52001DC0438

Projecto de Relatório Conjunto sobre o Emprego 2001 [SEC (2001) 1398] /* COM/2001/0438 final */


Projecto de Relatório Conjunto sobre o Emprego 2001 [SEC (2001) 1398]

(apresentado pela Comissão)

INTRODUÇÃO

O Título VIII do Tratado que institui a Comunidade Europeia define os princípios e procedimentos do desenvolvimento de uma estratégia coordenada em matéria de emprego. O artigo 128º enumera especificamente as fases conducentes à formulação de uma estratégia deste tipo que inclui, numa base anual, orientações para as políticas de emprego, recomendações aos Estados-Membros e um relatório conjunto do Conselho e da Comissão, a apresentar ao Conselho Europeu, sobre a situação do emprego na Comunidade e a tradução prática das orientações. Cada Estado-Membro deve remeter ao Conselho e à Comissão um relatório anual sobre as principais medidas adoptadas com vista à execução das respectivas políticas de emprego, à luz das orientações emitidas neste domínio. A Estratégia Europeia de Emprego, desenvolvida segundo o enquadramento institucional anteriormente descrito, constitui um contributo fundamental para a mais vasta agenda política definida para a União Europeia na Cimeira de Lisboa, realizada na Primavera de 2000, e desde então confirmada pelos Conselhos Europeus de Nice e Estocolmo.

O presente Relatório Conjunto traça uma panorâmica da situação do emprego e uma avaliação política dos progressos obtidos pelos Estados-Membros na aplicação das Orientações para o Emprego 2001 [1], sublinhando os desafios a que é ainda necessário dar resposta.

[1] Decisão do Conselho relativa às Orientações para as Políticas de Emprego dos Estados-Membros em 2001 (2001/63/CE); JO L 22 de 22.01.2001.

Contém uma análise dos desenvolvimentos registados em toda a UE em função dos grandes objectivos acordados e das orientações, bem como uma breve revisão da situação por país. Na base desta análise estão os principais indicadores comuns que se encontram sintetizados nos anexos.

Uma análise mais detalhada dos progressos recentes no âmbito de cada orientação e em cada Estado-Membro é objecto de um documento de apoio elaborado pelos serviços da Comissão [2].

[2] SEC (2001) 1398.

Ambos os relatórios sustentam os outros dois componentes do Pacote do Emprego, nomeadamente as Recomendações e as Orientações para o Emprego para o ano de 2002 [3].

[3] COM (2001) 512 final e COM (2001) 511 final.

ÍNDICE

INTRODUÇÃO

Síntese .

1. O contexto político e económico

2. Aplicação das Orientações e das Recomendações para o Emprego 2001: avaliação de desempenhos e políticas na União Europeia

2.1. O enquadramento político global: reflectir os objectivos horizontais das Orientações 2001

2.2. Avaliação dos progressos alcançados no âmbito dos quatro pilares das Orientações 2001

2.2.1. Empregabilidade

2.2.2. Espírito empresarial

2.2.3. Adaptabilidade

2.2.4. Igualdade de oportunidades

3. Aplicação das Orientações e das Recomendações para o Emprego 2001: avaliação de desempenhos e políticas por Estado-Membro

Bélgica

DINAMARCA

ALEMANHA

GRÉCIA

ESPANHA

FRANÇA

IRLANDA

ITÁLIA .

LUXEMBURGO

PÁISES BAIXOS

ÁUSTRIA

PORTUGAL

FINLÂNDIA

SUÉCIA

REINO UNIDO

4. O caminho a seguir

Anexo 1: Síntese dos principais indicadores de 2000

Anexo 2: Síntese dos indicadores definidos de comum acordo em matéria de activação e prevenção para 2000

Síntese

A Estratégia Europeia de Emprego constitui um contributo fundamental para a mais vasta agenda política definida para a União Europeia na Cimeira de Lisboa, realizada na Primavera de 2000, e desde então confirmada pelos Conselhos Europeus de Nice e Estocolmo. Em conformidade com os resultados económicos globais, os desempenhos em matéria de emprego na União Europeia em 2000 assumiram um cariz extraordinário. O crescimento do PIB de 3,3% e o aumento da produtividade laboral de 1,6% foram acompanhados da criação de 3 milhões de novos postos de trabalho e de uma diminuição do desemprego para 8,3%, nível este próximo do registado no início da década de 90. Ao mesmo tempo, os resultados das reformas estruturais dos mercados laborais europeus começam a ser evidentes, em especial no que respeita ao aumento da intensidade de emprego no crescimento, a uma mais forte criação de postos de trabalho nos sectores das altas tecnologias e intensivos em conhecimento - traduzindo a passagem para uma economia assente no conhecimento - e a um acentuado influxo de mulheres para o mercado de trabalho. Persistem, porém, importantes fragilidades estruturais, que se traduzem particularmente em níveis de desemprego ainda elevados, em especial entre os mais jovens, disparidades significativas entre homens e mulheres e fracas taxas de emprego dos trabalhadores mais velhos. Ainda que comecem a ser aparentes progressos no sentido da concretização das metas fixadas em Lisboa e Estocolmo para o emprego, é evidente a necessidade de prosseguir as reformas estruturais e as políticas macroeconómicas acordadas nas Orientações Gerais para as Políticas Económicas, em particular à luz de uma envolvente económica e laboral menos favorável.

A melhoria da qualidade dos Planos de Acção Nacionais para o Emprego e o envolvimento de um cada vez mais significativo número de parceiros sociais na sua preparação e acompanhamento reflectem a dinâmica criada pela Estratégia Europeia de Emprego.

Pese embora estes progressos encorajadores, os objectivos horizontais introduzidos nas Orientações 2001 não foram ainda plenamente integrados nas estratégias nacionais de emprego. São poucos os Estados-Membros que apresentam uma abordagem global da forma como pretendem contribuir para a prossecução das metas de emprego de Lisboa e Estocolmo e apenas aqueles que se encontram próximos delas, ou que já as ultrapassaram, definiram objectivos nacionais neste domínio. O objectivo de elevar a qualidade é assumido principalmente em relação à oferta de mão-de-obra, ao passo que a qualidade do trabalho é um aspecto apenas marginalmente considerado [4]. Foram registadas melhorias claras em termos do desenvolvimento da aprendizagem ao longo da vida, aspecto que está agora estabelecido como prioridade política em toda a União Europeia. Estão actualmente em curso estratégias globais de aprendizagem ao longo da vida em cerca de metade dos Estados-Membros, permanecendo, no entanto, em fases precoces da sua implementação. Além disso, na maioria dos Estados-Membros são insuficientes os indícios de coordenação e sinergia entre os ministérios competentes. São também poucos aqueles que definiram metas para o aumento do investimento em recursos humanos ou da participação em acções ulteriores de aprendizagem. Em relação à elaboração dos PAN, foram desenvolvidas as parcerias entre as autoridades públicas e os parceiros sociais. Contudo, os contributos específicos destes últimos são difíceis de identificar em virtude da ausência de informação.

[4] Os aspectos relevantes da qualidade no trabalho são descritos na Comunicação da Comissão COM(2001) 313, 20.06.2001.

A transição para uma sociedade assente no conhecimento - na base de toda a estratégia de Lisboa - reflecte-se em vários aspectos dos PAN, nomeadamente em relação às questões referentes à aprendizagem ao longo da vida e ao espírito empresarial. No que respeita aos quatro pilares da Estratégia de Emprego, a articulação de políticas [5] continua a ser preterida em favor de acções empreendidas no contexto do pilar da Empregabilidade, seguidas do pilar do Espírito Empresarial. As medidas ao abrigo dos pilares da Adaptabilidade e da Igualdade de Oportunidades continuam a ser relativamente modestas. A dimensão regional e local da estratégia é mais acentuada, mas as disparidades regionais constituem ainda um problema grave em vários Estados-Membros. Foram registados progressos significativos no que respeita à definição de indicadores comuns, sendo no entanto imperativa uma utilização mais eficaz e racionalizada dos mesmos. No âmbito do pilar da Empregabilidade, os Estados-Membros prosseguem e consolidam os respectivos esforços em matéria de prevenção do desemprego de longa duração. Relativamente à meta de pelo menos 20% dos desempregados beneficiarem de medidas activas do mercado de trabalho, apenas um Estado-Membro falhou a sua concretização. A modernização em curso dos Serviços Públicos de Emprego sustenta a abordagem preventiva, ao mesmo tempo que apoia medidas mais especificamente concebidas para a reinserção dos desempregados de longa duração. É prestada atenção acrescida à aprendizagem ao longo da vida, com ampla cobertura da aprendizagem de adultos para lá da instrução básica, persistindo, porém, preocupações generalizadas em matéria de desenvolvimento de competências básicas. As metas comuns de e-learning em termos de acesso Internet nas escolas e de formação de professores em tecnologias da informação e da comunicação (TIC) parecem, de um modo geral, ao alcance de todos. Diferentes respostas políticas -com destaque para a mobilidade profissional - são dadas pelos Estados-Membros ao problema das penúrias de mão-de-obra e competências, limitadas em grande medida a determinados sectores/profissões, à excepção de um número reduzido de Estados-Membros que registam dificuldades de recrutamento generalizadas.

[5] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Por outro lado, persistem sérias dúvidas quanto à capacidade de cinco Estados-Membros cumprirem a meta de 2002 relativa à plena implementação da abordagem preventiva definida nas Orientações, segundo a qual devem ser proporcionadas oportunidades aos jovens e aos adultos desempregados antes de estes passarem para o desemprego de longa duração. O acompanhamento da eficácia das medidas activas é, de um modo geral, inadequado. Os progressos na reforma dos sistemas de prestações e das estruturas de incentivos parecem ser, por vezes, insuficientes para promover a participação, e a interacção entre sistemas fiscais e de prestações exige atenção acrescida. A maioria dos Estados-Membros carece de uma abordagem global das políticas de envelhecimento activo e as medidas adoptadas continuam a ser limitadas no seu alcance e impacto. Os PAN não dão uma visão completa das medidas empreendidas para incentivar a integração de grupos desfavorecidos no mercado de trabalho e promover a inclusão social. Apenas metade dos Estados-Membros definiu metas nacionais para aumentar os níveis de emprego das pessoas com deficiência e só a Dinamarca e os Países Baixos estabeleceram objectivos para as minorias étnicas. São necessários esforços acrescidos em todos estes domínios, por forma a contribuir para a qualidade das políticas governamentais e a sanidade das finanças públicas.

No âmbito do pilar do Espírito Empresarial, os Estados-Membros colocam um tónica importante na simplificação da envolvente regulamentar e administrativa para a criação e desenvolvimento de empresas. As novas tecnologias da informação são amplamente usadas para reduzir os encargos das empresas, em especial na fase de arranque. O combate ao trabalho não declarado foi acelerado em vários Estados-Membros. A dimensão territorial da Estratégia Europeia de Emprego desenvolveu-se consideravelmente, com o estabelecimento de fortes parcerias locais, incluindo os Planos de Acção Locais e Regionais para o Emprego. A economia social parecer a estar a desenvolver-se mais rapidamente desde 1999, embora o seu potencial possa ser ainda mais eficazmente utilizado. Vários Estados-Membros estão a fazer progressos em instituir sistemas fiscais mais favoráveis ao emprego. A redução da carga fiscal sobre o trabalho decorre a um ritmo relativamente lento em todos os países, sendo mais substancial no que respeita ao trabalho pouco remunerado e não especializado.

A relutância dos Estados-Membros em simplificarem as regras de recrutamento de pessoal continua a constituir um obstáculo à criação de emprego, que não é compensado pelos esforços apresentados no sentido de aligeirar as disposições de segurança social ou fiscais. Com a principal tónica colocada na simplificação da envolvente na qual operam as empresas, não está a ser prestada atenção suficiente à criação de uma cultura empresarial, a qual exigiria uma abordagem estratégica de carácter mais global abrangendo várias acções políticas interrelacionadas.

No contexto do pilar da Adaptabilidade, foram empreendidas várias iniciativas relativamente às questões associadas ao tempo de trabalho e a formas flexíveis de trabalho, tanto por parte das autoridades públicas como pelos parceiros sociais. Foi dada maior atenção à problemática da higiene e segurança no trabalho, área onde foram empreendidas algumas acções inovadoras. Os parceiros sociais participaram em várias iniciativas e acordos no domínio da aprendizagem ao longo da vida, faltando ainda uma avaliação do impacto dos mesmos.

Outros aspectos relacionados com a organização do trabalho e a qualidade no trabalho foram alvo de uma consideração modesta. As parcerias entre governos e parceiros sociais foram, de um modo geral, melhoradas, embora pouco se conheça sobre as acções dos parceiros sociais para a aplicação de medidas relacionadas com a organização do trabalho, especialmente devido ao facto de aqueles não terem aproveitado a oportunidade oferecida nas Orientações de, autonomamente, darem conta dos progressos obtidos. Nos PAN, escassas são as respostas por parte dos parceiros sociais relativamente à meta de proporcionar a todos os trabalhadores a oportunidade de adquirir literacia na sociedade da informação até 2003.

Enquanto parte das acções empreendidas no âmbito do pilar da Igualdade de Oportunidades, registam-se progressos na integração global da perspectiva de género em termos de mecanismos de cooperação e de avaliação do impacto nos géneros. A questão da redução da segregação entre homens e mulheres foi tratada em vários Estados-Membros, registando-se alguns bons exemplos de abordagens inovadoras para diminuir as disparidades salariais. Além disso, foram igualmente comunicadas várias iniciativas interessantes no sentido de conciliar vida profissional e familiar.

Contudo, verifica-se na maioria dos Estados-Membros a ausência de uma abordagem global de integração da perspectiva da igualdade, sendo que muitos não definiram metas nacionais para a participação das mulheres no emprego, em conformidade com as conclusões de Lisboa. As medidas para reduzir as persistentemente elevadas disparidades salariais entre os géneros são limitadas, quase não se registando novas iniciativas para promover as mulheres na tomada de decisão. As estruturas de acolhimento de crianças são ainda insuficientes em muitos Estados-Membros e não existe uma abordagem clara da problemática dos cuidados aos idosos ou outros dependentes. No conjunto, parece claro que vários Estados-Membros adoptaram uma atitude de "esperar para ver" em relação a iniciativas que haviam tomado no âmbito de anteriores orientações.

A anterior apreciação dos desempenhos em matéria de emprego e dos progressos obtidos na aplicação das Orientações 2001, em conjunção com uma envolvente económica menos favorável, demonstra que as reformas estruturais dos mercados laborais devem ser prosseguidas sem complacências. Em especial, há que definir uma articulação adequada de políticas entre os quatro pilares da estratégia, com vista ao aumento das taxas de emprego. As acções empreendidas deverão atender mais eficazmente ao objectivo de incentivar a qualidade no trabalho enquanto factor de promoção da participação no mercado laboral, bem como de competitividade acrescida. São necessárias políticas mais enérgicas para tratar as disparidades entre homens e mulheres no mercado de trabalho, em especial as de carácter remuneratório. O potencial dos trabalhadores mais velhos deve ser mais bem explorado, através de abordagens globais por forma a prevenir o abandono precoce da vida activa.

O investimento nos recursos humanos continua a ser uma prioridade fundamental na transição para uma economia do conhecimento e, em especial, para dar resposta à escassez emergente de mão-de-obra e de competências. O contributo da Estratégia de Emprego para o combate à exclusão social deve ser definido em moldes mais transparentes. Há que tratar as disparidades regionais e utilizar plenamente os Fundos Estruturais, nomeadamente o Fundo Social Europeu, em apoio da Estratégia de Emprego. Por último, o contributo dos parceiros sociais, condição essencial para o êxito da estratégia, tem de ser mais eficazmente integrado em todo o processo e objecto de uma avaliação mais rigorosa. O trabalho de desenvolvimento e utilização de indicadores precisos e comparáveis deve continuar. Esta necessidade é particularmente premente no caso de indicadores capazes de avaliar a qualidade e a eficácia das políticas.

1. O contexto político e económico

A Estratégia Europeia de Emprego é parte de uma agenda política mais vasta definida no Conselho Europeu de Lisboa na Primavera de 2000. Em Lisboa, o objectivo era fazer da União Europeia a economia do conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo, capaz de um crescimento económico sustentável, acompanhado de mais e melhores empregos e de maior coesão social. Foi acordado para a UE o objectivo de, até 2010, atingir uma taxa de emprego total tão próxima quanto possível dos 70% e excedendo os 60% no caso das mulheres. Foi definida uma estratégia global, visando preparar a transição para uma economia assente no conhecimento, modernizar o modelo social europeu e sustentar uma conjuntura económica saudável e as perspectivas favoráveis de crescimento. O Conselho Europeu de Gotemburgo veio completar o anterior compromisso político com um programa de desenvolvimento sustentável e acrescentar a dimensão ambiental à estratégia de Lisboa, reconhecendo assim a ligação entre ambiente, crescimento económico e emprego.

Confirmando o compromisso da União e dos Estados-Membros para com o objectivo do pleno emprego, o Conselho Europeu de Estocolmo, realizado em Março de 2001, fixou como metas intermédias até 2005 67% para a taxa de emprego total e 57% para a taxa de emprego das mulheres, bem como 50% para o emprego dos trabalhadores mais velhos (entre os 55 e os 64 anos) até 2010.

Bons desempenhos do emprego...

O ano de 2000 assistiu ao mais forte crescimento do emprego dos últimos dez anos, com 3 milhões de novos postos de trabalho criados. A taxa de emprego aumentou, assim, de 62,3% em 1999 para 63,3,% em 2000, aproximando a UE da meta de Lisboa.

Pelo terceiro ano consecutivo, em 2000 foram criados mais empregos a tempo inteiro do que a tempo parcial. Os postos de trabalho a tempo inteiro representam quase 70% da criação líquida de emprego, proporção que era de 60% em 1999 e 54% em 1998.

A taxa de desemprego desceu de 9,1% para 8,2% em 2000 e o número de desempregados diminuiu 1,5 milhões - a maior queda registada numa década - reduzindo o total para 14,2 milhões. O desemprego de longa duração diminuiu a um ritmo ainda mais acentuado do que o desemprego global, atingindo os 3,6%.

... associados a uma conjuntura económica favorável em 2000

Os recentes desenvolvimentos em matéria de resultados do emprego na UE têm de ser entendidos no contexto da melhoria do desempenho económico global em 2000. No seu quarto ano de retoma, a UE viveu a situação económica mais favorável dos últimos anos. O crescimento do PIB atingiu os 3,3%. As taxas de crescimento oscilaram entre os 10,7% (Irlanda) e 2,9% (Dinamarca e Itália). As finanças públicas continuaram a registar melhorias na maioria dos Estados-Membros. Apenas a taxa de inflação teve desenvolvimentos negativos, tendo atingido os 2,1% em comparação com 1,2% em 1999.

Algumas incertezas quanto aos desenvolvimento económicos num futuro próximo

Contudo, prevê-se que o crescimento do PIB desacelere em 2001 e 2002, e a economia da UE não evoluirá na mesma envolvente propícia a melhorias no domínio do emprego.

Sinais de mudanças estruturais nos mercados laborais europeus

Para lá das recentes melhorias globais nos desempenhos em matéria de emprego, uma análise mais aprofundada revela as mudanças estruturais em curso nos mercados laborais europeus.

Uma característica notável dos recentes desenvolvimentos é o aumento paralelo do emprego e da produtividade laboral. A produtividade do trabalho aumentou 1,6% em 2000. Em alguns Estados-Membros, em contraste com a década de 80, há indícios de que nos últimos dez anos um elevado crescimento da produtividade foi acompanhado de um acentuado aumento do emprego. Este facto poderá reflectir os efeitos colaterais da recente forte criação de empregos nos sectores das altas tecnologias e intensivos em conhecimento. De facto, o modelo de criação de emprego traduz claramente a transição para uma economia assente no conhecimento. Os sectores das altas tecnologias e intensivos em conhecimento impeliram a criação de emprego, contribuindo para mais de 60% do total de postos de trabalho criados entre 1995 e 2000, o que beneficiou não apenas os trabalhadores altamente especializados, mas também as pessoas com qualificações baixas ou médias empregadas nestes sectores.

Mais de 1,6 milhões dos novos postos de trabalho foram ocupados por mulheres, cuja taxa de emprego passou de 52,8% em 1999 para 54% em 2000.

Persistentes fragilidades estruturais

As melhorias registadas no mercado laboral da UE não eliminaram, porém, importantes fragilidades estruturais persistentes.

Em primeiro lugal, a taxa de desemprego permanece elevada, sendo duas vezes superior à dos EUA, por exemplo. A elevada taxa de desemprego juvenil, em especial, continua a ser uma característica da UE, atingindo 16,3% da população activa jovem, ou seja 7,8% de todos os jovens entre os 15 e os 24 anos.

A baixa taxa de emprego das pessoas mais velhas é um grave problema, com uma média da UE de 37,7% para o escalão dos 55-64 anos, muito longe da meta de Estocolmo.

Por último, persistem importantes disparidades entre homens e mulheres em termos de emprego, desemprego e segregação profissional.

Gráfico 1: Emprego e desemprego na União Europeia - panorâmica dos resultados 1996 e 2000

>REFERÊNCIA A UM GRÁFICO>

A Secção 3 apresenta os diagramas em diamante por Estado-Membro.

2. Aplicação das Orientações e das Recomendações para o Emprego 2001: avaliação de desempenhos e políticas na União Europeia

As Orientações 2001 sofreram alterações substanciais comparativamente às anteriores séries, em virtude da avaliação intercalar realizada em 2000 e da nova agenda política acordada na Cimeira de Lisboa. Foram definidos vários objectivos horizontais subjacentes à estratégia global de emprego. Além disso, foram acrescentadas novas orientações e alteradas algumas das existentes, por forma a enfatizar determinadas prioridades, relativas por exemplo aos estrangulamentos nos mercados laborais, à discriminação, ao trabalho não declarado, à meta comum de literacia em TIC para todos os trabalhadores até 2003 e aos objectivos nacionais referentes ao aumento do emprego feminino e das estruturas de cuidados.

Os Planos de Acção Nacionais para o Emprego 2001 (PAN) apresentam as políticas de emprego dos Estados-Membros de forma muito mais clara e coerente do que nos anos anteriores. Este facto parece reflectir não apenas o compromisso continuado dos Estados-Membros em termos da coordenação das políticas de emprego nacionais, mas também o reforço do propcesso de preparação a nível nacional. A elaboração dos PAN envolve um cada vez maior número de agentes a diferentes níveis - nacional, regional ou local - e de origens diversas - diferentes ministérios e parceiros sociais - numa sólida abordagem de parceria. Esta tendência constitui um factor positivo para a articulação mais eficaz das estratégias de emprego com outras políticas conexas.

Uma análise cuidadosa dos PAN revela uma tendência positiva em muitas das áreas abrangidas pelas Orientações, o que pode ser observado no Gráfico 1, onde o conjunto da UE se aproxima dos parâmetros de referência comuns em todos os indicadores-chave evidenciados. Contudo, o vigor e a coerência pretendidos das abordagens não são, por vezes, evidentes em muitas áreas vitais como é, por exemplo, o caso das acções que visam aumentar as taxas de emprego, acompanhar a transição para a sociedade do conhecimento, promover o envelhecimento em actividade e a igualdade de oportunidades, ou reformar os sistemas fiscais e de prestações. A intensificação destes esforços afigura-se ainda mais crucial agora que a economia global enfrenta mais incertezas do que no ano 2000.

A transição para uma sociedade assente no conhecimento - na base de toda a estratégia de Lisboa - reflecte-se sob vários aspectos nos PAN, especialmente em relação às questões da aprendizagem ao longo da vida - domínio onde a tónica é colocada nas e-competências e na e-aprendizagem - e do espírito empresarial - onde as TIC são apenas usadas como meio de simplificar a envolvente onde operam as empresas. Porém, nem sempre o modo como as estratégias nacionais em matéria de sociedade da informação contribuem para o processo do Luxemburgo são apresentadas claramente.

2.1. O enquadramento político global: reflectir os objectivos horizontais das Orientações 2001

Os novos objectivos horizontais definidos nas Orientações 2001 estabelecem o enquadramento político global da execução da Estratégia Europeia de Emprego, dando substância à ambição da Cimeira de Lisboa de alcançar o pleno emprego numa sociedade assente no conhecimento.

Os Estados-Membros dão respostas diversas ao Objectivo A em termos das formas de maximizar as taxas de emprego com vista às metas de Lisboa de 70% para o emprego total e 60% para o emprego feminino até 2010. A apreciação dos progressos deverá ter também em consideração as metas intermédias fixadas no Conselho Europeu de Estocolmo da Primavera de 2001, a saber 57% para o emprego das mulheres e 67% para o emprego global até 2005, e 50% para o emprego dos trabalhadores na faixa etária 55-64 anos em 2010 [6].

[6] Relativamente aos trabalhadores mais velhos, ver secção 2.2.1.

O emprego em números (ver quadro 1)

* Em 2000, a taxa de emprego global na UE aumentou para 63,3% e a das mulheres para 54%. À semelhança do que acontecera em 1999, os aumentos registados nas taxas de emprego foram de 1% para o emprego global e 1,2% para as mulheres. Os países com melhores desempenhos, com taxas de emprego acima dos 70%, foram, tal como no ano anterior, a Dinamarca, a Suécia, os Países Baixos e o Reino Unido. A Espanha, a Grécia e a Itália encontravam-se no extremo inferior da escala (cada um em torno dos 55%).

* As taxas de emprego aumentaram em todos os grupos etários em 2000, atingindo os 40,3% na faixa etária 15-24, 76,6% no grupo 25-54 e 37,7% no grupo 55-64 anos. Ainda que as diferenças entre Estados-Membros estejam a estreitar-se relativamente ao grupo etário 25-54, as disparidades nas faixas mais jovens ou mais velhas persistem ou estão a acentuar-se. As baixas taxas de emprego juvenil reflectem um aumento da proporção de jovens que prosseguem os seus estudos ou formação, mas os fracos níveis de participação dos trabalhadores mais velhos são mais preocupantes.

Quadro 1: Taxas de emprego - objectivos

>POSIÇÃO NUMA TABELA>

Poucos Estados-Membros apresentam uma abordagem global de como pretendem contribuir para a prossecução destas metas. Ainda que as Orientações convidem todos os Estados-Membros a considerar a definição de objectivos nacionais em termos de emprego, os Estados-Membros que estabelecem metas assaz ambiciosas a longo prazo [7], como a Dinamarca, a Suécia, os Países Baixos e o Reino Unido, são os que registam já taxas de emprego que excedem as fixadas em Lisboa. Outros Estados-Membros ou não definem quaisquer metas (embora, em alguns casos, refiram ou subscrevam os objectivos de Lisboa) ou estabelecem metas outras específicas, menos ambiciosas ou a curto prazo.

[7] Estas referem-se, por vezes, a grupos etários específicos ou a taxas de participação em vez de taxas de emprego.

O objectivo paralelo de melhor qualidade dos empregos, também fixado no Objectivo A, traduz-se numa preocupação transversal em vários PAN (Portugal, Bélgica, Dinamarca, Irlanda e França) ou é referido no âmbito de orientações específicas. Uma tónica comum é colocada na melhoria da oferta de mão-de-obra, em articulação com a aprendizagem ao longo da vida, as políticas laborais preventivas/activas e o combate ao trabalho não declarado. Em contrapartida, ainda que sejam referidas algumas iniciativas, a problemática da qualidade do emprego por si só não é desenvolvida em pormenor.

No âmbito do Objectivo B, e em resposta às recomendações relevantes formuladas no ano transacto a cerca de três terços dos Estados-Membros, foram registados progressos em matéria de aprendizagem ao longo da vida, a que os PAN 2001 dão incidência particular. Todavia, de um modo geral, não há provas de coordenação entre os ministérios relevantes. O quadro anexo mostra que metade dos Estados-Membros aplica actualmente estratégias globais e coerentes (Dinamarca, Países Baixos, Finlândia, Suécia, Reino Unido, França e Alemanha, sendo que os dois últimos estão em fase de afinação de alguns elementos finais). O Quadro 2 apresenta critérios amplos para estas estratégias, bem como um "ponto da situação" em cada Estado-Membro. Em termos de abrangência, os Estados-Membros tendem a cobrir mais amplamente os sectores da educação formal e da formação, integrando por vezes o reconhecimento da aprendizagem não formal. No entanto, se os Estados-Membros pretendem ser bem sucedidos na mobilização de mais não-aprendentes, é necessária uma melhor promoção e exploração da aprendizagem não formal, acompanhada de medidas destinadas aos grupos desfavorecidos e maior atenção às questões de investimento, nomeadamente esquemas de financiamento individual. Há também que dar maior destaque a serviços de aconselhamento e orientação e a percursos de aprendizagem intersectorial, os quais melhoram a coerência global dos programas disponíveis. A avaliação do impacto das medidas adoptadas é, de um modo geral, prematura, na medida em que as estratégias dos Estados-Membros encontram-se ainda em fase de desenvolvimento ou de aplicação inicial. O investimento em recursos humanos é essencial para o êxito da estratégia de emprego e necessário à execução da várias das orientações, nomeadamente as associadas à promoção da empregabilidade e da adaptabilidade da mão-de-obra. No entanto, apenas alguns Estados-Membros definiram metas para aumentar o investimento em recursos humanos (Bélgica, em matéria de formação na empresa) ou a participação em acções ulteriores de aprendizagem (Países Baixos, França, Bélgica-Flandres, Portugal e Alemanha), o que suscita problemas relativamente ao acompanhamento dos progressos nos outros Estados-Membros.

Quadro 2: Situação dos Estados-Membros em matéria de estratégias de aprendizagem ao longo da vida [8]

[8] A avaliação é indicativa e assenta fundamentalmente nos PAN 2001, mas também em outras informações pertinentes disponíveis. Explicações mais aprofundadas podem encontrar-se no documento de apoio dos Serviços da Comissão ao Relatório Conjunto sobre o Emprego.

>POSIÇÃO NUMA TABELA>

Notas:

A = Adequado. "Adequado" significa que um critério específico é considerado devidamente como prioridade, tanto na estratégia do Estado-Membro como nas acções concretas.

P = Parcial. "Parcial" significa que é dada alguma atenção ou prioridade ao critério, tanto na estratégia como nas acções.

I = Insuficiente. "Insuficiente" significa que um determinado critério está ausente da estratégia ou das acções ou que não lhe é prestada atenção suficiente.

Todos os Estados-Membros reconhecem o papel crucial dos parceiros sociais na aprendizagem ao longo da vida, ainda que a natureza/extensão do seu envolvimento seja variável e existam poucas informações sobre as suas iniciativas autónomas. Embora sejam referidas parcerias limitadas das/com as autoridades públicas, a participação da sociedade civil parece ser marginal, havendo que desenvolver uma melhor articulação entre os agentes e níveis de intervenção.

O Objectivo C insta os parceiros sociais a desempenhar um papel-chave no desenvolvimento e na execução de políticas aos níveis nacional e europeu. De um modo geral, os PAN reflectem uma tendência para o reforço desejado da cooperação, mas no conjunto, os contributos dos parceiros sociais carecem ainda de visibilidade e materialidade, tanto a nível europeu como nacional. Isto fica, em parte, a dever-se às situações específicas, descentralizadas e diversas dos parceiros sociais nos contextos europeu e nacional, que parecem obstar a que maximizem o seu papel no âmbito da Estratégia Europeia de Emprego, participando no processo que basicamente apoiam, tentando ao mesmo tempo manter a respectiva autonomia e independência.

A nível nacional, os parceiros sociais passaram, em muitos casos, a ser envolvidos mais eficazmente na preparação dos PAN, principalmente no âmbito de organismos tripartidos (Alemanha, Suécia, Irlanda, Bélgica, Grécia, Itália, Portugal e Espanha). Contudo, o contributo dos parceiros sociais a nível nacional em todas as fases do processo do Luxemburgo e em todas as áreas que lhes dizem directamente respeito não está ainda desenvolvido de modo convincente. Apenas num número reduzido de Estados-Membros, como é o caso da Bélgica, os parceiros sociais parecem ter instituído mecanismos para avaliar as respectivas acções.

No contexto do diálogo social a nível europeu, os parceiros sociais têm participado, tanto no plano interprofissional como sectorial. Ao nível interprofissional, as negociações concentraram-se no trabalho das agências temporárias e no teletrabalho. No plano sectorial, foram obtidos progressos nos sectores das telecomunicações, comércio, aviação civil, agricultura, construção e curtumes. Estas actividades foram acompanhadas de uma primeira tentativa de contribuir para o processo de informação e avaliação no âmbito da Estratégia Europeia de Emprego.

A articulação de políticas no contexto dos PAN (Objectivo D) deverá dar conta de como o objectivo fundamental de mais e melhores empregos é prosseguido em função das circunstâncias nacionais. Tal como em anos anteriores, os PAN continuam, de um modo geral, a colocar uma tónica acrescida nos pilares da empregabilidade e, em menor grau, do espírito empresarial. Pese embora os progressos alcançados em matéria de envolvimento dos parceiros sociais, pelo menos na preparação dos PAN, o pilar da adaptabilidade continua a ser o menos desenvolvido, em virtude de insuficiente informação sobre os resultados reais obtidos pelos parceiros sociais e respectivo impacto no emprego. Em comparação com 2000, menos destaque é dado pelos Estados-Membros ao pilar da igualdade de oportunidades, em especial naqueles países onde esta vertente tem sido mais débil.

Em termos dos aspectos regionais do Objectivo D, as disparidades regionais continuam a constituir um problema grave em vários Estados-Membros (ver gráfico 2). Os desequilíbrios no desemprego continam a ser mais problemáticas na Itália, Espanha, Alemanha e Bélgica, estando mesmo a acentuar-se nestes dois últimos casos. As reduções conseguidas pela Finlândia e pelos Países Baixos, no entanto, vêm demonstrar serem possíveis melhorias nesta área.

Gráfico 2: Taxas de desemprego nas regiões NUTS 2 [9] em 2000 [10]

[9] Refere-se a unidades territoriais nas estatísticas europeias.

[10] As disparidades no desemprego são medidas pelo coeficiente de variação, o qual é obtido dividindo o Desvio Padrão pelo valor mediano ponderado pela média (média ponderada da taxa de emprego/desemprego num país)

>REFERÊNCIA A UM GRÁFICO>

Fonte: Cálculos com base no Inquérito às Forças de Trabalho - Eurostat

Em resposta às persistentes disparidade regionais, os Estados-Membros estão a conferir maior relevo à dimensão regional das políticas de emprego, e as autoridades regionais tendem a abandonar o seu papel de executores para participarem activamente na concepção de políticas e de acções em prol do emprego ou de um desenvolvimento mais amplo. Na verdade, alguns Estados-Membros (Finlândia, Portugal, Reino Unido) estão a desenvolver planos de acção regionais (PAR) com base na Estratégia Europeia de Emprego, os quais poderão vir a conduzir a planos de acção locais (PAL). Além disso, os programas nacionais são cada vez mais concebidos por forma a permitir uma aplicação flexível aos níveis regional/local, por vezes em paralelo com programas regionais separados, que complementam as políticas e/ou o financimento provenientes de autoridades nacionais. Os Fundos Estruturais da União Europeia podem ser utilizados a ambos os níveis e, como tal, desempenham um importante papel de apoio a este desenvolvimento, facultando também, através de objectivos nacionais/regionais definidos nos programas, uma dimensão quantificável para avaliar os progressos, que de outra forma seria difícil de obter.

Uma cooperação estreita entre a Comissão e o Grupo "Indicadores" do Comité do Emprego conduziu à definição de 20 novos indicadores para ajudar o acompanhamento da aplicação das Orientações (Objectivo E), especialmente em matéria de aprendizagem ao longo da vida, adaptabilidade e organização do trabalho, tributação e sistemas fiscais e de prestações, disparidades regionais, exclusão e discriminação. Na sequência da Cimeira de Estocolmo, outras áreas prioritárias para o ulterior desenvolvimento de indicadores são a qualidade do trabalho e a igualdade de oportunidades (disparidades salariais entre homens e mulheres e estruturas de cuidados a crianças/outros dependentes.

2.2. Avaliação dos progressos alcançados no âmbito dos quatro pilares das Orientações 2001

2.2.1. Empregabilidade

O principal objectivo deste pilar consiste em melhorar a empregabilidade de trabalhadores e desempregados, de modo a contribuir para a prevenção e redução do desemprego e apoiar o objectivo geral de elevar as taxas de emprego na União Europeia. O pilar abrange a problemática do desemprego juvenil e da prevenção do desemprego de longa duração, promovendo políticas laborais activas destinadas a desempregados e inactivos, reformas dos sistemas fiscais e de prestações e o desenvolvimento de competências para o movo mercado de trabalho no contexto da aprendizagem ao longo da vida. Foram acrescentadas duas novas orientações: uma relativa à concepção de políticas em prol do envelhecimento activo, e uma outra sobre políticas activas para melhorar a correspondência oferta/procura de empregos e combater os estrangulamentos emergentes.

Consolidação de abordagens de prevenção do desemprego de longa duração e destaque acrescido para a eficácia

O desemprego de longa duração em números

* Em 2000, o desemprego de longa duração registou uma diminuição, tanto no caso dos jovens como dos adultos. Essa diminuição foi ligeiramente superior à registada no desemprego global.

* Contudo, 1,7 milhões de jovens, representando 51,6% dos desempregados entre os 15-24 anos, estão em situação de desemprego há pelo menos 6 meses.

* Cerca de 5 milhões de adultos, o que corresponde a 50% dos adultos desempregados, estão em situação de desemprego há pelo menos 12 meses.

* As taxas de influxo para o desemprego de longa duração variam grandemente entre os Estados-Membros, oscilando entre 1% (Suécia e Áustria) e mais de 40% (Bélgica, no caso dos jovens).

Em 2000, não foram registadas alterações importantes em termos da concepção global das abordagens preventivas. À parte a sua extensão em alguns Estados-Membros, os esforços concentraram-se geralmente na melhoria da qualidade e da eficácia da prevenção. As principais linhas de acção neste domínio consistiram em antecipar o momento de intervenção (Irlanda e Reino Unido), reforçar a individualização dos serviços (Alemanha, Espanha e Bélgica), intensificar a intervenção durante as primeiras fases e o apoio à procura de emprego (Finlândia e Reino Unido) e melhor adaptar as medidas de empregabilidade oferecidas aos desempregados, em especial as medidas de formação, às necessidades do mercado laboral (Finlândia, Reino Unido e Portugal).

Progressos acrescidos na execução, mas poucas alterações em matéria de cumprimento das metas da prevenção à escala da UE [11]

[11] Orientação 1: Até 2002, os Estados-Membros devem proporcionar uma nova oportunidade a todos os desempregados antes de completarem seis meses de desemprego no caso dos jovens, e doze meses de desemprego no caso dos adultos.

Pese embora os progressos obervados em 2000, Portugal é o único novo Estado-Membro em condições de se juntar ao anterior grupo de cinco países (Áustria, Suécia, Reino Unido, Luxemburgo e Finlândia) considerados próximos do cumprimento da meta da UE em matéria de redução do influxo de jovens e adultos para o desemprego de longa duração. Persistem dúvidas quanto à capacidade de cinco Estados-Membros conseguirem cumprir essa meta até 2002, seja em virtude de insuficientes dados quantitativos (Países Baixos) ou de incertezas e atrasos na conclusão do processo de modernização dos SPE (Alemanha, Itália e Grécia) ou na implementação plena da abordagem preventiva (Bélgica). São necessárias melhorias no que respeita aos sistemas de acompanhamento e, em especial, à disponibilização de indicadores definidos de comum acordo. Embora quase todos os Estados-Membros forneçam dados sobre os indicadores, nem sempre estes permitem avaliar o esforço e os resultados relativamente ao período mais recente e, de um modo geral, não dão qualquer indicação quanto à integração prática.

Oito Estados-Membros foram destinatários de uma recomendação referente às respectivas políticas preventivas e/ou sistemas de acompanhamento, a maioria deles pela segunda vez. As respostas são encorajadoras, na medida em que foram empreendidos esforços acrescidos, tanto no sentido de melhorar ou acelerar a implementação de abordagens preventivas, como de desenvolver sistemas de acompanhamento adequados. Contudo, no que respeita à prevenção, os resultados estão ainda longe de ser significativos em matéria do cumprimento da orientação e os sistemas de acompanhamento carecem ainda de ulteriores desenvolvimentos.

Avanços na modernização dos SPE, mas necessárias melhorias em matéria de acompanhamento e de adaptação do pessoal

A modernização dos Serviços Públicos de Emprego (SPE) está a avançar em todos os Estados-Membros, confirmando o papel crucial destes organismos na eficaz aplicação das políticas de emprego, em especial no referente à activação e prevenção. Os projectos de modernização reflectem também a situação de mudança no mercado de trabalho, dando maior ênfase ao apoio à procura de emprego no mercado laboral aberto, à melhoria das competências dos candidatos a emprego em função da procura e ao aumento da flexibilidade na prestação de serviços. Na maioria dos Estados-Membros, a extensão das modernas estruturas de TIC, bem como a cooperação reforçada com outros agentes do mercado, constituem um contributo essencial para o novo modelo de serviços prestados pelos SPE. Vários Estados-Membros (em especial a França e a Alemanha) fornecem informações exaustivas sobre as respectivas estratégias e acções empreendidas para adaptar a organização e os métodos de trabalho dos seus SPE às novas exigências, bem como calendários claros relativos ao processo de modernização, não dando, no entanto, informações sobre medidas adoptadas para adaptar os recursos humanos e assegurar um acompanhamento dos progressos.

Tónica continuada na activação

Em 2000, catorze Estados-Membros atingiram uma taxa de activação superior à meta de 20% [12] Apenas o Reino Unido se ficou por um nível ligeiramente acima dos 12%. A média dos três Estados-Membros com melhores resultados neste domínio (Suécia, Países Baixos e Irlanda) era de 44%. Na maioria dos Estados-Membros, a taxa de activação aumentou, devido ao maior destaque dado às medidas laborais activas e a um declínio do número de desempregados registados. O número de participantes em medidas de activação também registou aumentos, principalmente em termos de vários tipos de programas, ainda que em alguns países se tenha observado uma diminuição das taxas de participação. As despesas com programas laborais activos aumentaram ligeiramente. A diversificação e orientação das medidas activas foi prosseguida, tendo aumentado os programas de formação associados a um emprego, as iniciativas de arranque de actividade e similares. Em alguns países, a formação em TIC passou a ser incorporada em larga escala. Registou-se igualmente maior cooperação com os empregadores com vista à concepção das medidas activas.

[12] Ver Anexo 2.

Acompanhamento inadequado da eficácia das medidas activas

Em termos da eficácia das medidas laborais activas, apenas alguns Estados-Membros (Suécia, Dinamarca e Finlândia, e em menor grau Alemanha, Áustria, Espanha e Reino Unido) fornecem dados. Parece evidente que os incentivos à criação de empresas e vários tipos de formação em actividade são mais eficazes do que os tradicionais esquemas de formação providenciados pelo mercado de trabalho e de complementos salariais, em especial no sector público. Regra geral, as mulheres tendem a ser mais bem integradas do que os homens. O trabalho

encentado em prol da melhoria dos indicadores de integração deverá ser prosseguido na maioria dos Estados-Membros. No que respeita aos resultados, produtos e relação custo-eficácia das medidas, as informações são escassas. É necessário intensificar esforços para avaliar regularmente a eficácia dos programas activos oferecidos pelo mercado de trabalho. Uma nota crítica a registar é que na maioria dos Estados-Membros, as pessoas inactivas não estão suficientemente abrangidas pelas medidas de activação.

Esforços principalmente centrados nas reformas fiscais em detrimento dos sistemas de prestações

As recentes reformas concentram-se mais em tornar os sistemas fiscais mais favoráveis ao emprego, do que nos regimes de prestações. Os progressos obtidos na reforma destes últimos são insuficientes, com várias medidas empreendidas esporadicamente e as reformas a ser implementadas a ritmo lento. Alguns Estados-Membros dão conta de exaustivas revisões dos sistemas fiscais, através da melhoria das estruturas de incentivos, do reforço dos mecanismos de controlo e de restrições às condições de elegibilidade (Dinamarca, Países Baixos e Reino Unido). A França também tomou medidas para reduzir a taxa de imposto marginal efectiva. Outros centram-se no reforço da interacção entre sistemas fiscais e de prestações, atacando-se nomeadamente ao problema do desemprego e das espirais de pobreza, e do incentivo a reformas estruturais globais, em especial através da resolução da questão do elevado e persistente desemprego estrutural (especialmente, Bélgica, França, Países Baixos e Reino Unido).

Há que enfrentar o problema de redução do ainda elevado número de beneficiários de prestações e lidar de forma mais eficaz com a questão das prestações de invalidez, principalmente com vista a facilitar a reinserção no mercado laboral. Os Estados-Membros têm ainda de considerar o impacto nos géneros das reformas dos sistemas fiscais e de prestações e evitar desincentivos susceptíveis de desencorajar a participação das mulheres. Um passo positivo no sentido do reforço dos incentivos ao trabalho e da resolução do problemas dos "pobres que trabalham" é marcado pela tendência de introduzir ou aumentar prestações associadas a uma actividade ou dependentes de um emprego, como é o caso dos esquemas de regresso ao trabalho e de prémios de emprego, ou ainda de créditos de imposto sobre rendimentos auferidos.

Ausência de abordagens globais da questão do envelhecimento activo

A relevância da nova Orientação 3 relativa a políticas de envelhecimento em actividade foi sublinhada nas conclusões da Cimeira de Estocolmo, definindo o objectivo de, até 2010, elevar para 50% a média da União Europeia em termos da taxa de emprego das pessoas entre os 55 e os 64 anos.

Os mais velhos e o emprego

* As taxas de emprego em 2000 na faixa etária 55-64 anos permanecem baixas e variam consideravelmente em torno da média da UE de 37,7%, oscilando entre os 66,4% na Suécia e menos de 30% na Bélgica, Luxemburgo, Itália, Áustria e França. Apenas se observa um aumento modesto do nível de 36% registado em 1995.

* Tendo em conta as mudanças em curso nas políticas de emprego destinadas aos trabalhadores mais velhos, a forte procura de mão-de-obra e as insufiências regionais em matéria de competências específicas, as actuais elevadas taxas de emprego no escalão 45-54 anos (média da UE de 73,7% em 2000) poderão, dentro de uma década, traduzir-se em níveis de emprego significativamente superiores para o grupo etário seguinte (ver gráfico 3).

Gráfico 3: Taxas de emprego dos trabalhadores na faixa etária 55-64 (comparadas com o grupo 45-54 anos)

>REFERÊNCIA A UM GRÁFICO>

Fonte: Inquérito às Forças de Trabalho, Eurostat

Vários Estados-Membros procuraram respostas às preocupações suscitadas pelo desafio demográfico. Significa isto reformar os sistemas fiscais e de prestações, promover a participação sustentada e reduzir os incentivos à reforma antecipada por forma a aumentar a idade real de reforma, a qual é hoje substancialmente inferior à idade regulamentar na maioria dos Estados-Membros. Contudo, e de um modo geral, faltam abordagens globais de políticas de envelhecimento activo, sendo que a maioria dos Estados-Membros limita-se a tratar os trabalhadores mais velhos como mais um "grupo desfavorecido" no mercado de trabalho, não atacando a problemática numa fase anterior das carreiras dos indivíduos. Apenas alguns Estados-Membros dão resposta ao desafio, definindo metas estratégicas (Países Baixos e Suécia) ou dando atenção suficiente a políticas de reforço das capacidades dos trabalhadores mais velhos, tais como a formação e desenvolvimento no local de trabalho, destinados nomeadamente aos desempregados ou inactivos (ex. Dinamarca e Reino Unido). A maioria dos Estados-Membros adopta abordagens fragmentadas no domínio da reforma das prestações com escassas acções de acompanhamento dos progressos, faltando, de um modo geral, uma acção empenhada por parte dos parceiros sociais.

A implementação de estratégias de aprendizagem ao longo da vida avança, mas os progressos em matéria de e-learning são díspares

A aprendizagem ao longo da vida em números

* Níveis de instrução: mais de 60% das pessoas entre os 25 e os 64 anos na UE tinham completado, pelo menos, o ensino secundário de segundo nível em 2000. As significativas disparidades entre Estados-Membros estão agora a estreitar-se devido a progressos registados em gerações sucessivas de jovens; o fosso entre as taxas superiores e inferiores na faixa etária 25-34 diminuíram de 40,4% para 30,4% no período entre 1995 e 2000.

* A participação em acções de educação e formação permanece em níveis modestos. A taxa de participação no grupo etário 25-54 anos na UE aumentou apenas marginalmente em 2000, dos 7,8% registados em 1999 para 8%, em comparação com os 6,7% de 1997. A participação dos trabalhadores mais velhos é limitada, enquanto que as mulheres e, em especial os jovens, apresentam muito mais probabilidades de beneficiar destas acções.

* O abandono escolar precoce: em 2000, 18,5% dos jovens entre os 18-24 anos abandonaram prematuramente o sistema de ensino, com apenas a escolaridade equivalente ao nível secundário inferior - em vários Estados-Membros, esta taxa ascende ou excede os 30%. A percentagem de abandonos precoces é significativamente mais elevada entre os homens. Além disso, também eles estão em maior risco de desemprego.

Os Estados-Membros têm dedicado mais atenção à aprendizagem ao longo da vida, accionando uma ampla série de medidas que, cada vez mais, se enquadram em estratégias globais. De um modo geral, a educação inicial é menos visada do que a aprendizagem dos adultos, mas os Estados-Membros começam agora a manifestar, nos respectivos PAN, preocupação generalizada com a questão das competências básicas. A maioria deles promove a educação básica dos adultos (literacia, numeracia e, por vezes, info-competências e competências sociais), nomeadamente em contextos não formais. Todos os Estados-Membros visam incentivar mais jovens a permanecer em acções de aprendizagem. Nos casos em que as taxas de abandono escolar precoce são acentuadas, os Estados-Membros promovem programas escolares mais flexíveis no ensino secundário, bem como as escolas da segunda oportunidade. Numa tónica mais positiva, as disparidades em termos de instrução escolar na UE estão a estreitar-se, tendência gerada por progressos específicos por parte dos jovens.

Os Estados-Membros sublinham, por vezes, a necessidade de elevar as taxas de participação de adultos na aprendizagem, mas tendem a não fixar metas globais para esse aumento. É necessário assegurar que os PAN contenham informações sobre progressos obtidos na consecução das metas definidas em anos anteriores, sejam elas globais ou mais específicas. Cada vez mais, as medidas centradas nos indivíduos (por exemplo, contas/vouchers de aprendizagem) contribuirão para elevar as taxas de participação. Contudo, por forma a chegar junto de mais não-aprendentes e assegurar, assim, progressos neste domínio, seria conveniente uma tónica acrescida na diversidade das acções de aprendizagem dos adultos, tornando-as acessíveis e atraentes, bem como na prestação de serviços de informação, aconselhamento e orientação e na criação de centros locais de aprendizagem. Os Estados-Membros devem desenvolver mais os esquemas de aprendizagem não formal e informal, nomeadamente através do reconhecimento de aprendizagens anteriores, e prestar atenção à dimensão de género. O envolvimento dos parceiros sociais em políticas e medidas de aprendizagem ao longo da vida conheceu importantes reforços na maioria dos Estados-Membros, em particular em relação ao acesso aos programas e respectivo financiamento. Não obstante, são poucas as informações sobre as iniciativas que tomam autonomamente, em especial ao nível da empresa.

A maioria dos Estados-Membros dá conta de medidas de promoção das info-competências, privilegiando por vezes os grupos desfavorecidos e enquanto parte de uma estratégia transversal de e-learning. Vários Estados-Membros favorecem igualmente o desenvolvimento de conteúdos de e-learning. No conjunto de todos os elementos, verifica-se uma clara tripartição entre os países mais avançados (Dinamarca, Países Baixos, Suécia, Finlândia e Reino Unido), os que têm medidas em curso (Bélgica, Irlanda, Alemanha, França, Luxemburgo e Áustria) e aqueles cujos esforços têm de ser reforçados (Espanha, Grécia, Itália e Portugal). No que respeita às metas comuns de e-learning, é razoável esperar-se que quase todos os Estados-Membros tenham cobertura Internet a 100% nas escolas até ao final de 2001. Não obstante, em alguns Estados-Membros, a lentidão dos progressos exigirá esforços redobrados que deverão incluir as acções sublinhadas nas vertentes e-learning e e-working da iniciativa e-Europa 2002. Os desenvolvimentos em matéria de formação em TCI de todos os professores até finais de 2002 são encorajadores, mas a insuficiência de dados exclui a retirada de ilações precisas.

A escassez emergente de mão-de-obra e competências induz respostas políticas diferenciadas

A maioria dos Estados-Membros antecipa o agravamento dos problemas de estrangulamentos no mercado de trabalho a curto e a médio prazos, com base em previsões económicas e demográficas combinadas. Alguns Estados-Membros consideram estes desenvolvimentos como uma ameaça aos desempenhos da economia e do mercado de trabalho, ao passo que outros os vêem como uma oportunidade de facilitar a integração de determinadas categorias de trabalhadores na esfera laboral. Actualmente, na maioria dos Estados-Membros, os problemas restringem-se a alguns sectores/profissões (por exemplo, o sector das TIC, a indústria da construção, os cuidados de saúde, a educação e os serviços sociais, a hotelaria e restauração e as áreas técnicas altamente especializadas). Alguns, porém, encontram-se numa situação em que o mercado laboral está muito retraído, apresentando penúrias de competências específicas e insuficiências generalizadas de mão-de-obra (nas profissões pouco e muito especializadas). Para além das medidas de carácter geral adoptadas para reduzir o desemprego, aumentar a participação da mão-de-obra e melhorar a empregabilidade e as competências, são empreendidas várias iniciativas específicas para dar resposta à escassez de mão-de-obra e de competências e facilitar a transição para uma economia assente no conhecimento. Entre essas iniciativas, contam-se acções de acompanhamento, a mobibilidade profissional, a correspondência entre oferta e procura de emprego, a mobilidade geográfica e as parcerias.

A mobilidade em números

* Ao passo que a mobilidade geográfica entre os Estados-Membros da UE permanece relativamente reduzida - com apenas 225 000 pessoas a mudar de residência entre dois países da União em 2000 - a mobilidade geográfica entre regiões e os esquemas de permuta atingem já proporções consideráveis, com tendência para aumentarem. Cerca de 1,2% da população da UE mudou de residência para outra região dentro de um Estado-Membro da União Europeia em 1999. Aproximadamente 600 000 pessoas trabalham num país que não o da sua residência principal.

* Enquanto que a mobilidade profissional e a rotação de mão-de-obra na UE permanecem claramente abaixo dos correspondentes nos EUA, pelo menos no grupo dos trabalhadores altamente especializados, a mobilidade aumentou nos últimos anos. Entre 1998 e 1999, cerca de 10% de todos os trabalhadores altamente qualificados mudaram de emprego, oscilando entre os 12% registados no Reino Unido, Dinamarca, Finlândia e Espanha e os menos de 5% da Itália.

Há que prestar maior atenção à articulação entre o processo de emprego e a nova estratégia de inclusão social

Ainda que a Comissão tenha solicitado aos Estados-Membros a inclusão nos PAN para o emprego de medidas laborais visando a inclusão social, este aspecto não é suficientemente visível na maioria dos Estados-Membros. Este facto pode ficar a dever-se a diferenças nas abordagens adoptadas: uns sublinham que a política de emprego é o veículo mais eficaz para se obter inclusão social, ao passo que outros distinguem claramente entre as duas políticas. Alguns Estados-Membros consideram a política laboral (global) como um instrumento fundamental para promover a inclusão social. Outros, como a França, a Finlândia, os Países Baixos e a Itália, salientam as necessidades específicas das pessoas socialmente excluídas, defendendo que os diferentes grupos-alvo podem exigir a concepção de medidas especiais. À semelhança do que acontecera no ano passado, a maioria dos Estados-Membros privilegia a integração em detrimento das medidas anti-discriminatórias. Alguns, todavia, tentam aplicar uma abordagem mais equilibrada. O impacto do pacote anti-discriminação baseado no artigo 13º aprovado pelo Conselho em 2000 é evidente e, por vezes, mencionado explicitamente.

No que respeita às minorias étnicas e às pessoas com deficiência, apenas metade dos Estados-Membros (França, Espanha, Portugal, Alemanha, Áustria, Reino Unido e Irlanda) definiram metas nacionais no sentido de elevarem os níveis de emprego destas últimas, enquanto que só a Dinamarca e os Países Baixos estabeleceram metas para o primeiro grupo.

Um contributo fundamental dos PAN para o combate à exclusão está associado a medidas de promoção da reinserção dos desempregados de longa duração no mercado de trabalho. Vários Estados-Membros começam agora, ou começaram já, a introduzir abordagens individuais personalizadas idênticas às usadas no domínio da prevenção, enquanto que outros estão a rever os esquemas e medidas de emprego existentes, de modo a torná-los mais favoráveis à reinserção dos desempregados de longa duração. Ainda que a reintegração no mercado laboral desta categoria da população raramente seja considerada como meio de solucionar os problemas de estrangulamento, constitui um elemento importante da estratégia global de combate à exclusão social, em especial naqueles Estados-Membros com baixos níveis de desemprego e onde o desemprego de longa duração tende a concentrar-se em grupos específicos com dificuldades de reintegração.

2.2.2. Espírito empresarial

Este pilar tem por objectivo a provisão de condições favoráveis à criação de novos postos de trabalho. Visa facilitar uma envolvente favorável à criação de empresas, ao crescimento das mesmas e, em consequência, à geração de emprego. Este propósito deve ser conseguido nomeadamente através da redução dos custos de conformidade administrativa e dos encargos fiscais. Procura explorar eficazmente o potencial de emprego da sociedade do conhecimento e do sector dos serviços. E ainda estimular a acção em prol do emprego aos níveis regional e local. Este ano, entre os poucos elementos inovadores contam-se o incentivo à luta contra o trabalho não declarado, o fomento da educação empresarial e a promoção de avaliações de impacto das novas regulamentações nas empresas. O quadro que se segue apresenta uma panorâmica das principais medidas contidas nos PAN 2001.

Quadro 3: Objectivos das principais medidas descritas nos PAN 2001 em matéria de espírito empresarial

>POSIÇÃO NUMA TABELA>

Factos relacionados com a criação sectorial de emprego em 2000

* Em 2000, os sectores de alta tecnologia e intensivos em conhecimento criaram 1,5 milhões de postos de trabalho líquidos na UE. Tal como em anos anteriores, o crescimento do emprego continuou, de um modo geral, a ser mais forte no sector dos serviços e nas profissões altamente especializadas e não-manuais. A taxa de emprego no sector dos serviços continuou a aumentar e quase um milhão de novos postos foram criados na indústria. Por outro lado, as perdas de postos de trabalho continuaram a marcar o sector agrícola.

* Actualmente, os sectores com mais forte crescimento de emprego a nível da UE caracterizam-se todos pela alta tecnologia e pela elevada percentagem de empregos relacionados com as TIC ("sectores high-tech") ou por uma elevada intensidade em conhecimento, tal como se reflecte nos niveis educacionais da mão-de-obra ("sectores altamente qualificados"), ou ainda por ambas as tendências. O crescimento do emprego nestas áreas continua também a registar-se para trabalhadores com baixos níveis de competências, enquanto que se encontra estacionário ou mesmo em declínio para este subgrupo noutros sectores da economia.

* Ainda que a Irlanda, a Finlândia, a Espanha e os Países Baixos registem crescimento de emprego em todos os sectores da economia, com tendência reforçada para os sectores altamente qualificados, noutros países, como a Alemanha, a Áustria e a Suécia, esse crescimento tem sido positivo apenas nestes últimos, saldando-se pela negativa nas outras áreas.

* Este é um outro indício de que a dinâmica de emprego nos sectores altamente qualificados contribui decisivamente para o comportamento global do emprego nos mercados laborais europeus.

Utilizar as novas tecnologias para reduzir os encargos das empresas

Vários Estados-Membros dão conta do uso de sistemas electrónicos para efeitos de informação e registo em linha enquanto prática comum para simplificar o cumprimento das formalidades. Contudo, a abordagem de tornar disponíveis em linha documentos e informações não gera, de per si, formalidades mais simples, necessitando de ser complementada por uma estratégia clara de simplificação dos diferentes procedimentos que as empresas devem seguir nos seus contactos com os governos (partilha de informações com os diferentes departamentos governamentais, formulários mais simples) e das regulamentações nas quais esses procedimentos assentam. Os balcões únicos estão a revelar-se extremamente úteis, prestando melhores informações, assistência e aconselhamento na fase de pré-arranque de uma empresa.

Países como a Áustria, Alemanha, Espanha, Grécia, Irlanda, Luxemburgo, Suécia, Finlândia e Reino Unido envidaram esforços consideráveis para assegurar que as empresas (em especial as de pequena dimensão) integram as TIC nas operações do quotidiano e incentivar a vasta envolvente económica a adaptar-se às exigências da sociedade do conhecimento.

Abordagem incompleta em matéria de facilitação do recrutamento de novos efectivos

A relutância dos Estados-Membros em simplificarem as regras de recrutamento de pessoal continua a constituir um obstáculo à criação de emprego, que não é inteiramente compensado pelos esforços apresentados no sentido de aligeirar as disposições de segurança social ou tributação. De facto, enquanto que, para as pequenas empresas, a redução dos custos de pessoal serve para reforçar a vontade de os trabalhadores por conta própria criarem novos empregos, a simplificação das regras de recrutamento de efectivos permitir-lhes-á crescer mais rapidamente e gerar postos de trabalho em sectores particularmente críticos.

Progressos na criação de uma cultura empresarial

Os Estados-Membros parecem ter dado verdadeira prioridade a iniciativas que incidem no ensino do espírito empresarial. Não existem ainda provas do impacto dessas medidas na imagem do auto-emprego que, execpto no caso de algumas profissões, continua a ser largamente negativa. Em consequência, a situação em termos de auto-emprego afigura-se assaz estática, quando seria de esperar um aumento global significativo dos trabalhadores por conta própria, em especial no sector dos serviços. À parte as acções de formação em espírito empresarial, as medidas destinadas a elevar o reconhecimento social dos empresários são menos notórias, ou mesmo ausentes. Esse reconhecimento poderia gerar mais compensações para os empresários de sucesso e, por conseguinte, fomentar um maior envolvimento de jovens em actividades desse tipo.

Ainda que os Estados-Membros tenham empreendido várias medidas para promover o espírito empresarial das mulheres, faltam ainda dados concretos sobre o seu impacto.

As PME e o auto-emprego

* A taxa de emprego em empresas com menos de 50 trabalhadores tem permanecido estável ao longo dos últimos anos, em torno dos 27%.

* A taxa média de auto-emprego na União Europeia desceu de 15,4% para 14,8% entre 1998 e 2000.

* O emprego por conta própria é duas vezes mais elevado no caso dos homens do que das mulheres, com 17,6% e 10,9%, respectivamente, em 2000.

Combater o trabalho não declarado

O combate ao trabalho não declarado é susceptível de criar condições para empregos de melhor qualidade e acrescida concorrência saudável entre as empresas. A questão tem constituído uma preocupação de fundo, com 11 Estados-Membros a assumir compromissos promissores neste domínio nos respectivos PAN (Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Suécia e Reino Unido). A maioria destes países centra-se na simplificação das formalidade para a declaração de novos empregos, inspecções reforçadas e sanções para os infractores. Outros reforçaram as medidas empreendidas pela administrações fiscais no sentido de impedir que as empresas sejam expostas a concorrência prejudicial por parte daquelas que recorrem a trabalhadores ilegais. Um outro Estado-Membro vai ainda mais longe, recusando prestações e a adjudicação de contratos públicos a empresas processadas por trabalho não declarado. É ainda demasiado cedo para esperar notificação dos resultados de todas as iniciativas empreendidas.

Maior destaque para o desenvolvimento regional e local

A dimensão territorial da Estratégia Europeia de Emprego registou desenvolvimentos consideráveis. É possível observar uma cooperação inter-regional reforçada e, em alguns casos, foram introduzidos elementos do método aberto de coordenação na relação entre autoridades nacionais e regionais, tendo-se desenvolvido a "profissionalização" da gestão territorial. As formas de cooperação instituídas são bastante diversas, dependendo dos diferentes contextos institucionais. De um modo geral, a dimensão territorial está ainda demasiado confinada ao nível regional, onde os progressos são mais visíveis, mas o plano local conhece agora desenvolvimentos positivos. Os Serviços Públicos de Emprego estão a desenvolver cada vez mais uma dimensão territorial diversificada nas respectivas actividades, tornando-se participantes activos em parcerias locais e regionais. A fim de melhor dar resposta às necessidades específicas dos mercados de trabalho locais e regionais, aumentaram a flexibilidade na implementação de serviços e de programas laborais activos. O desenvolvimento da economia social é ainda modesto, embora tenha conhecido avanços desde 1999, com a maioria dos Estados-Membros a prestar apoio específico em termos de aconselhamento ou financiamento. De particular importância são as acções empreendidas com vista à igualdade de tratamento de organizações pertencentes à economia social e outras empresas, nomeadamente em termos de tributação ou de acesso a instrumentos financeiros de política económica.

Alguns progressos na redução da carga fiscal sobre o trabalho por conta de outrém, em especial o pouco qualificado e remunerado

A tributação geral e do trabalho

* A carga fiscal global [13] aumentou de 42,4% para 43,3% no período entre 1996 e 1999, com tendência para estabilizar em 2000 (43,1%). Em vários Estados-Membros, nomeadamente a Bélgica, a Dinamarca, a França, o Luxemburgo, os Países Baixos, a Finlândia e a Suécia, a carga fiscal global em percentagem do PIB é ainda elevada, excedendo os 45% (ver gráfico 4).

[13] Medida em percentagem do PIB.

* A carga fiscal sobre o trabalho [14] na UE diminuiu 0,8% no período 1996-2000, situando-se nos 40,6%, mas permanece alta em vários Estados-Membros. As reduções operadas relativamente ao trabalho pouco remunerado foram mais substanciais. Estas reduções observam-se em quase todos os Estados-Membros (à excepção do Luxemburgo e dos Países Baixos), excedendo em média 2 pontos percentuais no período 1996-2000 no caso de uma pessoa solteira auferindo 50% ou 67% do salário médio, para 35,2% e 39,2%, respectivamente, em 2000 [15].

[14] Indica a carga fiscal média efectiva sobre os rendimentos do trabalho e é calculada em percentagem da remuneração bruta.

[15] Os dados têm por base índices de tributação construídos para agregados domésticos hipotéticos.

As reformas fiscais dos últimos três anos variam entre os Estados-Membros. A maioria deles visa reduzir a carga fiscal global, essencialmente através de diminuições na tributação directa do rendimento individidual e das empresas ou de impostos sobre o capital que visam reforçar a competitividade destas últimas e estimular o crescimento e o emprego, ainda que apenas quatro Estados-Membros (Áustria, Finlândia, Alemanha, Países Baixos) tenham definido metas nacionais para a redução da carga fiscal global.

Gráfico 4: Receitas fiscais em % do PIB

>REFERÊNCIA A UM GRÁFICO>

Fonte: DG TAXUD, Comissão Europeia.

Um número crescente de Estados-Membros está empenhado no objectivo da redução da carga fiscal sobre o trabalho por conta de outrém. As respostas às recomendações dirigidas no ano transacto a dois terços dos Estados-Membros demonstram alguns progressos nesse domínio, variáveis segundo o país em questão. Tal como o demonstra o gráfico 5, os progressos são mais significativos relativamente ao trabalho pouco remunerado (bons exemplos encontram-se na Bélgica, França, Irlanda e Itália). Há, porém que prosseguir ou intensificar esforços no sentido de obter resultados mais visíveis. No entanto, nenhum Estado-Membro definiu uma meta quantificada [16]para a redução, tal como se solicitava nas Orientações. Uma redução gradual da tributação do trabalho é mais notória no caso do emprego pouco qualificado e remunerado. A componente mais importante dessa tributação continuam a ser as contribuições para a segurança social e outras (isto é, impostos sobre os salários) pagas pelos empregadores, representando em média mais de metade de tais encargos. Em alguns Estados-Membros, a diminuição da tributação do trabalho foi acompanhada de reformas dos impostos ecológicos, enquanto que os incentivos fiscais concedidos a indivíduos e empresas visando estimular o investimento em recursos humanos são limitados.

[16] Todavia, a Alemanha definiu uma meta parcial para a redução das contribuições para a segurança social para 40% dos salários brutos (actualmente estimadas em cerca de 41%).

Gráfico 5: Carga fiscal média para um trabalhador solteiro que aufere uma baixa remuneração [17]

[17] A média da UE é uma média ponderada (pelo número de pessoas que trabalham no sector transformador em cada Estado-Membro).

>REFERÊNCIA A UM GRÁFICO>

Fonte: DG TAXUD, Comissão Europeia, assente na base de dados da OCDE.

2.2.3. Adaptabilidade

No âmbito do pilar da Adaptabilidade, os parceiros sociais e os governos são instados a melhorar, através de uma abordagem de parceria, o nível e a qualidade do emprego e a reforçar a competitividade da economia europeia a fim de facilitar a criação de postos de trabalho. Os esforços envidados centram-se na identificação de um equilíbrio saudável entre flexibilidade e segurança, necessário à conciliação das necessidades de trabalhadores e empresas. As Orientações para o Emprego 2001 introduziram alguns aspectos inovadores que alargaram o âmbito do pilar da adaptabilidade, através nomeadamente de referências específicas à higiene e segurança no trabalho, à qualidade e à aprendizagem ao longo da vida, bem como da definição de uma meta para a literacia na sociedade da informação a atingir até 2003. Além disso, os parceiros sociais foram convidados a, anualmente, dar conta das suas próprias actividades.

Destaque acrescido para as questões do tempo de trabalho ...

As políticas estão ainda centradas, em grande medida, nas questões do tempo de trabalho. Governos e parceiros sociais dão claramente prioridade a este aspecto da reforma da vida profissional. No entanto, a tónica anteriormente prevalecente na redução do tempo de trabalho é cada vez mais complementada por disposições que favorecem a flexibilidade. A maioria das inovações foi lançada no contexto da instituição de sistemas mais flexíveis de tempo de trabalho. Os recentes desenvolvimentos nesta área incidem em dois aspectos: duração e flexibilidade, isto é, seja pelo alargamento dos períodos de referência ou pela introdução de contas de tempo de trabalho a longo prazo. O trabalho a tempo parcial, sendo a mais importante forma de trabalho flexível na UE, foi objecto de legislação e/ou acordos.

Gráfico 6: Emprego a tempo parcial em proporção do emprego total, 1995-2000

>REFERÊNCIA A UM GRÁFICO>

Fonte: Inquérito às Forças de Trabalho - Eurostat

... e modelos flexíveis de trabalho

Verifica-se uma tendência generalizada para novos e flexíveis modelos de trabalho, facilitando a introdução e o recurso a contratos por tempo determinado, o trabalho temporário e o trabalho a tempo parcial (ver gráfico supra), através de acordos colectivos. Os governos, por vezes em cooperação com os parceiros sociais, estão também a reagir a esta tendência e a desenvolver - ou a adaptar em conformidade - os respectivos quadros jurídicos. O trabalho temporário está agora regulamentado em todos os Estados-Membros, através de legislação por vezes implementada via acordos com os parceiros sociais. O mesmo se aplica à maioria das iniciativas em matéria de contratos por tempo determinado, cujo número está a aumentar a nível da UE embora a situação seja consideravelmente diferente segundo o Estado-Membro. Apenas em alguns países (Áustria, Dinamarca, Irlanda; Alemanha e Suécia) o teletrabalho foi objecto de acções específicas ou acordos colectivos.

Flexibilidade no emprego e tempo de trabalho

* O emprego atípico [18] é cada vez mais comum, representando actualmente 29,8% de todos os contratos laborais (contra 29% em 1999); as proporções mais elevadas observam-se nos Países Baixos (54,3%), na Suécia (35,5%), na Espanha (33,7%) e na França (32,2%), registando-se os níveis mais baixos na Grécia (12,3%), no Luxemburgo (14,4%), na Itália (16,1%) e na Áustria (23,8%). o número de pessoas empregadas a tempo parcial com contratos por tempo determinado permanece estável abaixo dos 3%.

[18] O emprego atípico engloba o trabalho a tempo parcial (com base numa auto-apreciação) e os contratos por tempo determinado (que, por definição, incluem o trabalho sazonal, o trabalho temporário e o trabalho esporádico).

* Na maioria dos Estados-Membros, o trabalho a tempo parcial constitui a forma mais comum de emprego atípico, sendo as excepções a Finlândia, a Grécia, Portugal e Espanha, onde os contratos por tempo determinado continuam a prevalecer.

* Só nos últimos cinco anos, a proporção de postos de trabalho a tempo parcial no emprego total aumentou cadenciadamente para 18%. Contudo, pelo terceiro ano consecutivo, foram criados mais empregos a tempo inteiro (mais de 2 milhões) do que a tempo parcial (cerca de 1 milhão). Os postos de trabalho a tempo inteiro representam quase 70% da criação líquida de emprego, proporção que era de 60% em 1999 e 54% em 1998. Um terço de todas as mulheres empregadas e 6% de todos os homens empregados ocupavam postos de trabalho a tempo parcial.

* O número médio de horas semanais trabalhadas permaneceu praticamente estável entre 1995 (36,6 horas) e 1999 (36,5 horas), diminuindo para 36,2 horas em 2000. A diferença entre o tempo de trabalho semanal de homens e mulheres permaneceu estável nas 7,7 horas.

Abordagem redutora da organização do trabalho e pouca atenção à qualidade no trabalho...

Talvez em resultado da concentração dominante no tempo de trabalho e nas questões jurídicas (visando em particular tipos de contrato mais flexíveis), outros aspectos no contexto da organização do trabalho não foram alvo de muita atenção, como é caso das ligações entre a introdução de novas tecnologias e a necessidade de adaptar a envolvente organizacional no interior da empresa, as novas técnicas de gestão, o trabalho de equipa, a redução dos níveis hierárquicos, o envolvimento dos trabalhadores nos processos de tomada de decisão ou a participação nos resultados das actividades da empresa, etc., questões que sistematicamente não são abrangidas pelos PAN.

Acresce que poucas iniciativas relacionadas especificamente com o objectivo de melhorar a qualidade do emprego são introduzidas este ano no pilar da adaptabilidade.

... à excepção da higiene e segurança no trabalho

No domínio da higiene e segurança no local de trabalho, vários Estados-Membros (Áustria, Dinamarca, Irlanda e Espanha) desenvolveram novas abordagens, por forma a assegurar uma mais eficaz aplicação da legislação existente e promover medidas de redução dos acidentes e doenças profissionais. O instrumento privilegiado para esta abordagem é o alargamento dos mecanismos de orientação. Estes esforços visam reforçar a qualidade do trabalho, problemática que não recebeu atenção adequada no contexto do pilar da adaptabilidade. Em vários Estados-Membros (Dinamarca, Países Baixos e Portugal), os parceiros sociais estão representados directa ou indirectamente nos órgãos responsáveis pelo desenvolvimento, aplicação e fiscalização das regulamentações em matéria de higiene e segurança aos níveis nacional, regional e da empresa.

Os desafios da formação e da aprendizagem ao longo da vida não foram plenamente assumidos

O compromisso dos parceiros sociais para com a aprendizagem ao longo da vida ganhou novo ímpeto. No entanto, ainda que os Estados-Membros dêem conta de processos de consulta ou participação dos parceiros sociais na concepção de estratégias de aprendizagem ao longo da vida, os dados qualitativos fornecidos nos PAN e nas avaliações dos parceiros sociais não são suficientes para retirar conclusões gerais sobre o alcance e grau desse envolvimento, em especial na fase de aplicação. Os parceiros sociais salientam, porém, que o seu empenhamento, patente em acordos colectivos ou outras formas de iniciativas conjuntas, aumentou desde o ano passado. No que respeita à promoção da formação nas PME, são escassas as informações fornecidas. Grande parte das acções, baseadas em acordos e iniciativas conjuntas ou tripartidas, centra-se no acesso individual de trabalhadores à formação, em fundos de formação e na formação de grupos de risco. As acções mais avançadas associam tempo de trabalho a formação, através de instrumentos como as contas de tempo de trabalho a longo prazo. A meta de proporcionar a todos os trabalhadores a oportunidade de obter literacia na sociedade da informação até 2003 quase não foi abordada nos PAN 2001.

Os parceiros sociais participam mais, mas os contributos carecem ainda de visibilidade e materialidade

De um modo geral - e em conformidade com várias das recomendações do ano passado relativamente ao emprego - o envolvimento dos parceiros sociais na concepção e aplicação das estratégia nacionais de emprego melhorou claramente. Contudo, a visibilidade dos seus contributos não é ainda satisfatória; os parceiros sociais não utilizaram ainda a oportunidade que lhes é proporcionada pela Orientação 13, que os insta a dar conta anualmente da modernização da organização do trabalho; e nenhum destes processos foi lançado em qualquer Estado-Membro.

2.2.4. Igualdade de oportunidades

O objectivo deste pilar consiste em consolidar as políticas de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres no mercado de trabalho, de modo a reforçar o impacto político no âmbito dos três outros pilares. Este propósito é procurado através de uma abordagem de integração da perspectiva de género (gender mainstreaming) nos quatro pilares, reduzindo as disparidades entre homens e mulheres (desemprego, emprego, segregação profissional e remuneração), e de políticas orientadas para a conciliação da vida profissional e familiar. Os novos elementos do quarto pilar este ano dizem respeito, em particular, ao gender mainstreaming: necessidade de desenvolvimento de sistemas consultivos com organismos em prol da igualdade, aplicação de procedimentos de avaliação do impacto nos géneros, e concepção de indicadores de igualdade de oportunidades para cada Orientação. Além disso, o acesso das mulheres às acções de aprendizagem ao longo da vida e à formação em TIC deve ser facilitado, devendo igualmente ser encarada a definição de metas nacionais para o emprego feminino e os cuidados a crianças e outros dependentes.

A igualdade de géneros enfraquecida na articulação de políticas

Enquanto que nos anos anteriores se registou uma tendência positiva na forma como os Estados-Membros haviam tratado as questões da igualdade, em 2001 foi dado menor destaque ao pilar da Igualdade de Oportunidades, em especial em comparação com o ano passado. Este é particularmente o caso dos Estados-Membros onde a igualdade de oportunidades tem sido menos pronunciada e o desafio da participação feminina no mercado de trabalho é mais importante. É essencial um reequilíbrio de políticas por forma a incentivar activamente a participação das mulheres no mercado laboral, não apenas no início de carreira, mas também em pontos intermédios, para as ajudar a manterem-se activas por mais tempo. Fundamentais neste contexto são as questões da igualdade de remuneração, de estruturas adequadas de cuidados combinadas com estratégias de conciliação da vida profissional e familiar e da aprendizagem ao longo da vida. Os parceiros sociais devem reforçar a sua acção para melhorar a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres.

Respostas desiguais às recomendações em matéria de igualdade de oportunidades

Os PAN 2001 representam uma segunda oportunidade para os Estados-Membros (nos casos relevantes) darem resposta às Recomendações do Conselho em matéria de igualdade. As respostas são díspares. A Irlanda, a Dinamarca, a Finlândia, a Suécia e o Reino Unido lançaram algumas iniciativas interessantes. Contudo, dado que algumas estão ainda numa fase inicial de implementação, há que acompanhar cuidadosamente os resultados, sendo a avaliação do impacto político ainda prematura. A Alemanha, a Áustria, Portugal e o Luxemburgo deram respostas parciais às recomendações. A Itália, a Espanha e a Grécia deram início a algumas acções, mas, dadas as difíceis situações de partida e a envergadura dos desafios, há que reforçar as estratégias.

Aumento da participação feminina - algumas metas

As disparidades entre homens e mulheres no emprego e no desemprego

* À semelhança de anos anteriores, as mulheres foram as principais beneficiárias da criação de empregos. Consequentemente, em 2000, as disparidades entre homens e mulheres no emprego na UE diminuíram ligeiramente para 18,5 pontos percentuais. Contudo, existem acentuadas diferenças entre os países, com os extremos a registarem-se na Suécia (3,8 pontos), Grécia e Espanha (cerca de 30 pontos). As disparidades no emprego equivalente a tempo completo na UE em 2000 eram de 25,7 pontos percentuais.

* Dos mais de 1,6 milhões de postos de trabalho ocupados por mulheres em 2000, a maioria era a tempo parcial. No período 1995-2000, a proporção de postos de trabalho a tempo parcial no emprego total aumentou para 18%, abrangendo um terço de todas as mulheres empregadas e 6% de todos os homens empregados.

* As taxas de desemprego diminuíram tanto para os homens como para as mulheres em 2000, resultando numa taxa média de desemprego feminino inferior a 10%. Contudo, com a taxa média de desemprego masculino na UE nos 7%, as disparidades de género no desemprego apenas diminuíram de 0,2 para 2,7 pontos percentuais. A Espanha continua a registar as disparidades mais acentuadas neste domínio. Outros países que apresentam diferenças marcadas entre as taxas de desemprego masculino e feminino são a Grécia, a Itália, a França e a Bélgica.

A consecução do objectivo de pleno emprego a longo prazo definido na Cimeira de Lisboa está dependente de uma melhor integração das mulheres no mercado de trabalho. Ainda que as taxas de emprego feminino tenham aumentado desde 1999, existem ainda disparidades substanciais entre homens e mulheres que ascendem a mais de 18 pontos percentuais. As medidas para promover a igualdade de oportunidades são numerosas, mas a maioria corresponde a acções isoladas sem um impacto significativo na situação global. A maioria das iniciativas prende-se com a facilitação da reinserção das mulheres desempregadas e inactivas no mercado de trabalho, o aumento das oportunidades de formação e educação, a revisão dos sistemas fiscais e de prestações e medidas de conciliação da vida profissional e familiar. As Orientações para o Emprego 2001 convidavam os Estados-Membros a considerar a fixação de metas para elevar a taxa de emprego das mulheres mas, com as excepções da França, Portugal e os Países Baixos, os países não definiram essas metas nacionais. De salientar, em particular, que os países com baixas taxas de emprego feminino não fixaram objectivos a nível nacional e só introduziram acções de alcance reduzido para melhorar a actual situação das mulheres em termos de emprego (Espanha, Grécia e Itália).

Progressos em termos de integração da perspectiva de género, mas ausência de abordagem global

Foram registados alguns progressos em termos da integração da perspectiva de género no que respeita a mecanismos de cooperação e de instrumentos de avaliação de impacto, mas a maioria dos Estados-Membros carece ainda de uma abordagem global [19]. De um modo geral, os Estados-Membros não aplicaram estratégias de avaliação de impacto para cada Orientação nem desenvolveram indicadores adequados para avaliar os progressos. Contudo, os países que recentemente optaram por integrar transversalmente a perspectiva de género continuam a registar progressos, alargando por exemplo as políticas ao nível regional e introduzindo programas de formação em igualdade para os efectivos das administrações públicas (França e Irlanda). Os países nórdicos reafirmam o seu compromisso para com a integração da igualdade entre homens e mulheres. Por outro lado, alguns países que foram destinatários de recomendações sobre a necessidade de promover ou continuar os respectivos esforços em prol da igualdade (Grécia, Alemanha, Itália, Espanha e Luxemburgo) não adoptaram ainda acções decisivas para melhorar a situação.

[19] "Global" neste contexto compreende medidas abrangendo sistemas consultivos com organismos que operam na área da igualdade, também a nível regional, procedimentos de avaliação do impacto de novas legislações em homens e mulheres, a provisão de indicadores e estatísticas, campanhas de sensibilização sob a forma de informação, formação, inquéritos e outras abordagens inovadoras.

Os objectivos em matéria de igualdade entre homens e mulheres não estão ainda plenamente integrados nas políticas de emprego no âmbito dos outros três pilares. Pouca atenção tem sido prestado às questões de género nas políticas que visam melhorar as info-competências e realizar uma sociedade assente no conhecimento. São também escassas as iniciativas notificadas sobre a redução do impacto negativo dos sistemas fiscais e de prestações.

Disparidades salariais entre homens e mulheres persistentemente elevadas

As disparidades salariais entre homens e mulheres (ver também gráfico 7)

* Segundo os dados mais recentes a nível da UE (fonte: Painel Comunitário dos Agregados Domésticos, remunerações horárias de trabalhadores para 15 horas ou mais), as disparidades salariais entre homens e mulheres diminuiu dois pontos percentuais entre 1996 e 1997, mas rondam ainda os 14%.

* A situação era mais grave no sector privado onde as disparidades se elevavam a 19 pontos percentuais, por oposição a 10 pontos no sector público. As disparidades salariais entre homens e mulheres diminuíram ou permaneceram estáveis em todos os Estados-Membros, à excepção da Espanha e da Áustria onde foi observada uma tendência para um ligeiro aumento.

Gráfico 7: Disparidades salariais entre homens e mulheres em 1997: total, sector público e sector privado

>REFERÊNCIA A UM GRÁFICO>

Fonte: Eurostat, Painel Comunitário dos Agregados Domésticos) Não existem dados disponíveis relativos à Suécia.

Pese embora a elevada visibilidade conferida à questão das disparidades salariais entre homens e mulheres na Cimeira de Estocolmo, as medidas para reduzir essas disparidades e diminuir os diferenciais de rendimento entre uns e outras são ainda limitadas. As iniciativas incidem principalmente na revisão dos sistemas de classificação de empregos, em várias medidas legislativas e em relatórios de estudos. Nos casos em que novas iniciativas são empreendidas, estas estão ainda numa fase precoce de implementação e, por vezes, carecem de acções concretas. Os Estados-Membros têm, pois, que redobrar esforços no sentido de solucionar este problema. Ainda mais importante é o papel e a responsabilidade dos parceiros sociais que não trataram a problemática especificamente, em particular nos mercados laborais onde a procura é elevada, facto que contraria o que haviam afirmado e declarado publicamente. Contudo, existem alguns bons exemplos de abordagens inovadoras, como é o caso da Dinamarca que aumentou a transparência da política salarial e facilitou a apresentação em tribunal de casos de discriminação salarial, bem como a introdução, na Suécia, de uma obrigação legal para os empregadores de reverem anualmente os salários no sentido de detectarem eventuais diferenças de remuneração injustificadas.

Algumas acções positivas para combater a segregação de géneros

A segregação de géneros em números

* Em todos os sectores, o emprego permanece altamente segregado por géneros, com os homens sobre-representados na agricultura, indústria e serviços financeiros, e as mulheres sobre-representadas noutros sectores como os cuidados de saúde, a educação e o trabalho doméstico. No período entre 1995 e 2000, a segregação diminuiu apenas em alguns sectores, como o comércio por grosso e a retalho e a intermediação financeira. O emprego nos sectores em rápida expansão como a alta tecnologia tende a enfermar de preconceitos de género, com os homens a absorver quase dois terços do total de postos de trabalho.

* A segregação de géneros em sectores e profissões continuou estável no último ano (17,8% nos sectores e 25,2% nas profissões [20].) Por profissão, a Finlândia, a Suécia e a Dinamarca apresentam a taxa de segregação mais elevada, oscilando entre os 28% e os 30%. Por sectores, Finlândia, Suécia, Portugal, Irlanda e Áustria registam as taxas mais proeminentes, com mais de 20%.

[20] A segregação entre os géneros é avaliada aplicando a taxa nacional de emprego de homens e mulheres a cada sector/profissão. As diferenças são somadas para obter um montante total do desequilíbrio entre os géneros. Este número é então apresentado em proporção do emprego total.

A segregação entre os géneros produz efeitos negativos na eficácia e no funcionamento do mercado de trabalho. Esta questão foi alvo de atenção pela maioria dos países com elevados níveis de segregação profissional e sectorial que haviam recebido recomendações políticas neste domínio. As iniciativas vão desde a alteração das opções educativas, à definição de metas de recrutamento em profissões sub-representadas e à formação em espírito empresarial especialmente destinada a mulheres. Contudo, as mudanças neste capítulo são lentas e estão estreitamente associadas a outras mutações estruturais na economia. Existem algumas - ainda que ainda em número muito modesto - iniciativas inovadoras para promover a participação das mulheres nos processos de tomada de decisão.

Falta de estruturas de cuidados restringe participação

O impacto da paternidade no emprego

* A presença de filhos influencia a plena participação das mulheres no mercado de trabalho. Em 2000, nos 11 Estados-Membros da UE relativamente aos quais existem dados disponíveis, 72% das mulheres entre os 20-50 anos de idade sem filhos estavam no mercado laboral, por oposição a apenas 59% das mulheres com filhos menores de 6 anos. Por oposição, os homens tendem a aumentar a sua participação no emprego com a presença de um filho no agregado familiar. 94% dos homens entre 20-50 anos com filhos têm emprego, por oposição a 89% sem filhos.

Este ano registaram-se várias iniciativas para ajudar os pais que trabalham em termos de uma organização mais flexível do trabalho, de estruturas de cuidados melhores e mais flexíveis e de reformas dos sistemas fiscais e de prestações. Igualmente a registar várias acções positivas presentes nos PAN para incentivar as mulheres a regressar ao emprego após um período de ausência.

Embora a Bélgica, o Reino Unido, a França, a Grécia, Portugal e a Irlanda tenham definido metas para aumentar a prestação de serviços de cuidados, na sua maioria as estruturas de acolhimento de crianças não são suficientes para dar resposta à procura. Os países com baixos níveis de cuidados à infância, em especial até aos 3 anos de idade, não estabeleceram metas e as acções empreendidas no sentido de melhorar a situação são muito limitadas (Itália, Espanha, Áustria, Alemanha e Países Baixos).

Há também que prestar atenção aos cuidados a idosos

Uma importante área nova, que progressivamente irá colocar mais desafios, é o cuidado a outros dependentes, em particular os idosos. A maioria dos Estados-Membros não começou ainda a dar a esta questão a atenção merecida e, por conseguinte, não dispõe de uma abordagem clara, muito menos de metas. Contudo, alguns Estados-Membros (França, Luxemburgo, Grécia, Portugal e Espanha) introduziram algumas iniciativas inovadoras nos respectivos PAN 2001.

3. Aplicação das Orientações e das Recomendações para o Emprego 2001: avaliação de desempenhos e políticas por Estado-Membro

Bélgica

Apreciação global: Forte crescimento económico (4,0% em 2000) com impacto positivo na situação do mercado de trabalho: o crescimento do emprego foi de 1,8%, a taxa de emprego aumentou para 60,5% e a taxa de desemprego decaiu para 7,0%. No entanto, as já longas fragilidades do mercado laboral belga só gradualmente começam a ser atacadas: elevados fluxos para o desemprego de longa duração, baixa participação das pessoas mais velhas no emprego, escassez de mão-de-obra crescente, elevada carga fiscal e não fiscal sobre o trabalho, a que se vêm juntar substanciais disparidades regionais e subregionais em termos de desempenho do mercado de trabalho.

Articulação de políticas [21]: O PAN belga oferece uma boa perspectiva global de como as diferentes autoridades definem a articulação de políticas com vista à execução da Estratégia Europeia de Emprego. Apesar de se terem intensificado os esforços para conferir maior coerência do PAN, o número total dos instrumentos do mercado de trabalho continua a ser elevado. Os orçamentos dedicados a cada um dos pilares revelam que os dois primeiros constituem o grosso do PAN. No que respeita ao pilar da adaptabilidade, a Bélgica regista resultados razoáveis em matéria de flexibilidade, o que resulta na necessidade de menos medidas neste domínio, A igualdade de oportunidades é uma orientação horizontal incorporada em várias outras políticas apresentadas no PAN. Os parceiros sociais têm estado activamente envolvidos na preparação e no acompanhamento do PAN aos níveis nacional e regional.

[21] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: Foram tomadas medidas para reforçar a acção preventiva dirigida aos jovens desempregados, mas não foi ainda proposto um adequado sistema de intervenção atempada no caso dos adultos desempregados. No que respeita à participação no mercado de trabalho das pessoas mais velhas, foram tomadas iniciativas no sentido de providenciar incentivos positivos à permanência no emprego, mas não é ainda certo se o foram em número suficiente para reduzir o abandono precoce do mercado de trabalho. A cooperação entre as diferentes autoridades do mercado laboral melhorou, tal como o atestam vários acordos de cooperação, embora se aguardem ainda os resultados ao nível operacional. O sistema fiscal foi tornado mais favorável ao emprego, através de um exaustivo pacote de reformas. Há que prosseguir as melhorias operadas no sistema de prestações. São variadas as iniciativas empreendidas com vista à construção de bases mais sólidas para a economia e a sociedade assentes no conhecimento, mas não está ainda disponível uma estratégia global de aprendizagem ao longo da vida, principalmente em virtude do elevado número de agentes envolvidos.

Desafios a enfrentar: A Bélgica deverá encontrar as estratégias mais eficazes para dar resposta às metas definidas para as taxas globais de emprego, bem como as referentes às mulheres e aos trabalhadores mais velhos. No que respeita a uma participação acrescida dos trabalhadores mais velhos, são imperativas iniciativas que visem inverter a tendência para a reforma antecipada, combinadas com outros incentivos (ao nível de trabalhadores e empregadores) que reforcem a capacidade desses trabalhadores permanecerem em actividade, colocando a tónica em acções de formação específica. Urgente é intensificar a acção preventiva no caso dos adultos, juntamente com programas de activação para os desempregados de (muito) longa duração, por forma a evitar a exclusão. As diferentes autoridades e os parceiros sociais deverão cooperar no sentido de desenvolverem uma estratégia mais coerente de aprendizagem ao longo da vida, e avaliar a relativa eficácia dos actuais instrumentos de promoção da aprendizagem ao longo da vida entre os diferentes grupos. A Bélgica enfrenta uma aguda escassez de mão-de-obra em alguns segmentos do mercado de trabalho. Para solucionar este problema, são necessárias medidas ulteriores para aumentar o apelo e a qualidade do ensino técnico e profissional e eliminar as barreiras regionais, linguísticas e étnicas do mercado laboral.

>REFERÊNCIA A UM GRÁFICO>

DINAMARCA

Apreciação global: A economia dinamarquesa continua a evoluir com dinamismo, com um crescimento económico de 2,9% em 2000. Embora se tenha registado apenas um ligeiro aumento da taxa global de emprego para 76,3%, esta é ainda a mais elevada da UE, tanto para os homens (80,8%) como para as mulheres (71,6%). O desemprego continuou a decair, situando-se nos 4,7%, tendência mais acentuada no caso das mulheres; o desemprego juvenil desceu para os 5,3% e o desemprego de longa duração cifra-se nos 1%. O mercado laboral continua retraído, com indícios de insuficiências em determinadas regiões e sectores. As tendências demográficas revelam igualmente uma redução a longo prazo no crescimento natural da mão-de-obra.

Articulação de políticas [22]: A Dinamarca está a responder positivamente à necessidade de aumentar a mão-de-obra, incidindo em grupos de potenciais trabalhadores como os de idade superior a 55 anos e os imigrantes, incentivando um mercado laboral mais inclusivo, aumentando a qualidade do ensino e actualizando as qualificações dos trabalhadores. O desafio de longo prazo está a ser cumprido, através de uma estratégia verdadeiramente global de aprendizagem ao longo da vida e do uso acrescido de TIC, mantendo a carga fiscal estável e reduzindo a dívida pública de modo a assegurar que os encargos financeiros não se tornam demasiado onerosos. Estão a ser empreendidas acções de apoio no âmbito de todos os pilares, embora o PAN não forneça muitas informações sobre o acesso ao emprego das pessoas que enfrentam o problema da exclusão social. Ainda que o influxo para o desemprego de longa duração seja reduzido, registaram-se atrasos ao proporcionar a todos um plano de acção antes de atingidos os limiares dos 6 e 12 meses. Uma nova estratégia empresarial visa aumentar o número de novas empresas e aliviar os encargos administrativos das PME. Em 2001, será reduzida a tributação sobre as empresas. Foram ainda propostas acções inovadoras com vista à redução das disparidades salariais e a segregação entre homens e mulheres.. Os parceiros sociais desempenham um papel activo na elaboração de políticas e respectiva execução a todos os níveis, incluindo a introdução de flexibilidade acrescida em termos de organização do trabalho.

[22] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: As reformas em curso para diminuir a pressão fiscal global sobre o trabalho conduziram a algumas reduções da taxa fiscal marginal, ainda que não à escala esperada em virtude de aumentos da tributação local. Além disso, as pequenas diferenças entre prestações e rendimentos derivados de baixos salários implicam efeitos limitados das reformas fiscais nos incentivos ao trabalho de grupos com rendimentos reduzidos, nos casos em que os incentivos ao trabalho continuam a depender largamente de regras de disponibilidade e critérios de elegibilidade rigorosos, em paralelo com políticas laborais mais eficazes. Foram prosseguidos os esforços para tornar o mercado de trabalho mais inclusivo e a revisão do regime de reforma antecipada voluntária está a produzir alguns resultados em manter as pessoas no mundo laboral. Novas iniciativas para melhorar o ambiente de trabalho procuram reduzir o abandono de uma actividade profissional causado por problemas de saúde. Ainda que se tenha verificado uma diminuição drástica do número de desempregados em licença para formação, a queda não foi tão acentuada em relação aos que se encontravam em licença parental. Foram empreendidos esforços consideráveis para integrar a dimensão da igualdade de oportunidades, estando o princípio actualmente consagrado na lei. Novas iniciativas foram lançadas para dar resposta ao problema das disparidades salariais e da segregação entre homens e mulheres.

Desafios a enfrentar: O principal desafio continua a ser o aumento da qualidade e da quantidade da oferta de mão-de-obra, em parte através do crescimento das taxas de participação e da melhoria da produtividade. Continuará a haver necessidade de acompanhar de perto e avaliar no terreno os efeitos das reformas, em especial as dos sistemas fiscal e de prestações, por forma a decidir se são suficientes para trazer mais pessoas para o mundo do trabalho. Neste contexto, há que prestar mais atenção à integração das minorias étnicas. As repercussões das novas iniciativas para dar resposta eficaz à segregação de géneros e às disparidades salariais entre homens e mulheres têm também de ser objecto de acompanhamento, nomeadamente as medidas destinadas a solucionar problemas de estrangulamentos. Os futuros PAN deverão incluir melhores informações sobre as pessoas que não estão abrangidas por um seguro de desemprego.

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ALEMANHA

Apreciação global: Cifrando-se nos 3%, o crescimento real do PIB em 2000 registou a subida mais importante dos últimos 10 anos, à semelhança do crescimento do emprego, com 1,5%. O desemprego (7,9%) continua a diminuir, mas a criação de postos de trabalho na parte Leste do país está estagnada e o desemprego permanece elevado. A taxa de desemprego juvenil continua muito abaixo da média da UE, mas o número de desempregados de longa duração, ainda que em descida progressiva, é superior à média comunitária (4%), e o influxo permanece idêntico. A taxa de emprego dos trabalhadores mais velhos (55-64 anos), embora se situe aproximadamente ao nível médio da UE, não registou qualquer aumento nos últimos anos.

Articulação de políticas [23]: Os desafios estão agora a ser enfrentados através de uma panóplia de medidas no âmbito da estabilidade global, de uma política macroeconómica orientada para o crescimento, da moderação salarial e da sustentabilidade a longo prazo das finanças públicas. As acções no âmbito do pilar da empregabilidade estão a ser progressivamente reforçadas, carecendo ainda de acutilância e coerência. Ainda que a aprendizagem ao longo da vida faça parte da agenda política, há que reforçar a sua implementação, com parcerias entre o governo federal, os governos regionais, outros agentes no domínio do ensino e da formação e os parceiros sociais. Do mesmo modo, apesar de se terem prosseguido os esforços políticos pelos e com os parceiros sociais no âmbito da Aliança para o Emprego, muitos exigem um acompanhamento mais intenso por via de acordos colectivos e, quando adequado, com apoios financeiros públicos. Uma série de acções específicas destinadas a fomentar o espírito empresarial e, nomeadamente, as reformas fiscais está a melhorar a envolvente empresarial para o investimento. A integração da igualdade de oportunidades continua a ser um ponto forte da agenda, mas carece de resultados concretos.

[23] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: Ainda que tenham sido empreendidas medidas para consolidar a abordagem preventiva, os instrumentos até agora accionados não conseguiram ainda concretizar o objectivo de consecução das metas para 2002 da Orientação 1 e reduzir substancialmente o desemprego de longa duração. O desafio de melhorar as perspectivas globais do emprego, que, à luz das metas de Estocolmo, assume relevância particular no caso das pessoas mais velhas, foi claramente reconhecido por todos os agentes do mercado laboral e constitui uma componente fundamental da Aliança para o Emprego. Relativamente às taxas de emprego global e das mulheres, registam-se progressos graduais na senda das metas de Lisboa. Com base em outros desenvolvimentos bem sucedidos no sistema dual de formação, bem como em outras acções destinadas a melhorar a formação contínua, a aprendizagem ao longo da vida é agora um tema político de primordial importância. Embora o governo federal tenha desenvolvido uma série de acções inovadoras e orientadas no âmbito de um plano de acção em matéria de aprendizagem ao longo da vida, estas não se traduziram ainda numa estratégia exaustiva apoiada por todos os agentes, nomeadamente os intervenientes na Aliança para o Emprego, e com metas quantitativas relevantes. Até ao momento, poucas acções concretas produziram resultados, designadamente no que respeita às várias inovações e reformas qualitativas da formação, incluindo a formação em TIC. A redução continuada do imposto sobre o rendimento e a recente diminuição do imposto sobre as empresas, bem como a aceleração da imposição do imposto ecológico, continuam a contribuir para diminuir a carga fiscal global. Alguns projectos-piloto iniciaram a redução dos custos salariais no extremo inferior da escala de remunerações. Prosseguiu a aplicação da abordagem dupla relativa à integração da perspectiva da igualdade e a acções específicas em prol das mulheres. O governo está empenhado em agir no sentido de solucionar o impacto dos sistemas fiscais e de prestações no emprego feminino e reduzir as disparidades salariais entre homens e mulheres, com base num relatório a apresentar no Outono de 2001.

Desafios a enfrentar: Continua a verificar-se um acentuado défice de empregos, nomeadamente na parte Leste do país. Ao mesmo tempo, é claramente aparente a escassez de competências, particularmente em matéria de TIC. A abordagem preventiva tem de ser consolidada, em especial no que respeita às minorias étnicas e aos trabalhadores migrantes, bem como na Alemanha Oriental. A taxa de emprego dos trabalhadores mais velhos tem de ser aumentada. A aprendizagem ao longo da vida precisa de mais investimento em capital humano, um compromisso claro por parte dos parceiros sociais e metas adequadas a nível qualitativo e quantitativo. A melhoria da inclusão social através de melhores empregos para os que auferem baixas remunerações continua a constituir um desafio. De importância fundamental continuam a ser as questões da disponibilização de mais estruturas de acolhimento (de crianças) e escolas com funcionamento contínuo a preços módicos, e da flexibilização do tempo de trabalho por forma a torná-lo favorável à família, reduzindo os desincentivos fiscais e eliminando diferenciais de remuneração discriminatórios. O processo de recuperação económica na Alemanha Oriental tem de ser revigorado através de políticas regionais e estruturais coerentes, a fim de reduzir substancialmente o subemprego. Há ainda que acelerar a definição de metas relevantes e de indicadores de progressos no âmbito de todos os pilares.

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GRÉCIA

Apreciação global: Em 2000, a economia grega cresceu 4,1%, sendo este o quinto ano consecutivo em que apresenta uma taxa de crescimento superior à média da União Europeia (3,3%). A Grécia é agora membro da zona euro. A produtividade laboral registou desempenhos mais favoráveis, à semelhança do crescimento do emprego e da taxa global de actividade. Contudo, os principais problemas estruturais do mercado laboral grego persistem: taxa de emprego (55,6%) inferior à média da UE (63,3%) e elevada taxa de desemprego que, pese embora uma redução pela primeira vez em vários anos (de 11,6% em 1999 para 11,1% em 2000) continua a ser superior à média comunitária, em especial no caso dos jovens e das mulheres. As disparidades entre homens e mulheres no emprego continuam a ser as mais elevadas da UE, ocupando o segundo lugar no que respeita ao desemprego.

Articulação de políticas [24]: A Grécia deu resposta aos desafios anteriormente apontados através de uma série de medidasque visam combater a rigidez do mercado laboral, fomentar o espírito empresarial, incentivar a adaptabilidade, aumentar o emprego, reduzir o desemprego e modernizar a organização do trabalho. A aplicação dessas medidas deve ser acelerada e objecto de acompanhamento, para que sejam alcançados resultados concretos. Estão em consideração racionalizações e uma reforma de fundo do sistema de segurança social. A empregabilidade continua a ser o pilar mais importante, ainda que se note já uma transição gradual para os outros pilares. A reforma dos Serviços Públicos de Emprego está em curso, sendo no entanto necessários esforços acrescidos por forma a acelerar o processo. Foram empreendidas medidas para reforçar o espírito empresarial. São imperativas novas inciativas essenciais para promover a igualdade entre homens e mulheres. Os parceiros sociais participaram activamente nos debates relativos a estas medidas. Há que prosseguir esforços no sentido do seu envolvimento mais activo e construtivo na concepção e aplicação de políticas, incentivado pelo governo. Estão a ser programadas acções em matéria de aprendizagem ao longo da vida e formação, sociedade do conhecimento, espírito empresarial e igualdade de oportunidades. Ainda que sejam já visíveis progressos, é necessário intensificar o desenvolvimento e o acompanhamento de indicadores, metas quantitativas e parâmetros de referência.

[24] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: O PAN 2001 grego é apresentado de forma mais completa e estratégica. Algumas medidas devem ser ainda mais focalizadas para as Orientações. A reestruturação dos Serviços Públicos de Emprego está em curso. A principal parte da reforma deverá estar concluída até finais de 2003, prosseguindo as medidas complementares até final de 2005. Este faseamento, porém, não deverá colocar obstáculos à plena execução da abordagem preventiva e individualizada e ao cumprimento das metas da Estratégia Europeia de Emprego. Regista-se com agrado o destaque dado à melhoria do apuramento de dados estatísticos, mas persiste a necessidade de um sistema de acompanhamento estatístico global. As medidas empreendidas para reduzir os impostos e incentivar a participação no mercado laboral estão no bom caminho. Antecipa-se um maior envolvimento das mulheres no mercado laboral, através de acções de mainstreaming e específicas, embora haja ainda muito espaço para progressos ulteriores. Ainda em fase inicial está uma estratégia global de aprendizagem ao longo da vida. As medidas tomadas para reduzir os encargos administrativos na criação de novas empresas são positivas, mas devem ser prosseguidas. Embora a maioria dos novos postos de trabalho criados o tenham sido nos serviços, o potencial de criação de emprego deste sector deverá ser plenamente explorado. Registaram-se desenvolvimentos positivos em termos da abordagem de parceria, mas devem ser prosseguidos esforços, em especial por parte dos parceiros sociais.

Desafios a enfrentar: Pese embora algumas melhorias observadas, persistem as deficiências estruturais do mercado de trabalho. Por conseguinte, a Grécia deverá continuar e intensificar esforços no sentido de desenvolver um enquadramento estratégico e uma série de políticas equilibradas e bem coordenadas; acelerar a reforma dos Serviços Públicos de Emprego e implementar políticas individualizadas de prevenção e activação; actualizar o sistema estatístico de acompanhamento; incentivar ainda mais a participação no mercado de trabalho, em especial das mulheres e dos jovens; desenvolver e aplicar uma estratégia global de aprendizagem ao longo da vida e melhorar a qualidade do ensino e da formação profissional, reforçar a articulação com as necessidades do mercado de trabalho e encorajar os parceiros sociais a adoptar uma atitude mais activa e construtiva, em especial no que respeita à modernização da organização do trabalho. Além disso, a Grécia terá de reforçar o acompanhamento e a avaliação das medidas já empreendidas, a fim de agir correctivamente se necessário.

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ESPANHA

Apreciação global: O ano de 2000 foi marcado na Espanha por um forte crescimento. O PIB e o emprego cresceram 4,1% e 3,3%, respectivamente, bem acima dos valores médios da UE, e o desemprego desceu, ainda que em menor escala do que no ano anterior, devido a um forte aumento da mão-de-obra. Contudo, os 14,1% das taxas de desemprego continuam a ser muito superiores à média da UE e as taxas de emprego (55%) muito inferiores, em especial entre as mulheres e os jovens. Características preocupantes do mercado laboral espanhol são ainda uma elevada proporção de contratos a termo e uma baixa percentagem de trabalho a tempo parcial, bem abaixo da média da UE. Por último, importantes disparidades regionais em matéria das taxas de desemprego coexistem com uma crescente escassez de mão-de-obra em alguns sectores e profissões.

Articulação de políticas [25]: A estratégia de emprego espanhola consubstanciada no PAN 2001 pode ser considerada uma continuação do que fora já adoptado em anos anteriores. Assenta na melhoria da empregabilidade da força de trabalho através do desenvolvimento de medidas activas, e no incentivo da procura de mão-de-obra, nomeadamente através da redução dos custos fiscais e administrativos das empresas e de uma criação de empregos estável. O objectivo do pleno emprego foi integrado no debate mas, pese embora o aumento do emprego e a taxa de emprego de 60% prevista no Programa de Estabilidade para 2004, não foram definidas metas concretas. Foram introduzidas medidas positivas em matéria de organização do trabalho, mas ainda sem resultados significativos. No que respeita à igualdade de oportunidades, a tónica tem sido colocada em acções específicas em detrimento da integração da perspectiva de género ou de estratégias de empregabilidade destinadas às mulheres. Ainda que sindicatos e associações patronais tenham participado activamente na elaboração do PAN, não deram o seu apoio a todas as medidas propostas. Não foi alcançado qualquer acordo com os parceiros sociais sobre a nova proposta de lei sobre a reforma do mercado laboral antes da sua adopção.

[25] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: Embora as medidas propostas abranjam as recomendações feitas, nem todas foram explicitamente consideradas no PAN 2001. A política de emprego centra-se na activação de prestações de desemprego e, em virtude do reduzido número de desempregados, na intensificação dos esforços orçamentais. Importantes são também as iniciativas para melhorar a coordenção dos serviços de emprego regionais, mas registaram-se atrasos na finalização do sistema. Apesar de um aumento contínuo da taxa de emprego feminino e de recentes medidas legais em prol de acções positivas, há que reforçar a integração da igualdade de oportunidades. As medidas para garantir um aumento significativo da participação feminina são ainda insuficientes, em especial no domínio do acolhimento de crianças dos 0 aos 3 anos de idade e de outros cuidados a dependentes, não tendo sido definidas metas quantitativas. O projecto da nova lei sobre formação profissional já foi apresentado, tendo sido assinado com os parceiros sociais o 3º Acordo Nacional em matéria de Formação Contínua, em Dezembro de 2000. Contudo, não foram propostas metas específicas no que respeita à implementação de uma estratégia coerente de aprendizagem ao longo da vida. A nova lei sobre a reforma do mercado de trabalho introduz maior flexibilidade nos contratos. Visa fomentar a contratação estável, promover o emprego a tempo parcial e dar especial atenção a pessoas com dificuldades particulares em aceder ao mercado de trabalho. Foram adoptadas algumas medidas no que respeita aos desincentivos ao trabalho decorrentes do sistema de prestações e à redução da carga fiscal sobre o trabalho.

Desafios a enfrentar: A Espanha terá de intensificar esforços para assegurar a provisão de uma força de trabalho suficientemente qualificada e flexível, reforçar a utilização das TIC e promover uma sociedade assente no conhecimento. A adopção da nova lei sobre formação profissional deverá fazer parte de uma estratégia global de aprendizagem ao longo da vida, a qual deve abranger a integração dos três subsistemas de formação profissional e assegurar uma coerência acrescida com a política de ensino e a aprendizagem não formal a todos os níveis. Devem ser empreendidas acções ulteriores para promover medidas específicas em termos de envelhecimento activo. Para aumentar a coordenção entre os serviços de emprego regionais e assegurar um equilíbrio adequado entre desenvolvimento regional e mobilidade profissional e geográfica, há que concluir a reforma desses serviços e acompanhar o respectivo impacto. A qualidade dos indicadores do PAN precisa de ser melhorada. Neste contexto, espera-se que o desenvolvimento do novo sistema de acompanhamento estatístico (SISPE) venha a desempenhar um papel fundamental. A redução do número de contratos por tempo determinado e um maior uso de contratos a tempo parcial continuam a ser desafios importantes. O objectivo de aumentar as taxas de emprego das mulheres requer a urgente aplicação de medidas críticas eficazes, para promover em especial a conciliação da vida familiar e profissional e o aumento das estruturas de acolhimento de crianças e outros serviços de cuidados a dependentes.

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FRANÇA

Apreciação global: A estratégia francesa em torno de um crescimento mais acentuado, intensivo em emprego e em benefício de todos está agora a ser perspectivada de acordo com os objectivos fixadas pelos Conselhos de Lisboa e de Estocolmo. A tónica é colocada na qualidade do emprego: mais estável, mais bem remunerado, mais intensivo em conhecimento, no contexto das melhores condições de organização e segurança do trabalho. A expansão da procura interna suscitou um crescimento do emprego de 2% e uma diminuição do desemprego (-1,7%). Por seu turno, iniciativas como o emprego dos jovens ou, em certa medida, a redução do tempo de trabalho produziram efeitos favoráveis no emprego. As negociações entre parceiros sociais sobre o tempo de trabalho tiveram, neste quadro, repercussões positivas, favorecendo a moderação salarial e o aumento de produtividade, através da reorganização do trabalho. No entanto, a taxa de desemprego global, bem como a das mulheres, continuam superiores à da média europeia. A taxa de actividade das pessoas com mais de 55 anos situa-se entre as mais baixas da UE.

Articulação de políticas [26]: O PAN apresenta uma boa cobertura do conjunto das Orientações e das objectivos horizontais. O número de beneficiários das acções de prevenção do "novo começo" está a progredir, ainda que abaixo dos objectivos fixados. A implementação de estratégias de inserção e de combate à exclusão permitiram reduzir a taxa de desemprego das mulheres e o desemprego de longa duração. Contudo, persistem desequilíbrios que testemunham a existência de um núcleo duro de desemprego que levará tempo a absorver. Por outro lado, a escassez de mão-de-obra começa a acentuar-se em alguns sectores, ao passo que a taxa de desemprego continua a ser importante. O programa "Novos serviços, empregos jovens" teve um efeito imediato e significativo no emprego juvenil, sendo o actual desafio o de consolidar esses postos de trabalho. Por último, a utilização das TIC foi intensificada.

[26] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: São de assinalar progressos em matéria de redução dos encargos administrativos das empresas, da modernização da organização do trabalho e da avaliação do impacto das medidas em prol do emprego dos jovens. A aplicação, por parte das pequenas empresas, da legislação sobre a redução do tempo de trabalho constitui, porém, um desafio de alguma envergadura. Prosseguem as negociações com os parceiros sociais para melhorar o sistema e a qualidade do ensino e da formação. Os resultados obtidos em 2001 quanto ao reforço da intervenção individualizada e preventiva em prol dos desempregados ficam aquém das expectativas. O projecto de acção personalizada para um novo começo, que constitui o novo dispositivo dirigido a todo os desempregados, está operacional desde 1 de Julho de 2001. O impacto das medidas propostas para obstar ao abandono precoce dos trabalhadores mais velhos do mercado de trabalho parece modesto face à importância do desafio. São de assinalar progressos em matéria de redução da pressão fiscal sobre o trabalho.

Desafios a enfrentar: Há que reforçar as medidas que visam o envelhecimento em actividade dos trabalhadores com mais de 55 anos. Devem ser envidados esforços para sensibilizar os parceiros sociais e a opinião pública para as implicações do recurso aos esquemas de reforma antecipada. A redução dos encargos fiscais sobre o trabalho que, pese embora os progressos obtidos, permanecem superiores à média europeia, deve ser prosseguida. Há que acompanhar de perto a política de prevenção no âmbito da aplicação do projecto de acção personalizada para um novo começo. A formação ao longo da vida deve ser promovida e continuado o diálogo sobre a reforma do sistema de formação contínua. Os efeitos sobre o emprego e o mercado de trabalho da passagem às 35 horas semanais nas pequenas empresas devem ser objecto de avaliação.

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IRLANDA

Apreciação global: O ano de 2000 assistiu a outro aumento substancial do emprego de 4,7% e a outra queda no desemprego para um nível histórico de 4,2%. Ainda assim, persistem alguns desafios estruturais. Embora o desemprego de longa duração tenha descido para menos de 2%, continuam a existir elevados números de pessoas economicamente inactivas e/ou a viver de subsídios. A taxa de emprego total é de 65,1% e as taxas de emprego de homens e mulheres em grande parte do espectro etário excedem as médias da UE, aproximando-se das metas de Lisboa e Estocolmo. O mercado de trabalho caracteriza-se por penúrias de mão-de-obra e de competências e mantém-se o risco de inflação salarial. Esta problemática deve ser tratada com prudência, através do aumento do volume da força de trabalho e das taxas de participação, retirando recursos de todas as fontes disponíveis. A produtividade laboral deve ser reforçada pelo investimento em competências e em estratégias de aprendizagem ao longo da vida, à semelhança da qualidade dos empregos criados.

Articulação de políticas [27]: O PAN deste ano prossegue a transição prudente da atenção dada à empregabilidade para os outros três pilares. Aponta os resultados da política de mobilização laboral introduzida em 1999, em complemento da estratégia preventiva. No entanto, o PAN não fornece números sobre os influxos para o desemprego, tornando difícil uma avaliação da estratégia adoptada. Os esforços empreendidos para aumentar a qualidade da mão-de-obra, através do ensino, da formação e da aprendizagem ao longo da vida requerem continuação sistemática. O programa tripartido para a prosperidade e equidade fornece o enquadramento para várias acções relacionadas com o emprego que têm agora de ser traduzidas na prática por todos os agentes. O compromisso assumido no ano passado para com a igualdade de oportunidades e a integração da perspectiva de género começa a produzir os primeiros resultados, à medida que o plano de desenvolvimento nacional é posto em acção. Com a execução desse plano, o desenvolvimento regional e local equilibrado deverá assumir importância acrescida para as futuras políticas laborais.

[27] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: Mais uma vez, a Irlanda registou uma aumento da taxa de emprego feminino, que iguala agora a média europeia. Contudo, situa-se ainda num modesto 10º lugar em termos da taxa de emprego das mulheres com mais de 35 anos na UE e abaixo das médias comunitárias. Na Irlanda, a reforma fiscal e as acções necessárias para melhorar a provisão e a qualidade do acolhimento de crianças estão agora a ser lançadas. A oferta de estruturas de acolhimento de crianças a preços módicos não é suficiente. É ainda preciso um horizonte temporal mais alargado para que se materializem progressos em termos da redução das disparidades salariais entre homens e mulheres e da segregação entre os géneros. A produtividade laboral aumentou substancialmente em 2000. O PAN dá conta de iniciativas disseminadas na área da actualização de competências e da aprendizagem ao longo da vida. Contudo, há que reforçar essas iniciativas de modo a estreitar o fosso entre os sectores do ensino e da formação. Embora o PAN inclua uma série de metas no domínio do ensino, não fornece objectivos concretos em matéria de aprendizagem ao longo da vida. Em particular, a área da formação profissional contínua para os trabalhadores continua a apresentar potencialidades de desenvolvimento, O fundo nacional da formação - já anunciado no PAN do ano passado - teve um arranque lento, mas deve ser agora usado para aumentar o investimento na formação contínua dos trabalhadores.

Desafios a enfrentar: A Irlanda continua a lutar por um crescimento do emprego equilibrado e sustentado, explorando a participação acrescida em especial por parte das mulheres e dos economicamente inactivos, a migração interna e o crescimento natural da força de trabalho. Além disso, devem ser prosseguidos activamente os esforços para reduzir as disparidades salariais entre homens e mulheres e as desigualdades de género, através de reformas fiscais e do aumento das estruturas de acolhimento de crianças. Está a ser preparada uma estratégia global de aprendizagem ao longo da vida, devendo ser asseguradas sinergias entre as diferentes componentes da mesma. Há que prestar especial atenção à formação em actividade. O êxito futuro da estratégia de emprego da Irlanda será também avaliado pelo grau em que as políticas laborais conseguirem atingir um desenvolvimento regional e local mais equilibrado no contexto de estratégias futuras.

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ITÁLIA

Apreciação global: Em 2000, foram registadas significativas melhorias nos resultados obtidos pelo mercado de trabalho: o crescimento do emprego cifrou-se em 1,5% em unidades equivalentes a tempo inteiro, ao passo que, até Janeiro de 2001, a taxa de desemprego descera abaixo dos 11%. Significativo foi o aumento da taxa de emprego feminino a um ritmo superior (1,3%) ao da correspondente masculina (0,8%). Determinantes neste resultado foram o rápido crescimento do emprego (2,9%), os incentivos fiscais destinados a favorecer a contratação e novas disposições flexíveis. Apesar de tudo isto, a taxa global de emprego (53,5%) continua a ser a mais baixa da UE, persistindo as tradicionais deficiências estruturais: baixa taxa de emprego dos jovens; acentuadas disparidades entre homens e mulheres no que respeita a taxas de emprego e de desemprego; desequilíbrios regionais. O termo do último mandato governamental e dificuldades no diálogo social contribuíram para restringir as ambições, o conteúdo e a orientação quantitativa do PAN. O novo governo definiu metas globais em termos de emprego de 58,5% até 2005 e 61,3% até 2010, e delineou a sua estratégia futura orientada para a modernização do enquadramento laboral regulamentar, a liberalização dos Serviços de Emprego e o combate ao trabalho não declarado.

Articulação de políticas [28]: Mais dos que inovações no articulado das políticas, são observáveis alguns progressos na aplicação das estratégias estabelecidas. O PAN italiano centra-se no pilar da empregabilidade com incentivos fiscais para novos empregos, que favorecem igualmente a regularização do trabalho não declarado no Sul, algumas medidas em matéria de aprendizagem ao longo da vida e incentivos à permanência na esfera profissional. No âmbito do pilar do espírito empresarial, foi alargado o apoio a áreas desfavorecidas, ao mesmo tempo que dificuldades no diálogo social atrasaram o processo em curso de modernização da organização do trabalho. As acções em prol da igualdade de oportunidades continuam a ser demasiado modestas. Persistem limitações no desenvolvimento de sistemas de acompanhamento e avaliação das políticas implementadas.

[28] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: É de reconhecer as melhorias em termos da articulação de políticas definida no PAN 2000, mas estas não constituem ainda uma reorganização global. A revisão do regime de pensões está planeada para o corrente ano, tendo a reforma geral do sistema de prestações sociais sido mais uma vez adiada. Foram reforçados os incentivos fiscais à contratação de trabalhadores desfavorecidos ou à passagem de um emprego "precário" para condições laborais mais estáveis. Não foram fornecidas informações sobre novas acções destinadas a prevenir o influxo de jovens para o desemprego de longa duração, ao passo que as medidas dirigidas aos adultos desempregados se centraram em incentivos à contratação. Está em curso a estruturação local dos SPE, mas foram registadas dificuldades na distribuição de recursos às administrações locais; este atraso impediu a implementação de uma abordagem preventiva dirigida aos desempregados de longa duração e a disponibilidade de dados administrativos no Sistema de Informações sobre o Emprego (SIL). Em consequência, o PAN não fornece indicadores de input ou output. Foram adoptadas acções marginais para promover o emprego das mulheres, mas em número insuficiente para constituir uma estratégia global com vista ao reforço da igualdade de oportunidades. Não foi desenvolvida uma estratégia quantitativamente definida em termos de aprendizagem ao longo da vida, mas foram registadas melhorias e acções específicas, também com a participação dos parceiros sociais.

Desafios a enfrentar:A coerência da articulação de políticas e a respectiva compatibilidade com as metas de Lisboa deverão ser prosseguidas, atendendo particularmente às acentuadas disparidades regionais; há que fornecer dados do sistema de acompanhamento estatístico por forma a permitir uma avaliação dos esforços nacionais. As acções destinadas a reduzir as disparidades entre homens e mulheres deverão deixar de ser pontuais para passar a constituir uma estratégia global que abranja os quatro pilares, dedicando especial atenção à provisão de cuidados a crianças e a outros dependentes. Com o mercado laboral a ser caracterizado por elevadas taxas de desemprego juvenil e de longa duração, a reforma dos SPE e a ausência de aplicação do SIL continuam a constituir factores críticos que impedem a abordagem preventiva. Em virtude dessas fragilidades, a prometida reforma geral do sistema de prestações é cada vez mais necessária. Há que continuar a prestar atenção particular à redução da carga fiscal sobre o trabalho, em especial a que incide sobre os trabalhadores com baixas remunerações. São exigidos esforços acrescidos para conceber e aplicar uma estratégia quantitativamente definida de aprendizagem ao longo da vida que vise especificamente o aumento da taxa de emprego das mulheres, dos trabalhadores mais velhos e de outros grupos desfavorecidos.

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LUXEMBURGO

Apreciação global: Um forte crescimento económico (8,5%), uma política de emprego preventiva e activa revista periodicamente em concertação com os parceiros sociais, a individualização dos serviços de emprego contam-se entre os factores que explicam uma quase ausência de desemprego no Luxemburgo (2,4%). Esta economia caracteriza-se por uma grande abertura para o exterior no que respeita ao fornecimento de bens, serviços e também de mão-de-obra. A falta de mão-de-obra local é tradicionalmente compensada pela imigração e pelo recurso maciço aos trabalhadores transfronteiriços; esta disponibilidade externa de trabalho permitiu à economia crescer sem pressões excessivas na reserva de mão-de-obra local, limitada em número e que não teria sido suficiente para dar resposta, qualitativa e quantitativamente, ao crescimento destas últimas décadas. A situação resultante é um emprego interno que ultrapassa o emprego nacional.

Articulação de políticas [29]: A política de combate ao desemprego continua centrada na prevenção, assente na identificação precoce das necessidades, no enquadramento e no acompanhamento personalizado dos candidatos a emprego, e na activação dos desempregados e de outros inactivos, através de medidas de colocação profissional ou de formação e da introdução de novos dispositivos destinados a aumentar a flexibilidade dos que procuram um emprego. A procura de uma empregabilidade acrescida da mão-de-obra constitui um pilar fundamental da estratégia, bem desenvolvida anteriormente e com êxitos comprovados O pilar do espírito empresarial é o mais visado no PAN 2001, com um grande número de medidas técnicas, fiscais, financeiras ou incidindo no acesso das PME à formação contínua. A economia social vai ser brevemente alvo de nova regulamentação; é interessante observar o desenvolvimento desta nova articulação entre as esferas económica e social A adaptabilidade dos trabalhadores é particularmente acentuada nas novas tecnologias da informação e da comunicação. A igualdade de oportunidades é cada vez mais uma constante incontornável de todas as políticas.

[29] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: As recomendações especificamente dirigidas ao Luxemburgo foram seguidas em graus diferentes. O diálogo social, constante da vida económica e social deste país, viveu certas dificuldades aquando da elaboração do PAN 2000. Foi posteriormente retomado, nomeadamente por ocasição da preparação do PAN 2001. A formação contínua é facto consumado e faz parte do esforço colectivo de abertura para uma sociedade do conhecimento; estão ainda por definir as metas quantificadas do investimento em recursos humanos. Por último, e relativamente à recomendação referente aos trabalhadores mais velhos, a resposta é globalmente insuficiente, devendo tornar-se uma das prioridades futuras na estratégia em prol do emprego.

Desafios a enfrentar: Há que empreender reformas políticas que conduzam a um envelhecimento em actividade e procurem um aumento significativo das taxas de actividade das pessoas com mais de 55 anos. O ensino técnico e profissional visando combater o abandono escolar dos jovens sem qualificações profissionais constitui uma prioridade, a fim de obter uma melhor coerência entre os diferentes sectores do ensino e da formação ao longo da vida, incluindo os programas de aprendizagem e o contributo da sociedade civil. Deve ser prosseguida a sensibilização do mundo económico e social para o acesso das mulheres, para as disparidades salariais entre os sexos e para todas as medidas de incentivo ao aumento das taxas de actividade. Tendo em conta as características particulares, há que procurar uma cooperação regional reforçada Saar-Lor-Lux, com vista a conceber uma gestão mais harmonizada de toda a área com forte potencial de emprego na metrópole do Luxemburgo.

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PÁISES BAIXOS

Apreciação global: São claros os sinais de que o mais longo boom pós-guerra da economia neerlandesa está a chegar ao seu termo. Nos próximos anos, espera-se que os desempenhos da economia e do mercado laboral neerlandeses permaneçam superiores à média da UE. Para 2001, o crescimento previsto do emprego equivalente a tempo inteiro é de 1,75%. A taxa de desemprego deverá situar-se em torno dos 3%. Consequentemente, também não se registam alterações no elevado nível de procura de mão-de-obra, o que sem dúvida contribuirá para aumentar as taxas de emprego das mulheres e das pessoas com mais de 55 anos. Igualmente significativo é o facto de o emprego medido em equivalentes a tempo inteiro estar actualmente a crescer mais rapidamente do que quando medido em número de pessoas. Até os cidadãos desfavorecidos oriundos de minorias étnicas estão finalmente a beneficiar do mercado laboral em franca expansão. Um período prolongado de escassez de competências aumenta o risco de uma espiral salários-preços. A inflação alcançou um nível record de 4,3%. A economia neerlandesa terá provavelmente começado a arrefecer no momento certo.

Articulação de políticas [30]: Tradicionalmente, os Países Baixos centraram-se em aumentar a oferta real de mão-de-obra, através da activação e da prevenção e em medidas para tornar os sistemas fiscal e de prestações mais favoráveis ao emprego. Ao mesmo tempo, o governo, em conjunção com os parceiros sociais, recolocou a tónica em aumentos dos salários reais, em linha com a produtividade, as relações laborais flexíveis e a modernização da organização do trabalho, a fim de permitir a conciliação da vida profissional e familiar. Este ano, foi dada maior atenção à adaptabilidade e à exclusão social, o que veio melhorar o equilíbrio entre os quatro pilares da Estratégia Europeia de Emprego. O espírito empresarial continua a ser o pilar menos visível, principalmente porque é tratado através de medidas mais gerais nas áreas da fiscalidade e da concorrência. No modelo Polder dos Países Baixos, aos parceiros sociais incumbem responsabilidades próprias em áreas como a organização do trabalho, a remuneração e a aprendizagem ao longo da vida. O seu contributo foi igualmente significativo na elaboração do PAN.

[30] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: As autoridades neerlandesas introduziram um crédito de imposto geral para todos os trabalhadores, acrescido da possibilidade de as autoridades locais compensarem pessoas há muito dependentes de prestações com bónus substanciais no caso de estas aceitarem um trabalho remunerado. A Comissão Donner propôs uma soluação para evitar que o número de pessoas (parcialmente) incapacitadas ultrapasse a marca de um milhão. Registaram-se claras melhorias no acompanhamento estatístico da abordagem global. Pela primeira vez, foram fornecidas informações pelos três organismos responsáveis pela reinserção dos desempregados de curta duração. No entanto, dado que existem ainda problemas técnicos a resolver, será difícil apresentar elementos que comprovem o cumprimento das metas de 2002.

Desafios a enfrentar: A fim de contrariar o ciclo de pobreza, há que prestar mais atenção à acumulação de prestações de segurança social e de desemprego com outros subsídios aos baixos rendimentos. O consenso emergente sobre a forma de solucionar o problema da deficiência confere maior significância ao aumento do número de beneficiários do que à redução do mesmo. Há que não esquecer que, dada a dimensão do conjunto, são necessários esforços acrescidos para a reduzir. Particularmente significativas são as diligências para diminuir o risco de possível espiral salários-preços, em especial a implemetação de medidas para colocar trabalhadores em vagas de empregos difíceis de preencher. Há que prosseguir as acções para aumentar as taxas de emprego das pessoas com mais de 55 anos e das mulheres. Pese embora progressos consideráveis, continua a registar-se uma escassez na provisão de estruturas de acolhimento de crianças. A nova lei de provisão de estruturas de cuidados à infância entrará em vigor até ao ano 2003. É necessário reforçar a produtividade, prestando mais atenção à qualidade da oferta da mão-de-obra numa economia assente no conhecimento.

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ÁUSTRIA

Apreciação global: O ano 2000 foi marcado por resultados muito favoráveis da economia e do emprego, com um crescimento real do PIB de 3,2% e uma taxa de desemprego de 3,7%, uma das mais baixas da UE. Cifrando-se nos 68,3%, a taxa de emprego quase atinge a meta de Lisboa (77% para os homens, 59,4% para as mulheres). Contudo, os esforços empreendidos com o objectivo de reduzir os problemas estruturais do mercado de trabalho não produziram ainda os resultados esperados: a taxa de emprego dos trabalhadores mais velhos continua muito abaixo da média da UE e sofreu mesmo um decréscimo em 2000; existem disparidades significativas entre homens e mulheres no emprego e os efeitos positivos do novo subsídio para acolhimento de crianças estão ainda por demonstrar.

Articulação de políticas [31]: A Áustria está a responder aos desafios globais com que se depara através de uma estratégia coerente e de uma ampla gama de iniciativas no âmbito de todos os pilares, a fim de desenvolver o potencial de emprego da economia assente no conhecimento. As acções no contexto do pilar da empregabilidade parecem ser consolidadas a alto nível. O influxo para o desemprego de longa duração é muito reduzido, apesar de um ligeiro declínio das taxas de activação. A integração da perspectiva de género é parte essencial da agenda, mas com uma série de medidas que deveriam articular-se numa estratégia mais concisa. Os esforços envidados para consolidar as actividades no domínio da aprendizagem ao longo da vida foram acelerados, mas não constituem ainda uma estratégia global e integrada.

[31] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: Os objectivos do SPE são claramente orientados para os aspectos da Estratégia Europeia de Emprego e para as recomendações feitas à Áustria neste contexto, em especial no que respeita a grupos que enfrentam dificuldades no mercado de trabalho. Registou-se um forte decréscimo do número de pessoas deficientes desempregadas. Os claros objectivos do SPE em matéria de igualdade poderiam estimular outras instituições públicas e privadas a aplicar uma estratégia global a médio prazo nesta área. Esta questão assume relevância particular no que respeita à redução das disparidades salariais entre homens e mulheres. Não se registaram progressos em termos da redução da pesada carga fiscal sobre o trabalho, a qual é particularmente elevada no caso do trabalho pouco remunerado/pouco especializado. Foram feitas algumas alterações à legislação laboral e, tendo em conta os bons resultados do emprego, espera-se uma ligeira diminuição do seguro de desemprego. Parece que a redução do défice orçamental recebe mais apoios do que a diminuição da carga fiscal. A fim de persuadir os trabalhadores mais velhos a permanecer em actividade por períodos mais longos, o governo austríaco elevou a idade oficial de reforma antecipada dos 55 para 56,5 no caso das mulheres, e de 60 para 61,5 no caso dos homens; novas regulamentações em matéria de regimes de pensão por invalidez facilitam rambém uma transição gradual para a reforma. São igualmente fornecidos vários incentivos aos empregadores, encorajando-os a manter os trabalhadores mais velhos nos seus quadros por mais tempo. Os parceiros sociais apoiaram estas políticas destinadas a esta categoria de trabalhadores, alargando os acordos colectivos em matéria de trabalho a tempo parcial. Tendo em conta que a taxa de emprego dos trabalhadores mais velhos está ainda em queda, estas medidas afiguram-se insuficientes e há que envidar esforços centrados também na eficácia das mesmas.

Desafios a enfrentar: Com uma situação de quase pleno emprego, a Áustria deve continuar a colocar a tónica em grupos-alvo através de políticas laborais activas. Há que envidar esforços acrescidos para solucionar os problemas estruturais do sistema de emprego (por exemplo, a carga fiscal sobre o trabalho), especialmente de modo a reforçar as taxas de emprego de mulheres e trabalhadores mais velhos. São necessárias políticas para a integração de trabalhadores migrantes. O governo e os parceiros sociais, nos respectivos domínios de competência, devem chegar a acordo quanto a uma estratégia global e coerente de aprendizagem ao longo da vida que integre info-competências e formação profissional em todos os sectores do ensino e da formação. É necessária uma acção mais enérgica por parte de todos os responsáveis - governo (Bund e Länder) e parceiros sociais, para reduzir as disparidades salariais entre homens e mulheres e melhorar a provisão de serviços de cuidados.

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PORTUGAL

Apreciação global: A economia portuguesa cresceu 3,3% em 2000, a um ritmo superior ao de 1999. De um modo geral, os indicadores do mercado de trabalho revelam a continuação de bons desempenhos, com uma melhoria da taxa de emprego (68,3%) e uma diminuição da taxa de desemprego para 4,2%. Contudo, algumas fragilidades estruturais continuam a pôr em risco o futuro desenvolvimento do mercado de trabalho. Entre as mais importantes contam-se: baixos níveis de produtividade e de competências da força de trabalho, baixa participação em acções de formação contínua, elevados níveis de abandono escolar precoce e um sector dos serviços sub-desenvolvido.

Articulação de políticas [32]: Portugal está a dar resposta a estes problemas, concentrando-se no pilar da empregabilidade. Foi apresentado um plano exaustivo e ambicioso em matéria de aprendizagem ao longo da vida, cujos objectivos abrangem o desenvolvimento dos sistemas de ensino e de formação, o que exigirá uma aplicação rigorosa e medidas de acompanhamento e avaliação. Ao mesmo tempo, os desempregados estão a ser activados no âmbito de medidas nacionais que traduzem na prática as Orientações 1 e 2. Não foram apresentadas iniciativas dignas de registo no que respeita ao espírito empresarial. Em matéria de adaptabilidade, verifica-se um esforço de envolver os parceiros sociais através de acordos sectoriais, nomeadamente no domínio do mercado de trabalho e política de emprego, educação e formação. No âmbito do pilar da igualdade de oportunidades, o objectivo de alcançar uma proporção equilibrada de homens e mulheres participantes na vida familiar e profissional será principalmente apoiado pela expansão da rede de estruturas de acolhimento de crianças ao nível pré-escolar.

[32] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: Um vasto plano de aprendizagem ao longo da vida foi desenvolvido com o objectivo de melhorar a formação profissional inicial, através da diversificação de percursos dentro e fora do sistema de ensino formal, em especial para os adultos. Na concepção desse plano foi levado em consideração o papel que as novas tecnologias desempenharão num futuro próximo. O crescimento do sector dos serviços será promovido através do aumento das competências dos trabalhadores e da criação de mais postos de trabalho. No que respeita aos parceiros sociais, foi dado um importante passo com a assinatura de dois acordos tripartidos. A estratégia de conciliação da vida profissional e familiar concentra-se no alargamento da rede pré-escolar de estruturas de acolhimento de crianças, sem medidas de relevo para promover a participação dos homens na vida da família, embora Portugal tenha planos para adoptar novas legislação reconhecendo a indispensabilidade do direito à licença de paternidade.

Desafios e enfrentar: Portugal terá de modernizar a sua estrutura produtiva a fim de poder cumprir os requisitos futuros de um mercado mais global e competitivo. Para tal, é necessário criar mais postos de trabalho de qualidade no sector dos serviços e melhorar a produtividade laboral. Estes objectivos poderão ser concretizados através de uma correcta aplicação de um plano global de aprendizagem ao longo da vida, da actualização do nível de competências da força de trabalho, e do recurso a novas tecnologias no âmbito de compromissos concretos por parte dos parceiros sociais. Ao mesmo tempo, os jovens devem entrar no mercado de trabalho com as competências adequadas, devendo ser dada importância acrescida à redução do abandono escolar precoce. A não correspondência entre oferta e procura de empregos tem de merecer acções mais eficazes, em especial no que respeita à provisão de oportunidades de emprego adequadas para a população activa altamente qualificada. Há que dar uma impulso ainda mais forte à correcção dos desequilíbrios sectoriais em matéria de género.

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FINLÂNDIA

Apreciação global: A situação do mercado laboral na Finlândia continua a caracterizar-se por um crescimento económico (5,7%) e uma taxa de emprego (67,5%) superiores à média da UE. A taxa de desemprego é também mais elevada do que a média (9,8%), com fortes variações regionais. Ao mesmo tempo, emergem penúrias de competências e problemas de estrangulamentos em alguns sectores e centros de crescimento.

Articulação de políticas [33]: O PAN 2001 é uma continuação mais estratégica do PAN 2000 e visa melhorar o crescimento do emprego, a oferta de mão-de-obra e o funcionamento do mercado laboral, através do investimento no desenvolvimento de competências e qualificações. Todos os pilares estão bem representados, com algum destaque para o primeiro. A meta consiste em elevar a taxa de emprego para 70% até 2005, apesar de esta estar dependente da continuação do crescimento económico favorável e de um apoio eficaz das políticas laborais e de formação, de reformas do local de trabalho e de reduções fiscais, acompanhadas de acordos em matéria de moderação salarial. Apesar de uma melhoria na oferta de planos de acção oferecidos aos desempregados, a taxa de influxo para o desemprego de longa duração não deu sinais de muitos progressos. Ao elevar a taxa de emprego, é dedicada especial atenção a medidas que visam as pessoas mais velhas. O PAN inclui uma estratégia global de aprendizagem ao longo da vida integrada em todos os pilares. Prossegue a reforma das medidas activas do mercado de trabalho, com vista a evitar o influxo para o desemprego de longa duração e assegurar a disponibilidade de mão-de-obra, incluindo a promoção de serviços empregadores no SPE. O apoio à adaptabilidade e à qualidade da organização do trabalho, o reforço da parceria e a atenuação da segregação entre os géneros são questões ligadas à estratégia de crescimento assente no conhecimento. Há que prestar atenção acrescida à dimensão regional da política de emprego. Os parceiros sociais participam no processo do PAN.

[33] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: No que respeita aos incentivos, em 2000 foram feitas algumas alterações aos regimes de pensões visando contrariar a passagem à reforma antecipada. Em 2001, viram luz algumas novas iniciativas dirigidas às pessoas mais difíceis de colocar e serão revistas as possibilidades de aumentar os incentivos. Várias medidas serão também dedicadas aos mais velhos, através da actulização das respectivas competências e capacidade de trabalho. A Finlândia tem aplicada uma estratégia global para aliviar a carga fiscal sobre o trabalho em 1,5% do PIB entre 1999 e 2003. O imposto sobre o rendimento e as contribuições para a segurança social correspondem, em 2001, a cerca de 46,7% dos custos laborais do trabalhador médio. A fim de atenuar a segregação de géneros, estão a ser implementadas várias acções em cooperação com os parceiros sociais. Novas iniciativas foram empreendidas para aliviar as responsabilidades parentais e distribuir os custos da parentalidade incorridos pelos empregadores.

Desafios a enfrentar: Trata-se de problemas de estrangulamento imediatos, juntamente com a necessidade de assegurar no futuro uma oferta adequada de mão-de-obra, no contexto do envelhecimento da força de trabalho, da reforma antecipada, de fortes disparidades regionais e de desemprego estrutural. O núcleo duro do desemprego de longa duração requer especialmente um aumento da eficácia e da qualidade dos programas postos em prática no mercado de trabalho. Há que dar atenção ao elevado nível de desemprego juvenil. A segregação profissional tem ainda de merecer atenção, em especial no contexto da resolução dos problemas de estrangulamento, sendo igualmente necessários esforços acrescidos em matéria da criação de empresas viáveis e do desenvolvimento de uma cultura empresarial. Os resultados das reformas dos sistemas fiscais e de prestações devem ser acompanhados, e prosseguidos os esforços para reduzir a elevada carga fiscal sobre o trabalho, com especial incidência para as taxas fiscais marginais reais que pesam sobre os trabalhadores com baixos rendimentos.

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SUÉCIA

Apreciação global: O mercado de trabalho sueco registou melhorias substanciais ao longo dos últimos anos. O emprego aumentou no ano passado 2,2%. A taxa de emprego em 2000 era de 73%. O PIB continuou a registar um desenvolvimento muito favorável, com um aumento de 3,6% no ano passado. A taxa de desemprego continuou a diminuir, cifrando-se nos 5,9%. Observam-se alguns sinais de estrangulamentos no mercado de trabalho, em especial no sector das TIC, mas também no sector da saúde e de cuidados, não havendo ainda penúria generalizada de mão-de-obra. A taxa de emprego dos trabalhadores mais velhos permanece muito elevada, em comparação com a média da UE.

Articulação de políticas [34]: O principal objectivo da política de emprego na Suécia é atingir o pleno emprego. Foi fixada uma meta ambiciosa a médio prazo que prevê que, até 2004, 80% da população dos 20-64 anos esteja empregada. Segundo as previsões apresentadas no orçamento da Primavera, o objectivo não será alcançado com o actual crescimento do PIB. A política laboral foi reforçada com o objectivo de obter um mercado de trabalho eficiente, caracterizado pelo pleno emprego e por um elevado crescimento económico. A política posta em prática logrou reduzir o influxo para o desemprego de longa duração dos adultos, sendo que no caso dos jovens esta taxa permanece baixa. A política industrial visa estimular uma envolvente empresarial que permita o estabelecimento de novas empresas e a expansão das já existentes, mas também o aumento das competências nas novas tecnologias da informação e da acessibilidade neste domínio. O acordo de crescimento regional tem por objectivo utilizar os recursos existentes de modo mais eficaz e pode ser considerado um importante instrumento de política empresarial regional. No âmbito da política de ensino, o governo sueco salienta a importância de proporcionar os pré-requisitos adequados à aprendizagem ao longo da vida e acredita no investimento no ensino a todos os níveis. Aos parceiros sociais incumbem amplas responsabilidades para assegurar que aos indivíduos são dadas condições para encetar acções de aprendizagem ao longo da vida. Além disso, desempenharam um papel activo na preparação do PAN deste ano, com várias contribuições para o texto, principalmente no âmbito do pilar da adaptabilidade. A política de igualdade de oportunidades visa possibilitar a conciliação da vida familiar e profissional. À luz das tendências demográficas, é igualmente necessário aumentar a participação das mulheres na força de trabalho. Foram envidados esforços nesse sentido, mas a meta de reduzir a metade o número de pessoas a trabalhar a tempo parcial ainda não foi alcançada.

[34] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Resposta às Recomendações do Conselho 2000: Os esforços empreendidos para reduzir a elevada carga fiscal sobre o trabalho são um follow-up da reforma fiscal apresentada no ano anterior. Não foram notificadas quaisquer novas medidas para dimimuir a tributação do trabalho. Ainda que tenham sido reduzidos, os impostos permanecem mais elevados do que noutros Estados-Membros. A Suécia empreendeu acções enérgicas para aumentar os incentivos ao exercício de uma actividade. Já não é possível aceder a um novo período de subsídio de desemprego através da participação num esquema do mercado laboral e o seguro de desemprego é limitado a 600 dias de trabalho. Após os primeiros 100 dias, um desempregado é obrigado a aceitar a mobilidade geográfica e profissional, baixando o nível das prestações. Para além disso, foi introduzida uma garantia de actividade que visa quebrar o ciclo vicioso entre o desemprego e os programas do mercado de trabalho. A introdução da garantia de actividade reduziu igualmente o recurso ao seguro de desemprego enquanto pensão de reforma antecipada. Foi igualmente definida uma meta de reduzir a metade o nímero de pessoas dependentes de prestações de segurança social entre 1999 e 2004. A questão do acompanhamento e da avaliação dos actuais níveis de segregação profissional e sectorial foi já tratada no passado, não se registando novas iniciativas de vulto neste domínio. Em consequência da recomendação do Conselho, o governo instruiu as autoridades competentes para dar conta de iniciativas empreendidas no sentido de ultrapassar a segregação de género no mercado laboral. Os resultados desse relatório estão ainda por conhecer.

Desafios a enfrentar: Os impostos foram reduzidos mas a carga fiscal sobre o trabalho permanece elevada no contexto da UE. Apesar de melhorias na situação do mercado de trabalho para as minorias étnicas e os trabalhadores migrantes, o seu estatuto continua a ser difícil em comparação com as pessoas nascidas na Suécia, questão que tem de ser resolvida. Ainda que os parceiros sociais sejam responsáveis por grande parte das medidas empreendidas no âmbito do terceiro pilar, é desejável um envolvimento mais activo por parte do governo no sentido de encorajar, acompanhar e avaliar os progressos feitos pelos parceiros sociais. Apesar dos esforços em curso para uma intervenção atempada de combate à segregação profissional e sectorial, esta é ainda elevada, sendo necessárias acções ulteriores. Assegurar uma oferta de mão-de-obra suficiente a longo prazo e a eficácia dos programas laborais activos constituem igualmente desafios fundamentais para a Suécia.

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REINO UNIDO

Apreciação global: Favoráveis desempenhos do mercado de trabalho resultaram em mais um ano de crescimento do emprego, com uma taxa global de 71,2%. Ainda assim, persistem alguns desafios estruturais. Um em cinco empregadores afirmam defrontar-se com significativas lacunas nas competências dos seus trabalhadores. Os influxos para o desemprego de longa duração de jovens e adultos (16% e 10%, respectivamente) diminuíram ligeiramente em 2000, excedendo ainda os Estados-Membros com melhores desempenhos, ainda que os fluxos de saída se contem entre os mais elevados. A inactividade e o persistente desemprego de longa duração estão concentrados em agregados domésticos sem emprego, em áreas pobres e entre os grupos mais desfavorecidos (determinadas minorias étnicas, pessoas com deficência, trabalhadores masculinos mais velhos e famílias monoparentais). 40% das pessoas que vivem de prestações apresentam problemas de literacia ou numeracia.

Articulação de políticas [35]: A estratégia de emprego do Reino Unido coloca a tónica na tentativa de tornar o aumento do emprego mais inclusivo. Medidas adicionais no âmbito do pilar do espírito empresarial reforçam ainda mais o equilíbrio entre os pilares. As iniciativas locais de emprego são importantes para o governo e as administrações locais, permitindo atacar o problema das variações geográficas na criação de postos de trabalho. O pilar da adaptabilidade ilustra as actuais práticas laborais flexíveis, embora a adopção de medidas para aumentar a segurança dos trabalhadores viesse conferir mais equilíbrio à estratégia. Iniciativas empreendidas recentemente no âmbito da igualdade de oportunidades deverão melhorar o equilíbrio entre vida profissional e familiar.

[35] No contexto da execução das Orientações para o Emprego, a expressão "articulação de políticas" refere-se ao equilíbrio entre os quatro pilares das Orientações.

Respostas às Recomendações do Conselho 2000: O PAN deste ano volta a ilustrar o importante papel da parceria a nível local no Reino Unido. Aos parceiros locais foi atribuída uma missão mais flexível na aplicação de políticas de aprendizagem ao longo da vida e de inclusão social. Ao nível nacional, há indícios de um maior envolvimento dos dois principais parceiros sociais nacionais, mas não existe uma abordagem global, já que essa participação é limitada a uma série específica de questões.

A estratégia nacional em matéria de acolhimento de crianças continua a melhorar a provisão e o custo das estruturas de cuidados à infância e o seu impacto deve ser acompanhado de perto. Está a ser envidado um esforço especial para incentivar mais famílias monoparentais a entrar no mundo do trabalho. As disparidades salariais no caso das mulheres que trabalham a tempo inteiro estreitaram-se ligeiramente, mas continuam a ser das mais acentuadas na UE. O Reino Unido declarou-se interessado na consecução dessa redução, mas não foram definidas políticas específicas ou metas nesse domínio. O Reino Unido aceita a necessidade de uma representação mais equilibrada de homens e mulheres em todos os sectores, mas poderia aumentar a intervenção política para atingir esse objectivo.

Nos termos da definição comum do indicador da orientação 2, 12,4% dos desempregados participaram numa medida activa, ficando muito aquém da meta de 20%. A reforma do New Deal para os adultos, que actualmente intervém numa fase anterior, é uma resposta parcial à recomendação feita. O motivo de adiar o momento de intervenção para 18 em vez de 12 meses não é explicado no PAN. Com uma taxa de desemprego tão baixa, as pessoas que chegam ao New Deal aos 18 meses são as mais difíceis de ajudar e as menos capazes de competir no mercado laboral. Não é claro quantos dos desempregados de longa duração que encontram emprego o conseguem manter.

Enquanto parte da estratégia de aprendizagem ao longo da vida, o PAN ilustra a prioridade dada à melhoria dos baixos níveis de competências básicas, incentivando o acesso à aprendizagem e a participação na mesma. Grande parte da estratégia descrita em PAN anteriores está agora operacional, com destque para o papel da aprendizagem não formal. O PAN demonstra o impulso acrescido dado pela estratégia em prol das competências básicas para adultos, que envolve reformas da infraestrutura de aprendizagem e consideráveis novos recursos dirigidos para os que têm necessidades mais prementes.

Desafios a enfrentar: Para tentar solucionar o problema das disparidades de competências e da baixa produtividade, o governo e os parceiros sociais têm um importante papel a desempenhar no incentivo à formação em actividade, no âmbito de um enquadramento global da aprendizagem ao longo da vida (em especial nas pequenas e empresas). Especial revelância assumem as políticas dirigidas às pessoas com fracas competências básicas (literacia e numeracia). Embora sejam agora dados mais apoios aos adultos desempregados a quem são oferecidos 18 meses no âmbito do New Deal, o Reino Unido poderá reforçar a activação precoce através da intervenção para mais pessoas aos 12 meses. Com a inactividade cada vez mais concentrada nos grupos desfavorecidos, a provisão de apoios adicionais ajudariam a estreitar o fosso entre esses grupos e o resto da mão-de-obra no que respeita ao emprego. As disparidades salariais entre homens e mulheres continuam a ser das mais acentuadas da UE. O governo e os parceiros sociais têm ambos papéis fundamentais a desempenhar no tratamento desta questão. É importante tirar ilações da missão reforçada dos parceiros sociais na aplicação de políticas a nível nacional.

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4. O caminho a seguir

A panorâmica apresentada dos resultados e desenvolvimentos políticos dá azo a algum optimismo. Os desempenhos estão a melhorar, em termos de emprego e de desemprego. As políticas conhecem amplos desenvolvimentos em apoio das Orientações e das Recomendações para o Emprego, ainda que nem sempre através da abordagem sistemática que seria desejável.

Contudo, a análise efectuada aponta igualmente para a persistência de graves deficiências estruturais de que enfermam os mercados laborais da UE às quais é necessário dar respostas urgentes, por forma a assegurar o êxito da estratégia delineada em Lisboa.

Aumentar as taxas de emprego

A recente revisão em baixa das previsões do crescimento obriga os Estados-Membros da UE a prosseguir, com rigor, políticas que favoreçam a criação de postos de trabalho e o aumento da participação da mão-de-obra, de modo a garantir a consecução dos objectivos de Lisboa e do pleno emprego.

Uma aplicação transversal da Orientações para o Emprego fornece bases sólidas para uma estratégia global de aumento das taxas de emprego.

Do lado da oferta, há que prosseguir o investimento em medidas preventivas e activas destinadas a acelerar a reentrada dos desempregados no mercado de trabalho. Todos os Estados-Membros devem assegurar-se de que, até 2002, podem cumprir as metas de prevenção relativamente aos jovens e aos adultos acordadas na Cimeira do Luxemburgo de 1997. Há que prestar atenção acrescida à avaliação da eficácia das políticas laborais activas e respectiva adequação às necessidades específicas de desempregados e empregadores numa envolvente laboral em mutação. Devem ser envidados mais esforços no domínio das reformas dos sistemas fiscais e de prestações, visando em particular eliminar os desincentivos financeiros ao exercício de uma actividade e desencorajar a reforma antecipada. A aplicação rigorosa das estratégias emergentes de aprendizagem ao longo da vida assume revelância idêntica.

Do lado da procura, devem ser prosseguidas as medidas para promover uma cultura empresarial e eliminar os obstáculos à criação e ao funcionamento de pequenas e médias empresas. O desenvolvimento de melhores indicadores e parâmetros de referência poderão contribuir para avanços políticos neste domínio. A tendência recente, e ainda modesta, de redução da tributação do trabalho deverá ser consolidada, com particular atenção para o trabalho de baixa remuneração.

Neste contexto, é pois necessária uma articulação equilibrada de políticas, apoiada por metas concretas a nível nacional.

Qualidade no trabalho

A qualidade no trabalho é uma problemática pluridimensional que reflecte, simultaneamente, as características intrínsecas dos empregos individuais e da envolvente laboral mais ampla, e características do mercado de trabalho. Melhorar a qualidade do emprego é um factor decisivo para atrair mais pessoas ao mercado de trabalho e mantê-las em actividade.

Melhores condições de trabalho e estruturas que favoreçam a conciliação da vida profissional e familiar são determinantes para aumentar a participação dos trabalhadores mais velhos, das mulheres e das pessoas com deficiência. Garantir uma melhor qualidade no emprego pode contribuir para solucionar as dificuldades emergentes em termos de recrutamento em vários sectores, sejam eles públicos ou privados. Melhores perspectivas de carreira e desenvolvimento são importantes para prevenir o abandono do mercado de trabalho e as consequentes situações de exclusão social. A qualidade no trabalho é também um factor de produtividade acrescida, do mesmo modo que níveis elevados de produtividade promovem a qualidade.

Enquanto área política que associa os objectivos da competitividade e da inclusão social, a qualidade é uma componente central do modelo social europeu e a chave do sucesso da estratégia de Lisboa. As autoridades nacionais e os parceiros sociais partilham a responsabilidade pela qualidade no trabalho.

Acção mais incisiva em prol da igualdade de oportunidades

Uma característica notável do mercado laboral europeu ao longo dos últimos anos tem sido o aumento da participação das mulheres Não obstante, este elevado nível de crescimento assentou em empregos a tempo parcial, num diferencial de salários no sector privado que ronda os 20%, e em persistentes tectos de vidro no que respeita ao desenvolvimento de carreira e aos cargos de gestão. A menos que sejam aplicadas políticas para solucionar estes desequilíbrios, o objectivo da Cimeira de Lisboa (60% de taxa de emprego feminino até 2010) não será concretizado. Significa isto que os Estados-Membros devem envidar esforços acrescidos para multiplicar as acções no âmbito do pilar da igualdade de oportunidades, também em virtude da pouca atenção que mereceram no PAN 2001 comparativamente a anos anteriores. São necessárias mais acções determinadas para atacar as disparidades entre homens e mulheres, em especial na esfera salarial. Estreitar o fosso salarial que separa uns e outras é uma forma de investimento num factor produtivo, não apenas solucionando uma fonte essencial de desigualdade entre os géneros, mas melhorando igualmente a motivação das mulheres trabalhadoras, o que pode induzir um aumento da produtividade laboral e ajudar a dessegregar o mercado e a alterar os papéis tradicionais.

Melhorar a capacidade e explorar o potencial dos trabalhadores mais velhos

O grupo de trabalhadores com idades entre os 55 e os 64 anos apresenta taxas de emprego especialmente baixas, exigindo uma série de medidas mais determinadas, com vista à consecução da meta definida na Cimeira de Estocolmo de uma taxa de emprego para este grupo etário de 50% até 2010. Uma análise dos PAN recentes indica que os Estados-Membros reconhecem plenamente a importância da questão, tendo iniciado algumas reformas associadas às pensões, com incidência particular nos regimes de pré-reforma. Contudo, parece haver alguma relutância em adoptar medidas rigorosas para desincentivar a reforma antecipada, em especial do lado dos parceiros sociais.

Para lá dessas reformas, há que implementar uma ampla gama de medidas para atrair os trabalhadores mais velhos ao mercado de trabalho e mantê-los em actividade, especialmente assentes numa abordagem preventiva e numa profunda mudança cultural.

Investimento em recursos humanos, aprendizagem ao longo da vida, resposta à escassez de mão-de-obra e de competências

As taxas de emprego podem ser condicionadas por uma inadequada correspondência entre oferta e procura de mão-de-obra. As tensões entre oferta e procura emergentes numa série de mercados (aos níveis nacional, local ou sectorial) impõem uma atenção acrescida à mobilidade profissional e geográfica de trabalhadores. Os esforços envidados para tornar a aprendizagem ao longo da vida uma realidade deverão melhorar os níveis globais de competências e qualificações - entre os desempregados e os que têm já um emprego, bem como entre os sucessivos grupos de recém-chegados ao mercado de trabalho. Igualmente importantes no contexto de uma economia cada vez mais assente no conhecimento, as medidas destinadas a chegar aos não-aprendentes, o desenvolvimento de formas de aprendizagem mais flexíveis e a promoção de "habitos de aprendizagem" entre os adultos assumirão uma relevância crítica, ao permitir à força de trabalho a actualização contínua de competências e qualificações, em resposta às necessidades em mutação do mercado laboral. Melhorar a capacidade de fazer a correspondência entre oferta e procura por parte dos serviços de emprego é importante neste contexto e os esforços de modernização em curso devem ser prosseguidos com vigor. Os progressos alcançados na construção de uma base de dados à escala europeia que recolhe oportunidades de emprego e de formação, em resposta ao solicitado na Cimeira de Lisboa, deverão constituir as bases para aumentar a transparência do mercado laboral europeu.

Combater a exclusão social

As actuais condições económicas devem ser exploradas ao máximo para combater a exclusão social, abrindo novas oportunidades no mercado de trabalho aos grupos mais fragilizados da sociedade. A participação no mundo laboral é um elemento determinante da inclusão social. Há que alargar cada vez mais o acesso às medidas activas aos indivíduos a que se dirigem e ajustá-las às características das pessoas mais difíceis de colocar. A transição de um emprego assistido e de uma economia informal para o mercado de trabalho em geral deve ser apoiada activamente, à semelhança da passagem de empregos de baixa qualidade para outros de qualidade superior, estando já provado que asseguram melhores perspectivas de emprego. Para tal, é fundamental proporcionar às pessoas em risco de exclusão acesso adequado a qualificações e competências.

Ao levarem por diante os seus compromissos complementares em termos de emprego e inclusão, os Estados-Membros deverão visar uma dessegmentação de medidas, bem como de mercados laborais. Este processo deverá ser conseguido através de uma cooperação sólida entre as instituições competentes a todos os níveis - da concepção de políticas à sua aplicação no terreno.

Parceiros sociais

O convite dirigido aos parceiros sociais nas Orientações 2001 no sentido de desenvolverem os seus próprios processos de apoio à Estratégia Europeia de Emprego não foi objecto de respostas significativas. O apoio das organizações de parceiros sociais à Estratégia Europeia de Emprego - expresso, por exemplo, na declaração apresentada ao Conselho Europeu de Estocolmo - não encontra, pois, eco em contributos visíveis para todo o processo. Dado o papel fundamental dos parceiros sociais no êxito da Estratégia Europeia de Emprego, e com o devido respeito pela sua autonomia, é necessário garantir que a sua participação ganhe expressão acrescida no futuro.

Disparidades regionais

As disparidades entre as regiões em termos de emprego são ainda inaceitavelmente elevadas na União Europeia. Ainda que as disparidades entre Estados-Membros tendam a diminuir, as que opõem as regiões têm tendência para se tornarem mais acentuadas. Este facto exige esforços reforçados no sentido de se encontrar um melhor equilíbrio entre a situação que se vive nas regiões europeias em termos de emprego. Estes esforços incluem transferências financeiras, mas devem ter por base a necessidade de reforçar a competitividade regional. O investimento em capital físico e humano deve continuar a ser um objectivo fundamental das políticas europeias, nacionais e regionais. A Estratégia Europeia de Emprego fornece um enquadramento adequado para tal.

Fundo Social Europeu (FSE)

O FSE foi consagrado como um importante instrumento de apoio às políticas de emprego dos Estados-Membros. Contudo, as operações do FSE podem parecer afastadas da Estratégia de Emprego, na medida em que nem sempre é fácil especificar o contributo deste Fundo para a mesma. Ainda que a intensidade de financiamento FSE varie entre os Estados-Membros, há que redobrar esforços por forma a assegurar, numa base permanente, a coerência entre o FSE e a Estratégia Europeia de Emprego. Agora que foram lançados os programas 2000-2006, é necessário atender igualmente aos procedimentos e às disposições institucionais. Além disso, é preciso flexibilidade para manter a capacidade de o FSE se adaptar a circunstâncias em mutação, nomeadamente o contexto dos objectivos da Estratégia de Emprego. A iniciativa comunitária EQUAL deverá igualmente dar um importante contributo para o combate à discriminação no acesso ao mercado de trabalho e à participação no mesmo.

Follow-up

A Comissão e o Conselho continuarão a desenvolver e a aplicar a Estratégia Europeia de Emprego, através:

* da execução determinada das Orientações e das Recomendações para o Emprego, no âmbito de todos os pilares, tendo em consideração os objectivos horizontais;

* do reforço das Orientações para o Emprego, de modo a atender à avaliação anteriormente efectuada de políticas e desafios. Em especial, há que intensificar disposições em matéria de:

* metas de taxas de emprego para os trabalhadores mais velhos

* promoção de empregos de melhor qualidade

* redução das disparidades salariais entre homens e mulheres

* de uma análise aprofundada das condições para a promoção da participação acrescida na força de trabalho e para um envelhecimento em actividade, assente no Relatório Conjunto da Comissão e do Conselho, tal como solicitado aquando do Conselho Europeu de Estocolmo;

* de um Plano de Acção em matéria de Competências e Mobilidade para apoiar o desenvolvimento de novos mercados laborais europeus, com base nos resultados dos trabalhos do Grupo de Alto Nível constituído na sequência da Cimeira de Estocolmo, elaborado a tempo de ser apresentado à Cimeira da Primavera de 2002;

* de um Plano de Acção em matéria de Aprendizagem ao Longo da Vida, na sequência de um amplo processo de consulta em 2001 com os Estados-Membros, outras instituições da UE, parceiros sociais, ONG e outras, com base no Memorando do ano passado [36], bem como de um programa de trabalho circunstanciado sobre o acompanhamento dos objectivos futuros dos sistemas de ensino e formação, tal como solicitado pelo Conselho Europeu de Estocolmo;

[36] SEC(2000) 1832, 31.10.2000.

* do desenvolvimento continuado de indicadores para avaliar os progressos no âmbito das Orientações para o Emprego, com especial ênfase para as disparidades salariais entre homens e mulheres e os serviços de cuidados a crianças e outros dependentes, bem como a questão da qualidade (ver infra);

* da proposta ao Conselho Europeu de Dezembro de 2001 relativa ao desenvolvimento de indicadores de qualidade no trabalho, tomando por base a Comunicação da Comissão sobre investimento na qualidade [37]; e

[37] COM(2001) 313 final de 20.6.2001.

* de uma avaliação aprofundada do impacto da Estratégia Europeia de Emprego em termos de políticas e desempenhos ao longo dos anos desde a sua introdução, a concluir em 2002.

1.

Anexo 1: Síntese dos principais indicadores de 2000 [38]

[38] Para informações mais detalhadas sobre os indicadores-chave, ver infra.

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Definição e fonte dos indicadores-chave

Dados Trimestrais sobre as Forças de Trabalho - Eurostat (QLFD)

A série que aqui se apresenta substitui os dados dos últimos anos retirados do IFT e das séries de referência sobre o emprego, utilizados em anteriores relatórios "Emprego na Europa" e Relatórios Conjuntos sobre o Emprego. Enquanto inquérito, o IFT apresenta algumas deficiências. O segundo trimestre é considerado como representativo de todo o ano e o inquérito varia no tempo, o que impede comparações fiáveis. Por forma a corrigir estes problemas, foram criadas, a pedido da DG Emprego, as séries de referência em matéria de emprego. Estas séries não foram compiladas sob a responsabilidade do Eurostat. Basicamente, o objectivo consistia em construir séries temporais comparativas fiáveis sobre o emprego utilizando as melhores fontes disponíveis para cada país. Este ano, o Eurostat compilou uma base de dados intitulada QLFD, assente num conceito idêntico. À excepção da taxa de desemprego, da taxa de desemprego juvenil, das taxas de emprego em equivalentes a tempo inteiro e dos indicadores económicos associados, todos os indicadores se baseiam nestas séries. Apresenta-se de seguida uma descrição circunstanciada.

Os Dados Trimestrais sobre as Forças de Trabalho do Eurostat (QLFD) são compostos por duas séries trimestrais com início em 1991, actualizadas trimestralmente e abrangendo os Estados-Membros da UE, UE-15 e UE-12:

* população, emprego e desemprego por sexo e idade, principalmente com base nos resultados do IEFT;

* emprego por actividade económica e por situação na profissão (principalmente com base nos relatórios económicos ESA-1995, dados do emprego), ventilados por sexo e por algumas características de emprego.

A População, emprego e desemprego por sexo e idade

Os resultados do IEFT (fornecidos pelos Serviços Nacionais de Estatística em conformidade com o Regulamento do Conselho nº 155/1998) são tornados coerentes ao longo do tempo (de modo a eliminar interrupções nas séries) e completados (por estimativas assentes em dados sobre o emprego nacional provenientes de outras fontes) sempre que os dados trimestrais do IEFT não se encontrem disponíveis.

Estes dados só incluem a população que vive em agregados privados (excluindo os agregados colectivos) e referem-se ao local de residência (conceito nacional).

São utilizados os seguintes grupos etários: menos de 15, 15-19, 20-24, 25-29, 30-54, 55-59, 60-64, a partir de 65 inclusive.

Os dados do emprego por sexo e idade são ainda repartidos por emprego civil e forças armadas.

Os dados do desemprego por sexo e idade são ainda repartidos por duração da procura de trabalho (menos de 6 meses, 6-11, 12-23, 24 ou mais).

B Emprego por actividade económica e situação na profissão

Os dados do emprego ESA-1995 (fornecidos pelos Serviços Nacionais de Estatística, em conformidade com o Regulamento do Conselho nº 2223/1996) estão disponíveis por NACE, rev.1-A6 e por situação na profissão (trabalhadores por conta de outrém/trabalhadores por conta própria).

Estes dados são tornados coerentes no tempo (quando necessário) e completados (por estimativas com base nos resultados do ITF ou de fontes nacionais sobre o emprego) sempre que os dados ESA-1995 não se encontram disponíveis.

São ainda ventilados por sexo, trabalho a tempo inteiro/tempo parcial, contratos permanentes/temporários (utilizando uma abordagem descendente com o IFT ou outros dados nacionais).

Abrangem todas as pessoas empregadas em unidades produtivas residentes (conceito nacional), incluindo pessoas que vivem em agregados colectivos.

Os principais indicadores: definições e fontes

I Taxa de emprego por grupos etários (15-64, 15-24, 25-54, 55-64) e por sexo

Definição: pessoas empregadas em percentagem da população total do mesmo sexo e grupo etário.

Fonte: QLFD, Eurostat, parte A.

II Taxa de emprego equivalente a tempo inteiro por sexo na faixa etária 15-64

Definição: emprego equivalente a tempo inteiro em percentagem da população total do mesmo sexo e grupo etário (sendo o emprego equivalente a tempo inteiro definido como o número total de horas trabalhadas dividido pela média anual das horas trabalhadas em empregos a tempo inteiro).

Fonte: Inquérito Europeu às Forças de Trabalho (dados da Primavera) - (dados referentes à Bélgica ajustados pelo Eurostat).

III Taxa de desemprego por sexo

Definição: pessoas desempregadas em percentagem da população activa do mesmo sexo e grupo etário.

Fonte: Séries harmonizadas do Eurostat sobre desemprego, médias anuais de estimativas mensais.

IV Taxa de desemprego de longa duração por sexo

Definição: desempregados de longa duração (há 12 meses ou mais) em percentagem da população activa do mesmo sexo.

Fonte: QLFD, Eurostat, parte A.

V Taxa de desemprego juvenil por sexo

Definição: pessoas desempregadas na faixa etária 15-24 em percentagem da população total do mesmo sexo e grupo etário.

Fonte: Séries harmonizadas do Eurostat sobre desemprego, médias anuais de estimativas mensais.

VI Crescimento do Emprego

Definição: variação anual da população empregadas em unidades produtivas residentes.

Fonte: QLFD, Eurostat, parte B.

VII Outros indicadores de emprego (crescimento real do PIB, crescimento da produtividade laboral e custos laborais unitários reais) são fornecidos pela DG ECFIN (base de dados AMECO), com base nas contas nacionais (definições ESA-95) e nas previsões da Primavera. Os dados referem a variação média anual em relação ao ano anterior em percentagem.

Outros indicadores-chave

VIII Participação em educação e formação

Definição: percentagem da população em idade activa que participa em acções de educação e formação, ventilada por sexo e grupo etário (25-34, 35-44, 45-54, 55-64 e 25-64), situação na profissão e níveis de instrução.

Fonte: Inquérito Europeu às Forças de Trabalho, Eurostat (dados da Primavera).

IX Taxa de abandono escolar precoce

Definição: percentagem de jovens entre os 18-24 anos que completaram o ensino secundário de nível inferior (nível 2 ISCED) ou menos e não frequentam qualquer acção ulterior de educação ou formação, ventilada por sexo e situação na profissão.

Fonte: Inquérito Europeu às Forças de Trabalho, Eurostat (dados da Primavera).

X Cobertura Internet nas escolas

Definição: Percentagem de escolas primárias e secundárias com acesso Internet.

Fonte: Benchmarking Report, na sequência do documento "Estratégias de criação de empregos na Sociedade da Informação", SEC(2001) 222 (7/2/01), com base nos dados nacionais fornecidos pelo Grupo de Alto Nível sobre Emprego e a Dimensão Social da Sociedade da Informação.

XI Taxa de auto-emprego por sexo

Definição:Auto-emprego em percentagem do emprego total por sexo.

Fonte: Inquérito às Forças de Trabalho, Eurostat

XII Taxa de emprego nos serviços

Definição: taxa de emprego no sector dos serviços relativa a 1998-99-00, ventilada por idade: 15-64, por sexo: homens/mulheres/total e por classificação NACE: Serviços.

Fonte: Inquérito às Forças de Trabalho, Eurostat

XIII Taxa fiscal marginal

Definição: aumento do imposto sobre o rendimento singular e das contribuições para a segurança social dividido pelo aumento das remunerações brutas, por situação familiar e nível de salário.

Fonte: OCDE, "Taxing Wage- Taxes on wages and salaries, social security contributions for employees and their employers, child benefits", vários anos. Serviços da Comissão, assentes na base de dados da OCDE, 1996-1999/2000.

XIV Carga fiscal média para um trabalhador solteiro que aufere uma baixa remuneração

Definição: total dos impostos (imposto sobre o rendimento individual, contribuições para a segurança social devidas por trabalhadores e empregadores, incluindo impostos sobre os salários) pagos por um trabalhador solteiro (trabalhador médio a tempo inteiro) com dois filhos, cujo salário corresponde a 50% ou 60% do salário médio da média, e as remunerações brutas. Este rácio pode ser ainda subdividido nas seus componentes fiscais.

As informações têm por base índices de tributação construídos para agregados domésticos hipotéticos.

Fonte: "Taxing wages - taxes on wages and salaries, social security contributions for employees and their employers", serviços da Comissão com base em base de dados OCDE 1996-1999/2000.

XV Proporção de trabalhadores em empregos atípicos

Definição: número de trabalhadores em empregos atípicos (em termos salariais) em percentagem do número total de trabalhadores, ventilado por sexo.

Fonte: QLFD, Eurostat

XVI Disparidades salariais entre géneros

Definição: Proporção do índice de remuneração líquida horária das mulheres, em relação ao dos homens, para trabalhadores remunerados por um trabalho superior a 15 horas. Repartição entre sector privado e público. Relativamente à França, foram usados rendimentos horários.

Fonte: Eurostat, Painel Comunitário dos Agregados Domésticos

4.

Anexo 2: Síntese dos indicadores definidos de comum acordo em matéria de activação e prevenção para 2000

>POSIÇÃO NUMA TABELA>

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Notas explicativas relativas ao anexo 2:

Indicador de esforço (C/A): percentagem de jovens/adultos desempregados que ficaram desempregados no mês X e iniciaram um plano de acção individual antes de atingir um período de desemprego de 6/12 meses.

Taxa de não cumprimento (D/B): proporção de jovens/adultos desempregados que ficaram desempregados no mês X e que continuavam sem emprego nos meses X+6/12 sem ter iniciado um plano de acção individual.

Indicador de resultado (taxa de influxo para o desemprego de longa duração) (B/A): proporção de jovens/adultos desempregados que continuavam desempregados no final do mês X+6/12 sem interrupção.

Notas sobre o indicador de prevenção específico dos Estados-Membros:

* Bélgica: os indicadores não são comparáveis com os dos outros Estados-Membros na medida em que interrupções no período de desemprego inferiores a três meses não são contadas como saídas do desemprego.

* Alemanha: o indicador referente aos adultos pode incluir todos os desempregados.

* Dinamarca: os dados abrangem apenas os desempregados cobertos por um seguro de desemprego.

* Grécia: os dados referentes à categoria dos adultos desempregados correspondem a 1999. Os cálculos do indicador C/A baseiam-se numa medida de substituição da variável C que abrange os desempregados que participam num programa de trabalho no prazo de 6/12 meses para jovens e adultos, respectivamente.

* Países Baixos: os indicadores incidem apenas em pessoas recentemente desempregadas. Jovens desempregados: os indicadores têm por base a situação 12 meses após registo no desemprego.

A taxa de activação é definida pelo número médio anual de pessoas anteriormente desempregadas que participam em medidas activas (E), dividido pelo número médio anual de desempregados registados (F) e participantes em medidas activas. A definição do indicador de input foi alterada nos PAN deste ano por forma a melhor reflectir o facto de que a participação nas medidas activas na maioria dos Estados-Membros acaba com a situação de desemprego. É agora definida como E/(E+F) em vez de E/F. As medidas activas incluem, de um modo geral, formação, rotação e partilha de empregos, incentivos ao emprego, integração das pessoas com deficiência, criação directa de empregos e incentivos à criação de empresas.

Observações sobre o indicador de activação dos Estados-Membros:

* Bélgica: dados de 1999.

* Dinamarca: os dados abrangem apenas os desempregados cobertos por um seguro de desemprego.

* França: ventilação por sexo referente a dados de 1999.