LIVRO VERDE Reestruturação e antecipação da mudança: que lições tirar da experiência recente? /* COM/2012/07 final */
LIVRO VERDE Reestruturação e antecipação da mudança: que
lições tirar da experiência recente?
1.
Introdução: Reestruturação proativa para a competitividade e o
crescimento do futuro
O presente Livro
Verde tem como tema central a reestruturação das empresas e respetivas
consequências sociais, que constituem motivo de preocupação legítima para
muitos cidadãos europeus. A reestruturação é um fator de crucial importância
para o emprego e a competitividade da economia europeia. O presente Livro
Verde visa identificar práticas e políticas eficazes no domínio da
reestruturação e da adaptação à mudança, a fim de promover o emprego, o
crescimento e a competitividade enquanto parte da estratégia Europa 2020[1] e, em especial, a iniciativa
emblemática sobre a política industrial de Outubro de 2010[2] e a «Agenda para novas
competências e empregos», adotada em novembro de 2010[3]. O Livro Verde pretende também
contribuir para melhorar as sinergias entre todos os agentes relevantes no
sentido de dar resposta aos desafios relacionados com a reestruturação e a
adaptação à mudança e tem em consideração o importante trabalho realizado nos
últimos anos pela Comissão Europeia, os parceiros sociais, as regiões, os
Estados-Membros e muitos outros intervenientes[4]. A Comissão
pretende renovar os termos deste debate político, à luz das ilações retiradas
da crise económica, das profundas alterações nos contextos económico e
concorrencial a nível mundial e da agenda de reforma estrutural atualmente em
curso na UE[5]. Nesta perspetiva,
a Comissão terá por base os resultados da presente consulta para considerar
novas formas de eficazmente divulgar e implementar boas práticas, nomeadamente
a nível da UE, para dar resposta às preocupações imediatas suscitadas pela
crise económica e, ao mesmo, não descurar os objetivos de competitividade a
longo prazo, tal como identificados na iniciativa emblemática sobre política
industrial. A Comissão incluirá os resultados da consulta lançada pelo presente
Livro Verde na renovada agenda de flexigurança, visando também reorientar o
debate a nível da UE em torno de uma possível abordagem e enquadramento da
reestruturação. Na iniciativa
emblemática sobre política industrial, a Comissão afirmou que «a atualização de
orientações em matéria de reestruturação pode ser muito útil para reforçar a
capacidade de adaptação das empresas e da mão-de-obra a um ambiente económico
em rápida transformação». Esta atualização poderá também «fomentar a passagem
de abordagens puramente reativas para estratégias de antecipação e garantir a
sua aplicação»[6]. O Livro Verde é acompanhado e apoiado pelo documento
de trabalho dos serviços da Comissão intitulado «Restructuring in Europe
2011» ('Reestruturação na Europa 2011'). Este documento descreve o
impacto da crise económica e financeira nos mercados de trabalho e as respostas
dos diferentes intervenientes; ilustra a ação da UE na área da antecipação das
necessidades de competências e do desenvolvimento de aptidões; destaca o papel
dos fundos da UE em apoio dos processos de reestruturação, os efeitos da
reestruturação nas regiões da UE e o papel de «estratégias de especialização
inteligente»[7];
analisa o papel do diálogo social, os instrumentos jurídicos e as medidas de
apoio dos Estados-Membros neste domínio; aponta os desafios e as respostas que
a UE lhes tem dado; e sublinha algumas das ilações retiradas nos últimos anos
em matéria de antecipação e gestão da mudança e de reestruturação. Lições da crise A economia Europeia está a sair com
dificuldade da recessão mais grave das últimas décadas.
A recessão originou uma quebra acentuada na atividade económica na UE,
resultante na perda de milhões de empregos com elevados custos humanos, e
colocou as finanças públicas sob graves pressões, deixando os Estados-Membros a
braços com condicionalismos financeiros mais rigorosos. As perspetivas para o mercado de trabalho da
UE, que se havia mostrado bastante resistente durante a recessão de 2008-2009 e
regressado à criação de emprego em finais de 2010, deterioraram-se
acentuadamente e continuam a revelar marcadas diferenças entre os países. Em
muitas economias avançadas, a criação de emprego tem sido até ao momento
insuficiente para reempregar os trabalhadores despedidos durante a crise e as
repercussões da recessão estão a suscitar preocupações crescentes relativamente
à possibilidade de persistência dos efeitos nas taxas de desemprego. Para além da
evolução divergente do PIB, entre os fatores relevantes que explicam as
variações nas taxas de desemprego dos Estados-Membros contam-se os graus
variáveis do ajustamento dos horários de trabalho, necessidades diversas em
termos da redistribuição da mão-de-obra entre os setores (por exemplo do setor
da construção para outros), diferenças nos sistemas de educação e formação,
nomeadamente no que respeita aos regimes de estágios, condições económicas e
institucionais distintas e respostas políticas divergentes à recessão. Pese embora a
situação extremamente negativa do mercado e das finanças, de um modo geral, as
empresas e respetivos trabalhadores em toda a Europa deram provas de
criatividade, ao encetar processos de reestruturação construtivos, eficazes
e fundamentais para limitar a perda de postos de trabalho, graças a
práticas inovadoras implementadas muitas vezes com o apoio das autoridades
públicas e da Comissão Europeia. A comunicação da Comissão intitulada «Plano
de Relançamento da Economia Europeia» [COM(2008) 800 final], adotada em
novembro de 2008, instituiu o quadro de uma ação coordenada a nível da UE,
envolvendo várias políticas e mobilizando os instrumentos disponíveis em apoio
da economia europeia. Neste contexto, a política de coesão assume importância
particular enquanto principal instrumento da UE para investir na
competitividade, no crescimento e no emprego[8]. Urge analisar a
adequação desta resposta à luz das incertezas quanto ao caminho a dar à
recuperação atual e dos novos riscos que se desenham no horizonte. Os desafios da competitividade Numa perspetiva de médio prazo, o progresso
tecnológico e a inovação reduzem o ciclo de vida dos produtos e obrigam as
empresas e a mão-de-obra a ajustar-se em permanência. Além disso, as mudanças
operadas na divisão da força de trabalho a nível internacional e o
aparecimento de empresas fortes oriundas de países emergentes, em especial as
especializadas nos segmentos superiores do mercado, vêm intensificar ainda mais
as pressões competitivas s para as empresas europeias. A competitividade da
economia europeia, a salvaguarda das suas atividades e dos seus postos de
trabalho e o desenvolvimento de novos produtos e dos empregos por eles criados
dependerão cada vez mais da capacidade de as empresas europeias reforçarem a
respetiva base competitiva através da inovação e de uma rápida e fácil
adaptação à mudança. Neste sentido, a mudança tecnológica e a inovação
podem obrigar as empresas e a mão-de-obra a implementar estratégias de
ajustamento, mas há também indícios de que a inovação, conjugada com a
investigação e a educação, poder gerar vias eficazes para tirar a Europa da
crise. A Comissão lançou a iniciativa emblemática intitulada «União da
Inovação» em 2010 e deu conta do estado da União da Inovação em 2011[9]. As empresas reorientam recursos de indústrias
e setores produtores de bens e serviços tradicionais, geralmente com pouca
elasticidade da procura relativamente ao rendimento mundial, para setores e
indústrias com uma componente tecnológica e cognitiva mais importante,
normalmente marcados pela forte elasticidade da procura relativamente ao
rendimento mundial. A competitividade da UE depende da sua capacidade de criar
condições de enquadramento propícias ao desenvolvimento de empresas inovadoras
de crescimento rápido, importantes para o crescimento sustentável e a geração
de postos de trabalho[10].
Dependerá igualmente da capacidade de reter e desenvolver uma base produtiva na
Europa que, por seu turno, estimulará a economia dos serviços. As empresas têm de ser capazes de se adaptar à
internacionalização da produção mundial e dar respostas ao desafio da
competitividade. Eventuais obstáculos a esta adaptação são suscetíveis de
prejudicar a competitividade e o emprego a longo prazo. O estabelecimento de
condições de enquadramento, tal como sublinhado pela iniciativa emblemática
relativa à política industrial, é crucial para o êxito do ajustamento
económico. Para que as medidas de ajustamento sejam bem-sucedidas é necessário
que todos os agentes relevantes sejam associados ao processo o mais cedo
possível. Um acesso adequado ao financiamento assume relevância particular, na
medida em que a falta de crédito e um acesso limitado ao financiamento pode
atrasar ou mesmo travar os investimentos. Há que identificar e divulgar boas
práticas neste domínio. O desafio da
adaptabilidade das empresas e da empregabilidade dos trabalhadores – as
empresas no cerne do processo de reestruturação O desenvolvimento dos recursos humanos e o
reforço das competências são fundamentais neste contexto, pelo que a UE tem de
usar a experiência recente para reafirmar a sua posição competitiva a nível
mundial e, assim, sair reforçada deste processo, transformando-se numa economia
inteligente, sustentável e inclusiva, capaz de gerar níveis elevados de
emprego, produtividade, competitividade e coesão social. Os resultados positivos em termos de
exportações registados por alguns Estados-Membros revelam que o êxito nos
mercados mundiais depende não apenas da competitividade a nível dos preços, mas
também de outros fatores, como a especialização setorial de produtos, a
inovação e os níveis de competências. Nestas áreas, as fragilidades existentes
antes da crise estão a tornar-se manifestamente óbvias. Ao longo das últimas décadas, a UE construiu
um forte sistema de proteção social e do emprego que, conjugado com o nível
relativamente elevado de habilitações, tem estado na base da sua prosperidade
económica e social até ao momento. Não obstante, os novos agentes na cena
económica mundial e as envolventes empresariais em rápida mutação põem à prova
um sistema até agora pleno de eficácia na geração de emprego e crescimento.
Torna-se cada vez mais evidente que, sem mudanças, este sistema é inadequado
para garantir uma reafetação rápida e fluida dos recursos, em especial os
recursos humanos, das atividades em declínio para os setores emergentes. É
também cada vez menos capaz de dar oportunidades reais de evolução profissional
aos trabalhadores cujos postos de trabalho estão ameaçados, porque não
desenvolvem a sua capacidade de se adaptarem à mudança. A recente crise económica e financeira e o
resultante imperativo de mudança estrutural tornam as respostas a estas
fragilidades mais urgentes do que nunca. Em linha com a abordagem de
flexigurança e a estratégia Europa 2020[11],
a Comissão pretende encorajar a adaptação permanente das empresas a um
contexto económico em rápida mutação, visando ao mesmo tempo um elevado nível
de emprego e de proteção social através de medidas de apoio adequadas.
As medidas de apoio à reafetação de recursos entre empresas e profissões são
fortemente necessárias. Entre estas contam-se alterações à legislação de
proteção do emprego e práticas empresariais em matéria de reestruturação que
não impeçam a reafetação de recursos para atividades de maior valor
acrescentado e rápido crescimento, mas também políticas adequadas de formação e
ativação que, juntamente com sistemas de prestações de desemprego bem concebidos,
orientem os trabalhadores deslocados para empregos e profissões diferentes. As operações de
reestruturação fazem parte da vida quotidiana de empresas, trabalhadores,
autoridades públicas e outros agentes. Nos últimos anos, a UE investiu consideráveis
esforços e energia na prossecução de objetivos políticos que facilitem a
adaptação à mudança e a reestruturação. Contudo, apesar do trabalho louvável
dos parceiros sociais europeus nesta área na sequência de anteriores consultas
lançadas pela Comissão, a capacidade de adaptação das empresas, dos
trabalhadores e das regiões tem de ser dinamizada. O papel das
autoridades nacionais, regionais e locais na conversão económica e social A crise atingiu
setores industriais inteiros e, por conseguinte, regiões inteiras,
independentemente de fronteiras nacionais. Tal facto veio agravar as
desigualdades geográficas persistentes, tanto nas como entre as regiões, que
prejudicam o mercado único. O apoio que as
autoridades públicas prestam a operações de reestruturação e a processos para
as antecipar, facilitando a coordenação entre os agentes externos e as
empresas, favorece uma abordagem proativa e dinâmica da reestruturação. As regiões, em conjugação com os países,
desempenham um papel fundamental para promover a especialização inteligente e
há que analisar formas de o reforçar. O serviço público, um importante
empregador Ainda que a tónica do presente Livro Verde seja o setor industrial, o
impacto da crise no setor público deve também merecer atenção, atendendo ao
papel importante que assume enquanto empregador e prestador de serviços. O emprego nos serviços públicos (incluindo a administração pública, a
educação, a saúde e o trabalho social) tem aumentado consideravelmente em
comparação com outros setores nos últimos três anos, com cerca de dois milhões
de novos postos de trabalho. No outono de 2010, porém, o crescimento abrandou e
no primeiro semestre de 2011 registou níveis negativos. O impacto dos cortes
nas despesas no setor público explica provavelmente esta inversão da tendência[12]. Na sua maioria, os cortes no
setor público afetarão as mulheres, tanto na sua qualidade de trabalhadoras
como de principais utentes de serviços como o acolhimento de crianças e os
cuidados a idosos. As atividades de muitos setores de serviços públicos são talvez mais
valiosas para a competitividade da economia do que sugerem os seus custos e
produtividade (por exemplo, porque geram um importante excedente do consumidor
ou uma melhoria da produtividade total dos fatores noutros setores). Este é
normalmente o caso de setores como a saúde, a educação, os cuidados pessoais a
crianças e idosos ou os serviços dos transportes. As autoridades públicas são direta ou indiretamente responsáveis, por
intermédio das empresas públicas ou da atribuição de concessões, por uma parte
importante do emprego nos setores dos serviços. Para além da sua
responsabilidade geral que lhe incumbe em matéria económica, devem garantir as
condições para uma transição fluida de conhecimentos e para a otimização dos recursos
humanos disponíveis nos setores sob a sua administração. Ao mesmo tempo, a
necessidade de prosseguir a consolidação das finanças públicas tem obviamente
repercussões nas atividades e no emprego do setor público. Também aqui é cada
vez mais necessário reestruturar para melhorar a eficácia. Tal facto destaca a
importância da aplicação de estratégias de reestruturação no setor público, que
tenham em devida conta o papel específico dos serviços públicos, designadamente
enquanto contributo para a produtividade do setor privado. É também oportuno questionar de que forma a antecipação e a
planificação a longo prazo em matéria de gestão da mudança e reestruturação
podem ser aplicadas ao setor público, no quadro das atuais medidas de
consolidação. Importa também ter em conta a necessidade de reestruturar
serviços públicos fundamentais como os cuidados de saúde e garantir a sua
viabilidade a longo prazo à luz da procura crescente.
2.
Lições da crise
O impacto da crise financeira na economia real
começou a sentir-se com gravidade em 2009, quando o PIB registou uma diminuição
sem precedentes de um lado e outro do Atlântico. Imediatamente após a recessão,
o emprego mostrou ser muito resistente na Europa, em especial devido aos
importantes ajustamentos feitos em termos do tempo de trabalho. Desde a segunda
metade de 2009, porém, as perdas de postos de trabalho generalizaram-se e o
desemprego disparou na maioria dos países da UE, ainda que com acentuadas
diferenças. A retoma ganhou ânimo na primeira metade de 2010, mas estagnou no
resto do ano, refletindo igualmente a diluição de fatores temporários como as
medidas de estímulo excecionais. Pese embora a recuperação da produção, o
crescimento do emprego só foi retomado em finais de 2010 e o desemprego
permaneceu nos níveis elevados atingidos em 2009[13]. A tendência geral do emprego refletiu
diferentes padrões a nível setorial. Ainda que, numa fase inicial, o aumento do
desemprego tenha afetado com maior incidência as indústrias mais expostas ao
ciclo empresarial e que só parcialmente podiam recorrer ao ajustamento do tempo
de trabalho, em especial o setor da construção, confirma-se agora que uma parte
deste aumento é já estrutural. Pese embora a generalização de regimes de
trabalho de curta duração, o emprego diminuiu também no setor transformador e
manteve a sua tendência descendente durante a recuperação. Estes padrões podem
explicar-se pelo ajustamento resultante da recessão mundial em determinados
setores com capacidades excedentárias e pelo facto de as perdas do PIB durante
a recessão correrem o risco de ser tornarem permanentes. A necessidade de reorientar trabalhadores de
setores pouco produtivos para outros de elevada produtividade pode efetivamente
conduzir a períodos de desemprego mais prolongados e a uma elevada taxa de
desemprego estrutural, o que terá efeitos negativos no capital humano e
agravará os persistentes níveis de desemprego[14]. O ritmo a que o emprego vai regressar aos
níveis pré-crise dependerá não apenas das perspetivas de crescimento e das
diferentes condições económicas e institucionais de partida, mas também da
necessidade de reafetação setorial e da capacidade de as empresas ajustarem os
custos laborais, diretamente ou através de variações do tempo de trabalho.
Dependerá ainda da presença de quadros políticos favoráveis, designadamente
sistemas de prestações de desemprego e políticas de ativação que proporcionem
incentivos para que os desempregados regressem ao trabalho; modalidades de
fixação salarial que facilitem o ajustamento dos salários; sistemas fiscais
propícios à criação de emprego; políticas ativas do mercado de trabalho e de
formação que facilitem as transições profissionais e o regresso ao trabalho dos
desempregados de longa duração. A experiência
durante a crise económica demonstra que, pese embora a situação extremamente
negativa do mercado e das finanças, de um modo geral, as empresas e respetivos
trabalhadores em toda a Europa encetaram processos de reestruturação
construtivos, eficazes e fundamentais para limitar a perda de postos de trabalho,
graças a disposições inovadoras. Tal como foi
sublinhado no relatório de 2009 do European Restructuring Monitor
intitulado Reestruturing in recession[15],
em resposta à crise, muitas empresas na Europa empreenderam iniciativas para
manter empregos, na sua maioria medidas de redução do tempo de trabalho (ver
caixa). Entre estas contam-se paragens da produção, a obrigatoriedade de
tirar férias anuais, semanas ou jornadas de trabalho mais curtas, um recurso
acrescido às contas de tempo de trabalho, rotações de licenças e períodos
sabáticos. Em algumas empresas, os níveis salariais foram ajustados em baixa,
não sendo raros cortes temporários de 10-20%. A maioria das empresas recorreu a
diferentes combinações destas medidas e intensas negociações conduziram
a todo o tipo de compromissos, de que é exemplo a redução de salários em troca
de uma participação na empresa. Generalizaram-se também as indemnizações por
cessação de funções, por vezes conjugadas com a reforma antecipada. Mais do que nunca,
o diálogo social e a negociação coletiva têm desempenhado um papel
crucial na adaptação da produção, da organização do trabalho e das condições
laborais às exigentes circunstâncias em rápida mutação durante a crise. Por seu lado, as
autoridades públicas multiplicaram os instrumentos públicos destinados a
promover a reinserção no mercado de trabalho de todos os trabalhadores
despedidos durante a crise. Numa fase inicial da crise, os Estados-Membros
aumentaram a capacidade de resposta e a oferta dos serviços públicos de emprego.
Não obstante, a duração prolongada da recessão levou alguns governos a cortar
despesas e a reduzir recursos na administração pública, designadamente os
serviços públicos de emprego (SPE)[16].
Alguns Estados-Membros instituíram ou reforçaram organismos de recolocação
específicos. De um modo geral, estes organismos contam com a participação
de várias partes interessadas, incluindo o Estado, as autoridades regionais, os
parceiros sociais e outros agentes locais. A sua eficácia (resultante da sua
especialização em matéria de recolocação), juntamente com os elevados níveis de
confiança gerados pelo facto de serem geridos por várias partes, torna-os
instrumentos preciosos para fazer face aos efeitos da recessão. O encurtamento
da semana laboral tem sido talvez a resposta mais inovadora à crise, uma medida
que conta muitas vezes com amplo apoio por parte do público em geral. De um modo geral, os trabalhadores foram indemnizados pelas horas
perdidas, tanto em países dotados de dispositivos públicos como naqueles em que
a redução do tempo de trabalho é regulamentada por convenção coletiva, com as
autoridades públicas a intervir no primeiro caso para complementar as
indemnizações acordadas coletivamente. A medida em que o tempo libertado por
estas medidas é ocupado com formação varia consideravelmente, assim como a
proporção em que as contribuições de segurança social se mantêm durante o
período de horário laboral reduzido. Durante a recessão
de 2008-2009, a redução dos horários de trabalho foi a principal estratégia das
empresas para poupar custos. Não obstante, esta medida enquanto resposta à
crise nem sempre é viável. No seio das empresas, a redução temporária do tempo
de trabalho é possível quando as contas de tempo de trabalho aculumam um saldo
positivo. Além disso, estes regimes de tempo de trabalho reduzido são
suscetíveis de perder eficácia se a procura de mão-de-obra continua baixa.
Prolongar demasiado estes regimes poderá implicar custos substanciais, na
medida em que confinam a mão-de-obra a atividades em declínio, impedindo assim
a necessária reafetação de recursos, prejudicando as perspetivas de crescimento
futuro e distorcendo a concorrência. Por último, a disponibilidade de regimes
subsidiados pelos governos depende da situação orçamental destes últimos, a
qual se tem deteriorado em vários países. Ao analisar estes
mecanismos, é importante ter em conta o facto de a sua importância e o seu
impacto, tanto na perspetiva económica como social, diferirem consideravelmente
em função dos diversos contextos nacionais e setoriais. Para tirar conclusões
sobre a sua adequação e/ou transferibilidade para outros contextos é, pois,
necessário analisar as razões do seu êxito. Redução do tempo de trabalho e regimes de trabalho de curta duração – alguns factos A análise das mudanças operadas no emprego e nos horários de trabalho em reação à quebra da produção revela que o ajustamento dos mercados de trabalho dos Estados-Membros durante a pior parte da crise foi substancialmente diferente. Enquanto nalguns países a perda de empregos foi imediata, noutros os empregadores, em certos casos apoiados pelas autoridades públicas através de regimes de trabalho de curta duração, procederam primeiro a uma redução dos horários de trabalho dos trabalhadores em vez de optar pelo seu despedimento. O gráfico que se segue demonstra que foi no primeiro trimestre de 2009, quando a produção no setor transformador atingiu o seu mínimo cíclico, que a redução do tempo de trabalho foi mais usada na UE. Na sequência da recuperação da produção média, os horários de trabalho aumentaram também, refletindo simultaneamente uma supressão dos regimes de trabalho de curta duração e, em alguns casos, um ajustamento dos efetivos. Gráfico 1: Evolução trimestral do emprego e do número médio de horas trabalhadas no setor transformador na UE (ajustada a variações sazonais) Fonte: Eurostat Se analisarmos a evolução nos Estados-Membros, a redução do tempo de trabalho foi amplamente usada em vários países no primeiro trimestre de 2009. Essas reduções foram especialmente substanciais na Alemanha, Bélgica e Áustria, que conseguiram manter o emprego em níveis idênticos aos do ano anterior. Gráfico: Variação no nível de emprego e no número médio de horas trabalhadas no setor transformador no primeiro trimestre de 2009 comparativamente ao primeiro trimestre de 2008 (ajustada a variações sazonais) Fonte: Eurostat (não existem dados disponíveis para a Itália) Parece haver alguns indícios de que os regimes de trabalho de curta duração serviram para reduzir as perdas de emprego e o aumento relacionado do desemprego nessas economias. Além do mais, estes regimes são vantajosos para as empresas, que podem assim reter trabalhadores altamente qualificados ou especializados ao longo de todo o período de recessão económica. A análise da Comissão[17] indica que estes regimes foram eficazes para diminuir o impacto da crise económica na perda de empregos, sublinhando que a sua supressão em tempo útil era necessária após a crise. O estudo destaca o risco de o uso prolongado do trabalho de curta duração sustentar a procura nos setores em declínio, atrasando possivelmente a sua reestruturação, em especial se os custos da reafetação da mão-de-obra são baixos e os incentivos à reestruturação fortes. Ao atrasar a reafetação, os regimes de trabalho de curta duração travam o crescimento da produtividade e os consequentes ganhos salariais. Para serem mais eficazes, estes regimes devem ser associados a um sistema eficiente de prestações de desemprego que promova a reafetação da mão-de-obra. Esta análise é sustentada por um estudo recente da OCDE[18] que sugere que estes regimes de trabalho de curta duração tiveram um impacto económico importante na salvaguarda de empregos na recessão, com os efeitos mais significativos a fazerem-se sentir na Alemanha e no Japão para os trabalhadores com contratos permanentes. Estes regimes contribuíram largamente para a manutenção dos níveis de emprego nestas economias. Em linha com as
recomendações formuladas no Plano de Relançamento da Economia Europeia,
os Estados-Membros introduziram pacotes de medidas anticrise para conter os
efeitos da crise financeira na procura agregada e impedir perdas de empregos
excessivas em resposta à contração temporária da produção. Para além dos
regimes de trabalho de curta duração, a cobertura e a generosidade das
prestações de emprego foram ampliadas em vários Estados-Membros. As medidas de
curto prazo incluíram também apoios diretos às empresas, como empréstimos ou
garantias para facilitar o acesso a financiamentos; redução das contribuições
sociais; programas de criação de postos de trabalho no setor público; reforço
das políticas ativas do mercado de trabalho e disposições em matéria de
formação, muitas vezes dirigidas aos trabalhadores despedidos. A partir de 2010, a recuperação incipiente,
conjugada com condicionalismos orçamentais mais rigorosos, levou à revisão das
prioridades políticas. As reformas terão de ser ajustadas a um contexto de
progressiva retoma do crescimento, mas em que a mão-de-obra não contribui ainda
plenamente para o potencial de crescimento em virtude do elevado e persistente
desemprego. A tónica tem de ser colocada em sistemas fiscais e de prestações
que garantam que o trabalho compensa; políticas de ativação que recompensem os
desempregados que regressam ao trabalho; sistemas de proteção de emprego que
equilibrem segurança e flexibilidade; evolução salarial coerente com o
reequilíbrio e as necessidades de ajustamento da economia. Muitas das medidas
centradas no mercado de trabalho tomadas com caráter de urgência no despertar
da crise foram gradualmente suprimidas. As políticas ativas do mercado de
trabalho e de formação foram reforçadas, enquanto alguns países deram início a
reformas da legislação de proteção do emprego com o objetivo de fomentar a
criação de postos de trabalho e combater a segmentação do mercado laboral. As medidas e práticas políticas em matéria de
reestruturação anteriormente referidas, com especial referência para os regimes
de redução do tempo de trabalho instituídos durante a crise, são apropriadas?
Em que contextos específicos? São também capazes de responder à falta de vigor
persistente da procura? Por último, que podem fazer os Estados-Membros, a
Comissão ou os parceiros sociais para assegurar o intercâmbio, a divulgação e o
fomento de uma aplicação mais generalizada das melhores práticas neste domínio?
3.
O desafio da competitividade: a importância de favorecer a adaptação
económica e industrial
Diferentes modalidades de adaptação para as
empresas A adaptação é parte do processo competitivo
para as empresas e constitui um meio de estas melhorarem a respetiva
produtividade. A necessidade de ajustamentos constantes resulta da evolução
tecnológica, da inovação, de uma concorrência acrescida e da emergência de
novos concorrentes, de mudanças nas preferências dos consumidores e na
legislação, da disponibilidade e do preço dos recursos e de outros fatores de
produção, do acesso ao mercado, etc.[19]. A pressão no sentido da mudança que pode surgir em tempos normais
acentua-se durante os períodos alargados de fraca atividade económica. As
empresas que não consigam adaptar-se à evolução das condições deixarão de poder
acompanhar os seus concorrentes no longo prazo. A adaptação pode, pois, ser considerada no
contexto de um processo de reafetação de recursos, no âmbito do qual as
estruturas produtivas existentes são ameaçadas e possivelmente substituídas por
novas estruturas e empresas mais eficazes e competitivas. Com uma base cada vez
mais qualificada e intensiva em capital e tecnologia, a indústria da UE tornar-se-á
ainda mais integrada em cadeias de valor internacionais porque o
aprovisionamento mundial se torna mais complexto e é necessário dar resposta
aos mercados globais em expansão. Esta adaptação pode assumir a forma de mudança
das atividades da empresa, isto é, alargamento ou redução da gama de
atividades, alteração da sua posição na cadeia de valor, atividades derivadas (spin-offs)
e empreendedorismo interno, novas utilizações de ativos, consolidação dos
balanços, melhorias das competências e da formação e/ou mudanças
organizacionais na gestão da empresa. Em termos concretos, estão a emergir
novos modelos empresariais que associam mais estreitamente a indústria
transformadora e os serviços. O desenvolvimento de soluções inovadoras, tais
como métodos de produção mais eficientes em termos de recursos, ou de novas
tecnologias, designadamente materiais avançados ou nanotecnologias, pode ter
implicações nas decisões de externalização, etc. Estas são algumas das
atividades que qualquer empresa sólida deverá integrar na sua dinâmica
quotidiana para se manter competitiva. Condições de enquadramento necessárias a
uma adaptação eficaz De um modo geral, as empresas e os setores
conhecem melhor as respetivas necessidades de reestruturação. Para conseguir
uma adaptação eficaz, as empresas têm de operar numa envolvente cujas condições
gerais a favoreçam. Eventuais obstáculos aos ajustamentos necessários
prejudicarão a competitividade e o emprego a longo prazo. O mercado único deve ajudar a criar as
condições de enquadramento e gerar oportunidades em toda a Europa. O
funcionamento do mercado de trabalho e a mobilidade são aspectos importantes.
Outras áreas importantes, para as empresas e para o conjunto da sociedade,
incluem o funcionamento dos mercados de capitais (acesso ao financiamento), o
grau de concorrência nos mercados de produtos, a eficácia dos sistemas de
I&D e inovação, a envolvente empresarial, os mecanismos de transferência de
conhecimentos e assimilação de tecnologias e a eficiência do sistema de
educação e formação, em conjugação com outros fatores societais de natureza
mais lata. Não se trata apenas de aspectos regulamentares. O Ato para o Mercado
Único e a iniciativa emblemática «União da Inovação» visam suprimir
sistematicamente estes obstáculos, permitindo às empresas levar as suas ideias
ao mercado rapidamente, adaptar-se e crescer. As PME altamente inovadoras e os
polos de inovação estão a tornar-se veículos fundamentais do processo de
inovação e produção. Tal traduz-se numa necessidade cada vez mais premente de
estratégias de constituição de clusters, especialização inteligente e
desenvolvimento de competências, bem como de conhecimentos específicos dos
mercados futuros e das tecnologias essenciais relevantes. Reestruturação A reestruturação pode dizer respeito a uma
única empresa, estar relacionada com o desenvolvimento das suas atividades em
curso ou resultar de um fracasso de investimentos passados. Pode também
implicar todo um setor ou alguns segmentos desse setor. Além disso, existem
diferenças claras entre setores, com alguns a ser mais afetados do que outros
pelas pressões anteriormente mencionadas. Por exemplo, pode dizer-se que certas
indústrias, como a indústria dos equipamentos, a indústria química, o setor
automóvel ou das máquinas elétricas, são gravemente afetadas pela concorrência
global e pela evolução tecnológica. Tal facto tem implicações para as suas
necessidades em matéria de reestruturação eficaz. Um exemplo recente de como as empresas e os
setores estão a encarar a reestruturação numa envolvente económica e social
exigente é dado pela indústria automóvel no relatório intercalar do grupo de
alto nível CARS 21, adotado em 2 de Dezembro de 2011 (ver documento dos
serviços da Comissão intitulado Restructuring in Europe 2011[20]). Algumas operações de reestruturação (por
exemplo, o encerramento de partes das cadeias de fornecimento e o despedimento
temporário de alguns trabalhadores) terão consequências negativas para a
economia local, o que significa que os poderes públicos têm um papel a desempenhar,
mas uma resposta política eficaz não deve atrasar ou bloquear as necessárias
medidas de racionalização. Pelo contrário, deve centrar-se em ações políticas
que facilitem a reafetação de recursos a diferentes empresas/setores. Em especial, o acesso ao financiamento assume
importância vital para as atividades económicas, já que certos ajustamentos
necessários que envolvam investimentos podem ser atrasados ou paralisados por
um acesso limitado a financiamentos externos. Este acesso ao financiamento é determinado
não apenas pelos mercados de capitais ou pelas ajudas públicas, mas também por
outros fatores regulamentares como a tributação das empresas ou as regras em
matéria de falência. Procedimentos morosos e pesados de falência podem
efetivamente impedir os empresários honestos falidos de reencetar uma atividade
empresarial e, assim, preservar e criar postos de trabalho, pese embora provas
substanciais de que estas empresas «de segunda oportunidade» crescem mais
rapidamente e são mais resistentes do que as start-ups tradicionais[21]. A comunicação da Comissão «Think Small
First — A Small Business Act for Europe», de 2008[22], e a
comunicação que se lhe segue «Análise do Small Business Act for
Europe», de 2011[23], apelam aos Estados-Membros que adotem duas ações específicas para dar
resposta a este problema. Em particular, a comunicação de 2008 instou os
Estados-Membros a «estabelecer o prazo de um ano como meta para o encerramento
dos processos judiciais de liquidação de uma empresa no caso de uma falência
não fraudulenta» e a comunicação de 2011 instou-os a «promover segundas
oportunidades para empresários, limitando o período de suspensão de atividade e
de liquidação de dívidas de um empresário honesto na sequência de uma falência
a um máximo de três anos até 2013». As regras em matéria de auxílios estatais[24] desempenham um papel em alguns
casos de reestruturação. Este tipo de auxílios é permitido a empresas
consideradas viáveis, mas que se encontram em dificuldade e acabariam por falir
sem apoio público, já que as entidades privadas não estão dispostas a
fornecer-lhes capital. Por conseguinte, estas ajudas dizem apenas respeito a
situações extremas em que as empresas não tenham reagido a tempo à envolvente
em mutação. A Comissão gostaria de conhecer os pontos de vista
das partes interessadas relativamente às seguintes questões: - Que condições de enquadramento são mais
adequadas para propiciar o êxito da adaptação industrial? - Que medidas existentes em matéria de acesso a
financiamento para acompanhar a adaptação estrutural constituem boas práticas? - Que outras medidas é preciso tomar para
melhorar os processos de falência?
4.
O desafio da adaptabilidade das empresas e da empregabilidade dos
trabalhadoes – as empresas no centro do processo de reestruturação
A UE conseguiu salvaguardar a base produtiva
da sua economia durante os piores anos da recessão económica. No entanto, em
virtude da incerteza das condições macroeconómicas atuais, a capacidade de a
indústria europeia se manter competitiva e preservar os postos de trabalho
dependerá cada vez mais da sua capacidade de inovar e de rápida e
facilmente se adaptar à mudança. Esta mudança decorre do progresso
tecnológico, da alteração dos padrões de comércio, da evolução do quadro
regulamentar e da variação dos modelos empresariais e do comportamento dos
consumidores. A UE, através das suas ações em diferentes domínios políticos,
tem de apoiar o seu setor empresarial nesta tarefa. A escala da reestruturação
económica e da mudança social ocasionada pela profunda adaptação exigida pelos
desafios que se colocam em termos ambientais, económicos, tecnológicos,
societais e de mercado, e acelerada pela grande recessão, é imensa. Do ponto de
vista do emprego, implicará simultanemanente a criação e a destruição de
postos de trabalho e, sobretudo, a sua transformação (em termos de
novas tarefas, novos perfis de competências e novas modalidades de trabalho).
Ainda que uma mão-de-obra qualificada seja um dos principais fatores da
competitividade da indústria europeia, não pode ser considerada um dado
adquirido e a sua manutenção exige uma abordagem proativa. Uma boa adaptação à mudança exige claramente
necessidades em matérias de competências e investimentos adequados em capital
humano. Para manter um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo é
essencial velar por que as empresas disponham de uma mão-de-obra devidamente
qualificada, de modo a evitar as insuficiências e desadequações de competências.
A fim de manter um nível elevado de emprego, é igualmente crucial antecipar
as necessidades futuras em matéria de competências (por exemplo, a necessidade
de competências «verdes» e nas áreas da saúde e dos cuidados sociais) e, em
colaboração com os parceiros sociais, adaptar em conformidade os sistemas de
educação e formação, o conteúdo dos programas de estudos e as qualificações,
desenvolver um sistema de aprendizagem de qualidade e tornar possível a
reconversão dos trabalhadores já ativos num determinado setor, no contexto da
aprendizagem ao longo da vida. Em caso de insuficiências de competências, as
empresas devem estar preparadas para procurar no estrangeiro os talentos de que
necessitam. Para tal, o
investimento em competências TIC e na literacia digital é imperativo. Há empregos a ser criados
na área dos novos semicondutores eficazes do ponto de vista energético, dos
serviços ligados à nebulosa computacional, da cibersegurança e da virtualização
das aplicações. Em resultado, as pessoas com as capacidades necessárias nesses
setores serão alvo de intensa procura e, como tal, há que fomentar iniciativas
específicas no domínio das competências digitais. Face à crise económica e financeira, à
consequente aceleração da mudança e às necessidades daí resultantes em matéria
de reestruturação em determinados setores e reafetação setorial de mão-de-obra,
é agora mais importante do que nunca que a Europa dê soluções às fragilidades
existentes no que respeita à adaptabilidade das empresas e à empregabilidade
dos trabalhadores. A Comissão pretende incentivar a adaptação
permanente das empresas a circunstâncias económicas em rápida evolução, ao
mesmo tempo que visa um nível elevado de emprego e proteção social, através de
medidas de apoio adequadas. É essencial a adoção de ações que favoreçam a
reafetação de recursos entre empresas e setores e aproveitem o potencial de uma
mão-de-obra jovem altamente qualificada, mas cada vez mais excluída do mercado
de trabalho. Uma melhor antecipação e gestão da
reestruturação ajudaria os trabalhadores e as empresas a adaptar-se às
transições impostas pelas capacidades excedentárias e pela necessidade de
modernização e ajustamento estrutural. A direção das empresas e os representantes
dos trabalhadores são os principais agentes para debater estratégias avançadas
de reestruturação ao nível das empresas. A
intervenção dos poderes públicos acompanha estas reestruturações para
evitar conflitos sociais e promover novas competências e empregos, facilitando
a conversão económica e as transições profissionais. A fim de facilitar a
reafetação dos fatores quando necessária, as políticas devem efetivamente ter
por objetivo evitar que a rigidez do mercado de trabalho e a respetiva
estrutura de competências se tornem um obstáculo ao ajustamento e ao
crescimento económico. Ao mesmo tempo, é necessário corrigir os
efeitos para a sociedade e a saúde gerados pela insegurança no emprego, pela
adaptação, pela perda do posto de trabalho e pelo desemprego de longa duração,
delineando para tal abordagens eficazes que permitam aos trabalhadores
adaptarem-se aos locais de trabalho, reinserirem-se rapidamente nos mercados
laborais e atenuarem as repercussões das transições na saúde. Constata-se a
emergência de novas práticas neste domínio a nível da empresa e dos setores,
também em tempos de crise. A amplificação dos fatores catalisadores de
mudança está a ter repercussões profundas na forma como os parceiros sociais e
as autoridades públicas abordam esta questão. Nos últimos anos, registou-se em
vários Estados-Membros uma tendência clara para passar de estratégias
puramente corretivas para ações preventivas, isto é uma transição para uma
abordagem mais proativa que ajude a minimizar os impactos sociais associados ao
processo de reestruturação. As estratégias preventivas integram os riscos
inerentes à reestruturação, de forma a resultarem na mobilidade profissional
positiva dos trabalhadores afetados e num aumento da competitividade das
empresas. A observação dos processos de
reestruturação na Europa sugere, porém, que as práticas neste domínio são por
vezes mais centradas na reação do que numa atitude proativa de antecipação; as
medidas são tomadas demasiado tarde no processo decisório e não fazem intervir
agentes externos suficientemente cedo para que estes possam contribuir para
mitigar o impacto social da reestruturação. As atitudes e a resistência passivas à
mudança têm enormes custos económicos e ameaçam o investimento e o crescimento
do emprego. É, pois importante criar as condições de
confiança que permitam a todos os segmentos da sociedade (empresas,
trabalhadores e seus representantes, autoridades públicas, etc.) enfrentar os
desafios do futuro de forma dinâmica. A abordagem de antecipação é viável no que
respeita à gestão da mudança e da reestruturação? De que forma podem as orientações e diretrizes
existentes em matéria de reestruturação ser melhoradas à luz das lições
retiradas da crise e dos novos desafios económicos e sociais? Como podem as
lições retiradas da crise ser divulgadas e aplicadas?
5.
Criar sinergias no processo da mudança industrial
A Comissão gostaria de conhecer os pontos de
vista de todos as partes interessadas no que respeita a boas práticas e
possíveis sinergias nas seguintes áreas: a) antecipação dos processos de
reestruturação; b) preparação e gestão dos processos de reestruturação; c)
avaliação e comunicação; d) o papel do diálogo social; e e) revisão da proteção
passiva, nos moldes referidos infra. a) Antecipação dos processos de
reestruturação Planeamento estratégico a
longo prazo A antecipação da mudança produz melhores
resultados se integrada eficazmente nas estratégias desenvolvidas pelas
empresas e as regiões para garantir e reforçar a sua sustentabilidade e
competitividade a longo prazo e se for fomentada uma cultura orientada para a
inovação. Além disso, ao antecipar a mudança no seu planeamento estratégico a
longo prazo, as empresas e as autoridades públicas podem aproveitar
oportunidades emergentes e gerar crescimento e emprego. Um exemplo positivo é o
desenvolvimento de tecnologias com baixas emissões de carbono e eficientes em
termos de recursos, que provaram já ser uma fonte de crescimento sustentável e
emprego em diferentes regiões na UE. O planeamento estratégico das empresas inclui
objetivos em termos de recursos humanos, emprego e competências para o
desenvolvimento contínuo das competências e aptidões da força de trabalho. Tal
pode aumentar a produtividade e, por conseguinte, a competitividade e os lucros
da empresa, bem como a sua capacidade de adaptação e inovação. Pode também
contribuir para aumentar a empregabilidade dos trabalhadores e fomentar a sua
mobilidade dentro e fora da empresa. As autoridades locais e regionais podem também
desempenhar um papel importante na melhoria da competitividade das respetivas
regiões a longo prazo, em especial através do desenvolvimento de estratégias de
especialização inteligente. Como encorajar abordagens estratégicas a longo prazo inovadoras para a
gestão da mudança, designadamente em matéria de emprego e competências? Como
melhorar as sinergias entre empresas, autoridades locais e outros agentes a
nível local? Quais devem ser as responsabilidades e os papéis específicos das
empresas, dos parceiros sociais e das autoridades públicas neste domínio? Antecipar o mais cedo possível as
necessidades em termos de emprego e competências Algumas empresas desenvolvem mecanismos de
planeamento prospetivo dos empregos e competências, em cooperação com os
representantes dos trabalhadores e/ou os organismos de educação e formação
profissional. Os serviços públicos de emprego e as organizações setoriais
desempenham também um papel importante na reconversão de trabalhadores que têm
de mudar de profissão ou setor, facilitando assim a reafetação de mão-de-obra
entre empresas e setores. A determinação das formações adequadas, das
competências necessárias e de onde podem ser obtidas no futuro, designadamente
na perspetiva da evolução demográfica, exige a plena cooperação de todos os
parceiros envolvidos. A cooperação entre as empresas e as escolas
profissionais, quando bem estruturada e enquadrada, tem dado frutos nessa
matéria. Um contributo importante pode também ser dado por iniciativas locais,
tais como parcerias para as competências com autoridades regionais e locais,
associando estreitamente organismos externos, designadamente universidades e
outras instituições de ensino e formação, institutos de tecnologia, centros de
inovação e agências de desenvolvimento, bem como prestadores de serviços de
saúde e segurança social. As empresas podem também participar em observatórios
de emprego e competências e contribuir para outros projetos relevantes na
região e/ou no setor em questão. Como continuar a fomentar práticas eficazes de antecipação das
necessidades em termos de emprego e competências nas empresas? Como desenvolver
a formação enquanto característica permanente da gestão de recursos humanos? Como favorecer sinergias entre as ações das empresas e as iniciativas
do setor público para contribuir para políticas adequadas em matéria de emprego
e competências? b) Preparação e gestão dos processos de
reestruturação Preparação atempada A oportunidade é crucial para gerir
eficazmente o processo de reestruturação. Na medida do possível, as operações
de reestruturação devem ser antecedidas de uma preparação adequada que associe
todos os intervenientes relevantes, de modo a evitar ou atenuar o seu impacto
económico, social e regional. As ações empreendidas a nível setorial nas
indústrias da defesa, dos componentes automóveis e das telecomunicações
constituem bons exemplos nesta matéria. Esta preparação deve ocorrer o mais cedo
possível, logo que se reconhece a necessidade de reestruturação, e ter em
conta, se for caso disso, os métodos e os procedimentos negociados a nível do
setor, da região ou da empresa em questão. Um arranque atempado facilitará a
adoção de medidas para minimizar o impacto económico, social e regional da
operação. Como incentivar as empresas e respetivos trabalhadores a prepararem
atempada e adequadamente processos de reestruturação que favoreçam a aceitação
da mudança? Quais as melhores práticas neste domínio? Estabelecer um clima de confiança mútua
e um diagnóstico partilhado É importante estabelecer um clima de confiança
mútua e chegar a um diagnóstico partilhado, através de uma comunicação
permanente e de qualidade entre todos os intervenientes relevantes. As metas e
as exigências estratégicas a longo prazo ou os condicionalismos imediatos das
empresas devem ser explicados tanto quanto possível, juntamente com as medidas
previstas e outras opções possíveis atendendo aos interesses de todos os
envolvidos. A responsabilidade social das empresas e uma
abordagem transparente podem incentivar as partes interessadas, em especial os
representantes dos trabalhadores, a cooperarem na procura de soluções que
satisfaçam os interesses de todas as partes sem criar atrasos e incertezas
indevidos. Em que medida a confiança mútua e o diagnóstico partilhado desempenham
um papel na boa gestão da reestruturação? Como os promover nas empresas e em
contextos mais vastos? Minimizar o impacto social Ao mesmo tempo que procuram salvaguardar a sua
competitividade e prosperidade a longo prazo, as empresas confrontadas com a
necessidade de reestruturação, de um modo geral, só consideram despedir pessoal
após terem pesado todas as opções alternativas possíveis. Muitas vezes, as
empresas tentam também identificar e aplicar medidas de apoio adequadas. Os
representantes dos trabalhadores devem estar abertos para negociarem soluções
flexíveis alternativas que permitam evitar despedimentos. Tal como o demonstrou a crise económica, a
flexibilidade é inerente ao sistema existente. Muitas empresas na Europa
adotaram medidas temporárias para manter os empregos, através designadamente da
redução do tempo de trabalho, de paragens da produção, da obrigatoriedade de
tirar férias anuais, de semanas ou jornadas de trabalho mais curtas, de um
recurso acrescido às contas de tempo de trabalho, a rotações de licenças e a
períodos sabáticos. Quando os despedimentos são inevitáveis ou
fazem parte das opções alternativas, as empresas, as autoridades locais e todas
as partes interessadas (incluindo os prestadores de serviços de saúde e
segurança social) podem ser incentivadas a trabalhar em conjunto para definir
medidas destinadas a melhorar a empregabilidade dos trabalhadores afetados,
ajudando-os a regressar ao mercado de trabalho tão cedo quanto possível. Ficou já demonstrado que, em virtude das suas
consequências humanas e psicológicas, processos de reestruturação mal geridos
podem ter repercussões negativas significativas e duradouras nos recursos
humanos das empresas, enfraquecendo assim o seu fator essencial de
competitividade. Por este motivo, quando as mudanças são particularmente
importantes para o setor, as empresas e os parceiros sociais acordaram orientações
para a gestão das questões de saúde mental nos locais de trabalho, e consagram
cada vez mais esforços à solução destes desafios. Como podem as empresas e os trabalhadores minimizar o impacto social e
no emprego das operações de reestruturação? Que papel podem desempenhar as
políticas públicas para facilitar estas mudanças? Minimizar as repercussões externas de
ordem económica, social, ambiental e regional A necessidade de ter em conta o impacto
territorial da reestruturação foi mencionada no decurso dos trabalhos dos
parceiros sociais. Em muitos casos, quando uma operação de reestruturação
produz efeitos assaz importantes numa região, as empresas procuram alinhar as
suas atividades de preparação com as de todos os outros agentes interessadas no
intuito de maximizar as oportunidades de os trabalhadores regressarem ao
emprego, incentivando a conversão económica e social da região afetada e
desenvolvendo novas atividades geradoras de postos de trabalho. Para tal, as empresas discutem muitas vezes as
medidas que estão a ser preparadas com as autoridades regionais e locais e
outros intervenientes relevantes, incluindo os prestadores de serviços de saúde
e segurança social. Por vezes também participam em e/ou contribuem para
eventuais task forces ou redes estabelecidas a nível regional ou
setorial para minimizar os efeitos da operação. Em alguns casos, as medidas anteriormente
descritas estendem-se aos trabalhadores de outras empresas, designadamente PME,
da região afetada pela reestruturação de empresas de maior dimensão. As
informações e a assistência prestadas às PME deve ajudá-las a adaptar-se e a
gerir o processo de reestruturação. Como podem as empresas, as autoridades locais e todas as outras partes
interessadas contribuir para minimizar o impacto regional da reestruturação? Como podem as empresas afetadas pela reestruturação de outra empresa
ser ajudadas no seu próprio processo de adaptação? Em especial, como podem as
PME ser mais bem informadas e assistidas no processo de reestruturação? c) Avaliação e comunicação Em certos casos, poderá ser útil dispor de
ferramentas que permitam assegurar, numa base regular, a avaliação das
operações de reestruturação e a resultante comunicação de informações, em
cooperação com os representantes dos trabalhadores e os agentes externos
envolvidos nesses processos, em particular para facilitar a aprendizagem. Como podem os processos de avaliação e comunicação sobre operações de
reestruturação melhorar os conhecimentos e as práticas das partes interessadas? d) O papel do diálogo social Uma vez que os representantes dos dirigentes e
dos trabalhadores se contam entre os principais agentes na discussão de
estratégias de reestruturação, seria útil dar destaque ao papel do diálogo
social na divulgação e no incentivo ao uso de melhores práticas. Que papel pode o diálogo social desempenhar para melhorar a divulgação
de melhores práticas e incentivar o seu uso para antecipar e gerir a
reestruturação? e) Revisão da proteção passiva A passagem de uma proteção passiva para uma
proteção ativa do emprego está no cerne do conceito de flexigurança. Uma das
formas possíveis de aplicar este conceito consiste em deixar de proteger postos
de trabalho específicos para proteger os trabalhadores ao longo da sua vida
profissional. Outra possibilidade é reforçar a chamada flexibilidade interna,
destinada a proteger os empregos através de medidas que garantam a adaptação
flexível a circunstâncias em mutação. Em alguns casos, porém, uma mudança deste
tipo não é acompanhada de uma reforma do sistema de proteção do emprego em
vigor, em especial no que respeita aos encargos e custos. Como qualquer outra função dentro das
empresas, a antecipação da mudança e a reestruturação proativa têm obviamente
custos, mas trazem também benefícios para todos os envolvidos: as empresas
melhoram a sua capacidade de adaptação, os trabalhadores melhoram a sua
empregabilidade e as regiões reforçam o seu dinamismo económico. Tendo em conta as grandes diferenças entre os Estados-Membros nesta
matéria, a Comissão gostaria de conhecer os pontos de vista das partes
interessadas (em especial das autoridades nacionais e das organizações de
parceiros sociais) sobre a necessidade de revisão de alguns aspetos do sistema
de proteção do emprego, à luz desta transição prevista para a antecipação e uma
proteção proativa do emprego.
6.
O papel das autoridades locais e regionais
A intervenção das autoridades públicas em
apoio de operações de reestruturação e processos para as antecipar, facilitando
a coordenação entre os agentes externos e as empresas, favorece muitas vezes
uma abordagem proativa e dinâmica da reestruturação. É também frequente
criarem, promoverem e apoiarem mecanismos de apoio que visam fomentar a
participação das pequenas e médias empresas em medidas deste tipo. Por último,
as autoridades públicas apoiam igualmente processos de antecipação e operações
de reestruturação no intuito de atenuar o seu impacto económico, regional e
social. Apresentam-se de seguida algumas das melhoras práticas identificadas na
Europa. Algumas das
melhores práticas identificadas na Europa: ·
As autoridades públicas, incluindo os SPE,
desempenham um papel fundamental nas regiões afetadas por mudanças estruturais:
instituem órgãos permanentes, redes ou observatórios para acompanhar os
processos de mudança; promovem pactos territoriais para o emprego que favorecem
a criação de postos de trabalho e a adaptação; promovem ou criam mecanismos que
facilitam as transições profissionais; organizam formações para as pequenas e
médias empresas e os respetivos trabalhadores e apoiam o diálogo e a cooperação
entre estas e as empresas de maior dimensão; favorecem o emprego regional e a
conversão económica e social. ·
Em alguns casos, as autoridades públicas ativam, em
cooperação com as empresas, serviços de resposta rápida e regimes de apoio para
ajudar os trabalhadores confrontados com transições profissionais ou
despedimento. Sem prejuízo das obrigações das empresas decorrentes de
legislações e/ou práticas nacionais, as autoridades públicas cofinanciam por
vezes medidas de empregabilidade, designadamente a aquisição de competências
transferíveis. As «estratégias
de especialização inteligente» podem constituir também uma importante
ferramenta a usar nos respetivos processos de reestruturação[25]. A nível da UE, a política de coesão (com
particular destaque para o Fundo Social Europeu) e o Fundo Europeu de
Ajustamento à Globalização existem para apoiar as iniciativas de antecipação e
as medidas destinadas a ajudar os trabalhadores cujos postos de trabalho estão
ameaçados por operações de reestruturação, tendo em conta designadamente as
necessidades emergentes no mercado de trabalho resultantes da transição para
uma economia de baixas emissões de carbono e eficiente em termos energéticos. Como pode ser incentivado o papel das autoridades públicas, em especial
a nível regional, em apoio de processos de antecipação e operações de
reestruturação específicas, tendo em conta as diferentes tradições nacionais em
matéria de envolvimento das autoridades públicas nos processos internos das
empresas? CONSULTA A Comissão convida todas as partes interessadas a responder às questões
colocadas no presente Livro Verde e a acrescentar quaisquer outras observações
que julguem pertinentes, até 30 de março de 2012. O Livro Verde e o modelo a usar para as respostas estão disponíveis no
sítio Web Europa: http://ec.europa.eu/social/main.jsp?catId=333&langId=en As respostas podem ser enviadas por correio eletrónico para: EMPL-GREEN-PAPER-RESTRUCTURING@ec.europa.eu ou por correio para: Comissão
Europeia Direção-Geral
do Emprego, da Igualdade de Oportunidades e dos Assuntos Sociais Livro
Verde sobre Reestruturação Unidade
C2 Rue
Joseph II, 27 Office
06/044 B-1000
Bruxelas [1] COM(2010) 2020. [2] Comunicação da Comissão – Uma política industrial
integrada para a era da globalização - Competitividade e sustentabilidade em
primeiro plano, COM(2010) 614 final. [3] Comunicação da Comissão «Agenda para Novas Competências
e Empregos», COM(2010) 682 final. [4] A título de exemplo, o documento de consulta da Comissão
sobre reestruturação de janeiro de 2002, os resultados do trabalho subsequente
realizado pelos parceiros sociais e vários outros relatórios e estudos
elaborados nos últimos anos, designadamente no âmbito dos fóruns sobre
reestruturação organizados pela Comissão desde 2005. Uma síntese útil das
ilações retiradas por todas as partes interessadas em matéria de reestruturação
consta da «checklist dos processos de reestruturação» apresentada pela
Comissão na sua Comunicação de 3 de junho de 2009 intitulada ‘Um compromisso
comum a favor do emprego». [5] COM(2011) 815 — Análise Anual do Crescimento 2012,
http://ec.europa.eu/europe2020/reaching-the-goals/monitoring-progress/annual-growth-surveys/index_en.htm [6] Comunicação da Comissão «Agenda para Novas Competências
e Empregos», COM(2010) 682 final, ponto 1.2 [7] A especialização inteligente é uma condição para o bom
funcionamento dos sistemas de investigação e inovação nacionais e regionais no
quadro da ferramenta de autoavaliação da União da Inovação e um elemento
fundamental da política reformada de coesão, sendo proposta como uma
condicionalidade ex-ante para a utilização do Fundo Europeu de Desenvolvimento
Regional no próximo período de programação dos Fundos Estruturais 2014-2020. Foi
lançada em junho de 2011 uma Plataforma de Especialização Inteligente que
ajudará as regiões e os Estados-Membros a desenvolver essas estratégias. [8] Política de coesão: Responder à crise económica: Revisão
das medidas da política de coesão adotadas e executadas em apoio do Plano de
Relançamento da Economia Europeia», [SEC (2010) 1291 final]. [9] Estratégia Europa 2020, comunicação da Comissão:
Iniciativa emblemática «União da Inovação», SEC(2010) 1161 e relatório sobre o
Estado da União da Inovação 2011, COM(2011) 849. [10] «Relatório sobre a Competitividade da União da Inovação
2011", ec.europa.eu/iuc2011. [11] O conceito de flexigurança está no cerne da estratégia
integrada desenvolvida pela Comissão e os Estados-Membros, com base num
consenso alargado segundo o qual a Europa tem de encontrar novas e melhores formas
de tornar a sua mão-de-obra e os seus mercados de trabalho mais flexíveis, ao
mesmo tempo que faculta novas e melhores formas de segurança. Trata-se de uma
resposta global aos desafios que se colocam aos mercados laborais e às
sociedades da Europa no contexto da globalização e da evolução tecnológica e
demográfica. É parte integrante da estratégia Europa 2020 e da sua iniciativa
emblemática «Agenda para novas competências e empregos». [12] «EU Employment and social situation report quarterly
review September 2011» - ESTAT [13] Fonte: Labour market developments in Europe 2011,
Comissão Europeia, European Economy 2/2011. [14] A reação tardia do emprego à recuperação foi também
consequência de uma retenção da mão-de-obra durante a recessão e esteve a par
de um ressalto considerável na produtividade laboral. [15] http://www.eurofound.europa.eu/publications/htmlfiles/ef0973.htm.
Ver também o Relatório Anual 2011 do ERM: http://www.eurofound.europa.eu/publications/htmlfiles/ef1165.htm. [16] Num inquérito da Comissão Europeia sobre «as adaptações
dos SPE durante a crise 2011», 13 dos 21 respondentes declararam que os
respetivos recursos seriam reduzidos nos 12 meses seguintes. Em 9 desses 13
casos, estas reduções ascenderam a 10%. [17] Alfonso Arpaia et al., Short time working arrangements
as response to cyclical fluctuations, Comissão Europeia, European
Economy Occasional Paper No 64, julho 2010. [18] Alexander Hijzen e Danielle Venn, The role of
short-time work schemes during the 2008-09 recession, documento de trabalho
da OCDE 115, janeiro de 2011. [19] Ver, por exemplo, o estudo da DG ENTR intitulado Measuring
and benchmarking the structural adjustment performance of EU industry,
disponível em http://ec.europa.eu/enterprise/policies/industrial-competitiveness/industrial-policy/future-of-manufacturing/files/key_findings_measuring_and_benchmarking_en.pdf. [20] Ver ponto 4.3.2 do documento de trabalho dos serviços da
Comissão. Para consultar o relatório, ver http://ec.europa.eu/enterprise/sectors/automotive/competitiveness-cars21/cars21/index_en.htm. [21] O estudo Business
Dynamics (http://ec.europa.eu/enterprise/policies/sme/business-environment/files/business_dynamics_final_report_en.pdf) recolhe estas provas, juntamente com informações
exaustivas sobre as leis dos Estados-Membros em matéria de falência e analisa
os efeitos que diferentes processos de falência têm para empresários e
empresas. Outras informações, designadamente uma amostra de melhores
práticas de apoio a empresários honestos falidos podem encontrar-se no portal
«segunda oportunidade»: http://ec.europa.eu/enterprise/policies/sme/business-environment/failure-new-beginning/index_en.htm [22] COM(2008) 394 final de 25.6.2008. [23] COM(2011) 78 final de 23.2.2011. [24] Orientações relativas aos auxílios estatais de emergência
e à reestruturação a empresas em dificuldade: http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:C:2004:244:0002:0017:EN:PDF. [25] Ver documento de trabalho dos serviços da Comissão Restructuring
in Europe 2011, ponto 4.1.3.