordo de Paris 42 . A associação do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos a outros fundos e instrumentos de financiamento da União Europeia aumentará ainda mais a possibilidade de virem a ser mobilizados fundos para investimentos de risco mais elevado no futuro 43 .

Os Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI) concedem igualmente um apoio substancial através de uma grande diversidade de projetos. Entre 2014 e 2020, o apoio total concedido ascende a cerca de 98 mil milhões de EUR, com cofinanciamento público nacional e privado. O investimento em investigação e inovação através do Horizonte 2020, incluindo os instrumentos financeiros dos InnovFin Energy Demo Projects (Projetos de demonstração relacionados com a energia) 44 , é igualmente fundamental para o desenvolvimento de soluções de energias limpas. Os projetos de investigação e inovação de apoio a tecnologias de ponta já produziram resultados significativos em 2016, em áreas como a energia fotovoltaica, hidrogénio e autocarros com pilhas a combustível com emissões nulas 45 .

Serão criados instrumentos de financiamento adicionais. Na sua proposta de revisão do regime de comércio de licenças de emissão da União Europeia para o período pós2020, a Comissão propôs um fundo de inovação para apoiar a inovação na indústria e no setor energético. A fim de dimensionar adequadamente este fundo, a Comissão tenciona lançar em 2017 uma série de mesas-redondas especializadas por setor, com representantes das indústrias caracterizadas por uma utilização intensiva de energia, promotores de projetos na área das energias renováveis, inovadores e investidores. Além disso, a proposta inclui a criação de um fundo de modernização destinado a ajudar os EstadosMembros com menores rendimentos a modernizarem os seus sistemas energéticos.

Em 2017, será prestada particular atenção à execução da iniciativa Financiamento Inteligente para Edifícios Inteligentes 46 , em cooperação com o Banco Europeu de Investimento (BEI) e os EstadosMembros. Um vetor desta iniciativa é o desenvolvimento de plataformas de financiamento flexíveis para acelerar o ritmo de renovação de edifícios, sendo igualmente importante para superar os obstáculos que atrasam a renovação. A Comissão está a analisar, em estreita cooperação com os EstadosMembros, o impacto das regras de contabilidade pública no mercado dos contratos de desempenho energético. A Comissão tenciona atualizar as suas orientações sobre o tratamento estatístico deste tipo de parcerias até ao final da primavera de 2017.

O financiamento deve ser sustentável. Tendo em vista este objetivo, o Grupo de Peritos de Alto Nível sobre financiamento sustentável 47 pretende apresentar à Comissão, no decurso de 2017, recomendações estratégicas destinadas a facilitar o fluxo de capitais públicos e privados para investimentos sustentáveis e a minimizar eventuais riscos para o sistema financeiro da União Europeia decorrentes da sua exposição a ativos com grande intensidade de carbono.

Seguindo a mesma lógica, as tecnologias e recursos que estejam a ser gradualmente retirados ou possam não ser sustentáveis a longo prazo não devem beneficiar do apoio de fundos públicos. O pacote «Energias limpas» deixa claro que a União Europeia está a redobrar esforços para eliminar gradualmente as subvenções a favor dos combustíveis fósseis. Os futuros relatórios sobre o Estado da União da Energia irão acompanhar a evolução deste compromisso, assumido no âmbito do G7 e do G20.

Uma forte dimensão externa da União da Energia

O contexto internacional em mutação cria novos desafios, mas também oferece novas oportunidades. Enquanto importador de energia, a União Europeia tem todo o interesse em mercados internacionais de energia que funcionem bem e que se baseiem em regras, tendo vindo a trabalhar ativamente no sentido de reforçar a governação em fóruns multilaterais, como o G7, o G20 e a Agência Internacional de Energia, entre outros. A União Europeia trabalha igualmente a nível regional e bilateral na promoção do funcionamento, da integração e da reforma dos mercados da energia, como o processo de reforma da Comunidade da Energia ou o diálogo renovado com a Argélia, e na promoção de projetos de diversificação de importância estratégica, como o Corredor Meridional de Gás. Nas regiões abrangidas pelo futuro alargamento e nas regiões vizinhas da Europa, a Comissão lançou, com as instituições financeiras internacionais, uma iniciativa para promover em conjunto reformas no setor da energia e intensificar o investimento na eficiência energética dos edifícios, tanto públicos como privados 48 .

A União Europeia continuou a promover reformas do setor energético na Ucrânia. Foram realizados progressos palpáveis no que diz respeito ao mercado do gás e foram tomadas decisões importantes para aumentar a eficiência energética. A Comissão realizou uma série de reuniões bilaterais e trilaterais com a Rússia e com a Ucrânia para garantir a estabilidade do aprovisionamento interno na Ucrânia e o trânsito de gás entre a Rússia e a União Europeia através da Ucrânia. É necessário prosseguir as reformas, nomeadamente no setor da eletricidade.

O acordo político alcançado entre o Parlamento Europeu e o Conselho sobre a proposta de acordos intergovernamentais relativos à energia 49 , que fazia parte do pacote respeitante à segurança do aprovisionamento de fevereiro de 2016, foi muito importante e lança os alicerces para uma maior transparência e uma maior conformidade dos acordos intergovernamentais com o direito da União. Registaram-se igualmente realizados progressos relativamente à proposta legislativa sobre a segurança do aprovisionamento de gás 50 , com uma tomada de posição do Parlamento Europeu e a emissão de orientações estratégicas pelo Conselho «Energia» em dezembro de 2016.

É necessária uma liderança mundial por parte da União Europeia na transição para energias limpas. Dado que o mercado mundial das tecnologias limpas se está a abrir a uma escala sem precedentes, a União Europeia está a utilizar as suas políticas externas para partilhar as suas experiências neste domínio e para assegurar a transição em direção a uma economia mundial hipocarbónica, sobretudo mediante o desenvolvimento de parcerias sólidas com os países e as regiões.

Trata-se nomeadamente do caso em África, bem como em países vizinhos, através da Comunidade da Energia. A importância desta questão foi igualmente reconhecida na estratégia global 51 , que apelava especificamente à construção de maiores sinergias entre as diplomacias em matéria energética e climática. No domínio climático, a cooperação com a China relativamente ao comércio de emissões, por exemplo, tem vindo a surtir efeito e ambas as partes acordaram intensificar a cooperação através de um novo projeto bilateral destinado a apoiar a aplicação de um regime nacional de comércio de emissões em toda a China e que deverá começar a funcionar em 2017.

Em 2016, a ação internacional em matéria de alterações climáticas resultou num acordo na Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) com vista a começar a combater as emissões da aviação internacional em crescimento exponencial. Na sequência deste acordo, a Comissão tenciona apresentar em breve uma proposta legislativa sobre o âmbito de aplicação do regime de comércio de licenças de emissão da União Europeia para o setor da aviação. Além disso, a diplomacia internacional conduziu à adoção da alteração de Kigali ao Protocolo de Montreal sobre a eliminação gradual de hidrofluorocarbonetos (HFC) que afetam seriamente o aquecimento global e, na Organização Marítima Internacional (OMI), à adoção de um acordo no sentido da aprovação de uma estratégia de redução de emissões para o setor dos transportes marítimos internacionais. Estes resultados representam medidas atempadas para lutar contra as alterações climáticas em setores nos quais as emissões crescem a um ritmo elevado.

Em 2016 assistimos ainda ao reforço do Conselho «Energia» entre a União Europeia e os Estados Unidos, que continuou a funcionar como o principal exemplo de cooperação bilateral de alto nível em matéria energética e climática, nomeadamente nas áreas da segurança energética, política energética e desenvolvimento e implantação de tecnologia energética.

África é, e continuará a ser, um parceiro privilegiado da União Europeia. Neste continente, milhões de pessoas ainda não têm acesso a formas modernas de energia. Contudo, o acesso universal a energia sustentável é fundamental para apoiar o ritmo de crescimento económico necessário e criar um ambiente de trabalho digno, nomeadamente para as mulheres e os jovens. A Parceria Estratégica Conjunta União EuropeiaÁfrica constitui o enquadramento para uma cooperação mais estreita entre estes dois continentes. A União Europeia apoia ainda firmemente a iniciativa africana para as energias renováveis (AREI) 52 , uma iniciativa africana que visa aumentar a capacidade do continente africano no que respeita às energias renováveis, desde a sua criação na Conferência de Paris sobre o Clima de 2015 (COP21). A energia será igualmente crucial nos investimentos realizados através do futuro Plano de Investimento Externo Europeu e outros instrumentos já existentes 53 .

A diplomacia ativa da União Europeia no domínio da energia e do clima é reforçada pelo apoio à intervenção por parte dos municípios urbanos e de regiões em todo o mundo através do Pacto Global de Autarcas. A aliança estabelecida entre o Pacto de Autarcas da União Europeia e a Convenção de Autarcas começou a funcionar em pleno em 2017, reunindo mais de 7 100 cidades de seis continentes. A aplicação da Nova Agenda Urbana, adotada na Conferência Habitat III, também continua a constituir uma prioridade para a União Europeia, nomeadamente devido à sua dimensão mais lata em termos de sustentabilidade.

IV.    UMA NOVA RONDA DA UNIÃO DA ENERGIA PARA A PROMOÇÃO DO EMPREGO, DO CRESCIMENTO E DO INVESTIMENTO

A fim de promover a transição para energias limpas e modernizar a economia europeia, a respetiva execução deve ser lançada de imediato.  54 Com este objetivo em vista, a Comissão está a lançar outra ronda da União da Energia. Trata-se de uma boa oportunidade para entrar em contacto com as partes interessadas nacionais e outras, bem como para ajudar as mesmas a superar em conjunto os obstáculos. Por conseguinte, a ronda centra-se nas necessidades específicas dos Estados-Membros, por exemplo para apoiar o processo de transição de regiões muito dependentes do carbono ou para fazer chegar às ilhas a transição energética 55 . Além disso, aproxima a União da Energia dos cidadãos europeus através do diálogo com todos os setores da sociedade, em especial com os jovens europeus. Para assegurar o seu êxito, a Europa necessita do empenhamento sem reservas de uma geração de jovens dotados das competências adequadas e convictos da necessidade de participar na transição energética.

No quadro da agenda de execução, a ronda irá concentrar-se, nomeadamente, nos planos nacionais integrados em matéria de energia e clima e em ações a nível local.

Governação e planificação para assegurar o êxito da União da Energia no terreno

No âmbito do pacote «Energias limpas», a Comissão propôs um novo sistema de governação para a União da Energia 56 , baseado numa planificação mais simples, na elaboração de relatórios e no acompanhamento da sua execução. Uma vez que a maior parte das propostas da União da Energia já foram atualmente apresentadas, os Estados-Membros dispõem de todos os elementos essenciais para começarem a preparar os respetivos planos nacionais integrados para a energia e o clima. Estes planos constituirão um instrumento fundamental para os Estados-Membros garantirem segurança e previsibilidade para as empresas, os trabalhadores e os investidores, e para facilitarem os investimentos na economia hipocarbónica que se revelam tão necessários.

A maior parte dos EstadosMembros da União Europeia precisa ainda de começar a elaborar o respetivo plano nacional. A fim de respeitar o compromisso no sentido de ter os planos concluídos muito antes de 2021, conforme acordado pelo Conselho 57 , deverão acelerar o ritmo dos trabalhos. Embora não deixe de constituir um desafio, a Comissão insta os EstadosMembros a apresentarem os seus projetos até 1 de janeiro de 2018. O grupo de trabalho técnico sobre os planos nacionais para a energia e o clima continuará a prestar apoio aos Estados-Membros. Para serem inclusivos, os projetos de planos devem alicerçar-se em consultas realizadas junto de investidores, parceiros sociais, autoridades locais e regionais, nomeadamente de todos aqueles com necessidades específicas, e outras partes interessadas pertinentes dos Estados-Membros. A cooperação regional numa fase precoce é igualmente fundamental para a elaboração dos planos. Os planos nacionais para a energia e o clima devem ser elaborados, sempre que possível, em paralelo com programas de controlo da poluição atmosférica, a fim de assegurar sinergias e reduzir os custos, uma vez que estes planos assentam, basicamente, em medidas e ações similares.

A importância de uma intervenção a nível local para a concretização da União da Energia

As cidades e as zonas rurais são cruciais para a modernização e a descarbonização da economia europeia. As zonas urbanas são uma importante fonte de gases com efeito de estufa, sendo o consumo de energia urbano responsável por cerca de três quartos das emissões de carbono em todo o mundo. As cidades e as zonas rurais são particularmente vulneráveis ao impacto das alterações climáticas. Por outro lado, as zonas rurais, a título de fornecedores de recursos renováveis para a bioeconomia, e as cidades, enquanto centros de inovação e crescimento e motores do desenvolvimento económico, são igualmente – e cada vez mais – parte da solução. As cidades respondem por um quarto de toda a despesa pública e por quase metade do investimento público 58 . Produzem 68 % do produto interno bruto (PIB) da União Europeia e geram 62 % dos postos de trabalho, sendo intervenientes fundamentais para dissociar as emissões de gases com efeito de estufa e a utilização de recursos, por um lado, e o crescimento económico 59 , por outro, para além de contribuírem para o reforço do conhecimento e da competitividade nas economias nacionais. As cidades constituem o ponto de partida para a modernização da economia europeia.

A adoção do Pacto de Amesterdão que institui a Agenda Urbana da União Europeia, a Cimeira Europeia das Regiões e dos Municípios em Bratislava e o lançamento do balcão único para os municípios conferiram um forte impulso à ação urbana. A Agenda Urbana é aplicada através de parcerias numa multiplicidade de domínios com impacto direto na economia europeia, nelas participando a Comissão, os Estados-Membros, os municípios e as partes interessadas pertinentes.

Em toda a União Europeia, estão a ser lançados projetos centrados nas cidades que procuram obter sinergias entre domínios como a energia, a mobilidade, o setor digital, a água, o ar e a gestão de resíduos e a economia circular. Os projetos que sejam coroados de êxito, tal como o das cidades inteligentes, geram economias para os cidadãos e a indústria, melhoram a qualidade do ar e criam postos de trabalho a nível local. A ronda de promoção da União da Energia constitui uma oportunidade para salientar a importância desses projetos, a fim de poderem ser ampliados e reproduzidos em toda a Europa, bem como para estabelecer uma ligação mais clara entre esses projetos e a agenda de investimento europeia.

V.    Conclusão

A Comissão Europeia está firmemente empenhada em continuar a trabalhar em projetos que representem uma mais-valia para a Europa e se traduzam em benefícios concretos para os cidadãos europeus. A modernização da economia europeia constitui um desses projetos e traduz a essência da União da Energia. No intuito de assegurar o seu êxito, as propostas legislativas relacionadas com a União da Energia apresentadas pela Comissão em 2015 e 2016 devem ser tratadas de forma premente, em conformidade com a Declaração comum das três instituições sobre as prioridades legislativas da UE para 2017.

É importante manter a coerência geral e a ambição das propostas relacionadas com a União da Energia, bem como a dinâmica política subjacente ao projeto União da Energia. Para o efeito, os progressos devem ser examinados regularmente a um nível mais político, nomeadamente pelo Conselho Europeu. Em conformidade com a Declaração de Bratislava, o Conselho Europeu voltará a abordar as questões sobre a energia e o clima, se for caso disso.

Para além de ser importante avançar com os processos legislativos, importa acelerar o ritmo da aplicação das medidas de facilitação da União da Energia e garantir a sua plena conformidade com as regras vigentes. A União Europeia e os respetivos Estados-Membros devem reforçar, por exemplo, a execução das prioridades da diplomacia no domínio da energia e do clima e aprofundar as sinergias entre ambos os domínios, bem como criar, até ao final do ano, as plataformas de investimento que facilitarão o financiamento de projetos no domínio da eficiência energética e das energias renováveis.

É necessária a aplicação destas medidas, entre outras, para começar a realizar de imediato progressos no terreno em termos de consecução dos objetivos em matéria de emprego, crescimento e investimento. Apenas quando forem patentes progressos concretos na prática se tornarão manifestos os múltiplos benefícios de uma transição para as energias limpas nos Estados-Membros, nas regiões e nas comunidades, o que constitui uma condição determinante para o êxito duradouro da União da Energia.

(1)

COM(2015) 80.

(2)

COM(2016) 501.

(3)

COM(2016) 710.

(4)

http://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=CELEX:32016C1224(01)&from=PT.

(5)

  https://ec.europa.eu/priorities/sites/beta-political/files/juncker-political-guidelines-speech_en_0.pdf ; ver igualmente a «Agenda Estratégica da União Europeia em Tempos de Mudança», anexo I às Conclusões do Conselho Europeu de 26 e 27 de junho de 2014.

(6)

Declaração e roteiro na sequência da Cimeira de Bratislava de 27 EstadosMembros dedicada a diagnosticar o estado atual da União Europeia e a debater o futuro comum, 16 de setembro de 2016.

(7)

Comunicação «Próximas etapas para um futuro europeu sustentável», COM (2016) 739.

(8)

Comunicação «Fechar o ciclo – plano de ação da UE para a economia circular», COM(2015) 614.

(9)

Em conformidade, nomeadamente, com o «Quadro comum em matéria de luta contra as ameaças híbridas», JOIN(2016) 18.

(10)

Ver http://unfccc.int/files/essential_background/convention/application/pdf/english_paris_agreement.pdf .

(11)

COM(2015) 572.

(12)

Para mais informações, consultar o documento de trabalho dos serviços da Comissão intitulado «Monitoring progress towards the Energy Union objectives – key indicators» (Avaliar os progressos alcançados na consecução dos objetivos da União da Energia – indicadores fundamentais) (SWD(2017) 32) e o relatório da Agência Europeia do Ambiente intitulado «Trends and projections in Europe 2016 – Tracking progress towards Europe's climate and energy targets» (Evolução e projeções na Europa em 2016 – Acompanhar os progressos rumo aos objetivos climáticos e energéticos da Europa) (http://www.eea.europa.eu/publications/trends-and-projections-in-europe).

(13)

COM(2017) 56 final; A União Europeia já atingiu a sua meta para 2020 relativa ao consumo de energia final. Em 2014, o seu consumo de energia primária foi superior em apenas 1,6 % à meta para o consumo de energia primária para 2020.

(14)

Com base em dados do Eurostat.

(15)

De acordo com o inventário aproximado de 2015.

(16)

COM(2016) 707.

(17)

COM(2017) 48.

(18)

COM(2017) 57.

(19)

Relatório do Öko-Institut sobre energias renováveis; publicado no sítio Web da Comissão (http://ec.europa.eu/energy/en/studies).

(20)

Comissão Europeia e Agência Europeia do Ambiente.

(21)

Fonte: The emissions Gap Report 2016-2030 trends and ambition. UNEP, novembro de 2016. CPDN = Contributo Previsto Determinado a Nível Nacional; o CPDN dos EUA objeto de avaliação é para 2025; todos os CPDN são incondicionais, com exceção da Indonésia, África do Sul, Argentina, Índia e México, que são condicionais.

(22)

COM(2015) 337.

(23)

COM(2016) 482.

(24)

COM(2016) 479.

(25)

Diretiva (UE) 2016/2284 relativa à redução das emissões nacionais de certos poluentes atmosféricos.

(26)

Estimase que, em 2013, mais de 450 mil pessoas tenham morrido prematuramente em virtude da poluição atmosférica na União Europeia. Os prejuízos económicos diretos ascendem a 15 mil milhões EUR em dias de trabalho perdidos e produtividade reduzida devido a doenças respiratórias e a 4 mil milhões de EUR em custos de cuidados de saúde. Cf. relatório «Air Quality in Europe 2016» (Qualidade do Ar na Europa - Relatório de 2016) da Agência Europeia do Ambiente: http://www.eea.europa.eu/publications/air-quality-in-europe-2016

(27)

COM(2017) 34.

(28)

COM(2016) 763.

(29)

Ver: https://ec.europa.eu/energy/sites/ener/files/documents/set-plan_progress_2016.pdf

(30)

A «Mission Innovation» é uma iniciativa mundial de 22 governos que se comprometeram a duplicar em cinco anos o investimento público por eles consagrado à investigação e desenvolvimento de energias limpas.

(31)

COM(2016) 769.

(32)

Ver, nomeadamente, COM(2016) 864 (Diretiva relativa à eletricidade) e COM(2016) 861 (Regulamento relativo à eletricidade).

(33)

COM(2016) 767.

(34)

Desde o seu lançamento, em 2014, o Mecanismo Interligar a Europa já financiou 75 ações, num total de 1,2 mil milhões de EUR, das quais 12 foram subvenções para obras.

(35)

  https://ec.europa.eu/energy/en/news/north-seas-countries-agree-closer-energy-cooperation .

(36)

Por exemplo, 64 EUR/MWh (Dinamarca) e 54 EUR/MWh (Países Baixos).

(37)

Cofinanciados, num montante de 223 milhões de EUR, pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

(38)

No que se refere aos ativos parados no setor energético, ver o relatório 19/2016 da Agência Europeia do Ambiente. «Transforming the EU power sector: avoiding a carbon lock-in» (Transformar o setor energético da UE: evitar situações de dependência do carbono).

(39)

Diretiva 2008/114/CE do Conselho relativa à identificação e designação das infraestruturas críticas europeias e à avaliação da necessidade de melhorar a sua proteção.

(40)

Diretiva (UE) 2016/1148 relativa a medidas destinadas a garantir um elevado nível comum de segurança das redes e da informação em toda a União.

(41)

Avaliação de impacto da alteração da Diretiva «Eficiência Energética», documento de trabalho dos serviços da Comissão SWD(2016) 405 (os valores respeitantes ao investimento excluem o setor dos transportes).

(42)

Até à data, cerca de metade de todas as operações aprovadas no âmbito da vertente Infraestruturas e Inovação inscrevem-se no setor da energia e do clima. «The Investment Plan for Europe, State of Play» (O plano de investimento para a Europa - ponto da situação) , maio de 2016. Ver igualmente a Comunicação «A Europa investe de novo – Ponto de situação sobre o Plano de Investimento para a Europa», COM(2016) 359.

(43)

Inclui um convite à associação no âmbito do Mecanismo Interligar a Europa em fevereiro, com uma dotação de 150 milhões de EUR.

(44)

http://www.eib.org/products/blending/innovfin/products/energy-demo-projects.htm.

(45)

No domínio da energia fotovoltaica, a empresa spinoff do projeto R2M-Si está a passar da fase de demonstração para a fase de produção de módulos fotovoltaicos altamente eficientes. A parceria público-privada para as pilhas a combustível e hidrogénio criou a primeira estação de reabastecimento de hidrogénio aberta ao público, na Bélgica, a primeira central elétrica a pilhas de combustível de 2 MW a nível mundial com membrana de troca de protões, para além de ter permitido o lançamento em toda a Europa de cerca de 140 autocarros com pilhas a combustível com emissões nulas.

(46)

Anexo 1 à COM(2016) 860.

(47)

Decisão C(2016) 6912 da Comissão, de 28.10.2016.

(48)

https://ec.europa.eu/commission/2014-2019/hahn/announcements/1st-high-level-meeting-enhanced-cooperation-enlargement-and-neighbourhood-regions-europe_en.

(49)

COM(2016) 53.

(50)

COM(2016) 52.

(51)

Comunicação «Shared Vision, Common Action: A Stronger Europe – A Global Strategy for the European Union’s Foreign and Security Policy» (Visão partilhada, ação comum: uma Europa mais forte – Uma estratégia global para a política externa e de segurança da União Europeia), http://www.eeas.europa.eu/top_stories/pdf/eugs_review_web.pdf

(52)

http://www.arei.org/.

(53)

Comunicação «Reforçar o investimento europeu em prol do emprego e do crescimento: Rumo à segunda fase do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos e novo Plano de Investimento Externo Europeu», COM(2016) 581.

(54)

Anexos 1 e 2 à COM(2016) 860.

(55)

Em 2017, a Comissão tenciona lançar um processo que reúna as ilhas europeias no sentido de acelerar o desenvolvimento e a adoção das melhores tecnologias disponíveis nas ilhas e nas regiões insulares.

(56)

COM(2016) 759.

(57)

Conclusões do Conselho sobre o sistema de governação da União da Energia, 26 de novembro de 2015.

(58)

Relatório «The State of European Cities 2016 – Cities leading the way to a better future» (O estado das cidades europeias 2016 – As cidades abrem caminho para um futuro melhor) SWD(2016) 325, http://ec.europa.eu/regional_policy/sources/policy/themes/cities-report/state_eu_cities2016_en.pdf .

(59)

Cf. «UNEP City-level decoupling report» (Relatório da PNUA sobre a dissociação a nível das cidades), http://www.unep.org/resourcepanel/Publications/City-Leveldecoupling/tabid/106135/Default.aspx .

Início

Bruxelas, 1.2.2017

COM(2017) 53 final

ANEXO

Atualização do Roteiro para a União da Energia

à

COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU, AO COMITÉ DAS REGIÕES E AO BANCO EUROPEU DE INVESTIMENTO

Segundo Relatório sobre o Estado da União da Energia


Atualização do roteiro para a União da Energia –
Ponto da situação: 1 de fevereiro de 2017

Legenda: SdA: Segurança do aprovisionamento / MIE: Mercado interno da energia / EE: Eficiência energética / GEE: Gases com efeito de estufa / I&I: Investigação e inovação

O presente roteiro é o mesmo que o apresentado no anexo à Comunicação da Comissão intitulada «Uma estratégia-quadro para uma União da Energia resiliente dotada de uma política em matéria de alterações climáticas virada para o futuro», adotada em 25 de fevereiro de 2015 (COM(2015)80) e atualizada em novembro de 2015, no contexto do primeiro Estado da União da Energia (COM(2015)572). As novas informações deste quadro figuram na última coluna, assegurando uma atualização no que diz respeito às iniciativas já adotadas ou cujo calendário foi alterado. Não apresenta quaisquer informações novas sobre as iniciativas inicialmente projetadas para 2017 ou posteriormente.

Ações

Entidade responsável

Calendário (apresentado no anexo ao COM(2015)80)

SdA

MIE

EE

GEE

I&I

Observações /Atualização

Infraestruturas

Realização efetiva do objetivo de 10 % de interligação das redes de eletricidade

Comissão

Estados-Membros

Entidades reguladoras nacionais

Operadores de redes de transporte

2015-20

X

X

X

Adoção em 25 de fevereiro de 2015 (COM(2015)82)

2a lista de projetos de interesse comum (PIC) – conducente a um ato delegado da Comissão

Comissão

Estados-Membros

2015

X

X

X

Ato delegado adotado em 18 de novembro de 2015 (COM (2015)8052)

Em 2017, realizar-se-á uma avaliação da execução dos projetos de interesse comum e da aplicação do Regulamento relativo às orientações para as infraestruturas energéticas transeuropeias

Prevê-se a publicação da 3.ª lista de projetos de interesse comum no quarto trimestre de 2017

Comunicação sobre os progressos registados no sentido da conclusão da lista de infraestruturas mais importantes no setor da energia e sobre as medidas necessárias para atingir o objetivo de 15 % de interligação das redes de eletricidade até 2030

Comissão

2016

X

X

Prevista para 2017; a adotar em conjunto com a 3.ª lista de projetos de interesse comum no quarto trimestre de 2017

Criação de um Fórum das Infraestruturas Energéticas

Comissão

Estados-Membros

2015

X

X

Primeira reunião do Fórum das Infraestruturas Energéticas, realizada em Copenhaga em 9 e 10 de novembro de 2015; uma segunda reunião teve lugar em 23 e 24 de junho de 2016

Eletricidade

Iniciativa relativa à configuração do mercado e aos mercados regionais da eletricidade, e coordenação de capacidades com vista a garantir a segurança do aprovisionamento, promover a expansão do comércio transfronteiras e facilitar a integração das fontes de energia renováveis

Comissão

2015-2016

X

X

X

X

Comunicação consultiva adotada em 15 de julho de 2015 (COM(2015)340)

Propostas legislativas adotadas em 30 de novembro de 2016 [COM(2016) 861 (Regulamento Eletricidade) e COM(2016) 864 (Diretiva Eletricidade)]

Relatório final do inquérito setorial sobre os mecanismos de capacidade, adotado em 30 de novembro de 2016 (COM(2016) 752)

Revisão da Diretiva relativa às medidas destinadas a garantir a segurança do aprovisionamento de eletricidade

Comissão

2016

X

X

X

Propostas legislativas adotadas em 30 de novembro de 2016 (COM(2016)862)

Retalho

Novo acordo para os consumidores de energia: reforçar o poder dos consumidores, incrementar a resposta do lado do consumo; utilizar as tecnologias inteligentes; ligar os mercados grossistas e retalhistas; eliminar gradualmente os preços regulamentados; adotar medidas de acompanhamento para proteger os consumidores vulneráveis

Comissão

Estados-Membros

2015-2016

X

X

X

X

Comunicação adotada em 15 de julho de 2015 (COM(2015)339)

Propostas legislativas respeitantes a questões no domínio dos consumidores incluídas nas propostas sobre a nova configuração do mercado da eletricidade (ver supra)

Gás

Revisão do Regulamento relativo à segurança do aprovisionamento de gás

Comissão

2015-2016

X

X

Propostas legislativas adotadas em 16 de fevereiro de 2016 (COM(2016)52)

Negociações interinstitucionais em curso; orientação estratégica emitida pelo Conselho Energia no início de dezembro de 2016; posição acordada na Comissão ITRE do PE; prevê-se a conclusão das negociações no âmbito do trílogo no primeiro semestre de 2017

Estratégia para o gás natural liquefeito e para o seu armazenamento

Comissão

2015-2016

X

Comunicação adotada em 16 de fevereiro de 2016 (COM(2016)49)

Quadro regulamentar

Reavaliação da Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia (ACRE) e do quadro regulamentar da energia

Comissão

2015-16

X

X

X

Abrangido pela comunicação consultiva adotada em 15 de julho de 2015 (COM(2015)340)

Propostas legislativas adotadas em 30 de novembro de 2016 (COM(2016)863)

Fontes de energia renováveis

Pacote Fontes de Energia Renováveis: incluindo uma nova Diretiva Fontes de Energia Renováveis para 2030; melhores práticas de consumo próprio de energia proveniente de fontes renováveis e regimes de apoio; política de sustentabilidade no domínio da bioenergia.

Comissão

2015-2017

X

X

X

Orientações sobre melhores práticas de consumo próprio de energia proveniente de fontes renováveis, adotadas em 15 de julho de 2015 (SWD (2015) 141)

Propostas legislativas adotadas em 30 de novembro de 2016 (COM(2016)767)

Comunicação sobre a produção de energia a partir de resíduos

Comissão

2016

X

X

Comunicação adotada em 26 de janeiro de 2017 (COM(2017)34)

Ação climática

Proposta legislativa de revisão do regime de comércio de licenças de emissão da UE, 2021-2030

Comissão

2015

X

X

X

Proposta adotada em 15 de julho de 2015 (COM(2015)337)

Negociações interinstitucionais em curso; a próxima etapa no Conselho consiste em chegar a acordo sobre uma posição do Conselho; a próxima etapa no PE consiste numa votação em sessão plenária, prevista para fevereiro de 2017

Proposta legislativa sobre o âmbito de aplicação do regime de comércio de licenças de emissão da UE ao setor da aviação, cuja adoção se prevê em 2017

Propostas legislativas sobre a decisão relativa à partilha de esforços e à inclusão do uso dos solos, reafetação dos solos e silvicultura (LULUCF) no quadro político para o clima e a energia no horizonte de 2030

Comissão

2016

X

Propostas legislativas adotadas em 20 de julho de 2016 [COM(2016)482) (setores não abrangidas pelo RCLE)]; COM(2016) 479 (LULUCF))

Ações no domínio dos transportes

Fixação de preços justos e eficientes para um transporte sustentável – Revisão da Diretiva «Eurovinheta» e do quadro para a promoção do sistema europeu de portagens eletrónicas

Comissão

2016

X

X

Prevista para 2017; execução da estratégia para a mobilidade com baixas emissões

Revisão das regras de acesso ao mercado de transportes rodoviários com vista a melhorar a sua eficiência energética

Comissão

2016

X

X

Prevista para 2017; execução da estratégia para a mobilidade com baixas emissões

Plano diretor para a implantação de sistemas de transporte inteligentes cooperativos

Comissão

Estados-Membros

Indústria

2016

X

X

X

Comunicação adotada em 30 de novembro de 2016 (COM(2016)766)

Revisão dos regulamentos que fixam as normas de desempenho em matéria de emissões com vista a estabelecer objetivos pós-2020 para os automóveis de passageiros e veículos comerciais ligeiros

Comissão

2016-2017

X

X

X

Prevista para 2017; execução da estratégia para a mobilidade com baixas emissões

Estabelecimento de um sistema de monitorização e de comunicação de informações sobre veículos pesados (camiões e autocarros), com vista a melhorar a informação ao comprador

Comissão

2016-2017

X

X

X

Prevista para 2017; execução da estratégia para a mobilidade com baixas emissões

Revisão da diretiva relativa à promoção de veículos de transporte rodoviário não poluentes e eficientes do ponto de vista energético

Comissão

2017

X

X

Prevista para 2017; execução da estratégia para a mobilidade com baixas emissões

Comunicação sobre a descarbonização do setor dos transportes, incluindo um plano de ação para os biocombustíveis de segunda e terceira geração e outros combustíveis alternativos e sustentáveis

Comissão

2017

X

X

X

Comunicação sobre a Estratégia Europeia de Mobilidade Hipocarbónica, adotada em 20 de julho de 2016 (COM(2016)501)

Vertente de combustível parcialmente abrangida pela proposta legislativa adotada em 30 de novembro de 2016 (COM(2016) 767) (diretiva relativa às energias renováveis)

Eficiência energética

Revisão da Diretiva Eficiência Energética

Comissão

2016

X

X

X

X

Propostas legislativas adotadas em 30 de novembro de 2016 (COM(2016)761)

Documento de trabalho sobre as boas práticas em matéria de eficiência energética (SWD(2016) 404

Revisão da Diretiva Desempenho Energético dos Edifícios, incluindo a iniciativa Financiamento Inteligente para Edifícios Inteligentes

Comissão

2016

X

X

X

X

Propostas legislativas adotadas em 30 de novembro de 2016 (COM(2016)765);

O financiamento inteligente para edifícios inteligentes insere-se na iniciativa Edifícios (anexo 1 à Comunicação COM(2016) 860)

Revisão do quadro para a eficiência energética dos produtos (Diretivas Rotulagem Energética e Conceção Ecológica)

Comissão

2015

X

X

X

X

Proposta de Regulamento relativo à rotulagem energética adotada em 15 de julho de 2015 (COM(2015)341)

Foi alcançado um acordo no âmbito do trílogo sobre todas as questões de fundo; as questões processuais em aberto deverão ser resolvida no 1.º semestre de 2017

Plano de trabalho sobre a conceção ecológica adotado em 30 de novembro de 2016 (COM(2016)773); 8 medidas adotadas em paralelo

Reforço da utilização direcionada dos instrumentos financeiros com vista a apoiar os investimentos na eficiência energética

Comissão

2015-

X

X

Comunicação «A Europa investe de novo – Ponto de situação sobre o Plano de Investimento para a Europa», adotada em 1 de junho de 2016 (COM(2016) 359).

Comunicação «Reforçar o investimento europeu em prol do emprego e do crescimento: Rumo à segunda fase do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos e novo Plano de Investimento Externo Europeu», adotada em 14 de setembro de 2016 (COM(2016) 581)

Proposta legislativa de prolongamento da vigência do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE) (COM(2016) 597)

Proposta legislativa de revisão do Regulamento Financeiro e diversos regulamentos setoriais para uma maior simplificação e flexibilidade, nomeadamente para uma utilização mais eficaz dos instrumentos financeiros (COM(2016) 605)

Ver igualmente as ações facilitadoras, incluindo a iniciativa «Edifícios», incluídas no pacote «Energias limpas para todos os europeus», de 30 de novembro de 2016, (COM(2016) 860, anexo 1)

Aquecimento e refrigeração

Estratégia da UE para o aquecimento e a refrigeração – contribuição do setor do aquecimento e da refrigeração para a realização dos objetivos da UE em matéria de energia e de clima

Comissão

2015

X

X

X

X

X

Comunicação adotada em 16 de fevereiro de 2016 (COM(2016)51)

Abrangido pelas propostas legislativas que se inseriam no pacote «Energias limpas para todos os europeus», de 30 de novembro de 2016

Política externa em matéria de energia e de clima

Diplomacia da política energética e climática da UE

Comissão

AR/VP

Estados-Membros

2015

X

X

X

X

Conclusões do Conselho sobre a diplomacia climática, adotadas pelo Conselho Negócios Estrangeiros em 20 de julho de 2015 (11029/15)

Conclusões do Conselho sobre a diplomacia energética adotadas pelo Conselho Negócios Estrangeiros em 20 de julho de 2015 (10995/15)

Conclusões do Conselho sobre a diplomacia climática europeia, adotadas pelo Conselho Negócios Estrangeiros em 15 de fevereiro de 2016 (6061/16)

Conclusões do Conselho sobre a energia e o desenvolvimento, adotadas pelo Conselho dos Negócios Estrangeiros (Desenvolvimento) em 28 de novembro de 2016 (14839/16).

Conclusões do Conselho sobre o reforço das sinergias entre a diplomacia da UE no domínio da energia e do clima – previstas para o Conselho dos Negócios Estrangeiros de 6 de março de 2017

Revisão da Decisão relativa ao mecanismo de intercâmbio de informações no respeitante aos acordos intergovernamentais entre Estados-Membros e países terceiros no domínio da energia

Comissão

AR/VP

2016

X

X

Comunicação adotada em 16 de fevereiro de 2016 (COM(2016)53)

Compromisso político acordado em formato de trílogo em dezembro de 2016

Lançamento ou reforço do diálogo sobre energia com países relevantes para a política energética da UE

Comissão

AR/VP

2015 -

X

X

X

X

X

Em curso

Memorando de entendimento sobre o reforço da parceria estratégica com a Ucrânia

Comissão

AR/VP

Parlamento Europeu

Conselho

2015

X

X

Assinado durante a Cimeira UE-Ucrânia de 24 de novembro de 2016

Memorando de entendimento trilateral sobre condutas transcaspianas com o Azerbaijão e o Turquemenistão

Comissão

AR/VP

Parlamento Europeu

Conselho

2015

X

X

Declaração de Asgabade proferida pelo Turquemenistão, pela Turquia, pelo Azerbaijão e pela Geórgia, assinada em 1 de maio de 2015; sem mais negociações sobre um Memorando de Entendimento trilateral

Iniciativa para reforçar a Comunidade da Energia

Comissão

Partes Contratantes na Comunidade da Energia

AR/VP

2015

X

X

Decisões fundamentais tomadas no Conselho Ministerial da Comunidade da Energia em outubro de 2015 e setembro de 2016

Seguir-se-á um ato conjunto sobre segurança do aprovisionamento

Cooperação euromediterrânica reforçada nos setores do gás, da eletricidade, da eficiência energética e das fontes de energia renováveis

Comissão

AR/VP

2015-2016

X

X

Plataforma do gás lançada em junho de 2015

Plataforma do mercado regional da eletricidade lançada em outubro de 2015

Plataforma das fontes de energia renováveis e da eficiência energética lançada em 2016

Adoção e assinatura de uma nova Carta Internacional da Energia em nome da UE e da EURATOM

Comissão

AR/VP

2015

X

X

Carta Internacional da Energia coassinada pela Comissão Europeia na conferência realizada na Haia em 20 e 21 de maio de 2015.

Competitividade industrial

Nova abordagem europeia para a I&D no domínio da energia com vista a acelerar a transformação do sistema energético, que será composta por

- um Plano Estratégico Integrado para as Tecnologias Energéticas (Plano SET)

- uma agenda estratégica de investigação e inovação no domínio dos transportes

Comissão

2015-2017

X

Comunicação sobre o Plano Estratégico Integrado para as Tecnologias Energéticas (SET) adotada em 15 de setembro de 2015 (C (2015) 6317)

Plataforma de Especialização Inteligente sobre a Energia lançada em 2015

Comunicação «Acelerar o ritmo da inovação no domínio das energias limpas», adotada em 30 de novembro de 2016 (COM(2016) 763)

Prevê-se uma agenda estratégica de investigação & inovação no domínio dos transportes em 2017

Análise dos preços e custos da energia (incluindo impostos e subsídios)

Comissão

2016 e, a partir daí, de 2 em 2 anos

X

Relatório adotado em 30 de novembro de 2016 (COM(2016)769)

Iniciativa no domínio da liderança mundial da UE em termos tecnológicos e de inovação em matéria de energia e de clima com vista a promover o crescimento e o emprego

Comissão

2015-2016

X

X

X

Relacionada com a aceleração do ritmo da inovação no domínio das energias limpas (ver supra)

Reforço da política comercial com vista a facilitar a exportação de tecnologias da UE

Comissão

2015-2019

X

X

X

Em curso

Medidas transversais

Revisão das orientações relativas aos auxílios estatais à proteção ambiental e à energia

Comissão    

2017-2019

X

X

X

X

X

Relatório sobre a estratégia europeia em matéria de segurança energética, incluindo uma plataforma e um roteiro para a Euromed e estratégias para o GNL, o armazenamento de energia e o corredor meridional do gás

Comissão

2015-2016

X

X

X

X

X

Relatório (SWD) adotado em 18 de novembro de 2015 (SWD(2015)404)

Comunicação relativa ao GNL e ao armazenamento de gás, adotada em 15 de setembro de 2016 (C (2016) 49)

Dados, análises e informações para a União da Energia: iniciativa que reúne e torna mais facilmente acessíveis todos os conhecimentos pertinentes de que a Comissão e os Estados-Membros dispõem

Comissão

2016

X

X

X

X

X

Em curso

Adotado o Regulamento (UE) 2016/1952 relativo às estatísticas europeias sobre os preços do gás natural e da eletricidade

Energia nuclear

Regulamento do Conselho que atualiza os requisitos de informação previstos no artigo 41.º do Tratado Euratom à luz da estratégia europeia de segurança energética

Comissão

2015

X

X

Previsto para 2017

Comunicação sobre um programa indicativo nuclear (PINC) nos termos do artigo 40.º do Tratado Euratom

Comissão

2015

X

X

Comunicação adotada em 4 de abril de 2016 para parecer do Comité Económico e Social Europeu (CESE) (COM(2016)177)

Prevê-se a adoção em 2017 da versão final, tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social Europeu (CESE)

Início

Bruxelas, 1.2.2017

COM(2017) 53 final

ANEXO

As cinco dimensões da União da Energia: observações estratégicas formuladas a nível dos Estados-Membros e da UE

à

COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO PARLAMENTO EUROPEU, AO CONSELHO, AO COMITÉ ECONÓMICO E SOCIAL EUROPEU E AO BANCO EUROPEU DE INVESTIMENTO

Segundo Relatório sobre o Estado da União da Energia


As principais observações que podem ser extraídas da evolução registada a nível nacional em 2016 encontram-se sintetizadas nas presentes observações estratégicas. Estas observações constituem a base para uma análise mais aprofundada das políticas dos Estados-Membros que a Comissão tenciona realizar em 2017.

Planos nacionais para a energia e o clima

Um pequeno número de Estados-Membros já está a avançar com a elaboração dos seus planos nacionais integrados para a energia e o clima no que se refere ao período de 2021 a 2030, que devem incluir os contributos nacionais para a consecução dos objetivos da União da Energia, bem como das metas energéticas e climáticas para 2030. Contudo, a maior parte dos Estados-Membros têm ainda de desencadear este processo ou de acelerar o ritmo dos seus trabalhos neste domínio.

Segurança energética

Em 22 Estados-Membros, a dependência líquida total face às importações diminuiu entre 2005 e 2014, o que aponta para uma melhoria da segurança energética. Estas tendências positivas foram apoiadas pelo aumento da produção interna de energias renováveis (por exemplo, na Áustria, na Estónia, na Irlanda, em Itália, na Letónia, em Portugal ou em Espanha) e pela quebra da procura geral de energia, que se deveu, igualmente, ao aumento da eficiência energética. No mesmo período, a dependência líquida total face às importações aumentou significativamente em alguns países, devido à diminuição da produção interna de combustíveis fósseis (Dinamarca, Polónia, Reino Unido) ou ao encerramento de centrais nucleares (Lituânia). Certos projetos de infraestrutura previstos poderão igualmente ter uma incidência na dependência energética de vários EstadosMembros.

A União Europeia continua a importar mais de metade das suas necessidades energéticas, mas está a realizar progressos no sentido de diversificar as fontes, as rotas e os fornecedores de energia. Contudo, alguns Estados-Membros ainda estão completa ou substancialmente dependentes do fornecimento proveniente de um único país terceiro, nomeadamente a Bulgária, a Estónia, a Finlândia, a Hungria, a Lituânia e a Eslováquia, sobretudo no que respeita ao gás, mas muitas vezes também ao petróleo e/ou ao carvão.

A disponibilização de novas interligações e de terminais de gás natural liquefeito (GNL) facilitaram a melhoria da segurança do aprovisionamento de gás nos últimos três anos. Estas melhorias, para além de serem benéficas para o mercado interno do gás, aumentaram a possibilidade de os Estados-Membros substituírem as rotas principais/tradicionais em caso de rutura do abastecimento. Atualmente, é maior a percentagem de procura de gás que pode ser satisfeita através de canais alternativos, havendo apenas dois Estados-Membros que não conseguiriam substituir integralmente a sua fonte de gás mais importante em caso de rutura 1 : Bulgária e Portugal.

Continua a ser necessário melhorar as interligações de gás entre os Estados-Membros (por exemplo, Croácia, Hungria, Roménia, Bulgária e Grécia; Portugal e Espanha com França), bem como assegurar que os consumidores e os fornecedores disponham de acesso a plataformas de abastecimento de gás com liquidez e possam beneficiar das capacidades de gás natural liquefeito (GNL) e das interligações que determinados países têm vindo a desenvolver ou que denotam potencialidades neste domínio.

Mercado interno da energia

Infraestrutura de eletricidade

São necessárias interligações de eletricidade e o reforço de linhas internas para aprofundar a integração do mercado interno da eletricidade, por exemplo no sudoeste da Europa e na Europa do Norte e Oriental (por exemplo, Alemanha, Polónia e República Checa), ou para sincronizar os Estados Bálticos com a rede europeia de eletricidade. Há 11 Estados-Membros que ainda não atingiram a meta de 10 % de interligação de eletricidade estabelecida para 2020 (Bulgária, Chipre, Alemanha, Espanha, França, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Roménia e Reino Unido), pelo que devem prosseguir os seus esforços neste contexto. Certos Estados-Membros não atingiram o seu objetivo em matéria de interligação porque o aumento recente da capacidade instalada de geração de energias renováveis foi mais rápido do que o aumento da capacidade de interligação.

A gestão dos congestionamentos continua a ser um problema para sete EstadosMembros (Áustria, República Checa, Dinamarca, Alemanha, Hungria, Polónia e Eslováquia). Esta situação requer uma solução que facilite os fluxos transfronteiriços de eletricidade na Europa Central e em toda a União, assegurando, simultaneamente, a segurança do sistema.

Mercados grossistas

Muitos Estados-Membros realizaram bons progressos na abertura dos seus mercados grossistas à concorrência e este facto traduziu-se em benefícios significativos. No entanto, existem importantes diferenças entre os Estados-Membros e muitos deles ainda não aplicaram integralmente as regras que permitem mercados competitivos e líquidos, nomeadamente mercados grossistas de gás. Acresce que, em alguns EstadosMembros, há empresas que ainda detêm um poder de mercado significativo. A concorrência continua, pois, a ser essencial para assegurar mercados abertos e competitivos.  

A nível regional, até meados de 2015 a maioria dos mercados grossistas de eletricidade europeus estava ligada a um ou vários mercados de países vizinhos. Devido em grande medida à queda dos preços do carvão e do gás, à penetração progressiva das energias renováveis no setor da energia e à moderação da procura, entre 2013 e 2015 os preços grossistas da eletricidade desceram na maior parte dos Estados-Membros. As disparidades regionais permaneceram significativas, com os preços mais elevados a serem praticados no Reino Unido e no sul da Europa e os mais baixos nos países escandinavos.

Os preços grossistas do gás desceram em todos os EstadosMembros entre 2013 e 2015, período em que a fraca procura, o excesso de oferta nos principais mercados regionais, os baixos preços do petróleo e as importações estáveis de gás natural liquefeito (GNL) exerceram pressão sobre os preços do gás. Contrariamente ao que acontece no mercado da eletricidade, verificou-se uma clara convergência dos preços nacionais, facilitada por preços do petróleo mais baixos, que permitiram que os preços indexados ao petróleo se aproximassem dos preços das plataformas do noroeste da Europa.

Mercados retalhistas e consumidores

Contrariamente aos preços grossistas, os preços de venda a retalho do gás e da eletricidade aumentaram, de modo geral, nos últimos cinco anos. No caso da eletricidade, a crescente carga de impostos e taxas sobre o preço de retalho contribui para esta evolução. Os mercados retalhistas da eletricidade e do gás assumem ainda um âmbito nacional (ou um nível subnacional). São necessários esforços renovados para promover a integração do mercado regional. Em alguns casos, poderá ser necessária a aplicação rigorosa das regras da concorrência.

Embora vários Estados-Membros tenham abandonado recentemente a regulação dos preços no consumidor final (Irlanda, Letónia), os preços para os agregados familiares continuam a ser regulados numa medida distinta em cerca de metade dos Estados-Membros, o que pode constituir um obstáculo à participação do lado da procura e à concorrência no setor do retalho.

Capacitar os consumidores através da utilização alargada de contadores inteligentes apenas foi assegurado de forma eficaz em alguns Estados-Membros (nomeadamente Finlândia, Itália, Suécia e Malta). Na Estónia, em Espanha e na Dinamarca, cerca de metade dos agregados familiares já dispõem de contadores de eletricidade inteligentes. Quanto às taxas de penetração de contadores de gás inteligentes, só os Países Baixos realizaram progressos significativos, dispondo quase 30 % dos agregados familiares de contadores inteligentes. Em vários Estados-Membros, os encargos administrativos constituem um obstáculo à mudança dos consumidores para novos fornecedores e melhores condições contratuais.

A pobreza energética constitui uma preocupação para muitos EstadosMembros. Em média, na União Europeia, os agregados familiares de baixos rendimentos consagram 8,6 % das suas despesas a fins relacionados com a energia. Além disso, na maior parte dos Estados-Membros esta quota tem vindo a aumentar desde 2005. Ademais, uma percentagem crescente desses agregados familiares (23 % em 2015) não dispõe de recursos financeiros suficientes para aquecer as suas casas a uma temperatura adequada. Os EstadosMembros necessitam de medidas mais orientadas para ajudar os consumidores vulneráveis a combater eficazmente a pobreza energética.

Eficiência energética

Foram realizados progressos consideráveis no que respeita à eficiência energética. Em 2014, o consumo de energia primária 2 da União Europeia foi superior em apenas 1,6 % à meta para o consumo de energia primária para 2020, tendo o consumo de energia final 3 no mesmo ano sido já inferior à meta acordada também para 2020. Muito embora o consumo de energia primária e final deva aumentar cerca de 1,5 % e 2 %, respetivamente, em 2015 face a 2014, ainda é possível alcançar as metas para 2020, se forem adotadas as medidas necessárias.

As políticas de eficiência energética contribuem significativamente para a diminuição do consumo de energia e para a descarbonização, e podem contribuir igualmente para melhorar a qualidade do ar. É necessário redobrar esforços para renovar os edifícios existentes no intuito de reduzir o consumo geral de energia e as faturas de energia dos consumidores, bem como para tornar o parque imobiliário da União Europeia mais inteligente e mais sustentável. Neste contexto, as condições de financiamento de investimentos em eficiência energética nos EstadosMembros têm de ser melhoradas, nomeadamente mediante a consolidação de sinergias entre promotores e financiadores, bem como mediante a promoção do agrupamento de projetos. As novas competências e as tecnologias da informação e da comunicação (TIC) apresentam grandes potencialidades no sentido de contribuir para a melhoria da eficiência energética. A maior parte dos EstadosMembros deve ainda realizar progressos para explorar potencialidades remanescentes no que respeita à eficiência energética no setor dos transportes.

Descarbonização

Em 2013 e 2014, 27 EstadosMembros produziram emissões abaixo dos respetivos limites anuais fixados na Decisão Partilha de Esforços 4 . Malta foi o único EstadoMembro que excedeu o limite de emissões para estes dois anos.

De acordo com as suas projeções baseadas em políticas já executadas, a maior parte dos EstadosMembros deverá atingir em 2020 as metas que lhes foram fixadas pela Decisão Partilha de Esforços. Alguns EstadosMembros necessitam, porém, de adotar medidas adicionais ou de recorrer a flexibilidades em 2020. Tal é o caso, nomeadamente, da Irlanda, do Luxemburgo e da Bélgica

Um contributo importante para a ação da União da Energia na União Europeia provém de receitas que os EstadosMembros geram com o leilão de licenças de emissão no âmbito do regime de comércio de licenças de emissão (RCLE) da União Europeia. No período 20132015, esses leilões geraram cerca de 11,8 mil milhões de EUR. Os EstadosMembros utilizaram ou tencionam utilizar cerca de 80 % dessas receitas para fins climáticos e energéticos. Os EstadosMembros aplicam a maior parte destas receitas a nível nacional em energias renováveis (2,89 mil milhões de EUR), eficiência energética (1,96 mil milhões de EUR) e transportes sustentáveis (730 milhões de EUR).

Todos os Estados-Membros, com exceção dos Países Baixos, apresentaram relativamente ao período de 2013-2014 quotas médias de energias renováveis iguais ou superiores à respetiva trajetória indicativa segundo a Diretiva «Energias Renováveis». De acordo com as estimativas 5 , 25 EstadosMembros superaram as respetivas trajetórias indicativas para 20152016 em 2015. Três EstadosMembros (França, Países Baixos e Luxemburgo) apresentaram quotas estimadas de energias renováveis para 2015 inferiores à sua trajetória indicativa para 20152016.

Contudo, os Estados-Membros terão de prosseguir e alguns deles mesmo reforçar os esforços por eles envidados para alcançar as suas metas vinculativas para 2020, porquanto a trajetória se torna mais acentuada à medida que se aproxima 2020.

A infraestrutura para combustíveis alternativos nos transportes é fundamental para permitir a mobilidade com um baixo nível de emissões. Nos termos da Diretiva «Combustíveis Alternativos» 6 , os EstadosMembros devem apresentar quadros de ação nacionais para a criação da infraestrutura de combustíveis alternativos até novembro de 2016. A maior parte dos EstadosMembros ainda não cumpriu esta obrigação.

Investigação, inovação e competitividade

A indústria, os institutos de investigação e os intervenientes académicos inovadores europeus estão geralmente bem posicionados no contexto energético mundial. Dispondo de 30 % das patentes mundiais em matéria de energias renováveis, a União Europeia é líder na inovação tecnológica hipocarbónica. Todavia, é necessário ir mais longe para colocar estas inovações no mercado rapidamente e com êxito, bem como transformá-las em fonte de crescimento e oportunidades de emprego, devendo as mesmas para o efeito visar o mercado interno e os mercados de exportação.

Os números mais recentes, de 2014, mostram que o investimento total em investigação e inovação (público e privado) na UE 28 aumentou 22 % desde 2010 nas prioridades de investigação e inovação da União da Energia. O setor privado é responsável por este aumento, detendo o setor dos transportes sustentáveis a quota mais elevada de todo o investimento privado, com 43 %. O investimento público nacional diminuiu ligeiramente durante o mesmo período, com exceção do setor do sistema de energia inteligente, tanto em termos absolutos como em percentagem do produto interno bruto (PIB). O investimento público representa agora apenas 15 % do total do investimento global.

Comparativamente com os seus principais parceiros económicos, em 2014 a indústria transformadora europeia denotava o segundo menor custo unitário real de energia 7 , em percentagem do valor acrescentado, logo após os Estados Unidos. A China, a Rússia, o Japão e a Austrália apresentam valores substancialmente mais elevados do que a União Europeia. O bom desempenho da União Europeia explicase, principalmente, pelos baixos níveis de intensidade energética da indústria, que contribuíram para compensar os preços reais, mais elevados, da energia.

(1)

A denominada regra N-1.

(2)

«Consumo de energia primária», o consumo interno bruto, excluindo as utilizações não energéticas; artigo 3.º, n.º 2, da Diretiva «Eficiência Energética».

(3)

«Consumo de energia final», toda a energia fornecida à indústria, aos transportes, aos agregados familiares, aos serviços e à agricultura. Não inclui a energia fornecida ao setor da transformação de energia e às indústrias do setor da energia; artigo 3.º, n.º 3, da Diretiva «Eficiência Energética».

(4)

De acordo com a Decisão Partilha de Esforços, os Estados-Membros devem observar limites anuais vinculativos de redução das emissões de gases com efeito de estufa para o período de 2013–2020 nos setores não abrangidos pelo regime de comércio de licenças de emissão (RCLE) da União Europeia, como, por exemplo, os da construção, dos transportes, dos resíduos e da agricultura.

(5)

Cf. o Relatório sobre os progressos no domínio das energias renováveis (COM(2017) 57), bem como o relatório de projeções da Agência Europeia do Ambiente.(http://www.eea.europa.eu/publications/trends-and-projections-in-europe).

(6)

Diretiva 2014/94/UE relativa à criação de uma infraestrutura para combustíveis alternativos.

(7)

Cf. o Relatório sobre os indicadores fundamentais (SWD(2017) 32) para mais informações.

Início